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Recurso Especial: Apelação Cível 0602413-19

O Recurso Especial foi interposto pelo Recorrente, que busca a reforma de um acórdão do Tribunal de Justiça do Amazonas, alegando violação de leis federais e omissões na análise de suas teses. O Recorrente argumenta que o tribunal inferior não considerou adequadamente seus direitos como consumidor, conforme previsto no Código de Defesa do Consumidor. O pedido inclui a intimação da parte contrária e a confirmação da tempestividade do recurso.

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Cristiano Junior
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Recurso Especial: Apelação Cível 0602413-19

O Recurso Especial foi interposto pelo Recorrente, que busca a reforma de um acórdão do Tribunal de Justiça do Amazonas, alegando violação de leis federais e omissões na análise de suas teses. O Recorrente argumenta que o tribunal inferior não considerou adequadamente seus direitos como consumidor, conforme previsto no Código de Defesa do Consumidor. O pedido inclui a intimação da parte contrária e a confirmação da tempestividade do recurso.

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Observação: Este Recurso Especial foi PROVIDO.

Modelo:

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal


de Justiça do Amazonas:

Ref.: Apelação Cível N0 0602413-19.2018.8.04.0001


Odorico, (Recorrente), advogado, em causa própria, devidamente qualificado “apud
acta”, nos autos do processo epigrafado, a qual figuram a empresa xxx – Linhas
Aéreas S/A, e Shopping xxxx ((Recorridas), também qualificadas nos autos
epigrafado, ora em grau de recurso, tempestivamente, vem, com o devido acato e
respeito de estilo, com as homenagens merecidas à presença de Vossa Excelência,
alicerçado no art. 105, inc. III, alínea a, da Constituição Federal e artigos 255 a 257-A do
Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça (RISTJ), bem como com supedâneo
no art. 1.029 e segs. da Legislação Adjetiva Civil, para interpor o presente
RECURSO ESPECIAL
em razão dos v. acórdão de (fls. 262-267) e (fls. 22-25), do recurso em espécie, no qual,
para tanto, apresenta as Razões acostadas.
Dessa sorte, demonstrada a negativa de vigência e contrariedade à Lei Federal N0 8.078
de 11 setembro de 1990, requer, por fim, que se digne essa Eg. Presidência de recebê-
las, admiti-las, conhece-las processá-las e remetê-las ao Superior Tribunal de Justiça.
Requer a Vossa Excelência que a Recorrida seja intimada, para que, querendo, responda
no prazo de 15 (quinze) dias, sobre os termos da presente, ( CPC, art. 1.030, caput).
Informa ainda, que que as custas processuais recursais, foram recolhidas, ora
anexadas, conforme (doc.01).
Nesses termos
Pede, acolhimento, deferimento e prosseguimento no feito.
Manaus/AM, 09 de setembro de 2021.

NOME DO ADVOGADO
OAB/MG 123.456
RAZÕES DO RECURSO ESPECIAL

Autos digital: 0602413-19.2018.8.04.0001


Recorrente : NOME DO RECORRENTE
Recorridas : NOME DOS RECORRIDOS
Tribunal de Origem : Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais - TJMG

EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA


COLENDA TURMA JULGADORA
PRECLAROS MINISTROS

I. - DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO

O recurso, ora agitado, deve ser considerado como tempestivo, porquanto o Recorrente
fora intimado da decisão recorrida por meio do Diário da Diário da Justiça Eletrônico do
dia 27/08/2021, com PUBLICAÇÃO em 30/08/2021, esse circulou no dia 27 de agosto de
2020, às (fls.26).
Feriado nacional, dia 07 de setembro de 2021.
II. - OBJETO DESTE RECURSO
É obter a reforma do Acórdão recorrido que negou vigência de Lei Federal, contrariou
dispositivos de Lei Federal. No mérito requer o provimento do Recurso Especial para
que seja admitida a revaloração jurídica dos fatos incontroversos, com a devida
aplicação do direito ao caso concreto, nos exatos termos, especificamente,
demonstrado nas Razões Recursais, abaixo delineado, ao qual se coaduna com
entendimento, desta Corte STJ, sobre revaloração jurídica, conforme julgado AgInt
nos EDcl no REsp 1589219/RS, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino da Terceira
Turma do STJ, julgado em 08/04/2019,DJe15/04/2019.
III. - BREVE RELATO DOS FATOS (CPC, art. 1.029, I)
O Recorrente em 22.01.2018, ajuizou Ação de Conhecimento cumulada com
reparação de danos materiais e morais, contra a empresa aérea LATAM e Shopping
xxx, conveniada e credenciada com a LATAM, face aos abusos, qual seja,
cancelamento de passagens aéreas de forma unilateral, perpetrados e praticado pela
empresa aérea LATAM, ora Recorrida, descrito na exordial.
Em ato continuo, foi designada Audiência de conciliação, presente o autor, ora
Recorrente, no entanto, ausentes as Rés, ora Recorridas - empresa Aérea LATAM e
Shopping xxxx, conforme se depreende no termo de audiência de conciliação, às,
(fls.146).
Foi decreto a Revelia da empresa aérea LATAM, às (fls. 169), contudo, o Juízo de
primeiro grau do TJ-AM, ignorou os argumentos trazidos pelo Recorrente, julgou
improcedente o pedido Autoral, cuja fundamentação jurídica da sentença, baseou se,
exclusivamente, na Resolução 676 da ANAC às (fls. 184 -188).
Em grau de recurso, o Recorrente manejou recurso de Apelação, às (fls.210-225), o
Tribunal “a quo” TJAM, ignorou os argumentos trazidos nas razoes de apelação,
negando provimento ao recurso de apelação, em cuja fundamentação jurídica do
Acordão, também se baseou nas RESOLUÇÕES 676 E 400 DA ANAC, às ( fls.262-267),
forçando o manejo de Embargos de Declaração, em razão da omissão verificada.
Os Embargos de Declaração foram recebidos, no entanto, ignorado e rejeitado pelo
tribunal “ a quo”, ainda que, a argumentação suscitada pelo Recorrente tinha a
capacidade de infirmar o julgado. Em ato continuo o Tribunal desacolheu os
Aclaratórios, forçando a interposição do presente Recurso Especial.
Ademais, em tese, o revolvimento de fatos e provas, providência não cabível no
espectro de cognição do recurso especial. Contudo, o que se busca a esta Corte
Superior (STJ), em outras palavras, é a possibilidade de verificar se a fundamentação
jurídica utilizada pelas instâncias ordinárias, foram juridicamente idônea e suficiente
para dar suporte ao Acordão recorrido, objeto deste recurso, o que não configura
reexame de provas, pois a discussão é eminentemente jurídica e não fático-
probatória, do presente caso.
Essa é a síntese, onde há de se aplicar o direito.
IV. - DO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO ESPECIAL(CPC, art. 1.029, II)
O acordão do tribunal “a quo” , negou vigência, contrariou Lei Federal, conforme
provisionado na inteligência do art. 105, Inciso III, alínea a da CFRB/88 , combinado
com art. 1.029 , Inciso II, do CPC.

V. - DO PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE
Verifica-se, mais, que o presente Recurso Especial é
(a) Da Tempestivo, quando o foi ajuizado dentro do prazo previsto na legislação
processual civil (art. 1.003, § 5º);
(b) O Recorrente tem Legitimidade para interpor o presente recurso, nos termos do
art.. 996 6 , do CPC C;
(c) Há, Regularidade Formal do mesmo, nos termos do art. 997 7 CPC C;
(d) Do Interesse Recursal, provisionado nos art. 994 4 e 996 6 do CPC C;
(e) Do Preparo Recursal, foi devidamente recolhido, realizado, nos termos do art.
1.007 7 7 7 do CPC C C, conforme comprovantes, anexo, (doc.01).

Diga-se, mais, a decisão recorrida foi proferida por colegiado em última instância, no
Tribunal “a quo”, não cabendo mais nenhum outro recurso, na instância originária.

