EM QUAL RUA MINHA VIDA VAI...?
SINOPSES
POR CORTINAS VERMELHAS
DIREÇÃO: TAINÁ FRAGA
RUA AZUL: RECONHECIMENTO E DESESPERO
Sou diferente. Me disseram que sou igual a todos, Eu quero ser eu, quero mostrar o que é meu.
mas ainda me sinto muito diferente. Isso não é Sinto que não importa o que eu faça, se eu for
bom, é como entrar em um lugar e todos se original, se eu for eu mesma, só funcionará
assustarem, se incomodarem, como se você não quando eu fizer o que todos fizerem.
devesse estar lá. Não merecesse. Não importa o
tanto que lutou. Vou suar, morrer, lutar e sobreviver, não importa
a ordem. É um som que vem, um passo que vai.
Era tão frio, vazio, sem muito sucesso. Eu posso tentar, eu posso tentar, eu posso
tentar.
Eu me movia, eu tentava, eu falava, ninguém
ouvia. Tudo que eu fazia era em vão. O que eu Eu tentei.
poderia, em sã consciência, fazer?
Eu já fiz, já fui, já vi, já vivi. Tanto que me cansei.
Mudar em mim, mudar para ti?
A rua que estou é vazia, azul, fria.
Temos limites. Temos limites?
Todos me são estranhos, tudo é estranho. Por
O que devemos fazer? Até onde devemos mais que eu faça o que amo, ainda estou entre
tentar? os desconhecidos, não me sinto abraçada.
Eu só queria saber onde me encaixo. Só queria estar em casa.
Em qual rua devo estar?
RUA VERMELHA: INOVAÇÃO E SENSUALIDA
Me fizeram dar um passo maior do que minhas Essa é a verdade que buscam?
pernas. Eu poderia cair, eu poderia sofrer, mas era
o que queriam ver. Era tão fácil vender isso, o Então porque gritam que sou promíscua?
sensual, como se cada caminho em minhas Coisas horrendas? Porque fazem de mim o
curvas fosse uma estrada para os olhos alheios. próprio diabo em saltos?
Era algo que eu nunca pensei que fosse capaz de Sou infeliz por ser eu, sou infeliz por ser o que
fazer. Mostrar de mim aquele fervor. O quente, o mais buscam.
rubro, o assombroso dom da paixão.
Como vou ser enfim…
Como posso convencer que sou isso, se por
tanto tempo não me vi assim? Onde estou indo?
Eu lhe olho, minha mão corre sua pele, seu suor é Eu me sinto bem aqui, mas nenhum pouco
minha água, eu só preciso de um impulso e somos confortável por conta de todos que me cercam.
um só. Seu fôlego é meu ar, seu olhar é minha
chama e minha estamina. Quando vejo sua O sangue é seco, quase como a marca deixada
reação, sei que estou indo pelo caminho certo. em meus joelhos.
Certo? O som das buzinas pedem para parar ou para
continuar?
Esse é o caminho certo?
Em qual rua isso vai dar?
Me disseram que sim.
RUA AMARELA: JOGO E DIVERSÃO
Eu ouvi, eu entendi. Eu sei o que querem de mim, Vago, mas sou seu Sol. Sem a mim, não tem o
mas eu não posso evitar, ainda quero que quer. Então me deixe brincar, me deixe
experimentar. Eu posso dar o que querem de tentar. A rua cabe todos nós, dessa vez, aqui, me
mim, o que tentam sugar com tanta sede. deixe viver.
Compram a mim como um produto, devo
responder a isso. Quando nasce, cresce e se reproduz, a bela flor
que você deseja ser, nada se fará sem a mim. Sei
O que me cerca, o que me rega, o que me reduz que não assim, mas você age por ser.
ao fervo da multidão. Mais uma, mas um. Sou um
fruto de alguém, até que eu passe a ser alguém. Eu faço o que queres, porém não como esperou.
Sou ninguém. Isso lhe irrita, lhe deixa murcha, ao ponto que
explode e quebra.
Me deixe tentar, me deixe sorri de verdade uma
vez. Essa rua não é tão segura, parece ter um fim,
mas logo após há um abismo.
Enquanto faço o que querem, me deixe fazer da
minha forma ao menos. Aonde vou afinal?
Te vejo no fim dessa rua, comandando o lugar Terá um final?
como alguém que não espera de por mim, mas
espera de mim. Sou o mar em que pesca seus Em qual rua isso acaba?
peixes.
CRUZAMENTO: CONFUSÃO E OUSADIA
O som, a buzina, alguém não está satisfeito. Então é minha vez de tentar, pode reclamar, já
estou acostumada com seu buzinar.
