PROVAS
1.1 ACEPÇÕES DA PALAVRA PROVA:
a) Prova enquanto fonte de prova: é de onde se pode
extrair a prova. São três: as pessoas, as coisas e os
fenômenos.
b) Prova enquanto meio de prova: este é o modo,
método ou procedimento de se extrair a prova da fonte para
colocá-la no processo. Ex: testemunho
No Brasil, vigora o princípio da liberdade dos meios de
provas ou atipicidade dos meios de prova.
Art. 332. Todos os meios legais, bem como os
moralmente legítimos, ainda que não
especificados neste Código, são hábeis para
provar a verdade dos fatos, em que se funda a
ação ou a defesa.
Ex: Prova emprestada (não há previsão na legislação)
1.2 PROVA E CONTRADITÓRIO:
O direito à prova é um direito fundamental, conteúdo do
direito ao contraditório.
1.3 PROVA E JUIZ.
1.3.1 Poder instrutório do juiz – No processo civil, o
juiz tem poder instrutório, podendo assim determinar de
oficio a produção de provas, independentemente de
requerimento das partes. Essa regra se aplica a qualquer
tipo de processo civil (direitos disponíveis ou indisponíveis)
(art. 130 CPC). Obs.: Não cabe no processo penal.
Art. 130. Caberá ao juiz, de ofício ou a
requerimento da parte, determinar as provas
necessárias à instrução do processo, indeferindo
as diligências inúteis ou meramente
protelatórias.
1. INÍCIO E FIM DA FASE
PROBATÓRIA:
Art. 336. Salvo disposição especial em contrário,
as provas devem ser produzidas em audiência.
Parágrafo único. Quando a parte, ou a
testemunha, por enfermidade, ou por outro
motivo relevante, estiver impossibilitada de
comparecer à audiência, mas não de prestar
depoimento, o juiz designará, conforme as
circunstâncias, dia, hora e lugar para inquiri-la.
Obs.: as provas documentais essenciais devem ser
produzidas já com o ajuizamento da inicial (art. 283) e, no
caso do réu, com a apresentação da contestação (art. 396).
2. OBJETO DA PROVA:
Como regra geral, somente os fatos devem ser objeto de
prova, mas não o direito (juria novit cúria).
Todavia, o direito poderá ser objeto de prova:
Art. 337. A parte, que alegar direito municipal,
estadual, estrangeiro ou consuetudinário, provar-
lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o
juiz.
Apesar da regra de que o objeto da prova ser os fatos,
nem sempre eles devem ser provados.
Art. 334. Não dependem de prova os fatos:
I - notórios;
II - afirmados por uma parte e confessados pela
parte contrária; (é a admissão expressa do fato
pela parte contrária).
III - admitidos, no processo, como
incontroversos; (é a não contestação do fato – é
a confissão tácita).
IV - em cujo favor milita presunção legal de
existência ou de veracidade.
3. MEIOS DE PROVA:
No Código de Processo Civil estão previstos
expressamente os seguintes meios de prova: depoimento
pessoal, confissão, exibição de documento ou coisa, prova
documental, prova testemunhal, acareação (art. 418, II),
prova pericial e inspeção judicial.
Fora de nosso Código, entretanto, estão os indícios
(CPP, art. 239), o reconhecimento de pessoas ou coisas
(CPP, art. 226), as presunções (Código Civil), a prova
emprestada e “quaisquer outros meios legais e moralmente
legítimos” (art. 332) etc.
3.1 A PROVA EMPRESTADA:
Prova emprestada “é a retirada de outro processo,
admitindo-se a sua validade contra quem também participou
do processo e pôde contraditá-la”.
São dois os requisitos necessários para que a prova
emprestada seja admitida no processo civil:
1º - As partes deverão ser as mesmas do processo que
originou a prova
2º - A prova emprestada deverá passar novamente pelo
crivo do contraditório.
Obs.: O STF já decidiu que é admitida a prova
emprestada do inquérito policial para o processo
administrativo.
4. A PROVA ILEGAL:
As mesmas regras, princípios e teorias do processo
penal sobre provas ilícitas são também aplicadas ao
processo civil, com exceção de um detalhe: No processo
penal admite-se, excepcionalmente, a utilização de provas
ilícitas em favor de réu. Já no processo civil, admite-se essa
utilização para as duas partes, indistintamente.
Existem duas correntes sobre prova ilegal:
Corrente 1:
Provas ilegais (gênero)
Provas ilícitas e ilegítimas (espécie)
Prova ilícita viola normas de direito material (ex:
interceptação telefônica não autorizada)
Provas ilegítimas atinge regra meramente
processual. (ex: juntada de novos documentos sem
concessão de vistas a parte contrária)
Corrente 2:
Provas ilegais simplesmente vedadas pela lei (Ex:
prova exclusivamente testemunhal de contrato cujo valor
supera 10 salários mínimos)
Provas ilícitas obtidas por um meio ilícito. Por
exemplo: interceptação de conversa telefônica não
autorizada (crime).
Observação:
A teoria dos frutos podres da arvores envenenada
também é aplicada ao processo civil.
5. CRITÉRIOS DE VALORAÇÃO DA PROVA:
6.1 SISTEMA DA CERTEZA LEGAL:
A lei tarifa previamente as provas, não deixando
margem de liberdade para o juiz. A prova teria a importância
prevista por lei, cabendo ao magistrado apenas verificar o
fato e aplicar a norma valorativa.
Embora não adotada no Brasil, existem resquícios na
legislação atual, como se pode observar nos arts. 366 e 401,
do Código de Processo Civil.
Art. 366. Quando a lei exigir, como da substância
do ato, o instrumento público, nenhuma outra
prova, por mais especial que seja, pode suprir-
lhe a falta. (Ex: testamento)
Art. 401. A prova exclusivamente testemunhal só
se admite nos contratos cujo valor não exceda o
décuplo do maior salário mínimo vigente no país,
ao tempo em que foram celebrados.
6.2 SISTEMA DA ÍNTIMA CONVICÇÃO:
Também denominado sistema do livre convencimento,
há total liberdade do magistrado para averiguação das
evidências coligidas, podendo ele decidir sem qualquer
vinculação com os elementos constantes nos autos.
Não foi adotado no Brasil, com exceção do Tribunal do
Júri.
