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Descrição do Carnaval e suas Danças

O texto descreve as tradições do Carnaval, incluindo os ensaios das danças que ocorrem em recintos fechados e o sigilo mantido pelas sociedades. As festividades começam em janeiro, com danças pelas ruas e rituais de reverência à quianda, e culminam em uma exibição pública repleta de indumentárias coloridas e instrumentos musicais. O Carnaval termina com um adeus melancólico, mesmo sob a chuva, simbolizando o fim da folia.

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Descrição do Carnaval e suas Danças

O texto descreve as tradições do Carnaval, incluindo os ensaios das danças que ocorrem em recintos fechados e o sigilo mantido pelas sociedades. As festividades começam em janeiro, com danças pelas ruas e rituais de reverência à quianda, e culminam em uma exibição pública repleta de indumentárias coloridas e instrumentos musicais. O Carnaval termina com um adeus melancólico, mesmo sob a chuva, simbolizando o fim da folia.

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UNIDADE 2 · TEXTO DESCRITIVO

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Descrição do Carnaval
Num mesmo ano, exibiam-se cerca de 50 danças. Para que se exibissem
convenientemente, submetiam-se a longos ensaios. Não na via pública, mas em
recintos fechados, denominados, durante a função, de «quartéis». Habitualmente,
um quintal alugado para o efeito.
5 Aí, em começos de Dezembro, aos sábados à noite e domingos à tarde,
estudavam a coreografia e os cantos. Estes, quer em quimbundo, quer em
português, quer bilingue.
A fim de se impor pelo ineditismo, cada sociedade empenhava-se em guardar
o maior sigilo de suas ideações: cantigas, indumentária, coreografia. Em
10 consequência, eram os ensaios realizados sem a presença de estranhos. Quem se
abrisse em inconfidência, era expulso com uma surra. Todavia, espiavam-se umas
às outras, no intuito de suplantarem as rivais.
No primeiro domingo de Janeiro, a partir das 14 horas, saíam as danças à rua,
percorrendo, até à noite, cerca das 20, os bairros indígenas mais importantes. E
15 nesse dia da semana, até ao desenrolar do Carnaval, assim procediam todas as
agremiações. Mas não na plenitude de sua indumentária. As máscaras, sim, já se
mostravam em sua fealdade. Na noite de Sábado Gordo, as danças efectuavam o
«ensaio geral». Igualmente fora do quartel, nas ruas habituais. Saíam às 19 horas e
recolhiam-se às 22. Mas com luzes, muitas luzes, umas de candeeiros de carbureto,
20 outras de archotes. Aspecto deslumbrante!
No domingo, de manhã, desde as 7 às 11, um grupo de sócios, em passeio pelo
bairro, exibia o pendão. No regresso, espetavam-no no chão, em frente à sede, sob
a guarda de dois homens.
À tarde, depois das 14 horas, reapareciam todos na máxima força, definitivamente
25 trajados. Então, as mulheres, e mesmo os homens, ostentavam sua profusão
de ouro, ao pescoço, nos pulsos, em certos lugares do vestuário. No entanto, à
cautela, não surgisse algum atrevido, faziam-se acompanhar de vigias, a quem, ao
anoitecer, também à cautela, se confiavam esses objectos de valor. Muita beleza,
muita garridice.
30 Obrigatoriamente, a fim de reverenciarem a quianda, ou seja, a sereia, todas as
danças rumavam para junto de um embondeiro, dentro de sua área habitacional.
Por sucessão de chegada, através de seu dirigente mais categorizado – o comandante
– rogavam à divindade bom êxito, durante esse tempo de folia.
– Respeitável – proferia ele –, nós, teus bisnetos e netos, viemos te pedir os
35 pembeles! Assiste-nos em todos os momentos, faz a gente brincar bem esses
dias!
Respeitável, não nos abandones! Não queremos zangas, não queremos bulha!
Após esta invocação, não em português, mas em quimbundo, lança, para o chão,
uma mistura de várias bebidas, alguns doces e uma moedas. Em remate, todos
40 dançam durante uns minutos.
Dando lugar a outra dança, marchavam para a residência do Governador-Geral.
Em sua primeira exibição pela cidade, iam tributar ao supremo magistrado as
UNIDADE 2 · TEXTO DESCRITIVO

