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História do Brasil Império: Independência

O documento aborda a história do Brasil Império, focando na formação do Brasil independente e as complexidades da independência em 1822. Discute visões historiográficas sobre a independência, as causas e eventos que levaram à ruptura com Portugal, e as dificuldades enfrentadas para o reconhecimento internacional da independência. Além disso, analisa a Assembleia Constituinte de 1823, a Carta de 1824 e a Confederação do Equador, destacando aspectos liberais e conservadores do novo regime.

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História do Brasil Império: Independência

O documento aborda a história do Brasil Império, focando na formação do Brasil independente e as complexidades da independência em 1822. Discute visões historiográficas sobre a independência, as causas e eventos que levaram à ruptura com Portugal, e as dificuldades enfrentadas para o reconhecimento internacional da independência. Além disso, analisa a Assembleia Constituinte de 1823, a Carta de 1824 e a Confederação do Equador, destacando aspectos liberais e conservadores do novo regime.

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas


Departamento de História
Prof. Dr. Rodrigo Goyena Soares
e-mail: [Link]@[Link]
1º semestre 2025 – FLH0341

H ISTÓRIA DO BRASIL IMPÉRIO


HISTORY OF THE B RAZILIAN EMPIRE

Unidade I – A formação do Brasil Independente

5. O regresso conservador e a política nacional da escravidão (1836-1845)


 ESTAFANES, Bruno Fabris; PARRON, Tâmis; e YOUSSEF, Alain El. “Vale
Expandido: contrabando, consenso e regime representativo no Império do
Brasil”. In: MUAZE, Mariana e SALLES, Ricardo. O vale do Paraíba e o
Império do Brasil nos quadros da segunda escravidão. Rio de Janeiro:
&Letras, 2015.
 DOLHNIKOFF, Miriam. “Representação e participação das elites provinciais
e locais nas instituições da monarquia brasileira”. CARVALHO, José Murilo;
SILVA, Isabel Corrêa da Silva; e RAMOS, Rui. A monarquia constitucional
dos Braganças. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2018.

 Visões historiográficas clássicas

o Oliveira Lima (década de 1900):


 É fetichismo historiográfico associar independência brasileira à
emancipação espanhola.
 Desquite amigável.
 Grito de Ipiranga somente consolidaria situação latente.
 Independência começa em 1808.

o José Honório Rodrigues (década de 1970):


 Revolução e contrarrevolução:
 Tendência histórica, desde a colônia, à conciliação.
o Seria modus operandi das elites brasileiras, para evitar
choques de interesses e conflitos violentos e abertos
com o povo.
o Resultado dessa tendência foi impedimento do povo
como protagonista da história brasileira.
o Mas! Isso não quer dizer que história foi pacífica:
 Há conflitos que não se arranjaram pela
conciliação.
o Ainda assim, nunca teria havida revolução vitoriosa no
Brasil.
 Independência:
 Houve movimento popular inicial,
jacobino e nacionalista, embasado em
sentimentos nacionais brasileiros pré-
existentes, contrário a Portugal e
sustentado pelas forças armadas; mas
logo sufocado por uma

1
contrarrevolução elitista, que, vitoriosa,
significou o triunfo da conservação.
 Independência não foi desquite
amigável.
 Houve ruptura em 1822, porque Cortes
tinham objetivo de recolonizar o Brasil.

o Maria Odila Leite Dias (década de 1970):


 Independência é processo, e não ruptura.
 Continuidade das elites dirigentes antes e depois da Independência.
 Formação coimbrã.
 “As elites coloniais viveram mais em conivência com as autoridades
portuguesas do que em conflito. É o que torna sui generis o processo
de separação de Portugal, que se deu quase a contragosto”.

