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Estudo sobre Espaços Convexos em Matemática

O documento é um estudo sobre espaços uniformemente convexos, abordando conceitos fundamentais de topologia em espaços vetoriais normados, incluindo sequências, espaços de Banach e Hilbert, e propriedades de convergência. Ele apresenta definições, proposições e teoremas que fundamentam a análise de sequências e a estrutura desses espaços. O trabalho é orientado por professores da Universidade Federal de Pelotas e foi elaborado por Luiz Felipe Pereira Bandeira.

Enviado por

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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Estudo sobre Espaços Convexos em Matemática

O documento é um estudo sobre espaços uniformemente convexos, abordando conceitos fundamentais de topologia em espaços vetoriais normados, incluindo sequências, espaços de Banach e Hilbert, e propriedades de convergência. Ele apresenta definições, proposições e teoremas que fundamentam a análise de sequências e a estrutura desses espaços. O trabalho é orientado por professores da Universidade Federal de Pelotas e foi elaborado por Luiz Felipe Pereira Bandeira.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

Centro de Desenvolvimento Tecnológico


Curso de Bacharelado em Ciência da Computação

Um Estudo Acerca Dos Espaços Uniformemente Convexos

Luiz Felipe Pereira Bandeira

Orientadores:
Prof. Dr. Mauricio Zahn
Prof. Dr. Alexandre Molter

Pelotas
1 de julho de 2025

1
Sumário
1 Topologia Dos Espaços Vetoriais Normados 3
1.1 Noções iniciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1.2 Sequências Em Um Espaço Vetorial Normado . . . . . . . . . . . . . . . . 3

2 Espaços de banach 7
2.1 Noções iniciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7

3 Espaços Lp 9

4 Espaços De Hilbert 9

5 Convexidade Uniforme 10

6 Módulo De Convexidade 13

2
1 Topologia Dos Espaços Vetoriais Normados
1.1 Noções iniciais
Definição 1.1. Dado um conjunto não vazio X, definimos uma métrica d em X como
uma função d : X × X → R+ que satisfaz as seguintes propriedades para quaisquer
x, y, z ∈ X:

1. d(x, y) ≥ 0 e d(x, y) = 0 se e somente se x = y

2. d(x, y) = d(y, x)

3. d(x, y) ≤ d(x, z) + d(z, y)

Um conjunto X munido com uma métrica é denotado por (X, d).

Proposição 1.1. Seja (M, k.k) um espaço vetorial normado. A função d : E × E → R+


definida por d(u, v) = ku − vk , ∀u, v ∈ E define uma métrica em M

Demonstração. Seja (M, k.k) um espaço vetorial normado e d : E × E ← R+ definida por


d(u, v) = ku − vk repare que para quaisquer u, v, z ∈ M vale:

1. d(u, v) = ku − vk ≥ 0 e d(u, v) = ku − vk = 0 se e somente se u = v

2. d(u, v) = ku − vk = k(−1) · (v − u)k = | − 1| kv − uk = kv − uk = d(v, u)

3. d(u, v) = ku − vk = ku − z + z − vk ≤ ku − zk + kz − vk = d(u, z) + d(z, v)

Definição 1.2. Seja (E, k.k) um espaço vetorial normado com a métrica d induzida pela
norma de E, Dado ε > 0 e v ∈ E definimos a bola fechada centrada em v de raio ε como
o seguinte conjunto

Bε [v] = {u ∈ E : d(u, v) ≤ ε
Definimos a bola aberta centrada em v de raio ε pelo conjunto

Bε (v) = {u ∈ E : d(u, v) < ε


Definimos a esfera centrada em v e de raio ε pelo seguinte conjunto

Sε [v] = {u ∈ E : d(u, v) = ε

1.2 Sequências Em Um Espaço Vetorial Normado


Definição 1.3. Seja (E, k.k) um espaço vetorial normado definimos uma sequencia (xn )como
uma lista de elementos de E infinita

(xn )n∈N = (x1 , . . . , xn , . . . )


Pode-se também observar como uma função ϕ : N → E.

