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Fundamentos do Processo Civil Brasileiro

O documento aborda o Direito Processual Civil, destacando a importância do processo civil como meio de garantir a aplicação prática do direito civil. Apresenta os princípios fundamentais do processo civil, as fases do processo comum e os pressupostos processuais necessários para a regularidade da instância. Além disso, discute os direitos das partes, a figura do juiz e a dinâmica do litígio, enfatizando a necessidade de celeridade e cooperação entre os envolvidos.
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Fundamentos do Processo Civil Brasileiro

O documento aborda o Direito Processual Civil, destacando a importância do processo civil como meio de garantir a aplicação prática do direito civil. Apresenta os princípios fundamentais do processo civil, as fases do processo comum e os pressupostos processuais necessários para a regularidade da instância. Além disso, discute os direitos das partes, a figura do juiz e a dinâmica do litígio, enfatizando a necessidade de celeridade e cooperação entre os envolvidos.
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Direito Processual Civil 1º Semestre

Professora Cláudia Boloto

Processo Civil- ramo de direito público (apesar de direito civil ser público). Está em causa a prossecução dos
interesses do Estado.

Direito substantivo- Código Civil. ex: contrato compra e venda.

Direito adjetivo- todos os direitos processuais são direitos adjetivos, tratam de pôr em prática os direitos das partes da
relação jurídica.
O processo civil visa o enquadramento e a aplicabilidade prática do direito civil.

Todo o direito substantivo deverá ter direito adjetivo.

Sempre que estou perante uma violação do direito substantivo,

Art.1º CPC- proibição da autodefesa.

Princípios fundamentais do Processo Civil: art.1º a 9º a) do CPC.


Princípios dos quais se construiu toda a relação do processo civil.

Pressupostos Processuais
Condições mínimas indispensáveis que garantem que, confrontado com o litígio, o tribunal irá tratar. Quando estão
todos preenchidos, a instância (=processo) é regular.

1. Personalidade judiciária (jurídica) – art.11º a 14º CPC.


2. Capacidade Judiciária – art.15º a 29º CPC
3. Legitimidade das Partes – art.30º a 39º CPC
4. Competência do Tribunal à Território
à Valor da causa
à Hierarquia

5. Patrocínio Judiciário- representação das partes por profissionais forenses (advogados, solicitadores,
advogados estagiários). Estes exercem representação através de um mandato com uma procuração forense.

Nota:
Mérito da causa- Tudo que se relaciona com a substância do pedido, o conteúdo do feito, a existência
do direito reclamado, a qualidade das partes litigantes, o apreço que resulta do conjunto de fatos, provas ou razões na
causa que conduzem à formação de um juízo. O mesmo que merecimento.
para se chegar ao mérito da causa é necessário que sejam cumpridos os pressupostos da natureza processual.

Art.546º e seguintes:

Processo Comum – art.552º CPC

Þ Ação Declarativa à condenatória


à constitutiva forma (548º)
à simples apreciação à negativa
à positiva

Þ Ação Executiva – presume que o exequente tem um título executivo (art.703º CPC), sendo este um
documento com força probatória que declara que o direito que o exequente invoca está a ser viciado.
- Pagamento da quantia certa à forma ordinária – 724º a 854º
à forma sumária – 855º a 857º
- Entrega da coisa à art.859º a 867º
- Prestação de facto à art.868º a 877º

Processos Especiais – D.L. 269/98, de 1 de Setembro.


Þ art.878º e ss CPC – tutela da personalidade
Þ art.881º e ss CPC – justificação da ausência

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Þ art.891º e ss CPC – acompanhamento de maiores


Þ art.995º e ss CPC – divisão da coisa comum

Princípios Fundamentais do Processo Civil – art.1º a 9º-A CPC


Þ Princípio do Dispositivo – “ninguém nos dá nada, se não pedirmos. Por isso, devemos pedir”.
As partes dispõem do processo, cabendo ao juiz controlar a observância das normas processuais e, por fim, proferir a decisão acerca do conflito
de interesses que determinou a proposição da ação. É, portanto, aos litigantes que pertence a iniciativa da ação e o impulso necessário ao seu
prosseguimento, sendo-lhes igualmente permitido fazê-la terminar. A atividade inicial a desenvolver pelas partes está consagrada no art.3º,
nº1, que determina que o tribunal não pode resolver o conflito de interesses que a ação pressupõe sem que a resolução lhe seja pedida por uma
das partes e a outra seja chamada a deduzir oposição.
Em resumo, o processo só tem início por força do impulso do autor ao formular o respetivo pedido ao tribunal. A iniciativa nunca poderá
pertencer ao juiz.
Þ Princípio do Contraditório(3º) – possibilidade que a parte tem de se defender. Está constitucionalmente consagrado.
O tribunal não pode resolver o conflito de interesses sem que a outra parte seja devidamente chamada para deduzir oposição. Depois do autor
ter proposto a ação, o réu tem de ser citado para a contestar, sendo-lhe proporcionada a oportunidade de se defender (569º). É através da citação
do réu que se dá o cumprimento do princípio do contraditório. Tem consagração legal na fase dos articulados e em todas as fases do processo,
incluindo na do julgamento, continuando na fase do recurso. É entendido como a garantia da participação efetiva das partes no desenvolvimento
de todo o litígio, mediante a possibilidade de, em plena igualdade, influírem em todos os elementos que se encontrem em ligação com o objeto
da causa e que em qualquer fase do processo apareçam como potencialmente relevantes para a decisão.
Þ Princípio do inquisitório (411º)
Este artigo incumbe ao juiz realizar ou ordenar, mesmo oficiosamente, todas as diligências necessárias ao apuramento da verdade e à justa
composição do litígio, quanto aos factos de que lhe é lícito conhecer. Embora o impulso processual pertença às partes, cumpre ao juiz
providenciar pelo andamento regular e célere do processo, promovendo oficiosamente as diligências necessárias ao normal prosseguimento da
ação e recusando o que for impertinente ou meramente dilatório; o juiz deve ainda suprir a falta de pressupostos processuais cuja sanação seja
possível, determinar a prática dos atos necessários à regularização da instância ou, quando a sanação dependa de certo ato que deva ser praticado
pelas partes, convidando estas a praticá-lo. Por outro lado, deve o juiz adotar a tramitação processual adequada às especificidades da causa e
adaptar o conteúdo e a forma dos atos processuais ao fim que visam atingir, assegurando um processo equitativo (547º). Incumbe ao juiz
convidar ao suprimento das insuficiências ou imprecisões na exposição ou concretização da matéria de facto alegada, concedendo prazo para
apresentação de novo articulado (590º, nº4). Em qualquer estado do processo, o juiz pode determinar a comparência pessoal das partes para a
prestação de depoimento, informações ou esclarecimentos sobre factos que interessam à decisão da causa (452º, nº1).

Þ Princípio da igualdade (13º CRP)


Ambas as partes devem ser consideradas como detentoras dos mesmos direitos e oneradas como os mesmos deveres, encontrando-se
numa posição de plena paridade entre si e perante o tribunal. Sendo assim, terão idênticas possibilidades de alcançar a justiça a que
têm direito. Significa uma igualdade de posições como sujeitos processuais. O art.4º determina que o tribunal deve assegurar, ao longo
de todo o processo, um estatuto de igualdade substancial das partes, designadamente no exercício de faculdades, no uso de meios de
defesa e na aplicação de cominações e sanções processuais.
Þ Princípio da cooperação (7º)
O artigo determina que na condução e intervenção no processo, devem os magistrados, os mandatários judiciais e as próprias partes
cooperar entre si, concorrendo para se obter, com brevidade e eficácia, a justa composição do litígio. O referido dever de cooperação
tem como limites que legitimam que a pessoa se recuse a obedecer, os que vêm consagrados no art.417º. assim, a recusa é legitima se
a obediência importar: violação da integridade física ou moral das pessoas; intromissão na vida privada ou familiar, no domicílio, na
correspondência ou nas telecomunicações; violação do sigilo profissional ou de funcionários públicos, ou do segredo de Estado, sem
prejuízo do disposto no nº4. Conforme dispõe o art.417º, nº1, todas as pessoas, mesmo que não sejam partes na causa, têm o dever de
prestar a sua colaboração para a descoberta da verdade, respondendo ao que lhes for perguntado, submetendo-se às inspeções
necessárias, facultando o que lhes for requisitado e praticando os atos que forem determinados. O dever de cooperação impõe-se não
só às partes, mas a todas as pessoas.
Þ Princípio da Boa-Fé processual (8º)
As partes devem ter uma atuação processual pautada pelo dever de honestidade. A boa-fé traduz a convicção de agir ou de ter um
comportamento conforme aos princípios da justiça e da lealdade que a cada um se impõem nas suas relações com as outras pessoas.
Dispõe o art.8º que as partes devem agir de boa-fé e observar os deveres de cooperação. As regras da boa-fé devem estar presentes
em todas as relações jurídicas, nomeadamente na formação dos contratos. Quando a parte infringe este dever, incorre em
responsabilidade como litigante de má-fé, podendo ser condenada em multa e em indemnização á outra parte. O art.542º prevê as
situações de má-fé.
Þ Princípio de dever de gestão processual (está conectado com o princípio do inquisitório)
São atribuídas ao juiz um conjunto de faculdades que lhe permitem decidir o modo de tramitação do processo, mas também o poder
de praticar e mandar praticar os atos considerados necessários para uma rápida e justa resolução do litígio. Cumpre ao juiz dirigir
ativamente o processo e providenciar pelo seu andamento célere, promovendo oficiosamente as diligências necessárias ao normal
prosseguimento da ação, recusando o que for impertinente ou meramente dilatório e adotando os mecanismos de simplificação e
agilização processual que garantam a justa composição do litígio em prazo razoável. É imposto ao juiz o dever de organizar o trabalho
do tribunal por forma a que o litígio termine por uma resolução justa com a celeridade possível.

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Þ Princípio da proibição da autodefesa (art.1º CPC)


Tem de considerar-se indispensável a sua utilização, ou seja, tem de verifica-se a impossibilidade de recorrer, em tempo útil, a meios
coercivos normais. Poder ser utilizada. Ação direta dentro dos limites e tomando o agente as precauções que se impõem.
Þ Garantia de acesso aos tribunais (art.2º CPC)
Esta garantia determina que a proteção jurídica através dos tribunais implica o direito de obter, em prazo razoável, a decisão judicial.
O nº2 do mesmo artigo dispõe que a todo o direito, exceto quando a lei determine o contrário, corresponde a ação adequada a fazê-lo
reconhecer em juízo. Não basta, porém, que a lei atribua aos interessados a faculdade de obterem a composição do litígio propondo a
ação adequada no tribunal competente. Como todos sabem, nem sempre as pessoas dispõem dos meios financeiros que lhes permitam
suportar as custas da ação ou os honorários do advogado. O art.20º prevê “a todos é assegurado o acesso ao direito e aos tribunais
para defesa dos seus direitos e interesses legalmente protegidos, não podendo a justiça ser denegada por insuficiência de meios
económicos”.
Þ Princípio da celeridade e da economia processual
Este princípio consiste em procurar obter o máximo resultado da atividade processual desenvolvida. Procura-se que, com o menor
esforço processual possível, se alcance a resolução do máximo de litígios. Pretende-se reduzir o número de processos e evitar os atos
e formalidades desnecessários.
Eu tenho direito à proteção jurídica dos tribunais e tenho direito a uma sentença dentro de prazo razoável. Este prazo é sempre subjetivo
e diferem consoante o tipo de ação judicial.
“Justiça tardia não é justiça.”

Nota:
Ónus diferente de alegar.
Alegar = conduta que a parte deve adotar que, caso contrário, não merece uma sanção, mas resulta numa consequência
desfavorável. Ex: não alegar as provas necessárias, sendo a consequência ficar fora do litigio provas importantes e
causando a perda da ação.

Ónus = dever jurídico, no sentido em que se impõe uma conduta que, no incumprimento, leva uma sanção.

Providências Cautelares – art.362º e seguintes.


O autor pede a tribunal que obrigue o réu a indemnizar, entregar a coisa, etc...
Uma PC nunca tem duração superior a 3 meses.
Requerente à requerido.
O direito requerente está a ser viciado e este tem que ser provado ou convencer que o direito em causa está em grande
risco de ser gravemente viciado,

Fases do Processo Comum

1ª fase à Articulados

a) Petição inicial – vem do autor. Este invoca o seu direito, explica as circunstâncias da violação do ato em
causa. O autor formula um pedido contra o réu.
Citação do réu- ato importante. Cumpre-se o princípio do contraditório.

b) Contestação do Réu – é aqui que se exerce o princípio do contraditório / princípio da defesa. Com o princípio
da celeridade e economia, aqui é permitido que o réu deduza pedidos contra o ator (pedido reconvencional).

c) Réplica – articulado do autor, através do qual este se defende do pedido anterior. Esta fase é constituída pelos
seguintes princípios:
- Princípio do dispositivo – exige que as partes aleguem todos os factos que suportam a sua acusação e defesa.
- Princípio do contraditório – caso não alegue factos, o tribunal não pode suprir e existem deficiências
factuais.

2ª Fase à Fase do Saneamento e Condensação do Processo

Fase inteiramente dominada pelo princípio do inquisitório.

- Irão ser averiguados se estão preenchidos todos os pressupostos do PCP.


- Expurgar do projeto qualquer ilegalidade ou vícios de natureza processual, para que o tribunal não continue a conduzir
uma sentença ilegal.

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Contudo, só é possível sanear alguns vícios. Há vícios que fazem com que a ação caia por completo.
Nesta fase, o juiz, em âmbito de condensação, reúne uma audiência.
- Audiência prévia- o tribunal chama as partes e tenta que exista uma conciliação, ao tentar perceber qual o objeto do
litígio.
- Fixar os temas da prova. O juiz determina quais os factos que estão em litígio e quais os factos que as partes não se
entendem.
Se existirem factos que as partes concordam, estes são declarados.
Aqui o juiz decide quais os factos que as partes devem exercer prova.

3ª Fase à Instrução = produção da prova que o autor e réu vão ter que produzir.

Ónus da prova – meios de prova admissíveis no direito (art.341º CC)


1ª presunções – retirar uma conclusão de um facto desconhecido
2ª confissão – art.452º e ss CPC
3ª prova documental – todos os objetos elaborados (fotos, áudios, desenhos, etc) art.423º e seguintes CPC.
4ª prova pericial – art.388º e seguintes CC / art.423º e seguintes CPC
5ª prova por inspeção – art.390º e seguintes CC / art.490º e seguintes CPC
Esta prova permite que o tribunal/juiz de desloque ao local em questão para perceber o que aconteceu, como em casos
de acidentes, de forma a tirar as suas próprias conclusões.

6ª prova testemunhal – a mais importante. Art.392º e ss CC/ art.498º e ss CPC

4ª Fase à Audiência Final = Julgamento

- Alegações finais
- Apreciação conjunta do litigio
- Advogados deverão demonstrar que estão provados todos os factos, tornando possível fazer um pedido. O
réu e seu advogado deverão contrapor e etc.

5ª Fase à Sentença

6ª Fase à Recurso (opcional)

Alguém não concorda e recorre a um tribunal hierarquicamente superior.

7ª Fase à Recurso (caso o réu não cumpra a sentença)

Propor ação executiva, para forçar o réu a executar uma determinada ação.

Art.6º CPC - ainda tem o princípio do inquisitório

Art.411º CPC - o juiz está sujeito às provas. O juiz pode indicar a produção de provas diferentes daquelas induzidas
pelas partes.

Art.342º CPC - ónus da prova


A figura do ónus da prova é crucial para o juiz quando este tem uma dúvida insanável. O juiz vai perguntar quem é
que, produzindo o ónus da prova, o deveria convencer. Se o autor não conseguir provar, ele não o tendo convencendo
vai decidir a favor do réu. Se o ónus da prova cabia ao réu, se este não convencer o juiz, decide a favor do autor,
condenando o réu.

Art.7º CPC - vai onerar todos os intervenientes da justiça.


Art.8 º CPC

Questão de Mérito – questões fundamentais, de facto ou direito, que constituem o principal objeto da causa.

Absolvição do réu da instância – pressupõe que, no conhecimento do juiz, deteta um vício processual e não pode
apreciar o mérito.

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Numa ação judicial, civil ou administrativa, existe absolvição da instância sempre que o juiz verifica a existência, entre
outras, de alguma das seguintes situações: a incompetência absoluta do tribunal; a anulação de todo o processo; a falta
de personalidade judiciária ou a representação indevida ou falta de autorização de incapaz; a ilegitimidade de alguma
das partes e a procedência de alguma outra exceção dilatória.
Nestas situações, o juiz deve abster-se de conhecer do pedido e absolver o réu da instância. Significa, portanto, que o
juiz nada decide quanto ao mérito da causa, apenas se extinguindo aquela relação processual das partes em litígio. Por
este motivo, a absolvição da instância não obsta, nos termos legais, a que se proponha uma outra ação sobre o mesmo
objeto, não constituindo a nova ação, caso venha a ser proposta, exceção de caso julgado (artigo 279.º, n.º 1, do CPC)
Porém, não haverá lugar à absolvição da instância sempre que a falta ou irregularidade constatada tenha sido
posteriormente sanada, assim como nos casos em que ainda que subsistam, destinando-se a tutelar o interesse de uma
das partes, nenhum outro motivo obste, no momento da apreciação da exceção, a que se conheça do mérito da causa e
a decisão deva ser integralmente favorável a essa parte.

