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Vento e Segurança em Pousos e Decolagens

O vento é um fator crítico nas operações de pouso e decolagem, podendo causar acidentes, como o ocorrido no Aeroporto de Narita em 2009, onde rajadas de vento atingiram 40 nós. Apesar das boas condições de visibilidade, o vento invisível e suas variações podem impactar significativamente o desempenho da aeronave. Pilotos devem estar cientes de que nem todas as adversidades meteorológicas são visíveis e que informações sobre o vento são essenciais para operações seguras.
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Vento e Segurança em Pousos e Decolagens

O vento é um fator crítico nas operações de pouso e decolagem, podendo causar acidentes, como o ocorrido no Aeroporto de Narita em 2009, onde rajadas de vento atingiram 40 nós. Apesar das boas condições de visibilidade, o vento invisível e suas variações podem impactar significativamente o desempenho da aeronave. Pilotos devem estar cientes de que nem todas as adversidades meteorológicas são visíveis e que informações sobre o vento são essenciais para operações seguras.
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O “INVISÍVEL” VENTO E OS PROCEDIMENTOS

DE POUSO E DECOLAGEM
Martim Roberto Matschinske - Maj R1
Meteorologista - CREA NACIONAL 220574024-5

O vento é um parâmetro meteorológico extremamente importante nas operações


de pouso e decolagem. Por atuar diretamente na sustentação aerodinâmica da aeronave,
seu efeito pode ser perigoso em certas condições de tempo.
Vários acidentes e inúmeros “sustos” a tripulação e passageiros foram provocados
por este invisível, porem, sempre atuante parâmetro meteorológico. Avaliações
preliminares apontam o vento como a principal causa do acidente ocorrido no Aeroporto
de Narita, Japão, as 21:50 UTC do dia 22 de março de 2009.

Reportagens de G1- [Link]

Aeroporto de Narita - Japão

Condições Meteorológicas no Aeroporto de NARITA nos horários próximos ao acidente:

22/03/2009 RJAA 2000 33012KT 9999 FEW020 11/05 Q0997 NOSIG=

22/03/2009 RJAA 2100 30013G28KT 260V330 9999 FEW020 13/M01 Q0998NOSIG=

22/03/2009 RJAA 2200 31026G40KT 9999 FEW020 12/M02 Q1001 NOSIG=

22/03/2009 RJAA 2300 30018G29KT 9999 FEW030 13/M04 Q1002 WS R34RNOSIG=


Fonte REDEMET
Analise das mensagens METAR:
1- Às 21:00 UTC o vento médio dos últimos 10 minutos era de 13KT, porém foi
registrado pico “rajada “ de 29KT. Nenhuma restrição de visibilidade e teto.
2- Às 22:00 UTC, horário próximo ao acidente, o vento médio dos últimos 10 minutos
foi de 18KT com pico de 40KT. Este vento estava praticamente alinhado com a
pista (pista 340° magnéticos e vento 310° geográficos). Nenhuma restrição de
visibilidade e teto.

Em análise mais abrangente das condições meteorológicas reinantes, ficou


evidente a variação da pressão ao longo do tempo. No gráfico abaixo, constata-se que
ocorreu uma variação total de 32 hPa nas 24 horas que precederam ao acidente
(destacado em vermelho), ocasionada pela passagem de um sistema frontal. Esta
informação é um dos preditores utilizados pelos meteorologistas visando à emissão de
Avisos de vento forte e windshear.

Fonte REDEMET

Com base na RADIOSSONDAGEM realizada próximo ao local e hora do acidente,


observa-se na tabela abaixo que o perfil vertical do vento se manteve com direção
praticamente constante e a velocidade aumentando rapidamente com a altitude,
alcançando 60KT em 2950 (próximo ao FL100).

Fonte University Wyoming


Conclusão e orientações:

Nos procedimentos de pouso e decolagem, nem todas as adversidades


encontradas nas condições de vento resultam em acidentes. Normalmente elas se
apresentam e atuam sobre a aeronave interferindo em seu desempenho aerodinâmico,
ocasionando, em princípio, um efeito turbulento associado ao ganho ou perda de
sustentação da aeronave.
As condições meteorológicas no Aeroporto de Narita se apresentavam boas na
avaliação visual do piloto, isto em termos de visibilidade e nebulosidade. Normalmente
estes dois parâmetros são os mais respeitados pelos pilotos devido ao seu impacto visual
produzido. Porém, o mesmo não acontece com a variável meteorológica vento, que por
definição consiste no ar (invisível) em movimento e que no momento do acidente estava
apresentando picos de 40 nós.
Justamente, pelo vento se apresentar de forma transparente, invisível, o seu
impacto sensorial é diferente ao ser humano. O piloto, dentro da aeronave, não consegue
ter a mesma percepção do vento que uma pessoa exposta tem. Por esta razão e em
função de ser um dos parâmetros meteorológicos de maior variação espacial e temporal,
sua medição requer certos critérios relativos ao local de instalação do anemômetro, de
forma que o local escolhido para a instalação seja o mais representativo das informações
utilizadas operacionalmente. Temporalmente, os valores médios de observação utilizados
para o cálculo do valor médio são de 2 minutos para uso operacional da TWR / ATIS e de
10 minutos para codificação no METAR.

Lembretes ao piloto:

a- Ter sempre em mente que nem toda adversidade meteorológica pode ser por ele
observada visualmente.
b- Em condições de vento forte, mesmo que praticamente alinhados com a pista,
podem ocorrer efeitos turbulentos significativos em virtude apenas da variação de
sua intensidade.
c- Quando rajadas são registradas no METAR ou reportadas pela TWR / ATIS, é
porque picos de vento com duração de 3 segundos estão ocorrendo.
d- Com acesso a esta informação, o vento deixou de ser “invisível” e passa a ser uma
informação de vital importância para auxiliá-lo na operação segura de sua
aeronave.

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