Aquela era a primeira vez que Hogwarts via algo tão brutal em um campo de
Quadribol sem ser tecnicamente uma infração.
Harry Potter, apanhador da Grifinória, girava no ar com precisão em direção ao
Pomo de Ouro. O estádio explodia em gritos, a maioria torcendo pela sua vitória. Ele
estava prestes a esticar a mão quando, do nada, Mattheo Riddle — recém-integrado
ao time da Sonserina — desviou do seu trajeto... ou melhor, fingiu desviar. Seu
ombro acertou o de Harry com força cirúrgica, mandando o apanhador voando como
uma folha ao vento.
O silêncio foi instantâneo.
Arabella, também no ar, congelou por um segundo.
Harry caiu.
Um baque seco ecoou.
O jogo terminou ali.
Ela aterrissou correndo, empurrando alunos, derrubando gente. Harry estava
consciente, mas grogue. Madame Pomfrey já o levava em uma maca flutuante.
E Mattheo... sorria.
Um sorriso discreto, cínico, satisfeito. Arabella viu. Ninguém mais viu, mas ela viu.
Horas depois, no corredor do lado leste da torre de Astronomia, ela o encontrou
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sozinho. Encostado na parede, limpando sangue seco da luva com desdém. Como
se tudo aquilo fosse banal.
Arabella se aproximou devagar, as mãos fechadas em punhos.
— Você fez de propósito.
Mattheo ergueu os olhos, calmo. — Não sei do que está falando, Gutemberg.
— Você DERRUBOU o meu irmão.
Ele riu, baixo, com aquela voz arrastada que a irritava mais do que qualquer coisa.
— Achei que ele fosse o Escolhido. Deveria ter escolhido segurar melhor a vassoura.
Ela ergueu a mão e deu um empurrão em seu peito. Ele sequer cambaleou.
— Você é um lixo.
— E você é previsível. Vem sempre defender seu Potterzinho? — Ele se aproximou,
olhos nos dela. — Um dia vai cair também, Gutemberg. E ninguém vai te segurar.
Ela sentiu o corpo inteiro ferver de raiva. Desde aquele momento, algo nasceu entre
eles. Não era só rivalidade. Era guerra pessoal.
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Capítulo 1 – Dois anos não foram o suficiente
Arabella
O Expresso de Hogwarts sempre teve um som reconfortante. O chiado constante
nos trilhos, os gritos dos alunos reencontrando amigos no embarque, o tilintar dos
doces no carrinho da senhora do corredor. Tudo isso deveria me trazer paz.
Mas não trazia.
Porque em algum lugar dentro daquele trem — como em todos os anos — ele
estava ali.
Mattheo Riddle.
O nome dele era um gosto amargo na minha boca. Mesmo sem vê-lo, eu sabia que
ele estava perto. Porque o ar pesava. Porque meu corpo inteiro ficava em alerta.
Porque os dois últimos anos não foram o suficiente para apagar o ódio que nasceu
quando ele jogou meu irmão da vassoura feito lixo.
Odeio como ainda lembro do som da queda.
Odeio mais ainda o sorriso que ele deu quando achou que ninguém estava olhando.
— Arabella, você vai ficar parada no meio do corredor por quanto tempo? —
Hermione cutucou meu ombro, me tirando do transe.
— Hã? Ah, desculpa — murmurei, andando até o compartimento onde Harry e Rony
já estavam sentados.
Harry sorriu ao me ver, aquele sorriso meio torto e cansado que ele nunca perdia,
mesmo com o peso do mundo nas costas.
— Nervosa pro primeiro jogo do ano? — ele perguntou, já sabendo a resposta.
— Nem um pouco — menti, cruzando os braços. — Só estou ansiosa pra esfregar a
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cara da Sonserina na lama. De novo.
Rony riu. — Já tô vendo o Flint espumando. Aposto cinco galeões que ele quebra a
própria vassoura de raiva.
Hermione revirou os olhos. — Vocês falam de Quadribol como se fosse guerra.
— E não é? — perguntei, com um sorriso de lado.
Mas dentro de mim… eu sabia que não era só sobre o jogo. Nunca foi.
Desde o segundo ano, desde aquele choque no ar, Mattheo e eu travávamos uma
guerra pessoal em todos os sentidos. E não importava o tempo que passasse —
sempre que nos cruzávamos, era como se o mundo parasse. Como se os outros
desaparecessem. Como se nada mais existisse além daquele olhar cínico, afiado e
cruel dele.
Fingíamos indiferença, claro. Como se não estivéssemos sempre prestando atenção
um no outro. Como se não comparássemos notas, desempenho, número de
detenções, quem era chamado mais vezes pelo nome no corredor.
Doentio? Talvez. Mas real.
E eu estava pronta para o quarto ano. Pronta para derrotá-lo de novo no campo.
Pronta para ver o nome dele abaixo do meu nos rankings de Poções. Pronta para
qualquer provocação, qualquer frase venenosa, qualquer sorriso torto.