6.3 SISTEMA DA PERSUASÃO RACIONAL:
Pelo sistema da persuasão racional (ou do livre
convencimento motivado), o juiz decide livremente a lide,
mas com base nos elementos dos autos, devendo sempre
motivar a sua convicção (art. 131).
Este foi o sistema adotado no processo brasileiro.
Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova,
atendendo aos fatos e circunstâncias constantes
dos autos, ainda que não alegados pelas partes;
mas deverá indicar, na sentença, os motivos que
Ihe formaram o convencimento.
Art. 335. Em falta de normas jurídicas
particulares, o juiz aplicará as regras de
experiência comum subministradas pela
observação do que ordinariamente acontece e
ainda as regras da experiência técnica,
ressalvado, quanto a esta, o exame pericial.
6. ÔNUS DA PROVA:
Ônus da prova é uma regra que atribui responsabilidade
pela falta de prova de um determinado fato. Ou seja, quem
tem o ônus da prova, arcará com as consequência se a
prova não for produzida.
O ônus da prova é uma regra de julgamento.
7.1 TEORIA ESTÁTICA DE DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS
DA PROVA (art. 333):
Em regra, o ônus é de quem alega.
Art. 333. O ônus da prova incumbe:
I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu
direito;
II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo,
modificativo ou extintivo do direito do autor.
7.2 TEORIA DINÂMICA DA DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA
PROVA
De acordo com essa teoria, a distribuição do ônus da
prova deve ser dinâmica, ou seja, deve variar conforme as
peculiaridades do caso concreto. (quem tem mais
possibilidade de produzir a prova é quem deve ficar com
esse ônus). Amplamente aceita pela jurisprudência,
inclusive pelo STJ. O fundamento dela são os direitos
fundamentais à igualdade e a um processo adequado. .
O CDC, já prevê essa flexibilidade. A diferença é que
nas causas de consumo, a inversão do ônus da prova será
sempre a favor do consumidor.
Quando deve ser feita a inversão do ônus da prova?
Há três posições:
1ª – É no despacho que ordena a citação do réu
(posição minoritária)
2ª – No saneamento do processo (antes de produzir a
prova) (há julgados do STJ)
3ª – Na sentença (depois de produzir a prova) (também
há julgados no STJ).
Fredie Didier afirma que deve ser feita sempre antes da
sentença, para permitir que a parte que recebeu um ônus
que não tinha possa se desincumbir dele.
Assim, para Didier, as regras do ônus da prova são
regras de julgamento, mas a inversão do ônus da prova não
é regra de julgamento, mas sim regra de procedimento (em
respeito ao contraditório). Esse é o posicionamento
majoritário.
7.3 CONVENÇÃO SOBRE O ÔNUS DA PROVA:
É possível a convenção contratual de critérios próprios
(diversos do CPC), salvo:
Parágrafo único. É nula a convenção que
distribui de maneira diversa o ônus da prova
quando:
I - recair sobre direito indisponível da parte;
II - tornar excessivamente difícil a uma parte o
exercício do direito.
7.4 INVERSÃO LEGAL DO ÔNUS DA PROVA:
São hipóteses legais que excepcionam o art. 333, o art.
6º, inciso VIII (da Lei 8.078/90), o art. 389, inciso II do
Código de Processo Civil.
CDC:
“Art. 6º. São direitos básicos do consumidor:
(...)
VIII – a facilitação da defesa de seus direitos,
inclusive com inversão do ônus da prova, a seu
favor, no processo civil, quanto, a critério do juiz,
for verossímil a alegação ou quanto for ele
hipossuficiente, segundo as regras ordinária de
experiências”.
Obs.: A inversão não é automática no CDC, ao
contrário do que muitos pensam.
CPC:
Art. 389. Incumbe o ônus da prova quando:
I - se tratar de falsidade de documento, à parte
que a arguir;
II - se tratar de contestação de assinatura, à
parte que produziu o documento.
Obs.: Em causas de consumo em que se discute
publicidade enganosa, o ônus da prova de que a publicidade
não é enganosa é do fornecedor. (art. 38 do CDC)
8 PRINCÍPIOS DA PROVA:
8.1 PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL:
O juiz deve julgar a demanda de acordo com as provas
produzidas nos autos, devendo externar as razões de suas
decisões, sendo obrigado a enfrentar com seriedade todas
as teses relevantes articuladas pelas partes (ainda que seja
para rechaçá-las).
8.2 PRINCÍPIO DA ORALIDADE:
Os atos do processo, na medida do possível, devem ser
produzidos perante o juiz, oralmente (predominância da
oralidade sobre as peças escritas).
Decorrem deste princípio processual basilar as regras
(a) da identidade física do juiz (CPC, art. 132) e (b) da
concentração (CPC, arts. 450 e seguintes).
8.3 PRINCÍPIO DA IMEDIAÇÃO:
O juiz é quem colhe, direta e imediatamente, a prova
(sistema presidencial), facultado às partes, evidentemente,
reperguntar aos depoentes e testemunhas (art. 446, II).
8.4 PRINCÍPIO DA IDENTIDADE FÍSICA DO JUIZ:
O juiz, titular ou substituto, que concluir a audiência de
instrução deverá julgar a lide, salvo se estiver convocado,
licenciado, afastado por qualquer motivo, promovido ou
aposentado, casos em que passará os autos ao seu
sucessor (art. 132).
8.5 PRINCÍPIO DA COMUNHÃO DA PROVA (OU
AQUISIÇÃO DA PROVA):
Se a prova está nos autos, ela pertence ao processo,
não importando quem a trouxe.
9. PROVAS EM ESPÉCIE
9.1 DEPOIMENTO PESSOAL
9.1.1 Conceito:
Genericamente, pode-se dizer que o depoimento
pessoal é meio de prova através do qual a parte visa obter
em relação ao seu adversário a confissão sobre fatos
relativos à demanda e interessantes à sua tese (art. 348).
9.1.2 O interrogatório cível e o depoimento pessoal:
Interrogatório cível:
Art. 342. O juiz pode, de ofício, em qualquer
estado do processo, determinar o
comparecimento pessoal das partes, a fim de
interrogá-las sobre os fatos da causa.
