Estatística na Administração: Guia Prático
Estatística na Administração: Guia Prático
Estatística Aplicada à
Administração
Professor
2012
2ª edição revisada e atualizada
Copyright 2012. Universidade Federal de Santa Catarina / Sistema UAB. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, trans-
mitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, do autor.
1ª edição – 2009.
Inclui bibliografia
Curso de Graduação em Administração, Modalidade a Distância
ISBN: 978-85-7988-149-7
CENTRO SÓCIO-ECONÔMICO
CRUZEIRO DO OESTE – PR
PREFEITO – Zeca Dirceu
COORDENADORA DE POLO – Maria Florinda Santos Risseto
CIDADE GAÚCHA – PR
PREFEITO – Vitor Manoel Alcobia Leitão
COORDENADORA DE POLO – Eliane da Silva Ribeiro
PARANAGUÁ – PR
PREFEITO – José Baka Filho
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HULHA NEGRA – RS
PREFEITO – Carlos Renato Teixeira Machado
COORDENADORA DE POLO – Margarida de Souza Corrêa
JACUIZINHO – RS
PREFEITO – Diniz José Fernandes
COORDENADORA DE POLO – Jaqueline Konzen de Oliveira
TIO HUGO – RS
PREFEITO – Verno Aldair Muller
COORDENADORA DE POLO – Fabiane Kuhn
SEBERI – RS
PREFEITO – Marcelino Galvão Bueno Sobrinho
COORDENADORA DE POLO – Ana Lúcia Rodrigues Guterra
TAPEJARA – RS
PREFEITO – Seger Luiz Menegaz
COORDENADORA DE POLO – Loreci Maria Biasi
Caro estudante!
Toda vez que alguém ouve a palavra “Estatística”, as reações
costumam ser de aversão, medo, negação da importância, restrições
ideológicas, inclusive; e, sempre, a noção de que se trata de algo mui-
to complicado... “É matemática braba”, “são muitas fórmulas difí-
ceis”, “pode-se obter qualquer resultado com Estatística”, “métodos
quantitativos são dispensáveis”, “não se aplica à minha realidade”
são algumas das expressões que ouvi nesses anos em que leciono a
disciplina. Talvez você tenha ouvido tais expressões também, mas eu
lhe asseguro que elas são exageradas ou mesmo falsas. É preciso aca-
bar com alguns mitos e mostrar a importância que a Estatística tem
na formação do administrador.
E não se esqueça: o essencial no ato de administrar está em
tomar decisões.
É por isso que esta disciplina faz parte do currículo de Admi-
nistração, afinal, por meio dela você aprende como obter dados
confiáveis (conceitos de planejamento de pesquisa estatística e
amostragem); como resumi-los e organizá-los (análise exploratória de
dados) a fim de empregar técnicas apropriadas (probabilidade apli-
cada e inferência estatística) e, desse modo, generaliza os resultados
encontrados para, então, tomar decisões. Assim, apresento exemplos
concretos de aplicação, que empregam ferramentas computacionais
simples (como as planilhas eletrônicas, conhecidas na disciplina de
Informática Básica).
Você está iniciando a disciplina de Estatística Aplicada à Ad-
ministração e, acredite, o domínio dos métodos estatísticos significará
importante diferencial, pois permitirá tomar decisões acertadas, o que,
em essência, é o objetivo primordial de qualquer organização.
Sucesso em sua caminhada!
Conceito de Estatística . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Variabilidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Resumindo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
Atividades de aprendizagem. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
O que é Amostragem? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Plano de Amostragem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
Resumindo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
Atividades de aprendizagem. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
Resumindo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92
Atividades de aprendizagem. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94
Unidade 4 – Análise Exploratória de Dados II
Quartis. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107
Resumindo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120
Resumindo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147
Resumindo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163
Resumindo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 198
Resumindo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 215
Resumindo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 239
Resumindo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 274
Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 277
Minicurrículo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 280
Introdução à Estatística
1
UNIDADE
e ao Planejamento
Estatístico
Objetivo
Ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de
compreender o conceito de Estatística; de perceber
a importância dela para o administrador; e de
entender os principais aspectos do planejamento
estatístico, que garantem a obtenção de dados
confiáveis.
1
UNIDADE
UNIDADE
Caro estudante, seja bem-vindo!
Convidamos você a ingressar conosco neste uni-
verso amplo, desafiador e instigante da Estatísti-
ca. A partir da leitura do material, poderemos cons-
truir e socializar saberes, articular teoria e prática.
Portanto, estamos em campo fértil para debates,
por isso teremos muito a discutir. Não esqueça que
dúvidas e indagações são sempre pertinentes, já
que delineadoras do processo a que estamos nos
dispondo, coletivamente, nesta disciplina.
N
ão é possível tomar decisões corretas sem dados confiáveis. Os
governantes do Antigo Egito e da Suméria (seus administrado-
res) já sabiam disso, por essa razão, mandavam seus escribas
registrar e compilar os dados da produção agrícola e dos homens ap-
tos para o serviço militar. Em outras palavras, eles já usavam métodos
estatísticos: a raiz da palavra Estatística vem de Estado. Com o passar
do tempo e diante da expansão do conhecimento, os métodos estatís-
ticos tornaram-se mais sofisticados com a adoção de modelos
probabilísticos e da inferência estatística e, nos últimos 30 anos, ob-
serva-se a utilização de computadores não apenas pelos governos,
mas também por empresas, universidades e pessoas comuns.
A intensiva aplicação da informática possibilitou a
automatização de muitos cálculos e a busca por informações em gi-
gantescas bases de dados, o que vem constituindo o campo de conhe-
cimento de mineração de dados e inteligência empresarial.
Todo administrador, atualmente, precisa usar métodos estatís-
ticos e, para tanto, precisa conhecê-los, a começar por suas defini-
ções e subdivisões, o que veremos nesta Unidade, além de apresen-
tarmos os conceitos de Estatística e de Planejamento Estatístico.
Período 3 13
1 Conceito de Estatística
UNIDADE
Variabilidade
UNIDADE
Suas preferências musicais são as mesmas de dez
anos atrás? Sua aparência é a mesma de há dez
anos? Você votaria no mesmo candidato a deputa-
do federal em que votou na última eleição? Você
permanece com o mesmo peso de dez anos atrás?
Imagine, então, as diferenças que existem de pes-
soa para pessoa, de cidade para cidade, de povo
para povo...
Subdivisões da Estatística
v
Como o interesse maior está na população, o ideal seria
pesquisá-la na sua integralidade, em suma, realizar um censo (como Para Saber sobre o cen-
o IBGE faz periodicamente no Brasil). Contudo, por razões econômi- so no Brasil, acesse o
cas ou práticas (para obter rapidamente a informação ou evitar a site do IBGE: <http://
extinção ou exaustão da população) nem sempre é possível realizar w w w. i b g e . g o v. b r > .
um censo, entào, torna-se necessário pesquisar apenas uma amostra Acesso em: 18 abr.
2012.
da população, um subconjunto finito e representativo da população.
Às etapas dos parágrafos anteriores, somam-se outros tópicos
que estudaremos mais adiante, para constituir o planejamento es-
!
tatístico da pesquisa.
Lembre-se
Lembre-se: a qualidade de uma pesquisa nunca será
melhor do que a qualidade dos seus dados.
Período 3 15
1 Uma das principais subdivisões da Estatística é a Amostragem,
que reúne os métodos necessários para coletar adequadamente amos-
tras representativas e suficientes para que os resultados obtidos possam
UNIDADE
UNIDADE
Não se esqueça: em qualquer profissão é preciso
analisar dados (verificar a confiabilidade das fon-
tes), relacioná-los ao contexto ao qual estão inseri-
dos e, por várias vezes, compará-los com dados
passados a fim de prever o comportamento futuro.
Veja o exemplo a seguir (Figura 2) extraído de um
jornal de grande circulação.
v
Fonte: Adaptada de Diário Catarinense (2007)
Através de um simples gráfico de linhas, podemos observar uma Na Unidade 3, você co-
“queda” no Índice da Bolsa de Valores de São Paulo – Ibovespa, entre nhecerá o tema com
15 e 16 de outubro de 2007, motivada pelo temor da depreciação nas mais detalhes.
bolsas internacionais, por sua vez causada pelo possível agravamento
da crise imobiliária nos EUA. Tal constatação refere-se à situação
contemporânea relacionada ao contexto internacional; e ao mesmo
tempo em que se verifica a queda, sabemos que o Ibovespa nunca
antes havia ultrapassado 60 mil pontos, o que, para a Estatística, re-
presenta, nesse caso, considerar os dados do passado. Os investido-
res em ações negociadas na Bovespa provavelmente tomarão novas
decisões, sobre a compra e a venda de ações, baseadas nessas infor-
mações.
Período 3 17
1
! O primeiro passo para qualquer análise bem-sucedida
é obter dados confiáveis. Por isso, vamos iniciar o tó-
UNIDADE
v
Para facilitar a compreensão, vamos fazer o planejamento de
uma pesquisa fictícia, mas que muito auxiliará na compreensão do
Essas e outras infor- conteúdo. O Conselho Regional de Administração (CRA) “é um órgão
mações você encontra consultivo, orientador, disciplinador e fiscalizador do exercício da pro-
em: <http:// fissão de Administrador” no qual somente bacharéis em Administra-
[Link]/ ção (graduados em cursos de Administração) podem registrar-se nele.
[Link]?pg=inicial/ O CRA preocupa-se muito com a qualidade dos cursos de Adminis-
[Link]>. Acesso tração e, frequentemente, apresenta sugestões para aperfeiçoar currí-
em: 18 abr. 2012.
culos e disciplinas, visando à melhoria da formação dos profissionais.
Com isso em mente, imagine que o CRA de Santa Catarina
está interessado em conhecer a opinião dos seus registrados sobre o
curso em que se graduaram; desde que tal curso esteja situado em
Santa Catarina. Esta é a “pergunta do mundo real”: qual é a opinião
dos profissionais registrados no CRA-SC, e graduados no Estado, so-
bre o curso em que se formaram. Observe: não se falou em Estatística
ainda, o CRA apenas definiu o que quer pesquisar. Agora, podemos
passar ao planejamento estatístico da pesquisa.
UNIDADE
cíficos. A pesquisa pode ter apenas o objetivo geral. Esse objetivo
inclui o propósito que motivou a pesquisa, e a sua justificativa e rele-
vância.
As características que precisam ser pesquisadas para permitir
a consecução do objetivo geral são os objetivos específicos. Trata-
se do detalhamento do objetivo geral, em que explicamos o que quere-
mos medir (preferências, opiniões sobre fatos ou pessoas, resultados
de experimentos, entre outras).
Para o nosso exemplo (pesquisa sobre os cursos de Adminis-
tração de Santa Catarina), podemos enunciar os objetivos:
Período 3 19
1
Observe que é necessário “dividir” o objetivo geral
em específicos para que a pesquisa possa ser exe-
UNIDADE
População
UNIDADE
Variáveis
!
pecíficos da pesquisa.
Tenha em mente que as variáveis precisam ser re-
lacionadas aos objetivos específicos. Faça uma ex-
periência com o seguinte questionamento: qual era
a sua estatura aos 12 anos? Naquela época, ape-
nas um valor possível correspondia a variável altu-
ra. No ano seguinte, outra fase, provavelmente a
altura era diferente; como é diferente da altura que
você apresenta hoje. O importante é perceber que,
em cada momento, ela [altura] teve um único valor.
Período 3 21
1
UNIDADE
UNIDADE
etc.).
As quantitativas contínuas são aquelas que podem assu-
mir teoricamente qualquer valor em um intervalo (veloci-
dade, peso etc.).
Período 3 23
1 registradas como resultado da manipulação das variáveis indepen-
dentes. Essa distinção confunde muitas pessoas, que dizem que “to-
das as variáveis dependem de alguma coisa”. Entretanto, trata-se de
UNIDADE
distinção indispensável!
Os termos variável independente e dependente aplicam-se prin-
cipalmente à pesquisa experimental, em que algumas variáveis são
manipuladas, e, nesse sentido, são “independentes” dos padrões de
reação inicial, intenções e características das unidades experimen-
tais. Espera-se que outras variáveis sejam “dependentes” da manipu-
lação ou das condições experimentais. Portanto, elas dependem do
que as unidades experimentais farão em resposta.
Contrariando a natureza da distinção, esses termos também são
usados em estudos em que não se manipulam variáveis independen-
tes, literalmente falando, mas apenas se designam sujeitos a “grupos
experimentais” (blocos) baseados em propriedades pré-existentes dos
próprios sujeitos.
Muitas vezes, fazemos a pesquisa para tentar identificar a liga-
ção existente entre as variáveis. Em uma pesquisa eleitoral para presi-
dente do Brasil, uma variável independente poderia ser a região do
país e, a dependente, o candidato escolhido pelo eleitor pesquisado.
Vejamos um exemplo para entender esse processo de análise e
observar se há relação entre as variáveis. Para isso, retomamos o exem-
plo da pesquisa com os registrados no CRA-SC, para o qual as variá-
veis a serem medidas devem definir, pelo menos, uma variável para
cada objetivo específico, conforme a seguir:
Tentando identificar o primeiro objetivo específico, vamos ava-
liar a opinião dos registrados sobre o corpo docente dos seus cursos
para definir as variáveis:
UNIDADE
detalhes. Desse modo, como mensurá-los? Nesse
caso, devemos utilizar uma escala ordinal. Obser-
ve a pergunta:
( ) ótimo
( ) bom
( ) satisfatório
( ) insuficiente
( ) horrível.
Delineamento da Pesquisa
Período 3 25
1 elementos da população, mas o pesquisador não tem controle sobre
as variáveis. Por esse motivo, para que os resultados sejam confiáveis,
faz-se necessária a obtenção de grande conjunto de dados.
UNIDADE
UNIDADE
especificada), por exemplo, adota-se o modo por experi-
mento.
v
retrato confiável da preferência do eleitorado brasileiro. Contudo, sem-
pre há risco de que a amostra, por maiores que sejam os cuidados na Na Unidade 2 você vai
sua retirada, não seja representativa da população. estudar as formas de
Além da decisão por censo ou amostragem devemos decidir se minimizar tal risco.
utilizaremos dados primários ou secundários.
Os dados secundários são dados existentes, coletados por ou-
tros pesquisadores e disponíveis em relatórios ou publicações. A sua
Período 3 27
1 utilização pode reduzir muito os custos de uma pesquisa. Se fosse
necessário obter informações demográficas, poderíamos utilizar os re-
latórios do IBGE referentes ao último censo, ou à pesquisa nacional
UNIDADE
Instrumento de Pesquisa
Instrumento de pesqui-
sa – dispositivo usado para Coletamos os valores das variáveis, os dados da pesquisa, atra-
coletar os valores das variá- vés do instrumento de pesquisa. É importante ressaltar que ele está
veis nos elementos da po-
pulação. Fonte: Barbetta,
intrinsecamente relacionado às variáveis da pesquisa. Portanto, no
Reis e Bornia (2008). seu projeto, precisamos deixar claro qual é a relação existente com as
variáveis, da mesma forma que as variáveis devem ser relacionadas
aos objetivos específicos.
O senso comum confunde instrumento de pesquisa com ques-
tionário, o que não é verdade. O questionário é apenas um tipo de
UNIDADE
de um Shopping Center com a finalidade de saber quais apresentam
clientela suficiente para continuar a merecer a permanência. Não pre-
cisamos aplicar um questionário aos clientes, que poderão se recusar
a responder; ou aos lojistas, que poderão ser “criativos demais” nas
respostas basta registrar em uma planilha quantas pessoas entram
na loja, o horário, se fizeram compras ou não, entre outros aspectos.
Uma outra situação seria uma pesquisa climática, em que são registradas
medidas de temperatura, de umidade relativa do ar, de velocidade do
vento: obviamente, não precisamos de um questionário para isso.
O questionário torna-se quase que indispensável quando pre-
cisamos mensurar ou avaliar atitudes, preferências, crenças e com-
portamentos que exigem a manifestação dos pesquisados. Pesquisas
de mercado, acerca da aceitação de um produto ou de uma propa-
ganda, pesquisas de comportamento, pesquisas de opinião eleitoral,
todas elas envolvem algum tipo de questionário.
O questionário pode ser enviado pelo correio, feito por telefo-
ne, feito com a presença física do entrevistador, ou mesmo via Internet.
Todos eles têm suas vantagens e desvantagens.
O aspecto mais importante do questionário consiste na ob-
tenção das informações sem induzir ou confundir o respondente. As
perguntas precisam ser claras, afirmativas ou interrogativas, evitan-
do-se negações e coerentes com o nível intelectual dos elementos da
!
população.
Período 3 29
1 ço eletrônico. Poderíamos enviar os questionários por um desses três
meios.
UNIDADE
Saiba mais...
Para saber mais sobre experimentos, consulte: MOORE, David S.; McCABE,
George P.; DUCKWORTH, William M.; SCLOVE, Stanley L. A prática da
estatística empresarial: como usar dados para tomar decisões. Rio de Janeiro:
LTC, 2006.
UNIDADE
O resumo desta Unidade está esquematizado na Figura 6.
Observe:
Período 3 31
1 Atividades de aprendizagem
aprendizagem
UNIDADE
UNIDADE
Caro estudante,
Fazer com que você entendesse o conceito de Es-
tatística, as suas variabilidades e suas subdivisões
na aplicação de estudos e experimentos foi a pro-
posta desta Unidade. Com esse conhecimento,
você será capaz de obter, de organizar e de anali-
sar dados, determinando as correlações que se apre-
sentem e tirando delas suas consequências para
descrição e explicação do que se passou, além de
aprender a prever e a organizar o futuro.
Leia as indicações de textos complementares, res-
ponda às atividades de aprendizagem e interaja
com a equipe de tutoria. Não fique com dúvidas,
questione!
Saiba que você não está sozinho nesse processo e
pode contar com uma equipe de apoio para a cons-
trução do seu conhecimento.
Período 3 33
2
UNIDADE
Técnicas de
Amostragem
Objetivo
Ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de
compreender o conceito de amostragem; de constatar
suas principais técnicas; de perceber quando devem
ser empregadas; de aprender a definição do plano
de amostragem; e, ainda, capaz de utilizar uma
fórmula simplificada para cálculo do tamanho
mínimo de amostra.
2
UNIDADE
UNIDADE
Caro estudante,
Conforme vimos na Unidade 1, a amostragem é
uma das formas de coleta de dados e diz respeito
a uma das subdivisões da Estatística, cujo conhe-
cimento é indispensável ao administrador. Tenha
em mente que estamos interessados na obtenção
de dados confiáveis para a tomada de decisões e,
muitas vezes, precisaremos realizar pesquisas para
coletar tais dados. Convidamos você para conhe-
cer um pouco mais sobre essa técnica de pesquisa
e seus diferentes métodos de aplicação.
H
á vários argumentos para justificar a utilização da amostragem
e o administrador precisa conhecê-los para que, confrontando
com os recursos disponíveis e os objetivos da pesquisa, possa
tomar a melhor decisão sobre a forma de coleta de dados. Todavia, há
casos em que o uso da amostragem pode não ser a melhor opção; Censo – forma de coleta de
mas se o administrador decidir por ela precisará delinear o plano de dados em que a pesquisa é
realizada com todos os ele-
amostragem, indicando como esta será implementada e qual será seu mentos da população. Fon-
tamanho, item crucial que influenciará muito nos custos da pesquisa. te: Barbetta, Reis e Bornia
Veremos isso em detalhes nesta Unidade. (2008).
Amostragem – forma de
coleta de dados em que
apenas uma pequena par-
te, considerada representa-
O que é Amostragem? tiva, da população é
pesquisada. Os resultados
podem ser então generali-
zados, usualmente através
Amostragem é uma das subdivisões da Estatística que reúne de métodos estatísticos
apropriados, para toda a
os métodos necessários para coletar adequadamente amostras repre-
população. Fonte: Barbetta
sentativas e suficientes para que os resultados obtidos possam ser ge- (2007).
neralizados para a população de interesse. A pressuposição básica é
que todas as etapas prévias do planejamento da pesquisa já tenham
sido cumpridas e que o administrador, após isso, decidirá se a coleta-
rá dos dados será por censo ou por amostragem.
Período 3 37
2 O censo consiste simplesmente em estudar todos os elementos
da população e a amostragem pesquisa apenas uma pequena parte
dela, suposta representativa do todo. Para realizar um estudo por
UNIDADE
UNIDADE
processamento é mais rápido. Os resultados são conheci-
dos em pouco tempo e, por isso, as decisões são tomadas
com agilidade. Tal característica é especialmente impor-
tante em pesquisas de opinião eleitoral, cujo resultado pre-
cisa ser conhecido rapidamente, para que candidatos e
partidos possam reavaliar suas estratégias.
Testes destrutivos: se para realizar a pesquisa precisa-
mos realizar testes destrutivos (de resistência, tempo de vida
útil, entre outros), o censo torna-se impraticável por exigir
a utilização de amostragem. Em muitos casos, como no
caso de produtos alimentícios e farmacêuticos, há normas
legais que precisam ser cumpridas rigorosamente quando
da realização dos ensaios.
