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Hegemonia Conservadora no Brasil Império

O documento aborda a história do Brasil durante o Império, focando na Regência (1831-1840) e na formação da hegemonia conservadora. Destaca a agitação política e social do período, as reformas liberais e a Revolta Farroupilha (1835-1845), que refletiram conflitos de interesses entre estancieiros e charqueadores. A análise inclui a repressão a rebeliões e a busca pela unidade territorial entre liberais e conservadores.

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Hegemonia Conservadora no Brasil Império

O documento aborda a história do Brasil durante o Império, focando na Regência (1831-1840) e na formação da hegemonia conservadora. Destaca a agitação política e social do período, as reformas liberais e a Revolta Farroupilha (1835-1845), que refletiram conflitos de interesses entre estancieiros e charqueadores. A análise inclui a repressão a rebeliões e a busca pela unidade territorial entre liberais e conservadores.

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas


Departamento de História
Prof. Dr. Rodrigo Goyena Soares
e-mail: [Link]@[Link]
1º semestre 2025 – FLH0341

H ISTÓRIA DO BRASIL IMPÉRIO


HISTORY OF THE B RAZILIAN EMPIRE
Unidade II – A constituição da hegemonia conservadora

7. A hegemonização do projeto saquarema (1845-1862)


 KRAUSE, THIAGO; GOYENA SOARES, Rodrigo. Império em disputa. Coroa,
oligarquia e povo na formação do Estado brasileiro (1823-1870). Rio de Janeiro:
Editora FGV, 2022. Capítulo 4: “Pax escravocrata, 1848-1862”.
 VILLELA, André A. The Political Economy of Money and Banking in Imperial
Brazil, 1850-1889. London: Palgrave Macmillan, 2020. Capítulo 2: “From
Plurality of Issue to Monopoly and Back: 1850-60”.

I] A Regência(1831-1840)

 O período que se estende de 7 de abril de 1831, quando da abdicação de Dom Pedro


I, a 23 de julho de 1840, quando da investidura de Dom Pedro II, constituiu
verdadeiro laboratório de experiências políticas (MOREL, 2003):
o Implementou-se aquilo que desde a independência era controverso entre
liberais e conservadores: a descentralização.
o Foi período de formação de partidos exclusivamente brasileiros.

Caracterização do período

 Expulsos os portugueses, o Brasil atravessou até 1840 período de agitação política


e social, à semelhança do que ocorrera na América hispânica.
 Se a centralização do Primeiro Reinado garantiu a unidade territorial tão cara a José
Bonifácio, a Regência dava lugar ao caos que caracteriza os anos de formação do
Estado nacional – ou pelo menos assim afirmou a historiografia do Instituto Histórico
e Geográfico Brasileiro (IHGB) no pós-1840.
 Pouco mais de um século se passou para que uma releitura marxista da Regência
vislumbrasse nas sedições provinciais um movimento de classes agindo contra a
opressão do centro dirigente, o Rio de Janeiro.
o Para essa historiografia dos anos de 1970, a Regência não foi caótica, mas
republicana.

II] A nova ordem política

 Com o Parlamento em recesso, formou-se a Regência Trina Provisória em 7 de abril


de 1831.
o Duraria até 7 de junho do mesmo ano, quando se convocariam eleições na
Assembleia Geral do Império, para formar uma Regência Trina Permanente.
 Rito previsto na Constituição de 1824.

1
o Pela formação de 7 de abril, quando se convocaram às pressas deputados
e senadores, o senador Vergueiro, o senador Carneiro de Campos e o
brigadeiro Francisco de Lima e Silva eram os novos regentes provisórios.
 Anistiaram os presos políticos, e suspendeu-se
temporariamente o Poder Moderador, o que significava que
a Câmara de Deputados não poderia ser dissolvida.
o Em 7 de junho, era eleita a Regência Trina Permanente: confirmava-se o
brigadeiro Francisco de Lima e Silva na regência, mas os outros dois foram
substituídos por João Bráulio Muniz e por José da Costa Carvalho.

