Disciplina: FUNDAMENTOS E POLÍTICAS
DA EDUCAÇÃO ESPECIAL
INCLUSIVA NO ATENDIMENTO
EDUCACIONAL ESPECIALIZADO
Profa. Dra. Lucimara C. Castro
SABE SNOOPY,
HÁ UMA TENDÊNCIA
EM SE OLHAR PARA
AS DIFERENÇAS OU
PARA DEFICIÊNCIA
DO OUTRO NO QUE
É?...
SE REVELA E O QUE ISSO
APARENTE SIGNIFICA?
.
QUE O SIGNIFICADO DA
NORMALIDADE, DOS PADRÕES
ESTÉTICOS E HUMMM!! ENTENDI..
COMPORTAMENTAIS, SÃO ACHO QUE CONHEÇO
RELACIONADOS A ALGUÉM QUE NÃO É
“PRODUTIVIDADE”, AO NORMAL...
DESEMPENHO DO
CORPO.
E por falar em normalidade...
Normalidade “Ser normal”
pertencer a maioria estatística/social
maiorias minorias/ alguns
Ideia de dessemelhança
Exclusão
O conceito e o tratamento destinado
aos que têm necessidades especiais
não dizem respeito apenas às
relações entre os indivíduos, eles
estão estreitamente associados ao
modo como a sociedade, como um
todo, se relaciona com as diferenças.
A pessoa deficiente na
antiguidade, na Idade Média e
período da institucionalização
no Brasil.
A ANTIGUIDADE...
As pessoas com deficiência, em
diversos contextos da história da
humanidade, eram abandonadas
ou mortas . Esse paradigma
estava presente em comunidades
primitivas e na Grécia .
A ANTIGUIDADE...
Em Roma, na antiguidade, os
pais tinham consentimento para
sacrificar crianças que
nascessem deficientes, que
eram tidas como amaldiçoadas
pelos deuses.
A ANTIGUIDADE...
“Foi no vitorioso Império Romano que surgiu o
cristianismo. A nova doutrina voltava-se para a
caridade e o amor entre as pessoas. As classes
menos favorecidas sentiram-se acolhidas com
essa nova visão. O cristianismo combateu,
dentre outras práticas, a eliminação dos filhos
nascidos com deficiência. Os cristãos foram
perseguidos, porém, alteraram as concepções
romanas a partir do século IV. Nesse período é
que surgiram os primeiros hospitais de caridade
que abrigavam indigentes e pessoas com
deficiências” (GUGEL, 2008, p. 1).
NA IDADE MÉDIA...
Infelizmente, apesar dos avanços
do conceito de deficiências na
Antiguidade, houve um retorno da
concepção mítica e religiosa
durante a Idade Média. Nesta
época as deficiências eram
predominantemente identificadas
à possessão diabólica ou ao
castigo divino, e o ser humano foi
visto como a encarnação do mal
quando não possuía razão ou
inteligência.
NA IDADE MÉDIA...
Entre os séculos V e XVI houve
uma séria ameaça aos
deficientes, que poderiam ser
levados à tortura e à morte graças
a uma visão supersticiosa das
causas da deficiência, que era
frequentemente associada a
heresias, blasfêmias ou
obscenidades.
NA IDADE MÉDIA...
No final do século XVI surgiu um
embrião de mudança de posição
em relação às deficiências:
Paracelso, médico e alquimista,
recusava que a teoria
demonológica fosse a causa das
deficiências, atribuindo-lhes
problemas físicos como sua
causa.
NA IDADE MÉDIA...
No século XVII foram elaboradas
teorias organicistas sobre as
deficiências sem que nenhum
fator místico ou religioso fosse
levado em consideração. Com
esta concepção, os deficientes
não deveriam mais ser punidos, já
que as explicações médicas os
isentavam de culpa.
[Link] 14
NA IDADE MODERNA...
A Idade Moderna é o limite entre as concepções
demoníacas e ignorantes sobre as deficiências e
o próximo passo, que foi representado pelas
pesquisas e os pontos de vista que levaram ao
atendimento médico e escolarização dos
deficientes. Durante os séculos XVI e XVII, com
o Renascimento, houve uma gradativa melhora
das concepções das causas e dos tratamentos
destinados às deficiências e, por consequência,
uma separação entre questões espirituais e
fisiológicas.
