Evolução da Divulgação de Benefícios dos Empregados
Evolução da Divulgação de Benefícios dos Empregados
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A EVOLUÇÃO DA DIVULG AÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE OS
BENEFÍCIOS DOS EMPREGADOS: O CASO DAS EMPRESAS DO PSI
Resumo
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1. INTRODUÇÃO
2. REVISÃO DE LITERATURA
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responsável não se restringe ao cumprimento de todas as obrigações legais – implica ir
mais além através de um “maior” investimento em capital humano, no ambiente e nas
relações com outras partes interessadas e comunidades locais» (COM 366, 2001: 7).
Nas necessidades fundamentais dos colaboradores destacam-se a retribuição, a saúde e
a segurança no trabalho, assim como o respeito e o desenvolvimento profissional (AECA,
2003).
De acordo com Monteiro (2005) existe um conjunto de políticas de gestão de recursos
humanos que possibilitam o bem-estar dos colaboradores, com o consequente reforço da
competitividade da empresa e do desenvolvimento social. Entre essas contribuições
destacam-se as seguintes como sendo as mais importantes: aumento da motivação e da
integração dos colaboradores, atrair e reter os melhores talentos, aumento da
produtividade, da eficiência e da qualidade do trabalho desempenhado, redução do
absentismo, melhor clima de trabalho e diminuição dos conflitos laborais e melhor
adaptação em situações de maior conflito (Moreno, 2004)
Actualmente, «[u]m dos maiores desafios que […] se coloca às empresas reside em atrair
trabalhadores qualificados» (COM 366, 2001: 8), pelo que um sistema de recompensas
que promova a igualdade é um indicador de RSE. Estudos empíricos realizados
concluem que as acções de responsabilidade social das organizações são aspectos de
grande relevância para os seus colaboradores (por exemplo, Albinger e Freeman, 2000;
Peterson, 2004; e Turban e Greening, 2000).
Relativamente a este tema, importa, ainda, fazer referência ao Relatório de Diagnóstico
de Identificação de Práticas de Responsabilidade Social nas Pequenas e Médias
Empresas (PME), realizado em 2005, no âmbito do projecto “Ser PME Responsável”. De
acordo com este relatório, conclui-se que ao nível das práticas de gestão de recursos
humanos a maior parte das empresas portuguesas não proporciona aos seus
colaboradores apoio social complementar, sendo os benefícios mais frequentes os
seguros de vida e de saúde, a distribuição de lucros e os prémios, não sendo uma prática
corrente a atribuição de planos de benefícios de reforma. Segundo Mendes (2007), tal
situação poderá ser explicada pelo facto das PME portuguesas terem dificuldades
financeiras para investirem em políticas socialmente responsáveis e também porque as
suas expectativas de retorno a longo prazo são reduzidas.
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divulgação dos benefícios dos empregados, e a IAS 26 – Contabilização e Relato dos
Planos de Benefícios de Reforma, sendo o seu principal objectivo especificar os
princípios de divulgação acerca dos planos de benefícios de reforma.
Em 2007, o International Financial Reporting Interpretations Committee (IFRIC) publicou
uma nova interpretação da IAS 19, intitulada “O limite sobre um Activo de Benefícios
Definidos, Requisitos de Financiamento Mínimo e Respectiva Interacção” (IFRIC 14).
Esta norma interpretativa veio clarificar «as disposições da Norma Internacional de
Contabilidade (IAS) 19 no que respeita à mensuração de um activo de benefícios
definidos após a passagem para a reforma e para os casos em que existam requisitos de
financiamento mínimo» (Regulamento n.º 1263, 2008: L338/25).
Em Portugal, a Directriz Contabilística (DC) n.º 19 – Benefícios de Reforma (1997) foi a
primeira norma sobre este assunto, que já contemplava algumas das matérias que são
tratadas na actual Norma Contabilística e de Relato Financeiro (NCRF) 28 – Benefícios
dos Empregados (2009) que tem por base a norma internacional de contabilidade IAS 19
– Benefícios dos Empregados (2008).
De acordo com IAS 19 (2008), os benefícios dos empregados devem ser entendidos
como sendo todas as formas de remuneração pagas por uma entidade em troca do
serviço prestado pelos seus colaboradores, destacando-se os benefícios a curto prazo
dos empregados, os benefícios pós-emprego, outros benefícios a longo prazo dos
empregados e os benefícios de cessação de emprego.
