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Gestão de Pessoas em Empresas em Crescimento

O documento discute a gestão de pessoas em empresas de alto crescimento, destacando a importância da cultura organizacional e da comunicação eficaz. Sérgio Povoa e Daniel Castello compartilham experiências sobre como lidar com desafios na gestão de equipes, desde a seleção de talentos até a manutenção de valores culturais. A ênfase está em adaptar práticas de gestão à medida que a empresa cresce, garantindo que a comunicação e a cultura permaneçam alinhadas com os objetivos da organização.

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Gestão de Pessoas em Empresas em Crescimento

O documento discute a gestão de pessoas em empresas de alto crescimento, destacando a importância da cultura organizacional e da comunicação eficaz. Sérgio Povoa e Daniel Castello compartilham experiências sobre como lidar com desafios na gestão de equipes, desde a seleção de talentos até a manutenção de valores culturais. A ênfase está em adaptar práticas de gestão à medida que a empresa cresce, garantindo que a comunicação e a cultura permaneçam alinhadas com os objetivos da organização.

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Texto 3 = Quando o time não cabe mais em uma sala: gestão de pessoas para

empresas de alto crescimento


 Gestão de Pessoas
 Artigos

Laís Grilletti
Time de Conteúdo da Endeavor Brasil

Sergio Povoa, diretor de RH da Netshoes, e Daniel Castello, mentor Endeavor, participaram da


última mentoria coletiva do programa Radar Santander. Confira as ideias que eles compartilharam
sobre gestão de pessoas.
“No financeiro, chega o fim do mês e você fecha o balanço, bate orçamento, confere os números. No
comercial, tem meta de vendas para bater. Já em TI, sua vida é regida por projetos. Mas, com pessoas,
meu amigo, não tem jeito: pessoas são um campo aberto. Não vem com manual.”
Foi assim que começou a primeira mentoria coletiva do programa Radar Santander, uma parceria do
Banco Santander com a Endeavor para apoiar negócios inovadores a maximizar seu potencial de
crescimento e de impacto, tornado-se scale-ups (companhias de crescimento contínuo).
Os empreendedores já tinham bloqueado a agenda: uma manhã inteira para falar sobre gestão de
pessoas. Na roda de conversa, Sergio Povoa, diretor de RH da Netshoes, e Daniel Castello, mentor
Endeavor, compartilhando cada qual sua experiência para ajudar nos principais desafios que surgiam na
conversa. Uma verdadeira troca entre amigos.
Afinal, não há nada mais valioso em uma empresa do que as pessoas. Mas também não há nada
mais difícil. Sem elas, sua empresa não cresce, escala. À medida que o negócio se desenvolve, sua
prioridade passa a ser cultura organizacional, engajamento, remuneração e comunicação, todos esses
assuntos novos para o empreendedor que sempre viveu lado a lado com a operação.
Veja quais foram as perguntas que mais geraram discussão na mentoria e também qual a visão dos
mentores para solucionar esses desafios.

Quando existe uma preocupação genuína com as pessoas, mas nem todos os funcionários
conseguem visualizar isso, como eu descubro se estou passando a mensagem certa?
Sérgio Povoa - “Quando comecei a fazer o trabalho de cultura na Netshoes, identificando os valores
latentes da companhia, e deixando isso claro para todo mundo, fizemos questão de incluir essa
preocupação com as pessoas como um dos valores. Fizemos uma apresentação da cultura para todo
mundo, em grupos de 100 em 100 pessoas, mostrando vídeos desde a inauguração da loja física. Isso
para mostrar que não estávamos inventando algo do zero, mas sim que já existia uma cultura ali presente
de olho do dono, nós só demos um nome para ela.
Mas você precisa ficar atento para a formação dos líderes: eles destroem o ambiente se não forem
bem formados. O exemplo começa lá de cima, da alta direção: “Você não olha no olho dos funcionários e
diz que se preocupa com as pessoas?’ Se você não tem essa sensibilidade coloque como braço direito
alguém que tenha. Tudo bem se você não consegue ter esse cuidado, mas junte-se com alguém que
pode te ajudar nisso, não negligencie de maneira nenhuma.