VI.- DA AFRONTA AOS ARTS. 489, § 1º, IV ; VI, e art. 1.022, II, TODOS DO CPC
O acórdão, ora guerreado, violou os dispositivos de lei federal, qual seja: art. 489, §
1º, IV e VI, e art. 1.022, II, do CPC, visto que o Tribunal, a quo, (TJ-AM), não apreciou
as teses levantadas pelo Recorrente, a qual teriam o condão e capacidade de
infirmar o julgado. Senão Vejamos:

O art. 489, § 1º, IV do CPC, foi violado, porque o tribunal “ a quo” , não ter
fundamentado o Acordão Recorrido, nem enfrentado todos os argumentos
deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo
julgador.

O art. 489, § 1º, VI, do CPC, foi violado, porque o tribunal “ a quo” não seguiu o
precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso
em julgamento ou a superação do entendimento, ao qual tinha o condão de infirmar o
acordão recorrido.
O art. 1.022, inciso II, do CPC, foi violado, porque, o tribunal “ a quo”, foi omisso,
deixou de suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar
o juiz de ofício ou a requerimento. O tribunal, não analisou a fundamentação
apresentada pelo Recorrente, ao qual tinha o condão de infirmar o acordão recorrido.
Por conta dessa omissão foram opostos Embargos de Declaração buscando o
saneamento do vício, tendo o Tribunal “ a quo” permanecido omisso mesmo após a
sua oposição, os quais, inclusive, acabaram sendo rejeitados sob o fundamento de que
não havia omissão a suprir, nem contradição ou obscuridade a se revelar; com isso,
houve afronta ao art. 1.022, inciso II, e art. 489, § 1º, IV e VI, ambos do CPC.
Muito embora o Magistrado não seja obrigado a se manifestar sobre todos os
argumentos trazidos pelas partes, porém, deve enfrentar todas as teses capazes de
influenciar a conclusão do julgado, nos termos dos art. 1.022, II e 489, § 1º, VI e VI,
ambos do CPC.
No caso em tela, a vulneração do Tribunal “ a quo”, foi a Omissão,, porque, não
enfrentou as teses jurídicas suscitadas pelo Recorrente , as quais possuíam o condão
de alterar a conclusão adotada pelos julgadores, tanto que o (TJ-AM) , ao receber os
embargos de declaração, deu vista à parte contraria, ao vislumbrar os seus efeitos
infringentes.
Portanto, conforme acima explanado, restou demonstrado a Omissão do Tribunal “a
quo”, à luz da legislação pertinente.
Por outro, norte, conforme demonstrado, restou infirmado o acordão recorrido. ‘
Razão pela qual , requer a Reforma do Acórdão recorrido.
VII. - DO PREQUESTIONAMENTO FICTO (ART. 1.025, CPC)
Diz o “Art. 1.025. Consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o
embargante suscitou, para fins de pré-questionamento, ainda que os embargos de
declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere
existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade”.
Por oportuno, cabe esclarecer que a ocorrência provisionado no art. 1022, II do CPC, o
tribunal “ a quo” foi omisso, deixou de suprir omissão de ponto ou questão sobre o
qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, no caso concreto, em
sede de embargos de declaração, não analisou a fundamentação apresentado pelo
Recorrente.
Por conseguinte, atrai a aplicação do art. 1.025 do CPC, tendo em vista que não foi
enfrentado pelo tribunal “a quo”, os elementos que o embargante suscitou , no caso
concreto, as teses levantadas pelo Recorrente em sede das razões de apelação e
também ventilados nos aclaratórios, para fins de acesso à instância superior (vício de
omissão), deve, ser aceito, o pré-questionamento na modalidade Ficta, conforme
evidenciado no Acórdão ora, recorrido.
Sendo assim, Requer a essa Corte STJ, que reconheça a nulidade do acordão recorrido
do tribunal “a quo”, por omissão, e enfrente a questão do caso concreto, para tanto,
deve ser recebido, conhecido e, ao final, acolhido o presente Recurso Especial, a fim
de anular a acórdão retro, por ofensa aos art. 1.022, II, pelo vicio de omissão;
consoante com art. 1.025 e art. 489, § 1º, IV e VI, todos do CPC, e violação aos art.
4º , inciso I, art. 6º VI e VIII, art. 14 art. 42. Parágrafo Único, art. 39, inciso I,
combinado com artigo 51 inciso IV; todos do Código de Defesa do Consumidor.
Ademais, a admissão do prequestionamento ficto, (art. 1025 do CPC), em recurso
especial, exige que no mesmo recurso, que seja demonstrada a violação do (art. 1022,II
do CPC), para que possibilite ao órgão julgador verificar a existência do vício inquinado,
ao acordão recorrido, vez que constatado, poderá dar ensejo a supressão de grau
facultada pelo dispositivo de lei, conforme, conforme demonstrado à luz dos julgados e
entendimento desta Corte Superior (STJ, REsp 1.639.314/MG, Rel. Ministra NANCY,
ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, DJe de 10/04/2017), e (AgInt no REsp1654807/MG, Rel.
Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 27/11/2018, DJe 10/12/2018)
Por obvio, restou demonstrado, o Vicio do acordão recorrido, do tribunal “a quo”, no
caso concreto, conforme preconiza art. 1.022, inciso II, C/C art.. 1.025 do CPC, foi a
“Omissão”. Por conseguinte, requer a reforma do Acórdão recorrido.
VIII. - DA VIOLAÇÃO DE NORMA FEDERAL
VIII.1 Da afronta e violação aos artigos 4º , inciso I, art. 6º VI e VIII, art. 14; art.
42. Parágrafo Único, art. 39, inciso I, combinado com artigo 51 inciso IV; todos
do Código de Defesa do Consumidor, Lei Federal N0 8.078 de 11 setembro de 1990,
ao qual serão demonstrado, conforme abaixo delineado:.

