UNIVERSIDADE ZAMBEZE
FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAS E HUMANIDADES
DEPARTAMENTO DE LETRAS E CIÊNCIAS SOCIAIS
CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO –LABORAL 1º ANO
HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO
A CONSTRUÇÃO DO ESTADO, A COMUNICAÇÃO, O MERCADO E A
CIRCULAÇÃO DE IDEIAS
Discentes: Docentes:
Augusto Faela Cidália Alberto
Filipa José Estruque Rozinaide Aguacheiro
Flávio Contente
Nazma Laurindo Joaquim
Sthefan João Joaquim
Beira, Abril de 2025
UNIVERSIDADE ZAMBEZE
FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAS E HUMANIDADES
DEPARTAMENTO DE LETRAS E CIÊNCIAS SOCIAIS
CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO –LABORAL 1º ANO
HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO
A CONSTRUÇÃO DO ESTADO, A COMUNICAÇÃO, O MERCADO E A
CIRCULAÇÃO DE IDEIAS
Beira, Abril de 2025
Índice
Introdução ......................................................................................................................... 4
Objectivos ......................................................................................................................... 4
Objectivo Geral................................................................................................................. 4
Objectivos Específicos ..................................................................................................... 4
A Construção do Estado ................................................................................................... 5
Teorias e Dinâmicas de Poder .......................................................................................... 5
O Mercado ........................................................................................................................ 6
O Mercado e a Regulação Estatal: A Perspectiva de Polanyi .......................................... 7
A Comunicação e a Circulação de Ideias ......................................................................... 7
A Circulação de Ideias no âmbito histórico ..................................................................... 8
A Interacção Entre Estado, Mercado, Comunicação e Circulação de Ideias ................... 9
Poder, Saber e Governamentalidade............................................................................... 10
Esfera Pública e Acção Comunicativa............................................................................ 10
Comunidades Imaginadas e Nacionalismo ..................................................................... 11
Hegemonia, Estado Ampliado e Intelectuais .................................................................. 12
Conclusão ....................................................................................................................... 13
Bibliografia ..................................................................................................................... 14
Introdução
A formação dos Estados-nação, o desenvolvimento das comunidades, a evolução
dos mercados e a circulação de ideias são processos históricos interconectados que
moldaram profundamente a organização das sociedades humanas. Estas questões são as
que permeiam os debates académicos desde os primeiros estudos sobre política, economia
e sociedade. Ao longo da história, diversos pensadores procuraram entender como essas
esferas se interconectam para formar a estrutura das sociedades contemporâneas. Este
trabalho analisa como essas quatro dimensões se influenciaram mutuamente e o mesmo
tem como objectivo explorar as relações entre esses temas.
Objectivos
Objectivo Geral
• Estudar os conceitos e a relação existente entre a construção de estado, a
comunicação o mercado e a circulação de ideias;
Objectivos Específicos
• Apresentar a historicidade da construção de estado, o mercado, a
comunicação e a circulação de ideias;
• Analisar sistematicamente as questões relacionadas com a construção de
estado, o mercado, a comunicação e a circulação de ideias.
• Compreender a interacção entre o estado, mercado, comunicação e a
circulação de ideias’
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A Construção do Estado
O processo de formação do Estado moderno tem suas raízes na transição do
feudalismo para a modernidade. Na Europa Ocidental, a partir do século XV, observa-se
a gradual centralização do poder político, superando a fragmentação característica do
período medieval.
Segundo Charles Tilly, a construção do Estado europeu está intimamente ligada à
guerra e à preparação para ela. Os monarcas que conseguiram acumular recursos
suficientes para manter exércitos permanentes puderam exercer controle sobre territórios
maiores, estabelecendo fronteiras e implementando sistemas de administração
centralizados. O processo de "monopolização da violência legítima", como descrito por
Max Weber, tornou-se fundamental para a afirmação da autoridade estatal.
O século XVIII trouxe importantes debates sobre a natureza e os limites do poder
estatal. Pensadores como Thomas Hobbes defendiam um Estado forte como garantia
contra o "estado de natureza", enquanto John Locke propunha um governo limitado que
protegesse direitos naturais. Estas ideias influenciaram revoluções políticas, como a
Americana (1776) e a Francesa (1789), que introduziram conceitos como separação de
poderes e representação política. No século XIX, o modelo de Estado-nação se
consolidou, associando identidade nacional e soberania política. Este período também viu
a expansão do aparato burocrático estatal e de suas funções, especialmente na regulação
económica e na provisão de serviços públicos básicos.
