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Transformação Chuva-Vazão em Hidrogramas

O documento aborda a transformação da precipitação em vazão em bacias hidrográficas, destacando a importância da estimativa da resposta da bacia a diferentes eventos de chuva. Apresenta métodos simplificados e modelagem para a transformação chuva-vazão, incluindo o Método Racional e o Hidrograma Unitário. Além disso, discute a análise de hidrogramas e a relação entre tempo de concentração e duração da chuva.

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Transformação Chuva-Vazão em Hidrogramas

O documento aborda a transformação da precipitação em vazão em bacias hidrográficas, destacando a importância da estimativa da resposta da bacia a diferentes eventos de chuva. Apresenta métodos simplificados e modelagem para a transformação chuva-vazão, incluindo o Método Racional e o Hidrograma Unitário. Além disso, discute a análise de hidrogramas e a relação entre tempo de concentração e duração da chuva.

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HIDROGRAMAS

Por, Profª Celme Torres F da Costa


Transformação da precipitação em
vazão

O papel hidrológico da bacia hidrográfica é o


de transformar uma entrada de volume de
água concentrada no tempo – a precipitação
– em uma saída de água mais distribuída no
tempo – a vazão.

Isso é o que se chama de


transformação chuva-vazão.
2
Um dos principais interesses da hidrologia
consiste justamente em estimar a
transformação de chuva em vazão, ou seja,
tentar estimar qual a resposta da bacia
hidrográfica dada a ocorrência de uma
determinada precipitação.

estimar os impactos sobre a vazão em um rio


e sobre o meio ambiente decorrentes de
mudanças na ocupação do solo, como a
impermeabilização de áreas pela urbanização
Aplicações ou o desmatamento.

previsão e controle de enchentes.

3
❖ Se imaginamos um pulso de chuva de curta duração;

❖ A bacia hidrográfica é um sistema que transforma uma


entrada quase imediata em uma saída distribuída ao
longo do tempo, como mostrado na figura.
Existem duas formas para realizar a
transformação chuva-vazão:

1. métodos simplificados que procuram


estimar características do hidrograma;
2. modelagem do processo “chuva-vazão”.

No primeiro caso, são empregadas equações


empíricas que estimam parâmetros como a
vazão e o tempo de pico do hidrograma, por
exemplo, sendo mais comuns os métodos
racional e do hidrograma unitário.
5
Modelos hidrológicos (modelos chuva-vazão),
no outro caso, procura-se reproduzir os
processos físicos envolvidos na
transformação chuva-vazão, sendo necessária
uma grande quantidade de informações,
como:
• dados históricos observados de chuva e vazão,
• caracterização espacial do tipo e uso do solo,
• informações de relevo,
• rede de drenagem, etc,
• além de um alto custo de recursos e de tempo.

6
Métodos de estimativa do escoamento a
partir de dados de chuva
✓ Na engenharia, em estudos hidrológicos, há
interesse em se conhecer o hidrograma de
projeto associado a um período de
retorno: Q(t, Tr).
✓ Isto é, deseja-se determinar o hidrograma
associado a uma chuva de projeto, através de
método que promove a transformação chuva-
vazão, expressa por:

𝑖𝑒𝑓 𝑡𝑑 , 𝑇𝑟 → 𝑄𝑠 (𝑡, 𝑇𝑟)


7
Em geral, o ESCOAMENTO SUPERFICIAL que
se deseja conhecer é aquele que resulta da
chuva capaz de produzir uma enchente do
curso d’água.

Entretanto, pode-se mesmo desejar conhecer o


escoamento superficial resultante de uma
chuva qualquer.

▪ Método racional

▪ Método do hidrograma unitário

8
MÉTODO RACIONAL é o mais simples dentre
todos os modelos hidrológicos que promovem
a transformação de uma chuva em
escoamento superficial.
✓ A aplicação do método deve ser restrita a
pequenas bacias hidrográficas, ou
simplesmente, pequenas superfícies de
drenagem.
✓ É recomendável limitar a aplicação do
método para áreas inferiores a 5,0 km2.

