Introdução ao Cálculo Estocástico
Introdução ao Cálculo Estocástico
João Guerra
10/02/2012
Conteúdo
1 Introdução 1
1.1 O que é o cálculo estocástico? . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
3 Movimento Browniano 22
4 O integral de Itô 29
4.1 Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
4.2 Integral estocástico de processos simples . . . . . . . . . . . . 31
4.3 Integral de Itô para processos adaptados . . . . . . . . . . . . 33
4.4 Integrais estocásticos inde…nidos . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
4.5 Extensões do integral estocástico . . . . . . . . . . . . . . . . 39
5 Fórmula de Itô 41
5.1 Fórmula de Itô unidimensional . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
5.2 A fórmula de Itô multidimensional . . . . . . . . . . . . . . . 43
5.3 Teorema da representação integral de Itô . . . . . . . . . . . . 47
5.4 Teorema da representação de martingala . . . . . . . . . . . . 50
i
CONTEÚDO ii
8 Teorema de Girsanov 82
8.1 Mudanças de medida de probabilidade . . . . . . . . . . . . . 82
8.2 Teorema de Girsanov . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
8.3 Teorema de Girsanov - versão geral . . . . . . . . . . . . . . . 85
8.4 Modelos de mercados …nanceiros . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
8.5 O modelo de Black-Scholes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
8.6 Ausência de arbitragem e equação de Black-Scholes . . . . . . 88
8.7 A medida de martingala e a avaliação neutra face ao risco . . 93
8.8 Fórmula de Black-Scholes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
Capítulo 1
Introdução
1
CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO 2
Kiyosi Itô
CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO 3
Andrey Kolmogorov
Capítulo 2
Probabilidade e processos
estocásticos
4
CAPÍTULO 2. PROBABILIDADE E PROCESSOS ESTOCÁSTICOS 5
Trajectória de movimento
Browniano unidimensional
Trajectória de movimento
Browniano bidimensional
Xt = Z1 + Z2 + Zt = Xt 1 + Zt
onde n = 1; 2; 3; : : : ; t1 ; t2 ; : : : ; tn 2 T .
1. X0 = 0;
3. Xt P oi( t).
P fXt = Yt g = 1.
Exemplo 2.13 Seja ' uma variável aleatória não negativa com distribuição
contínua e considere os processos estocásticos
Xt = 0;
0 se ' 6= t
Yt = :
1 se ' = t
limE [jXs Xt jp ] = 0:
s!t
Mais precisamente, a Eq. (2.1) implica que para cada " > 0 existe uma
v.a. G" tal que (com probabilidade 1)
1+
"
jXt (!) Xs (!)j G" (!) jt sj p (2.2)
Exemplo 2.19 Seja X uma v.a. uniforme com valores em (0; 1]. Seja A =
0; 41 . Calculemos E [X] e E [XjA].
Z 1 Z 1
1
E [X] = xf (x) dx = xdx = :
0 0 2
R 1=4
E(X1A ) xdx 1
E [XjA] = = 0 = :
P (A) 1=4 8
1. Z é B-mensurável.
De…nição 2.22 ( -álgebra gerada por X): Seja X uma variável aleatória.
Então a -álgebra fX 1 (B) : B 2 BR g diz-se a -álgebra gerada por X.
1.
E(aX + bY jB) = aE(XjB) + bE(Y jB): (2.6)
2.
E (E(XjB)) = E (X) : (2.7)
E(XjB) = X: (2.9)
Nota: primeiro calcula-se E (h (X; z)) para qualquer valor z …xo da v.a.
Z e depois substitui-se z por Z.
Como consequência, se p 1,
hX; Y i = E [XY ] :
E (X E(XjB))2 = min
2
E (X Y )2 (2.15)
Y 2L ( ;B;P )
E (X E(XjB))2 = min E (X Y )2
Y 2L2 ( ;B;P )
E (X Y )2 = E (X E(XjB))2 + E (E(XjB) Y )2
E (X E(XjB))2 = min
2
E (X Y )2 :
Y 2L ( ;B;P )
F0 F1 F2 Fn F
2. E [jMn j] < 1, porque todas as v.a. Zn são integráveis (i.e. E [jZn j] <
1 para todo o n).
E [Mm jFn ] = Mn :
3. Se fMn ; n 0g é martingala e ' é função convexa tal que E [j' (Mn )j] <
1 8n 0, então f' (Mn ) ; n 0g é uma submartingala.