Teorias e Dinâmicas de Poder
A construção do Estado moderno envolve uma série de processos complexos que
englobam tanto elementos materiais como ideológicos. Para Anderson (2008), o Estado
não é apenas uma entidade física, mas uma construção social que depende da ideia de
uma "comunidade imaginada". Ele argumenta que o nacionalismo, a ideologia que serve
de base para a construção dos Estados modernos, emerge como uma resposta à
necessidade de criar um sentimento de pertencimento entre os cidadãos, que, apesar de
não se conhecerem, compartilham uma identidade nacional. A mídia, especialmente os
jornais e livros, desempenham um papel central nesse processo, pois permitem que
informações sobre o governo e as políticas do Estado cheguem a todos os cantos da nação,
criando um "imaginário colectivo" que une as pessoas sob uma bandeira comum.
5
Por outro lado, Charles Tilly (1996) analisa a formação dos Estados europeus
através das dinâmicas de coerção e capital. Em Coerção, Capital e Estados Europeus,
Tilly argumenta que a construção do Estado não pode ser separada dos processos de
guerra, violência e negociação. O Estado é visto por Tilly como uma entidade que se
desenvolve a partir de conflitos e processos de luta entre grupos e poderes, sendo sua
consolidação resultado de uma combinação de coerção política (força militar) e capital
económico (habilidade de arrecadar recursos). Para Tilly, a necessidade de um Estado
capaz de garantir a ordem interna e a protecção externa levou à centralização do poder e
ao desenvolvimento de instituições administrativas mais sofisticadas.
O Mercado
Os mercados, como espaços de troca económica, existem desde as primeiras
civilizações. No entanto, sua escala, complexidade e centralidade na organização social
variaram significativamente ao longo da história. Nas sociedades pré-modernas, os
mercados eram principalmente locais e frequentemente regulados por autoridades
políticas ou religiosas. O comércio de longa distância existia, mas era limitado a bens de
alto valor e não afectava directamente a subsistência das populações.
A expansão marítima europeia dos séculos XV e XVI criou as primeiras redes
comerciais verdadeiramente globais. Segundo Immanuel Wallerstein, este processo
estabeleceu um "sistema-mundo" caracterizado pela divisão internacional do trabalho e
por relações desiguais entre centro e periferia.
A Revolução Industrial transformou profundamente a natureza dos mercados. A
produção em massa exigia mercados mais amplos, estimulando tanto a unificação de
mercados nacionais quanto a busca por mercados externos. Karl Polanyi argumenta que
este período testemunhou uma "grande transformação", com a economia de mercado
tornando-se dominante e subordinando outras dimensões sociais à sua lógica.
O século XIX viu a consolidação do capitalismo industrial e financeiro, com
crescente integração dos mercados nacionais. As ideias do liberalismo económico,
associadas a Adam Smith e David Ricardo, ganharam proeminência, promovendo o livre
comércio e a limitação da intervenção estatal. No século XX, ocorreram oscilações entre
momentos de maior liberalização económica e períodos de forte intervenção estatal. Após
a crise de 1929, modelos como o New Deal americano e estados de bem-estar social
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europeus expandiram o papel regulador do Estado. Nas últimas décadas do século, o
neoliberalismo promoveu uma nova onda de liberalização e globalização económica.
O Mercado e a Regulação Estatal: A Perspectiva de Polanyi
Karl Polanyi, em A Grande Transformação (2012), oferece uma reflexão crítica
sobre a relação entre mercado e Estado. Polanyi contesta a ideia de que o mercado é um
fenómeno natural e auto-sustentável, algo que se regula sozinho sem a necessidade de
intervenção estatal. Ele argumenta que o surgimento do mercado livre, no contexto da
Revolução Industrial e do liberalismo do século XIX, foi uma construção política e
económica que alterou profundamente a estrutura social. O mercado passou a ser visto
como um sistema autónomo, capaz de se regular sem a necessidade de controle social.
No entanto, Polanyi observa que a liberalização do mercado teve um efeito
destrutivo nas estruturas sociais existentes, como as comunidades tradicionais, e causou
uma série de tensões sociais e políticas. Essa desregulamentação, segundo Polanyi, levou
à necessidade de um Estado interventor para mitigar as crises sociais e garantir a
estabilidade económica. Assim, o Estado moderno surge como um regulador da
economia, buscando proteger as populações dos excessos do mercado e promover a
coesão social. Polanyi sublinha que a própria sobrevivência das sociedades depende de
um equilíbrio entre mercado e regulação estatal, algo que é constantemente tensionado.
