MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL
VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI
FACULDADE DE MEDICINA DO MUCURI- FAMMUC
ESTUDO DIRIGIDO SANGRAMENTOS EXTERNOS
Data: 25/06/25 Discente: Vinícius Chaves Silva Matrícula: 20212040009
1) Quais são os principais tipos de sangramentos externos e como
identificá-los?
Os sangramentos podem ser classificados de acordo sua cor, quantidade de
oxigênio, velocidade e cada tipo de sangramento exige uma conduta diferente,
podemos citar:
Sangramento Arterial: Vem das artérias, possui coloração vermelho vivo,
devido alta concentração de oxigênio, é rápido e pulsátil, pode jorrar em
ondas sincronizadas com o pulso arterial, é de alta gravidade pois pode
levar ao choque hemorrágico podendo levar à morte em minutos
Sangramento Venoso: Tem origem das veias, é pobre em oxigênio, é um
sangue vermelho mais escuro, deivo à menor concentração de oxigênio,
tem velocidade contínua, com fluxo constante, porém menos intenso e
menos pulsátil do que o arterial. É um sangue volumoso, porém tende a
ser menos urgente que o sangramento arterial.
Sangramento Capilar: Advém dos capilares, pequenos vasos sanguíneos
que conectam artérias e veias nos tecidos, geralmente é vermelho, o
sangramento é lento e superficial, com sangue que geralmente escorre,
é o sangramento menos grave e normalmente se controla com pressão
direta simples.
Importância da identificação e manejo: É muito importante realizar a
identificação do tipo de sangramento para que possa ser definido o manejo e
aplicar as técnicas de controle adequadas. Um exemplo é que sangramentos
artérias exigem intervenção imediata, como aplicação rápida de torniquete ou
pressão direta vigorosa, para evitar o choque hemorrágico. Já sangramentos
venosos e capilares geralmente têm boa resposta à pressão direta e
tamponamento local. Também nessa avaliação inicial é importante determinar
se o local é compressível ou não compressível, o que influencia no controle
hemorrágico.
2) Quais são os passos básicos para realizar uma compressão eficaz no
controle de sangramentos externos?
O controle da hemorragia externa, especialmente de sangramentos
compressíveis, inicia-se pela aplicação da compressão direta sobre a fonte do
sangramento, sendo a técnica mais simples e eficaz para estancar o fluxo
sanguíneo e para realizar essa técnica de forma correta devemos seguir os
seguintes passos:
A. Expor a ferida — Remova as roupas ou qualquer material que esteja
sobre o local do sangramento para permitir a visualização direta da fonte
hemorrágica. Isso é fundamental para aplicar a pressão no local correto
e eficaz.
B. Pressionar diretamente sobre a fonte do sangramento — Use as mãos
para aplicar pressão firme e constante diretamente sobre o vaso
sanguíneo que está sangrando, preferencialmente sobre uma superfície
rígida subjacente (como o osso) para maximizar a compressão do vaso.
A pressão deve ser forte o suficiente para interromper o fluxo sanguíneo,
mas sem deslocar materiais que possam estar tamponando a ferida.
C. Manter curativos ensanguentados no local — Caso haja curativos já
aplicados e estejam saturados, não os retire, pois isso interromperia a
pressão e pioraria o sangramento. Em vez disso, sobreponha novos
curativos para aumentar a pressão.
D. Aplicação contínua da pressão — A pressão deve ser mantida sem
interrupções por pelo menos três minutos, tempo suficiente para que a
hemostasia inicial ocorra, especialmente quando forem usados curativos
hemostáticos.
E. Reforçar curativos saturados com novos curativos — Ao invés de trocar
os curativos ensanguentados, reforce-os com compressas adicionais
para manter a pressão efetiva sobre o vaso.
F. Em situações com recursos limitados — A aplicação prolongada de
pressão direta pode ser inviável (ex.: transporte, ambiente com múltiplas
vítimas). Nesses casos, é indicado o uso de outros métodos
complementares, como torniquetes, para controle mais rápido e efetivo
da hemorragia.
E quando devemos elevar o membro afetado? para responder a isso
devemos levar em consideração:
● Elevação do membro é uma medida auxiliar para ajudar a reduzir o
sangramento e o edema, pois favorece o retorno venoso e diminui a
pressão hidrostática local.
