Critérios de Avaliação de Lesões Dentárias
Critérios de Avaliação de Lesões Dentárias
PIRACICABA
- 2011 -
FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA
BIBLIOTECA DA FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE PIRACICABA
a
Bibliotecária: Elis Regina Alves dos Santos – CRB-8 / 8099
(eras/fop)
Título em Inglês: Study of the evaluation criteria for teeth injuries by judges,
experts in forensic departments and forensic dentistry experts in accordance to
the penal law
Palavras-chave em Inglês (Keywords): 1. Forensic dentistry. 2. Traumatology. 3.
Tooth injuries
Área de Concentração: Odontologia Legal e Deontologia
Titulação: Mestre em Biologia Buco-Dental
Banca Examinadora: Eduardo Daruge, Luiz Francesquini Júnior, Graziela de
Almeida Prado e Piccino Marafiotti
Data da Defesa: 16-03-2011
Programa de Pós-Graduação em Biologia Buco-Dental
ii
iii
Dedico este trabalho primeiramente à Deus,
essa força que sempre nos impulsiona e permite
que possamos realizar nossos sonhos.
iv
AGRADECIMENTOS
v
Sagrado Coração-USC, pelo carinho e atenção a mim dispensados, desde a
graduação.
À Profª. Me. Alicia Picapedra, Prof. Me. Carlos Sassi, Prof. Me.
Leonardo Soriano de Mello Santos, Profª. Me. Laíse Nascimento Correia Lima
e Profª Me. Talita Lima de Castro pela colaboração e amizade.
vi
Aos colegas do Mestrado pela amizade, compartilhando momentos de
estudo e de lazer.
vii
“Aprender é a única coisa de que a mente nunca
se cansa, nunca tem medo e nunca se
arrepende.”
Leonardo da Vinci
viii
RESUMO
ix
ABSTRACT
x
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
CD - Cirurgião Dentista
CP - Código Penal
xi
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................ 1
3. PROPOSIÇÃO ........................................................................................................................................... 26
5. RESULTADOS ........................................................................................................................................... 28
6. DISCUSSÃO ............................................................................................................................................... 45
7. CONCLUSÃO ............................................................................................................................................ 56
xii
1. INTRODUÇÃO
Com o aumento generalizado da violência, os casos de agressões e
acidentes de trânsito mostram que a face é uma das regiões mais atingidas.
Frente a esses acontecimentos, é necessário um exame de Corpo de Delito, pois
há necessidade que essas lesões sejam avaliadas por profissionais para que se
caracterize os danos sofridos pela vítima, sendo de suma importância, que o
profissional conheça os critérios ideais para a avaliação das lesões, tanto no seu
diagnóstico, como também na classificação, nexo causal e enquadramento legal,
sendo que quaisquer falhas podem prejudicar tanto o processo como as partes
envolvidas. A tipificação é muito importante, pois se o dano for corretamente
classificado, a vítima pode ter direito à justa indenização e fazer com que o
agressor responda adequadamente pelo crime cometido. O laudo de exame de
corpo de delito é geralmente o ponto de partida para uma ação civil de reparação
de dano.
1
enquadramento das lesões dentárias, pois podem ocorrer divergências nas
opiniões entre os profissionais. Mesmo o juiz, que se orienta pelos quesitos
respondidos pelo perito, pode questionar a gravidade do dano, pois não existe um
parâmetro a ser seguido para o aparelho estomatognático.
2
2. REVISÃO DA LITERATURA
4
Segundo Fávero (1973), a cabeça é a região do corpo mais atingida por
traumas, e alega que a razão da face ser mais acometida se dá pelo fato de ser
uma região pouco protegida e usualmente exposta.
De acordo com Almeida Júnior & Costa (1974), não importa a idade, o
gênero, a condição social, pois todas as pessoas são iguais, o direito criminal
protege o interesse geral comum. Para os autores uma jovem mulher bonita com
uma cicatriz no rosto não fica mais deformada que um homem idoso e sem
atrativos com a mesma lesão.
5
mesmo que superem a estética, uma perda dentária sempre determina um
prejuízo permanente à vítima. Também destaca o ponto de vista psicológico, onde
mesmo a vítima estando apta ao trabalho pode não estar no sentido psicológico,
devido a alterações estéticas e funcionais que levam um longo tempo para serem
reparadas.
6
De acordo com De Michelis (1984), a função mastigatória resulta da
atuação cinérgica de vários órgãos, e que os dentes são dotados de função
específica e insubstituível, daí órgão dentário, portanto não pode separar a lesão
nos dentes da função digestiva.
7
Camargo Júnior (1987) relatou que o médico legista tem habilidades e
conhecimentos técnicos necessários para esclarecer todas as particularidades
técnicas e científicas de cada caso, sendo que tal situação também pode ser
aplicada à Odontologia Legal.
Quadro 1. Tipificação quanto ao valor funcional dos elementos dentários (Fonte: Dueñas, in
Beltran, apud Arbenz (1988))
PEÇA VALOR VALOR VALOR
DENTÁRIA ESTÉTICO FONÉTICO MASTIGATÓRIO
INCISIVO CENTRAL 100 100 40
INCISIVO LATERAL 90 90 40
CANINO 80 80 70
1º PRÉ-MOLAR 70 50 60
2º PRÉ-MOLAR 60 40 70
1º MOLAR 50 ____ 100
2º MOLAR 40 ____ 90
3º MOLAR ____ ____ ____
8
Álvaro Dória, in Raimundo Rodrigues, apud Arbenz (1988), sugeriu os
seguintes valores, apenas para a função estética (considerando 25% para cada
hemiarco, o que totaliza 100% da função estética), conforme quadro 2.
Segundo Berrios & Grady (1991), 68% das mulheres que sofreram
violência por parte de seus parceiros apresentaram lesões de cabeça e pescoço,
incluindo lacerações, contusões e fraturas.
10
De acordo com Cardozo (1993), a capacidade laborativa genérica
também é interferida devido as perdas dentárias, em especial dos incisivos em
determinadas atividades profissionais, como o caso dos músicos que utilizam
instrumentos de sopro, não apenas pelo fato de constituírem um ponto de apoio
ao instrumento, mas por contribuirem para formar a caixa de ressonância pela
modulação do som, unindo os lábios.