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homenagens de sua vassalagem. Daí, espalhavam-se pela cidade, às portas das


moradias dançavam já.
45 Além dos figurantes masculinos e femininos, dispostos em alas, possuíam as
danças, sobretudo as constituídas de volumosos agrupamentos, um rei e uma rainha.
Por vezes, a rainha era uma criança. Não obstante sua pomposa indumentária,
usavam eles, normalmente, em atributo de distinção, os tais apreciados óculos
escuros da vaidade popular.
50 Na retaguarda, fechando o bloco, seguiam os instrumentistas: era o tocador de
goma, era o tocador de puíta, era o tocador de dicanza, era o tocador de corneta, a
qual, em tempos mais recuados, se constituía, não de uma folha de lata afunilada,
mas de uma campânula de gramofone.
Encaixilhando em U, compacta massa de gente, designadamente mulheres e
55 crianças, acompanhava a turma. Tal como os integrantes, também os secundavam
em suas cantigas, em seus irresistíveis saracoteios, os familiares, os amigos, os
simpatizantes – uns, em serviço de condução de farnéis; outros, compondo o grosso
do enxame, em admiração do efeito artístico.
A espaços, sucedia que os instrumentos de percussão – goma e puíta – não
60 soavam vibrantemente. Então, onde quer que se encontrassem, acendia-se uma
fogueira, ou com capim, arrancado no próprio local, ou, mais seguramente, com
bocados velhos de esteira ou luando, trazidos por um componente. Ao seu calor,
em toques vários, afinavam o tambor. Para melhor comodidade, preferiam, para a
reparação, a proximidade de uma taberna. Ao menos, emborcando alguns copos
65 de vinho, também afinavam as gargantas.
A mulher descarregava da cabeça uma quinda, no chão a depunha. Utilizando
o mesmo poiso, aí se sentava, em cruzamento de pernas. Contente de sua
incumbência, transportando a merenda para um brincante, ela retirava a toalhinha
de cobertura, destapava uma panelinha, com um garfo picava algumas postas, que
70 depositava num prato.
– Só duas postas, somos só dois. Tira também farinha-musseque. Se queres comer,
come também.
Preparado o lastro, um deles propunha:
– Agora, mano, vamos já pôr a viúva.
75 Na tasca, homens e mulheres esvaziavam copázios, de topias, ou, portuguesmente,
graçolas, esquentavam o ambiente. Fora, em maior tempestade, estalavam as
gargalhadas, os chamamentos, os rufos afinatórios, toda uma barulheira dos mais
variados sons. E só depois de uma boa meia hora, outra vez se organizavam, outra
vez tomavam sua fantástica marcha.
80 À frente, as mãos em asas, quebrando-se e requebrando-se em largos volteios,
ora avançando, ora recuando, agora para a direita, agora para a esquerda,
sempre majestoso, sempre importante, vai o comandante, a nobilíssima cabeça
do bloco. Pontilhando de notas agudas, apitos vários soavam interminavelmente.
Se os participantes exibiam guisos, mormente nas chinelas, suas vibrações, quais
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85 castanholadas argentinas, mais encantamento davam ao ambiente. E de mistura,


os cantos, o vozeirão dos tambores. Calor, calor gostoso, no ar, nos corações, em
toda a parte da cidade.
As representações, isto é, as movimentações em todas as suas fases, eram pagas
por quem as solicitasse. Ordinariamente, às portas das casas. Mas o encarregado
90 da cobrança também estendia o peditório à assistência, circulando com uma salva
de prata ou com o seu vistoso chapéu. Após a colecta, publicamente contava o
dinheiro, expondo-o depois à vista dos companheiros. Mas, para conhecimento do
montante, lançava, em brado, este imperioso esclarecimento:
– Estão a ver? São trinta escudos!
95 Embora não dançando, os reis, após a representação, agradeciam à assistência:
contornando o bloco artístico, a cabeça iam maneando. Como simples figuras
ornamentais, pouco mais faziam. Para sua grandeza e distinção, outrem – o
comandante – da condução da caravana se incumbia. Então, como insígnia do
mando, não para castigar, mas para evidenciar o atributo de seu cargo, um junco
100 ou chicote ostentava na mão.
Domingo e segunda, recolhiam cerca das 23 horas, continuando a dançar, dentro
do quartel. Na terça, contudo, prolongavam-se até ao meio-dia de quarta. Nesse
período matinal, já muitos faltando, abriam-se em voz dorida, como que num
adeus de separação. Arvorando-se em bandos precatórios, uns poucos segurando
105 um pano ou um chalé, pelas ruas iam pedindo. E condizendo com o esfarrapamento
numérico, também seus cantares, também seus dançares. Morria o Carnaval.
Mesmo chovendo, esses farrapos de danças não deixavam de lançar esse
tradicional adeus. Adeus, porque a magnificiência, o delírio, haviam atingido o
seu fim.

Óscar Ribas, Izomba (excerto adaptado)

EXPLORAÇÃO DO TEXTO
01) De que ensaios se fala no início do texto?
a) Onde e quando se realizam?

02) Indica a região etnolinguística que serve de cenário às festas.

03) Cita os dias de festa e o itinerário das danças.

04) Como é o ritual tradicional feito perante a quianda?

05) Descreve a indumentária de um dos grupos.

06) Descreve a figura do rei.

07) Cita alguns dos instrumentos musicais que acompanham as danças.

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