Infarto Agudo do Miocárdio: Guia Rápido
Infarto Agudo do Miocárdio: Guia Rápido
P A U L O D A L T O
I N FA R TO AG U D O D O M I O CÁ R D I O
C O M S U P R A D E S N I V E L A M E N TO
D O S EG M E N TO S T
APRESENTAÇÃO:
@estrategiamed @estrategiamed
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Estratégia
MED
SUMÁRIO
1.0 INTRODUÇÃO 4
2.0 DIAGNÓSTICO DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO COM SUPRA DE ST 4
2 .1 DIAGNÓSTICO ELETROCARDIOGRÁFICO DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO 4
4 .2 ANTIAGREGANTES PLAQUETÁRIOS 13
4.2.1 ÁCIDO ACETILSALICÍLICO (AAS) 13
4.2.2 CLOPIDOGREL 14
4.2.3 PRASUGREL 14
4.2.4 TICAGRELOR 14
4.2.5 INIBIDORES DA GLICOPROTEÍNA IIB/IIIA 15
4 .3 ANTICOAGULANTES 15
4.3.1 HEPARINA NÃO FRACIONADA (HNF) 15
4.3.2 HEPARINA DE BAIXO PESO MOLECULAR (HPBM) 15
4.3.3 FONDAPARINUX 15
4 .4 NITRATOS 16
4 .5 BETABLOQUEADORES 16
CAPÍTULO
1.0 INTRODUÇÃO
Repare no fluxograma a seguir. Ele divide de modo prático as síndromes coronarianas agudas (SCA).
ECG
MNM*
Angina
Instável IAMSSST
Como você pode observar, a SCA é dividida em SCA sem supra do segmento ST e infarto agudo do miocárdio (IAM) com supra do
segmento ST. O grande divisor de águas é o eletrocardiograma (ECG).
CAPÍTULO
Nas derivações da parede posterior (V7, V8 e V9) e direitas (V3R e V4R), o supra de ST é definido como uma elevação do ponto
J ≥ 0,5mm.
Figura 1: Representação do segmento ST. A transição entre o fim do complexo QRS e o início do segmento ST é chamada de ponto J.
A presença de bloqueio de
ramo esquerdo (BRE) completo
novo ou presumivelmente novo
é considerada um equivalente
do supradesnivelamento do
segmento ST.
A magnitude e a extensão do supra também têm relação com o prognóstico do paciente! Quanto maior o número de derivações
acometidas e maior a elevação do segmento ST, pior será o prognóstico.
A localização da parede do infarto e sua relação com a artéria coronária acometida é muito cobrado em prova. Dê um carinho especial
a esse assunto.
V1, V2 E V3 - anterosseptal
V1 a V4 - anterior
Parede anterior V3 e V4 ou V3, V4 e V5 - anterior localizada
V4 a V6 DI e aVL - anterolateral
V1 e V6, DI e aVL - anterior extenso
V5 e V6 - lateral baixa
Parede lateral
Dl e aVL - lateral alta
Para descobrir a artéria “culpada”, devemos estabelecer uma relação entre as artérias coronárias e as paredes miocárdicas por elas
irrigadas.
Também conhecidos como “enzimas cardíacas”. Os principais detalhes de cada marcador estão no seu livro-resumo de “Síndrome
coronariana aguda sem supra do segmento ST”.
Não devemos esperar o resultado das “enzimas cardíacas” para iniciar o tratamento e a terapia de
reperfusão. A presença do supra do segmento ST no ECG implica na necessidade imediata de terapia de
reperfusão, seja ela farmacológica (trombolíticos) ou mecânica.
CAPÍTULO
No IAMCSST, ocorre a oclusão total da artéria coronária e, inevitavelmente, haverá necrose celular. Portanto, diante de um ECG com
supradesnivelamento do segmento ST e quadro clínico compatível com síndrome coronariana aguda, o diagnóstico de IAMCSST está feito.
O tratamento principal consiste em abrir esse vaso o mais rápido possível. Existem duas estratégias de reperfusão miocárdica que são
aceitas: a intervenção coronariana percutânea (ICP) e a fibrinólise.
A angioplastia primária percutânea é o tratamento de escolha sempre que possível. Com relação ao tempo, considera-se aceitável um
intervalo de até 120 minutos (2 horas) entre o diagnóstico do IAMCSST e sua realização em hospitais sem serviço de hemodinâmica.
Nos pacientes que se apresentam em um hospital com serviço de hemodinâmica, o tempo para realização deve ser menor, de até 90
minutos (tempo porta-balão).
A seguir, um esquema didático para ajudar a definir qual é a melhor estratégia diante de um paciente com IAMCSST.
ICP primária
SIM
Hospital COM Tempo até ICP
Fibrinolítico em
hemodinâmica < 90 min? NÃ
O até 30’
IAM com supra de ST
Transferir para
Tempo de SIM ICP primária
Hospital SEM
transferência +
hemodinâmica
ICP < 120min? N Fibrinolítico em
ÃO
até 30’
Tempo porta - balão: < 90 minutos (se transferência: < 120 minutos)
A terapia fibrinolítica é baseada na fisiopatologia do IAM com supra. O principal objetivo é “dissolver” o trombo de fibrina, ou seja,
provocar sua lise, por isso o nome fibrinolítico (também chamado de trombolítico). As principais complicações são as hemorrágicas, sendo o
acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico a mais grave.
A tabela a seguir mostra as contraindicações aos trombolíticos. Se tem um assunto que você precisa saber sobre os fibrinolíticos é este!
Absolutas
- Qualquer sangramento intracraniano prévio.
- Dano ou neoplasia no sistema nervoso central.
- Sangramento ativo (exceto menstruação).
- Acidente vascular cerebral isquêmico nos últimos 3 meses.
- Trauma importante em rosto ou cabeça nos últimos 3 meses.
- Malformação arteriovenosa cerebral conhecida.
- Suspeita de dissecção de aorta.
- Discrasia sanguínea.
Relativas
- Acidente vascular cerebral isquêmico há mais de 3 meses.
- Uso de estreptoquinase há mais de 5 dias.
- Alergia à estreptoquinase.
- Gestação.
- Uso de anticoagulantes orais.
- Pressão arterial sistólica > 180 mmHg.
- Pressão arterial diastólica > 110 mmHg.
- Punções vasculares não compressíveis.
- Úlcera péptica ativa.
- Ressuscitação cardiopulmonar traumática ou superior a 10 minutos.
- Cirurgia nas últimas 3 semanas.
Após a terapia fibrinolítica, devemos avaliar os critérios de reperfusão para definir se o tratamento teve sucesso ou não. Quando
presentes, significa que a artéria foi recanalizada.
Melhora da dor
Traçado de ECG exemplificando o ritmo idioventricular acelerado (RIVA). Características: ausência de onda P, QRS alargado e FC entre
60 bpm e 120 bpm.
Não havendo recanalização da coronária culpada, o paciente deve ser encaminhado para a angioplastia de resgate em tempo < 180
minutos após o fibrinolítico.
O que é mais cobrado em prova são as indicações de tratamento cirúrgico de urgência. Então, olho na tabela:
• Insucesso da intervenção coronariana percutânea com instabilidade hemodinâmica e/ou grande área
em risco.
• Isquemia recorrente.
• Arritmias ventriculares complexas (ex.: taquicardia ventricular).
• Choque cardiogênico.
• Complicações mecânicas do infarto (ruptura do VE, comunicação interventricular, ruptura de músculo
papilar).
CAPÍTULO
• Oxigênio
• Nitratos
Anti - isquêmicos • Betabloqueadores
• BCC
• IECA/BRA
• AAS
Antitrombóticos • Inibidor P2Y12
• Anticoagulantes
• ICP primária
Reperfusão!
• Fibrinolíticos
A suplementação de oxigênio não está mais indicada de forma rotineira nos pacientes com IAMCSST.
¾ O que você precisa saber sobre oxigenioterapia no IAMCSST:
Indicações: pacientes com dispneia, sinais de insuficiência cardíaca e/ou saturação de oxigênio < 94%.*
*Algumas referências adotam valores de saturação de oxigênio < 90%.
Forma de administração: 2 l/min a 4 l/min por meio do cateter nasal ou máscara de oxigênio. Se hipoxemia importante: VNI ou IOT
(intubação orotraqueal).
A administração desnecessária de oxigênio por tempo prolongado pode causar vasoconstrição sistêmica
e ser prejudicial!
No IAM de parede inferior, deve-se evitar a utilização da morfina e seus derivados pelo risco de hipotensão
arterial grave e refratária.
São o pilar do tratamento da síndrome coronariana aguda (SCA), seja ela com ou sem supra de ST. Possuem benefício comprovado
em ambos os cenários.
A dupla antiagregação plaquetária deve ser feita durante 1 ano para TODOS os pacientes que sofreram
síndrome coronariana aguda (com ou sem supra de ST).
Promove inibição irreversível da cicloxigenase (COX-1), responsável pela conversão do ácido aracdônico em tromboxano A2 (TxA2) nas
plaquetas. Ao diminuir a liberação do TxA2, o AAS reduz a agregação plaquetária no local do trombo.
Indicação: TODOS os pacientes, com exceção dos raros casos de contraindicação.
Contraindicações: alergia, intolerância gástrica, sangramento ativo, distúrbio plaquetário conhecido, alta probabilidade de sangramento
gastrointestinal ou genitourinário.
Doses: AAS 160 mg a 325 mg mastigável (dose de ataque). Manutenção: 100 mg/dia.
4.2.2 CLOPIDOGREL
É um antiplaquetário pertencente à classe dos tienopiridínicos, juntamente ao prasugrel. Promove inibição irreversível da ativação
plaquetária mediada pelo difosfato de adenosina (ADP) através do bloqueio do receptor P2Y12 plaquetário.
4.2.3 PRASUGREL
4.2.4 TICAGRELOR
O ticagrelor também pertence ao grupo dos inibidores da fração P2Y12 do receptor de ADP plaquetário, porém, é um inibidor reversível.
Assim como o prasugrel, está contraindicado na terapia fibrinolítica.
Tabela 1. Doses dos antiagregantes plaquetários no tratamento do IAMCSST
São cada vez mais iniciados na sala de hemodinâmica, em casos específicos (alta carga trombótica; complicações tromboembólicas
da angioplastia).
Exemplos de inibidores da GP IIB/IIIA: abciximab e tirofiban.
4 .3 ANTICOAGULANTES
A anticoagulação parenteral está indicada em associação com a dupla antiagregação plaquetária, independentemente da estratégia de
reperfusão (fibrinólise ou ICP primária).
A duração do tratamento varia de acordo com o tipo de heparina: a HNF deve ser mantida em bomba de
infusão por 48 horas. Já a enoxaparina (HPBM) deve ser mantida durante o período de internação hospitalar
ou até 8 dias (o que for menor).
Seu mecanismo de ação é através da inibição indireta da trombina (fator IIa) e do fator Xa. Inibe também, com menor intensidade, os
fatores IXa e XIIa. É considerada o anticoagulante de escolha no tratamento dos pacientes com IAM com supra de ST que serão submetidos à
ICP primária.
O mecanismo de ação é semelhante ao da HNF, porém, inibe de forma mais específica o fator Xa. Sua principal indicação é nos
pacientes submetidos à terapia fibrinolítica.
ATENÇÃO! Nos pacientes submetidos à fibrinólise, a dose da HPBM varia dependendo da idade e da função renal:
¾ Pacientes < 75 anos: dose de ataque com bolus de 30 mg IV. Iniciar após 15 minutos, 1 mg/kg, SC, de 12/12h, até a alta
hospitalar (máximo de 8 dias). Não ultrapassar 100 mg para as duas primeiras doses.
¾ Pacientes ≥ 75 anos: sem dose de ataque em bolus! Iniciar 0,75 mg/kg, SC, de 12/12h (máximo de 75 mg para as duas
primeiras doses).
¾ Clearance < 30 ml/min: não fazer bolus! Dose de 1 mg/kg, 1x ao dia.
4.3.3 FONDAPARINUX
Atua como inibidor indireto e seletivo do fator X ativado (Xa). Sua principal indicação é nos pacientes submetidos à fibrinólise com
estreptoquinase.
Está contraindicado nos pacientes que serão submetidos à angioplastia primária - aumenta a incidência de trombose de cateter!
4 .4 NITRATOS
4 .5 BETABLOQUEADORES
Agem nos receptores beta-adrenérgicos diminuindo a frequência cardíaca (FC), pressão arterial e a contratilidade miocárdica. Dessa
forma, promovem redução de consumo de oxigênio pelo miocárdio.
Indicação: pacientes com IAMCSST devem receber nas primeiras 24 horas betabloqueadores orais, exceto quando houver
contraindicações.
Contraindicações: intervalo PR > 0,24 s, bloqueio atrioventricular (BAV) de segundo ou terceiro grau sem marca-passo implantado,
hipotensão arterial persistente (PAS < 100 mmHg), FC < 50 bpm, congestão pulmonar evidente na presença de descompensação cardíaca,
broncoespasmo ativo (asma e DPOC), doença arterial periférica com isquemia crítica dos membros inferiores.
Agem de forma semelhante aos betabloqueadores, diminuindo o consumo de oxigênio através da redução da contratilidade e da
frequência cardíaca, além do aumento da oferta de oxigênio ao miocárdio devido à vasodilatação coronária.
Indicação: se sintomas isquêmicos refratários ou intolerância ao uso dos betabloqueadores e nitratos. Os mais utilizados são o diltiazem
e o verapamil.
Contraindicações: as mesmas dos betabloqueadores!
Informações importantes!
Os inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA), os bloqueadores dos receptores da angiotensina
II (BRA), os antagonistas da aldosterona e as estatinas são excelentes medicações, que promovem redução da
mortalidade. Devem ser prescritos para todos os pacientes que não apresentam contraindicações.
No entanto, não há necessidade de serem iniciados de forma precoce. Podem ser prescritos durante a
internação, após 12 a 24 horas da admissão.
CAPÍTULO
CAPÍTULO
A disfunção do ventrículo direito (VD) é comum (cerca de 40%) após IAM de parede inferior ou inferodorsal. Devemos suspeitar de IAM
do VD sempre quando o paciente apresentar a tríade clássica.
A artéria coronária direita (CD) quase sempre é a responsável pelo suprimento sanguíneo do VD. Portanto, em
todo paciente com IAM inferior, deve ser traçado as derivações eletrocardiográficas direitas (V3R e V4R) para
pesquisar o acometimento do VD.
O supra do segmento ST na derivação precordial direita V4R é o achado eletrocardiográfico de maior valor preditivo positivo para o
diagnóstico de infarto de VD.
Figura 3. Eletrocardiograma de IAM com supra de ST de VD. Perceba o supradesnivelamento do segmento ST nas paredes inferiores (DII, DIII e aVF) associado à supra de
V3R e V4R. Fonte: Shutterstock.
Tratamento do infarto do VD
(nitroglicerina) - BIA
- Marca-passo (BAV
avançado)
CAPÍTULO
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