QUESTÃO 1
Texto I
Documentos do século XVI algumas vezes se referem aos habitantes indígenas como “os brasis”, ou “gente brasília” e, ocasionalmente no século
XVII, o termo “brasileiro” era a eles aplicado, mas as referências ao status econômico e jurídico desses eram muito mais populares. Assim, os
termos “negro da terra” e “índios” eram utilizados com mais frequência do que qualquer outro.
SCHWARTZ, S. B. Gente da terra braziliense da nação. Pensando o Brasil: a construção de um povo. In: MOTA, C. G. (Org.). Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500-2000).
São Paulo: Senac, 2000 (adaptado).
Texto II
Índio é um conceito construído no processo de conquista da América pelos europeus. Desinteressados pela diversidade cultural, imbuídos de
forte preconceito para com o outro, o indivíduo de outras culturas, espanhóis, portugueses, franceses e anglo-saxões terminaram por denominar
da mesma forma povos tão díspares quanto os tupinambás e os astecas.
SILVA, K. V.; SILVA, M. H. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2005.
Ao comparar os textos, as formas de designação dos grupos nativos pelos europeus, durante o período analisado, são reveladoras da
A. concepção idealizada do território, entendido como geograficamente indiferenciado.
B. percepção corrente de uma ancestralidade comum às populações ameríndias.
C. compreensão etnocêntrica acerca das populações dos territórios conquistados.
D. transposição direta das categorias originadas no imaginário medieval.
E. visão utópica configurada a partir de fantasias de riqueza.
QUESTÃO 2
O dia em que o capitão-mor Pedro Álvares Cabral levantou a cruz [...] era a 3 de maio, quando se celebra a invenção da Santa Cruz em que
Cristo Nosso Redentor morreu por nós, e por esta causa pôs nome à terra que se encontrava descoberta de Santa Cruz e por este nome foi
conhecida muitos anos. Porém, como o demônio com o sinal da cruz perdeu todo o domínio que tinha sobre os homens, receando perder também
o muito que tinha em os desta terra, trabalhou que se esquecesse o primeiro nome e lhe ficasse o de Brasil, por causa de um pau assim chamado
de cor abrasada e vermelha com que tingem panos [...].
(Frei Vicente do Salvador, 1627. Apud Laura de Mello e Souza. O Diabo e a Terra de Santa Cruz, 1986. Adaptado.)
O texto revela que
A. a Igreja católica defendeu a prática do extrativismo durante o processo de conquista e colonização do Brasil.
B. um esforço amplo de salvação dos povos nativos do Brasil orientou as ações dos mercadores portugueses.
C. os nomes atribuídos pelos colonizadores às terras do Novo Mundo sempre respeitaram motivações e princípios religiosos.
D. o objetivo primordial da colonização portuguesa do Brasil foi impedir o avanço do protestantismo nas terras do Novo Mundo.
E. uma visão mística da colonização acompanhou a exploração dos recursos naturais existentes nas terras conquistadas.
QUESTÃO 3
“(...) Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente dum monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul
dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs o nome – o Monte Pascoal, e à terra – a Terra de Vera Cruz.”
CAMINHA, Pero Vaz de. “Carta. In: Freitas a el -rei D. Manuel”.In FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de história. Lisboa: Plátano, 1986. V. II, p. 99-100.
O texto acima é parte da carta do escrivão, Pero Vaz de Caminha, tripulante a bordo da armada de Pedro Álvarez Cabral, ao rei português D.
Manuel, narrando o descobrimento do Brasil. Essa expedição marítima pode ser entendida no contexto socioeconômico da época, como uma
A. tentativa de obtenção de novas terras, no continente europeu, para ceder aos nobres portugueses, empobrecidos pelo declínio do
feudalismo, verificado durante todo o século XIV.
B. consolidação do poder da Igreja junto às Monarquias ibéricas, interessada tanto em reprimir o avanço mulçumano no Mediterrâneo,
quanto em cristianizar os indígenas do Novo Continente.
C. busca por ouro e prata no litoral americano, para suprir a escassez de metais preciosos na Europa, o que prejudicava a continuidade
do comércio com o Oriente.