Diferentes fases pelas quais passou a
Educação Especial
EXCLUSÃO SEGREGAÇÃO INTEGRAÇÃO INCLUSÃO
Na era pré-científica, na Antiguidade e na
Idade Média, a conduta educativa às
pessoas com necessidades especiais era
nula. Nem se cogitava algum atendimento
educacional, já que as sociedades,
naquela época, determinadas por
concepções espirituais a respeito das
causas das deficiências, viam tais sujeitos
como uma ameaça à sobrevivência da
coletividade. Por isso, eram rejeitados,
explorados, perseguidos ou eliminados.
O Iluminismo resultou em importantes
mudanças culturais e sociais ocorridas no
século XIX, inclusive nas teorias
educacionais. Entre os séculos XVIII e XIX,
os sujeitos com necessidades especiais
eram destinados à segregação mediante a
reclusão em asilos-escolas, nos quais
eram oferecidos cuidados médicos,
alimentação e caridade.
Entretanto, apesar de avanços frente às
atrocidades ocorridas em épocas
anteriores, a institucionalização visava
apartar tais sujeitos do contato com a
sociedade em geral, traçando assim uma
via de duas mãos: de um lado, a
segregação protegia e cuidava do
deficiente e, de outro, isentava a sociedade
de ter que conviver com as diferenças
(BATALHA, 2009).
No período compreendido entre 1950 e
1970, a concepção segregacionista
passou a ser contestada por ideias
defensoras de que os sujeitos com
necessidades especiais tinham direito
de frequentar a sociedade. No entanto,
esse direito só poderia ser exercido caso
estes sujeitos, após se submeterem a
diferentes tratamentos, se modificassem
e se comportassem de acordo com a
norma.
Segundo Mendes (2002), no caso da
educação, é possível concluir que na
vigência do princípio da normalização os
deficientes deveriam demonstrar ser
capazes de frequentar e permanecer nas
classes regulares, e que a presença deles
estava condicionada à satisfação de
comportamento e rendimento pedagógico
impostos pela instituição.
Tomando por princípio o paradigma da
normalização surgiu a Integração Escolar,
cuja proposição era que os problemas
estavam com e na criança deficiente.
Assim, deixava nas mãos dela, da família e
dos profissionais que a atendiam a
responsabilidade de adequá-la para que a
sociedade pudesse recebê-la, já que a
função da escola era reconhecidamente
educar bem os alunos considerados
normais.
Essa análise crítica da sociedade permitiu
que se vislumbrasse que a integração e a
normalização estavam muito mais
presentes nos discursos políticos e
acadêmicos do que nos locais onde se
estabelecem as relações com os que têm
alguma deficiência. Desta constatação
ocorreu uma mudança de alvo. As
modificações, até então de
responsabilidade dos deficientes,
passaram a ser da sociedade. Foi a partir
disso que se concebeu o conceito de
inclusão.
Qual (s) a maior(s)
dificuldades(s) para promover a
inclusão no espaço escolar?
A escola historicamente se caracterizou pela visão da educação
que delimita a escolarização como privilégio de um grupo;
A partir do processo de democratização da educação se evidencia
o paradoxo inclusão/exclusão, quando os sistemas de ensino
universalizam o acesso, mas continuam excluindo indivíduos e
grupos considerados fora dos padrões homogeneizadores da
escola.
ENTÃO, O QUE MUDOU?
Políticas Públicas sobre
inclusão escolar
A primeira iniciativa específica para a
educação de deficientes no Brasil deu-se
em 1835, com a apresentação de um
projeto, pelo deputado Cornélio França,
que propunha a criação do cargo de
professor de primeiras letras para o ensino
de surdos-mudos no Rio de Janeiro e nas
províncias. Para nosso espanto, somente
mais de 20 anos após a apresentação do
projeto de lei ele foi concretizado.
História das Políticas Públicas no âmbito da Educação
Especial
A educação especial se organizou
tradicionalmente como atendimento
educacional especializado
substitutivo ao ensino comum, que
levaram a criação de instituições
especializadas, escolas especiais
e classes especiais.
História das Políticas Publicas no âmbito da Educação
Especial
1.854 - Imperial Instituto dos Meninos Cegos (atual IBC)
1.857 - Instituto para Surdos Mudos (atual INES)
1.926 - Instituto Pestalozzi (def. mentais)
1.945 - Instituto Pestalozzi (superdotados)
1.954 – APAE
Em 1930 houve a abertura de Classes
Especiais Públicas, destinadas a separar
os alunos normais dos anormais, em 1945
ocorreu a criação do primeiro atendimento
educacional especializado às pessoas com
superdotação na Sociedade Pestalozzi, por
Helena Antipoff, e em 1954 foi fundada a
primeira Associação de Pais e Amigos dos
Excepcionais (APAE), no Rio de Janeiro,
por Beatrice Bemis (BORGES, 2015).