3
Definição 1.4. Seja (E, k.k) um espaço vetorial normado com a métrica d : E × E → R+
definida por d(u, v) = ku − vk dizemos que L ∈ E é o limite da sequencia (xn ) ⊂ E
quando

∀ε > 0, ∃n0 ∈ N tal que ∀n ≥ n0 =⇒ d(xn , a) < ε


Ou seja dizemos que (xn ) converge quando n ← +∞ que pode ser denotado por
xn → a ou limn→+∞ xn = L.

Proposição 1.2. Seja uma sequencia (xn ) em um espaço vetorial normado, se xn converge
então o limite dessa sequência é único

Demonstração. Suponha que existam L1 , L2 ∈ E tais que xn → L1 e xn → L2 . Pela


definição de limite, para qualquer ε > 0, existem n1 , n2 ∈ N tais que:
ε
n ≥ n1 =⇒ kxn − L1 k <
2
ε
n ≥ n2 =⇒ kxn − L2 k <
2
Tomando n0 = max{n1 , n2 }, para todo n ≥ n0 temos:

ε ε
kL1 − L2 k = kL1 − xn + xn − L2 k ≤ kL1 − xn k + kxn − L2 k < + =ε
2 2
kL1 −L2 k
Tomando ε = 2
segue que

kL1 − L2 k 1
kL1 − L2 k < ⇔1<
2 2
O que é um absurdo Logo L1 = L2 .

Proposição 1.3. Dada a sequência (xn ) em um espaço vetorial normado, se (xn ) é con-
vergente então é limitada

Suponha que (xn ) ⊂ E seja uma sequência que converge para a ∈ E logo temos que

∀ > 0, ∃n0 ∈ N tal que ∀n ≥ n0 =⇒ kxn − ak < 


repare que

kxk − kak ≤ kxn − ak < ε ⇔ kxk < ε + kak


Tome M = max {kx1 k , . . . , kxn0 −1 k , kak + ε}, logo temos que:

kxn k ≤ M

Proposição 1.4 (Propriedades dos Limites). Sejam (E, k.k) um espaço vetorial normado
e (xn )n∈N , (yn )n∈N sequências de elementos de E convergentes em E. Valem as seguintes
propriedades envolvendo os limites de (xn )n∈N e (yn )n∈N :

(i) A sequência (xn + yn )n∈N é convergente em E e

lim (xn + yn ) = lim xn + lim yn


n→∞ n→∞ n→∞

4
(ii) A sequência (α · xn )n∈N é convergente em E e

lim (α · xn ) = α · lim xn
n→∞ n→∞

(iii) A sequência (kxn k)n∈N de números reais é convergente em R e

lim kxn k = n→∞


n→∞
lim xn

Demonstração. Sejam Lx = limn→∞ xn e Ly = limn→∞ yn .

(i) Dado ε > 0, existem n1 , n2 ∈ N tais que:


ε
n ≥ n1 =⇒ kxn − Lx k <
2
ε
n ≥ n2 =⇒ kyn − Ly k <
2
Tomando n0 = max{n1 , n2 }, para todo n ≥ n0 temos:
ε ε
k(xn + yn ) − (Lx + Ly )k ≤ kxn − Lx k + kyn − Ly k < + =ε
2 2
Portanto, limn→∞ (xn + yn ) = Lx + Ly .

(ii) Para α ∈ R dado ε > 0, existe n0 ∈ N tal que:


ε
n ≥ n0 =⇒ kxn − Lx k <
|α| + 1
Logo:
ε
kαxn − αLx k = |α| kxn − Lx k < (|α| + 1) kxn − Lx k < (|α| + 1) · =ε
|α| + 1
Portanto, limn→∞ (αxn ) = αLx .

