CPC e IFRS: Comparação de Normas Contábeis
CPC e IFRS: Comparação de Normas Contábeis
RESUMO
A convergência para os padrões contábeis internacionais tem se tornado um assunto relevante, com agenda
definida para sua adesão em muitos países ao redor do mundo. No Brasil, coube ao CPC a responsabilidade
de emitir pronunciamentos contábeis de acordo com as normas IFRS. Cada documento emitido pelo CPC
corresponde a uma norma internacional de contabilidade emitida pelo IASB. Este trabalho tem como objetivo
comparar os pronunciamentos do CPC com as normas do IASB e verificar a existência de diferenças entre
os mesmos. Para tanto, realizou-se uma pesquisa documental aos pronunciamentos do CPC e às normas do
IASB. Utilizou-se a técnica da análise de conteúdo, tendo o tema como unidade de significação. O universo de
análise compreendeu os 65 pronunciamentos técnicos que estão sendo utilizados nas demonstrações contábeis
das companhias brasileiras, emitidos pelo CPC entre os anos de 2007 a 2011. Os resultados apontaram para a
existência de diferenças entre os pronunciamentos emitidos pelo CPC e as normas emitidas pelo IASB, as quais
foram agrupadas em quatro categorias de análise. Após análise, concluiu-se que as diferenças apontadas não
prejudicam a declaração de que as demonstrações contábeis consolidadas brasileiras, preparadas de acordo
com os CPCs estão de acordo com as normas do IASB.
ABSTRACT
The convergence to international accounting standards has become a relevant issue and many countries around the world
have already scheduled their adoption of these standards. In Brazil, the Accounting Pronouncements Committee (Comitê de
Pronunciamentos Contábeis, or CPC) was attributed the responsibility for issuing accounting pronouncements in accordance
with International Financial Reporting Standards (IFRS). Each document issued by CPC corresponds to an international
accounting standard issued by the International Accounting Standards Board (IASB). This paper, using content analysis,
compares CPC pronouncements to IASB standards with the intention of identifying possible differences. Sixty-five technical
pronouncements issued by CPC between years 2007 to 2011 and used in the financial statements of Brazilian companies
were analyzed. Results show the existence of differences between the pronouncements issued by the CPC and the standards
issued by the IASB, grouped into four categories of analysis. It is concluded, nonetheless, that the differences identified are
not sufficient to preclude the statement that consolidated financial statements prepared in accordance with Brazilian CPCs
are in accordance with IASB standards.
ção entre essas normas, sendo que nenhum de- do CPC. Outras entidades ou especialistas,
les realizou uma análise comparativa com a eventualmente, também são convidados a parti-
abrangência e a profundidade aqui propostas. cipar dos trabalhos do CPC. Nas reuniões, as
O trabalho trará benefícios para a comuni- entidades convidadas têm direito à voz, mas
dade acadêmica, para os usuários da contabili- não têm direito a voto. Os membros do CPC
dade e também para todos os profissionais da têm direito a voz e a voto.
contabilidade. Espera-se que este estudo contri- O CPC delibera por 2/3 de seus membros
bua também, para a compreensão das diferen- e o CFC fornece toda a estrutura necessária para
ças apresentadas para que as companhias pos- a realização dos trabalhos. (COMITÊ DE PRO-
sam julgar se elas são relevantes a ponto de im- NUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2010).
pedir uma declaração de que suas demonstrações Os membros do CPC se reuniram mensal-
contábeis consolidadas preparadas no padrão mente entre os anos 2007 e 2011 e produziram
CPC estão de acordo com as normas internacio- 65 documentos contábeis (entre pronunciamen-
nais de contabilidade. Isso porque a CVM e al- tos, interpretações e orientações) baseados tanto
guns órgãos reguladores, que exigem demons- nas Leis 11.638/07 e 11.941/09 quanto e, espe-
trações contábeis no padrão internacional, estão cialmente, nas normas emitidas pelo IASB. Os
adotando os documentos aprovados pelo Co- órgãos reguladores brasileiros têm acompa-
mitê de Pronunciamentos Contábeis como se nhado o CPC aprovando e tornando obrigató-
normas internacionais de contabilidade fossem. rios os seus pronunciamentos técnicos, orienta-
ções e interpretações.
1 REFERENCIAL TEÓRICO A alteração da Lei das Sociedades por
Ações, as normas do CPC e o poder regulatório,
1.2 O Comitê de Pronunciamentos principalmente da CVM, Susep e BACEN, per-
Contábeis mitiram ao Brasil assumir o compromisso de
alinhar suas práticas contábeis às normas inter-
O Comitê de Pronunciamentos Contábeis nacionais emitidas pelo IASB, sendo que o pro-
(CPC) foi criado pelo Conselho Federal de Con- cesso de convergência é uma realidade no País.
