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História do Brasil Império: Hegemonia Conservadora

O documento aborda a história do Brasil durante o Império, focando na constituição da hegemonia conservadora e eventos como a Guerra do Paraguai e a Revolução Farroupilha. Destaca a dinâmica política entre conservadores e liberais, o golpe da maioridade e a estrutura do Segundo Reinado. Além disso, analisa as manipulações eleitorais e a influência do Imperador Dom Pedro II nas decisões políticas.

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História do Brasil Império: Hegemonia Conservadora

O documento aborda a história do Brasil durante o Império, focando na constituição da hegemonia conservadora e eventos como a Guerra do Paraguai e a Revolução Farroupilha. Destaca a dinâmica política entre conservadores e liberais, o golpe da maioridade e a estrutura do Segundo Reinado. Além disso, analisa as manipulações eleitorais e a influência do Imperador Dom Pedro II nas decisões políticas.

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas


Departamento de História
Prof. Dr. Rodrigo Goyena Soares
e-mail: [Link]@[Link]
1º semestre 2025 – FLH0341

H ISTÓRIA DO BRASIL IMPÉRIO


HISTORY OF THE B RAZILIAN EMPIRE
Unidade II – A constituição da hegemonia conservadora

8. A Guerra do Paraguai e a crise da ordem conservadora (1862-1871)


 KRAUSE, THIAGO; GOYENA SOARES, Rodrigo. Império em disputa. Coroa,
oligarquia e povo na formação do Estado brasileiro (1823-1870). Rio de Janeiro:
Editora FGV, 2022. Capítulo 5: “Crise da ordem imperial, 1862-1870”
 DORATIOTO, Francisco. Maldita Guerra. Nova história da Guerra do Paraguai.
São Paulo: Companhia das Letras, 2012. Capítulo 1: “Tempestade no Prata”.

I] A Farroupilha (1835-1845)

• 1838, Tratado de Cangüe: Bento Gonçalves aproxima-se das dissidências uruguaias


e argentinas:

• Encontro de Paissandu.

• Estratégia de Rosas:

• Aproximação com o Rio de Janeiro.

• Para Império, era neutralizar Rosas no Prata e pôr fim à Farroupilha.

• Fructuoso Rivera, líder colorado no Uruguai, era visto pelo Brasil


com desconfiança devido às alianças com a Farrapos.

• Para Rosas, aliança com o Império daria maior poder de barganha contra
possível aliança franco-inglesa que o obrigasse a abrir os rios platinos à
navegação internacional.

• Objetivo da aliança: pacificar o Uruguai e o RS.

– Rosas forneceria cavalaria ao Império, para lutar contra os


gaúchos.

– O Império bloquearia Montevidéu, para sufocar Rivera.

» 1843: Tratado militar contra Rivera.

» Rosas não ratifica o tratado!

• Era maneira de ganhar tempo:

• Conseguira debelar as pressões


dissidentes.

• Afronta a Pedro II!

• Como o Império posicionou-se, então, frente a Rosas?

1
• Aproximação com os gaúchos!

• Concessões.

– 1844: Assume partido liberal no Rio de Janeiro.

» Melhores entendimentos com os gaúchos e com os


colorados.

» 1845: Paz de Poncho Verde.

• Império deveria assumir dívidas gaúchas.

• Farrapos deveriam ser incorporados ao


Exército imperial resguardando seus postos
hierárquicos.

• Privilégios alfandegários para produção


gaúcha no Uruguai.

• Bento Manuel troca de lado mais


uma vez!

• Reconhecimento da independência do Paraguai (1844).

• Envio da missão Miguel Calmon du Pin e Almeida à Europa, em 1844


também:

• Objetivo era assinar acordo militar com a França e a Inglaterra


contra Rosas.

– Fracasso!

2. Golpe da maioridade

• Regência Una de Feijó debilitada pelas sedições populares e pelas forças


centrífugas.

• Cresce oposição na Câmara.

– Contestação dos restauradores/conservadores (“caramurus”)


vs. liberais (“chimangos”).

» Exaltados eram alvos dos liberais e dos conservadores.

• Eleições de 1836:

• Conservadores assumem a maioria da Câmara.

– Contra descentralização.

– Sem maioria na Câmara, Feijó não consegue aprovar


orçamento nem constituir ministérios.

• Feijó renuncia em 1837.

– Assume a presidente da Câmara Pedro de Araújo Lima, senhor


de engenho pernambucano, conservador e inconteste opositor
do Ato Adicional.

• 1838: Araújo Lima vence eleições para a Regência Uma.

2
– Deu-se início ao período do regresso conservador: regresso à
centralização, à autoridade, ao reinado em detrimento da
regência.

– Medidas adotadas por Araújo Lima:

– Bernardo Pereira de Vasconcellos nomeado para a pasta de Justiça.

– Formação do “Ministério das Capacidades”: gabinete de Araújo Lima.

• 1840: Lei de Interpretação ao Ato Adicional:

» Assembleias Provinciais perdem faculdade de


legislar, de nomear e de transferir funcionários e de
suspender sumariamente os magistrados.