Período 3 39
2 razões: população pequena, característica de fácil mensuração, exi-
gências políticas e necessidade de alta precisão.
UNIDADE
v
obter bons resultados será semelhante ao próprio tamanho
da população. Vale a pena, nesse caso, realizar um censo.
UNIDADE
SC está interessado em conhecer a opinião dos
seus registrados sobre o curso em que se gradua-
ram, desde que tal curso esteja situado em Santa
Catarina". Vimos que o número de registrados no
CRA, com graduação no Estado, foi suposto igual
a 9.000 e há uma listagem com os registrados
para fins de cobrança de anuidade que contém
informações sobre endereço, curso em que se gra-
duou, entre outras. Para conhecer a opinião das Representatividade ou
pessoas precisamos entrevistá-las (via correio, amostra representativa
Internet, telefone ou pessoalmente). Diante disso, – é aquela que traz na sua
composição todas as sub-
você entende que a pesquisa deve ser conduzida divisões da população, pro-
por censo ou por amostragem? Vejamos juntos! curando retratar da melhor
maneira possível a sua va-
riabilidade. Fonte: Elabora-
do pelo autor deste livro.
v
A suficiência também é um aspecto relativamente óbvio. cálculo de tamanho de
É necessário que a amostra tenha um tamanho suficiente para repre- amostra com detalhes.
Período 3 41
2 nea for a população (menor variabilidade), menor poderá ser o tama-
nho da amostra, e quanto mais heterogênea (maior variabilidade),
maior terá que ser o tamanho da amostra para representá-la.
UNIDADE
v
computacional, passamos a ter uma tabela de números pseudoalea-
tórios, pois os números são provenientes da execução de um algoritmo
Nesse caso, há sem- matemático, que tem uma lógica e uma lei de formação dos resulta-
pre o risco de os núme- dos. Não obstante, tal problema somente ocorre, caso o algoritmo seja
ros se repetirem caso a bom, após milhões ou bilhões de sorteios, quantidade muitíssimo su-
série seja muito longa, perior àquela usada nas nossas pesquisas. Alguns estatísticos cons-
descaracterizando a truíram tabelas de números pseudoaleatórios e as deixaram disponí-
aleatoriedade. veis para o público em geral.
Nos dias de hoje, com todas as facilidades da informática, é
cada vez mais comum bases de dados armazenadas em meio digital,
desde uma simples planilha do Microsoft Excel®, ou do [Link] Calc®
até grandes bancos de dados.
UNIDADE
algoritmos de geração de números pseudoaleatórios?
v
envolvida e, obviamente, à velocidade de processamento. Veja um
exemplo de números aleatórios de quatro dígitos (de 0001 a 9000) Na seção Para saber
gerados pelo [Link] Calc®: mais, vamos disponibi-
lizar um link que expli-
3439 907 5369 8092 7962 8626 131 3667 7769 1248 ca como gerar números
2206 410 292 1478 1977 155 2566 3088 4983 3217 pseudoaleatórios com
esse aplicativo.
3347 3201 8193 4195 3836 2736 8781 7260 8921 2307
v
Toda a teoria de inferência estatística pressupõe que a amos- Estudaremos sobre a
tra, a partir da qual será feita a generalização (veja a Figura 10), foi teoria da inferência es-
retirada de forma aleatória. tatística nas Unidades
8, 9 e 10.
UNIDADE
que garante que cada elemento da população tenha probabilidade de
pertencer à amostra. Para que isso ocorra, é necessário que a amostra
seja selecionada por sorteio não viciado, ou seja, exige-se aleatorie-
dade. A sua importância decorre do fato de que apenas os resultados
provenientes de uma amostra probabilística podem ser generalizados,
estatisticamente, para a população da pesquisa.
Você deve estar se perguntando: o que significa ,
afinal, estatisticamente? Significa que podemos
associar aos resultados a probabilidade de que es-
tejam corretos, ou seja, uma medida da
confiabilidade das conclusões obtidas. Se a amos-
tra não for probabilística não há como saber se há
95% ou 0% de probabilidade de que os resulta-
dos sejam corretos, e as técnicas de inferência es-
tatística, porventura utilizadas, terão validade
questionável.
Período 3 45
2 Agora vamos lhe apresentar os tipos de amostragem
probabilística.
UNIDADE
UNIDADE
se (N) for um número primo, excluem-se por sorteio
alguns elementos da população para tornar k inteiro;
sorteia-se o ponto de partida (um dos k, números do pri-
meiro intervalo) usando-se uma tabela de números aleató-
rios, ou qualquer outro dispositivo (isso precisa ser feito
para garantir que todos os elementos da população tenham
chance de pertencer à amostra); e
a cada k, elementos da população, retira-se um para fazer
parte da amostra, até completar o valor de (n).
Período 3 47
2 A operadora dispõe de uma lista ordenada alfabeticamente com
todos os seus assinantes, o intervalo de retirada será: k = N/n =
25037/800 = 31,2965.
UNIDADE
UNIDADE
A amostragem estratificada pode ser:
Período 3 49
2 geograficamente. Por exemplo, os bairros de uma cidade, que consti-
tuiriam conglomerados de domicílios.
O procedimento para a amostragem por conglomerados ocorre
UNIDADE
da seguinte forma:
v
Fonte: Elaborada pelo autor deste livro
UNIDADE
Você deve estar se perguntando: e se não for pos-
sível garantir a probabilidade de todo elemento da
população pertencer à amostra? Então, esse é o
momento de partirmos para a amostragem não
probabilística.
Período 3 51
2 Amostragem a Esmo
UNIDADE
queiramos saber a opinião dos eleitores do bairro Goiaba sobre o
governo municipal. Supõe-se que as principais variáveis que Leia um tex-
condicionariam as respostas seriam sexo, idade e classe social. O bairro to muito inte-
ressante so-
apresenta a se-guinte composição demográfica para as variáveis:
bre o tema
em: <http://
SEXO IDADE (FAIXA ETÁRIA) CLASSE SOCIAL % POPULACIONAL
[Link]/
Masculino 18| -- 35 A 1% ~dias/falaciaPesquisa
Masculino 18| -- 35 B 4% [Link]>. Acesso
Masculino 18| -- 35 C 10% em: 14 fev. 2012.
Feminino 18| -- 35 A 1%
Feminino 18| -- 35 B 2%
Feminino 18| -- 35 C 9%
Masculino 35| -- 60 A 5%
Masculino 35| -- 60 B 8%
Masculino 35| -- 60 C 12%
Feminino 35| -- 60 A 4%
Feminino 35| -- 60 B 8%
Feminino 35| -- 60 C 10%
Masculino Mais de 60 A 1%
Masculino Mais de 60 B 9%
Masculino Mais de 60 C 3%
Feminino Mais de 60 A 3%
Feminino Mais de 60 B 7%
Feminino Mais de 60 C 3%
Período 3 53
2 tados são generalizados estatisticamente para a população, com o
emprego das técnicas que serão vistas na Unidade 9 deste livro-texto;
mas, rigorosamente, os resultados da amostragem por cotas não têm
UNIDADE
Viesamentos – distorções
Agora que você já conhece sobre o importante e
interessante tema do cálculo do tamanho de amos-
tra, passaremos para uma amostra probabilística.
UNIDADE
tamanho de amostra; e
a despreocupação com os aspectos financeiros relaci-
onados ao tamanho da amostra (embora, obviamente, seja
uma consideração importante).
Período 3 55
2 a) 200 elementos.
b) 200.000 elementos.
UNIDADE
UNIDADE
Figura 14: Tamanho de amostra x tamanho da população (E 0 = 2%)
Fonte: Elaborada pelo autor deste livro
Saiba mais.....
Sobre amostragem, consulte: BARBETTA, Pedro A. Estatística Aplicada às
Ciências Sociais. 7. ed. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2008, Capítulo 3.
Período 3 57
2 Sobre como gerar números pseudoaleatórios ou obter amostras aleatórias
simples no [Link] Calc®, leia o texto: Como gerar uma amostra aleatória
simples com o [Link] Calc®, no Ambiente Virtual de Ensino-Aprendiza-
UNIDADE
gem (AVEA).
r
Resumindo
O resumo desta Unidade está esquematizado na Figura
15. Observe:
UNIDADE
Figura 15: Resumo da Unidade 2
Fonte: Elaborada pelo autor deste livro
Período 3 59
2 Caro estudante,
Chegamos ao final da Unidade 2 e por meio dela
UNIDADE
Atividades de aprendizagem
aprendizagem
UNIDADE
b) Há interesse em medir o índice de luminosidade das salas
de aula da UFSC. A coleta de dados será feita em todos os
centros dessa Universidade durante os períodos diurno e
noturno nas salas que estiveram desocupadas no momento
da pesquisa. Cada centro será visitado apenas uma vez.
c) As constantes reclamações dos usuários motivaram a dire-
ção da Biblioteca Central da UFSC a realizar uma pesqui-
sa sobre o nível de ruído em suas dependências. O ruído
será medido em todas as seções da Biblioteca, na primeira
e na penúltima semanas do semestre, de segunda a sába-
do, durante todo o horário de funcionamento.
d) No controle de qualidade de uma fábrica de peças, que
trabalha 24 horas por dia, sete dias por semana, um item
produzido é retirado de cada máquina a cada meia hora
para avaliação. O procedimento é feito durante todo o dia,
ao longo da semana.
e) O Comando de um Batalhão da Polícia Militar de Santa
Catarina quer conhecer a opinião das pessoas que residem
na área em que ele atua com intuito de formular novas
escalas de policiamento ostensivo. Para tanto, serão feitas
entrevistas com os transeuntes que passarem pela frente
do Batalhão de segunda a sexta das 8h30 às 12 h e das
14 h às 17h30 durante duas semanas.
f) Com a finalidade de estudar o perfil dos consumidores de
um supermercado, observou-se os consumidores que com-
pareciam ao supermercado no primeiro sábado do mês.
g) Com a finalidade de estudar o perfil dos consumidores de
um supermercado, fez-se a coleta de dados durante um
mês. Para esse fim, entrevistou-se, a cada dia, um consu-
midor em cada fila e em caixas diferentes, variando-se sis-
tematicamente o horário de coleta dos dados.
h) Para avaliar a qualidade dos itens que saem de uma linha
de produção, observou-se todos os itens das 14 h às 14h30.
Período 3 61
2 i) Para avaliar a qualidade dos itens que saem de uma linha
de produção, observou-se um item a cada meia hora, du-
rante todo o dia.
UNIDADE
UNIDADE
Período 3 63
3
UNIDADE
Análise Exploratória
de Dados
Objetivo
Ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de
compreender a definição de Análise Exploratória de
Dados; de entender como se realiza a descrição
tabular e gráfica de conjuntos de dados pertinentes
a variáveis qualitativas e quantitativas.
3
UNIDADE
UNIDADE
Caro estudante,
Nas Unidades anteriores, estudamos o planejamen-
to de uma pesquisa e as principais técnicas de
amostragem. Conforme vimos, independente de os
dados terem sido coletados via censo ou
amostragem, eles precisam ser interpretados para
atingir os objetivos propostos na pesquisa. O pas-
so inicial para isso é usar os conceitos e as técni-
cas de Análise Exploratória de Dados para resumir
e organizar os dados de maneira que seja possível
identificar padrões e elaborar as primeiras conclu-
sões a respeito da população, isto é, descrever a
sua variabilidade.
Para entender esse contexto, é importante relembrar
a definição de variável e a sua classificação por
nível de mensuração e nível de manipulação, estu-
dadas na Unidade 1.
Nesta Unidade, vamos estudar como realizar a Aná-
lise Exploratória de Dados em cinco casos por meio
de tabelas e gráficos, tipos de conjuntos de dados:
uma variável qualitativa, uma variável quantitati-
va, duas variáveis qualitativas, uma qualitativa e
uma quantitativa e duas quantitativas.
É indispensável que o administrador seja capaz de
realizar a Análise Exploratória de Dados, pois, sem
isso, sua capacidade de tomada de decisões ficará
seriamente comprometida.
Período 3 67
v A
3 No passa-
do a Aná-
Análise Exploratória de Dados, antigamente chamada ape-
nas de Estatística Descritiva, diz respeito ao que a maioria das
pessoas entende como Estatística e, inconscientemente, usa no
UNIDADE
Variáveis estatísticas –
são características que po-
dem ser observadas ou me-
didas em cada elemento Estrutura de um Arquivo de Dados
pesquisado, em um dado
momento, há um e apenas
um resultado possível. Fon-
te: Barbetta (2007). Uma vez disponíveis, os dados precisam ser tabulados a fim de
possibilitar sua análise. Atualmente, os dados costumam ser armaze-
nados em meio computacional, seja em grandes bases de dados, pro-
gramas estatísticos ou mesmo planilhas eletrônicas, oriundos de pes-
quisa de campo, de registros de operações financeiras, ou de arquivos
de recursos humanos, entre outros. Possuem uma estrutura fixa, que
possibilita a aplicação de várias técnicas para extrair as informações
de interesse.
As variáveis são registradas nas colunas, e os casos (os ele-
mentos da população) nas linhas. As variáveis são as características
pesquisadas ou registradas. Imagine a base de dados do Departamen-
to de Administração Escolar (DAE) da Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC), que armazena as informações dos acadêmicos, con-
tendo as variáveis: o nome do aluno, a data de nascimento, o número
de matrícula, o Índice de Aproveitamento Acumulado (IAA), o Índice
de Aproveitamento por Período (IAP) e outras informações; ou uma
operadora de cartão de crédito, que armazena as transações efetuadas,
UNIDADE
do DAE, por exemplo: João Ninguém; nascido em 20 de fevereiro de
1985; matrícu-la 02xxxxxxx-01; IAA = 3,5; IAP = 6,0. Para a opera-
dora de cartão de crédito: cartão número xxxxxxxxx-84; José Nenhum;
v
11 de dezembro de 2003; 14h28min; R$ 200,00; supermercado.
Exemplo 1 – A Megamontadora TOYORD conduz, com regula-
ridade, pesquisas de mercado com os clientes que compraram carros Trata-se de uma empre-
zero km diretamente de suas concessionárias. O objetivo é avaliar a sa e de uma pesquisa
satisfação deles em relação aos diferentes modelos, ao desing e, fictícias.
consequentemente, perceber a adequação, ou não, desses itens ao perfil
do cliente. A última pesquisa foi terminada em julho de 2007, quando
foram entrevistados 250 clientes do total de 30.000 que compraram
veículos novos entre maio de 2006 e maio de 2007. A pesquisa foi
restringida aos modelos mais vendidos e aos que estão no mercado
há dez anos.
Período 3 69
3 Quilometragem mensal média percorrida com o veículo.
Percepção do cliente relativa aos anos que o veículo
comprado sofreu sua última remodelação de design: em
UNIDADE
Digamos que você dispõe dos 250 questionários que foram apli-
cados e irá tabulá-los em uma planilha eletrônica. Há dez variáveis;
logo, a base de dados deve conter então dez colunas e 250 linhas (no
Calc® são 251, já que a primeira é usada para pôr o nome das variá-
veis). Veja o resultado com as primeiras linhas (casos) na Figura 16:
UNIDADE
em média 415 km por mês, afirma que a última remodelação foi feita
há dois anos e tem 35 anos de idade. Esse raciocínio pode ser estendi-
do para os outros 249 respondentes. Analisando as variáveis isolada-
mente ou em conjunto, podemos atingir os objetivos da pesquisa.
O arquivo de dados mostrado na Figura 16 está disponível no
v
Ambiente Virtual de Ensino-Aprendizagem no formato do Excel® e do
Calc®. Juntamente com ele está disponibilizado o texto Como realizar Veja a seção Saiba mais
análise exploratória de dados no [Link] Calc®, e como realizar aná- desta Unidade. O arqui-
lise exploratória de dados no Microsoft Excel®. vo de dados e o texto
servirão para as Unida-
A maioria dos programas estatísticos, gerenciadores de bases
des 3 e 4.
de dados e de planilhas eletrônicas com capacidade estatística exige
que os dados sejam estruturados de acordo com o formato da Figura
16. Podemos ter tantas colunas e linhas quantas quisermos, respeitan-
do, porém, a capacidade dos programas. O Microsoft Excel®, por exem-
plo, admite 65.000 linhas, o que é suficiente para muitas aplicações.
Estando os dados no formato apropriado, especialmente se em
meio digital, podemos passar para a etapa de análise. Uma das ferra-
mentas mais úteis para isso é a distribuição de frequências, como
veremos a seguir.
Distribuição de Frequências
Período 3 71
3 qualitativa; 2- com apenas uma variável quantitativa; 3- com duas
variáveis qualitativas; 4- com duas variáveis quantitativas; e 5- com
uma variável qualitativa e uma quantitativa.
UNIDADE
v
com professores, você sólidos (é temerário tomar decisões com base em pequenas quantida-
pode ter uma má im- des de dados); já a frequência relativa possibilita comparar os resul-
pressão delas. Mas se
tados da distribuição de frequências com outros conjuntos de tama-
diz que das três mulhe-
nhos diferentes. A distribuição de frequências pode ser apresentada
res (dados brutos) do tal
em forma de tabela ou gráfico.
curso uma delas se ca-
sou com o professor, o
efeito é diferente. Fonte:
Huff (1992).
Exemplo 2 – Imagine que você está interessado
em descrever a variável “opinião sobre as conces-
sionárias” (vista no Exemplo 1), isoladamente; e
representar os dados em forma de tabela. Como
ficariam os resultados? Saiba que o resultado seria
Frequência absoluta –
registro dos valores da vari- semelhante ao ilustrado no Quadro 2, uma apre-
ável por meio de contagem sentação tabular da variável “opinião sobre con-
das ocorrências no conjun-
cessionárias”.
to de dados. Fonte:
Barbetta, Reis e Bornia
(2008).
UNIDADE
pelos clientes: apenas 35,20% dos entrevistados
as consideram satisfatórias ou bastante satisfatórias.
Pense que, nesse caso, o administrador terá que
descobrir as causas de tal resultado e atuar para
resolver os problemas.
Período 3 73
3 Contudo, você consegue identificar alguma parti-
cularidade no gráfico? Olhe bem!
UNIDADE
UNIDADE
VALORES FREQÜÊNCIA PERCENTUAIS GRAUS
Muito insatisfatória 29 11,60% 41,76
Insatisfatória 58 23,20% 83,52
Não causou impressão 75 30,00% 108
Satisfatória 50 20,00% 72
Bastante satisfatória 38 15,20% 54,72
Total 250 100% 360
Período 3 75
3 Caso de Duas Variáveis Qualitativas
O administrador, frequentemente, precisa estudar a relação entre
UNIDADE
duas ou mais variáveis para tomar decisões. Por exemplo: existe relação
entre o sexo do consumidor e a preferência por um modelo de carro? Ou
entre a escolaridade do eleitor e o candidato eleito presidente?
Quando as duas variáveis são qualitativas (originalmente, ou
quantitativas categorizadas), usualmente é construída uma distribui-
ção conjunta de frequências, também chamada de tabela de con-
tingências ou dupla classificação e, nela, são contadas as frequências
de cada cruzamento possível entre os valores das variáveis. A expres-
são pode incluir o cálculo de percentuais em relação ao total das li-
Ta b e l a d e c o n t i n g ê n - nhas, colunas ou total geral da tabela. A representação gráfica tam-
cias – tabela que permite
bém é possível.
analisar o relacionamento
entre duas variáveis, nas li- Vamos ver um caso para a mesma situação do Exemplo 1. Ago-
nhas são postos os valores ra você está interessado em observar a relação entre a variável mode-
de uma delas, e nas colu-
lo adquirido e a opinião geral do cliente sobre o veículo e expressá-la
nas os da outra, e nas célu-
las contam-se as de forma tabular e gráfica.
frequências de todos os cru- A variável modelo apresenta cinco resultados possíveis (cinco
zamentos possíveis. Fonte:
Barbetta (2007).
modelos foram considerados nesta pesquisa), e a variável opinião geral
pode assumir quatro resultados (Bastante satisfeito, satisfeito, insatis-
feito e muito insatisfeito). Isso significa que podemos ter até 20 cruza-
mentos possíveis para os quais precisamos contar as frequências. Para
grandes bases de dados, inclusive para o nosso exemplo com apenas
250 casos, seria um processo tedioso e suscetível a erros. Portanto, o
mais inteligente é utilizar alguma ferramenta computacional, como a
planilha eletrônica Microsoft Excel® ou o [Link] Calc®.
Empregando-se uma ferramenta computacional, chegaremos ao
Quadro 4.
O PINIÃO GERAL SOBRE O VEÍCULO
1 1
Chiconaultla 69 11 1 0 81
DeltaForce3 29 22 5 0 56
Valentiniana 11 18 9 3 41
SpaceShuttle 1 14 17 10 42
LuxuriousCar 0 1 9 19 29
Total 110 67 41 32 250
Quadro 4: Tabela de contingências de modelo por opinião geral (apenas
frequências)
Fonte: Elaborado pelo autor deste livro
76 Curso de Graduação em Administração, modalidade a distância
Observe a última coluna e a última linha do Quadro 4: são os
chamados totais marginais, isto é, as frequências dos valores das
variáveis Modelo e Opinião geral sobre o veículo, respectivamente.