11
Quadro 3. Tipificação quanto a função mastigatória dos elementos dentários (Fonte:
Hentze, in Michellis, apud Penna (1994))
INCISIVO CENTRAL 1%
INCISIVO LATERAL 1%
CANINO 2%
1º PRÉ-MOLAR 3%
2º PRÉ- MOLAR 3%
1º MOLAR 5%
2º MOLAR 5%
3º MOLAR 5%
12
evitada com o uso de capacetes, cinto de segurança e não ingestão de bebidas
alcoólicas.
13
De acordo com Cardozo (in Silva, 1997), podem existir sequelas tanto
funcionais como estéticas, sendo que as estéticas podem causar danos na
reintegração social desse traumatizado, sendo na maioria dos casos, necessária a
realização de procedimentos corretivos. Segundo o mesmo autor, os
traumatismos que envolvem a região bucal, além das ofensas que causam ao
tegumento e ao músculo, podem provocar lesões no ducto de Stenon. Lesões em
estruturas glandulares podem transformar em fístula salivar, que quando se
comunicam com o exterior, podem assumir grande importância estética, pois
ocorre perda de saliva na face, principalmente na mastigação. Diz ainda que são
comuns as fraturas faciais causarem defeito estético em consequência de perdas
ósseas, com encovamento de tecido cutâneo, da consolidação viciosa da fratura,
que resulta em assimetria, anquiloses da articulação temporomandibular,
reduzindo ou até anulando a mobilidade normal da mandíbula, o que dificulta a
fonação e pode, além disso, causar uma expressão de assombro em alguns
casos.
14
tipos de lesão, e destacam que a compreensão quanto ao tipo de lesão são
essenciais para o diagnóstico e tratamento, pois embora as lesões dentárias
possam ocorrer separadamente, elas envolvem uma combinação entre a lesão do
dente e suas respectivas estruturas de suporte, e o diagnóstico preciso e o
tratamento de emergência apropriado, beneficiam sensivelmente o prognóstico
das lesões dento-alveolares. Os mesmos autores ainda relataram que na dentição
permanente, para os meninos, a idade crítica varia de 9 a 10 anos e que para as
meninas não havia uma idade crítica específica. Ainda destacam que o incisivo
central superior é o elemento dentário mais afetado na faixa etária entre onze e
vinte anos.
15
Marciani et al. (1999) realizaram um estudo sobre a frequência de
danos no complexo maxilo-facial em acidentes de trânsito, no período de 1º de
agosto de 1995 a 1º de agosto de 1996. Concluíram que 72% dos pacientes se
enquadravam no perfil dessa pesquisa. Quanto ao gênero 82% era masculino e
18% era feminino, destes, 40 pacientes necessitaram de intervenção cirúrgica,
onde 35% tiveram dano nos tecidos moles e ósseos e apenas um paciente
apresentou fratura mandibular, sendo o restante, fratura da maxila e outros órgãos
da face. Segundo os autores, o terço médio da face é o local de maior incidência
de trauma em acidentes automobilísticos.
16
entrada em vigência da lei do uso obrigatório de cinto de segurança (24 de janeiro
de 1998), o segundo período um ano depois da entrada da lei. Observaram a
diminuição de vítimas de acidentes de trânsito com lesões de cabeça e face de
387 (no primeiro período) para 182 (no segundo período), ou seja, uma
diminuição de 52,97%. Em relação às vítimas de acidentes de trânsito com lesões
de interesse odontológico, foram de 152 (primeiro período) para 82 (segundo
período), uma diminuição de 46,05%. As vítimas de acidentes de trânsito com
lesões dentárias, foram de 10 (primeiro período) para 09 (segundo período), uma
queda de 10,00%.
17
Silva et al. (2003) analisaram os traumatismos faciais de acordo com as
diferentes causas externas, no decorrer do século XX, por meio de laudos de
corpo de delito do IML de São Paulo, no período de 1911 a 1998, totalizando nove
décadas e 3.600 laudos, de pessoas vivas e mortas, sendo observado o
comprometimento ou não da face. Quanto ao gênero, tanto nas necropsias
quanto nas lesões corporais, houve uma prevalência do sexo masculino. Quanto
ao número de exames de corpo de delito, mostrou que este tem um crescimento
proporcional ao da população durante o século. O trauma da face aparece em
grande parte dos laudos durante todo o século, mas o percentual de exames que
relataram lesão na face diminuiu com o passar do tempo. Dos exames que
relataram lesão na face, a causa principal foi a agressão interpessoal. Os
acidentes de transporte e atropelamentos tiveram destaque a partir da década de
60, e na década de 90, surgiram como causas externas de lesão em face, a
intervenção legal e a agressäo sexual. Os autores notaram um crescimento do
sexo feminino nos exames de lesão corporal, com lesão em face, causada por
agressão interpessoal.
Cintra (2004) fez uma análise nos laudos dos arquivos do IML Afrânio
Peixoto/RJ, no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2002, com uma
amostra de 837 exames. Concluiu que o sexo masculino foi o mais acometido
pelas lesões do complexo estomatognático e a faixa etária predominante estava
entre 16 a 35 anos de idade. Quanto à causa das lesões, o autor verificou que
foram por socos, atropelamentos, acidentes automobilísticos, dentre outros, e a
área mais atingida foi a maxila. Os dentes mais envolvidos foram os incisivos
superiores, em geral com fraturas coronárias, mobilidade e avulsões. Destaca
ainda que houve um predomínio de fraturas coronárias dos elementos dentários
da bateria labial, que resultaram “debilidade permanente da função mastigatória”,
associada à “deformidade permanente”, considerada respectivamente grave e
gravíssima, sob o ponto de vista didático (artigo 129 CP parágrafos 1º e 2º).
18
Alertou ainda sobre a ausência de peritos com formação odontológica em alguns
IMLs do país, pois são os especialistas em odontologia legal os profissionais mais
capacitados a reconhecerem as dificuldades e nuances de um tratamento
odontológico.
Gilbert et al. (2004) verificaram que indivíduos com perda dentária eram
2,7 vezes mais propensos a um começo de dificuldade de mastigação que as
pessoas que não tiveram perdas dentárias.
19
maioria das vítimas era do gênero masculino, com idade entre 20 e 29 anos. O
agente etiológico mais frequente foi a violência interpessoal. Entre as vítimas de
traumatismos faciais, 93,1% tiveram lesões de tecido mole, 2,5% tiveram lesões
de tecido duro e 4,4% apresentaram lesões associadas de tecido mole e duro.