(iii) Pela desigualdade reversa da norma, temos para todo n ∈ N:

kxn k − kLx k ≤ kxn − Lx k

Como xn → Lx , dado ε > 0, existe n0 ∈ N tal que:

n ≥ n0 =⇒ kxn − Lx k < ε

Portanto:
n ≥ n0 =⇒ kxn k − kLx k < ε
Logo, limn→∞ kxn k = kLx k.

Proposição 1.5. Seja (E, k · k) um espaço vetorial normado de dimensão finita com base
B = {β1 , . . . , βn }. Uma sequência (xk )k∈N em E, com xk = ni=1 xki βi , converge para
P

a = ni=1 ai βi ∈ E se, e somente se, para cada i = 1, . . . , n, a sequência de coordenadas


P

(xki )k∈N converge para ai em R.

5
Demonstração. Seja xk = ni=1 xki βi e a =
P Pn
i=1 ai βi .
(⇒) Se xk → a, então segue que

∀ > 0, ∃n0 ∈ N tal que ∀k ≥ n0 =⇒ xk − a < 


disso repare que para todo i ∈ {1, 2, 3, . . . , n} temos que

|xki − ai | ≤ xk − a < ε
logo temos que xki → ai
(⇐) Reciprocamente suponha que a sequência de coordenadas (xki )k∈N converge para
ai em R. Logo para todo i ∈ {1, 2, . . . , n} segue que
ε
∀ε > 0, ∃ki ∈ N tal que ∀k ≥ ki =⇒ |xki − ai | <
n · kβi k
Tomando k0 = max {k1 , . . . , kn }, segue que para todo k ≥ k0 :
n n n
ε
xk − a = (xki − ai )βi = |xki − ai | · kβi k <
X X X

i=1 i=1 i=1 n

Portanto, xk → a em E.

Teorema 1.1. Seja (E, k · k+ ) um espaço vetorial normado de dimensão finita. Toda
sequência limitada em E possui uma subsequência convergente.

Demonstração. Seja (xk )k∈N uma sequência limitada em (E, k · k+ ), onde cada xk =
Pn k k Pn k
i=1 xi βi . Como kx k+ = i=1 |xi | ≤ M para algum M > 0, cada sequência coordenada
(xki )k∈N é limitada em R.
Pelo Teorema de Bolzano-Weierstrass em R, existe N1 ⊂ N infinito tal que (xk1 )k∈N1
converge. Da sequência (xk2 )k∈N1 , extraímos N2 ⊂ N1 tal que (xk2 )k∈N2 converge, e assim
sucessivamente até Nn ⊂ Nn−1 .
Pela Proposição 1.5 (de convergência coordenada), a subsequência (xk )k∈Nn converge
em E, pois todas suas sequências coordenadas convergem.

Definição 1.5. Uma sequência (xn ) em um espaço vetorial normado (E, k.k) é dita de
Cauchy se para todo ε > 0, existe n0 ∈ N tal que para todos m, n ≥ n0 vale:

kxm − xn k < ε

Proposição 1.6. Toda sequência convergente em um espaço vetorial normado é de Cau-


chy.

Demonstração. Suponha que xn → L. Dado ε > 0, existe n0 ∈ N tal que para todo
n ≥ n0 temos kxn − Lk < 2ε . Portanto, para m, n ≥ n0 :
ε ε
kxm − xn k ≤ kxm − Lk + kL − xn k < + =ε
2 2
Logo, (xn ) é de Cauchy.

Proposição 1.7. Seja (E, k·k) um espaço vetorial normado. Toda sequência de Cauchy
(xn )n∈N em E é limitada.

6
Demonstração. Como (xn ) é de Cauchy, para ε = 1, existe n0 ∈ N tal que para todos
m, n ≥ n0 , vale:
kxm − xn k < 1.
Em particular, para n = n0 , temos que para todo m ≥ n0 :

kxm − xn0 k < 1.

Pela desigualdade triangular da norma, segue que:

kxm k = kxm − xn0 + xn0 k ≤ kxm − xn0 k + kxn0 k < 1 + kxn0 k .