– Golpe da maioridade: Impetrado por liberais!

• Única saída para retomar o poder era trazer à baila o novo


Imperador, já que rebeliões eram apaziguadas e havia
desenvolvimento econômico promovido pela entrada em cena do
café.

» Pela Constituição de 1824: Pedro de Alcântara


somente poder assumir em dezembro de 1843,
quando completaria 18 anos.

» Liberais aproximam-se de Aureliano Coutinho,


liderança no Clube da Joana (ou Facção Áulica).

» Como justificar o golpe da maioridade?

• Cabanagem e Balaiada haviam exigido a


ascensão do herdeiro da Coroa.

• Farroupilha.

• Julho de 1840: “quero já” do futuro Dom Pedro II.

– Assembleia Geral sanciona a maioridade.

» Recompensa: os liberais assumem o poder.

– 1841: retorno dos conservadores.

• Reestabelecimento do Conselho de Estado.

• Reestabelecimento do Poder Moderador.

• Reforma do Código do Processo Criminal: juiz de paz sai de cena


(embora ainda eleito), visto que, agora, era submetido ao poder dos
chefes de polícia nomeados pela Corte.

• Reforma da Guarda Nacional: oficiais nomeados pela Corte –


restringir poder local.

• Exército retoma responsabilidade sobre a integridade do país.

3
3. O Segundo Reinado (1840-1889)

• De 1840 a 1889: 36 gabinetes imperiais, cada um de curta duração.


• Expectativa de duração de cada gabinete: ano e meio.

• Gabinetes Liberais: 21 gabinetes, somando 19 anos e 5 meses.


• 1840.
• 1844-1848.
• 1862-1868.
• 1878-1885.
• 1889.

• Gabinetes Conservadores: 15 gabinetes, somando 29 anos e 9 meses.


• 1841-1844.
• 1848-1862.
• 1868-1878.
• 1885-1889.

• O quê explica predominância dos conservadores no poder?

• Hipótese I: as instituições favoreciam os conservadores.

• 1847: criação do Presidente do Conselho de Ministros, nomeado pelo Poder


Moderador.
• Chefe do gabinete nomeia, a seu turno, demais membros
ministeriais;
– Burocracia judicial.
– Burocracia militar.
– Burocracia fiscal.
– Burocracia policial.
– Burocracia eclesiástica.

• Câmara de Deputados condicionava, em parte, a longevidade do Presidente


do Conselho de Ministros.
• Caso houvesse discordância entre a Câmara e o Presidente, caberia
ao Imperador resolver ora pela destituição do gabinete, ora pela
dissolução da Câmara (em vistas a manter a governabilidade do
Império!):
– Poder Moderador, portanto, é guardião da governabilidade do
Império.

• Conselho de Estado e Senado:


• Conselheiros de Estados indicados pelo Imperador.
• Senadores também indicados pelo Imperador em lista tríplice,
constituída eleitoralmente.
• Logo, Dom Pedro II não era somente chefe de Estado.
– Era chefe de governo.

• Conclusão I: As instituições não favoreciam forçosamente os conservadores.


• Haveria, então, nítida influência de Dom Pedro II em favor dos
conservadores?

– Hipótese II: o Imperador tinha preferência pelos conservadores.

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Fonte: José Murilo de Carvalho, A Construção da Ordem / Teatro de Sombras

– Conclusão hipótese II: o Imperador era imparcial (CARVALHO, 2007).


– Haveria, portanto, preferência eleitoral pelos conservadores?

– Hipótese III: haveria preferência eleitoral pelos conservadores.

– Cinco reformas eleitorais durante o Segundo Reinado.

• Apenas uma altera significativamente o sistema de votação: a reforma


de 1881.

– Como garantir a eleição?

• Manipular votantes de primeiro grau.

– Ingerência da Mesa Paroquial (que validava identidade dos


votantes).

– Mesa: presidentes de província, juízes de paz e delegados de


polícia.

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– Logo, bastava que o partido no poder definisse a composição da Mesa Paroquial
para garantir os eleitores desejados!

– “não por outra razão, nenhum partido no poder perdia eleição e


fazia sempre maioria na Câmara” (CARVALHO, 2003).

– Manipulações eleitorais:

• Defuntos e invisíveis votavam por obra do bico de pena.

• Fósforos.

– Conclusão III: não houve preferência eleitoral pelos conservadores, visto que os votos
eram manipulados.

• Havia um parlamentarismo às avessas no Brasil?

• “Neste país, a pirâmide do poder assenta sobre o vértice em vez de


assentar sobre a base (...), esta soberania de gramáticos é um erro de
sintaxe política. Quem é o sujeito da oração? Não é o povo? Quem é o
paciente? Ah! Descobriram uma nova regra: é não empregar o sujeito”
(BONIFÁCIO, O MOÇO).

– Hipótese final concludente:

– A materialidade conservadora do capital produtivo e financeiro.

• Ilmar Rohloff de Mattos, O Tempo Saquarema.

• Ricardo Salles, E o Vale era o escravo.

• Tâmis Parron, A política da escravidão.

• Thiago Krause e Rodrigo Goyena, A pax escravista.

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