CAPÍTULO 2. PROBABILIDADE E PROCESSOS ESTOCÁSTICOS 17
Mn = M0 + Z1 + + Zn ;
H1 = 1;
Hn = 2Hn 1 se Zn 1 = 1;
Hn = 0 se Zn 1 = +1:
(H M )k = 1 2 4 2k 1
+ 2k = 1:
Parece uma estratégia sempre vencedora, mas atenção que para ser sempre
vencedora (com probabilidade 1) requer fundos ilimitados (estratégia de apos-
tas não limitada) e tempo ilimitado. De facto, neste caso a Proposição 2.41
não se pode aplicar porque as variáveis Hn (do sistema de apostas) não são
limitadas.
Sn0 = (1 + r)n
CAPÍTULO 2. PROBABILIDADE E PROCESSOS ESTOCÁSTICOS 19
n Sn = n+1 Sn
Sen = (1 + r) n
Sn = 1; (1 + r) n
Sn1 :
Ven = (1 + r) n Vn = n Sen ;
n Sen = n+1 Sen ;
Xn
Ven = V0 + e
j Sj
j=1
n o
O processo Ven = 1
n Se1
é a transformada martingala de Sen1 pelo
nn o
1 e
processo previsível f n g. Se Sn for uma martingala e se f 1n g for uma
1
n o
sucessão limitada, então, pela Proposição 2.41, o processo Ven também
será uma martingala.
E [Tn+1 ] = p (1 + a) + (1 p) (1 + b) = 1 + r
e portanto
b r
p= :
b a
Considere agora uma v.a. H que é fFN g-mensurável e que representa o
payo¤ de um derivado sobre o activo 1 e com maturidade no instante N .
Por exemplo, uma opção de compra Europeia ("call option") com preço de
exercício K tem payo¤ H = (SN K)+ . O derivado diz-se replicável se
existir uma carteira auto-…nanciada tal que
VN = H:
n o
O preço do derivado será o valor desta carteira. Como Ven é uma martin-
gala no espaço de probabilidade, temos
h i
Vn = (1 + r)n Ven = (1 + r)n EQ VeN jFn
(N n)
= (1 + r) EQ [HjFn ]
Se n = 0, temos que F0 = f ; ?g e
N
V0 = (1 + r) EQ [H] :
Movimento Browniano
1. B0 = 0:
22
CAPÍTULO 3. MOVIMENTO BROWNIANO 23
E [Bt ] = 0; 8t 0, (3.1)
E Bt2 = t; 8t 0 (3.2)
E (Bt Bs )4 = 3 (t s)2 :
! C ([0; 1) ; R)
! ! B (!)
que a cada elemento ! faz corresponder uma função contínua com valores em
R (a trajectória). O espaço de probabilidade é o espaço de funções continuas
C ([0; 1) ; R) equipado com a -álgebra de Borel BC e com probabilidade
induzida pela aplicação anterior: P B 1 . Esta probabilidade diz-se a medida
de Wiener.
Como corolário ao critério da continuidade de Kolmogorov e à fórmula
h i (2k)!
E (Bt Bs )2k = k (t s)k ; (3.5)
2 k!
temos que
1+ 1
" "
jBt (!) Bs (!)j G" (!) jt sj p G" (!) jt sj 2 ;
para qualquer " > 0 e onde G" (!) é uma v.a.. Daqui resulta que as trajec-
tórias do movimento Browniano são Hölder contínuas de ordem = 12 ".
Ou seja, informalmente temos, para t > 0,
1
jBt+ t Bt j ( t) 2 :
E (Bt+ t Bt )2 = t:
1. Bt :
2. Bt2 t:
a2 t
3. exp aBt 2
:
j j = max tk ;
k
quando j j ! 0.
2
Proof. Usando a independência
h i dos incrementos, o facto de E ( Bk ) =
tk e a fórmula E (Bt Bs )2j = (2j)!
2j j!
(t s)j , temos
2 !2 3 " n #
X
n X 2
E4 ( Bk ) 2
t 5=E 2
( Bk ) tk
k=1 k=1
X
n
3 ( tk )2 2 ( tk )2 + ( tk )2
j=1
X
n
=2 ( tk )2 2t j j ! 0.
j j!0
j=1
P
se V < 1. Mas isto contradiz o facto de nk=1 ( Bk )2 convergir em média
quadrática para t. Logo, V = 1:
Para uma análise mais detalhada e aprofundada do movimento Browni-
ano, recomenda-se a consulta de [5].
