O Segredo da Melodia Oculta
Eu juro que a vida na nossa cidadezinha é tipo um roteiro de filme teen super
clichê, sabe? A gente tem a escola com os grupinhos de sempre, o café com o melhor
frappuccino do mundo e, claro, o mistério anual que ninguém resolve. Mas esse ano,
o mistério me pegou de jeito.
Tudo começou quando eu estava andando de skate de volta pra casa, com meus fones de
ouvido no máximo, ignorando o mundo. De repente, a música que eu estava ouvindo
simplesmente... mudou. Não era a playlist do Spotify bugada, era uma melodia que
nunca ouvi antes. Era tipo um violino triste, mas lindo, com uns toques de piano
que pareciam feitos de estrelas cadentes. Eu parei na hora, tipo, "WTF é isso?".
Olhei em volta. Não tinha ninguém tocando. A música parecia vir de lugar nenhum e
de todos os lugares ao mesmo tempo, como se o ar estivesse cantando. Segui o som,
meio hipnotizada, e acabei numa parte da cidade que eu nem sabia que existia – um
beco super estreito, com grafites antigos e uma porta de madeira que parecia tirada
de um livro de contos de fadas. A melodia ficava mais forte ali.
Minhas amigas, a Gabi e a Carol, diriam pra eu não ser tão "esquisita" e voltar pra
casa, mas eu não conseguia. Era como se a música estivesse me chamando. E não era
só a melodia, era uma sensação. Um arrepio bom que ia da ponta dos meus dedos até a
raiz dos meus cabelos tingidos de roxo.
A porta estava entreaberta. Tomei coragem (e respirei fundo, tipo, umas dez vezes)
e espiei lá dentro. Era um ateliê antigo, cheio de instrumentos musicais
empoeirados, partituras espalhadas e uns esboços de coisas que pareciam máquinas
voadoras. E lá, no centro de tudo, estava ele.
Não, não era um fantasma ou um monstro. Era um garoto. Devia ter a minha idade,
talvez um pouco mais velho. Cabelos meio bagunçados que pareciam ter vida própria,
olhos que eram tipo um mar escuro e profundo, e os dedos mais longos e elegantes
que já vi, deslizando sobre as cordas de um violino que parecia feito de ébano.
Ele estava tocando aquela melodia. A música enchia o lugar e eu fiquei ali, parada,
sem conseguir respirar, sentindo cada nota vibrar dentro de mim. Era mágico. Ele
parecia nem notar que eu estava ali, completamente imerso na música.
Até que, de repente, ele parou. O violino baixou. E aqueles olhos, que antes
estavam perdidos na melodia, se fixaram em mim. Meu coração deu um salto triplo
carpado e eu senti minhas bochechas queimarem. Eu sabia que estava parecendo uma
idiota, espiando pela porta.
"Eu... eu ouvi a música", consegui gaguejar, sentindo que ia desmaiar a qualquer
segundo. "É... é sua?"
Ele me olhou por um momento, sem expressão, e eu pensei, "Pronto, ele vai me
expulsar." Mas então, um pequeno sorriso surgiu nos lábios dele, um sorriso que fez
a luz do ateliê parecer mais brilhante.
"Sim", ele respondeu, a voz um pouco rouca, mas linda, "é minha. Mas você é a
primeira pessoa a realmente ouvir."
E foi assim que minha vida parou de ser só um clichê e começou a ter uma trilha
sonora secreta, só nossa. Eu sabia que aquele garoto, com sua melodia oculta, ia
mudar tudo. E eu estava super curiosa pra saber qual seria o próximo acorde.