 Causas aparentes da Independência:

o Janeiro de 1822: Dom Pedro forma Conselho Ministerial, presidido por José
Bonifácio de Andrada e Silva, membro da facção conservadora brasileira, para
aproximar o Rio de Janeiro às demais províncias.
o Gonçalves Ledo denuncia excessos das Cortes portuguesas:
 Revérbero Constitucional Fluminense.
o Maio de 1822: “Cumpra-se”.
o Junho de 1822: convocação de assembleia de deliberação, para evitar
fragmentação do Brasil em provinciais rivais.
o Agosto de 1822: Dom Pedro proclama inimigas as tropas portuguesas que
alcançassem o Brasil sem consentimento do regente.
o Ainda em agosto de 1822: irrompe, em São Paulo, revolta popular.
 Nega-se condição do Brasil como província autônoma de Portugal.
 Apoio a Dom Pedro.
o Dom Pedro vai para São Paulo.
 Lisboa envia tropas ao Rio de Janeiro.
o Setembro de 1822: Proclamação da Independência.
o Outubro de 1822: Câmaras Municipais aderem à Independência.
 Pedro é aclamado rei e defensor perpétuo do Brasil em festividade
popular.
o 10 de dezembro de 1822, há exatos 182 anos da ruptura da União Ibérica,
Pedro de Alcântara é proclamada Pedro I do Brasil.

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Coroação de d. Pedro I – Jean-Baptiste Debret

I] O Primeiro Reinado (1822-1831)

 A Assembleia Constituinte de 1823


 Formação do novo ministério: José Bonifácio de Andrada e Silva
 País fraturado: 11 mil tropas portuguesas contra 13 mil brasileiras.
o Por que dar uma Constituição ao novo Império?
 Garantir unidade territorial.
 Integrar preceitos liberais.
 Fazer o povo brasileiro.
 3 de junho de 1823: convocação da Constituinte.
o Dom Pedro I somente juraria à nova Constituição se a julgasse digna dele.
 Contornar possíveis excessos liberais.
o Formação de duas alas:
 Deputados coimbrãos.
 Modelo constitucional da França de Louis XVIII.
 Deputados radicais.
 Modelo constitucional britânico, com novidades:
o Impossibilidade de o Imperador dissolver assembleia
e de vetar legislação da assembleia.
 Contra nomeação dos presidentes de província pelo
Imperador.
o Mediador: José Bonifácio de Andrada e Silva
 Conciliação sem alterações à ordem centralizadora e à
unidade nacional.
 Oposição ao grande latifúndio e à escravidão, mas
conivência inevitável?
 Ética da responsabilidade / ética da convicção.
 Projeto que vem à tona é de autoria liberal:

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o Rígida separação de poderes.
o Liberalismo econômico.
 Mas!
 Silêncio quanto à escravidão e ao latifúndio.
o Um artigo altera o equilíbrio: voto seria censitário e indireto, mas o critério de
renda era baixo: comprovação mínima de 150 alqueires de farinha de
mandioca.
 Constituição da mandioca!

 11 de novembro de 1823: Pedro I dissolve a Assembleia Constituinte.


o Inspiração no movimento português da Vilafrancada: 3 de junho de 1823,
pôs-se fim à experiência liberal das Cortes.
 Restauração do poder absolutista de Dom João VI.
o No Brasil, a Vilafrancada tornou-se “A Noite de Agonia”.
 Exílio dos irmãos Andrada.
 Juras de Pedro I, contudo: daria uma constituição duplamente mais
liberal.

 A Carta de 1824

 Aspectos liberais
o Não era radicalmente diferente do anteprojeto de 1823:
 Poder executivo: Imperador e Ministros (nomeados pelo Imperador)
 Poder legislativo bicameral: Câmara de Deputados e Senado vitalício.
 O conjunto chamava-se a Assembleia Geral do Império.
 Poder judiciário: Corte Suprema.

o Garantia de direitos individuais e políticos: novidade em escala mundial.


 Cidadão? Homem e livre.
 Alforriados não votavam, a menos que nascidos no Brasil.
 Menores de 25 anos não votam, excetos casados e bacharéis em direito.
 Não se exige alfabetização para votar.
 Voto censitário masculino: renda de 100 mil réis para votar e de 200 mil
réis para ser votado.
 Participação política alta!
 Artigo 179: gratuidade da instrução pública.

o Religião católica oficial, mas tolerância com outras matrizes.


 Padroado mantido.
 Poder de beneplácito.

 Aspectos conservadores
o Centralização.
 Conselho Geral Provincial para cada província: representação
popular, mas sem função legislativa.
o Poder Moderador.