Como você identifica os valores do seu negócio e manifesta isso para as pessoas que trabalham
com você?
Sergio Povoa – Nesse projeto de cultura, me reuni com as pessoas de diferentes níveis
hierárquicos, áreas e tempo de empresa e elas foram contando histórias. Nessas histórias, eu perguntava
o que ia aparecendo de padrão. Que a gente é rápido? Que eu tenho autonomia para tomar uma
decisão? Os valores iam aparecendo naturalmente. De lá, saíram 10 valores, mas como parecia muito,
sintetizamos em 8.
O importante é que os valores sejam verdadeiros para quem faz parte da cultura.
Cada valor virou uma hashtag. Por exemplo, se a reunião está longa, alguém vira e fala:
#RapidoComoUmClick. Se a ideia parece maluca e uma outra pessoa quer censurar, nós soltamos o
#AquiEuPosso. Tem também o #FoconoResultado e o #DonodoNegócio que são formas mais rápidas de
espalhar entre 2.400 o que pensamos e acreditamos em comum.
A manutenção desses valores acontece quando você presta atenção nas pequenas coisas.
Tem muita coisa implícita. Você quer falar que é simples e informal, mas a diretoria vai de terno e
gravata? Se você é informal, você está relaxado. É por isso que nós aceitamos bermuda e roupas
casuais.
Quando fizemos o IPO em abril desse ano e tivemos que ir para Nova York, ficamos na dúvida:
vamos de terno ou tênis? Se formos de tênis, vão falar que a empresa não é séria. Mas não podemos
passar a mensagem para os nossos funcionários de que a organização mudou só porque abriu capital.
Nessa época, fizemos transmissões ao vivo com telões instalados no estacionamento de todas as
unidades de negócio. Nós falávamos que estávamos em Nova York os representando, mas que todo
mundo estava junto e merecia comemorar essa conquista.
Tem que ser “walk the talk”, ou seja, cumprir aquilo que se diz. Cheguei uma vez a uma empresa em
que o empreendedor dizia ser inovador. Quando perguntei quando aconteceu a última inovação, ele falou:
1984. A gente estava em 2010. A organização inteira estava rindo dele e só ele não percebeu.
Não tenha vergonha se o DNA da sua empresa não é o que está na moda. Se for um ambiente de
pressão, de entrega de resultados, tudo bem. O seu funcionário vai saber o que esperar e a decisão é
dele de entrar ou não na organização.

No início, a seleção de pessoas é feita por indicação, não tem ainda uma estratégia de
contratação. Mas aí a startup aloca parte da energia dela lidando com gestão de gente porque
selecionou errado lá atrás. Será que vale a pena ter um processo seletivo bem estruturado desde o
início?
Sergio Povoa – A startup é como uma caixinha. Às vezes, a gente quer pegar a caixona do
mercado, de políticas, cultura e regras e tentar encaixar nela. Não tem necessidade. Não precisa fazer
avaliação de desempenho a cada seis meses se a empresa acabou de nascer. Imagina você gastar um
tempão criando esse processo e daqui seis meses acabou o caixa e a empresa fechou? Tem que
começar com o mínimo para que, quando a empresa chegar a 120 pessoas, você não olhe para os lados
e perceba que tem que contratar tudo de novo.
A reflexão é: o que é o mínimo que eu não posso negligenciar para começar a construir uma cultura
positiva? Comece refletindo qual é o DNA da empresa. Não existe ainda uma cultura desenhada, mas
você já sabe o que tolera ou não. Isso já é cultura. “O primeiro erro eu tolero, o segundo já não tolero” ou
“Não quero gente pelo dinheiro, quero pelo propósito.”
Quando você tem 20 pessoas, pode juntar todo mundo em uma sala e falar: “Nosso propósito é
esse, queremos chegar ali… “
Se você faz uma entrevista sem saber o que buscar, o cara o impressiona com o que ele traz do
mercado. Não se deixe cair no canto da sereia. Na contratação, não olhe para as pessoas pela cápsula,
aquele conjunto de habilidades que está escrito no currículo. Veja se ele é um cara que fala de pessoas.
Se costuma admitir os próprios erros. E se nas histórias que ele conta estão implícitos os valores que
você acredita serem fundamentais.
Para atrair as pessoas, você pode vender o risco sim, mas também o propósito. Quando me ligaram
da Netshoes pela primeira vez, eu entendia tão pouco da companhia que falei que não queria trabalhar
com sapatos. Mas, quando sentei para conversar, o Marcio Kumruian, fundador da companhia, me
mostrou qual é a cultura de lá e me convenceu a aceitar o desafio. É por isso que você precisa ter um
discurso de elevador de cinco minutos na ponta da língua: o que a sua empresa será em 5 anos? Porque
tem gente interessada em investir nela? Tem que vender a perspectiva de crescimento dele com você.

