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História do Brasil Império: Hegemonia Conservadora

O documento aborda a formação da hegemonia conservadora no Brasil durante o Império, destacando o deslocamento do eixo produtivo para São Paulo e a reforma dos negócios com a promulgação do Código Comercial. A política externa saquarema é analisada, incluindo a aliança com os colorados uruguaios e a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai, com diferentes interpretações historiográficas sobre suas causas e consequências. O texto também menciona a influência dos Estados Unidos na região amazônica e as relações com a Argentina durante o período.

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História do Brasil Império: Hegemonia Conservadora

O documento aborda a formação da hegemonia conservadora no Brasil durante o Império, destacando o deslocamento do eixo produtivo para São Paulo e a reforma dos negócios com a promulgação do Código Comercial. A política externa saquarema é analisada, incluindo a aliança com os colorados uruguaios e a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai, com diferentes interpretações historiográficas sobre suas causas e consequências. O texto também menciona a influência dos Estados Unidos na região amazônica e as relações com a Argentina durante o período.

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas


Departamento de História
Prof. Dr. Rodrigo Goyena Soares
e-mail: [Link]@[Link]
1º semestre 2025 – FLH0341

H ISTÓRIA DO BRASIL IMPÉRIO


HISTORY OF THE B RAZILIAN EMPIRE
Unidade II – A constituição da hegemonia conservadora

10. O deslocamento do eixo produtivo nacional para São Paulo: a formação do PRP (1871-
1885)
 GOYENA SOARES, Rodrigo. “Racionalidade econômica, transição para o
trabalho livre e economia política da abolição: a estratégia campineira”. História
São Paulo, n. 39, 2020.
 SLENES, Robert W. “Senhores e subalternos no Oeste Paulista”. In:
ALENCASTRO, Luiz Felipe (org.). História da vida privada no Brasil. Império: a
corte e a modernidade nacional. Vol. 2. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

I] Reforma dos negócios

• Com profusão de capitais liberados pelo fim do tráfico, promulgou-se o


Código Comercial: regulamentar os negócios.

– Regulamentar atividades empresariais.

– Desenvolvimento do setor bancário e da infraestrutura de


integração física.

– Surgem Sociedades Anônimas.

– Formação dos mercados de terra, de trabalho e de capitais.

• Formação do segundo Banco do Brasil, em 1853.

II] O Ministério da Conciliação (1853-1856)

– 1853: Imperador nomeia Honório Hermeto Carneiro Leão (Marquês de Paraná) para a
chefia do gabinete.

– Hábil negociador, fora nomeado Presidente de Província em Pernambuco após


a Revolta Praieira.

• Em sua visão, caso os luzias ficassem por muito tempo fora do poder,
poderia haver novos riscos de levantes liberais.

– Logo; hegemonização da ordem saquarema.

» Surge Ministério da Conciliação (1853-1856).

1
– Paraná abriu brechas para a Lei dos Círculos: avanço liberal na
Câmara.

» “Ação democrática de 1822, reação monárquica de 1836 e transação de


1853” José Justiniano da Rocha.

• 1856: falecimento de Paraná.

– Ordem desanda.

– Embates entre os cinco gabinetes conservadores que se sucederam entre 1856 e


1862 (Caxias, Olinda, Abaeté, Silva Ferraz e Caxias novamente) e a Câmara:

• Questão monetária.

• Cisões no campo saquarema.

III] A política externa saquarema

• A missão Calmon (1844) fracassou, na medida em que Londres não sustentaria a política
platina de uma país que negara a recondução do tratado anglo-brasileiro, de 1827, e que
editara a tarifa Alves Branco, de 1844.
• O Brasil teria, portanto, de encontrar outros aliados.
– Na visão de Francisco Doratioto, a aliança ente o Império e os colorados
uruguaios estruturou o desfecho da Guerra contra Oribe e Rosas.
• Equilibrou a balança de poder a favor dos colorados.
• Os colorados não somente eram favoráveis à abertura
do rio Prata, mas também ao comércio com o Brasil e,
sobretudo, à presença do gado gaúcho na banda
oriental, o que não era pouco favorável ao Império, a
considerar os 20% a 30% do território uruguaio que
estava em posse de fazendeiros gaúchos.
• Diplomacia dos patacões, por intermédio do Banco
Mauá, com sede em Montevidéu.

• Com a declaração de guerra endereçada por Rosas a Dom Pedro II, o Brasil sustentou
as dissidências no interior da Confederação Argentina.
– Em 1851, imediatamente após a eclosão da guerra, Honório Hermeto Carneiro
Leão, o artífice do futuro ministério da conciliação, foi enviado a Montevidéu para
negociar aproximação Urquiza e Virasoro, respectivamente governadores das
províncias argentinas de Entre Rios e de Corrientes.
• Forma-se a aliança entre dissidentes argentinos, colorados
uruguaios e conservadores brasileiros.
• Paulino José Soares de Souza, pilar da política externa durante
a trindade saquarema, adotou postura de intervenção no Prata,
buscando manter o status quo na região.