tabilidade (CFC) por meio da Resolução CFC nº A Lei nº 11.638/07 impulsionou os traba-
1.055, de 07/10/2005 com o objetivo de estudar, lhos do CPC com a inclusão do artigo 10-A na
preparar e emitir pronunciamentos técnicos, le- Lei nº 6.385/76 (Lei da criação da CVM), con-
vando sempre em consideração a convergência forme segue:
do padrão contábil brasileiro ao padrão interna- A Comissão de Valores Mobiliá-
cional. O CPC é um comitê autônomo composto rios, o Banco Central do Brasil e demais
por representantes das seguintes instituições: (1) órgãos e agências reguladoras poderão
Associação Brasileira das Companhias Abertas celebrar convênio com entidade que te-
(Abrasca); (2) Associação dos Analistas e Profis- nha por objeto o estudo e a divulgação
sionais de Investimento do Mercado de Capitais de princípios, normas e padrões de con-
(Apimec Nacional); (3) Bolsa de Valores, Merca- tabilidade e de auditoria, podendo, no
dorias e Futuros (BM&FBovespa); (4) Conselho exercício de suas atribuições regulamen-
Federal de Contabilidade (CFC); (5) Fundação tares, adotar, no todo ou em parte, os
Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Fi- pronunciamentos e demais orientações
nanceiras (Fipecafi) e (6) Instituto dos Auditores técnicas emitidas.
Independentes do Brasil (Ibracon). Parágrafo único. A entidade refe-
Além dessas entidades que compõem o rida no caput deste artigo deverá ser ma-
CPC, outros seis representantes - CMN, a CVM, joritariamente composta por contadores,
a Susep, a Receita Federal do Brasil, a Confede- dela fazendo parte, paritariamente, re-
ração Nacional da Indústria (CNI) e a Federação presentantes de entidades representati-
Brasileira dos Bancos (Febraban) - foram convi- vas de sociedades submetidas ao regime
dados e participam mensalmente dos trabalhos de elaboração de demonstrações finan-
ceiras previstas nesta Lei, de sociedades aceitas pelo CPC em sua maioria e não foram
que auditam e analisam as demonstra- destacadas no documento denominado “Rela-
ções financeiras, do órgão federal de fis- tório de Audiência Pública”, que consta no site
calização do exercício da profissão con- do CPC. As sugestões que não foram aceitas e
tábil e de universidade ou instituto de os motivos da sua não aceitação foram apre-
pesquisa com reconhecida atuação na sentados no Relatório de Audiência Pública
área contábil e de mercado de capitais. juntamente com outros comentários julgados
relevantes pelo CPC. A partir daí os documen-
O trabalho do CPC consiste em estudar as tos foram aprovados e emitidos pelo CPC e os
normas internacionais de contabilidade, tra- órgãos reguladores avaliaram a sua aprovação
duzi-las e, caso haja alguma divergência com as (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CON-
leis brasileiras, adequá-las. Após esse procedi- TÁBEIS, 2010).
mento, o CPC coloca as normas em audiência A OCPC 02 e a ICPC 08 não passaram por
pública para que o mercado (Ministérios do Go- audiência pública. Nos demais documentos
verno Federal, Agências Reguladoras Federais, houve audiência pública em conjunto com a
Conselhos Regionais de Contabilidade, Asso- CVM (exceto o CPC para PME que teve audiên-
ciações de Classe, Faculdades, Companhias cia pública conjunta somente com o CFC). No
Abertas, Empresas de Auditoria Independente, caso do CPC 11, a audiência pública ocorreu
Professores, Contadores, Economistas, Alunos, conjuntamente com a CVM e a Susep.
entre outras pessoas interessadas) possa avaliá- Cada norma internacional possui um do-
-las e sugerir melhorias. cumento correspondente no CPC. Conforme
No período em estudo, as sugestões do pode ser observado na Tabela 1, em alguns ca-
mercado abrangeram a forma de apresentação sos, o CPC incluiu em seus pronunciamentos
e o conteúdo das orientações, interpretações e contábeis (CPCs), além das respectivas IFRSs ou
pronunciamentos técnicos colocados em audi- IASs, algumas interpretações do IASB (IFRICs
ência pública. Em reuniões mensais, os mem- ou SICs).
bros e convidados do CPC avaliaram as suges- Na Tabela 1 constam todos os pronuncia-
tões provenientes das audiências públicas en- mentos técnicos emitidos pelo Comitê de Pro-
cerradas. As sugestões no intuito de melhorar nunciamentos Contábeis no período de 2007 a
a redação ou o entendimento do texto foram 2011, conforme segue:
Instrumentos Financeiros:
39 IAS 32 604/09 - 430/12 1.197/09
Apresentação
Instrumentos Financeiros:
40 IFRS 7 604/09 - 430/12 1.198/09
Evidenciação
Resultado por Ação 41 IAS 33 636/10 - 430/12 1.287/10
Adoção Inicial dos 1.254/09
610/09
Pronunciamentos Técnicos CPC 43 IFRS 1 - 430/12 1.315/10
651/10
15 a 41 1.319/10
CPC
Contabilidade para Pequenas e IFRS for 1.255/09
para - - -
Médias Empresas (PME) SMEs 1.285/10
PME
Fonte: tabela preparada pelos autores.
Nota: constam mais de uma aprovação pela CVM e pelo CFC no caso dos CPCs revisados.