D. conquista do litoral brasileiro e sua ocupação, garantindo que a coroa portuguesa tomasse posse dos territórios a ela concedidos,
pelo Tratado de Tordesilhas, em 1494.
E. tomada oficial das terras garantidas a Portugal, pelo acordo de Tordesilhas, e o controle exclusivo português da rota atlântica,
dando-lhes acesso ao lucrativo comércio de especiarias.
QUESTÃO 4
Os cartógrafos portugueses teriam falseado as representações do Brasil nas cartas geográficas, fazendo concordar o meridiano com os acidentes
geográficos de forma a ressaltar uma suposta fronteira natural dos domínios lusos. O delineamento de uma grande lagoa que conectava a bacia
platina com a amazônica já era visível nas primeiras descrições geográficas e mapas produzidos por Gaspar Viegas, no Atlas de Lopo Homem
(1519), nas cartas de Diogo Ribeiro (1525-27), no planisfério de André Homen (1559), nos mapas de Bartolomeu Velho (1561).
KANTOR, Í. Usos diplomáticos da ilha-Brasil: polêmicas cartográficas e historiográficas. Varia Historia, n. 37, 2007 (adaptado).
De acordo com a argumentação exposta no texto, um dos objetivos das representações cartográficas mencionadas era
A. garantir o domínio da Metrópole sobre o território cobiçado.
B. demarcar os limites precisos do Tratado de Tordesilhas.
C. afastar as populações nativas do espaço demarcado.
D. respeitar a conquista espanhola sobre o Império Inca.
E. demonstrar a viabilidade comercial do empreendimento colonial.
QUESTÃO 5
Leia o excerto para responder à(s) questão(ões) a seguir.
O “coração” econômico da época, Veneza, tem cada vez mais dificuldades em assegurar a competitividade de seus produtos. Em 1504, os navios
venezianos já quase não encontram pimenta em Alexandria. As especiarias desta proveniência se revelam muito mais caras do que as que são
encaminhadas da Índia portuguesa: a pimenta embarcada pelos portugueses em Calicute é quarenta vezes menos onerosa do que a que transita
por Alexandria.
(Jacques Attali. 1492, 1991. Adaptado.)
De 1500 a 1530, os portugueses não desenvolveram um grande projeto de colonização para a sua colônia na América (Brasil). Nesse período,
ocorreram as expedições de reconhecimentos e as expedições guarda-costas.
A economia, nesse período,
A. deteve-se ao cultivo de café na região do Vale do rio Paraíba.
B. limitou-se ao cultivo de cana-de-açúcar no nordeste com o trabalho escravo.
C. dedicou-se à extração de metais preciosos, sobretudo prata, nas Gerais.
D. baseou-se na extração do pau-brasil através do escambo com os nativos.
QUESTÃO 6
Os antigos vicentinos, já chamados “paulistas”, tinham sido os descobridores do ouro nos anos finais do século XVII. Mas sua posse nas áreas de
mineração entrara em choque com os forasteiros. Perdido o quinhão mineiro, os paulistas iam para fora de seu território buscar o “remédio de sua
vida”. Passaram a dedicar-se com mais afinco ao abastecimento da zona mineira, com seus escassos produtos agrícolas, e prioritariamente às
tropas (comércio de muares que iam buscar no sul) e às monções (comércio fluvial para Cuiabá).
(Heloísa Liberalli Bellotto. “Razões de Estado: a extinção e os primórdios da restauração da capitania de São Paulo”. In: História do estado de São Paulo: a formação da unidade
paulista, vol. 1, 2010. Adaptado.)
O excerto refere-se à primeira metade do século XVIII e à
A. projeção do planalto paulista como principal polo dinâmico da economia colonial.
B. aplicação de capitais industriais nas empresas mineradoras de grande porte.
C. constituição de governos independentes nas cidades mineiras do interior do país.
D. diversificação econômica decorrente da mineração de metais preciosos.
E. desarticulação da economia agroexportadora devido à mineração de ouro.
QUESTÃO 7
Leia atentamente o seguinte trecho do Regimento de Feitor-mor de engenho:
“O castigo que se fizer ao escravo não há-de ser com pau nem tirar-lhe com pedras ou tijolos e quando o merecer o mandará botar sobre um carro
e dar-se-lhe-á com um açoite seu castigo; e, depois de bem açoitado, o mandará picar com navalha ou faca que corte bem e dar-se-lhe-á com sal,
sumo de limão e urina e o meterá alguns dias na corrente. [...]”
