A modelagem matemática como recurso de ensino e aprendizagem de
expressões algébricas equivalentes em uma turma de 8º ano
Atualmente vê-se um rápido desenvolvimento da Matemática e das suas aplicações
em todos os campos do conhecimento humano. Isso pode ser consequência da
grande quantidade de artigos, dissertações, teses e livros publicados que discutem
o ensino da Matemática, bem como pela influência da Matemática em outras áreas.
Do ponto de vista de Carvalho (1991), a Educação Matemática é o estudo dos
fatores que influem direta ou indiretamente sobre todos os processos de
ensino-aprendizagem em Matemática e sua atuação sobre esses fatores.
Nesses moldes, para D´Ambrósio (1993) tal vertente surgiu em 1908, durante o
Congresso Internacional de Matemática, na Itália, quando educadores preocupados
com o ensino de Matemática criaram uma comissão precursora da Comissão
Internacional de Ensino de Matemática (ICMI), que passou a realizar, a cada quatro
anos, um congresso internacional, o International Congress on Mathematical
Education (ICMI).
Sabendo disso, pesquisas e publicações em Educação Matemática vêm avançando
nos últimos anos em todo o mundo e no Brasil. São realizados periodicamente o
Encontro Nacional de Educação Matemática (ENEM), evento promovido pela
Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM); o Seminário Internacional de
Pesquisa em Educação Matemática (SIPEM), também promovido pela SBEM e que
ocorre a cada três anos; e o Encontro Brasileiro de Estudantes de Pós-Graduação em
Educação Matemática (Ebrapem), organizado anualmente pela nova geração de
pesquisadores do campo.
Porém, mesmo com esse avanço no campo da pesquisa científica, nas escolas
brasileiras ainda se vê a Matemática como uma disciplina reprodutiva, mecanizada e
limitada.
Na tentativa de melhorar o ensino, as propostas curriculares reforçam cada vez mais
a necessidade de que a escola deve contribuir para o desenvolvimento de
habilidades e competências, no sentido de formar alunos capazes de fazer
descobertas, contrariando a concepção da Matemática como mera “imitação de
modelos” que são eficazes apenas em situações semelhantes (Carretero, 1998 apud
Bravo; Huete, 2006).
Em vista disso, o presente trabalho foi desenvolvido em uma turma de 8º ano na
Unidade Integrada Manoel Campos Sousa, localizada no povoado de Vila Tropical,
no município de Bom Jesus das Selvas/MA, com o intuito de inserir a modelagem
matemática com o uso da balança de dois pratos como proposta metodológica de
ensino-aprendizagem dos conceitos de expressões algébricas equivalentes.
Modelagem matemática no ensino
Neste tópico, propomos discutir as concepções sobre a modelagem matemática,
com base nos trabalhos de Biembengut e Hein (2018), Bassanezi (2015), Barbosa
(2001) e Barak (1992).
De acordo com Burak (1992, p. 62), a modelagem matemática “é o conjunto de
procedimentos cujo objetivo é construir um paralelo para tentar explicar,
matematicamente, os fenômenos presentes no cotidiano do ser humano,
ajudando-o a fazer predições e a tomar decisões”.
De forma bem mais detalhada, Bassanezi (2015) descreve modelo como um
conjunto de símbolos e relações matemáticas que representam o objeto
pesquisado, bem como englobam a reflexão de uma porção da realidade, na
expectativa de sua compreensão e explicação, por meio dos recursos disponíveis e
variáveis selecionadas.
Para Biembengut (2018, p. 12), a modelagem é “o processo que envolve a obtenção
de um modelo”. E mais: para o ensino da Matemática, Biembengut (2018, p. 18)
explicita que a modelagem pode ser “um caminho para despertar no aluno o
interesse por tópicos matemáticos que ainda desconhece, ao mesmo tempo que
aprende a arte de modelar, matematicamente”.
