ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES
CONTÁBEIS
ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES
CONTÁBEIS
Autoria: Aislan da Silva Nunes – Revisão técnica: Fábio Yojiro Wakamatsu
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Introdução
Nesta unidade iremos estudar sobre as legislações, aplicação e exceções com relação às demonstrações
contábeis, abordaremos a Resolução CFC nº 1.121/2008 e adaptações que apresentam a estrutura conceitual das
demonstrações contábeis. Você já parou para pensar o porquê de as demonstrações contábeis possuírem tais
estruturas? Será que essas estruturas são padronizadas, e se são padronizadas, por que existem tais
padronizações? É evidente que o conhecimento sobre as estruturas conceituais pode trazer ao profissional
contábil maior desenvolvimento e abrangência de sua prática, principalmente na ocorrência de eventos que não
são esperados. Em geral, é provável que os profissionais bem capacitados e conhecedores de teorias e conceitos
referentes às suas práticas sejam bem desenvolvidos e tenham sucesso. Nesse sentido, são profissionais que
conseguem interpretar, mensurar e classificar os eventos contábeis e ainda relacioná-los com os dados
apresentados nas demonstrações contábeis. Pensando mais além, conhecem melhor a estrutura conceitual e a
relacionam com a prática, possibilitando que as informações contabilizadas sejam feitas com mais exatidão. São
capazes, portanto, de fornecer informações fidedignas e confiáveis, além de expressar numericamente a situação
patrimonial real da entidade, oferecendo assim maior confiabilidade nas informações apresentadas nas
demonstrações contábeis. Estudaremos, inicialmente, mais especificamente o Balanço Patrimonial (BP) e a
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Bons estudos!
1.1 Legislação, aplicações, exceções e finalidade das
demonstrações contábeis
Abordaremos como documento norteador o Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis
(CPC) 00 (R2) (2010), que propõe uma estrutura conceitual para a preparação e divulgação de relatórios
contábeis. O objetivo do relatório e sua divulgação é indicar o pilar principal da estrutura conceitual dos
demonstrativos contábeis. Produziremos naturalmente conceitos secundários, como compreensão da entidade,
características qualitativas e quantitativas, elementos das demonstrações financeiras e outros conceitos.
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Você quer ver?
Você sabe como atua o profissional da contabilidade? Consultoria para regularização de empresas, formalidades,
além de um correto posicionamento com relação aos registros contábeis são características fundamentais para o
contador. Assista a uma entrevista com o especialista Fernando Júnior.
Acesse
Cabe uma observação com relação ao CPC 00, já que tal pronunciamento foi revogado pela Resolução do
Conselho Federal de Contabilidade (CFC) nº 1.374/2011, revogação esta que passou a ser conhecida pelo termo
NBC TG Estrutural Conceitual (CFC, 2011). Veremos adiante que, mesmo revogado, questões quanto a objetivo,
finalidade, elaboração e divulgação dos relatórios contábeis foram mantidas. Dessa forma, a principal
necessidade é de padronização das informações contábeis, com intuito de direcioná-las aos diversos usuários da
contabilidade.
No quadro a seguir, apresentaremos os principais objetivos das demonstrações contábeis apresentadas entre o
texto do CPC 00 e a NBC TG, conforme Santos (2016, p. 13).
Quadro 1 - Objetivos das demonstrações contábeis.
Fonte: SANTOS, 2016, p. 13.
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Fonte: SANTOS, 2016, p. 13.
#PraCegoVer: o quadro apresenta um comparativo entre a Resolução CFC nº 1.121/2008 e o CPC 00 (R2).
