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Privatizações e Desafios na Advocacia Brasileira

O documento discute as privatizações no Brasil a partir da Lei 8031/90, que visavam o crescimento econômico, mas resultaram em endividamento e precarização do trabalho. A massificação do crédito e a popularização dos serviços bancários impulsionaram o consumo, enquanto a advocacia enfrenta desafios como a perda de autonomia e a desprofissionalização devido ao aumento da densidade de advogados e à influência das novas tecnologias. As transformações sociais e econômicas geraram uma complexidade que pressiona a profissão, exigindo adaptação e inovação na prática jurídica.

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Privatizações e Desafios na Advocacia Brasileira

O documento discute as privatizações no Brasil a partir da Lei 8031/90, que visavam o crescimento econômico, mas resultaram em endividamento e precarização do trabalho. A massificação do crédito e a popularização dos serviços bancários impulsionaram o consumo, enquanto a advocacia enfrenta desafios como a perda de autonomia e a desprofissionalização devido ao aumento da densidade de advogados e à influência das novas tecnologias. As transformações sociais e econômicas geraram uma complexidade que pressiona a profissão, exigindo adaptação e inovação na prática jurídica.

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AULA I - O CRESCIMENTO BRASILEIRO E A CRISE I

1. Privatizações da economia

Lei 8031/90 = PND, programa que dá inicio a onda de privatizações no brasil. Com
isso, muitas empresas foram vendidas, em plena crise fiscal que o governo brasileiro
vivenciava. Ai a saída dessa crise foi a venda de empresas estatausi, uma vez que não
geravam o lucro que se esperava. Em um segundo momento, há uma prioridade às
privatizações, ai a partir de então, o movimento de privatização se acentuou, como
ocorreu com o setor de telecomunicação e energético. Ao final de 2001, referido
programa geroiu uma ótima lucratividade ao governo.

Assim, o plano era um crescimento a partir das privatizações (crescimento econômico).

Contudo, embora o plano da privatização para referida ascensão econômica, opta-se,


também, pelo crescimento do consumo na sociedade – o que até então não era muito
relevante, uma vez que muitos serviços eram setorizados e exclusivos para as classes
altas. Com isso, inioivou-se o fenômeno da bancarização, instituído a partir do governo
Lula, que instituiu bancos públicos para atendimento às pessoas de baixa renda,. A
partir disso, bandos privados também começaram a atender essa parcela da população –
o que até então era um serviço privado às pessoas de alta renda – gerando, assim, a
massificação do crédito. Até porque não havia como expandir o consumo se a
população de baixa renda não tinha acesso ao banco . Esses dois fenômenos foram
primordiais para propulsionar o crescimento econômico no Brasil.

Com a consequencia disso? Endividamento.

No final do século XX e início do século XXI, a economia brasileira passa por algumas
transformações fundamentais que impactam no direito e, por consequência, mudam o
perfil da advocacia. Dos dois caminhos entreabertos pela Constituição Federal, o
intervencionismo social e o neoliberalismo, este predomina.
O Programa Nacional de Desestatização, implementado na década de 1990, transfere
para a economia de mercado serviços públicos antes restritos à prestação estatal, como
serviços de energia elétrica e de telecomunicações.

No início dos anos 2000, são estruturados setores como a saúde suplementar e ocorre a
popularização dos serviços bancários, permitindo o surgimento do microcrédito. O PIB
brasileiro cresce, fundado principalmente na expansão do consumo nas classes baixas.

Essas mudanças, aliadas aos impactos da internet e da globalização crescente,


aumentam a complexidade de nosso país, gerando conflitos qualitativamente novos e/ou
em um volume espantosamente elevado.

Inúmeras forças, surgidas ou acentuadas nesse período, passam a pressionar a advocacia


brasileira, criando desafios que se tornam mais incisivos neste final de década de
2010.

Gostaríamos de, esquematicamente, elencar alguns desses desafios nas próximas


linhas.

1. O desafio das novas tecnologias

Podemos dizer, genericamente, que as novas tecnologias, surgidas a partir do final dos
anos 1970, promovem transformações nas relações capitalistas de trabalho. Primeiro
atingem o trabalho industrial, substituindo a massa de trabalhadores por robôs. Depois,
atingem o setor de serviços, descartando outra massa de trabalhadores. Agora, apontam
analistas, seria a vez de os profissionais liberais serem descartados.

No caso da advocacia, podemos pensar em impactos da tecnologia na lógica do


processo produtivo, no relacionamento com o cliente e na produção, em si, de peças
processuais. Quanto à lógica produtiva, o desafio pode ser materializado na sua
reestruturação, cada vez mais frequente, à luz de um discurso oriundo da gestão ou da
engenharia de produção.
Percebe-se que a peça processual pode ser produzida, em grandes escritórios, a partir de
modelos pré-elaborados, que necessitam de pequenas adaptações para estarem
finalizados. A partir daí, recorre-se ao procedimento que Richard Susskind denomina de
"decomposição dos serviços jurídicos". Ou seja, a atividade do advogado, antes vista
como una e indivisível, agora é analisada em fases diferentes que exigem procedimentos
próprios e replicáveis autonomamente.

A litigância, por exemplo, é decomposta em uma série de procedimentos diferentes:


gestão de documentos, pesquisa doutrinária, pesquisa legal, pesquisa jurisprudencial,
comunicação com o cliente, comunicação com o Tribunal, negociação, conciliação,
adaptação do modelo, protocolo... Essas atividades decompostas podem ser distribuídas
a inúmeros trabalhadores diferentes, organizadas em uma linha de produção muito mais
eficiente do que aquela composta pelo advogado que cuidava isoladamente de seu caso.
Torna-se flagrante que quase todas as fases da litigância podem ser desempenhadas por
pessoas com pouca ou nenhuma qualificação jurídica. Surgem, inclusive, programas de
computador que desempenham, com maior eficácia, algumas dessas atividades.

Relativamente ao relacionamento com o cliente, devemos constatar que há um choque


entre a temporalidade básica do direito e das comunicações sociais. Enquanto o
Judiciário ainda se estrutura para comunicações semelhantes à troca de
correspondências físicas (citação, intimação...), o restante do mundo já passou pelo
telefone, pelo celular e agora entra na comunicação instantânea dos aplicativos.

Esses aplicativos geram para o cliente a expectativa de contratarem um advogado em


estado de conexão em tempo real. Além disso, aumentam a angústia causada pela
demora no julgamento dos processos e na resolução judicial dos litígios.

Também existem aplicativos hoje, ainda tímidos no Brasil, que permitem a contratação
de advogados por meio de leilões virtuais, ao estilo E-bay ou Mercado Livre, com
avaliação de desempenho por estrelas e resenhas. Ou, ainda, existem aplicativos para
aconselhamento jurídico, obtenção de peças processuais e até para resolver disputas de
modo online.
Um terceiro impacto da tecnologia na advocacia está na produção de peças processuais
e contratos. Se podemos olhar para os outros impactos como atingindo atividades
secundárias do advogado, neste caso miramos para sua atividade-fim, ou seja, a atuação
profissional preventiva ou litigiosa.

O desenvolvimento da Inteligência Artificial, em um ambiente no qual a atividade do


advogado é decomposta, torna a produção automática de petições, contestações e
contratos uma questão relativamente simples de ser resolvida. Já existe a tecnologia
para um conflitante narrar seu conflito, fotografar as provas documentais e obter,
automaticamente, uma petição inicial.

Ora, a tendência, assim, conforme o já citado Richard Susskind, passa a ser da


comoditização de muitos dos serviços de advocacia ligados à litigância processual. O
valor unitário de uma petição inicial produzida por um robô tende a se tornar
ridiculamente baixo, inviabilizando a produção econômica de poucas unidades.

AULA II - O CRESCIMENTO BRASILEIRO E A CRISE II

Precarização do trabalho = o crescimento do capitalismo se deu por meio da


disponibilidade de bancos a classe ssociais baixas. A patir disso rolou uma
disponibilidade do crédito o que permite um crescimento da economia brasileira ao
longo dos anos, privatizando varias empresas estatais para dar maior dinamismo à nossa
econômica. Mas esse processo de privatização chegou ao seu limite, ai a ideia de
privatização chegou ao seu limite, ocorre o rompimento do pacto social keneziano, em
que as elites aceitam pagar maior tributo para colaborar com o bem estar com a
sociedade, ai o rompimento do pacto social é a recusa das elites em pagar esse tributo
maior.

Então ocorre a privatização da segurança social do trabalhador, fruto do rompimento


desse pacto, bem como de serviços privados de saúde e educação, previdência e redução
de direitos trabalhistas, que estão sendo privatizados.
Chegado ao limite do crescimento da econômica, buscam-se novos seguimentos, que
dizem respeito á segurança do trabalhador, que deve pagar para sua própria segurança,
educação, previdência, etc. (privatização dos direitos sociais)

Chegamos a um ponto que o estado brasileiro vendeu todas as suas empresas, chegou ao
seu limite, e sua dívida não abaixou, voltou a aumentar, evidenciando uma contradição.

Estamos privatizando empresas, direitos sociais sem a contrapartida. Isso também


decorre de uma desigualdade tributária, uma vez que a população paga menos impostos
conforme sua renda aumenta. Quando maior o rendimento, menor a porcentagem de
tributo.

O desafio do aumento de densidade

O segundo desafio que atinge a advocacia brasileira, assim como o primeiro, não é
exclusivamente nosso, mas ganha uma dimensão, aqui, mais agravada. No mundo
inteiro ocorre um aumento na quantidade de advogados superior ao aumento
populacional, gerando uma densidade elevada de profissionais.

Em um universo de 100 mil habitantes, no ano de 2011, havia 161 advogados no Reino
Unido, 167, na Bélgica, 191, na Alemanha, 270, na Itália e 278 advogados na Espanha.
No Brasil, em 2013, havia 311 advogados por 100 mil habitantes. Em 2017, esse
número chega a 501 advogados por 100 mil habitantes.

Se falarmos em números absolutos, a evolução no número de advogados em nosso país


é muito grande: 825 mil inscritos na OAB em 2014; 889 mil, em 2015; 967 mil, em
2016; e 1 milhão e 43 mil em 2017.

O aumento da oferta de profissionais gera, ao menos, duas forças de pressão sobre a


advocacia. Por um lado, ocorre o barateamento salarial do advogado contratado pelos
departamentos jurídicos e pelos grandes escritórios. No extremo, isso desvaloriza a
própria profissão, desprestigiando-a e gerando um problema: a perda de status.
Do ponto de vista da sociologia das profissões, esse problema pode levar à própria
desprofissionalização do trabalho. Em linhas gerais, a profissão é um tipo de trabalho
que adquire status diferenciado na sociedade, conquistando, em razão disso, o
monopólio legal sobre um ramo da economia. Assim, dado o status da advocacia, ela
torna-se uma profissão ao adquirir, por meio da Lei 8.906/94 (e de outras que a
antecederam), em seu artigo 1º, a exclusividade sobre atividades de postulação,
consultoria, assessoria e direção jurídicas.

Ora, se a profissão perde seu status, não se diferenciando das demais, recebendo uma
remuneração vil por seus serviços, a razão do monopólio desaparece, sendo questão de
tempo para, como dito, se desprofissionalizar. Desse modo, a sociedade pode, no futuro,
não considerar que a condição de ser advogado seja essencial para uma pessoa praticar
as atividades elencadas acima.

A segunda força de pressão gerada pelo aumento de densidade dos advogados decorre
da natural concorrência que isso causa na profissão. Enquanto o número de advogados
for pequeno em nossa sociedade, o advogado pode ser um tanto negligente em aspectos
de sua atividade.

Resguardado pelo monopólio profissional, esse advogado preocupava-se apenas em


vender ao cliente a segurança de seus atos, indicando ser capaz de resolver problemas,
via Judiciário, de forma definitiva. Não precisava preocupar-se com questões como a
eficiência e a produtividade de seu escritório, ou com a qualidade de sua comunicação
com o cliente, bem como com aspectos desse relacionamento.

Era comum a fama de o advogado ser incompreensível, distante, pouco atencioso.


Também era comum o advogado vangloriar-se por produzir suas petições a partir do
"zero", de uma página em branco, ainda que já tivesse um modelo pronto que apenas
precisaria ser atualizado, gerando uma atuação mais eficiente.

Pois essa redoma profissional começa a ruir, internamente, quando a quantidade de


advogados gera a concorrência e uma disputa que se acentua pelo cliente. O advogado
precisa, agora, investir mais nessa captação e diferenciar seus serviços, incluindo um
relacionamento mais personalizado e um escritório mais eficiente, barateando seus
custos.

Para finalizar este ponto, não podemos ocultar que há um aumento não apenas
quantitativo na advocacia, mas que envolve uma mudança de gênero na profissão. O
número de mulheres advogadas já é maior do que o de homens se considerarmos a faixa
etária até 40 anos. A tendência é, em pouco tempo, existirem mais advogadas do que
advogados em nosso país.

Isso gera um desafio no sentido de promoção da igualdade: as mulheres ainda são


minoritárias nos postos de comando dos grandes escritórios e pouco representativas nas
causas mais rentáveis. Há uma imagem, que deve ser combatida, que ainda associa a
profissão ao gênero masculino. Estudos críticos apontam que as mulheres engrossam o
"exército de reserva" na advocacia e ocupam postos menos relevantes.

AULA III: Desafios para a Advocacia Brasileira I

O desafio da perda de autonomia

As transformações na sociedade brasileira criaram um volume imenso de novos


conflitos que terminaram nos balcões dos advogados e foram canalizados para o Poder
Judiciário. Esse volume gera o desafio da massificação profissional: o advogado precisa
lidar com a dificuldade de gerir uma quantidade enorme de conflitos repetitivos. Para
ser bem direto: torna-se, nesses casos, menos relevante a tese jurídica produzida pelo
advogado do que a gestão de uma rotina em que peças devem ser produzidas em série e
prazos não podem ser perdidos.

Em meados dos anos 2000, uma grande inovação se consolida em nossa advocacia: o
contencioso de massa. Trata-se de uma solução para transformar a gestão de um
escritório que opta pelo volume de causas em algo lucrativo, regida pela tecnologia e
pelo barateamento salarial do advogado.
O contencioso de massa apenas expressa um grande desafio que se coloca ao advogado:
o profissional era considerado o portador de um saber superior, que poderia resolver
problemas sociais de modo mais satisfatório ou seguro. De posse desse saber, o
advogado dizia ao cliente o que fazer, como fazer e quando fazer. Isso expressa sua
autonomia em um sentido individual.

Quando o advogado é simplesmente inserido em uma grande estrutura, similar a uma


linha de montagem fordista, sendo obrigado a cumprir uma rotina pré-definida pelo
dono do escritório, recebendo de um sistema de computador todas as diretrizes de o que
fazer, quando fazer e como fazer, sem sequer se relacionar com o cliente, ele perde essa
autonomia. Para o sociólogo das profissões, esse advogado se "proletariza", ou seja,
torna-se similar ao trabalhador comum.

Alguns estudos mostram que, na verdade, poderia estar ocorrendo uma transferência da
autonomia profissional, em casos assim, para a organização burocrática que emprega o
advogado. Notamos fenômeno semelhante não apenas nos escritórios de contencioso de
massa, mas em grandes escritórios de modo geral e, também, em departamentos
jurídicos de empresas.

Nesses ambientes, quem passa a deter a autonomia, indicando o que, como e quando
fazer, é a grande organização. Fenômeno similar é visto com médicos inseridos em
grandes hospitais, em laboratórios de diagnósticos ou na indústria farmacêutica.

Porém, se associarmos a perda da autonomia não isoladamente ao volume de processos,


mas também às novas tecnologias, talvez o desafio seja ainda mais intenso. Para
entendê-lo, devemos partir do tema do conhecimento profissional, levantado de forma
muito interessante no final dos anos 1980, pelo sociólogo Andrew Abbott.

Conforme o sociólogo, todo profissional resolve problemas humanos com base em um


raciocínio que envolve três fases: identificação/diagnóstico do problema, argumentação
sobre possíveis soluções e ação/tratamento para resolver o problema. Assim, o
advogado primeiro identificaria juridicamente o conflito, depois escolheria o meio mais
adequado para solucioná-lo e, por fim, atuaria, no mais das vezes judicialmente, para
resolvê-lo.

A questão que o autor levante é uma ameaça aos profissionais: haveria, em tese, a
possibilidade de padronizarmos e sistematizarmos todos os procedimentos
desenvolvidos pelo profissional em sua atuação. Em outras palavras, podemos saber
exatamente o que um advogado faz para resolver judicialmente um problema e
programar um robô para fazer o mesmo.

Como o robô teria acesso a um banco de dados muito maior do que as informações a
que o advogado chegaria, sua solução proposta para o conflito seria qualitativamente
superior àquela sugerida por ele. No extremo, o advogado perderia não apenas sua
autonomia, mas seu campo de atuação.

Podemos ser um pouco mais precisos com relação à advocacia. Se admitirmos que os
conflitos podem ser "fáceis" (soft cases) ou "difíceis" (hard cases), os primeiros seriam
suscetíveis de ser facilmente solucionados judicialmente por intermédio da inteligência
artificial; já os segundos, ainda dependeriam de uma atuação humana, dada sua
exclusividade ou sua novidade.

LEITURA COMPLEMENTAR:

"Apostar em automação jurídica, ao contrário do que pensam muitos advogados, vai


muito além de investir em um software de gerenciamento de processos ou em uma
solução para o arquivamento digital de documentos. Ela proporciona uma revisão de
todos os processos do escritório, em todos os seus setores, buscando otimizar as
atividades como um todo.

A automação tem um caráter de inteligência que, quando não é aplicado à gestão, faz
com que as ferramentas tecnológicas se tornem mais um entrave.

Investir em automação jurídica, portanto, não é apenas investir em ferramentas


tecnológicas. É preciso ir além e rever todos os processos e a gestão do escritório, para
que então a eficiência e a produtividade passem a integrar o famoso modus operandi dos
serviços jurídicos. (...)".

Para a íntegra do texto, acesse o link abaixo:

Automação Jurídica: O futuro do mercado do Direito

AULA IV: Desafios para a Advocacia Brasileira II

Existe contemporaneamente um duplo e contraditório movimento na sociedade


brasileira. Ao mesmo tempo, ocorrem os fenômenos da judicialização de novas esferas e
de desjudicialização de outras. Por um lado, problemas políticos terminam nos tribunais
e conflitos tradicionalmente resolvidos neles são solucionados por outros meios.

A ineficiência do Poder Judiciário é expressiva. Não consegue adequar-se aos padrões


tecnológicos de produtividade do presente, devolvendo ao cidadão uma prestação cara e
excessivamente lenta. Para "desafogar", promove uma cultura de resolução extrajudicial
dos conflitos, que já se materializa em leis regulando a arbitragem e a mediação, por
exemplo.

Se o advogado conquistou o monopólio de atividades de postulação (art. 1º da Lei


8.906/94), forma que tradicionalmente utiliza para resolver os conflitos, a política do
Judiciário de empurrálos para fora de seus processos gera uma tensão no horizonte. As
faculdades de direito preparam o jurista para "postular", não para resolver conflitos
diretamente; mas a "postulação" não é mais bem vista nem pelo Judiciário.

O advogado precisa repensar sua formação, dispensando conteúdos processuais que


tomam o espaço de técnicas mais úteis nessa atuação direta, como a negociação. Para
ser direto: ninguém, na sociedade, é tão preparado quanto o advogado para levar um
conflito ao Judiciário e defender o interesse dos conflitantes. Porém, talvez existam
outros trabalhadores mais qualificados para fazer uma arbitragem, uma conciliação, uma
mediação ou uma negociação.
Essa tensão já se manifesta, por exemplo, na estrutura da Lei 13.140/15, que regula a
mediação. Independentemente das eventuais interpretações que os dispositivos possam
ter, a lei não exige, nos artigos 9º e 11, que o mediador extrajudicial ou judicial seja,
sequer, formado em direito. O artigo 10, inclusive, indica que, na mediação
extrajudicial, as partes "poderão ser assistidas por advogados".

Em suma, se os advogados são associados a uma atuação específica para resolver


conflitos ("postulação"), precisam mostrar que também podem fazê-lo, melhor do que
outros trabalhadores, de outras formas.

O desafio da concretização da Justiça

Há ainda um último e grande desafio que se impõe à advocacia brasileira: se


considerarmos que a fundação da Ordem dos Advogados ocorre na década de 1930,
com a exclusão dos não filiados a ela da profissão, são cerca de 85 anos de advocacia
privada em um ambiente de profunda injustiça social decorrente das desigualdades que
assolam o país.

São inegáveis os momentos em que a Ordem se posicionou de forma democrática e


socialmente engajada. Ainda que tenha, por exemplo, apoiado a ditadura militar logo
após sua instauração, no início dos anos 1970 já passou a fazer oposição, reivindicando
a restauração da democracia. Além disso, graças a presidentes socialmente engajados e
com postura crítica, a partir dos anos 1980 a Ordem assume também um discurso em
nome da efetivação dos direitos sociais, tendo contribuído bastante para a
constitucionalização de muitos desses direitos.

No século XXI, todavia, parece perder um pouco a posição de liderança na sociedade


civil outrora assumida, no mesmo momento em que a quantidade de advogados
ultrapassa o milhão. Aos poucos, converte-se em uma entidade quase sindical,
defendendo apenas os interesses da classe dos advogados e silenciando sua voz coletiva
de representante da sociedade brasileira.

Se o órgão coletivo deixa de representar a sociedade civil na luta pela concretização da


justiça social em nosso país, resta saber se os advogados, individualmente, podem
assumir essa tarefa. A Constituição Federal considera o advogado indispensável à
administração da justiça e a Lei 8.906/94 proclama que seu "ministério privado" é
"serviço público" e "função social". Mas será possível cumprir esse papel enquanto
advogado privado?

Por um lado, existem e existiram vozes isoladas de advogados reivindicando


transformações políticas e sociais mais profundas em nosso país, ou defendo presos
políticos ou desempenhando uma advocacia "de causa".

Porém, no universo panorâmico da profissão, ocorre uma presença cada vez maior das
pessoas jurídicas que contratam advogados diretamente para seus departamentos
jurídicos ou contratam seus escritórios para a defesa em causas de contencioso de massa
ou estratégicas. Nesses momentos, a atuação do advogado, antes de focar na
concretização da justiça ou do bem comum, passa a focar na defesa dos interesses de
seus contratantes, buscando interpretações das leis nesse sentido.

O problema torna-se sério se olharmos para o outro lado da maioria dos conflitos em
nossa sociedade: a pessoa física. Se pensarmos naqueles de menor poder aquisitivo, que
se envolvem em conflitos de menor potencial econômico, são considerados clientes
inviáveis pela maioria dos advogados. Enquanto a pessoa jurídica pode gastar seu
dinheiro com advogados próprios que estudam a fundo os problemas jurídicos ou
terceirizar a gestão de seus conflitos com escritórios que se especializam, a pessoa física
de baixo poder aquisitivo precisa recorrer a um advogado que, independentemente de
sua intenção, nem sempre conta com a mesma estrutura do grande escritório ou
departamento jurídico.

Será que nosso sistema de advocacia privada pode atender satisfatoriamente àqueles que
não possuem dinheiro para pagar por um bom advogado? É preciso encontrar uma
forma de responder que sim a esse desafio.

Aula I: O Cidadão-Trabalhador na Nova Ordem Constitucional

Art. 1º da CF 88 – direitos sociais e o estado democrático de direito


Os direitos sociais na nova ordem constitucional = direitos fundamentais (art. 6º ao art
11 da cf 88). Se eu penso em direitos sociais eu concebo eles sob a ótica de direitos
fundamentais do homem, uma vez que a cidadania é fundamento do estado democrático
de direito.

Os direitos sociais são de 2ª geração = porque são direitos de igualdade, pautados no


direito a igualdade. Se eu falo em cidadão trabalhador, eu falo que a todo trabalhador
preciso concretizar esses direitos sociais, que partem do direito a igualdade. Esses
direitos sociais devem ser prestados pelo Estado por meio de políticas distributivas, para
que o cidadão possa se inserir na sociedade de forma igualitária.

O estado fornecerá esses direitos através de políticas publicas (à saúde, ao trabalho, à


educação, ao lazer, à alimentação, segurança, etc). Esses direitos devem sair do ideal
social para serem concretizados materialmente ao homem.

Caracteristicas dos direitos sociais no estado democrático de direito = se fundam em


critérios de pluralidade e reconhecimento universal de direitos; o homem é o centro
convergente de direitos (tem como centro a pessoa humana e a partir do momento que
eu concretizo esses direitos eu possibilito uma ampliação do conceito de cidadania,
concedendo ao trabalhador a condição de cidadão; o cidadão trabalhador é o portador de
todos os direitos fundamentais da pessoa humana, incluindo aqui os direitos sociais);
todos esses direitos sociais devem ser pautados na dignidiade da pessoa humana (eiixo
principal de interpretação desses direitos).

A dignidade da pessoa humana é o fundamento do estado democrático de direito.

Ela é a qualidade intrínseca do homem, implicando em um complexo de direitos e


garantias fundamentais, para garantir ao trabalhador condições mínimas de trabalho,
constituindo princpipo, fundamento e objetivo do estado democrático de direito.

Trabalhado = é um direito fundamental social.

A Constituição da República de 1988, no capítulo II, do Título II, ao dispor sobre os


direitos e garantias fundamentais, elenca os direitos sociais nos artigos 6º ao 11.
Os direitos sociais são direitos fundamentais do cidadão e como tal devem ser
concebidos e concretizados. Assim, ao estabelecer os contornos da cidadania, tais
direitos devem fazer parte desse arcabouço.

Desse modo, uma nova compreensão de cidadania deve ser perseguida, tendo como
fundamento a autonomia humana, visando o combate às mais variadas formas de
exclusão social.

Se os direitos sociais constitucionais (trabalho, educação, saúde, lazer, segurança,


previdência social, proteção à maternidade e à infância) fazem parte da estrutura básica
da cidadania, devem ser concretizados, retirando-os da posição de meros ideais
sociais.

Tais direitos, por serem fundamentais ao homem, "são normas, direitos iguais,
habilitação dos homens, isto é, dos cidadãos, a uma participação ativa. No que lhes diz
respeito, fundamentam juridicamente uma sociedade libertária, um estado democrático"
(MIRANDA; AIEXE, 2008. p. 527).

O Estado Democrático de Direito, preconizado pela Constituição Federal de 1988, tem


como objetivo, dentre outros, a promoção da dignidade da pessoa humana e do valor
social do trabalho, através de direitos e deveres concedidos aos cidadãos, já que o art. 5º
do texto constitucional assegura uma vasta relação de direitos da cidadania.

Nesse diapasão, José Afonso da Silva explica que:

A Constituição estrutura um regime democrático consubstanciando esses objetivos de


igualização por via dos direitos sociais e da universalização de prestações sociais
(seguridade, saúde, previdência e assistência sociais, educação e cultura) (SILVA, 2000.
p. 132).

Esclarece Ingo Wolfgang Sarlet:

Como tarefa (prestação) imposta ao Estado, a dignidade da pessoa reclama que este guie
as suas ações tanto no sentido de preservar a dignidade existente, quanto objetivando a
promoção da dignidade, especialmente criando condições que possibilitem o pleno
exercício e fruição da dignidade, sendo portanto dependente (a dignidade) da ordem
comunitária, já que é de se perquirir até que ponto é possível ao indivíduo realizar, ele
próprio, parcial ou totalmente, suas necessidades existenciais básicas ou se necessita,
para tanto, do concurso do Estado ou da comunidade (este seria, portanto, o elemento
mutável da dignidade), constatação esta que remete a uma conexão com o princípio da
subsidiariedade, que assume uma função relevante também neste contexto (SARLET,
2007. p. 48).

Ressalta-se que cidadania, em sentido restrito, envolve o exercício de direitos políticos e


sociais, sendo que "cidadão é todo aquele do povo a quem deve o Estado estender as
benesses inerentes ao pleno desenvolvimento do potencial humano" (OLIVA, 2006. p.
107). Por outro lado, a cidadania representa um conjunto de prerrogativas e de deveres
do homem, que permitem sua integração na sociedade em que vive.

O trabalhador goza de todas as prerrogativas constitucionais que, aliadas às garantias


concedidas pelo Direito do Trabalho, assegurarão a sua condição de cidadão dentro de
uma sociedade capitalista contemporânea.

Explica Canotilho (2003) que os direitos sociais quando obtidos a um determinado grau
de realização, tornam-se garantia institucional e direito subjetivo. Tal reconhecimento
para com os direitos sociais constituirá limite e ponto de partida para o legislador, vez
que a política a ser adotada deverá ser compatível com a concretização de tais direitos.

Todos os direitos sociais constitucionais exercem uma função social importante, na


medida em que constituem instrumentos pontecializadores para deter os recuos sociais
verificados nos últimos tempos. Logo, a efetivação dos direitos sociais constitucionais
contribuirá para a promoção e resgate da cidadania.

A visão atual sobre a constitucionalização do Direito do Trabalho concebe a pessoa que


trabalha não como mero trabalhador, mas como um cidadão. Ao trabalhador, portanto,
não devem ser garantidos somente os direitos constitucionais de ordem trabalhista, mas
todos os direitos fundamentais a serem concedidos ao cidadão.
Sobre essa nova perspectiva do Direito do Trabalho, Júlio Ricardo de Paula Amaral
complementa:

Na verdade, ocorreu - e ainda está ocorrendo, num processo dinâmico - o fenômeno da


constitucionalização do Direito do Trabalho, sendo que o trabalhador deixou de ser
considerado exclusivamente como um sujeito que, por meio de um contrato de trabalho
- negócio jurídico de natureza privada - põe à disposição de outra pessoa a sua força de
trabalho, mas, como tal ocorrência, houve uma mudança no foco de proteção, passando-
se a proteger também o trabalhador-cidadão, reconhecendo-lhe todos os direitos
inerentes aos demais cidadãos, previstos na Constituição, promovendo a dignidade da
pessoa humana no âmbito de uma relação trabalhista. Ao contrário do que aconteceu na
1ª fase da constitucionalização do Direito do Trabalho, em que houve a consagração dos
chamados direitos fundamentais específicos dos trabalhadores, atualmente, a doutrina
caminha noutro sentido, com a finalidade de estabelecer a denominada cidadania na
empresa, ou seja, com a finalidade de dar ênfase ao que se passou a designar como
direitos fundamentais ou laborais inespecíficos, consubstanciados naqueles direitos do
cidadão de forma geral, exercitados na empresa, como trabalhadores, mas, também, e,
sobretudo, como cidadãos (AMARAL, 2008, p. 262).

Desse modo, a perspectiva proposta pela Constituição Federal de 1988 é em direção à


cidadania do trabalhador, ou seja, reconhecendo-lhe todos os direitos inerentes aos
demais cidadãos, de forma a promover a dignidade humana no âmbito da relação
trabalhista.

Assim, com fundamento nos arts. 1º, 3º, 6º, 7º e 205 da CF/88, é necessária uma
metamorfose constitucional da compreensão do próprio Direito do Trabalho, de modo a
permitir que o ramo juslaboral retorne a sua essência como instrumento retificador da
relação capital/trabalho, permitindo a melhoria das condições de vida do trabalhador,
promovendo a justiça social, porque há uma relação indissociável entre trabalho, vida,
sobrevivência, tratamento igualitário e, portanto, à dignidade do trabalhador.

O eixo referencial dos arts. 6º, 7º e 205, da Constituição Federal de 1988 deve ser a
melhoria da condição de vida do trabalhador, até porque o comando constitucional é no
sentido da valorização do trabalho humano como base para a promoção da existência
digna.

Contudo, as Constituições brasileiras anteriores à Constituição Cidadã, não davam a


devida importância de direitos fundamentais aos direitos sociais, muito embora sempre
tenham sido objeto de análise constitucional.

Apesar de toda crítica em torno do período getulista, ressalta-se que, após 1930, inicia-
se um processo de mobilização através da educação e intensifica-se a produção
legislativa de regulamentação e tutela do trabalho humano.

Inaugura-se, portanto, a fase de atualização política da cidadania social e econômica


desses homens excluídos pelas elites tradicionais.

LEITURA COMPLEMENTAR:

1 - "O XXVI Congresso Nacional do CONPEDI, realizado na cidade de São Luís, MA,
entre os dias 15 e 17 de novembro de 2017, proporcionou a reunião de diversos
professores e pesquisadores dedicados ao estudo dos Direitos e Garantias Fundamentais.
Tema de tamanha relevância e apelo entre os estudiosos que deu ensejo ao
desdobramento do Grupo de Trabalho em dois, a fim de permitir mais aprofundado
debate sobre questões extremamente atuais e relevantes.

Como de hábito nos Grupos de Trabalho do CONPEDI, o pensamento jurídico


brasileiro foi representado por pessoas vindas de norte a sul do país, compondo um
amplo espectro de orientações conceituais, em um rico diálogo entre diferentes escolas.
(...)".

Para a íntegra do texto, segue o link abaixo:

O SUPER PRINCÍPIO FUNDAMENTAL DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA


Aula II: Os Direitos Sociais no Constitucionalismo Brasileiro

Buscar desde a primeira constitucao até a de 1867, como os direitos sociais foram se
desenvolvendo ao longo do cenário brasileiro.

1) Constituição do império de 1824


Instituída durante a monarquia de D. Pedro I
Periodo escravocrata
Instituição de um período de monarquia constitucional
- não há uma igualdade esculpida nessa constituição, já que o escravo não era
visto como uma pessoa dotada de dignidade humana, uma vez que a escravidão
ainda era regra.

Trata de forma genérica dos direitos sociais, não há um tratamento inciisvo e


descriminado, fala tao somente das garantias dos direitos civis e políticos dos
brasileiros, sendo a única parte – e ainda de forma genérica e tímida.

2) Constituição de 1891
Utiliza como modelo o sistema constitucional americano
Poder distribuído entre a União e os Estados da federação
Não há mais uma concentração de poder, mas sim uma distribuição, adotando o
principio do governo presidencial.
Não se preocupa com a questão social.

3) Constituição de 1934
Surge no período de Getúlio Vargas
Tem como característica traços democráticos
Percebemos a constitucionalização de direitos trabalhistas, mas essa CF não
chega a se efetivar, porque o GV instaura o estado de sítio no brasil, mas é
importante tratarmos porque essa CF trouxe parâmetros importantes.
Possui inspiração na CF mexicana e de Weimer.

4) Carta de 1937
Surge no período ditatorial de GV
Possui características nazifascista
Tutela alguns direitos sociais, e nesse ponto contribuiu para a realização da
justiça social
O Estado passa a reconhecer o dever de solidariedade entre a sociedade para a
realização desses direitos sociais
Manteve a tendencia de constitucionalização dos direitos trabalhistas

5) CF 1946
Surge após GV
Retoma bases democráticas
Promove a valorização do trabalho humano, reconhecendo a importância do
trabalho para o alcance da vida digna do trabalhador
Determina o trabalho como obrigação social

6) CF 1967
Período militar
Sofre varias intervenções por meio dos atos institucionais
Período ditatorial que o brasil passava
Determina finalidade da ordem econômica por meio da justiça social
Valorização do trabalho como condição da dignidade humana
Reconhece o papel importante do trabalho, devidamente regulado e protegido,
desempanhado na construção de uma vida digna do trabalhador
Aqui a CLT já estava em vigência.

a) Constituição do Império, de 1824

A Constituição Federal de 1824 foi instituída durante a monarquia de D. Pedro I,


período em que a escravatura era admitida. Para alguns constitucionalistas, significou a
instituição de um período de monarquia constitucional:

À semelhança das demais Constituições do século XIX, assentava na separação dos


poderes, embora desequilibrada pela forte posição do Imperador, simultaneamente
titular do poder moderador, chefe do poder executivo e participante, através da sanção,
no poder legislativo. Representantes da nação eram o Imperador e o Parlamento,
chamado Assembleia Geral (MIRANDA, 1990. p. 231).

O trabalho e a educação foram tratados de modo bem tímido e genérico pela


Constituição do Império, de 1824, mais precisamente no Título 8º que se referia às
disposições gerais e garantias dos direitos civis e políticos dos cidadãos brasileiros.

Assim, o art. 179, da Constituição do Império de 1824, nos incs. XXIV, XXV, XXXII e
XXXIII, é feita remissão ao trabalho e à educação:

Art. 179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Politicos dos Cidadãos Brazileiros, que
tem por base a liberdade, a segurança individual, e a propriedade, é garantida pela
Constituição do Imperio, pela maneira seguinte. [...] XXIV. Nenhum genero de
trabalho, de cultura, industria, ou commercio póde ser prohibido, uma vez que não se
opponha aos costumes publicos, á segurança, e saude dos Cidadãos. XXV. Ficam
abolidas as Corporações de Officios, seus Juizes, Escrivães, e Mestres. [...] XXXII. A
Instrucção primaria, e gratuita a todos os Cidadãos. XXXIII. Collegios, e Universidades,
aonde serão ensinados os elementos das Sciencias, Bellas Letras, e Artes.

Muito embora o trabalho e a educação fossem considerados direitos civis dos cidadãos
brasileiros, percebe-se, pois, um certo descaso do Império nessa seara, visto que o
tratamento dispensado é bastante genérico, sem abordar questões atinentes à proteção e
efetividade de
Aula II - Os Direitos Sociais no Constitucionalismo Brasileiro
tais direitos.

b) Constituição de 1891

A Constituição Federal de 1891, efeito da proclamação da República ocorrida em 15 de


novembro de 1889, foi aprovada por um Congresso Constituinte. Caracterizou-se por se
aproximar do sistema constitucional do modelo norte-americano, já que o poder foi
distribuído entre a União e os Estados da Federação, bem como adotado o princípio de
governo presidencial.
A primeira Constituição da República não se referiu expressamente sobre o trabalho
humano. Contudo, assegurou a liberdade de associação, conforme se depreende do § 8º,
do art. 72:

Art 72 - A Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros residentes no País a


inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade, à segurança individual e à
propriedade, nos termos seguintes: [...] § 8º - A todos é lícito associarem-se e reunirem-
se livremente e sem armas; não podendo intervir a polícia senão para manter a ordem
pública.

Vê-se, portanto, que a Constituição em comento não se preocupou com a questão social.
No que diz respeito especificamente aos direitos trabalhistas, esses também não foram
objeto do pensamento político da época.

No tocante à educação, a Constituição de 1891 também não aprofundou no assunto, tão


menos assegurou a educação como direito dos cidadãos. Contudo, atribuiu competência
ao Congresso para promover o desenvolvimento das "letras" e das "ciências":

Art 35 - Incumbe, outrossim, ao Congresso, mas não privativamente: [...] 2º) animar no
Pais o desenvolvimento das letras, artes e ciências, bem como a imigração, a
agricultura, a indústria e comércio, sem privilégios que tolham a ação dos Governos
locais;

Demais disso, de forma subtendida, o legislador privilegiou em direitos políticos o


cidadão com acesso à educação e ao trabalho, visto que proibiu a condição de eleitor ao
mendigo e ao analfabeto. Veja-se:

Art 70 - São eleitores os cidadãos maiores de 21 anos que se alistarem na forma da lei. §
1º - Não podem alistar-se eleitores para as eleições federais ou para as dos Estados: 1º)
os mendigos; 2º) os analfabetos; [...]
Percebe-se, portanto, que, no Brasil, o trabalho e a educação permaneceriam longe dos
olhos do legislador constituinte e ausentes de garantia para com o cidadão por mais de
40 anos.

c) Constituição Federal de 1934

A Constituição Federal de 1934 foi pioneira em tratar da ordem econômica e social. No


seu preâmbulo, fez referência à instituição de um regime democrático assegurando a
todos liberdade, justiça e bem-estar social e econômico.

No que tange aos direitos sociais, inspirou-se na Constituição Mexicana de 1917 e na


Constituição de Weimar de 1919.

Quanto à educação, a Constituição Federal de 1934 dispôs de forma mais clara que as
constituições anteriores, atribuindo competência privativa à União para traçar diretrizes
da educação nacional e competência concorrente com os Estados para a difusão da
instrução pública em todos os graus.

No art. 139, o legislador constituinte em flagrante observância ao princípio da


solidariedade e visando a promoção da justiça social determinou que o empregador
fosse responsável pela educação primária de seus empregados e família, nos seguintes
termos:

Art 139 - Toda empresa industrial ou agrícola, fora dos centros escolares, e onde
trabalharem mais de cinqüenta pessoas, perfazendo estas e os seus filhos, pelo menos,
dez analfabetos, será obrigada a lhes proporcionar ensino primário gratuito.

No capítulo II, do Título V, a educação e a cultura foram objetos de tutela, de modo que
o trabalhador e a sociedade estivessem conjugados à efetividade e garantia do direito à
educação. Ressalta-se:

Art 148 - Cabe à União, aos Estados e aos Municípios favorecer e animar o
desenvolvimento das ciências, das artes, das letras e da cultura em geral, proteger os
objetos de interesse histórico e o patrimônio artístico do País, bem como prestar
assistência ao trabalhador intelectual.

Art 149 - A educação é direito de todos e deve ser ministrada, pela família e pelos
Poderes Públicos, cumprindo a estes proporcioná-la a brasileiros e a estrangeiros
domiciliados no País, de modo que possibilite eficientes fatores da vida moral e
econômica da Nação, e desenvolva num espírito brasileiro a consciência da
solidariedade humana. (grifos)

Em relação ao trabalho humano, a Constituição Federal de 1934, até então, foi a mais
democrática e abrangente na tutela dos direitos trabalhistas, visando a proteção à vida
digna do trabalhador:

Art. 121 - A lei promoverá o amparo da produção e estabelecerá as condições do


trabalho, na cidade e nos campos, tendo em vista a proteção social do trabalhador e os
interesses econômicos do País

O art.121 foi muito importante para a época, pois ainda não havia a Consolidação das
Leis do Trabalho - CLT. O parágrafo 1º, do citado artigo, que constitucionalizou vários
direitos trabalhistas, passou a ser repetido nas demais constituições, sempre motivando a
criação de outros direitos que promovessem a melhoria das condições dos
trabalhadores.

Houve, também, o reconhecimento da legitimidade dos sindicatos e associações, bem


como o acolhimento à pluralidade sindical e o reconhecimento das convenções coletivas
de trabalho, fazendo ressurgir maior liberdade e autonomia dos mesmos, ainda que sob
o período getulista, onde a repressão aos sindicatos era notória.

Alguns institutos de Direito do Trabalho como a isonomia salarial, o salário mínimo,


jornada de 8 horas, repouso semanal e férias foram, pela primeira vez no Brasil,
constitucionalizados.
Permaneceu, contudo, como na Constituição de 1891, o privilégio em direitos políticos
para o cidadão com acesso à educação e ao trabalho, visto que proibiu a condição de
eleitor ao mendigo e ao analfabeto:

Art 108 - São eleitores os brasileiros de um e de outro sexo, maiores de 18 anos, que se
alistarem na forma da lei. Parágrafo único - Não se podem alistar eleitores: a) os que
não saibam ler e escrever; [...] c) os mendigos;

Além disso, atribuiu competência concorrente à União e aos Estados sobre a


fiscalização da aplicação das leis sociais.

A Constituição Federal de 1934, todavia, não chegou a se consolidar no plano fático-


juridico, pois, em 1935, o governo federal, sob o comando de Getúlio Vargas, retomou
o controle pleno sobre as ações trabalhistas, através do estado de sítio.

d) Carta de 1937

A Carta de 1937, inspirada em ideais nazi-facistas, foi outorgada no período ditatorial


getulista. O intervencionismo estatal é patente tanto em relação à educação, quanto ao
trabalho. Apesar do caráter de dominação da política trabalhista instituída por Getúlio
Vargas, não há como negar que houve melhoria das condições dos trabalhadores e, de
certo modo, contribuiu para a realização da justiça social.

A educação é tratada de forma mais minuciosa, devendo corroborar para a formação


física, intelectual e moral do educando, sendo competência privativa da União fixar as
bases da educação nacional.

Curioso notar que o legislador constituinte reconheceu a importância da educação para a


formação profissional do educando, estabelecendo como dever estatal propiciar o ensino
profissional. Demais disso, atribui papel fundamental à indústria e sindicatos para a
criação de escolas de aprendizes para os trabalhadores e seus filhos.

Tal fato demonstra o reconhecimento pelo Estado do dever de solidariedade de todos


que compõe uma sociedade, já sinalizando para uma tendência do ordenamento jurídico
em promover a justiça social com bases na fraternidade, um dos ideais da
modernidade:

No que diz respeito ao trabalho humano, o legislador constituinte o coloca como dever
social1, muito embora o intervencionismo estatal nos institutos de Direito Coletivo do
Trabalho como sindicato e a própria negociação coletiva é flagrante, visto que atribuiu
amplo poder de intervenção nestes assuntos ao Conselho da Economia Nacional.
Também proibiu a greve e o lock out, já que os considerou recursos anti-sociais e
incompatíveis com os superiores interesses da produção nacional.

A tendência à constitucionalização de direitos trabalhistas também se verificou na Carta


de 1937, ampliando o rol de tais direitos em comparação à Constituição Federal de
1934. Assim, o art. 137, da Carta de 1937, reconheceu o direito ao repouso semanal,
feriado, férias anuais, indenização por tempo de serviço, sucessão de empregadores,
salário mínimo, jornada de oito horas, adicional noturno dentre outros.

No tocante aos sindicatos, apesar de o legislador constituinte reconhecer a liberdade de


associação profissional ou sindical, somente atribui direito de representação legal aos
sindicatos regularmente reconhecidos pelo Estado. Ressalta-se:

Art 138 - A associação profissional ou sindical é livre. Somente, porém, o sindicato

1 Art 136 - O trabalho é um dever social. O trabalho intelectual, técnico e manual tem
direito a proteção e solicitude especiais do Estado. A todos é garantido o direito de
subsistir mediante o seu trabalho honesto e este, como meio de subsistência do
indivíduo, constitui um bem que é dever do Estado proteger, assegurando-lhe condições
favoráveis e meios de defesa. (grifos)
regularmente reconhecido pelo Estado tem o direito de representação legal dos que
participarem da categoria de produção para que foi constituído, e de defender-lhes os
direitos perante o Estado e as outras associações profissionais, estipular contratos
coletivos de trabalho obrigatórios para todos os seus associados, impor-lhes
contribuições e exercer em relação a eles funções delegadas de Poder Público.
Diante do cenário político vivenciado à época, é possível afirmar que o trabalho e a
educação foram objetos de tutela pelo Estado, ainda que sob o manto do
intervencionismo ditatorial.

e) Constituição Federal de 1946

A Constituição Federal de 1946 foi promulgada após o fim do período getulista,


retomando as bases democráticas iniciadas pela Constituição Federal de 1934.

Ressalta-se que, após a Revolução de 1964, a Constituição Federal de 1946 foi


submetida a quatro atos institucionais que se caracterizavam por conceder a
concentração do poder no Presidente da República.

Diferentemente das Constituições de 1891 e 1934, a Constituição Federal de 1946


apenas excluiu da condição de eleitor o analfabeto, não mais se referindo ao mendigo,
que dava a subtender que aquele que não tivesse trabalho não poderia se alistar eleitor.

A justificativa para a exclusão do analfabeto do direito de voto se fundava no fato de


que tais pessoas não tinham condições de participarem da democracia, de forma livre e
crítica.

Trata-se, como visto, de uma explicação conservadora e preconceituosa contribuindo


para acentuar a marginalização social e política da grande maioria da população
brasileira da época.

A democracia, portanto, era só para privilegiados, autorizando se afirmar que se


praticava uma democracia segregadora.

No que diz respeito ao trabalho, a Constituição Federal de 1946 foi mais densa e
incisiva, promovendo a valorização do trabalho humano, reconhecendo a importância
do trabalho para o alcance da vida digna do trabalhador e determinando como obrigação
social o trabalho. Ressalta-se:
Art 145 - A ordem econômica deve ser organizada conforme os princípios da justiça
social, conciliando a liberdade de iniciativa com a valorização do trabalho humano.

Parágrafo único - A todos é assegurado trabalho que possibilite existência digna. O


trabalho é obrigação social. (grifos)

A constitucionalização dos direitos trabalhistas manteve-se presente, sendo que o


legislador constituinte inovou ao elencar nesse rol de direitos a participação nos lucros e
resultados, a remuneração do repouso semanal, licença-maternidade sem prejuízo ao
salário e ao emprego e assistência aos desempregados.

Quanto à negociação coletiva, greve e sindicalização, a Constituição Federal de 1946


retomou as bases democráticas, reconhecendo tais institutos.

f) Constituição Federal de 1967

A Constituição Federal de 1967 surgiu sob críticas, pois foi considerada produto da
Revolução de 1964, pois, em 1964, inicia-se a reformulação da política econômica do
país, já que o Brasil enfrentava um período de alta inflação, o que atingia diretamente a
vida socioeconômica da população.

Em razão dos governos militares autoritários que se sucederam a partir de então,


referida Constituição foi submetida a vários atos institucionais, até que, em 1969, surgiu
a primeira emenda constitucional objetivando a compatibilização do texto constitucional
primitivo aos novos anseios dos governantes ditatoriais.

Repetindo a Constituição Federal de 1946, a Constituição Federal de 1967 manteve a


exclusão do analfabeto da condição de eleitor.

No art. 157, o legislador constituinte determinou que a ordem econômica tem por
finalidade a realização da justiça social, baseada, dentre outros, no princípio da
valorização do trabalho como condição da dignidade humana, de modo a reconhecer o
papel importante que o trabalho, devidamente regulado e protegido, desempenha na
construção de uma vida digna do trabalhador.
A constitucionalização dos direitos trabalhistas manteve-se presente, sendo que o
legislador constituinte inovou ao introduzir a co-gestão e a opção pelo FGTS, que
convivia com o instituto da estabilidade decenal. Além disso, assegurou o salário-
família e reduziu a idade mínima para o trabalho para 12 anos.

A educação foi tratada de forma relevante, sendo direito de todos, baseada nos ideais de
liberdade e de solidariedade humana.

Também invocando o princípio da solidariedade, o art. 170 determinou que as empresas


se obrigam a manter o ensino primário gratuito aos seus empregados e filhos, bem como
a ministrar cursos de aprendizagem aos trabalhadores menores.

Apesar de toda crítica em torno da Constituição Federal de 1967, em razão da mesma


ser produto de um período nefasto de ditatorialismo nacional, verifica-se a preocupação
em efetivar e proteger tanto o trabalho humano quanto o direito à educação.

LEITURA COMPLEMENTAR:

"Sempre comprometido com o desenvolvimento de uma sociedade democrática, cada


vez mais plural, justa e humanitária, o Conselho Nacional de Pesquisa em Direito -
CONPEDI, reuniu, em seu XXVI Congresso, que ocorreu na cidade de São Luís, no
Estado do Maranhão, pesquisadores nacionais e internacionais para dialogarem e
refletirem, no Grupo de Trabalho intitulado DIREITOS SOCIAIS E POLÍTICAS
PÚBLICAS I, temas que trataram da busca da efetivação de uma sociedade mais
igualitária, onde a implementação da democracia e do Estado Democrático de Direito
sejam possíveis, com base na proteção da dignidade da pessoa humana, do piso
existencial mínimo e na vivência de uma vida digna.

O grupo de trabalho teve bastante êxito, tanto pela excelente qualidade dos artigos,
quanto pelas discussões empreendidas pelos investigadores presentes. Foram defendidos
dezoito trabalhos, efetivamente debatidos e que integram esta obra, a partir dos
seguintes eixos temáticos que ordenam os estudos: Políticas Públicas em geral e Direito
à Educação; Judicialização de Políticas em Saúde Pública; Meio Ambiente e Audiências
Públicas; e, finalmente, Direitos Humanos. (...)"

Para a íntegra do texto, segue o link abaixo:

A IMPORTÂNCIA DO DIREITO EM MOMENTO DE CRISE ECONÔMICA,


SOCIAL E POLÍTICA

Aula III: Os Direitos Sociais na Constituição Federal de 1988

A CF 88 se consolidou num estado democrático de direito. Isso significa que todo o


texto constitucional parte do fundamento do estado democrático de direito (art. 1º da cf
88).