Réu absolvido do Pedido – não deu razão ao autor e a consequência é não poder voltar a requerer o mesmo pedido/a
mesma ação com os mesmos fundamentos e autores. Nestas situações, o juiz deve abster-se de conhecer do pedido e
absolver o réu da instância. Significa, portanto, que o juiz nada decide quanto ao mérito da causa, apenas se extinguindo
aquela relação processual das partes em litígio.
Numa ação judicial, civil ou administrativa, existe absolvição do pedido sempre que o juiz, pronunciando-se sobre o
mérito da questão, julga improcedente a pretensão do autor, isto é, o seu pedido, seja porque os factos constitutivos da
mesma não ficaram demonstrados, seja porque foi julgada procedente alguma exceção perentória, isto é, factos que
impedem, modificam ou extinguem o efeito jurídico dos factos articulados pelo autor. A absolvição do pedido por ser
pronunciada no despacho saneador, sempre que o estado do processo permita, sem necessidade de mais provas, a
apreciação, total ou parcial, do ou dos pedidos deduzidos ou de alguma exceção perentória. (artigo 595.º, n.º 1, al. b),
do Código de Processo Civil). Caso contrário, será pronunciada na sentença. Transitada em julgado a absolvição do
pedido, fica o autor impedido de, nos termos legais, propor uma outra ação sobre o mesmo objeto. Fazendo-o, verificar-
se-á a exceção dilatória de caso julgado, de conhecimento oficioso, que conduzirá à absolvição da instância (artigos
577.º, al. i), e 578.º do Código de Processo Civil).
Sentença – art.152º CPC. Estas colocam fim à causa.

Despachos – decisões que o tribunal vai tomando ao longo do processo, mas não finita o processo.

Instância = Processo – art.259º e seguintes CPC.

Suspensão da Instância – art.269º CPC


Extinção da Instância – art.277º CPC
Absolvição da Instância – art.278º e 279º CPC

Trânsito em julgado à não é suscetível de recurso. Ganha força obrigatória geral.


Art.619º e seguintes CPC.

Relação processual = requisitos processuais

Requisitos Processuais – devem estar preenchidos no início da ação e o autor deve preocupar-se com todos eles.

1. Personalidade Judiciária

O artigo 11 dispõe que a personalidade judiciária consiste na suscetibilidade de ser parte. Partes são as pessoas que
requereram, ou contra as quais foi requerida a providência judiciária que se pretende alcançar através da ação. O
processo exige 2 partes, pelo menos, em posições opostas. A primeira chama-se autor, requerente o demandante. A
segunda toma a designação de réu, requerido o demandado. As partes devem ficar logo identificadas na petição inicial.
Porém, outras partes podem vir a ter intervenção no processo quer em substituição daquelas quer ao lado delas.
A personalidade judiciária é definida na lei segundo o critério da coincidência. De acordo com este critério, quem tiver
personalidade jurídica tem igualmente personalidade judiciário.
Tem personalidade judiciária – todos os que podem ser partes, como pessoas singulares, pessoas coletivas, etc...

No art.12º CPC, menciona as coisas que têm personalidade judiciária, apesar de não terem personalidade jurídica.

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a) Herança jacente – este tipo de herança ainda não tem titular. os credores não podem instaurar um processo
contra o morto ou os herdeiros que desconheçam, instaura sobre o património.
b) Comissões especiais. Ex: de festas.
c) Sociedades civis – conjunto das organizações voluntárias que servem como mecanismos de articulação de
uma sociedade, por oposição às estruturas apoiadas pela força de um estado.
d) Sociedades comerciais – não têm personalidade jurídica porque não estão registadas.
e) Condomínio – gestão de partes

No art.13º:
Sucursal – ex: empresa – mãe com sede em Lisboa e que tem sucursais espalhadas a território nacional, como bancos,
supermercados.

A falta de personalidade judiciária e, em princípio, insanável. Significa ISTO que, tendo sido constatada a sua falta,
seja do lado do autor ou do lado do réu, no tribunal deverá proferir despacho em que diz abster-se conhecer o pedido,
absolvendo o réu da instância, como dispõe o artigo 278º, nº1, c). o artigo 14 prevê uma exceção quando a sessão foi
indevidamente proposta contra a sucursal, agência, filial, delegação à representação, a falta de personalidade judiciária
pode ser sanada mediante a intervenção da administração principal e a ratificação ao repetição do processado.

2. Capacidade Judiciária

Para que o juiz possa conhecer do mérito da causa não basta que as partes tenham personalidade judiciária. É necessário
que possuam igualmente capacidade judiciária. A capacidade judiciária pode entender-se com uma aptidão para
adquirir direitos e para os exercer. Sendo assim, podemos considerar 2° de capacidade: a capacidade de gozo de direitos
e a capacidade de exercício desses direitos. Na generalidade, as pessoas têm capacidade de gozo de direitos, o que se
traduz na sua capacidade jurídica. NOS termos do que dispõe o artigo 67 do código civil, as pessoas podem ser sujeitas
de quaisquer relações jurídicas, salvo disposição legal em contrário, nisto consiste a sua capacidade jurídica.
Qualquer ser humano pode tornar-se sujeito de direitos e obrigações. Essa capacidade de adquirir direitos denomina-se
capacidade de gozo. Em princípio toda a pessoa física tem plena capacidade de gozo. No entanto, a lei, por vezes,
impõe algumas restrições é essa capacidade de gozo. Assim, o médico que tratou certa pessoa não pode beneficiar das
disposições testamentárias do seu favor, se o testamento for feito durante a doença do testador ou este vier a falecer
dela. As incapacidades de exercício de direitos referem-se os artigos 123 (incapacidade dos menores) e 138 e seguintes
(regime do maior acompanhado) do código civil.
Conforme define o artigo 15, a capacidade judiciária consiste na suscetibilidade de estar, por si, em juízo. A
possibilidade de estar por si mesmo em juízo, significa também o poder de escolher livremente quem o represente na
ação. Aqueles que não possuem capacidade judiciária não podem estar por si mesmos em juízo nem por meio de
representante por si livremente escolhido o seu representante é imposto por lei.
Quem tem capacidade judiciária à quem tem capacidade de exercícios.

Art.15º CPC – quem tem a capacidade do exercício de direitos, tem capacidade judiciária. Contudo, quem tem
limitações no exercício de direitos, irá ter também limitações na capacidade judiciária.

Art.16º CPC – suprimento da incapacidade.

Há incapazes que ainda nem são de direito, pois não foram sujeitos ao processo de maior acompanhado. Art.17º CPC
– representação por curador especial/provisório.

Existe uma diferença entre:


- maior acompanhado sujeito à representação – quando a deficiência/problema é profundo – art.16º CPC
- maior acompanhado não sujeito à representação – significa que estes podem intervir em todas as ações que são parte
e devem ser citados como réus (citação- feita à parte passiva de forma a exercer o principio do contraditório)- art.19º
CPC.

Art.20º CPC- pessoas impossibilitadas de receber a citação. Pode acontecer quando um deficiente ainda não passou
pelo processo de maior acompanhado ou a pessoa está numa situação temporária impossibilitada de ser citada (ex.
coma).
Nesta situação, se o réu for citado, é designado um curador especial que irá ser citado de forma a executar todas as
faculdades processuais, até que seja necessário, isto é, até a pessoa “principal” ser capaz de ser citada ou que o processo
de maior acompanhado esteja terminado.

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Art.21º CPC- o Ministério Público também intervém no direito civil, uma intervenção completamente diferente do
direito penal.
Aqui, quando este intervém, é para fazer cumprir a legalidade do processo e defender os interesses de alguém que é
réu, mas que não se pode defender, como os ausentes ou incapazes.
Caso uma pessoa seja impossível de encontrar à ausência em parte incerta.
Isto resulta na necessidade de existir uma citação edital - Isto é feito através de anúncios na câmara municipal da última
morada de residência e em anúncios informáticos na direção geral. Art.240º CPC. Isto acontece na expetativa que
alguém reconheça a pessoa em causa. Maior parte das vezes, ninguém se chega à frente, visto que é tudo feito
eletronicamente e raramente alguém vai verificar. Antigamente era publicado no correio da manhã.
Nestes casos, o réu é a parte mais fraca do processo e chama-se, assim, o Ministério Público, para o representar. A falta
de contestação do ausente é uma das exceções ao principio da alegação dos factos, visto que o réu está ausente e o
ministério não está informado sobre os factos. O trabalho do MP é ter a certeza se todo o processo está conforme a lei,
como por exemplo os prazos de prescrição, caducidade, etc.

Art.22º CPC – Representação dos incertos


Há situações que as ações são propostas contra pessoas incertas, porque eu não tenho a certeza de quem são as pessoas
a quem eu quero fazer valer o meu direito.

Ação de reivindicação – art.1311º CC.


Esta ação tem sempre a necessidade de obter uma sentença possível de exercer perante qualquer pessoa, daí a
representação dos incertos.

Art.24º CPC – o Estado aparece no processo quando este intervém em relações jurídicas com os particulares. Contudo,
há relações que o estado estabelece com os particulares, em que o estado aparece no mesmo nível dos particulares,
despindo assim o seu pode de autoridade.
Art.25º CPC - Pessoas coletivas – art.157º CC.
Estas podem ter personalidade jurídica, e a representação da mesma faz-se através dos seus legais representantes, sejam
diretores, gestores, etc.

3. Legitimidade das Partes

Para que o juiz possa conhecer do mérito da causa, torna-se necessário que as partes tenham legitimidade para a ação.
A personalidade e a capacidade judiciárias constituem uma qualidade das partes, genericamente exigida para todos os
processos ou alguns deles, ao passo que a legitimidade consiste na posição das partes numa determinada ação. Significa
que o autor é o titular de direito e que o réu é um sujeito da obrigação, considerando que o direito e a obrigação na
verdade existem um Ponto Final assim, a parte terá legitimidade como autor, se for ela quem juridicamente pode fazer
valer a pretensão perante o réu, admitindo que a pretensão tenha existência. A parte terá legitimidade como réu, se for
ela a pessoa que juridicamente se pode opor à pretensão do autor, por ser a pessoa cuja esfera jurídica é diretamente
atingida pela providência requerida, se a ação vier a proceder. Se tal não se verificasse, ISTO é, se as partes fossem
ilegítimas, a decisão que viesse a ser proferida sobre o mérito da causa não teria eficácia, visto que não poderia vincular
os verdadeiros titulares da relação jurídica litigiosa, ausentes da lide. É portanto necessário que estejam em juízo, na
posição de autor e de réu, as pessoas que são os titulares da relação jurídica controvertida. O artigo 30 define a
legitimidade servindo-se do critério do direto interesse que a parte pode ter em demandar ao encontro a dizer. assim, o
autor é parte legítima quando tem interesse directo em demandar e o réu é parte legítima quando tem interesse directo
em contradizer. Como por exemplo, o credor tem interesse direto em pedir ao Tribunal que condene o devedor no
pagamento da importância que este deve.
As partes legítimas do processo são os titulares ou sujeitos da relação jurídica que está a ser discutida na ação judicial,
isto é, da relação jurídica de direito substantivo que é litigiosa, ou seja, que causou um litigio entre as partes (relação
material controvertida).
Art.30º CPC.
Art.30º e seguintes CPC.
Por vezes, podem existir, em cada um dos lados (ativo e passivo), vários autores.
O litisconsórcio e a coligação correspondem a questões de legitimidade das partes e em que se encontra sempre
pluralidade das partes.

No litisconsórcio existe pluralidade das partes, mas o que está em causa no processo é uma única relação material
controvertida.

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Na coligação existe também pluralidade das partes, mas está em causa várias relações materiais controvertidas. Esta é
sempre voluntária, visto que depende da vontade do autor/autores.

A __________ B e C
A empresta dinheiro a B e C.
B e C não pagam.

A propõe uma ação contra B e C (pluralidade de réus).


Como na parte passiva, está presente uma pluralidade de réus, isto é um litisconsórcio.
Está presente uma relação material controvertida.

Apartamento A
Apartamento B à D (construtor)
Apartamento C

Os apartamentos apresentam problemas.


Podem A, B e C propor uma ação contra D, construtor do edifício.
Aqui estão a ser discutidas três relações materiais controvertidas (contrato de CV de A, contrato de CV de B e contrato
de CV de C).
Esta é uma situação de coligação, pois existe pluralidade de partes, mas existem várias relações materiais
controvertidas. No litisconsórcio, existe apenas uma relação.

António e Manuel são comproprietários (art.1403º CC) de uma fração autónoma sita em Portimão. Estes têm
conhecimento que D ocupa ilicitamente o seu prédio.
António e Manuel vão ter que propor uma ação de reivindicação (art.1311º cc).
O litígio é a ocupação de D.
Contudo, na parte ativa, existe pluralidade de partes e apenas uma relação substantiva.
Estamos por isso, perante um litisconsórcio.

Vamos admitir que A e B foram atropelados pelo C.


Na sequência, A fica com um relógio caro partido e exige que o C lhe pague 11.000€ e B fica incapacitado fisicamente.
É preciso reagir contra D.
São relações jurídicas distintas, por isso estamos perante uma situação de coligação.
Devido ao princípio da economia e celeridade do processo, permite-se que os autores se associem, em vez de cada um
propor duas ações separadas, visto que os factos do acidente e a culpa é exatamente a mesma. Mas eles podiam sim
propor ações separadas, mas a lei permite que se juntem.

Nota:
Existe três tipos de comunhão:
Compropriedade – art.1403º CC
Comunhão conjugal –
Comunhão hereditária -

Litisconsórcio - existe pluralidade das partes, mas o que está em causa no processo é uma única relação material
controvertida.
O termo litisconsórcio serve para exprimir a imagem de várias pessoas que, no mesmo processo civil, correm a mesma
sorte, associadas que estão no lado do ataque ou no lado da defesa.
O litisconsórcio pode ser:
- necessário – art.33º CPC - a falta de uma das partes, conduz à ilegitimidade.
- voluntário – art.32º CPC - a falta de uma das partes, não conduz à ilegitimidade.
Em alguns casos, a pluralidade de partes não é obrigatória. Quer dizer, é permitido que só o autor e o réu tenham
intervenção no processo, embora os restantes interessados também o possam fazer, se assim o quiserem, colocando-se
ao lado um do outro. Trata-se de litisconsórcio voluntário.
Noutros casos, é exigida a intervenção de todos os interessados. Estamos perante o litisconsórcio necessário.
Sendo voluntário o litisconsórcio, o único efeito resultante da não intervenção dos diversos interessados traduz-se
apenas na perda dos benefícios que poderiam ser colhidos. Assim, se o credor demandar apenas um dos vários
devedores conjuntos, só poderá obter a condenação daquele réu no cumprimento da quota-parte da sua responsabilidade

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– nº1, art.32º, 2ª parte. A não intervenção de outros interessados nenhuma influencia terá sobre a legitimidade daquele
ou daqueles que estão no processo.
Já no litisconsórcio necessário, a não intervenção de todos os interessados dá origem a uma situação de ilegitimidade
daquele ou daqueles que estão no processo.
Neste, as partes apresentam-se como se fossem uma única, ao passo que no litisconsórcio voluntário, as partes mantêm
uma posição de autonomia.
Isto resulta claramente da lei ao determinar que no caso de litisconsórcio necessário, há uma única ação com pluralidade
de sujeitos; no litisconsórcio voluntário há uma simples acumulação de ações, conservando cada litigante uma posição
de independência em relação aos seus compartes – art.35º CPC.
Facilmente se compreende que a ilegitimidade plural só pode verifica-se no caso de litisconsórcio necessário. É o que
acontece quando não figurarem do lado ativo ou do lado passivo todos os interessados cuja presença se impõe. Nestes
casos, faltando algum deles, essa falta acarreta a ilegitimidade das restantes.

Litisconsórcio voluntário – em regra geral, o litisconsórcio é voluntário para a generalidade das relações jurídicas
com pluralidade dos sujeitos. Estes não têm necessariamente que intervir na ação. Só intervêm se assim o desejarem.
A ação pode ser intentada por todos os interessados ou contra todos eles. Assim, são possíveis várias situações; pode o
autor propor a ação contra vários réus; depois de proposta a ação, pode o autor ou o réu promover a intervenção de
terceiros. Esta faculdade resulta do disposto no art.32º: se a relação material controvertida respeitar a várias pessoas, a
ação respetiva pode ser proposta por todos ou contra todos os interessados; mas, se a lei ou o negócio for omisso, a
ação pode também ser proposta por um só ou contra um só dos interessados, devendo o tribunal, neste caso, conhecer
apenas da respetiva quota-parte do interesse ou da responsabilidade, ainda que o pedido abranja a totalidade.
Nas obrigações solidárias, o credor pode, em vez de propor a ação apenas contra um, demandar conjuntamente os
devedores – art.517º, nº1 CC. Existe vantagem em demandar os vários devedores quando se pretende obter um titulo
executivo (a sentença) contra todos eles. Não ficará abrangido pelo efeito do caso julgado aquele que não tenha sido
parte na ação, como é óbvio,
Servindo-nos do exemplo referido, o credor da obrigação solidária não poderá obter uma decisão válida relativamente
a todos os devedores, se optar por demandar apenas um dos devedores pela totalidade do crédito – art.522º, conjugado
com os artigos 512º, nº1 e 518º CC.
No entanto, mesmo que demandado apenas um dos devedores, não deixa de estar assegurada a legitimidade, disposto
no nº2 do art.32º CPC.
No domínio das obrigações conjuntas, o credor que intente a ação apenas contra um dos diversos devedores, só poderá
obter decisão respeitante à sua quota da divida – nº1 do art.32º CPC.

