Anotações de Cálculo 3
Luiz Felipe
25 de junho de 2025
Cálculo 3
Sumário
1 Derivadas Parciais 2
1.1 Derivadas em funções de múltiplas variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.2 Planos Tangentes e Aproximações Lineares e Diferenciais . . . . . . . . . . . . . 3
1.3 Regra Da Cadeia e Derivação implícita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1
Cálculo 3
1 Derivadas Parciais
1.1 Derivadas em funções de múltiplas variáveis
Definição 1.1. Dada uma função f : R2 → R, definimos as derivadas parciais de f em relação
a x e y da seguinte maneira:
f (x + h, y) − f (x, y) f (x, y + h) − f (x, y)
fx (x, y) = lim fy (x, y) = lim
h→0 h h→0 h
Interpretação geométrica das derivadas parciais
Seja z = f (x, y) representando uma superfície S, e considere o ponto P (a, b, c) onde c = f (a, b).
Definimos a curva C1 como a interseção de S com o plano y = b, isto é, C1 : z = f (x, b), e a
curva C2 como a interseção com o plano x = a, ou seja, C2 : z = f (a, y).
As inclinações das retas tangentes às curvas C1 e C2 no ponto P são dadas, respectivamente,
por fx (a, b) e fy (a, b). Portanto, as derivadas parciais fx (a, b) e fy (a, b) podem ser interpretadas
geometricamente como as inclinações das retas tangentes em P (a, b, c) aos cortes C1 e C2 da
superfície S nos planos y = b e x = a.
Figura 1: Interpretação geométrica das derivadas parciais
Definição 1.2. Dada uma função f : Rm ⊂ Rn → R, definimos as derivadas parciais de f em
relação à i-ésima variável como:
∂f f (x1 , . . . , xi + h, xm ) − f (x1 , . . . , xm )
= lim
∂xi h→0 h
2
Cálculo 3
Definição 1.3. Para derivadas parciais de ordem superior:
∂2f
∂ ∂f
(fxi )xi = =
∂xi ∂xi ∂(xi )2
Teorema 1.1. Seja f definida em uma bola aberta D que contenha o ponto (a, b). Se ambas
as funções fxy e fyx forem contínuas em D, então:
fxy (a, b) = fyx (a, b)
1.2 Planos Tangentes e Aproximações Lineares e Diferenciais
Planos Tangentes
Suponha que uma superfície S tenha a equação z = f (x, y), onde f tenha derivadas parciais
contínuas de primeira ordem e seja P (x0 , y0 , z0 ) um ponto na superfície S. pegue as curvas C1
e C2 que são respectivamente fx (x, y0 ) e fy (x0 , y) seja T1 , T2 retas tangentes as curvas C1 , C2
obtemos um Plano Tangente a superfície S no ponto P .
Figura 2: Plano Tangente Ao Ponto P
Temos que a equação do plano passando por P (x0 , y0 , z0 ) tem a forma:
A(x − x0 ) + B(y − y0 ) + C(z − z0 ) = 0 (1)
Dividindo em ambos os lados por -C temos
A B
(x − x0 ) + (y − y0 ) + −z + z0 = 0 (2)
−C −C
A B
Escrevendo a = − e b = − temos
C C
a(x − x0 ) + b(y − y0 ) = z − z0 (3)
Repare que quando y = y0 obtemos a seguinte equação
a(x − x0 ) + b(y − y0 ) = z − z0 (4)
3
Cálculo 3
Se a equação 1 representa o plano temos que a equação 4 representa a reta T1 logo sua inclinação
é a = fx (x0 , y0 ).
De maneira análoga quando x = x0 obtemos a seguinte equação:
b(y − y0 ) = z − z0 (5)
Temos que a equação 5 representa a reta T2 portanto sua inclinação é b = fy (x0 , y0 ) o que motiva
a seguinte definição
Definição 1.4. Sendo f : R2 → R uma função onde suas derivadas parciais são contínuas uma
equação do plano tangente a superfície z = f (x, y) no ponto P (x0 , y0 , z0 ) é dada por
z − z0 = fx (x0 , y0 )(x − x0 ) + fy (x0 , y0 )(y − y0 )
Aproximações Lineares
Sabemos que a equação do plano do plano tangente ao gráfico de uma função f cujas derivadas
parciais são contínuas no ponto (a, b, f (a, b)) é
z = f (a, b) + fx (a, b)(x − a) + fy (a, b)(y − b)
Temos que a função linear cujo gráfico é esse plano tangente é
L(x, y) = f (a, b) + fx (a, b)(x − a) + fy (a, b)(y − b)
Denominamos de linearização de f em (a, b) a aproximação:
f (x, y) ≈ f (a, b) + fx (a, b)(x − a) + fy (a, b)(y − b)
ou seja obtemos boas aproximações da função original através de L(x, y) porém elas só ficam
precisas em torno de (a, b). o que motiva a seguinte definição
Definição 1.5. Sendo f : R2 → R uma função onde suas derivadas parciais são contínuas temos
que a aproximação em (a, b) é dada da seguinte maneira
f (x, y) ≈ f (a, b) + fx (a, b)(x − a) + fy (a, b)(y − b)
Diferenciais
Do cálculo 1 temos que o diferencial de uma função y = f (x) é definida como:
dy = f 0 (x)dx
ou seja as regras de diferenciação são as mesmas de derivação, de fato temos que
∆y
f 0 (x) = lim
∆x→0 ∆x
onde ∆y = f (∆x + x) − f (x), logo pela definição de limite temos
4
Cálculo 3
∆y
∀ε > 0∃ δ > 0 tal que ∀x : |∆x| < δ =⇒ | − f 0 (x)| < ε
∆x
logo
−ε∆x < ∆y − f 0 (x)∆x < ε∆x
quando ε → 0 temos que ∆y ≈ f 0 (x)∆x
De forma análoga ao caso de uma variável, seja f (x, y) uma função de duas variáveis reais.