Agora, defina:
M = max {kx1 k , kx2 k , . . . , kxn0 −1 k , 1 + kxn0 k} .
Então, para todo n ∈ N, temos:
kxn k ≤ M,
o que mostra que a sequência (xn ) é limitada.
Proposição 1.8. Seja (E, k·k) um espaço vetorial normado. Toda sequência de Cauchy
(xn )n∈N em E é́ convergente.
Demonstração. Seja (xn )n∈N uma sequência de Cauchy. Então, para todo  > 0, existe
ε
n0 ∈ N tal que para todos n, m ≥ n0 temos kxn − xm k < .
2
Como (xn ) é limitada, pelo Teorema de Bolzano-Weierstrass existe uma subsequência
(xnk )k∈N que converge para algum a ∈ E. Logo, para o mesmo  > 0, existe k0 ∈ N tal
ε
que para todo k ≥ k0 temos kxnk − ak < .
2
Tome N = max{n0 , nk0 }. Para todo n ≥ N , temos:
ε ε
kxn − ak ≤ kxn − xnk k + kxnk − ak < + =ε
2 2
onde escolhemos k suficientemente grande tal que nk ≥ N (o que é possível pois (nk )
é crescente).
Portanto, (xn ) converge para a.
Definição 1.6. Seja (E, k·k) um espaço vetorial normado e d : E × E → R+ a métrica in-
duzida pela norma k·k. Diz-se que (E, d) é um espaço métrico completo se toda sequência
de Cauchy em E for convergente em E

2 Espaços de banach
2.1 Noções iniciais
Definição 2.1. Seja (E, k.k) um espaço vetorial normado, dizemos que E é um espaço
de banach se for completo com a métrica induzida pela norma
Teorema 2.1. sejam n ∈ N, E um espaço vetorial de dimensão n e X = {β1 , . . . , βn }
uma base de E. Dadas k.k+ : E → R+ a norma da soma sobre E e k.k : E → R+ uma
norma qualquer sobre E, então existem constantes a, b > 0 tais que

kxk+ ≤ a · kxk e kxk ≤ b · kxk+ , ∀x ∈ E

7
Demonstração. Dado n ∈ N, sejam E um espaço vetorial de dimensão finita e igual a
n, X = {β1 , . . . , βn } uma base de E, k.k+ : E → R+ a norma da soma sobre E e
k.k : E → R+ sendo uma norma qualquer sobre E
Tomando b = max {kβ1 k , . . . , kβn k, então para qualquer x = ni=1 xi · βi , temos que
P

n
X n
X n
X n
X
kxk = xi · βi ≤ |xi | kβi k ≤ |xi | · b = b |xi | = b kxk+
i=1 i=1 i=1 i=1

Agora queremos mostrar que ∃a > 0 tal que kxk+ ≤ a · kxk supondo por absurdo, que
essa afirmação seja falsa. Dessa forma, para cada k ∈ N existe xk = ni=1 xki · βi tal que
P

xk > k · xk . Note que k ∈ N, tem-se xk > k xk ≥ 0 e, portanto, xk 6= 0.


+ +
xk
Tomando para cada k ∈ N, uk = xk
segue que
+

k xk xk xk 1
u = k
= k < k < , ∀k ∈ N
kx k+ kx k+ kx k · k k
e, além disso,

xk kxk k+
kuk k+ = = = 1, ∀k ∈ N.
kxk k+ +
kxk k+
Logo, a sequência (uk )k∈N é limitada em relação à norma da soma e, pelo Teorema
1.1, segue que (uk )k∈N possui uma subsequência (ukj )j∈N que converge para um ponto
u = ni=1 ui · βi ∈ E na norma k · k+ quando j → ∞.
P

Visto isso, por um lado, segue, pela continuidade da norma (item (iii) da Proposição
2.32), que

kuk+ = lim ukj = lim kukj k+ = lim 1 = 1,


j→∞ + j→∞ j→∞

donde concluímos que u 6= 0E . Por outro lado, para todo j ∈ N, temos:

kuk = ku − ukj + ukj k ≤ ku − ukj k + kukj k.