Quanto aos tecidos duros, 54,3% das vítimas sofreram somente fraturas ósseas,
31,4% tiveram lesões dentárias, 5,2% traumatismos ósteo-dentários. A maioria
das vítimas de traumatismos dentários tiveram o envolvimento de um único dente.
A maioria dos traumas dentários foram classificados como de natureza grave
(45,2%).
20
Segundo Briñon (2006), na Argentina, o CP considera o dano fonético.
A autora também mostrou um quadro onde vários autores avaliam a função
mastigatória de cada elemeto dentário, sendo ao final desse quadro, a avaliação
de acordo com essa mesma autora, conforme quadro 4.
21
(22,82%), sendo que as regiões mais atingidas foram membros superiores
(25,74%), e a cabeça (23,30%). Na face as regiões mais acometidas foram a
orbitária (15,22%), a frontal (14,25%) e a oral (13,29%). A maior parte das
crianças e adolescentes desse estudo sofreram dano físico classificado como
Lesão Corporal de Natureza Leve.
Faria (2006) estudou 906 laudos médico legais de pessoas com queixa
de violência doméstica, no Departamento Médico Legal de Vitória/ES, ocorridos
no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2003, e constatou que todos os
casos apresentavam ferimento na boca ou região mandibular, marca de mordida
e muitos casos apresentavam mais de uma lesão do aparelho estomatognático.
Relata que estando estas lesões no âmbito da odontologia legal, a presença do
odontolegista poderia contribuir para a boa finalização dos laudos.
22
Rezende et al. (2007) realizaram um levantamento de dados em
registros e laudos de mulheres vítimas de lesões corporais no complexo
estomatognático, que foram encaminhadas pelas delegacias e/ou órgãos
competentes ao IML de Belo Horizonte, para perícia no Setor de Odontologia
Legal. Analisaram todos os registros de laudos referentes às lesões corporais na
região peribucal em mulheres que sofreram agressão. O levantamento realizado
abrangeu fichas e laudos arquivados durante 18 meses, compreendendo o
período de janeiro de 2001 a junho de 2002, preenchidos por funcionários que
estiveram neste período desempenhando a função de odontolegista. Concluíram
que a lesão de tecido mole mais frequente foi a laceração; a de tecidos duros e
da polpa foram as fraturas de esmalte e dentina sem complicações; a de tecidos
periodontais foi a concussão; e foram observadas duas lesões em tecidos ósseos.
Os autores destacam a necessidade de uma coleta de dados mais cuidadosa nos
exames periciais, de modo a disponibilizar informações mais detalhadas. Além
disso, revelaram que as lesões buco dentais são frequentes e representam uma
grande demanda para os serviços odontológicos de saúde pública que prestam
esse atendimento.
23
e para todos os músculos da região incisiva. Ainda costatou que no grupo
desdentado parcial, na região molar direita, somente o músculo temporal
esquerdo apresentou correlação positiva entre a força de mordida e atividade
eletromiográfica. Na região molar esquerda, a correlação foi positiva para os
músculos masseter direito e temporais, direito e esquerdo e na região incisiva,
todos os músculos apresentaram correlação negativa.
24
lesões, evidenciando possível desconhecimento dos peritos responsáveis pela
sua emissão.
25
3. PROPOSIÇÃO
26
4. MATERIAL E MÉTODO
27
5. RESULTADOS
Juiz 16 19,51%
Odontolegista 32 39,02%
Total 82 100,00%
28
Quanto ao setor de trabalho, a maior parte das respostas, 46,34%
(n=38), indicaram como sendo no setor público, conforme tabela 3.
Tabela 3. Número e percentual de profissionais segundo o setor de trabalho
Setor de trabalho Frequência %
Particular 15 18,29%
Público 38 46,34%
Misto (público e particular) 22 26,83%
Sem informação 7 8,54%
Total 82 100,00%
29
De acordo com a especialidade, foi observado que a maioria possuía
especialização em Odontologia Legal, 32,93% (n=27), conforme tabela 5.
30
Nas perguntas específicas, constatou-se que, quando indagados sobre
a perda de um terceiro molar inferior direito, por agressão sofrida por um homem,
os maiores valores percentuais foram para dano mastigatório, com 37,50% (n=6)
na opinião de juizes; 72% (n=18) peritos (médico); 88,89% (n=8) peritos (cirurgião
dentista) e 53,13% (n=17) odontolegistas, conforme tabela 7.
Tabela 7. Número e percentual de profissionais segundo a opinião quanto ao dano causado pela agressão em
um adulto
Juiz Perito (Md) Perito(CD) Odontolegista Total
Dano
Fr % Fr % Fr % Fr % Fr %
Estético 1 6,25% 0,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Fonético 1 6,25% 0,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Mastigatório 6 37,50% 18 72,00% 8 88,89% 17 53,13% 49 59,76%
Estético e mastigatório 2 12,50% 0,00% 0,00% 0,00% 2 2,44%
Mastigatório e outra: oclusal 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Fonético e mastigatório 4 25,00% 2 8,00% 0,00% 2 6,25% 8 9,76%
Fonético e mastigatório e outra: aumento
espaçamento
entre dentes ao lado da avulsão 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Outra: trauma muscular pelo impacto e ATM 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Não houve dano 1 6,25% 4 16,00% 1 11,11% 10 31,25% 16 19,51%
Sem informação 1 6,25% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Total 16 100,00 25 100,00% 9 100,00% 32 100,00 82 100,00%
% %
31
Na hipótese de uma agressão, sofrida por uma criança de doze anos
de idade, do sexo feminino, que resultou na perda de um incisivo central superior
direito, a maior porcentagem, para todos os profissionais, foi dano estético,
fonético e mastigatório, sendo 75% (n=12) para juizes; 72% (n=18) para peritos
(médico); 88,89% (n=8) para peritos (cirurgião dentista) e 75% (n=24) para
odontolegistas, conforme tabela 8.
Tabela 8. Número e percentual de profissionais segundo a opinião quanto ao dano causado pela agressão em uma
criança.