9
MÉTODO RACIONAL consiste apenas em
estimar a vazão de pico do hidrograma para
uma determinada bacia, considerando que a
vazão é diretamente proporcional à área da
bacia e à intensidade da chuva.

Essa consideração assume que a precipitação ocorre


uniformemente em toda a área da bacia, e também
que a intensidade é constante ao longo da duração
da precipitação – em outras palavras, distribuição
espacial e temporal uniformes da precipitação.

10
MÉTODO RACIONAL utiliza uma equação
simples que exprime um estado permanente
da transformação da chuva em vazão.
Tal situação somente ocorre quando a chuva
de intensidade constante e duração superior ao
tempo de concentração da bacia cobre toda a
área de drenagem.
Assim, se ocorre uma chuva intensa uniforme i,
com duração td ≥ tc, a vazão resultante, de
acordo com o método racional, é dada por:

𝑄 =𝐶∙𝑖∙𝐴
MÉTODO RACIONAL
𝑄 =𝐶∙𝑖∙𝐴

Sendo:
Q o escoamento superficial, em m3/s;
i a intensidade da chuva, em m/s;
A a área de drenagem, em m2, e
C o coeficiente de escoamento ou deflúvio
superficial (runoff), parâmetro que leva em conta
o grau de permeabilidade da área de drenagem.
12
Caso a ocupação da bacia seja relativamente
diversificada, podendo-se identificar subáreas
homogêneas, correspondendo a diferentes valores do
coeficiente de escoamento superficial, o valor a adotar
pode ser determinado pela média ponderada daqueles
referentes a cada subárea:
𝑛
1
𝐶 = ෍(𝐶𝑗 . 𝐴𝑗 )
𝐴
𝑗=1
▪ C é o coeficiente de escoamento superficial;
▪ A é área total da bacia;
▪ Cj e Aj são o coeficiente de escoamento superficial e a área da
bacia correspondentes ao tipo de ocupação j, respectivamente;
▪ n é a quantidade de tipos de ocupação identificados na bacia
13
COEFICIENTE DE ESCOAMENTO
SUPERFICIAL NO MÉTODO RACIONAL

Estas tabelas consideram o tipo de solo, a vegetação e


alguns aspectos associados ao manuseio do solo e a
urbanização.

Na prática, o coeficiente de escoamento superficial é


normalmente escolhido de tabelas elaboradas com base
nas características da bacia hidrográfica, ou da área de
drenagem em estudo

Existem 03 TABELAS para a obtenção do


coeficiente de escoamento superficial.
14
Tabela que contém os valores recomendados pela
American Society of Civil Engineers
Tabela de uso em áreas agrícolas


C = 1 − (C′1 + C′ 2 + C′ 3 )
Tabela de valores de C valores adotados pela
Prefeitura do município de São Paulo
ANÁLISE DO
HIDROGRAMA

Na Figura, juntamente com o hietograma da precipitação


ocorrida na bacia, representa-se a correspondente curva da
vazão na seção do curso d’água – HIDROGRAMA.
Obtenção dos
pontos A e I do
Hidrograma

➢ O ponto A representa o início da contribuição do


escoamento superficial devido à chuva.

➢ Passa-se, em A, de uma recessão anterior à chuva para


uma ascensão súbita da linha do hidrograma decorrente do
escoamento superficial direto.

➢ Assim, em geral, o ponto A é facilmente determinado, pois


corresponde a uma mudança brusca na inclinação da
curva de vazão.
Obtenção dos
pontos A e I do
Hidrograma

➢ O ponto I situado no ramo de recessão da curva do


hidrograma é de determinação mais difícil,
existindo vários critérios na literatura para a sua
obtenção.
Segundo Linsley, Kohler & Paulhus (1975), o intervalo de
tempo N, contado a partir do instante da ocorrência do pico do
hidrograma até o momento correspondente à inflexão no ramo
de recessão (ponto I), pode ser avaliado por uma expressão
empírica:

𝑁 = 𝐴0,2 Onde, N é obtido em dias, para a área A da


bacia em milhas quadradas.