— Adivinha quem eu vi entrando no trem com cara de superior? — disse Ginny,
entrando no compartimento e jogando-se ao meu lado. — Riddle. Arrodeado de
Sonserinos. Como se fosse rei de alguma coisa.
— Rei dos idiotas, talvez — murmurei, olhando pela janela.
O reflexo do vidro era traiçoeiro. Por um segundo, quase jurei ver os olhos dele me
encarando de algum compartimento ao longe. Mas não me virei. Não ia dar a ele
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esse gostinho.
Mattheo Riddle não tinha poder sobre mim. Não mais.
Pelo menos era o que eu repetia para mim mesma.
Todos os dias.
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Capítulo 2 – Ela não olha pra mim, e isso me mata
Mattheo
Todo ano, a mesma palhaçada.
Aquela fila idiota de pirralhos tremendo como se estivessem sendo levados pro
abate, o chapéu velho gritando casas como se fosse uma honra alguma delas ter
que aturar esse monte de sangue novo mimado e sujo de sapo.
— Aposto dez galeões que aquele ruivinho chorão vai pra Lufa-Lufa — resmungou
Draco ao meu lado, de boca cheia de carne.
— Vinte que vai pra Grifinória. Têm a cara de trouxa corajoso — rebateu Blaise,
dando de ombros.
— Vocês apostam em qualquer coisa — disse Pansy, entediada, mexendo nas
unhas.
Fingi que ouvia. Fingi que estava prestando atenção em qualquer coisa além do que
realmente importava.
Ela.
Arabella Gutemberg.
Sentada exatamente onde eu sabia que estaria. Mesa da Grifinória. Ao lado de
Potter, aquele órfão-celebridade patético que ela insiste em chamar de irmão. Os
dois rindo de alguma piada sem graça do Weasley. Hermione dizendo alguma coisa
com as mãos. Arabella… sorrindo.
Odiava quando ela sorria. Não porque era feio — pelo contrário. Odiava porque…
porque era bonito demais. Porque parecia fácil. Porque não era pra mim.
Porque eu sabia que, mesmo que eu fizesse tudo certo — ganhasse todas as
partidas, tirasse todas as notas, quebrasse todos os recordes — nada me faria ser
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digno daquele sorriso.
Idiota.
Ela é só uma rival.
Uma pedra no meu sapato.
Uma maldita Grifinória com complexo de superioridade.
E ainda assim, meu olhar voltava sempre pra ela.
— Mattheo, tá ouvindo? — perguntou Theo, erguendo a sobrancelha. — Eu disse
que o Dumbledore parece mais velho do que no ano passado. Ele tá se desfazendo,
cara. Isso não é normal.
— Hm. Tá — murmurei, sem tirar os olhos dela.
Não porque eu queria, mas porque meu corpo fazia isso sozinho. Como um vício.
Como uma maldição.
Dois anos.
Dois anos desde aquele maldito jogo em que derrubei Potter da vassoura.
Dois anos desde que Arabella me olhou como se quisesse me matar.
Dois anos em que toda vez que ela entra em uma sala, eu sei. Eu sinto.
Ela não precisa falar comigo pra me afetar.
E o pior?
Ela não olha pra mim. Nem uma vez.
Nem quando passa pelo corredor. Nem quando estou no campo de Quadribol. Nem
quando a diretora me chama na frente da turma e todos se viram.
Ela nunca olha.
E isso me mata.
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— “Gutemberg” — repete Draco, como se estivesse lendo minha mente. — Você já
reparou que ela não muda nunca? Sempre fingindo que é a mais certa da escola.
Vai ver dorme com o livro de Poções.
— Vai ver dorme com o Potter — provocou Pansy, rindo sozinha.
Me controlei. Prendi a mandíbula.
— Cala a boca — falei seco, sem pensar.
Todos me olharam.
Draco franziu a testa. — Que foi?
— Só... irritante — menti. — Ela. Eles. Todos. Só quero que essa seleção acabe
logo.
E era verdade.
Porque quando as luzes baixassem, quando os calouros fossem levados pros
dormitórios e os corredores estivessem vazios, eu ia treinar.
Treinar até meus dedos sangrarem.
Treinar até a raiva passar.
Treinar até o nome dela parar de ecoar dentro da minha cabeça.
Até o próximo jogo.
Até a próxima discussão.
Até o momento em que, enfim, ela olhasse pra mim de novo.
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Capítulo 3 – Eu sonhei com ela
Mattheo
Quatro dias.
Quatro dias desde que as aulas começaram.
Quatro dias desde que o inferno silencioso começou.
E então, naquela noite, eu sonhei com ela.
Era noite em Hogwarts.
O campo de Quadribol vazio, coberto de névoa. E ela estava lá. Arabella. Cabelos
bagunçados, os olhos faiscando. O uniforme da Grifinória colado no corpo como se
tivesse sido desenhado só pra ela. A vassoura pendurada no ombro, a boca curvada
num sorriso maldoso.