João Fernandes Vieira. Regimento de feitor-mor de engenho. Apud ALVES FILHO, Ivan. Brasil, 500 anos em documentos. Rio de Janeiro: Mauad Editora, 1999.
Considerando o excerto acima e o conhecimento que se tem a respeito da escravidão no Brasil, é correto afirmar que
A. os castigos a que o texto se refere configuram-se como exceção, pois, nessa época, a regra era a proibição de maus tratos físicos aos
escravos.
B. o uso do trabalho escravo e a desvalorização do homem, implícita nele, não tiveram impactos na sociedade brasileira atual.
C. durante o período colonial e imperial brasileiro, o trabalho escravo foi a base da economia, razão pela qual era normatizado.
D. a escravidão indígena ou africana só era possível como forma de penalização a grupos que se revoltaram contra a coroa portuguesa.
QUESTÃO 8
Ao longo de uma evolução iniciada nos meados do século XIV, o tráfico lusitano se desenvolve na periferia da economia metropolitana e das
trocas africanas. Em seguida, o negócio se apresenta como uma fonte de receita para a Coroa e responde à demanda escravista de outras regiões
europeias. Por fim, os africanos são usados para consolidar a produção ultramarina.
ALENCASTRO, L. F. O trato dos viventes. São Paulo: Cia. das Letras, 2000 (adaptado).
A atividade econômica destacada no texto é um dos elementos do processo que levou o reino português a
A. utilizar o clero jesuíta para garantir a manutenção da emancipação indígena.
B. dinamizar o setor fabril para absorver os lucros dos investimentos senhoriais.
C. aceitar a tutela papal para reivindicar a exclusividade das rotas transoceânicas.
D. fortalecer os estabelecimentos bancários para financiar a expansão da exploração mineradora.
E. implementar a agromanufatura açucareira para viabilizar a continuidade da empreitada colonial.
QUESTÃO 9
Os textos abaixo tratam da relação entre índios e brancos em momentos distintos. O Documento 1 traz a memória contemporânea de um dos
netos de mulheres indígenas que foram "pegas no laço", prática recorrente desde o período colonial até o início do século XX. O Documento 2
enfoca o conflito entre índios e colonizadores no sertão mineiro, no século XVIII. Leia atentamente:
Documento 1: "Meu pai disse que meu avô contou que minha avó era muito linda e que olhou bem nos seus olhos antes de correr. Meu avô
ficou enfeitiçado por ela. Imediatamente ele tirou o laço do lombo do cavalo em que estava montado e a laçou. Ela, no começo, esperneou,
gritou, chamou pelos outros ‘índios’, mas ninguém voltou, e meu avô a levou para casa e com ela teve nove filhos. Meu avô contou para meu pai
que vovó era baixinha, tinha cabelos longos bem pretinhos e olhos puxadinhos. Ela ficava horas sentada na frente de casa penteando os cabelos e
com os olhos perdidos no horizonte. Meu avô dizia que ela ficou a vida inteira aguardando que sua ‘tribo’ viesse resgatá-la. Nunca ninguém
apareceu."
(Texto adaptado. Disponível em: <[Link] Acesso em: 31 jul. 2018.)
Documento 2: "O ápice da violência que colocou soldados e posseiros contra os índios no sertão mineiro aconteceu não no início da corrida do
ouro, como se poderia imaginar, mas durante a segunda metade do século XVIII, na região oriental da capitania. Durante os séculos XVI e XVII,
diversos grupos indígenas haviam se retirado para o interior, fugindo da colonização da costa. No século XVIII, a explosão da mineração
provocou uma linha consolidada de construção de vilas e lugarejos coloniais a oeste desses grupos [...]. O resultado foi a criação de uma zona de
refúgio nas florestas a leste da capitania. [...] A apropriação brusca da terra dos nativos do sertão do leste relativiza a alegação dos posseiros e dos
oficiais da colônia de que os portugueses entraram na floresta virgem como mensageiros da civilização, forçados a usar a violência em
autodefesa quando atacados pelos incorrigíveis ‘selvagens’."