3
UNIDADE
Percebe-se que os modelos Chiconaultla e DeltaForce3 são os mais
vendidos, e que as opiniões negativas (muito insatisfeito e insatisfei-
to) são mas frequentes do que as positivas.
Além disso, é fácil perceber que as opiniões negativas são as
predominantes nos modelos Chiconaultla, DeltaForce3 e em menor
grau no Valentiniana. Apenas os modelos SpaceShuttle e LuxuriousCar
têm proprietários predominantemente satisfeitos.
Você deve ter percebido também uma linha com várias células Totais marginais – totais
das linhas ou das colunas
vazias (apenas uma observação na opção insatisfeito). Trata-se de de uma tabela de contin-
um dado perdido: o entrevistado esqueceu de mencionar o modelo gência, permitem avaliar
adquirido, ou o entrevistador não o registrou durante a realização da individualmente as variá-
veis componentes da tabe-
pesquisa, ou mesmo houve um erro de digitação. Como a quantidade la. Fonte: Bussab e Morettin
aqui é muito pequena (1 em 250, 0,4%), não causará problemas. (2003).
Apenas quando a quantidade ultrapassa 5% da base de dados há
v
motivo para preocupação; pois, ou houve muitos erros de digitação
na tabulação dos dados ou o instrumento de pesquisa foi mal proje-
tado, pois muitos elementos da população não forneceram as infor-
mações desejadas.
Conforme vimos na
O Quadro 4 pode ser apresentado de forma gráfica, através de
Unidade 1.
um gráfico de barras múltiplas.
Período 3 77
3 tados com outros conjuntos de dados de tamanhos diferentes. Assim,
podemos calcular percentuais em relação aos totais de cada coluna,
ou em relação aos totais de cada linha ou ainda ao total geral da
UNIDADE
Chiconaultla 69 11 1 0 81
85,19% 13,58% 1,23% 0,00% 100%
DeltaForce3 29 22 5 0 56
51,79% 39,29% 8,93% 0,00% 100%
Valentiniana 11 18 9 3 41
26,83% 43,90% 21,95% 7,32% 100%
SpaceShuttle 1 14 17 10 42
2,38% 33,33% 40,48% 23,81% 100%
LuxuriousCar 0 1 9 19 29
0,00% 3,45% 31,03% 65,52% 100%
Total 110 66 41 32 249
44,18% 26,51% 16,47% 12,85% 100%
UNIDADE
quantitativas é semelhante ao caso das variáveis qualitativas: relacio-
nar os valores da variável com as suas ocorrências no conjunto de
dados. Todavia, apresenta algumas particularidades a depender de a
variável ser discreta ou contínua.
Se a variável fosse quantitativa discreta e pudesse assumir ape-
nas alguns valores, a abordagem seria semelhante a das variáveis
qualitativas. A diferença reside na substituição de atributos por nú-
meros, que gera uma distribuição de frequência para dados não
agrupados. Vamos ver um exemplo.
Exemplo 4 – para a mesma situação do Exemplo 1: imagine
que você está interessado em descrever a variável número de pessoas
usualmente transportadas no veículo, isoladamente, e representar os
dados em forma de tabela. Como ficariam os resultados? O resultado
seria semelhante ao mostrado no Quadro 6, uma apresentação tabular
(em forma de tabela) da variável número de pessoas transportadas.
Período 3 79
3
Como representar a distribuição de frequências para
variáveis qualitativas discretas graficamente? O
v
UNIDADE
UNIDADE
Se o conjunto for grande, é preciso representar os dados por
meio de um conjunto de faixas de valores mutuamente exclusivas (para
que cada valor pertença apenas a uma faixa), que contenha do menor
ao maior valor do conjunto: registram-se, então, o número de valores
do conjunto que se encontram em cada faixa. Há duas maneiras de
fazer isso:
Período 3 81
3 Vamos ver exemplos de ambas as abordagens.
UNIDADE
v
cem à classe média; e, acima disso, pertencem à classe alta?
b) Se optássemos por uma distribuição de frequências para
dados agrupados?
UNIDADE
pode ser considerada de classe alta (renda superior a 20 salários mí-
nimos mensais). A grande discussão que surge nesse caso é quem
define o que é classe baixa, média ou alta (ou A, B, C, D e E). Uma
sugestão é utilizar a classificação do IBGE.
v
Passando para o item b, devemos seguir os passos:
Período 3 83
3 CLASSES
1,795|-18,645
FREQUÊNCIA
98
PERCENTUAL
39,2%
PONTOS MÉDIOS
10,22
UNIDADE
UNIDADE
com a interpretação do item a, pois concluímos que a maioria absolu-
ta dos clientes é de classe alta. Isso ocorre devido à definição arbitrá-
ria das classes. Pense em como você resolveria essa contradição.
O agrupamento em classes apresenta algumas desvantagens,
além da já citada perda de informação sobre o conjunto original.
Os pontos médios nem sempre são os representantes mais fiéis
das classes. Para grande quantidade de dados, existe maior probabili-
v
dade de que essas estimativas correspondam exatamente aos verda-
deiros valores. Outro problema são as medidas estatísticas calculadas
com base na distribuição de frequências para dados agrupados: serão
apenas estimativas dos valores reais devido à perda de informação
A tendência atual é não
referida anteriormente.
calcular medidas estatís-
ticas com base em tabe-
las de dados grupados.
Agora, vamos ver como analisar o relacionamento
entre duas variáveis quantitativas.
Período 3 85
3
!
A denominação de correlação costuma levar a má in-
terpretação do significado da “correlação” entre variá-
veis: se há correlação entre variáveis significa que os
UNIDADE
v
Como realizar Análise
Exploratória de Dados com aplicativos computacionais, uma planilha eletrônica como o
no Microsoft Excel®. [Link] Calc® ou Microsoft Excel®.
Por meio do diagrama de dispersão, podemos ter uma ideia
ini-cial de como as variáveis estão relacionadas: a direção da correla-
ção (isto é, quando os valores de X aumentam, os valores de Y au-
mentam também ou diminuem); a força da correlação (em que “taxa”
os valores de Y aumentam ou diminuem em função de X); e a nature-
UNIDADE
Para esclarecer, vamos ver um exemplo.
Período 3 87
3 Em Saiba
mais, va-
mos apre-
Você já deve ter visto em algum lugar uma tabela ou gráfico
mostrando evolução do PIB do Brasil ao longo dos anos, ou a evolu-
ção da população de um país, ou mesmo os percentuais de intenção
v
UNIDADE
UNIDADE
Para a mesma situação do Exemplo 1. No caso, gostaríamos
de avaliar se existe alguma relação entre a renda do consumidor e o
modelo adquirido. Espera-se que tal relação exista, pois os modelos
Chiconaultla e DeltaForce3 são os mais baratos, e o sofisticado
LuxuriousCar é o mais caro de todos.
Nesse caso, podemos obter distribuições de frequências da va-
riável Renda para cada valor da variável Modelo. Seria uma situação
semelhante a do item b do Exemplo 4, mas agora com cinco tabelas,
uma para cada opção de Modelo.
Muito Importante! Se optarmos por agrupamento em classes,
todas as tabelas precisam ter o mesmo número de classes e as mes-
mas amplitudes de classe para que possamos comparar os grupos. No
nosso caso, vamos usar as classes obtidas no item b do Exemplo 4
para as cinco tabelas:
MODELO
1,795|- 73 20 4 0 0 97
18,645
18,645|- 7 35 32 24 4 102
35,495
35,495|- 1 1 4 18 14 38
52,345
52,345|- 0 0 1 0 8 9
69,195
69,195|- 0 0 0 0 3 3
86,045
Total 81 56 41 42 29 249
Período 3 89
3
v
Observe a semelhança da tabela indicada no Quadro 9 com
aquela do Quadro 8. Da mesma forma que lá fizemos, é possível cal-
cular percentuais em relação aos totais das linhas, colunas ou total
Há 249 dados
UNIDADE
geral.
na tabela porque
o dado perdido Podemos perceber que a relação esperada entre as variáveis
(descoberto no foi confirmada: para os modelos mais baratos a renda mais alta está
Quadro 5) foi re- na classe de 35,495 a 52,345 salários mínimos; já os clientes do mo-
movido do con- delo mais caro (LuxuriousCar) estão nas classes mais altas.
junto. A tabela do Quadro 9 poderia ser expressa por intermédio de
um gráfico, um histograma categorizado. Infelizmente tal gráfico
não pode ser feito em uma planilha eletrônica sem consideráveis ma-
nipulações. Mas através de um software estatístico: o Statsoft Statistica
6.0®, isso é possível:
UNIDADE
Saiba mais...
Sobre correlação entre variáveis (quantitativas): BARBETTA, Pedro A.
Estatística Aplicada às Ciências Sociais. 7. ed. Florianópolis: Ed. da UFSC,
2007. Capítulo 13.
Período 3 91
r
3 Resumindo
UNIDADE
UNIDADE
der a Análise Exploratória de Dados. Vimos como
organizar, interpretar e resumir as informações
coletadas, níveis de mensuração e número de vari-
áveis. Você aprendeu a elaborar tabelas, planilhas
e gráficos de acordo com as especificidades das
informações colhidas. Chegamos ao final da Uni-
dade e ao começo de uma nova aprendizagem.
Esta Unidade lhe deu base para o aprendizado pro-
posto nas Unidades seguintes. Releia, quantas ve-
zes precisar, os variados exemplos propostos para
cada categoria estudada. As Figuras, os quadros,
as representações e os exemplos são importantes
recursos nesse processo de aprendizagem. Interaja
com sua turma e responda às atividades. A tutoria
está pronta a auxiliá-lo e o professor interessado
em seu desenvolvimento.
Vamos em frente!
Período 3 93
3 Atividades de aprendizagem
aprendizagem
UNIDADE
UNIDADE
3. Construa a distribuição de frequências agrupada em classes para a
variável quilometragem média mensal percorrida com o veículo. Você
considera que os clientes da Toyord usam bastante o veículo, ou não?
Justifique.
4. Construa a tabela de contingências para modelo por opinião sobre
concessionárias. Com base nela avalie se os clien-tes de todos os
modelos estão satisfeitos com os serviços prestados. Justifique sua
resposta.
5. Os executivos da Toyord creem que seus clientes abastados são mais
críticos e tendem à insatisfação com seus veículos. Para verificar se
isso é verdade, construíram a tabela a seguir. Com base nela, consta-
taram a crença dos executivos. Calcule os percentuais que entender
necessários. Justifique.
1,795|- 0 16 78 4 98
18,645
18,645|- 7 47 26 22 102
35,495
35,495|- 15 4 5 14 38
52,345
52,345|- 7 0 1 1 9
69,195
69,195|- 3 0 0 0 3
86,045
Total geral 32 67 110 41 250
Período 3 95
Análise Exploratória
4
UNIDADE
de Dados II
Objetivo
Ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de
aprender mais uma maneira de descrever e de
analisar um conjunto de dados referente a uma
variável quantitativa (discreta ou contínua): por meio
das medidas de síntese; e de perceber as medidas
de posição e de dispersão que permitem sintetizar o
comportamento da variável individualmente ou em
função dos valores de outra variável.
4
UNIDADE
UNIDADE
Caro estudante!
Na Unidade 3, estudamos como fazer a descrição
tabular e gráfica das variáveis, seja isoladamente
ou relacionadas a outras e como interpretar os re-
sultados obtidos. Além das técnicas, nos casos em
que a variável sob análise for quantitativa discreta
ou quantitativa contínua, há uma terceira forma
de descrição: as medidas de síntese ou estatísti-
cas. A sua utilização pode ser feita de forma a
complementar as técnicas vistas na Unidade 3, ou
como alternativa a elas.
As medidas de síntese subdividem-se em medidas
de posição (ou de tendência central) e medidas de
dispersão. Vamos estudar as medidas de posição:
média, mediana, moda e quartis; e as medidas de
dispersão: intervalo, variância, desvio padrão e coe-
ficiente de variação percentual. Cada uma delas
pode ser muito útil para caracterizar um conjunto
de dados referente a uma variável quantitativa.
Tenha em mente a necessidade de o administra-
dor conhecer as medidas de síntese para que pos-
sa realizar Análise Exploratória de Dados através
delas. Veremos que são ferramentas que geram re-
sultados objetivos, o que torna mais racional o
processo de tomada de decisão.
A
s Medidas de Posição procuram caracterizar a tendência cen-
tral do conjunto, um valor numérico que o “represente”. Esse
valor pode ser calculado levando em conta todos os valores do
conjunto ou apenas alguns valores ordenados. As medidas mais im-
portantes são média, mediana, moda e quartis.
Período 3 99
4 Média ( )
UNIDADE
v
Onde xi é um valor qualquer do conjunto, é a soma dos
dados. Fonte: Barbetta
(2007).
No exemplo que acabamos de ver, as três turmas
têm a mesma média (6). Então, se apenas essa
medida fosse utilizada para caracterizá-las poderí-
amos ter a impressão de que as três turmas têm
desempenhos idênticos. Será? Observe atentamente
o Quadro 10.
UNIDADE
nota baixa, mas seu valor é tal que consegue diminuir a média do
conjunto.
Um dos problemas da utilização da média é que, por levar em
conta todos os valores do conjunto, ela pode ser distorcida por valo-
res discrepantes (“outliers”) que nele existam. É importante então
interpretar corretamente o valor da média.
O valor da média pode ser visto como o centro de massa de
Valores discrepantes
cada conjunto de dados, ou seja, o ponto de equilíbrio do conjunto: ( outliers) – valores de
“se os valores do conjunto fossem pesos sobre uma tábua, a média uma variável quantitativa
que se distanciam muito
seria a posição em que um suporte equilibra essa tábua”.
(para cima ou para baixo)
Vamos ver como os valores do exemplo distribuem-se em um da maioria das observa-
diagrama apropriado: ções. Por exemplo, a renda
de Bill Gates é um valor
discrepante da variável
renda de pessoas morando
nos EUA. Fonte: Adaptado
de Bussab e Morettin
(2003).
v
número de habitantes),
parte de baixo; e o terceiro grupo é claramente assimétrica em relação
uma média que não re-
à média (que foi distorcida pelo valor discrepante 0). Portanto, muito
velava, porém, a con-
cuidado ao caracterizar um conjunto apenas por sua média. centração de renda do
país, levando a conclu-
Período 3
sões errôneas sobre
101a
qualidade de vida em
muitos países.
4 Outro aspecto importante a ressaltar é que a média pode ser
um valor que a variável não pode assumir. Isso é especialmente ver-
dade para variáveis quantitativas discretas, resultantes de contagem,
UNIDADE
!
brado": 4,3 filhos, por exemplo.
UNIDADE
2 29 11,60%
3 43 17,20%
4 42 16,80%
5 57 22,80%
6 60 24,00%
Total 250 100%
VALORES Xi FREQUÊNCIA fi X i H fi
1 19 19
2 29 58
3 43 129
4 42 168
5 57 285
6 60 360
Total 250 1019
no veículo.
Período 3 103
4 No Exemplo 2, o resultado da média é um valor (4,076) que a
v
variável número de pessoas usualmente transportadas não pode assu-
Veja nova- mir. Mas, trata-se do centro de massa do conjunto.
UNIDADE
Mediana (Md)
UNIDADE
tas das três turmas do Exemplo 1.
TURMA VALORES
A 4 5 5 6 6 7 7 8
B 1 2 4 6 6 9 10 10
C 0 6 6 7 7 7 7,5 7,5
v
o valor da mediana será calculado através da média entre os valores
que estiverem na 4ª e na 5ª posição do conjunto. Por esse motivo, os da-
dos precisam estar orde-
Turma A: Md = (6 + 6)/ 2 = 6 nados crescentemente.
Turma B: Md = (6 + 6)/ 2 = 6
Turma C: Md = (7 + 7)/ 2 = 7
10 11 12 13 15 16 16 35 60
v
sentaria o conjunto seria a mediana. Se a média é diferente da medi- cado no texto Como re-
ana, a distribuição da variável quantitativa no conjunto de dados é alizar análise explo-
dita assimétrica. ratória de dados no
Microsoft Excel®.
Período 3 105
4 Tal como a média, a mediana pode ser calculada a partir de
uma tabela de frequências, com as mesmas ressalvas feitas para aquela
medida. Os programas estatísticos e muitas planilhas eletrônicas dis-
UNIDADE
Moda (Mo)
TURMA VALORES
A 4 5 5 6 6 7 7 8
B 1 2 4 6 6 9 10 10
C 0 6 6 7 7 7 7,5 7,5
UNIDADE
Para alguns autores, os quartis não são medidas de posição,
são separatrizes. Porém, como sua forma de cálculo é semelhante a
da mediana, resolvemos incluí-los no tópico de Medidas de Posição.
Os quartis são medidas que dividem o conjunto em quatro partes
iguais.
O primeiro quartil ou quartil inferior (Qi) é o valor do con-
junto que delimita os 25% dos menores valores: 25% dos valores são
me-nores do que Qi e 75% são maiores do que Qi.
O segundo quartil ou quartil do meio é a própria mediana
(Md), que separa os 50% menores dos 50% maiores valores.
O terceiro quartil ou quartil superior (Qs) é o valor que de-
limita os 25% dos maiores valores: 75% dos valores são menores do
que Qs e 25% são maiores do que Qs.
Como são medidas baseadas na ordenação dos dados, é neces-
sário calcular, inicialmente, as posições dos quartis.
v
Onde n é o número total de elementos do conjunto.
Após calcular a posição, encontrar o elemento do conjunto que Microsoft Excel® e no
nela está localizado. O conjunto de dados precisa estar ordenado! Se [Link] Calc® os quar-
o valor da posição for fracionário deve-se fazer a média entre os dois tis são implementados
valores que estão nas posições imediatamente anterior, e imediata- através da função
mente posterior à posição calculada. Se os dados estiverem dispostos QUARTIL(;1) para quar-
til inferior, e QUAR-
em uma distribuição de frequências, utilizar o mesmo procedimento
TIL(;3) para quartil su-
observando as frequências associadas a cada valor (variável discreta)
perior.
ou ponto médio de classe.
No exemplo 6, iremos encontrar os quartis para a renda no
con-junto de dados apresentados no Quadro 15:
Período 3 107
4 V ALORES
4,695 5,750 7,575 12,960 13,805 14,000 15,820 18,275 18,985 18,985
UNIDADE
19,595 19,720 20,600 22,855 22,990 23,685 24,400 24,400 24,685 24,980
24,980 26,775 27,085 27,240 28,340 31,480 40,050 43,150 47,075
UNIDADE
O objetivo das medidas de dispersão é medir quão próximos
uns dos outros estão os valores de um grupo (algumas mensuram a
dispersão dos dados em torno de uma medida de posição). Com isso,
é obtido um valor numérico que sintetiza a variabilidade.
TURMA VALORES
A 4 5 5 6 6 7 7 8
B 4 4 4,2 4,3 4,5 5 5 8
Período 3 109
4 O intervalo será o mesmo para ambas as turmas: [4,8] ou 4.
Observe que no Exemplo 7 as duas turmas apresentam o mes-
mo intervalo (4). Mas, observando os dados, percebemos facilmente
UNIDADE
v
Observamos claramente que os dados da turma A apresentam
No Microsoft Excel® uma dispersão bem mais uniforme do que os da turma B, embora am-
e no [Link] Calc® bos os conjuntos tenham o mesmo intervalo. O intervalo não permite ter
podemos obter o In- ideia de como os dados estão distribuídos entre os extremos (não per-
tervalo através das mite identificar que o valor 8 na turma B é um valor discrepante).
funções MÁXIMO ( ) Torna-se necessário obter outras medidas de dispersão, capa-
e MÍNIMO ( ). zes de levar em conta a variabilidade entre os extremos do conjunto, o
que nos leva a estudar variância e desvio padrão.
Variância (s2)
UNIDADE
sa distinção
s e r á
explicada
Você sabe por que é preciso elevar os desvios ao
mais adiante
quadrado para avaliar a dispersão? Não podemos
na Unidade
apenas somar os desvios dos valores em relação à
7. Podemos
média do conjunto? Deixamos como exercício para
adiantar que
você os cálculos dos desvios (diferença entre cada a utilização de n – 1
valor e a média) para as notas das três turmas des- no denominador é indis-
critas no Quadro 10, do Exemplo 1. Após calcular pensável para que a
os desvios, some-os e veja os resultados. Lembre-se variância da variável na
de que a média é o centro de massa do conjunto. amostra possa ser um
bom estimador da
variância da variável na
A unidade da variância é o quadrado da unidade dos dados e, população.
portanto, o quadrado da unidade da média, causando dificuldades
para avaliar a dispersão: se, por exemplo, temos a variável peso com
média de 75 kg em um conjunto e ao calcular a variância obtemos 12
kg², a avaliação da dispersão torna-se difícil. Não obstante, a variância
e a média são as medidas geralmente usadas para caracterizar as dis-
v
tribuições probabilísticas (que serão vistas adiante, na Unidade 6).
