Rivalidade e Conflito em Hogwarts
Rivalidade e Conflito em Hogwarts
Harry caiu.
E Mattheo... sorria.
Um sorriso discreto, cínico, satisfeito. Arabella viu. Ninguém mais viu, mas ela viu.
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sozinho. Encostado na parede, limpando sangue seco da luva com desdém. Como
se tudo aquilo fosse banal.
Mattheo ergueu os olhos, calmo. — Não sei do que está falando, Gutemberg.
Ele riu, baixo, com aquela voz arrastada que a irritava mais do que qualquer coisa.
— Achei que ele fosse o Escolhido. Deveria ter escolhido segurar melhor a vassoura.
Ela ergueu a mão e deu um empurrão em seu peito. Ele sequer cambaleou.
— Você é um lixo.
Ela sentiu o corpo inteiro ferver de raiva. Desde aquele momento, algo nasceu entre
eles. Não era só rivalidade. Era guerra pessoal.
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Capítulo 1 – Dois anos não foram o suficiente
Arabella
Porque em algum lugar dentro daquele trem — como em todos os anos — ele
estava ali.
Mattheo Riddle.
O nome dele era um gosto amargo na minha boca. Mesmo sem vê-lo, eu sabia que
ele estava perto. Porque o ar pesava. Porque meu corpo inteiro ficava em alerta.
Porque os dois últimos anos não foram o suficiente para apagar o ódio que nasceu
quando ele jogou meu irmão da vassoura feito lixo.
Odeio mais ainda o sorriso que ele deu quando achou que ninguém estava olhando.
— Arabella, você vai ficar parada no meio do corredor por quanto tempo? —
Hermione cutucou meu ombro, me tirando do transe.
— Hã? Ah, desculpa — murmurei, andando até o compartimento onde Harry e Rony
já estavam sentados.
Harry sorriu ao me ver, aquele sorriso meio torto e cansado que ele nunca perdia,
mesmo com o peso do mundo nas costas.
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cara da Sonserina na lama. De novo.
Rony riu. — Já tô vendo o Flint espumando. Aposto cinco galeões que ele quebra a
própria vassoura de raiva.
Mas dentro de mim… eu sabia que não era só sobre o jogo. Nunca foi.
Desde o segundo ano, desde aquele choque no ar, Mattheo e eu travávamos uma
guerra pessoal em todos os sentidos. E não importava o tempo que passasse —
sempre que nos cruzávamos, era como se o mundo parasse. Como se os outros
desaparecessem. Como se nada mais existisse além daquele olhar cínico, afiado e
cruel dele.
E eu estava pronta para o quarto ano. Pronta para derrotá-lo de novo no campo.
Pronta para ver o nome dele abaixo do meu nos rankings de Poções. Pronta para
qualquer provocação, qualquer frase venenosa, qualquer sorriso torto.
O reflexo do vidro era traiçoeiro. Por um segundo, quase jurei ver os olhos dele me
encarando de algum compartimento ao longe. Mas não me virei. Não ia dar a ele
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esse gostinho.
Todos os dias.
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Capítulo 2 – Ela não olha pra mim, e isso me mata
Mattheo
Aquela fila idiota de pirralhos tremendo como se estivessem sendo levados pro
abate, o chapéu velho gritando casas como se fosse uma honra alguma delas ter
que aturar esse monte de sangue novo mimado e sujo de sapo.
— Aposto dez galeões que aquele ruivinho chorão vai pra Lufa-Lufa — resmungou
Draco ao meu lado, de boca cheia de carne.
— Vinte que vai pra Grifinória. Têm a cara de trouxa corajoso — rebateu Blaise,
dando de ombros.
Fingi que ouvia. Fingi que estava prestando atenção em qualquer coisa além do que
realmente importava.
Ela.
Arabella Gutemberg.
Odiava quando ela sorria. Não porque era feio — pelo contrário. Odiava porque…
porque era bonito demais. Porque parecia fácil. Porque não era pra mim.