Importancia singular à garantia e proteção dos direitos fundamentais do homem. O art.


6º da CF 88 traz alguns direitos sociais, dentre eles:

 Direito à educação (art. 205, CF 88) = principio da solidariedade social; objetivo


de pleno desenvolvimento, preparo para o exercício da cidadania, qualificação
para o trabalho;
 Direito à saúde (art. 196, CF 88) + art. 7º, XXII, XXIII, XXXIII, cf 88 =
inovação da cf 88;
 Direito ao trabalho (art. 7º, 8º e 9º cf 88) = direito social elevado à condição de
direito fundamental do homem; inovação da cf88 no sentido de elevar esse
direito à esse patamar; valorização do trabalho humano desenvolvido sob o eixo
da dignidade da pessoa humana (substrato ético);

Trabalho humano = promotor da vida digna, fundamento da ordem econômica, objetivo


da politica brasileira

 Direito à moradia (art. 6º e 7º, IV. Cf 88) = na concepção de salario mínimo


(necessidades de moradia dos trabalhadores), aqui já percebe uma conexão do
direito à moradia com o direito social ao trabalho, na tutela desses direitos
fundamentais mínimos
 Direito à previdência = principio contributivo inerente ao direito à previdência;
 Direito à maternidade e à infância = fundamento do direito à vida

Nascida a partir dos anseios da sociedade brasileira por democracia, após décadas de
repressão e supressão de direitos fundamentais, a Constituição Federal de 1988,
conhecida como Constituição Cidadã, consolidou o Estado Democrático de Direito,
fundamentando-se na soberania, cidadania, dignidade de pessoa humana, no valor social
do trabalho e da livre iniciativa e no pluralismo político.

Sua singularidade reside no fato de que, diferentemente das demais Constituições do


Brasil, a Constituição Federal de 1988 ocupou-se, especialmente, à garantia e proteção
dos direitos fundamentais do homem.

As expectativas em torno da Constituição Federal de 1988 são, até hoje, muitas, vez que
a mesma tem como objetivo nuclear a construção de uma sociedade livre, justa e
solidária, pautada na dignidade da pessoa humana.

É a partir dessas perspectivas que o trabalho e a educação devem ser compreendidos e


efetivados, já que são tratados pelo constituinte como direitos sociais fundamentais (art.
6º, CR/88). Outrossim, conceber uma sociedade justa é dar a oportunidade e capacidade
para que seus membros possam desfrutar do mesmo conjunto de direitos.

No que se refere ao trabalho humano, verifica-se um grande avanço do constituinte ao


elevá-lo ao patamar de direito fundamental1, juntamente com um rol de direitos
trabalhistas capazes de garantir um patamar civilizatório digno ao trabalhador.

Atualmente, a efetividade de tais direitos trabalhistas depende muito mais de uma


questão interpretativa do aplicador do Direito, do que, necessariamente, da previsão
constitucional ou infraconstitucional.
O trabalho humano está em todo o corpo do texto constitucional em posição de
destaque, seja como promotor da vida digna, seja como fundamento da ordem
econômica, seja como objetivo da política brasileira.

1 Nesse sentido, verificar arts. 6º, 7º, 8º, 9º, 10 e 11, da CF/88

Por outro lado, também elevada à condição de direito fundamental, a educação é tratada
de forma minuciosa pelo constituinte, ressaltando a necessidade da colaboração da
sociedade na promoção desse direito que deve visar o pleno desenvolvimento do
homem, capacitando-o para o exercício da cidadania, bem como qualificando-o para o
trabalho (art. 205, CR/88).

Diante da análise dos direitos sociais, notadamente o trabalho e a educação, no evoluir


das constituições brasileiras, percebe-se a elevação da conscientização do legislador no
sentido de que ambos são vitais para a emancipação do homem tanto individual quanto
socialmente.

Outro ponto em comum que se pode aferir da análise das constituições brasileiras é o
fato de que a solidariedade é fundamental para a realização dos direitos sociais.

A efetivação dos direitos sociais constitucionais, portanto, constituem premissas básicas


e fundamentais para a melhoria das condições de vida do homem, já que exercem a
função de integração do homem na sociedade capitalista contemporânea.

Ter acesso aos direitos sociais pautados na dignidade permite a participação real e
efetiva dos trabalhadores nos processos sociais.

Não permitir a concretização efetiva dos direitos sociais ao cidadão, por conseguinte,
conduz a um aumento das desigualdades dentro do processo de modernização da
sociedade, visto que as transformações constantes dos processos produtivos, propiciadas
pelo avanço da tecnologia e da globalização, exigem do trabalhador contemporâneo um
salto qualitativo do seu trabalho e do seu nível de instrução crítica e criativa, sob pena
de torná-lo periférico à sociedade moderna.
Percebe-se, pois, que o nível de instrução do trabalhador influencia diretamente sobre a
sua condição de trabalho e de vida. Em termos gerais, quanto mais baixo o nível de
instrução, mais precário é o trabalho, correlacionando baixo nível educacional, trabalho
precário, salário baixo e nível de produtividade limitado. Logo, a própria condição de
vida do trabalhador e de sua família estará significadamente comprometida.

Para a emancipação material e social do trabalhador, é fundamental que os direitos


sociais constitucionais sejam concretizados no plano fático e não fiquem emoldurados
no pragmatismo da norma.

A dignidade é o valor fundante do Estado Democrático de Direito e substrato mínimo


dos direitos fundamentais do homem e que, portanto, não concebe qualquer tipo de
flexibilização ou violação (art. 1º, inc. III, CR/88).

O eixo dos direitos humanos está na existência de uma sacralidade da pessoa humana e
na crença em uma transcendentalidade, ou seja, a dignidade da pessoa humana. Pode-se
dizer que para os direitos fundamentais o homem é o valor preponderante, em torno do
qual e para o qual se edificam as normas.

Importante se ressaltar que há uma distinção entre as denominações "direitos humanos"


e "direitos fundamentais". Alguns autores entendem os direitos fundamentais em um
sentido mais amplo, enquanto os direitos humanos dizem respeito apenas aos direitos
titularizáveis pelo ser humano.

Por outro lado, outros doutrinadores pugnam que os direitos fundamentais são os
direitos humanos insertos no ordenamento jurídico interno de cada país, de forma que os
direitos fundamentais teriam uma dimensão internacional. Para fins de desenvolvimento
dessa disciplina, serão utilizadas as expressões como sinônimas, haja vista que se
entende por direitos fundamentais todas aquelas normas cuja centralidade é o ser
humano e a proteção da sua dignidade.
Desse modo, tais direitos são ao mesmo tempo direitos humanos, posto que
titularizáveis pelo homem e inerentes à condição do ser humano. A finalidade é a
valorização do homem e a concretização da dignidade humana, mediante a explicitação
das normas que lhe servem de substrato e funcionam como mola propulsora para a sua
consolidação.

A dignidade também pode ser compreendida sob dois aspectos: individual e social.

O aspecto individual alude à integridade física e psíquica do homem e se relaciona com


as liberdades negativas dos direitos fundamentais de primeira geração.

A dignidade social diz respeito à afirmação do homem enquanto ser pertencente à


sociedade e está intrinsecamente conectada às liberdades positivas e à igualdade
substancial, propostas pelos direitos fundamentais de segunda e de terceira geração,
respectivamente. Ademais, funda-se no parâmetro do mínimo existencial assegurado a
todas as pessoas.

Ambas as características são interdependentes e se completam para formatar a


concepção correta da dignidade da pessoa humana. Isso porque não há se falar em
direito à vida ou à liberdade sem que se garanta o acesso de todos à saúde, à educação e
ao trabalho. E, também, não se pode falar em direito ao trabalho e à educação sem se
afirmar o direito à vida e à liberdade.

A concretização do princípio da dignidade da pessoa humana só é possível pela


conjugação de suas duas dimensões: individual e social. O grande problema não é
auferi-las do ordenamento jurídico pátrio, mas sim efetivá-las.

O discurso atual propugna, propositalmente, o abandono da concepção social da


dignidade da pessoa humana, restringindo-a a uma concepção individualista de mera
proteção aos direitos de liberdade. O princípio da igualdade é olvidado, sob a falácia de
que os homens já alcançaram o patamar de igualdade substancial possível, sendo
bastante a igualdade meramente formal. Propõem os defensores dessa doutrina a
supressão dos direitos especiais garantidos a determinados grupos sociais, ao argumento
de que o tratamento diferenciado constitui "tratamento privilegiado" e, portanto,
injustificado. Não obstante, tais assertivas são falaciosas, de modo que as mesmas
condições que possibilitaram o surgimento do direito do trabalho estão presentes até
hoje, em especial a hipossuficiência e a exploração do homem trabalhador pelo capital.

O Direito do Trabalho, enquanto direito social fundamental, pode ser compreendido sob
dois aspectos. No que cinge ao direito ao trabalho, tem-se o direito individual subjetivo
de todo homem de acesso ao mercado de trabalho e à capacidade de prover a si mesmo
e à sua família, mediante seu próprio trabalho, que deve ser digno. Ademais, relaciona-
se com o direito de permanecer no emprego, sem que esse lhe seja retirado pelo arbítrio
de outrem.

Em relação ao Direito do Trabalho propriamente dito, refere-se ao direito coletivo,


inerente a determinado grupo merecedor de proteção especial em face de sua
desigualdade fática: os trabalhadores. Fixa o patamar mínimo civilizatório sem o qual
não se aceita viver, derivado da igualdade substancial e que tem como substrato a
dignidade da pessoa humana.

Desse modo, consolida-se o Direito do Trabalho como o meio mais eficaz de


concretização da dignidade social da pessoa humana no capitalismo.

LEITURA COMPLEMENTAR:

1 - "As duas grandes guerras mundiais, especialmente a última, e os governos


totalitários que comandaram vários países causaram inúmeras mortes e consequências
desastrosas para toda população mundial. Foi a partir deste momento que a humanidade
passou a buscar os mecanismos que pudessem frear ou impedir que tais momentos de
terror e tragédia não voltassem a ocorrer.

Dessa forma, houve o aumento da preocupação do homem por sua própria proteção,
onde a luta em busca dessa proteção resultou na criação de direitos fundamentais e, em
especial, o direito à dignidade da pessoa humana. Para este fim, algumas declarações
internacionais foram usadas como base para o fortalecimento desses dois institutos,
destacando principalmente a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.
(...)"

Para a íntegra do texto, segue o link abaixo:

O SUPER PRINCÍPIO FUNDAMENTAL DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

2 - "A Constituição não é um simples ideário e suas normas estão embrenhadas de


vinculatividade, todos a ela devem obedecer, por se constituir na expressão máxima da
vontade política do povo. Em contraponto aos mandamentos constitucionais de
aplicabilidade imediata, paira a discussão acerca dos direitos sociais, cujas normas que
os preveem teriam eficácia limitada e, portanto, aplicabilidade mediata. Os direitos
sociais previstos na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 alcançam
eficácia através da efetividade das políticas públicas, cuja complexidade transcende uma
simples prestação de serviços públicos. No âmbito deste Grupo de Trabalho, discutiu-se
sob as mais diversas perspectivas a eficácia dos direitos sociais através de políticas
públicas, articulando os conceitos ligado à campo jurídico formal e seus fundamentos
nas teorias dos direitos sociais, que envolvem uma complexa programação e
intervenções qualificadas dos entes públicos para uma prestação adequada e satisfação
de tais direitos. Nesse sentido, os debates realizados no Grupo de Trabalho Direitos
Sociais e Políticas Públicas II e os textos que se seguem percorrem de forma
contundente as questões e seus fundamentos.(...)"

Para a íntegra do texto, segue o link abaixo:

RELAÇÃO ENTRE DIREITO À EDUCAÇÃO E DIREITO AO TRABALHO: O


NOVO ENSINO MÉDIO

Aula IV: A Constitucionalização do Direito do Trabalho


Na cf 88 que esses direitos trabalhistas elevando-os ao patamar de direitos
fundamentais, mantendo a tendencia da constitucionalização desses direitos vindo de
outras constituições.

Inaugura-se a fase de transição democrática do direito do trabalho. Fase de superação do


modelo autoritário; adoção de um sistema democrático; direitos trabalhistas elevados ao
patamar de direitos fundamentais; expansionismo do Direito do trabalho

Trabalho sob o eixo da dignidade>>>>mecanismo de autoafirmação do homem

Direito do trabalho = principal instrumento de concretização da dignidade da pessoa


humana ao possibilitar a inclusão efetiva do trabalhador na sociedade capitalista.

Quando eu penso na constitucionalização do direito do trabalho, o valor social do


trabalho, a dignidade da pessoa humana e a cidadania devem ser os pilares estruturante
desse direito do trabalho constitucionalizado.

Principio da solidariedade na cf 88 tem um papel muito singular, uma vez que a


concretização dos direitos sociais devem também se pautar na solidariedade popular
para sua concretização, nessa aula, especificamente, dos direitos sociais do trabalho,
devendo a população também colaborar para essa concretização.

Não há como se falar em dignidade da pessoa humana se tal dignidade não se consumar
(produzir efeitos) no plano concreto, ou seja, pautando as condições de vida do homem.
Como falar em dignidade sem direito à saúde, ao trabalho, à educação, enfim, sem o
direito de participar da vida em sociedade com um mínimo de condições?

Nesse contexto, o Direito do Trabalho consolida-se como o principal instrumento de


concretização da dignidade da pessoa humana, ao possibilitar a inclusão efetiva do
indivíduotrabalhador na sociedade capitalista. Cabe lembrar que a atividade estatal deve
ser pautada pelo princípio da dignidade da pessoa humana, uma vez que o ser humano é
o centro convergente de direitos de todo o ordenamento jurídico e a dignidade constitui
o substrato mínimo a ser assegurado a todos igualmente.

Não é possível conceber, como modo de concretização da dignidade da pessoa humana,


a garantia de acesso a qualquer tipo de trabalho, já que uma sociedade que não assegura
a dignidade humana não pode ser chamada de democrática. Assim, é apenas por meio
do trabalho digno que o homem se afirma e se insere na sociedade capitalista. Além
disso, possibilita ao indivíduo o acesso às condições de uma vida digna para ele e para a
sua família.

As Constituições brasileiras de 1946 e 1967 já relacionavam a dignidade da pessoa


humana ao Direito ao Trabalho, ao prescreverem que a todos é garantido trabalho que
possibilite a existência digna. Trata-se de uma primeira referência à dignidade da pessoa
humana, vinculando-a ao trabalho. Porém, foi menção tímida, pontual, isolada, não se
espraiando por todo o espírito normativo constitucional.

Em 1988, contudo, novo paradigma normativo surge quanto a esse aspecto, elegendo a
Norma Fundamental a dignidade da pessoa humana como fundamento da República
Brasileira e princípio basilar da ordem social e econômica.

Assim, a existência digna está intimamente ligada à valorização do trabalho, de modo


que não se obtém a realização plena da dignidade da pessoa humana quando o trabalho
não for adequadamente apreciado, o que coloca em xeque ainda a própria organização
republicana. Assevera-se que a ausência de trabalho digno afeta não apenas a pessoa
que a ele não tem acesso, mas todo o seu grupo familiar e social. Ademais, os direitos
sociais - dentre eles, o ramo justrabalhista - integram o rol de direitos fundamentais,
cuja violação compromete a
Aula IV - A Constitucionalização do Direito do Trabalho própria ideia de dignidade da
pessoa humana e de democracia.

Desse modo, os direitos trabalhistas constituem direitos fundamentais sociais porque


são frutos de um pacto constituinte. Por isso, deve-se garantir ao homem o direito de
acesso ao trabalho digno, sendo que esse trabalho, para ser considerado digno, deve-lhe
prover os recursos indispensáveis para desfrutar de uma vida digna.

O trabalho regulado, ou emprego, é protegido pela legislação trabalhista, com o objetivo


precípuo de melhorar as condições de vida do trabalhador e fixar o patamar civilizatório
mínimo inerente a todos os empregados em face da sua condição peculiar na sociedade
capitalista moderna (DELGADO, 2018).
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 elegeu como modelo estatal e
societário o Estado Democrático de Direito. Consolidou a proposta de que o Estado
brasileiro tem como fundamento e finalidade o ser humano, e assim constrói-se sobre os
valores do trabalho e da livre iniciativa e da dignidade da pessoa humana. Os primeiros
artigos da Carta Magna deixam transparecer que o objetivo primordial da República
Brasileira é assegurar o desenvolvimento social, mediante a erradicação das
desigualdades e a constituição de uma sociedade livre, justa e solidária. Pugna ser dever
do Estado a promoção do bem comum.

Sendo assim, afirma-se que o Estado brasileiro é um "Estado Social", pois pugna pelo
afastamento do individualismo no Direito e do absolutismo no Poder (BONAVIDES,
1999). Visa garantir a igualdade substancial e a concretizar a dignidade da pessoa
humana em ambas as suas dimensões: individual e social.

Nessa esteira, qualquer interpretação dada aos princípios constitucionais em que


prevaleça o valor-econômico sobre o valor-social atenta contra a essência do Estado
Democrático de Direito. A aceitação dessa premissa impede a efetivação e a realização
plena desse modelo estatal.

Sobre a consolidação dos direitos humanos fundamentais, dentre eles os sociais, afirma
Bonavides (1999) que eles são a base da legitimação de todos os poderes sociais,
políticos e individuais. Sendo assim, quando sofrem lesão, indicam a enfermidade
daquela sociedade. A sua crise é a própria crise do Estado e da democracia.

Depreende-se que só é possível falar em trabalho digno quando são assegurados ao


homem trabalhador os direitos mínimos de remuneração justa, de liberdade, de equidade
e de segurança no contexto da relação laboral.

No tocante à equidade, compreende-se a vedação constitucional de qualquer tipo de


discriminação - seja de sexo, raça, cor, religião e idade, dentre outras - nas relações
trabalhistas, tanto no momento de ingresso quanto no âmbito do contexto laboral e, até
mesmo, ao tempo da dispensa (arts. 5º, inc. I e 7º, incs. XXX, XXXI e XXXII,
CR/88).
Deve-se, portanto, garantir ao trabalhador a mesma consideração que possui em relação
aos demais seres humanos, posto que todos são iguais em dignidade, sendo vedada a sua
sujeição a tratamentos humilhantes, vexatórios e degradantes, bem como a imposição de
penas no ambiente de trabalho.

O trabalho digno é aquele desempenhado com respeito aos princípios constitucionais do


trabalho - em especial, à dignidade da pessoa humana e à igualdade -, bem como ao
direito à liberdade, e desde que garantidas as condições mínimas (trabalhistas
individuais e coletivas e previdenciárias) necessárias para uma vivência, e não mera
sobrevivência, digna do homemtrabalhador e de sua família.

Cumpre aqui destacar que o problema do direito ao trabalho digno passa pela
verificação das péssimas condições do serviço público de educação e saúde (direitos
sociais constitucionais), o que impossibilita a maior parte da população que depende
desses serviços alcançar a efetiva igualdade para ingressar e concorrer no mercado de
trabalho.

A Lei nº 13467/2017, entrou em vigor no dia 11/11/2017, alterando substancialmente a


CLT. É sabido que toda adaptação do Direito deve ser pautada na observância do
princípio da vedação do retrocesso social (REIS, 2010). E em especial as mudanças do
direito do trabalho devem levar em consideração a exigência de progressão social
estabelecida pela constituição do Estado Democrático de Direito.

Sendo assim, a reforma trabalhista deve ser compreendida e aplicada no sentido de real
inclusão daquele trabalhador anteriormente excluído da rede de proteção, sendo
inadmissível que sirva apenas para mascarar uma verdadeira relação de emprego ou
legitimar a não aplicação dos direitos sociais trabalhistas plenos àqueles indivíduos
localizados nas zonas fronteiriças da relação de trabalho e relação de emprego e que,
antes seriam considerados como empregados.

Não obstante, com relação ao direito ao trabalho, consubstanciado na ideia de igualdade


substancial que pugna pela igualdade de condições de modo a permitir a possibilidade
de acesso do indivíduo ao mercado de trabalho digno é de se ver que se trata de direito
universal, inerente a todos os seres humanos. É necessário que o Estado forneça saúde,
educação e segurança para que se possa falar em efetiva igualdade e em verdadeira
liberdade de escolha do posto de trabalho.

A "constituição dirigente", consoante ensina Canotilho (2003) não prevê meros


programas, mas sim verdadeiras obrigações a serem cumpridas e efetivadas pelo
legislador e operador do
direito, em especial no que tange aos direitos sociais, dentre eles os trabalhistas. Isso
não significa que os direitos trabalhistas sejam imutáveis, mas sim que essa alteração
deve ser feita sem se perder o senso de proteção do ramo justrabalhista e evitando
práticas normativas degradantes que, por si só, deveriam ser consideradas
inconstitucionais.

Dessa maneira, só seriam admitidas as leis e convenções/tratados internacionais que


traduzissem um avanço nos direitos sociais já constitucionalmente garantidos através
das lutas históricas dos movimentos sociais.

Sendo assim, pode-se concluir que a dignidade social da pessoa humana está
intrinsecamente ligada à garantia e concretização dos direitos sociais constitucionais.
Nessa esteira, asseverase que é apenas mediante a efetivação de saúde, educação,
moradia e o trabalho em situações dignas, com a garantia da segurança e do respeito
pleno ao ser humano, que a pessoa torna-se capaz de alcançar a realização plena
enquanto ser social.

Cabe frisar que é obrigação primordial do Estado a concretização da dignidade da


pessoa humana, pela efetivação dos Direitos Sociais e, dentre eles, em especial, o
Direito do Trabalho - compreendido em seus dois aspectos: o direito ao trabalho digno e
o direito do trabalho propriamente dito -, sendo inadmissível a invocação da reserva do
possível para legitimar qualquer descumprimento. A intervenção estatal, por meio do
Direito e, principalmente, do ramo justrabalhista, constitui o óbice mais efetivo à
exploração desregrada e degradante do trabalho. O desenvolvimento - econômico,
político e social - deve caminhar junto com o Direito, sem olvidar-se que o epicentro
normativo do Estado Democrático de Direito é a pessoa humana, considerada em sua
dignidade plena.
Para a concretização da dignidade da pessoa humana, é indispensável a valorização do
trabalho, por meio da efetivação das normas trabalhistas, pois é o labor a peça
fundamental de afirmação individual e social do ser humano. O princípio da dignidade
da pessoa humana, em especial o seu aspecto social, evidenciado pelo valor-trabalho,
deve nortear toda a produção e aplicação normativa, a fim de garantir a interpretação
das leis conforme a Constituição da República.

Assim, todos os valores sociais devem ser distribuídos de forma mais equânime
possível, garantindo-se liberdade, oportunidade e renda para todos. Essa distribuição,
por óbvio, não deve ser de modo formal, mas de maneira que todos tenham o acesso
equitativo para atingi-la.

LEITURA COMPLEMENTAR:

"Infelizmente, o Brasil é um país permeado por desigualdades e injustiças que revoltam


todos os níveis da sociedade. O direito não poderia ser imune a isso e, muitas vezes,
busca formas de diminuir esse amargo sentimento ao se deparar com a miserabilidade
social em que
estamos inseridos.

O direito pode e deve entender a realidade em que está inserido para que busque
soluções para os problemas concretos do Brasil. Entretanto, essas boas intenções não
podem ser materializadas de forma atabalhoada e incoerente. Nesse espírito, o presente
trabalho propõe uma reflexão crítica ao "Princípio da vedação do retrocesso social", que
se popularizou na doutrina e na jurisprudência como tábua de salvação daqueles que
dependem de políticas governamentais. (...)".

Para a íntegra do texto, segue o link abaixo:

O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO RETROCESSO SOCIAL: UMA BELA TEORIA


PARA UMA PRÁTICA DIFÍCIL
Aula I: O Trabalho no Constitucionalismo Brasileiro

Pensando na constitucionalização do direito do trabalho, a CF traz a figura do


trabalhador cidadão, colocando-o como centro convergente dos direitos fundamentais
trabalhistas, estabelecendo a CF o direito do trabalho como a base estruturante protetiva
do trabalhador.

O eixo referencial do direito do trabalho é a melhoria da condição de vida do


trabalhador.

Ao se sustentar a constitucionalização do Direito do Trabalho é necessário compreender


a condição de cidadão do trabalhador, pois a ele devem ser garantidos, além dos direitos
trabalhistas fundamentais (art. 7º, CR/88), os demais direitos fundamentais do cidadão.

É sob esse viés que o Direito do Trabalho deve ser compreendido e aplicado, de modo a
ser o instrumento de promoção da dignidade da pessoa humana no âmbito das relações
de trabalho. Percebe-se, pois, a ampliação da dimensão do significado dos direitos
fundamentais trabalhistas, já que eles vão além daqueles elencados no rol do art. 7º, da
CR/88, englobando assim, todos os direitos fundamentais do cidadão insculpidos na
Constituição da República de 1988.

Nesse interim, a Constituição da República de 1988 propõe um redirecionamento da


figura do trabalhador, conduzindo-o ao caminho da cidadania do trabalhador, já que lhe
são reconhecidos todos os direitos inerentes aos cidadãos. Essa concepção moderna se
coaduna com a promoção da dignidade humana no âmbito das relações de trabalho.

A mudança da compreensão do Direito do Trabalho, edificada em bases constitucionais,


é imperativa. A partir das lentes corretivas da Constituição da República, é possível que
o Direito do Trabalho retorne a sua base estruturante protetiva para servir de
instrumento retificador da relação capital/trabalho, permitindo a melhoria das condições
de vida do trabalhador, alcançando a justiça social.
O eixo referencial do art. 7º, da Constituição da República de 1988, deve ser a melhoria
da condição de vida do trabalhador, vez que o texto constitucional é no sentido da
valorização do trabalho humano pautado em dignidade.

O empregado é considerado parte hipossuficiente da relação trabalhista, haja vista que


submetido ao poder empregatício do detentor dos meios de produção.

Cabe lembrar que o Direito do Trabalho regula as relações de emprego e que relações
de trabalho são gênero do qual a relação empregatícia é a espécie mais importante. Na
relação de trabalho, o trabalhador se caracteriza como pessoa física que coloca sua mão-
de-obra a serviço de outrem. Já na relação de emprego só é empregado aquela pessoa
física que dispõe da sua força laboral com pessoalidade, subordinação, não-
eventualidade e onerosidade.

O Direito do Trabalho serve precipuamente aos empregados. Nessa esteira, as regras


trabalhistas, pelo menos por enquanto, somente são aplicáveis aos trabalhadores na
hipótese de existência de norma jurídica expressa nesse sentido.

Ressalte-se que o sentido maior do Direito do Trabalho - a melhoria das condições de


vida dos trabalhadores e a determinação do mínimo existencial - deve ser interpretado
para todos os trabalhadores, à luz do texto constitucional, pois o ordenamento jurídico
pátrio não concebe a existência de ninguém em situações aquém do seu princípio
básico: a dignidade da pessoa humana.

Trata-se da concessão e da garantia de vivência (e não apenas de mera sobrevivência)


digna, mediante a consolidação do Direito ao Trabalho digno e do Direito do Trabalho
aos obreiros que trabalhem em situação de hipossuficiência.

No Brasil, a fase de restauração e consolidação do Estado Democrático de Direito


coincidiu com o levante da hegemonia neoliberal observado nos países capitalistas
centrais. Ou seja, a fase de "crise e transição do Direito do Trabalho" vivenciada nesses
a partir da década de 1970 surtiu efeitos deletérios no cenário brasileiro.
Dessa feita, foi somente ao final da década de 1980 e início da década de 1990 que os
resultados nefastos da nova ideologia emergente de desconstrução do ramo
justrabalhista fizeram-se sentir, fase que coincidiu exatamente com o período em que o
país retomava o Estado Democrático de Direito. Dessa maneira, impediram-se a
generalização e a consolidação do Direito do Trabalho, o que obstou sua efetiva
utilização como instrumento de concretização da justiça social. Além disso, atesta-se
que inibiu a realização e materialização plena do próprio Estado Democrático de
Direito.

Há quem sustente que o Brasil atravessa uma crise de inconstitucionalidade, pois aqui se
formou a ideia de que basta colocar formalmente na Constituição uma norma jurídica
para que os mecanismos existentes a concretizem. A perda do senso de proporção entre
os fins programáticos e a eficácia das normas constitucionais gera inconstitucionalidade
e, via de consequência, torna a solidificação dos direitos fundamentais praticamente
impossível. Assim, determina a inexequibilidade da própria Constituição, já que a aparta
da realidade. A crise constitucional fere a essência do Estado, da nação e da sociedade.

Sob esse momento de crise de identidade constitucional, o Direito do Trabalho


brasileiro vem sofrendo fortes impactos desse momento obscuro. A reforma trabalhista
(Lei nº 13467/2017) - que resultou em profunda alteração dos direitos materiais e
processuais dos trabalhadores - é reflexo nítido e concreto da citada crise.

Segundo Bonavides (1999) o grande problema do constitucionalismo moderno é que ele


tenta realizar o Estado Social de hoje com os instrumentos do passado. Da mesma forma
se pode dizer do Direito do Trabalho. O legislador e os aplicadores do direito trabalhista
parecem se esquecer que os motivos pelos quais o ramo justrabalhista se erigiu
continuam vivos: a hipossuficiência e exploração do trabalhador pelo capital.

Parecem olvidar, também, que o sentido teleológico do direito do trabalho é o de


proteção do trabalhador de modo abrangente e caminhando sempre para a sua
generalização. O direito do trabalho deve ser um direito dos trabalhadores, sendo que ao
invés de diminuir deve crescer. A lei não deve ser mínima, mas sim suficiente para
proteger aqueles que, empregados ou não, trabalhem em situação de hipossuficiência.
Isso significa que, uma vez que a relação de emprego ainda é pertinente ao mundo do
trabalho e que ela deve apenas se vestir com novas roupas, de cores e modelos variados,
em substituição ao já surrado e apertado macacão de fábrica, porquanto constitui a
chave de conectividade às regras justrabalhistas protetivas, em primeiro lugar, não se
pode usar os conceitos de relação de emprego utilizados no sistema fordista-taylorista,
quando o que se percebe atualmente é a formação de fábricas exatamente opostas às
daquela época.

O sistema de produção de matriz taylorista-fordista pugnava por uma fábrica grande e


pesada, baseada em uma estrutura hierárquica rígida, com a submissão do empregado ao
poder direto de comando do empregador. Vê-se, por conseguinte, que o ramo
justrabalhista edificou-se em torno da figura do trabalho subordinado.

Prevalecia na época a relação de trabalho industrial, sendo que a quase totalidade dos
empregados prestavam o seu serviço no âmbito da fábrica e sob ordens diretas do
empregador. Não obstante, é de se ver que sempre existiram outras formas de trabalho.
Todavia, como a relação de emprego prevalecia e o intuito do Direito do Trabalho era, e
ainda é, o de proteger os trabalhadores hipossuficientes, consolidou-se a tutela
trabalhista em torno dos empregados que representavam a maioria desses e se
acreditava, naquela época, serem os mais explorados e, portanto, necessitados da
destinação de uma proteção estatal.

Vivencia-se o auge do sistema capitalista. O Estado e o Direito, e até mesmo as artes e o


estilo de vida das pessoas imitavam a fábrica. Tudo era grande, abrangente e a palavra-
chave era "incluir". É de se ver que o Direito do Trabalho vivenciou uma grande
expansão e generalização durante o Estado de Bem-Estar social.

O conceito de subordinação se adaptava às novas necessidades no sentido de incluir


mais trabalhadores hipossuficientes sob o manto protetivo do ramo justrabalhista.
Caminhava-se para a construção de um conceito objetivo de subordinação, levando-se
em conta a inserção do trabalhador na empresa e não necessariamente se ele era
destinatário de ordens diretas e controle de horários.
O Estado era abrangente, inclusivo. A fábrica era grande: a produção era vertical, pois o
detentor dos meios de produção se ocupava de todas as fases produtivas. Como
exemplo, citase o modelo das fábricas de Henry Ford (e daí porque o modelo de
produção associado à essa fase do capitalismo ser denominado "fordismo"). Ele
concentrava desde a produção da borracha para a fabricação dos pneus até a última
etapa de montagem dos seus carros.

A partir da década de 1970, contudo, vivenciou-se uma crise do modelo de produção


concomitantemente à derrocada do paradigma estatal. Embora se fale aqui em declínio
do Estado de Bem-Estar Social, é de se ver que houve, na realidade, a ascensão de um
pensamento único hegemônico de matriz neoliberal, cujos efeitos foram mais nefastos
aos países periféricos, haja vista que os países centrais conservam e aplicam medidas
keynesianas protecionistas, como se viu há pouco tempo na crise do mercado
imobiliário americano.

As empresas passam a se concentrar, tão-somente nas suas atividades essenciais


relegando a empresas terceiras as demais etapas da produção. E assim, como no modelo
anterior, o Direito e o Estado também imitam a fábrica. Antes se tinha a seguinte
equação: para uma empresa ampla, centralizada e com relações de emprego estáveis e
duradouras, um Estado forte e um Direito do Trabalho abrangente. Hoje, para uma
empresa enxuta, descentralizada, com produtos descartáveis e relações de trabalho
instáveis, uma Estado mínimo e um Direito do Trabalho excludente.

Retoma-se aos problemas do início da história do surgimento do ramo trabalhista.


Relega-se o dirigismo contratual nas relações de trabalho, pugnando-se pela formação
do contrato de trabalho de forma livre pelas partes. Propõe-se a prevalência do
negociado sobre o legislado, diante do argumento de que as partes sabem o que é
melhor para elas e de que os acordos bilaterais tendem a ser melhor cumpridos.

A premissa é verdadeira. Contudo, diante do enfraquecimento dos sindicatos,


responsáveis pelas negociações, não há se falar, na maioria dos casos, em paridade entre
as partes negociantes. Hoje, o sindicato não consegue mais arrancar concessões do
capital como outrora fora capaz. Luta para não perder os direitos conquistados. As
conquistas tornaram-se ponto de chegada e não mais de partida.
LEITURA COMPLEMENTAR:

"Antes da reforma trabalhista, acreditava-se na atuação firme da Justiça do Trabalho e


do Ministério Público do Trabalho na defesa dos interesses dos trabalhadores, quer
fossem eles patrimoniais ou imateriais. Os operadores do direito do trabalho reduziram
o fato novo (constitucionalização do direito) ao vetusto "princípio" da proteção: in
dubio pro misero. A teoria dos princípios proposta por Alexy foi colocada na camisa de
força dos princípios tutelares propostos pelo juslaboralista uruguaio Plá Rodriguez. A
dignidade da pessoa humana foi erigida como o princípio dos princípios, um direito
absoluto perante o qual todos deveriam ceder. Enfim, o "novo" Direito Constitucional
do Trabalho continuou sendo a mesma zona de conforto, o mesmo "velho" Direito do
Trabalho com um novo jargão. Quaisquer cláusulas contratuais que contrariassem a
CLT seriam nulas de pleno direito. (...)"

Para a íntegra do texto, segue o link abaixo:

A PRESERVAÇÃO DA DIGNIDADE HUMANA EM TEMPOS DE


DESREGULAMENTAÇÃO, CRISE ECONÔMICA E DESEMPREGO

Aula II: Direito do Trabalho sob a Égide do Estado Democrático de Direito

O Estado democrático de direito tem como finalidade a promoção da dignidade da


pessoa humana e do valor social do trabalho (é fundamento do Estado democrático de
direito). Na medida que seu fundamento é esse, isso será concretizado através de
direitos e deveres concedidos aos cidadãos e, dentre eles, os direitos individuais
fundamentais trabalhistas, permitindo o exercício da cidadania pelo trabalhador.

O trabalho humano aparece na CF 88 como fundamento da ordem econômica (art. 170);


social (art. 193 cf 88); e como fundamento da República (art. 1º CF 88).

Trabalho é toda e qualquer atividade exercida pelo homem. Enquanto o emprego é um


tipo de trabalho. O direito do trabalho volta à relação empregatícia, o centro de
imputação é a relação de emprego. Porém a CF 88 ao falar em direitos trabalhistas dos
trabalhadores dá a compreensão de que o direito do trab deve ser ampliado, que o rol
dos direitos mínimos do art. 7 devem ser concecidos não só ao empregado, como a todo
e qualquer trabalhador, que utiliza da sua força de trabalho como meio de obtenção de
uma vida digna, evidenciando o caráter expansionista do Dir do Trab.

Carater modernizante progressista = alinhamento do moderno com progresso (melhoria,


elevação). O eixo é a melhoria das condições do trabalhador, coadunando-se com o
caráter modernizante.

A valorização do trabalho humano passou a ter referência na ordem constitucional


brasileira a partir da Constituição Federal de 1946, sendo que a mesma linha foi seguida
pela Constituição de 1967 e de 1969.

A Constituição da República de 1988 trata com relevância o trabalho humano, pois é


fundamento da ordem econômica (art. 170), da ordem social (art. 193) e fundamento da
República (art. 1º, inc. IV). Demais disso, os direitos trabalhistas foram alçados à
condição de Direitos Fundamentais (arts. 7º).

Nota-se, portanto, que a valorização do trabalho humano, sob o prisma social, foi
incorporado pelas constituições brasileiras, mesmo as do período ditatorial.

Desse modo, não se pode desvalorizar as relações de trabalho, pois, além de gerar um
aumento das desigualdades sociais, viola os fundamentos do Estado Democrático de
Direito.

O valor social do trabalho, juntamente com a busca do pleno emprego, constitui


princípio da ordem econômica no Estado Democrático de Direito, a teor dos artigos 170
e 193, da Constituição Federal de 1988. Ressalta-se que a busca do pleno emprego
significa "propiciar trabalho a todos os cidadãos que estão em condições de exercer
atividade remunerada produtiva, harmonizando-se com as regras da ordem econômica,
que se fundamenta, antes de tudo, na valorização do trabalho humano" (MARQUES,
2007, p.103).
A efetividade de tais princípios fundamentais promoverá a redução das desigualdades
sociais. Diferentemente da busca do pleno emprego, a valorização social do trabalho
independe da concretização de políticas públicas, vez que o Direito do Trabalho, aliado
aos dispositivos constitucionais de proteção ao trabalho, é o meio hábil para a efetivação
da valorização do trabalho humano, assim entendido no seu sentido amplo.

Por outro lado, apesar da efetividade de o pleno emprego depender da atuação estatal
em parceria com a livre iniciativa, a ampliação do centro de imputação jurídica do
Direito do Trabalho colaborará para seu alcance, na medida em que quanto mais ampla
for a proteção ao trabalho humano, mais vantajosa econômica e socialmente será a
contratação por meio da relação de emprego.

Nessa feita, a equiparação, naquilo em que for possível e compatível, de direitos entre
empregados e demais trabalhadores desencadeará a redução ou, até mesmo, o fim das
contratações informais ou maquiadas, já que inexistirão vantagens econômicas nessas
contratações laborais em relação ao vínculo empregatício.

Desse modo, quando se fala em valorização social do trabalho humano, como


fundamento da ordem constitucional, faz-se referência a todo e qualquer trabalho que é
objeto de uma relação jurídica, em que um dos sujeitos é um ser humano que coloca à
disposição de outrem sua força de trabalho como meio de construir uma vida digna.

No ordenamento jurídico brasileiro, no qual a República Federativa do Brasil se


constitui em Estado Democrático de Direito, o primado do trabalho é fundamento da
ordem social, a teor do art. 193, da Constituição Federal de 1988. Assim, a
essencialidade do valor-trabalho é contemplada pela ordem constitucional vigente.

A partir, contudo, do final dos anos de 1970 (DELGADO, Maurício, 2006), acentuando-
se no final do ano de 2008, em decorrência da crise econômico-financeira, verificada,
principalmente, nos Estados Unidos da América e na Europa, percebem-se mudanças do
pensamento político, social e até mesmo cultural, conduzindo a uma revisão da
hegemonia político-cultural do sistema capitalista.
Tais acontecimentos têm desencadeado pensamentos críticos que se caracterizam pela
"tentativa de desconstrução do primado do trabalho e do emprego na sociedade
capitalista contemporânea" (DELGADO, Maurício, 2006, p.28).

Essa desconstrução recorrente da essencialidade do valor-trabalho tem refletido


diretamente na própria concepção do Direito do Trabalho, surgindo correntes
doutrinárias que exaltam o fim do emprego e consequente derrocada do ramo juslaboral.
Outros sustentam a necessidade de adoção de medidas flexibilizantes que se
caracterizam por medidas de precarização de direitos trabalhistas, sob o fundamento de
que tais medidas se mostram imprescindíveis para a sobrevivência do Direito do
Trabalho.

Por outro lado, a visão restritiva a respeito do alcance da tutela do ramo juslaboral
contribui para tais pensamentos. Entretanto a relação indissociável entre homem e
trabalho, bem como a primazia do valor-trabalho para a própria sociedade e
funcionamento do sistema capitalista, afastam qualquer tese no sentido de
desconstrução do Direito do Trabalho.

O nascimento e fundamentos do ramo juslaboral e sua própria essência conferem


legitimidade e coerência para a ampliação do centro de imputação jurídica desse ramo
do Direito. Sustentar a aplicação do Direito do Trabalho, apenas para a relação de
emprego, é afastar esse ramo jurídico do primado do trabalho, contrariando a ordem
social constitucional e o Estado Democrático de Direito, já que o trabalho:

Constitui-se no mais importante veículo de afirmação socioeconômica da grande


maioria do indivíduo componentes da sociedade capitalista, sendo, desse modo, um dos
mais relevantes (senão o maior deles) instrumentos de afirmação da Democracia na vida
social (DELGADO, Maurício, 2006, p.29).

Desse modo, a valorização do trabalho humano e sua consequente proteção são


pressupostos para a democracia, sendo o Direito do Trabalho o ramo jurídico hábil para
realizar a primazia do valor-trabalho na sociedade contemporânea através da ampliação
do seu centro de imputação jurídica.
O Direito do Trabalho contribui para a realização da justiça social. Por isso, não se pode
pensalo somente sob uma perspectiva econômica. A partir de uma dimensão humana, o
ramo justrabalhista é essencialmente ligado à promoção da democracia e alimentando e
tutelando da dignidade humana.

Recentemente, o Direito do Trabalho brasileiro passou por profunda intervenção


legislativa com nítido caráter ultraliberal, resultando na alteração significativa de vários
dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho.

O advento da reforma trabalhista (Lei 13467/2017) condenou o trabalhador à


necessidade, retirando dele a sua liberdade e, portanto, comprometendo a própria
democracia.

O que se vivência é um momento de inseguranças, sobressaltos e medos. A retomada do


eixo constitucional democrático faz-se imprescindível nesse momento de mutação
legislativa. Os direitos trabalhistas fundamentais constituem núcleo duro do Direito do
Trabalho.

Desse modo, todos os princípios que circundam e estruturam o rol de direitos


trabalhistas individuais fundamentais elencados no art. 7º, da CR/88, devem nortear a
interpretação e aplicação das recentes alterações legislativas.

Ressalta-se que o caput do art. 7º, da CR/88, estabelece como parâmetro a melhoria das
condições de vida do trabalhador, corroborando a essência do Direito do Trabalho.

Atualmente, a empresa não apenas descentraliza a sua produção, relegando a empresas


menores no mesmo território a realização de tarefas acessórias. Essas grandes empresas
procuram estabelecer as suas redes em países onde a legislação trabalhista seja
incipiente ou inefetiva, possibilitando-lhes lucrar, também, com o baixo custo da mão-
de-obra.

Percebe-se, pois, a concretização do fenômeno da coisificação do trabalhador, já que se


atribui ao trabalho humano valor meramente econômico, relegando o seu valor ético que
impossibilita a redução do homem a mero instrumento de consecução do lucro
capitalista, o que contraria as diretrizes do Estado Democrático de Direito.

O Direito do Trabalho deve atribuir um valor ao trabalho humano não apenas em


decorrência das possibilidades econômicas, mas em consonância com as necessidades
humanas, dandolhe aspecto ético e moral.

A estruturação legislativa atual pugna pela redução dos direitos trabalhistas calcado na
premissa de que os trabalhadores são demasiadamente protegidos e que isso impede o
desenvolvimento do sistema capitalista.

Sob o argumento de impulsionar o desenvolvimento do sistema capitalista de produção,


defende-se a redução de direitos trabalhistas como única solução para garantir o acesso
do homem ao mercado de trabalho, ao argumento de que a proteção excessiva é nefasta
à geração de empregos.

Contudo, o discurso ultraliberal de redução dos direitos trabalhistas não encontra


embasamento fático. A Constituição da República de 1988 estabelece um rol de direitos
mínimos fundamentais aos trabalhadores e, mesmo com tais direitos, é sabido serem
insuficientes para elevar as condições de vida do trabalhador brasileiro.

Não há como se falar em redução, mediante a flexibilização de normas protetivas


quando essas sequer existem ou são inefetivas. A solução é exatamente o inverso:
reforçar e ampliar o direito do trabalho, uma vez que esse ramo jurídico é o instrumento
mais efetivo - embora não o único - de distribuição de renda no sistema capitalista.

Não há como se conceber uma sociedade justa, livre e solidária sem a concretização
efetiva da proteção social ao trabalhador, não só garantindo no plano material os direitos
trabalhistas fundamentais (art. 7º, CR/88), mas também os ampliando com a finalidade
de realização da justiça social e a concretização da democracia.

LEITURA COMPLEMENTAR:
"As relações sociais cotidianas, nomeadamente as de trabalho e empresa, vem
desafiando novos estudos sobre a eficácia dos direitos fundamentais. Várias pesquisas,
válidas e atuais, lançam luzes sobre os limites da atuação do Estado por sobre o
particular, fenômeno que se convencionou chamar de "eficácia vertical" dos direitos
fundamentais.

Atualmente, com a gradativa suplantação e instrumentalização do Estado pelo poder


econômico empresarial, a temática alçou novos contornos, na medida em que, de forma
cada vez mais frequente, constata-se que dito poder vem exorbitando os seus limites no
âmbito das relações individuais e coletivas de trabalho, afetando, com isso, a dignidade
e a esfera de personalidade do trabalhador. (...)"

Para a íntegra do texto, segue o link abaixo:

A FRAGILIDADE DA EFICÁCIA HORIZONTAL DOS DIREITOS


FUNDAMENTAIS NAS RELAÇÕES DE TRABALHO APÓS A REFORMA
TRABALHISTA DE 2017

Aula III - Os Direitos Trabalhistas Individuais na Constituição da República


de 1988

Art. 7º CF 88 = direitos concedidos a todos os trab urbanos e rurais, extendendo esses


direitos também aos trabalhadores avulsos (democratização trazida pela CF às relações
de trabalho, devido à expansão dos direitos).

A CF 88, fazendo jus ao seu caráter democrático e inclusivo, ela estende aos
empregados domésticos um rol maior de direitos (alguns deles), reiterando a natureza
inclusive da CF 88.

O rol do art. 7º é exemplificativo, até pq o caput mesmo aduz que aqueles direitos
elencados são apenas exemplificativos, “além de outros direitos...” é a expressão usada
na redação do art.

Principio da vedação e do retrocesso (principio constitucional) = você não pode dar algo
pior ao que já é dado pelo ordenamento jurídico.
Principio trabalhista da norma mais favorável (principio próprio de dir do trab) = ex.
elaboração de uma norma pelo legislador, precisa ser mais favorável ao empregado do
que a anteriormente existente; interpretação da norma, que deve sempre ser feita de
forma mais favorável ao trabalhador; e diante de conflito entre normas.

Direitos trabalhistas mínimos (verificar material complementar).

A CF 88 adota um modelo democrático e civilizatório, onde a dignidade do homem é o


centro de convergência de todos os direitos fundamentais, inclusive os trabalhistas,
tendo a CF 88 ampliado a aprofundado a condição constitucional do dir do trab,
estabelecendo um estuário de direitos individuais e sociais fundamentais que passam a
estruturar as relações jurídicas de emprego.

Os direitos trabalhistas materialmente expressos no art. 7º, da Constituição da República


de 1988, são destinados às relações individuais de trabalho dos urbanos e rurais. No que
diz respeito ao empregado doméstico, o parágrafo único do referido artigo estendeu a
essa categoria especial de empregado alguns dos 34 direitos ali elencados.

A Constituição da República de 1988 inovou ao democratizar as relações de trabalho, na


medida em que igualou os direitos entre empregados urbanos e rurais (art. 7º, caput,
CR/88), estendendo aos trabalhadores avulsos todos os direitos trabalhistas
fundamentais (art. 7º, inc. XXXIV, CR/88).

Corroborando o seu caráter democrático, verifica-se a ampliação dos direitos


trabalhistas fundamentais dos empregados domésticos (§ único, do art. 7º, CR/88),
notadamente após a EC 72/2013, o que demonstra a sua natureza inclusiva.

Nesse sentido, assevera Maurício Godinho Delgado:

A nova Constituição firmou largo espectro de direitos individuais, cotejados a uma


visão e normatização que não perdem a relevância do nível social e coletivo em que
grande parte das questões individuais deve ser proposta. Nesse contexto é que ganhou
coerência a inscrição que produziu de diversificado painel de direitos individuais e
sociais trabalhistas, ampliando garantias já existentes na ordem jurídica, a par de criar
novas no espectro normativo dominante. (DELGADO, 2018. p. 147)

Como se isso não bastasse, o caput, do art. 7º, da CR/88, não engessa o rol de direitos
trabalhistas fundamentais, determinando a possibilidade de serem criados outros direitos
que visem a melhoria da condição social do trabalhador.

Assim, pode-se afirmar que o legislador constituinte adotou o princípio da vedação ao


retrocesso, bem como o princípio trabalhista da norma mais favorável e reafirmou o
caráter democrático e civilizatório do Direito Trabalho, reconhecendo como base
estruturante desse ramo jurídico a proteção à parte hipossuficiente da relação jurídica de
emprego.

Aula IIl - Os Direitos Trabalhista Individuais na Constituição da República de 1988

A par dessas diretrizes, os direitos individuais trabalhistas expressos no texto


constitucional são dotados de imperatividade e civilidade, na medida em que se
traduzem em direitos mínimos capazes (patamar civilizatório mínimo ou mínimo
existencial) de garantir ao homem que trabalha condições dignas de trabalho.

O direito ao salário digno é tratado pelo texto constitucional de forma minuciosa. Veja-
se que são garantidos o salário mínimo (art. 7º, inc. IV, CF/88); o piso salarial
proporcional à extensão e complexidade do trabalho (art. 7º, inc. V, CF/88); a
irredutibilidade salarial (art. 7º, inc. Vl, CF/88) e a proteção ampla ao salário (art. 7º,
inc. X, CF/88). Corroborando o caráter isonômico, o texto constitucional proibiu
qualquer diferença salarial por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil (art. 7º, inc.
XXX, CF/88).

Em relação à jornada de trabalho, houve a fixação da jornada máxima em 08 horas e 44


horas semanais (art. 7º, inc. XIII, CF/88). Tratando-se de trabalho em turno ininterrupto
de revezamento, a jornada máxima será de 06 horas, podendo chegar a 08 horas,
mediante negociação coletiva (art. 7º, inc. XlV, CF/88). A jornada realizada em horário
noturno deverá ser remunerada de forma superior à realizada em horário diurno (art. 7º,
inc. IX, CF/88). Na hipótese de sobrejornada, a remuneração deverá ser, no mínimo,
50% superior à da hora normal (art. 7º, inc. XVI, CF/88).

Quanto ao trabalho da mulher, o legislador constituinte cuidou de garantir a proteção ao


mercado, determinando a criação de incentivos específicos (art. 7º, inc. XX, CF/88).
Percebese, também, a ampliação à proteção jurídica à empregada gestante, seja ao
aumentar para 120 dias o período da licença maternidade, com garantia ao emprego e
salário (art. 7º, inc. XVIII, CF/88), seja estabelecendo a garantia provisória de emprego
no período compreendido entre a confirmação da gravidez até 05 meses após o parto
(art. 10, inc. II, alínea b, do ADCT).

