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HTP: Avaliação Psicológica no Brasil

O documento aborda a técnica do Desenho da Casa-Árvore-Pessoa (HTP) como uma ferramenta de avaliação psicológica no contexto brasileiro, destacando sua utilidade na investigação da personalidade e no psicodiagnóstico. A técnica é considerada acessível e menos ansiosa para os pacientes, permitindo uma análise mais profunda da personalidade através da produção gráfica. Além disso, o HTP é amplamente utilizado em diversas áreas, como clínicas-escolas e psicologia jurídica, evidenciando sua importância na compreensão de emoções e comportamentos.
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HTP: Avaliação Psicológica no Brasil

O documento aborda a técnica do Desenho da Casa-Árvore-Pessoa (HTP) como uma ferramenta de avaliação psicológica no contexto brasileiro, destacando sua utilidade na investigação da personalidade e no psicodiagnóstico. A técnica é considerada acessível e menos ansiosa para os pacientes, permitindo uma análise mais profunda da personalidade através da produção gráfica. Além disso, o HTP é amplamente utilizado em diversas áreas, como clínicas-escolas e psicologia jurídica, evidenciando sua importância na compreensão de emoções e comportamentos.
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HTP

HOUSE-TREE-PERSON

A TÉCNICA DO DESENHO
DA CASA-ÁRVORE-
PESSOA (HTP):

AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
CONTEXTO BRASILEIRO
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PRINCÍPIOS DO DESENHO

A utilidade dos desenhos na prática clínica é amplamente reconhecida na


literatura e entre os profissionais que os utilizam

Produção gráfica tem valor tanto na investigação da personalidade quanto na


prática terapeuta

Particularmente no campo do psicodiagnóstico, as técnicas projetivas gráficas


têm se mostrado de grande utilidade para profissionais de diversas áreas
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O DESENHO NA AVALIAÇÃO

Ocampo et al. (1994) recomendam que o processo de investigação clínica comece pelas técnicas projetivas
gráficas, a menos que o paciente apresente dificuldades de cunho não psicológico, como problemas motores
ou déficit visual, para a confecção dos desenhos. Isso se justifica porque, em geral, as técnicas gráficas
provocam menos ansiedade, pois a tarefa é simples e familiar para a maioria dos examinados.

Sua realização é de baixo custo, exige pouco tempo e aborda aspectos menos sentidos como próprios, o que
favorece que o examinado trabalhe sob menos pressão.

O caráter familiar e pouco desafiador desses instrumentos pode, assim, modificar as fantasias com as quais o
examinando chegou ao exame psicológico e contribuir para uma maior disposição em estabelecer um bom
rappot com o psicólogo.
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O DESENHO NA AVALIAÇÃO

Ocampo et al. (1994) sugerem começar pelas técnicas mais “abertas”, como o desenho
livre, e aos poucos propor técnicas mais direcionadas, como o HTP.

Recomendam, ainda, que os diferentes instrumentos gráficos sejam aplicados


sucessivamente, a fim de que o conjunto da produção possa ser considerado como um
todo e de que possível acompanhar o desempenho do examinado ao longo da sessão,
identificando se há uma tendência crescente à organização ou à desorganização.
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O DESENHO NA AVALIAÇÃO

Segundo Hammer (1991), a análise da sequência de execução de cada desenho específico ou da qualidade
global dos desenhos em relação àqueles que os antecedem ou sucedem permite analisar os aspectos
estruturais de conflito e defesa.

Outra vantagem das técnicas projetivas gráficas é o fato de as tentativas de controle intelectual e consciente
sobre a produção ficarem mais evidentes (p. ex., desenhos de figuras excessivamente esquemáticas ou
estereotipadas), e o aplicador sempre pode solicitar que o indivíduo faça outro desenho.

As técnicas gráficas também detectam com maior precisão os níveis mais profundos de integração e
dissociação da personalidade, da qual refletem aspectos mais estáveis e mais difíceis de serem modificados
(Grassano, 1994).
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O DESENHO NA AVALIAÇÃO

A tarefa de desenhar os três temas pode ser considerada um tipo de


teste situacional no qual o examinando enfrenta não apenas o problema
de desenhar o tema indicado, como também o de se orientar, se adaptar
e se comportar adequadamente em uma situação específica.

Para isso, ele mostrará comportamentos verbal, expressivo e motor, os


quais, assim como o próprio desenho, fornecem os dados para a análise
psicológica. (Levy, 1991).