Porque eu sabia que, mesmo que eu fizesse tudo certo — ganhasse todas as
partidas, tirasse todas as notas, quebrasse todos os recordes — nada me faria ser
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digno daquele sorriso.
Idiota.
Ela é só uma rival.
Uma pedra no meu sapato.
Uma maldita Grifinória com complexo de superioridade.
Não porque eu queria, mas porque meu corpo fazia isso sozinho. Como um vício.
Como uma maldição.
Dois anos.
Dois anos desde aquele maldito jogo em que derrubei Potter da vassoura.
Dois anos desde que Arabella me olhou como se quisesse me matar.
Dois anos em que toda vez que ela entra em uma sala, eu sei. Eu sinto.
E o pior?
Nem quando passa pelo corredor. Nem quando estou no campo de Quadribol. Nem
quando a diretora me chama na frente da turma e todos se viram.
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— “Gutemberg” — repete Draco, como se estivesse lendo minha mente. — Você já
reparou que ela não muda nunca? Sempre fingindo que é a mais certa da escola.
Vai ver dorme com o livro de Poções.
Todos me olharam.
— Só... irritante — menti. — Ela. Eles. Todos. Só quero que essa seleção acabe
logo.
E era verdade.
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Capítulo 3 – Eu sonhei com ela
Mattheo
Quatro dias.
Quatro dias desde que as aulas começaram.
Quatro dias desde que o inferno silencioso começou.
Minha garganta secou. No sonho, não consegui falar. Só a encarei, como um idiota.
Ela andou até mim devagar. Cada passo ecoando como um feitiço.
— O que foi? Finalmente ficou sem resposta? — ela sussurrou, ficando perto
demais.
Perto demais.
Senti o cheiro do perfume que ela nunca usava — doce, quente, feito maçã com
veneno.
— Talvez você só precise de um pouco disso pra calar a boca de vez — ela
murmurou, e os dedos dela agarraram minha gravata.
E então…
Ela me beijou.
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Mas não foi um beijo gentil. Foi um ataque. Um incêndio. Um choque tão forte que
meu coração disparou mesmo dormindo. As mãos dela estavam nos meus cabelos.
As minhas, onde eu não deveria tocar.
Não consegui.
E o pior?
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Roupas de treino. Rabo de cavalo. Braços cruzados. Fones do mundo fechados.
Ela parou.
Virou devagar. Olhou pra mim como se olhar em minha direção fosse perder tempo
de vida.
Cruzei os braços. — Só de ver você treinar feito uma desesperada. Esperando que
isso esconda o fato de que o time de vocês ainda vai perder esse ano.
— A diferença é que a gente treina pra vencer. Vocês treinam pra parecer bonitos no
ar. Spoiler: nem isso conseguem.
Merda.
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— Nada. Vai se atrasar pra Transfiguração, Grifinória exemplar.
Ela me encarou por mais um segundo. Depois girou nos calcanhares e sumiu no
corredor, me deixando com o gosto ácido da frase imprudente na boca.
Arabella entrou na sala quase ao mesmo tempo que eu. Claro que a única mesa
vaga era a que dividia com Hermione.
E claro que o único lugar disponível perto dela era o da minha dupla: Blaise.
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Do sonho.
Era ela.
Eu estava perdido.
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Capítulo 4 – Ele não sai da minha cabeça, e isso me irrita
Mattheo
Evitar Mattheo Riddle me cansava mais do que admitir que ele existia.
Não que eu tivesse mudado de ideia, muito menos perdoado as últimas três idiotices
que ele fez. Mas depois da aula de Transfiguração, ficou claro que ele não ia parar.
E, pior ainda: ficou claro que eu também não conseguia mais fingir que ele não
estava ali.
E ainda assim… aqui estou eu, ouvindo Hermione falar sobre feitiços avançados de
multiplicação, sem conseguir me concentrar uma linha sequer.