No sentido de reiterar a proteção à família, o legislador constituinte ampliou o período


da licença paternidade, estabelecendo o período de 05 dias a interrupção do contrato de
trabalho do pai (art. 7º, inc. XIX, CF/88, art. 10, § 1º, ADCT), bem como garantiu a
assistência gratuita aos filhos e dependents, desde o nascimento até os 05 anos de idade
em creches e préescolas (art. 7º, inc. XXV, CF/88).

Outro ponto que merece destaque é o respeito às normas de saúde e segurança no


trabalho (art. 7º, inc. XXII, CR/88), a fim de assegurar ao trabalhador o desempenho de
suas tarefas em um ambiente sadio e livre de elementos nocivos à sua vida, conforme
assevera também o art. 225, da Constituição da República. O fornecimento de
equipamentos de proteção individual e a manutenção de moradia e de alimentação
adequadas aos trabalhadores também são direitos fundamentais consagrados na Carta
Magna. Aliado a isso, estabeleceu-se a garantia de adicional de remuneração para as
atividades penosas, insalubres ou perigosas (art. 7º, inc.
XXIII, CR/88) e o direito a seguro contra acidentes de trabalho sob as expensas do
empregador, sem afastar o direito à respectiva indenização (art. 7º, inc. XXVIII,
CR/88).

Quanto ao trabalho do menor, foi estabelecido em 16 anos a idade mínima para o


trabalho, salvo na condição de aprendiz que se fixou em, no mínimo, 14 anos. Também
foi proibido o trabalho noturno, perigoso e insalubre ao menor (art. 7º, inc. XXXIII,
CR/88).
Obedecendo a concepção constitucional de igualdade em sentido material e
concretizando o princípio da não discriminação, o legislador constituinte, nos incs.
XXX, XXXI e XXXII proibiu a adoção de medidas discriminatórias em torno de
salário, função, critérios de admissão, trabalho manual, técnico e intelectual, além de
proteger o trabalhador portador de deficiência.

Fixou-se o aviso prévio proporcional de serviço de, no mínimo 30 dias (art. 7º, inc.
XXI, CR/88) e estabeleceu o critério da prescrição bienal e quinquenal para a
propositura e reclamação de direitos trabalhistas (art. 7º, inc. XXIX, CR/88).

No que cinge aos direitos trabalhistas mínimos, entende-se como necessário para a
concretização do trabalho digno as garantias de: remuneração justa - compreendida
como aquela que assegura o salário mínimo constitucional aos trabalhadores, livre de
descontos abusivos e ilegais e que possibilite a existência digna do indivíduo e de sua
família -; limitação da jornada de trabalho e do período de descanso compatíveis com a
atividade desenvolvida -; repouso semanal remunerado e férias, bem como respeito aos
intervalos "inter" e "intra" jornada e direito ao pagamento das eventuais horas
extraordinárias prestadas, e acesso à seguridade social - de modo que o trabalhador
tenha proteção contra o desemprego e outros riscos sociais, tais como acidentes de
trabalho ou doenças profissionais, dentre outros, bem como o direito a uma
aposentadoria justa e digna e a proteção à família, consubstanciada no auxílio
maternidade.

Assim, ao empregado urbano e rural, ao trabalhador avulso e, em certa medida, ao


empregado doméstico foram garantidos, pela Constituição da República de 1988, os
direitos ao exercício do trabalho em condições que preservem a saúde do trabalhador, a
uma justa remuneração, à limitação da jornada de trabalho e a proibição do trabalho
infantil.

Vê-se, portanto, que a Constituição da República de 1988 adotou um modelo


democrático e civilizatório, pautado na dignidade do homem. Desse modo, ampliou e
aprofundou a condição constitucional do Direito do Trabalho, estabelecendo um
estuário de direitos individuais e sociais fundamentais que passam a estruturar as
relações jurídicas de emprego estabelecidas a partir de então.
LEITURA COMPLEMENTAR :

"Da abolição da escravidão até a Emenda Constitucional 72/13 que, consagrou os


direitos antes previstos apenas aos trabalhadores celetistas para os trabalhadores
domésticos, passaram-se mais de cem anos e várias são as questões que continuam: qual
o motivo dessa segregação odiosa durante tanto tempo? Qual sua relação com a
escravidão? Quem é empregada doméstica hoje no Brasil?

O presente trabalho busca reconstruir o processo histórico e social que culminou nessa
alteração constitucional sob uma nova perspectiva, bem além de uma interpretação
puramente legalista. Neste sentido, para que seja possível a verdadeira delimitação desta
nova previsão legal, será necessário perceber quem é o sujeito estigmatizado por trás da
categoria empregado doméstico. (...)"

Para a íntegra do texto, segue o link abaixo:

EMENDA CONSTITUCIONAL 72/13: UM ATO DE JUSTIÇA?

Aula IV: Os Impactos da Reforma Trabalhista nos Direitos Trabalhistas


Fundamentais

A Reforma trouxe impactos aos direitos trabalhistas?

A RT surge como uma implementação de um modelo de politicas ultraliberais, quando


menor a regulação nas relações de emprego maior a chance de surgir postos de trabalho.

Papel do direito do trabalho = o movimento expansionista, modernizante e progressista,


buscando a busca da dignididade no trabalho e na vida do trabalhador.

Para deter os impactos da RT nos direitos individuais do trab o Dir do trab = principio
da proteção (identifica o desequilíbrio fático da situação, resgatando a condição de
trabalhador cidadão ao hipossuficiente).
A RT não pode afastar ou impedir a aplicação dos direitos sociais trabalhistas plenos.
Também precisa retificar qlqr desigualdade trazida pela RT, reforçando a sua função
teleológica (melhoria da condição de vida do trabalhador).

É sabido que o mundo do trabalho tem passado por profundas transformações. Até os
anos 70, as pessoas estavam acostumadas com o sentimento de que o emprego era
estável. Era possível fazer planejamentos para longos períodos, pois o Estado e o
próprio capitalismo permitiam isso. Nas últimas décadas, no entanto, com o
esfacelamento do Estado de Bem Estar Social, ocorreram mudanças nesse contexto, de
forma que o que se vê é uma ruptura no movimento inclusivo, que se verificava no
mundo do trabalho.

Em razão, principalmente, da implementação de uma política econômica neoliberal,


observase, atualmente, o aumento assustador do trabalho informal, da terceirização e
das taxas de desemprego, o que tem levado à situação de verdadeira exclusão social
milhares de trabalhadores, fazendo surgir ou ressurgir diferentes formas de relações de
trabalho.

Mas, o Direito do Trabalho, diante dessa situação, não pode se recolher ou se encolher.
Pelo contrário, o natural movimento expansionista desse ramo jurídico, aliado ao seu
caráter modernizante e progressista que tem como fim precípuo a busca da dignidade no
trabalho e para a vida do trabalhador (função democrática e civilizatória), deve estar
cada vez mais em atuação.

Não se pode considerar que o trabalho é uma relação social de dominação, pois o
Direito do Trabalho que se desenvolve a partir dessa premissa torna-se um Direito de
compra e venda da força de trabalho.

O giro hermenêutico verificado no objeto de tutela do Direito do Trabalho a partir da


Constituição Federal de 1988 é de extrema importância diante da atual conjuntura
socioeconômica, na medida em que a CR/88 determinou que trabalhadores antes
excluídos da proteção trabalhista por força do recorte normativo da CLT, passassem a
ser alcançados pelo Princípio da Proteção, reforçando, dessa forma, o sentido inclusivo
de democracia.

Assim, o Direito do Trabalho, cujo princípio estruturante é a proteção à parte


hipossuficiente, assume função central na vida do trabalhador, pois promove e resgata a
sua condição de sujeito na sociedade capitalista contemporânea.

Logo, toda a estrutura normativa do Direito do Trabalho se constrói a partir da


constatação fática de desequilíbrio social, econômico e político verificado entre os
sujeitos da relação de emprego.

Sendo assim, a reforma trabalhista deve ser compreendida e aplicada no sentido de real
inclusão daquele trabalhador anteriormente excluído da rede de proteção, sendo
inadmissível que sirva apenas para mascarar uma verdadeira relação de emprego ou
legitimar a não aplicação dos direitos sociais trabalhistas plenos àqueles indivíduos
localizados nas zonas fronteiriças da relação de trabalho e relação de emprego e que,
antes seriam considerados como empregados.

É preciso que o Direito do Trabalho seja flexível e amplo. Mas, o ramo trabalhista deve
valorizar seus princípios basilares e reforçar a sua função teleológica. É indispensável
que Direito do Trabalho se descentralize para abranger o maior número possível de
excluídos, incorporando as novas técnicas e formas de trabalho. Ou seja, é premente que
o ramo justrabalhista se amplie para abarcar sob o seu manto protetor aqueles
indivíduos para os quais ele foi construído, os trabalhadores que trabalhem em situação
de hipossuficiência.

O Direito do Trabalho é o instrumento mais eficaz de inclusão do homem na sociedade


capitalista moderna. Também se estabeleceu que a dignidade social da pessoa humana
diz respeito aos meios necessários para a afirmação do ser humano enquanto parte
integrante da sociedade. É certo que tanto o Direito do Trabalho quanto a dignidade
social da pessoa humana propugnam a afirmação de um patamar mínimo existencial
abaixo do qual não se admite viver.
É dever do Estado consolidar os direitos sociais, aqui também compreendidos os
direitos trabalhistas fundamentais, que atualmente não estão sendo cumpridos em razão
das opções econômicas estatais tendentes a privilegiar os interesses de pequena parcela
da população: a detentora dos meios de produção.

A garantia de trabalho digno para todos os indivíduos é boa para a economia, pois a
pessoa é, ao mesmo tempo, trabalhador e consumidor. Assim, a própria lógica
neoliberal de precarização do trabalho pode implodir o sistema capitalista ao mitigar seu
principal motor: o lucro advindo do mercado de consumo.

Forçoso aduzir que o Brasil encontra-se obrigado a firmar em primeiro plano a


dignidade da pessoa humana em seus dois aspectos, sob pena de o Estado Democrático
de Direito que se propõe não passar de mera falácia. Isso só será possível com a
implantação real dos direitos fundamentais sociais a todas as pessoas, pois esse é o
único meio eficaz de concretização do mínimo existencial: a dignidade humana.

O Brasil precisa, na atual conjuntura, estabelecer mecanismos que de fato garantam a


generalização do ramo jurídico trabalhista e a materialização dos seus princípios e
fundamentos, pois só assim se alcança a plena democracia. Isso porque não há se falar
em Estado Democrático sem um sistema econômico-social valorizador do trabalho e do
próprio trabalhador. Diante da reforma trabalhista em vigor, é imprescindível que essa
adaptação deve ser feita à luz dos princípios gerais informadores do Estado
Democrático de Direito e dos princípios específicos do Direito do Trabalho. Isso
porque, os princípios guardam função atualizadora essencial, com o intuito de permitir a
atualização e renovação da legislação vigente, a fim de permitir que o direito não perca
o seu sentido e finalidade diante das mudanças do mundo atual.

Desse modo, afasta a necessidade de a cada transformação no mundo do trabalho


promoverse a revogação das leis antigas e a criação de novas regras, o que inviabilizaria
o objetivo primordial do Direito que é a realização da justiça social e a concretização da
democracia.

O Estado e o direito não podem permitir que o ser humano se prive de sua própria
dignidade. Devem oferecer condições de acesso desse homem ao patamar mínimo
existencial (direitos trabalhistas fundamentais - art. 7º, CR/88), abaixo do qual não se
admite viver, qual seja, ao trabalho digno.

É nesse sentido que se entende necessária a ampliação da tutela trabalhista, com a


garantia efetiva de acesso dos indivíduos a um posto de trabalho digno, estabelecendo
ainda um mínimo existencial inerente a todos, sejam eles empregados ou não.

Aos trabalhadores deve ser garantido o acesso ao trabalho digno, ou seja, aquele
acompanhado dos direitos mínimos necessários para a garantia de uma vivência, e não
mera sobrevivência, digna. De acordo com Gabriela Neves Delgado (2006), esses
direitos estão inseridos em três grandes grupos: as normas internacionais do trabalho; os
direitos constitucionais fundamentais inseridos no art. 7º da CF/88 e as normas de
indisponibilidade absoluta presentes nos diplomas infraconstitucionais. Não se pode
falar em trabalho digno sem assegurar direitos mínimos que possibilitem a efetiva
inserção do homem-trabalhador na sociedade capitalista, o que só é possível mediante o
trabalho digno.

O Direito do Trabalho, à luz de sua função democrática e civilizatória, deve, portanto,


promover a valorização do trabalho humano através da expansão do seu centro de
imputação jurídica, coadunando-se com os fundamentos da ordem constitucional.
Assim, a tutela juslaboral atingirá todos os trabalhadores de forma indistinta.

É imprescindível resgatar a ética do trabalho, erigindo-se o valor-trabalho como meio


de dignificação do homem. E isso só é possível mediante a garantia a todos os
trabalhadores de direitos mínimos necessários para a realização da dignidade da pessoa
humana, substrato mínimo dos direitos fundamentais do homem e sem o qual não pode
admitir viver.

Assim, a novol legislação trabalhista deve ser lida e compreendida através das lentes da
Constituição da República de 1988, a fim de se garantir ao trabalhador o arcabouço
protetivo ali estabelecido.
É de se ver que a cabe aos aplicadores do Direito lutar pela inclusão dos trabalhadores
desprovidos, garantindo-lhes o acesso ao "patamar mínimo existencial", entendido esse
como aquele que garante os direitos trabalhistas mínimos, insculpidos no art. 7º, da
CR/88.

LEITURA COMPLEMENTAR:

"Estamos vivendo num contexto de paradoxo nesta era da terceira revolução industrial:
ocorrem várias inovações na vida das pessoas, crescentes progressos, como a robótica,
as telecomunicações e a automação. Entretanto, ao invés de aumentar o padrão de vida
dos trabalhadores e gerar tempo livre, o que observamos é um desenfreado crescimento
de desempregados. Presenciamos um cenário crítico, que atinge países como o Brasil, o
Terceiro Mundo, e até mesmo os países capitalistas centrais. Este processo - para alguns
considerado destrutivo e gerador de precarização do trabalho e aumento do desemprego
- é uma das consequências da crescente concorrência internacional e da busca por
produtividade a qualquer custo. O desemprego é um fenômeno em absoluta expansão
que atinge todos os países do mundo. Suas consequências diretas são a desmoralização
dos trabalhadores, o desperdício dos meios de produção, o enfraquecimento dos
sindicatos e a sobrecarga dos programas de seguridade social. (...)"

Para a íntegra do texto, segue o link abaixo:

GLOBALIZAÇÃO E AS REFORMAS TRABALHISTAS: MODERNIDADE OU


RETROCESSO

BIBLIOGRAFIA:

DELGADO, Gabriela Neves. A constitucionalização dos direitos trabalhistas e os


reflexos no mercado de trabalho. In: PEREIRA, Flávio Henrique Unes; DIAS, Maria
Tereza Fonseca (Org.). Cidadania e inclusão social: estudos em homenagem à
Professora Miracy Barbosa de Sousa Gustin. Belo Horizonte: Forum, 2008.
Aula I: O Direito Coletivo do Trabalho no Brasil

Direito imdividual do trabalho = relações entre empregado e empregador, tutela


especificamente as relações individuais de emprego

Direito coletivo do trabalho = tutela as relações estebelcidas entre os seres coletivos.


Conjunto de regras, princípios e institutos que regulam as relações entre os seres
coletivos trabalhistas.

A partir do século 21 algumas medida são tomadas para enfraquecer o sistema sindical
brasileiro. A RF que entrou em vigor em 2017 implementou medidas para desestruturar
o sistema sindical, seguindo movimentos de caráter ultraliberal assumidas a partir do
século 21. A RF permitiu por meio de negociação coletiva a negociação de alguns
direitos trabalhistas que são tidas pela CF 88 como direitos fundamentais, bem como
cortando de uma vez a contribuição sindical obrigatória.

Na medida que eu enfraqueço o sindicato e aumento a possibilidade da negociação


coletiva eu coloco em risco o patamar civilizatório mínimo garantido pela CF 88, tendo
como objetivo principal o desmantelamento do sindicalismo brasileiro, pelo menos a
curto prazo (a longo prazo espera-se uma restruturação desse sindicalismo).

Seres coletivos = sindicato dos trabalhadores, empregador (ele é considerado ser


coletivo sozinho, não precisa necessariamente de um sindicato para essa caracterização,
diferente dos trabalhadores, sozinhos já são considerados seres coletivos, podendo atuar
nas relações coletivas sem essa representação sindical);

Lembrando que as centrais sindicais não possuem um poder negocial, razão pela qual
não são reconhecidas como seres coletivos, mas apenas órgãos de representação geral
da classe trabalhadora, uma vez que não possuem poder negocial – embora tenha
doutrina defendiendo nesse sentido.

O Direito do Trabalho é dividido internamente em Direito Individual do


Trabalho e Direito Coletivo do Trabalho. O primeiro tutela as relações
jurídicas estabelecidas entre empregado e empregador, ao passo que
o segundo tutela as relações jurídicas estabelecidas entre os seres
coletivos.

O Direito Coletivo do Trabalho possui unidade e é definido como:

[...] complexo de princípios, regras e institutos jurídicos que regulam


as relações laborais de empregados e empregadores, além de outros
grupos jurídicos normativamente especificados, considerada sua ação
coletiva, realizada autonomamente ou através das respectivas
associações (DELGADO, 2018. p. 49).

Assim, o Direito Coletivo do Trabalho regula as relações jurídicas


advindas da autonomia privada coletiva, ou seja, as relações
estabelecidas entre sindicatos e entre sindicatos e empregador, além
de outras relações surgidas da representação e atuação coletivas dos
trabalhadores.

São considerados sujeitos de Direito Coletivo do Trabalho os


sindicatos (patronal e profissional) e o empregador. O empregador
sozinho é reconhecido como sujeito de Direito Coletivo do Trabalho
porque suas ações tem o condão de repercutirem amplamente na
sociedade. Assim, o empregador é sujeito tanto de Direito Individual
do Trabalho, quanto de Direito Coletivo do Trabalho. Nesse último, ele
pode agir de forma isolada ou, ainda, representado pelo respectivo
sindicato patronal.

Os trabalhadores, por sua vez, só são sujeitos de Direito Individual do


Trabalho. Em razão da condição de hipossuficiente, não podem
praticar atos de repercussão coletiva sem a devida representação do
sindicato profissional.

Nesse sentido, o texto constitucional é contundente ao determinar a


necessidade da representação sindical obreira nas negociações
coletivas. É o que se depreende do inc. VI, do art. 8º, da CR/88, "é
obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de
trabalho".

O Direito do Trabalho no Brasil só se institucionaliza e se oficializa a


partir de 1930, com o governo de Getúlio Vargas. Antes disso, não
podemos sequer a pensar em um Direito do Trabalho enquanto ramo
jurídico autônomo. Isso se aplica também ao Direito Coletivo do
Trabalho.

Como o pressuposto histórico-material do Direito do Trabalho é a


grande oferta de mão de obra livre no mercado de trabalho, só
podemos cogitar em fase de manifestações esparsas a partir da
abolição da escravatura com a Lei Áurea, em 1888.

As primeiras manifestações trabalhistas de caráter coletivo são


verificadas a partir do final do século XIX, através das ligas operárias,
das sociedades cooperativas de trabalhadores e outras entidades
associativas de agregação de trabalhadores. O ordenamento jurídico
brasileiro não era intervencionista.

O Decreto 1162/1890 derrogou a tipificação da greve como ilícito


penal, mantendo como crime somente os atos de violência se
praticados durante o movimento grevista. O direito de reunião e
associação foi garantido pela Constituição da República de 1891.

Já no início do século XX, o Decreto nº 979/1903 facultou a criação


dos sindicatos rurais. Ressalta-se que, nesse período, o Brasil era
predominantemente rural, de modo que a grande maioria dos
trabalhadores era rurícola. Por meio do Decreto nº 1637/1907, foram
criados os sindicatos profissionais e as sociedades cooperativas,
estendendo-os aos trabalhadores urbanos.

Importante salientar que toda a estrutura sindical dessa época foi


surgindo em torno dos segmentos mais desenvolvidos da economia
da época. Assim, verifica-se a estruturação sindical vinculados aos
setores de ferrovias e portos em razão da intensa atividade de
exportação do café, bem como na crescente industrialização no eixo
Rio-SãoPaulo.

Registre-se que, também no início do século XX, ocorreram alguns


movimentos coletivos reivindicatórios, como a greve de 1907 na
região de São Paulo, Santos, Ribeirão Preto e Campinas; e passeatas
de trabalhadores entre os anos de 1917 a 1920.

Contudo, assevera Maurício Godinho Delgado:

[...] é característica desse período a presença de um movimento


operário ainda sem profunda e constante capacidade de organização
e pressão, quer pela incipiência de seu surgimento e dimensão no
quadro econômico-social da época, quer pela forte influência
anarquista hegemônica no segmento mais mobilizado de suas
lideranças próprias. Nesse contexto, as manifestações autonomistas e
de negociação privada vivenciadas no novo
plano industrial não têm duradouro de práticas e resultados
normativos, oscilando em ciclos esparsos de avanços e refluxos.
(DELGADO, 2018. p. 1615)

A fase da oficialização do Direito do Trabalho é inaugurada com o


período getulista em 1930. Esse período caracteriza-se pela repressão
aos movimentos operários e a intensa intervenção estatal ao modelo
justrabalhista instituticionalizado e às questões sociais. O governo
getulista é pautado em uma matriz corporativa e autoritária, já que
sofreu fortes influências dos ideais nazi-facistas.

É inaugurada uma fase de intensa criação de legislação trabalhista.


No que diz respeito ao Direito Coletivo do Trabalho, o governo
getulista criou uma estrutura sindical obrigatória, através do Decreto
19770/31. Assim, a legitimidade do sindicato era condicionada à
necessária submissão ao reconhecimento pelo Estado, já que não era
possível a coexistência de um sindicato com o sindicalismo oficial.

Coadunando-se a essa estrutura sindical obrigatória, o governo


federal criou o sistema de solução judicial de conflitos trabalhistas,
por meio do Decreto 21396/32, em que somente os trabalhadores
filiados ao sindicalismo oficial podiam demandar.

O sistema previdenciário da época era vinculado às respectivas áreas


profissionais e aos correspondentes sindicatos oficiais. Sobre a
atuação governamental do período getulista, esclarece Maurício
Godinho Delgado:

A essa medida estrutural seguiram-se os diversos incentivos ao


sindicalismo oficial (monopólio de ação junto às Comissões Mistas de
Conciliação; exclusivismo de participação nos Institutos de
Aposentadorias e Pensões, etc.), incentivos que seriam
transformados, logo após, em expresso monopólio jurídico de
organização, atuação e representação sindical. Finalmente, por quase
todo o período getulista, uma contínua e perseverante repressão
estatal sobre as lideranças e organizações autonomistas ou adversas
obreiras (DELGADO, 2018. p. 1618).

Partindo do constitucionalismo brasileiro, a Constituição de 1934, com


caráter democrático, instituiu a pluralidade e a autonomia sindicais. A
carta de 1937, sob a égide do período ditatorial de Vargas, retomou o
sistema da unicidade sindical e instituiu o imposto sindical.

A Constituição Federal de 1946 retomou as diretrizes democráticas,


constitucionalizando o direito à Liberdade de associação e o direito de
greve.

Esse período perdurou de 1930 a 1988, quando, então, com o


advento da Constituição da República, inaugura a fase de
democratização do Direito Coletivo do Trabalho. O ponto mais
importante trazido pela nova ordem constitucional é a retirada do
intervencionismo estatal
sobre a estrutura sindical brasileira (art. 8º, CR/88).

Além disso, o legislador constituinte privilegiou a negociação coletiva,


elevou o direito de greve ao patamar de direito fundamental (art. 9º,
CR/88) e concedeu ampla atuação representativa aos sindicatos,
através da substituição processual (art. 8º, inc. III, CR/88).

A partir do século XXI, inicia-se movimentos de caráter ultraliberal


que têm por escopo o esfacelamento do sistema sindical brasileiro.
Tais movimentos foram ganhando força e consistência até que, em
2017, com o advento da Lei nº 13467/2017 (Reforma Trabalhista)
algumas medidas foram implementadas com o intuito de
desestruturar o sistema sindical pátrio. O fato é que, atualmente,
vive-se um momento de crise e insegurança no sindicalismo
brasileiro.

LEITURA COMPLEMENTAR:

"A dogmática jurídica e a doutrina da OIT reconhecem no viés coletivo


do Direito do Trabalho uma relação de igualdade entre os atores
sociais e assim chancelam a produção de normas jurídicas, para além
daquelas oriundas da função legislativa estatal e pelos próprios
interlocutores sociais.

A OIT indicam dados que comprovam um cenário avassalador quanto


a problemática do desemprego. (OITBR, 2017) A esse respeito, se no
Estado de Bem-estar Social era verificada uma natureza de
conjunturalidade, com a implantação do Estado Mínimo, além do
desenvolvimento das tecnologias da comunicação e da informação,
bem como, da circulação do capital financeiro pelo globo, o panorama
do desemprego ganha outro status: o de estruturalidade. Esse fato
impacta a ação do sistema sindical e também constitui a pedra de
toque para o surgimento de diversas crises. (...)"

Para a íntegra do texto, segue o link abaixo:

PRINCÍPIOS DE DIREITO COLETIVO DO TRABALHO, NOVO


SINDICALISMO E OS NOVOS MOVIMENTOS SOCIAIS

Aula II: Os Direitos Coletivos dos Trabalhadores na Constituição da


República de 1988

Direitos coletivos tratados na CF 88

Relevancia do direito constitucional = base estruturante de qualquer ramo jurídico,


mesmo no direito coletivo do trabalho, o direito constitucional é importante para a
compreensãoo do ramo jurídico e da relação de trabalho. É fundamental para aplicação
do direito coletivo no brasil.

A CF 88 inauruga uma fase democrática no brasil – transição democrática = ela para


muitos autores rompe com a grande divisão do direito brasileiro, porque até então o
direito teria 2 grandes ramos (direito publico e direito privado). A partir de 88 surge
uma nova suma divisio (direito individual e direito coletivo) – isso é uma corrente que
defende esse pensamento, já que em nenhum momento do texto constitucional fala em
direito publico e privado, mas fala em direito individual e coletivo.

Essa cF 88 tambem fornece instrumentos de garantia de seus direitos. Os direitos


coletivos são elevados ao patamar de direito fundamental (coletivos trabalhistas) e
devem ser analisados a partir do eixo da dignidiade e da valorização do trabalho
humano.

Principio da liberdade e autonomia sindical = não há mais o que se falar em intervecao


estatal na vida dos sindicatos (art. 8 CF 88). A partir disso, alguns artigos da CLT
estariam sendo revogados tacitamente pela CF 88, quando falando da possibilidade de
intervenção.

A CF 88 rompe com o controle administrativo do Estado sobre os sindicatos, não


havendo mais o que falar em intervenção estatal. O registro no Ministerio do Trab é
apenas para conferncia da unicidade sindical, se está sendo seguida. Substituição
processoal = dá um poder de representação aos sindicatos. Negociação Coletiva =
privilegicar a negociação coletiva como método de autocomposição do conflito
trabalhista.

No Brasil não há concorrência entre sindicatos, o sistema da unicidade estabelece que


dentro de uma mesma base territorial so pode ter 1 sindicato represetentativo de classe.

A CF 88 tamnenm manteve a contribuição sindical obrigatória (ela só vai sair o caráter


obigatorio com a RF de 2017), podendo ser instituída por meio dos instrumentos
negociais.

Direito da garantia provisória de emprego ao dirigente sindical (estou listando aqui os


direitos coletivos constitucionalmente previstos).

Por fim, o direito à greve – todos foram elevados ao patamar de direito fundamental.

RESUMO:

A relevância do Direito Constitucional como base estruturante de


qualquer ramo jurídico é incontroversa. A análise constitucional das
relações coletivas é imprescindível para a construção da teoria geral
do Direito do Trabalho.
É por meio das manifestações coletivas que o trabalhador consegue
se posicionar frente ao empregador, demonstrando a sua força, se
igualando na relação jurídica estabelecida, preservando a sua
condição de cidadão-trabalhador.

A Constituição da República de 1988 inaugurou uma fase democrática


para o Direito Coletivo, seja porque rompeu com a antiga summa
divisio que dividia o ordenamento jurídico brasileiro em público e
privado, passando a considerar a divisão do ordenamento jurídico
pátrio em individual e coletivo; seja porque concedeu ao cidadão
instrumentos de garantia de direitos coletivos.

No plano do Direito do Trabalho, a Constituição da República eleva ao


patamar de direitos fundamentais do trabalhador os direitos coletivos
do trabalho. Assim, o direito à negociação coletiva, a
representatividade ampla dos sindicatos, à liberdade e autonomia da
estrutura sindical brasileira e o direito à greve (arts. 7º a 9º, CR/88)
são direitos coletivos fundamentais do cidadão-trabalhador.

Desse modo, o presente estudo deve pautar-se em uma interpretação


constitucional dos direitos coletivos dos trabalhadores, já que
possuem status de fundamentais, servindo de instrumentos para a
luta do ser humano, no caso o trabalhador, contra o excesso de poder
do empregador (capital).

Então, o reconhecimento dos sindicatos ou da greve como direitos


coletivos fundamentais significa a sua garantia judicial e a sua
legitimação, na medida em que são instrumentos de contenção de
abusos de poder.

Os direitos coletivos fundamentais dos trabalhadores devem ser


concebidos e interpretados a partir do eixo da dignidade e do valor
social do trabalho, fundamentos do Estado Democrático

A finalidade protetiva do trabalhador foi incorporada expressamente


pela nova ordem constitucional, na medida em que o caput do art. 7º,
da CR/88, fala em direitos que visem a melhoria da condição social do
trabalhador.

Partindo dessa premissa, o direito fundamental à negociação coletiva


não pode ser interpretado de maneira a prejudicar os demais direitos
trabalhistas. Assim, as hipóteses de negociação in pejus devem
receber interpretação restritiva, já que envolvem situações
excepcionais. Ressalta-se que a Constituição da República de 1988 é
estruturada na proteção e extensão dos direitos sociais, sendo que
interpretações que contrariem esse espírito constitucional não podem
prevalecer.

Sob esse aspecto, assevera Marcus Orione Gonçalves Correia:


Triste é conceber que, mesmo com esta constatação, tem-se notícia
de decisões judiciais que, sem fazer menção a esta interpretação,
acabaram por incorporá-la na sua ratio de forma a fazer dos anos 90
um período de escalada de diminuição de direitos trabalhistas.
Enquanto isto, direitos como os da seguridade social vinham, em sua
interpretação jurisprudencial, ganhando força de proteção à parte
mais fraca (o que, reconhecemos, passou também a ser combatido
veementemente a partir de meados da década de noventa). Talvez o
discurso hoje reinante do postulado da dignidade da pessoa humana
como capital à construção da lógica interpretativa constitucional
venha a dar aos direitos sociais, e mais especificamente aos direitos
trabalhistas, um alento contra a escalada flexibilizatória que tomou
conta do país nestes anos (CORREIA, 2008. p. 29).

Feitas essas considerações, necessária a análise, a partir do eixo da


dignidade e do valor social do trabalho, dos direitos coletivos
fundamentais dos trabalhadores expressos na Constituição da
República de 1988.

O art. 8º, da CR/88, adotou o princípio da liberdade e da autonomia


dos sindicatos, ao retirar do ordenamento jurídico a intervenção do
Estado na criação, manutenção e extinção dos sindicatos. Veja-se:

Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o


seguinte: I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a
fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente,
vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na
organização sindical;

Além disso, permaneceu com a adoção do sistema de unicidade


sindical, assim compreendido como obrigatoriedade de existência de
um único sindicato representativo de mesma classe de trabalhadores,
seja por critério de agregação por empresa, ou por profissão, ou por
categoria profissional.

Dessa maneira, para uma mesma categoria de trabalhadores só


poderá existir um único sindicato representativo em uma mesma
base territorial. Logo, é vedada a existência de sindicatos
concorrentes ou outros tipos de entidades sindicais para representar
uma mesma categoria de classe. É o chamado sindicato único que se
caracteriza pelo monopólio de representação sindical dos
trabalhadores.

Nesse sentido, é a previsão normativa constitucional insculpida no


art. 8º, inc. II:

II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em


qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica,
na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou
empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um
Município;

Em contraposição ao sistema do sindicalismo único, há o chamado


pluralismo sindical em que se permite a coexistência, em uma mesma
base territorial, de mais de um sindicato representativo de classe. No
Brasil, esse modelo foi adotado somente pela Constituição Federal de
1934, sendo que as demais Constituições, inclusive a CR/88,
adotaram a unicidade sindical.

A Constituição da República de 1988 reforçou e ampliou o papel dos


sindicatos na defesa dos direitos e interesses coletivos e individuais
dos trabalhadores (representados), tanto em questões judiciais,
quanto em situações administrativas.

Sob esse aspecto, está expresso no art. 8º, da CR/88:

III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou


individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou
administrativas;

O legislador constituinte, em evidente processo de democratização do


sindicalismo brasileiro, apesar de algumas contradições, adotou, em
certa medida, o princípio da liberdade sindical.

Pode-se verificar isso nos incs. V e VIII, do art. 8º, da CR/88, onde
expressamente estão consignadas as garantias à atuação sindical
pautadas na autonomia e liberdade associativas, assim consignadas
pela liberdade de filiação e desfiliação, e a garantia provisória de
emprego do dirigente sindical:

V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a


sindicato; [...]

VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do


registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical
e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato,
salvo se cometer falta grave nos termos da lei.

Os poderes da negociação coletiva foram ampliados (art. 7º, incs. VI,


XIII, XIV e XXVI, CR/88), sendo imprescindível a participação do
sindicato profissional em todo o processo negocial:

Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o


seguinte: [...] VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas
negociações coletivas de trabalho;

Quanto exercício do direito de greve, esse também foi elevado ao


patamar de fundamental, na medida em que está expressamente
disposto no art. 9º, da CR/88:
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos
trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os
interesses que devam por meio dele defender.

Percebe-se, pois, a tendência constitucional ao movimento de


democratização do poder, consubstanciado nos direitos coletivos
fundamentais expressos na Constituição da República.

LEITURA COMPLEMENTAR:

"Verificou-se durante a pesquisa que a liberdade sindical, conquanto


ser uma conquista do homem, cujas origens não se restringem a uma
realidade puramente associativa, mas sim, de uma união social,
econômica e politicamente reivindicativa para a construção,
manutenção e evolução dos direitos essenciais e universais do
trabalhador nas mais diversas relações de trabalho, como forma de
garantir sua dignidade humana do trabalhador, encontra sua
existência e eficácia inserida no rol dos direitos humanos, ainda
quando não integrem o rol dos direitos fundamentais expressos em
determinado ordenamento jurídico de um País, desde que, entretanto,
haja sua recepção na ordem jurídica interna de status jurídico que lhe
atribua a imperatividade necessária que uma norma possui; sob a
perspectiva do reconhecimento de sua fundamentalidade material,
fruto da recepção no ordenamento Constitucional de um Estado,
mediante processo de abertura material. Tendo, assim, eficácia de
direito humano e norma fundamental, ou, ao menos, materialmente
fundamental.

O interesse pelo tema surgiu devido as discussões acerca dos


diversos temas relacionados aos direitos humanos, realizadas no
curso da disciplina de Direitos Humanos, no mestrado em direito pela
Universidade Federal da Bahia. (...)"

Para íntegra do texto, segue link abaixo:

LIBERDADE SINDICAL: DIREITO HUMANO OU GARANTIA


FUNDAMENTAL?

BIBLIOGRAFIA:

CORREIA, Marcus Orione Gonçalves, Direito Constitucional do


Trabalho - relações coletivas. In SOUTO MAIOR, Jorge Luiz & CORREIA,
Marcus Orione Gonçalves (organizadores), Curso de Direito do
Trabalho, vol. 3: Direito Coletivo do Trabalho, São Paulo: LTr, 2008, p.
25-47.

DELGADO, Maurício Godinho. Direito Coletivo do Trabalho. 7ed. São


Paulo: LTr, 2017.
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo:
LTr, 2018.
2j=P?"

Aula III: Direito Fundamental à Liberdade Sindical

Principio da liberdade sindical = principio mater do direito coletivo do trabalho,


enquanto do direito individual é o principio da proteção (empregado é a parte
hipossuficiente)

Aqui no direito coletivo não se reconhece nenhuma desigualdade, todos são


equivalentes, decorrente da aplicação do principio da liberdade sindical. O poder
econômico do empregador não se sobrepõe na esfera coletiva ao poder sindical.

Aqui temos que partir do pressupostos que tudo está revestido pela liberdade sindical, é
o principio estruturante do direito coletivo do trabalho.

Desmembramento dos princípios do direito coletivo do trabalho que tem como base esse
principio:

1. Assecuratorios da existência do ser coletivo obreiro (trabalhadores)

a. Principio da liberdade associativa e sindical =

a1 principio da liberdade de associação

liberdade de associar-se com fins pacíficos

qualquer trabalhador pode filiar-se ao sindicato, contudo, também poderá desfiliar-se


sem nenhuma condição para tanto

a2 principio da liberdade sindical

liberdade e autonomia do sindicato em relação a interferência do Estado, eles são livres


para serem criados, mantidos e serem extintos sem a atuação do Estado

garantia a atuação do próprio sindicato

B. Autonomia sindical
Garantia de autogestão do sindicato, sem interferência e intervenção estatal, tanto em
sua atuação externa e interna

2. Unicidade sindical

No brasil não se adota a concorrência entre sindicatos

Liberdade sindical plena – brasil não ratificou a convenção 87 (plena liberdade


sindical), ai surge a duvida se a pluralidade sindical seria a expressão máxima da
liberdade sindical, mas não, porque liberdade sindical significa que cabe aos seres
coletivos e sindicatos se pra aquela categoria será adotado o regime da unicidade
sindical ou da pluralidade sindical e não uma imposição do estado como acontece hoje,
em que se impõe o sistema da unicidade sindical – em razão dessa não ratificação, não
podemos afirmar que se aplica n brasil o principio pleno da liberdade sindical porque
ainda prevelesce esse monopólio de sindicatos oriundos do sistema da unicidade
sindical. Como tradução desse principio temos no brasil (art 8 cf 88), porém não
pdoemos falar de uma liberdade plena dos sindicatos pela ausência da ratificação da
convenção 87 da OIT pelo Brasil.

RESUMO:

O princípio master do Direito Coletivo do Trabalho é o Princípio da


Liberdade Sindical. O Princípio da Proteção - princípio basilar do
Direito Individual do Trabalho - não é aplicado no âmbito do Direito
Coletivo porque as relações coletivas de trabalho tendem a ser
igualitárias, quando assegurada a liberdade, que é essencial para a
atuação do sindicalismo.

Os seres coletivos (sindicatos e empregador) são equivalentes,


porque o poderio econômico do empregador que, nas relações
individuais do trabalho, desequilibra a relação jurídica de emprego,
não se sobrepõe, na esfera coletiva, ao poder sindical.

A Liberdade Sindical é um direito fundamental positivado em quase


todas as Constituições Ocidentais. Contudo, durante os séculos XVIII e
XIX, era proibida a associação dos trabalhadores para a defesa de
seus interesses. Em alguns países como França, Inglaterra e, até
mesmo, o Brasil, o exercício associativo foi tipificado como crime,
como se infere do Código de Napoleão, do Clayton Actions inglês, e
da Lei Eloy Chaves brasileira.
A partir do século XX, inaugura-se a fase de tolerância às associações
sindicais, vez que deixa de ser crime e passa a ser tolerada pelo
Estado. Após a Segunda Guerra Mundial, o direito à associação
sindical e a liberdade de atuação dos sindicatos são reconhecidos
como direitos fundamentais.

A Liberdade Sindical se desdobra em duas dimensões:

? Individual, consubstanciada no direito de associar-se ou não ao


sindicato (art. 8º, inc. V, CR/88);.

? Coletiva, assim compreendida como o direito de auto-organização


do sindicato (autonomia sindical ou liberdade sindical interna) e
direito de mobilização e atuação (liberdade coletiva externa).

A Organização Internacional do Trabalho - OIT possui várias


Convenções que buscam assegurar a liberdade sindical. Muitas delas
foram ratificadas pelo Brasil como as Convenções 98, 135, 144, 154 e
151.

A Convenção 98 dispõe sobre liberdade sindical individual; liberdade


coletiva (liberdade de atuação e autonomia organizacional), buscando
garantir a não intervenção estatal e patronal nos sindicatos de
trabalhadores. A Convenção 135 determina a proteção aos
representantes dos trabalhadores nas empresas.

A Convenção 144, ratificada pelo Brasil em 1994, assevera que


órgãos tripartites de consulta devem ser consultados antes de
qualquer alteração na legislação trabalhista. Ressalta-se que a
Anamatra - Associação Nacional de Magistrados Trabalhistas tem
sustentado a nulidade da Lei 13467/2017 (Reforma Trabalhista), sob
o fundamento de que não houve consulta prévia obrigatória aos
órgãos tripartites, não observando a compatibilidade vertical com as
normas do Direito Internacional do Trabalho.

A Convenção 154 determina que os Estados que a ratificaram devem


promover incentivos à negociação coletiva. Por sua vez, a Convenção
151 assegura aos servidores públicos o exercício de todos os direitos
sindicais, incluindo o direito à greve, sindicalização e negociação
coletiva.

A única não ratificada pelo Brasil e talvez a mais importante


convenção da OIT sobre liberdade sindical é a Convenção 87 que
expressamente garante o direito ao pluralismo sindical.

A Constituição da República de 1988 assegura o direito coletivo


fundamental à Liberdade Sindical, no caput e inc. I, do art. 8º. Assim,
no ordenamento jurídico brasileiro, são vedadas as práticas e
condutas antissindicais, bem como garantida a autonomia sindical.
A Liberdade Sindical Individual é positivada no inciso V, do art. 8º, da
CR/88. O direito à livre associação sindical não significa somente o
direito de associar-se ou não a um sindicato, mas também, assegurar
a vedação às cláusulas de sindicalização forçada como a Closed shop
(contratação só de trabalhadores sindicalizados), Union shop
(manutenção somente de empregados filiados), Preferencial shop
(quando a empresa favorece a contratação de sindicalizados),
Maintenance of membership (manutenção da sindicalização, sob pena
de perda do emprego) e o Yelow dog (extensão da validade da norma
coletiva apenas para os sindicalizados).

O Estado flexibiliza reduzindo o tamanho do seu aparato,


terceirizando e descentralizando as suas atividades periféricas, ou em
alguns casos, até mesmo as atividades essenciais. Além disso,
terceiriza a "culpa" pela redução dos direitos sociais e pela situação
de miséria dos trabalhadores, propagando a idéia de que se os
sindicatos participaram da negociação, o fizeram em favor do
interesse da categoria, de modo que se houve prejuízo aos
trabalhadores é porque esses negociaram mal.

Contudo, o próprio Estado manteve e mantém na Constituição da


República de 1988 mecanismos que impedem a liberdade real dos
movimentos sindicais, mediante a unicidade territorial e o poder
normativo da Justiça do Trabalho, sustentando a permanência de
sindicatos fracos, incapazes de negociar como iguais perante o
empregador. Pelo contrário, algumas vezes parecem servir mais aos
interesses capitalistas do que das categorias que representam. No
plano coletivo, é condição mínima ao trabalho decente a liberdade
sindical, uma vez que a existência dos direitos mínimos dos
trabalhadores na seara individual deve-se à capacidade de união e
pressão das associações dos obreiros.

A Organização Internacional do Trabalho define como trabalho


decente aquele trabalho adequadamente remunerado, exercido em
condições de liberdade, eqüidade e segurança, capaz de garantir uma
vida digna.

A concepção de trabalho decente para a OIT apóia-se em:

- O respeito às normas internacionais do trabalho, em especial aos


princípios e direitos fundamentais do trabalho (liberdade sindical e
reconhecimento efetivo do direito de negociação coletiva; -
Eliminação de todas as formas de trabalho forçado; abolição efetiva
do trabalho infantil; eliminação de todas as formas de discriminação
em matéria de emprego e ocupação; - Promoção do emprego de
qualidade; - Extensão da proteção social; - Diálogo social.
A liberdade diz respeito não apenas ao direito subjetivo de ir e vir
significando, no âmbito coletivo, a liberdade de associação e exercício
da atividade sindical obreira.

Ademais, o sindicato deve se aproveitar dos avanços tecnológicos,


em especial na seara da comunicação, a fim de reagrupar os
trabalhadores espalhados pelos diferentes empreendimentos e países
do globo.

Sobre os avanços e contradições da Constituição da República de


1988, quanto à liberdade sindical, assevera Maurício Godinho
Delgado:

A transição democrática, portanto, somente seria completada com a


adoção de medidas harmonicas e combinadas no sistema
constitucional e legal brasileiros: não apenas a plena suplantação dos
traços corporativistas e disfuncionais que restam no modelo sindical,
como também, na mesma intensidade o implemento de medidas
eficazes de proteção à estruturação e atuação democráticas do
sindicalismo no País (DELGADO, 2018. p. 1590).

O direito fundamental à liberdade sindical não tem se concretizado


de modo pleno no ordenamento jurídico brasileiro. A permanência na
Constituição da República de 1988 de institutos oriundos do período
ditatorial que influenciam diretamente no próprio modelo sindical
brasileiro, fragmenta a compreensão e efetivação do direito à
liberdade sindical.

Nesse aspecto, importante enumerar alguns entraves existentes, na


ordem jurídica brasileira, à Liberdade sindical. Inicialmente, muito
embora seja garantida a livre associação sindical, o trabalhador
estava obrigado, até o advento da Lei 13467/2017 (Reforma
Trabalhista) - que tornou facultativa a contribuição sindical -, à
contribuir para o sistema sindical, independente de manifestar sua
vontade quanto à filiação a um sindicato. Trata-se da famigerada
contribuição sindical compulsória que, há longo tempo, tem
fragmentando o sindicalismo brasileiro, tornando-o cada vez menos
expressivo e representativo.

Ao lado da contribuição sindical compulsória, verifica-se a imposição


pelo Estado de um modelo sindical, ou seja, a adoção do princípio da
unicidade sindical. Tal situação demonstra a efetiva interferência do
Estado, configurando uma incoerência ao propósito constitucional que
garante, em tese, a liberdade sindical.

A liberdade sindical deve ser compreendida a partir de um significado


amplo, sem sofrer limitações, o que não se verifica no ordenamento
jurídico pátrio. A liberdade sindical tem sido basicamente adotada no
plano interno dos sindicatos, já que externamente há imposição do
princípio da unicidade e da base territorial mínima.
Demais disso, a ausência da ratificação da Convenção nº 87, da OIT, é
outro entrave à adoção plena do direito fundamental à liberdade
sindical.

Por fim, a liberdade sindical deve ser compreendida como


instrumento de efetivação de direitos fundamentais no âmbito das
relações de trabalho.

LEITURA COMPLEMENTAR:

"A palavra liberdade possui uma riqueza semântica histórica. Sabe-se


que toda pessoa humana nasce livre e ao longo da história essa
liberdade vem sendo alijada por governos e guerras. A liberdade deve
ser conquistada constantemente e preservada por todos, pois é um
direito fundamental do ser humano o direito a ser livre. Seja para
agir, como pensa Hannah Arendt, ou para ter o direito de não agir.

Logo, no cenário mundial, tenta-se constantemente garantir essa


liberdade dos seres humanos por meio de pactos, convenções,
declarações, dentre outros instrumentos internacionais. A Convenção
nº 87 da OIT busca a liberdade sindical a fim de garantir a todos os
trabalhadores o direito à liberdade. (...)"

Para íntegra do texto, segue link abaixo:

A RELAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LIBERDADE SINDICAL COM A


DEMOCRACIA

BIBLIOGRAFIA:

CORREIA, Marcus Orione Gonçalves, Direito Constitucional do


Trabalho - relações coletivas. In SOUTO MAIOR, Jorge Luiz & CORREIA,
Marcus Orione Gonçalves (organizadores), Curso de Direito do
Trabalho, vol. 3: Direito Coletivo do Trabalho, São Paulo: LTr, 2008, p.
25-47.

DELGADO, Maurício Godinho. Direito Coletivo do Trabalho. 7ed. São


Paulo: LTr, 2017.

DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo:


LTr, 2018.

Aula IV: Os Sindicatos à Luz da Constituição da República de 1988


Sindicato é ou não ser coletivo? Ou é só um instrumento de representação?

Sindicato = representação de empregadores e trabalhadores visando o interesse


coletivos (melhores condições)

Naturza jurídica = pessoa jurídica de direito privado (ele é uma associação)

Sindicato x Associação (associação é gênero da qual sindicato é uma espécie de)

Pontos divergentes = sindicato tem objetivos essenciais (defesa e incremento de


interesse da classe que representa); para sua existência deve ser constituído em estatuto
que é levado ao registro civil de PJ, além de ser levado a deposito uma copia do Estatuto
ao ministério do trabalho

Associação somente precisa do registro no cartório, sem crivo do Ministerior do


trabalho, não se submendo ao sistema da unicidade sindical, pode-se pensar em
concorrência de associações. Membros do sindicato tem garantia de emprego; a
associação não (dirigente da associação). Principall ponto é o poder negocial, é
exclusivo do sindicato – que somente ele poderá participar de negociação coletiva,
podendo signatário de uma convenção ou acordo coletivo de trabalho, as associações
não possuem esse poder negocial, embora possam até participar de uma negociação
coletiva como mero órgão consultivo do sindicato e não como entidade representativa
daquela casse, seja de trabalhadores seja de empregadores.

Funções e prerrogativas

- função representativa = representação de caráter amplo (em nível judicial e


extrajudicial); permite que o sindicato exerça suas funções visando a defesa dos
interesses de seus representados;

- função negocial e assistencial = negocial é privativa dos sindicatos, é por meio dela
que eles tem a legitimidade de celebrar acordos e convenções coletivas de trabalho
(nenhuma associação tem essa prerrogativa), a função assistencial (art. 514 CLT) se
traduz em educação, saúde e prestação de serviços jurídicos, bem como a homologação
rescisória (com a RT a necessidade da homologação rescisória caiu, não mais precisa
passar pelo crivo do sindicato, foram revogado pela RT, não é mais preciso).

Os sindicatos exercem tanto uma função representativa ampla (art. 8, III CF 88),
representando tanto no âmbito privado como no publico, como judicial e administrativo,
e exercem essa função negocial de forma privativa – não se estende à outros tipos de
associação – e assistencial, visando o apoio jurídico, lazer, etc.

RESUMO:

Sindicato é constituído em associação que tem por finalidade a


defesa e coordenação dos interesses econômicos e/ou profissionais
de indivíduos (empregados, empregadores, profissionais liberais,
autônomos etc.) que exercem a mesma atividade ou atividades
similares ou conexas.

Assim, sindicato é uma espécie de associação que se distingue de


uma associação comum porque ao sindicato foi atribuído o poder
negocial. A função negocial decorre da necessidade dos entes em
conflito propugnarem o diálogo com os empregadores e/ou sindicatos
empresariais, ou vice-versa, com vistas à celebração dos diplomas
negociais coletivos, até como prerrogativa exclusiva das entidades
sindicais no sistema jurídico brasileiro (art. 8º, VI, CF/88).

A negociação coletiva se apresenta como alternativa ao direito do


trabalho estatal, criando uma oportunidade para que as partes
envolvidas: empregados e empregadores diminuam os conflitos
existentes e ao mesmo tempo encontrem uma solução para o capital
e o trabalho.

A negociação coletiva, portanto, tem sido considerado o melhor


sistema para solucionar os problemas que, freqüentemente, surgem
entre o capital e o trabalho, não apenas para fixar salários e
estabelecer condições laborais, mas, também, para regular todos os
aspectos que envolvam questões entre empregador e empregado, ou
mesmo os seus entes de representação.

Para falar em sindicato à luz da Constituição da República de 1988, é


necessária a contextualização histórica do sindicalismo brasileiro.