Resolução CFC nº 1.121/2008: a) Dar suporte ao desenvolvimento de novas normas e à revisão das existentes,
quando necessário. b) Dar suporte aos responsáveis pela elaboração das demonstrações contábeis na aplicação
das normas e no tratamento de assuntos que ainda não tiverem sido objeto de normas. c) Auxiliar os auditores
independentes a formar sua opinião sobre a conformidade das demonstrações contábeis com as normas. d)
Apoiar os usuários das demonstrações contábeis na interpretação de informações nelas contidas, preparadas em
conformidade com as normas. e) Proporcionar aos interessados informações sobre o enfoque adotado na
formulação das normas. CPC 00 (R2): a) Dar suporte ao desenvolvimento de novos pronunciamentos técnicos,
interpretações e orientações e à revisão dos já existentes, quando necessário. b) Dar suporte à promoção da
harmonização das regulações, das normas contábeis e dos procedimentos relacionados à apresentação das
demonstrações contábeis, provendo uma base para a redução do número de tratamentos contábeis alternativos
permitidos por pronunciamentos, interpretações e orientações. c) Dar suporte aos órgãos reguladores nacionais.
d) Auxiliar responsáveis pela elaboração das demonstrações contábeis na aplicação dos pronunciamentos
técnicos, das interpretações e no tratamento de assuntos que ainda não tenham sido objeto desses documentos.
e) Auxiliar os auditores independentes a formar sua opinião sobre a conformidade das demonstrações contábeis
com pronunciamentos técnicos, interpretações e orientações. f) Auxiliar os usuários das demonstrações
contábeis na interpretação de informações nelas contidas, elaboradas em conformidade com pronunciamentos
técnicos, interpretações e orientações. g) Proporcionar aos interessados informações sobre o enfoque adotado
na formulação dos pronunciamentos técnicos, das interpretações e das orientações.
De acordo com a NBC TG, além do desempenho e das mudanças nas demonstrações financeiras da empresa, tais
relatórios ainda são elaborados para fornecer informações relacionadas à situação patrimonial e econômica da
entidade, o que é muito útil para avaliar e tomar decisões econômicas para um grande número de usuários (CFC,
2011).
Bem, traremos duas outras definições de grupo que são essenciais para a prática contábil. Quais demonstrações
financeiras são necessárias para a divulgação das informações econômico-financeiras? Quem é o usuário dessa
informação?
Segundo o CPC 26 (2010), cujo título é Apresentação das Demonstrações Contábeis, as demonstrações
financeiras completas incluem:
a) Balanço Patrimonial (BP).
b1) Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).
b2) Demonstração do Resultado Abrangente (DRA).
c) Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL).
d) Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC).
e) Notas Explicativas (NE).
f) Para períodos anteriores, o BP deverá ser apresentado para fins comparativos nos casos em que a entidade
aplica uma política contábil de itens retroativos, ainda que sejam casos de reclassificação de itens das
demonstrações contábeis.
g) Demonstração do Valor Adicionado (DVA) (MATARAZZO, 2010).
h) Demonstrativo de Lucro ou Prejuízo Acumulado (DLPA) (CPC, 2010).
Assim, verifica-se que as demonstrações contábeis devem atender aos usuários das informações, visando
apresentar as demonstrações contábeis, respeitando as estruturas conceituais e observando os princípios
orientadores das práticas contábeis. Desse modo, é possível fornecer subsídios necessários para fundamentar as
tomadas de decisões, com a comparação entre a demonstração contábil da entidade e a demonstração contábil
de terceiros.
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Caso
Você sabe a partir de quando se passou a dar importância à padronização com relação aos registros contábeis e
às estruturas contábeis? Já ouviu falar da quebra da bolsa de valores em 1929? Antes da quebra da bolsa de
valores, não havia uma padronização clara para os registros contábeis. Dessa forma, cada empresa registrava
suas ações conforme fosse conveniente, e, assim, os dados eram facilmente manipulados para se obter os
resultados desejados. Após essa crise financeira mundial, a padronização dos registros contábeis e a estrutura
dos relatórios contábeis foram necessárias para a evolução contábil.