Litisconsórcio Necessário – diz-se necessário quando todos os interessados devem demandar ou ser demandados. A
falta de qualquer dos interessados, é, portanto, fundamento de ilegitimidade dos que intervieram na ação. Por outras
palavras, os intervenientes na ação não têm legitimidade, se desacompanhados dos restantes que nela deviam figurar.
O litisconsórcio diz-se necessário quando a lei ou o negócio jurídico exigir a intervenção de todos os interessados na
relação controvertida. Deste modo, o litisconsórcio necessário pode ser legal ou convencional. Imposto por lei,
podemos referir o caso das ações que têm de ser proposta por ambos ou contra ambos os cônjuges, previsto no art.34º
CPC.
Este preceito distingue entre legitimidade ativa e passiva.
Devem ser propostas por ambos os cônjuges, ou por um deles com o consentimento do outro, as ações de que possam
resultar a perda ou oneração de bens que só por ambos possam ser alienados ou a perda de direitos que só por ambos
possam ser exercidos, incluindo as ações que tenham por objeto, direta ou indiretamente, a casa de morada da família
– nº1, art.34º CPC.
A lei substantiva determina, em função do regime de bens do casamento, quais os bens e direitos que só podem ser
alienados ou exercidos por ambos os cônjuges – art.1717º e seguintes CC.
Quanto à casa de morada da família, art.1682º e ss CC.
Em vez de ser proposta por ambos os cônjuges – litisconsórcio necessário ativo – pode a ação ser instaurada por um
deles com o consentimento do outro. Se o cônjuge não der o seu consentimento para a propositura da ação, a falta pode
ser judicialmente suprida, aplicando-se, com as necessárias adaptações, o disposto no art.29º a 34º, nº2 CPC.
O processo de suprimento de consentimento no caso de recusa encontra-se regulado no art.1000º.
Devem ser propostas contra ambos os cônjuges – legitimidade passiva – as ações emergentes de facto praticado por
ambos, as ações emergentes de facto praticado por um deles, mas em que pretenda obter-se decisão suscetível de ser
executada sobre bens próprios do outro, e ainda as ações compreendidas – nº3, art.34º CPC.
Desta forma, verifica-se a situação de litisconsórcio necessário passivo quando a ação diz respeito a um facto praticado
por ambos os cônjuges, quando respeita a dívidas comunicáveis (art.1691º e 1695º CC), quando da ação possa resultar

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a perda ou oneração de bens que só por ambos possam ser alienados ou a perda de direitos que só por ambos possam
ser exercidos, incluindo as ações que digam respeito à casa de morada de família.
O litisconsórcio pode também ser necessário por exigência do negócio jurídico, como dispõe o nº1 do art.33º CPC.
Trata-se de litisconsórcio necessário convencional.
Quando, por exemplo, duas ou mais pessoas efetuam um depósito podem convencionar que a coisa só por todos os
depositantes em conjunto possa ser levantada. Em virtude desta convenção (negócio jurídico), deve ser proposta por
todos os depositantes a ação em que se pede a restituição da coisa depositada. A falta de qualquer dos interessados
origina a ilegitimidade dos restantes.
Conforme disposto o art.33º, n º2, é igualmente necessária intervenção de todos os interessados quando, pela própria
natureza da relação jurídica, ela seja necessária para que a decisão a obter produza o seu efeito útil normal.
A ____ contrato de arrendamento______ B / C (não casados).
Por alguns motivos, o senhorio quer propor uma ação de despejo, isto significa que quer cessar o contrato de
arrendamento.
Nesta relação jurídica, existe um litisconsórcio necessário porque, se excluir o B por exemplo, não se pode excluir a
relação jurídica de arrendamento. Se se excluísse o B, existiria ilegitimidade, visto que o contrato é para com B e C.

A ___ contrato de arrendamento____ B/C


B e C (não casados) possuem várias dividas para com A.
B e C são ambos responsáveis (art.513º CC). Litisconsórcio voluntário. Mesmo que falte uma das partes, existe
legitimidade para o juiz apreciar a ação.
Outros exemplos de voluntário:
- Proprietário de prédio A vê o seu prédio em risco porque um outro prédio B ao pé do seu em regime de
compropriedade, está a causar danos. O proprietário do prédio A terá que propor ação contra todos os proprietários do
prédio B. os proprietários terão que responder, consoante as suas quotas.

- A, B e C são coproprietários de um prédio X que vem a ser ocupado por D. Desta forma, é preciso propor uma ação
de reivindicação (direito de propriedade). Art.1405º CC. É um exemplo de um caso que a lei permite que o direito seja
exercido apenas por uma das partes.

Art.34º CPC –
Regime de Separação de bens
Ação de divisão de coisa comum – art.925º ss CPC
Processo de inventário – art.1082º ss CPC - ação especial adequada a dividir os bens.
Compropriedade – cessa através de ação de divisão de coisa comum.
Art.1682º- A - todas as ações que tem como objeto a casa de família, carece sempre do consentimento do outro cônjuge.
Ex: A compra uma casa aos 18 anos. Aos 20, casa com B. anos depois quer alienar a casa. Mesmo tendo sido feita a
compra antes do casamento, nos termos do nº1 do art.1682º- A, é necessária a autorização do cônjuge. Caso o cônjuge
não aceite, o A pode ir a tribunal e este vai analisar se é legitima a falta de autorização por parte do cônjuge.
Art.1691º- dividas que responsabilizam ambos os cônjuges. Casos de litisconsórcio necessário.

Coligação – diferentemente do litisconsórcio, em que existe uma pluralidade de partes e unidade de pedidos, na
coligação há uma pluralidade de partes e pluralidade de pedidos.
Na coligação, verifica-se uma diversidade de partes e também de relações jurídicas materiais em litígio. A cumulação
justifica-se pela unicidade da fonte de onde promanam. Assenta numa pluralidade de partes e numa pluralidade de
pedidos formulados por vários autores ou contra vários réus. Por isso, se trata de uma faculdade e não de uma imposição.
É permitida a coligação de autores contra um ou vários réus e é permitido a um autor demandar conjuntamente vários
réus, por pedidos diferentes, quando a causa de pedir seja a mesma e única ou quando os pedidos estejam entre si numa
relação de prejudicialidade ou de dependência – nº1 do art.36º CPC.
Conforme se verifica, vários autores podem coligar-se contra um ou vários réus e o autor pode demandar vários réus
por pedidos diferentes nos seguintes casos:
1) Quando a causa de pedir que está na base dos diferentes pedidos formulados seja a mesma e única.
2) Quando os pedidos estejam entre si numa relação de prejudicialidade ou de dependência.

A causa de pedir é o ato ou facto jurídico de onde emerge a pretensão deduzida pelo autor – art.581º, nº4. A causa de
pedir tem de ser a mesma e ser única. É o que se verifica quando as vítimas do mesmo acidente de viação demandarem,
na mesma ação, a companhia de seguros do veículo. Dado que a coligação é voluntária, a falta de alguma das vítimas
na ação não determina a ilegitimidade da outra ou das outras.

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Entre os pedidos verifica-se uma relação de prejudicialidade quando a decisão de um pode influir na decisão de outro.
Existe relação de dependência entre os pedidos quando o conhecimento de um deles só pode ter lugar no caso de se
verificar a procedência do outro. É igualmente lícita a coligação quando, sendo embora diferente a causa de pedir, a
procedência dos pedidos principais dependa essencialmente da apreciação dos mesmos factos ou da interpretação e
aplicação das mesmas regras de direito ou de cláusulas de contratos perfeitamente análogas – nº2, art.36º CPC.
Assim, admite-se a coligação quando a procedência dos pedidos principais dependa essencialmente:
- Da apreciação dos mesmos factos;
- Ou da interpretação e aplicação das mesmas regras de direito;
- Ou da interpretação e aplicação de cláusulas de contratos perfeitamente análogos.

Por último, é admitida a coligação quando os pedidos deduzidos contra os vários réus se baseiam na invocação da
obrigação cartular, quanto a uns, e da respetiva relação subjacente, quando a outros – nº3, art.36º. É o que se verifica
quando, na coligação de réus, uns são demandados como subscritores de um título de crédito e outro ou outros com
base na obrigação subjacente que deu origem àquele título.
Para que seja permitida a coligação, torna-se necessário que não se verifique nenhum dos obstáculos previstos no art.37º
CPC.

Como sanar a ilegitimidade? Só poderá falar-se de ilegitimidade NOS casos em que se verificar divergência entre as
pessoas identificadas pelo autor e as que realmente foram chamadas a juízo, ou seja, quando estas pessoas não são os
sujeitos da relação controvertida delineada pelo autor. Nestes casos, a ilegitimidade constitui uma exceção dilatória,
conforme resulta do disposto NOS artigos 576 e 577. Em consequência, por força do que dispõe o artigo 278, o juiz
deve abster-se de conhecer do pedido e absolver o réu na instância. Em legitimidade plural pode verificar-se no caso
de litisconsórcio necessário. Como também se disse, a falta de algum dos interessados, quer do lado ativo, quer do lado
passivo, gera a ilegitimidade de quem está em juízo não devidamente acompanhado. Significa ISTO que ilegitimidade
é sanável mediante intervenção da parte cuja falta gera esse vício, NOS termos do artigo 261.

4. Patrocínio Judiciário

O Patrocínio judiciário consiste na assistência técnica prestada às partes por profissionais do fórum. Das partes não têm
os conhecimentos indispensáveis para conduzir o pleito e, por isso, devem estar representadas em juízo por técnicos
devidamente habilitados para o fazer. É sempre conveniente que não sejam as próprias partes a conduzir diretamente a
defesa dos seus interesses no processo, por lhes faltar a serenidade desinteressada para esse efeito. Pelas razões
expostas, o artigo 40 torna obrigatória a Constituição de advogado NOS casos previstos. O Patrocínio judiciário é
exercido plenamente pelos advogados e, em termos limitados, pelos advogados estagiários e pelos solicitadores.
Representação das partes do processo por profissionais forenses, isto é, advogados, solicitadores e advogados
estagiários.
Se as partes não tiverem representadas, carece de um vício processual.
Este patrocínio representa um contrato mais abrangente e uma modalidade do contrato de mandato.

Patrocínio judiciário ≠ Apoio Judiciário (quando a parte não tem condições financeiras e este apoio é dado pela
segurança social).

Quando é obrigatório o patrocínio judiciário?


Em todas as causas é admitida a intervenção de advogados em representação das partes. Porém, há causas em que, pela
sua importância ou pela sua natureza, essa intervenção se torna obrigatória. Só nestas causas se poderá falar do
pressuposto processual do Patrocínio judiciário. Nas outras causas, a intervenção do advogado é apenas facultativa, o
que equivale a dizer que as partes podem litigar por si. Alínea a do artigo 40 refere-se às causas da competência dos
tribunais de primeira instância. A admissibilidade de recurso ordinário resulta da conjugação do valor da ação com o
da alçada do Tribunal de que se recorre e ainda com o valor da sucumbência (629º). é admissível recurso ordinário nos
casos em que o valor da ação é superior ao da alçada do Tribunal de que se recorre, quando o valor em que a parte
decaiu (sucumbência) é também superior a metade dessa mesma alçada.
a alínea b) refere as causas em que é sempre admissível recurso quaisquer que sejam aqueles valores. Os números 2 e
3 do referido artigo 629º fazem alusão a essas causas cujas decisões admitem sempre recurso independentemente do
valor da causa e da sucumbência.
A propósito da alínea c), convém lembrar o seguinte: geralmente as causas são propostas nos tribunais de primeira
instância. Porém, há casos em que são propostas no tribunal da relação, funcionando então como Tribunal de primeira
instância, Como por exemplo as ações de indemnização contra magistrados.

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Em suma, nos tribunais superiores é sempre obrigatória a Constituição de advogado, quer para a propositura das ações
NOS casos e que têm o seu início no tribunal da relação, quer nos casos em que as causas sobem ao Tribunal superior
pela via do recurso. Mesmo NOS casos em que é obrigatória a Constituição de advogado, podem as próprias partes,
por si sós, fazer requerimentos que não envolvam questões do direito (nº2 do 40º).
Art.40º CPC:
Tribunais com alçada – art.44º da lei 62/2013 – refere-se às causas de valor que os tribunais julgam sem possibilidade
de recurso. Alçadas apenas existem na 1ª e 2ª instância. Alçada 2ª instância – 30.000€. Alçada 1ª instância – 5.000€.
O decaimento deve ser 2.500º na 1ª instância e 15.000€ na 2ª. Quando os decaimentos são inferiores, não existe tutela
jurídica para recorrer a outra instância superior.

Art.296º e 303º CPC – art.629º, nº1 CPC - para poder recorrer basta 1 cêntimo.

A propõe ação contra B.


A exige 6.000€ contra B.
Sentença final – condenação a B de 4.000€.
É necessário constituir advogado nas ações cujo valor ultrapassa 5.000€.
Aqui, B pode recorrer. A não pode porque não decaiu 2.500€, decaiu apenas em 2.000€ por isso não pode recorrer.
Nota:
1ª instância – tribunal comarca
2ª instância – tribunal da relação
3ª e última – supremo tribunal de justiça
Ações que entram diretamente nos tribunais superiores- situações muito restritas:
- ações contra magistrados
- processo especial de revisão de sentença estrangeira, art.978º ss CPC, isto acontece para garantir que não são
executadas sentenças estrangeiras que possam violar direitos constitucionais portugueses, como a pena de morte.

Art.40º, nº1, b) - São litígios em que tendo em conta a natureza dos direitos que estão a ser discutidos no processo,
merecem que o recurso seja sempre admissível.

Causas que não é preciso advogado – art.42º CPC – inferiores a 5.000€, não passiveis de recurso.

Consequências de não existir patrocínio judiciário/advogado?


Art.41º CPC.
Se existir um vício, o tribunal convida o autor a regularizar o vício.
Caso o autor não resolva o vício, a consequência é a absolvição do réu.
Caso seja o réu a não ter advogado, a consequência é ficar sem efeito a sua defesa. Não tendo efeito a sua defesa,
condisseram-se confessados os factos articulados pelo autor.

O modo de semana são da falta da Constituição de advogado e as consequências dessa falta encontram-se reguladas no
artigo 41. Nos termos deste preceito legal que, se a parte não constituir advogado, sendo obrigatória a Constituição, o
tribunal, oficiosamente ao requerimento da parte contrária, fá-la-á notificar para o constituir dentro do prazo certo.
Se o vício não for sanado dentro do prazo fixado, o juiz proferirá despacho de absolvição do réu da instância, quando
a falta é do autor. Se o mandatário bem falta for do réu e não for sanada a falta no prazo acima referido, ficará sem
efeito a defesa que tiver apresentado. Se a falta de advogado constituído se verificar na fase de recurso, este não terá
seguimento.
Não se pode confundir a falta de Constituição de advogado com a falta de procuração. Neste caso, o ato processual foi
praticado por advogado, mas este não juntou aos autos a respetiva procuração. O juiz fixará um prazo para o fazer. Se
a procuração que junta agora ao processo tem data anterior ao ato praticado, a junção virá tudo sanar. Se a procuração
foi passada com data posterior, a parte terá de ratificar o ato praticado pelo advogado.
Paulo

Como se confere o mandato?


Os poderes de representação em juízo são conferidos ao advogado pela parte por meio de mandato judicial o mandato
judicial pode ser conferido por meio de instrumento Público ao particular, nos termos do código do notariado e da
legislação especial. Considera-se mandato forense o mandato judicial conferido para ser exercido em qualquer tribunal
um, incluindo os tribunais ou comissões arbitrais e julgados de paz. o mandato judicial também pode ser conferido por
declaração verbal da parte no auto de qualquer diligência que se pratique no processo (43º).
Art.43º CPC.

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Confere-se através da procuração forense e a forma que esta pode assumir é resultar de documentos escritos, podendo
as partes atribuir uma forma superior como uma assinatura, escritura. A forma mínima é o documento escrito.
Também pode ser conferido por uma diligência em tribunal (audiência).
Quem assina o mandato é o mandante para conferir os poderes ao mandatário. Não é necessária a assinatura do
mandatário, mas é preciso uma aceitação (nº4, art.44º).

Sub estabelecimento - Consiste na transferência total ou parcial para outro advogado, dos poderes que lhe foram
conferidos. O substabelecimento é feito pela mesma forma da procuração e pode ser:
- sem reserva - implica a exclusão do anterior mandatário (nº3, 44º). ISTO significa que o mandatário põe termo ao
mandato que anteriormente lhe foi conferido pela parte, sendo substituído por outro advogado. Terá de haver portanto
prévia autorização do mandante para que se proceda a total transferência de poderes.
- com reserva - Haverá uma pluralidade de mandatários. Em qualquer altura o primeiro mandatário poderá reassumir
os poderes de representação e Patrocínio

Poderes transmitidos através do mandato?


Art.44º, nº1 CPC.
Art.45º CPC.
Poderes gerais forenses - permitem ao advogado tramitar o processo e praticar os atos de gestão processual correntes.
Poderes especiais forenses – aqueles que permitem ao advogado dispor do direito ou obrigação como se fosse a parte,
ex: confessar o pedido, fazer um acordo, desistir do pedido, etc. Sempre que se confessa em nome do cliente e a outra
parte aceitar, a confissão já não pode ser retirada

Art.46º CPC.
Como cessa o mandato?
Três maneiras:
- circunstância do processo chegar ao fim, como sentença transitada injulgado.
Antes da causa findar:
- revogação do mandato, sempre que é o mandante a revogar.
- ser o próprio mandatário a renunciar o mandato.

Depois de renuncia/revogação, a parte fica sem mandatário e os efeitos desta renúncia dependem consoante se a causa
constitui obrigatoriedade na constituição de advogado – art.47º CPC - Se a falta de mandatário continuar 20 dias depois,
não se praticam atos, não se contam prazos, o processo para.

Art.277º e 281º- deserção – suspensão da instância durante 6 meses (art.281º). se ultrapassar os 6 meses, extingue-se a
instância por deserção.

