Serwyn Mallister é o segundo filho de Sor Jason Mallister, senhor de Seagard.
Seu
irmão mais velho, Sor Patrek Mallister, é o herdeiro da casa. Desde pequeno, Serwyn
demonstrava um espírito calmo, observador e incomumente gentil para alguém de
sangue nobre. Enquanto Patrek era impulsivo, orgulhoso e habilidoso com a espada,
Serwyn mostrava-se disciplinado, ponderado e honrado ao extremo. Ambos eram amados,
cada um à sua maneira.
Serwyn sempre sonhou em ser cavaleiro. Desde criança, idealizava a cavalaria, a
justiça e as histórias contadas pelos bardos do Tridente. Patrek foi preparado para
governar, enquanto Serwyn montava cavalos e treinava com escudeiros e soldados,
alimentando o desejo de um dia entrar em um torneio com uma armadura brilhante.
Mas a realidade era outra. Serwyn não tinha talento algum para armas. Caía do
cavalo, cortava-se com a própria espada de treino, perdia os confrontos com garotos
mais fracos, e frequentemente precisava ser salvo por Patrek. Ainda assim, não
desistia. Era incansável, movido não por ambição, mas por ideal. Mesmo quando era
motivo de riso, mantinha a cabeça erguida.
Apesar das diferenças, os irmãos eram próximos na infância. Patrek protegia Serwyn
dos outros, e Serwyn encobria as travessuras do irmão mais velho. No entanto, as
pessoas ao redor da casa murmuravam que Serwyn talvez fosse um herdeiro mais justo.
Sementes de intriga começaram a brotar nos salões de Seagard.
Aos 11 anos, Serwyn tornou-se escudeiro de seu tio, Sor Darron Mallister. Era um
excelente escudeiro, leal, obediente, meticuloso. Nunca errou uma entrega de escudo
ou adaga, jamais esqueceu de limpar a armadura ou de alimentar o cavalo. Era, em
tudo, um servo exemplar. Exceto no combate. Era um desastre. E mesmo assim, Sor
Darron o elogiava como “mais cavaleiro do que muitos que já vi empunhar uma
espada.”
Evento de Adolescência (14 Anos - Romance)
Foi no verão que Serwyn conheceu Elysa Tully, uma parente distante dos senhores de
Riverrun. Ela estava em Seagard como parte de uma visita, acompanhando a tia, uma
viúva devota dos Sete. Elysa, no entanto, não era nada devota. Com três anos a mais
que Serwyn e um espírito livre como o vento, ela logo percebeu que o jovem nobre
dos olhos atentos e jeito gentil não era tão inocente quanto parecia. E isso a
divertia.
Elysa foi sua primeira. Uma noite no jardim, entre as sombras das ameias e os ecos
do mar, ela o seduziu com palavras doces, provocações sutis e mãos ousadas. Durante
os poucos dias em que Elysa permaneceu em Seagard, eles se encontravam às
escondidas sempre que podiam. Risos abafados, e amassos urgentes. Foi um verão
ardente, feito para se lembrar e para se esconder.
Patrek descobriu. Não por ciúmes, mas por intuição. Quando soube que o irmão
deixara de ser um menino, Patrek não brigou. Ao contrário, levou Serwyn a um
prostíbulo, como rito de passagem. “Agora você é um homem”, dissera, brindando com
vinho e rindo alto. Serwyn, envergonhado, mas curioso, viveu ali uma segunda
iniciação, menos romântica, mais carnal, e ainda assim formadora. Com o tempo,
Serwyn aprenderia a conter seus desejos sob o peso do voto de castidade imposto
pela Cidadela, ou ao menos a esconder melhor.
Evento da Adolescência (15 Anos - Intriga na Família)
Tudo mudou no dia em que Sor Darron morreu. Ele havia sido mortalmente ferido em um
confronto com saqueadores das Ilhas de Ferro. No leito de morte, pediu a Lorde
Jason que considerasse Serwyn como herdeiro, afirmando que ele representava o
verdadeiro espírito da Casa Mallister.