Por esse motivo, a estrutura conceitual da Resolução CFC nº 1.121/2008 apresenta as premissas básicas das
demonstrações financeiras, características de qualidade e restrições à relevância e confiabilidade das
informações (CFC, 2008). A relevância da informação é afetada por sua natureza e importância. Em alguns casos,
a natureza das informações por si só não é suficiente para determinar sua relevância. Por exemplo, relatar que o
novo departamento da entidade iniciou as operações pode afetar a avaliação dos riscos e oportunidades
enfrentados pela entidade, independentemente de os resultados alcançados pelo novo departamento durante o
período coberto pelas demonstrações financeiras serem significativos. Em outros casos, a natureza e a
importância são relevantes. Por exemplo: o valor dos estoques existentes em cada grande categoria, de acordo
com a classificação adequada para o negócio (RIBEIRO, 2015).
Visando à importância das informações contábeis que refletem a situação financeira e econômica da entidade,
estas devem ser confiáveis a ponto de oferecer aos usuários da contabilidade informações sem distorções ou
omissões, visando não oferecer informações divergentes ou omissas à realidade empresarial.
A demonstração esperada leva em consideração o seguinte ponto de vista: os dados financeiros relacionados ao
passado da empresa contidos nas demonstrações financeiras continuarão existindo no próximo período, ou seja,
não sofrerão alteração. Para serem úteis, de acordo com a Resolução CFC nº 1.121/2008, as informações devem
ser confiáveis, ou seja, devem estar livres de erros ou preconceitos relacionados e representar adequadamente
suas intenções (CFC, 2008).
Ainda de acordo com a resolução, as informações podem ser relevantes, mas, em certa medida, a natureza ou a
divulgação das informações pode não ser confiável, de modo que sua confirmação pode distorcer as
demonstrações financeiras. Vamos citar, como exemplo, uma reclamatória judicial por danos morais. Essa ação
judicial está em trânsito ainda não sendo julgado, vejamos que pode ser, a princípio, inadequado reconhecer o
valor total da reclamatória no BP, porém é conveniente divulgar o valor e a circunstância da reclamatória.
Dessa forma, as informações contábeis serão confiáveis e representarão adequadamente os fatos contábeis e
administrativos que devem ser representados. Nesse sentido, o BP deve se apresentar como uma fotografia da
situação econômica e financeira de uma entidade em uma determinada data-base, representando todos os
eventos que compõem o ativo, passivo e patrimônio líquido da empresa (ROSS; WESTERFIELD; JORDAN, 2002).
Em geral, as informações que vêm da contabilidade podem não representar fielmente e fidedignamente todas as
situações com muita precisão. Veja que isso reflete as dificuldades que são inerentes à apuração dos valores das
transições com exatidão, pois foge ao controle dos profissionais contábeis.
As informações contábeis devem ser confiáveis; para isso, tais registros devem refletir nas demonstrações
contábeis e precisam ser neutros. Isso mostra que as tomadas de decisões podem ser fundamentadas nessa
informação. Se assim não for, ou seja, se as informações não forem neutras e não refletirem a realidade da
empresa, os usuários da contabilidade devem se basear na seleção de informações ou em julgamentos para
fundamentar as tomadas de decisões, o que não leva ao resultado pretendido.
Esse tipo de incerteza pode ser reconhecido divulgando sua natureza e extensão e agindo com cautela no
processo de preparação das demonstrações financeiras. A prudência consiste em tomar um certo grau de
medidas cautelares para fazer os julgamentos necessários para a estimativa sob certas condições incertas. Isto é,
deve-se verificar se os ativos ou as receitas não são superestimados, ou se os passivos ou as despesas não são
subestimados. No entanto, por considerações prudentes, por exemplo, não é permitido criar reservas ocultas ou
reservas excessivas, subestimar deliberadamente ativos ou receitas, superestimar deliberadamente passivos ou
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reservas excessivas, subestimar deliberadamente ativos ou receitas, superestimar deliberadamente passivos ou
despesas. Isso ocorre porque as demonstrações financeiras deixarão de ser neutras, assim não serão confiáveis
(ASSAF NETO, 2015).
1.1.1 Balanço Patrimonial
O BP é constituído por uma estrutura conceitual envolvendo a liquidez de cada grupo contábil. Dessa forma, sua
estrutura é padronizada visando facilitar a leitura e visualização das informações financeiras e econômicas,
proporcionando assim a análise mais apurada da situação patrimonial da empresa.
