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Conflito e Rivalidade em Hogwarts

O capítulo narra um jogo de quadribol em Hogwarts onde Harry Potter é derrubado por um balaço lançado por Mattheo Riddle, resultando em sua queda. Arabella Gutemberg, que estava jogando pela Grifinória, se enfurece e confronta Mattheo, prometendo vingança. O capítulo também explora a tensão crescente entre Arabella e Mattheo, que se torna uma competição constante ao longo dos anos.

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Conflito e Rivalidade em Hogwarts

O capítulo narra um jogo de quadribol em Hogwarts onde Harry Potter é derrubado por um balaço lançado por Mattheo Riddle, resultando em sua queda. Arabella Gutemberg, que estava jogando pela Grifinória, se enfurece e confronta Mattheo, prometendo vingança. O capítulo também explora a tensão crescente entre Arabella e Mattheo, que se torna uma competição constante ao longo dos anos.

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Capítulo 1 — A Queda

A chuva caía fina sobre o campo de quadribol de Hogwarts. As arquibancadas


estavam cheias, cobertas por capas de chuva e gritos. Grifinória contra Sonserina.
Um clássico. Mas naquele dia, o ar parecia mais denso.

Harry Potter subia aos céus, o pomo dourado ziguezagueando à frente. Arabella
Gutemberg, em sua vassoura novíssima — presente dos pais — fazia curvas
perfeitas no ar, lançando goles com precisão letal.

Na arquibancada, Rony e Hermione vibravam a cada ponto marcado por Arabella.


Ela era o orgulho da Grifinória. Brilhante, ágil, destemida.

Então aconteceu.

Mattheo Riddle, o novo batedor da Sonserina — sombrio, elegante e cruel — voou


de lado como um raio verde escuro. Com um movimento brusco, acertou um balaço
direto contra Harry.

A pancada tirou Harry da vassoura. Ele despencou.

— HARRY! — gritou Arabella, voando em queda livre para tentar alcançá-lo.

Harry caiu sobre um feitiço de amortecimento lançado por Hermione a tempo. Estava
desacordado, mas vivo.

Arabella não ligou. Não respirou. Voou direto até Mattheo. Seus olhos brilhavam de
fúria. Ele a encarou com indiferença e um leve sorriso no canto da boca.

— Você é doente? — ela gritou, empurrando-o. — Você podia ter matado ele!

— Potter devia aprender a voar direito. Só isso — disse Mattheo, calmo.

Arabella puxou a varinha, o campo inteiro congelou.

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— Tenta encostar em alguém da minha casa de novo, Riddle, e vai precisar de um
curandeiro.

O jogo foi cancelado. Grifinória ficou com a vitória, mas ninguém comemorou. Harry
foi levado à enfermaria. Arabella passou a noite ao lado dele.

E Mattheo? Assistiu tudo da arquibancada, olhando para ela. Sem entender por que,
mesmo furiosa, ela era... interessante demais para ignorar.

Foi naquele dia que tudo começou.

---

A ala hospitalar estava em silêncio, exceto pelo som suave da chuva batendo contra
as janelas altas de Hogwarts. Arabella estava sentada ao lado de Harry, que dormia
profundamente sob o efeito de uma poção restauradora.

Ela segurava a mão dele com força, como se isso pudesse protegê-lo de futuras
quedas, de futuras ameaças... de Mattheo Riddle.

— Isso não vai ficar assim — murmurou, mais para si mesma do que para Harry.

Madame Pomfrey passou por perto, lhe lançou um olhar cansado e disse:

— Ele ficará bem até a manhã. Só precisa descansar... e você também, senhorita
Gutemberg.

Arabella não respondeu. Só continuou ali, imóvel, até as velas diminuírem e o frio da
noite se tornar real.

Do lado de fora, escondido entre colunas de pedra na entrada da ala hospitalar,


Mattheo observava.

Não sabia por que tinha ido até lá. Só sabia que algo o puxava. Não por Harry. Por
ela.

2
Arabella.

A garota que o enfrentou no céu como se a morte não a assustasse. Que não teve
medo dele — Mattheo Riddle, o garoto que até os colegas de Sonserina evitavam
desafiar. Que o encarou com uma fúria que queimava, viva, corajosa, honesta.

E aquilo o irritava.
E o intrigava.
E o atraía.

Ele cerrou os punhos e se afastou, os passos ecoando pelos corredores escuros


como um aviso. Ele prometera a si mesmo não se importar com ninguém. Mas
agora, pela primeira vez... alguém ocupava espaço demais em seus pensamentos.

No dia seguinte, o castelo inteiro sabia o que havia acontecido.

Draco Malfoy fez piada sobre o "surto" de Arabella. Fred e Jorge Weasley imitaram a
queda de Mattheo após o empurrão dela com perfeição. E, claro, o Professor Snape
tentou dar a entender que Harry havia caído por "falta de habilidade", mas ninguém
acreditou.

Arabella ignorava tudo. Não por fraqueza. Por foco.

Ela não esqueceria.

Ela se lembraria daquele olhar arrogante. Da provocação. Da falta de remorso.

E se ele queria guerra, ela estava mais do que pronta.

---

No final do dia, enquanto saía da aula de Poções, sentiu uma presença atrás de si.
Se virou com a varinha em punho.

3
— Relaxa, Grifininha — disse Mattheo, encostado na parede, braços cruzados.

— Fala mais uma palavra e eu te lanço um Levicorpus tão forte que você vai voar
sem vassoura.

— Sabe... você fica até bonita quando está furiosa.

Ela estreitou os olhos.

— Você me dá nojo.

— E mesmo assim, não parou de pensar em mim desde ontem.

Arabella se aproximou, a varinha ainda erguida, o rosto a poucos centímetros do


dele.

— É verdade. Não parei de pensar. Em quantas formas posso fazer você pagar por
machucar o meu irmão.

Mattheo sorriu.
Ela virou as costas e foi embora.

E ele ficou parado ali, sozinho, com uma única certeza: aquela garota ia destruir a
paz que ele nunca teve.

E ele... ia deixar.

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Capítulo 2 — Tudo Menos Indiferença

Dois anos depois


Início do 4º ano de Hogwarts
Narrado por Arabella Gutemberg

Não é fácil ser Arabella Gutemberg.


Não quando você é irmã de criação do Menino Que Sobreviveu.
Não quando carrega o brasão da Grifinória com o orgulho de uma leoa e a fama de
"a garota que quase duelou com um Riddle em pleno céu".
Não quando Mattheo Riddle ainda respira o mesmo ar que você.

Dois anos.
Dois anos inteiros desde que ele jogou Harry para fora da vassoura como se fosse
um pedaço de madeira velha. Dois anos desde que minha raiva pegou fogo. E, pra
ser honesta... esse fogo nunca apagou.

Eu o evitei como pude. Mas não por medo — eu queria distância. Porque cada vez
que o via nos corredores com aquele sorriso irritante, algo dentro de mim se
contraía.

Raiva. É isso.
Tenho certeza que é raiva.

Agora estou no Expresso de Hogwarts. A caminho do quarto ano.


Harry está na cabine ao lado com Rony e Hermione, discutindo estratégias de
quadribol. Eu? Sentada sozinha, lendo Feitiços Avançados Para Duelos Mágicos e
fingindo que não estou contando os minutos até encontrá-lo.

Não que eu me importe.


É que onde Mattheo Riddle está, confusão sempre segue. E eu gosto de estar
preparada.

Ouço passos no corredor. Vozes. Risos abafados. E então, como se fosse obra do
destino ou da mais cruel ironia do universo, a porta da minha cabine se abre.
5
— Olha só — diz a voz que me atormenta desde o segundo ano. — Arabella
Gutemberg. Sozinha? Isso é raro.

Levanto os olhos devagar, fecho o livro com calma. Ele está ali. Mais alto, o cabelo
bagunçado, os olhos intensos e escuros como tempestade. Tem aquele mesmo
sorriso cínico que eu odiava.

— E você ainda existe. Que pena. — respondo, sem hesitar.

— Que saudade da sua doçura — ele diz, encostando-se à porta, como se não
tivesse nada melhor pra fazer.

Eu rio. Uma risada seca, debochada.

— Vai provocar alguém que tenha paciência, Riddle. A minha acabou no segundo
ano.

Ele dá de ombros, sem sair do lugar.

— Engraçado... a minha curiosidade sobre você só aumentou.

Curiosidade. Ótimo.
Ele vai brincar de me irritar até o fim do ano, eu sei. Faz parte da rotina.
Eu o provoco, ele responde. Ele me desafia, eu supero.
Desde aquela queda, tudo virou competição. Quem é melhor no duelo. Quem lança
feitiços mais rápidos. Quem responde mais perguntas nas aulas. Quem chama mais
atenção nos corredores.
Mas quadribol…
Quadribol é guerra.

Treinei o verão inteiro. Todos os dias.


Porque eu sei que ele também treinou.
E quando estivermos no céu de novo, cada batida de asa da minha vassoura vai
lembrar ele de quem eu sou.