O diferencial total de f é definido como:
dz = fx (x, y) dx + fy (x, y) dy
onde fx e fy são as derivadas parciais de f em relação a x e y, respectivamente.
Dado um ponto (x0 , y0 ) e pequenos incrementos ∆x e ∆y, temos o incremento real:
∆z = f (x0 + ∆x, y0 + ∆y) − f (x0 , y0 )
Pela definição de diferenciabilidade, temos:
p
∀ε > 0, ∃δ > 0 tal que se (∆x)2 + (∆y)2 < δ então
p
|∆z − (fx (x0 , y0 )∆x + fy (x0 , y0 )∆y)| < ε (∆x)2 + (∆y)2
Ou seja, podemos reescrever:
p p
−ε (∆x)2 + (∆y)2 < ∆z − (fx (x0 , y0 )∆x + fy (x0 , y0 )∆y) < ε (∆x)2 + (∆y)2
Quando ε → 0, isso nos dá a aproximação linear:
∆z ≈ fx (x0 , y0 )∆x + fy (x0 , y0 )∆y
Que é o diferencial total:
dz = fx (x0 , y0 )dx + fy (x0 , y0 )dy
O que nos leva as seguinte definição
Definição 1.6. Dada a função z = f (x, y) temos que z é diferenciável se ∆z puder ser escrita
na seguinte forma
∂z ∂z
∆z = ∆x + ∆y
∂x ∂y
5
Cálculo 3
1.3 Regra Da Cadeia e Derivação implícita
Teorema 1.2. Supondo que z = f (x, y) seja uma função diferenciável, onde x = g(t) e y = h(t)
são funções diferenciáveis de t, então z é uma função diferenciável de t, e segue que
dz ∂f dx ∂f dy
= +
dt ∂x dt ∂y dt
Demonstração. Seja z = f (x, y) uma função diferenciável, com x = g(t) e y = h(t) funções
diferenciáveis de t. Então, ao variar t em uma pequena quantidade ∆t, temos variações ∆x em
x e ∆y em y, que por sua vez causam uma variação ∆z em z.
Como f é diferenciável, temos que a variação ∆z pode ser aproximada por:
∂f ∂f
∆z ≈ ∆x + ∆y
∂x ∂y
Dividindo ambos os lados por ∆t, obtemos:
∆z ∂f ∆x ∂f ∆y
≈ +
∆t ∂x ∆t ∂y ∆t
Tomando o limite quando ∆t → 0, e usando a continuidade e a diferenciabilidade de x(t) e y(t),
obtemos:
dz ∂f dx ∂f dy
= +
dt ∂x dt ∂y dt
Portanto, a derivada de z em relação a t é dada pela fórmula da Regra da Cadeia.
Definição 1.7 (Regra da Cadeia Caso 2). Suponha que z = f (x, y) seja uma função diferen-
ciável de x e y, onde x = g(s, t) e y = h(s, t) são funções diferenciáveis de s e t.
Então, z é uma função diferenciável de s e t, e temos:
∂z ∂f ∂x ∂f ∂y ∂z ∂f ∂x ∂f ∂y
= + e = +
∂s ∂x ∂s ∂y ∂s ∂t ∂x ∂t ∂y ∂t
Teorema 1.3. Suponha que u seja uma função diferenciável de n variáveis x1 , x2 , . . . , xn , onde
cada xj é uma função diferenciável de m variáveis t1 , t2 , . . . , tm . Então u é uma função diferen-
ciável de t1 , t2 , . . . , tm e, para cada i = 1, 2, . . . , m, temos:
∂u ∂u ∂x1 ∂u ∂x2 ∂u ∂xn
= + + ··· +
∂ti ∂x1 ∂ti ∂x2 ∂ti ∂xn ∂ti
ou, de forma compacta:
n
∂u X ∂u ∂xj
=
∂ti ∂xj ∂ti
j=1