Se a denuncia for o advogado do réu, existe o prazo de 20 dias para constituir mandatário, utilizamos a b), do nº3 do
art.47º CPC.

Art.48º CPC – falta, insuficiência e irregularidade do mandato.


Art.49º CPC - Gestão de negócios – alguém, por motivos urgentes, tem que gerir negócio alheio.

Irregularidade do mandato- ocorre nos casos em que o mandante é uma sociedade. Sendo uma sociedade, quem passa
o mandato é o legal representante. Os casos de irregularidade acontecem quando o mandato é assinado por quem não
tem poderes para tal.
A quem compete regular a regularidade do mandato é o mandatário, advogado. Isto impede-se utilizando uma certidão
que estabeleça quem tem poder para representar a sociedade

Assistência técnica aos advogados


Art.50º CPC
Significa que, por vezes, nos litígios, os temas discutidos são específicos e necessitam de pessoas especializadas numa
determinada área.

Nomeação Oficiosa de Advogado


Art.51º - nomeação oficiosa de advogado fora da carência económica que justifica o apoio judiciário.

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Caso Prático:
Em 20 de Março de 2014, Ana e Carlos casados no regime da comunhão geral de bens e residentes em Faro, celebraram
com José, solteiro e maior, residente no Porto, um contrato-promessa de compra e venda, nos termos do qual Ana e
Carlos prometeram vender e José prometeu comprar uma fração autónoma sita em Lisboa, pelo preço de 200.000 €.
Nos termos do convencionado, José pagou de imediato a título de sinal e princípio de pagamento, a quantia de 100.000€,
tendo sido acordado que o remanescente do preço seria pago no dia da escritura pública de compra e venda marcada
para o dia 1 de Dezembro de 2018.
Nesse dia, Ana e Carlos não comparecem no cartório notarial em que a escritura se iria realizar, nem aceitaram celebrar
posteriormente o contrato de compra e venda, invocando para tanto que aquele imóvel foi destinado à habitação da
filha de ambos que ali passou a residir.
Perante estes factos, o José pretende intentar ação judicial contra Ana e Carlos, exigindo a execução especifica do
contrato-promessa, nos termos do art.830º CC.

a) Identifique o pedido e a causa do pedido da ação a propor;


Causa- na causa de pedir, temos a celebração de um contrato-promessa de compra e venda, devido ao incumprimento
dos promitentes vendedores.
Pedido- aquilo que está estabelecido no art.830º CC, isto é, o pedido é uma sentença que substitua as declarações
negociais dos promitentes vendedores, se os réus não quiserem pagar, recorremos a sentença executiva.

b) Quem são as partes legitimas para esta ação?


Litisconsórcio - existe pluralidade das partes, mas o que está em causa no processo é uma única relação material
controvertida.
Litisconsórcio Necessário, nos termos do nº3 do art.34º, legitimidade passiva.
O litisconsórcio diz-se necessário quando a lei ou o negócio jurídico exigir a intervenção de todos os interessados na
relação controvertida.
Desta forma, verifica-se a situação de litisconsórcio necessário passivo quando a ação diz respeito a um facto praticado
por ambos os cônjuges, quando respeita a dívidas comunicáveis (art.1691º e 1695º CC), quando da ação possa resultar
a perda ou oneração de bens que só por ambos possam ser alienados ou a perda de direitos que só por ambos possam
ser exercidos, incluindo as ações que digam respeito à casa de morada de família.
Art.30º, nº1 do CPC.
Autor- José
Réu- Ana e Carlos.
Art.34º, nº3, a ação é proposta contra ambos.
Caso Ana, seja a única a querer vender o imóvel à Tem que se propor a ação contra os ambos art.º 1682-A CC e art.
34 nº3.

c) Considerando que Carlos se encontra hospitalizado e em coma devido às complicações da covid-19, diga se
as partes legitimas são dotadas de personalidade e capacidade judiciária.
Personalidade judiciária- art.11º CPC
Capacidade judiciária – art.15º ss CPC
Carlos - Art.20º CPC- pessoas impossibilitadas de receber a citação. Pode acontecer quando um deficiente ainda não
passou pelo processo de maior acompanhado ou a pessoa está numa situação temporária impossibilitada de ser citada
(ex. coma).
Carlos tem personalidade jurídica, de acordo com o art.11º CPC, pois tem personalidade judiciária. Quanto à capacidade
jurídica, não a tem porque é incapaz de se representar (art.20º CPC). A mulher de Carlos podia representá-lo com boa
fé.
d) Considerando que o valor da causa a propor é de 200.000€, diga se as partes têm de se fazer representar por
advogado.
Alínea a) do nº1 do art.40º CPC. Causas que não é preciso advogado – art.42º CPC – inferiores a 5.000€, não passiveis
de recurso.

5. Competência

- Competência internacional dos tribunais portugueses – art.62º, 63º CPC


Encontramos um elemento de conexão que está relacionado com um país estrangeiro, como uma das partes, o objeto
de litígio, etc.
Podem os tribunais portugueses tratar de um litígio estrangeiro? Têm competências?
O objetivo do legislador é chamar mais litígios para os tribunais portugueses.

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Direito Processual Civil 1º Semestre
Professora Cláudia Boloto

Quando exista uma falha das competências previstas no art.62º CPC, estamos perante um vício grave, caso aconteça,
estaremos perante a absolvição do réu.
Os tribunais portugueses podem debruçar-se sobre um litígio estrangeiro? Regras do art.62º CPC.

Competências exclusivas dos tribunais portugueses – art.63º


Direitos reais podem ser:
- De gozo. ex: propriedade, de usufruto
- De aquisição - aqueles que permitem ao titular adquirir com preferência sobre restantes. ex: pacto de preferência com
eficácia real, contrato-promessa com eficácia real.
- De garantia – conferem ao respetivo titular o direito de ser pago por um produto de venda de um bem. ex: hipoteca.

Matéria de Insolvência – todos os credores a exigir do devedor aquilo que é devido. Apreensão generalizada de bens.

- Competência interna à em razão da matéria


à em razão do valor
à hierarquia
à território (art.70º a 84º CPC)

Em razão da matéria: art.64º e 65


São da competência dos tribunais judiciais as causas que não sejam atribuídas a outra ordem jurisdicional as leis de
organização judiciária determinam quais as causas que, em razão da matéria, são da competência dos tribunais e das
secções dotados de competência especializada, NOS termos do artigo 65. Em consonância, determina o artigo 40 da
lei número 62 barra 2013 que os tribunais judiciais têm competência para as causas que não sejam atribuídas a outra
ordem jurisdicional o número 2 deste mesmo artigo dispõe que a presente lei determina a competência, em razão da
matéria, entre os juízes dos tribunais de comarca, estabelecendo as causas que competem aos juízes de competência
especializada e aos tribunais de competência territorial alargada. Na verdade, a competência em razão da matéria
assenta no princípio da especialização.
Os tribunais de comarca são de competência genérica e de competência especializada, NOS termos do artigo 80 da lei
número 62. Determina o artigo 81 deste mesmo diploma que os tribunais de comarca dobram em juízos, a criar por
decreto lei, que podem ser de competência especializada, de competência genérica e de proximidade. Os números
seguintes do mesmo artigo 81 não só esclarecem que os juízes se designam pela competência e pelo nome do município
em que estão instalados, mas também determinam quais os juízos de competência especializada que podem ser criados,
admitindo que pode haver juízos de competência especializada mista e ainda que pode proceder-se a agregação de
juízes. nos termos do número 3 deste mesmo artigo, podem ser criados os seguintes juízos de competência
especializada: central cível; Central criminal; Local criminal, etc.
O artigo 130 dispõe sobre a competência dos juízes locais cíveis, locais criminais, locais de pequena criminalidade, de
competência genérica e de proximidade. O poder jurisdicional é repartido pelos diversos tribunais considerados no
mesmo plano, sem que entre eles existe uma qualquer relação hierárquica ou subordinação. em matéria sucessória e o
artigo 72 que determina qual o tribunal competente.

Lei nº62/2013- art.81º- Desdobramento dos tribunais:

A 1ª instância desdobra-se:
- Competência especializada – nº3, art.81º
- Competência genérica -
- Competência de proximidade – é apenas uma extensão da secretaria da comarca mãe.

Em razão do valor:
O artigo 41 da lei número 62 determina a competência, é razão do valor, entre os juízos centrais cíveis e os juízos locais
cíveis, nas ações declarativas cíveis de processo comum. É incompetência em razão do valor da causa é sempre do
conhecimento oficioso do Tribunal, seja qual for a ação em que se suscite, nos termos do artigo 104, número 2.
Compreende-se que assim seja, porque estão em causa os princípios da organização judiciária.
Central civil: a) do nº1 do art.117º, 130º
Local civil:

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Alçada de um tribunal corresponde ao limite do valor das causas dentro do qual o tribunal julga sem admissibilidade
de recurso ordinário. NOS termos do artigo 44 da lei nº62/2013, em matéria cível, alçada dos tribunais da relação e da
30.000 EUR e é dos tribunais de primeira instância é de 5000 EUR. Atualmente o processo comum da declaração segue
de forma única (548º). sendo assim, a forma de processo não sofre qualquer alteração NOS casos em que é alterada a
alçada. Aliás o artigo 136 dispõe que a forma de processo aplicável é determinada pela lei vigente à data em que a ação
é proposta, o que equivale a dizer que o processo conserva a forma até à decisão final, ainda que, entretanto, alçada
sofra alguma alteração.

Em razão da hierarquia:
. Os tribunais Judiciais encontram-se e hierarquizados para efeito de recurso das suas decisões. existem tribunais
judiciais de primeira instância, tribunais da relação e o Supremo Tribunal de justiça. Os tribunais estão a hierarquizados
formando uma pirâmide, cuja base é constituída pelos tribunais de primeira instância. A seguir encontram-se os
tribunais da relação, que funcionam como tribunais de segunda instância. No vértice da pirâmide situa-se o Supremo
Tribunal de justiça. De outro modo, aos tribunais de primeira instância cabe-lhes o julgamento de todas as questões,
qualquer que seja o valor da ação. Quando o valor da ação ultrapassa a sua alçada de 5000 EUR, será possível interpor
recurso das suas decisões para o tribunal da relação, que julgará em segunda instância. Se a ação tiver um valor superior
ao da alçada do Tribunal da relação isto é 30000 EUR, decisão por este preferida pode ainda ser objeto de recurso para
o Supremo Tribunal de justiça. Há, porém, ações que admitem sempre recurso, independentemente do seu valor, nos
termos do artigo 629º. A hierarquia judiciária não se tinha fica com os juízes dos tribunais de grau inferior dependem
ou devem obediência aos de grau superior. Hierarquia traduz-se no poder conferido aos tribunais superiores de, pela
via de recurso, revogarem ao alterarem as decisões dos tribunais inferiores. Conforme dispõe o artigo 203 da
Constituição da República portuguesa, os tribunais são independentes e apenas estão sujeitos à lei. NOS termos do
artigo 4 da lei número 62,1 os juízes julgam apenas segundo a Constituição e a lei e não estão sujeitos a quaisquer
ordens ou instruções, salvo o dever de acatamento das decisões proferidas em via de recurso por tribunais superiores e
não podem ser responsabilizados pelas suas decisões. O Supremo Tribunal de justiça conhece dos recursos e das causas
que por lei sejam da sua competência, artigo 69. As secções cíveis julgam as causas que não sejam atribuídas a outras
secções, as secções criminais julgam as causas da natureza penal e as secções sociais julgam as causas referidas no
artigo 126.
As relações conhecem dos recursos e das causas que por lei sejam da sua competência. Conforme resulta do artigo 67
da lei número 62, os tribunais da relação são um, em regra, os tribunais de segunda instância e designam se pelo nome
do município em que se encontram instalados. Existem tribunais da relação em Lisboa, Porto, Coimbra, Guimarães e
Évora. Estes tribunais compreendem secções em matéria cível, em matéria penal, em matéria social, de família e
menores, comércio de propriedade intelectual e da concorrência, regulação e supervisão, artigo 67.
Os tribunais judiciais de primeira instância são, em regra, os tribunais de comarca e designam se pelo nome da
circunscrição em que se encontram instalados, artigo 79 da lei número 62. O tribunal judicial de primeira instância
funciona um, consoante os casos, como tribunal singular, como tribunal coletivo ou como Tribunal de júri. Em matéria
cível que, NOS termos do disposto no artigo 599, audiência final decorre perante juiz singular. Aos tribunais de primeira
instância compete o conhecimento dos recursos das decisões dos Notários, dos conservadores do registo e de outros
que virão NOS termos da lei para eles devem ser interpostos, artigo 67. Como se verifica, os tribunais de primeira
instância, apesar de constituírem a base da pirâmide a que fizemos referência, tem também a função de julgar por, além
de outros, os recursos interpostos das decisões dos Notários e conservadores do registo

Em razão do território: art.70º ss


Critérios especiais – art.70º a 79º. Quando não consiga aplicar o litígio em nenhum destes critérios, aplicamos o critério
geral previsto no art.80º CPC.

- Foro da situação dos bens (70º) – direitos reais de gozo, situações de compropriedade, ação de preferência, de
execução especifica, de despejo e de hipotecas.

Art.70º, nº3: ação com objetos situados em circunscrições diferentes


A reivindica de B dois apartamentos, um em Faro e outro em Portimão.
R: o tribunal competente é tanto o de faro, como o de Portimão.

- Competência para o cumprimento da obrigação (71º):


Nº1 –sempre que o réu é pessoa coletiva ou sempre que autor e ré residem na mesma área metropolitana, o autor pode
escolher o domicílio do réu ou o lugar de cumprimento da obrigação.
Caso não exista um lugar de cumprimento da obrigação à art.772º, 773º e 774º CC

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Nº2- “se a ação se destinar a efetivar a responsabilidade civil baseada em facto ilícito ou fundada no risco, o tribunal
competente é o correspondente ao lugar onde o facto ocorreu.”.

- Divórcio e Separação (72º) – para as ações de divórcio e de separação de pessoas e bens é competente o tribunal do
domicílio ou da residência do autor.

- Matéria Sucessória (72º-A) - Lugar do último domicílio do falecido (art.2031º CC).

- Ação de honorários (73º)

- Procedimentos cautelares e diligências antecipadas (78º)

- Notificações avulsas (79º e 256º) - forma mais solene que existe para comunicar um facto a outrem. É feita pelo
tribunal, concretizada por um agente de execução que transmite o teor da notificação de forma pessoal. É um
instrumento para quando o requerente quer fazer prova inequívoca que interpelou a parte contrária.
Agente de execução – advogados, solicitadores, polícia, licenciados em direito e solicitadoria - em nome do tribunal e
do estado, tem competências para força executiva, como arrombamentos por exemplo, isto é, praticar atos de forma
coerciva que fazem exercer direitos.

Nota:
Área Metropolitana De Lisboa – Almada, Alcochete, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita,
Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra E Vila Franca De Xira.
Área Metropolitana De Porto – Arouca, Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Oliveira De Azeméis, Paredes, Porto,
Póvoa De Varzim, Santa Maria Da Feira, Santo Tirso, São João Da Madeira, Trofa, Vale De Cambra, Valongo, Vila
Do Conde E Vila Nova De Gaia.

Pluralidade de réus e cumulação de pedidos – art.82º CPC


Casos Práticos
Relativamente às hipóteses abaixo indicadas refira, quanto a cada uma delas:

a) Qual o pedido e a causa de pedir da ação a propor;


b) Quem são as partes legítimas e se as mesmas são dotadas de personalidade e capacidade judiciária;
c) A necessidade de constituição de advogado;
d) Qual o tribunal territorialmente competente para conhecer a respetiva ação.

1. Amaral, residente em Portimão, pretende intentar contra Bernardo, residente em Setúbal, ação destinada
a exigir o pagamento da quantia de 14.000 € correspondentes a serviços que lhe prestou no âmbito de
consultoria informática, e que Bernardo não pagou no prazo contratualmente combinado.

a) O pedido é a exigência do cumprimento de obrigações e a causa do pedido é o incumprimento do pagamento dos


serviços prestados no âmbito de consultoria informática que não foram pagos no prazo contratualmente
combinado.
b) As partes legitimas neste caso são Amaral e Bernardo, sendo ambos dotados de personalidade e capacidade
judiciária, nos termos do art.11º e 15º CPC. Estamos perante um caso em que Amaral é o autor e Bernardo é o
réu, nos termos do art.30º CPC.
c) Alínea a) do nº1 do art.40º CPC. Causas que não é preciso advogado – art.42º CPC – inferiores a 5.000€, não
passiveis de recurso.
d) Amaral e Bernardo não residem na mesma área metropolitana - art.71º CPC.
Nos termos do art.772º CC, o tribunal competente é o do lugar do domicilio do devedor, neste caso, sendo
Bernardo o réu, o tribunal competente é Setúbal.

2. Amélia, residente em Lisboa, pretende intentar contra Beatriz, residente em Almada, acção destinada a
exigir-lhe a restituição de um casaco de pele de vison avaliado em 4.500 €, o qual lhe havia emprestado pelo
prazo de um mês, para que aquela o usasse no casamento da filha que se realizou na Sibéria.
Deve-se sempre identificar a causa do pedido e o pedido, mesmo que a prof não peça.
a) A causa do pedido é o incumprimento do contrato de comodato (art.1129º CC), no prazo estipulado entre as partes
e o pedido é a exigência do cumprimento da obrigação, neste caso, da restituição do casaco em causa avaliado em
4500€.

