TJRN
PJe - Processo Judicial Eletrônico
08/07/2025
Número: 0805084-90.2021.8.20.5300
Classe: GUARDA DE FAMÍLIA
Órgão julgador: 1ª Vara de Família da Comarca de Parnamirim
Última distribuição : 07/01/2022
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Guarda
Segredo de justiça? SIM
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes Procurador/Terceiro vinculado
LEONIDAS DE ANDRADE FERNANDES (REQUERENTE) LAURIANO VASCO DA SILVEIRA (ADVOGADO)
NIEDERLAND TAVARES LEMOS registrado(a) civilmente
como NIEDERLAND TAVARES LEMOS (ADVOGADO)
TICYANNE MAIA DE ARAUJO FERNANDES (REQUERIDO) ANNA MARIA MENDONCA NUNES (ADVOGADO)
ROZICLEIDE GOMES DE PONTES (ADVOGADO)
MPRN - 09ª Promotoria Parnamirim (CUSTOS LEGIS)
Documentos
Id. Data Documento Tipo
156893992 08/07/2025 Sentença Sentença
16:16
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
1ª Vara de Família da Comarca de Parnamirim
Processo: 0805084-90.2021.8.20.5300
AUTOR: LEONIDAS DE ANDRADE FERNANDES
REU: TICYANNE MAIA DE ARAUJO FERNANDES
SENTENÇA
I – RELATÓRIO
Trata-se de ação de divórcio litigioso cumulada com alimentos provisórios, partilha de bens,
guarda de menor e convivência, ajuizada por Leonidas de Andrade Fernandes em face de Ticyanne
Maia de Araujo Fernandes, ambos qualificados nos autos.
A parte autora narrou que manteve relacionamento com a parte requerida sob o regime da
comunhão parcial de bens, do qual adveio o nascimento dos filhos Penélope, Lavínia e Héctor, todos
menores de idade à época. Alegou que o único bem constituído na constância do casamento foi um
veículo automotor, "PRISMA 1.4 LT, ano 2011, modelo 2012, placa NOG-5272 RN, chassi nº
9BGRP69X0CG135509, no valor da tabela FIPE 2021, valor do veículo R$ 28.290,00".
Sustentou que, após a separação de fato, passou a encontrar dificuldades para manter a
convivência com os filhos.
Em razão disso, requereu: (1) a fixação de alimentos em benefício dos infantes, no valor de R$
1.100,00 (um mil e cem reais), acrescido do pagamento das mensalidades dos planos de saúde, das contas
de internet, energia elétrica e condomínio, bem como manutenção da moradia, em imóvel cedido pelo avô
paterno dos alimentandos; (2) divisão equitativa do valor relativo ao veículo pertencente ao casal; (3)
regulamentação da guarda unilateral, a ser exercida pela genitora; (4) regulamentação do exercício do
direito de convivência, pelo genitor, "concedido com um aviso prévio, na proporção de um fim de semana
por mês, mais feriados e férias escolares"; (5) proibição de que a adolescente Penélope de Araújo
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Fernandes durma "fora da presença da genitora ou do genitor, enquanto durar a presente lide"; e, no
mérito, pugna pela estabilização da tutela antecipatória e decretação do divórcio.
Em decisão de id. 77310032, foi regulamentado o exercício do direito de convivência pelo genitor,
em finais de semana alterados, das 8h do sábado às 20h do domingo, além do período que compreende a
segunda metade das férias escolares; e fixados alimentos provisórios em valor correspondente a 01 (um)
salário-mínimo.
Posteriormente, o requerente se manifestou nos autos no sentido da redução dos alimentos
ofertados, ante a alteração da sua capacidade financeira, bem como no sentido de obter a guarda unilateral
dos filhos para si (id. 93896406).