Capítulo 4
O integral de Itô
4.1 Motivação
Seja B = fBt ; t 0g um movimento Browniano e consideremos uma equação
diferencial "estocástica"do tipo
dX dBt
= b(t; Xt ) + (t; Xt ) " ",
dt dt
onde " dB
dt
t
" é o ruído estocástico. Este processo não existe no sentido clássico,
pois B não é diferenciável. A Equação diferencial estocástica anterior pode
ser escrita na forma integral
Z t Z t
X t = X0 + b(s; Xs )ds + " (s; Xs ) dBs "
0 0
Rt
O problema agora é como de…nir 0 (s; Xs ) dBs . Ou, de forma mais geral,
o problema consiste em de…nir integrais estocásticos do tipo
Z T
us dBs ,
0
29
CAPÍTULO 4. O INTEGRAL DE ITÔ 30
sn i
tn i tni+1
0 T
RT
Se f é contínua e g é de classe C 1 então o integral de (R-S) 0
f dg
existe e Z T Z T
f dg := f (t) g 0 (t)dt;
0 0
Então Z T X
n
ut dBt = Btj 1
Btj Btj 1
:
0 j=1
X
n
2
X
n
2
= E j ( Bj ) +2 E[ i j Bi Bj ] :
j=1 i<j
2
Por outro lado, como j é Fj 1 -mensurável e Bj é independente de Fj 1;
X
n X
n
E 2
j ( Bj )2 = E 2
j E ( Bj )2
j=1 j=1
Xn
2
= E j (tj tj 1 ) =
j=1
Z T
=E u2t dt :
0
1. Linearidade: Se u,v 2 S:
Z T Z T Z T
(aut + bvt ) dBt = a ut dBt + b vt dBt : (4.3)
0 0 0
De…na-se tnj := nj T e
X
n
unt = utnj 1 1(tn n
] (t) : (4.6)
j 1 ;tj
j=1
T sup E jus ut j2 ! 0:
T n!1
jt sj n
1. Isometria: " Z # Z
T 2 T
E ut dBt =E u2t dt : (4.8)
0 0
3. Linearidade:
Z T Z T Z T
(aut + bvt ) dBt = a ut dBt + b vt dBt : (4.10)
0 0 0
com tnj := nj T .
Z T Z T
2 (n)
Bt dBt = lim (L ) ut dBt =
0 n!1 0
X
n
= lim (L2 ) Btnj 1
Btnj Btnj 1
n!1
j=1
1 X n
2
= lim (L2 ) Bt2nj Bt2nj Btnj Btnj
n!1 2 j=1
1 1
1
=B2 T ;
2 T
" #
2
Pn 2
1
Pn
onde se usou o facto de E j=1 Btnj T !0e 2 j=1 Bt2nj Bt2nj 1
=
1 2
B .
2 T
Proof. Prova de 3: seja u(n) uma sucessão de processos simples tais que
Z T 2
(n)
lim E ut ut dt = 0:
n!1 0
Rt (n)
Seja Mn (t) = 0 us dBs : e seja j o valor de u(n) no intervalo (tj 1 ; tj ], com
j = 1; : : : ; n. Se s tk tm 1 t, então:
E [Mn (t) Mn (s) jFs ]
" #
X1
m
=E k (Btk Bs ) + j Bj + m Bt Btm 1 jFs ;
j=k+1
X1
m
= k E [Btk Bs jFs ] + E [ j E [ Bj jFj 1 ] jFs ] +
j=k+1
1
P sup jMn (t) Mm (t)j > 2
E jMn (T ) Mm (T )j2
0 t T
" Z 2
#
T
1 (n) (m)
= 2
E ut ut dBt
0
Z T
1 (n)
2 n;m!1
= 2
E ut u(m) dt : ! 0;
0
k
P sup Mnk+1 (t) Mnk (t) > 2 2 k:
0 t T
Os acontecimentos:
k
Ak := sup Mnk+1 (t) Mnk (t) > 2
0 t T
veri…cam portanto:
X
1
P (Ak ) < 1:
k=1
CAPÍTULO 4. O INTEGRAL DE ITÔ 39
k
P sup Mnk+1 (t) Mnk (t) > 2 para in…nitos k = 0:
0 t T
Portanto, para quase todo o ! 2 , temos que existe k1 (!) tal que
k
sup Mnk+1 (t) Mnk (t) 2 para k k1 (!) :
0 t T
jt
quando n ! 1 e com tj := n
.
RT
Exercício 4.16 Considere uma função determinística g tal que 0 g (s)2 ds <
RT
1. Mostre que o integral estocástico 0 g (s) dBs é uma variável aleatória
Gaussiana e determine a sua média e a sua variância.