(RESENDE, Maria Leônia Chaves de; LANGFUR, Hal. Minas Gerais indígena: a resistência dos índios nos sertões e nas vilas de El-Rei. Tempo, Niterói, v. 12, n. 23, p. 5-22, 2007, p. 8.)
Sobre este assunto, assinale a alternativa CORRETA:
A. O contato entre índios e colonizadores foi marcado por uma relação de violência vinculada, quase sempre, aos avanços dos
europeus contra grupos e territórios indígenas.
B. De acordo com os documentos, no processo de consolidação do território colonial não sobrou espaço para os índios se refugiarem.
C. Os documentos deixam claro como, na história brasileira, mulheres indígenas foram salvas pelos brancos que as sequestraram de
suas tribos.
D. Os índios aceitaram o processo de conquista, pois não podiam enfrentar os colonizadores, fossem eles soldados ou posseiros.
E. Soldados e posseiros levavam o progresso para os índios e ajudavam para que estes conhecessem a religião e fossem convertidos.
QUESTÃO 10
Leia atentamente o trecho a seguir. Ele faz parte do Voto do Padre Antônio Vieira sobre as dúvidas dos moradores de São Paulo acerca da
administração dos índios, de 1694.
“São, pois, os ditos índios aqueles que, vivendo livres e senhores naturais das suas terras, foram arrancados delas por uma violência e tirania e
trazidos em ferros com a crueldade que o mundo sabe, morrendo natural e violentamente muitos nos caminhos de muitas léguas até chegarem às
terras de São Paulo, onde os moradores delas ou os vendiam, ou se serviam e se servem deles como escravos”.
VIEIRA, A. (Pe.) Escritos instrumentais sobre os índios. São Paulo: Educ; Loyola; Giordano, 1992. p. 102.
Sobre a escravização das populações indígenas no início do processo de colonização na América Portuguesa, assinale a alternativa CORRETA:
A. a maior parte da população indígena existente dentro do território vivia em núcleos urbanos próximos dos rios e do litoral
Atlântico.
B. essas populações indígenas apresentavam um padrão cultural e linguístico bastante unificado, não havendo grandes diferenciações.
C. as chamadas “Bandeiras” só aprisionavam os indígenas quando seu objetivo principal de encontrar riquezas minerais não era
alcançado.
D. a retirada dos indígenas de suas terras e seu aldeamento nas missões jesuítas contribuíram para a dissolução de suas crenças
religiosas.
E. a mão de obra dos indígenas foi utilizada de forma predominante em atividades de caráter artesanal e comercial controladas por
colonizadores.
QUESTÃO 11
Prova da barbárie e, para alguns, da natureza não humana do ameríndio, a antropofagia condenava as tribos que a praticavam a sofrer pelas armas
portuguesas a “guerra justa”. Nesse contexto, um dos autores renascentistas que escreveram sobre o Brasil, o calvinista francês Jean de Léry,
morador do atual Rio de Janeiro na segunda metade da década de 1550 e quase vítima dos massacres do Dia de São Bartolomeu (24.08.1572),
ponto alto das guerras de religião na França, compara a violência dos tupinambás com a dos católicos franceses que naquele dia fatídico
trucidaram e, em alguns casos, devoraram seus compatriotas protestantes: “E o que vimos na França (durante o São Bartolomeu)? Sou francês e
pesa-me dizê-lo. O fígado e o coração e outras partes do corpo de alguns indivíduos não foram comidos por furiosos assassinos de que se
horrorizam os infernos? Não é preciso ir à América, nem mesmo sair de nosso país, para ver coisas tão monstruosas”.