Juiz Perito (Md) Perito(CD) Odontolegista Total
Dano
Fr % Fr % Fr % Fr % Fr %
Estético 2 12,50% 0,00% 0,00% 0,00% 2 2,44%
Estético e mastigatório 0,00% 2 8,00% 0,00% 0,00% 2 2,44%
Estético e fonético 0,00% 5 20,00% 1 11,11% 7 21,88% 13 15,85%
32
Caso um homem de sessenta anos de idade, que possui uma prótese
unitária no incisivo lateral superior esquerdo, e uma prótese parcial removível de
canino inferior esquerdo a canino inferior direito, sofrer um acidente de trânsito e
fraturar a coroa de um incisivo lateral superior direito, restando apenas a raiz, os
profissionais entenderam que o dano foi estético, fonético e mastigatório, onde
para juízes obtivemos a maioria de 43,75% (n=7); para peritos (médico)
56%(n=14); para peritos (cirurgião dentista) 66,67% (n=6) e para odontolegistas
75% (n=24), conforme tabela 9.
Tabela 9. Número e percentual de profissionais segundo a opinião quanto ao dano causado por acidente de
trânsito em um adulto.
Juiz Perito (Md) Perito(CD) Odontolegista Total
Dano
Fr % Fr % Fr % Fr % Fr %
Estético 2 12,50% 1 4,00% 0,00% 2 6,25% 5 6,10%
Mastigatório 1 6,25% 3 12,00% 0,00% 0,00% 4 4,88%
Mastigatório: depende do resultado da 1 6,25% 0,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
prótese
Estético e fonético 0,00% 6 24,00% 3 33,33% 6 18,75% 15 18,29%
Estético, fonético e mastigatório 7 43,75% 14 56,00% 6 66,67% 24 75,00% 51 62,20%
Estético, fonético e mastigatório: 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
agravamento
Não houve dano 4 25,00% 0,00% 0,00% 0,00% 4 4,88%
Sem informação 1 6,25% 0,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Total 16 100,00% 25 100,00% 9 100,00 32 100,00% 82 100,00%
%
33
Em uma agressão, sofrida por uma mulher de vinte anos de idade, que
teve fratura de um terço da borda incisal do incisivo central inferior esquerdo, o
maior resultado, para os juizes, foi dano estético e fonético, com 37,50% (n=6);
para os peritos (médico), o dano sofrido foi apenas estético, com 44% (n=11);
para peritos (cirurgião dentista), se caracterizou um dano estético e fonético, com
44,44% (n=4) e para os odontolegistas, o dano foi apenas estético, com 43,75%
(n=14), conforme tabela 10.
Tabela 10. Número e percentual de profissionais segundo a opinião quanto ao dano causado pela agressão
em uma mulher
Juiz Perito (Md) Perito(CD) Odontolegista Total
Dano
Fr % Fr % Fr % Fr % Fr %
34
Supondo que uma adolescente sofreu um acidente de trânsito, e
perdeu o primeiro molar inferior esquerdo, a maioria das respostas, de todos os
profissionais, foi dano mastigatório, com 50% (n=8) para juizes; 72% (n=18) para
peritos (médico); 77,78 % (n=7) para peritos (cirurgião dentista) e 59,38% (n=19)
para odontolegistas, conforme tabela 11.
Tabela 11. Número e percentual de profissionais segundo a opinião quanto ao dano causado por acidente de
trânsito em uma adolescente
Juiz Perito (Md) Perito (CD) Odontolegista Total
Dano
Fr % Fr % Fr % Fr % Fr %
Estético 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Estético, fonético e mastigatório 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Fonético 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Fonético e mastigatório 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Mastigatório 8 50,00% 18 72,00% 7 77,78% 19 59,38% 52 63,41%
Estético e mastigatório 7 43,75% 4 16% 2 22,22% 9 25,13% 22 26,83%
Estético, mastigatório e outro: mastigação dos
dentes
anexos, tardiamente, com suas consequências 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Estético e mastigatório e outro: oclusão 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Não houve dano 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Sem informação 1 6,25% 0,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Total 16 100,00% 25 100,00% 9 100,00% 32 100,00% 82 100,00%
35
Na hipótese de uma mulher de cinquenta anos de idade, vítima de
agressão, fraturar um terço da porção incisal de um canino superior direito, sendo
que a vítima possuía uma prótese de canino superior esquerdo até segundo pré-
molar superior esquerdo, obtivemos os seguintes resultados: a maioria dos juízes
entendeu que se tratava de um dano estético, fonético e mastigatório, com
43,75% (n=7); quanto aos peritos (médico), 32% (n=8) afirmaram ser um dano
apenas estético, e outros 32% (n=8) caracterizaram o dano como estético,
fonético e mastigatório; os peritos (cirurgião dentista) e odontolegistas, acreditam
que se trata de um dano estético, fonético e mastigatório, com 44,44% (n=4) e
46,88% (n=15) respectivamente, conforme tabela 12.
Tabela 12. Número e percentual de profissionais segundo a opinião quanto ao dano causado pela
agressão em uma mulher
Juiz Perito (Md) Perito(CD) Odontolegista Total
Dano
Fr % Fr % Fr % Fr % Fr %
Estético 2 12,50% 8 32,00% 3 33,33% 10 31,25% 23 28,05%
Estético e mastigatório 1 6,25% 0,00% 1 11,11% 2 6,25% 4 4,88%
Estético e mastigatório: agravamento 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Mastigatório 2 12,50% 6 24,00% 0,00% 2 6,25% 10 12,20%
Estético, fonético e mastigatório 7 43,75% 8 32,00% 4 44,44% 15 46,88% 34 41,46%
Não houve dano 3 18,75% 2 8,00% 1 11,11% 2 6,25% 8 9,76%
Sem informação 1 6,25% 0,00% 0,00% 1 3,13% 2 2,44%
Total 16 100,00% 25 100,00% 9 100,00% 32 100,00% 82 100,00%
36
No caso de um homem de trinta anos de idade sofrer uma agressão e
devido a este fato, perder o primeiro e o segundo pré molar inferior direito, 43,75%
(n=7) dos juízes, acreditam ser um dano estético e mastigatório; 52% (n=13) do
peritos (médico), afirmaram ser um dano mastigatório; 44,44% (n=4) dos peritos
(cirurgião dentista) entenderam que se trata de um dano estético, fonético e
mastigatório, assim como 43,75% (n=14) dos odontolegistas, mas outros 43,75%
(n=14) desse mesmo grupo de profissionais afirmaram ser um dano apenas
estético e mastigatório, conforme tabela 13.
Tabela 13. Número e percentual de profissionais segundo a opinião quanto ao dano causado pela
agressão em um homem.