Depoimento pessoal:
Art. 343. Quando o juiz não o determinar de
ofício, compete a cada parte requerer o
depoimento pessoal da outra, a fim de interrogá-
la na audiência de instrução e julgamento
DISTINÇÕES ENTRE O INTERROGATÓRIO CÍVEL E
O DEPOIMENTO PESSOAL:
INTERROGATÓRIO DEPOIMENTO
PESSOAL
Determinado de oficio pelo É requerido pela parte
juiz. contrária
É realizada a qualquer É realizado na audiência
momento de instr. e julg., salvo
exceções.
O juiz pergunta e ambas O juiz pergunta e a parte
as partes podem fazer contrária também
reperguntas pergunta.
Consequência da Consequência da
ausência do interrogado: ausência do depoente:
crime de desobediência confissão ficta.
Obs.:
No interrogatório não há que se falar em aplicação da
pena de confissão, posto que se trata de prova colhida por
iniciativa do juiz; já a finalidade do depoimento pessoal é
justamente a aplicação da pena de confesso, sendo
imprescindível, por esse motivo, o cumprimento das
formalidades do art. 343, § 1º.
§ 1o A parte será intimada pessoalmente,
constando do mandado que se presumirão
confessados os fatos contra ela alegados, caso
não compareça ou, comparecendo, se recuse a
depor.
§ 2o Se a parte intimada não comparecer, ou
comparecendo, se recusar a depor, o juiz Ihe
aplicará a pena de confissão.
9.1.3 Procedimento do depoimento pessoal:
INICIATIVA:
Somente a parte contrária poderá requerer, sendo que a
providência será apreciada e, conforme o caso, deferida
pelo juiz.
ADVERTÊNCIA ORAL:
Em audiência, antes da colheita do depoimento pessoal,
deve o juiz, novamente, desta feita por meio verbal, advertir
a parte de que eventual recusa em depor ou o emprego de
evasivas nas declarações implicarão também na aplicação
da pena de confissão (arts. 343, § 2o, in fine e 345).
Art. 345. Quando a parte, sem motivo justificado,
deixar de responder ao que Ihe for perguntado,
ou empregar evasivas, o juiz, apreciando as
demais circunstâncias e elementos de prova,
declarará, na sentença, se houve recusa de
depor.
ORDEM NOS DEPOIMENTOS:
Primeiramente deverá depor pessoalmente o autor e
depois o réu.
Art. 344. A parte será interrogada na forma
prescrita para a inquirição de testemunhas.
Parágrafo único. É defeso, a quem ainda não
depôs, assistir ao interrogatório da outra parte.
FORMULAÇÃO DE PERGUNTAS:
Art. 346. A parte responderá pessoalmente sobre
os fatos articulados, não podendo servir-se de
escritos adrede preparados; o juiz Ihe permitirá,
todavia, a consulta a notas breves, desde que
objetivem completar esclarecimentos.
DESOBRIGAÇÃO DO DEVER DE DEPOR
PESSOALMENTE E INOCORRÊNCIA DA CONFISSÃO:
Segundo o art. 347, a “parte não é obrigada a depor de
fatos criminosos ou torpes, que lhe forem imputados” e,
ainda, aqueles “a cujo respeito, por estado ou profissão
deva guardar sigilo”.
Saliente-se, enfim, que o preceito indicado “não se
aplica às ações de filiação, de desquite e de anulação de
casamento” (art. 347, par. único), posto que envolvem a
necessidade da prova de fatos íntimos, secretos e
naturalmente constrangedores.
9.2 CONFISSÃO
9.2.1 Conceito:
Art. 348. Há confissão, quando a parte admite a
verdade de um fato, contrário ao seu interesse e
favorável ao adversário. A confissão é judicial ou
extrajudicial.
9.2.2 Confissão e reconhecimento da procedência
do pedido - confronto:
A confissão tem natureza jurídica de meio de prova (não
leva necessariamente à derrota na demanda) e o
reconhecimento da procedência do pedido de verdadeiro ato
de disposição de direito material (leva à derrota na ação)
9.2.3 Eficácia da confissão:
A confissão tem como eficácia, geralmente, tornar o fato
confessado incontroverso, salvo nas hipóteses legalmente
excepcionadas (direitos indisponíveis).
Não se deve olvidar, porém, de duas regras probatórias
básicas existentes no Código de Processo Civil:
Art. 350. A confissão judicial faz prova contra o
confitente, não prejudicando, todavia, os
litisconsortes.
Parágrafo único. Nas ações que versarem sobre
bens imóveis ou direitos sobre imóveis alheios, a
confissão de um cônjuge não valerá sem a do
outro.
9.2.4 Espécies de confissão:
Confissão judicial e extrajudicial (art. 348, in fine).
CONFISSÃO JUDICIAL:
Pode ser espontânea ou provocada.
CONFISSÃO JUDICIAL ESPONTÂNEA:
Art. 349. A confissão judicial pode ser
espontânea ou provocada. Da confissão
espontânea, tanto que requerida pela parte, se
lavrará o respectivo termo nos autos; a confissão
provocada constará do depoimento pessoal
prestado pela parte.
Parágrafo único. A confissão espontânea pode
ser feita pela própria parte, ou por mandatário
com poderes especiais.
A confissão espontânea pode ocorrer em qualquer
momento processual, como na contestação, em petição
interlocutória ou em alegações finais. Sendo formulada
verbalmente em juízo, deve ser reduzida a termo (art. 349).
CONFISSÃO JUDICIAL PROVOCADA:
É a que se dá eventualmente por ocasião do
depoimento pessoal prestado pela parte (art. 349, caput, in
fine).
Ao contrário da confissão judicial espontânea, não pode
a provocada ser efetuada por mandatário, mas apenas
pessoalmente e por ocasião da colheita do depoimento
pessoal (art. 343, §§).
CONFISSÃO EXTRAJUDICIAL:
A confissão extrajudicial, como o próprio nome está a
dizer, é aquela que se opera fora do processo judicial,
podendo ser efetuada por escrito à parte, constar de
testamento ou ser dirigida a terceiro.
CONFISSÃO EXTRAJUDICIAL FEITA POR ESCRITO –
EFICÁCIA:
Art. 353. A confissão extrajudicial, feita por
escrito à parte ou a quem a represente, tem a
mesma eficácia probatória da judicial; feita a
terceiro, ou contida em testamento, será
livremente apreciada pelo juiz.
Parágrafo único. Todavia, quando feita
verbalmente, só terá eficácia nos casos em que
a lei não exija prova literal.