— Vai fugir de novo, Riddle?
Minha garganta secou. No sonho, não consegui falar. Só a encarei, como um idiota.
Ela andou até mim devagar. Cada passo ecoando como um feitiço.
— O que foi? Finalmente ficou sem resposta? — ela sussurrou, ficando perto
demais.
Perto demais.
Senti o cheiro do perfume que ela nunca usava — doce, quente, feito maçã com
veneno.
— Talvez você só precise de um pouco disso pra calar a boca de vez — ela
murmurou, e os dedos dela agarraram minha gravata.
E então…
Ela me beijou.
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Mas não foi um beijo gentil. Foi um ataque. Um incêndio. Um choque tão forte que
meu coração disparou mesmo dormindo. As mãos dela estavam nos meus cabelos.
As minhas, onde eu não deveria tocar.
— Mattheo… — ela sussurrou contra meus lábios.
Acordei suando, ofegante, com o lençol jogado no chão e o quarto mergulhado em
silêncio. Theodore dormia roncando na cama ao lado. Blaise tinha jogado um livro no
chão. Draco bufava em sonhos, provavelmente brigando com o Potter mesmo
inconsciente.
Eu levei a mão ao rosto, tentando apagar a imagem da cabeça.
Não consegui.
Porque era ela.
Ela.
E o pior?
Acordado, era mil vezes pior que sonhando.
Corredor Norte, 8h42 da manhã
Ela estava vindo na direção oposta, sozinha.
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Roupas de treino. Rabo de cavalo. Braços cruzados. Fones do mundo fechados.
Quando me viu, hesitou. Quase voltou pelo outro lado.
Mas não voltou.
Passei por ela sem dizer uma palavra.
Ela passou por mim sem mover um músculo.
Mas algo entre nós se mexeu. Como sempre.
— Gutemberg — falei, só pra irritar.
Ela parou.
Virou devagar. Olhou pra mim como se olhar em minha direção fosse perder tempo
de vida.
— Você não cansa, né?
Cruzei os braços. — Só de ver você treinar feito uma desesperada. Esperando que
isso esconda o fato de que o time de vocês ainda vai perder esse ano.
Ela riu — seca, debochada. Como sempre.
— A diferença é que a gente treina pra vencer. Vocês treinam pra parecer bonitos no
ar. Spoiler: nem isso conseguem.
— Pena que só um de nós aqui sonha com o outro no campo. — Escapou.
Ela arregalou os olhos por meio segundo.
Merda.
— O que você disse?
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— Nada. Vai se atrasar pra Transfiguração, Grifinória exemplar.
Ela me encarou por mais um segundo. Depois girou nos calcanhares e sumiu no
corredor, me deixando com o gosto ácido da frase imprudente na boca.
Aula de Transfiguração, 9h03
Professora McGonagall já estava irritada — nada novo.
— Senhor Weasley, se transformar uma pena em um porco-espinho não significa
que ela deva continuar picando sua mão!
— Ai! — Rony gritou, sacudindo a pena viva da palma da mão.
— Ponto para a inteligência limitada — resmungou Draco atrás de mim.
Arabella entrou na sala quase ao mesmo tempo que eu. Claro que a única mesa
vaga era a que dividia com Hermione.
E claro que o único lugar disponível perto dela era o da minha dupla: Blaise.
Ela sentou-se sem me olhar.
Mas eu vi.
A ponta das orelhas coradas.
As mãos tensas.
Estava lembrando do que eu disse.
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Do sonho.
— Gutemberg está mais nervosa que o habitual — Blaise cochichou.
— Cala a boca — murmurei, puxando minha varinha.
A aula seguiu, mas eu não vi metade dela.
Porque sempre que ela movia a cabeça, eu olhava.
Sempre que ela falava com Hermione, eu escutava.
Sempre que o Potter ria, eu odiava.
E no fundo, algo em mim se mexia de novo.
Não era só raiva.
Não era só desejo de superação.
Não era só rivalidade.
Era ela.
E agora eu sonhava com ela.
E isso só podia significar uma coisa.
Eu estava perdido.
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Capítulo 4 – Ele não sai da minha cabeça, e isso me irrita
Mattheo
Evitar Mattheo Riddle me cansava mais do que admitir que ele existia.
Não que eu tivesse mudado de ideia, muito menos perdoado as últimas três idiotices
que ele fez. Mas depois da aula de Transfiguração, ficou claro que ele não ia parar.
E, pior ainda: ficou claro que eu também não conseguia mais fingir que ele não
estava ali.
Não depois daquele comentário estranho no corredor.
Não depois de me encarar o tempo todo na aula como se eu fosse explodir em
chamas.
Não depois do que eu senti.
Não deveria sentir nada.
E ainda assim… aqui estou eu, ouvindo Hermione falar sobre feitiços avançados de
multiplicação, sem conseguir me concentrar uma linha sequer.