Esse pedido desencadeou uma onda de intrigas e suspeitas em Seagard. Alguns
cavaleiros, conselheiros e até o septão da casa passaram a ver Serwyn com outros
olhos. Rumores diziam que Darron pretendia consagrar Serwyn cavaleiro antes de
morrer. Mesmo tão jovem, Serwyn começou a atrair a simpatia silenciosa de parte dos
servos, soldados e moradores. Seu senso de justiça e empatia contrastava com o
comportamento cada vez mais arrogante de Patrek.
Patrek, então com 18 anos e já cavaleiro, ficou furioso. Ele sempre amou o irmão,
mas a suspeita e o orgulho transformaram esse amor em desconfiança. A relação entre
os dois esfriou. Olhares substituíram palavras, e o silêncio tornou-se o novo
idioma da família.
Temendo uma futura crise de sucessão, ou até mesmo um conflito entre os irmãos,
Lorde Jason tomou uma decisão dura: enviou Serwyn para a Cidadela. A justificativa
pública foi cumprir o último desejo de Darron: "Se o garoto tem um coração nobre,
que sirva ao reino com sabedoria." Mas todos sabiam o real motivo. Serwyn estava
sendo removido do tabuleiro. Quando soube da decisão, Serwyn implorou para ir à
Muralha. Lá, dizia, poderia se tornar um homem de verdade, um guerreiro, talvez até
um comandante um dia. Suplicou, chorou, jurou que honraria a Casa mesmo vestido de
negro. Mas seu pai, conhecendo a inocência e do filho, o forçou a ir para a
Cidadela. Disse que era o único caminho para ele.
E Serwyn, com o coração em ruínas, aceitou. Não se revoltou. Não gritou. Não
enfrentou o irmão, nem o pai. Não houve despedidas. Apenas um adeus silencioso
carregado de orgulho.
Cidadela (15 a 18 Anos)
Oldtown era fria de um jeito diferente de Seagard. As pedras antigas da Cidadela
guardavam silêncio e indiferença. Os salões estavam cheios de acólitos de casas
menores, resignados ao destino. Mas Serwyn não era um deles. Ele era um Mallister,
e honraria sua casa.
No começo, Serwyn odiava cada pedra daquele lugar. A Cidadela era cinzenta,
abafada, impessoal. Os mestres falavam em lógica e tradição, mas muitos ignoravam
os princípios que ensinavam. Serwyn sentia-se um estrangeiro, um nobre exilado. Mas
ao invés de rejeitar esse mundo, ele o suportou, como um guerreiro suporta o frio
da madrugada em guarda. E, com o tempo, aprendeu a respeitar o silêncio da
biblioteca como respeitava os soldados de Seagard.
Ele não se deixou consumir por nostalgia ou revolta. Nunca agia por prazer, desejo
ou vaidade. Tudo que fazia era por dever. Vestia-se com sobriedade, comia pouco,
dormia cedo, estudava com a mesma disciplina com que treinava no passado. Outros
acólitos zombavam, mas aos poucos, até os zombadores começaram a pedir ajuda quando
estavam em dúvida. E Serwyn ajudava, sempre com paciência e firmeza.
Ele abraçou os preceitos de um cavaleiro como nunca antes. Foi o mais justo, o mais
bondoso, o mais prestativo. Estudava com rigor, ajudava outros acólitos, cuidava
dos mais novos e era exemplo de conduta. Era respeitoso com os mestres, organizava
os corredores da torre, estudava com afinco, lia com atenção, e demonstrava
inteligência natural.
Fez poucos amigos, mas bons. Um deles era Toller, um acólito nascido em Casterly
Rock, com talento para línguas e uma língua afiada para piadas. Outro, Hob, um
bastardo de Riverland, de fala simples e coração leal. Seus companheiros sabiam: se
ele dava sua palavra, era como ferro batido. Ele era estóico. Dificilmente ria
alto. Não fazia confissões. Mas escutava os outros com respeito. Com o tempo,
começou a se interessar profundamente por guerra, botânica medicinal, anatomia,
filosofia moral e história antiga. Seus estudos não eram motivados por curiosidade,
mas por propósito: um maester bem preparado poderia proteger e servir melhor.