9.2.5 Características da confissão
IRRETRATABILIDADE:
A confissão é irretratável, salvo as exceções do artigo
352 do CPC:
Art. 352. A confissão, quando emanar de erro,
dolo ou coação, pode ser revogada:
I - por ação anulatória, se pendente o processo
em que foi feita;
II - por ação rescisória, depois de transitada em
julgado a sentença, da qual constituir o único
fundamento.
Parágrafo único. Cabe ao confitente o direito de
propor a ação, nos casos de que trata este
artigo; mas, uma vez iniciada, passa aos seus
herdeiros.
INDIVISIBILIDADE:
Art. 354. A confissão é, de regra, indivisível, não
podendo a parte, que a quiser invocar como
prova, aceitá-la no tópico que a beneficiar e
rejeitá-la no que Ihe for desfavorável. Cindir-se-
á, todavia, quando o confitente Ihe aduzir fatos
novos, suscetíveis de constituir fundamento de
defesa de direito material ou de reconvenção.
(confissão qualificada)
Qualificada, apenas para esclarecimento, é a confissão
que, a par de admitir fatos prejudiciais ao próprio confitente,
acrescenta circunstância suscetíveis de constituir
fundamento de defesa ou reconvenção (ex.: confissão de
dívida, com alegação de pagamento parcial; confissão do
dano, com alegação de negativa do nexo de causalidade).
9.2.6 Confissão ficta:
Hipóteses de cabimento:
(a) não oferta de contestação no prazo legal (art. 319);
(b) não comparecimento a audiências preclusivas (cf. art.
277, § 2o, do Código de Processo Civil; art. 7o, da Lei
5.478/68 e art. 20, da Lei 9.099/95); (c) falta de impugnação
especificada na contestação (art. 302, caput); (d) reticência
ou omissão em depoimento pessoal (arts. 343, § 2o e 345) e
(e) recusa à exibição determinada judicialmente (art. 359).
9.3 PROVA DOCUMENTAL
9.3.3 Documento público:
É aquele emanado por um servidor publico no exercício
de suas funções e em razão delas.
PRESUNÇÃO DE AUTENTICIDADE DO DOCUMENTO
PÚBLICO (juris tantum): é relativa e decorre da fé publica.
Art. 364. O documento público faz prova não só
da sua formação, mas também dos fatos que o
escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar
que ocorreram em sua presença.
FORMA DE DESCONSTITUIÇÃO DA PRESUNÇÃO:
É possível o afastamento da presunção de veracidade
do documento público, desde que produzida prova
verossímil.
Meios:
Ação declaratória de falsidade documental
Incidente de falsidade documental (art. 387).
Art. 367. O documento, feito por oficial público
incompetente, ou sem a observância das
formalidades legais, sendo subscrito pelas
partes, tem a mesma eficácia probatória do
documento particular.
O mesmo se pode dizer do documento público
elaborado por oficial competente, mas sem a observância
das formalidades legais. Vale dizer, se subscrito pelas
partes, terá eficácia de documento particular.
9.3.4 Documento particular:
DEFINIÇÃO E ESPÉCIES:
Documento particular é aquele elaborado sem a
interferência de servidor público ou serventuário da justiça,
sendo subscrito por ambas as partes, por uma delas ou, às
vezes, por ninguém (exemplo: livros comerciais)
9.3.5 Força probante do documento particular:
(...)
Art. 371. Reputa-se autor do documento
particular:
I - aquele que o fez e o assinou;
II - aquele, por conta de quem foi feito, estando
assinado;
III - aquele que, mandando compô-lo, não o
firmou, porque, conforme a experiência comum,
não se costuma assinar, como livros comerciais
e assentos domésticos.
Art. 373. Ressalvado o disposto no parágrafo
único do artigo anterior, o documento particular,
de cuja autenticidade se não duvida, prova que o
seu autor fez a declaração, que Ihe é atribuída.
Parágrafo único. O documento particular,
admitido expressa ou tacitamente, é indivisível,
sendo defeso à parte, que pretende utilizar-se
dele, aceitar os fatos que Ihe são favoráveis e
recusar os que são contrários ao seu interesse,
salvo se provar que estes se não verificaram.
Art. 383. Qualquer reprodução mecânica, como a
fotográfica, cinematográfica, fonográfica ou de
outra espécie, faz prova dos fatos ou das coisas
representadas, se aquele contra quem foi
produzida Ihe admitir a conformidade.
Parágrafo único. Impugnada a autenticidade da
reprodução mecânica, o juiz ordenará a
realização de exame pericial.
Art. 384. As reproduções fotográficas ou obtidas
por outros processos de repetição, dos
documentos particulares, valem como certidões,
sempre que o escrivão portar por fé a sua
conformidade com o original.
Art. 385. A cópia de documento particular tem o
mesmo valor probante que o original, cabendo
ao escrivão, intimadas as partes, proceder à
conferência e certificar a conformidade entre a
cópia e o original.
§ 1o - Quando se tratar de fotografia, esta terá
de ser acompanhada do respectivo negativo.
§ 2o - Se a prova for uma fotografia publicada
em jornal, exigir-se-ão o original e o negativo.
Art. 388. Cessa a fé do documento particular
quando:
I - lhe for contestada a assinatura e enquanto
não se Ihe comprovar a veracidade;
II - assinado em branco, for abusivamente
preenchido.
Parágrafo único. Dar-se-á abuso quando aquele,
que recebeu documento assinado, com texto não
escrito no todo ou em parte, o formar ou o
completar, por si ou por meio de outrem,
violando o pacto feito com o signatário.
Ao contrário do documento público, que tem presunção
de legitimidade, o documento particular só se considera
legítimo se não impugnado pela parte contrária.
Art. 372. Compete à parte, contra quem foi
produzido documento particular, alegar no prazo
estabelecido no art. 390, se Ihe admite ou não a
autenticidade da assinatura e a veracidade do
contexto; presumindo-se, com o silêncio, que o
tem por verdadeiro.
Parágrafo único. Cessa, todavia, a eficácia da
admissão expressa ou tácita, se o documento
houver sido obtido por erro, dolo ou coação.
Obs.: Nesse ultimo caso, admite-se o questionamento
mesmo fora do prazo previsto no art. 390, inclusive em ação
autônoma, baseada no art. 171, inciso II, do novo Código
Civil.