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b) As partes legitimas neste caso são Amélia e Beatriz, sendo ambas dotadas de personalidade e capacidade judiciária,
nos termos dos art.11º e 15º do CPC. Estamos perante um caso em que Amélia é a autora da ação e Beatriz
representa o réu da mesma, nos termos do art.30º CPC.
c) No caso em apreço, não existe necessidade da constituição de advogado, visto que apenas é exigido constituir
advogado nas ações cujo valor ultrapassa 5.000€ (art.40 e 42º CPC). A presente ação apenas tem o valor de 4500€,
por isso não é suscetível de recurso.
d) Nos termos do art.71º CPC e art.773º CC, o tribunal territorialmente competente é o tribunal de Almada, domicílio
do réu (Beatriz). Este tribunal pertence à área metropolitana de Lisboa, por isso, pode o credor optar pelo tribunal
do lugar em que a obrigação deveria ser cumprida, provavelmente Lisboa (casa de Amélia).

3. O condomínio do prédio X sito em Faro, pretende intentar contra Américo, proprietário da fração
designada pela letra AF, a quantia de 9.000 euros correspondente a quotas mensais de condomínio e obras
devidamente aprovadas em assembleia de condóminos, conforme resulta da ata da assembleia realizada em
Janeiro de 2018.

a) A causa do pedido é a qualidade de condómino do devedor, sendo proprietário, ele tem vários deveres que deverá
cumprir. O pedido é a exigência do cumprimento destas mesmas dívidas.
b) Estamos perante um caso de litisconsórcio (várias partes e uma relação controvertida) voluntário (art.32º CPC - a
falta de uma das partes, não conduz à ilegitimidade), sendo o condomínio do prédio X os autores e Américo,
proprietário da fração AF, o réu. Além disso, podemos presumir que ambas as partes são dotadas de personalidade
e capacidade judiciária, nos termos da alínea e) do art.12º CPC. Contudo, existe uma extensão da personalidade
judiciária devido à propriedade horizontal (art.1414º CC).
c) A presente ação, com a quantia de 9000€, necessita da constituição de advogado, nos termos da a) do nº1 do art.40º
CPC.
d) Visto que o domicilio das partes é o mesmo e nos termos do art.71º CPC, o tribunal competente é o tribunal de
Faro.

4. Anacleto, residente em Lisboa, senhorio, pretende intentar ação de despejo contra Bonifácio, residente em
Coimbra, seu arrendatário, por o mesmo não lhe pagar as rendas correspondentes aos meses de Janeiro a
Outubro de 2018, no valor de 800 €/mês. (4V);
Ação de despejo- visa creditar a cessação do contrato de arrendamento. Apenas se fala sobre esta ação, quando se quer
acabar com a relação de arrendamento.
Uma ação de despejo tem o valor que o art.298º prevê.
30 meses de renda x 800 € = 24.000€
O valor da ação = 24.000€ + 7500 (rendas em divida) = 31.500€
Aqui existiriam 3 pedidos:
- cessação/resolução do contrato
- pagamento das dívidas
- indemnização
A causa de pedir é o incumprimento contratual por parte do arrendatário.
Art.40º, a) – a ação ultrapassa a alçada do tribunal comarca, por isso é necessária a constituição de advogado.

O tribunal competente – art.70º CPC – Coimbra.


- Admita que o valor da renda é 100€/mês
3000€ + 900 euros em divida da renda = 3900€
Ações que, independentemente do valor, é necessária a constituição de advogado – 629º CPC
O caso em apreço – a) do nº3 do art.629º CPC

5. Américo, residente em Lisboa, promitente-comprador, pretende intentar contra Bento, residente em Faro,
promitente-vendedor, ação de execução específica nos termos do disposto no art. 830.º do CC, uma vez que
Bento não compareceu na data aprazada para a realização da escritura de compra e venda relativa à
garagem sita em Évora que foi prometida vender pelo preço de 4.000 €;

a) A ação do pedido é a execução especifica de um contrato-promessa, previsto no art.830º CC e a causa do pedido


é a falta de cumprimento do contrato prometido (compra e venda de uma garagem).

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b) As partes são ambas dotadas de personalidade e capacidade judiciária (11 e 15º CPC), sendo Américo o autor da
ação e Bento o réu, nos termos do art.30º CPC.
c) Tendo em conta que o valor da ação é de 4000€, não é necessária a constituição de advogados. Desta forma, podem
as próprias partes defender-se ou ser representadas por advogados estagiários ou solicitadores, de acordo com o
art.42º CPC.
d) Estamos perante uma situação de execução específica sobre imóveis, por isso, nos termos do art.70º CPC, o
tribunal competente é o tribunal da situação dos bens, sendo neste caso o tribunal de Évora.

6. Ana, residente em Faro, emprestou a Maria, residente em Lagos, a quantia de 1.000 euros, tendo esta
emitido cheque sem provisão a favor daquela e destinado ao pagamento dessa quantia. Ana pretende reagir
judicialmente.

7. Alice e Cármen, residentes no Porto, amigas de longa data, adquiriram em comum, e sem determinação de
partes ou direito, uma fração autónoma sita em Lagos no ano de 2007. Na presente data, e contra a vontade de
Cármen, Ana pretende intentar ação judicial destinada a pôr termo à comunhão.

Estamos perante um caso do regime de compropriedade.


A ação é a divisão de coisa comum.
Não se sabe se é obrigatória a constituição de advogado, visto que não está presente o valor da ação.
O tribunal competente, nos termos do art.70º, é o do local do imóvel, tribunal de Lagos.

8. A, residente em Coimbra, pretende intentar contra B., residente em Lisboa, ação destinada a exigir-lhe a
quantia de 6.000 euros correspondente aos danos que sofreu na sua viatura e provocados por B. quando este se
deslocava na cidade de Beja, de bicicleta e caiu, danificando-lhe o carro.
a) A causa do pedido é o acidente de bicicleta que causou vários danos na viatura de A, ou seja, um facto ilícito, visto
que não existe nenhuma relação entre as partes. Sendo o pedido uma indemnização por estes mesmos danos no valor
de 6000€, isto é, responsabilidade extracontratual.
b) As partes legitimas neste caso são A e B, sendo ambos dotados de personalidade e capacidade judiciária, nos termos
do art.11º e 15º CPC. Estamos perante um caso em que A é o autor e B é o réu, nos termos do art.30º CPC.
c) No caso em apreço, existe necessidade da constituição de advogado, visto que é exigido constituir advogado nas
ações cujo valor ultrapassa 5.000€ (art.40º CPC) tendo esta ação o valor de 6000€.
d) O tribunal territorialmente competente é o do lugar onde o facto ocorreu, neste caso, o tribunal de Beja (nº2 do
art.71º CPC).

9. A, residente em Lisboa, comprou a B., residente em Évora, o prédio X sito em Viseu, pelo preço de 70.000
euros, pretende intentar contra esta ação destinada a obter a declaração de nulidade desse contrato com base
em vício da vontade.

O pedido é a declaração de nulidade do contrato de compra e venda.


A causa do pedido é um vício da vontade na formação deste contrato.
É obrigatória a constituição de advogado, visto que o valor da ação é 70.000€.
O tribunal competente é o do domicílio do réu, de acordo com o art.80º CPC, neste caso o tribunal de Évora.

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Pactos Privativos e atributivo de jurisdição – art.94º CPC


Possibilidade das partes, em litígios que colidem com várias ordens jurídicas, poderem escolher qual das ordens
jurídicas terá competência internacional para conhecer o litígio em causa.
Estes pactos, para serem validos, devem preencher os requisitos previstos no artigo.

Competência Convencional – art.95º CPC


No âmbito do art.95º CPC, o que está em causa é a possibilidade que as partes têm, em alguns casos, de escolher qual
o tribunal nacional competente para conhecer o litígio. As partes têm alguma autonomia para decidir que, em caso de
litígio, qual o tribunal territorialmente competente.
Os critérios são os previstos no art.104º, nº1, a) CPC.

Sempre que, no âmbito processual, caso falte algum pressuposto já estudado:


A regra é que, na falta de algum pressuposto, conduz à absolvição do réu da instância. Depois, o autor pode propor
uma nova ação com o vício corrigido – art.278º CPC.

Incompetência do tribunal – incompetência absoluta (96º) ou relativa (102º)


Os casos de incompetência absoluta são os casos mais graves, violações em razão à matéria, hierarquia e da
competência internacional.
Esta incompetência leva sempre à absolvição do réu.
Legitimidade para arguição – art.97º CPC
Na absoluta, pode ser arguida pelas partes.
Momento que se deve conhecer a incompetência absoluta – art.98º CPC
Efeitos da incompetência absoluta – art.99º CPC

Se a incompetência for relativa significa que as regras violadas são as regras fundadas na razão da causa, competência
territorial ou decorrentes do estipulado na convenção prevista no art.95º, como em razão do valor. Em obediência do
princípio da economia e celeridade processual, o tribunal vai suprir o vicio da incompetência relativa, passando o litígio
para o tribunal competente.
Regime da Arguição – art.103º CPC
Na relativa, apenas o réu pode arguir a incompetência.
Conhecimento oficioso da incompetência relativa – art.104º CPC
Instrução e julgamento da exceção – art.105º CPC

Espécies de Ações quanto ao fim e quanto à forma:

Ação declarativa- pedir que o tribunal reconheça o meu direito e que ele está vinculado e pedir uma sentença que
faça a reparação do mesmo. Em todas as ações declarativas procura-se obter a referida declaração do direito.
a) De simples apreciação – visam obter unicamente a declaração da existência ou inexistência de um direito ou de
um facto (a) nº2, art.10º). A ação é proposta para pôr termo a uma situação de incerteza. A dúvida deve projetar-
se no exercício normal dos seus direitos. Nestas ações, o autor contenta-se apenas com a declaração do direito.
Não pretende que o tribunal vá além. Constituem um meio de prevenir litígios, desempenhando assim uma função
preventiva. Ex: ação destinada a declarar a existência ou inexistência de uma servidão de passagem.
b) De condenação – o autor pretende que seja declarado o seu direito, mas também está a ser violado pelo réu e que
este seja condenado à reintegração desse mesmo direito, quer através da realização de uma determinada prestação,
quer por meio de uma atitude de abstenção ou omissão (b), nº2, 10º). A sentença de condenação ação pressupõe
uma prévia declaração da existência de direito e o autor pretende a condenação do réu à realização da prestação
devida e à indemnização pelos danos causados pelo não cumprimento.
c) Constitutivas – o autor pretende obter, através do tribunal, um efeito jurídico novo que vai alterar a esfera jurídica
do réu, independentemente da sua vontade. Este efeito depende da decisão do tribunal, desde que estejam
verificados os pressupostos que a condicionam (c), nº1, 10º). O tribunal, ao proferir a sentença, produz as
alterações na ordem jurídica, que consistem na constituição, modificação ou extinção de uma relação ou situação
jurídica. O novo efeito jurídico pretendido pelo autor não depende da vontade do réu e, por isso, não é requerida
a condenação deste. O efeito apenas depende da decisão do tribunal, que a proferirá desde que estejam verificados
os pressupostos. O efeito jurídico nasce diretamente por via da decisão judicial. A sentença cria um novo estado
jurídico, pela modificação ou extinção do anterior.

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As ações constitutivas são, na grande generalidade, o meio processual adequado ao exercício de certos direitos
potestativos (poder conferido a uma pessoa de introduzir uma alteração na esfera jurídica de outras pessoas
criando, modificando ou extinguidos direitos).
Ex: execução específica, despejo, etc...

Ação Executiva – exigir a reparação efetiva, requerer ao tribunal as medidas necessárias de forma coerciva, pode
obrigar o réu a reparar o vício. Dizem-se ações executivas aquelas em que o credor (exequente) requer as providências
adequadas à realização conativa de uma obrigação que lhe é devida. Nestas ações é invocada a falta de cumprimento
de uma obrigação expressa na sentença ou constante de documento, que constitui o título executivo. O exequente requer
a reintegração do direito violado ou ainda a aplicação de sanções pela violação. As espécies de títulos executivos
constam das várias alíneas do artigo 703. O título executivo primeiramente enunciado é sentença condenatória, mas
abarca também diversos outros documentos. Por sua vez, o artigo 705º equipara às sentenças, sob o ponto de vista da
força executiva, os despachos e quaisquer outras decisões ou atos da autoridade a judicial que condenem no
cumprimento de uma obrigação. Sentença condenatória é que condena no cumprimento de qualquer obrigação. Mas
nem só as sentenças condenatórias constituem títulos executivos, pois também o são os despachos e outras decisões
que condenem em multa ou no pagamento de custas por exemplo. Para ser exequível, a sentença deve já ter transitado
em julgado, salvo se o recurso contra ela interposto tiver efeito meramente devolutivo (704º, nº1). neste caso, a
execução que tem por base a sentença condenatória acompanhará as eventuais modificações por esta sofridas em
consequência do recurso, art.704º.
em conformidade com a natureza da obrigação violada, a execução pode ser:
- pagamento da quantia certa – art.724º e ss
- entrega de coisa certa – art.859º e ss
- prestação de facto – art.868º e ss

Art.10º, nº3:
a) unicamente que a pessoa quer é que o tribunal declare a existência ou inexistência de um direito.
b) Mais comuns, diz respeito às dividas:
- pagamento do preço
- entrega da coisa
c) provocarem uma mudança na ordem jurídica existente, que pode ser no sentindo de criar uma relação nova,
temos uma relação vigente que pela ação declarativa vai extinguir ou modificar.

Procedimentos Especiais- sempre que a ação judicial estiver em causa a obrigação de uma prestação que seja:
- pecuniária
- emerge de um contrato
- cujo valor não ultrapasse os 15.000€

Processo Comum – art.552º CPC

Þ Ação Declarativa à condenatória


à constitutiva à extintiva forma (548º)
à simples apreciação à negativa
à positiva

Þ Ação Executiva – presume que o exequente tem um título executivo (art.703º CPC), sendo este um
documento com força probatória que declara que o direito que o exequente invoca está a ser viciado.
- pagamento da quantia certa à forma ordinária – 724º a 854º
à forma sumária – 855º a 857º
- entrega da coisa à art.859º a 867º
- prestação de facto à art.868º a 877º

Processos Especiais – D.L. 269/98, de 1 de Setembro. à processo declarativo especial


à injução
Þ art.878º e ss CPC – tutela da personalidade
Þ art.881º e ss CPC – justificação da ausência
Þ art.891º e ss CPC – acompanhamento de maiores

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Þ art.995º e ss CPC – divisão da coisa comum

transações comerciais- art.3 b) do decreto-lei nº62/2013

injução – via muito rápida e barata, contudo à desvantagens da injução: quando o requerido se opõe à injução. Se isto
acontecer, vai ter que se recorrer a uma ação judicial.
Outra das situações complicadas para a injução:
- causa de pedir é complexa
- quando existe contestação.

Distribuição – art.16º DL nº62/2013- distribuição ao tribunal e juiz que irá conhecer o litigio.

Título Executivo – art.703º CPC.

Casos:
1. Amaral, residente em Portimão, pretende intentar contra Bernardo, residente em Setúbal, ação destinada a exigir
o pagamento da quantia de 14.000 € correspondentes a serviços que lhe prestou no âmbito de consultoria informática,
e que Bernardo não pagou no prazo contratualmente combinado.
R: Temos um contrato, valor inferior a 15.000€ e representa um título executivo. Estamos perante um processo especial,
em que podemos escolher processo declarativo especial ou injuçao.

2. Amélia, residente em Lisboa, pretende intentar contra Beatriz, residente em Almada, acção destinada a exigir-lhe
a restituição de um casaco de pele de vison avaliado em 4.500 €, o qual lhe havia emprestado pelo prazo de um mês,
para que aquela o usasse no casamento da filha que se realizou na Sibéria.
R: processo comum executivo de entrega da coisa.

3. O condomínio do prédio X sito em Faro, pretende intentar contra Américo, proprietário da fração designada pela
letra AF, a quantia de 9.000 euros correspondente a quotas mensais de condomínio e obras devidamente aprovadas em
assembleia de condóminos, conforme resulta da ata da assembleia realizada em Janeiro de 2018.
R: se existir ata (que representa um título executivo, art.6º do DL 268/94 e art.703º CPC) à via executiva.
Se não existir ata à via declarativa. Não preenche os requisitos do processo especial declarativo (sanção pecuniária,
valor inferior a 15.000€ e contrato).

4. Anacleto, residente em Lisboa, senhorio, pretende intentar acção de despejo contra Bonifácio, residente em
Coimbra, seu arrendatário, por o mesmo não lhe pagar as rendas correspondentes aos meses de Janeiro a Outubro de
2018, no valor de 800 €/mês. (4V);
R: ação declarativa constitutiva e extintiva.

- Admita agora que Anacleto pretende apenas, através da ação judicial, cobrar rendas em dívida no valor de 18.000
euros.
R: Ação Declarativa Condenatória.

- E se o valor das rendas em dívida for de 8.000 euros?


R: Processo Especial à Processo declarativo especial ou injunção.

5. Américo, residente em Lisboa, promitente-comprador, pretende intentar contra Bento, residente em Faro,
promitente-vendedor, ação de execução específica nos termos do disposto no art. 830.º do C. C, uma vez que Bento
não compareceu na data aprazada para a realização da escritura de compra e venda relativa à garagem sita em Évora
que foi prometida vender pelo preço de 4.000 €;
R: Processo comum à ação declarativa à constitutiva.