Na Tabela 2 constam todas as orientações mentos Contábeis em 2008, 2009 e 2010 (em 2007
técnicas emitidas pelo Comitê de Pronuncia- e 2011 não houve emissão de OCPCs):
Na Tabela 3 constam todas as interpreta- ciamentos Contábeis em 2009, 2010 e 2011 (em
ções técnicas emitidas pelo Comitê de Pronun- 2007 e 2008 não foram emitidas interpretações):
Santos (2006) descreveu as normas interna- Morais e Curto (2009) analisaram uma
cionais de contabilidade emitidas pelo IASB con- amostra contendo 6.977 companhias em 14 paí-
tribuindo para a convergência contábil do Brasil ses da União Europeia, no período compreen-
às normas internacionais, mas não incluiu qual- dido entre 2000 e 2005. Corroborando com o
quer comparação com as normas brasileiras. estudo de Grudnitski e Aubert (2008), os auto-
Ernst & Young e Fipecafi (2009) descreve- res também concluíram que houve maior rele-
ram as normas internacionais e citaram compa- vância das informações contábeis após a adoção
ração com as normas brasileiras. É o trabalho das IFRSs.
que mais se aproximou deste, porém como a Estudo da Ernst & Young Terco e Fipecafi
comparação não é o objetivo principal da obra, (2011) avaliou as demonstrações contábeis de
a presente pesquisa foi mais abrangente e apro- 2010 de 56 companhias abertas brasileiras e con-
fundada do que a apresentada no livro. cluíram que o Brasil possui um único problema
Mcmanus (2009) escreveu sobre a Lei nº de divergência em relação às normas interna-
11.638/07 e as normas internacionais emitidas cionais, ou seja, as normas do IASB somente
pelo IASB e comparou, resumidamente, algu- permitem que haja balanços individuais com
mas normas brasileiras com as normas interna- investimento em controlada se o investimento
cionais. Porém, no momento da edição do livro, estiver registrado pelo custo ou pelo valor justo
poucos CPCs haviam sido emitidos e, portanto, e não pela equivalência patrimonial. O estudo
muitos pronunciamentos não foram compara- concluiu que “[...] as demonstrações individuais
dos. Ademais, as comparações citadas nas pou- das empresas brasileiras com investimentos em
cas normas não tiveram a mesma profundidade controladas avaliados pelo método de equiva-
que este trabalho teve. lência patrimonial não estão, unicamente por
Como as normas internacionais de conta- esse fato, totalmente alinhadas com as normas
bilidade emitidas pelo IASB foram adotadas internacionais”. Entretanto, o estudo também
nos países da União Europeia desde 2005, vá- observou que as demonstrações consolidadas
rios estudos correlatos foram realizados no in- preparadas de acordo com as IFRSs ainda man-
tuito de verificar os impactos provenientes do têm uma forte identidade brasileira e que “[...]
novo padrão contábil naquela região. apesar de esperada, ao menos neste momento
Grudnitski e Aubert (2008) analisaram inicial de adoção, tal constatação levanta possí-
3.078 companhias, de 15 países da União Euro- veis questionamentos acerca da consistência e
peia, que adotaram as IFRSs em 2005 para veri- comparabilidade prometidas por um padrão
ficar possíveis impactos. Os autores concluíram contábil global único.”
que o padrão IFRS aumenta a qualidade das in- Como o objetivo desse estudo foi o de ve-
formações contábeis. Foram identificadas rela- rificar as possíveis diferenças entre as normas
ções significativas entre a adoção das IFRSs e os do IASB e as normas produzidas pelo CPC, que
retornos no mercado para as companhias de to- são correlacionadas com as normas internacio-
dos os países constantes da amostra. nais de contabilidade, não foram identificados
Ernstberger et. al. (2008) estudaram uma estudos que tratassem especificamente sobre
amostra de 163 companhias alemãs no período de este assunto.
2003 a 2006. Os autores concluíram que os impac-
tos da adoção das IFRSs foram positivos; afinal, as 3 METODOLOGIA
normas locais alemãs são muito conservadoras.
Miranda (2008) estudou se houve mudan- Foi realizada uma pesquisa documental
ças significativas em indicadores econômico-fi- em que cada documento (pronunciamento téc-
nanceiros de bancos de capital aberto da França, nico, orientação e interpretação), emitido pelo
Reino Unido e Espanha, que adotaram as IFRSs. CPC foi comparado com a norma internacional
A autora concluiu que a adoção das normas de contabilidade (IFRS) correspondente. Apon-
IFRS mostrou-se capaz de provocar mudanças tadas as divergências, quando existentes, reali-
significativas em tais indicadores. zou-se a análise para responder à pergunta ob-
jeto deste estudo, se existem diferenças rele Como limitações: (i) o estudo restringiu-
vantes entre os pronunciamentos contábeis -se ao conjunto de normativos do IASB e do
brasileiros emitidos pelo CPC e as normas inter- CPC e não incluiu guias de implementação,
nacionais de contabilidade emitidas pelo IASB. orientações de aplicação, glossários, bases para
Utilizou-se a técnica de análise de con conclusão, apêndices e exemplos que estão con-
teúdo que, segundo Martins e Theóphilo (2009, tidos em alguns normativos, mas não fazem
p. 99): “[...] busca a essência de um texto nos parte dos mesmos; e (ii) aspectos tributários
detalhes das informações, dadas as evidências também não foram abordados.
disponíveis.”