2.3.1. Divulgações
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• Relativamente a planos de benefício definido, deve ser divulgada a seguinte
informação:
- a política contabilística usada para reconhecer os ganhos e as perdas actuariais;
- a descrição geral do plano;
- a reconciliação do valor presente da obrigação de benefícios definidos, incluindo o
custo do serviço corrente, o custo dos juros, as contribuições efectuadas pelos
participantes do plano, os ganhos e as perdas actuariais, os benefícios pagos, o custo
dos serviços passados e, ainda, os cortes e as liquidações;
- a decomposição do valor das obrigações dos planos de benefício definido que não
esteja coberto por fundos e do valor dos planos totalmente, ou parcialmente, coberto
por fundos;
- a reconciliação que apresente o justo valor dos activos do plano, identificando o
retorno esperado dos activos do plano, os ganhos e as perdas actuariais, as
contribuições efectuadas pela entidade e pelos participantes do plano, os benefícios
pagos e as liquidações;
- a reconciliação do valor presente da obrigação de benefícios definidos e do justo
valor dos activos do plano com os activos e passivos reconhecidos no balanço;
- o gasto total reconhecido na demonstração de resultados, incluindo o custo do
serviço corrente, o custo dos juros, o retorno esperado dos activos do plano, os
ganhos e as perdas actuariais, o custo do serviço passado e o efeito de cortes e
liquidações, entre outros;
- o valor total reconhecido em outro rendimento integral inerente a ganhos e perdas
actuariais e ao efeito do limite do activo;
- o valor acumulado dos ganhos e perdas actuariais reconhecidos em outro
rendimento integral, nos casos em que a entidade reconheça esses ganhos e perdas
actuariais em outro rendimento actuarial;
- a percentagem ou quantia de cada categoria principal, constituindo o justo valor do
total dos activos do plano;
- a discriminação dos valores englobados no justo valor dos activos do plano;
- a descrição da base adoptada no cálculo da taxa de retorno esperado dos activos do
plano;
- o retorno real dos activos do plano;
- os principais pressupostos actuariais usados à data do balanço;
- as quantias do período corrente e dos quatro períodos anteriores relativas ao valor
presente da obrigação de benefícios definidos, ao justo valor dos activos do plano, ao
excedente ou défice do plano e ainda relativas às estimativas;
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- a estimativa do valor das contribuições que se esperam liquidar ao plano durante o
período anual que se inicia após a data do balanço.
• Relativamente a outros benefícios a longo prazo dos empregados, não são
exigidas divulgações, no entanto, por força de outras normas deve divulgar-se
informação acerca de benefícios para o pessoal da gerência (IAS 24 – Divulgações
de Partes Relacionadas) e acerca dos gastos com os benefícios a longo prazo dos
empregados (IAS 1 – Apresentação de Demonstrações Financeiras), se o gasto com
esses benefícios for materialmente relevante.
• Relativamente a benefícios de cessação de emprego, deve divulgar-se
informação sobre os passivos contingentes (IAS 37 – Provisões, Passivos
Contingentes e Activos Contingentes), sobre os benefícios concedidos ao pessoal
chave da gerência (IAS 24 – Divulgações de Partes Relacionadas) e sobre os gastos
com os benefícios de cessação de emprego (IAS 1 – Apresentação de
Demonstrações Financeiras), se o gasto com esses benefícios for materialmente
relevante.
Em 2006, o IASB iniciou um projecto sobre benefícios pós-emprego que terminou com a
revisão da IAS 19 (2008) em 16 de Junho de 2011, cuja data de eficácia será no dia 1 de
Janeiro de 2013. As alterações decorrentes desta revisão permitem fornecer, aos
investidores e a todos os utentes das demonstrações financeiras, uma imagem mais clara
das obrigações que resultam dos planos de benefício definido e qual o seu impacto no
desempenho financeiro e nos fluxos de caixa das entidades (IASB, 2011).
As principais alterações decorrentes desta revisão são a eliminação do método do
corredor e, portanto, da opção de adiar o reconhecimento de ganhos e perdas actuariais;
a estruturação da apresentação de alterações nos activos e passivos resultantes dos
planos de benefício definido; a introdução de novos requisitos de divulgação dos planos
de benefício definido e esclarecimentos diversos, nomeadamente em relação à
classificação dos benefícios dos empregados, às estimativas actuais das taxas de
mortalidade, à partilha de riscos, entre outros (IASB, 2011).