1
Pela primeira parte da demonstração, ku − ukj k ≤ b · ku − ukj k+ , e como kukj k < kj
,
segue que:
1
kuk ≤ b · ku − ukj k+ + .
kj
1
Como ku − ukj k+ → 0 e kj
→ 0 quando j → ∞, pelo teorema do confronto para
sequências reais, obtemos:

kuk = lim kuk = 0.


j→∞

Isso implica que u = 0E , o que contradiz o fato de kuk+ = 1. Portanto, a suposição


inicial de que não existe a > 0 tal que kxk+ ≤ a · kxk para todo x ∈ E é falsa. Concluímos
que existem constantes a, b > 0 tais que:

kxk+ ≤ a · kxk e kxk ≤ b · kxk+ , ∀x ∈ E.

8
Teorema 2.2. Todo espaço vetorial normado de dimensão finita é de banach

Demonstração. Dado n ∈ N, seja (E, k · k) um espaço vetorial normado de dimensão n


e X = {β1 , . . . , βn } uma base normalizada de E, isto é, uma base tal que kβi k = 1 para
i = 1, . . . , n. Tal base existe pois, dada uma base B = {v1 , . . . , vn } qualquer de E, basta
definir βi = kvvii k , resultando em kβi k = 1 para cada i.
Seja k · k+ : E → R+ a norma da soma em E. Pelo Teorema 3.4, existem constantes
a, b > 0 tais que:
kxk+ ≤ a · kxk e kxk ≤ b · kxk+ , ∀x ∈ E.
Considere uma sequência de Cauchy (xk )k∈N em E, onde cada xk é escrito como:
n
xk = aki βi , com aki ∈ R.
X

i=1

Para ε > 0, existe k0 ∈ N tal que para k, m ≥ k0 :


ε
kxk − xm k < .
a
Utilizando a equivalência das normas, temos:
n
|aki − am k m k m
X
i | = kx − x k+ ≤ a · kx − x k < ε.
i=1

Portanto, para cada i, a sequência (aki )k∈N é de Cauchy em R. Como R é completo, existe
bi ∈ R tal que limk→∞ aki = bi .
Defina x = ni=1 bi βi . Para δ > 0, escolha ki ∈ N tal que:
P

δ
k ≥ ki =⇒ |aki − bi | < .
b·n
Tomando k0 = max{k1 , . . . , kn }, para k ≥ k0 :
n
δ
kxk − xk ≤ b · kxk − xk+ = b |aki − bi | < b · n ·
X
= δ.
i=1 b·n

Logo, xk → x em E, e como (xk ) é arbitrária, E é completo. Portanto, E é um espaço


de Banach.

3 Espaços lp
4 Espaços De Hilbert
Definição 4.1. Seja E um espaço vetorial munido de um produto interno h·, ·i. Diz-se
que E é um espaço de Hilbert se for um espaço métrico completo com a métrica induzida
pela norma k · k : E → R+ definida por:
q
kvk = hv, vi, ∀v ∈ E.

Definição 4.2. Todo espaço de hilbert é um espaço de banach

9
Proposição 4.1 (Igualdade do Paralelogramo). Seja (E, h·, ·i) um espaço de Hilbert.
Para quaisquer u, v ∈ E, vale:

ku + vk2 + ku − vk2 = 2kuk2 + 2kvk2 .

Demonstração.
q Sejam u, v ∈ E. Como a norma em E é induzida pelo produto interno
(kwk = hw, wi), expandimos os termos ku + vk2 e ku − vk2 usando as propriedades do
produto interno:

ku + vk2 = hu + v, u + vi
= hu, ui + hu, vi + hv, ui + hv, vi, (por bilinearidade)
2
ku − vk = hu − v, u − vi
= hu, ui − hu, vi − hv, ui + hv, vi.