Só para titulo de esclarecimento, o prazo do art. 390 se
refere ao prazo da arguição de falsidade (incidente de
falsidade), que deverá ser feito na contestação, ou em 10
dias contados da juntada do documento falso aos autos.
9.3.6 Documento viciado em sua forma:
Art. 386. O juiz apreciará livremente a fé que
deva merecer o documento, quando em ponto
substancial e sem ressalva contiver entrelinha,
emenda, borrão ou cancelamento.
9.3.7 Contra quem fazem prova?:
“As declarações constantes de documento particular,
escrito e assinado, ou somente assinado, presumem-se
verdadeiras em relação do signatário”, não se impondo a
terceiros (art. 368), salvo aceitação expressa ou tácita,
conforme se referenciou.
Quando, entretanto, o documento contiver uma
declaração de ciência relativa a determinado fato, provará a
declaração, mas não o fato declarado, competindo ao
interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato (art.
368, parágrafo único).
9.3.8 Escrito do credor:
“A nota escrita pelo credor em qualquer parte de
documento representativo de obrigação, ainda que não
assinada, faz prova em benefício do devedor” (art. 377,
parágrafo único).
9.3.9 Da produção da prova documental:
Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial
(art. 283), ou a resposta (art. 297), com os
documentos destinados a provar-lhe as
alegações.
Caso não inclua os documentos essenciais a propositura da
ação ou para a resposta, poderá sofrer consequências.
(indeferimento da inicial, perda da demanda, etc.)
Por outro lado:
Art. 397. É lícito às partes, em qualquer tempo,
juntar aos autos documentos novos, quando
destinados a fazer prova de fatos ocorridos
depois dos articulados, ou para contrapô-los aos
que foram produzidos nos autos.
Art. 398. Sempre que uma das partes requerer a
juntada de documento aos autos, o juiz ouvirá, a
seu respeito, a outra, no prazo de 5 (cinco) dias.
(contraditório).
9.3.10 Falsidade documental:
ESPÉCIES DE FALSIDADE:
1. Falsidade de assinatura
2. Falsidade do próprio conteúdo do documento,
2.1 ideológica
2.2 material.
FALSIDADE DE ASSINATURA:
Havendo questionamento da falsidade de assinatura de
documento, incumbirá ao signatário – e não ao impugnante
– o ônus da prova da autenticidade do mesmo. Saliente-se
que para formulação de tal súplica é desnecessária a
instauração do incidente de falsidade previsto nos arts. 390
a 395, bastando simples alegação da parte contrária para
obrigar aquela que produziu o documento a provar-lhe a
idoneidade.
FALSIDADE DO PRÓPRIO DOCUMENTO:
Art. 387. Cessa a fé do documento, público ou
particular, sendo-lhe declarada judicialmente a
falsidade.
Parágrafo único. A falsidade consiste:
I - em formar documento não verdadeiro;
(falsidade ideológica)
II - em alterar documento verdadeiro. (falsidade
material)
FALSIDADE IDEOLÓGICA (art. 387, par. único, inciso
I):
Aqui o documento é materialmente (fisicamente)
verdadeiro, mas conteúdo dele é falso.
Para declaração judicial desta modalidade de falsidade
é mister a propositura de ação autônoma de anulação
(sentença descontitutiva), não bastando incidente de
falsidade.
FALSIDADE MATERIAL (art. 387, par. único, inciso II):
O documento, neste caso, contém vício externo, na sua
elaboração física, mas não em seu mérito (ex.: cheque
rasurado no que tange ao seu valor).
Somente estes vícios podem ser objeto do incidente de
falsidade previsto nos arts. 390 e seguintes.
Resumo dos remédios jurídicos contra a falsidade:
Arguição simples de falsidade assinatura falsa.
Ação declaratória autônoma falsidade ideológica de
documento.
Incidente de falsidade falsidade material de
documento.
ÔNUS DA PROVA DA FALSIDADE:
A prova da falsidade incumbe à parte que a arguir na
falsidade do documento e à parte que produziu o documento
no que tange à contestação da assinatura (art. 389).
Subseção II
Da Arguição de Falsidade (obs.: Pouca
incidência na banca CESPE)
Art. 390. O incidente de falsidade tem lugar em
qualquer tempo e grau de jurisdição, incumbindo
à parte, contra quem foi produzido o documento,
suscitá-lo na contestação ou no prazo de 10
(dez) dias, contados da intimação da sua juntada
aos autos.
Art. 392. Intimada a parte, que produziu o
documento, a responder no prazo de 10 (dez)
dias, o juiz ordenará o exame pericial.
Parágrafo único. Não se procederá ao exame
pericial, se a parte, que produziu o documento,
concordar em retirá-lo e a parte contrária não se
opuser ao desentranhamento.
Art. 393. Depois de encerrada a instrução, o
incidente de falsidade correrá em apenso aos
autos principais; no tribunal processar-se-á
perante o relator, observando-se o disposto no
artigo antecedente.
Art. 394. Logo que for suscitado o incidente de
falsidade, o juiz suspenderá o processo principal.
Art. 395. A sentença, que resolver o incidente,
declarará a falsidade ou autenticidade do
documento.
9.4 PROVA TESTEMUNHAL
Art. 339. Ninguém se exime do dever de
colaborar com o Poder Judiciário para o
descobrimento da verdade.
Subseção I
Da Admissibilidade e do Valor da Prova
Testemunhal
Art. 400. A prova testemunhal é sempre
admissível, não dispondo a lei de modo diverso.
O juiz indeferirá a inquirição de testemunhas
sobre fatos:
I - já provados por documento ou confissão da
parte;
II - que só por documento ou por exame pericial
puderem ser provados.
9.4.1 Noções:
A prova testemunhal é aquela que se produz por
intermédio da oitiva de pessoas desinteressadas do litígio,
capazes, imparciais, mas que tenham conhecimento, próprio
ou obtido por informação de terceiro, acerca do mesmo.
9.4.2 Espécies de testemunha:
Testemunha presencial é a que presenciou o fato,
total ou parcialmente.
Testemunha de referência é a que soube do fato
através de terceiro.
.
Testemunha referida é aquela que foi citada no
testemunho de outrem. Poderá ser ouvida pelo juiz, de ofício
ou a requerimento superveniente.