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2.4. A divulgação de informação sobre benefícios de reforma de acordo com a
IAS 26 (1994)
Não sendo este normativo foco de abordagem do presente estudo, não poderia deixar de
ser referida a IAS 26 (1994), cuja ênfase assenta na problemática da divulgação de
informação respeitante aos benefícios de reforma.
Assim, a IAS 26 (1994) deve ser aplicada nos relatórios dos planos de benefícios de
reforma para todos os participantes de um grupo. As características da informação a
divulgar nestes relatórios são diferentes, dependendo do tipo de benefícios de reforma a
conceder, que podem ser de contribuição definida ou de benefício definido.
Num plano de contribuição definida deve ser elaborado um relatório, periodicamente, de
modo a proporcionar informação acerca do plano e do desempenho dos seus
investimentos que deverá conter a descrição das actividades relevantes que tenham
ocorrido nesse período e o impacto das alterações verificadas no plano; o relato sobre as
operações e o desempenho dos investimentos relacionados com o plano nesse período e
também a posição financeira do plano no final desse período e a descrição das políticas
de investimento (IAS 26, 1994).
Num plano de benefício definido, também deverá ser efectuado periodicamente um
relatório que tenha a mesma informação que a contida nos relatórios de contribuição
definida, com a diferença de que deve acrescer informação actuarial, quer seja
apresentada nas próprias demonstrações, quer num relatório separado (IAS 26, 1994).
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demográfica e económica […]. A derrapagem do custo económico de
manutenção do rendimento dos pensionistas criou dificuldades em toda a
parte e tornou-se uma questão central das democracias.
De facto, «[n]unca como hoje se falou tanto e de formas tão variadas de segurança
social, dos seus objectivos e problemas, da crise que parece evidenciar e das
respectivas causas […]» (Neves, 1998: 17), pelo que «[a] reforma dos regimes de
pensões constitui, actualmente, uma prioridade da acção governativa» (DGSSS, 2002:
18).
Neste âmbito, foram efectuados vários estudos que confirmam a preocupação
relativamente à sustentabilidade da SS, nomeadamente o Livro Branco da Segurança
Social, publicado em 1998, pela Comissão do Livro Branco da Segurança Social (Neves,
1998); o Relatório Técnico sobre a Sustentabilidade da Segurança Social, publicado em
anexo ao Orçamento de Estado de 2006, pelo Despacho n.º 11/MTSS/05-I, de 3 de Maio
de 2005; e ainda o estudo “MISS: um modelo para avaliação da sustentabilidade da
segurança social pública portuguesa”, publicado em 2007, pelo Banco de Portugal
através do seu Departamento de Estudos Económicos (Pinheiro e Cunha, 2007).
De acordo com estes estudos, na origem do problema está o facto do sistema de
segurança social ser baseado num sistema de repartição (pay-as-you-go), que consiste
em diferir o financiamento das actuais pensões para as gerações futuras, ou seja, as
pensões dos actuais reformados são financiadas pelos contribuintes actuais, esperando-
se que o mesmo seja feito pela próxima geração de trabalhadores (Andrade, 2001;
Neves, 1998; e Pedras, 2000).
Assim, e para que o actual sistema de segurança social seja sustentável, «torna-se
necessário que exista uma relação estável entre o número de reformados que recebem
pensões e o número de trabalhadores que as financiam» (Pedras, 2000: 4), já que «[a]
eficácia da repartição depende fundamentalmente da renovação do universo dos
contribuintes da geração seguinte e, em especial, do nível de massa salarial que em cada
momento seja possível obter da economia» (Neves, 1998: 126). Este é o principal
problema da SS, uma vez que, cada vez mais, existem menos trabalhadores activos para
financiar as pensões de reforma.
De acordo com as projecções realizadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE),
«[p]ara além do esperado decréscimo populacional até 2050, a população residente em
Portugal sofrerá um agravamento do envelhecimento» (INE, 2004: 3, 4), o que representa
uma ameaça ao actual sistema de SS. Por outro lado, verificou-se, também, uma
diminuição nas taxas de mortalidade, em especial devido ao facto da esperança média de
vida ter aumentado nos últimos anos (Carrilho e Patrício, 2010).