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Direito Processual Civil 1º Semestre
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Critérios para a verificação do valor da causa – art.296º ss CPC


Valor da causa- elemento imprescindível

A importância que fixação do valor da açção representa ressalta com clareza do disposto no artigo 296:
1- a toda a causa deve ser atribuído um valor certo, expressa em moeda legal, o qual representa a utilidade
económica imediata do pedido.
2- atentos este valor para determinar a competência do Tribunal, a forma de processo de execução comum em
relação da causa com a alçada do Tribunal.
3- para efeito de custas judiciais o valor da causa é fixado segundo as regras previstas no presente diploma e no
regulamento das custas processuais

para a fixação do valor da causa, a lei começa por formular critérios gerais a que se segue indicação de critérios para
casos especiais. Por isso, antes de fixar o valor da causa a parte terá de indagar e primeiramente se ao caso se aplica
algum dos critérios especiais enunciados. Caso contrário, o valor da causa terá de ser encontrado por aplicação das
regras gerais.

O artigo 297º determina os critérios gerais para a fixação do valor da causa nos seguintes termos:
1. se pela ação se pretende obter qualquer quantia certa em dinheiro, é esse o valor da causa, não sendo atendível
impugnação nem acordo em contrário, se pela ação se pretende obter um benefício diverso, o valor da causa
é a quantia em dinheiro equivalente a esse benefício.
2. Cumulando na mesma ação vários pedidos, o valor é a quantia correspondente à soma dos valores de todos
eles; mas quando, como acessório do pedido principal, se pedirem juros, rendas e rendimentos já vencidos e
os que se vencerem durante a pendência da causa, na fixação do valor atende se somente aos interesses já
vencidos.
3. no caso de pedidos alternativos, atende unicamente ao pedido de maior valor e, no caso de pedidos
subsidiários, ao pedido formulado em primeiro lugar.

Significa isto que, se o pedido formulado e ou de condenação em determinada quantia, esse deverá ser um valor a
indicar. Se for pedido o reconhecimento de vantagem do valor económico, a estes atenderá para fixar o valor da causa.
Se houver cumulação de pedidos (555º), O valor resulta da soma de todos eles. Se acessoriamente se pedirem interesses
vencidos e os que se vencerem na pendência da ação, só o valor dos vencidos será somado ao valor do pedido principal.
De outro modo, o valor estaria em constante mutação.
No caso de pedidos alternativos (553º), será considerado o pedido de maior valor. Na verdade, a parte apenas pretende
ver atendido um dos pedidos e, assim sendo, a lei escolhe o de maior valor. de forma idêntica, sendo formulados pedidos
subsidiários, deve atender-se ao valor do primeiro, que é aquele que o tribunal aprecia primordialmente (554º).
Tribunais juízos cíveis centrais – conhecem das causas sejam superiores a 50.000€ de processo comum.
Tribunais juízos locais cíveis – conhecem das ações inferiores a 50.000€.

Da lei 62/2013, resulta que os juízes centrais cíveis conhecem todas as ações de processo comum que não excedam os
50.000€ e todas as ações de processo especial de qualquer valor.

É importante saber o valor da causa para saber se é passível de recurso, qual o tribunal competente em razão do valor,
se é necessária a constituição de advogado e as custas processuais para fixar a taxa de justiça.

Critérios:
- Gerais – art.297º
- Especiais - Art.298º e 300º ss

Senhorio A arrenda a B por 500/mês. Desde 1/1/2021, que o arrendatário não paga rendas.
A descobre que o B utiliza a casa que pensava ser para habitação, afinal é utilizada com fins comerciais. Estes são os
fundamentos para uma ação de despejo: falta de rendas e violação do contrato em relação à finalidade do arrendamento.

Ação de despejo:
1º - resolução do contrato
2º - rendas em dívida + juros vencidos + vincendos
3º - indemnização de 1.000€ por exemplo.

Estamos perante uma ação declarativa constitutiva extintiva.

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Valor da causa: nº1 do art.298º CPC: valor da renda de dois anos e meio + valor das rendas em dívida OU valor da
indemnização requerida (consoante o que for superior) = neste caso, 15.000€ + 5.500€ = 20.500€.

Nº1 do art.302º CPC - o valor da ação corresponde ao valor da casa, por exemplo.
Nº2 do art.302º CPC - compropriedade

Providências Cautelares – art.362º ss CC


O artigo 2º, nº2, garantindo o direito de acesso aos tribunais, atribui ao titular de um direito a possibilidade de propor
a ação adequada a fazê-lo reconhecer em juízo e a prevenir ou reparar a sua violação. Porém, a ação demora um período
de tempo mais ou menos longo, mesmo que todos os prazos sejam respeitados. Esse tempo de demora é susceptível de
acarretar consequências que a decisão que vier a ser proferida já não tenha qualquer efeito útil. Deste modo, o
reconhecimento da existência de um direito pode demorar tanto tempo que a decisão, quando proferida, acaba por
perder o efeito prático tornando-se meramente platónico. A demora por parte dos tribunais pode, em certas
circunstâncias, criar um Estado de perigo, porque pode expor o titular do direito a danos irreparáveis. pode suceder que
até a altura da emanação da decisão final se produzam ocorrências graves, suscetíveis de comprometer a utilidade e a
eficácia da sentença.
A providência cautelar visa garantir um direito. é o que acontece quando o devedor está a dissipar os seus bens e, por
isso, se torna necessário pôr fim essa situação para que o credor não veja como inútil a sentença condenatória que lhe
vier a ser favorável, por nessa altura já se encontrar exaurido o património do devedor. noutros casos, procuras uma
decisão provisória rápida, antes da decisão definitiva, por ser o único meio de evitar certo perigo. É o que se verifica
com a atribuição de alimentos provisórios, pois se o requerente tivesse de esperar pela decisão dos alimentos definitivos,
arriscar-se-ia a morrer de fome antes de ver a sentença proferida.
O titular de um direito que depois dará origem a uma ação, tem o seu direito de tal forma ameaçado que tem receio de
uma grave lesão do seu direito. Estamos perante uma situação urgente em que é necessário acautelar o direito daquela
pessoa o mais rapidamente possível. O direito está de tal forma a ser ameaçado ao ponto que não poderá ser reparável.
A providencia cautelar serve para prevenir a lesão irreparável do direito.

- Não é uma ação, mas sim procedimentos.


- prevenir um fundado receio de uma lesão grave ou dificilmente reparável de um direito.
- é um procedimento com caráter urgente (tem prioridade de tratamento no tribunal, tanto por parte dos oficiais de
justiça como pelo juiz que deverá analisar a providência antes de qualquer outra ação).
- prazos para a tramitação das providências cautelares são encurtados em relação à ação principal.
- tendo em conta que estas providências tem a função de acautelar o direito invocado, para requerer a providência, o
requerente tem que demonstrar que existe uma probabilidade séria do seu direito ser lesado.
- as providências cautelares também ocorrem nas férias judiciais.
- dá origem a uma decisão provisória
- é sempre dependente de uma ação principal
- na providencia cautelar não é preciso provar o direito. Para o tribunal decidir decretar a providencia, apenas é
necessária fazer uma prova sumária do direito (isto significa que basta convencer o tribunal que existe uma
probabilidade séria do meu direito existir e estar em perigo). Com esta prova, o tribunal tem que aceitar que chega para
analisar se é possível decretar ou não a providência cautelar.
- requerente –parte ativa
- requerido – parte passiva
- podem ser requeridas antes da propositura da ação ou é possível ter já a ação pendente em que até à sentença, ainda
falta um período de tempo.
- é possível requerer que a providencia cautelar seja decretada sem a audiência prévia do requerido, provando ao
tribunal que ao ter esta audiência, só vai é atrasar o processo e, em caso de dissipação de bens, só vai dar mais tempo
para o devedor continuar a dissipar os bens. Existe uma violação do princípio do inquisitório? Não, porque o requerido
vai ser ouvido depois da providência estar decretada e concretizada. (art.366º CPC).
- a providência cautelar tem uma garantia penal, nos termos do art.375º CC. Quem incumprir o que o tribunal ordena,
no âmbito da providencia cautelar, incorre num crime de desobediência qualificada.
- para proteger o direito do requerente, a medida tem que ser proporcional. As consequências da providência face ao
requerido devem ser proporcionais ao risco de lesão do requerente.
O prejuízo do requerido não pode ser superior ao prejuízo do requerente.

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Providências podem ter:


à natureza antecipatória à existe uma antecipação do direito. Isto é, são aquelas que vão dar ao requerente
exatamente aquilo que ele vai obter com a sentença a proferir na ação principal. No fundo, existe uma antecipação
daquilo que o autor vai ter mais tarde. Ex: restituição provisória de posse (377º).
visam obstar que se verifiquem prejuízos ocasionados pela demora da decisão definitiva, constituindo uma antecipação
provisória dos efeitos dessa decisão.

à natureza conservatória à é conservada uma situação jurídica de forma aquando da sentença final, a proferir na
ação principal, exista condições de fazer valer esse direito e cumprir essa sentença. Ex: embargo de obra nova (397º
ss) e arresto (391º) pois conserva-se na esfera jurídica do devedor o património até que, na sentença final, ele seja
condenado a pagar e o credor tem 2 meses para converter o arresto em penhora (ação executiva).
Visam manter o conservar a situação de facto anterior por forma a prevenir uma alteração que se antevê como
prejudicial.

Procedimento Cautelar Comum – art.362º ss


Quando não está especificado, recorremos ao procedimento cautelar comum. Medida adequada no risco de lesão do
caso em concreto. Aquilo que se pede aqui é o que é necessário para acautelar o direito em causa e que varia. Pede-se
a medida que, a entender do requerente, vai acautelar o direito.

Procedimentos Cautelares Especificados – art.377º ss


Sempre que o risco que eu quero prevenir está previsto no âmbito de uma PC especificada, é a ela que tenho que
recorrer, como o caso do arresto. Para certas situações de perigo, o legislador criou providências especificadas que
possuem uma tramitação própria e privativa para cada uma das situações. Para prevenir o risco de lesão do direito em
causa.

A é credor de B. A tem conhecimento que B está a desfazer-se dos seus bens para não ter que pagar o que deve. A pode
recorrer à providência cautelar de arresto (391º ss). A deverá provar a tribunal que é credor de B, que B não paga e
que está em processo de dissipação de bens e que tem receio de perda de garantia patrimonial. Quando o devedor está
em processo de dissipação de bens, é para fugir ao pagamento dos credores.

Arresto- apreensão judicial de bens que vão ficar à ordem do processo até que, na ação principal, o juiz decida se o réu
deve ou não o crédito.
Na ação executiva, pede-se que este crédito seja convertido em penhora – figura que permite vender aqueles bens e que
o produto da venda (dinheiro) seja entregue ao credor.
Arresto à providência cautelar. Isto acontece antes de ter título executivo. Neste caso, o título executivo corresponde
à sentença da ação declarativa e é depois utilizado na ação executiva.

Inversão do contencioso (369º) - dispensa da ação principal.


Nas providências cautelares antecipatórias, favoráveis ao requerente, existirá a inversão do contencioso. Caso o
requerido não se conforme com a providência ordenada, terá que ser este a propor a ação principal. Se existir inversão
do contencioso e se o requerido não propor a ação, significa que a ação da providência torna-se definitiva. O requerente
resolve o seu direito através da providência visto que o requerido não reagiu.

Caducidade da providência – 373º.


Como facilmente se compreende, nos casos de inversão do contencioso, se o requerido propuser a ação destinada a
impugnar a existência do direito invocado pelo requerente e a ação for julgada procedente, por decisão transitada em
julgado, isso determina a caducidade da providência decretada.
Se o direito acautelado estiver sujeito a caducidade, esta interrompe se com o pedido de inversão do contencioso,
reiniciando a contagem do prazo a partir do trânsito em julgado da decisão que negue o pedido, nos termos do artigo
369, nº3.
Isto ignifica que, mesmo depois do pedido de inversão do contencioso, o direito continua a estar sujeito a caducidade.
Quando a providência decretada não passa de uma decisão provisória, que durará apenas enquanto não for proferida
decisão definitiva na ação principal, isso significa que o procedimento cautelar não tem autonomia. Sendo assim,
compreende-se que as medidas que tiverem sido adotadas estejam sujeitas a caducidade se o requerente se mostrar
negligente em procurar obter a decisão definitiva através da ação principal. Na verdade, não faria sentido que se
obrigasse o requerido a sofrer indefinidamente as consequências de uma decisão que devia ser provisório e que, por
isso, foi proferida com base em prova sumária.

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Nos termos do disposto no art.373º, nº1 o procedimento cautelar extingue-se e, quando decretada, a providência caduca:
- Se o requerente não propuser a ação da qual a providência depende dentro de 30 dias, contados da data em que tiver
sido notificado o trânsito em julgado da decisão que haja ordenado;
- se depois de proposta a ação, o processo estiver parado mais de 30 dias, por negligência do requerente;
- se a ação principal vier a ser definitivamente julgada improcedente;
- se o réu for absolvido da instância e o requerente não propuser nova ação em tempo de aproveitar os efeitos da
proposição anterior (279º, nº2)
- se o direito que o requerente pretende acautelar se tiver extinguido.

Responsabilidade do requerente – 374º


Se a providência caducar por facto imputável ao requerente (assim como se a providência for considerada injustificada)
responde este pelos danos culposamente causados ao requerido, quando não tenha agido com a prudência normal.
assim, se o requerente não chegar a propor a ação principal ou se, tendo a proposto, negligenciar o seu andamento,
responderá perante o requerido pelos danos que culposamente tivesse causado. Responderá ainda se a providência for
considerada injustificada por falta do direito acautelado ou por falta de fundamento para ser decretada. No que toca ao
arresto, determina ainda o artigo 621 do código civil que, se for julgado injustificado ao caducar, o requerente, ao seja,
o credor, é responsável pelos danos causados ao arrestado, quando não tenha agido com a prudência normal.
Sempre com o juiz o julgo conveniente, pode, mesmo sem audiência do requerido, tornar a concessão da providência
dependente da prestação de caução adequada pelo requerente, nos termos do número 2 do artigo 374º.
a responsabilidade do requerente depende de culpa, por ter agido sem a prudência normal. Como é evidente, o
requerente não poderá ser responsabilizado pelo facto do direito por si invocado ter sido, entretanto, extinto, nos casos
previstos na alínea e do número 1 do artigo 373.
diferentemente, NOS casos dos alimentos provisórios, o requerente só responde pelos danos causados se tiver atuado
de má-fé, nos termos do artigo 387. Por outro lado, não haverá lugar, em caso algum, a restituição dos alimentos
provisórios recebidos (2007º CC).

Garantia penal da providência – 375º eu


Crime de desobediência qualificada – até 2 anos de prisão ou multa de 240 dias (art.348º Código Penal).
- posse (≠ propriedade)
Incorre na pena do crime de desobediência qualificada todo aquilo que infrinja a providência cautelar decretada, sem
prejuízo das medidas adequadas a sua execução coerciva, art.375º. considera-se que o juiz, ao decretar a providência
cautelar, deu uma ordem ao requerido no sentido de que este deve adotar um determinado comportamento, que se
traduzirá em ação ou omissão. Por isso, deve o requerido ser notificado pessoalmente com a cominação prevista na lei
penal para o caso de desobediência. Na origem da sanção penal radica a ideia de que, sem ela, por vezes a providência
não se mostraria viável, de modo a obstar em tempo útil a lesão que se pretendeu prevenir. A aplicação da sanção
criminal não preclusa a possibilidade de serem desencadeadas medidas civis adequadas à realização coerciva da
providência. A providência cautelar que imponha uma obrigação é passível de execução, constituindo título executivo
a decisão que a decreta ( a), nº1, 703º).

Contraditório do Requerido – nº2, art.3º


O princípio do contraditório está previsto no artigo terceiro. aí se determina que o conflito de interesses que a ação
pressupõe não pode ser resolvido sem que o réu ou o requerido seja devidamente chamado a juízo para deduzir
oposição. Este princípio, que é considerado a trave-mestra de todo o sistema, não pode ser perdido de vista no
desenvolvimento de qualquer atividade processual. Segundo este princípio, cada uma das partes é chamada a deduzir
as suas razões de facto e de direito, oferecer as suas provas, a controlar as provas do adversário e a discretear sobre o
valor e resultados de umas e outras. porém logo no número 2 do mesmo artigo se prevê a possibilidade de, em casos
excecionais previstos na lei, se poderem Tomar providências contra determinada pessoa sem que esta seja previamente
ouvida. Estes casos excecionais podem encontrar-se precisamente nos procedimentos cautelares. existem em que é
mesmo proibida a audição do requerido. É o que acontece na restituição provisória da posse e no caso do arresto. NOS
termos do artigo 366, audiência da parte contrário só será dispensada se essa formalidade puser em risco sério o fim à
eficácia da providência requerida, o que pressupõe que o juiz terá de avaliar essa probabilidade no caso concreto que
se lhe depara. em termos gerais, a dispensa da observância do princípio do contraditório tem, portanto, caráter
excecional, depois só é admitida nos casos em que possa colocar em risco sério o fim ou a eficácia da providência. As
exceções ao princípio do contraditório devem ser proporcionais aos valores subjacentes às finalidades que se pretendem
acautelar com a situação de exceção. Devemos ter em conta que os casos excecionais apenas permitem que a contraparte
não seja previamente ouvida e não que nunca será ouvido. Na verdade, quando a providência é decretada sem a prévia
audição do requerido, o princípio do contraditório não será definitivamente postergado, visto que será observado em
momento posterior, dando então oportunidade ao requerido de se defender, impugnando a decisão por meio de recurso

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ou de deduzindo por meio de oposição. Para poder usar de tal faculdade será notificado da decisão que decretou a
providência cautelar, aplicando-se esta notificação o preceituado quanto à citação (nº6, art.366º).

Providências Cautelares Especificadas:

Art.377º - restituição provisória da posse. Se não existir violência, não se pode recorrer à providência cautelar da
restituição provisória da posse. É necessário existir este elemento e outros elementos que estejam tipificados nos artigos
das providências cautelares especificadas.