Em uma visão mais acurada, Barbosa (2001, p. 6) assume que “modelagem é um
ambiente de aprendizagem no qual os alunos são convidados a indagar e/ou
investigar, por meio da Matemática, situações oriundas de outras áreas da
realidade”. Deste modo, compreende-se que há diversas entradas para modelagem
matemática, tanto no âmbito da Matemática Aplicada quanto na Educação
Matemática.
No contexto da Educação Matemática, ela pode ser compreendida como caminho
para o processo de ensino-aprendizagem da Matemática ou mesmo para fazer
Matemática na escola, tendo como norteadores a observação da realidade, as
discussões e investigações que modificam não só as ações que usualmente têm
lugar na sala de aula como também as formas como se observa o mundo.
Metodologia
Tendo em vista os desafios enfrentados pelos professores na transferência da
Aritmética para a Álgebra, os quais resumem muitas vezes as dificuldades dos
alunos na absorção dos conceitos algébricos, o presente trabalho contou com uma
pesquisa de intervenção, pois, de acordo com Miranda e Rufino (2007), tal pesquisa
favorece a mediação entre a teoria e a prática, assim como propõe alternativas
diversificadas baseadas na ação pedagógica capaz transformar a realidade dos
discentes.
Em vista disso, foram desenvolvidos os conceitos de expressões algébricas
equivalentes em duas horas/aula no dia 3 de junho de 2019 na turma do 8º ano do
turno vespertino, composta por 22 alunos. Assim sendo, foram utilizados como
material didático não só pincéis, apagador e livro didático, mas também uma
balança feita de madeira, prego e materiais recicláveis, a fim de representar as
equivalências das expressões algébricas com base na pesagem de simples objetos
do cotidiano dos alunos
Resultados e discussão
Após tal prática, verificou-se que de fato a balança complementou o
desenvolvimento do aprendizado dos discentes nesse conteúdo, visto que muitos
faziam diversas perguntas a respeito dos objetos usados nas pesagens, já que os
dois pratos deveriam está em equilíbrio para que pudéssemos compará-los com os
exemplos dispostos no livro didático e resolver na lousa por meio dessa
comparação.
De acordo com Ponte, Branco e Matos (2009), o pensamento algébrico é algo amplo,
que abrange muitas competências, como: lidar com expressões algébricas,
equações, inequações, sistemas de equações e de inequações, funções e estruturas
matemáticas que podem ser usadas na interpretação e resolução de problemas
matemáticos ou de outras áreas.
Dessa forma, tais resultados confirmam o que prevê a Base Nacional Comum
Curricular (BNCC) sobre a modelagem matemática, quando afirma que
no Ensino Fundamental, essa área, por meio da articulação de seus diversos
campos – Aritmética, Álgebra, Geometria, Estatística e Probabilidade –, precisa
garantir que os alunos relacionem observações empíricas do mundo real a
representações (tabelas, figuras e esquemas) e associem essas representações
a uma atividade matemática (conceitos e propriedades), fazendo induções e
conjecturas (Brasil, 2017, p. 265).
Além disso, a BNCC acrescenta que nas aulas de Matemática é fundamental o uso
de diferentes recursos didáticos e materiais, como ábacos, calculadoras e
softwares, como recursos metodológicos que possam despertar o interesse e por
fim representá-los em diversos contextos do cotidiano (Brasil, 2017, p. 298).
Assim, considera-se que é de extrema relevância que os alunos disponham de
materiais didáticos ou mesmo de ferramentas que façam com que eles relacionem
esses conceitos com o mundo real, por meio das diversas representações das
atividades da própria Matemática.
Considerações finais
Deste modo, em decorrência da leitura e análise dos documentos, percebe-se que a
escola e a Matemática devem trabalhar juntas para preparar seus discentes para a
sociedade, formando cidadãos com responsabilidade, capazes crítica e ativamente
de exercer qualquer função neste mundo permeado pela ciência e tecnologia.