Fórmula de Itô
E ( B)2 = t;
h i
e pela fórmula E (Bt Bs )2k = 2(2k)!
k k! (t s)k ; temos que
2
V ar ( B)2 = E ( B)4 E ( B)2
= 3 ( t)2 ( t)2 = 2 ( t)2 :
41
CAPÍTULO 5. FÓRMULA DE ITÔ 42
dBt dt
dBt dt 0
dt 0 0
CAPÍTULO 5. FÓRMULA DE ITÔ 43
Z t Z t
@f @f
f (t; Bt ) = f (0; 0) + (s; Bs ) ds + (s; Bs ) dBs
0 @t 0 @x
Z
1 t @ 2f
+ (s; Bs ) ds:
2 0 @x2
@f @f
df (t; Bt ) = (t; Bt ) dt + (t; Bt ) dBt
@t @x
1 @ 2f
+ (t; Bt ) dt:
2 @x2
A fórmula de Itô para f (x) e Xt = Bt ; ou seja Yt = f (Bt ), é simplesmente
@f 1 @ 2f
df (Bt ) = (Bt ) dBt + (Bt ) dt:
@x 2 @x2
@fk X @fk n
dYtk = (t; Xt ) dt + (t; Xt ) dXti
@t i=1
@xi
1 X @ 2 fk
n
+ (t; Xt ) dXti dXtj :
2 i;j=1 @xi @xj
0 se i 6= j
dBti dBtj = ;
dt se i = j
dBti dt = 0;
(dt)2 = 0:
Exemplo 5.4 (fórmula de integração por partes) Se Xt1 e Xt2 são processos
de Itô e Yt = Xt1 Xt2 , então pela fórmula de Itô com f (x) = f (x1 ; x2 ) = x1 x2 ,
temos
d Xt1 Xt2 = Xt2 dXt1 + Xt1 dXt2 + dXt1 dXt2 :
Ou seja:
Z t Z t Z t
Xt1 Xt2 = X01 X02 + Xs2 dXs1 + Xs1 dXs2 + dXs1 dXs2 :
0 0 0
ou seja, Z Z
t t
Yt = 2 Bs1 dBs1 + +2 Bsn dBsn + nt:
0 0
ou seja,
Z t Z t
Yt1 = Bs1 ds
sdBs1 ; +
0 0
Z t Z t
1 2 1
Yt = Bs dBs + 2Bs2 Bs1 dBs2 + t:
0 0
X
n 1
f (t; Xt ) = f (0; X0 ) + f tk+1 ; Xtk+1 f (tk ; Xtk ) :
k=0
X @ 2f
K1 = (tk ; Xtk ) (v (tk ))2 ( t)2 ;
k
@x2
X @ 2f
K2 = (tk ; Xtk ) v (tk ) u (tk ) t Bk ;
k
@x2
X
R= (Qk + Sk + Pk ) :
k
Note-se que Z T
E (Ys h (s))2 ds < 1;
0
Rt
pois E [Yt2 ] = exp 0
h (u)2 du < 1. Logo
Z T Z T Z s
2
E (Ys h (s)) ds exp h (u)2 du h (s)2 ds
0 0 0
Z T Z T
2
exp h (u) du h (s)2 ds:
0 0
CAPÍTULO 5. FÓRMULA DE ITÔ 49
E (Fn F m )2 ! 0 qdo. n; m ! 1:
E portanto
Z t
2
E u(n)
s u(m)
s ds ! 0 qdo. n; m ! 1:
0
e portanto
Logo Z T
F = BT3 = 3 Bt2 + (T t) dBt : (5.5)
0
E como E [BT3 ] = 0 (pois BT N (0; T )), a representação integral de Itô é
dada por (5.5).
RT 2 3 RT
Exemplo 5.11 Qual o processo u tal que 0 tBt2 dt T2 BT2 = T6 + 0 ut dBt
? Aplicando a fórmula de Itô a Xt = f (t; Bt ) = t2 Bt2 , com f (t; x) = t2 x2 ,
temos: Z Z Z
T T T
2
T BT2 = 2tBt2 dt + 2
2t Bt dBt + t2 dt:
0 0 0
Daqui resulta que:
Z T Z T
T2 2 T3
tBt2 dt B = t2 Bt dBt
0 2 T 6 0
e portanto
ut = t2 Bt :
hR i
T T2 2 T3
Note-se que E 0
tBt2 dt 2
BT = 6
:
Equações Diferenciais
Estocásticas
dx (t)
= b (t; x (t))
dt
ou
dx (t) = b (t; x (t)) dt
A versão discreta é a equação às diferenças
dx (t)
= cx (t) ;
dt
com c constante, tem como solução
52
CAPÍTULO 6. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ESTOCÁSTICAS 53
Como resolver esta EDE? Suponhamos que Xt = f (t; Bt ) com f 2 C 1;2 . Pela
fórmula de Itô, temos
Z t
@f 1 @ 2f
Xt = f (t; Bt ) = X0 + (s; Bs ) + (s; Bs ) ds+ (6.5)
0 @t 2 @x2
Z t
@f
+ (s; Bs ) dBs :
0 @x
@f 1 @ 2f
(s; Bs ) + (s; Bs ) = f (s; Bs ) ; (6.6)
@s 2 @x2
@f
(s; Bs ) = f (s; Bs ) : (6.7)
@x
Derivando a eq. (6.7), obtemos
@ 2f @f 2
2
(s; x) = (s; x) = f (s; x)
@x @x
e substituindo em (6.6), temos que
1 2 @f
f (s; x) = (s; x) :
2 @s
@f
(s; x) = g 0 (s) h (x)
@s
e
1
g 0 (s) = 2
g (s)
2
que é uma EDO linear com solução:
1 2
g (s) = g (0) exp s
2
1 2
f (s; x) = f (0; 0) exp s+ x :
2
CAPÍTULO 6. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ESTOCÁSTICAS 55
1 2
Xt = f (t; Bt ) = X0 exp t + Bt ; (6.8)
2
1 2
f (t; x) = X0 exp t+ x :
2
Obtemos
Z t Z t
1 2 1 2
Xt = X0 + Xs + Xs ds + Xs dBs
0 2 2 0
Z t Z t
= X0 + Xs ds + Xs dBs ;
0 0
ou
dXt = Xt dt + Xt dBt
e a EDE é satisfeita pelo movimento Browniano geométrico.