Os imigrantes trazidos pelo Governo brasileiro, no início do século XX,


já estavam habituados ao sindicalismo europeu e trazem consigo
suas formas de organização e mobilização.

Provenientes de países com muita influência anarquista, tais


trabalhadores se organizam e, em 1902, fundam a primeira Central
Sindical Brasileira, o COB - Comitê Operário Brasileiro.

Em 1907, realizam a primeira greve geral, dando origem às primeiras


normas trabalhistas. Em 1917, os marxistas ganham as eleições do
COB e dirigem a segunda greve geral de 1917. Nessa greve, tomaram
o poder em São Paulo e fundaram a Comuna de São Paulo, que
durou
Aula IV - Os Sindicatos à Luz da Constituição da República de 1988
apenas uma semana. A Greve Geral de 1917 impulsionou uma série
de greves nos anos 1918 a 1923.

Com Getúlio Vargas assumindo a Presidência da República em 1930,


iniciou-se o intenso processo legislativo trabalhista no Brasil. Em
1931, foi criado o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, que
começou a institucionalizar os sindicatos brasileiros. A imposição da
unicidade sindical foi o meio de garantir que apenas os sindicatos não
revolucionários atuariam no país.

O modelo sindical adotado por Getúlio Vargas teve inspiração no


modelo italiano expresso na Carta Del Lavoro de Mussolini. Esse
documento jurídico normatizou o sistema sindical italiano, impondo a
unicidade, a contribuição compulsória e a ideia de que o sindicato é
um braço do Estado, responsável pelo sistema de ensino (escolas
técnicas), pelo sistema de saúde (departamentos médicos), cultura e
lazer (clubes), ou seja, por funções tipicamente estatais.

Em 1933, Vargas convoca a Assembleia Constituinte, na qual vários


deputados indicados por Sindicatos tomam parte. Assim, a
Constituição de 1934 é a primeira Constituição brasileira a dispor
sobre direitos trabalhistas. Em 1943, toda a legislação trabalhista já
existente dá origem à Consolidação das Leis do Trabalho: um código
que não poder ser chamado de código, porque as normas já haviam
sido criadas.

Vargas dá um golpe de Estado em 1937, proibindo o direito de greve,


mas a aceleração da industrialização nas décadas de 1940/1950
provoca o fortalecimento dos sindicatos e a criação de novos direitos
trabalhistas.

Nos anos 1950, trabalhadores do campo começam a se organizar nas


Ligas Campesinas, exigindo o Estatuto do Trabalhador Rural, sistema
único e universal de saúde, sistema único e universal de ensino e
reforma agrária. As Reformas de Base mobilizaram grande parte da
sociedade brasileira e João Goulart foi eleito.

No entanto, em 1963, logo após sancionar o primeiro Estatuto do


Trabalhador Rural, dando início às Reformas de Base, João Goulart é
deposto pela ditadura militar, que impõe um duro regime por mais de
vinte anos.

O direito à greve é novamente proibido. Os sindicatos não são


fechados, mas interventores militares são nomeados. Líderes
populares são perseguidos, presos, assassinados, expulsos do país.
Porém, a ditadura militar, para aplacar os ânimos dos trabalhadores,
cria novos direitos, como o Estatuto do Trabalhador Rural (1973), o
Estatuto do Trabalhador Doméstico (1977), a Lei do Gatilho Salarial.

A intensificação do processo de industrialização, com a criação de


grandes cinturões industriais no ABC paulista e em Contagem,
desencadeou, nos anos 70 e 80 grandes greves, embora fossem
proibidas.

Estudantes, padres da Teologia da Libertação e trabalhadores uniram-


se para derrubar a ditadura militar e alargar o rol de direitos sociais.
Em 1981, ocorre a Primeira Conclat - Conferência da Classe
Trabalhadora - no Mineirinho, em Belo Horizonte/MG.

A Conclat funda a CUT - Central Única dos Trabalhadores -, o MST -


Movimento dos Trabalhadores Sem Terra - e o PT - Partido dos
Trabalhadores, dando início a um novo capítulo para o sindicalismo
brasileiro.

Em 2003, é eleito Presidente Luiz Inácio da Silva, que foi ex-


Presidente da CUT. Vários dirigentes sindicais tornaram-se assessores
governamentais.

Ao contrário do que se imaginava, o movimento sindical sofre um


forte recuo. Sem saber qual era sua própria identidade - movimento
social reivindicatório ou parte do Governo trabalhista -, o sindicalismo
se torna inerte. Não mobiliza, não reivindica, não se reconfigura
diante das novas realidades do mundo do trabalho. Retira-se das
camadas populares (extinção dos núcleos de formação popular) e se
burocratiza ainda mais.

O lulismo, como medida de inserção no mercado interno de consumo,


via políticas macroeconômicas keynesianas, torna-se,
contraditoriamente, o maior adversário do sindicalismo.

Lentamente, a legitimidade social se perde e o sindicalismo brasileiro


se torna velho, arcaico, burocrático, distante da realidade dos
trabalhadores.

Mas, assim como nos demais países, novos atores sociais aparecem.
Em junho de 2013, manifestações massivas, que se iniciaram com a
reivindicação de transporte público gratuito e de qualidade, tomam
conta das ruas brasileiras.

A partir de 2015, ideais ultraliberais vão tomando consistência. Volta


a ser pauta do governo a reforma trabalhista. Em 2017, é aprovada a
Lei 13467/2017 que promove, no ordenamento jurídico trabalhista,
profundas alterações tanto de ordem material, quanto de ordem
processual. As recentes mutações legislativas têm exigido que os
sindicatos se reformulem para não perderem o principal papel que é a
defesa dos interesses de seus representados, como preconizado no
inc. III, art. 8º, da CR/88.

Aliado a isso, a reestruturação sindical se faz necessária, para que os


sindicatos retomem as rédeas e possam, por meio da negociação
coletiva, elevar as condições de trabalho da classe que representam.

Nesse momento de incertezas, imprescindível retomar às bases


democráticas da Constituição da República de 1988 que tem como
fundamento, dentre outros, a dignidade da pessoa humana e o valor
social do trabalho.

BIBLIOGRAFIA:

CORREIA, Marcus Orione Gonçalves, Direito Constitucional do


Trabalho - relações coletivas. In SOUTO MAIOR, Jorge Luiz & CORREIA,
Marcus Orione Gonçalves (organizadores), Curso de Direito do
Trabalho, vol. 3: Direito Coletivo do Trabalho, São Paulo: LTr, 2008, p.
25-47.

DELGADO, Maurício Godinho. Direito Coletivo do Trabalho. 7ed. São


Paulo: LTr, 2017.

DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo:


LTr, 2018.

Aula I: Características do Direito do Trabalho

Caracteristicas do direito do trabalho:

- tendencia à ampliação crescente pelo direito do trabalho = art 7 Cf 88; principio da


progressividade (vedação ao retrocesso social), o art. 7º determina um rol
exemplificativo dos direitos constitucionais desses trabalhadores, e podemos falar que o
próprio caput da a ideia de uma ampliação crescente, já que não se trata de um rol
taxativo, sempre buscando novos direitos no sentido de ir adiante e proibir a diminuição
de direitos – embora não seja o que aconteça – o objetivo é a constante ampliação
crescente, consagrado no principio da progressividade. Precisamos ampliar os direitos
para tentar equalizar a relação de trabalho que por natureza já é conflituosa e desigual.
- direito de reinvindicação de classe = ele nasce no coletivo, surge me uma
conscientização da classe de operários, pela necessidade e conscientização da classe,
vemos a importância dessa consciência para reinvidicar esses direitos que até então não
existiam. Ele nasce dessa consciência coletiva pela necessidade constante de uma
evolução e aumento de um patamar mínimo civilizatório, temos essa origem como uma
marca e característica do direito do trabalho.

- intervencionista = necessidade de intervenção, indisponibilizando certos assuntos


dentro das normas do direito do trabalho para garantir a efetividade de tais direitos.
Necessidade de intervenção estatal para garantir a impossibilidade e fiscalização nas
relações contratuais, para controlar e preservar as condições mínimas, não podendo ser
negociadas pelas partes, seja para elaborar normas para ampliar esses direitos, fiscalizar
ou garantir sob uma visão da indisponibilidade.

- cosmopolita = demonstra que o direito do trab dev ser interpretado em sua unidade, e
vai sofrer influencia internacionais, pertencendo a esse ordenamento

- direito em transição = passa por crises, está em constante transição (avanços e


retrocessos)

RESUMO:

O direito do trabalho, apesar de possuir autonomia em relação aos


demais ramos da ciência jurídica, com eles se relaciona de forma
direta, uma vez que as relações de trabalho possuem contornos que
ultrapassam a esfera juslaboral.

Para Alice Monteiro de Barros:

"entre as características do Direito do Trabalho, a doutrina nacional


aponta: a) a tendência (...) à ampliação crescente; b) o fato de ser um
direito (...) de reivindicação de classe; c) de cunho intervencionista; d)
o caráter cosmopolita, isto é, influenciado pelas normas
internacionais; e) o fato de os seus institutos jurídicos mais típicos
serem de ordem coletiva ou socializante; f) o fato de ser um direito
em transição". 1

A progressividade do direito do trabalho é uma marca que lhe é


própria, uma vez que a busca por melhorias nas condições de
trabalho deve ser uma constante, uma vez que se encontra, inclusive,
positivada no caput do art. 7º, tal previsão, ao estabelecer um rol
(meramente exemplificativo) dos direitos trabalhistas.
Alguns autores apontam uma característica paradoxal do direito do
trabalho ao surgir de um movimento de reivindicação de classe sem
deixar de servir ao sistema econômico ao qual ele está submetido,
qual seja o capitalismo.

Nesse sentido vale destacar a citação abaixo transcrita:

"Porém o Direito do Trabalho não apenas serviu ao sistema


econômico deflagrado com a Revolução Industrial -, no século XVIII,
na Inglaterra; na verdade, ele fixou controles para esse sistema,
conferiu-lhe certa medida de civilidade, inclusive buscando eliminar
as formas mais perversas de utilização da força de trabalho pela
economia. " 2

Na definição de Maurício Godinho Delgado, o direito do trabalho pode


ser conceituado como:

"conjunto de princípios regras e institutos jurídicos dirigidos à


regulação das relações empregatícias e outras relações de trabalho
expressamente especificadas, não abrange,

1 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr, 2012. p.93 2 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do
trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p. 51 obviamente, ramos jurídicos em
que a categoria básica não seja a relação empregado empregador,
mas relações nucleares próprias."3

Quanto a sua origem e evolução histórica o direito do trabalho,


caracteriza-se por ter origem no campo obrigacional civil, contudo,
dele se distanciando, por suas próprias peculiaridades. A diferença
estabelecida entre as partes contratantes e a própria natureza do
contrato de trabalho, bem como a presença dos princípios ínsitos ao
direito do trabalho faz com que boa parte dos institutos do direito civil
não seja aplicada de forma indiscriminada no direito do trabalho.

O direito do trabalho também cumpre objetivos sociais, com impactos


econômicos sociais e políticos. Apresenta, outrossim, na maior parte
normas imperativas.

Nos ensinamentos do autor acima narrado, pode-se definir que a área


jurídico-trabalhista abrange os seguintes grupos de ramos jurídicos:

? Direito Material do Trabalho (englobando o Direito Individual do


Trabalho e o Direito Coletivo do Trabalho). ? Direito Constitucional do
Trabalho. ? Direito Internacional do Trabalho. ? Direito Público do
Trabalho (Direito Processual do Trabalho, Direito Administrativo do
Trabalho e o Direito Previdenciário e Acidentário do Trabalho).
A denominada divisão interna do Direito do Trabalho compreende o
segmento do Direito Individual do Trabalho e do Direito Coletivo do
Trabalho.

O direito individual do trabalho se divide em parte geral e em parte


especial. Em relação aquela o estudo se estrutura sobre a Introdução
e a Teoria Geral do Direito do Trabalho. Já com relação a esta se
encontra estruturado o estudo do contrato de trabalho, bem como os
exames dos contratos especiais de trabalho.

Sobre a parte especial, Maurício Godinho ensina que:

"A parte especial pode ser desdobrada de modo distinto, sem prejuízo
do exame de suas matérias integrantes. Assim, mantém-se como
segmento principal de estudo, o contrato empregatício, lançando-se,
complementarmente, a análise das situações justrabalhistas especiais
(em vez da referencia apenas aos contratos especiais). Nessas
situações justrabalhistas especiais encontram-se o trabalho da
mulher, o trabalho do menor, o trabalho em circunstancias insalubre,
perigoso e penoso e, finalmente o trabalho pactuado mediante
contratos

3 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p. 74 empregatícios especiais." 4

O direito coletivo do trabalho é conceituado como complexo de


institutos, princípios e regras jurídicas que regulam as relações
laborais de empregados e empregadores e outros grupos jurídicos
normativamente especificados, considerada sua ação coletiva,
realizada autonomamente ou através das respectivas entidades
sindicais.

Importante fazer menção também ao direito processual do trabalho,


seja por sua autonomia em relação ao processo civil (uma vez que
possui institutos, princípios e formas que lhe são próprias), seja por
sua importância para a concretização da entrega do direito material a
parte interessada.

O direito processual do trabalho é um ramo do direito público que


tem por principal finalidade a de oferecer a solução dos conflitos
individuais e coletivos oriundos da relação de emprego e de outras
controvérsias decorrente da relação de trabalho.

LEITURA COMPLEMENTAR:

"Em suma, conquanto se observe, no direito do trabalho,


característica fortemente econômica e voltada para a garantia e
exequibilidade da economia de mercado, não há que se olvidar que
ele está alicerçado no valor social do trabalho, princípio da
Constituição da República Federativa do Brasil intimamente ligado à
decência no labor. Nesse sentido, parte relevante dele é constituída
pelos direitos fundamentais laborais, constituídos como limites
jurídicos, políticos e éticos impostos ao próprio capitalismo,
congruentes, portanto, com a dignidade humana do trabalhador.
(...)".

Para íntegra do texto, segue link abaixo:

O PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO E O DIREITO DO TRABALHO NA


SOCIEDADE PÓSINDUSTRIAL: ANÁLISE A PARTIR DO OLHAR DO
PROFESSOR EVERALDO GASPAR LOPES DE ANDRADE

JURISPRUDÊNCIA:

Sobre a característica da progressividade do direito do trabalho, cita-


se a jurisprudência abaixo colacionada:

4 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p. 663.

(...) apesar de o art. 7º, XXVI, da Constituição da República


reconhecer a validade das convenções e acordos coletivos de
trabalho, esse dispositivo deve ser interpretado em consonância com
o caput do mesmo artigo, considerando que as disposições ali
previstas asseguram um patamar mínimo de direitos sociais ao
trabalhador, além de outros que visem à melhoria de sua condição
social. 3. Na esteira do princípio da progressividade, consigno que o
artigo 7º, caput, da CR, consagra um dever de não regressividade, a
impossibilidade de redução da proteção já existente, impedindo a
privação de trabalhadores da fruição de direitos sociais fundamentais.
Trata-se "da irreversibilidade das conquistas sociais alcançadas" (TST.
E-ED-RR - 833-59.2012.5.15.0097 Data de Julgamento: 20/10/2016,
Relator Ministro: Márcio Eurico Vitral Amaro, Subseção I Especializada
em Dissídios Individuais, Data de Publicação: DEJT 28/10/2016).

BIBLIOGRAFIA:

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Curso de Direito do Trabalho. Rio de


Janeiro: Forense.
Aula II: Relação do Direito do Trabalho com Outros Ramos I
Direito do trabalho e direito constitucional = a cf prevê direitos trabalhistas. A primeira
constitucional a tratar do tema foi a de 1934, e a partir dai as próximas repetem questões
sobre o direito do trabalho até chegar na atual constitucão que traz questão importantes
ao direito do trabalho, observando questões que as anteriores não observavam.
Primeiramente prevendo a centralidade da pessoa humana, necessidade do ordamento
jurídico observar princípios básicos centralizando a pessoa. Nessa cf também temos
vários princípios do direito do trabalho ali positivados, bem como a valorização do
trabalho; a positivação de princípios trabalhistas (art. 7º, progressividade,
irredutibilidade salarial), havendo uma necessidade de observância da constitucao para
o que se relaciona com o direito do trabalho.

Direito do trab e direito internacional = a OIT visa garantir normas para efetivar um
patamar mínimo civilizatório transnacional, garantindo premissas básicas para que os
países que reconhecem e incorporam a OIT estabelecendo valores mínimos que devem
ser observados para regulamentar essas relações, se expandindo para outros países. É
uma parte do direito internacional público e tem por objetivo a proteção ao trabalhador,
principalmente como ser humano de forma universal, universalizando os princípios da
justiça social, estudar questões conexas, etc. Qual importância dessas convenções
internacionais? É observar normas do nosso ordenamento que devem ser aplicadas de
forma a resistir a normas que podem contrariarem às normativas dos tratados.
Importante tomar nota que o direito do trabalho é parte do direito humano, então essas
convenções chegam aqui no brasil até como status minimamente supralegal, então o
conhecimento dessas normas proque precisamos sair da visão que o direito do trabalho
se resume à CLT, temos algo a mais, temos a cf os tratados internacionais, as
convenções, etc, que fazem parte dessa unidade do sistema jurídico, devendo as normas
serem observadas nesse contexto.

Direito do trab e direito civil = direito do trab possui uma autonomia em relacçao ao
direito civil, são partes diferentes que não se confundem entre si, embora alguns
institutos se comuniquem (como a responsabilidade civil, clausulas contratuais, etc).

RESUMO:

Como apontado inicialmente o direito do trabalho possui autonomia


em relação aos demais ramos da ciência jurídica, mas, a todo
instante, se comunica com estes tendo em vista a extensão de seu
objeto de estudo.

Em relação ao Direito Constitucional do Trabalho é importante


mencionar que a primeira Constituição que trouxe regras
significativas relacionadas ao direito do trabalho foi a do México
(1917) e, posteriormente a da Alemanha (1919).

No Brasil, mesmo que de modo incipiente, a constitucionalização dos


direitos trabalhistas iniciou-se em 1934, contudo, somente com a
Constituição de 1988 é que se tem um verdadeiro Direito
Constitucional do Trabalho. É nesse texto constitucional que a pessoa
humana e o trabalho foram ressaltados em vários títulos normativos,
e, inclusive, constitucionalizou vários princípios típicos do Direito do
Trabalho (proteção, irredutibilidade salarial, vedação ao retrocesso
social, imperatividade das normas trabalhistas, etc.).

GODINHO (2015), afirma que a nova fase vivida pelo Direito


Constitucional europeu e brasileiro expressa fortemente por uma
compreensão renovada do Direito do Trabalho, como núcleo essencial
do ideário e objetivos constitucionais mais importantes. 1

Apesar de no século XIX vários países europeus terem iniciado as


discussões a respeito do Direito Internacional do Trabalho, em 1919
houve a criação da Organização Internacional do Trabalho, pelo
Tratado de Versalhes. Com o decorrer dos anos o direito internacional
do trabalho tem ganhado força, mormente após a reorientação
jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, que conferiu o caráter
supralegal às regras de tratados e convenções internacionais sobre
direitos humanos (que é o caso do direito do trabalho),
independentemente do quórum de aprovação parlamentar.

O conhecimento das Convenções Internacionais do Trabalho,


mormente aquelas que estão ratificadas pelo Brasil, é de crucial
importância para os estudiosos da área. Através de referidas normas-
que a nosso sentir possui status supralegal- é possível requerer a (re)
interpretação do próprio Direito do Trabalho (principalmente após a
promulgação da Lei 13.467/2017).

1 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p.75

Embora já se tenha comentado anteriormente sobre a relação do


direito do trabalho com o Direito Civil, é importante destacar, nesta
oportunidade, com maior precisão alguns pontos.

Como já é de conhecimento a matriz de origem do Direito do Trabalho


é o próprio Direito Civil em especial o segmento das obrigações.
Contudo, diante das especificidades de cada um destes ramos a
autonomia de ambos foram assim preservadas.

Podemos citar que alguns institutos se comunicam, como, por


exemplo, a responsabilidade civil2.

Maurício Godinho Delgado3 destaca também a relação da teoria da


nulidade do direito civil. Em relação aquela, o autor aponta que
embora o ramo justrabalhista tenha elaborado regra própria da teoria
das nulidades, a matriz ortodoxa do Código Civil ainda se aplica em
algumas situações de vícios nos elementos constitutivos do contrato
de trabalho. Cita, como exemplo, o chamado trabalho ilícito - que é o
que se passa no tocante à ilicitude do objeto do contrato
empregatício.

Cabe pontuar, por oportuno, que o art. 8º da CLT, antes da alteração


legislativa decorrente da promulgação da Lei 13.467/2017, previa, em
seu parágrafo único que: "o direito comum será fonte subsidiária do
direito do trabalho, naquilo em que não for incompatível com os
princípios fundamentais deste". (Realce nosso).

Apesar de tal critério de integração vir a ser trabalhado


posteriormente, de maneira mais completa, deve-se atentar, por ora,
que o próprio art. 8º reconhece a autonomia do direito civil em
relação ao direito do trabalho.

Direito Internacional do Trabalho é parte do Direito Internacional


Público que cuida da proteção do trabalhador como parte no contrato
de trabalho, mas, em especial, como ser humano e tem a finalidade
de:

• Universalizar os princípios da justiça social e, na medida do


possível, uniformizar as correspondentes normas jurídicas; • Estudar
as questões conexas, das quais depende a consecução desses ideais;
• Incrementar a cooperação internacional visando à melhoria das
condições de vida do trabalhador e à harmonia entre o
desenvolvimento técnico-econômico e o progresso social
4(SUSSEKIND, 1987).

2 Embora a Lei 13.467/2017 tenha regulamentado questões


atinentes a responsabilidade civil no âmbito trabalhista a origem da
teoria e seus elementos decorrem do próprio direito civil. 3
DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:
LTr, 2014. P. 78 4 SUSSEKIND, Arnaldo. Direito Internacional do
Trabalho. São Paulo: LTr.p. 25.

LEITURA COMPLEMENTAR:
"Sendo assim, na segunda metade do século XIX ocorreram vários
encontros internacionais para discutir o Direito do Trabalho e tentar
criar uma regulamentação que deveria ser observada por vários
países europeus, entre outros encontros internacionais, destacam-se
o Congresso Internacional de Benevolência em Bruxelas (1856) e
depois em Frankfurt (1857), a Primeira Internacional promovida por
Marx (1864), Congresso da Associação Internacional em Genebra
(1866), Assembleia Nacional (1873), portanto, incorreta a teoria que
considera a Organização Internacional do Trabalho como marco inicial
para o direito internacional do trabalho (...)".

Para íntegra do texto, segue link abaixo:

DIREITO DO TRABALHO E SEGURIDADE SOCIAL

JURISPRUDÊNCIA:

Sobre a relação do Direito do Trabalho com o Direito Internacional,


cita-se, a título de exemplo, o reconhecimento, por algumas turmas
do TST e de alguns Tribunais Regionais do país, da possibilidade de
cumulação dos adicionais de insalubridade e de periculosidade (em
contrariedade ao disposto no art. 193, §2º, da CLT), baseado
justamente nas Convenções Internacionais da OIT ratificadas pelo
Brasil. Embora seja entendimento minoritário, a fundamentação
demonstra o debate ora em analise, senão vejamos:

CUMULAÇÃO DOS ADICIONAIS DE INSALUBRIDADE E


PERICULOSIDADE. POSSIBILIDADE. PREVALÊNCIA DAS NORMAS
CONSTITUCIONAIS E SUPRALEGAIS SOBRE A CLT. JURISPRUDÊNCIA
CONSOLIDADA DO STF QUANTO AO EFEITO PARALISANTE DAS
NORMAS INTERNAS EM DESCOMPASSO COM OS TRATADOS
INTERNACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS. INCOMPATIBILIDADE
MATERIAL. CONVENÇÕES NOS 148 E 155 DA OIT. NORMAS DE
DIREITO SOCIAL. CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE. NOVA FORMA
DE VERIFICAÇÃO DE COMPATIBILIDADE DAS NORMAS INTEGRANTES
DO ORDENAMENTO JURÍDICO. A previsão contida no artigo 193, § 2º,
da CLT não foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988, que,
em seu artigo 7º, XXIII, garantiu de forma plena o direito ao
recebimento dos adicionais de penosidade, insalubridade e
periculosidade, sem qualquer ressalva no que tange à cumulação,
ainda que tenha remetido sua regulação à lei ordinária. A
possibilidade da aludida cumulação se justifica em virtude de os fatos
geradores dos direitos serem diversos. Não se há de falar em bis in
idem. No caso da insalubridade, o bem tutelado é a saúde do obreiro,
haja vista as condições nocivas presentes no meio ambiente de
trabalho; já a periculosidade traduz situação de perigo iminente que,
uma vez ocorrida, pode ceifar a vida do trabalhador, sendo este o
bem a que se visa proteger. A regulamentação complementar
prevista no citado preceito da Lei Maior deve se pautar pelos
princípios e valores insculpidos no texto constitucional, como forma
de alcançar, efetivamente, a finalidade da norma. Outro fator que
sustenta a inaplicabilidade do preceito celetista é a introdução no
sistema jurídico interno das Convenções Internacionais nos 148 e
155, com status de norma materialmente constitucional ou, pelo
menos, supralegal, como decidido pelo STF. A primeira consagra a
necessidade de atualização constante da legislação sobre as
condições nocivas de trabalho e a segunda determina que sejam
levados em conta os "riscos para a saúde decorrentes da exposição
simultânea a diversas substâncias ou agentes". Nesse contexto, não
há mais espaço para a aplicação do artigo 193, § 2º, da CLT.
Precedente desta Turma. Recurso de revista de que se conhece e a
que se nega provimento.(...) Recurso de revista de que se conhece e
a que se dá provimento. (RR-77347.2012.5.04.0015, Relator Ministro:
Cláudio Mascarenhas Brandão, Data de Julgamento: 22/04/2015, 7ª
Turma, Data de Publicação: DEJT 04/05/2015). Realces nossos.

BIBLIOGRAFIA:

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Curso de Direito do Trabalho. Rio de


Janeiro: Forense.

SUSSEKIND, Arnaldo. Direito Internacional do Trabalho. São Paulo:


LTr.

Aula III: Relação do Direito do Trabalho com Outros Ramos II

Direito do trabalho e direito previdenciário = os dois surgem no mesmo processo de


intervenção do estado no mercado de trabalho. Primeiramente a principal arrecadação
social está relacionada à folha de salario dos empregados (INSS). Tambpem a
declaração da natureza jurídica dessas verbas, as verbas salariais são aquelas em que
incide a contribuição previdenciária correspondente (verba salarial se diferencia da
indenizatória por conta desse desconto aplicado). A própria clt estabelece como
obrigatoriedade (art. 832, parg 3º) que o magistrado deve na decisão falar quais as
verbas que são natureza salarial (horas extras, férias, etc) para destinação própria da
porcentagem à previdência. Além disso, temos também a execução das contribuições
sociais previdenciárias dentro da justiça do trabalho, o art. 876 da clt fala que a justiça
do trab executa de oficio as contribuições relativos ao objeto das sentenças que proferir
e dos acordos que homologar. É uma competência parcial, então o juiz do trab tem essa
competência de executar essa receita para a previdência. A própria lei da previdência
temos questões típicas do próprio direito do trab (ex. art. 19 que conceitua o que é o
acidente de trabalho), para fins de recebimento do auxilio doença comum e acidentário
(lei 8213 de 91)

RESUMO:

Em continuidade aos nossos estudos sobre a relação do direito do


trabalho com os demais ramos do direito vamos estabelecer as
questões relacionadas desta área jurídica com o Direito
Previdenciário.

Em relação ao Direito Previdenciário é importante mencionar,


conforme lições de GODINHO (2015)1 que os dois segmentos
surgiram praticamente do mesmo processo de intervenção do Estado
no mercado de trabalho, a partir da segunda metade do século XIX,
na Europa Ocidental.

Atualmente é importante destacar que parte considerável da


arrecadação da Previdência, decorre da folha de salário das
empresas, que tem como base de cálculo as verbas de natureza
salarial recebidas pelos empregados.

A diferença das verbas de natureza salarial para as verbas de


natureza indenizatória ganha destacada importância neste
quadrante, pois é a partir daí que se pode definir sobre quais verbas
haverá incidência de contribuição previdenciária correspondente.

Algumas questões próprias da lei 8.213/91, que dispõe sobre os


Planos de Benefícios da Previdência Social, interferem diretamente no
cotidiano das relações trabalhistas e, inclusive são objeto de
constante julgados pela Justiça do Trabalho.

Demonstrada a relação direta do direito do trabalho com o direito


previdenciário o diálogo entre estes ramos torna-se imprescindível
para a resolução de questões trabalhistas e previdenciárias.

LEITURA COMPLEMENTAR:

"Denomina-se doença do trabalho aquela adquirida ou desencadeada


em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e
com ele se relacione diretamente, estando elencada no referido
Anexo II do Decreto n. 3.048/99, ou reconhecida pela Previdência. A
prevenção, no caso, deve ser baseada na limitação do tempo de
exposição (duração da jornada e
concessão
1 1 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São
Paulo: LTr, 2014. p.79 de pausas regulares), na alteração do
processo e organização do trabalho (evitando excessos de demanda)
e na adequação de máquinas, mobília, equipamentos e ferramental
do trabalho às características ergonômicas dos trabalhadores. São as
chamadas mesopatias. Nestas doenças, as características são
diferenciadas em relação aos acidentes-tipo: a exterioridade da causa
permanece; porém, pode-se dizer que muitas doenças são previsíveis
e, certamente, não dependem de um evento violento e súbito; são as
contingências do trabalho desempenhado ao longo do tempo que
estabelecem o nexo causal entre a atividade laborativa e a doença.
Independentemente de constar na relação do Regulamento, deve a
Previdência reconhecer o acidente de trabalho quando restar
comprovado que a doença foi desencadeado pelas condições
especiais de trabalho a que estava submetido o segurado - 2° do art.
20 da Lei n. 8.213/91.. (...)".

Para íntegra do texto, segue link abaixo:

AUXÍLIOS DOENÇA/ACIDENTÁRIO: BENEFÍCIOS PREVISTOS NA LEI


8.213/91

LEGISLAÇÃO:

Competência Trabalhista para executar contribuições previdenciárias,


prevista na CLT:

Art. 876 - As decisões passadas em julgado ou das quais não tenha


havido recurso com efeito suspensivo; os acordos, quando não
cumpridos; os termos de ajuste de conduta firmados perante o
Ministério Público do Trabalho e os termos de conciliação firmados
perante as Comissões de Conciliação Prévia serão executada pela
forma estabelecida neste Capítulo.

Parágrafo único. A Justiça do Trabalho executará, de ofício, as


contribuições sociais previstas na alínea a do inciso I e no inciso II do
caput do art. 195 da Constituição Federal, e seus acréscimos legais,
relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que
proferir e dos acordos que homologar.

A Lei 8.213/91 conceitua o acidente de trabalho, vejamos:

Art. 19. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do


trabalho a serviço de empresa ou de empregador doméstico ou pelo
exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11
desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que
cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da
capacidade para o trabalho.

§ 1º A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas


coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do
trabalhador.
§ 2º Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a
empresa de cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho. §
3º É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os
riscos da operação a executar e do produto a manipular. § 4º O
Ministério do Trabalho e da Previdência Social fiscalizará e os
sindicatos e entidades representativas de classe acompanharão o fiel
cumprimento do disposto nos parágrafos anteriores, conforme
dispuser o Regulamento.

Art. 20. Consideram-se acidente do trabalho, nos termos do artigo


anterior, as seguintes entidades mórbidas: I - Doença profissional,
assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do
trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva
relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social;
II - Doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou
desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é
realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação
mencionada no inciso I. § 1º Não são consideradas como doença do
trabalho: a) a doença degenerativa; b) a inerente a grupo etário; c) a
que não produza incapacidade laborativa; d) a doença endêmica
adquirida por segurado habitante de região em que ela se
desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou
contato direto determinado pela natureza do trabalho. § 2º Em caso
excepcional, constatando-se que a doença não incluída na relação
prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições especiais
em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente, a
Previdência Social deve considerá-la acidente do trabalho.

Art. 21. Equiparam-se também ao acidente do trabalho, para efeitos


desta Lei: I - O acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha
sido a causa única, haja contribuído diretamente para a morte do
segurado, para redução ou perda da sua capacidade para o trabalho,
ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação;
II - O acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho,
em consequência de: a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo
praticado por terceiro ou companheiro de trabalho; b) ofensa física
intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada
ao trabalho; c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de
terceiro ou de companheiro de trabalho; d) ato de pessoa privada do
uso da razão; e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos
fortuitos ou decorrentes de força maior; III - a doença proveniente de
contaminação acidental do empregado no exercício de sua
atividade;
IV - O acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário
de trabalho: a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob
a autoridade da empresa; b) na prestação espontânea de qualquer
serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito;
c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando
financiada por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da
mão-de-obra, independentemente do meio de locomoção utilizado,
inclusive veículo de propriedade do segurado; d) no percurso da
residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer
que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do
segurado. § 1º Nos períodos destinados a refeição ou descanso, ou
por ocasião da satisfação de outras necessidades fisiológicas, no local
do trabalho ou durante este, o empregado é considerado no exercício
do trabalho. § 2º Não é considerada agravação ou complicação de
acidente do trabalho a lesão que, resultante de acidente de outra
origem, se associe ou se superponha às consequências do anterior.

No mesmo sentido, cita-se, de forma exemplificativa, a garantia


provisória ao emprego, prevista para os segurados que sofreram
acidente de trabalho, conforme estabelecido no art. 118, da Lei em
comento, verbis:

Art. 118. O segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida,


pelo prazo mínimo de doze meses, a manutenção do seu contrato de
trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário,
independentemente de percepção de auxílio-acidente.

JURISPRUDÊNCIA:

Diante de tantos julgamentos a respeito de acidentes do trabalho


com repercussão na esfera previdenciária o Tribunal Superior do
Trabalho chegou a editar a Súmula 378, com a seguinte redação:

ESTABILIDADE PROVISÓRIA. ACIDENTE DO TRABALHO. ART. 118 DA


LEI Nº 8.213/1991. (inserido item III) - Res. 185/2012, DEJT divulgado
em 25, 26 e 27.09.2012 I - É constitucional o artigo 118 da Lei nº
8.213/1991 que assegura o direito à estabilidade provisória por
período de 12 meses após a cessação do auxílio-doença ao
empregado acidentado. (ex-OJ nº 105 da SBDI-1 - inserida em
01.10.1997) II - São pressupostos para a concessão da estabilidade o
afastamento superior a 15 dias e a consequente percepção do auxílio-
doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença
profissional que guarde relação de causalidade com a execução do
contrato de emprego. (primeira parte - ex-OJ nº 230 da SBDI-1 -
inserida em 20.06.2001) III - III - O empregado submetido a
contrato de trabalho por tempo determinado goza da garantia
provisória de emprego decorrente de acidente de trabalho prevista
no n no art. 118
da Lei nº 8.213/91.
BIBLIOGRAFIA:

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Indenizações por acidentes de


trabalho ou doença ocupacional. 5. ed. São Paulo: LTr, 2009.

Aula IV: Relação do Direito do Trabalho com Outros Ramos

Direito do Trab e Direito empresarial = os conceitos do direito empresarial fazem parte


do dia a dia do trabalhador. As alienações entre empresas por ex, compra e fusão de
empresa, e como afeta o contrato de trabalho dos trabalhadores.

Direito do trabalho e direito administrativo = os trabalhadores da iniciativa pública;


fiscalização pelos auditores dos trabalhos com autos de infração, penalidades
administrativas aplicadas pelo auditor do trabalho; nroams regulamentares pelo
ministério do trabalho (insalubridade e periculosidade), etc.; responsabilidade da adm
publica na fiscalização de contrato de terceirização – haveria a respomsabilidade pela
tomadora de serviços (adm pyblica) pela falta de pag de verbas trabalhistas da
prestadora de serviços em desfavor de seu funcionário? Culpa in viligando.

Direito do trab e direito econômico = art. 170 cf 88; a relação da livre iniciativa

Direito do trab e direito processual = possui regras e princípios constitucionais


constitucionais, possuindo uma relação com o processo civil dialogando com ele;

Direito do trab e tributário = tributos advidendos do contrato de emprego (FGTS, IR,


etc)

Direito do trab e direito penal = crimes cometidos em decorrência de relação


trabalhistas (condições análogas à escravo; apropriação indébita previdenciária, contra a
Organização do Trabalho, violação de segredo de empresa)

RESUMO:

I. Relação do Direito do Trabalho com o Direito Empresarial


Em continuidade aos nossos estudos sobre a relação do direito do
trabalho com os demais ramos do direito vamos estabelecer as
questões relacionadas desta área jurídica com o Direito Empresarial,
Econômico, Penal e Processual.

Em relação ao Direito Empresarial surge destacar a relação direta


entre as questões estruturais que pode afetar as sociedades
empresarias (sucessão, recuperação judicial, falência, etc.) e os
contratos de trabalho.

A CLT estabelece, por exemplo, que qualquer alteração na estrutura


jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos e os contratos
de trabalho dos empregados. Nesse sentido o art. 10 e 448 da CLT.

Nas hipóteses regulamentadas pelo direito empresarial de


recuperação ou falência das empresas (Lei 11.101/2015) várias
questões trabalhistas são ressaltadas no corpo normativo em
comento.

Cita-se, a título de exemplo, o prosseguimento da execução


trabalhista, após o prazo estabelecido de suspensão na Lei
11.101/2015, dos processos relacionados às empresas que tiveram a
recuperação autorizada pelo juízo competente.

II. Relação do Direito do Trabalho com o Direito Econômico

No que concerne ao Direito Econômico- que tem por objetivo a


disciplina jurídica das atividades que são desenvolvidas no mercado-
ele também se relaciona com o direito do trabalho.

Neste cenário mister se faz destacar o art. 170 da Constituição, que


traz em seu bojo uma relação direta entre o Direito do Trabalho e o
Direito ora em analise, ao afirmar que a ordem econômica, fundada
na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim
assegurar a todos a existência digna, conforme os ditames da justiça
social, observando vários princípios relativos, dentre eles a
propriedade privada e a busca pelo pleno emprego.

III. Relação do Direito do Trabalho com o Direito Administrativo

No que se relaciona o Direito Administrativo é importante destacar a


relação entre estes ramos na relação existente entre os
empregadores e os empregados, típicas da esfera privada, (Direito do
Trabalho) e dos trabalhadores da iniciativa pública- servidores ou
empregados públicos- sendo que aqui a relação é regulamentada e
fiscalizada, no âmbito da Administração Pública (Direito
Administrativo).

As normas administrativas de saúde e segurança do trabalho editadas


e fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho, dispostas na CLT, é outro
exemplo de comunicação entre o Direito do Trabalho e o Direito
Administrativo.

IV. Relação do Direito do Trabalho com o Direito Tributário

A incidência de tributos sobre determinadas verbas, o fato gerador


que origina a obrigação para a quitação de algum tributo, são
questões que demonstram a ligação entre o Direito do Trabalho e o
Direito Tributário.

A obrigação para o recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de


Serviço (FGTS); o Imposto de Renda descontado mensalmente de
trabalhadores que excedem o mínimo que garante a isenção; as
contribuições sociais devidas pelos empregadores e pelos
empregados são exemplos típicos da relação existente entre ambos
diplomas normativos.

V. Relação do Direito do Trabalho com o Direito Processual

O direito processual do trabalho é um ramo específico do direito


processual. Encontra-se submetido as regras do processo
constitucional e aos princípios deste, bem como comunica-se de
forma constante com o direito processual civil, mormente quando há
omissão e compatibilidade entre os institutos.

Nesse sentido, o art. 15 do CPC estabelece que: na ausência de


normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou
administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas
supletiva e subsidiariamente.

O art. 769 da CLT estabelece que nos casos omissos, o direito


processual comum será fonte subsidiária do direito processual do
trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas do
processo do trabalho.

VI. Relação do Direito do Trabalho com o Direito Penal

Por fim, em relação ao Direito Penal é importante destacar que várias


formas de crimes podem ser cometidas na constância da relação de
trabalho.

O Código Penal possui, inclusive, na parte especial o Título IV que são


realizados contra a organização do trabalho. Nesse sentido os arts.
197 ao 207 do CP. Muitos fatos acontecidos no curso do contrato de
trabalho podem violar tanto a esfera trabalhista, quanto a esfera
penal.

Cabe mencionar, de forma exemplifica, o art. 149 do Código Penal,


que tipifica o crime de condição análoga a escravo, como outro ilícito
que demonstra a relação entre as respectivas áreas. Muitos destes
crimes, por envolverem órgãos federais (INSS, Caixa Econômica
Federal, etc.) serão processados e julgados perante a Justiça Comum
Federal.

LEITURA COMPLEMENTAR:

"(...) violação das regras trabalhistas, por si só, atrai a tutela jurídica
em âmbito judicial próprio - a Justiça do Trabalho, cujo órgão de
cúpula, o Tribunal Superior do Trabalho, vem, de forma reiterada,
condenando empregadores ao pagamento de indenizações por danos
morais nos casos em que trabalhadores são submetidos a condições
consideradas, sob a ótica trabalhista, degradantes.

Não é sempre que se pode legitimamente afirmar que as irregulares


condições de trabalho, de moradia, de segurança e de salubridade a
que sujeitos os trabalhadores lesiona as suas dignidades de modo a
reclamar a intervenção do Direito Penal, que, como já antecipado, é a
última "ratio". Em regra, as infrações às normas de medicina, saúde e
segurança do trabalho podem ser suficientemente reprimidas
mediante a aplicação das penalidades administrativas previstas na
própria legislação trabalhista

(...) Para a caracterização do "trabalho escravo", mediante submissão


a condições degradantes, o consentimento da vítima deve ser obtido
de forma viciada, mediante coação ou erro (...) "

Para íntegra do texto, segue link abaixo:

Redução à condição análoga a de escravo: a problemática definição


de "condições degradantes" para fins penais

LEGISLAÇÃO:

Direito do Trabalho e Direito Empresarial Lei 11.101/2005 "Art. 6º A


decretação da falência ou o deferimento do processamento da
recuperação judicial suspende o curso da prescrição e de todas as
ações e execuções em face do devedor, inclusive aquelas dos
credores particulares do sócio solidário. (...) § 2º É permitido pleitear,
perante o administrador judicial, habilitação, exclusão ou modificação
de créditos derivados da relação de trabalho, mas as ações de
natureza trabalhista, inclusive as impugnações a que se refere o art.
8º desta Lei, serão processadas perante a justiça especializada até a
apuração do respectivo crédito, que será inscrito no quadro-geral de
credores pelo valor determinado em sentença. (...) § 4º Na
recuperação judicial, a suspensão de que trata o caput deste artigo
em hipótese nenhuma excederá o prazo improrrogável de 180 (cento
e oitenta) dias contado do deferimento do processamento da
recuperação, restabelecendo-se, após o decurso do prazo, o direito
dos credores de iniciar ou continuar suas ações e execuções,
independentemente de pronunciamento judicial. § 5º Aplica-se o
disposto no § 2o deste artigo à recuperação judicial durante o período
de suspensão de que trata o § 4o deste artigo, mas, após o fim da
suspensão, as execuções trabalhistas poderão ser normalmente
concluídas, ainda que o crédito já esteja inscrito no quadro-geral de
credores.(....)." (grifos nossos)

CLT Art. 10 - O sócio retirante responde subsidiariamente pelas


obrigações trabalhistas da sociedade relativas ao período em que
figurou como sócio, somente em ações ajuizadas até dois anos depois
de averbada a modificação do contrato, observada a seguinte ordem
de preferência: I - a empresa devedora; II - Os sócios atuais; e III - os
sócios retirantes. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 13.7.2017)
Parágrafo único. O sócio retirante responderá solidariamente com os
demais quando ficar comprovada fraude na alteração societária
decorrente da modificação do contrato.

Art. 448 - Caracterizada a sucessão empresarial ou de empregadores


prevista nos arts. 10 e 448 desta Consolidação, as obrigações
trabalhistas, inclusive as contraídas à época em que os empregados
trabalhavam para a empresa sucedida, são de responsabilidade do
sucessor. Parágrafo único. A empresa sucedida responderá
solidariamente com a sucessora quando ficar comprovada fraude na
transferência. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 13.7.2017)

A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não


afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados.

Direito do Trabalho e Direito Econômico

Constituição da República Art. 170. A ordem econômica, fundada na


valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim
assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça
social, observados os seguintes princípios: I - soberania nacional; II -
propriedade privada; III - função social da propriedade; IV - livre
concorrência; V - defesa do consumidor; VI - defesa do meio
ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o
impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de
elaboração e prestação; VII - redução das
desigualdades regionais e sociais; VIII - busca do pleno emprego; IX -
tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte
constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e
administração no País. Parágrafo único. É
assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade
econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos,
salvo nos casos previstos em lei.

Direito do Trabalho e Direito Penal


Código Penal Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de
escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada
exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho,
quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de
dívida contraída com o empregador ou preposto: Pena - reclusão,
de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à
violência § 1o Nas mesmas penas incorre quem: I -
cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do
trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho; II -
mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de
documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo
no local de trabalho. § 2o A pena é aumentada de metade, se o
crime é cometido: I - contra criança ou adolescente; II - por
motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem.

Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições


recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou
convencional: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e
multa. § 1o Nas mesmas penas incorre quem deixar de: I - recolher,
no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à
previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado
a segurados, a terceiros ou arrecadada do público; II - recolher
contribuições devidas à previdência social que tenham integrado
despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à
prestação de serviços; III - pagar benefício devido a segurado,
quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados
à empresa pela previdência social. § 2o É extinta a punibilidade se o
agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento
das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações
devidas à previdência social, na forma definida em lei ou
regulamento, antes do início da ação fiscal. § 3o É facultado ao juiz
deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente
for primário e de bons antecedentes, desde que: I - tenha
promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a
denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária,
inclusive acessórios; ou II - o valor das contribuições devidas,
inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela
previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o
ajuizamento de suas execuções fiscais. § 4o A faculdade prevista no
§ 3o deste artigo não se aplica aos casos de parcelamento de
contribuições cujo valor, inclusive dos acessórios, seja superior àquele
estabelecido, administrativamente, como sendo o mínimo para o
ajuizamento de suas execuções fiscais.

Direito do Trabalho e Direito Processual

CLT Art. 769 - Nos casos omissos, o direito processual comum será
fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em
que for incompatível com as normas deste Título.
CPC Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos
eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste
Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.

Direito do Trabalho e Direito Tributário

Lei 8.036/90

Art. 22. O empregador que não realizar os depósitos previstos nesta


Lei, no prazo fixado no art. 15, responderá pela incidência da Taxa
Referencial - TR sobre a importância correspondente. § 1o
Sobre o valor dos depósitos, acrescido da TR, incidirão, ainda, juros
de mora de 0,5% a.m. (cinco décimos por cento ao mês) ou fração e
multa, sujeitando-se, também, às obrigações e sanções previstas no
Decreto-Lei no 368, de 19 de dezembro de 1968. § 2o A
incidência da TR de que trata o caput deste artigo será cobrada por
dia de atraso, tomando-se por base o índice de atualização das contas
vinculadas do FGTS. § 2o-A. A multa referida no § 1o deste
artigo será cobrada nas condições que se seguem: I - 5% (cinco
por cento) no mês de vencimento da obrigação; II - 10% (dez
por cento) a partir do mês seguinte ao do vencimento da
obrigação. § 3o Para efeito de levantamento de débito para
com o FGTS, o percentual de 8% (oito por cento) incidirá sobre o valor
acrescido da TR até a data da respectiva operação.

Direito do Trabalho e Direito Administrativo

CLT Art. 155. Incumbe ao órgão de âmbito nacional competente em


matéria de segurança e medicina do trabalho: I - estabelecer, nos
limites de sua competência, normas sobre a aplicação dos preceitos
deste Capítulo, especialmente os referidos no art. 200

Art. 200. Cabe ao Ministério do Trabalho estabelecer disposições


complementares às normas de que trata este Capítulo, tendo em
vista as peculiaridades de cada atividade ou setor de trabalho,
especialmente sobre: I- medidas de prevenção de acidentes e os
equipamentos de proteção individual em obras de construção,
demolição ou reparos; (...)

JURISPRUDÊNCIA:

EMENTA PENAL. REDUÇÃO A CONDIÇÃO ANÁLOGA A DE ESCRAVO.


ESCRAVIDÃO MODERNA. DESNECESSIDADE DE COAÇÃO DIRETA
CONTRA A LIBERDADE DE IR E VIR. DENÚNCIA RECEBIDA. Para
configuração do crime do art. 149 do Código Penal, não é necessário
que se prove a coação física da liberdade de ir e vir ou mesmo o
cerceamento da liberdade de locomoção, bastando a submissão da
vítima "a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva" ou "a condições
degradantes de trabalho", condutas alternativas previstas no tipo
penal. A "escravidão moderna" é mais sutil do que a do século XIX e o
cerceamento da liberdade pode decorrer de diversos
constrangimentos econômicos e não necessariamente físicos. Priva-se
alguém de sua liberdade e de sua dignidade tratando-o como coisa e
não como pessoa humana, o que pode ser feito não só mediante
coação, mas também pela violação intensa e persistente de seus
direitos básicos, inclusive do direito ao trabalho digno. A
violação do direito ao trabalho digno impacta a capacidade da vítima
de realizar escolhas segundo a sua livre determinação. Isso também
significa "reduzir alguém a condição análoga à de escravo". Não é
qualquer violação dos direitos trabalhistas que configura trabalho
escravo. Se a violação aos direitos do trabalho é intensa e
persistente, se atinge níveis gritantes e se os trabalhadores são
submetidos a trabalhos forçados, jornadas exaustivas ou a condições
degradantes de trabalho, é possível, em tese, o enquadramento no
crime do art. 149 do Código Penal, pois os trabalhadores estão
recebendo o tratamento análogo ao de escravos, sendo privados de
sua liberdade e de sua dignidade. Denúncia recebida AURÉLIO,
Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROSA WEBER; Julgamento: 29/03/2012;
Órgão Julgador: Tribunal Pleno)pela presença dos requisitos legais.
(Inq 3412 / AL - ALAGOAS INQUÉRITO; Relator(a): Min. MARCO
AURÉLIO.

BIBLIOGRAFIA:

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

REIS, Ítalo Moreira. O Tratamento Jurídico do Assédio Moral nas


Relações Laborais: Posicionamento em (Des) Favor da Tutela Penal da
Integridade Moral? Revista dos Tribunais, São Paulo, v. 103, n. 942, p.
159-192, abr. 2014.

Aula I: Fontes

Fontes = fatores que contribuem para gerar, modificar ou extinguir as normas jurídicas
(regras e princípios), subdivide-se em formas e materiais.

- Fontes Materiais = fatores sociais, econômicos e políticos que traduzem na


necessidade de criação de normas jurídicas
- Formais = exteriorização dessas normas jurídicas, divide-se em: formas heterônomas e
autônomas (ou estatais e profissionais).

As heteronicas = exteriorização da norma jurídica produzida por um terceiro, que não as


partes (Estado), ex. CF 88, tratados e convenções internacionais., CLT, etc.

As autônomas = convenção coletiva de trabalho, é uma normatização feita pelos


próprios autores, e não um terceiro, criam normas que devem ser observadas. Por
exemplo a CCT que é formada pelos sindicatos, bem como o ACT.

Conflitos entre as fontes

Reforma trabalhista = negociado (fonte formal autônoma) sobre o legislado


(heterônoma). Art. 7º, XXVI prestigia as fontes formais autonoas (CCT e ACT)

Essa interpretação deve ser feita com restrições, já que há alguns pontos indisponíveis a
ser tratado por CCT e ACT (art. 611-A CLT), como é limitada por ex princípios da
vedação do retrocesso social; etc.