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Efectivamente, a sustentabilidade da SS tem vindo a ser deteriorada, não só devido a
factores demográficos, mas também pelo actual contexto económico, nomeadamente
com o aumento dos subsídios de desemprego. Segundo dados do INE, a taxa de
desemprego no primeiro trimestre de 2011 foi de 12,40%, tendo vindo a aumentar
progressivamente desde o final de 2002 (INE, 2011).
Deste modo, juntando todos estes factores, que condicionam o funcionamento do sistema
de segurança social, pode-se concluir que, de facto, a SS está sujeita a uma grande
pressão financeira; daí a problemática relacionada com a sua sustentabilidade. A
confirmar este problema, pode-se ler no acordo sobre a reforma da segurança social
(2006: 2), o seguinte:
[s]em novas medidas, o sistema entrará em desequilíbrio devido ao efeito
conjunto de várias situações, nomeadamente o crescente envelhecimento da
população, o aumento progressivo do período contributivo […] e o
crescimento das pensões a ritmo superior ao das contribuições.
Desta forma, os benefícios de reforma assumem um papel de grande relevância na
actual sociedade, uma vez que as pessoas estão cada vez mais conscientes da situação
do actual sistema de segurança social, existindo a incerteza do seu futuro na idade de
reforma. Ao subscreverem planos de pensões para os seus colaboradores, as empresas
estão a assumir a sua responsabilidade social e, além disso, também estão a incentivar
os seus colaboradores para a necessidade de poupança, tornando-os mais conscientes
sobre a problemática da sustentabilidade do sistema de segurança social. Deste modo, é
possível concluir que os benefícios de reforma constituem uma importante forma de
investimento no futuro, pelo que as empresas, ao implementarem este tipo de benefícios,
estão a acautelar o futuro dos seus colaboradores e, em simultâneo, a contribuir para a
sua satisfação e motivação, o que se traduz num melhor desempenho das suas funções.
3. METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO
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3.1. Hipóteses de investigação
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Quadro 3.1 – Enquadramento da amostra por sector de actividade
Indústria 5 25,00
Financeiro 4 20,00
Serviços Consumidor 3 15,00
Energia 3 15,00
Materiais básicos 2 10,00
Telecomunicações 2 10,00
Petróleo e gás 1 5,00
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Quadro 3.2 – Indicadores de divulgação de informação sobre benefícios dos
empregados
Categoria Indicador Conteúdo
5 Política contabilística
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4. ESTUDO EMPÍRICO
Após uma análise efectuada aos relatórios e contas das empresas que constituem a
amostra deste estudo, foi elaborado o quadro seguinte (Quadro 4.1) que apresenta o
número e a percentagem de empresas que divulgaram informação sobre os benefícios
dos empregados ao longo dos exercícios de 2007 a 2009.
2008 20 100% 0 0%
2009 20 100% 0 0%
Fonte: Elaboração própria
Tendo por base o Quadro 4.1, verificou-se que o número de empresas que divulgaram
informação sobre os benefícios dos empregados é crescente de 2007 para 2008, tendo-
se mantido estável em 2009. No ano de 2007, apenas uma das empresas da amostra
seleccionada não fez qualquer divulgação relativamente aos benefícios concedidos aos
seus empregados. Nos anos de 2008 e 2009, verificou-se que todas as empresas da
amostra divulgaram alguma informação sobre os benefícios dos empregados, de modo a
cumprirem o exigido pela IAS 19 (2008).
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identificar a evolução verificada no número de empresas que divulgaram informação por
categoria de benefícios dos empregados, assim como a média do número de empresas
que divulgaram informação sobre esta temática durante o período em análise de 2007 a
2009.
Pela análise do Quadro 4.2, pode-se concluir que houve uma evolução positiva, embora
pouco significativa, em algumas categorias de benefícios dos empregados,
nomeadamente nos benefícios dos empregados a curto prazo e nos planos de benefício
definido.
A categoria de benefícios dos empregados a curto prazo foi a mais divulgada pelas
empresas cotadas no PSI 20, no período considerado de 2007 a 2009, com uma média
de 18 empresas que divulgaram informação sobre esta categoria durante os três anos em
análise, seguindo-se a categoria dos planos de benefício definido, com uma média de
16,67. De seguida temos as categorias referentes aos planos de contribuição definida, a
outros benefícios a longo prazo dos empregados e aos benefícios de cessação de
emprego, que apresentaram médias de 5, 1 e 0,67 respectivamente.