Considere-se agora a equação de Langevin
Xt+1 = (1 + ) Xt + (Bt+1 Bt ) ;
ou
Xt+1 = Xt + Zt ;
2
com = 1 + e Zt N (0; ), que é a equação para uma série temporal
autoregressiva de ordem 1.
Considere-se o processo
t
Yt = e Xt
CAPÍTULO 6. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ESTOCÁSTICAS 56
Xt = eZt ;
Zt = ln (Xt ) :
é dada por
Z t Z t
1
Xt = X0 exp b (s) (s)2 ds + (s) dBs :
0 2 0
Para obter esta solução pode-se aplicar a mesma técnica que no Exemplo 6.3.
dXt = a (m Xt ) dt + dBt ;
X0 = x;
dXt = Xt dt + Xt dBt ;
X 0 = X0 :
2. Propriedade de Lipschitz:
kXk = e s E jXs j2 ds ;
0
2
onde > 2D (T + 1) :
De…na-se o operador L : L2a;T ! L2a;T por:
Z t Z t
(LX)t = Z + b (s; Xs ) ds + (s; Xs ) dBs
0 0
Portanto: r
K
k(LX) (LY )k kX Y k :
q
E como > K, temos que K < 1, pelo que operador L é uma contracção
no espaço L2a;T . Então, pelo teorema do ponto …xo, existe um e só um ponto
…xo para L e esse ponto …xo é precisamente a solução da EDE:
(LX)t = Xt .
6.4 Exemplos
Exemplo 6.7 O movimento Browniano geométrico
2
St = S0 exp t + Bt
2
CAPÍTULO 6. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ESTOCÁSTICAS 60
é solução da EDE
dSt = St dt + St dBt ;
S0 = S0 :
Seja St = exp (Zt ) e Zt = ln (St ). Pela fórmula de Itô com f (x) = ln (x),
temos que
1 1
dZt = (St ( (t) dt + (t) dBt )) S2 2
(t) dt
St 2St2 t
1 2
= (t) (t) dt + (t) dBt :
2
Pelo que
Z t Z t
1 2
Zt = Z0 + (s) (s) ds + (s) dBs
0 2 0
e portanto,
Z t Z t
1 2
St = S0 exp (s) (s) ds + (s) dBs :
0 2 0
dXt = a (m Xt ) dt + dBt ;
X0 = x;
com a; > 0 e m 2 R.
A Solução da EDO homogénea associada dxt = axt dt é xt = xe at .
Considere-se a mudança de variáveis Xt = Yt e at ou Yt = Xt eat . Pela
fórmula de Itô aplicada a f (t; x) = xeat , temos que
Z t
at
Yt = x + m e 1 + eas dBs :
0
CAPÍTULO 6. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ESTOCÁSTICAS 61
Logo, Z t
at at
Xt = m + (x m) e + e eas dBs : (6.14)
0
Este processo é conhecido como o processo de Orsntein-Uhlenbeck com rever-
são para
R t a média. É um processo Gaussiano, pois um integral estocástico do
tipo 0 f (s) dBs , onde f é uma função determinística, é um processo Gaus-
siano. O valor esperado é
at
E [Xt ] = m + (x m) e
drt = a (b rt ) dt + dBt ;
dYt = a (m Yt ) dt + dWt ;
E [Bt Ws ] = (s ^ t) :
Exemplo 6.9 Por exemplo, com f (t; x) = f (t)x, então temos a equação
diferencial ordinária
dYt
= f (t)Yt
dt
CAPÍTULO 6. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ESTOCÁSTICAS 63
e portanto Z t
Yt = x exp f (s) ds :
0
Logo,
Z t Z t Z t
1
Xt = x exp f (s) ds + c (s) dBs c (s)2 ds :
0 0 2 0
Logo
(t) = c(t)Ut 1 ;
(t) = [a (t) c (t) d (t)] Ut 1 :
CAPÍTULO 6. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ESTOCÁSTICAS 64
Portanto:
Z t Z t
1
Xt = U t x + [a (s) c (s) d (s)] Us ds + c (s) Us 1 dBs ;
0 0
onde
+1 se x 0
sign (x) :=
1 se x < 0:
Note-se que sign (x) não satisfaz a condição de Lipschitz (nem sequer é con-
tínua em 0). Logo, não se pode aplicar o teorema de existência e unicidade
neste caso. Pode mostrar-se que não existe nenhuma solução (no sentido
forte) para esta EDE, mas existe uma solução fraca (que é única) - Este
exemplo é explorado detalhadamente em [10].