Somando as duas igualdades, os termos cruzados hu, vi e hv, ui se cancelam, resultando


em:
ku + vk2 + ku − vk2 = 2hu, ui + 2hv, vi = 2kuk2 + 2kvk2 .

5 Convexidade Uniforme
Definição 5.1. Seja (V, k · k) um espaço vetorial normado. Um subconjunto X ⊂ V é
convexo se, para quaisquer x, y ∈ X e t ∈ [0, 1], vale:

tx + (1 − t)y ∈ X.

Proposição 5.1. Toda bola fechada em um espaço vetorial normado (V, k · k) é convexa.
Demonstração. Sejam Bε [v] = {x ∈ V | kx − vk ≤ ε} uma bola fechada e x, y ∈ Bε [v].
Para t ∈ [0, 1], temos:

ktx+(1−t)y −vk = kt(x−v)+(1−t)(y −v)k ≤ tkx−vk+(1−t)ky −vk ≤ tε+(1−t)ε = ε.

Portanto, tx + (1 − t)y ∈ Bε [v], e Bε [v] é convexa.


Definição 5.2. Um espaço de Banach (B, k · k) é uniformemente convexo se, para todo
ε ∈ (0, 2], existe δ(ε) > 0 tal que, para x, y ∈ B com kxk = kyk = 1 e kx − yk ≥ ε, vale:
x+y
≤ 1 − δ(ε).
2
Definição 5.3. Seja (B, k.k) um espaço normado. Diz-se que B é um espaço estritamente
convexos se as condições

x, y ∈ B, x 6= y, kxk = kyk = 1
implicam em

kt · x + (1 − t) · yk < 1
para qualquer t ∈ R com 0 < t < 1

10
Teorema 5.1. Seja B um espaço vetorial normado de dimensão finita. Se B é estrita-
mente convexo então B é uniformemente convexo
Demonstração. Seja B um espaço vetorial normado de dimensão finita temos pelo teorema
2.2 que B é um espaço de banach, supondo por absurdo que B não é uniformemente
convexo então para todo n ∈ N existe um ε0 ∈ (0, 2] onde as condições

xn , yn ∈ B, kx − yk ≥ ε0 , kxn k = kyn k = 1
Implicam em
xn + y n 1
1≥ > 1 − , ∀n ∈ N
2 n
Pelo teorema do sanduiche segue que xn +y 2
n
→ 1, repare que como kxn k = kyn k = 1
segue que as sequencias (xn ) e (yn ) são limitadas logo temos que ∃(xnk ) ⊂ (xn ), (ynk ) ⊂
(yn ) tal que xnk → x e ynk → y logo segue que

xn + y n limn→+∞ (xn + yn ) x+y 1 1


1 = lim = = = x + (1 − )y
n→+∞ 2 2 2 2 2

O que é um absurdo ja que por hipotese B é estritamente convexo


Teorema 5.2. Todo espaço de hilbert é uniformemente convexo
Demonstração.
q Seja B um espaço de hilbert, munido da norma k.k : E → R+ definida
por kxk = hx, xi segue que pela proposição 3.1 vale a igualdade do paralelogramo

ku + vk2 + ku − vk2 = 2kuk2 + 2kvk2 , ∀u, v ∈ B


logo dado ε ∈ (0, 2] e x, y ∈ B onde kxk = kyk = 1 tal que kx − yk ≥ ε segue que

x+y 2 kx + yk2 2 kxk2 + 2 kyk2 − kx − yk2 2(1)2 + 2(1)2 − kx − yk2 kx − yk2


= = = = 1−
2 4 4 4 4
Repare que se kx − yk ≥ ε então

kx − yk2 ε2
kx − yk2 ≥ ε2 ⇔ − ≤−
4 4
Logo segue que
!2 !2
x+y 2 kx − yk2 ε2 ε2 ε4 ε2
≤1− ≤1− = 1− − < 1−
2 4 4 8 64 8

