Compliance : conjunto de mecanismos utilizado
para assegurar a conformidade de empresas e
instituições à legislação. Atua de forma preventiva
para a consolidação de uma cultura organizacional
que mantenha a ética e a transparência.
Programa de integridade : vertente do
compliance direcionada ao combate de atos
ilícitos, como corrupção e fraudes.
Corrupção : ato de corromper ou corromper-se.
Na definição da Organização das Nações Unidas
(ONU), o termo também pode ser compreendido
como “abuso da função pública para ganho
pessoal direto ou indireto”.
Fraude : ato de enganar com o intuito de lesar ou
ludibriar alguém.
Administração Pública : são os entes que
exercem a atividade administrativa, como os
órgãos públicos, as fundações e as autarquias que
integram os municípios, os estados e a União.
A importância do compliance para o setor
público
A Administração Pública é responsável pela prestação de
serviços à sociedade. Uma gestão eficiente e com bons
resultados para os cidadãos requer ética no trabalho
realizado, responsabilidade no uso dos recursos públicos,
otimização dos processos para que não haja morosidade e
diálogo transparente com os cidadãos.
No entanto, no Brasil, a realidade ainda está longe de ser
a ideal. O Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2020 ,
levantamento realizado pela Transparência Internacional,
apontou o país na 94ª posição de um total de 180 nações
e territórios, sendo o primeiro lugar o menos corrupto.
O Brasil obteve 38 pontos numa escala de 0 a 100, em que
0 significa “muito corrupto” e 100 é considerado “muito
íntegro”. Desta forma, assim como em 2019, o país obteve
novamente a avaliação de “muito ruim”.
No relatório, a Transparência Internacional afirma que o
Brasil “enfrenta sérios retrocessos no combate à
corrupção”. E é nesse sentido que o compliance pode
contribuir para modificar essa realidade.
Ainda de acordo com o IPC, os países mais íntegros do
mundo são Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia,
Singapura e Suécia, nesta ordem. Já os locais com maiores
índices de corrupção são Sudão do Sul, Somália, Síria,
Iêmen e Venezuela.
Como funciona o compliance nas
organizações públicas
O compliance nas organizações públicas irá normatizar a
conduta dos servidores; estabelecer parcerias que
também priorizem ética e transparência; criar um canal de
comunicação direta com o cidadão para o recebimento de
denúncias sobre a má prestação dos
serviços; realizar auditorias e monitoramentos para a
prevenção, a identificação e a solução de irregularidades .
Para este trabalho, o compliance no setor público terá
como principais diretrizes:
Constituição Federal de 1988: o artigo 37
estabelece como princípios da Administração
Pública, a legalidade, a impessoalidade, a
moralidade, a publicidade e a eficiência;
Lei Anticorrupção (Lei n.º 12.846/2013):
regula a responsabilidade civil e administrativa
das pessoas jurídicas por atos lesivos à
Administração Pública;
Lei das Estatais (Lei n.º 13.303/2016): trata
do estatuto jurídico de empresas públicas e
sociedades de economia mista, introduzindo os
conceitos de compliance e gestão de riscos nessas
esferas;
Lei das Agências Reguladoras (Lei n.º
13.848/2019): aborda a gestão, a organização,
as tomadas de decisão e o controle social das
agências reguladoras. O texto cita a necessidade
de adoção de práticas de gestão de risco, controle
interno e programa de integridade;
Lei de Licitações (Lei n.º 14.133/2021): dispõe
sobre as regras para contratos com a
Administração Pública e exige a implantação de
programa de integridade pela empresa contratada
para licitações de grande vulto, além de apontá-lo
como um critério de desempate.
A legalidade e a moralidade estão entre os princípios da
Administração Pública.
mecanismos e procedimentos utilizados pelo
compliance para garantir uma gestão pública eficiente,
transparente, ética e responsável .
Código de Ética: a postura do servidor público é balizada por legislação
que abrange os âmbitos federal, estadual e municipal. No entanto, a elaboração de um
código de ética para os órgãos públicos contribui para a fixação não só de informações
abrangentes sobre o setor público, mas, também, específicas sobre a rotina de uma
determinada estrutura. Isto contribui para aumentar a qualidade do serviço prestado.
Treinamentos : as informações necessárias para a realização de uma gestão
eficiente devem ser fornecidas aos gestores e servidores públicos por meio de
capacitações.
Canal de denúncias e Ouvidoria : são ferramentas essenciais para
o diálogo com o público. O primeiro tem a proposta de receber informações sobre
irregularidades, enquanto o segundo atende queixas relacionadas ao serviço prestado.