sn i
tn i tni+1
0 T
e
Z ti Z s Z ti
dBr dBs = (Bs B (ti 1 )) dBs
ti 1 ti 1 ti 1
Z ti
= Bs dBs B (ti 1 ) (B (ti ) B (ti 1 ))
ti 1
1h 2 i
= Bti Bt2i 1 n B (ti 1 ) (B (ti ) B (ti 1 ))
2
1
= ( Bi )2 n ;
2
Rt
onde, para calcular tii 1 Bs dBs ; se pode usar a fórmula de Itô aplicada a
f (Bt ) = Bt2 .
O esquema de Milstein é
X (n) (ti ) = X (n) (ti 1 ) + b X (n) (ti 1 ) n + (X (ti 1 )) Bi
1
+ ( 0 ) (X (ti 1 )) ( Bi )2 n :
2
Pode mostrar-se que o erro da aproximação de Milstein é
eM
n
il
c n:
p (y; t; x; s) :
De facto
s;X x
Substituindo y por Xsx obtemos que Xtx e Xt s são soluções da mesma EDE
em [s; +1) e com a mesmo condição inicial Xsx . Logo, pelo teorema de
s;X x
existência e unicidade, a solução é única e Xtx = Xt s .
dXt = a (m Xt ) dt + dBt :
E [Xts;x ] = m + (x m) e a(t s)
;
2
Var [Xts;x ] = 1 e 2a(t s)
:
2a
A probabilidade de transição é
P ( ; t; x; s) = Distribuição de Xts;x :
Uma EDE no sentido de Itô pode ser transformada numa EDE no sentido de
Stratonovich, usando a fórmula que relaciona ambos os integrais:
EDE de Itô:
Z t Z t
Xt = X0 + b (s; Xs ) ds + (s; Xs ) dBs :
0 0
@f
df (t; Xt ) = (t; Xt ) + Af (t; Xt ) dt + [rx f (t; Xt )] (t; Xt ) dBt ; (7.1)
@t
73
CAPÍTULO 7. RELAÇÕES ENTRE EDE’S E EDP’S 74
@f
(t; x) C (1 + jxj) :
@xi
@F @F 1 2 @ 2F
(t; x) + b (t; x) + (t; x) q(x)F (t; x) = 0; (7.6)
@t @x 2 @x2
F (T; x) = (x):
Mas @F
@s
(s; Xs )+AF (s; Xs ) q (Xs ) F (s; Xs ) = 0 e aplicando o valor esperado
(considerando o valor inicial Xt = x), obtemos
Z T
Et;x exp q (Xs ) ds F (T; XT ) = Et;x [F (t; Xt )] ;
t
CAPÍTULO 7. RELAÇÕES ENTRE EDE’S E EDP’S 77
supondo que o integral estocástico está bem de…nido e portanto o seu valor
esperado é zero. Como
Z T Z T
Et;x exp q (Xs ) ds F (T; XT ) = Et;x exp q (Xs ) ds (XTt;x )
t t
Considere-se a função
u (t; x) = E [f (Xtx )] :
Por (??), a função u é diferenciável em t e satisfaz a equação:
@u
= E [Af (Xtx )] :
@t
A expressão E [Af (Xtx )] pode representar-se como função de u. Para tal,
vamos introduzir o domínio do operador in…nitesimal.
CAPÍTULO 7. RELAÇÕES ENTRE EDE’S E EDP’S 79
E [f (Xtx )] f (x)
Af (x) = lim : (7.8)
t&0 t
Por (??), temos que C02 (Rn ) DA e se f 2 C02 (Rn ), o limite (7.8) é
igual a Af dado por (7.7). A função u (t; x) satisfaz uma EDP - a equação
"Backward"de Kolmogorov:
@u
= Au; (7.9)
@t
u (0; x) = f (x) :
Yt = (s t; Xtx ) :
CAPÍTULO 7. RELAÇÕES ENTRE EDE’S E EDP’S 80
@w
Como Aw = @t
, obtemos
Z tXn X m
@w
w (Yt ) = w (s; x) + (s r; Xrx ) i;j (Xrx ) dBrj
0 i=1 j=1 @xi
Pretendemos agora aplicar o valor esperado, mas como não foi imposta nen-
huma condição sobre o crescimento das derivadas parciais de w, não sabemos
se a esperança dos integrais estocásticos é zero.