A organização da codificação compre- 4 ANÁLISE DAS DIFERENÇAS ENTRE AS
ende três escolhas: 1) o universo de análise; 2) as NORMAS DO IASB E DO CPC
unidades de análise ou unidades de registro; 3)
as categorias de análise. (BARDIN, 1997) Após exaustiva análise comparativa entre
O presente estudo considerou como uni- as normas do CPC e as normas internacionais,
verso de análise todos os pronunciamentos, in- foi possível inferir as diferenças existentes entre
terpretações e orientações, publicados pelo CPC as mesmas, as quais são apresentadas abaixo,
até o dia 31 de dezembro de 2011, e as normas segundo as categorias definidas na metodologia
internacionais de contabilidade emitidas e alte- do trabalho.
radas até o dia 1º de julho de 2010, conforme o Destaca-se que as normas internacionais
livro publicado pelo IASB em 2010. são válidas tão-somente para as demonstrações
As unidades de análise ou o elemento bá- contábeis consolidadas e separadas, enquanto
sico de análise foi definido tendo o tema como que as normas do CPC são válidas, também,
unidade de significação. Como indica Bardin para as demonstrações contábeis individuais.
(1997, p. 105), “[...] fazer uma análise temática
consiste em descobrir os ‘núcleos de sentido’ 4.1 Categoria 1: Diferenças em função da
que compõem a comunicação e cuja presença Legislação Brasileira
ou frequência de aparição podem significar al-
guma coisa para o objetivo analítico escolhido”. O CPC, ao traduzir as normas do IASB,
Os núcleos de sentido são recortes que depen- não permitiu que qualquer procedimento re-
dem dos objetivos do estudo. querido pelo organismo internacional estivesse
Com base na análise e sistematização das em desacordo com a legislação brasileira. Assim
diferenças existentes entre as normas do CPC e sendo, ocorreram algumas diferenças, as quais
do IASB, estabeleceram-se quatro conjuntos de são apresentadas a seguir:
categorias a serem verificadas, a saber:
• Categoria 1: Diferenças em função da le- a) Reavaliação de itens do ativo imobili-
gislação brasileira: esta categoria caracte- zado e intangível
riza-se por apresentar possíveis diferenças A reavaliação é uma opção oferecida pe-
entre as orientações contábeis emanadas de las normas internacionais de contabilidade pre-
institutos legais e as normas contábeis inter- vista na IAS 16 (para o ativo imobilizado) e na
nacionais refletidas nos CPCs; IAS 38 (para os ativos intangíveis). No Brasil, as
• Categoria 2: Diferenças em relação a op- Leis 11.638/07 e 11.941/09 não permitiram a
ções adicionais oferecidas pelo IASB na ado- continuação da prática da reavaliação de ativos
ção inicial. Esses são casos em que o Comitê contida nos artigos 176 e 182 da Lei nº. 6.404/76.
requer como procedimento apenas uma das Assim, os CPCs 04 e 27 mantiveram os parágra-
opções que constam na norma internacional; fos relativos à reavaliação correlacionados com
• Categoria 3: Diferenças de caráter geral as IASs 16 e 38, porém acrescentaram a seguinte
entre o CPC e o IASB; e frase sobre reavaliação: “se permitida legal-
• Categoria 4: Normas do IASB não emiti- mente”. Ou seja, embora prevista, não é aceita
das pelo CPC. pela Lei e não deve ser praticada.
ção ocorre quando seus itens são apresentados 4.2 Categoria 2: Diferenças em relação
de acordo com os gastos gerais dos departa- a opções adicionais oferecidas pelo
mentos funcionais da companhia (despesas ad- IASB na adoção inicial
ministrativas, operacionais, financeiras etc.).
Quando a demonstração é “por natureza”, como O CPC não permitiu as mesmas opções
o próprio nome diz, as despesas são apresenta- oferecidas pelo IASB porque algumas datas esta-
das com base nessa característica (despesas com: belecidas pela IFRS 1 não representam a reali-
pessoal, materiais consumidos, depreciações, dade brasileira, uma vez que a data de transição
amortizações, benefícios a empregados etc.). no Brasil é o dia 1º de janeiro de 2009 e, mesmo
No Brasil é requerida a apresentação da antes dessa data, já existiam 14 pronunciamentos
demonstração do resultado por função (exem- em vigor, ou seja, parte dos registros contábeis
plo constante no artigo 187 da Lei nº 6.404/76). das companhias brasileiras já estava adequada às
Já o IASB (parágrafo 101 da IAS 1), além de per- normas internacionais desde o exercício de 2008.
mitir a demonstração por função, oferece a op- O CPC justificou ainda que, ao oferecer mais op-
ção da apresentação pela natureza das despe- ções, as alternativas poderiam afetar a compara-
sas. O IASB ainda determina que a companhia bilidade, além de deixar o resultado e o patrimô-
ao publicar sua demonstração por função deve nio líquido diferentes entre as demonstrações
divulgar também a natureza das despesas e re- contábeis individuais e consolidadas.
ceitas, pois considera essa informação impor- Conforme o Ibracon (2011, p. 9), o IASB
tante para prever os fluxos de caixa. No item entende que as limitações de alternativas exis-
101 do documento correspondente ao IASB tentes nas IFRSs não é fator impeditivo para que
(CPC 26), o CPC acrescentou a frase “obedeci- as demonstrações contábeis consolidadas sejam
das as disposições legais”. consideradas de acordo com as IFRSs.