Das violações e afronta aos dispositivos de lei federal:

O art. 4º , inciso I, do CDC, foi violado, pelo motivo de que o tribunal “ a quo” , não
ter enfrentado e observado a vulnerabilidade do consumidor, ora Recorrente bem
como, a violação ao respeito à sua dignidade, saúde, segurança, proteção de seus
interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e
harmonia das relações de consumo.
O art. 6º , inciso VI e VIII, do CDC, foram violados, porque o tribunal “ a quo” , não
enfrentou , os direitos básicos do consumidor, qual seja a prevenção e reparação de
danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos; não observou a inversão do
ônus da prova, a defesa de sues direitos , não foram enfrentadas.

O art. 14, do CDC, foi violado, pelo motivo de que o tribunal “ a quo” , não enfrentou a
tese à qual o fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de
culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à
prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre
sua fruição e riscos.
O art. 42. Parágrafo Único, do CDC, foi violado, porque o tribunal “ a quo” , não
enfrentou a tese em que, o consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à
repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de
correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável.
O art. 39 inciso I, do CDC, foi violado, pelo motivo de que o tribunal “ a quo” , não ter
enfrentado a tese a qual, é vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras
práticas abusivas ao condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao
fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites
quantitativos.
O art. 51 inciso IV, do CDC, foi violado, porque o tribunal “ a quo” , não enfrentou a
tese à qual, são nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao
fornecimento de produtos e serviços que estabeleçam obrigações consideradas iníquas,
abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam
incompatíveis com a boa-fé ou a equidade.
Com a devida Venia, Excelência, o acordão recorrido do Tribunal “a quo” (TJ-AM),
violou dispositivos de lei federal, acima explanado, porque deixou de apreciar e
enfrentar as teses suscitadas pelo Recorrente, as quais tinham o condão de infirmar o
acordão recorrido, cuja consequência jurídica, possivelmente, seria favorável aos
pleitos do Recorrente, portanto, o acordão recorrido merece ser reformado.
VIII.2 - Do julgado colacionado no acordão do embargos de declaração do TJAM
O julgado, colacionado no Acordão Recorrido pelo TJAM, em sede de Embargos de
Declaração,(n.º 0003157-61.2021.8.04.0000), é a favor e se coaduna com as teses
suscitas pelo Recorrente, porém, não enfrentadas pelo tribunal “ a quo”, conforme
abaixo delineado. Senão Vejamos:
In verbis:
“Outrossim, como já assentado pelo Superior Tribunal de Justiça, o julgador não está
obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha
encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de
enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão
recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de
declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que
era incapaz de infirmar a conclusão adotada. (STJ, 1.ª Seção, EDcl no MS 21.315-DF, Rel.
Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em
8/6/2016) (Info585).”.
Restou demonstrado e comprovado que as teses apresentadas pelo Recorrente tem o
condão de infirmar o acordão Recorrido em embargos de declaração. Esta em
consonância com o acordão colacionado pelo Tribunal “a quo”, em sede de embargos de
declaração.
O acordão colacionado pelo tribunal “ a quo”, é justamente a favor das teses suscitadas
pelo Recorrente.