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Quadro 4.3 – Evolução da divulgação por indicador de benefícios dos empregados
em termos relativos
Evolução
Categoria Indicador 2007 (%) 2008 (%) 2009 (%)
(% 2007-2009)
Com base no quadro apresentado (Quadro 4.3), pode-se concluir que os indicadores
mais divulgados são a política de benefícios definidos (indicador 5), a descrição do plano
de benefícios definidos (indicador 6) e os pressupostos actuariais (indicador 18). Estes
indicadores registaram, ao longo dos três anos consecutivos, os maiores níveis de
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divulgação, tendo-se registado um aumento de cinco pontos percentuais nestes
indicadores entre 2007 e 2009.
Durante o mesmo período, e na mesma categoria de benefícios, também se verificou um
aumento de cinco pontos percentuais nos indicadores 12 e 14, que dizem respeito ao
valor reconhecido como rendimento de ganhos e perdas actuariais e à percentagem ou
quantia de cada categoria principal com o justo valor do total dos activos. O indicador
referente à quantia do período anual corrente e dos quatro períodos anteriores (indicador
19) registou um aumento de dez pontos percentuais no decorrer do mesmo período.
Acima dos 50%, encontram-se também os indicadores relativos aos benefícios dos
empregados a curto prazo, tendo-se verificado que a informação divulgada relativamente
ao indicador 1 cresceu dez pontos percentuais de 2007 para 2009, enquanto a
informação divulgada no que diz respeito ao indicador 2 cresceu apenas cinco pontos
percentuais durante o mesmo período.
Nos anos de 2007, 2008 e 2009 foram encontrados alguns indicadores que não foram
divulgados por nenhuma das empresas que constituem a amostra seleccionada, ou seja
os benefícios concedidos ao pessoal chave da gerência, no que se refere aos planos de
contribuição definida (indicador 4) e a outros benefícios a longo prazo (indicador 21) e,
ainda, os benefícios de cessação de emprego concedidos ao pessoal chave da gerência
(indicador 24) e aos empregados que sejam materialmente relevantes (indicador 25), com
o acréscimo do indicador 23 que se refere aos passivos contingentes relacionados com
os benefícios de cessação de emprego que não foi divulgado no ano de 2009.
Desta forma, e de um modo geral, pode-se concluir que os indicadores mais divulgados
pelas empresas cotadas no PSI 20, no período de 2007 a 2009, são os que estão
relacionados com os planos de benefício definido, pelo que pode-se dizer que este tipo
de plano é o mais corrente entre as empresas cotadas no PSI 20. Também o estudo
realizado por Pereira (2010), concluiu que as empresas preferem adoptar os planos de
benefício definido como forma de complemento à sua responsabilidade social.
Pode, ainda, concluir-se que, apesar do contexto económico do período analisado, as
empresas cotadas no PSI 20 não tiveram a necessidade de proceder ao despedimento
dos seus quadros de pessoal, nomeadamente do pessoal chave de gerência, assim
como dos seus empregados, dado que não se verificou qualquer divulgação nos
indicadores 24 (benefícios de cessação de emprego concedidos ao pessoal da gerência)
e 25 (benefícios de cessação de emprego materialmente relevantes concedidos aos
empregados) durante o triénio 2007-2009.
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4.4. Divulgação de informação sobre benefícios dos empregados por sector de
actividade
Existem vários factores que podem influenciar o grau de divulgação da informação sobre
os benefícios dos empregados, sendo os mais estudados os que estão relacionados com
as características das empresas, nomeadamente a dimensão e o sector de actividade,
mas também factores relacionados com o desempenho económico, financeiro, social ou
ambiental (Ereira e Canadas, 2005; Guerreiro, 2006; e Lopes e Rodrigues, 2006).
No âmbito do presente estudo, apenas será considerado para análise o sector de
actividade, dado que é um dos factores que pode condicionar a divulgação de informação
social por parte das empresas e existem, inclusivamente, vários estudos que chegam a
esta conclusão (por exemplo, Archel, 2003; e Guerreiro, 2006).