A parte requerida apresentou contestação e reconvenção em id. 94097226, na qual sustentou que
possui plenas condições de continuar exercendo a guarda dos filhos em comum, e que o valor ofertado a
título de alimentos não atende às necessidades dos alimentandos. No tocante ao veículo automotor
indicado à partilha, informou que foi vendido pelo requerente por R$ 23.000,00 (vinte e três mil reais),
sem que tenha sido efetuado o pagamento da parte que lhe é devida.
Réplica à contestação e contestação à reconvenção apresentada no id. 96417825.
Decretado o divórcio das partes no id. 99591126.
Proferida Decisão saneadora no id. 130761802, indeferindo a prova testemunhal, diante da
suficiência, no caso, das provas periciais e documentais.
Os Laudos psicossociais foram juntados nos ids. 98971638, 144886146, 109618391 e 134603117.
Parecer conclusivo do MP no id. 148294543, no sentido da fixação de alimentos definitivos no
patamar de um salário-mínimo vigente, bem como da fixação da guarda compartilhada, com lar de
referência materno, resguardado o direito de convivência do genitor.
É o relatório. Decido.
II – FUNDAMENTAÇÃO
Inicialmente, indefiro o pedido de complementação do laudo pericial (id. 146650325), por
entender que a perícia realizada é completa e suficiente ao julgamento da demanda no estado em que se
encontra.
Dos alimentos.
No que se refere aos alimentos, há de se destacar que, com as diretrizes constitucionais que
determinam uma vida digna à pessoa humana, tal instituto do Direito de Família surge com o objetivo de
dar o suporte material a quem não tem meios de arcar com a própria subsistência.
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Os alimentos não se relacionam apenas com o direito à vida e à integridade física da pessoa, mas,
principalmente, com a realização da dignidade humana, proporcionando ao necessitando condições
materiais de manter sua subsistência. Seu conteúdo está expressamente atrelado à tutela da pessoa e à
satisfação de suas necessidades fundamentais.
A obrigação de prestar alimentos resulta da orientação contida no art. 1.630 c/c o art. 1.634, I, do
Código Civil, segundo os quais estão sujeitos ao poder familiar todos os filhos menores, devendo os pais
proporcionar-lhes meios materiais para sua subsistência e instrução.
No presente caso, quanto aos filhos do casal, diante da prova do parentesco e da menoridade, o
direito é irrefutável e se encontra devidamente comprovado através dos documentos juntados aos autos.
Além disso, os menores possuem o lar materno como referência, de forma que o trabalho da
guardiã com quem o alimentando reside deve ser considerado e computado no cálculo do percentual dos
alimentos.
Isso porque, não há como deixar de observar que, além de todos os encargos financeiros, também
existem os encargos relativos à criação, que são muitos e despendem tempo, cuidado, além de muita
paciência e dedicação.
A responsabilidade atribuída ao genitor(a) que convive com os filhos ultrapassa a assistência
material, é um trabalho árduo, diário, integral, onde não se percebe remuneração, momento em que ocorre
o capital invisível, que, na maioria das vezes, é da maternidade.