Testemunha instrumentária é a que serve para
testemunhar determinado ato jurídicos (ex: contrato,
testamento, casamento, etc.)
9.4.4 Produção da prova testemunhal:
Art. 407. Incumbe às partes, no prazo que o juiz
fixará ao designar a data da audiência, depositar
em cartório o rol de testemunhas, precisando-
lhes o nome, profissão, residência e o local de
trabalho; omitindo-se o juiz, o rol será
apresentado até 10 (dez) dias antes da
audiência. (Redação dada pela Lei nº 10.358, de
27.12.2001)
Parágrafo único. É lícito a cada parte oferecer,
no máximo, dez testemunhas; quando qualquer
das partes oferecer mais de três testemunhas
para a prova de cada fato, o juiz poderá
dispensar as restantes.
PROVA EXCLUSIVAMENTE TESTEMUNHAL –
REGULAMENTAÇÃO:
Art. 401. A prova exclusivamente testemunhal só
se admite nos contratos cujo valor não exceda o
décuplo do maior salário mínimo vigente no país,
ao tempo em que foram celebrados.
Art. 402. Qualquer que seja o valor do contrato, é
admissível a prova testemunhal, quando:
I - houver começo de prova por escrito,
reputando-se tal o documento emanado da parte
contra quem se pretende utilizar o documento
como prova;
II - o credor não pode ou não podia, moral ou
materialmente, obter a prova escrita da
obrigação, em casos como o de parentesco,
depósito necessário ou hospedagem em hotel.
Art. 404. É lícito à parte inocente provar com
testemunhas:
I - nos contratos simulados, a divergência entre a
vontade real e a vontade declarada;
II - nos contratos em geral, os vícios do
consentimento.
A prova de que tratam os incisos do art. 402 é chamada
de testemunhal complementária, justamente porque
pressupõe a existência de indício instrutório de outra
modalidade ou da situação de impossibilidade material ou
moral.
PAGAMENTO E REMISSÃO DE DÍVIDA – EXTENSÃO:
Imperioso salientar, ainda, que se se aplicam as normas
dos arts. 401 (restrição à prova testemunhal) e 402 (prova
testemunhal complementária) à prova do pagamento e da
remissão de dívida.
9.4.5 Escusa da testemunha (arts. 406 e 414, § 2º):
Art. 406. A testemunha não é obrigada a depor
de fatos (testemunho facultativo):
I - que Ihe acarretem grave dano, bem como ao
seu cônjuge e aos seus parentes consanguíneos
ou afins, em linha reta, ou na colateral em
segundo grau;
II - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva
guardar sigilo.
PROCEDIMENTO RELATIVO À ESCUSA:
Para que o direito de escusa seja efetivado, deverá a
testemunha formular requerimento oral (na hora do
depoimento) o que obrigará o juiz a instar as partes a se
manifestar e, em seguida, imediatamente, decidir o incidente
(art. 414, § 2º).
Três caminhos poderão ser adotados pelo juiz para
solução do incidente, quais sejam: julgá-lo improcedente e
ouvir normalmente a testemunha; julgá-lo procedente e
deixar de colher o testemunho ou acolher a súplica apenas
em parte para inquirir a testemunha excluindo-se as
indagações referentes ao assunto sobre a qual incide a
escusa.
9.4.6 Inidoneidade da prova testemunhal:
Existem, porém, defeitos que podem macular a
idoneidade do testemunho, levando-o à exclusão do
processo (indeferimento da prova) ou à sua colheita sem as
formalidades previstas no art. 415 e sem a atribuição do
valor probatório ordinário.
Esses defeitos são de três ordens: as incapacidades, os
impedimentos e as suspeições.
INCAPACIDADE DA TESTEMUNHA:
Art. 405. Podem depor como testemunhas todas
as pessoas, exceto as incapazes, impedidas ou
suspeitas. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de
1º.10.1973)
§ 1o São incapazes: (Redação dada pela Lei nº
5.925, de 1º.10.1973)
I - o interdito por demência; (Redação dada pela
Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
II - o que, acometido por enfermidade, ou
debilidade mental, ao tempo em que ocorreram
os fatos, não podia discerni-los; ou, ao tempo em
que deve depor, não está habilitado a transmitir
as percepções; (Redação dada pela Lei nº
5.925, de 1º.10.1973)
III - o menor de 16 (dezesseis) anos; (Incluído
pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
IV - o cego e o surdo, quando a ciência do fato
depender dos sentidos que Ihes faltam. (Incluído
pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
IMPEDIMENTO DA TESTEMUNHA:
§ 2o São impedidos: (Redação dada pela Lei nº
5.925, de 1º.10.1973)
I - o cônjuge, bem como o ascendente e o
descendente em qualquer grau, ou colateral, até
o terceiro grau, de alguma das partes, por
consanguinidade ou afinidade, salvo se o exigir o
interesse público, ou, tratando-se de causa
relativa ao estado da pessoa, não se puder obter
de outro modo a prova, que o juiz repute
necessária ao julgamento do mérito; (Redação
dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
II - o que é parte na causa; (Incluído pela Lei nº
5.925, de 1º.10.1973)
III - o que intervém em nome de uma parte,
como o tutor na causa do menor, o
representante legal da pessoa jurídica, o juiz, o
advogado e outros, que assistam ou tenham
assistido as partes. (Incluído pela Lei nº 5.925,
de 1º.10.1973)
SUSPEIÇÃO DA TESTEMUNHA:
§ 3o São suspeitos: (Redação dada pela Lei nº
5.925, de 1º.10.1973)
I - o condenado por crime de falso testemunho,
havendo transitado em julgado a sentença;
(Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
II - o que, por seus costumes, não for digno de
fé; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de
1º.10.1973)
III - o inimigo capital da parte, ou o seu amigo
íntimo; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de
1º.10.1973)
IV - o que tiver interesse no litígio. (Redação
dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
§ 4o Sendo estritamente necessário, o juiz ouvirá
testemunhas impedidas ou suspeitas; mas os
seus depoimentos serão prestados
independentemente de compromisso (art. 415) e
o juiz Ihes atribuirá o valor que possam merecer.
(Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
9.4.7 Deveres das testemunhas:
Dever de comparecer (art. 412)
Dever de prestar depoimento (art. 414)
Dever de dizer apenas a verdade (art. 415).