— Arabella? Tá ouvindo? — ela perguntou, franzindo a testa.
— Hm? Sim. Tô ouvindo. Multiplicação de objetos. Perigos se mal executada. Peguei
tudo.
Hermione estreitou os olhos como quem não acreditava. E, honestamente, nem eu.
Porque Mattheo Riddle estava três mesas à frente, junto com Blaise, e estava rindo
de alguma piada idiota do Draco.
E mesmo sem olhar pra mim…
Eu sabia que ele sabia que eu estava olhando.
Harry, ao meu lado, cutucou meu braço.
— Tá tudo bem?
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— Claro. Por quê?
— Porque você acabou de derramar tinta no seu livro.
Olhei pra baixo.
Droga.
Pior do que tentar evitar Mattheo, era tentar entender o que estava acontecendo
dentro da minha cabeça.
Mais tarde, no Salão Principal
A hora do jantar sempre foi uma zona de conforto pra mim. Comida, barulho, rostos
familiares. Uma bolha segura entre aulas difíceis e noites sem dormir.
Mas agora nem isso era mais seguro.
Porque ele sempre estava lá.
Mattheo Riddle, mesa da Sonserina, sorrindo de lado como se estivesse ganhando
um jogo que eu nem lembrava de ter começado a jogar.
Mas não olhei pra ele.
Nem uma vez.
Quero dizer... quase.
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Porque quando Pansy Parkinson encostou o ombro no dele e cochichou algo no
ouvido dele — e ele sorriu — algo dentro de mim estalou.
Hermione me olhou de lado, reparando.
— Você parece... tensa.
— Talvez porque a Parkinson deveria ser expulsa por assédio visual — murmurei,
mordendo um pedaço de pão com mais força do que o necessário.
— Uau — Rony disse, engasgando com a sopa. — Isso foi… intenso.
— Eu só tô cansada. — Menti.
Harry ainda me olhava. Aquele olhar dele de irmão mais velho, mesmo tendo
nascido três meses depois de mim.
Ele sabia.
Ele sempre sabia.
Mas não disse nada.
Graças a Merlin.
Corredor do 3º andar, saída da biblioteca
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Eu o vi.
Sozinho, recostado na parede de pedra como se estivesse esperando alguém. A luz
das tochas desenhava o perfil dele. Aquela expressão... meio entediada, meio alerta.
Como se estivesse sempre pronto pra me provocar.
Passei por ele sem desviar o olhar.
Ele também não desviou.
— Gutemberg — ele disse.
Parei. Me virei. Respirei fundo.
Não vou fugir mais. Mas também não vou correr até ele.
— Riddle.
Ele franziu as sobrancelhas, um pouco surpreso.
Talvez esperasse que eu o ignorasse.
Mas eu não ia ignorar.
Não mais.
Só não ia dar poder a ele.
— Você ficou estranhamente calado hoje — falei.
Ele deu de ombros.
— Talvez eu esteja só... cansado de competir.
— Mentiroso — sorri de lado. — Você nasceu pra competir. Deve competir até com o
espelho.
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Ele sorriu também. Mas foi... diferente. Menos sarcástico. Mais... curioso.
— E você? Cansou de me evitar?
— Talvez.
— Talvez?
— Talvez eu tenha me cansado de fingir que você não existe.
Ele me olhou por um segundo inteiro.
E aquele olhar... era perigoso.
Não porque machucava.
Mas porque dizia demais.
— Bom saber — ele respondeu baixo.
E então passou por mim.
Devagar.
Tão perto que a manga da túnica dele roçou na minha.
E mais uma vez…
eu fiquei parada.
Como se algo dentro de mim soubesse que aquilo — seja lá o que fosse — estava
apenas começando.
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Capítulo 5 – Por que diabos eu estava sonhando com Mattheo Riddle?
Arabella
— Arabella! Bella, acorda! Acorda agora!
Senti mãos me sacudindo e pisquei os olhos, confusa, ofegante.
Meu coração batia acelerado, meu corpo estava quente demais. A respiração vinha
em ondas irregulares e o cobertor parecia pesar o triplo.
— Hermione...? — murmurei, ainda tentando entender o que era sonho e o que era
realidade.
Ela estava com os olhos arregalados, segurando meus ombros como se eu tivesse
gritado.
— Você tava sussurrando enquanto dormia. E não foi qualquer coisa — ela
sussurrou, olhando de relance para Lavender e Parvati, que ainda dormiam.
— Quê? O quê que eu falei?
Ela hesitou. E então disse, como se estivesse soltando uma bomba:
— Você falou... Riddle. Sussurrou o sobrenome dele umas três vezes.
Fiquei imóvel.
Como se meu cérebro travasse num ponto entre o pânico e o desespero. Engoli
seco, sentando na cama, o lençol grudando na pele.
— Isso é um pesadelo — murmurei.