Nesse sentido:
DIREITO DAS FAMÍLIAS. DIREITOS HUMANOS. AÇÃO DE ALIMENTOS C/C
REGULAMENTAÇÃO DE CONVIVÊ[Link] PROVISÓRIA DE URGÊNCIA. DECISÃO
RECORRIDA. FIXAÇÃO DOS ALIMENTOS PROVISÓRIOS EM 50% DO SALÁRIO MÍNIMO
AOS TRÊS FILHOS MENORES DE IDADE. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO
INTERPOSTO PELA MÃE. PLEITO DE FIXAÇÃO DE ALIMENTOS PROVISÓRIOS EM 33%
DOS RENDIMENTOS LÍQUIDOS DO AGRAVADO. OBSERVÂNCIA DO TRINÔMIO
ALIMENTAR (POSSIBILIDADE-NECESSIDADE- PROPORCIONALIDADE). FILHOS EM
IDADE INFANTIL. NECESSIDADE PRESUMIDA. TRABALHO DOMÉSTICO DE CUIDADO
DIÁRIO E NÃO REMUNERADO DA MULHER. CONSIDERAÇÃO NO CÁLCULO DA
PROPORCIONALIDADE DOS ALIMENTOS. ADOÇÃO DO PROTOCOLO DE JULGAMENTO
COM PERSPECTIVA DE GÊNERO DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇ[Link]ÇÃO
DO PRINCÍPIO DA PARENTALIDADE RESPONSÁVEL. RECURSO CONHECIDO E
PROVIDO. (...) [Link] os filhos em idade infantil residem com a mãe, as atividades
domésticas, inerentes ao dever diário de cuidado (como o preparo do alimento, a correção das
tarefas escolares, a limpeza da casa para propiciar um ambiente limpo e saudável) - por exigirem
uma disponibilidade de tempo maior da mulher, sobrecarga que lhe retira oportunidades no
mercado de trabalho, no aperfeiçoamento cultural e na vida pública - devem ser consideradas,
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contabilizadas e valoradas, para fins de aplicação do princípio da proporcionalidade, no cálculo
dos alimentos, uma vez que são indispensáveis à satisfação das necessidades, bem-estar e
desenvolvimento integral (físico, mental, moral, espiritual e social) da criança. Inteligência dos
artigos 1º e 3º, caput, do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) c/c artigo 3.2 da
Convenção sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas. 6. O princípio da
parentalidade responsável (artigo 226, § 7º, da Constituição Federal)- concretizado por meio do
pagamento de alimentos fixados em montante proporcional aos esforços da mulher, com a
realização de trabalhos domésticos e diários na educação da criança - é um instrumento de
desconstrução da neutralidade epistêmica e superação histórica de diferenças de gêneros, de
identificação de estereótipos presentes na cultura que comprometem a imparcialidade jurídica, de
promoção da equidade do dever de cuidado de pai e mãe no âmbito familiar, além de ser um meio
de promoção de direitos humanos e de justiça social (artigos 4º, inc. II, e 170, caput, da
Constituição Federal). (...) (TJ-PR - 12a Câmara Cível - 0013506-22.2023.8.16.0000 - Rio
Branco do Sul - Rel.: EDUARDO AUGUSTO SALOMAO CAMBI - J. 02.10.2023)
Assim, é imperativo levar em consideração que as horas de cuidado que se tem com um filho têm
um custo invisível, que, ao que tudo indica, é predominantemente pago, no caso dos autos, pela genitora
do alimentando, de modo que não se pode sobrecarregar ainda mais a mãe, responsável pela gestão das
funções de sobrevivência que a criança necessita para sua vida e seu pleno desenvolvimento.
Prosseguindo, é certo que, na fixação de alimentos, deve-se levar em conta, nos termos do art.
1.694, §1º do Código Civil, a necessidade do requerente e as possibilidades financeiras do obrigado.
No presente caso, não há o que se discutir quanto à necessidade dos alimentandos, sendo dois
deles atualmente de idade (necessidade presumida), devendo ser analisada a real possibilidade do genitor.
Partindo disso, verifica-se nos autos o pedido de alimentos formulado pela parte autora foi fixado,
em sede de decisão liminar, no valor correspondente a um salário-mínimo mensal em favor dos três filhos
menores. Durante a instrução, restou demonstrado que o autor exerce atividade remunerada e mantém
renda fixa superior a dois salários-mínimos, conforme contracheques juntados aos autos e entrevista
pericial (id. 144886146, pág. 4).
Dessa forma, os alimentos anteriormente fixados mostram-se adequados à realidade econômica do
genitor e às necessidades dos filhos, razão pela qual devem ser mantidos.
Faz-se necessário lembrar que o valor arbitrado pelo juiz em sentença pode sofrer alteração
posterior, a depender dos preenchimentos dos critérios do art. 1.699, do Código Civil, quando houver a
piora das condições financeiras do alimentante ou a melhora na situação do beneficiário dos alimentos.