Inicialmente, o governo responsabilizou-se
pela educação das pessoas com
deficiências a partir de campanhas. A
primeira delas data de dezembro de 1957 e
intitula-se Campanha para a Educação do
Surdo Brasileiro; em 1958 foi criada a
Campanha Nacional de Educação e
Reabilitação de Deficientes da Visão e, em
1960, foi criada a Campanha Nacional de
Educação e Reabilitação de Deficientes
Mentais.
Após as diferentes campanhas, a
educação dos deficientes deixou de figurar
separadamente e passou a ser um assunto
presente nas normas e leis do país. A Lei
de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional de 1961 reafirmou o direito dos
excepcionais à educação indicando que
era para integrá-los na sua comunidade e a
sua educação deveria, dentro do possível,
enquadrar-se no sistema geral de
educação.
Na década de 1970 foi criado o Centro
Nacional de Educação Especial (CENESP)
com a tarefa de estabelecer metas
governamentais específicas para a
educação especial, além de carregar
consigo a responsabilidade de organizar
uma ação política mais efetiva que deveria
refletir nas atividades realizadas pela
sociedade. Nos seus quatro primeiros anos
de existência, o CENESP teve como
principal objetivo dar apoio técnico à
Educação Especial. A partir de 1979, o seu
objetivo principal passou a ser a expansão
quantitativa dos serviços, política de
atuação que perdurou até 1986.
1988 - Constituição Federal
FUNDAMENTO - Dignidade da Pessoa Humana. (art. 1º, II e III).
OBJETIVO - Promoção do bem de todos, sem preconceito de origem,
raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (art.
3º, IV).
GARANTIA - Direito à igualdade e o direito de todos à educação (art. 5º
e 205).
➢Pleno desenvolvimento da pessoa;
➢Preparo para o exercício da cidadania;e
➢Qualificação para o trabalho (art 205)
1988 - Constituição Federal
PRINCÍPIOS PARA O ENSINO - Igualdade de condições de acesso e
permanência na escola (art. 206, I).
DEVER DO ESTADO
Garantia de acesso aos níveis mais elevados do ensino, da
pesquisa e da criação artística segundo a capacidade de cada
um (art. 208,V), e
Atendimento educacional especializado, aos portadores de
deficiência, preferencialmente, na rede regular de ensino (art.
208, III).
✓1990 - ECA - Lei nº. 8.069/90, (art. 55),
determina que "os pais ou responsáveis têm a
obrigação de matricular seus filhos na rede
regular de ensino”.
Em 1990, em Jomtiem, na Tailândia, a
Declaração Mundial de Educação para
Todos, documento da UNESCO (Organização
das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura), órgão da ONU, em seu
terceiro artigo, denominado Universalizar o
Acesso à Educação e Promover a Equidade,
traz no item 5: “As necessidades básicas de
aprendizagem das pessoas portadoras de
deficiências requerem atenção especial. É
preciso tomar medidas que garantam a
igualdade de acesso à educação aos
portadores de todo e qualquer tipo de
deficiência, como parte integrante do
sistema educativo” (UNESCO, 1990, p. 4).
Passados quatro anos, em junho de 1994,
ocorreu um marco histórico para a
educação inclusiva, a Conferência Mundial
Sobre Necessidades Educativas Especiais,
realizada pela UNESCO, a qual concebeu
a Declaração de Salamanca. Esta
declaração recebeu a concordância e foi
assinada por 92 países, com isso foi
germinado o paradigma da inclusão
escolar.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS CONTEMPLADOS PELA
DECLARAÇÃO DE SALAMANCA
• Respeito à dignidade humana;
• Educabilidade de todos os seres
humanos, independente de
comprometimentos que possam
apresentar;
• Direito à igualdade de oportunidades
educacionais;
• Direito à liberdade de aprender e de
expressar-se;
• Direito a ser diferente.
✓1994 - É publicada a Política Nacional de
Educação Especial, orientando o processo
de ‘integração instrucional’ que
condiciona o acesso às classes comuns do
ensino regular àqueles que "(...) possuem
condições de acompanhar e desenvolver
as atividades curriculares programadas do
ensino comum, no mesmo ritmo que os
alunos ditos normais”.