Conflito entre normas autônomas (CCT e ACT)

- Antes da RT (art. 620 CLT) = observando o principio da norma mais favorável,


preponderância do CCT sobre o acordo

- Depois da RT = desconsiderando o principio da norma mais favorável,


necessariamente prevalescerá o ACT.

RESUMO:

Fontes do Direito são todos aqueles fatores que contribuem para


gerar, modificar ou extinguir as normas jurídicas, quais sejam, as
regras e os princípios. A depender do ponto de vista que são
analisadas, as fontes do direito são classificadas em formais e
materiais1.

No mesmo sentido, a saudosa professora Alice Monteiro de Barros


preleciona que:
"Na linguagem popular, fonte é origem, é tudo aquilo de onde provém
alguma coisa. Já sob o prisma jurídico, a fonte é vista como origem do
direito, incluídos os fatores sociais, econômicos e históricos. Como
fundamento de validade da norma jurídica, a fonte pressupõe um
conjunto de normas, em que as de maior hierarquia constituem fonte
das de hierarquia inferior. Finalmente, por fonte entende-se, ainda, a
exteriorização do direito, os modos pelos quais se manifesta a norma
jurídica" 2

Fontes Materiais? fatos sociais, econômicos, políticos, religiosos etc.,


que provocam o surgimento das leis, decretos etc.

Fontes Formais ? a exteriorização das normas jurídicas. • Fontes


Formais Estatais ou Heterônomas

Para Maurício Godinho Delgado3 as normas heterônomas são aquelas


cuja produção não se caracteriza pela imediata participação dos
destinatários principais das normas jurídicas.

Como exemplos de fontes heterônomas podemos citar: 1.


Constituição 2. Lei (e Medida Provisória) 3. Tratados e Convenções
Internacionais 4. Regulamento Normativo (Decreto) 5. Portarias,
Avisos, Instruções, Circulares 6. Sentença Normativa

Fontes profissionais ou autônomas. Godinho conceitua referida fonte


como:

1 CAIRO JÚNIOR, José. Curso de Direito do Trabalho. Salvador.


Juspodivm. 2018 2 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do
trabalho. São Paulo: LTr, 2012. p.93 3 DELGADO, Mauricio Godinho.
Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.165
Aula I - Fontes do Direito do Trabalho

Normas cuja produção caracteriza-se pela imediata participação dos


destinatários principais das normas produzidas. São, em geral, as
normas originarias de segmentos ou organizações da sociedade civil,
como os costumes ou os instrumentos da negociação coletiva
privada.4 Como exemplos de fontes autônomas do direito do
trabalho podemos citar:

1) Convenção Coletiva de Trabalho, que, segundo o art. 611 da CLT é


o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos
representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam
condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas
representações, às relações individuais de trabalho.

2) Acordo Coletivo de Trabalho. A CLT, de forma analítica, trata o


acordo coletivo de trabalho no art. 611, § 1º, que dita que é facultado
aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar
Acordos Coletivos com uma ou mais empresas da correspondente
categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis
no âmbito da empresa ou das acordantes respectivas relações de
trabalho.

3) Contrato Coletivo de Trabalho- Apesar de a lei não conceituar o


contrato coletivo de trabalho, a doutrina o faz. Sérgio Pinto Martins
conceitua referido instituto como sendo:

"Negócio jurídico de caráter normativo e natureza coletiva, de modo a


regulamentar, criar ou estipular condições de trabalho. O contrato
coletivo irá regulamentar temporariamente o conflito coletivo entre as
partes, sob a forma de resolução pacífica do conflito pelas próprias
pessoas interessadas, mas não deixa de ser um instrumento
destinado a autoorganizar a autonomia coletiva sindical".
4) Usos e Costumes. Maurício Godinho Delgado conceitua os usos
como "pratica habitual adotada no contexto de uma relação jurídica
especifica, envolvendo as especificas partes componentes dessa
relação e produzindo, em consequência, efeitos exclusivamente no
delimitado âmbito dessas mesmas partes." 5

Em relação aos costumes, este pode ser conceituado, de acordo com


o mesmo autor como a "contrapartida, a prática habitual adotada no
contexto mais amplo de certa empresa. Categoria, região, etc.,
firmando um modelo ou critério de conduta geral, impessoal,
aplicável ad futurum a todos os trabalhadores interados no mesmo
tipo de contexto.6(DELGADO, 2015)

• Análise crítica: fontes autônomas. Conflito entre as fontes.

4 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. São Paulo: Saraiva,


2013. p.1105 5 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do
trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.165 6 DELGADO, Mauricio Godinho.
Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.165

• Acordo Coletivo de Trabalho ou CCT

As normas resultantes das convenções coletivas devem ser


interpretadas tal como se interpreta as normas legais, porque contêm
regras de direito: são fontes formais do direito, leis no sentido
material" 7

Prestígio constitucional (no art. 7º, XXVI, CR/88) x autonomia privada


ampla e irrestrita.

O art. 620, da CLT, introduzido pela Lei 13.467/2017, passa a dispor


que: "as condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho
sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva de
trabalho. "
Na redação anterior havia a determinação de que, na hipótese de
conflito de normas coletivas (CCT x ACT), de vigência simultânea,
haverá preponderância da convenção coletiva sobre o acordo
coletivo, e a observância ao princípio da norma mais favorável ao
trabalhador.

A Lei 13.467/2017, quis conferir também, força maior as normas


autônomas, frente as heterônomas, nas hipóteses elencadas no art.
611 A, da CLT. Contudo, é importante observar que, a nosso sentir, as
partes - nem mesmo os sindicatos - podem negociar normas de
indisponibilidade absoluta, como aquelas afetas a higiene, saúde e
segurança do trabalho.

LEGISLAÇÃO:

Art. 611 - Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter


normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de
categorias econômicas e profissionais estipulam condições

7 Sussekind,Arnaldo e Outros - Instituições de Direito do Trabalho -


11a Ed., SP: Ltr, 1991.
de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às
relações individuais de trabalho. § 1º É facultado aos
Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar
Acordos Coletivos com uma ou mais empresas da correspondente
categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis
no âmbito da empresa ou das acordantes respectivas relações de
trabalho § 2º As Federações e, na falta desta, as Confederações
representativas de categorias econômicas ou profissionais poderão
celebrar convenções coletivas de trabalho para reger as relações das
categorias a elas vinculadas, inorganizadas em Sindicatos, no âmbito
de suas representações.

Art. 620. As condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho


sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva de
trabalho.

JURISPRUDÊNCIA:

Sobre o reconhecimento das convenções coletivas e acordos coletivos


do trabalho, como fontes formais do direito, a jurisprudência abaixo
transcrita:

AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA PREVISTA EM


NORMA COLETIVA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - NÃO
INCIDÊNCIA. É certo que a alimentação fornecida pelo empregador
em razão do contrato ou do costume, em regra, tem natureza salarial,
integrando a remuneração do empregado para todos os efeitos,
conforme dispõe o caput do art. 458 da CLT e a Súmula 241 do TST.
Admite-se, contudo, a possibilidade de se conferir caráter
indenizatório à ajuda alimentação por meio de negociação coletiva,
nos termos do 7º, XXVI, da Constituição da República, que assegura o
reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho
como fontes formais do Direito do Trabalho. Nesta hipótese, não
incidem contribuições previdenciárias sobre a parcela, já que não
concedida como forma de retribuição ao trabalho prestado pelo
empregado segurado. (TRT da 3.ª Região; PJe:
001039344.2016.5.03.0024 (RO); Disponibilização: 05/10/2017;
Órgão Julgador: Segunda Turma; Relator: Convocada Olivia Figueiredo
Pinto Coelho). (Grifos nossos)

BIBLIOGRAFIA:

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

CAIRO JÚNIOR, José. Curso de Direito do Trabalho. Salvador.


Juspodivm.

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. São Paulo: Saraiva.

Aula II: Interpretação

Interpretação = processo analítico de compreensão e determinação do sentido da norma


jurídica; para que a norma foi criada, o que o legislador quis dizer;

Pode ser notada na fase pré jurídica da interpretação (política_, em que as


incongruências são pesquisadas para achar mecanismos para construção e alteração da
norma, observada a necessidade e a dinamicidade das relações sociais envolvida. EIsso
justifica porque a norma precisa ser atualizada, e por isso se justifica essa interpretação
pré jurídica, para alteração da norma e adequação ao momento social vivenciado
(alterando ou excluindo a norma, por exemplo).

Integração = processo de suprimento de lacunas nas fontes do Direito

Aplicação = processo de incidência e adaptação da snormas às situações concretas


RESUMO:

O intérprete do Direito pratica três atividades específicas e


coordenadas que, são de suma importância: a interpretação jurídica,
a integração jurídica e a aplicação jurídica.

Segundo Maurício Godinho Delgado:

Por interpretação conceitua-se o processo analítico de compreensão e


determinação do sentido e extensão da norma jurídica enfocada. Por
integração conceitua-se o processo lógico de suprimento de lacunas
percebidas nas fontes principais do Direito em face de um caso
concreto, mediante o recurso a fontes normativas subsidiárias. Por
aplicação conceitua-se o processo de incidência e adaptação das
normas jurídicas às situações concretas.1

No Direito a interpretação ocorre na fase pré-jurídica, instante em que


a norma será elaborada e também na fase jurídica propriamente
dita.

Vejamos:

a) Interpretação na fase de construção da norma: São características


da fase pré-jurídica ou política, desse modo, a procura e o
desvelamento das contradições do sistema jurídico, suas falhas e
lacunas, seu desajuste a valores que, politicamente, considera-se que
a sociedade erigiu como relevantes ao longo do instante de
desenvolvimento da crítica pré-jurídica. As incongruências e falhas
são pesquisadas como mecanismos propiciadores do mais eficaz
encontro de alternativas concretas hábeis de supressão ou superação
das falhas e incongruências percebidas.2

b) Interpretação do Direito Construído: Nesta fase busca-se, na


análise da norma jurídica, não a contradição interna das ideias e
princípios normativamente apresentados, mas sua congruência e
organicidade integradas.3

...consiste na pesquisa da coerência racional e lógica da norma


enfocada ao conjunto do sistema jurídico e ao conjunto do processo
sociopolítico que responde por sua criação e

1 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p.215 2 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de
direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.216 3 DELGADO, Mauricio
Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014.
p.216 reprodução. A realização de tal fórmula analítico-interpretativa
submete-se a um conjunto de regras objetivas, sistemático, mais
universal, mais rigoroso e passível de controle que o produto da
simples criatividade pessoal do operador jurídico enfocado4.

O Direito, por meio da Hermenêutica Jurídica, elege os instrumentos


de concretização de interpretação jurídica, qualificando-a como
científica.

A Hermenêutica Jurídica é a ciência que trata da interpretação das


normas jurídicas.

Interpretação é distinta da hermenêutica. Por interpretação entende-


se a compreensão e reprodução intelectual de uma dada realidade
conceitual ou normativa, ao passo que a hermenêutica, traduz o
conjunto de princípios, teorias e métodos que buscam informar o
processo de compreensão e reprodução intelectual do Direito.5

A interpretação também se distingue da integração; também da


aplicação; e ainda, há distinção entre integração extensiva e
analogia.

Tipologias da interpretação jurídica: a Hermenêutica tem estabelecido


três tipologias de interpretação do Direito: uma, construída segundo o
critério da origem da interpretação; outra, construída segundo o
critério dos resultados e a terceira, construída segundo o critério dos
meios (ou métodos) utilizados no processo de interpretação.6

a) Tipologia quanto a origem da interpretação: será autêntica,


jurisprudencial e doutrinária. Autêntica será a interpretação produzida
pelo mesmo órgão que construiu a norma jurídica. Jurisprudencial
será a interpretação dada pelos tribunais a partir da reiteração de
decisões similares. E a doutrinária será aquela dada pela
doutrina/estudiosos do Direito.

b) Tipologia segundo os resultados da interpretação: será declarativa,


extensiva e restritiva. A interpretação declarativa conclui
corresponder a transparente expressão linguística da norma jurídica à
vontade e sentida da norma. A interpretação extensiva, conclui ser a
transparente expressão da linguística da norma menos ampla do que
o exato sentido objetivado pela norma. E a restritiva, a interpretação
que conclui ser a transparente expressão linguística da norma jurídica
mais ampla que o exato sentido por ela objetivado.7

c) Tipologia segundo o método de interpretação: que será gramatical,


a lógica, a sistemática, a teleológica e a histórica.

c.1) Gramatical/linguística: é a interpretação construída a partir do


exame literal do texto

4 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p.216 5 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de
direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.219 6 DELGADO, Mauricio
Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.223 7
DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:
LTr, 2014. p.225
normativo e das palavras que o compõem. O chamado método
gramatical busca o sentido que resulta diretamente do significado
próprio e literal das palavras, fazendo do vocábulo o instrumento
básico da interpretação.8. (grifos acrescidos)

c.2) Lógico/formal: é o método de interpretação que busca o


significado, coerência e harmonia do texto legal, socorrendo-se de
técnicas da lógica formal.9 (grifos acrescidos)

c.3) Sistemático: é o método interpretativo que se caracteriza pela


busca de harmonização da norma ao conjunto do sistema jurídico.
10(grifos acrescidos)

c.4) Teleológico/finalístico: é o método que busca subordinar o


processo interpretativo ao império dos fins objetivados pela norma
jurídica.11(grifos acrescidos)

Observa DELGADO12 que a legislação, a propósito, tende a enfatizar


a conduta teleológica, ao dispor que o operador jurídico deve
observar, no processo interpretativo, os "fins sociais da lei" (art.5 da
Lei de Introdução ao Normas de Direito), de maneira que "nenhum
interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse comum"
(art.8, caput, in fine, da CLT).

A orientação da Hermenêutica é que se faça a interpretação


harmonizando os métodos lógico, sistemático e teleológico.

c.5) Histórico: consistindo na reconstituição da occasio legis no


momento interpretativo. DELGADO13 critica a possibilidade do
método histórico, vejamos: ...caso compreendido o método histórico
como critério de reprodução de parâmetros rígidos emergentes do
passado a condicionarem a apreensão presente e futura da norma,
está-se perante instrumental sem real valor científico, por supor a
ossificação da norma elaborada e a cristalização do fenômeno
jurídico. Nesta linha, perderia o papel de relevante método de
exegese do Direito.

Para o autor a historicidade deve ser entendida como instrumento de


apoio à interpretação.

Especificidades da interpretação justrabalhista: quanto a


interpretação juslaboral deve-se observar que esse ramo jurídico
deve ser sempre interpretado sob um enfoque de certo modo
valorativo (a chamada jurisprudência axiológica), inspirado pela
prevalência dos valores e princípios essenciais ao Direito do Trabalho
no processo de interpretação. Assim, os valores sociais preponderam
sobre os valores particulares, os valores coletivos sobre os valores
individuais. A essa valoração específica devem se agregar, ainda - e
harmonicamente -, os princípios justrabalhistas, especialmente um
dos nucleares do ramo jurídico, o princípio da

8 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p.225 9 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de
direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.226 10 DELGADO,
Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014.
p.225 11 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho.
São Paulo: LTr, 2014. p.226 12 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de
direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.226 13 DELGADO,
Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014.
p.227
norma mais favorável.14

LEITURA COMPLEMENTAR:

"O universo jurídico deve ser sempre analisado de forma holística, em


seu conjunto, em conformidade com o filtro constitucional, no sentido
de que nenhuma lei está livre de ser interpretada por qualquer uma
das técnicas apresentadas, porque todas têm pontos importantes,
com vantagens e desvantagens. A grande beleza do Direito está no
fato de comportar diversas formas de interpretar, como um
admirador de uma obra de arte que impregna o ar com sua forma de
olhar a tela. (...)".

Para íntegra do texto, segue link abaixo:

Interpretação do Direito do Trabalho

JURISPRUDÊNCIA:

Sobre a interpretação sistemática da CLT com o Texto


Constitucional:

EMENTA: TURNOS ININTERRUPTOS. ALONGAMENTO DA JORNADA.


TRABALHO INSALUBRE. LICENÇA PRÉVIA. COMPATIBILIDADE DO
ARTIGO 7º INCISO XIV DA CONSTITUIÇÃO COM O ARTIGO 60 DA CLT.
Se o disposto no artigo 60 da CLT deve ser aplicado nos casos de
prorrogação simples, mais ainda deve ser observado nos casos de
turnos ininterruptos, os quais, pela própria natureza, acarretam maior
prejuízo à saúde do trabalhador. Em outras palavras, a interpretação
sistemática, lógica e teleológica do caput do artigo 7º da
Constituição, em que está albergado o princípio da aplicação
progressiva dos direitos sociais, com o inciso XIV e artigo 60 da CLT,
conduz à compreensão de que o alongamento da jornada, de seis
para oito horas em turnos ininterruptos depende de licença prévia da
autoridade competente. Sendo assim, a validade do acordo que
autoriza a extensão da jornada depende da anuência das autoridades
competentes em matéria de higiene laboral, a quem cumpre
examinar o local, métodos e processos de trabalho. O cancelamento
da Súmula 349 do TST corrobora essa conclusão. (TRT da 3.ª Região;
Processo: 000209504.2014.5.03.0034 RO; Data de Publicação:
26/01/2018; Disponibilização: 25/01/2018, DEJT/TRT3/[Link], Página
543; Órgão Julgador: Sétima Turma; Relator: Cristiana [Link]
Fenelon; Revisor: Paulo Roberto de Castro). (Grifos nossos)

14 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p.231

BIBLIOGRAFIA:

AMORIM, Juliana Marques Teixeira. Interpretação do Direito do


Trabalho. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 16, n.
2815, 17 mar. 2011. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 8 abr. 2018.

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

CAIRO JÚNIOR, José. Curso de Direito do Trabalho. Salvador.


Juspodivm

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

Aula III: Integração

Integração = mecanismo de suprimento de lacunas para atender o principio da plenitude


da ordem jurídica. A legislação as vezes pode ser lacunosa, não ter a lei para incidência
de alguma hipótese legal no caso concreto (ausência de regulamentação). O juiz não
pode alegar omissão legislativa para deixar de julgar algo, ele precisa criar mecanismos
para dar solução ao caso concreto, e a integração é uma das formas de suprimento dessa
lacuna por duas formas:

1. Autointegração = eu utilizo de normas supletivas para isso, como ocorre com a


analogia (CLT art. 8º)
2. Heterointegração = ocorre quando o operador jurídico se vale de norma
supletiva situada fora do universo normativo do direito, como ocorre com
costumes, princípios, jurisprudência, princípios do direito equiparado, etc., para
complementar o direito do trabalho.

Teoria do dialogo das fontes = as normas não se excluem, elas podem se


comunicar, principalmente em casos similares, quando ocorre a omissão. Os
diplomas normativos podem se conversar (CDC e CLT por exemplo), eu
comunico esses sistemas.

RESUMO:

Denomina-se integração jurídica o processo de preenchimento das


lacunas normativas verificadas no sistema jurídico em face de um
caso concreto, mediante o recurso a outras fontes normativas que
possam se especificamente aplicáveis.1

Ou seja, trata-se de mecanismo de suprimento de lacunas, permitindo


atender ao princípio da plenitude da ordem jurídica ... informador de
que a ordem jurídica sempre terá, necessariamente, uma resposta
normativa para qualquer caso concreto posto a exame do operador
do Direito.2

A CLT trata da integração jurídica no artigo 8º. A Lei 13.467/2017


modificou o referido artigo, conforme, inclusive, já exposto
anteriormente. De forma ilustrativa, o quadro abaixo, demonstra
como era a redação anterior à vigência da lei e a atual.

Ressalta-se, por oportuno, que a especialidade do direito do trabalho,


frente ao direito comum, não decorre por opção legislativa, mas,
trata-se, da verdadeira essência do direito do trabalho. Como pode
ser observado, pretendeu o legislador, com a alteração introduzida no
§1º, do art. 8º, da CLT, ampliar a utilização do direito civil (comum),
em relação ao direito do trabalho (especial). Agora, bastaria a
omissão da CLT para aplicação subsidiaria do Código Civil,
independentemente da compatibilidade do instituto do direito comum
com o direito especial.

1 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p. 231 2 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de
direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p. 233

Contudo, o próprio caput do art. 8º, estabelece como critério


integrativo do direito do trabalho, a utilização e o respeito aos
princípios específicos deste ramo, o que impossibilita, outrossim, a
utilização dos institutos do direito civil que contrarie a sistemática
principiológica do direito do trabalho.

Tipologia de integração jurídica: autointegração e heterointegração.

a) A autointegração ocorre quando o operador jurídico vale-se de


norma supletiva componente das próprias fontes principais do Direito.
A norma adotada é aqui considerada supletiva apenas pela
circunstância de ela, de fato, não incidir, originalmente, sobre o caso
concreto enfocado na operação integrativa.3

A analogia é instrumento da autointegração.

a.1) Procedimento analógico: analogia, na ciência do Direito, constitui


o processo pelo qual se aplica à hipótese não prevista em lei
disposição relativa a caso semelhante (ubi eaden ratio, ibi idem jus).
Pressupõe semelhança de relações ou situações jurídicas, conduzindo
ao encontro de fórmula normativa semelhante.

São requisitos a analogia: a) que o fato considerado não tenha sido


tratado especificamente pelo legislador, através de uma específica
norma jurídica; b) que exista, na ordem jurídica, norma regulando
situação ou relação que apresente ponto de contato, semelhança,
coincidência ou identidade; c) que esse aspecto comum seja o
elemento central a autorizar a operação analógica. 4

A analogia se classifica em: analogia legis e analogia júris.

A analogia legis concerne à integração concretizada a partir de uma


norma supletiva específica, um claro preceito legal regulador de
situação familiar: " falta uma só disposição, um artigo de lei, e então
se recorre ao que regula um caso semelhante".5

A analogia juris traduz um procedimento mais complexo. À falta de


um preceito legal específico para ser integrado ao caso concreto em
exame, o operador jurídico infere a norma: "do conjunto de normas
disciplinadoras de um instituto que tenha pontos fundamentais de
contato com aquele que os textos positivos deixaram de
contemplar.6

3 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p. 234 4 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de
direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p. 235 5 DELGADO, Mauricio
Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p. 235 6
DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:
LTr, 2014. p. 235

b) A heterointegração ocorre quando o operador jurídico vale-se de


norma supletiva situada fora do universo normativo principal do
Direito. (...) A norma adotada na heterointegração, posicionada fora
das fontes jurídicas principais do sistema, constitui-se em típica fonte
supletiva do Direito, já que rege situações fáticas concretas somente
em circunstâncias de utilização da operação integrativa. 7

A heterointegração opera-se por meio dos costumes, princípios


jurídicos gerais, a jurisprudência, os princípios especiais e o Direito
comparado, a equidade, usos.8

LEITURA COMPLEMENTAR:

"Por esta razão, há respeitável doutrina defendendo que prevalência


do acordo coletivo sobre a convenção coletiva, contraria o princípio
da prevalência da norma mais favorável ao trabalhador, o que
espelha a intenção do legislador na flexibilização. Acrescenta que a
medida enfraquece o princípio da proteção ao empregado e prioriza a
norma menos favorável. (...)".

Para íntegra do texto, segue link abaixo:

Prevalência do ACT sobre a CCT: fere o princípio da proteção?

LEGISLAÇÃO:

Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na


falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso,
pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e
normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e,
ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas
sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular
prevaleça sobre o interesse público.

§ 1º O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho. §


2o Súmulas e outros enunciados de jurisprudência editados pelo
Tribunal Superior do Trabalho e pelos Tribunais Regionais do Trabalho
não poderão restringir direitos legalmente previstos nem criar
obrigações que não estejam previstas em lei. § 3o No exame de
convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, a Justiça do
Trabalho analisará exclusivamente a conformidade dos elementos
essenciais do negócio jurídico, respeitado o disposto no art. 104 da
Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), e balizará sua
atuação pelo princípio da intervenção mínima na autonomia da
vontade coletiva.
7 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São
Paulo: LTr, 2014. p. 234 8 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de
direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p. 234

JURISPRUDÊNCIA:

Vale mencionar, por oportuno, a decisão judicial abaixo transcrita,


sobre a integração:

"(...) Considerando que no Estado Democrático de Direito ao Juiz é


vedado criar normas jurídicas, a parte final da Súmula Vinculante nº 4
do STF não merece reparos. Cumpre ter presente, contudo, que criar
norma jurídica não se confunde com aplicar uma norma jurídica
existente a uma situação concreta similar àquela disciplinada pelo
legislador. É em razão desta distinção, inclusive, que o art. 126 do
CPC e o art. 8º da CLT autorizam o juiz a recorrer à analogia para
suprir eventual omissão do Direito.

Na verdade, a integração do Direito, quando verificada a sua omissão,


se impõe ao juiz, uma vez que a ele é vedado deixar de sentenciar ou
despachar alegando lacuna da lei (art. 126 do CPC e arts. 8º e 769 da
CLT).

Assim, verificando, no julgamento do pedido de adicional de


insalubridade, a existência da lacuna do Direito do Trabalho (com a
declaração da sua inconstitucionalidade, a parte final do art. 192 da
CLT é excluída do ordenamento jurídico) o Juiz tem o dever de, para
supri-la, recorrer à analogia, ou seja, às normas que tratem de
situação similar ao caso concreto a ser julgado.

E qual seria a base de cálculo definida por lei que poderia ser aplicada
ao adicional de insalubridade? A resposta está no art. 193, § 1o, da
CLT, que aponta como base de cálculo do adicional de periculosidade
o salário do trabalhador, sem acréscimo resultante de gratificações,
prêmios ou participações nos lucros da empresa.

Assim, aplicando-se à hipótese, por analogia, o art. 193, § 1o, da CLT,


pode ser dito que, diante da inconstitucionalidade do art. 192, parte
final, da CLT e sua exclusão do ordenamento jurídico, o adicional de
insalubridade passa a ter como base de cálculo o salário contratual do
trabalhador, livremente pactuado pelas partes ou estabelecido em
acordo ou convenção coletiva, sem acréscimo resultante de
gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa.
Esta solução não significa criação de uma nova base de cálculo para o
adicional de insalubridade por decisão judicial, mas a aplicação de
uma base de cálculo já consagrada pelo legislador a uma situação
similar carente de regulamentação legislativa, valendo observar que
o art. 7º, inciso XXIII, da Constituição Federal assegura aos
trabalhadores o direito ao recebimento de adicional de remuneração
no caso de labor em condições insalubres e perigosas, sem fazer
distinções entre eles, o que significa que a Constituição da República
trata as duas situações trabalho insalubre e trabalho perigoso da
mesma forma, aparecendo aí a identidade de ratio legis que autoriza
o recurso à analogia. (TRT da 3.ª Região; Processo: 0000082-
61.2014.5.03.0089 RO; Data de Publicação: 13/05/2016; Órgão
Julgador: Sétima Turma; Relator: Convocado Cleber Lucio de Almeida;
Revisor: Paulo Roberto de Castro)

BIBLIOGRAFIA:

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

CAIRO JÚNIOR, José. Curso de Direito do Trabalho. Salvador.


Juspodivm

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. São Paulo: Saraiva

Aula IV: Aplicação

Aplicação da norma jurídica àquela situação concreta. Apicar o fireito material e


processual ao caso concreto.

Reforma Trabalhista = como será sua aplicação ao caso concreto?

Para isso importante diferenciarmos direito material do direito processual. Inicialmente


ao direito material, os institutos criados pela RT no que se relaciona ao direito material,
vale aos contratos antigos? Somente para os novos? Para os processos em curso? Antes
ou depois da sentença? Isso vamos conseguir ver no art. 6º da LINDB e a CF que a lei
que altera questões de direito material precisa preservar o ato jurídico perfeito, direito
adquirido e coisa julgada. Portanto, a aplicação do direito matéria só vale para os novos
contratos de trabalho.
Quanto à matéria processual, art. 14 CPC e 912 da CLT, que regulamenta a aplicação do
direito processual. Quando há uma modificação dessas normas, há uma aplicação
imediata, ou seja, aplicável aos processos em curso na data de entrada em vigor, não
alcançando atos processuais já praticados.

RESUMO:

Aplicação do Direito consiste no processo de realização da incidência


da norma abstrata sobre o caso concreto. Aferidas as circunstâncias e
elementos caracterizadores da situação fática enfocada, e pesquisada
e interpretada a ordem jurídica, o operador do Direito consuma a
incidência do preceito normativo pertinente à situação real
examinada.1

A redução do Direito ao silogismo (premissa maior: norma e premissa


menor: os fatos) desfigura o Direito e empobrece a função judicial.
Por essa razão é que já se chegou a afirmar que mais importante do
que o próprio silogismo concatenado pelo operador jurídico será sua
sensível e equilibrada escolha de premissas para o raciocínio a se
construir. 2

Aplicação do Direito do Trabalho no tempo: quanto a aplicação do


Direito do Trabalho, tem-se a aplicação do princípio geral que rege o
conflito das normas jurídicas no tempo: a norma jurídica emergente
terá simples efeito imediato, respeitando assim, o direito adquirido, o
ato jurídico perfeito e a coisa julgada.

Pode, no entanto, uma norma ter efeito retroativo, imediato, ou ainda


diferido.

Entretanto, à medida que o núcleo central de concentração de efeitos


justrabalhistas situa-se no contrato de trabalho, pode-se construir um
critério básico e geral informador de efeitos intertemporais no ramo
justrabalhista. Trata-se do que denominamos princípio da aderência
contratual. 3

Informa o princípio da aderência contratual que preceitos normativos


e cláusulas contratuais tendem a aderir ao contrato de trabalho com
intensidade e extensão temporais diferenciadas. A aderência das
normas jurídicas tende a ser relativa, ao passo que a aderência das
cláusulas tende a ser absoluta. 4

Quanto aos regulamentos de empresa, a jurisprudência tem


entendido que sua natureza é de cláusula contratual e, portanto com
aderência ao contrato. Este posicionamento está sedimento nas
Súmulas 51 e 288 do TST, vejamos:
1 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São
Paulo: LTr, 2014. p. 236 2 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de
direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p. 236 3 DELGADO, Mauricio
Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p. 237 4
DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:
LTr, 2014. p. 237

Súmula nº 51 do TST NORMA REGULAMENTAR. VANTAGENS E OPÇÃO


PELO NOVO REGULAMENTO. ART. 468 DA CLT (incorporada a
Orientação Jurisprudencial nº 163 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20,
22 e 25.04.2005 I - As cláusulas regulamentares, que revoguem ou
alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os
trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do
regulamento. (ex-Súmula nº 51 - RA 41/1973, DJ 14.06.1973) II -
Havendo a coexistência de dois regulamentos da empresa, a opção
do empregado por um deles tem efeito jurídico de renúncia às regras
do sistema do outro. (ex-OJ nº 163 da SBDI-1 - inserida em
26.03.1999)

Súmula nº 288 do TST COMPLEMENTAÇÃO DOS PROVENTOS DA


APOSENTADORIA (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 A
complementação dos proventos da aposentadoria é regida pelas
normas em vigor na data da admissão do empregado, observando-se
as alterações posteriores desde que mais favoráveis ao beneficiário
do direito.

Em se tratando de normas jurídicas a aderência é apenas relativa,


não aderindo de modo permanente nos contratos. Assim, extinta a
norma, extinta a aderência, regra aplicável em caso de norma
heterônoma.

Quando a normativa for autônoma (norma de ACT ou CCT) observa-se


o disposto na Súmula 277 do TST:

Súmula nº 277 do TST CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO OU


ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. EFICÁCIA. ULTRATIVIDADE
(redação alterada na s na sessão do Tribunal Pleno realizada em
14.09.2012) - Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012.
As cláusulas normativas dos acordos coletivos ou convenções
coletivas integram os contratos individuais de trabalho e somente
poderão ser modificados ou suprimidas mediante negociação coletiva
de trabalho.

Ou seja, trata-se da aderência limitada por revogação.5 Assim, de


acordo com o entendimento do TST, os diplomas negociados vigoram
até que novo diploma venha revogá-los. Contudo, tal entendimento
encontra-se suspenso, por decisão do Supremo Tribunal Federal,
através da liminar exarada pelo Min. Gilmar Mendes, na medida
cautelar na arguição de preceito fundamental 323 do Distrito
Federal.

Ressalta-se, por oportuno, que a Lei 13.467/2017, alterou a redação


do art. 614, §3º, da CLT, para vedar a ultratividade.

5 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p. 235

Quanto a aplicação do Direito do Trabalho no espaço, registra-se que


as normas a serem aplicadas a relação de emprego será aquela do
lugar da execução dos serviços.

Por fim, um importante debate surge, com a vigência da lei


13.467/2017, no que se relaciona a aplicação da referida normativa.

No que relaciona ao direito material alterado pela legislação deve ser


observada a legislação em vigor na época do fato/contrato de
trabalho. Neste sentido, deve ser ressaltado o artigo 6º da Lei de
Introdução às Normas do Direito Brasileiro que protege o ato jurídico
perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada, bem como o artigo 5º,
inciso XXXVI, da CF/88.

Já quanta matéria processual, a aplicação dos referidos dispositivos,


devem levar em conta o disposto no art. 14 do CPC e 912 da CLT que
dita que, como regra, a norma processual tem aplicação imediata, ou
seja, é aplicável aos processos em curso na data da entrada em vigor,
mas não alcança os atos processuais praticados e as situações
jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada.

Há, contudo, uma flexibilização da jurisprudência em relação a


aplicação dos dispositivos processuais que se relacionam a
sucumbência das partes (custos do processo), em atenção, inclusive,
ao princípio da vedação de decisão surpresa (arts. 9º e 10 do CPC)
aplicando-se, pois, referidas regras, somente em relação aos
processos que foram distribuídos já na vigência da nova legislação.

LEITURA COMPLEMENTAR:

"DIREITO INTERTEMPORAL DO TRABALHO. No que concerne à


intertemporalidade da lei material trabalhista, creio que é importante
destacar três faróis constitucionais, que devem iluminar qualquer
interpretação da matéria: os artigos (i)5°, XXXVI e Art. 7º, (ii) caput e
(iii) inciso VI. A Constituição da República adota a teoria de
Francesco Gabba, que impõe o respeito da lei nova ao direito
adquirido, ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada. Muito se debate
sobre a incompatibilidade jurídica do conceito de direito adquirido ao
contrato de trabalho, por se tratar de contrato sujeito a trato
sucessivo. Sem adentrar nesse debate, é importante reconhecer que
a aplicação da teoria subjetiva de Gabba no contrato de trabalho está
dogmática e expressamente prevista na própria CLT, em vários
dispositivos, sobretudo em seu art. 10. (...)"

Para íntegra do texto, segue link abaixo:

A Reforma Trabalhista atinge os contratos de trabalho e os processos


em curso?

LEGISLAÇÃO:

Constituição

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer


natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito


e a coisa julgada;

CLT

Art. 614 - Os Sindicatos convenentes ou as empresas acordantes


promoverão, conjunta ou separadamente, dentro de 8 (oito) dias da
assinatura da Convenção ou Acordo, o depósito de uma via do
mesmo, para fins de registro e arquivo, no Departamento Nacional do
Trabalho, em se tratando de instrumento de caráter nacional ou
interestadual, ou nos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e
Previdência Social, nos demais casos

Art. 912 - Os dispositivos de caráter imperativo terão aplicação


imediata às relações iniciadas, mas não consumadas, antes da
vigência desta Consolidação

CPC

Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável


imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos
processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a
vigência da norma revogada.

JURISPRUDÊNCIA:

Vale mencionar, por oportuno, a decisão judicial abaixo transcrita,


sobre a aplicação dos honorários advocatícios com a alteração da
legislação a respeito do tema:
HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS - ARTIGO 791-A DA CLT - AÇÃO
AJUIZADA ANTERIORMENTE AO INÍCIO DA VIGÊNCIA DA LEI 13.467/17
- INAPLICABILIDADE.
Considerando o princípio da não surpresa e que a ação foi proposta
antes da denominada reforma trabalhista, não se aplica à hipótese
dos autos a previsão contida no art. 791-A da CLT de que os
honorários advocatícios decorrem meramente da sucumbência. (TRT
da 3.ª Região; PJe: 0011312-28.2015.5.03.0134 (RO);
Disponibilização: 06/04/2018; Órgão Julgador: Oitava Turma; Relator:
Jose Marlon de Freitas).

BIBLIOGRAFIA:

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

CAIRO JÚNIOR, José. Curso de Direito do Trabalho. Salvador.


Juspodivm

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. São Paulo: Saraiva

Aula I: O Direito Internacional do Trabalho

Internamente o direito do trabalho é divido em direito individual do trabalho e direito


coletivo do trabalho (cuida das relações jurídicas entre os seres coletivos).
Externamente, divide-se em: direito internacional do trabalho (OIT); direito ambiental
do trabalho (nova ramificação); Direito penal do trabalho (art. 197 a 207, CP) – não é
uniforme pela doutrina, nem todos reconhecem esse direito penal do trabalho como uma
ramificação.

OIT = surgimento pelo tratado de versalhes (1919)

Estrutuação do direito internacional do trab = convenções e recomendações da OIT;


declarações e convenções da ONU com relevância para o direito do trabalho

Normatividade supranacional e influencia no âmbito interno das normas nacionais e


comunitárias, atuando em proteção às relações de trabalho, com direitos mínimos
assegurando a dignidade da pessoa humana em uma seara internacional, tutelando os
bens inerentes ao homem (vida, saúde, segurança, desenvolvimento, etc).

Sua importância e influencia dentro do ordenamento jurídico brasileiro trabalhista:

Reforma trabalhista = surge na doutrina uma corrente que defende um controle de


convencionalidade, ou seja, a prevlaecnai das convenções e recomendações
internacionais sobre a legislação interna quando mais favoráveis ao trabalhador.

Outra importância do direito internacional do trab é vista também no que diz respeito à
terceirização, estabelecendo um controle civilizatório mínimo nessas relações,
estabelecendo limites para tanto.

Além disso, o controle de convencionalidade (nova vertende que esta sendo utilizada
pelor tribunais superiores), decorre da influencia do direito internaciomal sobre o direito
do trabalho interno.

Percebe-se, portanto, que os tratados e convenções internacionais começam a ter um


reconhecimento supralegal (decisão do STF), já que tem caráter de direitos humanos.

RESUMO:

O Direito do Trabalho é dividido internamente em Direito Individual do


Trabalho e Direito Coletivo do Trabalho. O primeiro tutela as relações
jurídicas estabelecidas entre empregado e empregador, ao passo que
o segundo tutela as relações jurídicas estabelecidas entre os seres
coletivos.

Externamente, O Direito do Trabalho, enquanto grande ramo jurídico


que tutela as relações individuais e coletivas de trabalho, é dividido
em três seguimentos: Direito Internacional do Trabalho, Direito
Ambiental do Trabalho e o Direito Penal do Trabalho.

Quanto a esse último (Direito Penal do Trabalho), o posicionamento


doutrinário ainda não é pacífico se seria mesmo um segmento do
Direito do Trabalho. O fato é que o Código Penal Brasileiro, nos arts.
197 a 207, tutela os crimes contra a organização do trabalho.

O surgimento do Direito Internacional do Trabalho está atrelado ao


Tratado de Versalhes e a própria criação da Organização Internacional
do Trabalho - OIT. Na verdade, com o fim da 1ª Guerra Mundial,
verifica-se a fase de institucionalização do ramo juslaboral, quando,
então, passa a ser reconhecido, no plano internacional, como ramo
jurídico autônomo. Explica Maurício Godinho Delgado:

Tal fase define como o instante histórico em que o Direito do Trabalho


ganha absoluta cidadania nos países de economia central. Esse
Direito passa a ser um ramo jurídico absolutamente assimilado à
estrutura e dinâmica institucionalizadas da sociedade civil e do
Estado. Estrutura-se a Organização Internacional do Trabalho;
finalmente, a legislação autônoma ou heterônoma trabalhista ganha
larga consistência e autonomia no universo jurídico do século XX
(DELGADO, 2018. p. 109).

O Tratado de Versalhes, surgido com o fim da 1ª Guerra Mundial,


fundou, em 1919, a Organização Internacional do Trabalho - OIT. A
criação da OIT abre terreno propício para o surgimento do Direito
Internacional do Trabalho, cuja estruturação gira em torno das
Convenções e Recomendações da OIT.

Ressalta-se que as declarações e convenções da Organização das


Nações Unidas - ONU, fundada em 1945, também têm se
apresentando como grande importância para o Direito do
Aula I - O Direito Internacional do Trabalho
Trabalho.

Assim, o Direito Internacional do Trabalho tem influenciado o âmbito


interno das normas nacionais e comunitárias. Quanto ao objeto, o
Direito Internacional do Trabalho se dedica, precipuamente, à
proteção das relações de trabalho, fixando direitos mínimos com a
finalidade de garantir da dignidade da pessoa do trabalhador. Dessa
forma, cuida da tutela dos bens inerentes ao homem como a vida,
saúde, segurança, desenvolvimento, além da promoção do valor
social do trabalho humano.

No tocante ao ordenamento jurídico brasileiro, o Direito Internacional


do Trabalho tem se mostrado de fundamental importância
notadamente no momento de mutação legislativa acentuado pela
regulamentação da terceirização e o advento da Reforma Trabalhista,
no ano de 2017.

Nesse viés, o Direito Internacional do Trabalho tem socorrido o


ordenamento jurídico pátrio, através do chamado controle de
convencionalidade, objetivando a manutenção do patamar
civilizatório mínimo nas relações laborais. Isso tem sido uma prática
recorrente do Poder Judiciário, tanto pelo Supremo Tribunal Federal,
quanto pelos tribunais superiores trabalhistas.

Em sessão de 03 de dezembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal


decidiu, em repercussão geral, que os tratados e convenções
internacionais que tenham por objeto direitos humanos, quando
ratificados pelo Brasil, terão status normativo supralegal,
independente de quorum de aprovação parlamentar:

Desde a adesão do Brasil, sem qualquer reserva, ao Pacto


Internacional dos Direitos Civis e Políticos (art. 11) e à Convenção
Americana sobre Direitos Humanos - Pacto de San José da Costa Rica
(art. 7º, 7), ambos no ano de 1992, não há mais base legal para
prisão civil do depositário infiel, pois o caráter especial desses
diplomas internacionais sobre direitos humanos lhes reserva lugar
específico no ordenamento jurídico, estando abaixo da Constituição,
porém acima da legislação interna. O status normativo supralegal dos
tratados internacionais de direitos humanos subscritos pelo Brasil,
dessa forma, torna inaplicável a legislação infraconstitucional com ele
conflitante, seja ela anterior ou posterior ao ato de adesão. Assim
ocorreu com o art. 1.287 do CC de 1916 e com o DL 911/1969, assim
como em relação ao art. 652 do novo CC (Lei 10.406/2002). (RE
466.343, Rel. Min. Cezar Peluso, voto do Min. Gilmar Mendes,
julgamento em 3-12-2008, Plenário, DJE de 5-6-2009, com
repercussão geral.)

Desta maneira, conforme reconhecido pelo STF, as normas e


princípios contidos em tratados e convenções internacionais sobre
direitos humanos prevalecem sobre as normas constantes de leis
ordinárias. Então, caso uma norma ordinária entre em choque com
um princípio ou norma prevista nos tratados e convenções
internacionais ratificados pelo Brasil, deixam de produzir seus efeitos,
restando obstada sua aplicação ao caso concreto.

Complementa Maurício Godinho Delgado sobre a decisão do


Supremo Tribunal Federal:

[...] acentuou a importância no Brasil das Declarações, Tratados e


Convenções Internacionais sobre Direitos Humanos Sociais,
Econômicos e Culturais, inclusive os trabalhistas, quer da OIT, quer da
ONU, quer de outras entidades internacionais. É que, na qualidade de
repositório de regras de direitos humanos econômicos, sociais e
culturais, tais diplomas internacionais passam a ter sua
imperatividade incrementada em nosso sistema jurídico. (DELGADO,
2018. p. 67).

Admitindo-se a possibilidade de aplicação de norma internacional


com caráter supralegal, surgirá a situação de conflito entre as regras
internacionais ratificadas e as regras heterônomas estatais internas.

Há, para tanto, duas diretrizes orientadoras para fixar a hierarquia


diante de conflito normativo. Deve ser observado o princípio da
vedação do retrocesso, de modo que as regras internacionais irão
prevalecer quando confirmarem ou implementarem avanço
civilizatório no plano interno.
O princípio da vedação do retrocesso, além de previsto na
Constituição da República de 1988, está insculpido em tratados
internacionais que versam sobre Direitos Humanos, como o Pacto
Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (Decreto
nº 591/92) e a Convenção Americana de Direitos Humanos/Pacto de
San José da Costa Rica (Decreto nº 678/92).

Com efeito, dispõe o art. 2º, item 1 do Pacto Internacional sobre


Direitos Econômicos, Sociais e Culturais:

Cada Estado Parte do presente Pacto compromete-se a adotar


medidas, tanto por esforço próprio como pela assistência e
cooperação internacionais, principalmente nos planos econômico e
técnico, até o máximo de seus recursos disponíveis, que visem a
assegurar, PROGRESSIVAMENTE, por todos os meios apropriados, o
pleno exercício dos direitos reconhecidos no presente Pacto,
incluindo, em particular, a adoção de medidas legislativas.

Na mesma toada, o art. 26, do Pacto de San José da Costa Rica dispõe
que:

Desenvolvimento progressivo Os Estados-partes comprometem-se a


adotar as providências, tanto no âmbito interno, como mediante
cooperação internacional, especialmente econômica e técnica, a fim
de conseguir PROGRESSIVAMENTE a plena efetividade dos direitos
que decorrem das normas econômicas, sociais e sobre educação,
ciência e cultura, constantes da Carta da Organização dos Estados
Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos Aires, na medida
dos recursos disponíveis, por via legislativa ou por outros meios
apropriados.

Desse modo, as regras internacionais não prevalecerão quando


conferirem ao trabalhador padrão protetivo inferior ao já existente no
plano interno.

A outra diretriz interpretativa para a adoção da hierarquia das normas


jurídicas é a adoção do princípio trabalhista da norma mais favorável.
Diante do conflito entre as normas internacionais e as normas
internas, prevalecerá, à luz da teoria do conglobamento, aquela que
forma mais favorável à pessoa tutelada.

LEITURA COMPLEMENTAR:

"Observa-se que para a cultura ocidental foram os romanos que,


juridicamente, foram os primeiros a identificarem os traços comuns a
todos os seres humanos, não levando em conta suas condições
raciais ou existenciais, criando a expressão Jus Naturalis, traduzindo-
se, Direito Natural. Entende-se por Direito Natural, aquele advindo
das leis naturais, ou seja, nascidos com a criação da sociedade,
normas, consideradas como divinas, pelas quais os homens estariam
interligados.

Entretanto, como assevera Selma Regina Aragão (2001, p.9), a


compreensão dos direitos individuais não ocorreu na Antiguidade
Greco-romana, mas com a visão trazida através do Cristianismo, que
contribuiu sensivelmente da noção de direitos humanos, onde o
surgiu "à imagem e semelhança de Deus", fundamentando sua
doutrina em dois princípios, a dignidade da pessoa humana e a
fraternidade universal. (...)"

Para a íntegra do texto, segue o link abaixo:

Aspectos relevantes do controle de convencionalidade e


supralegalidade no direito brasileiro

JURISPRUDÊNCIA:

EMENTA: TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS


REQUISITOS DE SEU DEFERIMENTO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO À SUA
CONCESSÃO. Constatada a existência de elementos que evidenciem a
probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil
do processo e caso não exista o perigo de irreversibilidade dos efeitos
da decisão, a parte tem direito líquido e certo à concessão da tutela
provisória de urgência pleiteada. Inteligência do art. 300 do CPC,
caput e § 3º. PJe: 0010787-89.2017.5.03.0000 (MS) Disponibilização:
04/10/2017. Órgão Julgador: 1a Seção de Dissídios Individuais.
RELATOR: MARCO ANTONIO PAULINELLI DE CARVALHO.

BIBLIOGRAFIA:

DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo:


LTr, 2018.

Aula II: Trabalho Forçado – Convenções 29 e 105, da OIT

Convenções 29 e 105 – trabalho forçado

Brasil ratificou essas convenções, bem como elaborou alguns dispositivios para vedar a
prática do trabalho forçado.

Convenção 29 = efeitos da ratificação – países que ratificaram se obrigam a suprimir o


emprego do trabalho forçado ou obeigatório em todas as suas formas no mais curto
prazo possível.
Convençãoo 105 – trata da vedação no mesmo sentido

Então, a partir da ratificaão dessas convenções, o Brasil deve observar todas as normas
estabelecidas, a legislação interna brasileira adotando essa proibição do trabalho
forçado. Na CF 88 tem em algums dispositivo fundamento para referida coibição, tem
inclusive artigo no código penal como crime (art. 149)

RESUMO:

Depreende-se das normas internacionais de Direito do Trabalho - em


especial, das declarações e convenções da Organização Internacional
do Trabalho - OIT e da Declaração Universal dos Direitos Humanos,
bem como do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais -, que o conjunto mínimo de direitos dos trabalhadores é
composto pelo direito ao trabalho, principal meio de sobrevivência
daqueles que, despossuídos de capital, vendem sua força de
trabalho.

Ressalta-se que, uma vez obtido o emprego, ditas regras


internacionais conferem o direito ao trabalhador de nele (emprego)
encontrar condições justas, tanto no tocante à remuneração, como no
que diz respeito ao limite de horas trabalhadas e períodos de
repouso.

O emprego regulado e protegido ainda é o instrumento mais eficaz


para que o trabalhador se realize enquanto cidadão, se inserindo
efetivamente na sociedade capitalista.

No Brasil, há cerca de 25 a 40 mil indivíduos sujeitos ao trabalho em


condição análoga à de escravo ou em trabalho forçado (Disponível
em: [Link] O Brasil reconheceu, formalmente, a
existência de escravidão no seu território, em 1995. Desde então,
mais de 35 mil trabalhadores foram retirados dessas condições
(Disponível em: [Link]

No território brasileiro, o trabalho forçado ou análogo ao de escravo


teve origem nos Estados do Maranhão, Piauí e Tocantins. Contudo,
atualmente, é verificada a sua ocorrência no meio rural dos Estados
do Pará, Mato Grosso, Bahia e Maranhão e, no meio urbano, no
Estado de São Paulo.

Apesar desses números alarmantes, o ordenamento jurídico pátrio


possui um aramado legislativo para coibir o trabalho forçado.

O Brasil ratificou as convenções 29 e 105, da OIT, que tratam da


erradicação do trabalho forçado, além de haver expressa previsão de
proibição ao trabalho forçado, tanto em nível constitucional (arts. 1º,
caput, [Link] e IV; 3º; 4º; 5º, caput, incs. III, X, XIII, XV, § 2º; 170,
todos da CR/88), quanto em nível infraconstitucional (art. 149, Código
Penal Brasileiro).

Inicialmente, é necessário estabelecer os contornos teóricos e


conceituais de trabalho forçado. Há quem não estabeleça a distinção
entre trabalho forçado e trabalho análogo de escravo, visto que, em
ambos, há violação a direitos humanos, notadamente ao direito
fundamental à liberdade.

Formalizado pela OIT em 1999, o conceito de trabalho decente foi


formalizado pela OIT em 1999, cujos contornos se fundam na
promoção de oportunidades para que o ser humano tenha acesso a
um trabalho produtivo e de qualidade, em condições de liberdade,
equidade, segurança e dignidade humanas. Trata-se de condição
fundamental para a superação da pobreza, a redução das
desigualdades sociais, a garantia da governabilidade democrática e o
desenvolvimento sustentável.

O conceito se apoia em quatro pilares, que constituem, na verdade,


objetivos estratégicos da OIT:

? O respeito aos direitos no trabalho, especialmente aqueles definidos


como fundamentais (liberdade sindical, direito de negociação
coletiva, eliminação de todas as formas de discriminação em matéria
de emprego e ocupação e erradicação de todas as formas de trabalho
forçado e trabalho infantil). ? A promoção do emprego produtivo e de
qualidade. ? A ampliação da proteção social. ? E o fortalecimento do
diálogo social.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho - OIT,


Trabalho Decente é um trabalho adequadamente remunerado,
exercido em condições de liberdade, equidade e segurança, capaz de
garantir uma vida digna. Então, todo o trabalho realizado sem
liberdade, que não corresponder a uma justa remuneração, sem
observância das normas de segurança e saúde do trabalhador e que,
portanto, não está pautado no eixo da dignidade, não está inserido
nos contornos de trabalho decente.