Da guarda.
Quanto a este ponto, o feito prossegue apenas em relação aos filhos menores Lavínia e Hector,
visto que a filha Penelope atingiu a maioridade no curso do processo, extinguindo-se o poder familiar e a
análise de questões relativas à guarda.
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Sobre a guarda dos filhos em comum, tal instituto se configura como um dos atributos do poder
familiar, cabendo a ambos os genitores em relação aos filhos. É uma forma de exercício do direito à
convivência familiar, constitucionalmente assegurado.
Acerca do tema, dispõe o art. 1.583, em seu caput e §1º, do Código Civil: "A guarda será
unilateral ou compartilhada. §1º Compreende-se por guarda unilateral a atribuída a um só dos genitores
ou a alguém que o substitua (art. 1.584, § 5º) e, por guarda compartilhada a responsabilização conjunta
e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto, concernentes ao
poder familiar dos filhos comuns".
Por sua vez, disciplina o art. 1.584, §2º, do mesmo Diploma Civil: "A guarda, unilateral ou
compartilhada, poderá ser: § 2º Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do
filho, encontrando-se ambos os genitores aptos a exercer o poder familiar, será aplicada a guarda
compartilhada, salvo se um dos genitores declarar ao magistrado que não deseja a guarda da criança ou
do adolescente ou quando houver elementos que evidenciem a probabilidade de risco de violência
doméstica ou familiar".
Assim, o exercício da guarda pode se dar de forma unilateral ou compartilhada, devendo-se,
sempre que possível, optar por esta em detrimento daquela.
No caso, verifica-se dos laudos periciais produzidos que ambas as partes são aptas ao exercício da
guarda dos filhos, sendo pais dedicados e comprometidos com o bem-estar dos menores, e inexistindo
qualquer situação concreta que desabone a conduta do pai ou da mãe.
Nesse sentido, o parecer psicológico: “Ambos os pais apresentam conjunturas estáveis: física,
econômica, social e psicológicas, e não há condições de negligências, maus tratos e/ou situações de
riscos, caso os filhos residam com ambos os genitores, sendo capazes de oferecer saúde, segurança e
educação” (id. 134603117, pág. 4).
Em casos como esse, é aconselhável o exercício da guarda compartilhada, cabível inclusive na
hipótese em que os genitores residem em cidades ou estados diferentes, tendo em vista que, com o avanço
tecnológico, é plenamente possível que, à distância, os pais compartilhem a responsabilidade sobre a
prole, participando ativamente das decisões acerca da vida dos filhos.
Quanto ao lar de referência, há de se destacar que os menores se encontram sob os cuidados da
genitora desde a separação do casal, havendo situação fática consolidada por longos anos. Em casos como
esse, a jurisprudência se posiciona no sentido da proteção dos menores de eventuais alterações bruscas em
seu cotidiano, incluindo o lar de referência, resguardando-se o melhor interesse:
CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE DIVÓRCIO E
GUARDA. GUARDA COMPARTILHADA. ART. 1.584, § 2º, DO CÓDIGO CIVIL. FIXAÇÃO DO
LAR DE REFERÊNCIA. ART. 1.583, § 3º, DO CÓDIGO CIVIL. MELHOR INTERESSE DOS
FILHOS. MANUTENÇÃO DA SITUAÇÃO FÁTICA. RECURSO DESPROVIDO. 1. O art. 1.584, §
2º, do Código Civil, impõe ser a guarda compartilhada a regra, enquanto que o § 3º, do art.
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1.583, do mesmo diploma legal, determina que “na guarda compartilhada, a cidade considerada
base de moradia dos filhos será aquela que melhor atender aos interesses dos filhos”. 2. É
recomendável que os filhos não sejam submetidos a alterações bruscas na dinâmica de
convivência comunitária, a não ser por motivos relevantes e relacionados ao seu melhor interesse.