Juiz Perito (Md) Perito(CD) Odontolegista Total
Dano
Fr % Fr % Fr % Fr % Fr %
37
Supondo que uma criança de quatro anos de idade sofreu um acidente
de trânsito e perdeu um incisivo central superior decíduo, os juizes, peritos
(cirurgião dentista) e odontolegistas afirmaram ser um dano estético, fonético e
mastigatório, sendo as porcentagens respectivamente: 50% (n=8); 66,67% (n=6) e
46,88% (n=15). Já os peritos (médico), em sua maioria, acreditam que se trata de
um dano estético e fonético, com 20% (n=5), conforme tabela 14.
Tabela 14. Número e percentual de profissionais segundo a opinião quanto ao dano causado por acidente de
trânsito em uma criança.
Juiz Perito (Md) Perito(CD) Odontolegista Total
Dano
Fr % Fr % Fr % Fr % Fr %
Estético 2 12,50% 3 12,00% 1 11,11% 1 3,13% 7 8,54%
Estético: mesmo que temporário a criança teve
perda
precoce, não fisiológica, do elemento decíduo o
Que deverá ser avaliado 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Fonético 1 6,25% 1 4,00% 0,00% 0,00% 2 2,44%
Mastigatório 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Estético e fonético 0,00% 5 20,00% 0,00% 7 21,88% 12 14,63%
Estético e fonético: recomenda-se exame
complementar à frente 0,00% 0,00% 1 11,11% 0,00% 1 1,22%
Estético, fonético e mastigatório 8 50,00% 4 16,00% 6 66,67% 15 46,88% 33 40,24%
Estético, fonético e mastigatório: transitório 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Dano ao dente permanente resultando dano
estético
e mastigatório 0,00% 2 8,00% 0,00% 0,00% 2 2,44%
Dano ao dente permanente resultando
dano estético, fonético e mastigatório 1 6,25% 4 16,00% 1 11,11% 4 12,50% 10 12,20%
Não houve dano 3 18,75% 4 16,00% 0,00% 3 9,38% 10 12,20%
Sem informação 1 6,25% 1 4,00% 0,00% 0,00% 2 2,44%
Total 16 100,00% 25 100,00% 9 100,00% 32 100,00% 82 100,00%
38
Se uma jovem, vítima de agressão, perder o incisivo central inferior
esquerdo, o incisivo lateral inferior esquerdo e canino inferior esquerdo,
obtivemos, de todos os profissionais, a afirmação que se trata de um dano
estético, fonético e mastigatório, sendo 87,50% (n=14) dos juízes; 64% (n=16) dos
peritos (médico); 100% (n=9) dos peritos (cirurgião dentista) e 96,88% (n=31) dos
odontolegistas, conforme tabela 15.
Tabela 15. Número e percentual de profissionais segundo a opinião quanto ao dano causado pela agressão
em uma jovem.
Juiz Perito (Md) Perito(CD) Odontolegista Total
Dano
Fr % Fr % Fr % Fr % Fr %
Estético 1 6,25% 1 4,00% 0,00% 0,00% 2 2,44%
Estético e mastigatório 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Estético e fonético 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Mastigatório 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Estético e mastigatório 0,00% 5 20,00% 0,00% 0,00% 5 6,10%
Estético, fonético e mastigatório 14 87,50% 16 64,00% 9 100,00% 31 96,88% 70 85,37%
Estético, fonético e mastigatório e outro:
alteração
do espaço interdentário tardiamente 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Sem informação 1 6,25% 0,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Total 16 100,00% 25 100,00% 9 100,00% 32 100,00% 82 100,00%
39
Quando questionados sobre qual dano foi sofrido por um adolescente,
devido a um acidente de trânsito, onde perdeu o segundo molar superior direito,
todos os profissionais responderam que o dano foi apenas mastigatório, com as
seguintes porcentagens: juízes com 56,25% (n=9); peritos (médico) com 72%
(n=18); peritos (cirurgião dentista) com 100% (n=9) e odontolegistas com 71,88%
(n=23), conforme tabela 16.
Tabela 16. Número e percentual de profissionais segundo a opinião quanto ao dano causado por
acidente de trânsito em um adolescente
Juiz Perito (Md) Perito (CD) Odontolegista Total
Dano
Fr % Fr % Fr % Fr % Fr %
Estético, fonético e mastigatório 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Fonético 1 6,25% 0,00% 0,00% 1 3,13% 2 2,44%
Fonético e mastigatório 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Mastigatório 9 56,25% 18 72,00% 9 100,00% 23 71,88% 59 71,95%
Estético e mastigatório 5 31,25% 5 20,00% 0,00% 6 18,75% 16 19,51%
Não houve dano 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Sem informação 1 6,25% 0,00% 0,00% 1 3,13% 2 2,44%
Total 16 100,00% 25 100,00% 9 100,00% 32 100,00% 82 100,00%
40
Na hipótese de uma criança, vítima de agressão, perder o canino
decíduo, os juizes e peritos (médico) afirmaram que não houve dano, com
respectivamente 43,75 (n=7) e 28% (n=7). Quanto aos peritos (cirurgião dentista),
33,33% (n=3) acreditam ser um dano apenas estético e outros 33,33% (n=3)
entendem que se trata de um dano estético, fonético e mastigatório. Já os
odontolegistas, relataram ser um dano estético, fonético e mastigatório, com
43,75% (n=14), conforme tabela 17.
Tabela 17 Número e percentual de profissionais segundo a opinião quanto ao dano causado pela agressão em uma
criança.
Juiz Perito (Md) Perito(CD) Odontolegista Total
Dano
Fr % Fr % Fr % Fr % Fr %
Estético 2 12,50% 5 20,00% 3 33,33% 2 6,25% 12 14,63%
Estético e fonético 0,00% 0,00% 2 22,22% 1 3,13% 3 3,66%
Mastigatório 0,00% 2 8,00% 0,00% 1 3,13% 3 3,66%
Estético, fonético e mastigatório 4 25,00% 3 12,00% 3 33,33% 14 43,75% 24 29,27%
Estético, fonético e mastigatório: dano muito
pequeno e transitório 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Dano ao dente permanente resultando
dano estético e mastigatório 1 6,25% 4 16,00% 0,00% 1 3,13% 6 7,32%
Dano ao dente permanente resultando
dano estético, fonético e mastigatório 0,00% 3 12,00% 0,00% 0,00% 3 3,66%
Não houve dano e outra: psicológica e emocional 1 6,25% 0,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Não houve dano: considerando a permanência do dano 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Outro: ainda que temporário houve dano a criança
pois esta teve a perda precoce de um elemento
dentário
e este deverá ser avaliado 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Não houve dano 7 43,75% 7 28,00% 1 11,11% 11 34,38% 26 31,71%
Sem informação 1 6,25% 0,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Total 16 100,00% 25 100,00% 9 100,00% 32 100,00% 82 100,00%
41
No caso de um homem, vítima de um acidente de trânsito, perder o
incisivo lateral inferior esquerdo, incisivo central inferior esquerdo, incisivo central
inferior direito e incisivo lateral inferior direito, a maioria dos profissionais acredita
ser um dano estético, fonético e mastigatório, com 87,50% (n=14) para os juízes;
80% (n=20) para os peritos (médico); 100% (n=9) para peritos (cirurgião dentista)
e 87,50% (n=28) para odontolegistas, conforme tabela 18.
