Universidade Federal do Rio de Janeiro
Escola de Belas Artes
Departamento de Artes Ambientais
HISTÓRIAS DE LUGARES E COISAS
Proª. Marize Malta
SÉCULO XVIII
ROCOCÓ E NEOCLÁSSICO
1. Contexto:
As guerras (esgotamento das riquezas) e a divisão dos poderes na Europa.
Aumento de população, crise econômica.
Os soberanos mais fracos. Transição do Absolutismo para o Liberalismo.
Os déspotas esclarecidos. Conhecimento ligado ao poder.
A burguesia. A luta de classes (nobreza gasta X burguesia produz).
A etiqueta e a galanteria. A ascenção da mulher.
As festas galantes. Os jogos de salões. Peças de amadores, espetáculos com máscaras,
quadros vivos.
O desenvolvimento científico (Newton, Lavoisier) e cultural (o Iluminismo). Revalorização do
humanismo.
A revolução francesa (1789).
Início revolução industrial (~1760).
Descoberta de Herculano (1713) e Pompéia (1748).
Século dos contrastes: requinte X busca da simplicidade;
sentimentalismo X racionalismo.
O apogeu das artes decorativas.
2. Arquitetura:
Aumento custos construção. Simplificação da arquitetura doméstica.
Novas leis de padronização de estruturas, esquadrias etc. Simplificação. (Ex. Bedford
Square, London, 1774).
Inglaterra - as casas não eram mais projetadas isoladamente; mais do que isso, todo o
quarteirão era projetado como uma unidade. As casas urbanas georgianas possuiam testadas
estreitas, pés-direitos altos e fachadas simples. Seus jardins ficavam escondidos da rua pelas
fileiras de casas quase idênticas.
França – predomínio do “Hôtel particulier” – pequenos palacetes.
Articulação dos edifícios em blocos, para melhor corresponder às funções.
Varandas tratadas com grande leveza.
A “maison de plaisance” – as “follies”, os pavilhões.
Os jardins ingleses.
Rococó Continuidade de alguns aspectos do barroco;
Requintado, dinâmico (assimetria), festivo, exuberante, frágil, delicado.
A procura do Bellum (em vez do Pulchrum) – o agradável, o requintado, o
desenvolto, o sutilmente sensual (em vez de o imponente, o sublime, o palaciano, o
grandiloquente).
As esferas inferiores prevalecem sobre as superiores – danças populares,
comédias, a moda do campo, ninfas, sátiros, etc.
Eliminação dos elementos arquitetônicos clássicos (colunas, frontões etc.).
A ROCAILLE, a soma da forma das conchas com o enrugado das rochas - roche +
coquier. Motivo ornamental com um fim em si mesmo.
Exuberância decorativa – quantidade de pequenos elementos.
O arco abatido. As esquadrias com perfil suave e cornijas simples.
Exemplos: Palácio de Nymphemburg, Pavilhão de Amaliemburg (Alem.),
Blenheim (Ingl.), Schönbrun, Belvedere (Áustria), Peterhof (Rússia),
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La Granja (Espanha).
Decoração rococó na França: Palais Royal, Hôtel de Touloux, Hôtel
d’Assy, Château de Chantilly, Salão da Princesa no Hôtel Soubisse.
Neoclássico Até 1770 foi influenciado pelo classicismo do século XVI, principalmente
pela arquitetura de Andrea Palladio, e pelos templos romanos.
Exemplos: Petit Trianon (Vesailles, França), O Grande Teatro (Bordeaux, França).
3. Espaço interior:
O surgimento do conceito de interior. Novo princípio: “la convenance” . Independência entre
interior e exterior.
Cada cômodo tinha sua individualidade. Formatos e decoração diferentes para funções
distintas.
Preocupação com a harmonia, a integração da decoração com o equipamento e o acessório.
A idéia de criar um conjunto, um organismo. Busca da unidade do projeto.
Abolição dos fortes contrastes.
O princípio da “noble simplicité”.
Diminuição das áreas, das proporções, dos pé-direitos. Busca pela intimidade, aconchego,
conforto. Divisão dos apartamentos em pequenas saletas para diversos fins (salão de
companhia, boudoir, gabinete para escrever, para ler etc.). Os gabinetes de banho.
As escadas curvas e leves. Ângulos das paredes arredondados.
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As boiseries. Painéis de madeira divididos por molduras. Também papel de parede.
Móveis incorporados às boiseries.
Lareiras com mesa baixa, servindo de console.
Amplas e numerosas aberturas – a porta-janela ou porta-balcão – propiciando maior entrada
de luz natural, inclusive da luz razante, valorizando o desenho dos parquets.
Os pisos ricamente trabalhados (parquet, mosaico em pedras, cerâmica). Popularização dos
tapetes.
Gosto pela luz, pelo brilho (piso encerado, móveis brunidos, lustres de cristais reluzentes etc.).
Iluminação artificial (grandes lustres centrais de cristal, apliques (arandelas), velas à meia
altura (candelabros, lampiões).
Uso abundante de espelhos.
Pinturas concentradas em pequenos espaços: sobre portas, dentro dos panneaux, de
medalhões.
Tapeçarias passam de revestimento de parede para quadros emoldurados.
Cores claras, tênues. O predomínio do branco como fundo, aliado às cores salpicadas (azul,
rosa, amarelo esfumados + dourado, prateado),
A diminuição do tamanho do ornamento – sua delicadeza e minúcia.
Proliferação de tipos de mobiliário (os conjuntos), popularização das cadeiras. Móveis com
usos específicos.
A organização dos móveis não mais alinhados às paredes. As disposições em diagonal ou
formando conjuntos.
Uma das inovações do século XVII foi a atenção dada aos móveis e à decoração das
pequenas salas, aos pequenos espaços. Muitos palácios antigos passaram por reformas e
foram acrescentadas pequenas saletas onde a família passava a maior parte do tempo.
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Rococó: O exotismo. A assimetria da unidade (simetria no conjunto).
A influência oriental – as chinnoiseries. As lacas.
As singeries.
Não demarcação da estrutura. A composição é um todo contínuo, sem começo
nem fim. Predomínio das curvas amplas que se emendam umas nas outras.
Formatos polilobados, orgânicos.
Apesar de origem francesa, foi a Alemanha que ultrapassou todos os países na
adoção e na inventividade do rococó. Uso da cor como elemento essencial (rosa,
lilás, amarelo cítrico, azul, combinados ou separados.
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Neoclássico: Retorno do naturalismo e da simplicidade.
Revival do vocabulário clássico na ornamentação.
Inspirado na arquitetura e afrescos principalmente de Pompéia. Um novo estilo
decorativo em que a simetria, racionalidade e formalidade abrandavam-se em
delicados contrastes. Cores tênues. Trabalho minucioso em estuque.
Ornamentações com dimensões reduzidas, salpicadas como rendas (fundo com
cor (tons pálidos) e ornamentação em branco, preferencialmente).
Nichos. Formas geométricas curvas.
As composições estáticas, as divisões marcadas, a regularidade e simetria.
Robert Adam (Ingl.) e David Roentgen (Alem.)
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França: Regência (transição) (1715-1723)
Luís XV (rococó)
Luís XVI (neoclássico
Provençal
Inglaterra: Georgiano (George I, II e III – 1714-1795):
Early Georgian –Queen Anne e Chippendale
Later Georgian – Adam, Sheraton, Hepplewhite.
Os móveis populares – Windsor.
Estados Unidos: Federal style (neoclássico) – 1785-1810.