Essa demonstração contábil é fundamental nos relatórios contábeis, por apresentar informações de cunho
qualitativo e quantitativo com relação ao patrimônio da empresa em uma determinada data-base. Se fosse
possível retirar uma foto da vida financeira de uma empresa, esta foto seria o BP. Veja que uma foto é estática, ou
seja, apresenta traços do seu objeto em uma determinada data-base. Da mesma forma, o BP também é
considerado uma demonstração estática, por oferecer a seu usuário informações financeiras em uma
determinada data-base.
Outras características que podemos atribuir ao BP é que seus grupos de contas são sintéticos, pois as contas
contábeis são classificadas e agrupadas conforme suas naturezas e, após o agrupamento, são ordenadas em
grupos de contas padronizadas. Dessa forma, é possível aos usuários da contabilidade obter informações
econômicas e financeiras de diversas entidades e poder compará-las (IUDÍCIBUS, 2017).
A estrutura básica de um BP evidencia, de forma ampla, três grandes grupos: o ativo, passivo e o patrimônio
líquido. A denominação de “balanço” vem da ideia de balança, pois esses três grupos devem estar em harmonia e
equilíbrio. Vejamos que, na estrutura do BP, as informações que são apresentadas do lado esquerdo
correspondem ao grupo contábil do ativo, representados por seus bens e direitos. Por outro lado, no seu lado
direito, são apresentados os grupos contábeis do passivo, ou seja, as obrigações e os deveres, juntamente com o
patrimônio líquido, que é composto pelos valores dos sócios ou acionistas. Dessa forma, tanto o grupo do lado
direito quanto o do lado esquerdo devem resultar no mesmo valor, evidenciando assim o equilíbrio contábil.
Figura 1 - Balanço patrimonial.
Fonte: Elaborada pelo autor (2020).
#PraCegoVer: na figura, há uma balança, que representa o Balanço Patrimonial. De um lado, estão os ativos, de
outro os passivos e o patrimônio líquido, havendo um equilíbrio entre eles. Ou seja, o ativo tem o mesmo peso do
patrimônio líquido junto com o passivo, evidenciando o equilíbrio patrimonial.
Você deve estar se perguntando: como será possível as contas de ativo, passivo e patrimônio líquido estarem em
equilíbrio no BP? Pois bem, para responder a essa pergunta, vamos analisar um exemplo fictício?
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Caso
Vamos imaginar que três amigos, João, Paulo e Pedro, resolveram, ao longo de um jantar, comercializar um de
seus pratos favoritos, uma bela lasanha, por exemplo. Para tanto, esses amigos necessitam de um planejamento
para operacionalizar esse comércio, precisam analisar uma série de itens. A começar pelo investimento que cada
um deverá fazer, que poderá ser feito em dinheiro, mas pode ser também em matéria-prima ou em mão de obra
para a preparação da lasanha. Além disso, precisam incluir no planejamento a compra de materiais para embalar
o produto, as formas de pagamento aos fornecedores, as formas de vendas, entre outros.
A partir do exemplo, podemos elencar uma série de informações e fatos contábeis que dizem respeito à vida
econômica e financeira desse empreendimento. Vamos inicialmente separar os fatos, classificando os
lançamentos entre contas do ativo e do passivo. Assim, entenderemos o equilíbrio patrimonial. Mas,
primeiramente, vamos entender quais são as características das contas que estão classificadas nesses grupos.
Figura 2 - A busca pelo equilíbrio.
Fonte: iStock (2020).
#PraCegoVer: a figura apresenta a sombra de uma balança, com uma base, uma haste em forma de cruz, a cada
extremo das hastes horizontais estão pendurados por correntes dois pratos equilibrados, simbolizando o
equilíbrio patrimonial, a balança e o equilíbrio que deram origem ao nome Balanço Patrimonial.