Como 1 milha é igual a aproximadamente 1,609 quilômetros,


a equação pode ser rearranjada na forma:

𝑁 = 0,827𝐴0,2 Onde, N é obtido em dias, para a


área A da bacia em km2
A obtenção do ponto I baseia-se na estimativa do
intervalo de tempo contado desde a última precipitação
que cai na bacia até o instante da ocorrência do ponto I.

❖ Este intervalo corresponde ao tempo de concentração (tc).

❖ Existem na literatura várias equações empíricas.


Por exemplo, segundo Kirpich:

tc é obtido em minutos;
0,385
𝐿3 L = comprimento do rio, em km;
𝑡𝑐 = 57 z = diferença de elevação entre o ponto
∆𝑧 mais remoto da bacia e o nível d’água na
seção considerada, em metros.
tc é obtido em minutos;
0,385
𝐿3 L = comprimento do rio, em km;
𝑡𝑐 = 57 z = diferença de elevação entre o ponto
∆𝑧 mais remoto da bacia e o nível d’água na
seção considerada, em metros.
Precipitação, i (mm/h)

Tempo

tc

N
Vazão, Q (m3/s)

A
Tempo
tA tI
Forma do Hidrograma
Relação Tc e Td
A relação tempo de concentração (Tc) e tempo
de duração da chuva (Td) condicionará, no
hidrograma, à existência de um ou mais pontos
de inflexão.

Vamos analisar o caso particular da bacia


hipotética de tempo de concentração Tc
submetida a precipitações de diferentes
durações.
24
Forma do Hidrograma
Relação Tc e Td
Hidrograma das Chuvas A, B e C Caso A → Td < Tc
13
12 Caso B → Td = Tc
11
10 Caso C → Td > Tc
9
Vazão (m3/s)

8
7
Caso A
6
5
Caso B
4 Caso C
3
2
1
0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Td (A) Tc Tempo (min)

Td (B) Tc

Td (C) Tc 25
Relação Tc e Td
Caso A
➢ Similarmente ao Caso C, existem dois pontos
de inflexão.
➢ O patamar ocorre, em virtude de uma
compensação entre a água que deixou de
precipitar após o td e aquela oriunda da parte
mais a jusante da bacia.

26
Relação Tc e Td
Caso B
➢ Existência de um único ponto de inflexão
devido ao fato do término da chuva coincidir
com o momento em que toda a bacia contribui
para a vazão na seção de controle.
➢ A figura mostra que a chuva cuja duração é
igual ao tempo de concentração, produzirá
uma maior vazão no ponto de controle, sendo
portanto considerada de duração crítica.

27
Relação Tc e Td
Caso C
➢ Existência de dois pontos de inflexão;

➢ Ponto de inflexão, corresponde ao tempo de


concentração Tc, e o outro corresponde ao tempo de
duração de chuva Td;

➢ O patamar entre Tc e Td resulta do fato de que, uma


vez atingido Tc (contribuição simultânea de toda a
bacia), a chuva prossegue sem elevar a vazão, já que
sua intensidade é admitida constante, ou seja, há
compensação entre o inflow e o outflow.

28
Características de um HIDROGRAMA

Todo
HIDROGRAMA
está relacionado
a uma CHUVA
29
Hidrograma
Unitário
Denomina-se HIDRÓGRAFA UNITÁRIA, OU
HIDROGRAMA UNITÁRIO (HU), ao
hidrograma característico da bacia
correspondente à resposta da mesma à chuva
efetiva uniforme de certa duração td e altura
pluviométrica igual a 1cm.

O HIDROGRAMA UNITÁRIO transforma


dados de chuva em vazão, especialmente
quando se necessita da vazão máxima de
projeto e do comportamento da vazão de
cheia ao longo do tempo.

