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Contos de Horror e Existencialismo

O documento apresenta três histórias distintas: 'A Noite do Olho Silencioso', onde uma presença misteriosa transforma os habitantes de uma vila em seres apáticos; 'Sangue no Campo', que retrata a desumanização e o desespero dos soldados em uma guerra sem glória; e 'Azul no Abismo', onde um capitão encontra uma esfera alienígena que lhe revela memórias e o silêncio eterno do universo.

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Contos de Horror e Existencialismo

O documento apresenta três histórias distintas: 'A Noite do Olho Silencioso', onde uma presença misteriosa transforma os habitantes de uma vila em seres apáticos; 'Sangue no Campo', que retrata a desumanização e o desespero dos soldados em uma guerra sem glória; e 'Azul no Abismo', onde um capitão encontra uma esfera alienígena que lhe revela memórias e o silêncio eterno do universo.

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A Noite do Olho Silencioso

Gênero: Suspense / Horror psicológico

Na vila esquecida pelo tempo, onde as casas eram devoradas por musgo e os postes de
luz falhavam toda noite, algo começou a observar. Não com olhos, mas com presença.
Um tipo de olhar que queimava a nuca, pesava o corpo, e nunca vinha de lugar algum.
Chamavam de “O Olho Silencioso”.

As primeiras vítimas não desapareceram — elas mudaram. Tornaram-se imóveis,


apáticas, vivas apenas por obrigação. Sentavam-se na praça e observavam o nada por
horas, até que seus olhos perdiam a cor. Os mais velhos diziam que, uma vez visto,
o Olho nunca te deixava.

Mas não era algo que se via… era algo que te via primeiro.

Guilherme, um garoto de 17 anos, nunca acreditou nas lendas. Até a noite em que
acordou com a porta de seu quarto aberta e a luz do poste piscando como se gritasse
em código. Ao lado de sua cama, havia uma sombra que não projetava sombra. Ela
apenas o encarava.

Na manhã seguinte, Guilherme já não piscava.

E mais ninguém também.

Sangue no Campo
Gênero: Ficção histórica / drama de guerra

O campo estava úmido, com lama até os tornozelos e o cheiro metálico do sangue
misturado ao da pólvora. Soldados caíam, não como heróis, mas como homens com medo.
Gritavam por mães, filhos, deuses — às vezes por ninguém. Era a oitava batalha em
nove dias.

Miguel, com o uniforme rasgado e as mãos enfaixadas, não sentia mais raiva. Só
cansaço. Não havia glória ali, apenas sobrevivência. O soldado ao seu lado soluçava
silenciosamente, apertando um retrato molhado da esposa. Miguel queria consolá-lo,
mas não lembrava mais como usar palavras.

Quando o comandante deu o sinal, ele correu. Os pés afundavam, os disparos zuniam.
À frente, um homem do exército inimigo tropeçou. Eles se encararam por dois
segundos eternos — e não atiraram. Ambos largaram suas armas quase ao mesmo tempo.

Naquele momento, Miguel entendeu: nenhum deles estava ali por escolha. Eles eram
apenas peças do jogo de alguém mais distante e bem alimentado.

No dia seguinte, ambos foram executados por covardia.


Azul no Abismo
Gênero: Ficção científica / existencialismo

O mergulho aconteceu às 03:41 da manhã. O capitão Leon Harker desceu sozinho na


cápsula abissal Cetus, rumo a uma profundidade nunca antes alcançada. Lá embaixo, a
luz morre. Os sons cessam. O tempo dobra em silêncio.

Aos 12.000 metros, algo apareceu. Não um monstro, mas uma estrutura. Geométrica,
simétrica, como se feita por algo... não humano. Era uma esfera translúcida,
pulsando levemente, quase como um coração.

Leon aproximou-se. E foi quando ela “olhou” de volta.


Uma onda de memórias atravessou sua mente: lugares que nunca visitou, idiomas que
nunca ouviu, sensações que não eram suas. Ele viu o planeta Terra se formar. Viu
oceanos cobrindo tudo. Viu seres surgindo e desaparecendo, e viu... o vazio.

A esfera comunicou sem palavras: “Nós observamos. Sempre estivemos aqui.”

Ao emergir, 4 horas depois, Harker não disse uma palavra. Seus olhos estavam
completamente azuis.

E nunca mais falou.

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