O ativo é caracterizado por bens e direitos que uma empresa possui. Mas, por ser uma classificação muito
abrangente para ser demonstrada no BP, grupos de naturezas similares devem ser agrupados. Vejamos: o ativo
poderá ser dividido entre as contas monetárias, ou seja, a conta que representa o dinheiro em caixa, os saldos
bancários, os saldos em aplicações financeiras, entre outras. Podemos ainda classificar as contas operacionais,
que são duplicatas a receber, cheques a compensar, títulos a receber, entre outros. Além disso, há a categoria dos
valores que são permanentes na empresa, como móveis, telefones, equipamentos etc. O quadro a seguir
apresenta um resumo do agrupamento das contas do ativo (FERRARI, 2011).
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Quadro 2 - Grupos e características das contas do ativo.
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
#PraCegoVer: o quadro apresenta um agrupamento das contas do ativo: monetária: conta caixa, bancos e
aplicações; operacional: contas a receber, títulos a receber e cheques a compensar; permanente: móveis e
utensílios, imóveis, terrenos.
Assim como o ativo tem particularidades, divisões e agrupamentos próprios, o passivo também é caracterizado
por contas agrupadas mediante suas classificações de natureza: monetária, como empréstimos e financiamentos,
desconto de duplicatas, impostos, entre outros; operacional, como salários a pagar, fornecedores, impostos,
entre outros. O quadro a seguir apresenta um resumo das características do agrupamento das contas do passivo.
Quadro 3 - Grupos e características das contas do passivo.
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
#PraCegoVer: o quadro apresenta um agrupamento das contas do passivo: monetária: empréstimos e
financiamentos, desconto de duplicatas, impostos; operacional: salários a pagar, fornecedores, impostos.
Vale ressaltar que as contas de ativo e passivo são classificadas ainda em circulante e não circulante. As contas
contábeis que estão dentro do ativo circulante são contas que possuem vencimento até o término do exercício
subsequente. Ou seja, se as demonstrações são finalizadas em dezembro, as contas que estão no ativo circulante
devem vencer até dezembro do próximo mês. Para as demonstrações que são fechadas periodicamente, o
período que deve ser compreendido corresponde a 12 meses. Essa mesma regra aplica-se ao passivo, que é
dividido entre passivo circulante e não circulante.
Existe ainda um terceiro grupo contábil, denominado patrimônio líquido, que compreende os valores destinados
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Existe ainda um terceiro grupo contábil, denominado patrimônio líquido, que compreende os valores destinados
aos sócios e acionistas. Vejamos que a somatória do passivo com o patrimônio líquido deverá necessariamente
ser equivalente ao total do ativo, devido ao sistema de método das partidas dobradas que regem os lançamentos
contábeis.
Figura 3 - Patrimônio líquido.
Fonte: iStock (2020).
#PraCegoVer: a imagem apresenta uma mão voltada para cima segurando moedas, representando o patrimônio
líquido, que é a parte da riqueza da entidade destinada aos sócios.
O grupo contábil denominado de patrimônio líquido é composto pelo valor residual existente entre a diferença
do grupo do ativo e do grupo do passivo. Veja que é por meio desse valor que se obtém a equação matemática
que representa o equilíbrio contábil. Podemos evidenciar essa expressão matematicamente conforme
apresentado na Figura 4.
Figura 4 - Expressão matemática sobre o equilíbrio patrimonial.
Fonte: Elaborada pelo autor (2020).
#PraCegoVer: a figura apresenta uma operação matemática, em que o patrimônio líquido é igual à subtração
entre o ativo e o passivo: patrimônio líquido = ativo – passivo.
Nesse momento, já conhecemos as classificações com relação ao ativo, passivo e patrimônio líquido. Com isso, já
temos condições de visualizar com mais clareza a estrutura do BP. Vejamos no quadro a seguir.
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Quadro 4 - Balanço Patrimonial.