Dados

Verbal Expressivo Motor


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O H TP D E JO HN BU CK

O HTP, proposto por John Buck (1948), solicita o desenho de temas simples, conhecidos pela maioria das
pessoas.

A experiência tem demonstrado que os temas árvore, casa, casa e pessoa são os preferidos pelas
crianças quando solicitados a desenhar livremente.

Em pesquisa, constatou-se que a pessoa é o tema mais desenhado espontaneamente pelas crianças
pequenas, seguido de casa e, depois, da árvore.

Por meio desses desenhos, é possível explorar diferentes níveis de projeção da personalidade: aspectos
mais arcaicos, no desenho da pessoa; o desenho da casa fica em algum ponto entre esses dois extremos.

Desenhos específicos e bastante conhecidos para a maioria das pessoas conferem, para o clínico, uma
referência para a comparação da produção de um indivíduo em particular à das pessoas de mesma idade
e mesmo status socioeconômicos, constituindo, assim, uma âncora para a interpretação (Hammer, 1991).
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H ISTÓR IA DO HTP

A técnica do Desenho da Casa-Árvore-Pessoa (HTP) (Buck, 1948) considere na


sistematização de vários procedimentos envolvendo a expressão gráfica, os quais, a
partir das décadas de 1920 e 1930, foram impulsionados pela substituição da expressão
verbal pelo desenho livre como instrumento para associações livres no tratamento de
crianças (Anzieu, 1986).
Já no fim de 1926, Florence Goodenough desenvolvia, nos Estados Unidos, o Teste do
Desenho da Figura Humana (DFH) para avaliar o desenvolvimento intelectual de
crianças.

Em 1928, partindo de uma base exclusivamente intuitiva, o suíço Emil Jucker passou a
utilizar o desenho da árvore para identificar possíveis dificuldades dos clientes que o
procuravam em busca de orientação educacional e vocacional. A escolha da árvore como
tema, segundo o autor, baseou-se no estudo da história da cultura e dos mitos, nos quais
a árvore tem simbolismo privilegiado (Van Kolck, 1984; Hammer, 1991).
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H ISTÓR IA DO HTP

Em 1934, Schliebe, na Alemanha, com o objetivo de investigar os afetos, solicitava vários


desenhos de árvores, começando pelo de uma árvore qualquer, seguindo de desenhos de
árvores nas condições geladas, alegre, pedindo ajuda, sofrendo e, por fim, morta.
Buck (1948) sistematizou os dados das técnicas desenvolvidas por Koch e Machover e
acrescentou o desenho da casa.

Karen Machover (1949), identificando o potencial para o estudo da personalidade da técnica


de Goodenough, criou o Teste da Figura Humana (Draw a Person – DAP), uma técnica
puramente projetiva.
Discípulo de Jucker, Karl Koch criou o Teste da Árvore a partir de estudos experimentais
reflexões fenomenológicas sobre os possíveis significados de cada traço da produção gráfica
e aplicação de tratamento estatístico ao material coletado (Van Kolck, 1984; Hammer, 1991).
Posteriormente, Renée Stora, na França, adaptou e modificou a técnica, tornando-a mais
dirigida (Anzieu et al., 1980), mas seu trabalho teve pouca repercussão no Brasil.
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H ISTÓR IA DO HTP

1926 1949
• FLORENCE
1934 • KAREN
GOODENOUGH • SCHLIEBE MACHOVER

1928 1948
• EMIL JUCKER • BUCK
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FUNDAMENTOS PARA INTERPRETAÇÃO

A psicanálise exerceu forte influência sobre o desenvolvimento e a


construção dos métodos projetivos e, também, sobre a compreensão
do processo de psicodiagnóstico. Segundo Souza (2011, p. 211),
• Ao interpretar desenhos nos valemos dos significados dos símbolos derivados da
psicanálise, dos folclores, dos estudos dos sonhos, dos mitos e das fantasias.
• Estes símbolos funcionam como engates a partir dos quais o inconsciente se vale
para alcançar o caminho da consciência e, disfarçadamente, encontrar uma forma de
expressão.
• Devemos também estar atentos aos mecanismos de deslocamento e condensação,
além de uma vasta gama de tratamentos possíveis dados a estes símbolos para a
formação de um desenho final.
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FUNDAMENTOS PARA INTERPRETAÇÃO

Ainda segundo a autora, fundamentação psicanalítica permite pensar a produção


gráfica como resultado de um trabalho psíquico que, tal como o sonho, pode dar
acesso a aspectos importantes da personalidade do examinando.