Quando chega um líder de fora da empresa, como fazer para que uma pessoa de dentro não se
sinta desvalorizada?
Sergio Povoa – Quando temos uma vaga, as pessoas sabem. Chegam à minha mesa e falam que
querem concorrer a ela. Em alguns casos, elas são incluídas no processo seletivo. Em outros, eu
explico por que elas não estão preparadas. O processo é transparente, a pessoa pode até não concordar,
mas sabe exatamente o porquê não está concorrendo para a vaga.
Por outro lado, quem chega, chega assustado. No primeiro mês, ele quer saber onde é a mesa dele,
onde ele come e quem são os amigos dele. Ele tem que se sentir bem recebido. A gente acha que quem
vem do mercado está super preparado, mas essa pessoa precisa de um dia de integração.
Na Netshoes, antes de começar, ele entra em uma plataforma virtual, começa a colocar vídeos,
participa dos fóruns e interage com quem está na empresa. Assim eles chegam com menos medo e são
acolhidos pelos outros que têm mais tempo de casa.
A comunicação interna me preocupa muito. Nós começamos a colocar televisão corporativa,
comunicado por e-mail, mas não sinto que atinge as pessoas porque é bastante passivo. Como
posso melhorar a comunicação do que mais importa para o time?
Sergio Povoa – Se a empresa não tem mais 20 pessoas que você reúne em uma sala e fala de
uma vez, precisa criar outras formas de comunicação. O problema é que, com o crescimento, aumentam
as camadas de comunicação entre o empreendedor e as pessoas da operação. Normalmente, é aí que
aparece a figura do líder que começa a atrapalhar. Você fala uma coisa, ele diz que entendeu, mas
quando traduz para baixo, traduz do jeito dele. Na Netshoes, nós tentamos diminuir ao máximo essas
camadas de comunicação para a mensagem chegar inteira. Para isso, usamos nossa Rede Social
interna, o que nos dá mais agilidade na comunicação sem filtros. Se o Marcio [Kumruian] quer falar,
gravamos direto com ele para não chegar na ponta com uma mensagem inversa do que pretendíamos.
Além disso, é preciso segmentar a comunicação. Existem diversas maneiras de comunicar o mesmo
conteúdo para os diferentes públicos, detalhando o necessário sobre o que pode afetá-los no dia a dia.
Quando fizemos o IPO, por exemplo, o Marcio tinha a preocupação de que a empresa estava mais fria
depois de abrir capital. Mas, para o cara de logística. muitas vezes, no dia seguinte, nada mudou na rotina
dele. A companhia inteira entendeu que o momento era diferente de crescimento, que ia trazer
governança e novos processos. Mas a alta direção foi quem mais sentiu porque era a mais impactada
pelas mudanças.

Minha empresa cresceu e eu sinto que cada unidade de negócio tem uma cultura diferente. Como
manter uma cultura única que seja transversal a todas elas?
Daniel Castello – Não precisa ter uma cultura única. precisa ter os valores que fizeram a empresa
crescer lá no começo e vão permanecer com ela. Aquela energia que existia no início entre os fundadores
e os primeiros funcionários, as piadas internas e o senso de “panelinha” pode não ser exatamente o
mesmo. Mas os valores fundamentais que fizeram a empresa ser o que é não podem se perder.
Quando uma empresa nasce, os valores são os valores do dono. Por definição. A empresa e você
são a mesma coisa. Mas, algumas coisas que são um valor para você não são assim tão úteis para a
empresa. Com o caminho, você vai perceber quais são os valores úteis inegociáveis. E esses você não
pode perder de jeito nenhum.
No processo seletivo, faça um filtro daquilo que quer proteger. Se hoje sua empresa cresce via
diversidade, com uma representatividade maior de mulheres, negros e homossexuais, por exemplo,
proteja isso. Identifique na entrevista se esse cara vai ajudar a aumentar a tolerância ou tensionar ainda
mais as diferenças. Se tensionar, não contrate. Isso significa filtrar as pessoas por afinidade cultural. Se
não tem fit cultural, não adianta saber programar. Aqui você elimina sem dó. Teste durante a seleção
quando o cara mais foi cooperativo na vida dele. Peça para ele contar histórias de quando ele e a equipe
dele falharam porque não foram cooperativos. Um cara que é cooperativo, mas podia ser mais, você não
contrata. Se isso é inegociável na sua empresa, não contrate.