(Luís Felipe Alencastro. “Canibalismo deu pretexto para escravizar”. Folha de [Link], 12.10.1991. Adaptado.) 22. (Unesp 2016)
O conceito de “guerra justa” foi empregado, durante a colonização portuguesa do Brasil, para
A. justificar a captura, o aprisionamento e a escravização de indígenas.
B. justificar a instalação de missões jesuíticas em áreas de colonização francesa.
C. impedir a prisão e o exílio de lideranças e comunidades nativas hostis à colonização.
D. impedir o acesso de protestantes e judeus às áreas de produção de açúcar.
E. impedir que os nativos fossem utilizados como mão de obra na lavoura.
QUESTÃO 12
De ponta a ponta, é tudo praiapalma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos,
não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem
coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares [...]. Porém o melhor fruto que dela se pode tirar me
parece que será salvar esta gente.
Carta de Pero Vaz de Caminha. In: MARQUES, A.; BERUTTI, F.; FARIA, R. História moderna através de textos. São Paulo: Contexto, 2001.
A carta de Pero Vaz de Caminha permite entender o projeto colonizador para a nova terra. Nesse trecho, o relato enfatiza o seguinte objetivo:
A. Valorizar a catequese a ser realizada sobre os povos nativos.
B. Descrever a cultura local para enaltecer a prosperidade portuguesa.
C. Transmitir o conhecimento dos indígenas sobre o potencial econômico existente.
D. Realçar a pobreza dos habitantes nativos para demarcar a superioridade europeia.
E. Criticar o modo de vida dos povos autóctones para evidenciar a ausência de trabalho.
QUESTÃO 13
"Assim confabulam, os profetas, numa reunião fantástica, batida pelos ares de Minas. Onde mais poderíamos conceber reunião igual, senão em
terra mineira, que é o paradoxo mesmo, tão mística que transforma em alfaias e púlpitos e genuflexórios a febre grosseira do diamante, do ouro e
das pedras de cor?"
(Andrade, C. Drummond de,COLÓQUIO DAS ESTÁTUAS. In: Mello, S., BARROCO MINEIRO, S. Paulo, Brasiliense, 1985.)
A origem desse traço contraditório que o poeta afirma caracterizar a sociedade mineira remete a um contexto no qual houve
A. a reafimação bilateral do Tratado de Tordesilhas entre Portugal e Espanha e o crescimento da miscigenação racial no ambiente
colonial.
B. o relaxamento na politica de distribuição de terras na colônia e a vigência de uma concepção racionalista de planejamento das
cidades.
C. a diversificação das atividades produtivas na colônia e a construção de um conjunto artístico e arquitetônico que singularizou a
principal região de mineração.
D. o deslocamento do eixo produtivo do nordeste para as regiões centrais da colônia e o desenvolvimento de uma estética que
procurava reproduzir as construções românicas européias.
E. a expansão do território colonial brasileiro e a introdução, em Minas, da arte conhecida como gótica, especialmente na decoração
dos interiores das igrejas.
QUESTÃO 14
A corrida do ouro em Minas Gerais no final do século XVII trouxe uma riqueza muito grande para a Coroa portuguesa mas também exigiu
muitos esforços no sentido de fiscalizar a produção e punir o contrabando. Assinale a expressão correta a respeito das medidas fiscais
empreendidas por Portugal na área das minas:
A. apesar dos protestos dos fidalgos encarregados da arrecadação, a Coroa portuguesa evitava pressionar os produtores através das
derramas, limitando-se a aumentar os impostos.
B. sem conseguir se impor aos proprietários das minas, a administração colonial passou a permitir a livre comercialização do ouro,
arrecadando impostos nos portos e nas estradas.
C. a administração colonial instalou as casas de fundição para regulamentar a produção do ouro e arrecadar mais impostos, obtendo
total apoio dos proprietários das minas.
D. ao aumentar a carga fiscal e as casas de fundição, a Coroa logrou aumentar a arrecadação de impostos, mas provocou a revolta dos
proprietários das minas.
QUESTÃO 15
A África Ocidental é conhecida pela dinâmica das suas mulheres comerciantes, caracterizadas pela perícia, autonomia e mobilidade. A sua
presença, que fora atestada por viajantes e por missionários portugueses que visitaram a costa a partir do século XV, consta também na ampla
documentação sobre a região. A literatura é rica em referências às grandes mulheres como as vendedoras ambulantes, cujo jeito para o negócio,
bem como a autonomia e mobilidade, é tão típico da região.