Repetidas vezes, reclama. “Sai da frente, se mova,
não vá por aí, me deixe passar!” Veja, veja o que faço, é o que contenta minha
mente e meu coração, vem com um banho de
Talvez reclamem de mim, talvez reclamem de ti. água fria, apenas para que acorde, nem tudo que
quer, terás, você me ensinou, mas cai como
Há espaço para todos, até que alguém fique na cimento em ti.
frente.
O “mundo”, a “sociedade”, o “certo”, o “errado”.
É confuso, mas eu devo seguir em frente. Nem
que eu precise lhe ultrapassar. Vou dirigir até Ouso em lhe dizer, não importa quem é você, ou
onde é seguro, nem que eu tenha que ir a pé. o que queria fazer, mas eu sei que posso fazer o
que quero, com aquilo que tenho.
Vou unir o útil que tenho ao agradável. Me vejo,
entre todas essas flores mortas, caindo pela Então ouça, escute, veja, perceba. Sinta.
estrada, sou poesia, coração, cor, som, voz, e
quando chego ao ponto final, vem com mais dois O caos que emana em meu ser, é tão profundo,
acompanhando. te leva a se mover. O caos que emana ao meu
redor, me inspira a me mover. O caos é vibrante,
Cair não é por acidente, não quando você sabe cores e sons, à margem, sou alma e vida.
como.
Em qual rua minha vida vai ter paz?
RETORNO: VOLTA AO INÍCIO E SOLIDÃO
Quando parou, senti o alívio. O que tento, tudo que almejo, parece ser
inecessário, parece ser insuficiente, parece ser
Talvez, apenas talvez, tenha cessado as lamúrias pouco. Minha gasolina está acabando, eu não
por conta da minhapersistencia, ou por não se vejo o fim da pista.
importar mais.
Me dizem para seguir, mas estou cansada. Para
Prova essa o quão não tem valor o que faço, para onde ir?
onde vou ou deixo de ir. O mundo continua para ti,
assim como deve continuar para mim. Por que Posso ser melhor assim? Tenho o que pedi. Sua
parar no meio do caminho? Sabendo que mais a falta. Só que agora me vejo só. Não posso fazer o
frente encontrarei o lugar que posso chamar de que sempre fiz, o que tentei não pareceu ser o
lar? suficiente.
Pode não ser grande, pode não ser bonito, mas Todos meus dedos tem calos, meu braços tem
será o suficiente, será bom, por ser meu. roxos, meus olhos nublados, minha língua
mordida. Sou o fim da esperada fantasia do
Vou me ver onde sempre esperei. sucesso?
Espero chegar lá. Para onde ir?
Agora, quando o seu barulho passou a ser o meu Em qual rua minha vida vai andar?
silêncio, eu não sei o que fazer. Para onde ir?
Vou continuar, mas me vejo sem caminho.
ESTRADA DE TERRA: RAÍZES E INTERNO
A estrada é longa, preciso parar minha mente, Olho para cima, meus guias brilham, a mil anos
fechar meus olhos, sentir o mar, a terra e o céu. de distância, me dizem onde estou. Perdida,
Preciso ver com minha alma, preciso beijar o agradeço pela luz.
brilho do olhar, preciso esperar o vento me levar.
Apontam, sabem onde posso ir. Será lá o melhor
Não quero escolher, não quero me deixar para caminho? Sabendo ou não, ter sua benção me
tentar ir viver. Preciso saber, preciso voltar. Mas diz que o caminho é seguro.
não há para onde voltar, não há o que começar do
final. É tudo que preciso.
Aqui, fora da estrada, sinto. Ouvi, como uma voz Saber que o que faço é o melhor que faço é tudo
que sussurra diretamente do passado, do que preciso.
passado da minha herança. Deixou para mim, por
sangue ou por história. Sou grata, apesar de toda a ingratidão.
Agora eu ouvi. Assim como senti o arrepio que Sou plena, apesar de toda a amargura.
vem do chão, meus pés e minhas mãos se
curvando em agradecimento. Estou onde preciso estar, só preciso continuar.
Tudo que já passei, assim como tudo que já Quando o caminho acabar, farei um para
passaram nesse chão que piso. complementar.
A terra me conta e me acalma. Em qual rua minha vida vai florescer?
AVENIDA: NO MEIO DA MULTIDÃO E DO MUNDO
Não preciso de um mundo de gente, mas me Aqui dará para ali, que irá parar em acolá e lhe
sentirei em uma multidão se for com quem me levará para daqui prali. É o que chamamos de
abrace. Se for no meio dos que são o mundo para caminhos.
mim. Sem eles o silencio, o vazio, a solidão são as
únicas árvores que se movem, mesmo que sejam Caminhos, ao caminhar, encaminham sua vida.
estáticas.