Hermione estreitou os olhos como quem não acreditava. E, honestamente, nem eu.
Porque Mattheo Riddle estava três mesas à frente, junto com Blaise, e estava rindo
de alguma piada idiota do Draco.
E mesmo sem olhar pra mim…
Eu sabia que ele sabia que eu estava olhando.
— Tá tudo bem?
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— Claro. Por quê?
Droga.
Pior do que tentar evitar Mattheo, era tentar entender o que estava acontecendo
dentro da minha cabeça.
A hora do jantar sempre foi uma zona de conforto pra mim. Comida, barulho, rostos
familiares. Uma bolha segura entre aulas difíceis e noites sem dormir.
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Porque quando Pansy Parkinson encostou o ombro no dele e cochichou algo no
ouvido dele — e ele sorriu — algo dentro de mim estalou.
— Talvez porque a Parkinson deveria ser expulsa por assédio visual — murmurei,
mordendo um pedaço de pão com mais força do que o necessário.
— Eu só tô cansada. — Menti.
Harry ainda me olhava. Aquele olhar dele de irmão mais velho, mesmo tendo
nascido três meses depois de mim.
Ele sabia.
Graças a Merlin.
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Eu o vi.
Não vou fugir mais. Mas também não vou correr até ele.
— Riddle.
— Mentiroso — sorri de lado. — Você nasceu pra competir. Deve competir até com o
espelho.
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Ele sorriu também. Mas foi... diferente. Menos sarcástico. Mais... curioso.
— Talvez.
— Talvez?
— Talvez eu tenha me cansado de fingir que você não existe.
Como se algo dentro de mim soubesse que aquilo — seja lá o que fosse — estava
apenas começando.
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Capítulo 5 – Por que diabos eu estava sonhando com Mattheo Riddle?
Arabella
Meu coração batia acelerado, meu corpo estava quente demais. A respiração vinha
em ondas irregulares e o cobertor parecia pesar o triplo.
— Hermione...? — murmurei, ainda tentando entender o que era sonho e o que era
realidade.
Ela estava com os olhos arregalados, segurando meus ombros como se eu tivesse
gritado.
— Você tava sussurrando enquanto dormia. E não foi qualquer coisa — ela
sussurrou, olhando de relance para Lavender e Parvati, que ainda dormiam.
Fiquei imóvel.
Como se meu cérebro travasse num ponto entre o pânico e o desespero. Engoli
seco, sentando na cama, o lençol grudando na pele.
— Parecia tudo, menos isso. Você tava... inquieta. Parecia... envolvida. — Hermione
disse com um olhar que misturava curiosidade e alarme. — Arabella... você tá bem?
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Claro que não.
Sonhar com Mattheo Riddle era o tipo de punição que eu jamais teria imaginado.
Mas ali estava eu, lembrando de flashes distorcidos:
Seu olhar.
Sua voz baixa me chamando de "imprevisível".
Seus dedos roçando meu queixo.
E então... a explosão. Literal e emocional.
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— Gutemberg com... Riddle — ele anunciou, sem nem erguer o olhar.
— Que sorte a minha — ele murmurou, abrindo o livro com o canto da boca
levantado num meio sorriso.
— Achei que você preferia me envenenar aos poucos... pra ver a dor no meu rosto.
— Nada — ele respondeu com um sorriso torto. — Mas você tá vermelha. Eu disse
alguma coisa?
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— Mexe mais uma vez a poção no sentido errado e eu te empurro dentro do
caldeirão — murmurei entredentes.
Um leve boom ecoou pela sala quando a mistura começou a chiar. Estávamos
discutindo sobre a quantidade de pimenta-do-reino-do-diabo enquanto os outros já
terminavam a poção.
Ficamos em silêncio.
— A senhora falou “se ele encostar mais uma vez, eu enterro a cara dele no tônico”.
Em voz alta.