Por isso, introduzimos um tempo de paragem R para R > 0, dado por
R := inf ft > 0 : jXtx j Rg :
@w
Se r R , o processo @xi (s r; Xrx ) i;j (Xrx ) é limitado e os integrais es-
tocásticos estão bem de…nidos e a sua esperança é zero. Logo,
E [w (Yt^ R )] = w (s; x)
e fazendo R ! 1, temos para todo t 0:
E [w (Yt )] = w (s; x) :
Finalmente, com s = t e usando w (0; x) = f (x), temos
w (s; x) = E [w (Ys )] = E [w (0; Xsx )] = E [f (Xsx )] :
De forma análoga, pode provar-se o seguinte teorema (ver [10]).
Teorema 7.7 Seja f 2 C02 (Rn ) e q 2 C (Rn ), com q limitada inferiormente.
a) Seja Z t
v (t; x) = E exp q (Xsx ) ds f (Xtx )
0
. Então v (t; ) 2 DA para cada t e satisfaz a equação EDP
@v
= Av qv; (7.10)
@t
v (0; x) = f (x) :
b) Se w 2 C 1;2 ([0; 1) Rn ) é uma função limitada em cada [0; T ] Rn
e que satisfaz a EDP (7.10), então
w (t; x) = v (t; x) :
CAPÍTULO 7. RELAÇÕES ENTRE EDE’S E EDP’S 81
: ! [0; +1]
a := inf ft > 0 : Xt = ag
f tg = sup Xs a = sup Xs a 2 Ft
0 s t 0 s t;s2Q
G\f tg 2 Ft
E [MT jF ] = M :
Teorema de Girsanov
82
CAPÍTULO 8. TEOREMA DE GIRSANOV 83
Exemplo 8.1 Prove que o processo estocástico fLt ; t 2 [0; T ]g é uma mar-
tingala positiva com esperança 1 e que satisfaz a EDE:
dLt = Lt dBt;
L0 = 1:
2
A variável aleatória LT = exp BT 2
T é uma densidade no espaço
de probabilidade ( ; FT ; P ), pela qual se de…ne a nova medida de probabili-
dade
Q (A) = E [1A LT ] ;
para qualquer A 2 FT .
2
Como fLt ; t 2 [0; T ]g é uma martingala, então a v.a. Lt = exp Bt 2
t
é uma densidade no espaço de probabilidade ( ; Ft ; P ) e neste espaço
a medida de probab. Q tem precisamente a densidade Lt .
et = Bt + t
B
é um movimento Browniano.
Lema 8.3 Suponha que X é uma v.a. real e que G é uma -álgebra tal que:
u2 2
E eiuX jG = e 2 :
(iu )2 2
(t s)+iu (t s) (t s)
= Q(A)e 2 2
u2
(t s)
= Q(A)e 2 ;
onde se usou a de…nição de EQ e de Lt , a independência de (Bt Bs ) de Ls
e A e a de…nição de Q.