 O avanço liberal (1831-1837)

o Entusiasmo com a abdicação.


o Nos primeiros meses de Regência, irrompem rebeliões denominadas “tropa
e povo”:
 Eram soldados pobres de baixa patente e pequenos funcionários
comprometidos com a expulsão dos portugueses.
 Rebeliões ocorrem no RJ, CE e PE: localidades de maior
presença portuguesa.
 Primeiras reformas:
o 1831: criação da Guarda Nacional (inspiração em sua homóloga francesa).
 Reequilibrar as forças no seio do Exército.
 A cúpula de comando do Exército era composta por
portugueses.
 Limite de 10 mil homens para o Exército.
 Guarda Nacional: formada por eleitores com renda de 200 mil réis
(Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão, Pernambuco) e de 100 mil réis
(demais localidades): eram proprietários brasileiros em defesa de
suas posses, de suas localidades.
 Manutenção da ordem.
 Preservação do orçamento.

o Nomeação do padre Antônio Feijó para o ministério da Justiça:


 Avanço liberal em marcha acelerada:
 1832: criação do Código do Processo Criminal:
o Habeas corpus e juiz de paz.
 Juiz de paz: eleito em base municipal, subordinando a
Guarda Nacional, também de formação local.
 1834: Ato Institucional (única reforma constitucional no
período):
o Votado pela Câmara de Deputados.
o Assembleias Provinciais tornam-se Assembleias
Legislativas Provinciais: capacidade legislativa.
o Município neutro do Rio de Janeiro.
o Suspensão do Poder Moderador e do Conselho de
Estado.
o Criação da Regência Una: 4 anos de mandato.
o Feijó torna-se Regente Uno.
 Mas!
 Presidentes de Província nomeados pelo Regente Uno.

2
 Senado permaneceria vitalício.

 Caso Bernardo Pereira de Vasconcellos:


o Liberal na década de 1820, Bernardo Pereira de Vasconcellos foi redator do
Ato Adicional e franco expoente dos benefícios da descentralização.
o Final de década de 1830:
 Fui liberal; então a liberdade era nova no país, estava nas aspirações
de todos, mas não nas leis, o poder era tudo: fui liberal [...] Os perigos
da sociedade variam; o vento das tempestades nem sempre é o
mesmo: como há de o político, cego e imutável, servir no seu país?
(...) Agora é preciso fazer parar o carro da revolução” (Sessão
parlamentar de abril 1838).
o O quê levou Bernardo Pereira de Vasconcellos a mudar de posição?
 Autonomia provincial vs. Rio de Janeiro.
 Rebeliões
 Quais foram as rebeliões regenciais?
o As que veicularam protestos populares: reprimidas
veementemente.
 Foram as sedições populares.
o As que veicularam ideias governativas (revoltas
elitistas, em sua maioria): repressão mais branda.
 Foram forças centrífugas.
 Todas reprimidas, no entanto, o que reconforta a tese que
dissocia a Regência de uma experiência republicana.

 Por que o Império não se esfacelou durante a Regência?

o Dissidências entre os insurretos.

o Severa repressão.

o Liberais e conservadores, malgrado as discordâncias a respeito da


descentralização, não renunciaram à unidade territorial.

o Regresso conservador.

III] A Farroupilha (1835-1845)

• Por que a Farroupilha se tornou a questão espinhosa por excelência da Regência e


do início do Segundo Reinado?

• Posição geográfica.

• Relações políticas e econômicas com a região do Prata.

• Farroupilha irrompe em 1835, quando Rosas assume o poder na


Confederação Argentina.

– Dos 75 mil habitantes do Uruguai, 14 mil eram exilados


argentinos.

• Sequestro da política externa.

• O quê caracterizou a Farroupilha:

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• Conflito de interesses.

• Estancieiros: economia do gado não respeita fronteiras.

– Criação do Uruguai causa desconforto para gaúchos.

– Estancieiros brasileiros, nomeadamente, o jovem alfares


Manuel Osório, possuem terras no Uruguai.

– Identidades comuns no que se refere à formação das elites.