Art. 412. A testemunha é intimada a comparecer
à audiência, constando do mandado dia, hora e
local, bem como os nomes das partes e a
natureza da causa. Se a testemunha deixar de
comparecer, sem motivo justificado, será
conduzida, respondendo pelas despesas do
adiamento. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de
1º.10.1973)
§ 1o A parte pode comprometer-se a levar à
audiência a testemunha, independentemente de
intimação; presumindo-se, caso não compareça,
que desistiu de ouvi-la. (Redação dada pela Lei
nº 5.925, de 1º.10.1973)
§ 2o Quando figurar no rol de testemunhas
funcionário público ou militar, o juiz o requisitará
ao chefe da repartição ou ao comando do corpo
em que servir. (Redação dada pela Lei nº 5.925,
de 1º.10.1973)
Art. 409. Quando for arrolado como testemunha
o juiz da causa, este:
I - declarar-se-á impedido, se tiver conhecimento
de fatos, que possam influir na decisão; caso em
que será defeso à parte, que o incluiu no rol,
desistir de seu depoimento;
II - se nada souber, mandará excluir o seu nome.
Art. 410. As testemunhas depõem, na audiência
de instrução, perante o juiz da causa, exceto:
I - as que prestam depoimento antecipadamente;
II - as que são inquiridas por carta;
III - as que, por doença, ou outro motivo
relevante, estão impossibilitadas de comparecer
em juízo (art. 336, parágrafo único);
IV - as designadas no artigo seguinte.
Art. 419. A testemunha pode requerer ao juiz o
pagamento da despesa que efetuou para
comparecimento à audiência, devendo a parte
pagá-la logo que arbitrada, ou depositá-la em
cartório dentro de 3 (três) dias.
Parágrafo único. O depoimento prestado em
juízo é considerado serviço público. A
testemunha, quando sujeita ao regime da
legislação trabalhista, não sofre, por comparecer
à audiência, perda de salário nem desconto no
tempo de serviço.
DEVER DE PRESTAR DEPOIMENTO (arts. 341, inciso
I e 414):
Tem também a testemunha, uma vez intimada, dever de
depor, não se tratando de uma faculdade. Nas hipóteses do
art. 406, entretanto, como já se observou, faculta-se à
testemunha recusar-se legitimamente à prestar declarações.
Art. 406. A testemunha não é obrigada a depor
de fatos:
I - que Ihe acarretem grave dano, bem como ao
seu cônjuge e aos seus parentes consanguíneos
ou afins, em linha reta, ou na colateral em
segundo grau;
II - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva
guardar
DEVER DE DIZER A VERDADE (art. 415):
Há, por fim, o dever de a testemunha dizer a verdade,
sob pena de ser responsabilizada criminalmente por falso
testemunho (CP, art. 342).
MOMENTO ADEQUADO PARA A APRESENTAÇÃO
DO ROL DE TESTEMUNHAS:
Como dito, e salvo previsões legais específicas, o rol de
testemunhas deve ser oferecido no prazo fixado pelo juiz ou,
na omissão, até 10 (dez) dias antes da audiência de
instrução, sob pena de preclusão da faculdade (art. 407,
com nova redação dada pela Lei 10.358/2001).
Todavia, a regra do art. 407 não se aplica aos feitos de
rito sumário (art. 276), ao procedimento de suspensão ou
destituição de pátrio poder (Lei 8.069/1990, art. 156, inciso
IV, in fine), dentre outros casos em que o rol deve
acompanhar a petição inicial e a resposta sob pena de
preclusão.
MOMENTO DA OITIVA:
Regra geral audiência de instrução e julgamento
Exceções: Serão ouvidas antes ou após da audiência
de instrução, as testemunha que prestam depoimento
antecipado, as que são inquiridas por carta, as que, por
doença, ou outro motivo relevante, estejam impossibilitadas
de comparecer em juízo (art. 336, par. único) e as que estão
arroladas no art. 411.
Art. 411. São inquiridos em sua residência, ou
onde exercem a sua função:
I - o Presidente e o Vice-Presidente da
República;
II - o presidente do Senado e o da Câmara dos
Deputados;
III - os ministros de Estado;
IV - os ministros do Supremo Tribunal Federal,
do Superior Tribunal de Justiça, do Superior
Tribunal Militar, do Tribunal Superior Eleitoral, do
Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal de
Contas da União; (Redação dada pela Lei nº
11.382, de 2006).
V - o procurador-geral da República;
Vl - os senadores e deputados federais;
Vll - os governadores dos Estados, dos
Territórios e do Distrito Federal;
Vlll - os deputados estaduais;
IX - os desembargadores dos Tribunais de
Justiça, os juízes dos Tribunais de Alçada, os
juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho e
dos Tribunais Regionais Eleitorais e os
conselheiros dos Tribunais de Contas dos
Estados e do Distrito Federal;
X - o embaixador de país que, por lei ou tratado,
concede idêntica prerrogativa ao agente
diplomático do Brasil.
Parágrafo único. O juiz solicitará à autoridade
que designe dia, hora e local a fim de ser
inquirida, remetendo-lhe cópia da petição inicial
ou da defesa oferecida pela parte, que arrolou
como testemunha.
RITO DA INQUIRIÇÃO:
§ 1o É lícito à parte contraditar a testemunha,
argüindo-lhe a incapacidade, o impedimento ou a
suspeição. Se a testemunha negar os fatos que
Ihe são imputados, a parte poderá provar a
contradita com documentos ou com
testemunhas, até três, apresentada no ato e
inquiridas em separado. Sendo provados ou
confessados os fatos, o juiz dispensará a
testemunha, ou Ihe tomará o depoimento,
observando o disposto no art. 405, § 4o.
(depoimento como informante)
Obs.:
Em síntese, a contradita deve ser formulada logo após a
qualificação, sob pena de preclusão temporal, devendo o
juiz consultar a testemunha sobre as razões do impugnante
e, em seguida, facultar a produção de prova oral ou
testemunhal sobre o incidente (máximo 3 testemunhas).
Art. 415. Ao início da inquirição, a testemunha
prestará o compromisso de dizer a verdade do
que souber e Ihe for perguntado.
Parágrafo único. O juiz advertirá à testemunha
que incorre em sanção penal quem faz a
afirmação falsa, cala ou oculta a verdade.