Desta forma, foi elaborado o Quadro 4.4 que apresenta o número médio de indicadores
divulgados por sector de actividade e também a percentagem do número médio de
indicadores divulgados em função do número total de indicadores ao longo do triénio
2007-2009.
Quadro 4.4 – Divulgação dos benefícios dos empregados por sector de actividade
Exercício 2007 2008 2009
Da análise do Quadro 4.4 verifica-se que são as empresas do sector financeiro que
apresentam maiores níveis de divulgação de informação sobre os benefícios dos
empregados, apresentando em todos os anos um nível de divulgação superior face aos
restantes sectores de actividade. Tal conclusão também foi obtida nos estudos
elaborados por Archel (2003); Dias (2009); Guerreiro (2006) e Pereira (2010), que
confirmam que são as empresas do sector financeiro que mais informações divulgam
comparativamente com outros sectores de actividade.
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Relativamente aos planos de benefícios de reforma, é importante fazer referência aos
estudos sobre estatísticas de fundos de pensões, realizados pelo Instituto de Seguros de
Portugal (ISP), para o triénio em análise de 2007-2009. De acordo com estes estudos,
são as empresas do sector financeiro, nomeadamente os bancos, as que apresentam um
maior número de fundos de pensões (ISP, 2007; 2008 e 2009). Desta forma, pode-se
afirmar que estes estudos também confirmam os resultados obtidos, dado que
concluíram que são as empresas do sector financeiro as que apresentam o montante
mais elevado de fundos de pensões e as que mais informações divulgam em relação aos
planos de benefícios de reforma concedidos aos seus empregados.
Verificou-se também que houve um aumento da divulgação de informação nos sectores
de indústria, energia, e petróleo e gás, no entanto, verificou-se um decréscimo da
informação divulgada no sector de materiais básicos. Nos sectores de serviços ao
consumidor e de telecomunicações, a divulgação de informação manteve-se constante
ao longo do período em análise.
5. CONCLUSÕES
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informação sobre os benefícios dos empregados, por parte das empresas cotadas no PSI
20, foi crescente no período compreendido entre 2007 e 2009. Quanto à sub-hipótese
H1.2, também se verificou uma evolução crescente, embora pouco significativa, na
divulgação de informação por categoria de benefícios dos empregados. No que se refere
à sub-hipótese H1.3, constatou-se que o nível de informação divulgada também
apresentou um comportamento crescente no período analisado.
Em relação à segunda hipótese, também se verificou um crescimento na divulgação de
informação sobre os benefícios dos empregados, com excepção no sector de materiais
básicos. Também foi possível concluir que o sector de actividade pode influenciar
positivamente o nível de divulgação de informação sobre esta temática, tendo-se
constatado que o sector financeiro foi o sector que apresentou um maior nível de
divulgações sobre os benefícios dos empregados.
Assim, e com base nos resultados obtidos, pode-se concluir que a divulgação de
informação sobre os benefícios dos empregados por parte das empresas cotadas no PSI
20 aumentou durante o período analisado. Embora seja uma variação pouco significativa,
denota uma maior preocupação desta temática no âmbito do relato financeiro e, portanto,
a preocupação das empresas em cumprirem com o disposto na IAS 19 (2008)
relativamente aos benefícios que concedem aos seus colaboradores.
Uma das limitações subjacentes ao presente trabalho está relacionada com a tipologia e
a dimensão da amostra seleccionada, já que as empresas analisadas não representam a
realidade do tecido empresarial português que é composto essencialmente por PME’s.
Outra das limitações do presente estudo está relacionada com o facto do período de
análise não ser suficientemente alargado para se obterem conclusões que evidenciem
uma tendência no âmbito da divulgação de informação sobre os benefícios dos
empregados.
Por último, é de fazer referência ao facto do presente estudo ter sido efectuado com base
na análise de conteúdo aos anexos dos relatórios e contas consolidadas anuais, não
tendo sido considerados outros meios de comunicação que eventualmente as empresas
da amostra possam ter disponíveis para consulta.
20
Seria igualmente interessante analisar outros factores que podem influenciar ou mediar o
grau de divulgação deste tipo de informação, nomeadamente os factores que estão
relacionados com as características das empresas, tais como a dimensão, mas também
factores relacionados com o desempenho económico, financeiro, social ou ambiental.
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