Art.388º - arbitramento de reparação provisória - providência cautelar que, em regra, é destinada às seguradoras. Um
lesado requer esta providência contra a seguradora que terá depois de indemnizar do acidente. Isto acontece também
quando a pessoa lesada morre e era o sustento do agregado familiar (nº4). Se na sentença final se provar que a culpa é
do lesado, a família terá que devolver tudo o que recebeu da seguradora em torno da providência cautelar. É necessário
um nexo de causalidade entre os danos e da indemnização.

Art.391º - arresto – tanto o arresto como o arrolamento pressupõem uma apreensão judicial dos bens. O arresto é uma
providencia privativa das relações de crédito. Isto é, o que caracteriza é a existência de um crédito que o requerente
tem sobre o requerido. O requerente, no arresto, vai poder pedir que os bens sejam apreendidos judicialmente. Se os
bens forem bens sujeitos a registo, o arresto também fica registado, como exemplo um imóvel. Esta providência tem
natureza conservatória. Tem que se mostrar que existe justo receio de perda patrimonial. Depois da sentença da ação
declarativa, o credor tem o prazo de 2 meses para receber o crédito sem a propositura da ação executiva. Se o requerido
não quiser cumprir, passa-se para ação executiva. Se existir processo executivo, o credor requere que o arresto seja
convertido em penhora (art.462º CPC). A penhora vai ter a data que o arresto foi registado.

Art.397º - embargo de obra nova – pode ser feito extrajudicialmente. O embargo pode ser feito diretamente e notificado
verbalmente perramente as testemunhas. Pode ser ratificado nos termos do art.400º CPC. Quando o embargo de uma
obra vai provocar um prejuízo muito superior àquele que eu quero evitar, a providência não é decretada (401º e nº2 do
art.368º CPC).

Art.403º - arrolamento – enquanto o arresto é requerido em situações de créditos, o arrolamento existe em todas as
outras situações que para o requerente importa apreender os bens. Ex: casal em processo de divórcio que está em
processo de partilha dos bens. Esta partilha apenas pode acontecer depois do divórcio estar feito. Um dos cônjuges
pode requerer o arrolamento dos bens do casal, de modo que nenhum dos dois se possa dissipar dos bens. Isto acontece
para quando chegar a altura da partilha, os bens ainda estarem disponíveis. Isto também pode acontecer em questões
sucessórias. A partir do momento que os bens do casal ou da família, na fase da partilha os bens estão identificados e,
deste modo, evita-se que algum dos cônjuges ou dos herdeiros “desapareça” com algum dos bens.

Processos de Jurisdição Voluntária – 986º e seguintes


Ao contrário de todos os outros processos especiais e ao contrário do que acontece no âmbito do processo comum, aqui
não existem litígios.
O que está na base de um processo de jurisdição voluntária são os interesses das partes que o legislador achou que
deviam ser recuados no âmbito de um processo judicial. Voluntária porque as ações que dão origem aos processos, não
são litígios, mas cabe ao tribunal controlar o modo como são regulados.
Existem critérios de julgamento completamente diferentes dos processos de jurisdição contenciosa. Nestes processos,
o tribunal recorre sempre a critérios como o da equidade e oportunidade – 987º. Existe um afastamento do princípio do
dispositivo (nº2/986º) e equivalência do princípio do inquisitório.
Enquanto nos processos de jurisdição contenciosa, é possível apresentar todas as provas que as partes queiram produzir.
Nestes processos, o juiz pode recusar provas e ordenar a produção de provas que as partes não requereram. Em relação
a tramitação, economia e celeridade, estes processos devem ser céleres e o próprio tribunal é exigido que a sentença
seja proferida em 15 dias.
Em regra, o valor dos processos de jurisdição voluntária é do art.303º CPC. Aqui não é exigida a intervenção de
advogado.
Nº2 do art.988º - não é possível recorrer ao STJ porque este tribunal apenas responde perante situações de direito. Pode-
se recorrer apenas à relação.

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Situações supervenientes – factos que ocorrem posteriormente à decisão e que fazem com que a decisão mude, visto
que as circunstâncias mudaram, a decisão não pode ser a mesma.

Processos de Jurisdição Contenciosa – todos os outros processos especiais. São verdadeiros litígios. Existe um
confronto entre partes, no sentido de existir um conflito de interesses, uma causa controvertida na qual as partes não se
entendem. Há conflitos de interesses entre o autor e réu, e, por isso, existe um processo litigioso, no sentido de cada
uma das partes defender uma posição em relação à outra parte.

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Regras para Contagem de Prazos


569º, nº1 CPC.
O prazo é fixado por lei ou estipulado pelo juiz.
Quando não existe prazo na lei ou quando o juiz nada diga, aplica-se o prazo geral à 149º CPC à 10 dias.
A contestação tem prazo de 30 dias. Pode existir uma prorrogação do prazo caso o juiz autorize.

Os prazos estão sujeitos ao critério da continuidade à não se interrompem. Conta-se sábados, domingos e feriados.

Os prazos podem ser: 139º


- Perentório – decorrido o prazo sem que a contestação seja deduzida, extingue-se o direito.
245º
- Dilatório – dilatam ou diferem o início da contagem para mais tarde.

O prazo dilatório antecede o prazo perentório. 142º CPC.


Ex: 5 dias de dilação/ 30 dias de perentório à conta-se como um só (35 dias).

Processo eletrónico à CITIUS à 132º.

Quando se praticam atos – 137º CPC / lei nº62/2013

Os prazos suspendem-se nas férias judiciais:


Art.28º da lei nº62 à férias judiciais

Em caso de injunção à recorrer ao decreto-lei 269/98 para ver os prazos.

Em caso de contestação à o réu pode contestar no prazo de 30 dias a contar da citação, começando o prazo a correr
desde o termo da dilação, quando a esta houver lugar; no caso de revogação do despacho de indeferimento liminar da
petição, o prazo para a contestação inicia-se com a notificação em 1ª instância daquela decisão – 569º, nº1.
O prazo de 30 dias para oferecer a contestação conta-se a partir da citação ou do termo da dilação, quando a esta houver
lugar.
Conforme dispõe o art.563º, o réu é citado para contestar e, a partir da citação, começa a contar o prazo para se defender
por meio da contestação. O tempo de que o réu dispõe para apresentar a contestação é, porém, diferente consoante haja
ou não dilação. Se houver dilação, só depois de terminada esta, começa a contar o prazo fixado para a contestação.
A dilação, como sabemos, é o período de tempo que se adiciona ao prazo previsto para a defesa. É de duração variável
conforme o modo como a citação foi levada a efeito. O art.245º faz referência a períodos de dilação de 5,15 e 30 dias.
Ao prazo de defesa do citando acresce uma dilação de 5 dias quando a citação tenha sido realizada em pessoa diversa
do réu, nos termos do nº2 do art.228º e dos nº2 e 4 do art.232; ou quando o réu tenha sido citado fora da área da comarca
sede do tribunal onde pende a ação – art.245º, nº1, a) e b).
A dilação é de 15 dias quando o réu tenha sido citado para a causa no território das regiões autónomas, correndo a ação
no continente ou outra ilha, ou vice-versa – nº2/245º.
Nos termos do disposto no art.245º nº3, a dilação é de 30 dias quando o réu haja sido citado para a causa no estrangeiro,
ou a citação haja sido edital, ou se verifique o caso do nº5/229º.
A dilatação do prazo que resulta da dilação ocorrerá, portanto, em três casos:
1º No caso de a citação ter sido feita em pessoa diversa do réu;
2º No caso de a citação ter sido feita em circunscrição judicial que não seja aquela em que corre a ação;
3º No caso de a citação ser edital ou feita nos termos do disposto no art.229, nº5.

Quando um prazo perentório se seguir a um prazo dilatório, os dois prazos contam-se como um só (142º). Quer dizer,
a soma dos dois é considerada como prazo único. O prazo é hoje contado de modo contínuo, nos termos do art.138º.

Em caso de pluralidade de réus à se a ação foi proposta contra vários réus e o prazo para a defesa de cada um termina
em dias diferentes, a contestação de todos ou de cada um deles pode ser oferecida até ao termo do prazo que começou
a correr em último lugar (569º/nº2). Havendo pluralidade de réus pode o termo final do prazo de cada um ocorrer em
datas diferentes. É o que acontece se forem citados em dias diferentes ou se tiverem diferentes prazos de dilação. Neste
caso, todos ou qualquer dos réus pode oferecer a contestação até ao termo do prazo que mais tarde findar. Todos
beneficiam do prazo que termina em último lugar para se prepararem para as suas defesas. O autor não será prejudicado,
visto que só será notificado da apresentação das contestações depois de apresentada a ultima ou de haver decorrido o
prazo do seu oferecimento (575º/nº2).

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Se, entretanto, o autor desistir da instância ou do pedido relativamente a algum dos réus não citados, serão os réus que
ainda não contestaram notificados da desistência, contando-se a partir da data da notificação o prazo para a sua
contestação (569º, nº3).

Em caso de providências cautelares à a indispensável celeridade dos procedimentos cautelares conduz a que nunca
haja lugar à citação edital (nº4/366º). Segundo este preceito, o juiz deve dispensar a prévia audiência do requerido
quando verificar que a citação pessoal deste não é viável.
A morosidade das diligências necessárias à confirmação da ausência do requerido em parte incerta iriam pôr em risco
a pretendida urgência e o respeito pelos prazos previstos no art.363º, nº2. A mesma exigência de celeridade dá aos
procedimentos cautelares o carater de urgencia, precedendo os respetivos atos qualquer outro serviço judicial não
urgente – nº1/363º.
Como consequência desta urgência, os respetivos prazos processuais não se suspendem durante as férias judiciais (138º,
nº1 in fine.
Tendo ainda em vista esta mesma exigência de celeridade, os procedimentos cautelares devem ser decididos, em 1ª
instância, no prazo máximo de 2 meses ou, se o requerido não tiver sido citado, de 15 dias (363º, nº2). O requerido não
é citado nos casos previstos nos artigos 366º, 378º e 393º.

Em caso de interposição de recursos à o prazo para a interposição do recurso ordinário é de 30 dias e conta-se a
partir da notificação da decisão, reduzindo-se para 15 dias nos processos urgentes e nos casos previstos no nº2 do 644º
e no artigo 677º - 638º, nº1.
O prazo corre a partir da publicação da decisão, se a parte for revel e não deve ser notificada nos termos do art.249º.
Se a revelia da parte tiver cessado antes de decorrido esse prazo, caso em que a sentença ou despacho tem de ser
notificado, o prazo começa a correr desde a data da notificação (638º, n º2).
se o recurso tiver por objeto a reapreciação da prova gravada, ao prazo de interposição e de resposta acrescem 10 dias
– 638º, nº7.

Possibilidade de prorrogação do prazo à a prorrogação pode ser concedida ao ministério público quando careça de
informações que não possa obter dentro do prazo normal ou tenha de aguardar resposta a consulta feita a instância
superior. Deve ser fundamentado este pedido (569º, nº4). Igual prorrogação pode ser concedida quando o tribunal
considere que ocorre motivo ponderoso que impeça ou dificulte anormalmente ao réu ou ao seu mandatário judicial a
organização da defesa. A prorrogação do prazo para a contestação tem de ser requerida pelo interessado e pode ser
concedida, sem audição da parte contrária, até ao limite máximo de 30 dias (569º, nº5). Procura-se ter em conta o
princípio da igualdade, visto que o autor tem tempo para preparar a ação que vai propor e recolher todas as informações
necessárias.
Fora do prazo as partes podem praticar os atos nos seguintes acontecimentos:
à invoca justo impedimento (140º) à acidentes rodoviários (trânsito não); impossibilidade de acesso informático ao
CITIUS;
Requisitos:
- alegar o acontecimento
- juntar elementos de prova do ocorrido, como documentos e testemunhas.
- praticar o ato que deveria ter sido praticado na data logo que seja possível.

à nº5 do art.139º CPC – o ato pode ser praticado dentro dos três primeiros dias uteis subsequentes ao termo do prazo,
nos termos das alíneas deste artigo. Não tem que se invocar motivo nenhum se a multa for paga.
UC – as custas do processo são feitas nesta medida, não em euros.
1 UC = 102€
½ UC = 51€

A Citação
A citação é o ato pelo qual se dá conhecimento ao réu de que foi proposta contra ele determinada ação e se chama ao
processo para se defender. Emprega-se ainda para chamar, pela primeira vez, ao processo alguma pessoa interessa na
causa (nº1/219º). As pessoas que além das partes primitivas, venham a intervir na ação (311º e 316º), devem ser citadas.
Em quaisquer outros casos em que se pretende chamar alguém a juízo ou dar-lhe conhecimento de um facto, utiliza-se
a notificação.
A citação destina-se essencialmente a dar conhecimento ao réu de que contra ele foi proposta uma ação e, para que
tenha possibilidade de se defender, ser-lhe-á entregue duplicado da petição inicial, cópia dos documentos que a
acompanhem e de todos os elementos do processo necessários à plena compreensão do seu objeto. Será também avisado

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do prazo dentro do qual pode oferecer a sua defesa, a obrigatoriedade ou não de patrocínio judiciário e as cominações
em que incorre no caso de revelia, ou seja, as consequências que sofre se não apresentar a sua defesa (nº3/219º e 227º).

A citação constitui um ato essencial para efeitos de realização do princípio do contraditório, visto que dá à contraparte
a oportunidade de defesa. Com ela se completa a relação processual que se iniciou com a petição.

Modalidades de Citação:

1ª Via – Citação – art.225º - sempre efetuada ao réu e uma única vez no processo. A citação é o ato que vai fazer
cumprir o princípio constitucionalmente consagrada, que é a defesa, porque é depois da citação que o réu possui um
prazo para realizar o princípio do contraditório. a citação é o ato mais importante do processo.

A citação é feita através das:


- Citação pessoal:

à Carta registada com aviso de receção (228º). Poderá fazer-se por meio de carta registada com AR dirigida ao
citando e endereçada para a sua residência ou local de trabalho, incluindo os elementos a que se refere o artigo 227º.
Deverá também conter a advertência, dirigida ao terceiro que a receba, de que a não entrega ao citando, logo que
possível, o fará incorrer em responsabilidade, em termos equiparados aos da litigância de má-fé (nº1/228º).
Contudo, a carta registada com AR pode ter domicílio convencionado (nº5/229º). Quando o domicílio é convencionado,
quer dizer que advém de um contrato que originou o litígio. As partes convencionaram os respetivos domicílios em
caso de notificações, citações. O domicílio convencionado a citação faz-se de forma muito mais simples.
A citação postal considera-se feita no dia em que se mostre assinado o aviso de receção e tem-se por efetuada na própria
pessoa do citando, mesmo quando o aviso de receção haja sido assinado por terceiro, presumindo-se, salvo
demonstração em contrário, que a carta foi oportunamente entregue ao destinatário (nº1/230º). Trata-se de uma
presunção iuris tantum, o que pode ser afastada por prova em contrário. É ao citando que cabe o ónus de alegar e provar
que não recebeu a carta.
Quando o citando recuse a assinatura do aviso de receção ou o recebimento da carta, o distribuidor postal lavrará nota
do incidente antes de a devolver e a citação considera-se efetuada face à certificação da ocorrência (nº3/229º).
Nos termos do nº2 do 230º, a citação considera-se feita na data certificada pelo distribuidor do serviço postal (no caso
de ter depositado o expediente) ou, no caso de ter deixado o aviso, no 8º dia posterior a essa data, presumindo-se que
o destinatário teve oportuno conhecimento dos elementos que lhe foram deixados.

à Contacto pessoal funcionário do tribunal/agente de execução (231º). Frustrando-se a via postal, a citação é
efetuada mediante contato pessoal do agente de execução com o citando, ao qual transmitirá os elementos referidos no
artigo 227º e lavrará certidão que o citando assinará (nº1, 2 e 3/231º). A citação por agente de execução pode ter lugar,
sem se usar previamente a citação por via postal, quando o autor o requerer na petição inicial (nº8/231º).
Se o citando não tiver em casa ou no local de trabalho, não podendo proceder à citação, mas o agente apurar que o
citando realmente vive ou trabalha ali, o agente poderá deixar uma nota com indicação de hora certa para a diligência
na pessoa encontrada que estiver em melhores condições de a transmitir ao citando ou, quando tal for impossível,
afixará o respetivo aviso no local mais indicado. No dia e hora designados, o agente de execução ou o funcionário fará
a citação na pessoa do citando se o encontrar; não o encontrando, a citação é feita na pessoa capaz que esteja em
melhores condições de transmitir ao citando, incumbindo-a o agente de execução ou o funcionário de transmitir o ato
ao destinatário e sendo a certidão assinada por quem recebeu a citação– 232º.
Não sendo possível obter a colaboração de terceiros, a citação é feita mediante a afixação, no local mais adequado e na
presença de duas testemunhas, da nota de citação (nº4/232º).
A citação também pode ser feita por mandatário judicial através do regime do art.231º a 237º, com as necessárias
adaptações.
Quando o réu resida no estrangeiro, observar-se-á o que estiver estipulado nos tratados e convenções internacionais.
Na falta de tratado ou convenção, a citação é feita por via postal, em carta registada com aviso de receção. Se esta se
frustrar, procede-se à citação por intermédio de consulado português.

à Via eletrónica, mas apenas se aplica a entidades públicas.

- Citação Edital – citações editais nas portas das moradas do réu e publicação de anúncios. Art.236º. depende de um
despacho do juiz, depois do juiz perceber que já se esgotaram todas as citações pessoais. Art.240º e 241º. Nas citações
editais, a contagem de prazo é feita nos termos do art.242º.

