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Metodologia para Prova de História do Brasil

O documento apresenta uma metodologia para a prova escrita da disciplina História do Brasil Império, abordando a estrutura de introdução, desenvolvimento e conclusão. Inclui exemplos de questões e possíveis abordagens sobre a 'aliança não escrita' entre Brasil e Estados Unidos entre 1889 e 1912. A proposta é discutir a validade dessa aliança em contextos bilaterais e multilaterais, utilizando referências historiográficas.

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Metodologia para Prova de História do Brasil

O documento apresenta uma metodologia para a prova escrita da disciplina História do Brasil Império, abordando a estrutura de introdução, desenvolvimento e conclusão. Inclui exemplos de questões e possíveis abordagens sobre a 'aliança não escrita' entre Brasil e Estados Unidos entre 1889 e 1912. A proposta é discutir a validade dessa aliança em contextos bilaterais e multilaterais, utilizando referências historiográficas.

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas


Departamento de História
Prof. Dr. Rodrigo Goyena Soares
e-mail: [Link]@[Link]
1º semestre 2025 – FLH0341

H ISTÓRIA DO BRASIL IMPÉRIO


HISTORY OF THE BRAZILIAN EMPIRE

Revisão – Metodologia para a prova escrita

I) Passo a passo

• Introdução, o que é?

• Contextualização do problema.
• Definição do problema histórico.
• Debate historiográfico.
• Definição da posição historiográfica (argumento central ou tese).

• Encaminhamento da questão, como se faz?

• Regra principal: um parágrafo, um argumento.

• Conclusão, o que é?

• Não é uma abertura para novos dados históricos.


• Não é um resumo da dissertação.
• É uma comprovação do posicionamento historiográfico.
• É um fechamento de argumento historiográfico.
• É uma prova de que o argumento central é robusto.
• Lendo a introdução e a conclusão, o professor tem de compreender o
que o/a aluno/a quis ponderar. Se não consegue, a introdução não está
boa, nem a conclusão.

1
Exemplo de prova

A aproximação entre o Brasil e os Estados Unidos não começou com a República; ganhou impulso,
contudo, depois de 1889. A relação, com Rio Branco, adquiriu consistência e levou o eixo tradicional
da diplomacia brasileira, apoiado nas relações com as potências europeias, a uma gradual
substituição pela aliança não escrita com os Estados unidos.

FONSECA JR., Gelson. Rio-Branco diante do Monroísmo e do Pan-Americanismo: anotações. IN:


Barão do Rio Branco, 100 anos de memória. Brasília: FUNAG, 2012.

Disserte a respeito da validade do conceito de “aliança não escrita” entre o Brasil e os Estados entre
a Proclamação da República, em 1889, e o ocaso da chancelaria de Rio Branco, em 1912.

Primeira opção de abordagem

• Brainstroming ou organização de dados dispersos.

o Aproximação começa ainda no Império.


o I Conferência Pan-Americana
▪ Tratado Blaine-Mendonça.
o Questão do Acre.
o Criação da embaixada em Washington em 1905.
o III Conferência Pan-Americana no Rio de Janeiro, 1906.
o IV Conferência Pan-Americana em Buenos Aires, 1910.
o II Conferência da Paz da Haia, 1907.
o Pacto ABC.

o Posição do Barão do Rio Branco e de Joaquim Nabuco.


o Posição de Oliveira Lima e Eduardo Prado.
o Bradford Burns
o Gelson Fonseca Jr.

Segunda opção de abordagem

• Definições

o O que é uma aliança não escrita, expressão de Bradford Burns?


o O que representam os Estados Unidos para o mundo na virada do século?
▪ Hegemonia continental e irradiação internacional:
• Ex: China, Coreia, Cuba, Filipinas, América latina.
o O que queria o Brasil ao aproximar-se dos EUA?
▪ Multilateralização da Doutrina Monroe (Gelson Fonseca Jr.)
▪ Evitar a unilateralidade, a ambiguidade e a plasticidade da Doutrina
Monroe.

2
• Estruturas argumentativas possíveis (esqueleto de prova)

o Sim, é válida a tese da aliança não escrita

o Aspectos bilaterais

▪ “Somos da América e queremos ser americanos”


▪ Incremento das relações comerciais:
• Tarifa Blaine-Mendonça.
o Tratado de reciprocidade mediante o qual ampla gama de
produtos manufaturados estadunidenses teriam acesso
ao mercado brasileiro em troca da isenções alfandegárias
para o açúcar, o couro e o café.
▪ Brasil como cúmplice dos EUA na América do Sul:
• Argentina e demais vizinhos sulino rechaçaram as pretensões dos
EUA na I Conferência Pan-Americana: resistência ao incremento da
influência dos EUA na região.
▪ EUA como cúmplice do Brasil:
• Deodoro e o Congresso Nacional.
o Questão Balmaceda.
• Participação dos EUA na Revolta da Armada.
o Envio de esquadra para debelar o bloqueio naval à Baia de
Guanabara orquestrado por Custódio de Melo.
• Primeira Embaixada do Brasil é em Washington, 1905.
o Americanismo de Nabuco.

o Aspectos multilaterais

▪ Em relação aos vizinhos:

• Posição de Cleveland na disputa lindeira com a Argentina (Questão


de Palmas), 1895.
• Não se menciona a Doutrina Monroe na III Conferência
Internacional do Rio de Janeiro, prova de que Brasil quer
evitar/intermediar atritos entre os EUA e os a América latina.
o Discurso do Barão durante a III Conferência.
• Questão do Acre:
o Bolivian Syndicate é indenizado, o State Department
aceita.
• IV Conferência Pan-Americana, Buenos Aires, 1910:
o Brasil tenta introduzir moção de reconhecimento da
Doutrina Monroe.

o Não, não é válida a tese da aliança não escrita

3
o Aspectos bilaterais

▪ Cleveland (1893-1897) desmonta estrutura tarifária de Harrison (1889-


1893)

• Fim da Tratado Blaine-Mendonça.


o 1894: Floriano Peixoto denuncia o tratado.

o Aspectos multilaterais

▪ Em relação aos vizinhos sulinos:

• EUA não veio ao socorro do Brasil na Questão do Pirara.


• Pacto ABC:
o Criar um espaço no Cone Sul alternativa à hegemonia
continental dos EUA.
▪ Ricupero: Seria um conselho de segurança para a
América do Sul, já que para o Caribe, para a
América do Norte e para a América Central o
conselho era os EUA.
o Pacto seria um instrumento adicional da hegemonia dos
EUA na região, uma antecipação da tese do
subimperialismo.
o Pacto seria um escudo de resistência.

▪ Em relação à Europa:

• EUA não secundou o Brasil durante o incidente da canhoneira


Panther.
• Crise da Haia:
o EUA não respaldam o pleito brasileiro pelo assento
permanente no Tribunal de Justiça.
• Oliveira Lima e Eduardo Prado:
o Americanismo é ilusão.

Melhor solução

4
• Plano dialético

o “Embora no plano bilateral a aproximação entre o Brasil e os Estados Unidos,


entabulada ainda durante os últimos anos do Segundo Reinado (1840-1889),
tenha-se traduzido em cumplicidade não escrita, no plano multilateral, os
Estados Unidos não secundaram a emergência de um Brasil contra-hegemônico
no continente americano. A multilateralização da Doutrina Monroe, projeto
caro ao Itamaraty na década de 1900, não encontrou suporte, portanto,
naquele que deveria ser o principal aliado brasileiro aos olhos do Barão do Rio
Branco: os Estados Unidos”.

Exemplos de introdução

Findo o período imperial no Brasil, a política externa até então engendrada redirecionou
suas atenções para o continente americano e, desse modo, rompeu com a tradição europeia pela
qual se orientara até então. A I Conferência Pan-Americana, iniciada em 1889, assinalou a mudança
na diretriz da política externa brasileira na direção dos Estados Unidos da América. Ao observar o
contexto internacional da política imperialista, o Barão do Rio Branco, chanceler por uma década
durante a República Velha, optou por, de maneira pragmática, alinhar-se à ideologia da Doutrina
Monroe, reafirmada pelo Corolário Roosevelt e, dessa forma, tangenciar, entre outros, os riscos
oferecidos pelo imperialismo europeu à soberania brasileira. De acordo com o termo cunhado por
Bradford Burns, inaugurou-se assim a “Aliança não escrita”.

A Proclamação da República no Brasil foi marco da intensificação das relações entre o país e
os Estados Unidos. O sistema implantado pelos norte-americanos desde sua independência era
considerado referência dos republicanos brasileiros. Além disso, a ascensão econômica dos Estados
Unidos no final do século XIX foi fator importante para a percepção de que os americanos do norte
estavam no caminho para uma posição de destaque no concerto internacional, até então dominado
pelos europeus. Partidário dessa interpretação, o Ministro das Relações Exteriores do Brasil de 1902
a 1912, Barão do Rio Branco, favoreceu uma “aliança não escrita” com os norte-americanos, nas
palavras de Bradford Burns. Esse acordo informal fortalecia a amizade entre as duas nações, em
grande parte devido à interpretação pelo Barão de que seria instrumento importante para que o
Brasil alcançasse seus objetivos em política externa. A “aliança não escrita” entre Brasil e Estados
Unidos nos primeiros anos da república brasileira materializou-se, tempos depois, em uma aliança
escrita e consolidada.

Ao longo de todo o período imperial, o eixo principal da atuação diplomática brasileira


referia-se às relações com as potências europeias, notadamente a Inglaterra. A primazia da vertente
europeísta incluía razões pragmáticas, como comércio e política internacional, e ideológicas, pois as
facções dinásticas exerciam importante influência nas formulações do Conselho de Estado. A partir
dos anos 1870, as relações bilaterais com os EUA se aprofundaram, especialmente devido ao
aumento do volume comercial que, gradativamente, aumentou a importância norte-americana no
comércio exterior brasileiro. Essa aproximação foi intensificada a partir da Proclamação da
República, ocorrida em 1889, e estimulou Bradford Burns a cunhar o termo “Aliança Não Escrita”,
que definiria as relações bilaterais até meados do século XX. Contudo, as relações Brasil-EUA
apresentavam contornos pragmáticos e, para além de uma “Aliança Não Escrita”, eram marcadas
pela busca dos países por seus interesses de Estado, processo que acarretou momentos de
aproximação e de divergência.

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