Então resta questionar, o que deve fazer para
Quando os carros voltaram a surgi, eu voltei a que não precise esperar? Espere mais um pouco
pensar, repensar, esperar que não fosse o fim. e saberá.
Não poderia existir um caminho fácil, disse a mim.
Não é o fim do mundo, todos estão onde devem
Não era o fim, não era fácil, mas não estava no fim. estar, você só está a um passo atrás de quem já
esteve um passo a frente. E está um passo a
Nunca seria o fim, não há um final para quem é frente de quem está um passo atrás.
eterno. Não há um final para o que está sendo e
sempre será precioso. Só respire, o ar estará lá, abaixo do asfalto a terra
estará lá. Você estará aqui, e se não acolá.
Mover, colorir e florear o mundo depende do que
você rega. Se o brilho que sai de suas mãos, Em qual rua minha vida vai avançar?
chega longe, você verá. Não há farol que vá lhe
ofuscar.
Não importa quem passar, quem cortar seu
caminho, ou amassar sua carroceria.
SINAL: FIM
Então resta questionar, o que deve fazer para que O sinal que está na hora é você estar aqui. O sinal
não precise esperar? Deixe o sinal ficar verde. O que não pode cruzar, a vida que não pode parar,
mesmo que lhe indica que pode ir. o sonho que não chega ao fim.
Está no sinal amarelo, pensa que pode ir, mas é Estamos todos no controle do semáforo,
um risco, é sua chance de desacelerar, não esperando o sinal. Indicando o começo, o
avance sem cinto. processo e o fim de nós todos e tudo que
fazemos.
Comandando sua própria vida, você pode
avançar. A placa “pare”, faz você descer e seguir a pé.
O sinal vermelho não é apenas para parar, mas Então faremos até não ter mais rua a percorrer,
para não passar do limite. até que a carcaça se desfaça. Faremos e iremos,
correndo, andando, se arrastando, engatinhando,
Sobra ficar, mas na esperança de ir. sapateando, dançando, cantando, uivando,
buzinando, manobrando entre a vida.
Se for muito tarde, não há porque se lamuriar, o
sinal lhe deixará passar sem espera, ou até Afinal, minha vida se encontra em diversas ruas,
avançar, já que ninguém vem de qualquer lado com diversos sinais e cores.
para se chocar. Então nunca será tarde para
avançar. A rua que minha vida vai será...
Caminhe devagar se for necessário, pare, buzine,
mostre o fim para o que não continua em ti.
PERSONAGENS PRINCIPAIS
Protagonista, alguém que está tentando se adpatar as dificuldades da vida, quebrando suas
Dália expectativas.
Coração Alguém que está ao seu lado tentando lhe ver pelo lado emocional, que fará seu coração feliz e tranquilo
com suas decisões.
Alguém que está ao seu lado tentando lhe ver pelo lado racional, seguindo o caminho que lhe trará um
Mente melhor futuro, independente do que lhe faça confortável.
Alguém que está sempre controlando as entradas nas ruas e direções. (Ex: Sociedade, líderes de governo
Guarda ou religião, parentes, etc)
Alguém que está sempre no caminho, tentando lhe mandar ideias e sinais, lhe ajudando em alguns
Flanelinha momentos, mas sem muito sucesso. Está tentando ser bem sucedido como a protagonista. Alguém por
quem a protagonista se simpatiza e se identifica.
Três marias Guias, mostrando o caminho iluminado e para onde ir.
Pé d’água Antagonista, alguém que levará tudo que tem embora, todas suas conquistas, tudo que já́ sabia. Irá dizer
para ir pelo caminho errado.
Pé no chão Personagem que trás a razão, mostra o interno e tudo que você já tem de história, de importante.
Mostrando que os caminhos da protagonista já estão corretos, por mais que se sinta errada.
Pedestres Personagens coadjuvantes ou figurantes que podem criar paralelos, expectativas, parâmetros para a
protagonista.
PERSONAGENS PRINCIPAIS
Aqueles que estão ao nosso redor que não
possuem muita visibilidade e estão
caminhando em lugares similares de
encontro e desencontro.
Trazer em entrevistas
Trazer em personagens
Trazer em voz e história
Trazer em ARTE
MÚSICAS
Encostar na tua- Ana Carolina
Pra rua me levar- Ana Carolina
Toda vez que dou um passo- Rhaissa Bittar
Pelejei- Marina Sena
Três marias- autoral
Já fui, já fiz, já vi e já tentei- autoral