Estrutura do Poder Judiciário Brasileiro
Estrutura do Poder Judiciário Brasileiro
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na Justiça do Trabalho
Módulo:
Processo e Procedimento
Aula III – Estrutura do Poder Judiciário
na Constituição
Na busca de adentrar a temática que envolve a jurisdição e competência de forma
mais minuciosa, trataremos a respeito da estrutura do Poder Judiciário na Constituição da
República Federativa do Brasil de 1988.
Sabe-se que ao Poder Judiciário é atribuída a responsabilidade de interpretar e
julgar as causas que chegam até ele, representando, desta forma, o modo mais célere e
sistematizado pelo qual os cidadãos acessam a justiça no mundo civilizado. Assim, levan-
do em consideração o número exacerbado de demandas que chegam ao Poder Judiciário,
se tornou necessária a implementação de uma estrutura a fim de organizar o seu funcio-
namento e dar mais efetividade ao seu desempenho.
Quanto à sua função, explica Carlos Henrique Bezerra Leite:
Com a promulgação da Constituição brasileira de 1988, pode-se dizer que a
função do Poder Judiciário não se reduz à administração da Justiça. É mais
do que isso. Ele passa a ser o guardião da Constituição, cuja finalidade re-
pousa, basicamente, na preservação dos valores, princípios e objetivos que
fundamentam o novo Estado Democrático de Direito, como a cidadania, a
dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre-i-
niciativa, o pluralismo político, os quais, como já ressaltado no Capítulo I,
passam à condição de normas jurídicas fundamentais.1
Assim, podemos dizer que o Poder Judiciário é a fonte pela qual se efetiva o cum-
primento da nossa Carta Magna e de toda a legislação infraconstitucional.
Dentro dessa estrutura, as demandas que chegam ao Poder Judiciário, de forma
geral, são inicialmente direcionadas à primeira instância. As decisões proferidas pela pri-
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meira instância, por sua vez, nos casos de inconformidade, são direcionadas a instâncias
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superiores para serem apreciadas por órgãos colegiados, visando, basicamente, ao cum-
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BEZERRA LEITE, Carlos Henrique. Curso de Direito Processual do Trabalho. 12ª edição. Editora LTr.
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II - o Superior Tribunal de Justiça;
A divisão das demandas, com previsão nos artigos 111, 118 ss. e 122, da Consti-
tuição Federal, é feita entre as justiças especiais e a justiça comum. A competência das
justiças especiais é verificada de acordo com a matéria discutida, a chamada “ratione
materiae” e a da justiça comum é supletiva, ou seja, abarca todas as demandas que não
forem de competência das justiças especiais.
A justiça especial se divide em Justiça do Trabalho (composta pelo Tribunal Su-
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perior do Trabalho, Tribunais regionais do Trabalho e pelos juízes do Trabalho – arts. 111
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a 116; Justiça Eleitoral (composta pelo Tribunal Superior Eleitoral, Tribunais Regionais
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Eleitorais, juízes eleitorais e Juntas Eleitorais – arts. 118 a 121); Justiça Militar da União
(Superior Tribunal Militar e Conselhos de Justiça – arts. 122 a 124); e Justiça Militar dos
Estados, do Distrito Federal e Territórios (art. 125).
A justiça comum se divide em Justiça Federal (Tribunais Regionais Federais e
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Federal e Territórios, organizados e mantidos pela União) e Justiça Estadual comum ordi-
nária (juízos de primeiro grau de jurisdição, incluídos os juizados especiais, bem como os
de segundo grau de jurisdição, compostos pelos Tribunais de Justiça).
Para a Justiça Estadual é encarregada a missão de realizar o processamento das
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ações que não são compreendidas dentro da competência da Justiça Federal, sendo, por
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isso, chamada de competência residual. A Justiça Federal, por sua vez, é organizada em
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dois graus de jurisdição e composta pelos Tribunais Regionais Federais e pelos Juízes
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Federais. Disciplinada do art. 106 ao art. 110 da Constituição Federal, tem como compe-
tência o julgamento de ações em que a União, autarquias ou empresas públicas figurarem
como interessadas.
Outrossim, além das Justiças supramencionadas, temos os órgãos de superposi-
ção: STF e STJ.
O STF (Supremo Tribunal Federal) é órgão máximo e de suma importância para o
funcionamento do Poder Judiciário. Possui competência originária (art. 102, I, “a” a “r”),
competência recursal ordinária (art. 102, II) e competência recursal extraordinária (art.
102, III). Dentre as suas principais atribuições, conforme previsão do artigo 102 da Cons-
tituição Federal, podemos citar: processar a julgar ações diretas de inconstitucionalidade
de lei ou ato normativo federal ou estadual; ações declaratórias de constitucionalidade de
lei ou ato normativo federal; arguição de descumprimento de preceito fundamental decor-
rente da própria Constituição e a extradição solicitada por Estado estrangeiro; infrações
penais comuns, o presidente da República e seu vice, os membros do Congresso Nacional,
seus próprios ministros e o procurador-geral da República, etc.