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
#PraCegoVer: o quadro demonstra o BP, dividido em ativo (à esquerda) e passivo (à direita). Dentro do ativo
estão o ativo circulante, composto por caixa e bancos, aplicações financeiras, clientes e estoques de mercadorias
(esta categoria com valor de -R$ 6.160,00), e o ativo não circulante, composto por realizável a longo prazo,
investimentos, imobilizado e intangível. Já o passivo é integrado pelo passivo circulante – do qual fazem parte
fornecedores, salários a pagar, encargos sociais a pagar, tributos sobre mercadorias, tributos sobre lucro,
empréstimos e financiamentos, juros a transcorrer –, pelo passivo não circulante –integrado por exigível a longo
prazo, empréstimos e financiamentos e juros a transcorrer – e pelo patrimônio líquido – composto por capital
social, reserva de capital, reserva de lucros, reserva legal, reserva para investimentos e lucros ou prejuízos
acumulados (esta categoria com valor de -R$ 6.160,00). Com isso, o total do ativo e o total do passivo possuem o
mesmo valor: -R$ 6.160,00.
Observe as divisões feitas no BP estudadas até o momento. Perceba que as distribuições dos grupos de contas
obedecem a certa ordem de liquidez, ou seja, os grupos de contas com maior facilidade de serem convertidas em
dinheiro vêm primeiro, iniciando com as disponibilidades. As disponibilidades são provenientes dos saldos
bancários e valores em espécie que estão no caixa da empresa e representam o grupo com maior grau de
liquidez. São seguidas das contas operacionais, de investimentos, imobilizado e intangível. Por outro lado, o
passivo é evidenciado pelas despesas operacionais e após as monetárias, sendo ambos os grupos divididos pelos
seus prazos de liquidez entre circulante e não circulante.
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seus prazos de liquidez entre circulante e não circulante.
Você quer ler?
Você poderá se aprofundar mais nesse conteúdo com o livro Contabilidade Intermediária, de Adriano Gomes,
que inclui informações sobre demonstrações financeiras, balanços, demonstrações do resultado do exercício e
dos fluxos de caixa.
Acesse
Na próxima seção, estudaremos a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Mas, antes de iniciar esses
estudos, resumiremos alguns dos pontos mais importantes desta seção. Vimos que o BP estabelece um equilíbrio
contábil entre ativos, passivos e patrimônio líquido, e fornece suas informações de forma estática, abrangente e
organizada. No lado esquerdo, onde estão localizados os ativos, suas naturezas são grupos de contas monetárias,
operacionais e permanentes, e no lado direito, onde estão localizados os passivos, estes são organizados por
grupos monetários e operacionais, seguidos do patrimônio líquido, que é o valor residual entre ativo e passivo,
oferecendo o equilíbrio entre os três grandes grupos.
1.1.2 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)
A DRE, ao contrário do BP, é uma demonstração dinâmica, pois, em geral, sua estrutura traz ao menos duas datas-
bases, com objetivo de fazer a comparação entre seus resultados, o que evidencia sua dinamicidade. Os valores
que são apresentados nessa demonstração contábil são advindos das contas de resultados, ou seja, são
provenientes dos registros nas contas de receitas e despesas (MARION, 2012).
Você sabia?
O termo Balanço Patrimonial teve sua origem em uma balança, é nessa demonstração
contábil que é apresentada a equidade patrimonial, ou seja, o equilíbrio patrimonial.
Dessa forma, o valor total do ativo é igual ao valor total do passivo, juntamente com o
patrimônio líquido da entidade.
Você já pode ter visto ou ficou sabendo algum dia de uma empresa que tem muito dinheiro, mas parece que não
progride financeiramente. Em outros casos, parece que a empresa vive progredindo, mas nunca tem dinheiro em
caixa. Situações como essas são mais corriqueiras do que você imagina. E, acredite: a resposta para essa situação
pode estar localizada na DRE. Isso porque essa demonstração preocupa-se mais em evidenciar os aspectos
econômicos de uma empresa do que os aspectos financeiros.
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Figura 5 - Obtendo resultados.
Fonte: iStock (2020).