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 Benjamin Constant.
 Dissolver Câmara de Deputados.
 Sancionar decretos e resoluções legislativas.
 Condução da política externa.
 Irresponsabilidade do Imperador.
o Conselho de Estado: dez ministros, nomeados pelo Imperador.
 Conselheiros deveriam ser ouvidos em todos os negócios graves
(guerra, ruptura diplomática etc.), mas o Imperador não estava
obrigado a seguir as recomendações dos conselheiros.
 Quatro seções: Justiça e Estrangeiros, Império, Fazenda e
Marinha e Guerra.

 A Confederação do Equador (1824)


o Insatisfações em relação à dissolução da Constituinte e à instituição do
Poder Moderador:
 O Poder Moderador da nova invenção maquiavélica é a chave
mestra da opressão da nação brasileira e o garrote mais forte da
liberdade dos povos, Frei Caneca.
o Pernambuco é epicentro: imaginário de 1817.
 Somaram-se Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
o Em julho de 1824, forma-se a Confederação do Equador.
 Ideais republicanas e federalistas contra portugueses, vistos como
monárquicos e centralizadores.
 Instituir Constituição nos moldes liberais e federativos
daquela de Cúcuta, na Colômbia, de 1821.
 Dom Pedro I era brasileiro?
 Manuel de Carvalho solicita a intervenção do State
Department contra a possível ingerência de embarcações
inglesas e francesas ancoradas a poucos milhas de Recife.
o Doutrina Monroe!
o Os insurretos eram urbanos, de camadas populares.
 Participaram também comerciantes e proprietários rurais.
o Tropas reais debelam movimento.
 Frei Caneca é fuzilado.

II] O reconhecimento da Independência

o Teoria declaratória ou constitutiva da independência?


o Reconhecimento da sociedade internacional era fundamental para a
independência.
o Bonifácio envia, em maio de 1822, portanto antes do Grito de Ipiranga, delegação
do Reino do Brasil a Buenos Aires.

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o Governo das Províncias Unidas do Rio da Prata reconhecem independência
do Brasil em 1823.
o No mesmo ano, Benin e Onin reconhecem a independência.
o 1824: Estados Unidos unem-se ao coro, na esteira da Doutrina Monroe.
o Maior dificuldade: conseguir reconhecimento de Portugal e das principais potências
europeias:
o Bonifácio instrui Felisberto Caldeira Brant, autoridade brasileira em Londres,
a condicionar a abertura dos portos brasileiros ao reconhecimento da
independência.
 Bonifácio considera caducos os Tratados Desiguais.
 Caldeira Brant obtém de Georges Canning, secretario de estado
britânico no Foreign Office, a disposição de reconhecer a
independência do Brasil caso fossem renovados os tratados
desiguais e fosse abolido o tráfico negreiro.
 Bonifácio nega: economia brasileira não suportaria fim do
tráfico negreiro, embora fosse contra um projeto escravista
para o novo país.
 Tampouco era favorável à prorrogação dos Tratados
Desiguais:
o O Brasil representava para a Inglaterra, à época, em
termos comerciais, metade do exportado para a Ásia,
2/3 do vendido para os Estados Unidos e ¾ do
comércio com a América espanhola.
 Havia poder de barganha favorável ao Brasil!
o Incidência da política interna na política externa:
 Demissão de Bonifácio, em 1823.

o Dom Pedro I passa a negociar diretamente com Portugal:


o Lisboa reclama indenização em 2 milhões de libras.
o Obrigava-se o Brasil a não incluir outras posses coloniais portuguesas em seu
projeto independentista.
 O Reino de Angola apresentou projeto formal de adesão ao Estado
brasileiro, que passaria a ter duas margens no Atlântico.
o Dom Pedro I aceita e obtém reconhecimento de Portugal em 1825.
o Inglaterra torna-se mediadora do reconhecimento da independência do Brasil
por Portugal.
 Brasileiros cedem às três requisições britânicas: comércio, tráfico
negreiro e extraterritorialidade.
 Pelo tratado anglo-brasileiro de 1826/1827, renovaram-se os privilégios
alfandegários e os direitos extraterritoriais por 15 anos.
 Brasil assina compromisso para findar o tráfico negreiro em três
anos, a contar de 1827.
o No mesmo ano que a Inglaterra reconheceu a independência do Brasil, a Áustria
juntava-se ao coro, seguida de Rússia (1828) e Espanha (1834).
o Lei Bernardo Pereira de Vasconcellos (1828).

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