1996 - LDB 9.394/96
DEVER DO ESTADO: Atendimento educacional
especializado gratuito aos educandos com
deficiência, TGD e altas habilidades/superdotação,
preferencialmente na rede regular de ensino (art.4º).
ED. ESPECIAL: Modalidade de Educação Escolar
Educação Infantil
Ensino Fundamental
Ensino Médio
Ensino Superior
2006 –Convenção sobre os Direitos das pessoas com Deficiência (entrou
em vigor no Brasil em 3 de maio de 2008, por meio do Decreto Nº 6.949/09 ) -
os Estados Parte devem assegurar um sistema de educação inclusiva em
todos os níveis de ensino, em ambientes que maximizem o desenvolvimento
acadêmico e social compatível com a meta de inclusão plena, garantindo que:
As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema
educacional geral sob alegação de deficiência.
As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino
fundamental inclusivo, de qualidade e gratuito, em igualdade
de condições com as demais pessoas na comunidade em que
vivem (art.24)
Em 2009, anterior à publicação do Decreto nº
7.611/11 e com o objetivo de orientar a
implementação do Decreto 6.571, por meio
da Resolução CNE/CEB n.º 4 são instituídas
as Diretrizes Operacionais para o
Atendimento Educacional Especializado na
Educação Básica, modalidade Educação
Especial, sendo estabelecidas as formas de
atendimento em “salas de recursos
multifuncionais ou em centros de
Atendimento Educacional Especializado da
rede pública ou de instituições comunitárias,
confessionais ou filantrópicas sem fins
lucrativos” (BRASIL, 2009).
No Brasil, a lei brasileira de inclusão da
pessoa com deficiência, em vigor desde
2015, promove o exercício dos direitos das
pessoas deficientes com o objetivo de
promover sua inclusão social e cidadania,
facilitando o conhecimento, até mesmo
pelos deficientes e suas famílias, dos
direitos que possuem.
[Link] 48
Identidade da pessoa com
deficiência na inclusão e no
AEE no Brasil
Identidade e diferença
A identidade e a diferença tendem a ser naturalizadas
e essencializadas.
A identidade é aquilo que se é.
A diferença é aquilo que o outro é.
A diferença e a identidade, simplesmente, existem e
são entidades independentes.
NA PERSPECTIVA DA DIVERSIDADE
Currículo escolar – é centrado na diversidade e não
nas diferenças.
Na perspectiva da educação inclusiva, a
educação especial passa a integrar a proposta
pedagógica da escola regular, promovendo o
atendimento às necessidades educacionais especiais
de alunos com deficiência. A educação especial
direciona suas ações para o atendimento às
especificidades desses alunos no processo
educacional e, no âmbito de uma atuação mais ampla
na escola, orienta a organização de redes de apoio, a
formação continuada, a identificação de recursos,
serviços e o desenvolvimento de práticas
colaborativas.
A partir dessa conceituação, considera-se pessoa com
deficiência:
Aquela que tem impedimentos de
longo prazo, de natureza física,
mental ou sensorial que, em
interação com diversas barreiras,
podem ter restringida sua
participação plena e efetiva na
escola e na sociedade. Um corpo
lesado, num mundo cheio de
barreiras, construído sob o princípio
da normalidade. Com a Inclusão,
deixamos de olhar para a
deficiência no ser humano e
passamos a vê-la no mundo que
nos cerca.
[Link] 53
De acordo com Sacristán (2002),
pensar do ponto de vista da
diversidade implica pensar uma
política educacional capaz de
enfrentar o desafio de aprender a
respeitar as diferenças, de exercitar
o diálogo, ultrapassar as barreiras,
vencer os preconceitos e construir
uma sociedade mais justa e
solidária.
Desenvolvimento da Aprendizagem
exige
Atendimento às Necessidades Especiais
Diversidade Interação
“Necessidades Especiais” ou
“Deficiências”
O conceito de necessidades especiais
engloba não somente os alunos com
deficiências.
Impõem mudanças: ❖ conceituais
❖ legais
❖ da prática
Inclusão
Qual o desafio?
Generalizar o conceito à totalidade
do sistema educativo
Políticas
Educacionais e
Marcos Legais
não asseguram
o sucesso na prática
Facilitar Podem Dificultar
Escola e Segregação
• Existem muitas formas de segregar e
discriminar
• aceitação das diferenças sem
valorizá-las
• aceitação das diferenças sem
compromisso
Essas posições não significam
inclusão escolar
INCLUSÃO
Pressupõe
DIVERSIDADE
valorização
Enriquecimento
do desenvolvimento social e pessoal
Inclusão
O que favorece a construção
de uma escola inclusiva?