HAVIK, P. Dinâmicas e assimetrias afro-atlânticas: a agência feminina e representações em mudança na Guiné (séculos XIX e XX). In: PANTOJA. S. (Org.). Identidades, memórias e
histórias em terras africanas. Brasília: LGE; Luanda: Nzila, 2006.
A abordagem realizada pelo autor sobre a vida social da África Ocidental pode ser relacionada a uma característica marcante das cidades no
Brasil escravista nos séculos XVIII e XIX, que se observa pela
A. restrição à realização do comércio ambulante por africanos escravizados e seus descendentes.
B. convivência entre homens e mulheres livres, de diversas origens, no pequeno comércio.
C. presença de mulheres negras no comércio de rua de diversos produtos e alimentos.
D. dissolução dos hábitos culturais trazidos do continente de origem dos escravizados.
E. entrada de imigrantes portugueses nas atividades ligadas ao pequeno comércio urbano.
QUESTÃO 16
Tão bem há muito pau-brasil nestas Capitanias de que os mesmos moradores alcançam grande proveito: o qual pau se mostra claro ser produzido
da quentura do Sol, e criado com a influência de seus raios, porque não se acha se não debaixo da tórrida Zona, e assim quando mais perto está
da linha Equinocial, tanto é mais fino e de melhor tinta; e esta é a causa porque o não há na Capitania de São Vicente nem daí para o Sul.
GÂNDAVO, P. M. Tratado da Terra do Brasil: História da Província Santa Cruz. Belo Horizonte: ltatiaia, 1980 (adaptado).
O registro efetuado pelo cronista nesse texto harmoniza-se com a seguinte iniciativa do período inicial da colonização portuguesa:
A. Introdução da lavoura monocultora para efetivar a ocupação do território americano.
B. Implantação de feitorias litorâneas para garantir a extração de recursos naturais.
C. Regulamentação do direito de posse para enfrentar os interesses espanhóis.
D. Substituição da escravidão indígena para apoiar a rede do comércio europeu.
E. Restrição da atividade missionária para sufocar a penetração protestante.
QUESTÃO 17
Alguns escravos morreram em consequência da violência essencial à sua captura na África, muitos outros nas jornadas entre os lugares que
habitavam no interior e os portos dos oceanos Atlântico e Índico, ou enquanto aguardavam o embarque, muito mais ainda no mar, outros nos
mercados de escravos brasileiros, e mais ainda durante o processo de ajustamento físico e mental ao sistema escravista no Brasil.
CONRAD, R. E. Tumbeiros: o tráfico de escravos para o Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1985.
As formas de violência relacionadas ao tráfico negreiro no Brasil colonial destacadas no texto derivam da
A. intensificação do expansionismo ultramarino.
B. exploração das atividades indígenas.
C. supressão da catequese jesuítica.
D. extinção dos contratos comerciais.
E. contração da economia ibérica.
QUESTÃO 18
Quando Deus confundiu as línguas na torre de Babel, ponderou Filo Hebreu que todos ficaram mudos e surdos, porque, ainda que todos falassem
e todos ouvissem, nenhum entendia o outro. Na antiga Babel, houve setenta e duas línguas; na Babel do rio das Amazonas, já se conhecem mais
de cento e cinquenta. E assim, quando lá chegamos, todos nós somos mudos e todos eles, surdos. Vede agora quanto estudo e quanto trabalho
serão necessários para que esses mudos falem e esses surdos ouçam.
VIEIRA, A. Sermões pregados no Brasil. In: RODRIGUES. J. H. História viva. São Paulo: Global, 1985 (adaptado).
No decorrer da colonização portuguesa na América, as tentativas de resolução do problema apontado pelo padre Antônio Vieira resultaram na
A. ampliação da violência nas guerras intertribais.
B. desistência da evangelização dos povos nativos.
C. indiferença dos jesuítas em relação à diversidade de línguas americanas.
D. pressão da Metrópole pelo abandono da catequese nas regiões de difícil acesso.
E. sistematização das línguas nativas numa estrutura gramatical facilitadora da catequese.
QUESTÃO 19
A partir da segunda metade do século XVIII, o número de escravos recém-chegados cresce no Rio e se estabiliza na Bahia. Nenhum lugar servia
tão bem à recepção de escravos quanto o Rio de Janeiro.