— Parecia tudo, menos isso. Você tava... inquieta. Parecia... envolvida. — Hermione
disse com um olhar que misturava curiosidade e alarme. — Arabella... você tá bem?
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Claro que não.
Sonhar com Mattheo Riddle era o tipo de punição que eu jamais teria imaginado.
Mas ali estava eu, lembrando de flashes distorcidos:
Seu olhar.
Sua voz baixa me chamando de "imprevisível".
Seus dedos roçando meu queixo.
E então... a explosão. Literal e emocional.
Acordei antes de ver o final. Ainda bem.
— Não significa nada — murmurei, levantando rápido e pegando minha varinha. —
Deve ter sido culpa do ensopado de ontem.
Hermione não respondeu. Mas seu olhar dizia tudo.
E isso me irritava mais do que o sonho.
Mais tarde, mas cedo demais – Aula de Poções com Snape
Andar até o calabouço parecia uma caminhada rumo à execução.
E meu humor — já naturalmente afiado — estava pior do que de costume. Só o
cheiro dos ingredientes já me enjoava. Não ajudava o fato de que Snape estava com
o péssimo hábito de dividir as duplas conforme seu próprio humor sádico.
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— Gutemberg com... Riddle — ele anunciou, sem nem erguer o olhar.
— O quê?! — dissemos em uníssono. Meu tom foi de indignação, o dele de puro
desprezo.
Snape ergueu uma sobrancelha.
— Algum problema com minha ordem?
Engoli a resposta mordaz. Sentei com força na bancada ao lado de Mattheo,
evitando olhar pra ele. Ele chegou logo depois, com aquele andar calmo e
irritantemente confiante.
— Que sorte a minha — ele murmurou, abrindo o livro com o canto da boca
levantado num meio sorriso.
— Se você encostar em qualquer coisa errada, eu jogo veritaserum no seu suco de
abóbora — sibilei.
— Achei que você preferia me envenenar aos poucos... pra ver a dor no meu rosto.
— Que poético. Sabia que você devia ser preso?
— E você devia parar de sonhar comigo.
Meus olhos se arregalaram e minhas bochechas queimaram. Ele sabia?
— Do que você tá falando? — retruquei rápido demais.
— Nada — ele respondeu com um sorriso torto. — Mas você tá vermelha. Eu disse
alguma coisa?
Tentei me concentrar na receita da Poção Pimentona, mas meus dedos tremiam.
A raiva e o pânico se misturavam num coquetel perigosíssimo.
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— Mexe mais uma vez a poção no sentido errado e eu te empurro dentro do
caldeirão — murmurei entredentes.
— Agressiva assim já de manhã? Eu gosto.
Meia hora depois
Um leve boom ecoou pela sala quando a mistura começou a chiar. Estávamos
discutindo sobre a quantidade de pimenta-do-reino-do-diabo enquanto os outros já
terminavam a poção.
Snape se aproximou como uma sombra.
— Riddle. Gutemberg. Que cena lamentável.
Ficamos em silêncio.
— Detenção. Amanhã. Sete da noite. Calabouço 3.
— Mas, professor... — tentei argumentar.
— A senhora falou “se ele encostar mais uma vez, eu enterro a cara dele no tônico”.
Em voz alta.
Mattheo riu. Riu. Como se estivesse se divertindo com a desgraça.
— Eu adoro detenção — ele sussurrou.
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— Eu adoro o silêncio. Pena que você nunca fica quieto o suficiente pra eu
aproveitar.
Snape virou de costas. E eu fiquei ali, tentando entender por que estar ao lado de
Mattheo me desestabilizava tanto.
E por que parte de mim... não queria que isso acabasse tão cedo.
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Capítulo 6 – Você me odeia… mas olha pra mim como se quisesse mais
Mattheo
Eu não sonhei com ela essa noite.
Pela primeira vez em quatro dias, minha cabeça não foi tomada pela imagem da
Arabella.
Nem sua voz, nem seu cheiro, nem o maldito modo como ela diz meu sobrenome
como se fosse veneno.
E isso… deveria ser bom, certo?
Mas estranhamente, acordei irritado.
Como se meu cérebro tivesse ficado em silêncio demais. Como se tivesse faltado
alguma coisa que, por algum motivo, eu me acostumei a ter — mesmo odiando.
Odiei o silêncio.
Odiei acordar sem sua voz.
Maldição.
— Vai mesmo? — Blaise perguntou enquanto eu amarrava os cadarços das botas.
— Snape ameaçou me enfiar de castigo limpando banheiros com Filch por uma
semana se eu faltasse. — Dei de ombros, pegando minha varinha. — Prefiro o
calabouço.
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— Com a grifinória boca suja?
— Exatamente com ela — respondi, saindo com a jaqueta jogada sobre os ombros.
O corredor que levava até o Calabouço Três estava vazio e úmido. As tochas mal
iluminavam o chão e ecoava um som irritante de gotas d’água pingando em pedra.
Arabella Gutemberg já estava lá dentro.