O que podemos afirmar, porém, é que quanto maior a variância No Microsoft Excel® e
mais dispersos os dados estão em torno da média (maior a dispersão no [Link] Calc® a
do conjunto). variância populacional é
obtida por meio da fun-
ção VARP( ), e a
Para fins de Análise Exploratória de Dados, carac- variância amostral atra-
terizar a dispersão por intermédio da variância não vés da função VAR( ).
é muito adequado. Costumamos usar a raiz qua-
drada positiva da variância, o desvio padrão. Va-
mos ver mais sobre isso? Continuemos os estudos!
Período 3 111
4
UNIDADE
UNIDADE
mentos no conjunto) são substituídos na fórmula para a obtenção dos
resultados.
É desse modo
Tal como no caso da média, pode haver interesse em calcular o
que os progra-
desvio padrão de variáveis quantitativas a partir de distribuições de
mas computa-
frequências representadas em tabelas e, ainda, os valores da variável cionais calcu-
(ou os pontos médios das classes) e os quadrados desses valores se- lam o desvio
rão multiplicados por suas respectivas frequências: padrão.
v
Onde xi é o valor da variável ou ponto médio da classe; fi a
frequência associada, k é o número de valores da variável discreta No Microsoft Excel® e
(ou o número de classes da variável agrupada), e n é o número de no [Link] Calc® po-
elementos do conjunto. demos obter o desvio
Veremos, neste oitavo exemplo, como calcular o desvio padrão padrão populacional
através da função
da renda para os dados do Exemplo 6.
DESVPADP( ) e amostral
por meio da função
V ALORES DESVPAD( ).
4,695 5,750 7,575 12,960 13,805 14,000 15,820 18,275 18,985 18,985
19,595 19,720 20,600 22,855 22,990 23,685 24,400 24,400 24,685 24,980
24,980 26,775 27,085 27,240 28,340 31,480 40,050 43,150 47,075
Período 3 113
4
UNIDADE
C
Coefi
oefi cien
c ien te de va ria ç ão
percentual – resultado da Coeficiente de Variação Percentual (c.v.%)
divisão do desvio padrão
pela média do conjunto
O coeficiente de variação percentual é uma medida de disper-
multiplicado por 100, que
permite avaliar quanto o são relativa, pois permite comparar a dispersão de diferentes distri-
desvio padrão representa da buições com diferentes médias e desvios padrões.
média. Fonte: Barbetta,
Reis e Bornia (2008);
Anderson, Sweeney e
Williams (2007).
Onde s é o desvio padrão da variável no conjunto de dados e
é a média da variável no mesmo conjunto.
Quanto menor o coeficiente de variação percentual, mais os
dados estão concentrados em torno da média, pois o desvio padrão é
pequeno em relação à média.
No exemplo a seguir, vamos calcular o coeficiente de variação
percentual para as notas das turmas do Exemplo 1 e indicar qual das
três apresenta as notas mais homogêneas.
TURMA VALORES
A 4 5 5 6 6 7 7 8
B 1 2 4 6 6 9 10 10
C 0 6 6 7 7 7 7,5 7,5
UNIDADE
Para a turma C: = 6 s = 2,49 c.v.% = (2,49/6) x 100 = 41,55%
v
mos do conjunto, especialmente quando se trata
de uma amostra. Trata-se do teorema de Chebyshev, Há um pequeno texto
também chamado de Desigualdade de Chebyshev. sobre o Teorema de
Chebyshev no ambien-
te virtual.
Período 3 115
4
Recomendamos a você que, novamente, sirva-se
do oitavo exemplo exibido nesta Unidade. Você verá
que construímos distribuições de frequências agru-
UNIDADE
UNIDADE
Mínimo 29,800
Máximo 86,015
Média 50,932
Desvio padrão (amostral) 14,922
SpaceShuttle Frequência 42
Mínimo 18,865
Máximo 47,300
Média 33,050
Desvio padrão (amostral) 7,620
Valentiniana Frequência 41
Mínimo 13,055
Máximo 65,390
Média 27,353
Desvio padrão (amostral) 8,383
Frequência Total 249
Mínimo Total 1,795
Máximo Total 86,015
Média Total 25,105
Desvio padrão (amostral) Total 14,505
Período 3 117
4 Portanto, a relação entre renda e modelo parece realmente existir.
Agora, devemos avaliar a dispersão da renda em função dos
modelos. Como as médias são diferentes, é recomendável calcular os
UNIDADE
UNIDADE
Deltaforce3 22,064 56 6,956 10,82 48,22 16,575 21,378 26,392
SpaceShuttle 33,05 42 7,62 18,865 47,3 26,62 33,85 39,65
Valentiniana 27,353 41 8,383 13,055 65,39 23,685 25,715 30,13
Chiconaultla 12,705 81 6,038 1,795 40,16 8,88 12,245 15,4
LuxuriousCar 50,932 29 14,922 29,800 86,015 41,89 47,525 58,92
Total 25,105 249 14,505 1,795 86,015 14,095 23,545 32,17
Saiba mais...
Sobre medidas de síntese, assimetria, diagramas em caixa e outros aspectos,
procure em: BARBETTA, Pedro A. Estatística Aplicada às Ciências Sociais. 7.
ed. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2007, Capítulo 7.
Período 3 119
4 Resumindo
r
UNIDADE
UNIDADE
tato com a tutoria, esclareça suas dúvidas, pois
não há outra forma de aprender a não ser prati-
cando. Na Unidade 5, veremos os conceitos de
Probabilidade, indispensáveis à compreensão do
processo de inferência (generalização) estatísti-
ca. Vamos em frente!
Atividades de aprendizagem
aprendizagem
As atividades devem ser feitas com o emprego do Microsoft Excel®
ou do [Link] Calc®, por meio do arquivo [Link] que
está no Ambiente Virtual de Ensino-Aprendizagem.
Período 3 121
4 design e o marketing dos veículos estão coerentes. Com
base nos resultados da letra a , os dados mostram isso? Jus-
tifique.
UNIDADE
UNIDADE
Conceitos Básicos
UNIDADE
da Probabilidade
Objetivo
Ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de
compreender os conceitos de Probabilidade; de
perceber a importância do uso do raciocínio
probabilístico; e de fazer uso desse raciocínio, que
é fundamental para o administrador na tomada de
decisões em ambiente de incerteza.
Período 3 123
5
UNIDADE
UNIDADE
Caro estudante,
Nesta Unidade, vamos estudar os conceitos bási-
cos de Probabilidade, tais como: Experimento Ale-
atório; Espaço Amostral e Eventos; Axiomas e Pro-
priedades; Probabilidade Condicional; e Indepen-
dência Estatística. Nos EUA há uma anedota que
diz: “as únicas coisas que são certas são a morte e
os impostos”. Em outras palavras, estamos imersos
na incerteza! Os administradores diariamente pre-
cisam tomar decisões. Muitas delas extremamente
sérias em cenário de grande incerteza:
lançamos ou não um novo modelo de automó-
vel?
Convertemos nossos fornos de óleo combustível
para gás natural?
Qual será a reação do nosso público às mudan-
ças na grade de programação?
Por que há incerteza? Porque a variabilidade ine-
rente à natureza impede a compreensão completa
dos fenômenos naturais e humanos. Mas, os seres
humanos precisam tomar decisões! Assim, é ne-
cessário levar a incerteza em conta no processo.
Alguns apelam para a sabedoria popular, outros
para o místico. Os administradores precisam tomar
decisões de forma objetiva; surge, então, a Proba-
bilidade como uma das abordagens de tratamento
da incerteza.
A utilização de métodos probabilísticos proporcio-
na grande auxílio na tomada de decisões, pois per-
mite avaliar riscos e otimizar recursos (sempre es-
cassos) para as situações mais prováveis. Você está
convidado a conhecer mais sobre esse tema nesta
Unidade.
Período 3 125
5 N
as Unidades 3 e 4, utilizamos raciocínio predominantemente
indutivo. Os dados foram coletados e, através da sua organiza-
ção em distribuições de frequências e medidas de síntese, foi
UNIDADE
UNIDADE
ções de ocorrências das faces de um dado, de um dado não é viciado,
espera-se que cada face ocorra em 1/6 do total de lançamentos: se o
dado for lançado numerosas vezes isso provavelmente ocorrerá, mas
v
um resultado diferente poderia ser obtido sem, no entanto, significar a Para cons-
viciação do dado, principalmente se forem feitos poucos lançamentos. truir ou utili-
Nesse ponto, é impor tante ressaltar que os modelos zar modelos
probabilísticos não têm razão de ser para fenômenos (experimentos) probabilísticos, é neces-
não aleatórios (determinísticos): aqueles em que, adotando-se teo- sário que haja grande
número de realizações
rias e fórmulas apropriadas, podemos prever exatamente qual será o
do fenômeno (experi-
seu re-sultado antes do fenômeno ocorrer. Por exemplo: o lançamento
mento) para que uma
de uma pedra de 5 kg de uma altura de 10 metros, se interessados em
regularidade possa ser
cronometrar o tempo que ela leva para atingir o chão. Conhecendo-se
verificada: é a Lei dos
o peso da pedra, a altura do lançamento, a aceleração da gravidade e Grandes Números. No
as leis da Física, é perfeitamente possível calcular o tempo de queda, início do Século XX, o
sem a necessidade de se realizar o experimento. estatístico inglês Karl
Pearson lançou uma
moeda não viciada
Para prosseguirmos, iremos conhecer algumas de- 24.000 vezes (!) para
finições importantes para o estudo dos modelos verificar a validade des-
probabilísticos. Precisamos definir exatamente as sa lei: obteve 12.012
condições em que devemos usar tais modelos, o caras, praticamente o
que exige compreensão acerca de experimento ale- valor esperado
atório, de espaço amostral e de eventos. Vamos lá? (12.000,50%).
Definições Prévias
Experimento Aleatório
Período 3 127
5 quando é realizado grande número de vezes (replicado),
apresentará regularidade que permitirá construir um mo-
delo probabilístico para analisar o experimento.
UNIDADE
Espaço Amostral (S ou )
v
limite superior conhe-
cido, mas somente é
c) O número de mensagens que são transmitidas corretamente
possível a ocorrência por dia em uma rede de computadores: = {0, 1, 2, 3, ...}.
de valores inteiros. d) A observação do diâmetro, em mm, de um eixo produzido
em uma metalúrgica: = {D, tal que D > 0}.
UNIDADE
O espaço amostral pode ser: Não há um
limite supe-
finito, formado por um número limitado de resultados pos- rior e, teori-
síveis, como nos casos a e b; camente,
infinito numerável, formado por um número infinito de pode haver
resultados, mas que podem ser listados, como nos casos c uma infinida-
de de valores.
ou e;
infinito, formado por intervalos de números reais, como
no caso d.
Eventos
v
cular a probabilidade de que determinado evento venha a ocorrer e,
tal evento, pode ser definido de forma verbal, precisando ser “traduzi- Embora nem todos os
do” para as definições da Teoria de Conjuntos, que veremos a seguir. autores concordem com
Seja o Experimento Aleatório o lançamento de um dado não essa abordagem, ela
vi-ciado e a observação da face voltada para cima: o seu espaço auxilia bastante na com-
preensão dos conceitos.
amostral será = {1, 2, 3, 4, 5, 6}.
Definindo três eventos:
E1 = {2, 4, 6}
E2 = {3, 4, 5, 6}
E3 = {1, 3}
Período 3 129
5 Evento União de E1 com E2 (E1 E 2): evento que se dá quan-
do E1 ou E2 ocorrem.
UNIDADE
UNIDADE
podem ocorrer simultaneamente; não apresentando elementos em co-
mum (sua intersecção é o conjunto vazio).
Dentre os três eventos definidos acima, observamos que os even-
tos E1 e E3 não têm elementos em comum:
E1 = {2, 4, 6} E3 = {1, 3} E1 E3 = E1 e E3
são mutuamente exclusivos.
Evento Complementar de um evento qualquer é formado por
todos os resultados do espaço amostral que não pertencem ao evento.
A união de um evento e seu complementar formará o próprio Espaço
Amostral, e a intersecção de um evento e seu complementar é o con-
junto vazio.
Ei Ei = Ei Ei =
E1 = {2, 4, 6} E1 = {1, 3, 5}
E2 = {3, 4, 5, 6} E2 = {1, 2}
A compreensão dessas definições será extremamente
útil quando calcularmos probabilidades, pois as ex-
pressões poderão ser deduzidas ou simplificadas se
identificarmos de tipo de evento se trata. Podemos,
agora, conhecidas as definições, passar aos concei-
tos de probabilidade, que são complementares.
Período 3 131
5 Definições de Probabilidade
UNIDADE
v
amigo. O vencedor será aquele que acertar a face que ficar para cima
Usaremos o termo após o lançamento de uma moeda honesta. Qual a chance de você
moeda honesta para ganhar?
referenciar uma moe- Você responderia, por intuição, que há 50% (1/2) de chances
da perfeitamente de ganhar, uma vez que há apenas duas faces (resultados) possíveis.
equilibrada e lança- Mesmo sem saber o que seja probabilidade, você pode calcular a
mentos imparciais. chance de ocorrência de um evento de interesse, a face na qual você
De forma análoga,
apostou.
usaremos o adjetivo
Você continua apostando com o mesmo amigo. O vencedor
honesto para dado,
agora será aquele que acertar o naipe de uma carta que será retirada
baralho, entre outros.
ao acaso de um baralho comum de 52 cartas. Veremos, nesse segun-
do exemplo, qual a chance de você ganhar.
Novamente, de forma intuitiva, você responderia que há 25%
(1/4) de chance, uma vez que há apenas quatro naipes (resultados)
possíveis.
O que há em comum entre as situações dos exemplos 1 e 2?
Refletindo um pouco, você observará que em ambos temos experimen-
tos aleatórios e, a cada realização, apenas um dos resultados possí-
veis pode ocorrer. Além disso, como se supõe que a moeda e o bara-
lho são honestos, cada um dos resultados possíveis tem a mesma pro-
babilidade de acontecer: tanto cara quanto coroa possuem 50% de
UNIDADE
Se um experimento aleatório puder resultar em n diferentes e
igualmente prováveis resultados, e nEi desses resultados referem-se ao
evento E i, então a probabilidade do evento Ei ocorrer será:
a) Face 1.
b) Face par.
c) Face menor ou igual a 2.
Período 3 133
5 clientes perdessem sistematicamente, ou seja, o lançamento dos da-
dos ou a retirada da carta do baralho não eram mais experimentos
aleatórios.
UNIDADE
UNIDADE
nição axiomática da Probabilidade.
Seja um experimento aleatório e um espaço amostral associa-
do a ele. A cada evento Ei associaremos um número real denominado
P(Ei) que deve satisfazer os seguintes axiomas:
a) 0 P(Ei) 1,0
A probabilidade de ocorrência de um evento sempre é um
número real entre 0 e 1 (0% e 100%);
b) P () = 1,0
A probabilidade de ocorrência do Espaço Amostral é igual
a 1 (100%) pois pelo menos um dos resultados do Espaço
Amostral ocorrerá. Por isso o Espaço Amostral é chamado
de Evento Certo; e
c) Se E1, E2, ..., E n são eventos mutuamente exclusivos, então
P(E1 E2 ... En) = P(E1) + P(E2) + ... + P(En)
Esse axioma afirma que ao unir resultados diferentes, de-
vemos somar as probabilidades.
Período 3 135
5 d) Sejam Ei e Ej dois eventos quaisquer: P (Ei E j ) = P(Ei)
+ P(Ej) – P(Ei Ej)
A probabilidade de ocorrência do evento União de dois
UNIDADE
a) Complementar de E1;
b) Complementar de E2;
c) União de E2 e E3; e
d) União de E1 e E2.
trabalha em uma corretora de ações e precisa acon-
selhar um cliente sobre investir ou não em ações
5
UNIDADE
da Petrobras. Supõe-se que o preço do barril do
petróleo subirá cerca de 10% nos próximos dias,
há uma probabilidade estimada de acontecer. E,
sabendo disso, você gostaria de saber qual é a
probabilidade de que as ações da empresa subam
também 10% na Bovespa. Esse caso, em que se
deseja calcular a probabilidade de ocorrência de
um evento condicionada à ocorrência de outro,
somente poderá ser resolvido por Probabilidade
Condicional, que veremos a seguir.
Probabilidade Condicional
v
A probabilidade de ocorrência de A condicionada à ocorrên-
cia de B será igual à probabilidade da intersecção entre A e B, dividi-
da pela probabilidade de ocorrência de B (o evento que já ocorreu). No denominador da ex-
Se houvesse interesse no oposto, probabilidade de ocorrência pressão é colocada
sempre a probabilida-
de B condicionada à ocorrência prévia de A:
de do evento que já
ocorreu.
Período 3 137
5 Nesse caso, o valor no denominador seria a probabilidade de
A uma vez que esse evento ocorreu previamente, tal como B na outra
expressão. É importante ressaltar que a operação de intersecção é
UNIDADE
comutativa e implica:
P(A B) = P(B A)
UNIDADE
babilidades.
Primeiramente, definimos o número de resultados do Espaço
Amostral que pertencem aos eventos de interesse, para que seja pos-
sível calcular a sua probabilidade usando a definição clássica de pro-
babilidade:
E1 = {(1,1) (2,2) (3,3) (4,4) (5,5) (6,6)} – faces iguais, 6 resultados, nE1 = 6
E2 = {(1,1) (1,2) (1,3) (1,4) (2,1) (2,2) (2,3) (3,1) (3,2) (4,1)} – soma
das faces 5, 10 resultados, nE2 = 10
Os elementos em comum formarão o evento intersecção:
novo = {(1,1) (1,2) (1,3) (1,4) (2,1) (2,2) (2,3) (3,1) (3,2) (4,1)}
Período 3 139
5 P(E1|E2) = novo nE1/ novo n = 2/10 = 0,2 (20%) o mesmo
resultado obtido anteriormente.
b) “Soma das faces menor ou igual a 5, sabendo-se que as
UNIDADE
v
P(E2|E1), probabilidade de ocorrência de E2 condicionada à ocor-
rência prévia de E1.
!
anteriormente.
UNIDADE
Regra do Produto
v
Nesse caso, o evento A ocorreu previamente, e o segundo valor Não se esqueça que a
é a probabilidade de ocorrência de B dado que A ocorreu. intersecção é comutativa.
Período 3 141
5 a 1ª e a 2ª bolas brancas (duas bolas da mesma cor): even-
to E 1 = B1 B2;
a 1ª bola branca e a 2ª bola vermelha: evento E2 = B1 V2;
UNIDADE
v
a probabilidade de retirar uma bola branca na 2ª retirada,
se na 1ª foi extraída uma branca, é de 1/4 (1 bola branca
Repare que o número em 4): P(B 2| B1) = 1/4
de bolas, número de
a probabilidade de retirar uma bola vermelha na 2ª retira-
resultados, diminuiu
da, se na 1ª foi extraída uma branca, é de 3/4 (3 bolas ver-
de 5 para 4 porque as
retiradas são feitas
melhas em 4): P(V 2| B 1) = 3/4
sem reposição. Se a primeira bola retirada foi vermelha (o evento V1 ocorreu
previamente), restaram 4 bolas, 2 brancas e 2 vermelhas:
UNIDADE
a) O evento que nos interessa: “bolas da mesma cor”: brancas
ou vermelhas, evento união brancas-vermelhas.
Chamando-se bolas da mesma cor de evento F: F = [(B1 B2)
(V1 V2)]
Empregando-se as propriedades de probabilidade:
P(F) = P [(B1 B2) (V1 V2)]= P(B1 B2) + P(V1 V2) – P (B1 B2)
(V 1 V2)
Os eventos (B1 B2) e (V1 V2) são mutuamente exclusivos, se
as bolas são da mesma cor ou são brancas ou são vermelhas, então a
intersecção entre eles é o conjunto vazio, e a probabilidade do conjun-
to vazio ocorrer é igual a zero, então simplesmente: P(F) = P [(B1 B2)
(V 1 V2)]= P(B1 B2) + P(V1 V2)
Empregando-se a regra do produto:
Substituindo na expressão:
P(F) = P [(B1 B2) (V1 V2)]= P(B1 B2) + P(V1 V2) = 1/10 +
3/10 = 4/10 = 0,4 (40%)
Período 3 143
5 Repare: o que há em comum entre o evento (V1 V2) e o even-
to [(B1 B2) (V1
V2)]? Em suma, qual será o evento intersecção?
O que há em comum entre duas bolas vermelhas e duas bolas da mes-
UNIDADE
UNIDADE
e o outro 1ª bola vermelha (V1). Dependendo do resultado da primeira
retirada haverá um Espaço Amostral diferente: 1 bola branca e 3 ver-
melhas se na 1ª retirada obteve-se uma bola branca, ou 2 bolas bran-
cas e 2 vermelhas se na 1ª retirada obteve-se uma bola vermelha.