3. Importante que seja aprofundada a instrução probatória na ação judicial de origem, inclusive
mediante a realização de estudo social, a fim de que eventual reversão do lar de referência e
alteração do quadro fático seja definido em cognição exauriente, até por importar em
modificação da residência entre município não contíguos. (TJ-ES - AGRAVO DE
INSTRUMENTO: 50071617420238080000, Relator.: HELOISA CARIELLO, 2ª Câmara Cível).
No caso, a genitora figura como principal referência cotidiana dos filhos, em razão da manutenção
da residência comum desde a separação, sendo os menores assistidos por ela em suas necessidades
básicas, de modo contínuo e responsável.
Ainda que tenha sido informado nos autos o desejo do filho Hector em residir com o genitor, é
desaconselhável a separação de irmãos, dividindo-se a guarda entre os pais, visto que fragiliza a
solidariedade familiar e afeta profundamente o vínculo afetivo fraterno. Ademais, o próprio genitor
reconheceu em entrevista à perita que “gostaria que o filho Hector fixasse residência com ele, no entanto
ressaltou que os laços afetivos entre a criança e as irmãs é primordial” (id. 144886146, pág. 4).
Diante disso, revela-se mais benéfico ao interesse dos menores, especialmente à manutenção da
convivência entre os irmãos, que seja estabelecido o lar de referência na residência materna, consolidando
a situação de fato e garantindo a estabilidade do núcleo familiar.
Da convivência.
Fixado o lar de referência materno, torna-se necessário regulamentar as visitas a serem exercidas
pelo genitor.
A respeito das visitas, prevê o art. 1589 do Código Civil que “o pai ou a mãe, em cuja guarda não
estejam os filhos, poderá visitá-los e tê-los em sua companhia, segundo o que acordar com o outro
cônjuge, ou for fixado pelo juiz, bem como fiscalizar sua manutenção e educação”.
No caso, a prova técnica destacou a necessidade de fortalecimento do vínculo paterno-filial,
recomendando que se oportunize ao genitor um convívio mais efetivo com os filhos, de modo a preservar
os laços afetivos existentes.
Assim, a convivência paterna deverá ocorrer quinzenalmente, em finais de semana alternados,
retirando os filhos na sexta-feira à tarde e devolvendo-os no domingo à noite, em horários a serem
ajustados entre as partes. Além disso, a genitora deverá facilitar o contato dos filhos com o genitor
diariamente, por mensagens ou chamadas de vídeo, em horário previamente combinado.
Da partilha de bens.
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Consta dos autos que, durante a constância da união, as partes adquiriram um veículo
Chevrolet/Prisma 1.4 LT, placa NOG-5272, cuja propriedade encontra-se comprovada por meio do
Certificado de Registro de Veículo (ID 77139860). As partes reconhecem a existência do bem e não
impugnaram sua natureza comum.
Entretanto, restou informado que o veículo foi alienado unilateralmente pela parte autora, sem que
o valor obtido fosse partilhado. Considerando que a propriedade do bem integrava o acervo comum, e que
a venda não foi objeto de questionamento quanto à sua regularidade, deve ser partilhado o valor
correspondente à metade do montante obtido com a alienação do veículo, cabendo a cada parte 50% do
respectivo valor.
No tocante aos bens móveis indicados pela parte autora, não há nos autos comprovação de sua
existência, tampouco de que tenham sido adquiridos na constância da sociedade conjugal. Diante da
ausência de prova mínima, não é possível incluir tais itens na partilha.
Quanto às dívidas mencionadas pela parte requerida no ID 103341344, observa-se que não há
qualquer comprovação quanto à origem ou à data de vencimento, não sendo possível aferir se foram
contraídas durante o casamento ou se revertidas em benefício da entidade familiar. Ainda que assim não
fosse, a apresentação de tais documentos foi feita de forma extemporânea, sem justificativa plausível para
sua juntada após a contestação, configurando-se a preclusão temporal para sua apreciação.