● Quando usar: A elevação deve ser realizada junto com a compressão
direta, principalmente em casos de sangramentos em extremidades,
sempre que possível e se não houver suspeita de fratura ou lesão que
contraindique o movimento.
● Limitações: Se houver risco de agravar lesões ósseas ou traumáticas, a
elevação pode ser contraindicada para evitar lesões adicionais.
3) Quais são os materiais mais indicados para a realização de curativos em
casos de sangramento externo e como utilizá-los adequadamente?
Podemos citar:
● Pano limpo ou gaze estéril: São utilizados para tamponar a ferida,
absorver o sangue e fornecer pressão direta sobre o local do
sangramento. Devem ser aplicados diretamente na ferida, preenchendo
o espaço morto da lesão.
● Curativos impregnados com agentes hemostáticos: Curativos especiais
impregnados com substâncias hemostáticas, mucoadesivos ou
procoagulantes são indicados para auxiliar na coagulação local. Esses
agentes ajudam a aumentar a pressão interna na ferida e aceleram a
hemostasia. Após a aplicação desses curativos, é necessário manter
pressão direta por pelo menos três minutos para garantir sua eficácia.
● Compressas adicionais: São usadas para reforçar a pressão sobre
curativos que já estejam saturados, evitando a remoção do curativo
inicial, que pode desestabilizar o controle do sangramento.
● Curativos radiopacos: Alguns curativos hemostáticos possuem marcador
radiopaco para facilitar a visualização em exames de imagem, embora
possam causar artefatos em tomografia computadorizada.
● Bandagens: As bandagens são importantes no atendimento inicial a
ferimentos, sendo utilizadas principalmente para fixar curativos, manter a
pressão sobre o local da lesão, proteger a área afetada e, em alguns
casos, oferecer imobilização e suporte. Existem diferentes tipos de
bandagens, cada uma com funções específicas:
○ As bandagens de rolo são as mais comuns. Consistem em uma
tira contínua, geralmente feita de gaze de algodão leve e flexível.
São utilizadas principalmente para proteger feridas e fixar
curativos no local, permitindo que a compressão direta seja
mantida de forma estável e eficaz.
○ As bandagens triangulares estão entre as mais versáteis e são
frequentemente encontradas em kits de primeiros socorros. Elas
são projetadas para a confecção de tipóias (eslingas) e são úteis
para oferecer suporte a lesões em tecidos moles ou para a
imobilização provisória de ossos fraturados, especialmente em
situações de emergência.
○ As bandagens tubulares são menos versáteis, porém apresentam
benefícios importantes. São utilizadas para fornecer suporte a
articulações, como joelhos e cotovelos, e também para manter
curativos fixados firmemente sobre membros. Seu formato tubular
permite uma aplicação uniforme ao redor do segmento corporal,
promovendo estabilidade e conforto.l
Como utilizar adequadamente esses materiais?
● Tamponamento da ferida: Deve-se introduzir o curativo (pano limpo,
gaze ou hemostático) profundamente dentro da ferida, preenchendo
espaços mortos para exercer pressão sobre os vasos sangrantes
internos.
● Pressão direta firme: Após o preenchimento da ferida, aplica-se pressão
firme com as duas mãos, garantindo que o sangramento seja
interrompido.
● Manter pressão constante: A pressão deve ser mantida por pelo menos
três minutos para permitir a coagulação e o início da hemostasia,
especialmente com curativos impregnados com agentes hemostáticos.
● Não remover curativos saturados: Caso o curativo fique ensanguentado,
não se deve removê-lo, pois isso interrompe a pressão e pode agravar o
sangramento. Ao invés disso, deve-se sobrepor novas compressas para
reforçar a pressão.
● Monitoramento constante: O curativo deve ser avaliado regularmente
para assegurar que a hemostasia seja mantida e para evitar
complicações.
4) Quais são as indicações e contraindicações para o uso de torniquetes
no controle de sangramentos externos graves?
O uso de torniquetes é interessante quando pensamos em quadros de
hemorragia arterial nas extremidades que não pode ser controlada
adequadamente por meio de pressão direta ou tamponamento da ferida.
Nesses casos, como em sangramentos intensos das áreas proximais das
extremidades, o torniquete atua como uma medida temporária eficaz para
cessar o fluxo sanguíneo e evitar a exsanguinação. Além disso, seu uso é
especialmente recomendado em ambientes onde a manutenção da pressão
direta contínua é inviável, como em situações de combate ou eventos civis com
múltiplas vítimas.