Formulação de respostas à diversidade em seu conjunto.
Valorização do aspecto processual – iniciar a transformação
mesmo em condições não plenamente favoráveis.
Entendimento da diversidade como oportunidade de
enriquecimento pessoal , social , do processo de ensino
e aprendizagem e não como um obstáculo.
Educação Inclusiva e o Projeto
Pedagógico da Escola
Projeto que incorpore a diversidade como
eixo central da tomada de decisões
Trabalho Coletivo
Compartilhar critérios,
estratégias e tomar
decisões
Projeto
Pedagógico
❖Atendimento aos alunos da comunidade
(convivência e relação entre diferentes).
❖Otimização de atendimento às expectativas da
comunidade e às necessidades específicas dos
alunos.
❖Proposta abrangendo todos os aspectos do currículo
(cognitivo - afetivo - social).
Uma das inovações trazidas pela Política
Nacional de Educação Especial na
Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) é o
Atendimento Educacional Especializado –
AEE, um serviço da educação especial que
"[...] identifica, elabora e organiza recursos
pedagógicos e de acessibilidade, que
eliminem as barreiras para a plena
participação dos alunos, considerando
suas necessidades específicas"
(SEESP/MEC, 2008).
Caso de Roberto
Roberto apresenta deficiência intelectual e uma leve deformidade no
crânio, provavelmente originada durante o parto.
Ele tem 13 anos e cursa o quarto ano em uma escola pública. Roberto
vive numa instituição para crianças/adolescentes órfãos.
Ele se encontra em estágio inicial do desenvolvimento da linguagem
escrita. Nas atividades de leitura e escrita, apresenta comportamento que
ora oscila entre um interesse maior e um interesse menor por tais
atividades. Roberto apresenta dificuldade de concentração,
permanecendo um curto espaço de tempo interessado pelas atividades.
Em sala de aula apresenta uma agitação
permanente, mas manifesta grande interesse
por jogos, e apresenta uma sagacidade
particular para compreender regras de jogo e
delas se beneficiar para ser o vencedor.
Do ponto de vista motor, ele apresenta dificuldade
em sua marcha e, ao andar, arrasta os pés sem
flexionar os joelhos. Na motricidade fina,
apresenta dificuldades no traçado das letras e
no desenho. Na escrita do nome próprio ele faz
tentativas de copiar seu nome.
Roberto apresenta uma linguagem oral bem
articulada, e certa facilidade em se
expressar e compreender o que lhe é
solicitado. Ele se relaciona bem com os
colegas e com a professora e é bastante
ligado a dois colegas da turma, os quais
ele diz que são seus irmãos.
Refletindo...
Como tomar ciência de outros aspectos do caso (detalhes)?
Quais ações são necessárias para diagnosticar qual
atendimento será mais apropriado para Roberto?
Após avaliação diagnóstica, como organizar o atendimento de
Roberto?
Quais metodologias e organização (curricular, temporal, espacial,
etc...) será pertinente para atender Roberto?
Programas e Serviços
especializados no Brasil
O QUE É AEE?
Atendimento Educacional
Especializado
Um serviço da Educação Especial que:
• Identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos
e de acessibilidade que eliminem as barreiras para
a plena participação dos alunos, considerando as
suas necessidades específicas
• O AEE tem caráter complementar e/ou suplementar
a formação do aluno com vistas à autonomia e
independência na escola e fora dela. Deve ser
oferecido no turno inverso ao da classe comum
• Apoia o desenvolvimento dos estudantes
matriculados na classe comum
O atendimento educacional poderá ser
realizado, segundo a Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional, Lei
9394/96LBD, em classes, escolas ou
serviços especializados “[...] sempre que,
em função das condições específicas dos
alunos, não for possível a sua integração
nas classes comuns de ensino regular”
(BRASIL, 1996).
[Link] 72
AÇÕES DO AEE
➢ Apoiar: Classe Comum;
➢ Complementar: Sala de recursos;
➢ Suplementar: Sala de recursos de altas
habilidades/superdotação;
➢ Substituir: Classes Especiais e Centros de
Ensino Especial - caráter transitório.
A partir dos grupos organizados nas salas do Zoom, discutir as seguintes
questões:
A quais reflexões o imagem nos remete?
Quais avanços conquistados na educação merecem ser elencados em relação à escola
inclusiva?
Quais os maiores desafios, hoje, para promover o AEE de maneira
efetiva?
CLASSE ESPECIAL
Classe Especial é uma sala de aula em
escola do Ensino Regular, em espaço físico
e modulação adequados, na qual o
professor especializado utiliza métodos,
técnicas, procedimentos didáticos e
recursos pedagógicos especializados e,
quando necessário, equipamentos e
materiais didáticos específicos, conforme
série/ciclo/ etapas iniciais do ensino.
As Diretrizes Nacionais Curriculares para a Educação
Especial na Educação Básica (DNEEEB), do MEC, publicadas
em 2001, apontam para a possibilidade de que, em caráter
extraordinário, as escolas possam criar Classes Especiais, de
caráter transitório, referenciadas pela LDBEN e pelas Diretrizes
Curriculares Nacionais da Educação Básica. O documento
define Classe Especial como
“[...] uma sala de aula, em escola de ensino regular, em espaço físico
e modulação adequada. Nesse tipo de sala, o professor de educação
especial utiliza métodos, técnicas, procedimentos didáticos e recursos
pedagógicos especializados e, quando necessário, equipamentos e
materiais didáticos específicos, conforme série/ciclo/etapa da
educação básica, para que o aluno tenho acesso ao currículo da base
comum” (BRASIL, 2001, p.53).
A ação pedagógica da Classe
Especial visa o acesso ao
currículo da base nacional
comum, a ser complementada em
cada sistema de ensino e
estabelecimento escolar por uma
parte diversificada, promovendo
avaliação pedagógica contínua
para a tomada de decisão quanto
ao seu ingresso ou reingresso no
Ensino Regular.
A resolução nº 04/09, do Conselho Nacional de Educação institui
as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional
Especializado na Educação Básica, modalidade Educação
Especial. Nela, não há mais a menção ao termo Classe Especial.
Em seu lugar, ele determina que os alunos com deficiências,
transtornos do desenvolvimento ou altas habilidades/superdotação
sejam matriculados nas Salas de Recursos Multifuncionais, que
funcionam em contra turno escolar, ou encaminhados para
Centros de Atendimentos Especializados (AEE), devendo
TODOS serem matriculados em classes comuns do Ensino
Regular. (BRASIL, 2009).
SALAS DE RECURSOS
MULTIFUNCIONAIS
As Salas de Recursos Multifuncionais
são os mais difundidos espaços para a
realização do Atendimento
Educacional Especializado (AEE).
Nelas, educadoras e educadores com
formações especializadas atuam como
importantes mediadores entre
o estudante público-alvo da Educação
Especial, seus familiares e os
professores da sala de aula comum.
Diferentemente das Classes Especiais, as Salas de Recursos
Multifuncionais não tem o caráter substitutivo do Ensino Regular, pelo contrário
para haver a matricula na SRM é indispensável que a família apresente a
matrícula do aluno das Classes do Ensino Regular.
A SRM tem o caráter complementar e suplementar
de acessibilidade dos seus alunos ao
conhecimento contribuindo para a eliminação de
barreiras objetivas (do espaço físico e ainda de
materiais e métodos necessário ao acesso ao
conhecimento, também em relação às barreiras de
acessibilidade social (subjetivas).
As Salas de Recursos
Multifuncionais são espaços
localizados nas escolas de educação
básica, onde se realiza o Atendimento
Educacional Especializado – AEE.
Essas salas são organizadas com
mobiliários, materiais didáticos
e pedagógicos, recursos de
acessibilidade e equipamentos
específicos para o atendimento aos
alunos público alvo da educação
especial, em turno contrário à
escolarização.
O Ministério da Educação, com o
objetivo de apoiar as redes públicas
de ensino na organização e na oferta
do AEE e contribuir com o
fortalecimento do processo de
inclusão educacional nas classes
comuns de ensino, instituiu o
Programa de Implantação de Salas
de Recursos Multifuncionais, por
meio da Portaria Nº. 13, de 24 de
abril de 2007.
Nesse processo, o Programa atende a
demanda das escolas públicas que
possuem matrículas de alunos com
deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento ou superdotados/altas
habilidades, disponibilizando as salas de
recursos multifuncionais, Tipo I e Tipo II.
Para tanto, é necessário que o gestor do
município, do estado ou do Distrito Federal
garanta professor para o AEE, bem como o
espaço para a sua implantação.
As Salas de Recursos Multifuncionais
Tipo I são constituídas de
microcomputadores, monitores, fones
de ouvido e microfones, scanner,
impressora laser, teclado e
colmeia, mouse e acionador de
pressão, laptop, materiais e jogos
pedagógicos acessíveis, software para
comunicação alternativa, lupas manuais
e lupa eletrônica, plano inclinado,
mesas, cadeiras, armário, quadro
melanínico.
As Salas de Recursos Multifuncionais
Tipo II são constituídas dos recursos da
sala Tipo I, acrescidos de outros recursos
específicos para o atendimento de alunos
com cegueira, tais como
impressora Braille, máquina de
datilografia Braille, reglete de mesa,
punção, soroban, guia de assinatura,
globo terrestre acessível, kit de desenho
geométrico acessível, calculadora sonora,
software para produção de desenhos
gráficos e táteis.
Desde 2007, com o Programa de
Implantação de Salas de Recursos
Multifuncionais, houve no país um
expressivo incremento no número
estudantes público-alvo da Educação
Especial matriculados na classe
comum. Em 2020, o Censo Escolar
registrou 1,3 milhão de matrículas
desses estudantes. Destes, 88%
estão matriculados na escola comum.
Em 2007, o percentual era de apenas
46,8%.
AS ESCOLAS DE EDUCAÇÃO
ESPECIAL
As primeiras escolas especiais foram
criadas no Brasil no final do século XIX, na
época do Império, e seguiam os padrões
europeus para o atendimento das pessoas
com deficiências, ou seja, tinham um
caráter médico-assistencialista. Com o
passar do tempo, as escolas de Educação
Especial passaram por diversas mudanças.
[Link] 93
O INTÉRPRETE
DE LIBRAS
É aquele que tem o
papel de intermediar a
comunicação entre o idioma
do emissor ao idioma do
receptor .
Compete a ele a
interlocução e a busca de
subsídios, referente á língua de
sinais, para desempenhar a
tarefa de estabelecer a
comunicação entre surdos e
ouvintes.
[Link] 96
Postura do Professor frente à
inclusão, relação professor e
aluno no AEE
Na educação como deve ser tratada a pessoa com
deficiência?
Como um ser humano,
reconhecendo as suas
singularidades e
necessidades, deve adentrar
nos mesmos espaços dos
demais estudantes e ter o
direito de acessar o
conhecimento e os saberes na
mesma sala de aula da rede
regular de ensino.
Escolarização de estudantes com
necessidades especiais
ENTRADA RECENTE DE ESTUDANTES
Desafios
Comunidade
escolar Angústias
Mudanças
Todo aluno é totalmente passível ao aprendizado, desde que seja
mediada de maneira adequada com um acompanhamento
especializado e com a utilização de todos os recursos que forem
necessários para melhor aprimorar o desenvolvimento do
educando.
Estudo de caso
Aos 8 anos, João estava no segundo ano da escola. Os seus
professores do ano anterior relatavam que sentiram dificuldades
para abordá-lo pedagogicamente. Era um menino muito agitado,
não parava sentado e com dificuldade de concentração. Em sala
de aula, atrapalhava a aula com sua agitação, tirando a atenção
dos colegas. Em grupo, passava o tempo todo mexendo nos
materiais dos colegas e nos materiais sobre a mesa (papéis,
lápis coloridos, canetas, livros, revistas, gibis e alguns jogos).
Apesar dos convites feitos pelos colegas e pela professora, o
garoto não conseguia silenciar e nem se concentrar em apenas
um recurso gráfico ou material sobre a mesa. Não conseguia
focar nas atividades propostas para o grupo da escrita.
REFLETINDO...
Quais estratégias a escola deve traçar para que haja um
trabalho inclusivo com João no espaço escolar?
•Quais os principais desafios diante desse trabalho?
•Como garantir que João aprenda respeitando suas
peculiaridades, sem excluí-lo?
[Link] 103
Sugestões de ações para inclusão:
• ser natural; evitar superproteção;
• tratar o estudante como criança, enquanto for criança, adequando o tratamento
conforme a idade;
• deixar que vivencie suas experiências, mediando apenas quando for
necessário;
• evitar comparações, pois cada estudante é uma individualidade;
• conhecer e respeitar a linguagem por ele utilizada;
• ter firmeza de atitudes, sem discriminar em função da deficiência;
• oferecer atenção pedagógica individualizada ao aluno;
• incentivar o trabalho de colaboração entre estudantes.
Profissionais envolvidos diretamente no processo de inclusão
escolar
Professor de salade Professor do Equipe
aula AEE multiprofissional
DEFINIÇÃO DEPAPÉIS
O Papel do Professor...