#PraCegoVer: a imagem apresenta uma pessoa com uma folha na mão, aparentemente um relatório utilizando-
se de representações gráficas, e à frente um monitor de computador, também apresentando vários gráficos. A
pessoa está analisando os resultados apresentados nas demonstrações contábeis.
Parece confuso? Pois bem, tentarei explicar melhor. As variações apresentadas na DRE que são oriundas das
contas de receita ou despesa, portanto, refletem a variação do patrimônio líquido da empresa, como mostra
Gomes:
É uma demonstração dos aumentos e redução causados no Patrimônio Líquido pelas operações da
empresa. As receitas representam normalmente aumento no ativo, através do ingresso de novos
elementos como duplicatas a receber ou dinheiro proveniente das transações. (GOMES, 2010, p. 138).
O autor cita que podem ser ingressos de dinheiro proveniente de transações financeiras, e, nesse caso, houve
uma variação monetária alterando o patrimônio líquido da empresa, mas também pode ser por ingresso de
duplicatas a receber. Vamos imaginar uma empresa que tem por principal atividade a comercialização de
vestuários. Ao fazer uma venda direta, o vendedor poderá oferecer como forma de pagamento o crediário da loja,
oferecendo uma carência no pagamento desta venda de 30, 60, 90 ou até mesmo 120 dias para pagar
(MATARAZZO, 2010).
Essas vendas devem ser registradas no seu valor total na conta de resultado, tendo a contrapartida delas
distribuídas nas contas de caixas e duplicatas a receber. Veja que essa venda pode gerar uma variação no caixa,
em valores monetários, se houver o recebimento de uma entrada. No entanto, pode não haver nenhuma entrada,
deixando o pagamento de acordo com o prazo combinado. Nesse caso, independentemente da variação cambial,
será registrada a DRE, o que demonstra que, conforme mencionado anteriormente, o relatório não tem a ver com
a vida financeira, mas sim com a vida econômica da empresa.
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Figura 6 - Relatórios financeiros.
Fonte: iStock (2020).
#PraCegoVer: a imagem apresenta uma pessoa vestida de terno e gravata, aparentemente um executivo de
sucesso, em cujas mãos há uma lupa e uma folha, aparentemente um relatório, denotando uma análise minuciosa.
Em muitos casos, a análise dos valores listados na DRE referente ao corrente ano mostrou que a empresa pode
ter dinheiro em mãos, mas suas operações não trouxeram lucros para a entidade, ou a empresa pode gerar uma
grande quantidade de lucro, mas fundos não monetários podem ser investidos para investimento financeiro ou
aquisição de ativos fixos.
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Você o conhece?
O professor José Carlos Marion atualmente, em 2020, é doutor e livre-docente em Contabilidade pela Faculdade
de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP). É professor e
pesquisador do Mestrado em Contabilidade e possui várias produções científicas relacionadas à contabilidade.
Em relação à estrutura desse relatório, ela se expressa de forma dedutiva (vertical), ou seja, as despesas são
subtraídas da receita, e o resultado (lucro e prejuízo) é apresentado (FERRARI, 2011). Vale ressaltar que, como a
empresa está apurando os resultados, o nível de detalhamento previsto na demonstração do resultado desse
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empresa está apurando os resultados, o nível de detalhamento previsto na demonstração do resultado desse
exercício pode ser aprofundado ou omitido, mas a estrutura básica deve ser mantida em todos os casos. Essa
estrutura pode ser vista no quadro a seguir.
Quadro 5 - Demonstração do Resultado do Exercício.
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
#PraCegoVer: o quadro detalha a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Na primeira coluna, à
esquerda, temos alguns agrupamentos, começando pela receita operacional bruta, do qual fazem parte (-)
impostos sobre a venda, (-) devoluções ou abatimentos de vendas e (-) outras devoluções. Na receita operacional
líquida, entram (-) custos sobre a venda e (-) outras despesas. No lucro operacional bruto, estão (-) despesas
operacionais, (-) despesas administrativas, (-) despesas gerais e (-) outras despesas. No resultado operacional
antes do resultado financeiro, há (-) despesas financeiras e (+) receitas financeiras. No resultado operacional
antes do IRPJ e CSLL, há (-) impostos e contribuições e (-) participações nos lucros. Por fim, a última linha
apresenta o lucro do exercício. As duas outras colunas, mais à direita, são nomeadas como ano 1 e ano 2 e suas
células estão em branco.