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— Arabella? — ele chama, me tirando dos pensamentos.

— O que foi agora?

Ele sorri. O tipo de sorriso que você só vê antes de algo explodir.

— Espero que você esteja pronta. Porque esse ano... eu vou te vencer.

Cruzo os braços e o encaro como se o desafiasse a tentar.

— Você vai tentar. E vai falhar. Como sempre.

Ele ri, dessa vez de verdade, e finalmente fecha a porta.

Mas enquanto o vejo sumir pelo corredor, sinto algo estranho. Uma batida no peito.
Um nó no estômago.

Ódio?
Medo?
Não.

Tudo… menos indiferença.

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Capítulo 3 — Silêncio Ruidoso

Narrado por Mattheo Riddle


Salão Principal de Hogwarts — Cerimônia de Seleção

A cada ano, o teto encantado do Salão Principal parece mais entediante. Céu
estrelado, velas flutuando, sorrisos bobos dos primeiristas. Tudo tão... previsível.

Eu me recosto no banco da mesa da Sonserina, entre Draco e Blaise, girando minha


varinha nos dedos por tédio, enquanto o Chapéu Seletor grita nomes que ninguém
vai lembrar daqui a uma semana.

— Aquela ali vai pra Lufa-Lufa — murmura Draco ao meu lado, apontando
discretamente com o queixo.

— Dez galeões em como ela vai pra Corvinal — rebate Blaise, já se inclinando pra
Pansy, que solta uma risadinha aguda.

Eu não respondo. Porque minha atenção está em outro lugar.

Na mesa da Grifinória. Mais precisamente, na garota sentada entre Potter e a


sabe-tudo.

Arabella Gutemberg.

Ela está diferente. Mais alta. O cabelo castanho preso em um coque bagunçado.
Postura ereta. Olhar firme. O tipo de garota que parece pronta pra duelar com o
mundo.

E, pra piorar, ainda tem aquele maldito brilho no olhar.

Acho que passei dois anos fingindo que ela não existia. E ela fez o mesmo. Desde
aquele jogo no segundo ano — aquele em que ela quase me lançou da vassoura no
meio da partida — nossas trocas se limitaram a farpas ocasionais e silêncios
carregados.

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Mas o pior é esse silêncio.

Ela está lá, rindo de algo que o Weasley disse, e isso me irrita. Não porque ela está
feliz. Mas porque eu queria entender por que isso ainda me incomoda.

Eu devia odiá-la. E odeio.


Ela me enfrentou. Me humilhou. Nunca baixou os olhos. Nunca me teve medo.

Mas agora, dois anos depois, ela senta lá como se não existisse ninguém à altura
dela. E talvez… talvez não exista.

— Riddle — Theodore me cutuca. — Você tá longe, cara.

— Só esperando acabar essa baboseira — respondo, frio. — Esses pirralhos ainda


vão chorar no primeiro mês.

Ele ri. Draco volta a cochichar alguma coisa sobre a próxima partida de quadribol. E
eu finjo ouvir.

Mas meus olhos voltam. Sempre voltam. Para ela.


Gutemberg.

Ela não me olha nem uma vez. Nem um único segundo.

E talvez seja isso que me tire a paz.


O fato de ela não estar jogando mais. Não tentando vencer.
Não me provocando.

Não competindo comigo.

É como se… como se ela já tivesse vencido.

E eu?
Eu odeio perder.

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Capítulo 4 — Sonhos em Vermelho e Ouro

Narrado por Mattheo Riddle


Quatro dias depois do início do 4º ano

O sonho começa com o som do vento.

Estou no céu, muito acima das torres de Hogwarts. A brisa é morna, o pôr do sol
pinta o mundo de dourado e escarlate. Eu reconheço a silhueta à frente, mesmo
antes de ver seu rosto.

Arabella Gutemberg.

Ela voa na minha frente, cabelos soltos ao vento, rindo.


Mas não daquela risada sarcástica e ácida que ela guarda pra mim nos corredores.
Não. É outra coisa. Algo leve. Real.

Eu a sigo. A vassoura dela flutua como se não tocasse o ar, e quando me aproximo,
ela vira o rosto.

E sorri.

— Por que você está sempre atrás de mim, Riddle? — ela pergunta.

Quero responder. Mas o céu explode. A luz vira escuridão.


Ela cai. De novo.
Mas não é ela.
Sou eu.

E então acordo.
Suando. Sem fôlego.
O nome dela nos meus lábios.

— Arabella.

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Na manhã seguinte, me visto sem falar com ninguém. Draco me cutuca umas três
vezes durante o café da manhã, mas eu não escuto metade do que ele diz.

Porque ela está lá.


Na mesa da Grifinória.
Sorrindo pra Potter. Comendo maçã.

Ignorando minha existência como se nunca tivesse sonhado comigo.

Como se eu também não tivesse acordado com o som da voz dela na cabeça.

Arabella está me evitando. Isso é claro.

Ela muda de direção quando me vê vindo. Sai mais cedo do salão. Senta do outro
lado da sala nas aulas. Se joga nos treinos de quadribol com obsessão, como se
fugir de mim fosse um novo esporte.

— Se ela voar mais rápido, vai atravessar a barreira do som — comenta Blaise,
observando do alto das arquibancadas.

— Ela não está fugindo de você. Está se preparando pra te esmagar no próximo
jogo — provoca Pansy, com uma piscadinha venenosa.

Talvez.
Mas algo me diz que não é só sobre o jogo.

Encontro no corredor.
O ar está pesado.

Arabella vira a esquina com Hermione, livros nos braços, quando me vê. A amiga
continua andando, distraída, até perceber que Arabella parou.

11
Por um momento, nossos olhos se encontram.

Aquele mesmo silêncio perigoso de dois anos atrás.


Como se tudo ao redor deixasse de existir.

— Você vai continuar me ignorando? — pergunto, a voz baixa, fria demais até pra
mim.

Ela ergue o queixo, desafiadora.

— E se eu estiver?

— Achei que você adorasse uma competição — dou um passo à frente, olhando
dentro dos olhos dela. — Mas se correr de mim é a sua nova tática, boa sorte.

Ela abre a boca pra responder, mas Hermione a puxa pelo braço.

— Bella, vamos. A aula começa em três minutos.

Ela me dá um último olhar antes de se virar.


Sem dizer nada.

Mas eu vejo.
Nos olhos dela.

Ela sentiu.

Aula de Transfiguração.

A professora McGonagall anda entre as fileiras, enquanto alunos tentam transformar


ouriços em taças.

— Concentração, senhor Weasley — ela diz, vendo a criatura de Rony girar em


círculos com orelhas de cristal. — Não queremos mais explosões hoje.

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Arabella está sentada duas fileiras à frente. Hermione ao lado, Potter também.

Eu, ao fundo, com Theodore.

Não olho para ela.

Minto. Olho sim.


A todo instante.

Vejo os dedos dela tocarem a varinha com firmeza. Vejo a concentração. A força. A
graça sem esforço.

— Você vai furar a nuca da garota de tanto encarar — cochicha Theodore, divertido.

— Cale a boca — rosno.

Na frente, Arabella se vira. Por instinto, talvez. Como se sentisse meus olhos.

Nos encaramos.

Longo o suficiente para a taça dela se transformar de volta em ouriço sem que ela
perceba.

— Gutemberg! — McGonagall a chama, firme. — Concentre-se!

Ela abaixa os olhos. E pela primeira vez em dois anos... parece abalada.

Eu sorrio.
Não por maldade.

Mas porque, por um segundo, ela pensou em mim.


E isso…
É o começo.

13
Capítulo 5 — Limite Tênue

Narrado por Arabella Gutemberg

Depois da aula de Transfiguração, alguma coisa mudou.

Não sei dizer exatamente o quê.


Talvez tenha sido o jeito que Mattheo me olhou. Intenso. Afiado. Quase como um
feitiço que me atingiu sem aviso.
Talvez tenha sido o sonho da noite passada — ou melhor, o pesadelo — em que ele
me puxava para o fundo do Lago Negro e eu acordava sem ar.

Mas uma coisa eu sei: estou cansada de fingir que ele não existe.

Evitar Mattheo Riddle é como tentar apagar um incêndio com as mãos.


Não adianta.
Ele sempre volta.

Então parei de fugir.


Mas não vou atrás.
Não vou procurar.
Não sou estúpida.

A aula de Defesa Contra as Artes das Trevas começou silenciosa demais.


Harry estava concentrado. Rony, tentando não cochilar. Hermione com a mão
levantada antes mesmo de o professor Moody terminar a frase.

E Mattheo, claro, duas fileiras atrás. Quieto. Observando.

Senti.
Não precisava olhar pra saber.
O olhar dele queima. Sempre queimou.

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— Arabella... tá tudo bem? — Harry cochichou, me cutucando com o cotovelo.

— Tô — respondi, firme. Mas não tirei os olhos do quadro.


Não queria que ele visse.
Que o mundo visse.
Que alguma parte de mim ainda escutava o nome "Riddle" e o coração acelerava.

Na saída da aula, Hermione e Rony foram na frente, discutindo sobre uma possível
prova surpresa. Harry ficou me esperando, mas alguém o chamou do outro lado do
corredor.

Fiquei sozinha por um instante.

Instante demais.

Mattheo parou ao meu lado. Não disse nada. Nem eu.


Andamos na mesma direção. Aquele silêncio que mais parece uma corda esticada
entre nós.

— Não vai fugir? — ele perguntou, finalmente.

— Não.
— Vai falar comigo?
— Não.
— Vai me ignorar de novo?
— Tô aqui, não tô?

Ele riu baixo, quase imperceptível.

— Você não facilita, Gutemberg.

Parei. Olhei pra ele.

— Eu não estou aqui pra facilitar a vida de ninguém, Riddle. Muito menos a sua.

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Ele abriu um sorriso de canto. Do tipo que irrita. Do tipo que... me fazia querer socar
uma parede.

— Você treina todo dia, sabia? Como se o mundo dependesse do próximo jogo.

— E você me segue, toda hora, como se eu fosse uma missão secreta.

— Talvez você seja.

Meus olhos se estreitaram.

— O que você quer, Mattheo?

Ele me olhou. Sério dessa vez. Por um momento, o riso sumiu do rosto.

— Ainda tô tentando entender.

E então ele foi embora.

Me deixando ali, sozinha.


Com o coração estranhamente inquieto.
E com a certeza incômoda de que, se ele estava tentando entender...
…eu também estava.

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Capítulo 6 — Veneno em Dupla

Narrado por Arabella Gutemberg

O sonho veio sorrateiro.

Estou num corredor vazio de Hogwarts, o chão alagado por alguma razão que não
entendo. A luz é azulada, surreal.

Mattheo está de costas.


Ele anda devagar, as botas molhando a pedra, o som ecoando como feitiço.

— Riddle? — minha voz sai baixa, mas ele para.


Vira-se.

Ele me olha como se soubesse algo que nem eu sei.


Como se estivéssemos presos ali — entre o que somos e o que não podemos
admitir.

— Você não pode continuar fingindo — ele diz, com a voz baixa, quase gentil.
— Fingindo o quê? — pergunto, embora já saiba.
— Que não sente.

Então ele toca minha mão. Só isso.


Um toque.

Mas a água sobe, escurece, e tudo afunda com um rugido abafado.


Me afogo.
Não consigo respirar.

— Arabella! — Hermione me sacode, e eu sento na cama com um solavanco,


ofegante.

— Merlim... — sussurro, empurrando os cachos do rosto.

17
Hermione está ali, olhando assustada.

— Você estava sussurrando. Repetindo... o sobrenome dele.

Pisco. Engulo em seco.

— Que sobrenome?

Ela cruza os braços, nada convencida.

— Riddle. Você repetiu “Riddle” pelo menos três vezes antes de eu te acordar.

Olho pro lado. Cama bagunçada. Mãos trêmulas.


— Foi só um sonho. — minto.

Hermione não insiste. Mas o olhar dela me diz tudo.


Ela sabe.
Talvez eu também saiba.

A manhã foi um caos. Acordei atrasada, perdi o café da manhã e corri para a
masmorra ainda com as meias trocadas. Chego esbaforida, derrubando um livro ao
entrar.
E, claro, Snape adora um desastre.

— Que bom que resolveu aparecer, senhorita Gutemberg. — sua voz cortante ecoa.
— Já que está tão empolgada com a aula de Poções, farei o favor de escolher sua
dupla.

Droga.

— Rony — cochicho, apontando discretamente.


— Longbottom — ele me ignora.
— Hermione — quase imploro.

18
Snape sorri. Um sorriso lento. Cruel.

— Riddle.

Me viro com força, os olhos arregalados.

Mattheo levanta uma sobrancelha, recostado na bancada, como se já soubesse.


Claro que sabia.

— Isso é uma piada — sussurro.

— Tô rindo por dentro — ele responde.

Respiro fundo, sento ao lado dele e tento não socar nada.

A aula foi... explosiva. Literalmente.

Mattheo mexia nos ingredientes como se estivesse inventando uma maldição nova.
Eu tentei manter o controle, como sempre. Mas ele jogava comentários.
Provocações.

— Cuidado com a essência de beladona, Gutemberg. Você já é venenosa o


suficiente.

— E você é tão inútil quanto o Neville — retruco, cortando raiz de mandrágora com
força.

Snape percebeu. Obviamente.

Na terceira troca de farpas, algo estalou.


O caldeirão soltou fumaça verde, a mistura transbordou, e um grifo esculpido na
madeira da bancada literalmente pegou fogo.

19
Snape deu um passo à frente, olhos frios.
— Riddle. Gutemberg. Vocês dois — disse, entredentes — estão oficialmente
convocados para uma detenção.
Ele fez uma pausa dramática.
— Amanhã à noite. Sala de Poções. Comigo.

Olhei para Mattheo.


Ele não parecia nem um pouco arrependido.
Na verdade, ele estava sorrindo.

Idiota.

— Maldito sonho — murmuro baixinho, com os olhos grudados na bancada.

— O quê? — ele pergunta.

— Nada.
Absolutamente… nada.

20
Capítulo 7 — Silêncio de Vidro

Narrado por Mattheo Riddle

O silêncio da sala de poções à noite é diferente.

Não é o silêncio calmo da biblioteca, nem o barulhento disfarçado de silêncio da


Sala Comunal da Sonserina. É um tipo de silêncio que parece esperar.
Um silêncio que ouve.
Julga.

Arabella chegou atrasada por dois minutos. Contados.


O som dos passos dela ecoou pela pedra úmida da masmorra, firme como ela.

Cabelo preso no alto, alguns cachos escapando e caindo ao redor do rosto. As


sardas marcadas pela luz fraca das tochas. Olhos azuis, frios.
Ou pelo menos tentando parecer.

Ela não olhou pra mim. Não disse nada.


Sentou na bancada oposta, como se fosse uma batalha.

Snape nos esperava de braços cruzados.

— Vocês dois passarão as próximas duas horas reorganizando as estantes de


ingredientes da seção de risco moderado. — Ele apontou para o fundo da sala, onde
frascos de líquidos negros brilhavam como olhos em vidros. — Nada de feitiços. À
mão. E sem uma palavra. Nem uma.

Ele saiu, a capa flutuando atrás como fumaça.


A porta se fechou com um clique seco.

Arabella começou primeiro. Sempre começa.


Organizada. Metódica. Dobrava panos antes de limpar cada frasco.

21
Eu fiquei olhando.
No começo, por tédio. Depois... nem tanto.

Ela percebeu. Claro. Ela sempre percebe.

— Você vai só olhar ou pretende fazer alguma coisa, Riddle? — disse sem tirar os
olhos do frasco.

— Estou admirando sua obsessão — respondi, indo até a prateleira de baixo. —


Fascinante, pra falar a verdade.

— Fascinante é você ter sobrevivido até o quarto ano sendo tão... insuportável.

— Você pensou em “irritante” antes de escolher “insuportável”. — Sorri. — Seu tom


de voz subiu meio tom no meio da palavra.

Ela revirou os olhos.

— Você presta atenção demais em mim.

— Você tá no meu caminho o tempo inteiro. Fica difícil não prestar atenção.

Ela parou. Por dois segundos. Só dois. Mas eu vi.


Alguma coisa no ar ficou mais densa.

Trinta minutos passaram. Nenhuma explosão, o que já era um milagre.

Arabella subiu numa pequena escada para alcançar o frasco de Língua-de-troll. Eu


devia estar concentrado na prateleira de baixo, mas não estava.

Ela se esticou e desequilibrou por um segundo. Só um segundo.


Instinto. Me levantei.
Segurei ela pela cintura antes que caísse.

22
A escada tremeu, mas ela se firmou.
E o mundo ficou parado.
Minha mão ainda na cintura dela. O calor do corpo dela. A respiração curta.

Ela desceu devagar.


Muito devagar.
Quando virou, o rosto estava a centímetros do meu.

— Me solta, Riddle — disse, sem força na voz.

Soltei.

Ela se afastou, ajeitando o cabelo, tentando parecer intacta.


Não conseguiu.

O resto da detenção foi... silêncio. Mas não aquele silêncio de antes.


Era outro.
Silêncio de vidro. Qualquer movimento em falso e quebrava.

Enquanto lavávamos os frascos, os dedos dela esbarraram nos meus. Por acidente.
Talvez.
Ela não puxou. Nem eu.

Só olhamos.
O frasco entre a gente.
A respiração contida.

Quando Snape voltou, não falou nada.


Olhou a prateleira.
Olhou pra nós.
Assinou algo num pergaminho e nos dispensou.

Arabella saiu antes de mim. Rápida. Como se fugisse de alguma coisa que não

23
queria enfrentar.

Talvez fosse eu.


Talvez fosse ela mesma.

Fiquei ali mais alguns segundos, olhando o lugar onde ela estivera.

E pela primeira vez, me perguntei:


O que acontece quando um inimigo deixa de parecer um inimigo?

E começa a parecer... inevitável?

24
Capítulo 8 — Jogo Sujo

Narrado por Arabella Gutemberg, com trechos narrados por Mattheo Riddle

Fingir que nada aconteceu é mais difícil do que parece.


Especialmente quando tudo em você ainda sente.

A mão dele na minha cintura.


Aquele maldito silêncio que não era só silêncio.
O toque de dedos que durou tempo demais.

Mas eu finjo. Porque é o que se espera de mim.


Porque é o que ele está fazendo também.

Acordei cedo demais para alguém que detesta segunda-feira.


Harry estava irritado, socando o travesseiro e resmungando. Hermione me lançou
um olhar cansado enquanto terminava o dever de Poções. Rony tentava fingir que
entendia o que lia.

— Ele ainda tá assim? — perguntei, bocejando.

Hermione assentiu.

— Cho disse que traiu Harry com Cedrico... e espalhou isso pra metade do quinto
ano. É mentira, claro, mas... — ela abaixou a voz — o Harry tá um estopim
ambulante.

— Ótimo. Justo no dia do primeiro treino de quadribol — murmurei.

— E a Sonserina vai treinar no mesmo horário. Vai ser... tranquilo — Rony ironizou.

[Trecho — Mattheo narrando]

25
Arabella fingindo que não me vê é um espetáculo à parte.
Passou por mim no corredor como se eu fosse invisível.
Mas apertou os livros com força.
Fingir só funciona até alguém começar a tremer os dedos.

O campo de quadribol estava dividido — ou pelo menos tentaram.

De um lado, o vermelho vibrante da Grifinória. Do outro, o verde provocador da


Sonserina.
Mas ninguém ali estava com espírito esportivo.
Era guerra fria.

Draco começou tudo, óbvio.

— Olha só, Potter. Tão calado hoje. Cedrico anda ocupado demais pra deixar sua
namorada sair sozinha?

Harry girou nos calcanhares tão rápido que quase largou a vassoura.

— Cala a boca, Malfoy!

— Tá sensível, é? Fica tranquilo, ela deve ter confundido você com um elfo
doméstico...

— VAI SE FERRAR! — Harry avançou, e Rony segurou ele pelo uniforme.

— Ótimo, ótimo, maravilhoso — murmurei, indo me meter no meio. — Se vocês


querem brigar, vão pro Salão Principal e joguem torta um no outro. A gente veio pra
treinar.

— Quer proteger o Potter, Gutemberg? — Draco riu.

Eu sorri, sem humor.

26
— Não. Só quero ter o prazer de esmagar sua cara no próximo jogo. Mas se quiser,
posso começar agora.

Mattheo estava ali. Em silêncio. Mas olhando. Sempre olhando.

[Trecho — Mattheo narrando]

Ela com raiva é arte.


Firme. Língua afiada. Postura reta.
Ela com raiva é mais bonita do que deveria ser.
Mais perigosa também.

— Gutemberg! Riddle! Vocês dois, dupla no exercício aéreo. Cada dupla deve tentar
tirar o pomo de ouro da outra usando defesa e velocidade.

— Tá de brincadeira — dissemos os dois ao mesmo tempo.

Madame Hooch nos ignorou.

No céu, tudo piora.

Ele voa como se o mundo fosse dele. Arrogante. Preciso.


Eu voo como se precisasse vencer pra respirar.

— Vai continuar fingindo? — ele perguntou, subindo ao meu lado, a vassoura


deslizando como sombra.

— Que nada aconteceu? — provoquei. — Claro. Você é ótimo nisso.

— Eu só finjo o que você me obriga a fingir.

27
— Não se dá muito bem quando não é você que controla, né?

Ele riu. Maldito.

— Quando se trata de você... acho que perdi esse controle há tempos.

Fomos os únicos a não pegar o pomo.


Passamos o exercício inteiro tentando se superar.
Marcar um no outro.
Apertar a curva mais fechada.
Voar mais alto.
Mais rápido.
Mais perto.

Tão perto que, por dois segundos, nossos ombros se encostaram no ar.
Um toque que ninguém viu. Mas que eu senti até a alma.

No fim, Harry ainda estava emburrado. Draco estava rindo. Hermione revirava os
olhos.
E eu?

Eu voei como se estivesse fugindo.


Dele. De mim.
Do que tá crescendo no espaço entre os gritos e os silêncios.

[Trecho — Mattheo narrando]

Arabella Gutemberg vai me destruir.


E o pior?

Eu vou deixar.

28
Capítulo 9 — Entre Gritos e Silêncios

Narrado por Arabella Gutemberg, com trechos de Mattheo Riddle

As coisas pareciam prestes a quebrar.


Entre palavras não ditas e olhares perigosos, tudo vibrava, como uma corda
tensionada demais prestes a arrebentar.

E eu…
Eu estava no meio disso tudo, segurando o mundo com as duas mãos enquanto ele
escorregava.

A primeira vez que Draco chamou Harry de “covarde chorão do Cedrico” naquela
manhã, eu finquei as unhas na palma da mão.
Na terceira vez, Hermione precisou segurar o braço de Harry.

— Eu vou matar esse desgraçado — Harry rosnou, baixo, os olhos duros como
pedra.

— Não vale a pena, Harry — Hermione sussurrou. — Ele só quer te provocar.

— Então está funcionando — ele respondeu. — Porque eu quero socar a cara dele.

Mattheo estava encostado na parede do corredor, perto da escadaria principal. Não


dizia nada. Mas eu sabia que ele estava ouvindo. E sabia que ele estava… cansado.

[Trecho — Mattheo narrando]

Se eu ouvir Draco falar do Potter mais uma vez, juro que faço ele engolir cada sílaba
com a própria varinha.
Mas ele fala. Sem parar.

E eu?

29
Fico ali, ouvindo, calado, com vontade de atravessar a parede.
Ou atravessar ele.

O estopim foi no saguão de entrada, pouco antes da aula de Defesa Contra as Artes
das Trevas. O lugar estava cheio. Era um caos de mochilas, livros e barulho.

Cho apareceu.
Com o cabelo arrumado demais e um olhar forçado de arrependimento.
Olhou direto pra Harry.

— Harry… — a voz dela era baixa, tentando parecer gentil.

Ele congelou.

— Eu só queria dizer que… que eu não queria que as coisas fossem assim.

Draco, claro, não perdeu a chance.

— Olha só. A traidora voltou. Cuidado, Potter, ela pode estar com um bilhete do
Cedrico escondido no bolso.

Harry virou na hora.

— Cala. A. Maldita. Boca, Malfoy.

— Oh, ele fala! Vai chorar também? Vai dizer que ainda sonha com ela?

— PAREM! — tentei me colocar no meio, mas era como separar dois dragões.

— Se você falar da Cho de novo, juro que te jogo da Torre de Astronomia! — Harry
gritou, as mãos tremendo.

— Você não conseguiria nem enfrentar um dementador com a sua varinha! — Draco
rebateu, rindo.

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— Ele enfrentou — Ron avançou. — E você estava escondido atrás do Snape!

A multidão começou a se agitar. Alunos se aproximaram.


As vozes aumentaram.

Cho recuou. Pansy apareceu e foi direto pro lado do Draco.


Hermione, vermelha de raiva, tirou o livro de Poções da mochila.

— Hermione… — tentei avisar.

Ela arremessou o livro com toda a força.


Só que Draco se abaixou.

E o livro acertou em cheio a testa da Pansy.

— AAAH! — Pansy caiu sentada no chão, segurando a cabeça. — SUA DOIDA!

— Ops — Hermione disse, sem um pingo de arrependimento.

[Trecho — Mattheo narrando]

O livro voando foi a parte mais divertida.


O olhar da Arabella, tentando conter a risada, mesmo nervosa.
Mas no fundo, tudo em mim só queria que acabasse.

Tava ficando insuportável.


Draco provocando Harry.
Harry prestes a explodir.
E ela ali, no meio.

— CHEGA! — gritei. — Vocês querem brigar? Se matem na sala de duelo! Mas não
na minha frente!

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O saguão silenciou por um segundo. Só um. Mas foi o suficiente.
Harry respirava fundo, tremendo.
Draco ajeitava a capa com raiva contida.
Hermione olhava pra Pansy como se não se arrependesse nem um pouco.

Eu olhei pra Mattheo. Ele me encarava.


Com aquele olhar…
Frio por fora. Incendiado por dentro.

Minutos depois, McGonagall apareceu, esbaforida.


Depois de ouvir os gritos de longe.
Punições, ameaças de detenção e um sermão que durou cinco minutos.

Na aula de Defesa, ninguém prestou atenção.


Professor Lupin fingia que não via o estado do grupo.

Harry estava com os olhos fixos na parede.


Draco fazia desenhos de varinhas sendo quebradas no pergaminho.
Ron ainda murmurava “idiota” pra ele mesmo.
Hermione fingia copiar a matéria, mas o olho ainda vibrava de adrenalina.
E Mattheo…

Mattheo estava calado.


Mas com os punhos cerrados.

[Trecho — Mattheo narrando]

Ela sentou duas fileiras à minha frente.


O cabelo preso num coque malfeito, como sempre faz quando tá irritada.
As costas eretas. O pescoço exposto.

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A forma como ela respirava fundo, tentando controlar a raiva…
Mal ela sabia que eu também estava tentando.

Depois da aula, quando todos saíram, nos encontramos na escada em espiral que
levava à torre da biblioteca.

Silêncio.

Passamos um pelo outro. O ombro dela tocou o meu.


De leve.
Mas como se tivesse peso.

— Eles vão se matar. — disse Mattheo, sem olhar pra mim.

Eu parei. Virei devagar.

— E a gente vai ter que impedir. Sempre.

Ele me olhou.
Sério. Cansado. Intenso.

— Isso vai dar merda, Gutemberg. E eu nem tô falando só dos dois.

— Eu sei.

— Tô falando da gente também.

E então, por um momento…


Ficamos ali.

Dois rivais, cercados pelo caos, tentando desesperadamente manter a sanidade.


Tentando fingir que não sentem nada.

33
Enquanto tudo ao redor se despedaça.

34
Capítulo 10 — Sonhos Que Não Deveriam Existir

Parte 1 — Mattheo

Foi ela.
De novo.

Arabella Gutemberg, com o rosto sujo de barro, os olhos azuis cheios de raiva e…
desejo.
Aquela mistura perigosa que só ela sabia ter.

Estávamos no campo de quadribol, mas era noite.


Ela segurava a vassoura como se fosse uma espada.
A capa vermelha da Grifinória esvoaçava.
Eu tentava falar alguma coisa, qualquer coisa. Mas ela só sorria.

— Você quer me vencer, Riddle? — ela sussurrou, encostando o rosto no meu.

— Sempre — respondi, mas minha voz saiu falha.

— Então me derruba. — E ela deu um passo pra trás, se jogando no ar.

Eu gritei. Saltei atrás dela.

Caímos.
No vazio.
No escuro.
Mas eu a segurava. E ela me olhava.

Sardas.
Lábios rosados.
Cabelo bagunçado pelo vento.
Os olhos dela me prendiam, me puxavam pra algum lugar entre loucura e
necessidade.

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— Mattheo… — ela murmurou. — Mattheo…

— Arabella — sussurrei de volta.

— ARABELLA??

Acordei num pulo. Suando.

A primeira coisa que vi foi Draco parado ao lado da minha cama, me encarando com
a boca aberta como se eu tivesse acabado de confessar que beijei o Hagrid.

— Cara… você tava sussurrando o nome dela enquanto dormia.

— Que? — pisquei. — Eu não...

— Estava, sim. Repetiu umas quatro vezes. Foi assustador.

Blaise soltou uma risada do beliche de cima.

— Ele tava sonhando com a Grifinória. Isso sim é pesadelo.

— Não — Draco riu, cruzando os braços com um sorriso de quem acabou de


descobrir um segredo suculento. — Isso é paixão.

— Cala a boca, Malfoy.

— Você quer pegar a Gutemberg. Admito, sempre soube. Mas agora… isso aí,
Riddle? Isso é mais que raiva. Isso é amorzinho adolescente.

Joguei um travesseiro nele.

— Vai se ferrar.

— Apaixonado… — Draco cantou, saindo do dormitório.

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E tudo que eu consegui pensar foi:
Talvez ele esteja certo.

---

Parte 2 — Arabella

Não sei por que Cedrico Diggory me chamou no meio do corredor.


Mas todos pararam pra olhar. Porque claro que pararam.

Ele é… Cedrico.
Popular. Invejável. Impecável.
Aquele tipo de cara que parece ter sido moldado por um feitiço de perfeição.

— Arabella — ele sorriu, educado. — Pode conversar comigo por um instante?

— Claro — respondi, desconfiada. — Sobre?

Ele me levou até a janela do corredor do terceiro andar, onde não havia ninguém por
perto.

— Eu… queria esclarecer algumas coisas. Boatos. Sobre mim. E a Cho.

Ah.

— Ela disse que… você ficou com ela enquanto ainda namorava o Harry — adiantei,
séria.

Ele suspirou, passando a mão no cabelo. Que ódio dessas pessoas perfeitas até
suspirando.

— Não é verdade. Cho… interpretou mal algumas conversas. E eu nunca dei


abertura pra ela enquanto estava com Harry. Ela se aproximou depois. E eu recusei.

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Assenti. Havia sinceridade nos olhos dele.

— Só achei importante você saber. Parece que você é próxima do Potter.

— Ele é meu irmão — respondi.

— Entendi. — Cedrico sorriu, mais gentil agora. — Você é… diferente. Direta.

— É um elogio?

— Talvez — ele piscou. — Mas se você quiser transformar em convite pra um chá
em Hogsmeade, aceito.

Soltei uma risada, surpreendida.

Ele riu junto. Aquilo foi leve. Um respiro em meio ao caos.


Mas então… eu senti.

Aquela presença.

Mattheo.

Virei discretamente.
Ele estava parado no fim do corredor.
Braços cruzados. Sombra nos olhos. Mandíbula trincada.

Parecia uma tempestade prestes a acontecer.

— Preciso ir, Diggory — falei, educada, sentindo o estômago apertar.

— Quando quiser conversar, sabe onde me encontrar.

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Assenti. E saí… com a pele ardendo sob o olhar de Mattheo.

---

Parte 3 — Mattheo

Eu queria matá-lo.

Não literalmente.
Ainda.

Mas Cedrico Diggory falando com ela como se fossem íntimos? Sorrindo?
Brincando?

A Arabella rindo com ele?

Não.

Não.

Não.

— Vai com calma, Riddle — Theo comentou, ao me ver com o punho fechado. —
Vai acabar quebrando a parede.

— Ele não tem nada com ela.

— Que?

— O Diggory. Não tem. Nada. Com. Ela.

Theo me olhou com as sobrancelhas erguidas.

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— Uau. Isso soou possessivo pra caramba.

— Cale a boca.

O pior?
Ela não me olhou.

Passou por mim como se eu fosse qualquer um.


Como se o que aconteceu na detenção nunca tivesse acontecido.
Como se meus sonhos… não fossem reais.

Eu queria o mundo em silêncio.


Mas tudo dentro de mim gritava.

Gritava o nome dela.

Arabella.

E eu odiava o som disso tanto quanto amava.

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Capítulo 11 — Limites, Mentiras e Labaredas

Narrado por Mattheo Riddle

A raiva veio primeiro.


Sempre vem.
Silenciosa, quente, lenta.
Mas depois… ela explode.

E o gatilho? Foi ela.


De novo.

Arabella Gutemberg.

No pátio da Torre Leste.


Com Cedrico Diggory.
De novo.

Só que dessa vez… eles estavam rindo.


E ele — aquele idiota pretensioso com cara de pôster da Lufa-Lufa — tocou no rosto
dela.

No rosto dela.

E eu perdi tudo.

— Vai quebrar o parapeito se apertar mais, Riddle — Blaise disse atrás de mim.

— Não me enche.

— Isso aí já virou patético, cara. Sério. Ela nunca te deu bola. E você tá aí...
babando como se fosse maldição.

— Cala a boca, Zabini.

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E então Draco apareceu.
Sempre o momento perfeito pra piorar tudo.

— Você viu o Potter hoje? Tá andando por aí feito dementador apaixonado. Acha
que Cho ainda vai querer ele depois do que rolou com Cedrico?

A palavra Cedrico me atingiu em cheio.

— Cala a boca, Malfoy.

— Ué? Tá sensível hoje. — Ele sorriu, venenoso. — Ou tá nervoso porque viu a


Gutemberg com o seu rival?

— Cala. A. Boca.

Pansy apareceu, mascando chiclete como sempre.

— Ele tá surtando por causa da Grifinóriazinha. Aposto que sonhou de novo.

Virei pra ela com um olhar que fez até o vento parar.

— Cuidado com o que diz, Parkinson.

— Uhhh, que medo — ela zombou.

E então veio Hermione.

— Ah, claro. A turminha tóxica da Sonserina reunida. Que novidade.

Ela apareceu bufando, com Harry logo atrás e Ron emburrado ao lado.

— Olha só, a bibliotecária falante — Draco rebateu. — Vai nos ensinar a amar o

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próximo agora, Granger?

— Pelo menos não sou obcecada por dramas adolescentes como você.

— Ai, que pena — Pansy riu. — Ainda acha que inteligência compensa beleza?

Hermione se aproximou.

— Prefiro ser inteligente do que parecer uma versão falida da Bellatrix com gloss.

— O quê você disse?! — Pansy deu um passo pra frente.

— Quer que eu desenhe?

Cho surgiu do nada, ofegante.

— Harry, posso falar com você?

Harry travou.

— Não quero falar com você, Cho.

— Mas é sério, você tá acreditando mesmo que eu fiquei com Cedrico enquanto a
gente namorava?

— Eu não quero saber! — ele gritou.

— Harry — Hermione tentou intervir.

— Você me traiu — Harry gritou de novo. — E agora tá agindo como se eu fosse o


errado?

— Eu não te trai, eu só...

— MENTIROSA!

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— Se controla, Potter — Draco murmurou, sarcástico. — Vai chorar?

— Cala essa boca! — Harry partiu pra cima dele.

Ron tentou segurar, mas já era tarde.


Harry empurrou Draco contra a parede.
Hermione gritou.
Pansy gritou.
Eu?

Eu só queria sair dali.


Mas então vi.

Arabella se aproximando da confusão.


E Cedrico correndo atrás dela, tentando protegê-la da briga.

— Bella, espera, não se mete!

Ela correu até Hermione e puxou ela pra trás de Ron.

— Para! TODOS VOCÊS! — Arabella gritou. — QUE IDIOTICE É ESSA?!

O pátio silenciou por um segundo.

— Você — ela apontou pra Draco — cala essa boca venenosa e para de provocar o
Harry.

— Ele que começou...

— NÃO interessa.

Ela virou pra Pansy.

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— E você, menos ainda. Sai da minha frente antes que eu perca a paciência.

— Olha como fala comigo, sua...

Arabella se virou com os olhos faiscando.

— Termina essa frase, Parkinson. Eu te desafio.

Pansy deu dois passos pra trás.

E então ela me viu.

Ali.

Observando.

Que ironia.

Todos estavam aos gritos… menos eu.


Mas meu sangue… gritava.

Arabella desviou o olhar. Voltou pro Cedrico.

E aí…

A faísca virou incêndio.

— Você gosta disso, né? — gritei pra ela. — De ser o centro. Todo mundo lutando,
gritando, se matando… por você.

Todos se calaram.

Ela congelou.

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Me encarou.

— E você gosta de fingir que me odeia quando, na verdade, quer ser o próximo a
tentar.

— Eu nunca tentei nada.

— Claro que tentou. No fundo, você quer que eu seja sua próxima guerra.

— Você já é.

Silêncio.

Harry puxou Arabella pra longe. Hermione foi junto.

Cedrico me encarou. Frio.

— Se toca, Riddle. Você tá perdendo o controle.

— Quem falou que eu quero controlar?

Cho saiu chorando.


Draco praguejou.
Pansy chamou Hermione de algo que não posso repetir.
E Ron ameaçou hexar alguém.

E eu?

Fiquei ali.

Sozinho.

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Mas antes de ir, Arabella me olhou uma última vez.

Não com raiva.


Não com desprezo.

Com medo.

Medo… de mim.

E isso me matou mais do que qualquer feitiço.

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Capítulo 12 — Riddle em dobro, escolhas em conflito

Ponto de vista: Arabella Gutemberg

Hermione estava deitada na cama dela com um livro de Runas Antigas aberto, mas
não lia. Me olhava com aquele olhar preocupado dela. O tipo de olhar que me fazia
lembrar que, não importa o quanto eu fingisse estar bem, ela sabia que era mentira.

— Vai fingir até quando? — ela perguntou, finalmente.

— Fingir o quê?

— Que não tá surtando por dentro.

Suspirei, afundando no meu travesseiro.

— Eu não tô surtando...

— Arabella.

Virei o rosto pra ela.

— Hermione, tá tudo uma bagunça. O Harry brigando com meio mundo, a Cho
agindo como se nada tivesse acontecido, o Mattheo sendo... o Mattheo. E agora o
Cedrico...

— O Cedrico?

Corei.

— Ele... tem sido legal. Só isso.

Hermione arqueou a sobrancelha.

— "Legal"?

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— Tá, talvez... fofo. Atencioso. Ele escuta, sabe? Ele não tenta brigar comigo o
tempo todo, ele—

— Ele gosta de você.

— O quê?

— Bella, eu vejo como ele te olha. E hoje, quando ele te puxou pra longe da
confusão, parecia que o mundo dele tava ali, no seu braço.

Engoli seco.

— E o que eu faço com isso?

— A única coisa que você não pode fazer é fingir que não sabe.

Mais tarde, quando estávamos saindo do Salão Comunal, demos de cara com a
cena.
Cho e Harry.
No corredor.
Sozinhos.
Se beijando.

— P*ta merda — murmurei.

Hermione parou seca.

— Ele... tá louco.

Quando Harry percebeu a gente, afastou Cho bruscamente.

— Isso... isso não foi...

49
— Não precisa explicar — Hermione cortou. — A gente viu o que viu.

Cho limpou os lábios e saiu correndo.

Eu encarei Harry. Ele estava confuso, com raiva, e... triste.

— Você ainda gosta dela? — perguntei, baixo.

— Não. Não sei. É como... como se eu precisasse entender onde tudo desandou.

— Então começa entendendo quem tá ao seu redor agora.

Deixei ele ali, mudo, com Hermione atrás.

Horas depois, fui procurar Gina.


A encontrei sozinha na arquibancada do campo de quadribol, chutando uma
pedrinha no chão.

— Tá tudo bem?

Ela me olhou rápido e desviou o olhar.

— Tá.

— Mentira. Manda.

Ela suspirou, cansada de segurar.

— Eu gosto dele.

— Do Harry?

Ela assentiu.

50
— Sempre gostei. Desde o primeiro ano. Mas ele nunca me viu. E agora, depois da
Cho... parece impossível.

E então ele apareceu.

Alto.
Cabelos escuros como tinta fresca.
Olhos intensos. Voz calma.
Presença magnética.

Tom Riddle.

Ele atravessou o campo como se cada passo fosse calculado. Estava com a roupa
preta de Sonserina perfeitamente alinhada. Dois anos mais velho. Um olhar que
atravessava.

Ele passou por mim e... parou.

— Você é Arabella Gutemberg.

— Sou.

— Já ouvi falarem de você.

— É? O que dizem?

Ele sorriu de lado.

— Que não perdoa fácil. Nem se rende.

Meu coração acelerou um pouco demais. Quando ele se afastou, ainda senti o calor
do olhar dele grudado em mim.

51
Ponto de vista: Mattheo Riddle

Vi Tom cruzando o campo.


E vi Arabella observando.
Mais do que observando.

Ela... reagiu.

O jeito que olhou. O sorriso leve.


A inclinação da cabeça.

Eu conheço ela demais pra não perceber.

E pior: conheço Tom mais do que qualquer um aqui.


Ele tem aquele dom...
De se infiltrar. De roubar atenção. De parecer confiável.

Mas ele não é.

Arabella não sabe disso.


Ainda.

Draco veio comentar:

— Impressionante como seu irmão já chegou dominando. Até a Grifinóriazinha ficou


hipnotizada.

— Cala a boca, Draco.

— Que foi? Tá com medo de perder ela?

— Ela nunca foi minha.

52
Ele deu um risinho sarcástico.

Durante o jantar, Tom se sentou perto de Blaise e olhou direto pra mim. Sorriu.
Aquele sorriso.

Do tipo que diz:


“Você está perdendo o controle, irmãozinho.”

Naquela noite, sonhei com ela de novo.


Mas dessa vez, não havia só desejo.
Havia raiva.
E frustração.

Ela estava indo embora...


E alguém segurava a mão dela.

Tom.

Ponto de vista: Arabella Gutemberg

O treino de quadribol estava marcado para sábado.


Grifinória e Sonserina, como sempre, competindo até nos horários.

Eu sabia que ele estaria lá.


Mattheo.

Mas o que me tirava o sono agora... era Tom.

Não sei o que ele tinha. Mas me sentia puxada pra perto, como se ele carregasse
algo que eu precisava entender.

Mesmo sem dizer quase nada, parecia que ele lia cada pensamento meu.

53
E, ao mesmo tempo, toda vez que Mattheo me olhava no corredor, sentia a tensão
prender meu ar.

Como se ele estivesse me vigiando.


E talvez... estivesse mesmo.

Ponto de vista: Mattheo Riddle

No dia seguinte, no Salão Principal, Tom puxou conversa com ela.

— Arabella — ele disse, com a voz baixa e cheia de veneno disfarçado —, quer me
mostrar onde fica a sala de DCAT?

— Claro — ela respondeu, sorrindo.

Sorrindo.

Meu estômago virou.

Vi os dois subirem as escadas.


E antes de desaparecerem, ela olhou pra trás.
Procurando... por mim?

Talvez.

Mas naquela noite, enquanto a chuva batia contra as janelas do dormitório da


Sonserina, eu escrevi uma única frase no canto da minha capa de poções.

“Ela não vai ser dele.”

O treino de quadribol estava perto.


Muito perto.

54
E se ela pensava que Tom era problema…

... ainda não viu do que eu sou capaz.

55
Capítulo 13 — Planos, ciúmes e fogo no ar

---

Ponto de vista: Arabella Gutemberg

Hermione fechou o livro com força e olhou diretamente pra mim, Cedrico, Tom e
Rony.

— Muito bem. Reunião extraordinária oficializada. Nome da missão: Operação


Ginny.

Rony quase engasgou com o biscoito.

— Espera aí, o quê?

— Você sabe muito bem, Rony — disse Hermione com os olhos semicerrados. — A
Gina ainda gosta do Harry, e o Harry precisa esquecer a Cho. Ele só vai se curar se
perceber que tem alguém ao lado dele que sempre esteve lá.

— Mas vocês acham mesmo que ele vai cair nessa? — perguntei, mordendo uma
pena e deitada no tapete da Sala Comunal.

Cedrico sorriu.

— Se formos discretos e trabalharmos bem... sim. O Potter é meio cego pra essas
coisas.

Tom riu, aquele riso grave dele que me dava calafrios — dos bons e dos ruins. Ele
estava sentado numa poltrona, com os dedos cruzados como se estivesse prestes a
liderar uma guerra. O jeito como ele falava... tudo soava como se ele tivesse o
controle, sempre.

— Precisamos de aproximação. Um empurrãozinho — disse ele. — Ginny precisa

56
ficar mais presente nos dias dele. Conversas casuais, sorrisos. E alguém precisa
manter a Cho bem longe.

— Hermione — falei, me virando pra ela —, quer jogar um livro na cara dela de
novo?

— Com prazer.

Todo mundo riu, menos Rony, que parecia prestes a explodir com a ideia de
envolver a irmã nisso tudo.

— Mas sem machucar, hein? — ele avisou.

Nas semanas seguintes, colocamos o plano em ação. Hermione fez com que Gina
se aproximasse de Harry durante os deveres. Cedrico e eu fizemos com que Harry
notasse os olhares da Gina. Tom, claro, era o estrategista.

E em meio a tudo isso... percebi.

Percebi que Tom era demais.

Inteligente, confiante, atento. Ele não precisava gritar pra ser ouvido. E, mesmo
cercado de gente, parecia ver só a mim.

E eu... gostava disso.

Talvez mais do que deveria.

Ponto de vista: Mattheo Riddle

O nome da tal "Operação Ginny" correu pelos corredores antes mesmo que eles
soubessem que tinha vazado.

57
Claro que vazou.

A Grifinória é uma bagunça.

Cho estava furiosa. Gina, corada demais. E Potter? Uma confusão ambulante.

Mas o que me importava mesmo... era a cena que vi depois do jantar.

Cedrico e Arabella.
Conversando.
Rindo.

E Tom.
Sentado ao lado dela.
Encostado demais.

Tive que sair do Salão antes que quebrasse uma taça.

Encontrei Arabella no corredor da Torre de Astronomia. Ela estava sozinha, olhando


pela janela.

— Vai me ignorar agora? — perguntei, encostando na parede.

Ela virou lentamente.

— Eu não te procurei, Mattheo.

— Isso é novidade?

Ela cruzou os braços, cansada.

— O que você quer?

— Falar. Sobre Tom. E sobre Cedrico.

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Ela riu.

— Sério? Você vai interrogar agora?

— Eu conheço meu irmão. E conheço o tipo de cara que o Cedrico é. Eles não são
bons pra você.

— E você é?

Me calei. O silêncio entre nós foi cortante.

— Você tá com ciúmes — ela disse.

— Não. Eu tô... tentando proteger você.

Ela arqueou a sobrancelha.

— Desde quando?

Antes que ela pudesse sair, eu falei:

— Se o Cedrico tentar alguma coisa, eu juro que...

— Que vai fazer o quê, Mattheo? Bater nele? Feitiço? Brigar no campo de quadribol?
Que original.

Ela se afastou, e eu fiquei ali, amaldiçoando tudo.

Ponto de vista: Arabella Gutemberg

Naquela noite, vi Mattheo discutindo com Tom perto das estufas.

— Você tá se metendo demais, Mattheo — disse Tom, calmo, como sempre. — Ela

59
não é sua.

— Eu não vou deixar você usar ela.

Tom riu.

— Usar? Não preciso disso. Ela vem por vontade própria.

Quase fui lá intervir, mas decidi observar.


Os dois pareciam dois predadores, circulando em silêncio antes do ataque.

— Fica longe dela — Mattheo rosnou.

— Ou?

Mattheo não respondeu. Mas o olhar dele bastou.

No dia seguinte, o treino de quadribol era o único lugar onde eu podia esquecer a
bagunça. Montei na vassoura e subi alto.

Sonserina estava lá também. Claro.

Mattheo me encarava como se fosse a última coisa viva no campo.

O treino começou pacífico. Durou 15 minutos.

Até que Draco empurrou Harry com o ombro e riu.

E o jogo virou guerra.

Ponto de vista: Mattheo Riddle

Depois de quase bater com a vassoura em cima do Draco e ouvir Pansy gritar

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"CUIDADO, IDIOTAS!", o treino foi interrompido.

Mas nada importava.

Porque o que vinha depois...

... mudaria tudo.

Todos os alunos foram chamados para o Salão Principal.

Quando entramos, havia banners com brasões que nunca tínhamos visto antes.

Dumbledore estava em pé no centro, com Minerva e Alastor Moody ao lado.

— Bem-vindos, queridos alunos — começou ele, com um brilho no olhar. — Este


ano, Hogwarts será anfitriã de um evento que não acontece há mais de um século. O
Torneio Tribruxo.

Um murmúrio tomou o salão.

— Três escolas de magia. Três campeões. Três tarefas. Uma Taça.

Ele então apresentou os visitantes:

— De Durmstrang, nossos convidados liderados por Igor Karkaroff!

A entrada foi impactante: alunos altos, sérios, com capas pesadas e bastões.

— De Beauxbatons, guiados por Madame Maxime!

As alunas de azul pálido caminharam com graça e intensidade.

— Os campeões serão escolhidos em breve. Apenas alunos com mais de 17 anos


poderão se inscrever.

61
Arabella me olhou rapidamente da mesa da Grifinória.

E Dumbledore completou:

— Em breve, novas acomodações serão organizadas para melhor receber os


visitantes. Avisaremos a todos sobre mudanças nos dormitórios.

Mais cochichos.

Pansy bufou ao meu lado.

— Dormitório misto? Por Merlin, espero que não. Já basta olhar pra Grifinória no
café.

Draco resmungou algo sobre querer dividir quarto com Beauxbatons.

Eu estava concentrado demais em Tom.

Ele sorria. De canto.

Como se já soubesse que o torneio... era pra ele.

Ponto de vista: Arabella Gutemberg

Naquela noite, não consegui dormir.


A imagem do Tom...
o jeito que ele me olhava.
E Mattheo...

Aquela discussão entre os dois ainda ecoava.

O Torneio só começava.
Mas a guerra entre eles...

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já tinha começado há muito tempo.

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Capítulo 14 – Dormitórios, Torneio e Tensões Crescentes

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Arabella

O salão principal de Hogwarts estava cheio de murmúrios ansiosos. Um pergaminho


gigante havia sido pendurado no quadro de avisos, com a lista dos novos dormitórios
mistos que Dumbledore anunciou ontem à noite. Eu me aproximei, junto de Harry,
Hermione e Ron, tentando decifrar a bagunça.

— Dormitório 1: Arabella Gutemberg e Mattheo Riddle. — Li em voz alta, sentindo


meu coração acelerar.

Mattheo estava ao meu lado, parado, os olhos fixos na lista. Eu o encarei, surpresa e
um pouco irritada. Como esperávamos, dividindo quarto, teríamos que conviver mais
do que queríamos.

— Isso é... uma piada? — murmurei.

Harry deu um sorriso de lado.

— Acho que é a melhor chance de vocês dois resolverem as coisas.

Hermione suspirou, já pensando em como o ambiente ficaria.

— Vocês vão precisar de regras, Arabella.

Em volta, as pessoas cochichavam e olhavam para nós. Pansy, do outro lado da


sala, já fazia um beicinho, e Draco estava com aquele sorriso torto que eu detestava.

Os outros dormitórios também estavam com nomes inesperados: Tom Riddle com
Ron, Cedrico com Malfoy, Gina com Cho. Uma confusão.

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— Isso vai ser um caos — disse Ron, franzindo o cenho.

Eu mal pude concordar. E pior ainda, Mattheo parecia tenso.

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Mattheo

Fiquei olhando para o pergaminho com um misto de raiva e resignação. Dormir com
Arabella? Por mim, eu teria evitado, mas Dumbledore parecia gostar dessas
provocações.

Por um instante, imaginei o que ela estaria pensando. Provavelmente a mesma


coisa: como a vida era cruel em nos colocar tão perto, quando a gente mal
conseguia falar sem discutir.

Mas antes que pudesse me controlar, vi Cedrico se afastando de mim no meio da


multidão. O garoto parecia nervoso, o olhar evitando o meu.

— Está com medo de mim — pensei, apertando os punhos.

Depois da cerimônia, encontrei Arabella perto do lago. Ela estava visivelmente


frustrada.

— Isso é culpa sua, Mattheo! — ela disse, firme. — Se você não fizesse aquela cena
no treino, Cedrico não estaria fugindo de você.

Eu respirei fundo.

— Você acha que eu gosto disso? — perguntei, tentando controlar o tom. — Ele está
se aproximando demais de você, e você não percebe.

— Eu não preciso que você controle com quem eu falo! — Ela estava com os olhos
faiscando. — Não é culpa minha se ele gosta de mim.

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— Mas é culpa sua se ele não sabe o que é melhor pra você.

A discussão foi cortada por um riso malicioso vindo da direção da escada. Os


gêmeos Weasley, como sempre, aprontando.

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Arabella

Rimos nervosamente quando percebemos que o shampoo de Draco estava tingido


de rosa choque. Ele saiu do banheiro gritando e espirrando água pela sala, enquanto
Pansy tentava conter a raiva.

— Aqueles idiotas vão pagar — bufou Draco.

Enquanto isso, um anúncio pegou a atenção de todos: um novo aluno havia chegado
em Hogwarts.

— Lorenzo Berkshire, Sonserina — leu Hermione, animada.

Ele parecia misterioso, e já causava curiosidade.

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Mattheo

Cedrico, por sua vez, decidiu participar do Torneio Tribuxo. Não era surpresa.
Sempre gostou de desafios.

Tom, meu irmão, também confirmou a participação. Ele é dois anos mais velho, mas
já mostrava que não estava para brincadeira.

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Pansy estava ainda mais insuportável do que o normal, implicando comigo sempre
que podia.

Cho continuava atrás de Harry, que estava cada vez mais irritado e distante.

Arabella e Tom, estranhamente, estavam se aliando para afastar Cho. Era


impressionante vê-los trabalhar juntos — uma parceria que só aumentava meu
ciúme.

Planejei algo para acabar com tudo aquilo, uma forma de colocar as coisas no lugar.
Não deixaria Arabella perto de outro homem, muito menos perto de Tom ou Cedrico.

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Arabella

As outras escolas começaram a chegar — Beauxbatons e Durmstrang — trazendo


uma multidão nova e diferente. O salão estava mais cheio e caótico.

Dumbledore subiu ao palco para o discurso do Torneio Tribuxo, explicando as regras


e a importância do evento.

— Precisaremos reorganizar os dormitórios — avisou ele, com um sorriso misterioso.

Eu troquei olhares com Mattheo. Estávamos no olho do furacão.

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Mattheo e Arabella (alternando)

— Não posso acreditar que vou dividir quarto com você — murmurei, encarando
Arabella.

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Ela sorriu, sarcástica.

— Só acho que vou aproveitar para garantir que você não faça nenhuma besteira.

— Talvez você seja a minha pior detenção — retruquei, e ela riu.

Mas por dentro, eu sabia que esse ano ia ser o mais complicado de todos. E que, de
um jeito ou de outro, todos os nossos segredos e conflitos estavam prestes a
explodir.

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Capítulo 15 – Rosas Rasgadas, Sonhos e Negação

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Arabella

O frio da madrugada me acordou. Me virei de lado, suspirando, os olhos grudados


no teto escuro. A respiração de Mattheo estava estável na cama ao lado —
irritantemente calma. Fechei os olhos tentando voltar a dormir, mas assim que o fiz…

Aquele lugar de novo.

Brumas prateadas, calor no peito, uma sensação sufocante de ansiedade — e


desejo. Me vi de pé, sozinha, no meio de um campo dourado que não existia em
nenhum lugar de Hogwarts. Mas ele estava lá. Mattheo. Camisa desabotoada, olhar
intenso. Ele não falava. Só andava até mim.

— Arabella — sussurrou, como se o nome tivesse um gosto proibido.

Senti sua mão segurar meu queixo. Os olhos escuros fixos nos meus. Senti o mundo
girar.

— Eu não devia… — ele murmurou, antes de me puxar pela cintura.

Acordei arfando. Suada. Desnorteada.

E o pior? Mattheo estava acordado, sentado na cama. Olhou pra mim por uma
fração de segundo antes de desviar o olhar, sério demais pra alguém que
simplesmente... estava ali. Como se tivesse sonhado também.

Me levantei sem dizer nada e fui tomar banho.

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Mattheo

Acordei com o peito em chamas.

O sonho. Aquele maldito sonho. Outra vez.

Arabella, o cheiro dela, a voz, o toque. O modo como dizia meu nome com os olhos
fechados, como se me quisesse ali. Mas era só um sonho. Só um sonho. Isso não
significava nada.

Ela se mexeu na cama, inquieta. Murmurava coisas. Coisas demais. Quando ouvi
meu sobrenome escapar dos lábios dela, como um segredo, congelei.

— Riddle…

Minha espinha arrepiou. Virei o rosto. Fiquei acordado. Fingindo. Fingindo que isso
não significava nada. Que o que estava acontecendo entre nós era só… rivalidade.
Um jogo.

Ela acordou pouco depois, e foi direto pro banho sem olhar pra mim.

Perfeito. Evitar é a nova regra silenciosa entre nós.

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Arabella

— Cedrico te mandou flores? — perguntou Hermione, chocada, quando cheguei no


salão comunal depois do banho.

— Uhum — murmurei, corando.

Gina chegou atrás de nós, com um sorriso bobo no rosto.

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— Ai, que sonho! Ele tem bom gosto.

— Diferente de uns aí… — comentou Hermione, lançando um olhar de canto pro


Mattheo que havia acabado de entrar no salão, rabugento como sempre.

As flores estavam sobre a minha cama: rosas vermelhas e brancas, com uma
cartinha delicada: "Pra uma garota que merece ser lembrada a cada nascer do sol."
Cedrico e suas palavras doces.

Sorri. Dei um beijo na carta e deixei tudo ali antes de voltar ao banheiro com
Hermione, pra pegar a varinha que tinha esquecido.

Demorei cinco minutos. No máximo.

Quando voltei…

As flores estavam destruídas. Rasgadas, jogadas no chão. Como se alguém tivesse


tido raiva. Muita raiva.

Olhei em volta, chocada. Mattheo estava sentado na escrivaninha dele, rabiscando


furiosamente um caderno.

— O que aconteceu aqui?! — exclamei, ajoelhando pra pegar os pedaços.

Ele nem olhou pra mim.

— Talvez o cupido tenha se irritado — respondeu friamente.

— Foi você?

— Não se lisonjeie, Gutemberg.

— Ah, por favor, Riddle. Você acha que isso é normal?

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— Eu? Tocar nas suas florzinhas idiotas? — Ele se virou com aquele sorriso
debochado. — Acha mesmo que eu perderia meu tempo com isso?

— Você não é tão sutil quanto pensa.

— E você não é tão importante quanto acha.

Aquilo doeu. Mas mais ainda foi ver que ele não desmentiu de verdade.

Mattheo

Claro que fui eu. Rasguei cada flor com gosto. Ridículo. Cedrico achando que podia
comprar o sorriso dela com pétalas.

Mas eu não estava com ciúmes.

Não estava.

Eu só… não queria que ele se aproximasse mais. Era perigoso. Pra ela. E pra mim.
Ela mexia demais comigo, e isso precisava parar. Era só isso. Controle. Precaução.

Mentira.

Era ciúme.

Mas nem em pensamento eu admitiria.

Arabella

Passei o dia quieta.

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Cedrico veio me ver, mas menti, disse que as flores caíram da mesa.

— Estranho… estavam bem no centro — ele disse, confuso.

— É… estranho.

Gina, por outro lado, não parava de suspirar por Harry. Eu a peguei desenhando o
nome dele com corações no caderno. Hermione e Ron estavam tentando ignorar.

— Você devia falar com ele — sugeri.

— Ele ainda gosta da Cho — Gina murmurou.

— Não — interrompeu Hermione. — Ele acha que gosta.

Harry passou perto. Gina travou. Cho também, mais atrás, o seguindo como um cão
perdido. Me aproximei de Tom, que assistia tudo de longe, com aquele olhar de
quem analisa o mundo como se fosse um jogo de xadrez.

— Ajuda a gente a afastar a Cho de uma vez? — perguntei.

Ele sorriu de lado.

— Com prazer.

Mattheo

Ver Arabella conversando com Tom era a pior parte.

Ela ria. Ria daquele jeito. E ele? Ele olhava pra ela como se a entendesse. Como se
soubesse exatamente o que dizer pra conquistá-la.

Mas ele não sabia.

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Só eu sabia como ela franzia o nariz quando pensava demais. Como ela mordia o
lábio quando se irritava. Como dizia "idiota" com mais carinho do que qualquer
elogio.

Mas mesmo sabendo… continuei fingindo. Fingindo que não me importava. Fingindo
que flores não me afetavam. Fingindo que sonhos não significavam nada.

Mas cada dia era mais difícil.

Muito mais difícil.

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