Aos 18 anos, já havia forjado 11 elos, um feito raro para sua idade. Possuía os
elos de medicina, guerra, corvagem, heráldica, política, história, filosofia,
venenos, arquitetura, botânica, e matemática. Sim, escapou uma ou duas vezes para
um bordel em noites de vinho. Mas a vergonha o consumia. Voltava cabisbaixo,
confessava a si mesmo como se estivesse perante os deuses, e redobrava seus
esforços no dia seguinte. Nunca precisou de ninguém para apontar seus erros.
No entanto, algo maior marcaria seu destino. Descobriu que um arquimestre abusava
de acólitos mais jovens. E onde outros silenciavam por medo, Serwyn falou.
Denunciou. Diante dos velhos. Foi firme, claro, incontestável. E por isso, pagou o
preço.
Disfarçando a punição de “atribuição prática”, a Cidadela o “exilou”. Enviaram-no
ao Norte. Longe da política de Oldtown, longe da proteção da casa Mallister. Um
jovem brilhante, disciplinado, idealista, despachado como um incômodo.
Evento de Juventude (16 Anos – Ato Heróico)
Em uma breve visita a Seagard, Serwyn reencontrou apenas seu pai. Patrek,
convenientemente, estava em Riverrun tratando de assuntos diplomáticos. Após uma
semana, Serwyn partiu rumo a Oldtown.
Em sua passagem por Maidenpool, testemunhou uma tentativa de assalto. Um grupo de
ladrões cercava uma mulher e seus filhos pequenos. Sem hesitar, Serwyn interveio.
Empunhou sua espada com firmeza e enfrentou os bandidos. A mulher o chamou de “meu
cavaleiro”, e ele, por um momento, acreditou ser um.
Hoje (18 anos – Destino no Norte)
Agora, aos 18 anos, Serwyn cavalga sob os céus cinzentos do Norte, não como um
meistre exilado, mas como um homem em missão. A Cidadela declarou que ele estava
“preparado para o campo”. Mas os que sabiam ler nas entrelinhas, entenderam: ele
havia sido afastado com elegância. Um gesto silencioso para retirá-lo da política
de Oldtown, e da sombra incômoda que sua denúncia projetava sobre os mais velhos.
Seu destino é a Casa Blackpine, uma casa guerreira, austera, marcada por uma
rebelião fracassada contra os Stark. Seus salões são frios, seus muros rachados
pelo tempo, e seus homens, tão endurecidos quanto as pedras. Não há glória ali.
Apenas neve, suor e cicatrizes. Para um sulista vaidoso e mimado, criado à beira-
mar, entre livros empoeirados e salões iluminados pelas cores de Seagard, aquilo é
como um castigo cruel. E é exatamente isso que é. Mas para Serwyn, a missão é
servir. E se os deuses o enviaram ao Norte, então é ali que deve cumprir o dever.
Se sente desconforto, jamais o demonstra. Se sente medo, o esconde.
O antigo meistre da casa caiu das ameias durante uma tempestade. Foi chamado de
acidente. Serwyn não comenta. Apenas registra a informação. Ele não é tolo, mas
tampouco é movido por desconfiança. Se houver verdades ocultas, elas surgirão no
tempo certo. O Norte não é feito para homens como ele, jovens, sulistas, nobres de
fala comedida e mãos limpas. Mas Serwyn não espera acolhimento. Não espera
respeito. Apenas a chance de cumprir o que lhe foi confiado.
Aos olhos dos Blackpine, ele é estranho: fala pouco, ouve demais, nunca se senta
sem ser chamado. Sua presença é silenciosa, e por isso desconfortável. Traz uma
corrente forjada com esforço, uma mente treinada e uma determinação férrea que não
precisa ser alardeada.
Apesar da seriedade, do estoicismo e do senso de honra, Serwyn ainda carrega tudo
aquilo que perdeu. Ele pensa no irmão mais do que admite. Sonha com o pátio de
Seagard, com os dias em que seu tio lhe dizia que ele seria um grande cavaleiro. E,
às vezes, quando está sozinho, encosta a mão na corrente e pergunta aos deuses, se
é que ainda acredita neles, se tudo isso era mesmo o seu destino.