Art. 416. O juiz interrogará a testemunha sobre
os fatos articulados, cabendo, primeiro à parte,
que a arrolou, e depois à parte contrária,
formular perguntas tendentes a esclarecer ou
completar o depoimento.
(...)
Obs.: As perguntas das partes à testemunha
(reperguntas) serão formuladas por intermédio do juiz, que
se encarregará de repeti-las e de consignar o teor da
resposta, na forma do princípio presidencial ou da
imediação.
SUBSTITUIÇÃO DE TESTEMUNHA:
Art. 408. Depois de apresentado o rol, de que
trata o artigo antecedente, a parte só pode
substituir a testemunha:
I - que falecer;
II - que, por enfermidade, não estiver em
condições de depor;
III - que, tendo mudado de residência, não for
encontrada pelo oficial de justiça.
Outros artigos do capítulo de provas, os quais
geralmente não caem nas provas da banca Cespe.
Seção IV
9.5 DA EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU COISA
Art. 355. O juiz pode ordenar que a parte exiba
documento ou coisa, que se ache em seu poder.
Art. 357. O requerido dará a sua resposta nos 5
(cinco) dias subsequentes à sua intimação. Se
afirmar que não possui o documento ou a coisa,
o juiz permitirá que o requerente prove, por
qualquer meio, que a declaração não
corresponde à verdade.
Art. 358. O juiz não admitirá a recusa:
I - se o requerido tiver obrigação legal de exibir;
II - se o requerido aludiu ao documento ou à
coisa, no processo, com o intuito de constituir
prova;
III - se o documento, por seu conteúdo, for
comum às partes.
Art. 359. Ao decidir o pedido, o juiz admitirá
como verdadeiros os fatos que, por meio do
documento ou da coisa, a parte pretendia provar:
I - se o requerido não efetuar a exibição, nem
fizer qualquer declaração no prazo do art. 357;
II - se a recusa for havida por ilegítima.
Art. 360. Quando o documento ou a coisa estiver
em poder de terceiro, o juiz mandará citá-lo para
responder no prazo de 10 (dez) dias.
Art. 363. A parte e o terceiro se escusam de
exibir, em juízo, o documento ou a coisa:
(Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
I - se concernente a negócios da própria vida da
família; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de
1º.10.1973)
II - se a sua apresentação puder violar dever de
honra; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de
1º.10.1973)
III - se a publicidade do documento redundar em
desonra à parte ou ao terceiro, bem como a seus
parentes consanguíneos ou afins até o terceiro
grau; ou lhes representar perigo de ação penal;
(Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
IV - se a exibição acarretar a divulgação de
fatos, a cujo respeito, por estado ou profissão,
devam guardar segredo; (Redação dada pela
Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
V - se subsistirem outros motivos graves que,
segundo o prudente arbítrio do juiz, justifiquem a
recusa da exibição. (Redação dada pela Lei nº
5.925, de 1º.10.1973)
9.6 DA PROVA PERICIAL
Art. 420. A prova pericial consiste em exame,
vistoria ou avaliação.
Art. 421. O juiz nomeará o perito, fixando de
imediato o prazo para a entrega do laudo.
(Redação dada pela Lei nº 8.455, de 24.8.1992)
§ 1o Incumbe às partes, dentro em 5 (cinco)
dias, contados da intimação do despacho de
nomeação do perito:
I - indicar o assistente técnico;
II - apresentar quesitos.
§ 2o Quando a natureza do fato o permitir, a
perícia poderá consistir apenas na inquirição
pelo juiz do perito e dos assistentes, por ocasião
da audiência de instrução e julgamento a
respeito das coisas que houverem informalmente
examinado ou avaliado. (Redação dada pela Lei
nº 8.455, de 24.8.1992)
Art. 422. O perito cumprirá escrupulosamente o
encargo que Ihe foi cometido,
independentemente de termo de compromisso.
Os assistentes técnicos são de confiança da
parte, não sujeitos a impedimento ou suspeição.
(Redação dada pela Lei nº 8.455, de 24.8.1992)
Art. 423. O perito pode escusar-se (art. 146)
(alegação de motivo legitimo), ou ser recusado
por impedimento ou suspeição (art. 138, III); ao
aceitar a escusa ou julgar procedente a
impugnação, o juiz nomeará novo perito.
(Redação dada pela Lei nº 8.455, de 24.8.1992)
Art. 425. Poderão as partes apresentar, durante
a diligência, quesitos suplementares. Da juntada
dos quesitos aos autos dará o escrivão ciência à
parte contrária.
Art. 426. Compete ao juiz:
I - indeferir quesitos impertinentes;
II - formular os que entender necessários ao
esclarecimento da causa.
(...)
Art. 431-B. Tratando-se de perícia complexa, que
abranja mais de uma área de conhecimento
especializado, o juiz poderá nomear mais de um
perito e a parte indicar mais de um assistente
técnico. (Incluído pela Lei nº 10.358, de
27.12.2001)
Art. 432. Se o perito, por motivo justificado, não
puder apresentar o laudo dentro do prazo, o juiz
conceder-lhe-á, por uma vez, prorrogação,
segundo o seu prudente arbítrio.
Art. 433. O perito apresentará o laudo em
cartório, no prazo fixado pelo juiz, pelo menos 20
(vinte) dias antes da audiência de instrução e
julgamento. (Redação dada pela Lei nº 8.455, de
24.8.1992)
Parágrafo único. Os assistentes técnicos
oferecerão seus pareceres no prazo comum de
10 (dez) dias, após intimadas as partes da
apresentação do laudo.(Redação dada pela Lei
nº 10.358, de 27.12.2001)
Art. 436. O juiz não está adstrito ao laudo
pericial, podendo formar a sua convicção com
outros elementos ou fatos provados nos autos.
9.7 DA INSPEÇÃO JUDICIAL
Art. 440. O juiz, de ofício ou a requerimento da
parte, pode, em qualquer fase do processo,
inspecionar pessoas ou coisas, a fim de se
esclarecer sobre fato, que interesse à decisão da
causa.
Art. 442. O juiz irá ao local, onde se encontre a
pessoa ou coisa, quando:
I - julgar necessário para a melhor verificação ou
interpretação dos fatos que deva observar;
II - a coisa não puder ser apresentada em juízo,
sem consideráveis despesas ou graves
dificuldades;
Ill - determinar a reconstituição dos fatos.