Tabela 18. Número e percentual de profissionais segundo a opinião quanto ao dano causado por acidente
de trânsito em um homem.
Juiz Perito (Md) Perito(CD) Odontolegista Total
Dano
Fr % Fr % Fr % Fr % Fr %
Estético 1 6,25% 0,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Estético e mastigatório 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Estético e mastigatório 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Mastigatório 0,00% 1 4,00% 0,00% 1 3,13% 2 2,44%
Estético e fonético 0,00% 1 4,00% 0,00% 2 6,25% 3 3,66%
Estético, fonético e mastigatório 14 87,50% 20 80,00% 9 100,00% 28 87,50% 71 86,59%
Estético, fonético e mastigatório e outro: alteração
Do espaço interdentário tardiamente 0,00% 2 8,00% 0,00% 0,00% 2 2,44%
Sem informação 1 6,25% 0,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Total 16 100,00% 25 100,00% 9 100,00% 32 100,00% 82 100,00%
42
Se uma mulher sofrer uma agressão e perder o incisivo lateral superior
esquerdo, incisivo central superior esquerdo, incisivo central superior direito e
incisivo lateral superior direito, a maioria dos juízes, peritos (médico), peritos
(cirurgião dentista) e odontolegistas, responderam que se tratava de um dano
estético, fonético e mastigatório, com as respectivas porcentagens: 87,50%
(n=14); 84% (n=21); 100% (n=9) e 90,63% (n=29), conforme tabela 19.
Tabela 19. Número e percentual de profissionais segundo a opinião quanto ao dano causado pela agressão em uma
mulher.
Juiz Perito (Md) Perito(CD) Odontolegista Total
Dano Fr % Fr % Fr % Fr % Fr %
Estético e mastigatório 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Mastigatório 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Estético e fonético 1 6,25% 2 8,00% 0,00% 1 3,13% 4 4,88%
Estético, fonético e mastigatório 14 87,50% 21 84,00% 9 100,00% 29 90,63% 73 89,02%
Estético, fonético e mastigatório e outro: aumento de espaço 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Estético, fonético e mastigatório e outro: dano psicológico 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Sem informação 1 6,25% 0,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Total 16 100,00% 25 100,00% 9 100,00% 32 100,00% 82 100,00%
43
Supondo que uma jovem, vítima de acidente de trânsito, perdeu o
incisivo lateral inferior esquerdo, incisivo central inferior esquerdo, incisivo central
inferior direito, incisivo lateral inferior direito, incisivo lateral superior esquerdo,
incisivo central superior esquerdo e incisivo central superior direito, todos os
profissionais responderam, em sua maioria, dano estético, fonético e mastigatório,
sendo 87,50% (n=14) dos juízes; 84% (n=21) dos peritos (médico); 88,89% (n=8)
dos peritos (cirurgião dentista) e 96,88% (n=31) dos odontolegistas, conforme
tabela 20.
Tabela 20. Número e percentual de profissionais segundo a opinião quanto ao dano causado por acidente de
trânsito em uma jovem.
Juiz Perito (Md) Perito(CD) Odontolegista Total
Dano
Fr % Fr % Fr % Fr % Fr %
Estético e mastigatório 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Mastigatório 0,00% 0,00% 0,00% 1 3,13% 1 1,22%
Estético e fonético 1 6,25% 2 8,00% 1 11,11% 0,00% 4 4,88%
Estético, fonético e mastigatório 14 87,50% 21 84,00% 8 88,89% 31 96,88% 74 90,24%
Estético, fonético e mastigatório e outro: aumento de 0,00% 1 4,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
espaço
Sem informação 1 6,25% 0,00% 0,00% 0,00% 1 1,22%
Total 16 100,00% 25 100,00% 9 100,00% 32 100,00% 82 100,00%
44
6. DISCUSSÃO
45
gustação) ou função (órgão, aparelho ou sistema), se dá por uma redução
funcional, enfraquecimento, e não inutilização, devendo avaliar o quanto esse
dano debilitou a vítima em relação ao que ela era antes do acontecimento lesivo,
e caso o perito tenha alguma dúvida se este dano será permanente ou não,
deverá solicitar novo prazo para avaliação. Quanto à aceleração do parto, que
consiste na expulsão do feto antes do período fisiológico, foge da competência do
odontolegista. Caso ocorra a morte desse feto, a lesão se torna gravíssima, pois
se trata de um aborto.
46
caso terá que responder pelos dois crimes, lesão corporal e aborto, porém isso
não compete ao odontolegista.
47
De acordo com o tipo de força que mais envolve fraturas faciais, Huelke
& Harger (1969) mostraram que a forças de tensão são as mais comuns.
48
Quanto aos dentes, os incisivos superiores foram os mais atingidos de
acordo com Penna (1996) e Cintra (2004). Para Grulliero et al. (1987) isso
acontece devido a sua localização e exposição.
50
Introna (1964), relatou que a função mastigatória dos dentes, sendo
elas, apreensão, laceração, insalivação, trituração e assimilação dos alimentos,
são fatores fundamentais na função digestiva e de absorção. Benciolini (1964),
destacou ainda que a perda dos incisivos centrais provocam um grande prejuízo
mastigatório, e esse prejuízo ainda é agravado quando ocorre a perda de molares.
51
reabilitação protética, ainda existem as alterações fonéticas devido às barras de
metálicas, como relata Elliott et al.(1986), mostrando que o dano fonético pode
não ser totalmente eliminado.
52
relataram Souza Lima (1933), Montagna et al.(1966) , Crozier ( 1982), Camargo
Júnior (1987), Jakesh (1989), Gomes (1994) e Chaiperini et al. (2008).