III – DISPOSITIVO
Ante o exposto, com fundamento no artigo 487, inciso I, do Código de Processo Civil, JULGO
PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos formulados, para:
a) Fixar os alimentos devidos pelo genitor aos filhos Hector de Araujo Fernandes, Lavínia de
Araujo Fernandes e Penélope de Araujo Fernandes, no valor equivalente a um salário-mínimo
mensal, conforme definido na decisão liminar, valor este a ser pago até o quinto dia útil de cada mês,
mediante depósito em conta bancária indicada pela genitora;
b) Estabelecer a guarda compartilhada dos filhos menores Hector de Araujo Fernandes e
Lavínia de Araujo Fernandes, com fixação do lar de referência na residência materna, considerando a
situação de fato já consolidada e a conveniência da manutenção da convivência entre os irmãos;
c) Regulamentar o regime de convivência entre o pai e os filhos Hector de Araujo Fernandes e
Lavínia de Araujo Fernandes, a ser exercido quinzenalmente, em finais de semana alternados, com
retirada na sexta-feira à tarde e devolução no domingo à noite, além de contato diário por meio de
mensagens ou chamadas de vídeo, em horário previamente ajustado. Além disso, os feriados e datas
comemorativas deverão ser alternadas entre os genitores; os filhos poderão estar com o genitor/genitora
no dia de aniversário dele(a), bem como com a mãe no dia das mães e com o pai no dia dos pais; metade
das férias escolares com cada genitor; no aniversário da criança, poderá passar um período do dia com o
pai, e o outro período com a mãe, caso não haja acordo em sentido diverso;
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d) Determinar a partilha do valor obtido com a venda do veículo Chevrolet/Prisma 1.4 LT,
placa NOG-5272, devendo o autor repassar à requerida o equivalente à metade do valor percebido com a
alienação, a ser apurado em eventual ação indenizatória.
Julgo IMPROCEDENTES os demais pedidos formulados.
Considerando a sucumbência recíproca, condeno ambas as partes ao pagamento das custas
processuais e dos honorários advocatícios de sucumbência, os quais fixo em 10% do valor da causa,
recaindo 60% da condenação sobre a parte autora, e 40% da condenação sobre a parte ré. A condenação
fica suspensa em favor de ambas as partes, em razão da gratuidade judiciária que ora defiro.
Caso interposta apelação por qualquer das partes e considerando que tal recurso não mais está
sujeito a juízo de admissibilidade pelo Juízo de 1º grau (art. 1.010, § 3º, do CPC), sendo este de
competência do Tribunal, certifique-se a sua tempestividade e, se for o caso, o recolhimento do preparo,
intimando-se a parte contrária para oferecimento das contrarrazões no prazo legal (art. 1.010, § 1º, do
CPC) e, após, encaminhem-se os autos ao E. TJRN.
Apresentada apelação adesiva junto às contrarrazões, intime-se o apelante para apresentar
contrarrazões (art. 1.010, § 2º, do CPC) e, após, encaminhem-se os autos ao E. TJRN.
Observe-se que o processo somente deverá ser concluso se houver algum requerimento de alguma
das partes que demande decisão do Juízo de 1º grau.
Observe a Secretaria eventual pedido para que as intimações dos atos processuais sejam feitas em
nome do(s) advogado(s) indicado(s), consoante o disposto no art. 272, § 5º, do CPC.
Transitada em julgado, arquive-se com baixa na distribuição.
Ciência ao MP (10 dias).
Intimem-se. Cumpra-se.
Sentença com força de mandado/termo de guarda compartilhada.
Parnamirim/RN, data e hora do sistema.
ANA PAULA BARBOSA DOS SANTOS ARAÚJO NUNES
Juiz(a) de Direito
(documento assinado digitalmente na forma da Lei n°11.419/06)
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