FRANÇA, R. O tamanho real da escravidão. O Globo, 5 abr. 2015 (adaptado).
Na matéria, o jornalista informa uma mudança na dinâmica do tráfico atlântico que está relacionada à seguinte atividade:
A. Coleta de drogas do sertão.
B. Extração de metais preciosos.
C. Adoção da pecuária extensiva.
D. Retirada de madeira do litoral.
E. Exploração da lavoura de tabaco.
QUESTÃO 20
O que ocorreu na Bahia de 1798, ao contrário das outras situações de contestação política na América Portuguesa, é que o projeto que lhe era
subjacente não tocou somente na condição, ou no instrumento, da integração subordinada das colônias no império luso. Dessa feita, ao contrário
do que se deu nas Minas Gerais (1789), a sedição avançou sobre a sua decorrência.
JANCSÓ, I.; PIMENTA, J. P. Peças de um mosaico. In: MOTA, C. G. (Org.). Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500-2000). São Paulo: Senac, 2000.
A diferença entre as sedições abordadas no texto encontrava-se na pretensão de
A. eliminar a hierarquia militar.
B. abolir a escravidão africana.
C. anular o domínio metropolitano.
D. suprimir a propriedade fundiária.
E. extinguir o absolutismo monárquico.
QUESTÃO 21
As convicções religiosas dos escravos eram entretanto colocadas a duras provas quando de sua chegada ao Novo Mundo, onde eram batizados
obrigatoriamente “para a salvação de sua alma” e deviam curvar-se às doutrinas religiosas de seus mestres. lemanjá, mãe de numerosos outros
orixás, foi sincretizada com Nossa Senhora da Conceição, e Nanã Buruku, a mais idosa das divindades das águas, foi comparada a Sant’Ana,
mãe da Virgem Maria.
VERGER, P. Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo. São Paulo: Corrupio, 1981.
O sincretismo religioso no Brasil colônia foi uma estratégia utilizada pelos negros escravizados para
A. compreender o papel do sagrado para a cultura europeia.
B. garantir a aceitação pelas comunidades dos convertidos.
C. preservar as crenças e a sua relação com o sagrado.
D. integrar as distintas culturas no Novo Mundo.
E. possibilitar a adoração de santos católicos.
QUESTÃO DESAFIO
(Fuvest 2013) Admite-se que as cenouras sejam originárias da região do atual Afeganistão, tendo sido levadas para outras partes do mundo por
viajantes ou invasores. Com base em relatos escritos, pode-se dizer que as cenouras devem ter sido levadas à Europa no século XII e, às
Américas, no início do século XVII.
Em escritos anteriores ao século XVI, há referência apenas a cenouras de cor roxa, amarela ou vermelha. É possível que as cenouras de cor
laranja sejam originárias dos Países Baixos, e que tenham sido desenvolvidas, inicialmente, à época do Príncipe de Orange (1533-1584).
No Brasil, são comuns apenas as cenouras laranja, cuja cor se deve à presença do pigmento betacaroteno, representado a seguir.
Com base no descrito acima, e considerando corretas as hipóteses ali aventadas, é possível afirmar que as cenouras de coloração laranja
A. podem ter sido levadas à Europa pela Companhia das Índias Ocidentais e contêm um pigmento que é um polifenol insaturado.
B. podem ter sido levadas à Europa por rotas comerciais norte-africanas e contêm um pigmento cuja molécula possui apenas duplas
ligações cis.
C. podem ter sido levadas à Europa pelos chineses e contêm um pigmento natural que é um poliéster saturado.
D. podem ter sido trazidas ao Brasil pelos primeiros degredados e contêm um pigmento que é um polímero natural cujo monômero é o
etileno.
E. podem ter sido trazidas a Pernambuco durante a invasão holandesa e contêm um pigmento natural que é um hidrocarboneto
insaturado.