Sentada sobre uma cadeira velha, com as pernas cruzadas e os braços apoiados no
encosto como se estivesse entediada de viver. O cabelo preso num coque malfeito,
com algumas mechas caindo ao redor do rosto. A blusa da Grifinória levemente
amassada. Tinha um corte pequeno no canto da sobrancelha, provavelmente de
algum treino mal calculado.
E mesmo assim…
Inferno. Ela parecia ter saído direto do tipo de sonho que eu fingia não lembrar.
— Chegou cedo — comentei, encostando a porta com o pé.
Ela não respondeu. Só me lançou aquele olhar típico dela — como se minha
presença fosse um fedor insuportável.
— Ainda bem. Pensei que ia precisar passar duas horas limpando tudo isso sozinho
— acrescentei, tirando a jaqueta e jogando numa das cadeiras.
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— Se você acha que eu vim aqui pra fazer trabalho sujo pra você, Riddle, é mais
burro do que eu pensava — ela rebateu, pegando um pano.
— Não, claro que não — sorri de lado. — Você só veio porque sua língua afiada não
conseguiu ficar quieta por uma aula inteira.
— A culpa foi sua. Você respirava alto demais.
— Engraçado. Nunca ouvi ninguém reclamar da minha respiração. Só você.
— Porque só eu tenho coragem de dizer o óbvio: você me tira do sério.
— E você me tira o sono.
Ela parou.
Só por um segundo. Mas parou.
Não respondeu. Só virou o rosto e começou a esfregar uma bancada enferrujada
com mais força do que o necessário.
Ótimo. Comecei a esfregar a minha também, em silêncio.
Passaram-se talvez trinta minutos sem que nenhum de nós dissesse uma palavra.
O ar entre a gente era denso. Quente demais pro fundo do castelo.
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Eu podia ouvir sua respiração. Podia sentir o perfume leve do sabonete que ela
usava. Lembrava da voz dela me amaldiçoando na aula de Poções. Lembrava da
forma como ela tremia de raiva. Lembrava de tudo.
E ela... ela parecia estar lutando com alguma coisa dentro da própria cabeça.
— Você sempre fica quieta assim? — perguntei, sem encarar.
— Não quero brigar. Só quero sair daqui.
— Isso é novo. Uma Arabella que não quer discutir? Uau. Anotem esse dia na
história.
Ela riu, sem humor.
— Não vale a pena gastar palavras com você, Mattheo.
Meu nome na boca dela.
Merda.
Meu estômago revirou. Algo queimou dentro do meu peito. Me aproximei, deixando o
pano de lado.
— Que tipo de palavras você gastaria comigo, então?
Ela me encarou.
Direto. Sem piscar.
— As que te mandariam pra enfermaria — respondeu seca.
Dei uma risada baixa. Sincera.
— Você pensa em mim o tempo todo, né?
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Ela apertou os lábios. Veio andando até mim devagar.
— Você é tão narcisista que não percebe o quanto as pessoas ao seu redor querem
vomitar quando você entra num ambiente?
— Pode ser. Mas você não quer vomitar. Você quer me quebrar. E quebrar alguém
exige mais do que nojo. Exige... interesse.
Arabella não respondeu. Mas seus olhos queimavam.
Ficamos parados ali, um de frente pro outro.
Ela tremia. Mas não de medo. Era raiva, desejo ou uma mistura caótica que nem ela
entendia.
Eu queria dizer alguma coisa. Qualquer coisa.
Mas ela se virou. Pegou de novo o pano e esfregou com mais força.
Fiquei olhando. Silencioso.
Fascinado.
Obcecado.
Snape entrou dez minutos depois, olhou o ambiente limpo, olhou pra nós — suados,
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sujos de poeira, e a centímetros de nos atacar — e ergueu uma sobrancelha.
— Bom trabalho. Estão dispensados.
Arabella saiu sem olhar pra mim.
Mas eu fiquei parado ali. Olhando pro pano no chão.
Pensando nos olhos dela.
Pensando no jeito como ela disse meu nome.
Pensando em como minha pele reagia ao som da sua respiração.
Pensando no maldito fato de que tudo o que eu queria, tudo o que eu precisava, era
mais daquilo.
Mais dela.
Mesmo que ela me matasse no processo.
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Capítulo 7 – Se não é rivalidade… o que é isso então?
Arabella
Passei os últimos dois dias tentando esquecer a detenção.
Não que tenha acontecido algo, exatamente.
Mas aquilo. Aquela presença.
O jeito como o Mattheo me olhava, como falava meu nome...
Tinha algo de perigoso ali. Algo que me irritava por não conseguir explicar.
E hoje, como uma ironia do destino, tínhamos o primeiro treino de Quadribol do ano.
Com a Sonserina.
Claro que íamos dividir o campo.
Claro que ele ia estar lá.
E claro que o universo estava rindo da minha cara.
No vestiário da Grifinória, Harry estava com a cara fechada.