IX.- DAS RAZÕES DO PEDIDO DE REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA (CPC, art.


1.029, III )
O Acórdão do tribunal “a quo”, violou a norma federal, tendo em vista que o teor do
acordão e fundamentação jurídica, baseou-se de forma única e exclusiva no art. 16 ,
alínea a , da Resolução 676 e art. 19, Parágrafo único da Resolução 400, ambos, da
Agencia Nacional de Aviacao Civil ( ANAC), ora infirmado, pelo motivo da
contrariedade e negação a vigência de lei federal, qual seja, Código de Defesa do
Consumidor - Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990.
As resoluções 400 e 676 da ( ANAC), impõe ao consumidor, critérios e condutas
abusivas e desproporcionais, tal como cancelamento de passagens aéreas de forma
unilateral, consideradas nulas, rechaçadas pelo Código de Defesa do Consumidor, por
obvio em afronta a lei federal
Tais atos são abusivos e, portanto, necessária se faz a declaração de nulidade do
acordão recorrido, não havendo razões que justifiquem, o cancelamento unilateral de
passagem aérea no trecho : ida e volta, importando escancaradamente a “venda
casada” .
As teses levantadas pelo Recorrente, tem o condão e capacidade de infirmar o
acórdão julgado, nos tópicos ora apresentados do acordão. Senão vejamos:

Diz o acordão recorrido:


O Recorrente, insurge-se ao, Acordão TJAM, às (fls.262-267). Senão Vejamos,
Trechos do acórdão recorrido
DO VOTO. ( Fls. 264-266)
“Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço o recurso passando a dispor o
que segue.
De início, cumpre consignar que o cerne da insurgência envolve a análise da
legalidade no cancelamento de voos de ida e volta dos trechos Manaus- Guarulhos
marcados para 03/11/2017 e 10/11/2017 respectivamente, ocasião em que o
Apelante se apresentou ao Check-in de ida com atraso para embarque, tendo sido
cancelados ambos os voos, ida e volta.”
(...).
“Com efeito, a Resolução 676 da Agencia Nacional de Aviacao Civil ANAC,
notadamente em seu artigo 16, a, determina que para os voos domésticos o passageiro
deverá se apresentar com no mínimo 30 minutos de antecedência, quando não houver
horário superior estabelecido pela empresa no bilhete, in verbis:
Art. 16. O passageiro com reserva confirmada deverá comparecer para embarque no
horário estabelecido pela empresa ou:
a) até 30 (trinta) minutos antes da hora estabelecida no bilhete de passagem, para as
linhas domésticas; e
Infere-se da norma inconteste que deve o passageiro atentar se ao horário para
embarque no bilhete, devendo se apresentar com no mínimo 30 minutos antes do
encerramento do embarque,
Desta forma, o cancelamento do voo ocorreu por conduta do Apelante, porquanto o
mesmo afirma que se apresentou no balcão para Check-in com menos de 30 minutos
do horário previsto de decolagem, sendo evidente que a Companhia aérea segue um
procedimento entre a apresentação do passageiro para o Check-in, despacho de
bagagens e acomodação na aeronave”.
(..)
“Lado outro, quanto ao cancelamento do voo de retorno, igualmente o Apelo não
merece prosperar, haja vista que embora houvesse a compra de dois trechos de
viagem, a Resolução 400 da ANAC é pontual a determinar que a não utilização do
trecho de ida autoriza o cancelamento do trecho de volta, conferindo ao passageiro a
obrigação de informar até o horário fixado para embarque de ida sua intenção de
manter o voo de retorno.
No caso, o próprio Apelante afirma que buscou os motivos do cancelamento do voo de
retorno somente horas após o cancelamento do voo de ida, ou seja, manifestou sua
vontade de não cancelamento do voo de retorno fora do prazo estabelecido pela
norma da aviação civil. Resolução 400 da ANAC:
Art. 19. Caso o passageiro não utilize o trecho inicial nas passagens do tipo ida e volta,
o transportador poderá cancelar o trecho de volta.
Parágrafo único. Não se aplica a regra do caput deste artigo caso o passageiro informe,
até o horário originalmente contratado para o trecho de ida do voo doméstico,
que deseja utilizar o trecho de volta, sendo vedada a cobrança de multa contratual
para essa finalidade. (grifou-se)
Ademais, não consta nos autos qualquer elemento probatório para que se infira a
devida comunicação à empresa aérea da efetiva comunicação do Apelante pelo
interesse em manter o voo de retorno.”
(...)
A relação jurídica entre as partes é consumerista e com base nos princípios da função
social do contrato e da boa-fé objetiva, o Acórdão, ora combatido, afrontou os
dispositivos de lei federal, de forma que, ultrapassam o mero aborrecimento
cotidiano, suscitadas no acordão recorrido, violam a lei federal.
Em ato continuo, o Código de Defesa do Consumidor, visa respaldar justamente os atos
abusivos e ilícitos praticados pelas empresas Recorridas, em detrimento do
consumidor, ora Recorrente, conforme inteligência do artigo 4º , inciso I, combinado
com art. 39, art. 42, parágrafo único e art. 51, IV, ao qual provisiona nulidade face as
obrigações consideradas “incompatíveis com a boa-fé ou a equidade todos do CDC, fato
por si só, é gravíssimo, cumulado com “venda casada” , repugnado pela Corte
Superior STJ.
Excelência, fica perfeitamente demonstrado o direito do Recorrente, vez que , o
Tribunal “a quo (TJ-AM), não analisou o fundamento essencial levantado pelo
Apelante, ora Recorrente, em sede de razões de Apelação, às (fls. 210- 225), a qual,
tem o condão de modificar a consequência jurídica e desfeche do feito, a favor do
Recorrente. Razão pela qual, infirma todos os tópicos do presente acordão, a fim de que
a decisão do acordão recorrido, deva ser reformada.
O acórdão recorrido, ora guerreado, violou dispositivos de lei federal, ao não enfrentar
as teses apresentadas pelo Recorrente , qual seja, os artigos 4º , inciso I, art. 6º VI e
VIII, art. 14 art. 42. Parágrafo Único, art. 39, inciso I, combinado com artigo 51 inciso
IV; todos do Código de Defesa do Consumidor, Lei Federal N0 8.078 de 11 setembro de
1990, demonstradas e explicadas no “Capitulo VIII e VIII.1”, deste recurso.
O caso em tela, preenche todos os requisitos legais e formais, em consonância com
entendimento da Terceira Turma da Corte Superior - STJ, Recurso Especial - REsp
1.699.780-SP, carreado no caderno processual, em cuja fundamentação fática e
jurídica do julgado acima, se amolda perfeitamente, carreado no caderno processual ,
ás ( fls. 226-241).
Venia concessa, não se procura obter deste Colendo Superior Tribunal de Justiça a
reavaliação de dados probatórios, impossível na sede especial, a teor de sua Súmula
número 7, até porque não se está questionando os fatos, mas apenas a conclusão
jurídica do acórdão recorrido, proferido pelo tribunal “ a quo “, TJAM.
Razão pela qual merece conhecimento e provimento ao presente Recurso Especial,
para que, seja dado o devido seguimento ao recurso, com a revaloração jurídica dos
fatos incontroversos conforme delineados na decisão do acordão recorrido, Portanto,
requer a reforma do Acórdão recorrido.
X. - DO PRECEDENTE E PARADIGMA – STJ
(art. 926, art. 927 e art. 928, todos do CPC), encartado no processual, às (fls. 226 -
241).
Preambularmente, urge conceituar a terminologia jurídica em testilha. Precedente “é a
decisão judicial tomada à luz de um caso concreto, cujo núcleo essencial pode servir
como diretriz para o julgamento posterior de casos análogos” (Didier Junior, 2013).
Não é concebido que duas ou mais causas de direito tenham julgados díspares, quando
inexista peculiaridades que as distinguam.
A favor do Recorrente, esta Corte de Sobreposição uniformizou o seu
entendimento, através da Terceira Turma da Corte Superior – STJ, no Recurso
Especial - REsp 1.699.780-SP, conforme encartado no caderno processual às ( fls.
226-241), ora replicado. Acórdão STJ – RESP Repetitivo.
Processo: Recurso Especial nº 1.699.780/SP