Hammer (1991) esclarece que a interpretação dos desenhos é fundamentada nos


seguintes postulados teóricos:

• O homem tem uma tendência a ver o mundo de uma


perspectiva antropomórfica, segundo sua própria
imagem.
• O núcleo da visão antropomórfica do ambiente é o
mecanismo da projeção.
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FUNDAMENTOS PARA INTERPRETAÇÃO

Para o autor, projeção é o dinamismo psicológico mediante o qual se


atribuem aos objetos do ambiente as qualidades, os sentimentos, as
atitudes e os anseios próprios.

Assim, as pessoas tendem a atribuir sua visão a outros habitantes do


mundo, o que lhes permite identificar-se com eles, e não apenas com
seus pares humanos.

Assim, a casa, a árvore e a pessoa desenhadas no HTP não deixam de


ser representações da imagem que o indivíduo tem de si, a qual pode ser
consciente ou não.
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ESTU DO S C OM O HTP
Várias pesquisas sobre o uso de testes psicológicos e técnicas projetivas pelos profissionais psicólogos apontam o HTP
como um dos instrumentos mais utilizados em diferentes contextos, no Brasil e em outros países.

No Brasil, destacam-se o processo psicodiagnóstico:

• Em clínicas-escolas (Gasparetto & Schmidt, 2013; Reppold & Hutz, 2008)


• Porte de arma (Caneda & Teodoro, 2012)
• Disputa de guarda (Lago & Bandeira, 2008)
• Tomada de decisão de psicólogos em avaliação psicológica (Lopes, 2014) e
• Psicologia jurídica (Silva, 2012)
• Há, ainda, um estudo sobre as condições adequadas para a utilização do HTP (Borsa, 2010)

Fora do Brasil, vale mencionar

• O estudo de Piotrowski (2015a) sobre o uso das técnicas projetivas, incluindo o HTP, em diferentes
países do mundo no período de 1995 a 2015, em uma amostra de profissionais dos Estados Unidos
(70%)
• Mas também de outros países, incluindo Hong Kong, Bélgica, Brasil, e nações da África e do Reino
Unido.
• O autor constatou que pelo menos uma técnica projetiva era incluída entre os cincos testes mais
utilizados em 14 dos 28 estudos analisados, com expressiva participação dos desenhos.
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ESTU DO S C OM O HTP

Lago e Bandeira (2008) defendem a importância crucial dos


desenhos para a compreensão de emoções, sentimentos e
ações, mas acreditam que sua ampla utilização se deva,
também, ao baixo custo do material necessário e à
facilidade de aplicação.

Simonovich (2012, citada por Caneda e Teodoro, 2012, p.


168) aponta o importante papel das técnicas projetivas na
área de segurança, incluindo o HTP, por propiciarem ao
psicólogo uma compreensão mais integrada da pessoa e
indicações de presença de psicopatologias incapacitantes.
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ESTUDOS PSICOMÉTRICOS

Para a avaliação do HTP foram levantados itens relativos aos:

Aspectos
Aspectos adaptativos
projetivos

Aspectos
expressivos
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Aspectos adaptativos

Avalia a adequação do examinando à tarefa,


considerando a qualidade da produção tanto em
termos formais de correspondência ao grupo etário e
sociocultural ao qual o indivíduo pertence, quanto à
compatibilidade entre o que foi solicitado e o que foi
produzido.
De modo geral, os problemas de adaptação se devem a
recursos intelectuais insuficientes, problemas
orgânicos, patologias mais graves ou problemas
emocionais intensos.
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Aspectos expressivo

Analisa o estilo próprio do examinando. Como destaca Hammer (1991),


nossos músculos não mentem.
A análise se volta para a expressão psicomotora do indivíduo, levando
em conta também os comportamentos não--verbais apresentados
durante a realização da tarefa.
Considerando que a folha em branco representa o ambiente delimitado
imposto ao examinando (VanKolck, 1984), o modo como o indivíduo o
utiliza mostra sua orientação geral em relação ao mundo e a si próprio.
Os aspectos expressivos revelam características estáveis do indivíduo,
como as atitudes básicas em relação a si e ao ambiente, o grau de
energia de que dispõe e como a investe, o controle na expressão dos
impulsos e os recursos cognitivos potenciais e efetivamente usados
para dar conta das tarefas propostas (Hammer, 1991).
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Aspectos projetivos