Auditorias: mecanismo utilizado para o monitoramento do trabalho realizado,
garantindo que a Administração Pública esteja em conformidade com a legislação.
Benefícios do compliance no setor
público
Há muitos benefícios em implantar os programas de
compliance e integridade no setor público. Confira os
principais:
Melhorias no atendimento ao público;
Otimização dos processos internos;
Melhor gerenciamento dos recursos públicos;
Prevenção e combate a corrupção e fraudes;
Criação de parcerias duradouras e transparentes;
Maior credibilidade junto à sociedade;
Consolidação de uma imagem positiva do agente
público. No caso do Governo federal, isso interfere
diretamente na visão internacional do país, o que
contribui para o aumento das negociações
externas e resulta no aquecimento econômico.
Compliance empresarial
O compliance empresarial também é o dever de estar em conformidade com os
atos e normas. Engloba não só as regras e controles internos, mas também
aqueles externos que os negócios precisam necessariamente se adaptar.
É fato que todas as sociedades empresárias precisam nortear suas atuações
de acordo com as regras estabelecidas. Seja pelos organismos de controle e
pelas normas internas da empresa, quanto pelos colaboradores como a alta
administração.
O compliance empresarial serve, portanto, para mostrar às organizações que
os padrões seguidos estão de acordo com as normas de controle. Isso em
todas as áreas (direito do trabalho, direito empresarial, direito tributário e
fiscal).
Compliance trabalhista
Aqui está um dos pontos mais relevantes quando falamos em compliance. Isso
porque, o compliance trabalhista é fundamental para definir os direitos,
deveres, normas, obrigações de todos os gestores, funcionários, alta
administração e gerentes, por exemplo.
Todos os colaboradores precisam ter conhecimento do código de conduta da
empresa para poder colocá-lo em prática!
Além disso, é muito importante um canal de denúncia e de
comunicação acessível. Isso para permitir ao colaborador informar o
descumprimento de alguma norma, sem que exista qualquer pressão
por conta da alta administração
Em conversa com o advogado trabalhista Pedro Braga, questionei
sobre a importância do compliance no direito do trabalho. Para ele,
o grande ponto é:
A mitigação de passivos judiciais, que vai além disso, pois o
compliance pode ser adotado na admissão, no curso e após o término
do contrato de trabalho. Funciona também como forma fiscalização
da cadeia produtiva, por respeitar as normas de segurança do
trabalho. Ao efetivar o compliance nas relações de trabalho, com a
criação de um código de ética e padrões de conduta, o ambiente
laboral torna-se mais seguro e transparente, que por consequência,
reflete em resultados positivos na produção e na qualidade do
produto objeto da atividade empresarial.”
Em resumo, assim como no compliance empresarial, as regras
são medidas efetivas adotadas por todos os
colaboradores, para mitigar os riscos de uma conduta inadequada
desde o estagiário até a alta administração.
Compliance tributário
A efetividade do compliance tributário está umbilicalmente ligada à
importância aos padrões de honestidade e de integridade adotados nas normas
internas.
No compliance tributário, o conjunto de medidas e normas internas
é diretamente relacionado à prevenção dos riscos de violação às leis
tributárias.
É necessário entender que os mecanismos de compliance tributário buscam,
como objetivo principal, mitigar os riscos de cometimento de ilegalidades
relacionadas com a legislação tributária. Em especial, a concessão de
benefícios irregulares, isenções, subsídios e tratamentos diferenciados
indevidos, por exemplo.
Além disso, a efetiva adoção – e não apenas para inglês ver – dos
mecanismos de compliance tributário diminuem o risco de condutas
desonestas, como suborno e abuso de poder para obtenção de benefícios.
Compliance fiscal
O compliance fiscal é fundamental, principalmente diante da complexidade
imposta pela legislação que envolve instruções normativas, atualizações
constantes e documentos emitidos pela receita federal.
Assim, considerando o elevado volume de questões que rondam as
informações de natureza fiscal, como vendas, compras, estoque, custos,
números patrimoniais, transações bancárias e folhas de pagamento, é
necessário andar em conformidade em cada uma delas.
Por tudo isso não há dúvidas que o compliance fiscal é essencial
para organizar as disciplinas fiscais e garantir o cumprimento de toda a
regulamentação, diretrizes e políticas estabelecidas pela lei.
Dentre suas principais vantagens, posso citar algumas: monitoramento das
obrigações fiscais pendentes, armazenamento da documentação fiscal, correto
preenchimento de notas fiscais de acordo com as novas instruções e
acompanhamento de prazos.
Enfim, a grande vantagem do compliance fiscal é a criação de um conjunto de
ferramentas para auxiliar a organização e mitigar as más atitudes na área
financeira da empresa.