Por outro lado, o torniquete não deve ser utilizado quando o sangramento pode
ser controlado por métodos menos invasivos, como pressão direta ou curativos
hemostáticos, para evitar complicações desnecessárias. Também é
contraindicado aplicar o torniquete sobre articulações (como cotovelo, punho,
joelho e tornozelo), pois isso pode causar lesões nervosas e comprometer a
eficácia do controle do sangramento. Aplicar o torniquete sobre roupas ou
outros materiais que impeçam o contato direto com a pele também reduz sua
eficácia. Além disso, o uso prolongado do torniquete sem supervisão médica
pode causar danos irreversíveis.
Os riscos associados ao uso inadequado incluem danos teciduais por
isquemia, lesões nervosas que podem levar a paralisias transitórias,
desenvolvimento de síndrome compartimental devido à compressão venosa
inadequada e dor intensa para o paciente. Também pode haver um falso senso
de segurança, retardando o transporte para tratamento definitivo.
Após a aplicação do torniquete, é fundamental posicioná-lo corretamente,
geralmente de 5 a 7,5 cm proximal à ferida, evitando articulações e nervos.
Deve-se apertar o torniquete até que o pulso distal desapareça, garantindo
oclusão arterial completa. O horário da aplicação deve ser registrado
claramente no paciente ou no próprio torniquete para monitorar o tempo de
isquemia. O torniquete deve ser mantido até que o paciente receba
atendimento cirúrgico definitivo, não sendo recomendada sua afrouxamento ou
remoção fora do ambiente hospitalar com suporte adequado. Durante o
transporte, é importante reavaliar constantemente a eficácia e a posição do
torniquete. Caso o sangramento persista, pode-se aplicar um segundo
torniquete proximal ao primeiro, sem remover o inicial.
5) Como proceder em casos de sangramentos persistentes que não
respondem à compressão direta e curativos iniciais?
Nesse caso é interessante recorrer a técnicas adicionais para controlar o
sangramento e evitar a evolução para choque hemorrágico. Uma das
estratégias complementares é a compressão indireta, que consiste em
pressionar pontos de pressão específicos onde artérias importantes passam
próximas à superfície da pele, permitindo reduzir o fluxo sanguíneo para a área
lesionada. Esse método pode ajudar a controlar o sangramento quando a
pressão direta não é suficiente, especialmente em locais onde o acesso direto
ao vaso lesionado é difícil.
Outra técnica importante é o uso de agentes hemostáticos, que são curativos
impregnados com substâncias que favorecem a coagulação local, acelerando a
formação do coágulo e auxiliando na estancação do sangramento. Esses
curativos hemostáticos devem ser aplicados diretamente na ferida,
pressionados firmemente por pelo menos três minutos para garantir sua
eficácia. O tamponamento da ferida com gaze ou curativo impregnado também
ajuda a preencher espaços mortos e exercer pressão sobre vasos profundos
que não são facilmente acessíveis pela pressão direta simples.
Se mesmo com essas medidas o sangramento persistir, o próximo passo é a
aplicação criteriosa de um torniquete, especialmente em casos de hemorragia
arterial de extremidades, quando os métodos conservadores falham. É
fundamental que, diante de um sangramento persistente e potencialmente
grave, o paciente seja transportado imediatamente para um serviço de
emergência equipado para realizar avaliação clínica detalhada e intervenções
cirúrgicas ou endovasculares definitivas.
Durante o transporte, devemos ter atenção para manter o controle da
hemorragia, monitorar sinais vitais e assegurar que os dispositivos de controle
aplicados estejam funcionando corretamente. A transferência rápida para um
centro de trauma de alta complexidade é essencial para o sucesso do
tratamento e para minimizar o risco de complicações graves, como choque
hemorrágico e morte.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
● Berry C, Fischer PE. Control of external hemorrhage in trauma
patients. In: Bulger EM, Aydin A, editors. UpToDate [Internet]. Waltham
(MA): UpToDate Inc.; 2023 [atualizado em 20 nov. 2023; acesso em 23
jun. 2025 às 22:23]. Disponível em:
[Link]
uma-patients?search=controle%20de%20sangramentos%20externos&s
ource=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display
_rank=1
● American College of Surgeons (ACS). ATLS: Suporte Avançado de
Vida no Trauma: atendimento padronizado ao trauma. 11ª ed. São
Paulo: Atheneu; 2021.