A seguir, constam as diferenças apuradas
h) Constituição de ativos provenientes no CPC 37 que trata da adoção inicial:
de planos de benefícios definidos
No parágrafo 59(c) da IAS 19, o IASB dis- a) Utilização do método do custo atribu-
põe que um ativo pode surgir quando um plano ído (deemed cost) em ativos intangíveis, inves-
de benefício definido tiver recebido contribui- timentos em controladas, coligadas ou outros
ções em excesso ou, em certos casos, quando são ativos e passivos
reconhecidos ganhos atuariais. A entidade reco- Os itens 31, D7 e D8 do CPC 37 não permiti-
nhece um ativo em tais casos porque estão dis- ram remensurar a valor justo (custo atribuído) os
poníveis benefícios econômicos futuros para a ativos intangíveis, investimentos em controladas,
entidade, na forma de redução em contribuições controladas em conjunto (joint ventures), coligadas
futuras ou de restituição em espécie, seja direta- ou outros ativos e passivos. O IASB permite (mas
mente para a entidade, seja indiretamente para não exige) o deemed cost nesses tipos de ativo.
compensar a insuficiência de outro plano de be- É importante ressaltar que tanto o CPC
nefício pós-emprego. quanto o IASB permitem (mas não exigem) o
Já o CPC 33 acrescentou a frase “obede- uso do custo atribuído nos ativos imobilizados e
cida a legislação pertinente”. Isso ocorreu por- nas propriedades para investimento.
que a Resolução CGPC nº. 26/08 do Conselho A CVM, por meio da Deliberação nº.
de Gestão da Previdência Complementar não 619/09, exigiu que as companhias abertas, que
permite a destinação de excedente de um plano não aplicarem o deemed cost na adoção inicial,
de benefícios para compensar insuficiência de justifiquem os motivos da não aplicação.
outro plano.
Foi incluído o item 143A no CPC 33 re- b) Adoção inicial antecipada das IFRSs
querendo conciliação das premissas atuariais por algumas empresas brasileiras
do fundo e da patrocinadora. O IASB não exige No item 34A, o CPC orientou as compa-
essa conciliação. nhias que elaboraram demonstrações consoli-
dadas em IFRS antes de 1º de janeiro de 2009 a de um mercado ativo, podem utilizar técnica
restringir suas divergências apenas àquelas já de avaliação constante na IAS 39 (AG76 e
praticadas, dando ampla divulgação dessas prá- AG76A) para mensurar os seus ativos finan-
ticas e não adotando novos procedimentos di- ceiros com transações ocorridas antes da
vergentes do CPC. O IASB não trata do assunto. data de transição. No Brasil, o CPC não acei-
tou essa isenção.
c) Utilização das últimas alterações das nor- • Custos de empréstimos e financiamen-
mas internacionais em aplicações retrospectivas tos – pelo IASB, no item D23, os adotantes
Os itens 36 a 39 foram eliminados no CPC pela primeira vez podem aplicar as disposi-
37 porque o Comitê brasileiro não permitiu que ções transitórias estabelecidas nos itens 27 e
as empresas retroagissem seus registros contá- 28 da IAS 23 (CPC 20). No Brasil, o CPC não
beis anteriores à data de transição. O IASB alte- aceitou essa isenção.
rou algumas de suas normas, como a IFRS 3 e as
IASs 1 e 27, entre outras, requerendo que, 4.3 Categoria 3: Diferenças de caráter
quando uma empresa optar por retroagir regis- geral entre o CPC e o IASB
tros contábeis em assuntos como “combinação
de negócios”, “consolidação”, “investimentos As diferenças apresentadas a seguir são
em coligadas e controladas”, entre outros, uti- de caráter geral, nas quais o CPC decidiu alterar
lize as normas que já contemplem as últimas alguns parágrafos da norma do IASB, ou mesmo
atualizações procedidas e não as normas vigen- criar norma não existente no IASB.
tes na época da aplicação retrospectiva.