A Convenção 29, foi adotada pela OIT, em 1930, e ratificada pelo


Brasil em 25 de abril de 1957. O art. 1º, da citada convenção
determina que os países signatários se obriguem a suprimir o
emprego do trabalho forçado ou obrigatório sob todas as suas formas
no mais curto prazo possível.

O art. 2º estabelece o conceito de trabalho forçado:


Para os fins da presente convenção, a expressão 'trabalho forçado ou
obrigatório' designará todo trabalho ou serviço exigido de um
indivíduo sob ameaça de qualquer penalidade e para o qual ele não
se ofereceu de espontânea vontade.

A Convenção 105 foi adotada pela OIT, em 1957, e ratificada pelo


Brasil em 18 de junho de 1965. Uma vez ratificada, nos termos do art.
1º, da referida convenção, o Brasil se compromete a suprimir o
trabalho forçado ou obrigatório, e a não recorrer ao mesmo sob forma
alguma:

? Como medida de coerção, ou de educação política ou como sanção


dirigida a pessoas que tenham ou exprimam certas opiniões políticas,
ou manifestem sua oposição ideológica à ordem política, social ou
econômica estabelecida. ? Como método de mobilização e de
utilização da mão-de-obra para fins de desenvolvimento econômico. ?
Como medida de disciplina de trabalho. ? Como punição por
participação em greves. ? Como medida de discriminação racial,
social, nacional ou religiosa.

No plano interno, além dos arts. 1º, caput, [Link] e IV; 3º; 4º; 5º,
caput, incs. III, X, XIII, XV, § 2º; 170, todos da CR/88, o ordenamento
jurídico brasileiro considera crime a prática de trabalho forçado, nos
termos do art. 149, do Código Penal Brasileiro:

Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer


submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer
sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo,
por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com
o empregador ou preposto: Pena - reclusão, de dois a oito anos, e
multa, além da pena correspondente à violência.

§ 1o Nas mesmas penas incorre quem: I - cerceia o uso de qualquer


meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no
local de trabalho; II - mantém vigilância ostensiva no local de trabalho
ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador,
com o fim de retê-lo no local de trabalho.

A CONAETE - Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho


Escravo estabeleceu contornos mais amplos para a caracterização do
trabalho forçado, na medida em que considerou o trabalho realizado
em jornada exaustiva como situação também caracterizadora de
trabalho não decente. Nesses termos, é a orientação 03, da
CONAETE:

Jornada de trabalho exaustiva é a que, por circunstâncias de


intensidade, frequência, desgaste ou outras, cause prejuízos à saúde
física ou mental do trabalhador, agredindo sua dignidade, e decorra
de situação de sujeição que, por qualquer razão, torne irrelevante a
sua vontade.
Corroborando o entendimento em torno do trabalho forçado,
estabeleceu a orientação 04, também da COANETE:

Condições degradantes de trabalho são as que configuram desprezo à


dignidade da pessoa humana, pelo descumprimento dos direitos
fundamentais do trabalhador, em especial os referentes a higiene,
saúde, segurança, moradia, repouso, alimentação ou outros
relacionados a direitos da personalidade, decorrentes de situação de
sujeição que, por qualquer razão, torne irrelevante a vontade do
trabalhador.

A partir do desenvolvimento teórico e conceitual acima, pode-se


concluir que, atualmente, o trabalho forçado/escravo
contemporâneo:

[...] é aquele que se realiza mediante a redução do trabalhador a


simples objeto de lucro do empregador. O trabalhador é subjugado,
humilhado e submetido a condições degradantes de trabalho e, em
regra, embora não seja elemento essencial do tipo, sem o direito de
rescindir o contrato ou de deixar o local de labor a qualquer tempo.
(MIRAGLIA, 2011. p. 131).

LEITURA COMPLEMENTAR:

"No regime capitalista, os seres humanos estão condicionados a


trabalhar para obter tudo aquilo que lhes é, minimamente, necessário
para sobreviver. Somente pelo trabalho é que se dá a existência e a
permanência do modo de produção capitalista.

O trabalho exerce papel fundamental na vida dos seres humanos. A


vida é organizada ao redor do trabalho. Há uma doutrinação que
acontece desde a mais tenra idade e desde os primeiros anos de
escolarização, onde os ensinamentos dados são voltados para que,
um dia, aquele cidadão possa trabalhar. (...)"

Para a íntegra do texto, segue o link abaixo:

TRABALHO ESCRAVO CONTEMPORÂNEO E A EXPROPRIAÇÃO DE


TERRAS À LUZ DA FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE COMO MEIO DE
COMBATE

JURISPRUDÊNCIA:

EMENTA: AÇÃO CIVIL PÚBLICA. TRABALHO EM CONDIÇÃO ANÁLOGA À


ESCRAVIDÃO. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL COLETIVO - Há 130
anos, mais precisamente em 13 de
maio de 1888, foi sancionada a Lei Áurea - "Áurea", que do Latim
deriva e significa "De ouro" - oficialmente Lei Imperial n. 3.353,
abolindo a escravidão no Brasil. Inobstante, exsurge que em pleno
século XXI, depois de mais de um século de vigência da "Lei de Ouro",
ainda persiste situação que, ouso dizer, chega a ser quase (ou tão)
pior que a escravidão, trazida a exame no vertente caso concreto. À
saciedade comprovados os fatos descritos na ação civil pública
aforada, evidenciando condição de trabalho análoga à de escravo -
crime tipificado no digesto Penal - o aviltamento dos mais
elementares direitos fundamentais traduz lesões que transcendem as
relações individuais em sentido estrito e atingem a sociedade, como
um todo, e de maneira tão grave que enseja o repúdio enérgico, tanto
como punição pelo passado, quanto como medida pedagógica para o
futuro, a fim de coibir, exemplarmente, a reiteração da conduta de
modo proporcional ao dano, gravíssimo, impingido à toda a
coletividade. PJe: 0010327-61.2017.5.03.0046 (RO). Órgão Julgador:
5ª T, TRT3. RELATOR: DES. JÚLIO BERNARDO DO CARMO.

BIBLIOGRAFIA:

DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo:


LTr, 2018.

MIRAGLIA, Lívia Mendes Moreira. Trabalho Escravo Contemporâneo:


conceituação à luz do princípio da dignidade da pessoa humana. São
Paulo: LTr, 2011.

Aula III: Igualdade de Gênero – Convenções 100 e 111, da OIT

Convenção 100 – fala sobre a igualdade de remuneração entre homens e mulheres


quando sobre condições idênticas de trabalho. É aplicado essr princpio pela legislação,
convencção coletiva, etc.

Convenção 111 – igualdade de gênero – descrminação por raça, cor, sexo, religião,
opinião etc. Igualdade de gênero no sentido de igualdade de oportunidade de emprego
ou profissão.

RESUMO:

Desde que o homem se tornou um ser social, capaz de estabelecer,


com outros homens, relações sociais e jurídicas, a igualdade tornou-
se algo almejado.

Porém, a verificação da igualdade depende da existência de uma


relação entre seres humanos, já que, para aferir-se a igualdade, é
necessário saber quem e o que estão sendo relacionados (BOBBIO,
2002, p.12).

Desse modo, a igualdade, diferentemente da liberdade, não é um


estado do indivíduo, mas uma relação estabelecida entre indivíduos.

A igualdade, enquanto ideário da Modernidade, era entendida como


aquela existente na aplicação do direito, ou seja, que todos os
cidadãos seriam iguais perante a lei.

A igualdade também é compreendida como sinônimo de justiça


(BOBBIO, 2002, p.14), uma vez que uma relação justa entre homens é
uma relação que pressupõe a igualdade entre eles.

Assim, a lei deve inspirar-se no princípio da igualdade e a


inobservância, nesse sentido, corresponde a uma manifesta violação
ao princípio da igualdade.

Entre os seres humanos, a igualdade nos direitos "envolve não


somente o direito de ser considerado igual perante a lei mas também
a possibilidade de usufruir sem discriminação os direitos
fundamentais" (ROMITA, 2007, p.309).

Desse modo, o Direito do Trabalho, enquanto instrumento de justiça


social, deve proporcionar, tanto quanto possível, uma relação de
igualdade entre as partes, cuja dimensão não pode ser restritiva, sob
pena de alterar a concepção de igualdade.

É imprescindível a igualdade quando se está diante de uma situação


em que há necessidade de se estabelecer direitos e deveres a
pessoas que pertençam a uma mesma classe.

Ressalta-se que trabalhadores e empregados são todos seres


humanos e utilizam de sua força de trabalho como fonte legítima de
riqueza.

Assim, decorre da própria essência de igualdade que a extensão


plena, salvo casos excepcionais de absoluta e intrínseca
incompatibilidade, da aplicação do Direito do Trabalho a todos os
trabalhadores é corolário de justiça, visto que a diferença de direitos,
nessa situação, conduz à ausência do justo.

A igualdade preconizada na Declaração de Direitos do Homem e do


Cidadão não pode ser concebida emotivamente, de modo a torná-la
genérica e utópica.

Quando se enuncia que "os homens nascem e são livres e iguais em


direitos", a igualdade aí proclamada diz respeito à possibilidade de
sua extensão a todos.
Não se pretende, portanto, sustentar a igualdade de todos os homens
em tudo:

A ideia que a máxima expressa é que os homens devem ser


considerados iguais e tratados como iguais com relação àquelas
qualidades que, segundo as diversas concepções do homem e da
sociedade, constituem a essência do homem, ou a natureza humana
enquanto distinta da natureza dos outros seres, tais como o livre uso
da razão, a capacidade jurídica, a capacidade de possuir, da
dignidade social (como reza o art. 3º da Constituição italiana), ou,
mais sucintamente, a dignidade (como reza o art. 1º, da Declaração
Universal dos Direitos do Homem) etc. (BOBBIO, 2002, p.24).

Desse modo, a máxima aqui sustentada diz respeito à igualdade


quanto à capacidade e condições laborais. Ora, todos os seres
humanos que utilizam de sua força de trabalho, como meio para uma
vida digna, a eles deverão ser estendida a mesma proteção pelo
ordenamento jurídico, observando-se as particularidades de cada
relação de trabalho, sob pena de se afastar a aplicação da igualdade
evocada.

O Princípio da Igualdade consagrado pela Constituição da República


de 1988 é densificado em regras trabalhistas específicas, tanto no
plano constitucional, quanto infraconstitucional.

O Direito do Trabalho, por sua vez, adotou o princípio da não


discriminação. De acordo com esse princípio, excluem-se "todas
aquelas diferenciações que põem um trabalhador numa situação de
inferioridade ou mais desfavorável que o conjunto, e sem razão válida
nem legítima" (RODRIGUEZ, 2000, p. 445).

Toda discriminação é injusta, pois está ausente de fundamentação. A


diferença entre os homens é lícita e legítima, desde que pautada em
um fundamento razoável.

Nesse sentido, leciona Bobbio que "[...] por discriminação arbitrária


entende-se aquela introduzida ou não eliminada sem uma
justificação, ou, mais sumariamente, uma discriminação não
justificada (e, nesse sentido, injusta) " (BOBBIO, 2002, p.28).

Acrescenta Celso Antônio Bandeira de Mello, ao citar Pimenta Bueno,


que "a lei deve ser uma e a mesma para todos; qualquer
especialidade ou prerrogativa que não for fundada só e unicamente
em uma razão muito valiosa do bem jurídico será uma injustiça e
poderá ser uma tirania" (MELLO, 1999, p.18).

Desse modo, à norma jurídica é proibido conferir disciplinas


diferentes para situações equivalentes.
No plano internacional, a Organização Internacional do Trabalho - OIT
adotou, em 1951, a Convenção 100, que trata de remuneração de
homens e mulheres trabalhadores por trabalho de igual valor.
Referida convenção foi ratificada no Brasil em 25 de abril de 1957.

De acordo com a Convenção 100, da OIT, a expressão remuneração


compreende o salário ou o tratamento ordinário, de base, ou mínimo,
e todas as outras vantagens, pagas direta ou indiretamente, em
espécie ou in natura pelo empregador ou trabalhador em razão do
emprego deste último.

Estabeleceu, também, que a expressão "igualdade de remuneração


para a mão-de-obra masculina e a mão-de-obra feminina por um
trabalho de igual valor", se refere às taxas de remuneração fixas sem
discriminação fundada no sexo.

Sendo o Brasil signatário da citada convenção, o ordenamento


jurídico brasileiro se obriga a incentivar e, na medida em que tudo
isto é compatível com os ditos métodos, assegurar a aplicação a
todos os trabalhadores do princípio de igualdade de remuneração
para a mão-deobra masculina e a mão-de-obra feminina por um
trabalho de igual valor.

O princípio da Igualdade, portanto, poderá ser aplicado por meio:

? Seja da legislação nacional. ? Seja de qualquer sistema de fixação


de remuneração estabelecido ou reconhecido pela legislação. ? Seja
de convenções coletivas firmadas entre empregadores e empregados.
? Seja de uma combinação desses diversos meios.

A Convenção 111 foi adotada pela OIT em 1958 e ratificada pelo


Brasil em 26 de novembro de 1965. Ela disciplina sobre a
discriminação em matéria de emprego e ocupação.

O termo discriminação é definido pela Convenção 111, da OIT:

Art. 1 Para os fins da presente convenção o termo "discriminação"


compreende:

a) toda distinção, exclusão ou preferência fundada na raça, cor, sexo,


religião, opinião política, ascendência nacional ou origem social, que
tenha por efeito destruir ou alterar a igualdade de oportunidade ou de
tratamento em matéria de emprego ou profissão;

b) qualquer outra distinção, exclusão ou preferência que tenha por


efeito destruir ou alterar a igualdade de oportunidades ou tratamento
em matéria de emprego ou profissão que poderá ser especificada
pelo Membro interessado depois de consultadas as organizações
representativas de empregadores e trabalhadores, quando estas
existam, e outros organismos adequados.
No ordenamento jurídico brasileiro, verifica-se a influência tanto da
Convenção 100, quanto da Convenção 111, seja no plano
constitucional, seja infraconsticional.

A Constituição da República de 1988 proclama a igualdade de gênero


no caput e inc. I, o art. 5º e, em matéria trabalhista, nos incs. XX e
XXX, do art. 7º, ao falar que:

Art. 7º [...] XX - proteção do mercado de trabalho da mulher,


mediante incentivos específicos, nos termos da lei [...] XXX - proibição
de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de
admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;

No campo da legislação infraconstitucional, destaca-se os arts. 5º e


461, da CLT:

Art. 5º - A todo trabalho de igual valor corresponderá salário igual,


sem distinção de sexo.

Art. 461. Sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor,


prestado ao mesmo empregador, no mesmo estabelecimento
empresarial, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo,
etnia, nacionalidade ou idade.

Como bem salientado por Rousseau, o direito não pode ser dirigido a
um indivíduo ou a um grupo seleto, mas ele deve ampliar-se para
atingir toda a coletividade, a fim de se realizar com a máxima
instrumentalidade (SANTOS, 2000, p.131).

LEITURA COMPLEMENTAR:

"Importante ressaltar, que o Supremo Tribunal Federal, já decidiu


que: "o rol de garantias do art. 7º da Constituição não exaure a
proteção aos direitos sociais. " - (ADI 639, voto do Rel. Min. Joaquim
Barbosa, julgamento em 2/6/2005, Plenário, DJ de 21/10/2005.).

Ou seja, não é só o direito ao salário que é garantido, mas sim


proventos que permitam atender todas as necessidades do homem
comum preservando sua dignidade.

O constituinte brasileiro quis dizer que qualquer norma que venha


para beneficiar o trabalhador deverá ser aplicada ante a menos
benéfica, e por se tratar de direitos sociais, os benefícios podem ser
ampliados por convenção coletiva ou acordo coletivo ou acordo
individual entre as partes, ou seja, pode-se ampliar o rol de direitos
desde que mais benéficos. (...)"

Para a íntegra do texto, segue o link abaixo:


O Princípio da Igualdade de Tratamento aplicado nas relações de
trabalho

JURISPRUDÊNCIA:

EMENTA: INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - RESPONSABILIDADE


PRÉ-CONTRATUAL - DISCRIMINAÇÃO. Insurge-se o Reclamante contra
a r. sentença proferida, que rechaçou o pedido de indenização por
danos morais, argumentando que foi discriminado na contratação,
após aprovação em processo seletivo, por ser transexual. Segundo se
infere do conjunto probatório dos autos, o Sr. Admilson aprovou o
Reclamante no processo seletivo, entretanto, no dia designado para a
formalização da contratação, quando o Reclamante apresentou-se
munido de todos os documentos necessários, inclusive o exame
médico admissional, foi informado pelo próprio Sr. Admilson que, em
razão de ser transexual, a empresa não tinha aprovado a contratação.
É cediço que, mesmo na fase pré-contratual, os contratantes devem
se pautar pela boa-fé e honrar as ofertas e compromissos que
emitem, pois "a responsabilidade civil do empregador não está
limitada ao período contratual", consoante art. 422 do Código Civil c/c
art. 769 da CLT. Dessa forma, se uma das partes já possui a justa
expectativa de que o contrato será efetivado, a recusa na contratação
deve ser acompanhada de um motivo justo e razoável, o que não se
verifica na hipótese em tela, em que a condição de transexual
sobressai como o único empecilho para a contratação do Reclamante.
Se, por um lado, é verdade que a liberdade e a autonomia privada
concedem a todos o direito de não contratar, também é certo que
essa mesma ordem jurídica assegura o dever de boa-fé, de lealdade,
de respeito à dignidade da pessoa humana, além do dever de
promover a igualdade e vedar a discriminação. No aspecto, releva
salientar que a Constituição Federal assegura a igualdade entre
homens e mulheres (art. 5º, caput), proíbe a discriminação no tocante
a salário e critérios de admissão, por motivo de sexo, idade, cor ou
estado civil (art. 7º, XXXI) e, no plano da legislação do trabalho, são
de suma relevância o art. 372 da CLT e a Lei 9.029/95, sendo que
esta última Lei, inclusive, criminaliza algumas práticas
discriminatórias, além de assegurar, em seu art. 4º, a reparação por
dano moral ao empregado vítima de ato discriminatório. Notese,
ainda, que, no plano internacional, o Brasil ratificou a Convenção n.
111 da OIT, que trata da discriminação em matéria de emprego e
ocupação, e que tem como principais preocupações a afirmação dos
valores constantes da Declaração de Filadélfia, dentre os quais se
inscrevem a igualdade de oportunidades, a dignidade e o progresso
material, assim como a conscientização de que a discriminação
constitui violação aos direitos enunciados na Declaração Universal
dos Direitos do Homem. Nessa ordem de ideias, verifica-se a
presença de todos os requisitos autorizadores do reconhecimento da
responsabilidade civil da Reclamada, quais sejam: conduta ilícita,
dano e nexo de causalidade. De outra face, o dano, em casos como o
presente, decorre da própria conduta, bastando o implemento do ato
ilícito para criar a presunção dos efeitos negativos na órbita subjetiva
da vítima. A partir da demonstração inequívoca do ato ilícito e do
nexo causalidade, resta indubitável o dano, que se caracteriza in re
ipsa (através do próprio evento, ou seja, da ofensa perpetrada ao
direito fundamental da dignidade da pessoa humana), gerando para o
Autor o direito, igualmente fundamental, à reparação de ordem moral
correspondente (CF/88, art. 5º, V e X). Quanto ao valor da
indenização por dano moral, no nosso ordenamento jurídico não há
uma prédeterminação do montante relativo ao valor da indenização
pecuniária, relativa aos danos morais, cabendo ao juiz, em cada caso
concreto, a sua fixação. Assim, a indenização há de ser proporcional à
gravidade dos danos sofridos. A reparação pecuniária deve, tanto
quanto possível, guardar razoável proporcionalidade entre o dano
causado, a sua extensão, as condições econômicas das partes, as
suas consequências e a sua repercussão sobre a vida interior da
vítima, bem como ter por objetivo coibir o culpado a não repetir o ato
ou obrigá-lo a adotar medidas para que o mesmo tipo de dano não
vitime a outrem. O arbitramento, consideradas essas circunstâncias,
não deve ter por escopo premiar a vítima nem extorquir o causador
do dano, como também não pode ser consumado de modo a tornar
inócua a atuação do Judiciário na solução do litígio. Portanto, a
indenização não deve ser fixada em valor irrisório que desmoralize o
instituto ou que chegue a causar enriquecimento acima do razoável,
cumprindo assim um caráter pedagógico. Assim, considerando o
prejuízo sofrido, o porte da Reclamada, e o caráter pedagógico da
penalidade, entendo razoável fixar a indenização por danos morais no
importe de R$12.000,00 (doze mil reais). Destarte, provejo o recurso
e condeno a Reclamada ao pagamento, com juros a partir do
ajuizamento da ação, nos moldes do artigo 883 da CLT e da Súmula
n. 200 do Colendo TST, e correção monetária a partir deste
julgamento, de indenização por danos morais no importe de
R$12.000,00 (doze mil reais). Processo: 0001411-60.2014.5.03.0008
ROPS. Órgão Julgador: 1ª T, TRT3. Data de Publicação: 19/12/2014.
RELATOR: DES. LUIZ OTÁVIO LINHARES RENAULT.

BIBLIOGRAFIA:

BOBBIO, Norberto. Igualdade e liberdade. Tradução de Carlos Nelson


Coutinho. 5. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.

DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo:


LTr, 2018.

MELLO, Celso Antônio Bandeira de. O conteúdo jurídico do princípio


da igualdade. 3. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 1999.

RODRIGUEZ, Américo Plá. Princípios de Direito do Trabalho. 3. ed. São


Paulo: LTr, 2000.
ROMITA, Arion Sayão. Direitos Fundamentais nas relações de
trabalho. São Paulo: LTr, 2007.

SANTOS, Boaventura de Souza. A crítica da razão indolente: contra o


desperdício da experiência. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000. v. I.

Aula IV: Proteção ao Salário – Convenções 26, 95 e 131

Convenção 26 – métodos de fixação de salários mínimos, colocando critérios para


fixação do salario mínimo. A partir do momento que o Brasil ratifica essa convenção,
ele se compromete a instituir ou fixar os salários mínimos dos trabalhadores

Convenção 95 – proteção ao salario – com a ratificação dela, os efeitos diretos na


legislação são diretos (art. 462, caput, parag 2o e 3º clt).

Convenção 131 – fxação de critérios para o salario mínimo – no Brasil o salario mínimo
é um direito fundamental reconhecido pela constituição.

RESUMO:

A Constituição da República de 1988 elegeu como princípios


fundamentais, dentre outros, da nova ordem jurídica a dignidade da
pessoa humana (artigo 1º, III), a valorização social do trabalho (art.
1º, IV) e a prevalência dos direitos humanos (artigo 4º, II).

A nova ordem constitucional fez com que as instituições políticas


passassem a ter novos desenhos, o que revelou a necessidade de
novos posicionamentos acerca de alguns temas jurídicos, mais
adequados aos novos paradigmas constitucionais.

Como já dito na aula 02, extrai-se das normas internacionais de


Direito do Trabalho - em especial, das declarações e convenções da
Organização Internacional do Trabalho - OIT e da Declaração
Universal dos Direitos Humanos -, que o conjunto mínimo de direitos
dos trabalhadores é composto pelo direito ao trabalho, principal meio
de sobrevivência daqueles que, despossuídos de capital, vendem sua
força de trabalho.

O art. 5º, § 1º, da CR/88, dispõe que os direitos e garantias


fundamentais têm aplicabilidade imediata, vinculando os poderes
públicos independentemente do reconhecimento expresso por lei
infraconstitucional.
Por sua vez, o art. 5º, parágrafo 2º, da CR/88, estabelece que:

Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem


outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou
dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil
seja parte.

A Emenda Constitucional nº 45 de 2004 acrescentou o § 3º ao art. 5º,


o qual dispõe que "Os tratados e convenções internacionais sobre
direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso
Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos
membros, serão equivalentes às emendas constitucionais".

A Constituição da República de 1988, portanto, com respaldo pela


Suprema Corte Brasileira (STF), permite a utilização do controle de
convencionalidade, o que se traduz em grande inovação na aplicação
dos direitos fundamentais no âmbito do Direito do Trabalho, em
especial, no campo da isonomia salarial.
Aula IV - Proteção ao Salário - Convenções 26, 95 e 131

O princípio da isonomia salarial é consagrado no ordenamento


jurídico brasileiro desde a Constituição Federal de 1934. Na
Constituição da República de 1988 está disposto nos incs. XXX e
XXXI, do art. 7º:

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de


outros que visem à melhoria de sua condição social:

XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de


critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;

XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e


critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência;

No plano infraconstitucional, o princípio da isonomia, no tocante às


questões salariais, está insculpido nos institutos justrabalhistas da
equiparação salarial (art. 461, CLT) e do salário equitativo (art. 12, Lei
6019/74), bem como expresso no art. 5º, da CLT, que assim dispõe:
"a todo trabalho de igual valor corresponderá salário igual, sem
distinção de sexo".

A isonomia tem como diretriz o trabalho humano digno. Nesse


aspecto, a Organização Internacional do Trabalho - OIT adotou três
convenções que tem como fundamento o princípio da isonomia: a
Convenção nº 26, a Convenção nº 95 e a Convenção nº 131, todas
ratificadas pelo Brasil.

A Convenção nº 26 foi adotada pela OIT em 1928 e trata dos métodos


de fixação de salários mínimos. O Brasil somente foi ratificar essa
convenção em 25 de abril de 1957.
Como signatário da Convenção nº 26, da OIT, o Brasil se obriga a:

Art. 1 — 1. Todos os Membros da Organização Internacional do


Trabalho que ratificam a presente convenção se comprometem a
instituir ou a conservar métodos que permitam fixar os salários
mínimos dos trabalhadores empregados na indústria ou partes da
indústria (e em particular nas indústrias caseiras), em que não exista
regime eficaz para a fixação de salários por meio de contrato coletivo
ou de outra modalidade e nas quais os salários sejam
excepcionalmente baixos.

Também em 25 de abril de 1957, o Brasil ratificou a Convenção nº 95,


adotada pela OIT em 1949, que trata sobre a proteção ao salário.
Referida convenção gerou grande influência na legislação pátria em
matéria de salário.

O art. 1º, da Convenção 95, da OIT, define salário:

Para os fins da presente Convenção, o termo 'salário' significa,


qualquer que seja a denominação ou o modo de cálculo, a
remuneração ou os ganhos suscetíveis de serem avaliados em
espécie ou fixados por acordo ou pela legislação nacional, que são
devidos em virtude de um contrato de aluguel de serviços, escrito ou
verbal, por um empregador a um trabalhador, seja por trabalho
efetuado, ou pelo que deverá ser efetuado, seja por serviços
prestados ou que devam ser prestados.

A ratificação da Convenção 95, da OIT, pelo Brasil gerou os seguintes


efeitos:

Art. 2 — 1. A presente convenção se aplica a todas as pessoas às


quais um salário é pago ou pagável.

Art. 3 — 1. Os salários pagáveis em espécie serão pagos


exclusivamente em moeda de curso legal; o pagamento sob forma de
ordem de pagamento, bônus, cupons, ou sob qualquer outra forma
que se suponha representar a moeda de curso legal, será proibido.

Além disso, como já dito, os dispositivos da Convenção 95, da OIT,


influenciaram fortemente a legislação trabalhista brasileira. Dispõe o
art. 4º, da citada convenção:

Art. 4 — A legislação nacional, as convenções coletivas ou as


sentenças arbitrais podem permitir o pagamento parcial do salário
em espécie nas indústrias ou nas profissões em que esta forma de
pagamento seja de uso corrente ou conveniente em razão da
indústria ou profissão em causa. O pagamento do salário sob forma
de bebidas alcoólicas ou de drogas nocivas não será admitido em
caso algum.

Semelhante orientação está disposta no art. 458, da CLT, vez que o


legislador celetista também vedou o pagamento do salário em
bebidas alcoólicas e drogas nocivas.

O sistema de barracão ou armazém para venda de mercadorias,


conhecido como truck system, recebeu regulamentação pela
Convenção 95, da OIT, sendo que na CLT sua vedação encontra tutela
nos §§ 2º e 3º, do art. 462.

Art. 7 — 1. Quando em uma empresa forem instaladas lojas para


vender mercadorias aos trabalhadores ou serviços a ela ligados e
destinados a fazer-lhes fornecimentos, nenhuma pressão será
exercida sobre os trabalhadores interessados para que eles façam
uso dessas lojas ou serviços.

2. Quando o acesso a outras lojas ou serviços não for possível, a


autoridade competente tomará medidas apropriadas no sentido de
obter que as mercadorias sejam fornecidas a preços justos e
razoáveis, ou que as obras ou serviços estabelecidos pelo
empregador não sejam explorados com fins lucrativos, mas sim no
interesse dos trabalhadores.

Em várias passagens, a Convenção 95, da OIT, proíbe o desconto em


salário. No Brasil, o legislador, incorporando as diretrizes
convencionais, também vedou o desconto no salário do emprego,
como disposto no art. 462, da CLT.

Art. 8 — Descontos em salários não serão autorizados, senão sob


condições e limites prescritos pela legislação nacional ou fixados por
convenção coletiva ou sentença arbitral.

Art. 9 — Fica proibido qualquer desconto dos salários cuja finalidade


seja assegurar pagamento direto ou indireto do trabalhador ao
empregador, a representante deste ou a qualquer intermediário (tal
como um agente encarregado de recrutar a mão-de-obra), com o fim
de obter ou conservar um emprego.

A proteção ampla ao salário é característica dominante na Convenção


95, garantindo-se a impenhorabilidade salarial e o privilégio do
crédito trabalhista na ordem de credores em hipótese de falência ou
liquidação empresarial:

Art. 10 — 1. O salário não poderá ser objeto de penhora ou cessão, a


não ser segundo as modalidades e nos limites prescritos pela
legislação nacional.
2. O salário deve ser protegido contra a penhora ou a cessão, na
medida julgada necessária para assegurar a manutenção do
trabalhador e de sua família.

Art. 11 — 1. Em caso de falência ou de liquidação judiciária de uma


empresa, os trabalhadores seus empregados serão tratados como
credores privilegiados, seja pelos salários, que lhes são devidos a
título de serviços prestados no decorrer de período anterior à falência
ou à liquidação e que será prescrito pela legislação nacional, seja
pelos salários que não ultrapassem limite prescrito pela legislação
nacional.

Outro ponto que merece destaque diz respeito ao tempo e modo para
pagamento de salário e, mais uma vez, verifica-se que a CLT, no art.
465, recebeu forte influência do texto convencional:

Art. 13 — O pagamento do salário, quando feito em espécie, será


efetuado somente nos dias úteis, e no local do trabalho ou na
proximidade deste, a menos que a legislação nacional, uma
convenção coletiva ou uma sentença arbitral disponham
diferentemente, ou que outras soluções do conhecimento dos
trabalhadores interessados pareçam mais apropriadas.

Por fim, a Convenção 131 adotada pela da OIT em 1970, foi ratificada
pelo Brasil em 04 de maio de 1983. Tal convenção trata da fixação de
salários mínimos, especialmente para os países em
desenvolvimento.

Uma vez signatário da Convenção 131, o Brasil se obriga a:

Art. II — 1. Os salários mínimos terão força de lei e não poderão ser


diminuídos: sua nãoaplicação acarretará a aplicação de sanções,
penais ou outras, apropriadas contra a pessoa ou as pessoas
responsáveis.

Art. III — Os elementos tomados em consideração para determinar o


nível dos salários mínimos deverão, na medida do que for possível e
apropriado, respeitadas a prática e as condições nacionais, abranger:
a) as necessidades dos trabalhadores e de suas famílias, tendo em
vista o nível geral dos salários no país, o custo da vida, as prestações
de previdência social e os níveis de vida comparados de outros
grupos sociais; b) os fatores de ordem econômica, inclusive as
exigências de desenvolvimento econômico, a produtividade e o
interesse que existir em atingir e manter um alto nível de emprego.

Art. IV — Todo Membro que ratificar a presente Convenção deverá


instituir e/ou manter métodos adaptados às condições e às
necessidades do país, que permitam fixar e reajustar periodicamente
os salários mínimos pagáveis aos grupos dos assalariados protegidos
em virtude do artigo 1º acima.
A Constituição da República de 1988 adotou algumas diretrizes das
Convenções aqui mencionadas, o que pode ser depreendido dos incs.
IV, V, VI, VII e X, do art. 7º.

Vê-se, pois, a influência da normatividade internacional, notadamente


as convenções e recomendações da OIT no ordenamento jurídico
brasileiro.

LEITURA COMPLEMENTAR:

"Destaca-se que antes da atual previsão Constitucional, que


concedeu à dignidade da pessoa humana status de fundamento do
Estado Democrático de Direito, e até mesmo antes da Consolidação
das Leis do Trabalho, em 1943, já existia internacionalmente a
preocupação com a proteção dos trabalhadores, no intuito de
resguardar a dignidade humana e evitar a exploração, minimizando e
coibindo a mercantilização do trabalho e a coisificação do
trabalhador.

É evidente o caráter humano do trabalho, ou seja, apesar do aspecto


econômico inerente a toda relação comercial, deve-se valorizar
primordialmente o trabalhador. O trabalho não pode ser concebido
apenas em relação ao lucro do empregador e em detrimento da
dignidade e da vida humana. Deve ser direcionado para garantir ao
homem e a sua família não apenas a
subsistência, mas também e principalmente uma vida digna, com
direitos plenamente respeitados. (...)"

Para a íntegra do texto, segue o link abaixo:

O SISTEMA REGIONAL DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS E A


PROTEÇÃO AOS DIREITOS LABORAIS

JURISPRUDÊNCIA :

EMENTA: EQUIPARAÇÃO SALARIAL. LEITURA ATUALIZADA DO ARTIGO


461 DA CLT. ENFOQUES CONSTITUCIONAL E INTERNACIONAL. 1) O
artigo 461 da CLT deve ser interpretado à luz da Carta Magna e dos
Tratados Internacionais sobre o tema, os quais, versando sobre
Direitos Humanos, têm força hierárquica pelo menos supralegal,
quiçá, constitucional, como já reconheceu o Supremo Tribunal
Federal; de outro lado, esses tratados, preservando o princípio da
isonomia no trabalho, são internacionalmente reconhecidos como
fundamentais desde a Declaração de 1988 da Organização
Internacional do Trabalho. 2) Os rígidos critérios objetivos traçados
pelo artigo 461 da CLT não podem restringir a aplicação das diretrizes
constitucional e internacional. Uma releitura de seu vetusto texto se
impõe. Para harmonizar os textos infraconstitucional, constitucional e
internacional, sugerimos a perspectiva de visão de que a CLT define
uma presunção de ordem apenas relativa para aferição do trabalho
de igual valor, em parâmetros que deverão ser sopesados diante do
caso concreto. A isonomia deve, pois, se pautar no trabalho de igual
valor, em leitura teleológica, ampliativa, evolutiva e concreta da lei,
em detrimento da aplicação literal, formal e inflexível do texto do
artigo 461 da CLT. 3). Não há nisso qualquer violação ao princípio da
reserva de plenário, conforme já decidiu o E. STF Essa proposição -
que liberta o juiz do papel de "bouche de la loi", ao mesmo tempo em
que prestigia a interpretação sistêmica e dinâmica do Direito - visa
extrair a máxima eficácia possível dos preceitos garantidores das
liberdades civis e dos direitos sociais fundamentais, o que se constitui
em uma das mais importantes funções políticas do Poder Judiciário.
PJe: 00216-2015-111-03-00-5-RO. Órgão Julgador: 4ª T, TRT3.
RELATOR: DES. MARTHA HALFELD FURTADO DE MENDONCA
SCHMIDT.

BIBLIOGRAFIA:

DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo:


LTr, 2018.

MUNIZ, Mirella Karen de Carvalho Bifano. O Direito Fundamental ao


Salário Mínimo Digno: São Paulo: LTr, 2010.

Aula I: Princípios - Questões Gerais

RESUMO:

I - INTRODUÇÃO

Segundo DELGADO1, princípio traz a ideia de proposição


fundamental, assim, princípio traduz, de maneira geral, a noção de
proposições fundamentais que se formam na consciência das pessoas
e grupos sociais, a partir de certa realidade, e que, após formadas,
direcionam-se à compreensão, reprodução ou recriação dessa
realidade.

Nas ciências os princípios também têm o significado de proposição


fundamental, capaz de informar.

1.1 Ciência e princípio


Os princípios são criticados pelas ciências empíricas, por não
conseguirem se harmonizar a essa dinâmica. Os princípios assumem
posições preestabelecidas acerca do objeto a ser investigado. Desse
modo, a submissão a princípios (isto é, conceitos preestabelecidos),
pelo cientista, no processo de exame da realidade, importaria em
iniludível conduta acientífica: é que a resposta buscada, na realidade,
pelo investigador, já estaria gravemente condicionada na orientação
investigativa, em função do princípio utilizado2.

Trata-se de leitura positivista.

1.2 Direito e princípios

Quanto a crítica empírica apresentada aos princípios ressalta


DELGADO3, , que o Direito tem objeto distinto das demais ciências,
que se preocupam com exames dos fatos e atos ocorridos ou
potencialmente verificáveis; em contrapartida o Direito tem por
objeto o dever ser, ou seja, em modelos de condutas ou de
organização. Assim, sua realidade é ideal. Nesse sentido, a direção
emergente da noção de princípio - isto é, proposição diretora à
compreensão de uma certa realidade - surge como um condutor
importante à compreensão do sentido da norma e do instituto
jurídico, do sentido do dever-ser jurídico.4

1 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p.171 2 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de
direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.172 3 DELGADO, Mauricio
Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.173 4
DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:
LTr, 2014. p.173

Pondera DELGADO5, que a importância dos princípios na Ciência do


Direito, entretanto, não tem obviamente o condão de transformá-los
em axiomas absolutos e imutáveis. Ao contrário, sua validade se
preserva apenas caso considerados em seus limites conceituais e
históricos específicos, enquanto sínteses de orientações essenciais
assimilados por ordens jurídicas em determinados períodos históricos.
Os princípios jurídicos despontam, assim, como sínteses conceituais
de nítida inserção histórica, submetendo-se a uma inevitável
dinâmica de superação e eclipsamento, como qualquer outro
fenômeno cultural produzido .... para a Ciência do Direito os princípios
conceituam-se como proposições fundamentais que informam a
compreensão do fenômeno jurídico. São diretrizes centrais que se
inferem de um sistema jurídico e que, após inferidas,a ele se
reportam, informando-o6.

Para DELGADO7, as funções principiológicas podem ser encontradas


em duas fases distintas: a fase pré-jurídica e a fase jurídica.
2.1 Fase pré-jurídica ou política

É a fase política, voltada a construção das regras e institutos do


Direito, os princípios despontam como proposições fundamentais que
propiciam uma direção coerente na construção do Direito. São veios
iluminadores à elaboração de regras e institutos jurídicos.8 P. 174.

Os princípios servem para orientar o legislador no processo


legislativo, assim, atuam como fontes materiais do Direito, ...na
medida que se postam como fatores que influenciam na produção da
ordem jurídica.9 P. 174.

2.2 Fase jurídica

Nesta fase aparecem as funções descritivas, as normativas


subsidiárias e as normativas propriamente dita.

a) princípios descritivos ou informativos: ... atuam, em primeiro lugar,


como proposições ideais que propiciam uma direção coerente na
interpretação da regra de Direito. São veios iluminadores à
compreensão da regra jurídica construída. 10

5 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p.173 6 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de
direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.173 7 DELGADO, Mauricio
Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.174 8
DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:
LTr, 2014. p.174 9 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do
trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.174 10 DELGADO, Mauricio Godinho.
Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.175

Auxiliam a interpretação jurídica, contribuindo no processo de


compreensão da regra e dos institutos jurídicos.

b) princípios normativos subsidiários: em segundo lugar, podem


cumprir papel de fontes formais supletivas do Direito. Atuam como
fontes normativas subsidiárias, à falta de outras regras jurídicas
utilizáveis pelo intérprete e aplicador do Direito em face de singular
caso concreto.

É o que ocorre na incidência da integração jurídica - arts. 8, da CLT;


art. 4, da LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO,
art. 141 do CPC.

c) princípios normativos concorrentes: A função normativa dos


princípios se dá em razão da sua dimensão fundamentadora de toda
a ordem jurídica. Essa dimensão passa, necessariamente, pelo
reconhecimento doutrinário de sua natureza de norma jurídica efetiva
e não simples enunciado programático não vinculante11.
Assim, a distinção entre regras e princípios é, pois, uma distinção
entre dois tipos de normas. Dentre as funções dos princípios
podemos citar, sua tríplice função:

1ª função: Informativa ou inspiradora

Os princípios inspiram e informam o legislador na elaboração da


norma. Artigo 7º, caput: São direitos do trabalhador, além de outros
que visem a melhorar sua condição social.

2ª função: Integrativa ou normativa Os princípios são utilizados para


suprirem lacunas no ordenamento jurídico vigente. Ou seja, o
julgador, mesmo na omissão legislativa, deve julgar, utilizando-se da
analogia, dos costumes e dos princípios gerais do direito. (Art. 4º, da
Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro)12

3ª função: Interpretativa: São utilizados na interpretação das normas


jurídicas.

III - PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO

Dignidade da pessoa humana

O ser humano é visto como um fim em si mesmo, não podendo ser


utilizado como meio para atingir determinado objetivo. Veda-se,
assim, a "coisificação" do homem e, no caso específico do direito
laboral, a "coisificação" do trabalhador. Em outras palavras, não se
admite seja o

11 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p.176 12 Art. 4o , LINDB (antiga LICC): Quando a lei
for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os
costumes e os princípios gerais de direito.
trabalhador usado como mero objeto, na busca incessante pelo lucro
e pelos interesses do capital.

Como ensina RESENDE: "É interessante observar que o


reconhecimento do princípio da dignidade humana foi o marco divisor
da constitucionalização do direito e do reconhecimento da força
normativa dos princípios. Esse movimento teve como estopim as
barbaridades cometidas pelo nazifascismo, por ocasião da II Guerra
Mundial, sendo que a então prestigiada "Teoria Pura do Direito", de
Hans Kelsen, bem como o positivismo jurídico, não conseguiram
oferecer resposta jurídica à altura, tendo em vista que os movimentos
liderados por Hitler e seus seguidores não constituíam crime perante
o direito positivo alemão. Dessa forma, surgiu a necessidade de
agregar valores ao ordenamento jurídico, o que se obteve através da
constitucionalização e da formação da moderna teoria da força
normativa da Constituição"13
Não discriminação. Não se admiti qualquer forma de discriminação no
trabalho, no tocante a sexo, idade, cor, estado civil, etc., nos termos
do art. 7º do texto constitucional. Existe na constituição o
reconhecimento de que o Brasil é um país preconceituoso? SIM, pois
está disposto no art. 3º, traçou como objetivo eliminar qualquer tipo
de preconceito, reconhecendo, assim, que o Brasil ainda não eliminou
as espécies de preconceito. O art. 3º da CF/88 fundamenta o princípio
da não discriminação. Há no texto constitucional algum artigo que
assume que o Brasil é um país preconceituoso? Sim, já que um dos
objetivos da República Federativa do Brasil é erradicar qualquer tipo
de discriminação e preconceitos. Além disso, o art. 7º da CF/88, em
um de seus incisos, veda também qualquer forma de preconceito. A
Lei 9.029/95 também exerce papel fundamental na defesa do
princípio da não discriminação, em especial em relação às mulheres.

Boa-fé (lealdade contratual). O texto celetista não possui referência


específica a este princípio, atraindo a aplicação do Código Civil
brasileiro, especialmente o disposto nos artigos 113, 187 e 442, por
força do art. 8º da Consolidação das Leis do Trabalho. Boa-fé é uma
norma de conduta que deve ser obedecida tanto pelo empregado
quanto pelo empregador. Trabalhadores e empregadores devem se
comportar de maneira moral, ética e leal, assim como esperado das
demais pessoas. Deve permear todo o contrato de trabalho: desde a
contratação, até seu término, permeando toda a execução do
contrato, nos termos do art. 187 do Código Civil brasileiro (ato
emulativo).

Boa-fé objetiva e boa-fé subjetiva. A primeira é a exteriorização da


conduta do trabalhador e do empregador, que deve ser ética, moral e
leal. É possível visualizar a conduta moral, ética e leão que foi
exteriorizada. Por outro lado, a boa-fé subjetiva está no campo das
intenções em

13 RESENDE, Ricardo. Direito do Trabalho Esquematizado. São Paulo:


Editora Método demonstração da conduta ética, moral e leal. Há um
estado de consciência, mas que não se exterioriza, donde resulta a
dificuldade de sua comprovação, crítica apontada pela doutrina. O
princípio da boa-fé é identificado com a lealdade contratual.

Outros princípios gerais do direito, também são aplicados e utilizados


no direito do trabalho. Citam-se, de forma exemplificativa, os abaixo
mencionados:

Inviolabilidade da intimidade e da privacidade, da integridade física e


moral.

Liberdade: profissional; de reunião; de crença; de associação.

Função social da propriedade (e da empresa).


Razoabilidade, proporcionalidade ou bom senso.

LEITURA COMPLEMENTAR

"Pode-se afirmar que a dignidade da pessoa humana é princípio cujo


conteúdo é mais facilmente definido pela enumeração das formas de
sua violação. Em outras palavras, seria mais fácil distinguir as
situações que implicam ofensa à dignidade da pessoa humana do que
atribuir-lhe conceito preciso. Não obstante, entendemos ser
necessária a tentativa de construção do conceito de trabalho digno, a
fim de afirmá-lo como direito fundamental inerente a todos os seres
humanos. O objetivo desse estudo é estabelecer parâmetros para a
definição do mínimo existencial trabalhista que a todos deve ser
assegurado. Não se procura determinar um conceito fechado e
excludente. (...)"

Para íntegra do texto, segue link abaixo:

O DIREITO DO TRABALHO E A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA - PELA


NECESSIDADE DE AFIRMAÇÃO DO TRABALHO DIGNO COMO DIREITO
FUNDAMENTAL

LEGISLAÇÃO:

CLT

Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na


falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso,
pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e
normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e,
ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas
sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular
prevaleça sobre o interesse público.

§ 1º O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho. §


2º Súmulas e outros enunciados de jurisprudência editados pelo
Tribunal Superior do Trabalho e pelos Tribunais Regionais do Trabalho
não poderão restringir direitos legalmente previstos nem criar
obrigações que não estejam previstas em lei. § 3o No exame de
convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, a Justiça do
Trabalho analisará exclusivamente a conformidade dos elementos
essenciais do negócio jurídico, respeitado o disposto no art. 104 da
Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), e balizará sua
atuação pelo princípio da intervenção mínima na autonomia da
vontade coletiva.
LINDB ART. Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de
acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.

CPC Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de


lacuna ou obscuridade do ordenamento jurídico.

JURISPRUDÊNCIA:

Sobre a aplicação do princípio da boa fé no direito do trabalho, a


jurisprudência abaixo transcrita:

RECURSO DA RECLAMADA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. FUNÇÃO SOCIAL DO


CONTRATO. JUSTA CAUSA NÃO RECONHECIDA. O Código Civil,
aplicável subsidiariamente ao processo do trabalho, dispõe que os
negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa conforme
a boa-fé (inteligência do artigo 113). Ademais, prevê, ainda, o artigo
422 do diploma legal referido que -os contratantes são obrigados a
guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os
princípios de probidade e boa-fé-. Não se pode olvidar da previsão
inserta no artigo 421, no sentido de que a liberdade de contratar será
exercida em razão e nos limites da função social do contrato. Isso
tudo porque, conforme preceitua o art. 170 da Carta Magna, a ordem
econômica, fundada na valorização do trabalho humano, deve
observar, além de outros, os seguintes princípios: a função social da
propriedade, bem como a busca pelo pleno emprego. Recurso das
reclamadas conhecido e não provido." (RO 01039000720095010074 -
5ª Turma - Relatora Desembargadora Marcia Leite Nery - publicado no
DOE em 15/10/2010).

BIBLIOGRAFIA:

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

CAIRO JÚNIOR, José. Curso de Direito do Trabalho. Salvador.


Juspodivm

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

RESENDE, Ricardo. Direito do Trabalho Esquematizado. São Paulo:


Editora Método

Aula II: Princípios Específicos do Direito do Trabalho I


 Principio da proteção (principio chave do direito do trabalho) = existe uma
diferencia substancial entre o capital e o trabalho, entre o empregado e
empreagdaor, bem como as respectivas obrigações resultantes do contrato de
trabalho, há a necessidade de normatizar e conceber a proteção ao trabalhador,
sendo um mecanismo para equilibrar uma relação que naturalmente nasceu de
forma desequilibrada (estabelecer condições mínimas para um trabalho decente).
Esse principio se divide em: 1. In dubiu pro operário = havendo duvidas na
aplicação da norma, havendo duas contraditórias, eu aplico a norma mais
favorável ao empregado, não valendo para matéria probatória de acordo com a
jurisprudência. 2. Norma mais favorável = não necessariamente há um confronto
entre normas, mas existe duas aplicáveis, ai eu aplico a mais favorável, quando
houver divergência nas normas. 3. Condição mais benéfica = a condição que for
mais favorável ao trabalhador começa a fazer parte do seu patrimônio jurídico,
não podendo ser objeto de supressão, já que incorpora ao seu contrato de
trabalho.
 Principio da continuidade do emprego = a regra é que o contrato é contibuo, sem
prazo para acabar.

RESUMO:

A doutrina não guarda unanimidade ao enumerar os princípios


especiais ao DIREITO DO TRABALHO. Adotamos a enumeração
descrita por DELGADO.

Núcleo basilar de princípios especiais:

A) Princípio da proteção: informa este princípio que o Direito do


Trabalho estrutura em seu interior, com suas regras, institutos,
princípios e presunções próprias, uma teia de proteção à parte
hipossuficiente na relação empregatícia - o obreiro -, visando retificar
(ou atenuar), no plano jurídico, o desequilíbrio inerente ao plano
fático do contrato de trabalho.1

Assim, toda a estrutura normativa do DIREITO DO TRABALHO deve


primar pela tutela do sujeito vulnerável: o empregado.

Para Américo Plá Rodrigues, citado por DELGADO2, o princípio da


proteção desdobra-se em: princípio in dubio pro operario, o princípio
da norma mais favorável e o princípio da condição mais benéfica.
B) Princípio da norma mais favorável: o princípio dispõe que o
operador do Direito do Trabalho deve optar pela regra mais favorável
ao obreiro em três situações ou dimensões distintas: no instante de
elaboração da regra (princípio orientador da ação legislativa,
portanto) ou no contexto de confronto entre regras concorrentes
(princípio orientador do processo de hierarquização de normas
trabalhistas) ou, por fim, no contexto de interpretação das regras
jurídicas (princípio orientador do processo de revelação do sentido da
regra trabalhista).3

Assim, tem-se a função informadora, interpretativa/normativa e


hierarquizante.

Na fase pré-jurídica o princípio atua como verdadeira fonte material,


pois influencia o legislador no processo de construção do Direito.

Na fase jurídica o princípio atua como critério de hierarquia de regras


jurídicas e como princípio interpretativo das regras
jurídicas.
1 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São
Paulo: LTr, 2014. p.183 2 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de
direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.183 3 DELGADO, Mauricio
Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.184
Aula II - Princípios Específicos do Direito do Trabalho I

Em critério de hierarquia permite a eleição da norma mais favorável


ao obreiro. Como princípio interpretativo permite a escolha da
interpretação mais favorável ao trabalhador. Ou seja, informa esse
princípio que, no processo de aplicação e interpretação do Direito, o
operador jurídico, situado perante um quadro de conflito de regras ou
de interpretações consistentes a seu respeito, deverá escolher aquela
mais favorável ao trabalhador, a que melhor realize o sentido
teleológico essencial ao Direito do Trabalho.4

Na interpretação da norma mais favorável deve o intérprete observar


o obreiro como ser componente de um universo mais amplo
(categoria profissional, [Link].). Ou seja, ao eleger a norma mais
favorável não poderá o intérprete inobservar a natureza sistêmica do
Direito.