A partir dos novos Espaços Amostrais, é possível calcular as
probabilidades condicionais para cada caso e, depois, substituí-las
nas fórmulas adequadas. Contudo, a árvore será inútil se o evento para
o qual se deseja calcular a probabilidade não for definido adequada-
mente: nesse caso, no item a: bolas da mesma cor [(B1 B2) (V1
V2)]; e no item b: bolas vermelhas sabendo-se que são da mesma cor
{(V1 V2) | [(B1 B2) (V1
V2)]}.
A árvore será igualmente inútil se não forem usadas as defini-
ções de eventos dependentes (porque não há reposição) e de eventos
mutuamente exclusivos (porque os eventos não podem ocorrer simul-
taneamente), e as expressões de probabilidade condicional e os axio-
mas de probabilidade.
O grande inconveniente da Árvore de Probabilidades surge
quando o número de “retiradas” aumenta e/ou o número de resulta-
dos possíveis para cada retirada é considerável: torna-se impraticável
desenhar a Árvore, enumerando-se todos os resultados. Nesses casos,
usamos Análise Combinatória, que veremos adiante.
Período 3 145
5 ocorrer dado que B ocorreu é igual à própria probabilidade de ocor-
rência de A, e a probabilidade de B ocorrer dado que B ocorreu é
igual à própria probabilidade de ocorrência de B.
UNIDADE
!
P (A B) = P(A) H P(B|A) = P(A) H P(B)
P (A B) = P(B) H P(A|B) = P(B) H P(A)
Saiba mais...
Sobre conceitos básicos de Probabilidade, BARBETTA, Pedro A. Estatística
Aplicada às Ciências Sociais. 7. ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 2007,
Capítulo 7.
UNIDADE
A Figura 35 apresenta um resumo desta Unidade.
Período 3 147
5
Chegamos ao final de Unidade 5. Esperamos que
você tenha aprendido todos os conceitos trabalha-
dos e, por meio dos exemplos, colocado em práti-
UNIDADE
Atividades de aprendizagem
aprendizagem
v
1. Numa eleição para a prefeitura de uma cidade, 30% dos eleitores
pretendem votar no candidato A; 50% no candidato B; e 20% em
Adaptado de branco ou nulo. Sorteia-se um eleitor na cidade e verifica-se o can-
BARBETTA, Pedro A.
didato de sua preferência.
Estatística Aplicada às
Ciências Sociais. 7. a) Construa um modelo probabilístico para o problema.
ed. Florianópolis: Ed. b) Qual a probabilidade de o eleitor sorteado votar em um
da UFSC, 2007.
dos dois candidatos? Resposta: 0,8
2. Extraem-se ao acaso duas cartas de um baralho de 52 cartas; uma
após a outra SEM reposição. Calcule as seguintes probabilidades:
a) Ambas as cartas são vermelhas. Resposta: 0,245
b) Ambas as cartas são de paus. Resposta: 0,058
c) Ambas as cartas são de “Figuras” (ás, rei, dama ou valete).
Resposta: 0,0905
d) Uma carta de paus e outra de copas. Resposta: 0,1274
UNIDADE
b) Resposta: 0,0625
c) Resposta: 0,0947
d) Resposta: 0,125
4. Para determinado telefone a probabilidade de se conseguir linha é
de 0,75 em dias normais e de 0,25 em dias de chuva. A probabilida-
de de chover em um dia é 0,1. Além disso, tendo-se conseguido
linha a probabilidade de um número estar ocupado é 11/21.
a) Qual a probabilidade de um telefone ter sua ligação com-
pletada? Resposta: 0,333
b) Dado que um telefonema foi completado, qual a probabili-
dade de estar chovendo? Resposta: 0,0357
Período 3 149
Variáveis Aleatórias
6
UNIDADE
Objetivo
Ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de
compreender o conceito de Variável Aleatória; de
perceber a relação dela com os modelos
probabilísticos; e, ainda, de constatar que os modelos
probabilísticos podem ser construídos para tais
variáveis.
6
UNIDADE
UNIDADE
Caro estudante!
Há uma pergunta que normalmente é feita àqueles
que trabalham com ciências exatas: por que a ob-
sessão por reduzir tudo a números? Vimos em Aná-
lise Exploratória de Dados que uma variável quan-
titativa, geralmente, apresenta mais informação que
uma variável qualitativa e pode ser resumida não
somente através de tabelas e de gráficos, mas tam-
bém através de medidas de síntese. Dissemos "ge-
ralmente" porque , afinal, nem tudo pode ser redu-
zido a números; é o caso da inteligência e da
criatividade.
Nos exemplos sobre probabilidade apresentados na
Unidade 5, os eventos foram geralmente definidos
de forma verbal: bolas da mesma cor, 2 bolas ver-
melhas, soma das faces menor ou igual a 5 etc.
Não haveria problema em definir os eventos atra-
vés de números. Bastaria associar aos resultados
do Espaço Amostral números, por meio de uma
função; esta chamada de Variável Aleatória. Os
modelos probabilísticos podem, então, ser
construídos para as variáveis aleatórias. O admi-
nistrador precisa conhecer esses conceitos porque
eles proporcionam maior objetividade na obtenção
das probabilidades, o que torna o processo de to-
mada de decisões mais seguro. Vamos conhecê-
los nesta Unidade!
Espaço Amostral – é o
conjunto de todos os re-
U
sultados possíveis de um
ma definição inicial de Variável Aleatória: trata-se de uma vari-
experimento aleatório.
ável quantitativa, cujo resultado (valor) depende de fatores ale- Fonte: Barbetta, Reis e
atórios. Bornia (2008).
Período 3 153
6 um Experimento Aleatório. Se o Espaço Amostral for finito ou infinito
numerável, a variável aleatória é dita discreta. Se o Espaço Amostral
for infinito, a variável aleatória é dita contínua.
UNIDADE
UNIDADE
Podemos ver alguns exemplos de variáveis aleatórias discretas:
X= XI P (X = X I)
x1 p(x1)
x2 p(x2)
... ...
xn p(xn )
Período 3 155
6 se ele errou, a probabilidade de ele acertar uma cobrança cai para
30%. Construa a distribuição de probabilidades do número de acer-
tos em três tentativas de cobrança.
UNIDADE
Então:
UNIDADE
P(X=3) = P[A 1 A2 A3]
v
Assume-se que na primeira tentativa o jogador tem 50% de E 1 , errar a
chance de acertar, então: P(A1) = 0,5 e P(E1) = 0,5 primeira co-
Além disso, estabeleceu-se que quando o jogador acertou a brança, é o
cobrança na tentativa anterior, a probabilidade de acertar a próxima evento com-
é de 0,6 e, caso tenha errado na anterior, a probabilidade de acertar plementar de
A 1, acertar a primeira
na próxima é de apenas 0,3. Trata-se de duas probabilidades condici-
cobrança.
onais, estabelecidas em função de eventos já ocorridos.
Se o jogador acertou na tentativa i (qualquer uma), as probabi-
lidades de acertar e errar na próxima tentativa serão: P(Ai+1| Ai) = 0,6
Pelo complementar, obtém-se: P(E i+1| Ai) = 0,4
Se o jogador errou na tentativa i, as probabilidades de acertar
e errar na próxima tentativa serão: P(Ai+1| Ei) = 0,3
Pelo complementar, obtém-se: P(Ei+1| Ei) = 0,7
Com essas probabilidades estabelecidas, considerando-se a
regra do produto e o fato de os eventos serem mutuamente exclusivos,
é possível calcular as probabilidades de ocorrência de cada valor da
variável aleatória X.
P(X=1) = P[(A1 E2 E3) (E1 A2 E3) (E1 E2 A3)]
P(X=2) = P[(A1 A2 E3) (E1 A2 A3) (A 1 E2 A3)]
P(X=3) = P[A1 A2 A3]
Como os eventos são mutuamente exclusivos:
P(X=1) = P(A1 E2 E3) + P(E1 A2 E3) + P(E1 E2 A3)
P(X=1) =
P(A1)×P(E2|A1)×P(E3|E2)+P(E1)×P(A2|E1)×P(E3|A2)+P(E1)×P(E2|E1)×P(A3|E2)
Período 3 157
6 P(X=1) = 0,5×0,4 × 0,7 + 0,5× 0,3 ×0,4+ 0,5× 0,7 ×0,3 = 0,305
P(X=2) = P(A1 A2 E3)+ P(E1 A2 A3) + P(A1 E2 A3)
P(X=2)
UNIDADE
=P(A1)×P(A2|A1)×P(E3|A2)+P(E1)×P(A2|E1)×P(A3|A2)+P(A1)×P(E2|A1)×P(A3|E2)
P(X = 2) = 0,5 × 0,6 × 0,4 +0,5 × 0,3 × 0,6 + 0,5 × 0,4 × 0,3 = 0,27
(27%)
P(X=3) = P[A1 A2 A3] = P(A1) × P(A2|A1) × P(A 3|A 2) = 0,5 ×
0,6 × 0,6 = 0,18 (18%)
X P (X = X I)
0 0,245
1 0,305
2 0,270
3 0,180
Total 1,0
UNIDADE
Podemos ver alguns exemplos de variáveis aleatórias contínuas:
Período 3 159
6 em praticamente todos os livros de estatística, e que serão vistas na
Unidade 7.
UNIDADE
UNIDADE
uma comparação objetiva: decidiríamos pela que apresentasse o lu-
cro esperado mais elevado. Há um campo de conhecimento que se
ocupa especificamente de fornecer as ferramentas necessárias para tais
tomadas de decisão: a Teoria Estatística da Decisão ou Análise Estatís-
tica da Decisão.
O valor esperado (média) e a variância apresentam algumas
propriedades, tanto para variáveis aleatórias discretas quanto contí-
nuas. O seu conhecimento facilitará muito a obtenção das medidas
em problemas mais sofisticados.
Para o valor esperado E(X), sendo k uma constante:
Período 3 161
6 d) Sejam X e Y duas variáveis aleatórias independentes
V(X Y) = V(X) + V(Y) – A variância da soma ou subtra-
ção de duas variáveis aleatórias independentes será igual
UNIDADE
X P (X = X I) XI H P (X = XI) XI2 P (X = X I)
0 0,245 0 0
1 0,305 0,305 0,305
2 0,270 0,540 1,08
3 0,180 0,540 1,62
Total 1,0 1,385 3,005
UNIDADE
BORNIA, Antonio C. Estatística para Cursos de Engenharia e Informática.
2. ed. São Paulo: Atlas, 2008, Capítulos 5 e 6.
Sobre teoria estatística da decisão: BEKMAN, Oto R.; COSTA NETO, Pedro
r
O. Análise Estatística da Decisão. São Paulo: Edgard Blücher, 1980, 4.
reimpressão, 2006.
Resumindo
O resumo desta Unidade está demonstrado na Figura 39:
Período 3 163
6
UNIDADE
UNIDADE
7, quando estudarmos várias distribuições de pro-
babilidade (modelos probabilísticos) que são extre-
mamente úteis para modelar muitas situações prá-
ticas e para auxiliar na tomada de decisões. Esses
conhecimentos serão depois aplicados nas Unida-
des 8 e 9.
Atividades de aprendizagem
aprendizagem
1. Três alunos estão tentando, de modo independente, resolver um pro-
blema. A probabilidade de o aluno A resolver o problema é de 4/5;
de B resolver é de 2/3; e de C resolver é de 3/7. Seja X o número de
soluções corretas apresentadas para esse problema.
a) Construa a distribuição de probabilidades de X. (Resposta:
0,038; 0,257; 0,476; 0,228); e
b) Calcule E(X) e V(X). (Resposta: 1,893; 0,630).
2. Um prédio possui três vigias dispostos em vários pontos de onde têm
visão do portão de entrada. Se alguém não autorizado entrar, o vigia
que o vir fará soar um alarme. Suponha que os vigias trabalham in-
dependentemente entre si, e a probabilidade de cada um deles ver
uma pessoa entrar é 0,8. Seja X o número de alarmes que soam ao
entrar uma pessoa não autorizada. Encontre a distribuição de proba-
bilidades de X. (Resposta: 0,008; 0,096; 0,384; 0,512).
Período 3 165
6
UNIDADE
UNIDADE
Modelos Probabilísticos
UNIDADE
mais Comuns
Objetivo
Ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de
compreender os modelos probabilísticos mais
importantes para variáveis aleatórias discretas e
contínuas; de identificar as situações reais em que
tais modelos podem ser usados para o cálculo de
probabilidades; e, além disso, de perceber a
relevância desses aspectos para o administrador.
Período 3 167
7
UNIDADE
UNIDADE
Nas Unidades 5 e 6 vimos os conceitos gerais de
Probabilidade e Variáveis Aleatórias: podemos cons-
truir um modelo probabilístico do zero para um pro-
blema de administração, a partir de dados históri-
cos ou experimentais.
Embora plenamente possível, o processo de cons-
trução de um modelo probabilístico do zero pode
ser bastante longo: é preciso coletar os dados (ver
Unidades 1 e 2), fazer a análise exploratória deles
(ver Unidades 3 e 4), obter as probabilidades e
validar o modelo. Mesmo tomando todos os cuida-
dos, muitas vezes reinventaremos a roda, com o
risco de fazê-la quadrada...
Por que não usar os conhecimentos prévios desen-
volvidos ao longo de centenas de anos de pesqui-
sa e de experimentação? Vamos procurar, dentre
os vários modelos probabilísticos existentes aque-
le mais apropriado para o fenômeno que estamos
estudando, que é materializado através de variá-
veis aleatórias.
Por meio da análise exploratória de dados pode-
mos avaliar qual modelo é mais apropriado para os
nossos dados. Contudo, para fazer isso precisamos
conhecer tais modelos.
Nesta Unidade vamos estudar os modelos mais
usados para variáveis aleatórias discretas (binomial Variável aleatória – é
e Poisson), e para variáveis aleatórias contínuas uma função matemática que
associa números reais aos
(uniforme, normal, t e qui-quadrado). resultados de um Espaço
Amostral, por sua vez vin-
culado a um Experimento
É importante determinar com cuidado a variável aleatória dis- Aleatório. Fonte: Barbetta,
Reis e Bornia (2008).
creta.
Período 3 169
7 É preciso, também, identificar se o Espaço Amostral é finito
ou infinito numerável porque alguns modelos são apropriados para
um caso e não para o outro.
UNIDADE
UNIDADE
a) Observar o número de caras em três lançamentos imparci-
ais de uma moeda honesta: n=3; p=0,5
b) Observar o número de meninos nascidos em três partos de
uma mesma família: n=3; p = x
c) Observar o número de componentes defeituosos em uma
amostra de dez componentes de um grande número de pe-
ças que apresentaram anteriormente 10% de peças defei-
tuosas: n = 10; p= 0,1
= {H
H
H, H
H
M, H
M
H, M
H
H, H
M
M,
M H
M, M
M
H, M
M
M}.
Período 3 171
7 Observe que:
lidade de 2 “sucessos”.
P{HMM} = P{MHM} = P{MMH} = p H(1 – p)2 = Proba-
bilidade de 1 “sucesso”.
v
Importa apenas a “natureza” dos sucessos, não a ordem em
que ocorrem: com a utilização de combinações é possível obter o
Em qualquer livro de número de resultados iguais para cada número de sucessos. Suposto
Matemática do ensino que o número de ensaios n é o número de “objetos” disponíveis, e que
médio é possível en- o número de “sucessos” em que estamos interessados (doravante cha-
contrar a definição e os mado k) é o número de “espaços” onde colocar os objetos (um objeto
exemplos de combina- por espaço), o número de resultados iguais será:
ções.
UNIDADE
Para cada entrega (“ensaio”) há apenas dois resultados: no prazo
ou não. Há um número limitado de realizações, n = 3. Definindo “su-
cesso” como no prazo, e supondo as operações independentes, a vari-
ável aleatória X, número de entregas no prazo em 3, teremos distribui-
ção binomial com parâmetros
Então:
v
Somando-se todas as probabilidades, o resultado é igual a 1, Lembre-se que a soma
como deveria ser. O Valor Esperado, Variância e o Desvio Padrão das probabilidades de
serão: todos os eventos que
compõem o Espaço
E(X) = n H p = 3 H 0,82 = 2,46 entregas. Amostral é igual a 1. E
V(X) n H p H (1–p) = 3 H 0,82 H 0,18 = 0,4428 entregas². que 0! = 1, e que um
número diferente de 0
(X) = V(X) = 0,4428 = 0,665 entregas.
elevado a zero é igual a
A média é quase igual ao número de operações devido à alta 1.
probabilidade de sucesso.
Período 3 173
7 Modelo de Poisson
UNIDADE
m=Ht
v
onde é uma taxa de ocorrência do evento em um período contínuo
Apesar do símbolo t, o (igual ou diferente do período sob análise), e t é justamente o período
período contínuo não é contínuo sob análise.
necessariamente um Como obter a taxa ? Há duas opções: realizar um número
intervalo de tempo. suficiente de testes de laboratório para a obtenção da taxa de ocor-
rência do evento a partir dos resultados, ou observar dados históricos
e calcular a taxa.
Se uma variável aleatória discreta X, número de ocorrências
de um evento, segue a distribuição de Poisson, a probabilidade de X
assumir um valor k será:
E(X) = m = H t
V(X) = m = H t
UNIDADE
os experimentos e fenômenos que seguem a distribuição de Poisson:
Período 3 175
7 a) Qual a probabilidade de receber exatamente 5 chamadas
nos primeiros 10 minutos?
b) Qual a probabilidade de receber até 2 chamadas nos pri-
UNIDADE
meiros 12 minutos?
c) Qual o desvio padrão do número de chamadas em meia
hora?
UNIDADE
O Desvio Padrão é a raiz quadrada positiva da variância:
(X) = V(X) = 6 2,45 entregas.
Período 3 177
7
a probabilidade de ocorrência de um valor especí-
fico é igual a zero. Por esse motivo, quando se lida
UNIDADE
UNIDADE
do a < c < d < b) é a área compreendida entre c e d:
v
do um modelo probabilístico contínuo adequado.
O modelo uniforme é bastante usado para gerar números No ambiente virtual, te-
pseudo-aleatórios em processos de amostragem probabilística. mos um exemplo (5)
resolvido de modelo uni-
forme, adaptado de
Agora vamos passar ao modelo mais importante BUSSAB, Wilton O.;
para variáveis aleatórias contínuas. MORETTIN, Pedro A.
Estatística Básica .
5. ed. São Paulo: Sarai-
va, 2003.
Modelo Normal
v
nui, à medida que os valores se afastam desse centro (para valores
menores ou maiores) e, nesses casos, o modelo probabilístico contí- O matemático alemão
nuo mais adequado corresponde ao modelo Normal ou gaussiano. Gauss utilizou ampla-
Isso é especialmente encontrado em variáveis biométricas, re- mente este modelo no
sultantes de medidas corpóreas em seres vivos. tratamento de erros ex-
O Modelo Normal é extremamente adequado para medidas perimentais, embora
não tenha sido o seu
numéricas em geral, descrevendo vários fenômenos, e permitindo fa-
“descobridor”.
zer aproximações de modelos discretos. É extremamente importante
também para a Estatística Indutiva (mais detalhes na próxima Unida-
de). O gráfico da distribuição de probabilidades de uma variável ale-
Período 3 179
7 atória contínua que siga o modelo Normal (distribuição Normal) será
como a Figura 41:
UNIDADE
Características:
A curva apresenta forma de sino, há maior probabilidade de a
variável assumir valores próximos do centro.
Os valores de média () e de mediana (Md) são iguais, signifi-
cando que a curva é simétrica em relação à média.
Teoricamente a curva prolonga-se de – 4 a +4 (menos infinito
a mais infinito), então a área total sob a curva é igual a 1 (100%).
v
Qualquer distribuição normal é perfeitamente especificada por
É comum a utilização seus parâmetros média ( ) e variância (
²) X: N (
, ²). Significa
de letras do alfabeto que a variável X tem distribuição normal com média e variância ².
grego para representar A área escura na Figura 41 é a probabilidade de uma variável
algumas medidas. Não que siga a distribuição normal assumir valores entre a e b: esta área é
se esqueça de que o calculada através da integral da função normal de a a b.
desvio padrão () é a Cada combinação ( , ²) resulta em uma distribuição Normal
raiz quadrada positiva
diferente, portanto há uma família infinita de distribuições.
da variância.
A função normal citada acima tem a seguinte (e aterradora!)
fórmula para sua função densidade de probabilidade:
UNIDADE
sos quando implementados manualmente (somente viáveis se usarem
meios computacionais). De Moivre, Laplace e Gauss desenvolveram Gauss, e to-
seus trabalhos entre a metade do século XVIII e início do século XIX, e das as outras
os computadores começaram a se popularizar a partir da década de pessoas que
60, do século XX. usavam a dis-
Porém, todas as distribuições normais apresentam algumas ca- tribuição Nor-
mal para calcular proba-
racterísticas em comum, independentemente de seus valores de média
bilidades até recente-
e de variância:
mente resolviam as inte-
68% dos dados estão situados entre a média menos um grais com o emprego de
– ) e a média mais um desvio padrão
desvio padrão ( métodos numéricos ma-
+ );
( nualmente.