31
O conceito de HIDROGRAMA UNITÁRIO
(HU) corresponde à resposta da bacia a uma
precipitação unitária.
✓ Para outra duração de chuva, já corresponderia um
outro HU.
✓ Os HUs representam uma característica da bacia,
sendo reflexo de todos os fatores intervenientes no
processo de transformação chuva-vazão que dizem
respeito à bacia (área, rede de drenagem, relevo, tipo
e cobertura do solo, etc).
Entretanto, o conceito de HIDROGRAMA
UNITÁRIO assume simplificadamente a
uniformidade das distribuições espacial e
temporal da precipitação. 32
Esquema ilustrativo do conceito de
HIDROGRAMA UNITÁRIO

33
A partir de dados históricos
observados de vazão e Para contornar essa dificuldade
precipitação, há alguns foram desenvolvidos HIDROGRAMAS
procedimentos para estimar o UNITÁRIOS “artificiais”, estimados
HU da bacia para determinada com base em relações empíricas a
duração, como os descritos em partir de características físicas da
Tucci (2000). bacia e do tempo de concentração –
são os chamados
Entretanto, não é comum a
disponibilidade das HIDROGRAMAS UNITÁRIOS
informações requeridas, SINTÉTICOS (HUS)
impossibilitando a aplicação
desses procedimentos

34
Um dos HIDROGRAMAS UNITÁRIOS
SINTÉTICOS (HUS) mais comuns é o do SCS,
que possui uma forma triangular, sendo suas
dimensões especificadas pelas relações abaixo:
▪ d é a duração da precipitação (h);
𝑑 = 0,133. 𝑡𝑐
▪ tc é o tempo de concentração da bacia
𝑡𝑝 = 0,6. 𝑡𝑐 (h);
𝑡𝑝0 = 0,5𝑑 + 0,6. 𝑡𝑐 ▪ tp é o tempo de pico do HUS (h);
▪ tp0 é o tempo de ascensão do hidrograma
𝑡𝑏 = 2,67. 𝑡𝑝0
𝐴 ▪ tb é o tempo de base do HUS (duração
𝑄𝑝 = 2,08 do escoamento superficial – h);
𝑡𝑝0
▪ Qp é a vazão de pico do HUS (m3/s);
▪ A é a área da bacia (km2). 35
HIDROGRAMA UNITÁRIO SINTÉTICO
SCS

tempo de pico (tp)



tempo de ascensão (tp0)

36
Alternativamente, o SCS propõe o uso da equação do
tp (tempo de pico) para avaliar tc, que pode ser
obtido da expressão:

0,7
1000
0,344𝐿0,8 −9
𝑡𝑝 = 𝐶𝑁
𝑆 0,5

com tp em h, para:
L = comprimento hidráulico, em km;
S = declividade média da bacia, em %;
CN = parâmetro do método do SCS (traduz o resultado
da interação entre o uso do solo e suas características
físicas), denominado “número da curva” (curve number).
37
Processo de estimar o hidrograma da bacia a
partir do HIDROGRAMA UNITÁRIO.

A forma como é feita tal estimativa é


fundamentada em dois princípios básicos
que norteiam a ideia central do método, que
são:
▪ Princípios da proporcionalidade
▪ Princípio da superposição.

38
Segundo o PRINCÍPIO DA
PROPORCIONALIDADE, para uma
precipitação P de duração igual à da
precipitação unitária do HU, a resposta da
bacia a tal precipitação P tem a mesma
duração do HU, sendo as vazões
proporcionais ao HU.

39
PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE

40
Pelo PRINCÍPIO DA SUPERPOSIÇÃO, o
método do HU considera que, dada a
ocorrência de precipitações consecutivas
no tempo, cada uma delas produz uma
resposta na bacia independente da outra
(proporcional ao HU, pelo primeiro
princípio).

41
➢ o HIDROGRAMA 1 representa a resposta da bacia à
precipitação P1;
➢ o HIDROGRAMA 2 corresponde à precipitação P2.
42
➢ Para realizar a superposição dos hidrogramas de
cada precipitação individual, ou seja, para aplicar o
método do HIDROGRAMA UNITÁRIO, faz-se o que
se chama de CONVOLUÇÃO de hidrograma.
➢ Esse processo nada mais é do que:
I. cálculo das ordenadas do hidrograma (as vazões
propriamente ditas) referentes a cada precipitação
individual em intervalos de tempo discretizados; e
II. a soma das ordenadas dos diversos hidrogramas nos
intervalos de tempo correspondentes.
III. A atenção maior deve-se dar ao “deslocamento” no
tempo dos hidrogramas de cada precipitação, conforme
o instante de tempo em que ocorreu cada uma delas.
43
Obrigada!!!
Até a próxima aula.

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