A Comunicação e a Circulação de Ideias
A comunicação e a circulação de ideias desempenham um papel crucial na
formação do Estado e na manutenção da ordem social. Anderson (2008) observa que a
mídia e as formas de comunicação escrita – especialmente os jornais e livros – têm sido
fundamentais na construção de uma "comunidade imaginada". No contexto do Estado
moderno, a comunicação permite que as ideias sobre identidade, cidadania e lealdade
sejam disseminadas de maneira uniforme entre os cidadãos. Assim, a mídia não só
transmite informações, mas também constrói um imaginário colectivo que sustenta a ideia
de nação. A linguagem comum e a distribuição de informações de maneira centralizada
são essenciais para a construção de um Estado coeso.
Max Weber, (1999), aborda a questão da comunicação no contexto da
racionalização das sociedades. A racionalização, um dos conceitos centrais da obra de
Weber, descreve como as sociedades modernas tendem a se organizar de maneira
burocrática e impessoal. No Estado moderno, a administração burocrática é essencial para
7
a eficiência e funcionamento do governo, e a comunicação interna entre os órgãos estatais
deve ser clara, precisa e impessoal. A circulação de ideias e informações dentro do
aparelho estatal, por meio de mecanismos burocráticos, contribui para a estabilidade do
Estado e para a implementação de políticas públicas.
Wallerstein (1990), por sua vez, introduz uma perspectiva global ao analisar a
circulação de ideias dentro do sistema mundial moderno. Em O Sistema Mundial
Moderno, ele argumenta que o sistema de Estados nacionais não opera de forma isolada,
mas está inserido em uma rede global de relações de poder e troca. A circulação de ideias
não ocorre apenas dentro dos limites de um único Estado, mas é influenciada por uma
dinâmica internacional que molda as ideologias políticas, sociais e económicas. O sistema
mundial, segundo Wallerstein, é composto por centros de poder que ditam as normas e
padrões para as periferias, e as ideias circulam por meio de fluxos de conhecimento,
comércio e diplomacia.
A Circulação de Ideias no âmbito histórico
Na Idade Média europeia, o conhecimento circulava principalmente em redes
restritas, como universidades e mosteiros. A invenção da imprensa por Gutenberg (c.
1450) revolucionou este panorama, ampliando exponencialmente a disseminação de
textos e ideias. O Iluminismo do século XVIII constitui um ponto de inflexão crucial.
Filósofos como Voltaire, Montesquieu e Rousseau desenvolveram ideias sobre liberdade,
igualdade, direitos naturais e contracto social que fundamentaram movimentos
revolucionários e constituições modernas. Os "salões" e sociedades literárias, juntamente
com a imprensa periódica, criaram esferas públicas onde essas ideias podiam ser
debatidas. O século XIX assistiu à multiplicação de ideologias políticas como o
liberalismo, o conservadorismo e o socialismo, que propunham diferentes visões sobre a
organização ideal do Estado e da sociedade. A expansão da alfabetização e da imprensa
permitiu que essas ideias alcançassem públicos cada vez mais amplos. No século XX, o
desenvolvimento de meios de comunicação de massa (rádio, cinema, televisão)
transformou novamente a circulação de ideias. Regimes totalitários usaram esses meios
para propaganda, enquanto movimentos sociais os aproveitaram para disseminar
mensagens emancipatórias. A Guerra Fria representou também uma batalha ideológica
global entre modelos concorrentes de organização política e económica.
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A Interacção Entre Estado, Mercado, Comunicação e Circulação de Ideias
A construção do Estado moderno, portanto, envolve uma interacção dinâmica
entre coerção política, mercado, comunicação e circulação de ideias. As teorias de
Anderson, Polanyi, Tilly, Weber e Wallerstein oferecem uma análise integrada dessas
dinâmicas. O Estado, como uma entidade política, não é apenas uma estrutura de poder
coercitivo, mas também um produto da circulação de ideias, das relações económicas e
do funcionamento do mercado. A comunicação, nesse sentido, torna-se a chave para
consolidar a ideia de nação e garantir que as políticas públicas sejam eficazes, enquanto
o mercado e a economia geram as condições materiais para a manutenção e expansão do
Estado.
Além disso, a circulação de ideias, mediada pela comunicação, permite que as
populações se engajem com os ideais do Estado, influenciem a sua formação e, muitas
vezes, contestem suas políticas. A relação entre Estado e mercado, como enfatizado por
Polanyi, é frequentemente caracterizada por um equilíbrio instável, com o Estado sendo
forçado a intervir para regular a economia e mitigar os impactos sociais das forças do
mercado.