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Quando não é possível citar os citantes de forma nenhuma, a secretaria do tribunal acede a todas as bases de dados
possíveis e vai tentar encontrar a morada atualizada do réu e tenta citá-lo pessoalmente em todas as moradas. Se o réu
não se encontrar em lado nenhum, conclui-se que o réu está ausente em parte incerta. Se isto se constatar, a citação é
feita editalmente.
Quando seja impossível a realização da citação, por o citando estar ausente em parte incerta, a secretaria diligencia
obter informação sobre o último paradeiro ou residência conhecida junto de quaisquer entidades ou serviços.
A citação edital determinada pela incerteza do lugar em que o citando se encontra é feita por afixação de edital, seguida
da publicação de anúncio em página informática de acesso público, 240º nº1º.
O edital é afixado na porta da casa da última residência ou sede que o citando teve no país (240º, nº2).
O artigo 241º determina o conteúdo do edital e do anúncio. Do conteúdo do edital, a alínea c) deste preceito destaca o
prazo para a defesa, a dilação e a cominação, explicando que o prazo para a defesa só começa a correr depois de finda
a dilação e que esta se conta da data da publicação do anúncio.
A citação considera-se feita no dia da publicação do anúncio. A partir dessa data, conta-se o prazo da dilação; finda
esta começa a correr o prazo para oferecimento da defesa (nº1 e 2/242º).
A dilação é de 30 dias (nº3/245º). Nos termos do 142º, quando um prazo perentório se seguir a um prazo dilatório, os
dois prazos contam-se como um só.
A citação determinada pela incerteza das pessoas a citar é feita nos termos dos artigos 240º a 242º. Na ação proposta
contra incertos, estes são representados pelo ministério público (art.22º).

2ª Via – Notificação – A partir do momento que a ação é proposta, ambas as partes vão tendo conhecimento do processo
e isto é feito através das notificações. As notificações são formas de comunicar às partes qualquer evento, dão às partes
a oportunidade de realizar algum ato. As notificações são feitas pelos advogados via eletrónica (CITIUS).
A formalidade da notificação é feita nos termos do art.247º e 248º.
Nas notificações não há prazos dilatórios.

Admita que dia 3 de Maio de 2021, é contactado por Maria que lhe relata uma situação que consubstancia
(configura) um procedimento cautelar comum. Enquanto advogados da Maria, dão início ao procedimento que
correu os seus termos contra José e ao qual foi atribuído o valor de 120.000€. o procedimento foi julgado
procedente e a providência cautelar foi decretada. Após o contraditório de José, requerido, a PC foi revogada
por despacho elaborado no dia 5 de Julho de 2021. Enquanto advogados da Maria, pretendem recorrer desta
decisão.

a) Em que dia se consideram notificados?


Nº1, art.248º CPC à 8 de Julho
Admitindo que o dia de elaboração é dia 7 de Julho à considera-se notificada 12 de Julho.
Notificação 9 de Julho à 12 de Julho
b) Qual o prazo do recurso?
Prazo do recurso- art.638º - 15 dias.
c) Qual o 1º dia do prazo?
Art.279º, b) CC à 9 de Julho.
d) Qual o último dia?
Art.363º CPC – ato urgente, o prazo decorre. Regra da continuidade dos prazos.
Art.138º, nº1 CPC à 23 de Julho.
e) Qual o fim do prazo com 3 dias de multa?
Art.139º, nº5 à 3º dia de multa à 28 de Julho.

Quando o 1º dia do prazo é dia não útil, conta-se esse dia. Apenas não se conta os dias não utéis quando o último
dia é dia não útil e transfere-se para o 1º dia útil. Também não se conta se for férias.

António, residente em Lisboa, foi citado no dia 8 de Julho de 2021 para uma ação que decorre os seus termos no
tribunal de Portimão, ação esta que segue o processo comum declarativo. A citação foi efetuada por carta
registada com aviso de receção dirigida ao citando e rececionada por Maria, sua mulher.
a) Identifique o prazo dentro do qual António deve apresentar a sua defesa ou contestar.
Prazo processo comum para contestação – 569º - 30 dias.
O prazo começa a contar desde o termo da dilação (569º). Neste caso, sendo que foi a mulher de António a receber a
citação, aplica-se a alínea a) do nº1 do 245º, isto é, aplica-se mais 5 dias de dilação aos 30 dias de prazo perentório.

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Tendo em conta que o réu foi citado fora da área da comarca sede do tribunal onde pende a ação, aplica-se mais 5 dias
de prazo dilatório.
Isto é, o prazo é de 40 dias.
b) Qual o 1º dia do prazo?
9 de Julho. 279º-B do Código Civil.
c) Qual o último dia do prazo?
Nº1 e 2/138º - os prazos suspendem-se devido às férias judiciais (nº1 do art.137º e 28º da lei nº62/2013).
O último dia do prazo é 3 de Outubro que é domingo, por isso passa para o 1º dia útil, sendo este 4 de Outubro.
d) Qual o 3º dia do prazo com multa?
Nº5 do art.139º - três dias uteis subsequentes – 8 de Outubro (sexta-feira), pois dia 5/10 é feriado.

António, residente em Lisboa, foi citado no dia 8 de Julho de 2021 para uma ação que decorre os seus termos no
tribunal de Portimão, ação esta que segue o processo especial do decreto-lei 269/98. A citação foi efetuada por
carta registada com aviso de receção dirigida ao citando e rececionada por Maria, sua mulher. A ação tem o
valor de 6.000€.
a) Identifique o prazo dentro do qual António deve apresentar a sua defesa ou contestar.
Não existe prazo dilatório. Nos termos do nº1 do art.1º do DL 269/98, o prazo é e 20 dias, pois o valor da ação excede
a alçada do tribunal de 1ª instância.
Art.4º do da introdução do decreto-lei nº269/98
b) Qual o 1º dia do prazo?
9 de Julho.
c) Qual o último dia do prazo?
Suspende-se a contagem devido às férias – 13 de Setembro
d) Qual o 3º dia do prazo com multa?
3 dias uteis subsequentes – 16 de setembro

Notificações Avulsas – art.256º e seguintes CPC


Instrumento processual através do qual o requerente pede que seja transmitido ao requerido uma determinada
circunstância ou aquilo que quer transmitir. É feita através do tribunal e não é uma ação. A forma mais solene de
comunicar algo a outrem é através de notificações avulsas. Ex: titular de um direito de preferência querer exercer o seu
direito, prazo para celebrar uma escritura pública. Não é necessária a constituição de mandatário, pois não é uma ação
judicial, mas sim uma notificação. A notificação avulsa pode ser realizada através de um agente de execução ou o
próprio funcionário do tribunal que elabora um contacto pessoal. Os requeridos não comportam qualquer oposição à
notificação avulsa. A oposição é feita através de uma ação judicial posteriormente.
A notificação avulsa, juntamente com outros, pode constituir um título executivo e pode permitir ao autor recorrer a
uma ação executiva.

As notificações avulsas dependem de despacho prévio que as ordene e são feitas pelo solicitador de execução,
designado para o efeito pelo requerente (administrador do condomínio) ou pela secretaria, ou por funcionário de
justiça, quando o autor (administrador do condomínio) declare, na petição inicial, que assim pretende, pagando para o
efeito a taxa fixada no Código das Custas Judiciais , bem como quando não haja solicitador de execução inscrito em
comarca do círculo judicial a que o tribunal pertence, na própria pessoa do notificando, à vista do requerimento,
entregando-se ao notificado o duplicado e cópia dos documentos que o acompanhem.
O solicitador ou funcionário de execução lavra certidão do acto de notificação, que é assinada pelo notificado
(condómino proprietário). O requerimento e a certidão do acto de notificação são entregues a quem tiver requerido a
diligência (administrador do condomínio).
Os requerimentos e documentos para as notificações avulsas são apresentados em duplicado; e, tendo de ser
notificada mais de uma pessoa, apresentar-se-ão tantos duplicados quantas forem as que vivam em economia
separada. (cfr. art.º 261.º, n.º 4, do Código de Processo Civil).
As notificações avulsas não admitem oposição alguma. (cfr. art.º 262.º, n.º 1, do Código de Processo Civil).
As custas das notificações avulsas são pagas pelo requerente (cfr. art.º 453.º, n.º 3, do Código de Processo Civil).
A notificação judicial avulsa é somente um processo que permite, por via judicial, comunicar um facto a determinada
pessoa. Não é uma acção judicial destinada a fazer valer direitos (daí o termo "AVULSA").
Circunstância muito relevante: tem custos! Pagos pelo requerente!

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Interpolação admonitória - pode ser feita através de carta com aviso de receção ao devedor, por exemplo. Deve ser
feita da forma mais segura possível.
A interpelação admonitória consiste no ato pelo qual o credor demanda o devedor em mora para que este realize a
obrigação a que está vinculado, sob pena de entrar em incumprimento definitivo. Na interpelação admonitória, o credor
deve fixar um prazo suplementar razoável ao devedor para que cumpra, sob pena de, não o fazendo, se considerar a
obrigação definitivamente incumprida. Passado o prazo admonitório, dá-se o incumprimento definitivo, tendo o credor
todos os direitos provenientes do incumprimento definitivo, designadamente o direito de resolver o contrato. Por
hipótese, se A. se obrigou a entregar certa coisa até ao dia 10 e não o tiver feito, entra automaticamente em mora.
Neste caso, o seu credor pode efetuar uma interpelação admonitória a A., dando-lhe um prazo suplementar, de x dias,
para cumprir a obrigação, sob pena de a considerar definitivamente não cumprida.

Distribuição – 203º a 218º – escolher o juiz de forma aleatória para um certo processo. Deve existir uma distribuição
igual de trabalho para todos os processos. Juiz natural – juiz distribuído.

Nulidade dos Atos – 186º e seguintes CPC


O processo é uma sequência de atos processuais de modo que a invalidade de um ato processual tende a repercutir-se
nos atos subsequentes, exatamente pelo facto do processo ser uma sequencia. A nulidade pode decorrer de prescrição
expressa da lei ou da aplicação da cláusula geral do artigo 195º CPC.
Até quando podem ser arguidas as nulidades principais? 198º. As nulidades devem ser arguidas dentro do prazo que a
lei prevê. Se não forem invocadas dentro do prazo, fica precludida a possibilidade de a invocar. Depois, uma vez
invocada, o juiz pode indeferir o despacho. Posteriormente, pode recorrer desse despacho que não reconheça a nulidade.
Se a lei não estabelecer outro prazo, aplica-se a regra geral dos 10 dias.
Elementos que devem conter o despacho à 191º, 227º CPC.

A nulidade ocorre através de dois requisitos:


- Prática indevida ou omissão indevida de um certo ato processual. Prática de um ato que a lei proíbe ou a omissão de
um ato que a lei prescreve.
- A sua possível influencia sobre exame ou decisão da causa. Se só se verificar o 1º requisito, estamos perante uma
mera irregularidade

- Nulidades principais – as mais graves e que tem consequências graves para a ação judicial.
à ineptidão da Petição Inicial – 186º - o réu é absolvido da instância. Todo o processo é nulo. Nada do processo de
aproveita.
à falta de citação – 187º/188º - anula-se tudo o que se processou depois da petição. É tão grave que permite que o réu
interponha um recurso extraordinário de revisão. Este recurso (696º ss) consiste num mecanismo de correção de matriz
extraordinária, destinada a decisões já transitadas em julgado. Art.227º.
à erro na forma do processo ou no meio processual – 193º - tem origem no autor.
à falte de vista ou exame ao Ministério Público como parte acessória – 194º

- Nulidades secundárias – apesar de corresponderem a vícios, não têm consequências tão graves e extensas. Estas são
todas as restantes que não foram mencionadas anteriormente. Nº2 do art.195º - a nulidade uma parte do ato não
prejudica as outras partes que dela sejam independentes.

Salvo nos casos previstos no artigo 196º, que prevê as nulidades de conhecimento oficioso enquanto não sanadas, a
nulidade só pode ser invocada pelo interessado na observância da formalidade ou na repetição ou eliminação do ato
(nº1/197º). Nos termos do nº2/197º, não pode ser arguida pela parte que lhe deu causa, ou expressa ou tacitamente pela
parte que renunciou à arguição.

Dispõe o nº2/198º que a falta de citação, nos termos do art.187º, e a falta de vista ou exame ao Ministério Público como
parte acessória, nos termos do art.194º podem ser conhecidas em qualquer estado do processo, enquanto não devam
considerar-se sanadas. Neste caso (a que, para este último efeito, se acrescenta o de citação edital – 191º, nº2, 2ª parte),
o juiz conhece da nulidade logo que dela se aperceba, podendo suscitá-la em qualquer estado do processo, enquanto
não devam considerar-se sanadas (nº1, 200º).
Dispõe o nº1/198º que a nulidade decorrente de ineptidão da petição inicial (186º) e o erro na forma de processo
(nº1/193º) só podem ser invocados até à contestação ou na contestação (nº1/198º), sendo à partida apreciadas no
despacho saneador (nº2/200º).

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Nos outros casos, deve ser invocada na primeira oportunidade: ou até que termine o ato que esteja a decorrer, ou no
prazo de 10 dias contados do momento em que tome ou possa tomar conhecimento do ato (nº1/149º; nº1/199º), devendo
ser apreciadas logo que sejam reclamadas (nº3/200º).

No caso de ser anulado um ato, anulam-se também todos aqueles que dele dependam absolutamente (nº2/195º). A
nulidade de uma parte do ato não prejudica as outras partes que dele sejam independentes.

Exemplo: Art.452º (depoimento de parte) e art.459º (prestação de juramento) – fazer sentir a importância moral do
juramento. Trata-se de uma formalidade que a lei prescreve. Se a parte se recusar a jurar, equivale à recusa a depor. Há
um peso moral importante envolvido na prestação do juramento.

António, solteiro, comerciante e residente em Lisboa, vendeu a Carlos e Matilde, residentes em Sintra e casados
entre si no regime de comunhão geral de bens, diverso material informático pelo preço de 8.000 €.
Convencionaram que o material seria entregue ao comprador em 4 de setembro de 2020 e que o pagamento
seria efetuado um mês após a entrega do material.
O material foi entregue a Carlos e Matilde, mas estes não procederam ao pagamento, como convencionado.
Por tal motivo, António pretende a cobrança do valor em dívida. Pergunta-se:

1. Diga qual o meio processual adequado para a defesa dos direitos de António, identifique o pedido e a causa
de pedir, bem como as partes legitimas.
Injunção. Estamos no âmbito de um dos processos especiais do decreto-lei.
Ou também podia ser uma ação declarativa
Litisconsórcio necessário à legitimidade passiva (nº3 do art.34º)

2. Tendo em conta que, no contrato celebrado, as partes convencionaram expressamente que em caso de litígio
o tribunal territorialmente competente seria o da comarca de Lisboa, pronuncie-se quanto à validade desta
cláusula e identifique o tribunal competente.
Competência Convencional – art.95º CPC
No âmbito do art.95º CPC, o que está em causa é a possibilidade que as partes têm, em alguns casos, de escolher qual
o tribunal nacional competente para conhecer o litígio. As partes têm alguma autonomia para decidir que, em caso de
litígio, qual o tribunal territorialmente competente.
Os critérios são os previstos no art.104º, nº1, a) CPC.
Art.71º - 2ª Parte à área metropolitana de lisboa
R: este critério não é imperativo.

3. Admita agora que, após várias tentativas de citação pessoal de Carlos e Matilde, foram os mesmos citados
através de citação edital por se encontrarem em paradeiro desconhecido, tendo o édito e anúncio sido publicados
em 18 de dezembro de 2020. Diga:
a) O prazo de que os réus dispõem para contestar;
em caso de injunção à art.7º e seguintes do decreto 269/98
de acordo com o decreto preambular, não há prazo dilatório
prazo perentório à art.1º do decreto à prazo de 20 dias que começa a correr depois de terminar o prazo de dilação.
A citação considera-se feita no dia 18 de dezembro de 2020 à dia da publicação do anúncio à nº1/242º

b) Identifique o primeiro dia desse prazo;


férias judiciais – 28, lei nº62 2013 – 22 de dezembro a 3 de janeiro
19 de dezembro de 2020

c) Identifique o último dia do prazo.


21 de janeiro de 2021.
+ 3 dias da multa.

4. Carlos e Matilde apresentaram a sua defesa sem que, no entanto, tenham constituído mandatário para o efeito.
Diga se tal facto constitui um vício e, em caso afirmativo, de que natureza e quais as respetivas consequências.
Valor da causa à 8.000€ à 297º, nº1.
A constituição de mandatário é necessária, nos termos do nº1 do art.40º CPC. A falta de constituição de advogado,
art.41º, pode resultar na absolvição do réu da instância, de não ter seguimento o recurso ou de ficar sem efeito a defesa.
Carlos e Matilde não apresentaram mandatário na sua defesa.

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O juiz deverá convidar as partes a resolver o vício. Caso a parte não sane o vício, aplica-se as consequências do art.41º.

5. Após a contestação de Carlos e Matilde, António constata que, por lapso, não peticionou os juros de mora,
vencidos e vincendos, sobre o capital em dívida. Pode António, nesta fase, fazer requerimento ao processo no
sentido de, na eventual condenação dos réus, ser tido em conta o valor dos juros pretendidos?
Não, porque temos o princípio do dispositivo. É na petição inicial que o autor deve invocar todos os factos essenciais
e estabelecer o seu pedido. Vigora também o princípio da estabilidade da instância (260º CPC).
Depois do réu ser citado, deve-se manter tudo nos mesmos termos.

6. Diga o que entende por Princípio da Boa Fé́ Processual e, no caso da sua violação, quais as consequências
que decorrem para as partes
Art.8º à 542º

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