= (S (T )) : (8.6)
Assume-se que este derivado …nanceiro pode ser negociado no mercado e que
o seu processo de preço é da forma:
t Z
@F
F (t; St ) = F (0; S0 ) + (r; Sr ) + AF (r; Sr ) dr
0 @t
Z t
@F
+ Sr (r; Sr ) dW r ;
0 @x
onde
@f 1 2 2 @ 2f
Af (t; x) = x(t; x) + x (t; x)
@x 2 @x2
é o operador in…nitesimal associado à difusão St com EDE (8.5). Também
podemos escrever:
onde
@F 2
@t
(t; St ) + St @F
@x
(t; St ) + 1
2
2
St2 @@xF2 (t; St )
(t) = ; (8.9)
F (t; St )
St @F
@x
(t; St )
(t) = : (8.10)
F (t; St )
Consideramos uma carteira ou portfolio (at ; bt ), onde:
V (t) = at St + bt Bt :
CAPÍTULO 8. TEOREMA DE GIRSANOV 88
dSt d t
dVt = uS (t) Vt + u (t) Vt :
St t
uS (t) + u (t) = 1;
uS (t) + u (t) (t) = 0:
St @F
@x
(t; St )
uS (t) = ; (8.11)
St @F
@x
(t; St ) F (t; St )
F (t; St )
u (t) = : (8.12)
St @F
@x
(t; St ) F (t; St )
CAPÍTULO 8. TEOREMA DE GIRSANOV 89
V h (0) = 0;
V h (T ) > 0 q:c:
da forma (8.6). Então, a única função de preço da forma (8.20) que é con-
sistente com o princípio de ausência de arbitragem é a solução F do seguinte
problema de valores na fronteira, de…nido no domínio [0; T ] R+ :
2
@F @F 1 2 2@ F
(t; x) + rx (t; x) + x (t; x) rF (t; x) = 0; (8.16)
@t @x 2 @x2
F (T; x) = (x) :
Z t
@F
F (t; St ) = F (0; S0 ) + (s; Ss ) + AF (s; Ss ) ds
0 @t
Z t
@F
+ Ss (s; Ss ) dW s ; (8.21)
0 @x
onde
@f 1 2 2 @ 2f
Af (t; x) = x (t; x) + x (t; x)
@x 2 @x2
é o gerador in…nitesimal associado à difusão St com EDE (8.5). Comparando
(8.17) e (8.21), temos que
@F
h (s) Ss = Ss (s; Ss ) ;
@x
@F
h (s) Ss + rh0 (s) Bs = (s; Ss ) + AF (s; Ss ) :
@t
Portanto
@F
(s; Ss ) = h (s) ;
@x
@F @F 1 2 @ 2F
(s; Ss ) + rSs (s; Ss ) + Ss2 (s; Ss ) rF (s; Ss ) = 0:
@t @x 2 @x2
Temos então:
Em particular:
F (T; ST ) = (S (T )) = Payo¤.
CAPÍTULO 8. TEOREMA DE GIRSANOV 92
@F @F 1 2 @ 2F
(t; St ) + rSt (t; St ) + St2 (t; St ) rF (t; St ) = 0:
@t @x 2 @x2
Teorema 8.7 (Eq. de Black-Scholes): Assuma que o mercado é especi…cado
pelas eqs. (8.4)-(8.5) e que queremos avaliar um derivado com payo¤ da
forma (8.6). Então, a única função de preço que é consistente com o princípio
de ausência de arbitragem é a solução F do seguinte problema de valores na
fronteira, de…nido no domínio [0; T ] R+ :
2
@F @F 1 2 2@ F
(t; x) + rx (t; x) + x (t; x) rF (t; x) = 0; (8.22)
@t @x 2 @x2
F (T; x) = (x) :
r
dSt = rSt dt + St dt + dW t
r
= rSt dt + St d t + Wt :
| {z }
Wt
St 1
Set = =e rt
St = e rt
S0 exp 2
t + Wt
Bt 2
1 2
= S0 exp t + Wt
2
é uma martingala.
CAPÍTULO 8. TEOREMA DE GIRSANOV 95
temos
Z +1
r(T t)
F (t; s) = e max (sey K; 0) f (y) dy
1
Z +1
r(T t)
=e (sey K) f (y) dy
ln(K=s)
Z +1 Z +1
r(T t) y
=e s e f (y) dy K f (y) dy (8.29)
ln(K=s) ln(K=s)
CAPÍTULO 8. TEOREMA DE GIRSANOV 96
[1] Tomas Björk, Arbitrage Theory in Continuous Time, 2nd Edition. Ox-
ford University Press, 2004.
[2] Zdzislaw Brzezniak and Tomasz Zastawniak, Basic Stochastic Processes.
Springer, 1999.
[3] Marek Capinski and Ekkehard Kopp, Measure, Integral and Probability.
Springer, 1998.
[4] Robert Jarrow and Philip Protter, A short history of stochastic integra-
tion and mathematical …nance: The early years, 1880–1970. IMS Lecture
Notes Monograph, vol. 45 (2004), pages 1–17.
[5] Ioannis Karatzas and Steven Shreve, Brownian Motion and Stochastic
Calculus, 2nd edition. Springer, 1991.
[6] Peter E. Kloeden and Platen, Numerical Solution of Stochastic Di¤er-
ential Equations. Springer, 1992.
[7] Thomas Mikosch, Elementary Stochastic Calculus with Finance in view.
World Scienti…c, 1998.
[8] Daniel Müller, Probabilidade e processos estocásticos: uma abordagem
rigorosa com vista aos modelos em …nanças. Coimbra, Almedina, 2011.
[9] David Nualart, Stochastic Calculus (Lecture notes, Kansas University),
[Link] 2008.
[10] Bernt Oksendal, Stochastic Di¤erential Equations, 6th Edition.
Springer, 2003.
[11] Daniel Revuz and Marc Yor, Continuous martingales and Brownian mo-
tion. Third Edition. Springer, 1999.
[12] Steven Shreve, Stochastic Calculus for Finance II: Continuous-Time
Models. Springer, 2004.
98