Ementa:
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS.
TRANSPORTE AÉREO DE PASSAGEIROS. AQUISIÇÃO DE PASSAGENS DO TIPO IDA E
VOLTA. CANCELAMENTO AUTOMÁTICO E UNILATERAL DO TRECHO DE VOLTA,
TENDO EM VISTA A NÃO UTILIZAÇÃO DO BILHETE DE IDA (NO SHOW). CONDUTA
ABUSIVA DA TRANSPORTADORA. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 51, IV, XI, XV, E § 1º, I, II E III,
E 39, I, DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. RESSARCIMENTO DAS DESPESAS
EFETUADAS COM A AQUISIÇÃO DAS NOVAS PASSAGENS (DANOS MATERIAIS).
FATOS QUE ULTRAPASSARAM O MERO ABORRECIMENTO COTIDIANO. DANOS
MORAIS CONFIGURADOS. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.
1.A controvérsia instaurada neste feito consiste em saber se configura conduta
abusiva o cancelamento automático e unilateral, por parte da empresa aérea, do
trecho de volta do passageiro que adquiriu as passagens do tipo ida e volta, em razão
de não ter utilizado o trecho inicial.
[Link], não há qualquer dúvida que a relação jurídica travada entre as partes é
nitidamente de consumo, tendo em vista que o adquirente da passagem amolda-se ao
conceito de consumidor, como destinatário final, enquanto a empresa caracteriza-se
como fornecedora do serviço de transporte aéreo de passageiros, nos termos dos arts.
2º e 3º do Código de Defesa do Consumidor – CDC.
Dessa forma, o caso em julgamento deve ser analisado sob a ótica da legislação
consumerista, e não sob um viés eminentemente privado, como feito pelas instâncias
ordinárias.
[Link] os diversos mecanismos de proteção ao consumidor estabelecidos pela lei, a
fim de equalizar a relação faticamente desigual em comparação ao fornecedor,
destacam-se os arts. 39 e 51 do CDC, que, com base nos princípios da função social do
contrato e da boa-fé objetiva, estabelecem, em rol exemplificativo, as hipóteses,
respectivamente, das chamadas práticas abusivas, vedadas pelo ordenamento
jurídico, e das cláusulas abusivas, consideradas nulas de pleno direito em contratos de
consumo, configurando nítida mitigação da força obrigatória dos contratos (pacta
sunt servanda).
4.A previsão de cancelamento unilateral da passagem de volta, em razão do não
comparecimento para embarque no trecho de ida (no show), configura prática
rechaçada pelo Código de Defesa do Consumidor, nos termos dos referidos
dispositivos legais, cabendo ao Poder Judiciário o restabelecimento do necessário
equilíbrio contratual.
[Link] efeito, obrigar o consumidor a adquirir nova passagem aérea para efetuar a
viagem no mesmo trecho e hora marcados, a despeito de já ter efetuado o pagamento,
configura obrigação abusiva, pois coloca o consumidor em desvantagem exagerada,
sendo, ainda, incompatível com a boa-fé objetiva, que deve reger as relações
contratuais ( CDC, art. 51, IV). Ademais, a referida prática também configura a
chamada “venda casada”, pois condiciona o fornecimento do serviço de transporte
aéreo do “trecho de volta” à utilização do “trecho de ida” ( CDC, art. 39, I).
[Link]-se de relação consumerista, a força obrigatória do contrato é mitigada,
não podendo o fornecedor de produtos e serviços, a pretexto de maximização do
lucro, adotar prática abusiva ou excessivamente onerosa à parte mais vulnerável na
relação, o consumidor.
[Link] o quadro delineado, é de rigor a procedência, em parte, dos pedidos formulados
na ação indenizatória a fim de condenar a recorrida ao ressarcimento dos valores
gastos com a aquisição da segunda passagem de volta (danos materiais), bem como ao
pagamento de indenização por danos morais, fixados no valor de R$ 5.000,00 (cinco
mil reais), para cada autor.