... O operador jurídico deve buscar a regra mais favorável enfocando


globalmente o conjunto de regras componentes do sistema,
discriminando, no máximo, os preceitos em função da matéria, de
modo a não perder, ao longo desse processo, o caráter sistemático da
ordem jurídica e os sentidos lógicos e teleológicos básicos que
sempre devem informar o fenômeno do Direito (teoria do
conglobamento).5
Ao interpretar as normas deve-se buscar a cientificidade da
hermenêutica jurídica à dinâmica de revelação do sentido das normas
examinadas.

Aqui cabe observar que: Em regime democrático não há direito ou


princípio absoluto. O princípio da norma mais favorável é aplicável
quando houver duas normas com possibilidade de aplicação utiliza-se
a mais benéfica ao trabalhador. Contudo, na existência de normas de
ordem pública ou que trate de competência não se aplica tal
princípio, uma vez que não é possível interpretação extensiva sobre
essas normas. Exemplo: empregado que deixa escoar o prazo
prescricional de 2 anos para ingressar com a ação judicial. Não cabe a
utilização do Código Civil sobre a aplicação de prazos mais extensos,
pois se trata de norma excepcional. CORREIA6).

C) Princípio da condição mais benéfica: este princípio importa na


garantia de preservação, ao longo do contrato, da cláusula contratual
mais vantajosa ao trabalhador, que se reveste de caráter de direito
adquirido (art.5, XXXVI, CR/88). Ademais, para o princípio, no
contraponto, entre dispositivos contratuais concorrentes, há de
prevalecer aquele mais favorável ao empregado.7

O princípio tutela a cláusula contratual mais vantajosa e não a norma


mais vantajosa. Súmula 51, I e 288 do TST + art. 468 da
CLT.
4 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São
Paulo: LTr, 2014. p.185 5 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de
direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.185 6 CORREIA, Henrique.
Direito do Trabalho: para os concursos de analista do TRT e MPU.
Salvador. Jus Podivim. P. 113. 7 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso
de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.187

Assim, o princípio traduz a vedação da alheabilidade lesiva do pacto


em desfavor do obreiro.

D) Princípio in dúbio pro operario: Se uma norma trabalhista


comportar mais de uma INTERPRETAÇÃO, o intérprete optará pela
mais favorável ao empregado. Ex. Norma dá gratificação com base de
cálculo o "salário". Qual salário? Mínimo? Profissional? Normativo?
Aquele mais favorável. A jurisprudência entende que não é possível
aplicação deste princípio no campo processual apenas na
interpretação das normas.

E) Princípio da continuidade da relação de emprego: informa tal


princípio que é de interesse do Direito do Trabalho a permanência do
vínculo empregatício, com a integração do trabalhador na estrutura e
dinâmica empresariais. Apenas mediante tal permanência e
integração é que a ordem justrabalhista poderia cumprir
satisfatoriamente o objetivo teleológico do Direito do Trabalho, de
assegurar melhores condições, sob a ótica obreira, de pactuação e
gerenciamento da força de trabalho em determinada sociedade.8

O PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO NA RELAÇÃO JURÍDICA DE EMPREGO

8 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p.193

LEGISLAÇÃO:

CLT Art. 468 - Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a


alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, e
ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente,
prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente
desta garantia.

JURISPRUDÊNCIA:

Sobre a aplicação do princípio do princípio in dubio pro operario, a


jurisprudência abaixo transcrita:

INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO IN DUBIO PRO OPERARIO NA


INTERPRETAÇÃO DE PROVAS. IGUALDADE ENTRE OS LITIGANTES.
Esclareço ao recorrente que o princípio do in dubio pro operario é de
natureza exclusivamente hermenêutica, quando o julgador, ao se
deparar com um dispositivo legal de sentido dúbio, adotará a
interpretação que for mais benéfica ao trabalhador, considerando-se
que as leis trabalhistas, por princípio, são protetivas do
hipossuficiente A interpretação de provas, entretanto, é de natureza
processual e neste campo não existe proteção ao trabalhador,
buscando-se, ao contrário, a igualdade entre os litigantes, motivo
pelo qual a dubiedade ou a falta de conclusão de provas levará o
julgador a decidir contra a parte que detenha o ônus probatório, não
importando se este é o trabalhador ou o empregador.(TRT da 3.ª
Região; Processo: 0001942-71.2014.5.03.0033 RO; Data de
Publicação: 08/08/2016; Disponibilização: 05/08/2016,
DEJT/TRT3/[Link], Página 190; Órgão Julgador: Quinta Turma;
Relator: Manoel Barbosa da Silva; Revisor: Marcus Moura Ferreira)

BIBLIOGRAFIA:

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr. CAIRO JÚNIOR, José. Curso de Direito do Trabalho. Salvador.
Juspodivm. CORREIA, Henrique. Direito do Trabalho: para os
concursos de analista do TRT e MPU. Salvador. Jus Podivim.
DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:
LTr. RESENDE, Ricardo. Direito do Trabalho Esquematizado. São
Paulo: Editora Método.
Aula III: Princípios Específicos do Direito do Trabalho II

Principio da imperatividade das normas trabalhistas = advem da própria característica


do direito do trabalho, ou seja, do conceito intervencionista do direito do trabalho. As
normas do trabalho são imperativas no sentido de haver o domínio de regras jurídicas
obrigatórias em detrimento de regras apenas dispositivas. Importante ter em vista que
também a maior parte das normas jurídicas trabalhistas são indisponíveis, portanto, sem
possibilidade de negociação, razão pela qual são impositivas. Essas normas não estão no
âmbito de negociação das partes, justificando a indisponibilidade inclusive por
interesses de terceiros, como ocorre com o FGTS, que possui interesse em certos
pontos, como no caso da carteira assinada – o que não é possível ser negociado, como
uma forma de se garantir uma estabilidade e segurança do ordenamento.

Principio da irrenunciabilidade = ao trabalhador não é possível renunciar normas que


lhe conferem segurança jurídica e proteção.

Inalterabilidade contratual lesiva = as condições de trabalho impostas ao trabalhador e


as situações que integram seu patrimônio jurídico não podem ser alteradas para poder
prejudicar o trabalhador. As condições que foram incorporadas precisam ser garantidas,
por força de segurança jurídica, não posso alterar o contrato de forma a prejudicar o
trabalhador (art. 468 clt).

Principio da intangibilidade salarial = o salario tem caráter alimentar (art. 462, clt –
exceções ao principio); salario não pode sofrer contrições.

Princípio da primazia da realidade sobre a forma = para o direito do trabalho o que


interessa é a realidade vivenciada pelas partes. O documento tem valor para o direito do
trabalho, mas é possível desconstituir as informações contidas no documento se
comprovado pelas partes que a realidade vivenciada pelas partes era distinta daquela
demonstrada. Esse principio vai atras da verdade real.

RESUMO:

Em continuidade aos estudos dos princípios temos:

A) Princípio da imperatividade das normas trabalhistas: informa tal


princípio que prevalece no segmento juslaborativo o domínio de
regras jurídicas obrigatórias, em detrimento de regras apenas
dispositivas.1 P. 186.

As normas juslaborais caracterizam-se enquanto de ordem pública,


objetivando estabelecer um patamar civilizatório mínimo entre os
sujeitos pactuantes, e por isso, em regra, não podem ser afastadas.

Esta restrição é tida como instrumento assecuratório eficaz de


garantias fundamentais ao trabalhador, em face do desequilíbrio de
poderes inerentes ao contrato de emprego.2

B) Princípio da indisponibilidade dos direitos trabalhistas: o presente


princípio é projeção do anterior, referente à imperatividade das
regras trabalhistas. Ele traduz a inviabilidade técnico-jurídica de
poder o empregado despojar-se, por sua simples manifestação de
vontade, das vantagens e proteções que lhe asseguram a ordem
jurídica e o contrato.3

C) Princípio da inalterabilidade contratual lesiva: quanto a vedação às


alterações lesivas nos pactos juslaborais, há de se observar:

a) Em primeiro lugar, a noção genérica de inalterabilidade perde-se


no ramo justrabalhista. É que o Direito do Trabalho não contingencia -
ao contrário, incentiva - as alterações contratuais favoráveis ao
empregado; estas tendem a ser naturalmente permitidas - art. 468 da
CLT;

b) Em segundo lugar, a noção de inalterabilidade torna-se


sumamente rigorosa caso contraposta a alterações desfavoráveis ao
trabalhador - que tendem a ser vedadas pela normatividade
justrabalhista (art. 444 e 468 da CLT);

c) Em terceiro lugar, a atenuação civilista da fórmula rebus sic


standibus... tende a ser
1 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São
Paulo: LTr, 2014. p.186 2 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de
direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.186 3 DELGADO, Mauricio
Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2014. p.186
genericamente rejeitada pelo Direito do Trabalho.4

O Direito do Trabalho parte do pressuposto que os riscos das


atividades laborais são de exclusiva responsabilidade do
empregador.

D) Intangibilidade contratual objetiva: Ocorrendo a sucessão


trabalhista o pacto juslaboral não será atingindo. O contrato de
trabalho seria intangível, do ponto de vista objetivo, embora mutável
do ponto de vista subjetivo, desde que a mudança envolvesse apenas
o sujeito-empregador.5
E) Princípio da intangibilidade salarial: estabelece o princípio da
intangibilidade dos salários que esta parcela justrabalhista merece
garantias diversificadas da ordem jurídica, de modo a assegurar seu
valor, montante do fato de considerar-se ter o salário caráter
alimentar, atendendo, pois, a necessidades essenciais do ser
humano.6

A essencialidade dos bens a que se destinam o salário do empregado,


por suposto, é que induz à criação de garantias fortes e diversificadas
em torno da figura econômico-jurídica7

Assim, o princípio ata-se ao princípio da dignidade da pessoa


humana.

(...) considera este princípio maior e mais abrangente que o trabalho


é importante meio de realização e afirmação do ser humano, sendo o
salário a contrapartida

LEGISLAÇÃO:

CONSTITUIÇÃO FEDERAL

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de


outros que visem à melhoria de sua condição social: VI -
irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo
coletivo; X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime
sua retenção dolosa;

CLT Art. 444 - As relações contratuais de trabalho podem ser objeto


de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não
contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos contratos
coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades
competentes.

Art. 468 - Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração


das respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim
desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao
empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta
garantia.

JURISPRUDÊNCIA:

Sobre a aplicação do princípio da intangibilidade salarial, a


jurisprudência abaixo transcrita:

DESCONTOS SALARIAIS. DANOS. ACIDENTE DE TRÂNSITO.


RESTITUIÇÃO. A ordem jurídica consagrou o princípio da
intangibilidade salarial, prevista no artigo 462, caput, da CLT,
segundo o qual os descontos no salário do empregado são vedados,
salvo nos casos de adiantamentos, dispositivos de lei ou previsão em
convenção coletiva. O § 1º do mencionado dispositivo legal prevê a
hipótese de desconto de dano causado pelo empregado, que será
lícito, "desde que esta possibilidade tenha sido acordada ou na
ocorrência de dolo do empregado". As normas coletivas aplicáveis ao
caso também estabelecem que "só haverá desconto por
abalroamento no salário dos empregados, além dos previstos no
artigo 462 da CLT, em caso de culpa ou dolo, devidamente
comprovados administrativa ou judicialmente". Assim, por não
provada a culpa do reclamante no acidente de trânsito ocorrido,
torna-se devida a restituição do valor que foi descontado
abusivamente de seu salário.(TRT da 3.ª Região; Processo: 0002080-
13.2014.5.03.0009 RO; Data de Publicação: 13/12/2016;
Disponibilização: 12/12/2016, DEJT/TRT3/[Link], Página 314; Órgão
Julgador: Sétima Turma; Relator: Fernando Luiz [Link] Neto; Revisor:
Convocado Vitor Salino de Moura Eca).

BIBLIOGRAFIA:

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

CAIRO JÚNIOR, José. Curso de Direito do Trabalho. Salvador.


Juspodivm.

CORREIA, Henrique. Direito do Trabalho: para os concursos de


analista do TRT e MPU. Salvador. Jus Podivim.

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

Aula IV: Princípios Específicos do Direito do Trabalho III

Principio do igual salario por igual trabalho (art. 7º da CF 88) = trabalho de igual valor
deve corresponder igual salário. Aqui entra muito o principio da não-discriminação
(esse é um principio geral, aqui no que se relaciona a não discriminação salarial, entra a
especificidade do principio ao direito do trabalho). Art 461 CLT após a reforma
trabalhista trouxe critérios que dificultaram ainda mais para a equiparação salarial,
tornando muito difícil a aplicação do instituto da equiparação salarial (essa não é a única
forma de garantir esse principio do igual salario por igual trabalho). Também temos o
principio da isonomia previsto na constituição, mas importante lembrar que é uma
forma de defesa alegar que vem a norma infra constitucional justamente para
regulamentar e disciplinar o quanto determinado pela constituição, que seria justamente
pelo art. 461 da CLT.

Principio da duração razoável da jornada de trabalho = limitação da jornada diária e


semanal, prevista no texto constitucional (art. 7º) – 8h diárias e 44h semanais.

RESUMO:

Em continuidade aos estudos dos princípios temos:

A) Princípio da primazia da realidade sobre a forma: o princípio da


primazia da realidade sobre a forma... amplia a noção civilista de que
o operador jurídico, no exame das declarações volitivas, deve atentar
mais à intenção dos agentes do que ao envoltório formal através de
que transpareceu a vontade..1

B) Princípio do igual salário por igual trabalho: a todo trabalho de


igual valor deverá haver o igual salario (art. 461 CLT).

Nesse sentido, toda pessoa possui o direito de gozar condições de


trabalho justas e favoráveis, que asseguram: remuneração que
proporcione, no mínimo a todos os trabalhadores, um salário
equitativo e uma remuneração igual por um trabalho de igual valor,
sem qualquer distinção, em particular, as mulheres terão a garantia
de condições de trabalho não inferiores as dos homens e perceberão
a mesma remuneração, conforme Constituição da OIT.2

C) Princípio da duração razoável da jornada de trabalho: a duração do


trabalho deverá ser limitada de modo a permitir a participação do
indivíduo nas atividades destinadas ao seu convívio social e
familiar.

ALMEIDA e ALMEIDA ensinam que este princípio informa que:

? A jornada de trabalho deve ser limitada, de forma razoável,


inclusive para possibilitar o exercício do direito de liberdade, que
compreende, a participação na vida familiar, pública e política (art. 16
da Lei 8.069/90); ? O direito a cultura ao desporto e ao turismo; ?
Deve ser restringida a jornada extraordinária; ? O trabalhador é livre
para desfrutar de seu tempo livre3;

1 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p.193 2ALMEIDA, Cleber Lúcio. ; ALMEIDA,
Wânia Guimarães Rabelo. . Princípios do Direito do Trabalho:
primeira, segunda e terceira dimensões. In: TEODORO, Maria Cecília
Máximo; MELLO, Roberta Dantas de; NUNES, Ana Flávia Paulinelli
Rodrigues; FONSECA, Eduardo Perini Rezende. (Org.). Tópicos
Contemporâneos de Direito do Trabalho. Reflexões e Críticas.
[Link] Horizonte, Minas Gerais: Editora RTM.p.140. 3ALMEIDA,
Cleber Lúcio. ; ALMEIDA, Wânia Guimarães Rabelo. . Princípios do
Direito do Trabalho: primeira, segunda e terceira dimensões. In:
TEODORO, Maria Cecília Máximo; MELLO, Roberta Dantas de; NUNES,
Ana Flávia Paulinelli Rodrigues; FONSECA, Eduardo Perini Rezende.
(Org.). Tópicos Contemporâneos de Direito do Trabalho. Reflexões e
Críticas.
Aula IV - Princípios Específicos do Direito do Trabalho III

Nesse sentido é importante ressaltar a configuração de dano


existencial, quando o empregador, habitualmente exige a prestação
de horas extras do trabalhador, por afetar seu projeto de vida e suas
relações sociais.

Isabela de Oliveira Souza Alves e Wânia Guimarães Rabelo de


Almeida, afirmam que:

Fundamento jurídico para o reconhecimento da obrigação de reparar


o dano existencial é constituído pelos: a) arts. 187, 927 e 950 do
Código Civil, dos quais resulta que devem ser reparados todos os
danos à pessoa, considerando-se a pessoa na totalidade das suas
dimensões; b) arts. 5º, caput, III, IV, VI, VIII, IX, X e XIII, e 225 da
Constituição, dos quais se extrai o reconhecimento do direito à livre
manifestação da personalidade e à qualidade de vida; c) arts. 3º e 25
da Declaração Universal dos Direitos Humanos e arts. 1º, 11 e 14 da
Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, segundo os
quais a liberdade e a qualidade de vida constituem direitos humanos;
d) art. 22 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que
reconhece o direito ao livre desenvolvimento da personalidade; e) art.
24 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que reconhece o
direito de toda pessoa ao descanso e ao lazer e, ?sobretudo, a uma
limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas
periódicas?, observando que a Declaração, com expressão sobretudo,
ressalta a importância da limitação razoável das horas de trabalho; f)
arts. 14 e 15 da Declaração Americana dos Direitos e Deveres do
Homem, que aludem, respectivamente, ao direito do trabalhador de ?
seguir livremente a sua vocação? e de ?aproveitar utilmente o seu
tempo livre em benefício do seu melhoramento espiritual, cultural e
físico?; g) Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos
Humanos em Matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais
(Protocolo São Salvador — 1988), no qual os Estados seus signatários,
dentre eles o Brasil, reconhecem o direito de todo trabalhador seguir
a sua vocação e dedicar-se à atividade que melhor atenda a suas
expectativas. Assim, o deferimento de indenização por danos
existenciais pode ajudar a combater o descumprimento das normas
trabalhistas e a melhorar a qualidade de vida do ser humano
trabalhador, ressaltando-se que o seu valor deve ser fixado
considerando-se a dimensão do dano e a capacidade patrimonial do
empregador, para que possa surtir o efeito pedagógico com vistas a
desestimular a reincidência do ato lesivo.4

Por fim, cabe mencionar ainda o princípio efetividade das normas e


princípios que compõem o Direito do Trabalho, que, segundo o
ensinamento de ALMEIDA e ALMEIDA, corresponde a garantia de sua
efetivação por meio da inspeção do trabalho, bem como a tutela
jurisdicional dos direitos no nível interno e internacional 5

[Link] Horizonte, Minas Gerais: Editora RTM.p.139 4 Rabelo.


ALVES, Isabela de Oliveira Souza. COMBATE AO DANO EXISTENCIAL
NA RELAÇÃO DE EMPREGO. In: XIII SEMANA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA,
2017, Nova Lima. ANAIS DA XIII SEMANA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA,
2016. v. 1. p. 126 5 Rabelo. ALVES, Isabela de Oliveira Souza.
COMBATE AO DANO EXISTENCIAL NA RELAÇÃO DE EMPREGO. In: XIII
SEMANA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 2017, Nova Lima. ANAIS DA XIII
SEMANA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 2016. v. 1. p. 142

LEITURA COMPLEMENTAR:

Sobre os efeitos da violação ao princípio da duração razoável do


trabalho e as consequências daí advindas, oportuna a leitura:

"Oportuno, novamente, asseverar que a jornada extenuante, ainda


devidamente paga com o adicional nunca inferior a cinquenta por
cento da hora normal do trabalhador, enseja dano existencial.
Ampliam-se as possibilidades de acidente de trabalho ou de
desenvolvimento de doenças ocupacionais e colocam em risco a
saúde física e mental de quem é empregado. As infortunísticas
laborais não têm como serem economicamente compensadas, pois de
nada vale o pagamento do adicional de horas extras quando uma
lesão futura é iminente. Se a incolumidade física e a psíquica não são
preservadas durante a atividade profissional e comprometem a vida
extralaboral ao restringir ou impedir outros afazeres da vida
comezinha, confirmada está a lesão existencial. (...)"

Para íntegra do texto, segue link abaixo:

DIREITO DO TRABALHO E MEIO AMBIENTE DO TRABALHO II

LEGISLAÇÃO:

CONSTITUIÇÃO Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e


rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição
social: XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de
funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou
estado civil;
Declaração Universal dos Direitos Humanos Artigo 24 da Toda a
pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, e, especialmente, a uma
limitação razoável da duração do trabalho e a férias periódicas
remuneradas.

CLT

Sobre o princípio do igual trabalho igual salário Art. 461. Sendo


idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo
empregador, no mesmo estabelecimento empresarial, corresponderá
igual salário, sem distinção de sexo, etnia, nacionalidade ou idade.

§1o Trabalho de igual valor, para os fins deste Capítulo, será o que
for feito com igual produtividade e com a mesma perfeição técnica,
entre pessoas cuja diferença de tempo de serviço para o mesmo
empregador não seja superior a quatro anos e a diferença de tempo
na função não seja superior a dois anos (...).

JURISPRUDÊNCIA:

O TRT da 4ª Região, nos autos do processo de nº 0000105-


14.2011.5.04.0241, publicado em 19/03/2012, pela Egrégia 1ª Turma,
em atenção ao princípio da duração razoável da jornada, entendeu
pela existência dos danos existenciais, quando for ultrapassada
habitualmente a jornada contratual pactuada entre as partes,
conforme julgamento abaixo transcrito:

DANO EXISTENCIAL. JORNADA EXTRA EXCEDENTE DO LIMITE LEGAL


DE TOLERÂNCIA. DIREITOS FUNDAMENTAIS. O dano existencial é uma
espécie de dano imaterial, mediante o qual, no caso das relações de
trabalho, o trabalhador sofre danos/limitações em relação à sua vida
fora do ambiente de trabalho em razão de condutas ilícitas praticadas
pelo tomador do trabalho. Havendo a prestação habitual de trabalho
em jornadas extras excedentes do limite legal relativo à quantidade
de horas extras, resta configurado dano à existência, dada a violação
de direitos fundamentais do trabalho que integram decisão jurídico-
objetiva adotada pela Constituição. Do princípio fundamental da
dignidade da pessoa humana decorre o direito ao livre
desenvolvimento da personalidade do trabalhador, nele integrado o
direito ao desenvolvimento profissional, o que exige condições dignas
de trabalho e observância dos direitos fundamentais também pelos
empregadores (eficácia horizontal dos direitos fundamentais). Grifos
nossos.

BIBLIOGRAFIA:
ALMEIDA, Cleber Lúcio. ; ALMEIDA, Wânia Guimarães Rabelo. .
Princípios do Direito do Trabalho: primeira, segunda e terceira
dimensões. In: TEODORO, Maria Cecília Máximo.

MELLO, Roberta Dantas de; NUNES, Ana Flávia Paulinelli Rodrigues;


FONSECA, Eduardo Perini Rezende. (Org.). Tópicos Contemporâneos
de Direito do Trabalho. Reflexões e Críticas. [Link] Horizonte,
Minas Gerais: Editora RTM.

Rabelo. ALVES, Isabela de Oliveira Souza. COMBATE AO DANO


EXISTENCIAL NA RELAÇÃO DE EMPREGO. In: XIII SEMANA DE
INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 2017, Nova Lima. ANAIS DA XIII SEMANA DE
INICIAÇÃO CIENTÍFICA.

CAIRO JÚNIOR, José. Curso de Direito do Trabalho. Salvador.


Juspodivm.

CORREIA, Henrique. Direito do Trabalho: para os concursos de


analista do TRT e MPU. Salvador. Jus Podivim.

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

Aula I: Formas de Solução de Conflitos

Autotutela e Heterocomposição = diferença reside no sujeito envolvido e na sistemática


aplicada.

Autotutela = imposição da vontade de uma das partes. Diante da solução de conflitos


uma das partes impõe sua vontade sobre a outra, possibilitando a pratica da coerção, por
exemplo. Exemplo disso é o desforço imediato (art. 1.210, parag 1º CC) e a greve (a lei
de greve possibilita a utilização de coerção, o que não pressupõe a prática de violência,
até porque a lei da greve proíbe isso – tem que ser pacifica – coerção não é sinônimo de
violência).

Por outro lado, a autocomposição as partes sozinhas chegam à uma solução para o
conflito, um denominador comum, podendo ser concretizada pela renuncia, aceitação ou
transação. Ou uma das partes renuncia um direito para solucionar o litigio, ou uma das
partes aceita a vontade da outra parte e, em razão disso, concorda com a outra parte para
resolver o conflito. Ou ainda, na transação há um despojamento bilateral de direitos
recíprocos, ambas as partes despojam direitos que são recíprocos. Muitos autores dizem
que o acordo coletivo está dentro da transação, outros discordam disso, já que nem tudo
pode ser transacionado dentro de uma negociação coletiva.

Heterocomposição = as partes sozinhas não conseguem solucionar sozinhas o conflito,


precisam envolver um terceiro para resolver o conflito para colocar um fim ao conflito.
Temos como exemplo a jurisdição (as partes recorrem ao poder judiciário); a arbitragem
(trata de direitos disponíveis e laudo arbitral); mediação (auxiliam as partes para que
elas coloquem fim àquele conflito, técnicas utilizadas para solução de conflitos) – art.
764, paragrafo 1º.

Ainda como mecanismos tradicionais, podemos citar a conciliação.

A arbitragem = é utilizada para direitos disponíveis. Após a reforma trabalhista (art.


507-a CLT), traz a possibilidade da resolução da arbitragem nos contratos de trabalho
cuja remuneração seja superior a 2x o limite máximo estabelecido para os benefícios do
regime geral de prev social. Isso em relação ao direito individual. Quando ao direito
coletivo nunca houve dúvida da utilização da arbitragem como forma de solução de
conflito (art. 114, CF), após a reforma trabalhista, permitiu-se sua utilização tanto para o
direito individual como para o direito coletivo do trabalho.

RESUMO:

No mundo ocidental contemporâneo, os mecanismos de solução de


conflitos se dividem basicamente em três grupos e a diferença entre
eles reside nos sujeitos envolvidos e na sistemática operacional de
cada mecanismo. Assim, os mecanismos de solução de conflitos
podem ser realizados pela autotutela ou pela autocomposição ou pela
heterocomposição.

Na autotutela e na autocomposição, a busca pela solução do conflito


se restringe aos próprios sujeitos conflitantes e a sistemática
operacional é autogerida por eles.

Na heterocomposição, há a intervenção de um terceiro estranho ao


conflito, sendo que a sistemática operacional é por ele gerida.

a) Autotutela

Na autotutela, uma das partes impõe à outra a sua vontade


(interesse). Nessa sistemática, é permitido o exercício de coerção por
uma parte sobre a outra visando a defesa do seu interesse.
Percebe-se que há uma tendência dos ordenamentos jurídicos em
restringir a autotutela, transferindo para o Estado as principais
modalidades de exercício de coerção.

O Código Penal Brasileiro prevê como crime algumas situações que


envolvem autotutela como o exercício arbitrário das próprias razões,
disposto no art. 345, e o exercício arbitrário ou abuso de poder, nos
termos do art. 350. Veja-se:

Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer


pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite:

Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena


correspondente à violência.

Parágrafo único - Se não há emprego de violência, somente se


procede mediante queixa.
Aula I - Formas de Solução de Conflitos

Art. 350 - Ordenar ou executar medida privativa de liberdade


individual, sem as formalidades legais ou com abuso de poder:

Pena - detenção, de um mês a um ano.

Parágrafo único - Na mesma pena incorre o funcionário que:

I - ilegalmente recebe e recolhe alguém a prisão, ou a


estabelecimento destinado a execução de pena privativa de liberdade
ou de medida de segurança; II - prolonga a execução de pena ou de
medida de segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de
executar imediatamente a ordem de liberdade; III - submete pessoa
que está sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento
não autorizado em lei; IV - efetua, com abuso de poder, qualquer
diligência.

No ordenamento jurídico brasileiro, portanto, o exercício da


autotutela é bem restrito. No âmbito do Direito Civil, é admitido o
desforço imediato, considerado como hipótese de autotutela. Dispõe
o § 1º, do art. 1210, do Código Civil:

Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso


de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência
iminente, se tiver justo receio de ser molestado.

§ 1o O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou


restituir-se por sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de
defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável à
manutenção, ou restituição da posse.
No Direito do Trabalho, a greve representa a modalidade de
autotutela. Trata-se de instrumento de pressão e força utilizado pelos
trabalhadores. Contudo, o movimento grevista deve ser realizado de
forma pacífica, sem utilização de violência, sob pena de torna-lo
ilícito, conforme tutelado pela Lei nº 7783/89.

b) Autocomposição

Na autocomposição, o conflito é solucionado pelas próprias partes.


São modalidades de autocomposição:

- Renúncia → nessa modalidade, ocorre o despojamento unilateral de


um direito em favor de outrem;

- Aceitação → essa modalidade é caracterizada quando uma das


partes reconhece o direito da
outra;

- Transação → nessa modalidade, ocorre concessões recíprocas de


direitos entre as partes.

No Direito do Trabalho, há uma modalidade específica de


autocomposição que é a negociação coletiva. Muitos a confundem
com a clássica transação do Direito Civil. Na verdade, a negociação
coletiva envolve atos mais complexos e certas formalidades, além de
serem fontes criadoras de direitos e normas jurídicas.

c) Heterocomposição

Na heterocomposição, há a intervenção de um terceiro estranho para


promover a solução do conflito.

São modalidades de heterocomposição:

- Jurisdição → trata-se de função exclusiva do Estado que visa dirimir


conflitos de interesses de sujeitos em busca da paz social. Nesse
caso, o resultado da resolução do conflito consuma-se pela
sentença;

- Arbitragem → nessa hipótese, a solução do conflito é entregue a um


terceiro, árbitro. No Brasil, a arbitragem é tutelada pela Lei nº
9307/96 e só terá validade se envolver direitos patrimoniais
disponíveis. O resultado da resolução de conflito se dá pelo laudo
arbitral.

- Mediação → nesse caso, um terceiro se aproxima das partes,


auxiliando e instigando a composição. Porém, essa composição é
decidida pelas próprias partes. Há quem sustente que a mediação, na
verdade, é um instrumento utilizado pelos métodos de solução de
conflitos.

- Conciliação → nessa modalidade, a composição das partes é dirigida


por um terceiro, chamado de conciliador, que age de forma efetiva,
intervindo no resultado.

Importante salientar que há autores que consideram somente a


jurisdição e a arbitragem como modalidades de heterocomposição.
Nesse entendimento, a conciliação e a mediação seriam meios de
autocomposição, em razão de não entregarem a terceiro o poder de
decidir o conflito.

No Direito do Trabalho, a conciliação é bastante utilizada nas Varas


do Trabalho. O processo trabalhista se caracteriza pela busca à
conciliação, sendo ela obrigatória em, pelo menos, dois momentos:
antes da entrega da defesa e após as razões finais.

Em relação a arbitragem, até o advento da reforma trabalhista, não


era admitida como método de solução de conflitos trabalhistas
individuais, sendo apenas utilizada para a solução de conflitos
trabalhistas coletivos.

A Lei 13467/2017 (Reforma Trabalhista) inseriu o art. 507-A à CLT,


passando a admitir a possibilidade de utilização da arbitragem como
método de solução de conflitos individuais de trabalho. Veja-se:

Art. 507-A, CLT - Nos contratos individuais de trabalho cuja


remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo estabelecido
para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social, poderá ser
pactuada cláusula compromissória de arbitragem, desde que por
iniciativa do empregado ou mediante a sua concordância expressa,
nos termos previstos na Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996.

Por fim, importante ressaltar que as formas de solução de conflitos


não concorrem entre sim, mas convergem para a busca da paz
social.

LEGISLAÇÃO:

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

Lei nº 13467/2017
Lei nº 9307/1996

JURISPRUDÊNCIA:
EMENTA: CONCILIAÇÃO. PROPOSTA. AUSÊNCIA. NULIDADE.
ADIAMENTO DA AUDIÊNCIA. No procedimento ordinário do sistema
processual trabalhista, a proposta de conciliação é feita pelo juiz
laboral, necessariamente, em dois momentos distintos, a saber: na
abertura da audiência, nos termos do art. 846 da CLT ao dispor que
"aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a conciliação", e
antes da sentença, depois das razões finais. Acarretará nulidade dos
atos posteriores praticados no processo, na hipótese de o magistrado
não formular a proposta de conciliação, o que justificou o adiamento
da audiência inaugural pela d. juíza de origem. Não tendo a
reclamante comparecido na nova data, impõe-se o arquivamento do
feito nos termos do art. 844, da CLT. Processo: 0002033-
73.2013.5.03.0009 RO. Disponibilização: 08/01/2015. Órgão Julgador:
9ª T - TRT3. RELATOR: Convocado Paulo Emilio Vilhena da Silva

BIBLIOGRAFIA:

DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo:


LTr, 2018.

ORSINI, Adriana Goulart; AVILA, Flávia de; FANTINI, Karine Monteiro


de Castro; SILVA, Nathane Fernades da (Org.) Mecanismos de Solução
de Controvérsias Trabalhistas nas Dimensões Nacional e
Internacional. São Paulo: LTr, 2015.

Aula II: Direito Coletivo do Trabalho e Negociação Coletiva na Constituição


Federal

Negociação coletiva = é o método de solução de conflitos trabalhistas de natureza


coletiva com a finalidade de gerir os interesses profissionais e econômicos dos seres
coletivos.

Titularidade do poder negocial =

1. Associações
2. Sindicatos
3. Federações = reunião de 5 sindicatos (o poder negocial das federações só atuam
na ausência de sindicato)
4. Confederações = reunião de 3 federações (“ na ausência das federações)
5. Centrais sindicais (são reconhecidas somente como órgão de representação geral
de trabalhadores, não atribuiu à elas poder negocial, não podendo participar de
negociação coletiva, via de regra).
Principio da interveniência sindical na normatização coletiva = obrigatoriedade do
sindicato participar da negociação coletiva, que so sera legitima e valida se houver a
participação do sindicato profissional, já que o empregado sozinha não é considerado
ser coletivo.

Principio da lealdade e transparência na negociação coletiva = necessidade de lisura,


boa fé e lealdade das partes na negociação coletiva. Muitas vezes a greve é considerada
ilícita ou abusiva por força desse principio, já que configura muitas vezes violando à
boa fé e a lealdade entre as partes.

Principio da criatividade jurídica da negociação coletiva = o acordo coletivo e a


convenção coletiva são normas jurídica autônomas, então tem força de lei sim, por força
desse principio. O produto da negociação coletiva (CCT e ACT) tem força de nroma
jurídica, suas clausulas também trazem disposições com força de norma jurídica. Seu
descumprimento é observado com força de norma jurídica, podendo pensar a hierarquia
de fontes.

Principio da adequação setorial negociada = fala sobre as possibilidades e limites da


negociação coletiva, possui nexo com o principio da indisponibilidade de direito. Ou
seja, somente os direitos trabalhistas com indisponibilidade relativa podem ser objeto de
negociação coletiva.

Conflitos entre normas negociadas e estatais = prevalência das normas negociadas


sempre que elas implementem um padrão setorial de direitos superior ao padrão geral;
transacionem direitos de indisponibilidade relativa; e que não ocorra nenhum ato de
renuncia.

Norma coletiva = função de pacificar conflitos socio coletivos, na medida que é uma
medida de autocomposição; função socio política, permitindo que os seres coletivos
tuem de forma igualitária; função econômica, sempre que ocorre esse ajuste econômico
das clausulas contratuais, estabelecendo reajuste de salário, etc.

RESUMO:

Pode-se afirmar que o trabalho é inerente ao ser humano e existe


desde os primórdios dos tempos, antes mesmo da consolidação do
sistema capitalista de produção, quando já se observava a formação
das sociedades através da divisão das tarefas de cada um.

E assim como o trabalho é inerente ao homem também o é o conflito


entre os mais fortes e os mais fracos, entre o capital e o trabalho,
presentes desde o início dos tempos quando os povos rudimentares
aprisionavam os vencidos, tornando-os seus escravos.

Conflito é algo inerente à natureza humana e sempre existirá em


qualquer relação. Antigamente, os conflitos eram resolvidos pelos
próprios agentes por meio de guerras, prevalecendo a lei de Talião:
olho por olho, dente por dente. Qualquer um que se sentisse lesado
poderia infligir ao outro uma pena equivalente ao seu prejuízo.
Predominava a autocomposição (resolução dos conflitos pelos
particulares) e a autotutela (resolução de conflito entre particulares,
onde um deles impõe a sua vontade unilateralmente, por meio de
coerção).

Com o advento do Estado Moderno, esse tomou para si o ônus de


solucionar os conflitos, limitando a autotutela para casos
excepcionais, tendo em vista que ao particular não é dado mais o
poder de impor sanção ao outro, haja vista que nenhum ser humano
é superior ao outro e nem pode ser privado de seus bens ou da sua
liberdade sem um devido processo legal.

Essa forma de solução dos conflitos é denominada de


heterocomposição, pois conta com a intervenção de um terceiro, no
caso o Estado, capaz de impor a sua decisão aos particulares. A
negociação coletiva surge do conflito capital x trabalho, tendo origem
no início do sistema capitalista, com o advento das máquinas e da
revolução industrial.

Trata-se de um método de solução de conflitos trabalhistas de


natureza coletiva que tem por finalidade gerir os interesses
profissionais e econômicos dos seres coletivos.

O sindicato é figura central não apenas no momento da criação do


Direito do Trabalho, mas, também, e principalmente quando da sua
aplicação e efetivação. O sindicato é capaz de influenciar o legislador,
de modo a direcionar a normatização estatal e, ao mesmo tempo, é
agente de seu cumprimento, uma vez que exige, na prática, a sua
observância, sob pena de se utilizar do mecanismo de pressão que
tanto aflige aos empregadores: a greve.

No período do Estado Liberal, em razão de quase ausência de normas


estatais reguladoras da relação capital X trabalho, da
superexploração dos trabalhadores e da formação dos sindicatos que
se erige a negociação coletiva como forma de autocomposição dos
conflitos trabalhistas.
A negociação coletiva pode ser considerada fonte de Direito do
Trabalho, pois muitas vezes e, em especial, no início influenciou (e
ainda hoje influencia) a criação de normas estatais referentes aos
interesses das partes.

A negociação coletiva importa na criação de diplomas negociais


coletivos, que possuem, segundo Carnellutti, alma de lei e forma de
contrato. É contrato, pois decorre da vontade das partes e é resultado
de um processo de negociação entre as mesmas. Por outro lado, é lei,
pois cria normas abstratas e genéricas para toda uma categoria ou
segmento.

A negociação pode se dar de duas formas: estática ou dinâmica. A


primeira diz respeito aos países continentais europeus onde
prevalece que celebrado o convênio as partes não negociam mais. A
segunda é própria da Grã-Betanha e pressupõe instituições de caráter
permanente que vão adaptando o pacto a cada nova circunstância.

Nos países de maior atuação sindical nas negociações coletivas,


estruturou-se um modelo jurídico mais democrático, haja vista contar
com a participação efetiva dos destinatários das normas.

A fase de sistematização e consolidação do ramo justrabalhista se


deu sob a égide do Estado de Bem-Estar Social e do modelo de
produção fordista, baseado nas mesmas premissas do modelo
taylorista de fábrica grande e concentrada. Nesse contexto, a
negociação coletiva era ampla e abrangente. Procurava estabelecer
sempre patamares mais elevados de cidadania e democracia para o
maior número possível de pessoas.

O Estado passou a determinar o patamar mínimo a partir do qual as


normas coletivas deveriam partir, através das normas imperativas
trabalhistas. As convenções coletivas podiam apenas avançar e nunca
recuar. A autonomia privada coletiva carregava dentro dela um traço
de heteronomia, essencial para garantir a liberdade dos seus agentes,
em especial dos sindicatos da categoria profissional, haja vista que
possuíam um piso mínimo que servia como rede protetora para as
negociações coletivas. A negociação coletiva dava-se entre partes
substancialmente iguais, uma vez que os sindicatos dos
trabalhadores eram fortes, abrangentes e conseguiam arrancar
concessões do capital.

A partir da década de 1970, vivenciou-se uma crise do modelo de


produção concomitantemente à derrocada do paradigma estatal.
Embora se fale aqui em declínio do Estado de Bem-Estar Social, é de
se ver que houve, na realidade, a ascensão de um pensamento único
hegemônico de matriz neoliberal, cujos efeitos foram mais nefastos
aos países periféricos.
As empresas passam a se concentrar, tão-somente nas suas
atividades essenciais relegando a empresas terceiras as demais
etapas da produção. Hoje, verifica-se a empresa enxuta,
descentralizada, com produtos descartáveis e relações de trabalho
instáveis. O sindicato se fragmenta e se enfraquece, tendo em vista a
pulverização da classe trabalhadora em empresas menores e
dispersas.

Retoma-se aos problemas do início da história do surgimento do ramo


trabalhista. Relega-se o dirigismo contratual nas relações de trabalho,
pugnando-se pela formação do contrato de trabalho de forma livre
pelas partes. Propõe-se a prevalência do negociado sobre o legislado,
diante do argumento de que as partes sabem o que é melhor para
elas e de que os acordos bilaterais tendem a ser melhor cumpridos.

No Brasil, com o advento da Constituição da República de 1988,


vislumbrou-se uma nova era. Instituiu-se o Estado Democrático de
Direito, com a consolidação dos direitos trabalhistas como direito
fundamental do homem. Também a liberdade de associação e de
sindicalização integraram o rol dos direitos fundamentais, sendo
vedada a interferência estatal nas associações e movimentos
trabalhistas. A República Federativa do Brasil se erige sobre os
valores da dignidade da pessoa humana, igualdade, liberdade e valor-
social do trabalho.

Os sindicatos foram reconhecidos e valorizados, na medida em que se


ampliou o alcance e as prerrogativas da negociação coletiva. A
tentativa de negociação coletiva tornou-se requisito para a
interposição de dissídio coletivo e exigiu-se a participação obrigatória
do sindicato da categoria profissional o que legitima e dá força para a
norma coletiva, haja vista que, pelo menos teoricamente, a
negociação entre seres coletivos se dá em nível de igualdade e que,
portanto, aquilo que foi negociado representa os interesses da
classe.

A negociação coletiva erigiu-se como um dos princípios


constitucionais, embora ao mesmo tempo lhe delegue um novo papel
de instrumento de gestão da crise.

No Brasil, a fase de restauração e consolidação do Estado


Democrático de Direito coincidiu com o levante da hegemonia
neoliberal observado nos países capitalistas centrais. Nesse contexto,
a norma coletiva passa a ter efeitos de contágio adversos, passando a
influenciar o
legislador para diminuição do patamar mínimo existencial, como
aconteceu com o banco de horas que já era praticado por sindicatos
da Força Sindical e acabou sendo legitimado pelo legislador, embora
contrário ao princípio da proteção e da norma mais benefica.
A negociação coletiva e o seu resultado, a norma coletiva, é o fiel da
balança, o ponto de equilíbrio entre o interesse empresário de
aumentar a mais-valia e a luta dos trabalhadores para conservar ou
resgatar a dignidade.

No Brasil e nos demais países periféricos diante do enfraquecimento


dos sindicatos, responsáveis pelas negociações, não há se falar, na
maioria dos casos, em paridade entre as partes negociantes. Hoje, o
sindicato não consegue mais arrancar concessões do capital como
outrora fora capaz, luta para não perder os direitos conquistados. Ao
invés de servir à classe oprimida e se opor aos avanços do capital,
dando legitimidade, hoje apenas carimba as inovações que o capital
inventa legitimando o "capitalismo sem reciprocidade".

A negociação coletiva, assenta-se sobre o princípio da adequação


setorial negociada que estabelece dois critérios para a validade da
norma coletiva: a necessidade de implementação de um padrão de
direitos superior ao geral e a efetiva transação de direitos de
indisponibilidade relativa. Do contrário são inválidas as normas
coletivas derivadas da negociação coletiva.

Dessa maneira, forçoso asseverar que as normas imperativas estatais


que constituem um patamar mínimo civilizatório abaixo do qual não
se admite viver, devem ser preservadas nos contratos de trabalho,
constituindo conteúdo mínimo inarredável desses, ainda que por
normas coletivas.

JURISPRUDÊNCIA:

NEGOCIAÇÃO COLETIVA. VALIDADE. A avença sobre a tabela de


turnos ininterruptos de revezamento, decorrente de acordo
entabulado entre os empregados e a empresa, com a participação do
sindicato, tal como apresentada no caso, na forma de plebiscito, além
de resolver situação específica da categoria interessada, é sobretudo
eficaz pleno jure, compondo, sob o pálio da garantia constitucional, o
interesse conflitante. Constitui-se em ato jurídico perfeito, com
eficácia reconhecida pela Constituição da República (art. 7º, inciso
XXVI), jungido de legalidade estrita (art. 5º, II, ibidem). PJe: 0010634-
46.2015.5.03.0026 (RO). Disponibilização: 22/02/2018. Órgão
Julgador: 9ª T - TRT3. RELATOR: Des. João Bosco Pinto Lara.

BIBLIOGRAFIA:

DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo:


LTr, 2018.

CAMARGOS, Regina Coeli Moreira. Negociação Coletiva: trajetória e


desafios. Belo Horizonte: RTM, 2009.
ORSINI, Adriana Goulart; AVILA, Flávia de; FANTINI, Karine Monteiro
de Castro; SILVA, Nathane Fernandes da (Org.) Mecanismos de
Solução de Controvérsias Trabalhistas nas Dimensões Nacional e
Internacional. São Paulo: LTr, 2015.

Aula III: Acordo Coletivo e Convenção Coletiva de Trabalho

Negociação coletiva entre sindicatos = produto é uma CCT

CCT = acordo em que dois ou mais sindicatos de categorias econômicas e profissionais


estipulam condições de tratabo às relações profissionais de trabalho – art. 611 CLT

ACT = surgem a partir da negociação coletiva entre sindicato profissional e empregador

ACT = é o acordo entre o sindicato profissional e a empresa, estipulando condições de


trabalho aplicáveis no âmbito da empresa ou das relações de trabalho (art 611, parag 1º -
clt), âmbito limitado, já que só se aplica no âmbito daquele empregador especifo.
Diferente da CCT, em que se aplica à toda a categoria.

Legitimidade para participar de uma negociação coletiva = somente os seres coletivos


(sindicato patronal, profissional e o empregador), é possível que a federação atue na
ausência do sindicato profissional, ou a confederação, na ausência desta, porém nunca a
federal sindical é atribuído esse poder negocial. Há uma tendencia jurisprudência que
diante da omissão dos seres coletivos, há uma tendencia em reconhecer a legitimidade
de centrais sindicatis e até mesmo de comissão interempresarial de empregados para
celebrar acordos coletivos em situações excepcionais.

Conteúdo ACT CCT = matéria dispositivos normativos (regras jurídicas), como


dispositivos obrigacionais (cláusulas contratuais), natureza tanto normativa como
obrigacional.

Forma = a legislação especifica uma formalidade a ser observada como condição de


validade, forma escrita, após isso, deve ser dado publicidade razoável em relação a
todos os seres coletivos envolvidos e aos representados, acesso amplo ao produto da
negociação aos envolvidos; além disso, outros requisitos poderão estar previsto no
próprio estatuto do sindicato, podendo ser criado um rito negocial à forma daqueles
instrumentos negociais.
Quanto ao rito da neogicação coletiva, importante citar que não pode permitir a
interferência do Estado, em razão do principio da liberdade e autonomia sindical. O
estatuto é o instrumento capaz de definir esse rito negocial, embora a CLT preveja
alguns requisitos, a única obrigatoriedade obrigada prevista em lei é a necessidade do
deposito de uma cópia da CCT ou ACT a ser depositada no ministério do trabalho (art.
614 clt), além da publicidade do instrumento negocial.

Duração = não mais de 2 anos, sendo vedada a ultratividade (art. 614, parag 3º CLT)

Hierarquia entre CCT e ACT = art. 620 clt. – ACT sempre prevalece sobre CCT

RESUMO:

No Brasil, a partir de 1934, as Constituições reconheceram


expressamente a convenção coletiva de trabalho, mas até 1938,
entendia-se que ela se aplicava apenas aos associados dos
sindicatos, tendo sido estendidos para a categoria em 1939.

A CLT de 1943 retraiu o seu campo de aplicação exigindo o aval do


Estado para que valesse para os seus próprios sócios e também aos
não-sócios. Denomina-se contrato coletivo, significando o que hoje se
conhece por convenção coletiva.

Em 1967, a convenção coletiva ganhou definitivamente esse nome,


voltou a abranger a categoria sem se sujeitar à homologação estatal.
Criou-se, ao mesmo tempo, a figura dos acordos coletivos de
trabalho, cujo campo de incidência limita-se a uma ou mais empresas
com a qual é feita a negociação coletiva.

Há um terceiro tipo de diploma coletivo resultado da negociação


coletiva: o contrato coletivo de trabalho. Não obstante, a doutrina não
consiga chegar a um consenso sobre a sua conceituação e
abrangência, diz-se que deve ser um contrato mais abrangente do
que o acordo coletivo de modo a abarcar mais de uma categoria em
nível nacional.

Porém, no Brasil, o contrato coletivo de trabalho não se encontra


insitucionalizado no ordenamento jurídico pátrio.

Sobre a importância dos instrumentos negociais para o surgimento e


afirmação do Direito do Trabalho, leciona Maurício Godinho Delgado:

Os diplomas negociais coletivos qualificam-se como alguns dos mais


específicos e notáveis destaques próprios do Direito do Trabalho no
universo jurídicos dos dois últimos séculos. Na verdade, firmam o
marco que esse ramo jurídico especializado estabeleceu com relação
a conceitos e sistemática clássicas do Direito Comum: é que eles
privilegiam e somente se compreendem em função da noção de ser
coletivo (vejam-se, além desses institutos da negociação coletiva,
também as figuras do sindicato e da greve, por exemplo). Com isso,
fazem contraposição à hegemonia incontestável do ser individual no
Aula III - Acordo Coletivo e Convenção Coletiva de Trabalho
estuário civilista preponderante no universo jurídico. (DELGADO,
2018. P. 1640)

Com efeito, o ordenamento justrabalhista brasileiro dispõe de dois


instrumentos negociais: a convenção coletiva de trabalho e o acordo
coletivo de trabalho.

No art. 611, da CLT, está a definição de convenção coletiva de


trabalho como sendo:

Convenção Coletiva de Trabalho é o acôrdo de caráter normativo,


pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias
econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho
aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações
individuais de trabalho.

Trata-se, portanto, do produto de uma negociação coletiva frutífera


realizada entre sindicato patronal e sindicato profissional.

Já o acordo coletivo de trabalho é o resultado de uma negociação


coletiva frutífera realizda entre empregador e sindicato profissional.
Como sabido, o empregador sozinho é considerado ser coletivo e tem
legitimidade para participar da negociação coletiva sem estar
representado pelo seu respectivo sindicato.

Não há se falar em violação à disposição constitucional (art. 8º, inc.


VI, CR/88) que determina a obrigatoriedade da participação dos
sindicatos na negociação coletiva, vez que tal regra constitucional se
refere aos sindicatos representativos dos empregados, já que esses
não são considerados, de forma isolada, como ser coletivo.

Define o § 1º, do art. 611, da CLT:

É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais


celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais emprêsas da
correspondente categoria econômica, que estipulem condições de
trabalho, aplicáveis no âmbito da emprêsa ou das acordantes
respectivas relações de trabalho.

Assim, os acordos coletivos de trabalho diferem-se da convenção


coletiva porque esta é realizada entre dois ou mais sindicatos
abrangendo toda a categoria de determinado segmento
empresarial.
Além disso, os acordos coletivos de trabalho têm âmbito mais
limitado que as convenções coletivas de trabalho, pois seus efeitos só
são aplicáveis à empresa e aos trabalhadores envolvidos.