a) Amortização de goodwill (ágio por ex-
d) Reconhecimento de ágio (goodwill) pectativa de rentabilidade futura)
como redução do patrimônio líquido No Brasil, a interpretação ICPC 09 (item
O IASB, no item C4(i) da IFRS 1, oferece 43) prevê a possibilidade de amortizar o goo-
duas opções para as empresas que reconhece- dwill caso o mesmo tenha vida útil definida. O
ram o goodwill como redução de patrimônio lí- IASB não trata de vida útil para goodwill em sua
quido de acordo com normas anteriores às norma sobre intangível, a IAS 38 (CPC 04). O
IFRSs. O CPC 37 excluiu o item, pois não existe organismo internacional requer que o goodwill
essa possibilidade aqui no Brasil. seja sempre testado por impairment e o CPC
também, mas oferece essa exceção.
e) Permissão de isenções de outras IFRSs
não aceitas pelo CPC 37 na data de transição b) Demonstração do Fluxo de Caixa
No apêndice “D”, o CPC 37 não permitiu (DFC) – CPC 03 (IAS 7)
que as empresas brasileiras, quando estiverem O IASB (item 19) encoraja a preparação da
adotando as normas internacionais pela pri- DFC pelo método direto e o CPC não. No caso
meira vez, utilizem várias isenções de outras da preparação pelo método direto, o CPC (item
IFRSs permitidas pelo IASB na IFRS 1, a saber: 20A) exigiu reconciliação entre o lucro líquido e
• Transação de pagamentos baseados em o fluxo de caixa líquido das atividades opera-
ações – pelo IASB, nos itens D2 e D3, os ado- cionais. O IASB não exige reconciliação.
tantes pela primeira vez podem aplicar a
IFRS 2 para períodos anteriores à data de c) Inclusão da ação preferencial no cál-
transição. No Brasil, o CPC 10 que trata do culo do lucro por ação básico e diluído
assunto vigora desde 2008 e o CPC não Foi incluído no CPC 41 o item 3A reque-
achou necessário aplicar essa isenção. rendo na aplicação do cálculo e na divulgação
• Mensuração de ativos ou passivos finan- do resultado por ação ordinária básico e diluído
ceiros pelo valor justo em seu reconheci- a aplicação dos mesmos procedimentos para a
mento inicial – pelo IASB, no item D20, os ação preferencial. No IASB só consta requeri-
adotantes pela primeira vez, na inexistência mento para a ação ordinária.
d) Citação de documentos não emitidos Tabela 4 - Normas do IASB ainda não aprovadas pelo
pelo CPC e emitidos pelo IASB Comitê de Pronunciamentos Contábeis entre 2007 e 2011.
Os CPCs 34 (Exploração e Avaliação de Assunto IASB CPC
Recursos Minerais) e 42 (Contabilização e Evi- Introdução ao Euro SIC 7 -
denciação em Economia Altamente Inflacioná-
Contabilização e Relatório de Planos
ria) não foram emitidos no período analisado, IAS 26 -
de Benefícios de Aposentadoria
conforme Tabela 4, entretanto foram citados nos
Contabilização e Evidenciação em
CPCs aprovados: CPC 27 (item 3c) cita o CPC Economia Altamente Inflacionária
IAS 29 CPC 42
34; e o CPC 33 (item 66) cita o CPC 42. Aplicação da Abordagem de
Reapresentação prevista na IAS 29
IFRIC 7 -
e) Transações entre controladora e con- – Relatório Financeiro em Economia
trolada não reconhecidas nas demonstrações Altamente Inflacionária
Custos de Remoção de Resíduos de
contábeis individuais Superfície na Fase de Produção de IFRIC 20 -
Pelo CPC 18, os resultados decorrentes de uma Mina
transações ascendentes e descendentes entre a Exploração e Avaliação de Recursos
controladora e a controlada não devem ser reco- IFRS 6 CPC 34
Minerais
nhecidos nas demonstrações contábeis indivi- Instrumentos Financeiros:
IFRS 9 -
duais da vendedora enquanto os ativos transa- Mensuração
cionados estiverem no balanço da adquirente Demonstrações Contábeis
IFRS 10 -
pertencente ao grupo econômico. O IASB não Consolidadas
trata de demonstrações individuais. Empreendimento em Conjunto IFRS 11 -
Divulgação de Participação em
IFRS 12 -
4.4 Categoria 4: Normas do IASB não Outras Entidades
emitidas pelo CPC entre 2007 e 2011 Mensuração a Valor Justo IFRS 13 -
Apesar dos 65 documentos emitidos pelo Fonte: tabela preparada pelos autores.
CPC no período de 2007 a 2011, onze normas do Nota 1: a SIC 7 não será tratada pelo CPC, pois não é
IASB não foram analisadas pelo Comitê brasileiro. aplicável ao Brasil; as IFRSs de 9 a 13, bem como a IFRIC
Na Tabela 4, apresentada a seguir, cons- 20 não são obrigatórias até o momento; e o CPC enviará
sugestões ao IASB sobre a IAS 29 e a IFRIC 7.
tam as normas internacionais de contabilidade Nota 2: os CPCs 34 e 42 foram numerados, mas ainda
emitidas pelo IASB e não emitidas pelo CPC no não foram aprovados pelo Comitê de Pronunciamentos
período em análise. É importante ressaltar que Contábeis.