53
A Lei 5.081 de 24/08/1966, no artigo 6º, explicita que compete ao CD
proceder a perícia odontolegal em foro criminal, além do civil, trabalhista e
administrativo. A Resolução 63/2005 do Conselho Federal de Odontologia, versa
no artigo 63, que a Odontologia Legal é a especialidade que pesquisa os
fenômenos psíquicos, físicos, químicos e biológicos que podem atingir ou ter
atingido o homem, tanto vivo, morto ou ossada e até mesmo fragmentos ou
vestígios, resultando lesões parciais ou totais, tanto reversíveis como irreversíveis,
e em seu parágrafo único, diz que a atuação da Odontologia Legal se restringe às
áreas de competência do cirurgião dentista, podendo estender-se a outras áreas
se isso depender a busca da verdade, no estrito interesse da justiça e
administração. O artigo 64, desta mesma Resolução, destaca as áreas de
competência para a atuação do especialista em Odontologia Legal, que são, entre
outras, perícia em foro criminal; elaboração de autos, laudos, pareceres, relatórios
e atestados; traumatologia odonto-legal; balística forense.
54
Se existissem parâmetros a serem seguidos para a avaliação dos
prejuízos causados no sistema estomatognático, levando em consideração o CP
brasileiro, e também a obrigatoriedade da presença do odontolegista nos IMLs de
todo o Brasil, não haveriam dúvidas sobre o enquadramento das lesões dentárias
entre todos os profissionais em questão, que estão diretamente ligados no
decorrer do processo. Esses fatos trariam benefícios tanto à vítima, que teria seu
dano corretamente qualificado, podendo fazer com que o agressor responda
adequadamente pelo dano causado, além do fato de contribuir com o bom
andamento do processo, que poderá ainda ser o ponto de partida para uma
reparação cível.
55
7. CONCLUSÃO
56
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS*
57
7. Becker DB, Needleman HL, Kotelchuck M. Child abuse and dentistry:
orofacial trauma and its recognition by the dentist. 1978; 97(1): 24-8.
13. Brasil. Código de Processo Penal. 44. ed. São Paulo: Saraiva; 2004.
59
24. Dawson PE. Evaluation diagnosis and treatmentof oclusal problems. 2.
ed. St. Louis ; 1989.
25. Deffez JP, Ambrosini JC. Le prejudice d’avenir dans les lesions dento-
maxilo-facialles de i’enfant et de i’adolescent. J. Med. Leg. Droit Med. 1984; 24(2):
177-84.
60
33. França GV. Medicina Legal. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2004.
36. Garbin CAS, Garbin AJI, Dossi AP, Dossi MO. Volência doméstica:
análise das lesões em mulheres. Cad Saúde Pública. 2006; 22(12): 2567-73.
37. Garbin CAS, Rodavida TAS, Garbin AJI, Saliba O, Dossi AP. A
importância da descrição de lesões odontológicas nos laudos médico-legais. Rev
Pós Grad. 2008; 15(1): 59-64.
38. Gilbert GH, Meng X, Duncan RP, Shelton BJ. Incidence of tooth loss
and prosthodontic dental care: effect on chewing difficulty onset, a component of
oral health-related quality of life. J Am Geriatr Soc. 2004; 52(6): 880-5.
40. Gomes H. Medicina Legal. 31. ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1994.
61
42. Grulliero A, Parascandolo S, Rusciano A, Florion FF. Tortora P.
Considerazione cliniche sulle lesioni traumatiche dei denti in associazone ai trami
oro-maxillo-facciali. Minerva Stomatol. 1987; 36(9): 685-90.
43. Huelk DF, Harger JH. Maxilofacial injuries: their nature and mechanisms
of production. Jornal of Oral Surgery. 1969; 27: 451-60.
45. Jakush, J. Forensic Dentistry. J. Am. Dent. Assoc. 1989; 119(3): 355-8.
49. Kushner GM, Alpert B. Open reduction and internal fixation of acute
mandibular fractures in adults. Facial Plast Surg. 1998; 14(1): 11-21.
51. Le BT, Dierks EJ, Ueeck BA, Homer LD, Potter BF. Maxillofacial injuries
associated with domestic violence. J Oral Maxillofac Surg. 2001; 59(11):1277-83.
62
52. Marciani RD, Caldwell GT, Levini HJ. Maxillofacial injuries associated
with al-terrain vehicles. J. Oral Maxillofac. Surgery. 1999; 57(2): 119-23.
59. Ramos DG. Contribuição para o estudo jurídico das lesões corporais
que incidem sobre o complexo maxilo-mandibular [dissertação]. São Paulo: USP;
1998.
63
60. Rosa L.B. Efeito da perda dental na atividade eletromiográfica da
musculatura da mastigação e na força de mordida máxima [dissertação]. Ribeirão
Preto: USP; 2007.
61. Rezende EJC, Araújo TM, Moraes MAS, Santana JSS, Radicchi R.
Lesões buco dentária em mulheres em situação de violência: um estudo piloto de
casos periciados no IML de Belo Horizonte, MG. Revista Brasileira de
Epidemiologia. 2007; 10 (2).
62. Schraiber LB, D’Oliveira AFPL, França-Júnior IF, Pinho AA. Violência
contra a mulher: estudo em uma unidade de atenção primária à saúde. Rev
Saúde Públ. 2002; 36(4): 470-7.
64. Silva M, Cardozo HF, Ramos DLP. Lesões da face e dos dentes frente
ao art. 129 do Código Penal Brasileiro. C.R.O. Agora. Órgão oficial do Conselho
Regional de odontologia de São Paulo. 1991; XV(45): 72.
66. Souza Lima AJ. Tratado de Medicina Legal. 5. ed. Rio de Janeiro:
Freitas Bastos; 1933.