A construção do Estado moderno tanto facilitou quanto foi facilitada pela
expansão dos mercados nacionais. A unificação política permitiu a eliminação de
barreiras internas ao comércio, enquanto a arrecadação tributária sobre actividades
mercantis fortaleceu o poder estatal. Simultaneamente, a formação dos Estados-nação
reconfigurou comunidades, promovendo identidades nacionais muitas vezes às custas de
identidades locais ou regionais. Este processo foi apoiado pela circulação de ideias
nacionalistas através de sistemas educacionais e meios de comunicação controlados ou
influenciados pelo Estado.
Os mercados modernos expandiram-se em paralelo com a circulação de ideias
liberais que defendiam o livre comércio e a limitação do poder estatal. No entanto, as
desigualdades geradas por mercados desregulados estimularam o desenvolvimento de
ideias críticas ao capitalismo, como as tradições socialista e anarquista. As comunidades,
por sua vez, frequentemente serviram como espaços de resistência tanto ao poder estatal
quanto à lógica mercantil. Movimentos sociais baseados em identidades comunitárias
(classe, género, etnia) promoveram ideias alternativas sobre justiça e organização social.
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Poder, Saber e Governamentalidade
Michel Foucault desenvolveu uma análise profunda sobre a formação do Estado
moderno através de sua investigação sobre as relações entre poder e saber e,
especialmente, pelo conceito de "governamentalidade". Para Foucault, o Estado não é
uma entidade unificada e pré-existente, mas um efeito de múltiplas técnicas de governo e
regimes de verdade que emergiram historicamente.
Em suas aulas no Collège de France, particularmente em "Segurança, Território,
População" (1977-1978), Foucault traça o desenvolvimento de novas racionalidades de
governo que surgiram na Europa entre os séculos XVI e XVIII. Ele demonstra como a
"arte de governar" evoluiu da gestão da família para a gestão da população, envolvendo
o desenvolvimento de saberes específicos como a estatística e a economia política.
A análise foucaultiana nos permite compreender:
• A dimensão produtiva do poder estatal, que não apenas reprime, mas
produz realidades, conhecimentos e subjectividades;
• O papel crucial dos discursos e saberes especializados na legitimação e
operacionalização do poder político;
• A capilaridade do poder, que não se concentra apenas no aparelho de
Estado, mas circula por toda a sociedade através de micropolíticas e
tecnologias disciplinares;
• A transformação histórica das formas de controle social, da soberania à
disciplina e, posteriormente, à biopolítica e aos dispositivos de segurança
Esfera Pública e Acção Comunicativa
Jürgen Habermas oferece uma perspectiva complementar à de Foucault,
enfatizando o potencial emancipatório da comunicação. Em "Mudança Estrutural da
Esfera Pública" (1962), Habermas analisa a emergência e transformação de um espaço
comunicativo relativamente autónomo onde cidadãos privados poderiam discutir
questões de interesse público.
Posteriormente, em sua "Teoria da Acção Comunicativa" (1981), Habermas
desenvolve uma teoria mais abrangente sobre como a comunicação orientada ao
entendimento mútuo constitui a base normativa das sociedades modernas. Ele distingue
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entre "sistema" (domínios da vida social regidos pela lógica instrumental do dinheiro e
do poder) e "mundo da vida" (domínio das interações cotidianas mediadas pela
linguagem).
A partir de Habermas, podemos analisar:
• A tensão entre lógicas comunicativas e instrumentais na constituição do
Estado moderno;
• O papel da opinião pública na legitimação democrática do poder político;
• As patologias resultantes da "colonização do mundo da vida" pelos
imperativos sistémicos do mercado e da burocracia estatal;
• A possibilidade de formas deliberativas de democracia baseadas na
institucionalização de procedimentos comunicativos racionais
Comunidades Imaginadas e Nacionalismo
Benedict Anderson, em sua obra seminal "Comunidades Imaginadas" (1983),
apresenta uma análise inovadora sobre a formação das nações e dos estados nacionais.
Para Anderson, as nações são "comunidades políticas imaginadas" – imaginadas porque
seus membros jamais conhecerão a maioria de seus compatriotas, mas ainda assim
compartilham um forte sentimento de pertencimento colectivo. Anderson examina como
esta imaginação colectiva foi possibilitada por transformações estruturais específicas,
destacando o papel do "capitalismo editorial" – a intersecção entre a tecnologia da
imprensa e o mercado capitalista – na criação de línguas impressas padronizadas e na
disseminação de narrativas nacionais.