Por outro lado, tanto a convenção coletiva de trabalho, quanto o


acordo coletivo de trabalho traduzem acordos de vontade entre os
seres coletivos envolvidos na negociação coletiva. Ambos criam
regras jurídicas autônomas, na medida em que são constituídos de
preceitos gerais, abstrados e impessoais que regularam situações
futuras.

Quanto à legitimação para celebrar os ditos instrumentos negociais,


sob o ponto de vista dos empregados, apenas os sindicatos obreiros
possuem tal legimidade.

Contudo, sob o ponto de vista dos empregadores, tanto o sindicato


patronal, quanto o próprio empregador possuem legitimidade para
participarem de negociação coletiva e, portanto, celebrarem os
diplomas negociais.

Na hipótese da categoria profissional não possuir sindicato


representativo, esclarece Maurício Godinho Delgado:

No caso de categorias inorganizadas em sindicatos, a federação


assume a correspondente legitimidade para discutir e celebrar
convenões coletivas de trabalho. Inexistindo também federação,
assume a legitimidade a correspondente confederação (art. 611, § 2º,
CLT). (DELGADO, 2018. p. 1647)

O critério acima exposto também se aplica aos acordos coletivos de


trabalho, quando a categoria de trabalhadores não for organizada e
representada por um sindicato.

Em relação à forma, os diplomas negociais são instrumentos formais


(solenes), devendo ser por escrito, submetidos a divulgação pública,
ou seja, haver uma publicidade razoável entre os membros das
classes envolvidas.

Os instrumentos negociais devem observar os requisitos e


formalidades constantes no estatuto sindical. Há quem entenda que
os comandos expressos nos arts. 612 e 613, da CLT, não devem
prevalecer, vez que teriam sido revogados tacitamente pela CR/88, já
que violariam o princípio da autonomia sindical.

Quanto à duração dos instrumentos negociais, a reforma trabalhista


vedou a ultratividade dos dispositivos negociais (§ 3º, do art. 614, da
CLT).

Quando houver conflito de regras entre a convenção coletiva de


trabalho e o acordo coletivo de trabalho, nos termos do art. 620, da
CLT, já com as alterações trazidas pela Reforma Trabalhista,
determina que "as condições estabelecidas em acordo coletivo de
trabalho sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção
coletiva de trabalho".

Sobre esse tema, critica Maurício Godinho Delgado:

A Lei 13467/17 (vigência a partir de 11.11.2017), porém, inverteu


toda a equação, em menoscabo ao princípio constitucionalizado da
norma mais favorável (art. 7º, caput, CF). No novo texto imposto ao
art. 620, ficou estitpulada regra inversa.

Depreende-se, pois, que o Estado transforma normas imperativas em


dispositivas e há a constante ameaça de que o negociado prevaleça
sobre o legislado, mas não para avançar e sim para reduzir e achatar
os direitos trabalhistas.

LEITURA COMPLEMENTAR:

"Há algum tempo, o papel do sindicato na luta pela criação e pela


proteção dos direitos dos trabalhadores se tornou um ponto sensível
nas discussões que envolvem a reestruturação do sistema capitalista
de produção e a nova configuração da classe trabalhadora.

Isso porque, nas últimas décadas, a atuação sindical parece não ter
acompanhado a profunda mudança nas estruturas políticas e
econômicas do sistema produtivo que ensejaram as novas formas de
opressão suportadas pelo trabalhador. (...)"

Para a íntegra do texto, segue o link abaixo:

NOVAS PERSPECTIVAS DE ATUAÇÃO DO SINDICATO COMO ATOR


SOCIAL: ENTRE A REDISTRIBUIÇÃO E O RECONHECIMENTO NA LUTA
PELA JUSTIÇA SOCIAL.

JURISPRUDÊNCIA:

ISONOMIA SALARIAL - DIFERENÇA DE REMUNERAÇÃO EM VIRTUDE DO


LABOR PRESTADO A TOMADORES DISTINTOS - CONVENÇÃO COLETIVA
VALIDADE O reconhecimento das convenções e acordos coletivos de
trabalho se impõe, por força do disposto no art. 7º, inciso XXVI da
CR/88, sendo válida norma que estabelece o pagamento de
remuneração diferenciada em virtude do labor prestado a tomadores
distintos. PJe: 001054185.2016.5.03.0014 (RO). Disponibilização:
24/07/2017. Órgão Julgador: 4ª T - TRT3. RELATOR: Des. Paulo Chaves
Correa Filho.
BIBLIOGRAFIA:

DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo:


LTr, 2018.

CAMARGOS, Regina Coeli Moreira. Negociação Coletiva: trajetória e


desafios. Belo Horizonte: RTM, 2009.

Aula IV: Limites e Ultratividade

Limites da CCT e ACT = o que pode ser objeto de negociação coletiva? Aqui deve
nortear o principio da indisponibilidade e da adequação setorial negociada,
implementando um padrão superior de direitos, podendo ser negociados somente os
direitos de indisponibilidade relativa.

O ato de renuncia é sempre nula de pleno direito, seja em direito individual ou coltivo
do trabalho.

Quais são as matérias que podem ou não ser objeto de negociação coletiva? (art. 611-A
e B clt).

Comentários sobre isso: enquadramento do grau de insalubridade e prorrogação de


jornada em locais insalubres pode ser objeto de negociação coletiva – objeto de grande
polêmica, em desrespeito à cf (saúde e segurança do trabalhador);

Ultratividade = existiam 3 correntes sobre a ultratividade da norma coletiva

1 aderencia irrestrita

- art. 468, clt – ultratividade plena (uma vez criada, ela se adere pra semrpe ao contrato
de trabalho), ex. reajustes de salario

1 aderencia limitada por revogação

- Sum 277, TST (CCT E ACT permeneceriam em sua vigência mesmo após passado o
período de 2 anos e só seriam revogados com o advento de um novo instrumento
coletivo)

- ultratividade relativa

3 Aderencia limitada pelo prazo = advindo com a reforma trabalhista


- os instrumentos negociais tem o prazo max de 2 anos, e agora é vedada a sua
uktratividad,e eles ficam automaticamente revogados, perdem a sua eficácia no
ordenamento jurídico pátrio.

RESUMO:

Quando se fala em possibilidades e limites da negociação coletiva de


trabalho, é imperiosa a aplicação do Princípio da Adequação Setorial
Negociada que trata de critérios de harmonização entre as regras
negociadas e as legisladas.

Explica Maurício Godinho Delgado:

Pelo princípio da adequação sectorial negociada, as normas


autônomas juscoletivas, construídas para incidirem sobre certa
comunidade econômico-profissional, podem prevalecer sobre o
padrão geral heterônomo justrabalhista, desde que respeitados certos
critérios objetivamente fixados. São dois esses critérios autorizativos:
a) quando as normas autônomas juscoletivas implementam um
padrão sectorial de direitos superior ao padrão geral oriundo da
legislação heterônoma aplicável; b) quando as normas autônomas
juscoletivas transacionam setorialmente parcelas justrabalhistas de
indisponibilidade apenas relative (e não de indisponibilidade
absoluta).

Com efeito, segundo o princípio da adequação sectorial negociada, as


possibilidades da negociação coletiva e, portanto, dos acordos
coletivos de trabalho e convenções coletivas de trabalho, giram em
torno da implementação de padrão de direitos superior ao já
existente e de direitos de indispobilidade relativa (aplicação do
Princípio da Indisponibilidade de Direitos Trabalhistas).

Os instrumentos negociais não poderão ter por objeto renúncia de


direitos trabalhistas, já que todo ato de renúncia no Direito do
Trabalho é nulo de pleno direito (art. 9º, da CLT).

Demais disso, não serão válidos os instrumentos negociais que


negociarem direitos de indisponibilidade absoluta, já que são direitos
que constituem o núcleo de proteção inderrogável dos
trabalhadores.

A Reforma Trabalhista acrescentou à CLT os arts. 611-A e 611-B. O


primeiro trata das matérias que podem ser objeto de negociação
coletiva e o segundo elenca o rol de direitos que não podem ser
objeto de negociação coletiva.
Aula IV - Limites e Ultratividade

Assim, são matérias passíveis de negociação, nos termos do art. 611-


A, da CLT:
? Banco de horas ? Irreditubilidade do salário (art. 7°, VI CF/88) ?
Intervalo intrajornada ? Turno ininterrupto de revezamento ? 6/8 ?
Piso salarial ? SM ? Participação nos lucros e resultados ? Adesão ao
Programa do Seguro-Desemprego ? Plano de cargos e salários ?
Regulamento de empresa ? Representante dos trabalhadores no local
de trabalho ? Teletrabalho, regime de sobreaviso, e trabalho
intermitente ? Remuneração por produtividade ? Modalidade de
registro de jornada ? Troca do dia de feriado ? Enquadramento do
grau de insalubridade e prorrogação de jornada em locais insalubres ?
Prêmios de incentivo em bens ou serviços

Por outro lado, nos termos do art. 611-B, da CLT, não podem ser
objeto de negociação coletiva:

? Normas de identificação profissional Jornada padrão ? Seguro-


desemprego, em caso de desemprego involuntário ? FGTS ? Valor do
13º salário ? Remuneração do trabalho noturno superior à do diurno ?
Segurança e medicina do trabalho ? Salário mínimo ? Salário-família ?
RSR ? Remuneração de horas extras (mínimo 50%) ? Férias ? Licença
maternidade e paternidade ? Aviso Prévio ? Adicional de remuneração
para as atividades penosas, insalubres ou perigosas ? Greve ?
Aposentadoria ? Entre outros

Quanto à aderência das cláusulas estabelecidas em instrumentos


negociais aos contratos de trabalho, há três teorias que explicam
essa aderência:

a) Aderência irrestrita

Para aqueles que sustentam esse posicionamento, entendem que


deve ser aplicado o art. 468, CLT, de modo que as cláusulas
estabelecidas em CCT/ACT aderem plenamente ao contrato de
trabalho, gerando o efeito da ultratividade plena.

b) Aderência limitada por revogação

Segundo esse entendimento, as cláusulas negociais aderem ao


contrato de trabalho até que surja outro instrumento negocial para
revogá-las, gerando o efeito da ultratividade relativa. Esse era o
entendimento do TST, consubstanciado pela Sum. 277:

Sum. 277 - TST - CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO OU ACORDO


COLETIVO DE TRABALHO. EFICÁCIA. ULTRATIVIDADE (redação
alterada na sessão do Tribunal Pleno realizada em 14.09.2012) - Res.
185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 As cláusulas
normativas dos acordos coletivos ou convenções coletivas integram
os contratos individuais de trabalho e somente poderão ser
modificadas ou suprimidas mediante negociação coletiva de
trabalho.
Para o TST, a ultratividade da norma coletiva geraria uma condição
mais benéfica ao trabalhador pela manutenção de direitos coletivos já
pactuados, além de estimular nova negociação coletiva, vez que a
ultratividade perdurará até que novo instrumento negocial a
revogue.

Desde 14/09/2016, os efeitos da súmula 277 do TST estão suspensos


por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal na Arguição de
Descumprimento de Preceito Fundamental nº 323.

c) Aderência limitada pelo prazo

A teoria da aderência limitada pelo prazo foi a adotada pelo art. 614,
§ 3º, CLT, gerando o efeito da ausência de ultratividade:

§ 3o Não será permitido estipular duração de convenção coletiva ou


acordo coletivo de trabalho superior a dois anos, sendo vedada a
ultratividade.

Nesse caso, assim que finalizer o prazo de vigência dos instrumentos


negociais, automaticamente cessam seus efeitos sobre o contrato de
trabalho.

Vê-se, portanto, que a reforma trabalhista vedou a manutenção de


vigência de acordos e convenções coletivas de trabalho para além do
prazo legal fixado no instrumento coletivo.

Assim as cláusulas de acordo ou convenção coletiva não integrarão


aos contratos de trabalho dos empregados após o término do prazo
de vigência dos instrumentos negociais.

O § 3º, do art. 614, da CLT estabelece o limite temporal máximo de 2


(dois) anos para a duração de uma Convenção ou Acordo Coletivo de
trabalho, vedada a sua ultratividade.

Não se pode esquecer que Acordos e Convenções Coletivas de


trabalho criam normas de caráter privado por serem acordos de
vontade, verdadeiros contratos privados, que obrigam apenas as
partes acordantes no prazo assinado nos instrumentos negociados.

A não-ultratividade passa a ser regra, impondo-se o entendimento de


que os diplomas coletivos negociados prevalecem apenas enquanto
vigentes, ou seja, tão-somente durante o prazo determinado,
podendo o diploma subseqüente retirar e reduzir direitos
anteriormente conquistados.

JURISPRUDÊNCIA :
PROFISSÃO REGULAMENTADA - CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO
- CONFLITO APARENTE DE NORMAS. Tratando-se de empregado que
exerce profissão regulamentada, é necessária a observância
concomitante das normas jurídicas heterônomas, ou seja, aquelas
estabelecidas, na legislação própria, bem como das normas
autônomas, previstas, nas Convenções Coletivas, eliminando
eventuais antinomias, através do princípio da norma mais favorável.
Havendo conflito aparente, entre a norma geral e aquela prevista, na
legislação especial, prevalece esta última, segundo o princípio acima
mencionado. Esta orientação reforça-se, quando a Convenção
Coletiva de Trabalho não traz qualquer inovação, quanto à jornada de
trabalho - repetindo, apenas, os limites máximos fixados, no artigo
7o., XIII, da Constituição da República. PROCESSO: 00814-2007-099-
03-00-5 RO. Disponibilização: 09/05/2008. Órgão Julgador: 1ª T -
TRT3. RELATOR: Des. Manuel Cândido Rodrigues

BIBLIOGRAFIA:

DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo:


LTr, 2018.

DIAS, Carlos Eduardo Oliveira. Entre os cordeiros e os lobos: reflexões


sobre os limites da negociação coletiva nas relações de trabalho. São
Paulo: LTr, 2009.

GONÇALVES, Lilian. Ultratividade das Cláusulas Normativas. São


Paulo: LTr, 2008.

Aula I: Prescrição no Direito do Trabalho

Diferença entre prescrição, preclusão e decadência = prescrição está disciplinada no


código civil, é a perda da pretensão em virtude da inercia do seu titular em prazo fixado
em lei.

Na prescrição o direito existe, perde-se a pretensão de se exigir esse direito.

Na preclusão, é a perda da faculdade ou do direito processual, possuindo como


finalidade limitar o exercício abusivo dos poderes processuais pelas partes, assegurando
a duração razoável do processo, segurança jurídica, boa -fe processual e efetividade da
júridicção.

Perda do ato processual

Decadencia = perda do direito pelo decurso do prazo decadencial previsto em lei.


Ex. procedimentos especiais (inquérito para apuração de falta grave – prazo para entrar
com essa demanda em 30 dias da ciência do fato, se ele não entrar, decai do direito);
outro exemplo é a ação rescisória, que deve ser ajuizada em 2 anos; mandado de
segurança, que deve ser ser impetrato em 120 dias do fato da violação.

Prescrição = art. 7º, inciso 29 CF 88:

1. Precrição bienal = prazo de 2 anos do fim do contrato de trabalho


2. Prescrição quinquenal = pode requerer os créditos anteriores à 5 anos do
ajuizamento da ação

Como funciona a prescrição no caso de um trabalhador que não teve seu vinculo de
emprego reconhecido e já ultrapassou o prazo de 2 anos dessa extinção? Ele poderia
ajuizar uma ação mesmo ultrapassado esse prazo? Sim, caso ele queira ajuizar uma ação
de declaração do vinculo (art. 11 clt), que são imprescritíveis, não podendo requerer a
condenção, uma vez que os pedidos estarão prescritos.

Contagem do prazo = projeção do aviso prévio (OJ 82, TST).

RESUMO:

Decadência1 é a extinção do direito pela inércia do seu titular quando


sua eficácia foi, na origem, subordinada à condição de seu exercício
dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que o exercício
se verificasse.

Costuma-se distinguir prescrição e decadência dizendo que aquela


refere-se ao direito de ação e está ao direito propriamente dito.

Exemplo de decadência: Inquérito para apuração de falta grave - 30


(trinta) dias.

Os prazos decadenciais podem ser estabelecidos pela lei ou pela


vontade das partes2 enquanto os prazos prescricionais decorrem
unicamente da lei, não podendo ser alterados sequer em benefício do
empregado.

Para diferenciar os institutos que, por vezes, geram confusão, segue a


explicação abaixo:

Prescrição é a perda da pretensão em virtude da inércia do seu titular


no prazo fixado em lei (CC, art.189).
A preclusão consiste na perda de uma faculdade ou de um direito
processual e tem por finalidade limitar o exercício abusivo dos
poderes processuais pelas partes, de modo a assegurar a duração
razoável do processo, a boa-fé processual, a segurança jurídica e a
efetividade da jurisdição.

A decadência consiste na perda do direito pelo decurso do prazo


decadencial previsto em lei.

A prescrição no Direito do Trabalho:3

Prescrição é a perda do direito de ação, em razão da inércia do seu


titular, no decorrer de certo período. No Direito do Trabalho está
prevista no artigo 7º, XXIX, da Constituição Federal.

Como se vê, a prescrição, no âmbito trabalhista, enquanto extinção


do direito do autor, ocorre a partir de dois lapsos temporais, mas, na
prática, exterioriza-se de maneira una, interligados, mas, não
"somados". De fato, não se trata de somatória dos dois prazos ("sete
anos"), porque o marco inicial da contagem relativa a ambos é
diferente.

De forma esquemática4:

Prescrição quinquenal
Lapso temporal limite para se pleitear direitos trabalhistas. Ainda que
o empregado tenha laborado 20 anos para seu empregador, só
poderá pleitear verbas relativas aos últimos cinco anos trabalhados.
Exemplo: empregado admitido em 11/10/1985, demitido em
29/09/2005; ajuizou ação em 13/10/2005, pleiteando horas extras
laboradas desde janeiro/1990. Pois bem, conquanto tenha realizado
horas extras desde 1990, não poderá pleiteá-las na totalidade porque,
diante da prescrição quinquenal, só poderá pedir direitos relativos aos
cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação: 13/10/2005 - 5 anos =
13/10/2000, de modo que os direitos anteriores a 13/10/2000 estão
prescritos.

4 RESENDE, Ricardo. Direito do Trabalho Esquematizado. São Paulo:


Editora Método.

Prescrição bienal

A partir da rescisão contratual, qualquer que seja a sua causa,


prescreve em dois anos o direito de pleitear direitos relativos à
relação de emprego. Utilizaremos o mesmo exemplo acima, mas, com
algumas diferenças: empregado admitido em 11/10/1985, foi
demitido em 29/09/2005; ajuizou ação trabalhista em 13/11/2007,
pleiteando horas extras não-pagas, laboradas desde janeiro/1990.
Sendo a rescisão em 29/09/2005, a prescrição bienal ocorreria em
29/09/2007; se o ajuizamento da ação se deu em 13/11/2007,
ultrapassou período de dois anos

LEITURA COMPLEMENTAR:

"Durante a relação do contrato de trabalho, havendo alguma lesão a


direito, o trabalhador tem até 5 (cinco) anos para propor a
correspondente ação, visando a reparação do direito violado. Trata-
se, portanto, da prescrição quinquenal. Ocorre que, a prescrição
torna-se um elemento indigno na relação capital x trabalho, ceifando
direitos dos trabalhadores, em nome de uma suposta segurança
jurídica, que impede 281 que se consiga alcançar verbas que tenham
mais de cinco anos contados do ajuizamento da ação. A lógica
provável de o legislador constituinte ter limitado em cinco anos, é que
em tempos mais remotos, as provas documentais eram mantidas em
papeis, fazendo com que existisse a possibilidade de, com o tempo,
além de não ter mais onde arquivar, ocorrer o desgaste pelo tempo.
Entretanto, essa preocupação é inócua nos tempos atuais,
considerando-se que o que antes se registrava em papel,
hodiernamente se arquiva em mídias eletrônicas, ocupando ínfimos
espaços, podendo guardar os dados por séculos e séculos. (...)"

Para íntegra do texto, segue link abaixo:


CRÉDITO TRABALHISTA: PRESCRIÇÃO E ATUALIZAÇÃO FERINDO A
DIGNIDADE DO TRABALHADOR

LEGISLAÇÃO:

Constituição

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de


outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXIX - ação,
quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo
prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais,
até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho.

CLT Art. 11. A pretensão quanto a créditos resultantes das relações


de trabalho prescreve em cinco anos para os trabalhadores urbanos e
rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de
trabalho. I - (Revogado pela Lei nº 13.467, de 13.7.2017) II -
(Revogado pela Lei nº 13.467, de 13.7.2017)

JURISPRUDÊNCIA:

PRESCRIÇÃO BIENAL - OCORRÊNCIA. Ajuizada a reclamatória após o


decurso do prazo de dois anos do término do contrato de trabalho,
sem a ocorrência de causa interruptiva, incide à espécie o disposto no
art. 7º, XXIX, da CF/88 e no art. 11 da CLT, com a redação anterior à
conferida pela Lei 13.467/17, quanto à prescrição bienal do direito de
ação. (TRT da 3.ª Região; PJe: 0011718-67.2016.5.03.0149 (RO);
Disponibilização: 02/04/2018; Órgão Julgador: Quarta Turma; Relator:
Denise Alves Horta).

BIBLIOGRAFIA:

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

CAIRO JÚNIOR, José. Curso de Direito do Trabalho. Salvador.


Juspodivm

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

GONÇALVES, Marcos Fernandes. Diferenças entre prescrição e


decadência no Processo do Trabalho. Disponível em
[Link]
[Link]. Acesso em 15 de abril de 2018
RESENDE, Ricardo. Direito do Trabalho Esquematizado. São Paulo:
Editora Método

Aula II: Especificidades da Prescrição no Direito do Trabalho

Impedimento do prazo prescricional = é o obstáculo ao curso do prazo antes de seu


inicio.

Aqui nem começa a contar o prazo. Situação que impede a começar a contar, ex. o
menor de idade – enquanto ele não completa a maioridade, a prescrição não corre contra
ele.

Prescrição não corre.

Suspensão = cessão tempoprária do curso do prazo prescricional sem prejuízo do tempo


já decorrido.

O prazo que estava contando, volta a contar de onde parou.

Prescrição corre até ser paralisada, ai corre depois que retomar da onde parou.

Interrupção = impede o fluxo normal do prazo, inutilizando o já decorrido.

Cessa a contagem e quando voltar a contar, volta a contar a partir de um novo prazo, do
zero, sem aproveitar o prazo que já passou.

Prescrição é paralisada, e quando cessar o motivo da interrupção, ela é começada a


contar do zero, ou seja, inicia-se um novo prazo prescricional.

Contra os menores não corre prescrição. E em relação aos herdeiros menor? Pode se
aplicar o art. 440 da CLT? A discussão é que esse artigo está inserido no tópico
relacionado ao trabalhador menor, então apesar do artigo não falar do trabalhador
menor, mas só do menor, ele faz referencia ao trabalhador menor. Quando se fala de
herdeiro, não se fala de trabalhador, e sim de uma questão testamentária, então essas
pessoas que vao representar os direitos do de cujus, a jurisprudência entende que esse
artigo é especificamente para o trabalhador menor, utilizando no caso de herdeiros o
código civil – que prevê a imprescritibilidade para os menores.

A suspensão do contrato de trabalho suspende a contagem da prescrição? Ex. auxilio


doença (suspende o contrato de trabalho, pago pelo INSS), como funciona a prescrição
nesse sentido? A jurisprudência tem entendido (OJ 375 TST) entendeu que somente
suspende a prescrição bienal, mas a quinquenal ainda sim fica contando, salvo
comprovado a total impossibilidade para o exercício do seu direito de ação.

RESUMO:

Causas impeditivas

Impedimento da prescrição é o obstáculo ao curso do respectivo


prazo, antes do seu início. Constitui-se em um fato que não permite
que o prazo prescricional comece a correr, ou seja, a contagem do
prazo prescricional sequer é iniciada enquanto durar o fato
impeditivo.

Ex: Contra os menores de 18 anos não corre prazo de prescrição,


conforme dispõe o artigo 440 da CLT.

Há a discussão em relação aos herdeiros menores que ajuízam ação


trabalhista para postular direitos do contrato de trabalho do
trabalhador que faleceu. A CLT é omissa neste ponto, sendo que, por
força do art. 8º do Texto Consolidado, o TST tem entendimento pela
possibilidade de aplicação da regra do Código Civil. Neste sentido,
conferir a jurisprudência, trazida ao final deste trabalho.

Delgado cita também o exemplo de causa impeditiva civilista


aplicada ao Direito do Trabalho, qual seja, aquela que está prevista
no art. 198, II, do Código Civil quando houver a ausência do país por
parte do titular do direito, em serviço publico da União, Estado e
Municípios.1

No mesmo sentido, o disposto no item III, do art. 198 do Código Civil


que estabelece a incidência desta hipótese aos que se acharem
servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra.

Causas suspensivas

Paralisam o curso do prazo de prescrição já iniciado, o qual será


retomado do ponto onde parou, com o fim da causa suspensiva. A
suspensão é a cessão temporária do curso do prazo prescricional sem
prejuízo do tempo já decorrido.
Exemplo: Art. 625-G, CLT. O prazo prescricional será suspenso a partir
da provocação da Comissão de Conciliação Prévia, recomeçando a
fluir, pelo que lhe resta, a partir da tentativa frustada de conciliação
ou do esgotamento do prazo previsto no art.625-F da CLT.

1 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São


Paulo: LTr, 2014. p. 264.
Aula II - Especificidades da Prescrição no Direito do Trabalho

Causas interruptivas

Susta a contagem do prazo prescricional já iniciada, eliminando


inclusive o prazo que já fluiu até então, isto é, afastada a causa
interruptiva o prazo prescricional é contado novamente, desde o
começo, e não desde o ponto em que ocorreu a prescrição. A
Interrupção da prescrição é o fato que impede o fluxo normal do
prazo, inutilizando o já decorrido

Exemplo: ajuizamento de ação (art. 202, I, CC) ou protesto


interruptivo (art. 202, II, CC)

SUM-268 TST - PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO. AÇÃO TRABALHISTA


ARQUIVADA (nova redação) - A ação trabalhista, ainda que arquivada,
interrompe a prescrição somente em relação aos pedidos idênticos.

No mesmo sentido, o Art. 11. § 3º da CLT.

Em relação ao ajuizamento do protesto judicial e sua aplicabilidade no


processo do trabalho, temos a OJ 392 da SDI 1, abaixo transcrita.

OJ-SDI1-392. PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO. AJUIZAMENTO DE


PROTESTO JUDICIAL. MARCO INICIAL. (atualizada em decorrência do
CPC de 2015) - Res. 208/2016, DEJT divulgado em 22, 25 e
26.04.2016 O protesto judicial é medida aplicável no processo do
trabalho, por força do art. 769 da CLT e do art. 311 do CPC de 2015.
O ajuizamento da ação, por si só, interrompe o prazo prescricional,
em razão da inaplicabilidade do § 2º do art. 240 do CPC de 2015 (§ 2º
do art. 219 do CPC de 1973), incompatível com o disposto no art. 841
da CLT.

Em síntese, podemos constatar que: no impedimento, a prescrição


não corre; na suspensão, a prescrição corre até ser paralisada.
Cessada a causa da paralisação, o curso anterior prossegue, valendo
o prazo anteriormente decorrido. Na interrupção, paralisado o curso
da prescrição, inutiliza-se o tempo anterior. Desaparecendo a causa
interrompida, inicia-se novo prazo prescricional.
LEITURA COMPLEMENTAR:

"Reza o inciso I do artigo 199 do Código Civil que não corre


igualmente a prescrição: "pendendo condição suspensiva". Na
condição suspensiva há cláusula estatuída pelas partes para
subordinar os efeitos o negócio jurídico a evento futuro e incerto.
Exemplo de condição suspensiva é: enquanto você não se casar não
lhe darei um automóvel. Não existe exatamente
condição suspensiva no afastamento do empregado para gozar de
auxílio-doença ou auxíliodoença acidentário. Não há nenhum
impedimento para que o empregado ajuíze ação na Justiça do
Trabalho e postule o que entende devido. A pretensão da parte surge
com a lesão e nesse momento passar afluir o prazo prescricional para
postular a reparação TST está adotando o entendimento de que
durante o afastamento do empregado não há previsão de suspensão
do prazo de prescrição. (...)".

Para íntegra do texto, segue link abaixo:

Suspensão da Prescrição Trabalhista por Doença do Empregado

LEGISLAÇÃO:

Código Civil Art. 197. Não corre a prescrição: I - entre os cônjuges, na


constância da sociedade conjugal; II - entre ascendentes e
descendentes, durante o poder familiar; III - entre tutelados ou
curatelados e seus tutores ou curadores, durante a tutela ou
curatela.

Art. 198. Também não corre a prescrição: I - contra os incapazes de


que trata o art. 3o; II - contra os ausentes do País em serviço público
da União, dos Estados ou dos Municípios; III - contra os que se
acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra.

Art. 199. Não corre igualmente a prescrição: I - pendendo condição


suspensiva; II - não estando vencido o prazo; III - pendendo ação de
evicção.

CLT Art. 11. § 3o da CLT. A interrupção da prescrição somente


ocorrerá pelo ajuizamento de reclamação trabalhista, mesmo que em
juízo incompetente, ainda que venha a ser extinta sem resolução do
mérito, produzindo efeitos apenas em relação aos pedidos
idênticos. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)

Art. 440 - Contra os menores de 18 (dezoito) anos não corre nenhum


prazo de prescrição.
Art. 625-G. O prazo prescricional será suspenso a partir da
provocação da Comissão de Conciliação Prévia, recomeçando a fluir,
pelo que lhe resta, a partir da tentativa frustada de conciliação ou do
esgotamento do prazo previsto no art. 625-F.

JURISPRUDÊNCIA:

PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO. AÇÃO AJUIZADA PELO ESPÓLIO DO


TRABALHADOR FALECIDO, REPRESENTADO PELA HERDEIRA MENOR.
APLICAÇÃO DO ART. 198, I, DO CÓDIGO CIVIL. 2.1. A legislação
trabalhista em vigor não possui norma específica que regule a
prescrição aplicável ao herdeiro menor de empregado falecido. O art.
440 da CLT, que veda o curso da prescrição contra menores de 18
anos, não pode ser aplicado em casos como o dos autos, porquanto
extensível apenas ao menor trabalhador. 2.2. Por essa razão, incidem
à espécie as normas do direito comum, nos moldes do art. 8.º da CLT,
mais especificamente a previsão contida no art. 198, I, do Código
Civil, que impede a fluência da prescrição contra os absolutamente
incapazes, entre os quais se encontra o menor de 16 anos. 2.3. Logo,
considerando que à época do ajuizamento da ação a representante
do espólio autor era menor impúbere, não há como reconhecer a
incidência da prescrição. Recurso de revista conhecido e provido.
(Processo: RR - 196200-02.2009.5.15.0008 Data de Julgamento:
12/03/2014, Relatora Ministra: Delaíde Miranda Arantes, 7ª Turma,
Data de Publicação: DEJT 21/03/2014).

BIBLIOGRAFIA:

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

CAIRO JÚNIOR, José. Curso de Direito do Trabalho. Salvador.


Juspodivm.

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

GONÇALVES, Marcos Fernandes. Diferenças entre prescrição e


decadência no Processo do Trabalho. Disponível em
[Link]
[Link]. Acesso em 15 de abril de 2018.

RESENDE, Ricardo. Direito do Trabalho Esquematizado. São Paulo:


Editora Método.
Aula III: Prescrição e a Lei 13.467/2017

Art 11 Clt – não se aplica aos casos de ação que objetiva anotações com o fim de prova
para a previdência social (ações declaratórias)

Prescrição Total e Parcial:

Parcial = objeto decorre de texto expresso em lei, independentemente de quando


originou a lesão ao direito, eu sempre vou ter o direito de requerer os uktimos 5 anos
dessa parcela, já que está assegurado em preceito de lei.

Total = interessa saber quandoo inciiou a lesão do ato, quando inciiou o desrespeito do
ato e a partir dessa data, da violãcao ao direito da parte, se conta o prazo de 5 anos para
a parte requerer seu direito (que não esta previsto em preceito de lei, mas em contrato de
trabalho ou regulamento empresarial, por ex).

RESUMO:

A Lei 13.467/2017 trouxe inúmeras modificações no campo do direito


material e processual do trabalho. Em relação a prescrição vamos nos
atentar para os seguintes pontos.

Inicialmente merece registro o fato de que não há que se falar em


prescrição nas ações declaratórias, a teor do disposto no art. 11, §1º,
da CLT. Assim, qualquer ação que não tenha por objeto a condenação
da parte contrária, mas somente a declaração da existência de
determinada relação, é passível de ser ajuizada em qualquer tempo
na Justiça do Trabalho. Cita-se, a título de exemplo, ação que visa a
declaração do vínculo de emprego, ou a retificação do documento
Perfil Profissiográfico Previdenciário - PPP, para fins de prova junto à
Previdência Social.

O §3º do art. 11, ao estabelecer que a interrupção da prescrição


somente ocorrerá pelo ajuizamento de reclamação trabalhista,
mesmo que em juízo incompetente, ainda que venha a ser extinta
sem resolução do mérito, produzindo efeitos apenas em relação aos
pedidos idênticos, precisa ser interpretado de maneira sistemática de
modo a evitar distorções inadequadas.

DELGADO e DELGADO explicam que o novo preceito legal inserido na


CLT parece querer introduzir novidade altamente restritiva no que
tange ao assunto prescricional, que seria a impossibilidade de
utilização dos mecanismos de interrupção disponibilizados no direito
civil em seu artigo 202, como o protesto judicial ou por qualquer ato
judicial que constitua em mora o devedor. 1

Em relação a prescrição intercorrente, a Lei 13.467/2017, vem acabar


com a celeuma instaurada no âmbito da própria jurisprudência.

Inicialmente, cabe destacar que a prescrição intercorrente é aquela


que é verificada no próprio processo, sempre que o autor abandone a
causa ou deixe de impulsionar o processo. Nesses casos o STF
entendia pela aplicabilidade da sumula 327 ao processo do trabalho.
Já o TST entendia que não se aplica (Súmula 114).

1 DELGADO Maurício Godinho DELGADO Gabriela Neves. A Reforma


Trabalhista no Brasil com os comentários à Lei 13.467/2017. São
Paulo: LTr, p113.
Aula III - A Prescrição e a Lei 13.467/2017

Importante ressaltar que o prazo para se contabilizar a prescrição


intercorrente, é a partir do momento em que o exequente deixar de
apresentar meios para o devido prosseguimento da execução, após
devidamente intimado para tanto.

O art. 11 A, §1º e §2º, estabelece a possibilidade de a declaração da


prescrição intercorrente ser requerida pela parte interessada ou
declarada de ofício, pelo magistrado. DELGADO e DELGADO
falam que no que se relaciona ao requerimento pela própria parte ou
interessado, o magistrado deverá examinar a ocorrência (ou não) do
vicio consistente no ato de o indivíduo agir de boa-fé objetiva que
deve reger as condutas na vida social2

LEITURA COMPLEMENTAR

"Por entrar em vigor somente depois de cento e vinte dias depois de


sua publicação, o que se dará a partir de 11 de novembro de 2017, é
preciso tentar compreender o alcance do novo dispositivo legal,
principalmente o § 1º, que afirma que "a fluência do prazo
prescricional intercorrente inicia-se quando o exequente deixa de
cumprir determinação judicial no curso da execução. " Trata-se de
preceito de grande controvérsia.
O preceito legal prevê a existência de um fato que determina o início
da fluência do prazo prescricional intercorrente na execução
trabalhista. Esse fato é o descumprimento de determinação judicial
pelo exequente. Significa dizer que o art. 11-A, § 1º, da CLT encerra
um requisito normativo adicional em relação à regência legal do tema
estabelecida na LEF e no CPC para a prescrição intercorrente, pois
prevê que uma específica determinação judicial tenha sido
estabelecida pelo juízo da execução e que essa determinação não
tenha sido cumprida pelo exequente. (...)"

Para íntegra do texto, segue link abaixo:

A aplicabilidade da prescrição intercorrente no processo do trabalho

LEGISLAÇÃO

CLT

Art. 11. A pretensão quanto a créditos resultantes das relações de


trabalho prescreve em cinco

2 DELGADO Maurício Godinho DELGADO Gabriela Neves. A Reforma


Trabalhista no Brasil com os comentários à Lei 13.467/2017. São
Paulo: LTr, p116
anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos
após a extinção do contrato de trabalho. I - (revogado). II -
(revogado). § 2º Tratando-se de pretensão que envolva pedido de
prestações sucessivas decorrente de alteração ou descumprimento
do pactuado, a prescrição é total, exceto quando o direito à parcela
esteja também assegurado por preceito de lei. § 3o A interrupção da
prescrição somente ocorrerá pelo ajuizamento de reclamação
trabalhista, mesmo que em juízo incompetente, ainda que venha a
ser extinta sem resolução do mérito, produzindo efeitos apenas em
relação aos pedidos idênticos.

Art. 11-A. Ocorre a prescrição intercorrente no processo do trabalho


no prazo de dois anos. § 1o A fluência do prazo prescricional
intercorrente inicia-se quando o exequente deixa de cumprir
determinação judicial no curso da execução. § 2o A declaração da
prescrição intercorrente pode ser requerida ou declarada de ofício em
qualquer grau de jurisdição.

JURISPRUDÊNCIA:

EMENTA: PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO NA JUSTIÇA DO


TRABALHO. EXECUÇÕES INICIADAS ANTERIORMENTE À VIGÊNCIA DA
LEI 13.467/17. Até o início da vigência da Lei 13.467/17, a
jurisprudência trabalhista consolidou-se no sentido de que a
prescrição intercorrente seria inaplicável na Justiça do Trabalho. Com
o advento da Reforma Trabalhista, foi incluído na CLT o artigo 11-A,
que dispõe, expressamente, sobre a prescrição intercorrente no
processo do trabalho, no prazo de dois anos, cuja contagem inicia-se
a partir do momento em que o exequente deixar de cumprir
determinação judicial no curso da execução. Entretanto, não se
verifica a possibilidade de aplicação imediata da nova lei para
alcançar os processos em curso, iniciados anteriormente à sua
vigência, pois, como reza o brocardo, tempus regit actum. O
regramento novo será de observância obrigatória, em tese, somente
para as ações ajuizadas após a entrada em vigor. E o marco temporal
para aplicação das regras fixadas é, sem dúvida, a data do
ajuizamento da ação ou, no caso, o início da execução, incidindo, à
toda evidência, a norma em vigor quando da propositura da
demanda. Em matéria de direito intertemporal, preservam-se o
direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, em
conformidade, ainda, com a teoria do isolamento dos atos
processuais. Entendimento contrário implicaria flagrante ofensa à
segurança jurídica e ao princípio que veda a decisão surpresa,
prejudicial aos litigantes que iniciaram a relação processual sob a
égide da lei anterior. (TRT da 3.ª Região; Processo:
010180079.2007.5.03.0111 AP; Data de Publicação: 16/04/2018;
Órgão Julgador: Quinta Turma;
Relator: Julio Bernardo do Carmo; Revisor: Luiz Ronan Neves Koury).

BIBLIOGRAFIA:

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

CAIRO JÚNIOR, José. Curso de Direito do Trabalho. Salvador.


Juspodivm

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

DELGADO Maurício Godinho DELGADO Gabriela Neves. A Reforma


Trabalhista no Brasil com os comentários à Lei 13.467/2017. São
Paulo: LTr.

SANTOS, Sidnei Ribeiro. A aplicabilidade da prescrição intercorrente


no processo do trabalho. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862,
Teresina, ano 23, n. 5304, 8 jan. 2018. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 17 abr. 2018

Aula IV: Especificidades da Prescrição Trabalhista

Prescrição intercorrente = 2 anos do descumprimento de determinação judicial pelo


exequente em sede de execução (pode ser declarada de ofício, é uma faculdade, não
obrigação)
Direito previsto em ACT ou CCT aplica-se a prescrição total ou parcial? Parcial, já que
tem força de lei, diferença de um regulamento interno ou clausula de contrato
individual.

A prescrição do FGTS = era trintenária, mas foi declarada inconsitutiocnal pelo STF,
reconhecendo que seria quinquenal (sumula 362 TST), em modulação de efeitos.

RESUMO:

1. Prescrição Total x Prescrição Parcial

Como dito anteriormente, várias questões foram modificadas com a


promulgação da Lei 13.467/2017. Nesta oportunidade vamos nos
atentar para a regulamentação da prescrição total e da prescrição
parcial.

O §2º do art. 11, estabeleceu a diferença- que já era interpretada pela


jurisprudência- sobre a prescrição total e a prescrição parcial.

DELGADO e DELGADO explicam que a prescrição parcial é aquela que


flui ao longo do contrato de trabalho e ao longo do tempo, vencendo-
se, mês a mês, considerada a respectiva parcela enfocada. Já no que
se relaciona a prescrição total é aquela que se conta da lesão, mas
com caráter terminativo, peremptório. 1

A Súmula 294 tratava do tema da seguinte maneira:

Súmula nº 294 do TST. PRESCRIÇÃO. ALTERAÇÃO CONTRATUAL.


TRABALHADOR URBANO (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e
21.11.2003 Tratando-se de ação que envolva pedido de prestações
sucessivas decorrente de alteração do pactuado, a prescrição é total,
exceto quando o direito à parcela esteja também assegurado por
preceito de lei.

A §2º, do art. 11, prevê que além das prestações sucessivas que
decorram de alteração do pactuado, também, será o caso de
declaração da prescrição da pretensão autoral, quando houver o
descumprimento do pactuado, ou seja, tornou-se mais severa a
prescrição.2

De modo ilustrativo, podemos citar o seguinte:

No caso de prescrição total, se a lesão iniciou-se em 10.10.2010, no


dia 10.10.2017 já terá operado os efeitos de tal prescrição. Observe-
se que houve a incidência da
1 DELGADO Maurício Godinho DELGADO Gabriela Neves. A Reforma
Trabalhista no Brasil com os comentários à Lei 13.467/2017. São
Paulo: LTr, p112. 2 DELGADO Maurício Godinho DELGADO Gabriela
Neves. A Reforma Trabalhista no Brasil com os comentários à Lei
13.467/2017. São Paulo: LTr, p112. prescrição total, ainda que se
trate de prazo quinquenal e não bienal. Neste exemplo, estamos
supondo que o trabalhador continue trabalhando, ou seja, não há que
se falar em prescrição bienal. De outro modo, se a parcela também
for assegurada por preceito de lei, a prescrição será parcial, de
maneira a prevalecer a imprescritibilidade das verbas devidas nos
últimos cinco anos, contados da distribuição da ação trabalhista. 3
2. Prescrição do FGTS

Em relação aos depósitos de FGTS aplicava-se a prescrição


trintenária, consoante entendimento sedimentado na Súmula nº 362
do Colendo TST, em consonância com a Súmula nº 210 do STJ, com
suporte no § 5º do art. 23 da Lei nº 8.036/90 e no art. 55 do
Regulamento do FGTS aprovado pelo Decreto nº 99.684/90, que
estabeleceram o prazo prescricional de 30 anos para o empregado
reclamar os depósitos de FGTS em atraso ou não efetuados por seu
empregador, bastando observar o prazo de dois anos contado do
término do seu contrato de trabalho. Isto porque prevalecia o
entendimento de que não havia se falar em inconstitucionalidade dos
referidos dispositivos legais, por se tratar de norma mais favorável ao
empregado, que deveria prevalecer em razão do princípio da
proteção, adotado, inclusive, no caput do art. 7º da Constituição
Federal/1988.

No entanto, o Pleno do Egrégio STF, em decisão, com repercussão


geral reconhecida, nos autos do ARE nº 709.212/DF, Rel. Min. Gilmar
Mendes, em 13.11.2014, declarou inconstitucional o § 5º do art. 23 da
Lei nº 8.036/90 e no art. 55 do Regulamento do FGTS aprovado pelo
Decreto nº 99.684/90, por se tratar de direito dos trabalhadores
urbanos e rurais, expressamente previsto no inciso III do art. 7º da
CF/1988, não havendo azo jurídico para aplicação do princípio da
proteção com a adoção da prescrição trintenária, ressaltando o
Ministro, em seu voto, que "a existência desse arcabouço normativo e
institucional é capaz de oferecer proteção eficaz aos interesses dos
trabalhadores, revelando-se inadequado e desnecessário o esforço
hermenêutico do Tribunal Superior do Trabalho, no sentido da
manutenção da prescrição trintenária do FGTS após o advento da
Constituição de 1988".

Assim, prevaleceu no Pleno Egrégio STF, que deve ser aplicado o


mesmo prazo prescricional quinquenal previsto o inciso XXIX do art.
7º da CF/1988 para o FGTS (observado, por óbvio, o prazo bienal para
ajuizamento da ação contado da extinção do contrato de trabalho)
nas ações trabalhistas valores em atraso ou não depositado pelo
empregador.
Contudo, oportuno ressaltar, como bem observado por GUSTAVO
FILIPE BARBOSA GARCIA4, que no julgamento "Ficou decidido, ainda,
ser necessária a mitigação do princípio da nulidade da lei
inconstitucional, com a consequente modulação dos efeitos da
referida decisão,

3 DELGADO Maurício Godinho DELGADO Gabriela Neves. A Reforma


Trabalhista no Brasil com os comentários à Lei 13.467/2017. São
Paulo: LTr, p113. 4 GARGIA, Gustavo Felipe Barbosa. STF decide sobre
o prazo prescricional do FGTS, artigo publicado na Revista Eletrônica
Migalhas ([Link] › migalhas de peso) em 14/11/2014.
Acesso 18 de abril de 2018
atribuindo-lhe efeitos ex nunc, ou seja, prospectivos, tendo em vista a
necessidade de segurança jurídica, por se tratar de modificação e
revisão da jurisprudência adotada por vários anos no STF (bem como
no TST), com fundamento no art. 27 da lei 9.868/99, aplicável
também ao controle difuso de constitucionalidade".

E, na modulação dos efeitos da decisão, em respeito à segurança


jurídica, conforme explicou o Ministro Gilmar Mendes em seu voto:
"para aqueles [casos] cujo termo inicial da prescrição ocorra após a
data do presente julgamento, aplica-se, desde logo, o prazo de cinco
anos. Por outro lado, para os casos em que o prazo prescricional já
esteja em curso, aplica-se o que ocorrer primeiro: 30 anos, contados
do termo inicial, ou 5 anos, a partir desta decisão. Assim se, na
presente data, já tenham transcorrido 27 anos do prazo prescricional,
bastarão mais 3 anos para que se opere a prescrição, com base na
jurisprudência desta Corte até então vigente. Por outro lado, se na
data desta decisão tiverem decorrido 23 anos do prazo prescricional,
ao caso se aplicará o novo prazo de 5 anos, a contar da data do
presente julgamento" (STF, Pleno, ARE nº 709.212/DF, voto, Rel. Min.
Gilmar Mendes, j. 13.11.2014).

E, em face dos efeitos vinculantes da decisão do Pleno do Egrégio


STF, em 13/11/2014, o Colendo TST, procedeu alteração na redação
da sua Súmula nº 362 (Resolução nº 198/2015), ficando assente:

FGTS. PRESCRIÇÃO (nova redação) - Res. 198/2015, republicada em


razão de erro material - DEJT divulgado em 12, 15 e 16.06.2015 I -
Para os casos em que a ciência da lesão ocorreu a partir de
13.11.2014, é quinquenal a prescrição do direito de reclamar contra o
não-recolhimento de contribuição para o FGTS, observado o prazo de
dois anos após o término do contrato; II - Para os casos em que o
prazo prescricional já estava em curso em 13.11.2014, aplica-se o
prazo prescricional que se consumar primeiro: trinta anos, contados
do termo inicial, ou cinco anos, a partir de 13.11.2014 (STF-ARE-
709212/DF).

Nesse contexto, a prescrição quinquenal em relação aos depósitos de


FGTS será aplicada em sua plenitude somente a partir de 13/11/2019,
em razão dos efeitos ex tunc e efeitos modulatórios da decisão do
Pleno do STF (13/11/2014) porque não retroage, tendo efeitos
prospectivos. Significa: a prescrição quinquenal é aplicável somente
no caso de FGTS em atraso ou não depositado a partir da decisão
(13/11/2014), não retroagindo, preservando o direito adquirido até a
data da decisão.

E quanto aos "casos em que o prazo prescricional já esteja em curso",


aplica-se o tratamento jurídico dado pelo item II, da Súmula nº 362,
do Colendo TST, segundo o qual "Para os casos em que o prazo
prescricional já estava em curso em 13.11.2014, aplica-se o prazo
prescricional que se consumar primeiro: trinta anos, contados do
termo inicial, ou cinco anos, a partir de 13.11.2014 (STF-ARE-
709212/DF), encampando a modulação da decisão do Pleno
do STF. LEITURA COMPLEMENTAR

"Existem duas correntes que tratam sobre o tema: a primeira


(negativista) advoga a tese que inexiste diferenciação entre a
prescrição parcial e total no Direito do Trabalho, que seria apenas
uma construção jurisprudencial acerca da nomenclatura da prescrição
quinquenal e bienal. Propõe que todas as vezes que o TST tratar de
prescrição parcial estaria se referindo a prescrição quinquenal, e
quando se referisse à prescrição total significaria a prescrição bienal.
A segunda (positivista), entende haver diferenças entre prescrição
parcial e total assim como entre prescrição bienal e quinquenal. Esta
corrente tem amparo na jurisprudência do TST, que por inúmeras
vezes trata de forma peculiar tal diferenciação, muito embora admita
a incidência concomitante.

Conforme esta corrente, a prescrição trabalhista (bienal e quinquenal)


tem natureza constitucional, insculpida no artigo 7.º, inciso XXIX da
Constituição Federal, enquanto a prescrição total e parcial teria
natureza infralegal conforme disposto na OJ n.º 119 do SBDI-2,
convertida na Súmula 409 (...)".

Para íntegra do texto, segue link abaixo:

Notas sobre prescrição parcial e total no Direito do Trabalho

LEGISLAÇÃO

Constituição Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais,


além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXIX
- ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com
prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e
rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de
trabalho.
CLT Art. 11. A pretensão quanto a créditos resultantes das relações
de trabalho prescreve em cinco anos para os trabalhadores urbanos e
rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de
trabalho. I - (revogado); II -
(revogado). .....................................................................................

§ 2º Tratando-se de pretensão que envolva pedido de prestações


sucessivas decorrente de alteração ou descumprimento do pactuado,
a prescrição é total, exceto quando o direito à parcela esteja também
assegurado por preceito de lei. § 3o A interrupção da prescrição
somente ocorrerá pelo ajuizamento de reclamação trabalhista,
mesmo que em juízo incompetente, ainda que venha a ser extinta
sem resolução do mérito, produzindo efeitos apenas em relação aos
pedidos idênticos. " (NR)

JURISPRUDÊNCIA

PRESCRIÇÃO. INTEGRAÇÃO DE AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. Não há


prescrição total em relação à pretensão de integração do auxílio-
alimentação, porquanto se trata de benefício assegurado por norma
legal (art. 458 da CLT), sendo a lesão de caráter sucessivo,
renovando-se mês a mês, de modo que a prescrição abrange
somente as parcelas referentes aos cinco anos anteriores ao
ajuizamento da ação, consoante a parte final da Súmula 294 do TST.
(TRT da 3.ª Região; PJe: 0010755-60.2017.5.03.0008 (RO);
Disponibilização: 12/04/2018; Órgão Julgador: Terceira Turma;
Relator: Milton [Link] de Almeida).

BIBLIOGRAFIA

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo:


LTr.

DELGADO Maurício Godinho DELGADO Gabriela Neves. A Reforma


Trabalhista no Brasil com os comentários à Lei 13.467/2017. São
Paulo: LTr.

GARGIA, Gustavo Felipe Barbosa. STF decide sobre o prazo


prescricional do FGTS, artigo publicado na Revista Eletrônica Migalhas
([Link] › migalhas de peso) em 14/11/2014. Acesso
18 de abril de 2018

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