64
68. Vanrell JP. Odontologia Legal e Antropologia Forense. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan; 2002.
65
APÊNDICE I
QUESTIONÁRIO
I - PERFIL DO PROFISSIONAL
01 - Sexo: ( ) masculino ( ) feminino
02 – Profissão:
( ) Juiz ( ) Perito ( Cirurgião Dentista)
03 - Idade:
( ) 20 a 30 anos ( ) 51 a 60 anos
( ) 31 a 40 anos ( ) 61 anos ou mais
( ) 41 a 50 anos
II - PARTE ESPECÍFICA
67
( ) dano mastigatório
( ) dano estético e mastigatório
( ) não houve dano
( ) outra (Qual?___________________________________________________)
68
( ) dano estético
( ) dano fonético
( ) dano mastigatório
( ) dano estético e mastigatório
( ) dano estético, fonético e mastigatório
( ) não houve dano
( ) outra (Qual?____________________________________________________)
69
( ) dano estético
( ) dano fonético
( ) dano mastigatório
( ) dano estético e fonético
( ) dano estético, fonético e mastigatório
( ) não houve dano
( ) outra (Qual?____________________________________________________)
70
APÊNDICE I I
1. Introdução
As informações contidas neste questionário e termo de consentimento
foram fornecidas pelos pesquisadores, Andréia Cristina Güther Sgarbi, Eduardo
Daruge e Eduardo Daruge Júnior e convida a participar com o objetivo de
esclarecer e firmar acordo por escrito mediante o qual o sujeito da pesquisa
autoriza a participação, sem qualquer forma de coação ou ameaça física, desta
pesquisa científica, intitulada: “Estudo dos critérios de avaliação das lesões
dentárias pelos Juízes, Peritos dos IMLs e Especialistas em Odontologia Legal de
três Estados Brasileiros de acordo com o Código Penal”.
2. Justificativa para realização da pesquisa
Com a violência, o número de exames de corpo de delito tem aumentado
com o passar dos anos e deve ser ressaltado a importância do enquadramento
das lesões dentárias de acordo com o artigo 129 do Código Penal.
3. Objetivos
A)Analisar como os Juízes, Peritos dos IMLs, Médico ou Cirurgião Dentista, e
Especialistas em Odontologia Legal, enquadram as lesões em face de acordo
com o Código Penal.
B) Verificar as covergências e divergências das opiniões desses profissionais.
C) Discutir os aspectos éticos e legais pertinentes ao tema.
4. Procedimentos a serem adotados
Para a realização da pesquisa será confeccionado um questionário com
14 questões estruturadas e abertas. Os questionários, juntamente com duas
cópias do termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) serão entregue
pessoalmente a 150 profissionais, sendo estes Juízes, Peritos de IMLs e
Especialistas em Odontologia Legal e após uma semana será realizada a
[Link] cópia do questionário que será utilizado será submetida ao
71
CEP/FOP/UNICAMP, juntamente com o respectivo projeto. Deve-se destacar que
embora os questionários possuam campo denominado perfil do pesquisado, este
não terá a inserção do nome do profissional, e visando poder remover os dados a
qualquer tempo, tanto o TCLE, como os questionários, serão identificados por
letras e números. Os dados obtidos serão utilizados somente para o cumprimento
fiel dos objetivos da presente pesquisa.
5. Possibilidade de inclusão em grupo controle ou placebo
Não se aplica, pois este estudo não utilizará grupo controle ou placebo.
6. Métodos alternativos para obtenção da informação ou tratamento da
condição
Não existe método alternativo para se obter os dados e informações
desejadas.
7. Descrição crítica dos desconfortos e riscos previsíveis
O autor assume o compromisso legal que nenhum questionário será
publicado individualmente. Desse modo, não haverá qualquer tipo de
procedimento que implique em risco, de qualquer natureza, aos participantes,
tendo ainda o entrevistado a total liberdade de não participar.
8. Descrição dos benefícios e vantagens diretas ao voluntário
Não há benefícios diretos para este tipo de pesquisa.
Com os dados do presente estudo, espera-se verificar qual é o verdadeiro
conhecimento que os juízes, peritos dos IMLs e os Especialistas em Odontologia
Legal de três Estados Brasileiros possuem sobre o enquadramento das lesões
dentárias de acordo com o Código Penal. Tal fato permitirá propor uma
padronização das lesões dentárias dentro do artigo 129 do Código Penal.
9. Forma de acompanhamento e assistência ao sujeito
Não haverá procedimento de intervenção nesta pesquisa. Qualquer dúvida
pode ser esclarecida diretamente com os pesquisadores.
10. Forma de contato com os pesquisadores e com o CEP
72
Os participantes desse estudo poderão manter contato com os
pesquisadores a qualquer tempo, por meio da Internet (correio eletrônico) ou
telefones, informados no final do TCLE; com o CEP, por meio da Internet ou
correios, os endereços estarão igualmente informados no final do TCLE.
11. Garantia de esclarecimentos
Todos os indivíduos abordados, que aceitem ou não participar da pesquisa,
obterão todas as informações solicitadas, em qualquer fase da pesquisa, a
qualquer momento, bastando para tanto entrar em contato com os pesquisadores
responsáveis, pelo telefone (19)21095283 em horário comercial.
11. Garantia de recusa à participação ou de saída do estudo
Os pesquisados a serem consultados podem no ato da pesquisa se recusar
a assinar, bem como não são obrigados a entregá-los e também poderão solicitar
por escrito a remoção dos dados, sem qualquer prejuízo ou punição.
12. Garantia de sigilo
Serão tomadas todas as medidas para zelar pela privacidade e pelo sigilo
das informações, que serão obtidas e utilizadas para o desenvolvimento da
pesquisa. A identidade dos participantes não será divulgada.
13. Garantia de ressarcimento
Não há previsão de ressarcimento, pois não há previsão de gastos para os
sujeitos da pesquisa.
14. Garantia de indenização e/ou reparação de danos
Como não há riscos/danos previsíveis aos voluntários, não há medidas de
reparação propostas.
ATENÇÃO:
A sua participação em qualquer tipo de pesquisa é voluntária e o
participante terá uma cópia deste TCLE. Em caso de dúvida quanto aos seus
direitos como voluntário de pesquisa, escreva ao Comitê de Ética em Pesquisa da
FOP-UNICAMP - Av. Limeira, 901 – Caixa Postal 52 – Piracicaba – SP–
73
CEP13414-903, telefone/fax (19) 2106 5349, acesse
[Link] ou envie e-mail para cep@[Link].
Para se comunicar com os pesquisadores: Andréia Cristina Güther Sgarbi,
pelo telefone (14) 36417301 ou com Prof. Eduardo Daruge e Prof. Dr. Eduardo
Daruge Júnior , pelo telefone (19) 21065283, em horário comercial. Para
correspondência: Avenida Limeira, 901, Bairro Areião, CEP 13414-903
Eu ______________________________________________ declaro ter
lido na integra e entendido os termos e a finalidade da presente pesquisa e aceito
participar da mesma,
_______/_______/2009
_______________________________________________________
Nome
RG
74
ANEXO I
75