se concentra no modo como o tema é tratado, e


avalia a atribuição de qualidades às situações e
objetos representados, o que permite identificar
áreas de conflito mais significativas (Van Kolck,
1984).
Aqui a atenção se volta para as diferentes partes
representadas e a análise se fundamenta no
aspecto simbólico dos elementos analisados.
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A IDADE DO DESENHO
A avaliação projetiva deve levar em conta a idade e o nível de desenvolvimento da pessoa que está sendo
avaliada, pois se espera que mudanças psicológicas ocorram ao longo do desenvolvimento e, portanto,
prevê-se a existência de diferenças significativas ao longo das idades.

A constatação de diferenças na produção de acordo com as faixas etárias constitui, portanto, evidência de
validade de construto.

Além disso, ao fazer a interpretação de determinado desenho, deve-se considerar que, se um dado for
frequente em pessoas da mesma idade e do mesmo sexo, ele deve ser considerado mais como
característica do nível de evolução do que de alguma dificuldade ou característica psicológica especifica do
examinando.
Em contrapartida, a presença de aspectos pouco comuns naquela idade reforça a relevância desse dado
para a compreensão de características pessoais do examinando
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A EVOLUÇÃO DO DESENHO

O psicólogo que utiliza desenhos deve conhecer a evolução da expressão gráfica ao longo do
desenvolvimento, da infância à senilidade.
É importante descrever as características do desenho em cada fase, levando em
consideração as principais características e conflitos que se apresentam a cada etapa.
Lowenfeld e Brittain (1970) definiram etapas no desenvolvimento do grafismo, da infância até
a adolescência.
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A EVOLUÇÃO DO DESENHO

FASE DOS GARATUJOS • Até os 4 anos


FASE PRÉ-ESQUEMÁTICA • Dos 4 aos 7 anos
FASE ESQUEMÁTICA • Dos 7 aos 9 anos
FASE DA TURMINHA • Dos 9 aos 12 anos
FASE
PSEUDONATURALISTA • Dos 12 aos 14 anos
FASE DA DECISÃO • Dos 14 aos 17 anos
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A EVOLUÇÃO DO DESENHO

FASE DOS GARATUJOS – Até 4 anos


• Até os 4 anos, descrevem a fase dos garatujos.
• Os rabiscos próprios dessa etapa não devem ser
interpretados, mas, sim, olhados como tal, e não como
símbolos.
• Essa maneira de desenhar pode indicar um retrocesso
caso se mantenha para além dos 4 anos. Se chegar aos 7
anos, permite concluir que a criança não se encontra no
nível de desenvolvimento de sua idade.
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A EVOLUÇÃO DO DESENHO

FASE PRÉ-ESQUEMÁTICA – De 4 a 7 anos


• Também por isso, os estudos nesta pesquisa foram iniciados com participantes a partir dos 6 anos
de idade, quando se encontram na etapa pré-esquemático.
• Nessa fase, que se desenrola entre 4 e 7 anos, ocorrem as primeiras tentativas de representação,
dando início à comunicação gráfica efetiva, com temas nos desenhos e formas reconhecíveis.
Observa-se que a figura humana é o primeiro símbolo conquistado, e aos 6 anos a criança já pode
desenhar uma pessoa bem elaborada.
• Esse dado foi confirmado nesta investigação, com dados obtidos quase 50 anos depois das
descrições elaboradas por Lowenfeld e Brittain(1970).
• Os autores destacam que o conceito de espaço nessa idade é muito diferente daquele do adulto,
pois, ainda bastante restrita à experiência concreta, a criança concebe-o como sendo aquilo que a
cerca, como algo que gravita em torno dela, tendo seu corpo como referencial.
• Pode haver uma distribuição dos objetos acima, abaixo ou ao lado uns dos outros.
• Os autores apontam que uma caraterística dessa faixa etária é a flexibilidade ao desenhar.
• Vale a pena notar se uma criança desenha apenas repetições simples de um mesmo símbolo, na
medida em que isso pode indicar a existência de alguma dificuldade emocional.
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A EVOLUÇÃO DO DESENHO