Por fim, temos o STJ (Superior Tribunal de Justiça), o qual também possui compe-
tência originária (art. 105, I, “a” até “i”), competência recursal ordinária (art. 105, II) e com-
petência recursal especial (art. 105, III). Essa corte detém a responsabilidade de disciplinar
a interpretação da lei federal em todo Brasil, seguindo os princípios previstos na constitui-
ção. É a última instância da Justiça brasileira para as causas infraconstitucionais, sendo
considerado órgão de divergência comum.
Leitura Complementar
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função de julgar.
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blica, das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da
União, do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal;
e) o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União, o Estado,
o Distrito Federal ou o Território;
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i) o habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou o
paciente for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdi-
ção do Supremo Tribunal Federal, ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma
única instância;
j) a revisão criminal e a ação rescisória de seus julgados;
l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade
de suas decisões;
m) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a
delegação de atribuições para a prática de atos processuais;
n) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indireta-
mente interessados, e aquela em que mais da metade dos membros do tribunal de origem
estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente interessados;
o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer
tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal;
p) o pedido de medida cautelar das ações diretas de inconstitucionalidade;
q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for
atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados,
do Senado Federal, das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal de Contas
da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal;
r) as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Conselho Nacional
do Ministério Público;
II - julgar, em recurso ordinário:
a) o habeas corpus , o mandado de segurança, o habeas data e o mandado de in-
junção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão;
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b) o crime político;
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eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judi-
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ral, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucio-
nalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais
órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual e municipal
§ 3º No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral
das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal
examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois
terços de seus membros.
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art. 102, I, “o”, bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vincu-
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II - julgar, em recurso ordinário:
a) os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Re-
gionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a
decisão for denegatória;
b) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Re-
gionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando
denegatória a decisão;
c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional,
de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País;
III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância,
pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e
Territórios, quando a decisão recorrida:
a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;
b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal;
c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.
Parágrafo único. Funcionarão junto ao Superior Tribunal de Justiça:
I - a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados, cabendo-
-lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção
na carreira; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
II - o Conselho da Justiça Federal, cabendo-lhe exercer, na forma da lei, a su-
pervisão administrativa e orçamentária da Justiça Federal de primeiro e segundo graus,
como órgão central do sistema e com poderes correcionais, cujas decisões terão caráter
vinculante.
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Art. 107. Os Tribunais Regionais Federais compõem-se de, no mínimo, sete juízes,
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ca dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos, sendo:
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I - um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profis-
sional e membros do Ministério Público Federal com mais de dez anos de carreira;
II - os demais, mediante promoção de juízes federais com mais de cinco anos de
exercício, por antiguidade e merecimento, alternadamente.
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ção de audiências e demais funções da atividade jurisdicional, nos limites territoriais da
respectiva jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos e comunitários.
§ 3º Os Tribunais Regionais Federais poderão funcionar descentralizadamente,
constituindo Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à
justiça em todas as fases do processo.
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V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, ini-
ciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou
reciprocamente;
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VII - os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o
constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a
outra jurisdição;
VIII - os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade fede-
ral, excetuados os casos de competência dos tribunais federais;
IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competên-
cia da Justiça Militar;
X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de
carta rogatória, após o “exequatur”, e de sentença estrangeira, após a homologação, as
causas referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização;
XI - a disputa sobre direitos indígenas.
§ 1º As causas em que a União for autora serão aforadas na seção judiciária onde
tiver domicílio a outra parte.
§ 2º As causas intentadas contra a União poderão ser aforadas na seção judiciária
em que for domiciliado o autor, naquela onde houver ocorrido o ato ou fato que deu origem
à demanda ou onde esteja situada a coisa, ou, ainda, no Distrito Federal.
§ 3º Lei poderá autorizar que as causas de competência da Justiça Federal em
que forem parte instituição de previdência social e segurado possam ser processadas e
julgadas na justiça estadual quando a comarca do domicílio do segurado não for sede de
vara federal.
§ 4º Na hipótese do parágrafo anterior, o recurso cabível será sempre para o Tribu-
nal Regional Federal na área de jurisdição do juiz de primeiro grau.
§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da
República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de
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tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar,
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Art. 110. Cada Estado, bem como o Distrito Federal, constituirá uma seção judi-
ciária que terá por sede a respectiva Capital, e varas localizadas segundo o estabelecido
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em lei.
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Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de vinte e sete Ministros,
escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco anos e menos de sessenta e cinco
anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, nomeados pelo Presidente da Repúbli-
ca após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo:
I um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade pro-
fissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo
exercício, observado o disposto no art. 94;
II os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos da ma-
gistratura da carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior.
§ 1º A lei disporá sobre a competência do Tribunal Superior do Trabalho.
§ 2º Funcionarão junto ao Tribunal Superior do Trabalho:
I a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho,
cabendo-lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e pro-
moção na carreira;
II o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, cabendo-lhe exercer, na forma da
lei, a supervisão administrativa, orçamentária, financeira e patrimonial da Justiça do Tra-
balho de primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema, cujas decisões terão
efeito vinculante.
§ 3º Compete ao Tribunal Superior do Trabalho processar e julgar, originariamente,
a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas
decisões.
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Único. 10ª edição. Salvador: Editora JusPodivm, 2018.
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MARTINS, Sérgio Pinto. Direito processual do Trabalho. 38ª Edição. São Paulo:
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Saraiva, 2016.
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Tema 01 - Aula 03 14
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