[Link] especial provido. ( STJ – REsp 1699780/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO
BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 11/09/2018, DJe 17/09/2018).; às ( fls.
226 - 241).
Com a devida Venia Excelência, a título de PARADIGMA, nos termos do art. 489, art.
926 e art. 927, apresenta a esse colendo Superior Tribunal de Justiça, o julgado, em
Recurso especial REsp 1.699.780-SP, Terceira Turma da Corte Superior - STJ, decidiu,
de forma unânime, que prática é abusiva e viola Código de Defesa do Consumidor.
Para ministros do STJ, cancelamento de um trecho configura (venda casada), conforme
exaustivamente, demonstrado e carreado no caderno processual às (fls. 226 - 241).
No mérito requer o provimento do Recurso Especial para que seja admitida a
revaloraçao jurídica dos fatos incontroversos, com a devida aplicação do direito ao
caso concreto, e julgue a causa, aplicando o direito à espécie, nos termos do art. 1.034
do CPC, combinado, por analogia à Súmula 456 do STF, em consonância, com o art.
255, do Regimento Interno do STJ, provisionado no art. 105, inc. III, alínea a da
CFRB/88.; conforme reiterados precedentes, desta Corte STJ, sobre o tema, qual seja ,
revaloração jurídica dos fatos incontroversos, conforme julgado AgInt nos EDcl no
REsp 1589219/RS, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino da Terceira Turma do
STJ, julgado em 08/04/2019,DJe15/04/2019 e REsp - Repetitivo 1.699.780-SP.
Deste modo, torna-se necessário anular o acordão da Terceira Câmara Cível do TJAM,
às (fls. 267-267) e (fls. 22-25), para que seja dado prosseguimento regular ao feito,
com nova decisão.
XI.- DOS JULGADOS COLACIONADOS NO ACORDÃO DO TJ-AM, ÀS (fls. 265-267)
Os jugados, colacionados no Acordão Recorrido (TJAM),às (fls.265-267,) estão na
contra mão do entendimento desta Corte Superior, nos termos do REsp - Repetitivo
1.699.780-SP.
Portanto, fica perfeitamente demonstrado o direito do Recorrente, razão pela qual
merece conhecimento e provimento ao presente Recurso Especial, para fins de que
seja dado o devido seguimento ao recurso, com a revaloração jurídica, dos fatos
incontroversos, delineados no acordão recorrido. O caso em tela se amolda
perfeitamente, no precedente do STJ, acima colacionado.
XII.- DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS
Diante do exposto, requer a Vossa Excelência, que:
a) Seja conhecido, admitido e provido o presente Recurso Especial, ante as
veementes afrontas aos mencionados dispositivos de lei federal, devidamente
demonstradas e fundamentadas nos termos das razões recursais, para o fim de
reconhecer e anular o v. acórdão recorrido;
b) No mérito, com a devida venia, Excelência, requer o provimento do Recurso
Especial, reformando o Acórdão recorrido, e julgue o processo. Em outras palavras,
examine e julgue a causa, aplicando o direito à espécie, nos termos do art. 1.034 do
CPC, combinado, por analogia à Súmula 456 do STF, em consonância, com o art. 255, §
1o , do Regimento Interno do STJ, provisionado no art. 105, inc. III, alínea a da
CFRB/88;
c) Por derradeiro, requer a condenação das Recorridas ao pagamento das custas
processuais e honorários sucumbenciais, recursais, à luz dos critérios estabelecidos
nos § 2º e § 6º, do art. 85, do Código de Processo Civil;
d) Requer a juntada de documentos;
e) Requer a juntada de cópia das custas recursais, recolhidas.
Nesses termos
Pede, acolhimento, deferimento e prosseguimento no feito.
Brasília- DF, 09 de setembro de 2021.
Cairo Cardoso Garcia
Advogado

OAB/AM 12.226
OAB/SP 439.329

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