este item foi acrescentado porque a não emissão
de determinada norma do IASB pelo CPC pode- • Seis normas (as IFRSs de 9 a 13 e a IFRIC
ria ser um empecilho para a convergência. 20) só terão vigência em 2013, com exceção
O CPC entende que a não aprovação des- da IFRS 9 que teve sua vigência prorrogada
ses pronunciamentos não é empecilho para a de 2013 para 2015. A emissão dos pronun-
convergência, pois algumas normas: (i) ou não ciamentos correlacionados a essas normas
são aplicáveis ao Brasil, como a SIC 7; (ii) ou não está prevista para 2012, conforme crono-
são relevantes no momento atual que o Brasil se grama do CPC.
encontra, como a IAS 29; (iii) ou ainda não são • A SIC 7 não possui aplicabilidade no
obrigatórias pelo IASB, como as IFRSs de 9 a 13 Brasil, pois a interpretação foi emitida para
e a IFRIC 20. os países da Europa que adotaram o euro
Analisando a situação das onze normas como a moeda do país. Assim, esta interpre-
do IASB ainda não aprovadas pelo CPC é possí- tação não será emitida no Brasil.
vel interpretar que os documentos ainda não • A IAS 26 aplica-se aos fundos de pensão
aprovados não prejudicam a convergência e, e não às empresas de uma forma geral, as
portanto não produzem efeitos nas demonstra- quais já possuem norma própria para bene-
ções contábeis das empresas brasileiras, pelos fícios a empregados, o CPC 33, que se corre-
seguintes motivos: laciona com a IAS 19. O Comitê de Pronun-
ciamentos Contábeis estima emitir o pro- cional, realizou-se a pesquisa documental com a
nunciamento correlacionado com a IAS 26 utilização da técnica de análise de conteúdo em
no ano de 2013, após discussão com a PRE- que foram analisados os pronunciamentos técni-
VIC – Superintendência Nacional de Previ- cos emitidos pelo CPC e as normas internacio-
dência Complementar. nais de contabilidade emitidas pelo IASB.
• A IAS 29 e a IFRIC 7 não produzem dife- Após a análise dos documentos emitidos
renças contábeis no atual momento vivido pelo CPC entre os anos 2007 e 2011 e da compa-
pelo Brasil, pois, desde 1997, o país deixou ração dos pronunciamentos brasileiros com as
de possuir uma economia hiperinflacioná- normas internacionais, foram apontadas as di-
ria, conforme definições dos normativos do ferenças apuradas. As diferenças mais impor-
IASB. De qualquer maneira, a não emissão tantes foram organizadas em quatro categorias
dos documentos correlacionados se deveu e analisadas individualmente e estão apresenta-
ao fato das normas estarem em revisão pelo dos resumidamente a seguir:
IASB e o Brasil ter se prontificado a sugerir Categoria 1: Diferenças em função da Le-
melhorias na norma internacional, uma vez gislação Brasileira – nesta categoria foram cita-
que desse assunto o Brasil tem vasta experi- das: (i) a reavaliação de ativos que não é permi-
ência, pois já conviveu com altas taxas de tida legalmente no Brasil; (ii) o saldo em ativo
inflação. Enquanto o IASB não revisar estas diferido permitido pela legislação brasileira e
normas o CPC não aprovará os pronuncia- não previsto pelas IFRSs; (iii) a diferença de um
mentos correlacionados. mês adicional de defasagem no encerramento
• A IFRS 6 passa por revisão do IASB e das demonstrações contábeis das coligadas e
por isso o CPC preferiu aguardar as mudan- controladas admitidas pelas IFRSs; (iv) a obri-
ças na norma internacional. Trata-se de me- gatoriedade de publicação da demonstração do
lhorias limitadas nas práticas contábeis rela- valor adicionado no Brasil; (v) o registro como
tivas aos dispêndios na exploração e avalia- obrigação dos dividendos mínimos obrigatórios
ção de recursos minerais. Enquanto o IASB ou estatutários; e (vi) a existência de demonstra-
não revisar a IFRS 6 o Comitê brasileiro não ções contábeis individuais no Brasil.
aprovará o CPC 34. Categoria 2: Diferenças em relação às op-
ções adicionais oferecidas pelo IASB na adoção
5 CONCLUSÕES inicial – o CPC não permitiu as mesmas opções
oferecidas pelo IASB porque algumas datas es-
No processo de convergência dos padrões tabelecidas pela IFRS 1 não representam a reali-
contábeis por grande parte dos países ao redor dade brasileira, uma vez que a data de transição
do mundo às normas internacionais, é de grande no Brasil é o dia 1º de janeiro de 2009 e, mesmo
valia os estudos que tratam do processo, dificul- antes dessa data, já existiam 14 pronunciamen-
dades e evolução dos padrões locais, até a ado- tos em vigor.