Como você pode ver, a DRE em curso começa com a receita operacional total, ou seja, representa todas as formas
de receita de suas operações, vendas de produtos, mercadorias ou serviços. Logo em seguida, são subtraídos
impostos, devoluções ou outro tipo de abatimento sobre as receitas, chegando, portanto, às receitas operacionais
líquidas.
Percebam que, até esse momento, não houve a denominação de “resultado”, pois esses abatimentos não refletem
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Percebam que, até esse momento, não houve a denominação de “resultado”, pois esses abatimentos não refletem
nenhum tipo de resultado sobre as operações que a empresa está desenvolvendo. Ao contrário, são
consequência dos próprios atos de venda, uma vez que, ao vender um produto, uma mercadoria ou um serviço,
os impostos são devidos imediatamente, assim como as devoluções sobre essas vendas.
Vamos Praticar!
Uma empresa que deseja iniciar suas atividades deverá fazer seu primeiro fato contábil,
integralizando uma certa quantia em dinheiro. Tal quantia é chamada de capital inicial,
necessária para cobrir os custos de operacionalização inicial da empresa. Vamos
imaginar que essa empresa já constituída de todas suas formalidades integralizou R$
50.000,00 em capital e resolveu fazer um empréstimo de R$ 10.000,00 em um banco A.
Ao longo de 12 meses, a empresa irá pagar as prestações de R$ 1.100,00 mensais.
Nessas condições, faça a contabilização dos valores em razonetes e depois transporte
os saldos para um Balanço Patrimonial.
No entanto, no caso de receita operacional líquida, de acordo com o escopo de negócios da empresa, o custo dos
produtos vendidos (CMV) ou o custo dos serviços prestados (CSP) foi reduzido. Observe que esses custos não
têm nada a ver com vendas e só podem ser usados após descontos. Obtém-se o primeiro “resultado” apresentado
na demonstração do resultado deste ano, ou seja, “resultados operacionais totais”.
É a partir do resultado operacional bruto que são retiradas todas as despesas que a empresa possui para
evidenciar o resultado operacional líquido. Veja como é importante analisar esses dois temas, pois o resultado
operacional total nada mais é do que a diferença entre o total de vendas líquidas após a retirada de todos os
custos da empresa. Nesse caso, os custos são proporcionais às receitas, uma vez que os custos estão relacionados
diretamente com a produção. Ou seja, quanto mais se produz, maiores são os custos, ao contrário das despesas,
que não têm relação com a produção.
Agora é com você!
Esta atividade não é pontuada.
Conclusão
Chegamos ao final desta unidade sobre as estruturas conceituais das demonstrações contábeis, voltadas ao
Balanço Patrimonial e à Demonstração do Resultado do Exercício. A importância de conhecer conceitualmente as
estruturas das demonstrações contábeis vai além da padronização dos grupos de contas e da apuração de
valores, está relacionada com a possibilidade de comparação dos resultados apresentados da entidade com
outras entidades, de utilização por vários usuários das informações contábeis, entre outras.
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
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Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• Conhecer a legislação contábil voltada para apresentação das estruturações conceituais das
demonstrações contábeis, CPC 00 e NBC TG, além de conhecer sobre as finalidades de tais demonstrações.
• Conhecer a estrutura conceitual, quantitativa e qualitativa do BP, além de aprender que este é uma
demonstração estática que apresenta a situação atual da entidade.
• Conhecer a estrutura conceitual, quantitativa e qualitativa da DRE, evidenciando-a como uma
demonstração estática que apresenta os vários resultados de uma empresa.
Referências
ASSAF NETO, A. Estrutura e análise de balanço: um enfoque econômico-financeiro. 11. ed. São Paulo: Atlas,
2015.
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