A Biblioteca das Horas Esquecidas
Numa cidade escondida pelas brumas eternas de uma floresta densa, existia uma
biblioteca que ninguém encontrava duas vezes. Diziam que ela só aparecia para quem
realmente precisava de uma segunda chance.
Certo dia, Luna — uma jovem que havia perdido toda a sua inspiração para escrever —
se embrenhou pela floresta em busca de silêncio. Carregava nas costas um caderno
velho, onde as páginas em branco pesavam mais que mil palavras. Quando já pensava
em desistir, uma coruja branca voou baixo, pousou sobre um galho retorcido e soltou
um único pio. Nesse instante, a névoa se abriu e revelou um prédio antigo, de pedra
escura, janelas altas e uma porta de madeira entalhada com símbolos estranhos.
Luna entrou.
Lá dentro, o tempo não passava. Os relógios estavam todos parados em horas
diferentes. As estantes alcançavam o teto, cheias de livros que pareciam sussurrar.
Um bibliotecário sem rosto — envolto num manto que brilhava como o céu noturno —
entregou a Luna um livro com o nome dela na capa.
Ao abri-lo, ela viu sua própria vida narrada, com detalhes que nem ela lembrava.
Mas o final... o final ainda estava em branco.
“Você pode reescrever o que vem a seguir”, sussurrou o bibliotecário. “Mas só se
tiver coragem de enfrentar o que já esqueceu.”
Luna passou noites naquela biblioteca, revivendo memórias, enfrentando seus medos e
reescrevendo seu caminho. Quando finalmente saiu, o mundo lá fora era o mesmo — mas
ela não.