Período 3 181
7 em uma tabela. Através de uma transformação de variáveis chamada
padronização é possível converter os valores de qualquer distribuição
Normal em valores da distribuição Normal padrão e assim obter suas
UNIDADE
UNIDADE
Primeiro, calculamos o valor de Z correspondente a 55. Z = (55
– 50)/ 10 = + 0,5.
Pelas Figuras 44 e 45 podemos ver a correspondência entre as
duas distribuições:
Período 3 183
7 valor 0,00 (na linha do topo) encontramos o valor 0,3085 (30,85%).
Portanto, P(X>55) é igual a 0,3085. Observe a coerência entre o valor
encontrado e as áreas nas Figuras: a área é menor do que a metade
UNIDADE
UNIDADE
Figura 48: Distribuição normal padrão
Fonte: Elaborada pelo autor deste livro
Ou seja, a área P(Z < –1) = P(Z > 1). Essa probabilidade
podemos encontrar diretamente pela tabela. Fazendo o cruzamento
do valor 1,0 (na coluna) com o valor 0,00 (na linha do topo), encon-
traremos o valor 0,1587 (15,87%). Portanto:
Período 3 185
7
UNIDADE
UNIDADE
Figura 51: Distribuição normal N(50, 102)
Fonte: Elaborada pelo autor deste livro
P(48 < X < 56) = P(X > 48) – P(X > 56)= P(-0,20< Z <0,60) =
P(Z > – 0,20) – P(Z > 0,60)
Período 3 187
7 Como a distribuição Normal é simétrica em relação à média e,
como nesse problema, os valores de interesse estão situados à mesma
distância da média, “sobram” 5% dos valores; 2,5% na cauda inferior
UNIDADE
UNIDADE
Para o caso de z2, ao procurarmos pela probabilidade 0,025,
encontramos o valor exato 0,025 e, por conseguinte, o valor de z2 que
é igual a 1,96: P (Z > 1,96) = 0,025.
Como z1 = –z2, encontramos facilmente o valor de z1: z1 = –1,96.
P (Z < –1,96) = 0,025.
Obser ve que os valores são iguais em módulo, mas
corresponderão a valores diferentes da variável X. A expressão usada
para obter o valor de Z, em função do valor da variável X, pode ser
usada para o inverso:
v
E, desse modo, obteremos os valores de x1 e x2, Observe se o
resultado obtido corresponde a z 1 e z2, respectivamente:
Período 3 189
7 Modelo Normal como Aproximação do
Binomial
UNIDADE
v
cálculos binomiais tornam-se trabalhosos demais.
quando o produto n × p (o valor esperado do modelo
Binomial) e o produto n × (1 – p) forem ambos maiores
ou iguais a 5.
Para os que pensam que
o advento dos computa- Se isso ocorrer, uma binomial, de parâmetros n e p, pode ser
dores eliminou esse pro- aproximada por uma normal com:
blema, um alerta: em
média = = n × p (valor esperado do modelo
alguns casos os núme-
ros envolvidos são tão
Binomial); e
complexos que sobrepu- variância = 2 = n × p × (1– p) (variância do mo-
jam a capacidade da delo Binomial).
máquina (softwares).
Adotando-se o modelo Normal (contínuo) para aproximar o
Binomial (discreto), é necessário fazer uma correção de continuida-
de: associar um intervalo ao valor discreto, para que o valor da proba-
bilidade calculada pelo modelo contínuo seja mensurável. Esse inter-
valo deve ser centrado no valor discreto, e deve ter uma amplitude
igual à diferença entre dois valores consecutivos da variável discreta:
se, por exemplo, a diferença for igual a 1 (a variável somente pode
assumir valores inteiros), o intervalo deve ter amplitude igual a 1 – 0,5
abaixo do valor e 0,5 acima. Essa correção de continuidade pre-
cisa ser feita para garantir a coerência da aproximação.
Seja uma variável aleatória X com distribuição Binomial.
UNIDADE
+ 0,5), todo o intervalo referente a k será incluído.
Período 3 191
7 5) Há interesse em calcular a probabilidade de X assumir va-
lores maiores do que um valor k genérico, P(X > k). Ao se
fazer a aproximação pela Normal, teremos: P(X > k +
UNIDADE
UNIDADE
desvio padrão = =
Pelo modelo Binomial: P (X 500)
Pelo modelo Normal será: P (X 499,5)
P(X 499,5) = P(Z > z1) z1 = (499,5 – 525)/18,47 = –1,38
P(Z > –1,38) = 1 – P(Z >1,38)
Procurando na tabela da distribuição Normal padrão: P (Z > 1,38)
= 0,0838
Então: P (X 500) P(X 499,5) = P (Z > –1,38) = 1 –
P(Z >1,38) = 1 – 0,0838 = 0,9162
A probabilidade de, pelo menos, 500 dos eleitores da amostra
serem menores de 25 anos é igual a 0,9162 (91,62%).
Período 3 193
7 seu trabalho, e quis publicá-las; a Guiness, no entanto, para tal publi-
cação, exigiu que ele adotasse o pseudônimo de “Student”. Por isso, o
seu modelo é conhecido como t de Student para n – 1 graus de liber-
UNIDADE
dade.
O valor n – 1 (tamanho da amostra menos 1) é chamado de
número de graus de liberdade da estatística. Quando a variância
amostral é calculada, supõe-se que a média já seja conhecida; assim
apenas determinado número de elementos da amostra poderá ter seus
valores variando livremente, esse número será igual a n – 1, porque
Essa é a correção propri-
amente dita, pois ao usar
um dos valores não poderá variar livremente, pois terá que ter um
pequenas amostras o ris- valor tal que a média permaneça a mesma calculada anteriormente.
co de a variância Assim, a estatística terá n – 1 graus de liberdade.
amostral da variável ser Trata-se de uma distribuição de probabilidades que apresenta
diferente da variância média igual a zero (como a normal padrão), é simétrica em relação à
v
populacional é maior, po- média, mas apresenta uma variância igual a n/(n – 2), ou seja, seus
dendo levar a intervalos valores dependem do tamanho da amostra e apresenta maior variância
de confiança que não para menores valores desta. Quanto maior o tamanho da amostra,
correspondem à realida- mais a variância de t se aproximae de 1,00 (variância da normal pa-
de. A não utilização des- drão). A distribuição t de Student está na Figura 59, a seguir, para
sa correção representou a
vários graus de liberdade (Para tamanhos de amostra maiores que 30,
fonte de muitos erros no
supõe-se que a variância de t seja igual a 1: por isso a aproximação
passado e, infelizmente,
do item b.1.):
de alguns erros no pre-
sente.
UNIDADE
Temos que encontrar os valores t1 e t2, simétricos em relação à
média que definem o intervalo que contém 95% dos dados. Como
supomos uma amostra de 10 elementos, a distribuição t de Student
terá 10 – 1 = 9 graus de liberdade. Repare que a média da distribui-
ção t de Student é igual a zero, fazendo com que t1 e t2 sejam iguais
em módulo. Podemos encontrar t2, já que P(t > t2) = 0,025. Veja a
Figura 60:
Modelo Qui-quadrado
Período 3 195
7
Na Unidade 10, vamos aprender a calcular uma
estatística que relacionará as frequências observa-
das de cada cruzamento entre os valores de duas
UNIDADE
UNIDADE
estatística.
A tabela da distribuição quiquadrado encontra-se no Ambien-
te Virtual de Ensino-Aprendizagem, para vários graus de liberdade e
valores de probabilidade. Procuremos entendê-la por meio de mais
um exemplo, o 12º.
Imagine que queiramos encontrar o valor da estatística qui-
quadrado, para 3 graus de liberdade, e, deixar uma área, na cauda
superior, de 5%.
O valor da estatística quiquadrado que define uma área na
cauda superior de 5% pode ser encontrado através da Tabela, cruzan-
do a linha de 3 graus de liberdade com a coluna de área na cauda
superior igual a 0,05. Veja a Figura a seguir:
Período 3 197
7 Saiba mais...
Sobre modelos probabilísticos para variáveis aleatórias discretas:
UNIDADE
r
aplicações – usando microsoft excel em português. 5. ed. Rio de Janeiro:
LTC, 200, capítulos 4 e 5.
Resumindo
A Figura 63, a seguir, representa o resumo desta Unidade.
UNIDADE
Figura 63: Resumo da Unidade 7
Fonte: Elaborada pelo autor deste livro
Período 3 199
7
Caro estudante,
Chegamos ao final da Unidade 7 do nosso livro.
UNIDADE
Atividades de aprendizagem
aprendizagem
1. Em determinado processo de fabricação, 10% das peças são defeitu-
osas. As peças são acondicionadas em caixas com 5 unidades cada
uma. As caixas serão aceitas apenas se apresentarem no máximo uma
peça defeituosa. Perguntamos:
a) Qual o modelo teórico mais adequado para esse caso? Por quê?
b) Qual a probabilidade de haver exatamente 3 peças defei-
tuosas em uma caixa?
c) Qual a probabilidade de uma caixa ser aceita?
d) Qual a probabilidade de, num lote de 10 caixas, pelo me-
nos 8 serem aceitas?
2. Uma comissão, responsável pelo recebimento de equipamentos em
uma empresa, faz testes em equipamentos selecionados aleatoria-
mente, dentre os que chegam. Para avaliar determinada marca de
transformadores de pequeno porte, a comissão selecionou aleatoria-
mente 18 dentre os que chegaram e classificará a marca como
satisfatória se não existir nenhum defeituoso nessa amostra. Sabe-se
UNIDADE
a) Qual a probabilidade de a marca vir a ser considerada
satisfatória?
b) Qual a probabilidade de uma amostra, no máximo - de um
grupo de 8 amostras desses transformadores (cada amos-
tra com 18 transformadores) - ser considerada satisfatória?
3. Uma operadora de pedágios está preocupada com o dimensionamento
de uma de suas praças. Muitos motoristas reclamam das filas, pois
há apenas duas gôndolas em operação durante o período. Estudos
mostraram que em média 4 carros chegam na praça de pedágio a
cada 15 minutos.
a) Qual a probabilidade de mais de 2 carros chegarem à pra-
ça em 30 minutos?
b) Qual a probabilidade de chegada de até 2 carros em um
período de uma hora?
c) Você recomenda que a empresa aumente o número de
gôndolas? Por quê?
4. Sabe-se que a precipitação anual de chuva, cuja altura é medida em
cm, em certa localidade, é uma variável aleatória normalmente dis-
tribuída com altura média igual a 29,5 cm e desvio padrão de 2,5
cm de chuva.
a) Qual a altura de chuva ultrapassada em cerca de 5% das
medições?
b) Se em mais de 45% das vezes a altura de chuva ultrapas-
sar 32 cm, torna-se viável a instalação de um sistema para
coleta e para armazenamento de água da chuva (como com-
plemento à atual malha de abastecimento). É viável insta-
lar o sistema na localidade?
5. O tempo de vida de determinado componente eletrônico distribui-se
normalmente com média de 250 horas e variância de 49 horas. Você
adquire um desses componentes.
a) Qual a probabilidade de seu tempo de vida ultrapassar as
260 horas?
Período 3 201
7 b) Qual deveria ser o prazo de garantia para esses componen-
tes para que o serviço de reposição atendesse a somente
5% dos componentes adquiridos?
UNIDADE
UNIDADE
Inferência Estatística e
UNIDADE
Distribuição Amostral
Objetivo
Ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de
compreender os conceitos de inferência estatística
e de distribuição amostral, fundamental para o
processo de generalização empregado pelos
administradores na tomada de decisão.
Período 3 203
8
UNIDADE
UNIDADE
Na Unidade 1, vimos que através da Inferência
Caro estudante, vamos relembrar um pouco nossa
trajetória ao longo da disciplina de estatística:
Período 3 205
8 E
statística é a ciência que se ocupa de organizar, descrever, ana-
lisar e interpretar dados para que seja possível a tomada de de-
cisões e/ou a validação científica de uma conclusão. Os dados
UNIDADE
v
obtidos mediante um censo (pesquisa de toda a população), ou atra-
Na Unidade 2 enume- vés de uma amostra (subconjunto finito) da população.
ramos as principais ra- A amostra deve ser: representativa da população, suficiente
zões para usar (para que o resultado tenha confiabilidade) e aleatória (retirada por
amostragem. sorteio não viciado).
!
A Inferência Estatística consiste em fazer afirma-
Amostra aleatória, ca- ções probabilísticas sobre as características do mode-
sual ou probabilística
– amostra retirada por meio
lo probabilístico, que se supõe representar uma popu-
de um sorteio não viciado, lação, a partir dos dados de uma amostra aleatória
que garante que cada ele- (probabilística) desta mesma população.
mento da população terá
probabilidade maior do que
zero de pertencer à amos-
tra. Fonte: Elaborado pelo Fazer uma afirmação probabilística sobre uma característica
autor deste livro. qualquer é associar à declaração feita probabilidade de que tal decla-
Parâmetros – alguma me- ração esteja correta (e, portanto, a probabilidade complementar de
dida descritiva (média,
que esteja errada). Quando se usa uma amostra da população, sem-
variância, proporção) dos
valores x1, x2, x3, ..., as- pre haverá a probabilidade de se estar cometendo um erro (justamen-
sociados à população. Fon- te por ser usada uma amostra): a diferença entre os métodos estatísti-
te: Barbetta, Reis e Bornia
cos e os outros reside no fato de os métodos estatísticos permitirem
(2008).
calcular essa probabilidade de erro. Para que isso seja possível a amos-
Estimação de
P a r â m e t r o s – forma de
tra da população precisa ser aleatória.
inferência estatística que As afirmações probabilísticas sobre o modelo da população
busca estimar os parâmetros
podem ser basicamente:
do modelo probabilístico da
variável de interesse na po-
pulação, a partir de dados
estimar quais são os possíveis valores dos parâmetros –
de uma amostra Estimação de Parâmetros:
probabilística desta mesma
população. Fonte: Barbetta, qual o valor da média de uma variável que segue uma
Reis e Bornia (2008). distribuição normal?
UNIDADE
testar hipóteses sobre as características do modelo:
parâmetros, forma da distribuição de probabilidades, en-
tre outros – Testes de Hipóteses.
o valor da média de uma variável que segue uma
distribuição é maior do que um determinado valor?
o modelo probabilístico da população é uma distri-
buição normal?
o valor da média de uma variável que segue uma
distribuição normal em uma população é diferente
da mesma média em outra população?
Período 3 207
8 variável pode assumir com a frequência (contagem) com que foram
encontrados naquele conjunto. Essa distribuição pode ser apresenta-
da na forma de uma tabela, ou por meio de um gráfico (esses dois
UNIDADE
v
estatísticas. As principais estatísticas são a média, o desvio padrão, a
A proporção está rela- variância e a proporção.
cionada aos
percentuais de ocor-
rência dos valores em Atenção! Vamos relembrar o que cada uma significa:
uma distribuição de Média
Média: média aritmética simples (ver Unidade 4) tra-
frequências de uma va- ta-se de uma estatística que caracteriza o “centro de
riável qualitativa. massa” do conjunto de dados (Valor Esperado – ver
Unidade 6). Quando é a média populacional recebe o
símbolo µ , quando é a média amostral recebe o sím-
bolo 0 .
Estatísticas – medidas de
Variância
ariância: trata-se de uma estatística (ver Unidade
síntese da variável calcula-
das com base nos resulta- 4): mede a dispersão em torno da média do conjunto,
dos de uma amostra da po- (em torno do valor esperado – possuindo uma unida-
pulação. Se a amostra for
de que é o quadrado da unidade da média (e dos valo-
probabilística (aleatória) as
estatísticas podem ser con- res do conjunto). Quando é a variância populacional
sideradas variáveis aleató- recebe o símbolo ² quando é a variância amostral
rias. Fonte: Barbetta, Reis e
recebe o símbolo s²
s².
Bornia (2008).
Desvio padrão
padrão: é a raiz quadrada positiva da variância,
que possui uma unidade que é igual à unidade da
média; preferida, muitas vezes, para efeito de
!
mensuração da dispersão. Quando é o valor
populacional, recebe o símbolo ; quando é o amostral
recebe o símbolo s .
Proporção
roporção: consiste em calcular a razão entre o nú-
mero de ocorrências do valor de interesse de uma va-
riável qualitativa e o número total de ocorrências
registradas no conjunto (de todos os valores que a
variável pode assumir). Quando é uma proporção
populacional, recebe o símbolo ; quando é uma pro-
porção amostral, recebe o símbolo p .
UNIDADE
lizar tais medidas de síntese como estatísticas que serão utilizadas
para estimar os parâmetros do modelo probabilístico que descreve a
população.
A Tabela 4 resume os parâmetros e as estatísticas:
Média
Variância
Proporção
Distribuição Amostral
Período 3 209
8
v
Os valores de t formam uma nova população que segue uma
distribuição de probabilidades que é chamada de distribuição
amostral de T.
UNIDADE
UNIDADE
Se retirarmos todas as amostras aleatórias de dois elementos
(com reposição) possíveis dessa população (n = 2), teremos os se- Há 16 amos-
guintes resultados: tras possí-
veis.
(2, 2) (2, 3) (2, 4) (2, 5)
(3, 2) (3, 3) (3, 4) (3, 5)
(4, 2) (4, 3) (4, 4) (4, 5)
(5, 2) (5, 3) (5, 4) (5, 5)
Período 3 211
8 Se forem calculadas a média e a variância das médias de to-
das as amostras, o resultado será:
UNIDADE
entemente grande”,
Teorema das Combinações Lineares
importante ressaltar
que isso varia de distri- Se a variável de interesse segue uma distribuição normal na
buição para distribui- população a distribuição amostral das médias de amostras aleatórias
ção e, como foi visto, retiradas da população também será normal, independentemente do
uma distribuição uni-
tamanho das amostras.
forme precisa de uma
amostra pequena (n =
2 no caso) para que a
Teorema Central do Limite
aproximação seja pos- Se a variável de interesse não segue uma distribuição normal
sível; outras distribui-
na população (ou não se sabe qual é a sua distribuição), a distribui-
v
ções precisam de
ção amostral das médias de amostras aleatórias retiradas da popula-
amostras maiores. Al-
ção será normal se o tamanho das amostras for suficientemente gran-
guns autores costu-
de, com uma média igual à média populacional e uma variância igual
mam chamar de “gran-
à variância populacional dividida pelo tamanho da amostra.
des amostras” àquelas
que possuem mais de Para o caso da Proporção podemos chegar a uma conclusão
30 elementos, a par- semelhante.
tir desse tamanho a
aproximação poderia
ser feita sem muitas
preocupações.
UNIDADE
proporção através de um exemplo.
Exemplo 3: pense agora em uma variável qualitativa que pode
assumir apenas dois valores, e que constitui a seguinte população:
(, , , , )
Suponhamos que há interesse no valor (valor que seria o
nosso “sucesso”). A proporção desse valor na população (o valor do
parâmetro) será = 1/5
v
Se retirarmos todas as amostras aleatórias de dois elementos
(com reposição) possíveis dessa população (n = 2), teremos os se- Há 25 amostras possí-
guintes resultados: veis.
Período 3 213
8
UNIDADE
v
Perceba que o valor esperado (média) das proporções amostrais
Voltaremos a analisar o é igual ao valor da proporção populacional de , e que a variância
significado desse resul- das proporções amostrais é igual ao produto da proporção populacional
tado quando estudar- de por seu complementar, dividido pelo tamanho da amostra.
mos Estimação por Lembre-se de que um modelo binomial pode ser aproximado
Ponto. por um modelo normal se algumas condições forem satisfeitas: se o
produto do número de realizações pela probabilidade de “sucesso”
v
(n × p) e o produto do número de realizações pela probabilidade de
Isso também é decor-
“fracasso” (n × [1 – p]) forem ambos maiores ou iguais a 5. Essa
rência do Teorema Cen- distribuição normal teria média igual a n × p e variância igual a
tral do Limite. n × p × (1 – p). Se estivermos interessados apenas na proporção
(probabilidade de “sucesso”) e não no número de “sucessos”, as ex-
pressões anteriores podem ser divididas por n (o tamanho da amos-
tra): média = p e variância = [p × (1– p) / n].
Por causa do Teorema Central do Limite é que o modelo nor-
mal é tão importante. É claro que ele representa muito bem uma gran-
de variedade de fenômenos, mas é devido à sua utilização em
Inferência Estatística que seu estudo é imprescindível. Ressalte-se,
porém, que sua aplicação costuma resumir-se ao que se chama de
Inferência Paramétrica, inferências sobre os parâmetros dos modelos
probabilísticos que descrevem as variáveis na população. Para fazer
inferências sobre outros aspectos que não os parâmetros, ou quando
as amostras utilizadas não forem suficientemente grandes para se assu-
mir a validade do Teorema Central do Limite, é preciso usar técnicas de
Inferência Não Paramétrica, conteúdo este não contemplado nesta dis-
ciplina.
UNIDADE
BORNIA, Antonio C. Estatística para Cursos de Engenharia e Informática. 2.
ed. São Paulo: Atlas, 2008, Capítulo 7.
r
BERENSON, Mark L. Estatística: Teoria e Aplicações – Usando Microsoft
Excel em Português. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 200, Capítulo 5.
Resumindo
A Figura 67, a seguir, representa o resumo desta Unidade.
Período 3 215
8
UNIDADE
Esta Unidade foi muito importante para o seu apren-
8
UNIDADE
dizado, pois lhe deu bases importantes que permi-
tirão avançar na disciplina. Vimos, até agora, so-
bre a inferência estatística e distribuição amostral,
seu modelo probabilístico e testes de hipóteses.
Ao final da Unidade, sugerimos que interaja com
seus colegas, responda às atividade de aprendiza-
gem e visite o Ambiente Virtual de Ensino-Apren-
dizagem, espaço no qual poderá resolver suas dú-
vidas com o auxílio de seu tutor. Bons estudos!
Atividades de aprendizagem
aprendizagem
1. Uma fundição produz blocos para motor de caminhões. Os furos para
Camisa – mecânica: invó-
as camisas devem ter diâmetro de 100 mm, com tolerância de 5
lucro de metal que protege
mm. Para verificar qual o diâmetro médio no processo, a empresa peças ou partes de certas
máquinas e motores. Fon-
vai retirar uma amostra com 36 blocos e medir os diâmetros de 36
te: Aulete (2008).
furos (1 a cada bloco). Suponha que o desvio padrão (populacional)
dos diâmetros seja conhecido e igual a 3 mm.
a) Qual o desvio padrão da distribuição da média amostral?
b) Qual a probabilidade da média amostral diferir da média
populacional (desconhecida) em mais de 0,5 mm (para
mais ou para menos)?
c) Qual a probabilidade da média amostral diferir da média
populacional (desconhecida) em mais de 1 mm (para mais
ou para menos)?
d) Se alguém afirmar que a média amostral não se distanciará
da média populacional em mais de 0,98 mm, qual a pro-
babilidade dessa pessoa acertar?
Período 3 217
8 e) Se alguém afirmar que a média amostral não se distanciará
da média populacional em mais de 1,085 mm, qual a pro-
babilidade dessa pessoa errar?
UNIDADE
UNIDADE
Estimação de
UNIDADE
Parâmetros
Objetivo
Ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de
compreender e de aplicar os conceitos de Estimação
de Parâmetros por Ponto e por Intervalo de Média e
Proporção; e de calcular o tamanho mínimo de
amostra necessário para a Estimação por Intervalo.
Período 3 219
9
UNIDADE
UNIDADE
Caro estudante,
Na Unidade 8, você viu o conceito de Distribuição
Amostral e constatou a importância do modelo nor-
mal. Nesta Unidade, você vai aprender como apli-
car esses conceitos no primeiro tipo particular de
inferência estatística: a Estimação de Parâmetros,
por ponto e por intervalo.
Parâmetros são medidas de síntese de variáveis
quantitativas na população que estamos
pesquisando. Por ser inviável ou inconveniente
pesquisar toda a população, coletamos uma amos-
tra para estudá-la. Os resultados da amostra po-
dem ser usados, então, para fazer afirmações
probabilísticas sobre o parâmetro de interesse: de-
finir um intervalo possível para os valores do
parâmetro e calcular a probabilidade de o valor
real do parâmetro estar dentro dele (esta é a Esti-
mação por Intervalo).
Vamos aprender como estimar os parâmetros mé-
dia de uma variável quantitativa e proporção de
um dos valores de uma variável qualitativa. Além
disso, você vai ver como é possível definir, de for-
ma mais acurada, o tamanho mínimo de uma amos-
tra aleatória para estimar média e proporção (tema
Estimação por ponto –
iniciado na Unidade 2).
tipo de estimação de
parâmetros que procura
identificar qual o melhor
U
ma vez tendo decidido que modelo probabilístico é mais ade- estimador para um
parâmetro populacional a
quado para representar a variável de interesse na população,
partir das várias estatísticas
resta obter os seus parâmetros. Nos estudos feitos com base em amostrais disponíveis, se-
amostras, é preciso escolher qual das estatísticas de amostra será o guindo alguns critérios.
Fonte: Barbetta, Reis e
melhor estimador para cada parâmetro do modelo.
Bornia (2008).
A Estimação por Ponto consiste em determinar qual será o
melhor estimador para o parâmetro de interesse.
Período 3 221
9 Como os parâmetros serão estimados através das estatísticas
de uma amostra aleatória; e como para cada amostra aleatória as
estatísticas apresentarão diferentes valores, os estimadores também
UNIDADE
UNIDADE
constatações que lá foram feitas passarão a fazer sentido agora.
Vamos supor que houvesse a intenção de estimar a média
populacional da variável do Exemplo 2. Qual das estatísticas disponí-
veis seria o melhor estimador?
Lembrem-se de que, após retirar todas as amostras aleatórias
possíveis daquela população, calculamos a média de cada amostra e,
posteriormente, a média dessas médias. Constatamos que o valor es-
perado das médias amostrais (média das médias) é igual ao valor da
média populacional da variável e a variância das médias amostrais é
igual ao valor da variância populacional da variável dividida pelo ta-
manho da amostra:
Período 3 223
9 O melhor estimador da proporção populacional é a propor-
ção amostral p, pois se trata de um estimador justo e consistente:
UNIDADE
UNIDADE
exatamente com os valores reais dos parâmetros. Então a Estimação por
Ponto dos parâmetros é insuficiente, e as estimativas assim obtidas servi-
rão apenas como referência para a Estimação por Intervalo.
A Estimação por Intervalo consiste em colocar um Intervalo de
Confiança (I.C.) em torno da estimativa obtida através da Estimação
por Ponto.
Fazer uma Estimação
O Intervalo de Confiança terá certa probabilidade, chamada
v
por Intervalo de um
de Nível de confiança (que costuma ser simbolizado como 1 – ), de parâmetro é efetuar uma
conter o valor real do parâmetro e a probabilidade de esta faixa real- afirmação probabilística
mente abranger o valor real do parâmetro. A probabilidade de o Inter- sobre este parâmetro,
valo de Confiança não conter o valor real do parâmetro é chamada de indicando uma faixa de
), e o valor dessa probabilidade será o com-
Nível de Significância ( possíveis valores.
plementar do Nível de Confiança. É comum definir o Nível de
Significância como probabilidade máxima de erro, um risco máximo
Intervalo de Confiança
admissível. – faixa de valores da esta-
A determinação do Intervalo de Confiança para determinado tística usada como
estimador, dentro da qual
parâmetro resume-se basicamente a definir o Limite Inferior e o Limi-
existe a probabilidade co-
te Superior do intervalo, supondo determinado Nível de Confiança ou nhecida de estar o verdadei-
Significância. ro valor do parâmetro. Sinô-
nimo de estimação por in-
A definição dos limites dependerá também da distribuição
tervalo. Fonte: Barbetta,
amostral da estatística usada como referência para o intervalo e do Reis e Bornia (2008).
tamanho da amostra utilizada. Nível de Significância
Para os dois parâmetros em que temos maior interesse (média – complementar do nível de
confiança, a probabilidade
populacional μ e proporção populacional ) a distribuição amostral
de que o intervalo de confi-
dos estimadores (média amostral 0 e proporção amostral p, respecti- ança não contenha o valor
vamente) pode ser aproximada por uma distribuição normal: o Inter- real do parâmetro. Probabi-
lidade de erro espera-se que
valo de Confiança será então simétrico em relação ao valor calculado
seja um valor baixo, de no
da estimativa (média ou proporção amostral), com base na amostra máximo 10%. Fonte:
aleatória coletada (Figura 68): Barbetta, Reis e Bornia
(2008).
Nível de Confiança –
probabilidade de que o in-
tervalo de confiança conte-
nha o valor real do
parâmetro a estimar, espe-
ra-se que seja um valor alto,
de no mínimo 90%. Fonte:
Moore, McCabe, Duckworth
e Sclove (2006).
Período 3 225
9
UNIDADE
v
correspondente, e substituir o valor em Z = (x – “média”) “desvio
Foram colocados entre padrão” para obter o valor x (valor correspondente ao valor de Z para
aspas porque os valo- a probabilidade fixada). Observe a Figura 69:
res dependerão dos
parâmetros sob análi-
se e de outros fatores.
UNIDADE
Z2 H“desvio padrão”.
0 – e0 0 + e 0 ) = 1 –
P(0
Período 3 227
9 a) Se a variância populacional ² da variável (cuja média
populacional queremos estimar) for conhecida.
Nesse caso a variância amostral da média poderá ser calcula-
UNIDADE
da através da expressão:
E e0 será:
E e0 será:
UNIDADE
trada na equação a seguir:
v
corte.
Adotou-se um nível de significância de 1%, então = 0,01 e Este valor pode ser ar-
1 – = 0,99. bitrado pelo usuário ou
As estatísticas disponíveis são: média amostral = 8,2 kg pode ser uma exigência
s = 0,4 kg n = 4 elementos. do problema sob análi-
se, ou até mesmo uma
Definição da variável de teste: como a variância populacional
exigência legal. Os ní-
é desconhecida e o tamanho da amostra é menor que 30 elementos,
veis de significância
não obstante a população ter distribuição normal, a distribuição amostral
mais comuns são de
da média será t de Student, e a variável de teste será: tn-1
1%, 5% ou mesmo
Encontrar o valor de tn-1,crítico: como o Intervalo de Confiança para 10%.
a média é bilateral, teremos uma situação semelhante à da Figura 70 a
seguir.
Período 3 229
9 Para encontrar o valor crítico, devemos procurar na tabela da
distribuição de Student, na linha correspondente a n–1 graus de liber-
dade, ou seja, em 4 – 1 = 3 graus de liberdade. O valor da probabili-
UNIDADE
dade pode ser visto na Figura anterior: os valores críticos serão t3;0,005
e t3;0,995 os quais serão iguais em módulo. E o valor de tn–1,crítico será
igual a 5,84 (em módulo).
Determinammos os limites do intervalo, através da expressão
seguinte (cujo resultado será somado e subtraído da média amostral),
para estabelecer os limites do intervalo:
Se n H
5 E n H (1 – ) 5
UNIDADE
Nesse caso, a “média” será a proporção amostral (ou mais pre-
cisamente o seu valor):
P(p – e0 p + e0) = 1 –
Então e0 será:
Período 3 231
9 para a proporção, observar se é possível fazer a aproxima-
ção pela distribuição normal.
UNIDADE
UNIDADE
do intervalo:
Período 3 233
9 A solução para o dilema acima é a obtenção de um tamanho
mínimo de amostra capaz de atender simultaneamente ao Nível de
Confiança (ou de Significância) e à precisão (e0) especificados. Como
UNIDADE
isolando n:
UNIDADE
onde N é o tamanho da população
isolando n:
Período 3 235
9 É necessário especificar o Nível de Confiança (ou de
Significância) que será usado para encontrar o Zcrítico e o valor de e 0
(tomando o cuidado de que tanto e0 quanto p e 1– p estejam todos
UNIDADE
v
conhecido, é recomendável corrigir o tamanho da amostra obtida, para
o intervalo de confiança de média ou proporção, mediante a seguinte
Essa solução somente fórmula:
é usada quando a na-
tureza da pesquisa é tal , onde N é o tamanho da população
que não é possível re-
tirar uma amostra pi- Assim procedendo, evitamos o inconveniente de se obter um
loto: a retirada de uma tamanho de amostra superior ao tamanho da população, o que pode
amostra piloto, e a
ocorrer se N não for muito grande.
eventual retirada de
Exemplo 4: considere o caso do Exemplo 2.
novos elementos da
população, poderia pre-
Suponha 99% de confiança e precisão de 1%, essa amostra é
judicar muito o resul- suficiente para estimar a proporção populacional.
tado da pesquisa. De acordo com o Exemplo 2, é possível se utilizar a aproxima-
Paga-se, então, o pre- ção pela distribuição normal. A expressão para o cálculo do tamanho
ço por se ter uma mínimo de amostra para a proporção populacional será:
amostra substancial-
mente maior do que o
necessário.
UNIDADE
Observe que o tamanho mínimo de amostra necessário para aten-
der a 99% de confiança e precisão de 1% deveria ser de 2.249 elemen-
tos. Como a amostra coletada possui apenas 1.000 elementos, ela é
insuficiente para a confiança e precisão exigidas. Recomendamos o
retorno à população para a retirada aleatória de mais 1.249 peças.
Período 3 237
9 OPINIÃO
Godofredo Astrogildo
LIMITE INFERIOR %
31%
LIMITE SUPERIOR %
37%
UNIDADE
Saiba mais...
Sobre propriedades e características desejáveis de um estimador,
BARBETTA, Pedro A.; REIS, Marcelo M.; BORNIA, Antonio C. Estatística
para Cursos de Engenharia e Informática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008,
Capítulo 7.
UNIDADE
O resumo desta Unidade está mostrado na Figura 72:
Período 3 239
9 Vimos, nesta Unidade, os conceitos de Estimação
de Parâmetros. Aprendemos a estimar os parâmetros
média de uma variável quantitativa e proporção de
UNIDADE
Atividades de aprendizagem
aprendizagem
1. Buscando melhorar a qualidade do serviço, uma empresa estuda o
tempo de atraso na entrega dos pedidos recebidos. Supondo que o
tempo de atraso se encontra normalmente distribuído, e conhecendo
o tempo de atraso dos últimos 20 pedidos, descritos a seguir (em
dias), determine:
5 1 0 3 6 10 2 3 4 1 5 3 1 6 6 9 0 0 1 0
UNIDADE
ministração estadual. Admitindo-se um nível de significância de 5%,
solucione os itens a seguir.
a) Estime o percentual da população que está insatisfeita com
a administração estadual.
b) Qual o tamanho da amostra necessária para a estimação se
a empresa responsável pela pesquisa estipulou uma folga
máxima de 2,5%?
3. Os índices apresentados pelos alunos do curso de Economia e de
Administração estão sendo questionados por eles, no sentido de de-
finirem se há diferença entre os cursos. Para tanto foram analisados
os índices de 10 alunos de cada curso, escolhidos aleatoriamente
dentre os regularmente matriculados e anotados seus valores, onde
se obteve:
Economia – média 7,3 desvio padrão 2,6
Administração – média 7,1 desvio padrão 3,1
a) Estime os valores médios dos índices de cada curso com
95% de confiança.
b) Para o mesmo nível de confiança de a. Será que 10 alunos
é uma amostra suficiente, em ambos os cursos, para esti-
mar seus índices médios, com uma precisão igual a 1?
4. O CRA-SC está conduzindo uma pesquisa acerca da opinião dos aca-
dêmicos de administração sobre seus respectivos cursos. Suspeita-
se que haja diferença entre as proporções de satisfeitos de institui-
ções públicas e privadas: os acadêmicos das públicas seriam mais
satisfeitos. Para avaliar essa suposição, foi conduzida uma pesquisa
por amostragem, entrevistando alunos de duas instituições públicas,
SHUFSC e GASE, e de três privadas, PATÁPIO de SÁ, UNIMALI e
UNILUS. Os resultados estão na tabela a seguir:
Período 3 241
9 MEDIDAS SHUFSC GASE
UNIVERSIDADES
PATÁPIO UNIMALI UNILUS
UNIDADE
UNIDADE
Testes de Hipóteses
UNIDADE
Objetivo
Ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de
compreender os conceitos de Testes de Hipóteses,
especialmente para média de uma variável
quantitativa; proporção de um dos valores de uma
variável quantitativa; e associação entre duas
variáveis qualitativas; e, ainda, capaz de aplicá-los
e de perceber a importância deles no dia a dia do
administrador.
Período 3 243
10
UNIDADE
UNIDADE
Caro estudante, você viu anteriormente que deter-
minada população pode ser descrita através de um
modelo, que apresenta características e
parâmetros. Muitas vezes, esses parâmetros são
desconhecidos e há interesse em estimá-los para
se obter melhor conhecimento sobre a população.
Então, retira-se uma amostra aleatória da popula- Te s t e s p a r a m é t r i c o s –
ção e, através das técnicas de Estimação de testes de hipóteses sobre
parâmetros do modelo da
Parâmetros (Unidade 9), procuramos obter a esti- variável sob análise Fonte:
mativa de algum parâmetro de interesse e, a esta, Elaborado pelo autor deste
associamos probabilidade de a estimativa estar cor- livro.
C
ontrariamente à Estimação de Parâmetros, os Testes de Hipó-
teses permitem fazer inferências sobre outras características do
modelo da população além dos
parâmetros, como a forma do modelo da popu- Tô a fim de saber
lação, por exemplo. Quando os Testes são feitos
Na realidade a denominação correta deveria ser
sobre os parâmetros da população, são chama-
“Testes dependentes de distribuição de referên-
dos de Testes Paramétricos; e, quando feitos so-
cia” (porque para fazer inferências sobre os
bre outras características, chamados de Testes
parâmetros devemos supor que o modelo
Não Paramétricos. Não obstante, vamos nos res-
probabilístico populacional é normal, por exem-
tringir aos Testes Paramétricos: da média de uma
plo, ou que a distribuição amostral do parâmetro
variável quantitativa e da proporção de um dos
pode ser aproximada por uma normal). Já os não
valores de uma variável qualitativa.
paramétricos deveriam ser “Testes livres de distri-
Vimos que determinada população pode buição” (porque os Testes Não Paramétricos não
ser descrita através de um modelo probabilístico, exigem que os dados tenham uma aderência a
que apresenta características e parâmetros. certo modelo).
Período 3 245
10 Muitas vezes, esses parâmetros são desconhecidos e há interesse em
estimá-los para obtermos melhor conhecimento sobre a população.
Nesse caso, retiramos uma amostra aleatória da população e, por in-
UNIDADE
UNIDADE
forma arbitrária, e também será a probabilidade de erro do Teste de
Hipóteses: a probabilidade de cometer um erro no teste, rejeitando
uma hipótese válida. Como a decisão do teste é tomada a partir dos
v
dados de uma amostra aleatória da população, há sempre a probabi-
lidade de se cometer um erro, mas com a utilização de métodos esta-
tísticos é possível calcular o valor dessa probabilidade.
O Nível de Significância é uma probabilidade. Portanto,
Empregando-se outros
trata-se de um número real que varia de 0 a 1 (0 a 100%). Como
métodos (empíricos)
existe a probabilidade de se cometer um erro no teste, é interessante não há como ter ideia da
que seja o mais próximo possível de zero: valores típicos são 5%, 10%, chance de erro (pode ser
1% e até menores dependendo do problema sob análise. Contudo, um erro de 0% ou de
não é possível usar um Nível de Significância igual a zero porque, 5.000%...).
devido ao uso de uma amostra aleatória, sempre haverá chance de
erro; a não ser que a amostra fosse do tamanho da população. O
complementar do Nível de Significância é chamado de Nível de
Confiança, pois este indica a confiabilidade do resultado obtido, a
probabilidade de a decisão tomada estar correta.
Você deve estar lembrado destes dois conceitos de
Estimação de Parâmetros: Nível de Confiança era a
probabilidade de o Intervalo de Confiança conter o
valor real do parâmetro, e Nível de Significância,
complementar daquele, diz respeito a probabilida-
de de o Intervalo não conter o parâmetro. Em suma,
Nível de Significância
– probabilidade arbitrada
pelo pesquisador, valor má-
ximo de erro admissível
para rejeitar a hipótese nula
sendo ela verdadeira, espe-
a probabilidade da Estimação estar correta ou não. ra-se que seja um valor bai-
xo, de no máximo 10%.
Fonte: Barbetta, Reis e
Bornia (2008); Moore,
McCabe, Duckworth e
Tipos de Hipóteses Sclove (2006).
Período 3 247
10 portante passo de um Teste de Hipóteses, pois todo o procedimento
dependerá dele.
A Hipótese Nula (H0) é a hipótese estatística aceita como ver-
UNIDADE
UNIDADE
A formulação das hipóteses é o ponto inicial do problema, e
deve depender única e exclusivamente das conclusões que se preten-
de obter com o teste. A formulação da hipótese alternativa determina-
rá o tipo de teste: se Unilateral ou Bilateral.
Se a formulação da hipótese alternativa indicar que o parâmetro
é maior ou menor do que o valor de teste (valor considerado verdadei-
ro até prova em contrário), o teste será Unilateral: somente há inte-
resse se as diferenças entre os dados da amostra e o valor de teste
forem em determinada direção. Se a formulação da hipótese alternati-
va indicar que o parâmetro é diferente do valor de teste, o teste será
Bilateral: há interesse nas diferenças em qualquer direção. As hipó-
teses então seriam:
Testes Unilaterais
H0: parâmetro = valor de teste.
Te s t e u n i l a t e r a l – teste
H1: parâmetro < valor de teste. no qual a região de rejeição
da hipótese nula está con-
H0: parâmetro = valor de teste. centrada em apenas um dos
lados da distribuição
H1: parâmetro > valor de teste. amostral da variável de tes-
te. Fonte: Barbetta, Reis e
Testes Bilaterais
Bornia (2008).