ção completa às IFRSs. Categoria 3: Diferenças de caráter geral
As normas internacionais de contabili- entre o CPC e o IASB – nesta categoria foram
dade, no Brasil, estão sendo previstas nos Pro- citadas: (i) a amortização do goodwill em casos
nunciamentos Técnicos CPC. Assim sendo, re- de vida útil definida, prevista pelo CPC e não
conhecer as limitações que impedem a declara- prevista pelo IASB; (ii) a preferência pelo mé-
ção de que as demonstrações contábeis todo direto pelo IASB na demonstração do fluxo
preparadas em conformidade com as normas de caixa, enquanto o CPC não manifestou dife-
do CPC estão de acordo com as normas interna- rença e exigiu a conciliação entre o lucro líquido
cionais de contabilidade é de fundamental im- e o fluxo de caixa líquido das atividades opera-
portância para o entendimento do estágio atual cionais; e (iii) a inclusão das ações preferenciais
da convergência brasileira. no cálculo do lucro por ação.
No intuito de se verificar o estágio atual da Categoria 4: Normas do IASB não emiti-
aderência contábil brasileira ao padrão interna- das pelo CPC entre 2007 e 2011 – constatou-se
que onze normas do IASB ainda não foram (iii) da emissão de interpretações específicas
aprovadas pelo CPC. sem a respectiva norma similar no IASB, como
Assim sendo, com base nos resultados da ocorreu com as ICPCs 9 e 10 que abrangem as
pesquisa, é possível responder à questão deste demonstrações individuais; e (iv) da alteração
trabalho, ou seja, existem diferenças entre os no nome do CPC 18 para contemplar as de-
CPCs e as normas emitidas pelo IASB no que monstrações individuais.
refere às demonstrações contábeis consolida- Este estudo contribui para o entendi-
das. E, em uma análise mais apurada, é possível mento do estágio da convergência dos padrões
afirmar que, apesar das diferenças apresenta- contábeis brasileiros ao padrão internacional.
das, as demonstrações contábeis pelo CPC po- Sugere-se para futuros estudos a avaliação da
dem ser declaradas “de acordo com as IFRSs” continuidade dos trabalhos do CPC no ano de
em função de que os procedimentos previstos 2012 e períodos posteriores, bem como outras
nas normas internacionais foram contemplados revisões e novas emissões de normas que pos-
pelos CPCs. Entretanto, raciocínio inverso não sam surgir do IASB e do CPC.
deve ser aplicado, ou seja, as demonstrações Como limitações: (i) o estudo restringiu-
contábeis preparadas pelas IFRS necessaria- -se ao conjunto de normativos do IASB e do
mente não estão em conformidade com os CPCs, CPC e não incluiu guias de implementação,
em função das restrições de alguns pronuncia- orientações de aplicação, glossários, bases para
mentos do CPC em relação às IFRSs, como por conclusão, apêndices e exemplos que estão con-
exemplo, a reavaliação de ativos. A não reava- tidos em alguns normativos, mas não fazem
liação de ativos no Brasil está de acordo com as parte dos mesmos; e (ii) aspectos tributários
IFRSs, uma vez que o IASB oferece a opção de também não foram abordados.
reavaliar ou de não reavaliar.
Adicionalmente, não obstante as diferen- REFERÊNCIAS
ças detectadas entre os CPCs e as IFRSs, tam-
bém é possível afirmar que as demonstrações BARDIN, L. (1997). Análise de Conteúdo. Lisboa:
contábeis consolidadas elaboradas de acordo Edições 70.
com os CPCs podem ser declaradas “de acordo
BRASIL. (1976). Lei nº 6.404, de 15 de dezembro
com as IFRSs”, pois as principais diferenças
de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações.
apresentadas ou não são relevantes no reconhe-
Recuperado em 13 março, 2010, de http://
cimento e mensuração de itens de ativos, passi-
[Link]/ccivil_03/leis/
vos, receitas e despesas ou atingem especifica-
[Link].
mente as demonstrações contábeis individuais.
O que poderia ser questionável seria afir- COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁ-
mar que as demonstrações contábeis individu- BEIS. (2010). Pronunciamento Técnico CPC 41. Re-
ais das empresas brasileiras estão totalmente cuperado em 21 dezembro, 2010, de http://
convergentes com as normas internacionais de [Link]/pdf/CPC_41.pdf.
contabilidade. O próprio CPC faz a ressalva in- CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE.
formando que o IASB não prevê mensuração (2010). Pronunciamentos Técnicos Contábeis 2009.
pelo método de equivalência patrimonial para Brasília: CFC.
as empresas controladas, bem como também
COSTA, J. A. (2005). Contabilidade de Seguros: As
não trata das demonstrações individuais. Assim
Experiências no Brasil e no Mercosul em Compara-
sendo, a resposta a este questionamento pode-
ção com as Normas Propostas pelo IASB. Rio de Ja-
ria ser negativa em função: (i) do IASB não ter
neiro: Funenseg.
emitido normas específicas para as demonstra-
ções individuais; (ii) da inclusão de parágrafos ERNST & YOUNG & FIPECAFI. (2009). Manual
adicionais nos pronunciamentos do CPC para de Normas Internacionais de Contabilidade: IFRS
contemplar as demonstrações individuais, versus Normas Brasileiras. São Paulo: Atlas.
como ocorreu com os CPCs 18, 33, 41 e outros; ERNST & YOUNG TERCO & FIPECAFI. (2011).
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Notas: