Conflito e Rivalidade em Hogwarts
Conflito e Rivalidade em Hogwarts
Harry Potter subia aos céus, o pomo dourado ziguezagueando à frente. Arabella
Gutemberg, em sua vassoura novíssima — presente dos pais — fazia curvas
perfeitas no ar, lançando goles com precisão letal.
Então aconteceu.
Harry caiu sobre um feitiço de amortecimento lançado por Hermione a tempo. Estava
desacordado, mas vivo.
Arabella não ligou. Não respirou. Voou direto até Mattheo. Seus olhos brilhavam de
fúria. Ele a encarou com indiferença e um leve sorriso no canto da boca.
— Você é doente? — ela gritou, empurrando-o. — Você podia ter matado ele!
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— Tenta encostar em alguém da minha casa de novo, Riddle, e vai precisar de um
curandeiro.
O jogo foi cancelado. Grifinória ficou com a vitória, mas ninguém comemorou. Harry
foi levado à enfermaria. Arabella passou a noite ao lado dele.
E Mattheo? Assistiu tudo da arquibancada, olhando para ela. Sem entender por que,
mesmo furiosa, ela era... interessante demais para ignorar.
---
A ala hospitalar estava em silêncio, exceto pelo som suave da chuva batendo contra
as janelas altas de Hogwarts. Arabella estava sentada ao lado de Harry, que dormia
profundamente sob o efeito de uma poção restauradora.
Ela segurava a mão dele com força, como se isso pudesse protegê-lo de futuras
quedas, de futuras ameaças... de Mattheo Riddle.
— Isso não vai ficar assim — murmurou, mais para si mesma do que para Harry.
Madame Pomfrey passou por perto, lhe lançou um olhar cansado e disse:
— Ele ficará bem até a manhã. Só precisa descansar... e você também, senhorita
Gutemberg.
Arabella não respondeu. Só continuou ali, imóvel, até as velas diminuírem e o frio da
noite se tornar real.
Não sabia por que tinha ido até lá. Só sabia que algo o puxava. Não por Harry. Por
ela.
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Arabella.
A garota que o enfrentou no céu como se a morte não a assustasse. Que não teve
medo dele — Mattheo Riddle, o garoto que até os colegas de Sonserina evitavam
desafiar. Que o encarou com uma fúria que queimava, viva, corajosa, honesta.
E aquilo o irritava.
E o intrigava.
E o atraía.
Draco Malfoy fez piada sobre o "surto" de Arabella. Fred e Jorge Weasley imitaram a
queda de Mattheo após o empurrão dela com perfeição. E, claro, o Professor Snape
tentou dar a entender que Harry havia caído por "falta de habilidade", mas ninguém
acreditou.
---
No final do dia, enquanto saía da aula de Poções, sentiu uma presença atrás de si.
Se virou com a varinha em punho.
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— Relaxa, Grifininha — disse Mattheo, encostado na parede, braços cruzados.
— Fala mais uma palavra e eu te lanço um Levicorpus tão forte que você vai voar
sem vassoura.
— Você me dá nojo.
— É verdade. Não parei de pensar. Em quantas formas posso fazer você pagar por
machucar o meu irmão.
Mattheo sorriu.
Ela virou as costas e foi embora.
E ele ficou parado ali, sozinho, com uma única certeza: aquela garota ia destruir a
paz que ele nunca teve.
E ele... ia deixar.
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Capítulo 2 — Tudo Menos Indiferença
Dois anos.
Dois anos inteiros desde que ele jogou Harry para fora da vassoura como se fosse
um pedaço de madeira velha. Dois anos desde que minha raiva pegou fogo. E, pra
ser honesta... esse fogo nunca apagou.
Eu o evitei como pude. Mas não por medo — eu queria distância. Porque cada vez
que o via nos corredores com aquele sorriso irritante, algo dentro de mim se
contraía.
Raiva. É isso.
Tenho certeza que é raiva.
Ouço passos no corredor. Vozes. Risos abafados. E então, como se fosse obra do
destino ou da mais cruel ironia do universo, a porta da minha cabine se abre.
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— Olha só — diz a voz que me atormenta desde o segundo ano. — Arabella
Gutemberg. Sozinha? Isso é raro.
Levanto os olhos devagar, fecho o livro com calma. Ele está ali. Mais alto, o cabelo
bagunçado, os olhos intensos e escuros como tempestade. Tem aquele mesmo
sorriso cínico que eu odiava.
— Que saudade da sua doçura — ele diz, encostando-se à porta, como se não
tivesse nada melhor pra fazer.
— Vai provocar alguém que tenha paciência, Riddle. A minha acabou no segundo
ano.
Curiosidade. Ótimo.
Ele vai brincar de me irritar até o fim do ano, eu sei. Faz parte da rotina.
Eu o provoco, ele responde. Ele me desafia, eu supero.
Desde aquela queda, tudo virou competição. Quem é melhor no duelo. Quem lança
feitiços mais rápidos. Quem responde mais perguntas nas aulas. Quem chama mais
atenção nos corredores.
Mas quadribol…
Quadribol é guerra.
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— Arabella? — ele chama, me tirando dos pensamentos.
— Espero que você esteja pronta. Porque esse ano... eu vou te vencer.
Mas enquanto o vejo sumir pelo corredor, sinto algo estranho. Uma batida no peito.
Um nó no estômago.
Ódio?
Medo?
Não.
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Capítulo 3 — Silêncio Ruidoso
A cada ano, o teto encantado do Salão Principal parece mais entediante. Céu
estrelado, velas flutuando, sorrisos bobos dos primeiristas. Tudo tão... previsível.
— Aquela ali vai pra Lufa-Lufa — murmura Draco ao meu lado, apontando
discretamente com o queixo.
— Dez galeões em como ela vai pra Corvinal — rebate Blaise, já se inclinando pra
Pansy, que solta uma risadinha aguda.
Arabella Gutemberg.
Ela está diferente. Mais alta. O cabelo castanho preso em um coque bagunçado.
Postura ereta. Olhar firme. O tipo de garota que parece pronta pra duelar com o
mundo.
Acho que passei dois anos fingindo que ela não existia. E ela fez o mesmo. Desde
aquele jogo no segundo ano — aquele em que ela quase me lançou da vassoura no
meio da partida — nossas trocas se limitaram a farpas ocasionais e silêncios
carregados.
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Mas o pior é esse silêncio.
Ela está lá, rindo de algo que o Weasley disse, e isso me irrita. Não porque ela está
feliz. Mas porque eu queria entender por que isso ainda me incomoda.
Mas agora, dois anos depois, ela senta lá como se não existisse ninguém à altura
dela. E talvez… talvez não exista.
Ele ri. Draco volta a cochichar alguma coisa sobre a próxima partida de quadribol. E
eu finjo ouvir.
E eu?
Eu odeio perder.
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Capítulo 4 — Sonhos em Vermelho e Ouro
Estou no céu, muito acima das torres de Hogwarts. A brisa é morna, o pôr do sol
pinta o mundo de dourado e escarlate. Eu reconheço a silhueta à frente, mesmo
antes de ver seu rosto.
Arabella Gutemberg.
Eu a sigo. A vassoura dela flutua como se não tocasse o ar, e quando me aproximo,
ela vira o rosto.
E sorri.
— Por que você está sempre atrás de mim, Riddle? — ela pergunta.
E então acordo.
Suando. Sem fôlego.
O nome dela nos meus lábios.
— Arabella.
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Na manhã seguinte, me visto sem falar com ninguém. Draco me cutuca umas três
vezes durante o café da manhã, mas eu não escuto metade do que ele diz.
Como se eu também não tivesse acordado com o som da voz dela na cabeça.
Ela muda de direção quando me vê vindo. Sai mais cedo do salão. Senta do outro
lado da sala nas aulas. Se joga nos treinos de quadribol com obsessão, como se
fugir de mim fosse um novo esporte.
— Se ela voar mais rápido, vai atravessar a barreira do som — comenta Blaise,
observando do alto das arquibancadas.
— Ela não está fugindo de você. Está se preparando pra te esmagar no próximo
jogo — provoca Pansy, com uma piscadinha venenosa.
Talvez.
Mas algo me diz que não é só sobre o jogo.
Encontro no corredor.
O ar está pesado.
Arabella vira a esquina com Hermione, livros nos braços, quando me vê. A amiga
continua andando, distraída, até perceber que Arabella parou.
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Por um momento, nossos olhos se encontram.
— Você vai continuar me ignorando? — pergunto, a voz baixa, fria demais até pra
mim.
— E se eu estiver?
— Achei que você adorasse uma competição — dou um passo à frente, olhando
dentro dos olhos dela. — Mas se correr de mim é a sua nova tática, boa sorte.
Ela abre a boca pra responder, mas Hermione a puxa pelo braço.
Mas eu vejo.
Nos olhos dela.
Ela sentiu.
Aula de Transfiguração.
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Arabella está sentada duas fileiras à frente. Hermione ao lado, Potter também.
Vejo os dedos dela tocarem a varinha com firmeza. Vejo a concentração. A força. A
graça sem esforço.
— Você vai furar a nuca da garota de tanto encarar — cochicha Theodore, divertido.
Na frente, Arabella se vira. Por instinto, talvez. Como se sentisse meus olhos.
Nos encaramos.
Longo o suficiente para a taça dela se transformar de volta em ouriço sem que ela
perceba.
Ela abaixa os olhos. E pela primeira vez em dois anos... parece abalada.
Eu sorrio.
Não por maldade.
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Capítulo 5 — Limite Tênue
Mas uma coisa eu sei: estou cansada de fingir que ele não existe.
Senti.
Não precisava olhar pra saber.
O olhar dele queima. Sempre queimou.
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— Arabella... tá tudo bem? — Harry cochichou, me cutucando com o cotovelo.
Na saída da aula, Hermione e Rony foram na frente, discutindo sobre uma possível
prova surpresa. Harry ficou me esperando, mas alguém o chamou do outro lado do
corredor.
Instante demais.
— Não.
— Vai falar comigo?
— Não.
— Vai me ignorar de novo?
— Tô aqui, não tô?
— Eu não estou aqui pra facilitar a vida de ninguém, Riddle. Muito menos a sua.
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Ele abriu um sorriso de canto. Do tipo que irrita. Do tipo que... me fazia querer socar
uma parede.
— Você treina todo dia, sabia? Como se o mundo dependesse do próximo jogo.
Ele me olhou. Sério dessa vez. Por um momento, o riso sumiu do rosto.
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Capítulo 6 — Veneno em Dupla
Estou num corredor vazio de Hogwarts, o chão alagado por alguma razão que não
entendo. A luz é azulada, surreal.
— Você não pode continuar fingindo — ele diz, com a voz baixa, quase gentil.
— Fingindo o quê? — pergunto, embora já saiba.
— Que não sente.
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Hermione está ali, olhando assustada.
— Que sobrenome?
— Riddle. Você repetiu “Riddle” pelo menos três vezes antes de eu te acordar.
A manhã foi um caos. Acordei atrasada, perdi o café da manhã e corri para a
masmorra ainda com as meias trocadas. Chego esbaforida, derrubando um livro ao
entrar.
E, claro, Snape adora um desastre.
— Que bom que resolveu aparecer, senhorita Gutemberg. — sua voz cortante ecoa.
— Já que está tão empolgada com a aula de Poções, farei o favor de escolher sua
dupla.
Droga.
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Snape sorri. Um sorriso lento. Cruel.
— Riddle.
Mattheo mexia nos ingredientes como se estivesse inventando uma maldição nova.
Eu tentei manter o controle, como sempre. Mas ele jogava comentários.
Provocações.
— E você é tão inútil quanto o Neville — retruco, cortando raiz de mandrágora com
força.
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Snape deu um passo à frente, olhos frios.
— Riddle. Gutemberg. Vocês dois — disse, entredentes — estão oficialmente
convocados para uma detenção.
Ele fez uma pausa dramática.
— Amanhã à noite. Sala de Poções. Comigo.
Idiota.
— Nada.
Absolutamente… nada.
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Capítulo 7 — Silêncio de Vidro
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Eu fiquei olhando.
No começo, por tédio. Depois... nem tanto.
— Você vai só olhar ou pretende fazer alguma coisa, Riddle? — disse sem tirar os
olhos do frasco.
— Fascinante é você ter sobrevivido até o quarto ano sendo tão... insuportável.
— Você tá no meu caminho o tempo inteiro. Fica difícil não prestar atenção.
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A escada tremeu, mas ela se firmou.
E o mundo ficou parado.
Minha mão ainda na cintura dela. O calor do corpo dela. A respiração curta.
Soltei.
Enquanto lavávamos os frascos, os dedos dela esbarraram nos meus. Por acidente.
Talvez.
Ela não puxou. Nem eu.
Só olhamos.
O frasco entre a gente.
A respiração contida.
Arabella saiu antes de mim. Rápida. Como se fugisse de alguma coisa que não
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queria enfrentar.
Fiquei ali mais alguns segundos, olhando o lugar onde ela estivera.
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Capítulo 8 — Jogo Sujo
Narrado por Arabella Gutemberg, com trechos narrados por Mattheo Riddle
Hermione assentiu.
— Cho disse que traiu Harry com Cedrico... e espalhou isso pra metade do quinto
ano. É mentira, claro, mas... — ela abaixou a voz — o Harry tá um estopim
ambulante.
— E a Sonserina vai treinar no mesmo horário. Vai ser... tranquilo — Rony ironizou.
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Arabella fingindo que não me vê é um espetáculo à parte.
Passou por mim no corredor como se eu fosse invisível.
Mas apertou os livros com força.
Fingir só funciona até alguém começar a tremer os dedos.
— Olha só, Potter. Tão calado hoje. Cedrico anda ocupado demais pra deixar sua
namorada sair sozinha?
Harry girou nos calcanhares tão rápido que quase largou a vassoura.
— Tá sensível, é? Fica tranquilo, ela deve ter confundido você com um elfo
doméstico...
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— Não. Só quero ter o prazer de esmagar sua cara no próximo jogo. Mas se quiser,
posso começar agora.
— Gutemberg! Riddle! Vocês dois, dupla no exercício aéreo. Cada dupla deve tentar
tirar o pomo de ouro da outra usando defesa e velocidade.
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— Não se dá muito bem quando não é você que controla, né?
Tão perto que, por dois segundos, nossos ombros se encostaram no ar.
Um toque que ninguém viu. Mas que eu senti até a alma.
No fim, Harry ainda estava emburrado. Draco estava rindo. Hermione revirava os
olhos.
E eu?
Eu vou deixar.
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Capítulo 9 — Entre Gritos e Silêncios
E eu…
Eu estava no meio disso tudo, segurando o mundo com as duas mãos enquanto ele
escorregava.
A primeira vez que Draco chamou Harry de “covarde chorão do Cedrico” naquela
manhã, eu finquei as unhas na palma da mão.
Na terceira vez, Hermione precisou segurar o braço de Harry.
— Eu vou matar esse desgraçado — Harry rosnou, baixo, os olhos duros como
pedra.
— Então está funcionando — ele respondeu. — Porque eu quero socar a cara dele.
Se eu ouvir Draco falar do Potter mais uma vez, juro que faço ele engolir cada sílaba
com a própria varinha.
Mas ele fala. Sem parar.
E eu?
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Fico ali, ouvindo, calado, com vontade de atravessar a parede.
Ou atravessar ele.
O estopim foi no saguão de entrada, pouco antes da aula de Defesa Contra as Artes
das Trevas. O lugar estava cheio. Era um caos de mochilas, livros e barulho.
Cho apareceu.
Com o cabelo arrumado demais e um olhar forçado de arrependimento.
Olhou direto pra Harry.
Ele congelou.
— Eu só queria dizer que… que eu não queria que as coisas fossem assim.
— Olha só. A traidora voltou. Cuidado, Potter, ela pode estar com um bilhete do
Cedrico escondido no bolso.
— Oh, ele fala! Vai chorar também? Vai dizer que ainda sonha com ela?
— PAREM! — tentei me colocar no meio, mas era como separar dois dragões.
— Se você falar da Cho de novo, juro que te jogo da Torre de Astronomia! — Harry
gritou, as mãos tremendo.
— Você não conseguiria nem enfrentar um dementador com a sua varinha! — Draco
rebateu, rindo.
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— Ele enfrentou — Ron avançou. — E você estava escondido atrás do Snape!
— CHEGA! — gritei. — Vocês querem brigar? Se matem na sala de duelo! Mas não
na minha frente!
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O saguão silenciou por um segundo. Só um. Mas foi o suficiente.
Harry respirava fundo, tremendo.
Draco ajeitava a capa com raiva contida.
Hermione olhava pra Pansy como se não se arrependesse nem um pouco.
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A forma como ela respirava fundo, tentando controlar a raiva…
Mal ela sabia que eu também estava tentando.
Depois da aula, quando todos saíram, nos encontramos na escada em espiral que
levava à torre da biblioteca.
Silêncio.
Ele me olhou.
Sério. Cansado. Intenso.
— Eu sei.
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Enquanto tudo ao redor se despedaça.
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Capítulo 10 — Sonhos Que Não Deveriam Existir
Parte 1 — Mattheo
Foi ela.
De novo.
Arabella Gutemberg, com o rosto sujo de barro, os olhos azuis cheios de raiva e…
desejo.
Aquela mistura perigosa que só ela sabia ter.
Caímos.
No vazio.
No escuro.
Mas eu a segurava. E ela me olhava.
Sardas.
Lábios rosados.
Cabelo bagunçado pelo vento.
Os olhos dela me prendiam, me puxavam pra algum lugar entre loucura e
necessidade.
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— Mattheo… — ela murmurou. — Mattheo…
— ARABELLA??
A primeira coisa que vi foi Draco parado ao lado da minha cama, me encarando com
a boca aberta como se eu tivesse acabado de confessar que beijei o Hagrid.
— Você quer pegar a Gutemberg. Admito, sempre soube. Mas agora… isso aí,
Riddle? Isso é mais que raiva. Isso é amorzinho adolescente.
— Vai se ferrar.
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E tudo que eu consegui pensar foi:
Talvez ele esteja certo.
---
Parte 2 — Arabella
Ele é… Cedrico.
Popular. Invejável. Impecável.
Aquele tipo de cara que parece ter sido moldado por um feitiço de perfeição.
Ele me levou até a janela do corredor do terceiro andar, onde não havia ninguém por
perto.
Ah.
— Ela disse que… você ficou com ela enquanto ainda namorava o Harry — adiantei,
séria.
Ele suspirou, passando a mão no cabelo. Que ódio dessas pessoas perfeitas até
suspirando.
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Assenti. Havia sinceridade nos olhos dele.
— É um elogio?
— Talvez — ele piscou. — Mas se você quiser transformar em convite pra um chá
em Hogsmeade, aceito.
Aquela presença.
Mattheo.
Virei discretamente.
Ele estava parado no fim do corredor.
Braços cruzados. Sombra nos olhos. Mandíbula trincada.
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Assenti. E saí… com a pele ardendo sob o olhar de Mattheo.
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Parte 3 — Mattheo
Eu queria matá-lo.
Não literalmente.
Ainda.
Mas Cedrico Diggory falando com ela como se fossem íntimos? Sorrindo?
Brincando?
Não.
Não.
Não.
— Vai com calma, Riddle — Theo comentou, ao me ver com o punho fechado. —
Vai acabar quebrando a parede.
— Que?
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— Uau. Isso soou possessivo pra caramba.
— Cale a boca.
O pior?
Ela não me olhou.
Arabella.
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Capítulo 11 — Limites, Mentiras e Labaredas
Arabella Gutemberg.
No rosto dela.
E eu perdi tudo.
— Vai quebrar o parapeito se apertar mais, Riddle — Blaise disse atrás de mim.
— Não me enche.
— Isso aí já virou patético, cara. Sério. Ela nunca te deu bola. E você tá aí...
babando como se fosse maldição.
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E então Draco apareceu.
Sempre o momento perfeito pra piorar tudo.
— Você viu o Potter hoje? Tá andando por aí feito dementador apaixonado. Acha
que Cho ainda vai querer ele depois do que rolou com Cedrico?
— Cala. A. Boca.
Virei pra ela com um olhar que fez até o vento parar.
Ela apareceu bufando, com Harry logo atrás e Ron emburrado ao lado.
— Olha só, a bibliotecária falante — Draco rebateu. — Vai nos ensinar a amar o
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próximo agora, Granger?
— Pelo menos não sou obcecada por dramas adolescentes como você.
— Ai, que pena — Pansy riu. — Ainda acha que inteligência compensa beleza?
Hermione se aproximou.
— Prefiro ser inteligente do que parecer uma versão falida da Bellatrix com gloss.
Harry travou.
— Mas é sério, você tá acreditando mesmo que eu fiquei com Cedrico enquanto a
gente namorava?
— MENTIROSA!
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— Se controla, Potter — Draco murmurou, sarcástico. — Vai chorar?
— Você — ela apontou pra Draco — cala essa boca venenosa e para de provocar o
Harry.
— NÃO interessa.
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— E você, menos ainda. Sai da minha frente antes que eu perca a paciência.
Ali.
Observando.
Que ironia.
E aí…
— Você gosta disso, né? — gritei pra ela. — De ser o centro. Todo mundo lutando,
gritando, se matando… por você.
Todos se calaram.
Ela congelou.
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Me encarou.
— E você gosta de fingir que me odeia quando, na verdade, quer ser o próximo a
tentar.
— Claro que tentou. No fundo, você quer que eu seja sua próxima guerra.
— Você já é.
Silêncio.
E eu?
Fiquei ali.
Sozinho.
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Mas antes de ir, Arabella me olhou uma última vez.
Com medo.
Medo… de mim.
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Capítulo 12 — Riddle em dobro, escolhas em conflito
Hermione estava deitada na cama dela com um livro de Runas Antigas aberto, mas
não lia. Me olhava com aquele olhar preocupado dela. O tipo de olhar que me fazia
lembrar que, não importa o quanto eu fingisse estar bem, ela sabia que era mentira.
— Fingir o quê?
— Eu não tô surtando...
— Arabella.
— Hermione, tá tudo uma bagunça. O Harry brigando com meio mundo, a Cho
agindo como se nada tivesse acontecido, o Mattheo sendo... o Mattheo. E agora o
Cedrico...
— O Cedrico?
Corei.
— "Legal"?
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— Tá, talvez... fofo. Atencioso. Ele escuta, sabe? Ele não tenta brigar comigo o
tempo todo, ele—
— O quê?
— Bella, eu vejo como ele te olha. E hoje, quando ele te puxou pra longe da
confusão, parecia que o mundo dele tava ali, no seu braço.
Engoli seco.
— A única coisa que você não pode fazer é fingir que não sabe.
Mais tarde, quando estávamos saindo do Salão Comunal, demos de cara com a
cena.
Cho e Harry.
No corredor.
Sozinhos.
Se beijando.
— Ele... tá louco.
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— Não precisa explicar — Hermione cortou. — A gente viu o que viu.
— Não. Não sei. É como... como se eu precisasse entender onde tudo desandou.
— Tá tudo bem?
— Tá.
— Mentira. Manda.
— Eu gosto dele.
— Do Harry?
Ela assentiu.
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— Sempre gostei. Desde o primeiro ano. Mas ele nunca me viu. E agora, depois da
Cho... parece impossível.
Alto.
Cabelos escuros como tinta fresca.
Olhos intensos. Voz calma.
Presença magnética.
Tom Riddle.
Ele atravessou o campo como se cada passo fosse calculado. Estava com a roupa
preta de Sonserina perfeitamente alinhada. Dois anos mais velho. Um olhar que
atravessava.
— Sou.
— É? O que dizem?
Meu coração acelerou um pouco demais. Quando ele se afastou, ainda senti o calor
do olhar dele grudado em mim.
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Ponto de vista: Mattheo Riddle
Ela... reagiu.
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Ele deu um risinho sarcástico.
Durante o jantar, Tom se sentou perto de Blaise e olhou direto pra mim. Sorriu.
Aquele sorriso.
Tom.
Não sei o que ele tinha. Mas me sentia puxada pra perto, como se ele carregasse
algo que eu precisava entender.
Mesmo sem dizer quase nada, parecia que ele lia cada pensamento meu.
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E, ao mesmo tempo, toda vez que Mattheo me olhava no corredor, sentia a tensão
prender meu ar.
— Arabella — ele disse, com a voz baixa e cheia de veneno disfarçado —, quer me
mostrar onde fica a sala de DCAT?
Sorrindo.
Talvez.
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E se ela pensava que Tom era problema…
55
Capítulo 13 — Planos, ciúmes e fogo no ar
---
Hermione fechou o livro com força e olhou diretamente pra mim, Cedrico, Tom e
Rony.
— Você sabe muito bem, Rony — disse Hermione com os olhos semicerrados. — A
Gina ainda gosta do Harry, e o Harry precisa esquecer a Cho. Ele só vai se curar se
perceber que tem alguém ao lado dele que sempre esteve lá.
— Mas vocês acham mesmo que ele vai cair nessa? — perguntei, mordendo uma
pena e deitada no tapete da Sala Comunal.
Cedrico sorriu.
— Se formos discretos e trabalharmos bem... sim. O Potter é meio cego pra essas
coisas.
Tom riu, aquele riso grave dele que me dava calafrios — dos bons e dos ruins. Ele
estava sentado numa poltrona, com os dedos cruzados como se estivesse prestes a
liderar uma guerra. O jeito como ele falava... tudo soava como se ele tivesse o
controle, sempre.
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ficar mais presente nos dias dele. Conversas casuais, sorrisos. E alguém precisa
manter a Cho bem longe.
— Hermione — falei, me virando pra ela —, quer jogar um livro na cara dela de
novo?
— Com prazer.
Todo mundo riu, menos Rony, que parecia prestes a explodir com a ideia de
envolver a irmã nisso tudo.
Nas semanas seguintes, colocamos o plano em ação. Hermione fez com que Gina
se aproximasse de Harry durante os deveres. Cedrico e eu fizemos com que Harry
notasse os olhares da Gina. Tom, claro, era o estrategista.
Inteligente, confiante, atento. Ele não precisava gritar pra ser ouvido. E, mesmo
cercado de gente, parecia ver só a mim.
O nome da tal "Operação Ginny" correu pelos corredores antes mesmo que eles
soubessem que tinha vazado.
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Claro que vazou.
Cho estava furiosa. Gina, corada demais. E Potter? Uma confusão ambulante.
Cedrico e Arabella.
Conversando.
Rindo.
E Tom.
Sentado ao lado dela.
Encostado demais.
— Isso é novidade?
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Ela riu.
— Eu conheço meu irmão. E conheço o tipo de cara que o Cedrico é. Eles não são
bons pra você.
— E você é?
— Desde quando?
— Que vai fazer o quê, Mattheo? Bater nele? Feitiço? Brigar no campo de quadribol?
Que original.
— Você tá se metendo demais, Mattheo — disse Tom, calmo, como sempre. — Ela
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não é sua.
Tom riu.
— Ou?
No dia seguinte, o treino de quadribol era o único lugar onde eu podia esquecer a
bagunça. Montei na vassoura e subi alto.
Depois de quase bater com a vassoura em cima do Draco e ouvir Pansy gritar
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"CUIDADO, IDIOTAS!", o treino foi interrompido.
Quando entramos, havia banners com brasões que nunca tínhamos visto antes.
A entrada foi impactante: alunos altos, sérios, com capas pesadas e bastões.
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Arabella me olhou rapidamente da mesa da Grifinória.
E Dumbledore completou:
Mais cochichos.
— Dormitório misto? Por Merlin, espero que não. Já basta olhar pra Grifinória no
café.
O Torneio só começava.
Mas a guerra entre eles...
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já tinha começado há muito tempo.
63
Capítulo 14 – Dormitórios, Torneio e Tensões Crescentes
---
Arabella
Mattheo estava ao meu lado, parado, os olhos fixos na lista. Eu o encarei, surpresa e
um pouco irritada. Como esperávamos, dividindo quarto, teríamos que conviver mais
do que queríamos.
Os outros dormitórios também estavam com nomes inesperados: Tom Riddle com
Ron, Cedrico com Malfoy, Gina com Cho. Uma confusão.
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— Isso vai ser um caos — disse Ron, franzindo o cenho.
---
Mattheo
Fiquei olhando para o pergaminho com um misto de raiva e resignação. Dormir com
Arabella? Por mim, eu teria evitado, mas Dumbledore parecia gostar dessas
provocações.
— Isso é culpa sua, Mattheo! — ela disse, firme. — Se você não fizesse aquela cena
no treino, Cedrico não estaria fugindo de você.
Eu respirei fundo.
— Você acha que eu gosto disso? — perguntei, tentando controlar o tom. — Ele está
se aproximando demais de você, e você não percebe.
— Eu não preciso que você controle com quem eu falo! — Ela estava com os olhos
faiscando. — Não é culpa minha se ele gosta de mim.
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— Mas é culpa sua se ele não sabe o que é melhor pra você.
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Arabella
Enquanto isso, um anúncio pegou a atenção de todos: um novo aluno havia chegado
em Hogwarts.
---
Mattheo
Cedrico, por sua vez, decidiu participar do Torneio Tribuxo. Não era surpresa.
Sempre gostou de desafios.
Tom, meu irmão, também confirmou a participação. Ele é dois anos mais velho, mas
já mostrava que não estava para brincadeira.
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Pansy estava ainda mais insuportável do que o normal, implicando comigo sempre
que podia.
Cho continuava atrás de Harry, que estava cada vez mais irritado e distante.
Planejei algo para acabar com tudo aquilo, uma forma de colocar as coisas no lugar.
Não deixaria Arabella perto de outro homem, muito menos perto de Tom ou Cedrico.
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Arabella
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— Não posso acreditar que vou dividir quarto com você — murmurei, encarando
Arabella.
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Ela sorriu, sarcástica.
— Só acho que vou aproveitar para garantir que você não faça nenhuma besteira.
Mas por dentro, eu sabia que esse ano ia ser o mais complicado de todos. E que, de
um jeito ou de outro, todos os nossos segredos e conflitos estavam prestes a
explodir.
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Capítulo 15 – Rosas Rasgadas, Sonhos e Negação
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Arabella
Senti sua mão segurar meu queixo. Os olhos escuros fixos nos meus. Senti o mundo
girar.
E o pior? Mattheo estava acordado, sentado na cama. Olhou pra mim por uma
fração de segundo antes de desviar o olhar, sério demais pra alguém que
simplesmente... estava ali. Como se tivesse sonhado também.
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Mattheo
Arabella, o cheiro dela, a voz, o toque. O modo como dizia meu nome com os olhos
fechados, como se me quisesse ali. Mas era só um sonho. Só um sonho. Isso não
significava nada.
Ela se mexeu na cama, inquieta. Murmurava coisas. Coisas demais. Quando ouvi
meu sobrenome escapar dos lábios dela, como um segredo, congelei.
— Riddle…
Minha espinha arrepiou. Virei o rosto. Fiquei acordado. Fingindo. Fingindo que isso
não significava nada. Que o que estava acontecendo entre nós era só… rivalidade.
Um jogo.
Ela acordou pouco depois, e foi direto pro banho sem olhar pra mim.
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Arabella
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— Ai, que sonho! Ele tem bom gosto.
As flores estavam sobre a minha cama: rosas vermelhas e brancas, com uma
cartinha delicada: "Pra uma garota que merece ser lembrada a cada nascer do sol."
Cedrico e suas palavras doces.
Sorri. Dei um beijo na carta e deixei tudo ali antes de voltar ao banheiro com
Hermione, pra pegar a varinha que tinha esquecido.
Quando voltei…
— Foi você?
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— Eu? Tocar nas suas florzinhas idiotas? — Ele se virou com aquele sorriso
debochado. — Acha mesmo que eu perderia meu tempo com isso?
Aquilo doeu. Mas mais ainda foi ver que ele não desmentiu de verdade.
Mattheo
Claro que fui eu. Rasguei cada flor com gosto. Ridículo. Cedrico achando que podia
comprar o sorriso dela com pétalas.
Não estava.
Eu só… não queria que ele se aproximasse mais. Era perigoso. Pra ela. E pra mim.
Ela mexia demais comigo, e isso precisava parar. Era só isso. Controle. Precaução.
Mentira.
Era ciúme.
Arabella
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Cedrico veio me ver, mas menti, disse que as flores caíram da mesa.
— É… estranho.
Gina, por outro lado, não parava de suspirar por Harry. Eu a peguei desenhando o
nome dele com corações no caderno. Hermione e Ron estavam tentando ignorar.
Harry passou perto. Gina travou. Cho também, mais atrás, o seguindo como um cão
perdido. Me aproximei de Tom, que assistia tudo de longe, com aquele olhar de
quem analisa o mundo como se fosse um jogo de xadrez.
— Com prazer.
Mattheo
Ela ria. Ria daquele jeito. E ele? Ele olhava pra ela como se a entendesse. Como se
soubesse exatamente o que dizer pra conquistá-la.
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Só eu sabia como ela franzia o nariz quando pensava demais. Como ela mordia o
lábio quando se irritava. Como dizia "idiota" com mais carinho do que qualquer
elogio.
Mas mesmo sabendo… continuei fingindo. Fingindo que não me importava. Fingindo
que flores não me afetavam. Fingindo que sonhos não significavam nada.
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