Etão temos que


!2 !
x+y 2 ε2 x+y ε2
< 1− =⇒ < 1−
2 8 2 8
ε2 ε2
Notando que, como 0 < ε ≤ 2 então ε2 ≤ 4 e 1 − > 0. Logo tomando δ(ε) = de
8 8
modo que ∀x, y ∈ B com kxk = kyk = 1 e kx − yk ≥ ε, segue

11
x+y
≤ 1 − δ‘
2
Logo concluimos que todo espaço de hilbert é uniformemente convexo.

Proposição 5.2. Seja B um espaço de banach. Então B é uniformemente convexo se e


somente se, quaisquer sequências (xn )n∈N e (yn )n∈N de elementos tais que
xn + y n
kxn k = kyn k = 1, ∀n e lim = 1 =⇒ lim kxn − yn k = 0
n→+∞ 2 n→+∞

Demonstração. (⇒) Seja B um espaço de banach e uniformemente convexo, por absurdo


suponha que existem sequências (xn )n∈N e (yn )n∈N de elementos tais que
xn + y n
kxn k = kyn k = 1, ∀n e lim = 1 =⇒ lim kxn − yn k 6= 0
n→+∞ 2 n→+∞

Ou seja temos que

∀n ∈ N, ∃ε0 > 0, tal que ∃n ≥ n =⇒ kxn − yn k ≥ ε0


Mas repare que

0 < ε0 ≤ kxn − yn k ≤ kxn k + kyn k = 1 + 1 = 2


Mas como B é uniformemente convexo segue que para ε0 existe um δ > 0 tal que
xn + y n x n + yn x n + yn
≤1−δ ⇔1− ≥δ ⇔ 1− ≥δ
2 2 2
Ou seja concluimos que limn→+∞ xn +y 2
n
6= 1 o que é um absurdo.
(⇐) Reciprocamente suponha que seja B um espaço de banach. Onde quaisquer sequên-
cias (xn )n∈N e (yn )n∈N de elementos tais que
xn + y n
kxn k = kyn k = 1, ∀n e lim = 1 =⇒ lim kxn − yn k = 0
n→+∞ 2 n→+∞

Por absurdo se B não é uniformemente convexo segue que para todo n ∈ N existe um
ε0 ∈ (0, 2] onde as condições

xn , yn ∈ B, kxn − yn k ≥ ε0 , kxn k = kyn k = 1


Implicam em
xn + y n 1
1≥ > 1 − , ∀n ∈ N
2 n
xn + yn
Pelo teorema do sanduiche temos que → 1 ou seja por hipotese temos
2
que kxn − yn k → 0 o que é um absurdo ja que temos que kxn − yn k ≥ ε0 logo B é
uniformemente convexo.

12
6 Módulo De Convexidade
Definição 6.1. Seja B um espaço de Banach munido da norma k.k : E → R+ Define-se
o módulo de convexidade de B como a função δB : [0, 2] → [0, 1] dada por

x+y
 
δB (ε) = inf 1 − : x, y ∈ B, kxk = kyk = 1, kx − yk ≥ ε , ∀ε ∈ [0, 2]
2
Podemos simplificar a notação, escrevendo para cada ε ∈ [0, 2],
x+y
 
Y (ε) = 1 − : x, y ∈ B, kxk = kyk = 1, kx − yk ≥ ε ,
2
Logo o que temos é que δB (ε) = inf Y (ε)
Demonstração. Seja B um espaço de Banach e δB : [0, 2] → [0, 1] seu módulo de convexi-
dade.