– Lei Bernardo Pereira de Vasconcellos (1828):

» gado brasileiro no Uruguai passa a ser tributado.

• Charqueadores: estabelecidos na região litoral e setentrional do RS.

– Maior aproximação com eixo produtivo fluminense.

– Relação de mútua dependência.

• Como estoura a revolta?

• Indicação para presidente do RS (Antônio Fernandes Braga).

• Charqueadores mantêm-se fiéis ao Rio de Janeiro, mas


estancieiros, não.

• Rio de Janeiro vs. cavalaria gaúcha.

• Personagens e guerras farroupilhas:

• Internos:

• Bento Manuel: participou da Guerra Cisplatina do lado do Império.

– Apoiou Bento Gonçalves, mas com eclosão da Farroupilha rejeita


investidas de Bento Gonçalves contra o Rio de Janeiro.

• Batalha do Fanfa, 1836: Bento Manuel vs. Bento Gonçalves.

– Tropas imperiais tomam Porto Alegre.

• Bento Gonçalves: responde à derrota na Batalha do Fanfa com a


Proclamação da República de Piratini.

– Mas é preso pelas tropas imperiais.

• Externos:

• Manuel Oribe, no Uruguai, assume o poder pelo Partido Blanco em 1835


em detrimento de Fructuoso Rivera, do Partido Colorado, aliado do
Brasil.

• Juan Manuel de Rosas:

» Refundar Virreinato del Rio de la Plata.

• Para líderes gaúchos, Oribe poderia auxiliá-los a escoar a produção de


gado via Montevidéu, já que o Rio Grande do Sul estava cercado por
mar e por terra.

– Dos 75 mil habitantes do Uruguai, 25 mil tinham ascendência


brasileira.

4
• 1835-1838: aliança entre gaúchos, uruguaios e argentinos.

– Bento Gonçalves escapa da prisão (na Bahia) e volta para


o RS.

– Bento Manuel troca de lado!

• 1838: gaúchos retiram apoio de sua cavalaria a Oribe, já que o Presidente


uruguaio estava mais interessado ganhar a Grande Guerra (1839-1851)
contra os colorados.

– Oribe cede passagem ao gado argentino no Uruguai:


desconforto para gaúchos.

• 1838, Tratado de Cangüe: Bento Gonçalves aproxima-se das dissidências uruguaias


e argentinas:

• Encontro de Paissandu.

• Estratégia de Rosas:

• Aproximação com o Rio de Janeiro.

• Para Império, era neutralizar Rosas no Prata e pôr fim à Farroupilha.

• Fructuoso Rivera, líder colorado no Uruguai, era visto pelo Brasil


com desconfiança devido às alianças com a Farrapos.

• Para Rosas, aliança com o Império daria maior poder de barganha contra
possível aliança franco-inglesa que o obrigasse a abrir os rios platinos à
navegação internacional.

• Objetivo da aliança: pacificar o Uruguai e o RS.

– Rosas forneceria cavalaria ao Império, para lutar contra os


gaúchos.

– O Império bloquearia Montevidéu, para sufocar Rivera.

» 1843: Tratado militar contra Rivera.

» Rosas não ratifica o tratado!

• Era maneira de ganhar tempo:

• Conseguira debelar as pressões


dissidentes.

• Afronta a Pedro II!

• Como o Império posicionou-se, então, frente a Rosas?

• Aproximação com os gaúchos!

• Concessões.

– 1844: Assume partido liberal no Rio de Janeiro.

» Melhores entendimentos com os gaúchos e com os


colorados.

» 1845: Paz de Poncho Verde.

• Império deveria assumir dívidas gaúchas.

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• Farrapos deveriam ser incorporados ao
Exército imperial resguardando seus postos
hierárquicos.

• Privilégios alfandegários para produção


gaúcha no Uruguai.

• Bento Manuel troca de lado mais


uma vez!

• Reconhecimento da independência do Paraguai (1844).

• Envio da missão Miguel Calmon du Pin e Almeida à Europa, em 1844


também:

• Objetivo era assinar acordo militar com a França e a Inglaterra


contra Rosas.

– Fracasso!

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