Cuidados com os dois
extremos:
1. Achar que as diferenças
são naturais – não tem o
que ser feito;
[Link]çar uma igualdade
inexistente.
[Link] 107
FUNDAMENTANDO
O
ATENDIMENTO
PARA QUEM
O QUE FAZER
FAZER?
PARA QUE ATENDIMENTO
FAZER? COMO
FAZER?
COMO FAZER? PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
Possibilidades de sucesso
na aprendizagem INCLUSÃO
Participação nas
Atribuição de valor e
atividades propostas significado a tarefa.
Sentimento de pertença
Sentimento de Crença no potencial
Autoeficácia
Autoconceito
Ambiente e Qualidade Acessibilidade e Possibilidade
das experiências de êxito nas tarefas
O QUEBRA-CABEÇA DA INCLUSÃO
FORMAÇÃO CONTINUADA
FAZER DOCENTE
Uma escola preparada para a
Inclusão
Material Escolar Adaptado
MATERIAL PEDAGÓGICO ADAPTADO
LIVROS DIDÁTICOS E PARADIDÁTICOS ADAPTADOS
Jogos Adaptados
Quebra- cabeça Jogo de matemática
Jogo da memória
Jogo de leitura e escrita
Pranchas de comunicação
[Link] 118
PROBLEMAS MAIS COMUNS EM SALA DE AULA
* Falta contraste de cor entre piso, parede e móveis;
* Carteiras com dimensões que não permitem a aproximação de
cadeira de rodas;
* Carteiras inadequadas para crianças obesas ou com estatura
diferente do grupo de alunos da sala;
PROBLEMAS MAIS COMUNS EM SALA DE AULA
* Corredor muito estreito entre as carteiras para a passagem de
cadeira de rodas;
* Quadro-negro muito alto para ser alcançado por crianças
menores ou em cadeira de rodas;
* Espaço muito estreito entre o quadro-negro e as carteiras para a
circulação e manobra de cadeira de rodas.
PROPOSTAS DE SOLUÇÕES
Atividade
Após conhecer um pouco sobre a aprendizagem e a inclusão no espaço
escolar, que tal partilhar uma atividade inclusiva com os colegas?
A partir do link enviado pela professora, no chat, para acessar o aplicativo
PADLET, escreva partilhando uma ação que pode ser desenvolvida pela
escola e promova a inclusão escolar. Se desejar, anexe fotos para
enriquecer sua resposta.
PARA FINALIZAR...
Espaço físico adequado;
adaptações curriculares;
professores capacitados...
Mudança na
representação
TODOS destina-se a EXIGE e atitudes para
com a pessoa
com deficiência
e necessidades
especiais
EXIGE
INTEGRAÇÃO
Convivência com a tendência de
Um processo.
diversidade Está sempre em
entendimento e
atendimento baseado construção
no paradigma médico
REFERÊNCIAS
BATALHA, Denise Valduga. Um breve passeio pela política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva brasileira.
In: Congresso Nacional de Educação – EDUCERE, IX, 2009, Curitiba. III Encontro Sul Brasileiro de Psicopedagogia, 2009.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial, livro 1,
1994.
BRASIL. Diretrizes Nacionais Para a Educação Especial na Educação Básica / Secretaria de Educação Especial. MEC; SEESP,
2001.
BORGES, Adriana Araújo Pereira. As classes especiais e Helena Antipoff: uma contribuição à história da Educação Especial no Brasil. In:
Revista Brasileira de Educação Especial, v. 21, n. 3, jul./set., Marilia, 2015.
DE SOUSA, Ivan Vale (Ed.). Educação inclusiva no Brasil: História, gestão e políticas. Paco e Littera, 2019.
FREIRE, Sofia. Um olhar sobre a inclusão. Revista de Educação, p. 5-20, 2008.
GUGEL, Maria Aparecida. A pessoa deficiente e sua relação com a história da humanidade. Artigo publicado no site da Associação dos
Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos e Pessoas com Deficiência (AMPID), 2008
LIMA, Priscila Augusta. Educação Inclusiva e Igualdade Social. São Paulo: AVERCAMP, 2006.
MENDES, Enicéia Gonçalves. Perspectivas para a construção da escola inclusiva no Brasil. In: PALHARES, Marina Silveira; MARINS,
Simone Cristina (orgs). Escola Inclusiva. São Carlos: Edufscar, 2002.
RODRIGUES, David (Ed.). Inclusão e educação: doze olhares sobre a educação inclusiva. Grupo Editorial Summus, 2006.
OBRIGADA!