Oliver Wood, nosso capitão, fazia seu discurso motivacional (que durava pelo menos
vinte minutos), enquanto Angelina Johnson e eu trocávamos olhares entediados.
— Você ainda vai matar ele com um balaço, né? — ela sussurrou no meu ouvido.
— Só se ele insistir em respirar perto de mim.
— Arabella…
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— O quê?
— Você tá corando.
Revirei os olhos.
— Tô com raiva. Só isso.
Mas nem eu acreditei.
Chegamos no campo alguns minutos depois, montados nas vassouras.
Os uniformes verde e prata já estavam lá.
Mattheo, Draco, Theodore Nott, Blaise Zabini, Pansy (só assistindo, graças a Merlin),
e Marcus Flint, o capitão deles.
— Ótimo, a realeza chegou — Draco ironizou, assim que aterrissamos.
— Vê se não vomita no campo, Malfoy — Harry rebateu na hora, irritado.
— Relaxa, Potter, ela não era tão boa assim — Draco provocou, se referindo
claramente à Cho.
Os dois já estavam quase se empurrando quando Oliver e Flint intervieram.
Acabaram decidindo que "seria produtivo treinar algumas jogadas juntos".
Claro. Só se for produtivo pro caos.
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E foi.
A primeira meia hora foi fingimento puro.
Mattheo e eu estávamos sempre no mesmo lado do campo, mas nem trocávamos
olhares.
Ele passava voando por mim como se eu fosse invisível.
Mas eu sentia.
Sentia o ar mudando. O peso da tensão. O jeito como ele ficava mais rápido toda
vez que eu acelerava.
Estava virando um jogo.
Não mais entre Grifinória e Sonserina.
Mas entre nós dois.
— VAMOS, ARABELLA! — Wood gritou de longe.
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— VAMOS, RIDDLE! — Flint devolveu no mesmo tom.
E aí a coisa começou a esquentar.
Mattheo roubou a goles de mim com uma manobra quase ilegal.
Eu tomei de volta e quase o derrubei.
Ele deu a volta por cima da arquibancada, tentando me fechar o caminho.
Eu respondi com um giro que me jogou direto no artilheiro da Sonserina.
A partir daí, era como se o resto do time não existisse.
Só nós dois.
E uma bola entre a gente.
Pousamos quase uma hora depois, suados, ofegantes, exaustos.
— Isso foi um treino ou uma luta? — Blaise perguntou, rindo, tirando o protetor de
ombro.
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Mattheo não respondeu.
Nem eu.
Apenas olhamos um para o outro. Por um segundo.
E bastou isso pra que tudo que foi dito na detenção voltasse à minha cabeça.
"Você pensa em mim o tempo todo, né?"
Maldito.
Naquela noite, depois do banho e do jantar, tentei dormir cedo.
Mas o sono demorou a vir.
A cabeça cheia, os músculos doloridos.
E então…
Ponto de vista: Mattheo
Ela estava no campo de Quadribol.
Sozinha.
O céu era preto como breu e a grama molhada fazia barulho sob os pés.
Eu caminhei até ela.
Arabella não disse nada.
Só me olhou.
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Como se soubesse.
Como se esperasse.
— Eu te odeio — ela disse, sem raiva. Quase como uma confissão.
— E mesmo assim sonha comigo — respondi.
Ponto de vista: Arabella
Eu não queria dizer aquilo.
Mas no sonho... era como se o filtro tivesse sumido.
Como se eu não conseguisse mentir.
— Eu não sei o que é isso — sussurrei, olhando pra ele, tão perto, tão real.
— Isso é você me querendo — ele disse, encostando a testa na minha.
— Isso é loucura.
— É obsessão.
Ponto de vista: Mattheo
Eu toquei sua cintura.
Ela não recuou.
O tempo no sonho parecia mais lento.
A tensão entre a gente, mais densa do que nunca.
— Arabella...
— Acorda, Riddle.
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Ponto de vista: Arabella
Acordei com um pulo.
Hermione estava me sacudindo.
— Você tá bem? Estava suando e... sussurrando “Riddle”. De novo.
Me afundei no travesseiro.
Merda.
Amanhã temos aula com o Hagrid.
E a única coisa que sei é que preciso de distância.
Ou talvez… só de mais um pouco dele.
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Capítulo 8 – Prontos para a Guerra
Arabella
Dizem que Hogwarts é mágica.
Mentira.
Hogwarts é um campo de guerra mal disfarçado de escola.
Um castelo medieval onde os corredores abafam gritos, onde amizades
desmoronam com um feitiço mal lançado, e onde um nome sussurrado no meio da
noite pode te fazer suar frio.
E naquele dia, Hogwarts estava fervendo.
Harry não falava direito há dias.
O silêncio dele já era costume, mas esse era diferente. Duro. Amargo.
Como se tivesse se engasgado com a própria garganta e decidido nunca mais
engolir a dor.