2
– O desfecho final da guerra ocorreu na batalha de Monte Caseros, em 1852,
quando Oribe e Rosas foram derrotados pelas tropas de Urquiza e de Virasoro,
que contavam com o apoio de Caxias, de Osório e da cavalaria gaúcha.

• No Uruguai, Oribe perdeu o apoio político dos blancos, e os colorados afirmaram-se no


poder com Venâncio Flores.

• O preço da manutenção da independência uruguaia contra intervencionismo de Rosas


foi alto, na compreensão dessa linha historiográfica.
– Pelo tratado de 1851, assinado ente o Brasil e o Uruguai, ficavam abolidos os
direitos alfandegários sobre a exportação de gado gaúcho.
– Assegurava-se a consolidação da presença dos mais de 20 mil brasileiros no
Uruguai.
– Ao Império dava-se o direito de intervenção no Uruguai em caso de conflito
interno.
– Poderia ainda o Brasil solicitar extradição de escravos foragidos, quando o
Uruguai havia abolido a escravidão precisamente durante a guerra.
– Mais importante, garantia-se ao Brasil a livre navegação do rio Uruguai e
reconhecia-se dívida pelo auxílio militar brasileiro.
– Por fim, o Uruguai renunciava aos territórios ao Norte do rio Quaraí e ao direito
de navegação da Lagoa Mirim, no rio Jaguarão, fronteira natural com o Império.

• E depois da Guerra contra Oribe e Rosas (1851-1852), quais foram as relações entre o
Império do Brasil e a Argentina?
– Argentina fraciona-se em dois Estados: o Estado de Buenos Aires e a Confederação
Argentina (com capital em Paraná, Entre Rios).

• Neutralidade imperial no decurso dos conflitos entre Buenos Aires e Paraná.


– Embora o Império continuasse a financiar a nova Confederação.
• José Maria da Silva Paranhos assina acordo militar, pelo meio do qual
a Confederação apoiaria o Brasil em caso de conflito lindeiro com o
Paraguai.
• Ao mesmo tempo, Paranhos assina com Assunção acordo de livre
navegação fluvial.
– Neutralidade imperfeita com a Confederação Argentina termina quando o Império não
atendeu solicitação de Paraná para colocar-se contra Buenos Aires.
• Urquiza afastou-se, em consequência, do Império e aproximou-se do Paraguai.
• Paraguai de Carlos Antonio López (1844-1862) buscava o
reconhecimento dos direitos paraguaios sobre seus rios ribeirinhos, no
marco de uma abertura das fronteiras paraguaias.

3
– Relação de forças inverteu-se radicalmente em setembro de 1861, após a
Batalha de Pavón.
• Unitaristas portenhos de Mitre sufocam a Confederação: surge a
República Argentina moderna.

Relações com os Estados Unidos

• O interesse dos Estados Unidos pelo Amazonas.


• Pressão para abrir o rio Amazonas à navegação internacional.
• Em 1850, os estadunidenses lideraram expedições científicas
na região amazônica, as quais não fizeram senão destacar a
importância do rio para o desenvolvimento do comércio
meridional do continente americano.
• Chegou-se a entender o Amazonas como um novo
Texas, que aderira, na década de 1840, à união dos
Estados Unidos após a declarar-se independente do
México.
– O Amazonas, como o Texas, passou a ser visto como porção inevitável do
Estados Unidos.
• Era essa também a visão de Matthew Fontaine Maury, responsável pelo
Observatório Nacional de Washington, e de William Trousdale,
representante dos Estados Unidos no Brasil.
• Vislumbravam no rio brasileiro “uma mera continuação do vale do
Mississipi”.

A Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai

 As causas da guerra: balanço historiográfico


 Historiografia da primeira metade do século XX:
o Argentina, Brasil, Uruguai: enaltecimento dos feitos militares.
 Tasso Fragoso.
 Paulo de Queiroz Duarte.
o A principal causa da guerra é a invasão paraguaia ao território
brasileiro e argentino.
 Primeira Imagem de Kenneth Waltz: o Homem.
o Paraguai: vitimização.
 Solano López elevado à categoria de herói nacional.
 Revisionismo historiográfico de década de 1960-1970:
o Argentina, Brasil, Uruguai: genocídio americano.
 Influência inglesa no conflito.
 Havia realmente?
o Paraguai era potência industrial.

4
 Paraguai desequilibrou a balança do poder platino após as
guerras do Império contra Oribe (Uruguai) e Rosas
(Argentina).
 José Júlio Chiavenatto (Brasil) e León Pomer
(Argentina).
 Visão historiográfica: problema é o Estado.
 Segunda imagem de Waltz.
 Paraguai: potência industrial tolhida pela Inglaterra.
 Historiografia atual:
o Argentina, Brasil, Uruguai: consolidação dos Estados-Nação na bacia
do Prata.
 Argentina: Temor de um novo cenário de uma Argentina dual.
 Brasil: primeira vez que tropas dos quatros pontos cardinais
do Império lutam juntas.
 Uruguai: Derrota duradoura para blancos.
 Visão historiográfica: problema é o sistema das
relações internacionais na Bacia do Prata.
o Paraguai: consolidação do Estado-Nação.

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