1. Dados ε1 , ε2 ∈ [0, 2] tais que ε1 ≤ ε2 , será mostrado que Y (ε2 ) ⊂ Y (ε1 ). De fato,
dado z ∈ Y (ε2 ), então pode-se escrever z = 1 − x0 +y 2
0
, para certos x0 , y0 ∈ B com
kx0 k = ky0 k = 1 e kx0 − y0 k ≥ ε2 . Como ε1 ≤ ε2 , segue que x0 , y0 ∈ B são tais
que kx0 k = ky0 k = 1 e kx0 − y0 k ≥ ε1 , portanto, z = 1 − x0 +y 2
0
∈ Y (ε1 ). Como a
escolha de z ∈ Y (ε2 ) foi arbitrária, segue que Y (ε2 ) ⊂ Y (ε1 ).
Dessa forma, como Y (ε2 ) ⊂ Y (ε1 ), dado a = inf Y (ε1 ), segue que a ≤ x, ∀x ∈ Y (ε1 ),
e em particular, a ≤ x, ∀x ∈ Y (ε2 ). Logo, inf Y (ε1 ) = a ≤ inf Y (ε2 ), ou seja,
δB (ε1 ) ≤ δB (ε2 ). Logo, δB é uma função crescente.

2. Suponha que B é uniformemente convexo. Dado ε ∈ R, 0 < ε ≤ 2, segue que existe


δ > 0 tal que x, y ∈ B com kxk = kyk = 1 e kx − yk ≥ ε implica em
x+y x+y
≤ 1 − δ ou, ainda, 1 − ≥ δ.
2 2

Logo, δ > 0 é uma cota inferior do conjunto dos termos 1 − x+y 2


, onde x, y ∈ B,
kxk = kyk = 1 e kx − yk ≥ ε, isto é, δ > 0 é uma cota inferior do conjunto
Y (ε). E como inf Y (ε) é a maior das cotas inferiores desse mesmo conjunto, então
0 < δ ≤ inf Y (ε) = δB (ε), ou seja, δB (ε) > 0. E como a escolha de ε ∈ R com
0 < ε ≤ 2 foi arbitrária, segue que δB é estritamente positiva para todo ε > 0;
Reciprocamente, supondo que δB (ε) > 0, ∀ε ∈ (0, 2], será mostrado que B é uni-
formemente convexo. De fato, dado ε ∈ R, 0 < ε ≤ 2, como δB (ε) > 0, tome
δ = δB2(ε) > 0, donde segue que 0 < δ < δB (ε). Dessa forma, ∀x, y ∈ B com
kxk = kyk = 1 e kx − yk ≥ ε segue que
x+y x+y
δ < δB (ε) ≤ 1 − ⇒δ <1−
2 2
ou, ainda,
x+y
≤ 1 − δ.
2
Por fim, como a escolha de ε ∈ R, 0 < ε ≤ 2, foi arbitrária, conclui-se que B é
uniformemente convexo;

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3. Para mostrar que δB (0) = 0, note que, como kx − yk ≥ 0, ∀x, y ∈ B, então
( )
kx + yk
Y (0) = 1 − : x, y ∈ B, kxk = kyk = 1 .
2

Como δB (0) = inf Y (0), basta calcular o ínfimo do conjunto Y (0).


kx0 +y0 k
Para isso, note que, dado z0 ∈ Y (0), pode-se escrever z0 = 1 − 2
para certos
x0 , y0 ∈ B tais que kx0 k = ky0 k = 1. Logo,

kx0 + y0 k kx0 k + ky0 k 1+1


z0 = 1 − ≥1− =1− = 0.
2 2 2

Como a escolha de z0 ∈ Y (0) foi arbitrária, segue que z ≥ 0, ∀z ∈ Y (0).


Além disso, dados x ∈ B tal que kxk = 1 e y = x, obtém-se que x, y ∈ B e
kxk = kyk = 1 e, portanto, 1 − kx+yk
2
= 1 − k2xk
2
= 1 − kxk = 1 − 1 = 0 ∈ Y (0).
Logo, foi mostrado que 0 é o elemento mínimo (e, portanto, o ínfimo) do conjunto
Y (0), ou seja, δB (0) = 0.

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