— Arabella, você viu meu livro de Trato das Criaturas Mágicas? — ele perguntou,
remexendo a mochila com brutalidade.
— De novo? Tá no fundo, Harry. Eu coloquei lá ontem.
— Ah.
Ele enfiou a mão com raiva, puxando o livro com tanta força que o couro da capa
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rasgou.
— Harry... — comecei, mas Hermione me olhou e balançou a cabeça.
"Deixa", ela quis dizer.
Mas não dava mais pra deixar.
Ele estava quebrando por dentro, e todos fingindo que não viam.
No corredor, a cena que ninguém queria aconteceu.
Cho Chang apareceu.
Como se tivesse sido convocada pelo próprio capeta, ela saiu de trás de uma
pilastra, ajeitando a trança perfeita e com aquele rosto culpado de quem sabe que
quebrou algo que talvez nunca volte ao normal.
— Harry… eu posso falar com você?
Ele parou. Os olhos semicerrados, a mão em punho.
— Vai dizer o quê agora? Que foi um mal-entendido? Que o Cedrico tropeçou em
você e vocês acidentalmente se beijaram?
— Eu nunca disse que beijei o Cedrico!
— Mas deixou que todos pensassem isso, né?
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— Eu não espalhei nada, Harry. Foram as pessoas… eu só...
— Você só o quê, Cho? Só saiu com ele enquanto dizia que me amava?
E então:
— Acha que alguém amaria você, Potter?
A voz veio como veneno.
Draco Malfoy.
Ponto de vista: Mattheo Riddle
E foi aí que tudo explodiu.
Draco estava atrás de mim, rindo.
Aquele riso que ele solta quando sente que venceu — mesmo quando não fez nada
além de mexer onde dói.
— Você quer repetir isso? — Harry gritou, girando nos calcanhares.
— Ah, claro. Acha que alguém aguentaria se relacionar com você? Você é um
projeto de herói com complexo de órfão.
— SEU—
— Harry, NÃO — Arabella tentou segurar o braço dele, mas ele já tinha partido pra
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cima de Draco.
Foi como ver dois Cometas 260 colidindo no ar.
Ron correu pra ajudar.
Hermione já estava com um livro levantado — um monstro de capa dura que acertou
alguém… mas não foi o Draco.
Pansy Parkinson caiu no chão com um grito histérico.
— MINHA CABEÇA! SUA GRIFINÁRIA LOUCA!
Hermione ficou branca.
Arabella prendeu o riso.
Eu, sinceramente, queria bater a cabeça na parede até apagar.
Ponto de vista: Arabella
Tudo estava em câmera lenta.
Mattheo segurava Draco.
Eu tentava arrastar Harry pra trás.
Hermione berrava desculpas.
Ron apontava a varinha pra todo lado.
E Pansy... bem, Pansy gemia como se estivesse em St. Mungus.
— CHEGA! — gritei.
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Todos pararam.
Até o tempo pareceu congelar.
— Isso aqui é Hogwarts ou um duelo em Knockturn Alley?! Alguém aqui sabe se
comportar como um aluno normal?
— Fala isso pro Potter — Draco cuspiu. — Sempre age como se o mundo girasse
em torno dele.
— E você como se fosse o eixo.
— ARABELLA — Harry tentou, mas eu levantei a mão.
— Eu já cansei disso, Harry. Cansei de ver você se machucar e fingir que tá tudo
bem.
Cansei de você, Malfoy, tratar todo mundo como lixo pra compensar sua
insegurança.
Todo mundo ficou em silêncio.
Foi então que Mattheo se aproximou.
Calmo.
Sereno demais.
Mas o olhar dele estava escuro.
— Vocês não percebem o quanto estão patéticos?
— Ah, vai me dar uma lição agora, Riddle? — Draco bufou.
Mattheo ignorou.
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Olhou pra mim.
— A gente só queria um ano normal, né?
E eu, por algum motivo, não consegui falar nada.
Mais tarde naquela noite
Depois do jantar, me joguei no sofá da Grifinória.
Harry estava no dormitório, trancado.
Ron foi atrás de comida na cozinha.
Hermione? Provavelmente no escritório da McGonagall, se explicando.
Eu fiquei ali.
Ouvindo a tempestade no céu lá fora.
Pensando no jeito que Mattheo me olhou.
Naquela calma impossível em meio ao caos.
Na maneira como ele segurou Draco com tanta facilidade.
Como se tivesse feito isso a vida toda.
E então me perguntei…
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Por que era ele o único que conseguia fazer minha cabeça parar de doer?
Ponto de vista: Mattheo
Na Sala Comunal da Sonserina, Draco ainda reclamava de tudo.
Mas eu não escutava.
Eu só conseguia pensar na Gutemberg.
Na voz dela.
Na fúria.
Na coragem de enfrentar todo mundo.
Mesmo o Potter.
Mesmo o meu melhor amigo.
Ela era fogo.
E eu…
Eu estava começando a querer me queimar.
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