H0: parâmetro = valor de teste. Teste bilateral – teste no
qual a região de rejeição da
H1: parâmetro = valor de teste.
hipótese nula está dividida
em duas partes, em cada
A escolha do tipo de teste dependerá das condições do proble- um dos lados da distribui-
ção amostral da variável de
ma sob estudo. Sejam as três situações a seguir:
teste. Fonte: Barbetta, Reis
e Bornia (2008).
a) Um novo protocolo de atendimento foi implementado no
Banco RMG com objetivo de reduzir o tempo que as pes-
soas passam na fila do caixa. O protocolo será considera-
do satisfatório se a média do tempo de fila for menor do
que 30 minutos. Um teste Unilateral seria o adequado.
b) Cerca de 2.000 formulários de pedidos de compra estão
sendo analisados. Os clientes podem ficar insatisfeitos se
houver erros nos formulários. Nesse caso, admite-se que a
proporção máxima de formulários com erros seja de 5%.
Período 3 249
10 Ou seja, um valor maior do que 5% causaria problemas.
Um teste Unilateral seria o adequado.
c) Uma peça automotiva precisa ter 100 mm de diâmetro,
UNIDADE
!
É importante ressaltar que a montagem das hipóteses
deve depender apenas das conclusões que se preten-
de obter e jamais de uma eventual evidência amostral
disponível.
UNIDADE
são significativas.
Essa abordagem é chamada de abordagem clássica dos testes
de hipóteses. Há também a do valor-p, muito usada por programas
computacionais. Mas, neste texto, vamos usar apenas a clássica por
considerá-la mais clara.
Para entendermos melhor os conceitos acima, observe a situa-
ção a seguir:
Há interesse em realizar um teste de hipóteses sobre o compri-
mento médio de uma das dimensões de uma peça mecânica. O valor
nominal da média (aceito como verdadeiro até prova em contrário) é
igual a “b” (valor genérico), H0: μ = b. Supondo que a distribuição
amostral do parâmetro (distribuição de 0 ) seja normal, e será centrada
em b, é possível fazer a conversão para a distribuição normal padrão
(média zero e desvio padrão 1, variável Z). Repare nas Figuras 73 e
74 a seguir.
H0: μ= b
Figura 73: Hipótese nula: média populacional = b
Fonte: Elaborada pelo autor deste livro
H0: μ= 0
Figura 74: Hipótese nula normal padrão
Fonte: Elaborada pelo autor deste livro
Período 3 251
10 O valor de b (média da dimensão e média de 0 ) corresponde a
zero, média da variável Z. Dependendo da formulação da Hipótese
Alternativa, haveria diferentes Regiões de Rejeição de H0.
UNIDADE
UNIDADE
0 com o valor crítico dessa mesma média: se for menor do que o valor
crítico 0crítivo, ou seja, está na região de Rejeição de H0; desse modo,
rejeita-se a Hipótese Nula. É muito comum também tomar a decisão
comparando o valor da variável de teste (Z neste caso), obtido com
base nos dados da amostra, com o valor crítico Zcrítico desta mesma
variável (obtido de uma tabela ou programa computacional): se for
menor do que o valor crítico, rejeita-se a Hipótese Nula. Observe que
o valor do Nível de Significância é colocado na curva referente à
Hipótese Nula, porque é esta que é aceita como válida até prova em
v
contrário. Observe também que a faixa de valores da região de Rejei-
ção pertence à curva da Hipótese Nula, assim o valor é a probabili-
dade de Rejeitar H0 sendo H0 verdadeira. Probabilidade de tomar
uma decisão errada fixa-
Nesta altura, é importante ressaltar um ponto que costuma pas-
da pelo pesquisador.
sar despercebido. Se a decisão for tomada com base na variável de
teste (Z, por exemplo) é interessante notar que, como o teste é Unilate-
ral à esquerda, o valor Zcrítico será negativo, uma vez que a região de
Rejeição de H0 está à esquerda de 0 (menor do que zero). No teste
Unilateral à direita, que veremos a seguir, o valor de Z crítico será positi-
vo, pois a região de Rejeição de H0 estará à direita de 0 (maior do
que zero). Se, por exemplo, o Nível de Significância fosse de 5% (0,05),
v
o valor de Zcrítico para o teste Unilateral à esquerda seria –1,645. Se
houvesse interesse em obter o valor de 0crítivo correspondente, bastaria
usar a expressão Z = (0 – μ0)/ substituindo Z por –1,645. O sinal correto é impor-
tante para que o valor
Se a Hipótese Alternativa fosse H1: μ > b (H1: μ > 0), ou seja,
seja coerente com a po-
se o teste fosse Unilateral à direita, a Região de Rejeição de H0 seria:
sição da região de Rejei-
ção de H 0.
Período 3 253
10
UNIDADE
UNIDADE
Figura 80: H1: μ 0
Fonte: Elaborada pelo autor deste livro
Período 3 255
10 b) Cerca de 2.000 formulários de pedidos de compra estão
sendo analisados. Os clientes podem ficar insatisfeitos se
houver erros nos formulários. Assim, admite-se que a pro-
UNIDADE
UNIDADE
Nesse caso, há interesse em testar a hipótese de que o parâmetro
média populacional (μ) de certa variável quantitativa seja maior, me-
nor ou diferente de certo valor. Para a realização desse teste, é neces-
sário que uma das condições a seguir seja satisfeita:
v
uma amostra “suficien-
mas a amostra retirada dessa população é considerada “su-
temente grande”, mas
ficientemente grande”; o que, de acordo com o Teorema
geralmente uma amos-
Central do Limite, permite concluir que a distribuição
tra com pelo menos 30
amostral da média é normal; e
elementos costuma ser
supõe-se que a amostra é representativa da população e foi considerada grande o
retirada de forma aleatória. bastante para que a dis-
tribuição amostral da
Tal como na Estimação de Parâmetros por Intervalo, existirão média possa ser aproxi-
diferenças nos testes, dependendo do conhecimento ou não da mada por uma normal.
variância populacional da variável.
a) Se a variância populacional ( ²) da variável (cuja média
populacional se quer testar) for conhecida.
Nesse caso, a variância amostral da média poderá ser calcula-
v
da através da expressão:
Período 3 257
10 denotada por 0, e o “desvio padrão” será o valor obtido anteriormen-
te. Sendo assim, a expressão da variável de teste Z:
UNIDADE
v
Se H1 μ: > μ0 Rejeitar H0 se Z > Z crítico (0 > 0crítico);
Neste caso Z crítico Se H1 μ: < μ0 Rejeitar H0 se Z < Z crítico (0 < 0crítico); e
será negativo, já que a
Se H1 μ: μ0 Rejeitar H0 se |Z||Zcrítico|.
região de Rejeição de
H0 está à esquerda de b) Se a variância populacional ² da variável for desconhecida.
zero. Naturalmente esse é o caso mais encontrado na prática. Como
devemos proceder? Dependerá do tamanho da amostra.
v
rar mais de 30 elemen- variância da distribuição t de Student aproximadamente
tos como sendo uma igual a 1.
amostra suficiente-
mente grande.
UNIDADE
onde s é o desvio padrão amostral e os outros valores têm o mesmo
significado da expressão anterior.
Compara-se o valor da variável de teste com o valor crítico
(tn-1,crítico que depende do Nível de Significância adotado) de acordo
com o tipo de teste:
v
Se H1: < 0 Rejeitar H0 se tn-1 > tn-1,crítico (0 < 0crítico); e
Se H1: : 0 Rejeitar H0 se |tn-1| |tn-1,crítico|. Nesse caso, tn-1,crítico será
negativo já que a região
A correta identificação dos valores críticos, decorrente da cor-
de Rejeição de H 0 está
reta identificação da região de rejeição de H0, por sua vez decorrente
à esquerda de zero.
da adequada formulação das hipóteses estatísticas, é indispensável
para que o resultado obtido seja coerente.
Uma peça automotiva precisa ter 100 mm de diâmetro, exata-
mente. Foram medidas 15 peças, aleatoriamente escolhidas. Obteve-
se média de 100,7 mm e variância de 0,01 mm². Supõe-se que a di-
mensão segue distribuição normal na população. A peça está dentro
das especificações? Usar 1% de significância? Vejamos o primeiro
exemplo:
Enunciar as hipóteses.
Conforme visto anteriormente, o teste mais adequado para esse
caso é um Teste Bilateral:
Nível de significância.
O problema declara que é necessário usar 1% de significância
(se não fosse especificado, outro valor poderia ser usado).
Variável de teste.
Uma vez que a variância populacional da variável é desco-
nhecida (o valor fornecido é a variância amostral) e a amostra retira-
da apresenta apenas 15 elementos (portanto menos de 30), a variável
de teste será tn-1 da distribuição t de Student.
Período 3 259
10 Definir a região de aceitação de H0:
UNIDADE
UNIDADE
tatísticas suficientes de que a dimensão da peça não está dentro das Cuidado
especificações. com os ca-
Um novo protocolo de atendimento foi implementado no Ban- sos de
co RMG com objetivo de reduzir o tempo que as pessoas passam na fronteira,
fila do caixa. O protocolo será considerado satisfatório se a média do em que o
tempo de fila for menor que 30 minutos. Suponha que o tempo que valor da va-
35 clientes (selecionados aleatoriamente) passaram na fila foi riável de
monitorado, resultando em uma média de 29 minutos e desvio padrão teste é muito próximo do
valor crítico. Nesses ca-
de 5 minutos. O protocolo pode ser considerado satisfatório a 5% de
sos, a rejeição ou acei-
significância? Vejamos o segundo exemplo:
tação de H 0 pode ocor-
Esse problema já foi estudado anteriormente.
rer por acaso. Sempre
Enunciar as hipóteses. Conforme visto anteriormente o teste que apresentar o resul-
mais adequado para esse caso é um Teste Unilateral à Esquerda: tado recomende que
uma nova amostra seja
H0: μ = 30, onde μ0 = 30 (valor de teste); e
retirada para avaliar no-
H1: μ < 30. vamente o problema.
Mas, nesse caso, rejei-
Nível de significância. O problema declara que é necessário ta-se H0 com folga.
usar 5%.
Variável de teste. Uma vez que a variância populacional da
variável é desconhecida (o valor fornecido é o desvio padrão
amostral), mas a amostra retirada apresenta 35 elementos (portanto
mais de 30), a variável de teste será Z da distribuição normal.
Definir a região de aceitação de H0:
Período 3 261
10 Observe que por ser um teste Unilateral à Esquerda, o Nível de
Significância está todo concentrado em um dos lados da distribui-
ção, definindo a região de rejeição de H0. Para encontrar o valor crí-
UNIDADE
UNIDADE
(de um dos valores da variável). Se ambas as condições forem satis-
feitas, a distribuição amostral da proporção que é binomial (uma
Bernoulli repetida n vezes) pode ser aproximada por uma normal.
Obviamente supõe-se que a amostra é representativa da população e
foi retirada de forma aleatória, e que a variável pode assumir apenas
dois valores, aquele no qual há interesse e o seu complementar.
Se as condições acima forem satisfeitas, a distribuição amostral
da proporção poderá ser aproximada por uma normal com:
v
Se H1 : μ > μ0 Rejeitar H0 se Z > Zcrítico (p > pcrítico);
Se H1 : μ: < μ0 Rejeitar H0 se Z < Zcrítico (p < pcrítico); e Nesse caso, Z crítico será
Se H1: μ: μ0 Rejeitar H0 se |Z||Zcrítico|. negativo, já que a região
de Rejeição de H 0 está
Cerca de 2.000 formulários de pedidos de compra estão sendo à esquerda de zero.
analisados. Os clientes podem ficar insatisfeitos se houver erros nos
formulários. Nesse caso, admite-se que a proporção máxima de for-
mulários com erros seja de 5%. Suponha que dentre os 2.000 formu-
lários 7% apresentassem erros. A proporção máxima foi ultrapassada
a 1% de significância? Vejamos o terceiro exemplo:
Período 3 263
10 Enunciar as hipóteses. Conforme visto anteriormente, o teste
mais adequado para esse caso é o Teste Unilateral à Direita:
UNIDADE
UNIDADE
O valor de teste 0 é igual a 0,05 (5%), a proporção amostral p
vale 0,07 (7%), e o tamanho de amostra n é igual a 2.000. Substituin-
do na equação:
v
Interpretar a decisão no contexto do problema. Há provas es-
tatísticas suficientes de que a proporção está acima do máximo admi- Este não é um caso de
tido. Provavelmente, os vendedores/compradores precisarão passar por fronteira
novo treinamento.
Agora, vamos ver um tipo de teste estatístico mui-
to utilizado pelos administradores para avaliar o
relacionamento entre duas variáveis qualitativas: o
teste de associação (independência de
quiquadrado).
Te s t e d e a s s o c i a ç ã o
(independência) de
quiquadrado – teste que
permite avaliar se duas va-
Teste de Associação de Quiquadrado riáveis qualitativas, cujas
frequências estão dispostas
em uma tabela de contin-
gências, apresentam asso-
O teste do quiquadrado, também chamado de teste de inde- ciação significativa ou não.
Fonte: Barbetta, Reis e
pendência de quiquadrado, está vinculado à análise de duas variáveis
Bornia (2008).
qualitativas. Vamos ver alguns conceitos antes de apresentar o teste
de associação de quiquadrado.
Período 3 265
10 Variáveis Qualitativas e Tabelas de Contingência
UNIDADE
Masculino 157 27 74 258
Feminino 206 0 10 216
Total 363 27 84 474
FUNÇÃO
SEXO ESCRITÓRIO SERVIÇOS GERAIS GERÊNCIA TOTAL
Masculino 43,25% 100% 88,10% 54%
Feminino 56,75% 0% 11,90% 46%
Total 100% 100% 100% 100%
Período 3 267
10 aquela na qual as duas variáveis não se diferem em relação às
frequências com que ocorre uma característica particular, ou seja, as
variáveis são independentes; e tal hipótese será testada contra a Hi-
UNIDADE
Sendo
Onde:
v
Eij é a frequência esperada, sob a condição de independên-
Se isso não ocorrer re-
cia entre as variáveis, em uma célula qualquer da tabela de
comenda-se agrupar as
contingências. Todas as frequências esperadas precisam ser
categorias (de uma ou
maiores ou iguais a 5 para que o resultado do teste seja
outra variável, ou de
válido.
ambas) até a obtenção
de todas as Oij é a frequência observada em uma célula qualquer da
frequências pelo me- tabela de contingências.
nos iguais a 5.
L é o número total de linhas da tabela de contingências
(número de valores que uma das variáveis pode assumir).
C é o número total de colunas da tabela (número de valores
que a outra variável pode assumir).
UNIDADE
O Teste do quiquadrado para avaliar se duas variáveis são in-
dependentes será unilateral: a Hipótese Nula será rejeitada se q² >
q²crítico, para certo número de graus de liberdade. Por exemplo, para o
caso em que há três graus de liberdade e o Nível de Significância
fosse de 5% (a região de Rejeição de H0 ficará à direita), o valor
crítico será:
graus de liberdade = (L – 1) H (C – 1)
Período 3 269
10 Enunciar as Hipóteses:
FUNÇÃO
SEXO ESCRITÓRIO SERVIÇOS GERAIS GERÊNCIA TOTAL
Masculino 157 27 74 258
Feminino 206 0 10 216
Total 363 27 84 474
UNIDADE
O–E FUNÇÃO
SEXO ESCRITÓRIO SERVIÇOS GERAIS GERÊNCIA
Masculino 157 – 197,58 27 – 14,70 74 – 45,72
Feminino 206 – 165,42 0 – 12,30 10 – 38,28
(O – E)² FUNÇÃO
SEXO ESCRITÓRIO SERVIÇOS GERAIS GERÊNCIA
Masculino 1646,921 151,383 799,672
Feminino 1646,921 151,383 799,672
Finalmente:
(O – E)²/E FUNÇÃO
SEXO ESCRITÓRIO SERVIÇOS GERAIS GERÊNCIA
Masculino 8,336 10,301 17,490
Feminino 9,956 12,304 20,891
Período 3 271
10 O q² crítico será: procurando na Tabela 3 do ambiente, ou em
um programa, para 2 graus de liberdade e 99% de confiança (1% de
significância): q²2,crítico = 6,63
UNIDADE
UNIDADE
Marcelo M.; BORNIA, Antonio C. Estatística para Cursos de Engenharia e
Informática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008, Capítulo 8; STEVENSON,
Willian J. Estatística Aplicada à Administração. São Paulo: Harbra, 2001,
Capítulo 10.
Sobre testes de uma variância: BARBETTA, Pedro A.; REIS, Marcelo M.;
BORNIA, Antonio C. Estatística para Cursos de Engenharia e Informática.
2. ed. São Paulo: Atlas, 2008, Capítulo 8; TRIOLA, Mário. Introdução à
Estatística. Rio de Janeiro: LTC, 1999, Capítulo 7.
Sobre testes não paramétricos: BARBETTA, Pedro A.; REIS, Marcelo M.;
BORNIA, Antonio C. Estatística para Cursos de Engenharia e Informática. 2.
ed. São Paulo: Atlas, 2008, Capítulo 10; STEVENSON, Willian J. Estatística
Aplicada à Administração. São Paulo: Harbra, 2001, Capítulo 13; SIEGEL,
Stanley. Estatística Não Paramétrica (para as Ciências do Comportamento).
São Paulo: McGraw-Hill, 1975.
Período 3 273
10 Resumindo
r
UNIDADE
UNIDADE
os testes de hipóteses, tipos de hipóteses e suas
variáveis. A Unidade foi explorada com Figuras,
Quadros, Tabelas e muitos exemplos para melhor
representar o conteúdo oferecido. Além do material
produzido pelo professor, você tem em mãos uma
riquíssima fonte de referências para aprender mais
sobre o assunto. Explore os conhecimentos pro-
postos. Não tenha esta Unidade como fim, mas
como o começo de uma nova trajetória em sua vida
acadêmica. Bons estudos!
Atividades de aprendizagem
aprendizagem
1. O tempo médio de atendimento em uma agência lotérica está sendo
analisado por técnicos. Uma amostra de 40 clientes foi sistematica-
mente monitorada em relação ao tempo que levavam para ser aten-
didos, obtendo-se as seguintes estatísticas: tempo médio de atendi-
mento de 195 segundos e desvio padrão de 15 segundos.
Considerando-se que o tempo de utilização segue uma distribuição
normal:
O dono da agência garante que o tempo médio de atendimento é de
3 minutos (se for maior ele se compromete a contratar mais um
atendente). Com base nos dados da amostra, a afirmação do dono é
verdadeira, ou ele deve contratar um novo atendente? Use um nível
de significância de 1%?
2. Com o intento de melhorar a qualidade do serviço, uma empresa
estuda o tempo de atraso na entrega dos pedidos recebidos. Supondo
que esse tempo se encontra normalmente distribuído, e conhecendo
o tempo de atraso dos últimos 20 pedidos, descritos a seguir (em
dias), determine:
5 1 0 3 6 10 2 3 4 1 5 3 1 6 6 9 0 0 1 0
Período 3 275
10 Um cliente enfurecido quer comprovar estatisticamente a hipótese
(declarada pela empresa) de que o atraso médio será de no máximo
1 dia. Ele argumenta que deve ser maior, e quer uma confiança de
UNIDADE
MEIO DE COMUNICAÇÃO
CAPACIDADE DE LEMBRANÇA REVISTA TV RÁDIO TOTAL
Lembram da propaganda 25 93 7 125
Não lembram da propaganda 73 10 108 191
Total 98 103 115 316
REFERÊNCIAS
ANDERSON, David R.; SWEENEY, Dennis J.; WILLIAMS, Thomas
A. Estatística Aplicada à Administração e Economia. 2. ed. São
Paulo: Thomson Learning, 2007.
Período 3 277
REFERÊNCIAS
MOORE, David S.; McCABE, George P.; DUCKWORTH, William
M.; SCLOVE, Stanley L. A prática da estatística empresarial: como
usar dados para tomar decisões. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
Período 3 279
MINICURRÍCULO
Marcelo Menez
Marcelo es R
Menezes eis
Reis
Formado em Engenharia Elétrica pela Uni-
versidade Federal de Santa Catarina – UFSC,
Bacharel em Administração de Empresas pela
Universidade para o Desenvolvimento de Santa
Catarina – UDESC, registro no CRA-SC 4049,
Especialização em Seis Sigma (Beyond Six Sigma
Certification Program) na University of South Florida – USF
(EUA), Mestre em Engenharia Elétrica pela Universidade Fede-
ral de Santa Catarina, e Doutor em Engenharia de Produção pela
Universidade Federal de Santa Catarina. Professor Adjunto, lotado
no Departamento de Informática e Estatística da Universidade
Federal de Santa Catarina, desde 1995. Ministra disciplinas de
estatística em vários cursos de graduação e pós-graduação da
Universidade, incluindo os de Administração.