A teoria de Anderson nos permite explorar:
• O papel decisivo da comunicação na construção das identidades nacionais
e na legitimação dos estados-nação;
• A dimensão cultural e simbólica da formação do Estado, para além de seus
aspectos político-administrativos;
• A temporalidade específica da consciência nacional, baseada na ideia de
simultaneidade e pertencimento a uma comunidade que se move
conjuntamente através do tempo histórico;
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• As dinâmicas transnacionais da formação nacional, com modelos de
nacionalismo circulando globalmente e sendo adaptados a diferentes
contextos
Hegemonia, Estado Ampliado e Intelectuais
António Gramsci, pensador marxista italiano, desenvolveu nos "Cadernos do
Cárcere" (1929-1935) uma sofisticada teoria sobre a relação entre poder político, cultura
e comunicação. Seu conceito de "hegemonia" refere-se à capacidade de um grupo social
obter consentimento para sua liderança, combinando coerção com persuasão e articulando
seus interesses particulares como se fossem universais.
Gramsci amplia a concepção marxista tradicional do Estado, distinguindo entre
"sociedade política" (aparelhos coercitivos) e "sociedade civil" (organismos privados de
hegemonia como escolas, igrejas, mídia). Esta concepção de "Estado ampliado" nos
permite compreender como o poder político se sustenta tanto pela força quanto pelo
consentimento activo dos governados.
A partir de Gramsci, podemos analisar:
• A dimensão cultural da dominação política e as disputas pela hegemonia
nas sociedades modernas;
• O papel dos intelectuais na articulação e disseminação de visões de mundo
e na mediação entre Estado, mercado e sociedade civil;
• Os processos de construção de consenso e as possibilidades de contra-
hegemónica;
• A relação dialéctica entre estruturas económicas e superestruturas político-
ideológicas na produção e circulação de ideias
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Conclusão
A análise histórica revela que Estado, comunicação, mercado e circulação de
ideias não são esferas autónomas, mas dimensões profundamente interconectadas. A
configuração actual destas dimensões resulta de processos históricos complexos,
marcados tanto por complementaridades quanto por tensões. O Estado moderno
consolidou-se como forma predominante de organização política, mas enfrenta desafios
de legitimidade em contextos de globalização e fragmentação identitária. Compreender
estas dinâmicas históricas é essencial para enfrentar os desafios contemporâneos, que
exigem repensar as relações entre poder político, identidades colectivas, trocas
económicas e esfera pública.
A construção do Estado moderno, a comunicação, o mercado e a circulação de
ideias são fenómenos complexos e interdependentes. O Estado não surge de maneira
isolada, mas é moldado pela circulação de ideias, pelas tensões do mercado e pela coerção
política. As dinâmicas de comunicação e a disseminação de ideias desempenham um
papel crucial na criação de uma identidade nacional e na manutenção da coesão social.
Ao mesmo tempo, o mercado e a regulação estatal continuam sendo questões centrais
para a estabilidade política e económica dos Estados. Compreender essas interacções é
essencial para entender os desafios e as transformações das sociedades contemporâneas.
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Bibliografia
ANDERSON, Benedict. Comunidades Imaginadas: Reflexões sobre a Origem
e a Difusão do Nacionalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica: curso dado no Collège de
France (1978-1979). São Paulo: Martins Fontes, 2008
FOUCAULT, Michel. Segurança, território, população: curso dado no
Collège de France (1977-1978). São Paulo: Martins Fontes. 2008
GRAMSCI, António. Cadernos do cárcere. Vol 6. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 2002
HABERMAS, Jürgen. Teoria do agir comunicativo. Vol 2. São Paulo: Martins
Fontes, 2012
HABERMAS, Jürgen. Mudança estrutural da esfera pública: investigações
sobre uma categoria da sociedade burguesa. São Paulo: Editora Unesp, 2014
POLANYI, Karl. A Grande Transformação: As Origens de Nossa Época. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2012.
TILLY, Charles. Coerção, Capital e Estados Europeus. São Paulo: Edusp,
1996.
WALLERSTEIN, Immanuel. O Sistema Mundial Moderno. Porto:
Afrontamento, 1990.
WEBER, Max. Economia e Sociedade: Fundamentos da Sociologia
Compreensiva. Brasília: Editora UnB, 1999.
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