FASE ESQUEMÁTICA – Dos 7 aos 9 anos


• Lowenfeld e Brittain (1970) descrevem a fase seguinte como a etapa esquemática, que
compreende o período dos 7 aos 9 anos, em que se obtém o conceito da forma.
• A criança adquire um conceito sobre um objeto e o repete continuamente, sem que se trate de
um estereótipo, porque é flexível e permite desvios e variações.
• Nessa fase, a criança começa a descobrir a relação entre seu desenho e a realidade e a
transmitir afetos e valores em seus desenhos. Pode exagerar partes importantes, desprezar as
não importantes e mudar símbolos para partes efetivamente significativas.
• Surge o esquema humano, que é o conceito de uma figura ao qual a criança chega depois de
muita experimentação e que é diferente entre as crianças.
• Espera-se, além da presença de cabeça, corpo, braços e pernas, a representação de outras
partes, como olhos, nariz, boca, mãos, dedos, pés e até mesmo roupas.
• É importante a presença de uma ordem nas relações espaciais, com espaço bidimensional,
linha de base e objetos perpendiculares a ela.
• Ainda pode haver representações tipo “raio X”, com transparências, mas o uso de um esquema
de modo rígido pode ser uma maneira de fugir ou esconder os próprios sentimentos e emoções.
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A EVOLUÇÃO DO DESENHO

FASE DA TURMINHA – Dos 9 aos 12 anos


• Dos 9 aos 12 anos ocorre a idade da turminha - o começo do realismo,
e a criança descobre que é membro de uma sociedade constituída por
seus iguais.
• No desenho, o esquema já não é adequado para representar a pessoa.
• Têm início as representações de características ligadas ao sexo
(temas diferenciados para meninas e meninos) e de formas mais
ligadas à natureza.
• A criança mantém-se distante da representação visual, embora tenha
consciência visual: não exagera nem omite partes, respeita mais a
proporção entre elas (Lowenfeld & Brittain, 1970).
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A EVOLUÇÃO DO DESENHO

FASE PSEUDONATURALISTA
• Dos 12 aos 14 anos desenvolve-se a etapa pseudonaturalista.
• A criança passa por grandes transformações físicas e nas áreas mental,
emocional e social.
• Observa-se o fim da arte como atividade espontânea e evidencia-se a
preocupação com o produto final.
• Os adolescentes podem fazer caricaturas de professores, pais e colegas.
• São comuns os desenhos de articulações nas figuras humanas e o
exagero das características sexuais. Surge a tridimensionalidade, e são
frequentes desenhos de elementos da natureza (Lowenfeld & Brittain,
1970).
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A EVOLUÇÃO DO DESENHO

FASE DA DECISÃO
• Dos 14 aos 17 anos desenrola-se o período do
decisão, quando o desenho é produto de esforço
consciente, e tem início uma aprendizagem
voluntária da arte, crescente consciência estética e
representação de objetos abstratos (Lowenfeld &
Brittain, 1970).
• Outros autores trouxeram suas contribuições.
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A EVOLUÇÃO DO DESENHO
No contexto da evolução do desenho, é importante mencionar o filósofo francês George
Henri Luquet, pioneiro no estudo do desenho infantil.
Luquet (1969) procurou compreender o que e como a criança desenha, concentrando-
se no sujeito da ação, nas intenções e interpretações que a criança dá a suas
produções.
Ao abordar o desenvolvimento do desenho da criança, Piaget (1972) adota e interpreta
os estágios descritos por esse autor.
Os estágios propostos por Luquet (1969) são, a saber:

(2)
(1) Realismo (3) Realismo (4) Realismo
Incapacidade
fortuito; sintética; intelectual; visual.
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A EVOLUÇÃO DO DESENHO

Realismo Fortuito

Corresponde à fase das garatujas

Incapacidade sintética

• A criança não integra os diversos pormenores que desenha


num conjunto coerente porque está mais preocupada em
representar cada um dos objetos de maneira diferenciada.
• Confere aos detalhes o grau de importância que eles têm para
ela naquele momento, exagerando ou omitindo partes, porque
considera somente seu ponto de vista, relacionando tudo a si.
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A EVOLUÇÃO DO DESENHO

Realismo intelectual

• A criança está interessada em representar no objeto não somente o


que vê, e por isso usa a transparência, a planificação, o rebatimento e
a mudança de pontos de vista.
• Para a criança, o desenho é mais intelectual, ou seja, os objetos são
representados com base no conhecimento que se tem deles.

Realismo visual

• A partir dos 9 anos, a criança abandona as estratégias utilizadas no


estágio anterior.
• A transparência dá lugar à opacidade, e a criança representa apenas
os elementos visíveis do objeto, com o início da perspectiva.

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