Já estamos na terceira empresa, mas, de uns tempos para cá, tenho sentido que as pessoas que
trabalham comigo estão com medo de arriscar. Elas perderam aquela mentalidade de testar e errar
rápido. O que eu posso fazer?
Daniel Castello – Essa é uma armadilha comum do sucesso. Quando você começa a primeira
startup, não tem nada a perder. Mas depois da segunda e da terceira que deram certo você tem muito
mais em jogo: reputação, imagem e até dinheiro. É preciso lembrar como era ser uma startup, fazer MVP,
se arriscar, criar hipóteses, testar, pivotar, refinar… Voltar a se comportar como antes, quando dava certo.
As pessoas estão com medo de falhar por isso ficam postergando, buscando a excelência, para lançar só
quando está pronto.
Volte na história de sucesso. “Nas duas startups que a gente se deu bem, como a gente funcionava
como grupo? O que fez a gente ter sucesso?” Deixando claro com histórias reais, será que vocês estão
fazendo isso hoje?
A experiência traz um preciosismo, que impede as coisas de andarem. Eles estão com muita teoria e
fazendo diferente do que deu certo antes. Com a idade, é natural que a gente evolua. Em vez de passar
16 horas trabalhando por dia, passamos 8 bem trabalhadas. Em vez de pivotar 18 vezes, foram só 3. Mas
ainda não sabemos nem aprendemos tudo.

Os líderes da minha empresa têm dificuldade de demitir. Será que é uma crença de que a pessoa
vai melhorar ou uma dificuldade de desapegar?
Daniel Castello – Por que é tão difícil divorciar? É um campo emocionalmente comprometido com
um monte de expectativas que criamos e que não aconteceram. Mas isso não é casamento. A emoção
não precisa estar em primeiro plano. A decisão é objetiva.
“O que a gente esperava desse cara que ele não está entregando? Ele merece uma segunda
chance?” Não demore nessa avaliação. Não espere passar seis meses para dar o feedback e mais seis
meses para uma segunda chance, tem que ser rápido.
No feedback, tem que fica claro o que a pessoa precisa fazer e como você vai ajudá-la a fazer.
Depois, você volta e entende: está no mesmo patamar que estava ou melhorou a qualidade da entrega?
Se o líder está comprometido emocionalmente, você, como empreendedor, tem que ajudá-lo a
avaliar racionalmente. Se você deu feedback, ofereceu uma segunda chance, ajudou, deu suporte, fez
tudo e não adiantou, é hora de conversar.
Porém você só consegue fazer um processo de feedback bem feito com um contrato bem feito. Se o
empreendedor não definiu antes a coisa certa a fazer, como vai cobrar os funcionários? O contrato de
trabalho é uma conversa que registra: o que eu espero de você, o que você espera de mim, o que
significa um cartão amarelo e um cartão vermelho na organização.

Quando os técnicos se transformam em líderes, como eu posso ajudá-los nessa transição?


Daniel Castello – Na maioria das vezes, esses contratos não são refeitos. Sem uma preparação de
gestão e de visão de negócio, invariavelmente, esse cara falha. Para o empreendedor, parece que a trilha
de carreira daquele funcionário é óbvia, mas nem sempre isso está claro para ele. Antigamente, nas
empresas dos anos 1980, as pessoas passavam anos na mesma função, vendo o chefe trabalhar. Assim,
quando viravam gestoras, sabiam exatamente o que copiar e como agir. Hoje, essa relação é fluida. As
pessoas não entendem direito que a função mudou radicalmente.
Sair de técnico para líder é mudar de profissão
Tem que treinar e recontratar, como se fosse do zero, porque pouquíssimas pessoas têm aptidão
natural para liderança. E é aí que chegamos no centro da conversa:
Uma empresa para crescer vai mudar de configuração
Cada área vai evoluir de jeitos diferentes e cada pessoa tem um ritmo de aprendizado diferente. O
que as pessoas mais negligenciam é administrar o aprendizado.

Os empreendedores dizem:
— O meu financeiro não dá mais conta do tamanho que eu cheguei. Achei que ele era bom,
contratei lá atrás, investi nele, cresceu comigo, mas agora ficou pequeno para a empresa. Vou ter que
deixá-lo ir.
Mas, por que não falou com ele antes para que ele pudesse se desenvolver no caminho? Por que
ele vai perder o emprego e você vai ter que colocar alguém de fora numa posição essencial?
Porque o empreendedor não se preocupou em educar as pessoas para dar o salto de escala.
Cada salto de escala é um salto de crescimento. As pessoas têm que saltar junto, mas não significa
que precisam fazer sozinhas, elas podem ser educadas para fazer. Chega uma hora que você sozinho
não consegue gerenciar a empresa inteira. Nessa hora, você precisa de líderes das funções que
traduzem a estratégia para a execução. Esses líderes podem ser preparados desde já.

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