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— Eu adoro o silêncio. Pena que você nunca fica quieto o suficiente pra eu
aproveitar.
Snape virou de costas. E eu fiquei ali, tentando entender por que estar ao lado de
Mattheo me desestabilizava tanto.
E por que parte de mim... não queria que isso acabasse tão cedo.
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Capítulo 6 – Você me odeia… mas olha pra mim como se quisesse mais
Mattheo
Como se meu cérebro tivesse ficado em silêncio demais. Como se tivesse faltado
alguma coisa que, por algum motivo, eu me acostumei a ter — mesmo odiando.
Odiei o silêncio.
Odiei acordar sem sua voz.
Maldição.
— Snape ameaçou me enfiar de castigo limpando banheiros com Filch por uma
semana se eu faltasse. — Dei de ombros, pegando minha varinha. — Prefiro o
calabouço.
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— Com a grifinória boca suja?
— Exatamente com ela — respondi, saindo com a jaqueta jogada sobre os ombros.
O corredor que levava até o Calabouço Três estava vazio e úmido. As tochas mal
iluminavam o chão e ecoava um som irritante de gotas d’água pingando em pedra.
Sentada sobre uma cadeira velha, com as pernas cruzadas e os braços apoiados no
encosto como se estivesse entediada de viver. O cabelo preso num coque malfeito,
com algumas mechas caindo ao redor do rosto. A blusa da Grifinória levemente
amassada. Tinha um corte pequeno no canto da sobrancelha, provavelmente de
algum treino mal calculado.
E mesmo assim…
Inferno. Ela parecia ter saído direto do tipo de sonho que eu fingia não lembrar.
Ela não respondeu. Só me lançou aquele olhar típico dela — como se minha
presença fosse um fedor insuportável.
— Ainda bem. Pensei que ia precisar passar duas horas limpando tudo isso sozinho
— acrescentei, tirando a jaqueta e jogando numa das cadeiras.
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— Se você acha que eu vim aqui pra fazer trabalho sujo pra você, Riddle, é mais
burro do que eu pensava — ela rebateu, pegando um pano.
— Não, claro que não — sorri de lado. — Você só veio porque sua língua afiada não
conseguiu ficar quieta por uma aula inteira.
Ela parou.
Passaram-se talvez trinta minutos sem que nenhum de nós dissesse uma palavra.
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Eu podia ouvir sua respiração. Podia sentir o perfume leve do sabonete que ela
usava. Lembrava da voz dela me amaldiçoando na aula de Poções. Lembrava da
forma como ela tremia de raiva. Lembrava de tudo.
E ela... ela parecia estar lutando com alguma coisa dentro da própria cabeça.
— Isso é novo. Uma Arabella que não quer discutir? Uau. Anotem esse dia na
história.
Merda.
Meu estômago revirou. Algo queimou dentro do meu peito. Me aproximei, deixando o
pano de lado.
Ela me encarou.
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Ela apertou os lábios. Veio andando até mim devagar.
— Você é tão narcisista que não percebe o quanto as pessoas ao seu redor querem
vomitar quando você entra num ambiente?
— Pode ser. Mas você não quer vomitar. Você quer me quebrar. E quebrar alguém
exige mais do que nojo. Exige... interesse.
Ela tremia. Mas não de medo. Era raiva, desejo ou uma mistura caótica que nem ela
entendia.
Mas ela se virou. Pegou de novo o pano e esfregou com mais força.
Fascinado.
Obcecado.
Snape entrou dez minutos depois, olhou o ambiente limpo, olhou pra nós — suados,
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sujos de poeira, e a centímetros de nos atacar — e ergueu uma sobrancelha.
Mais dela.
Mesmo que ela me matasse no processo.
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Capítulo 7 – Se não é rivalidade… o que é isso então?
Arabella
E hoje, como uma ironia do destino, tínhamos o primeiro treino de Quadribol do ano.
Com a Sonserina.
Oliver Wood, nosso capitão, fazia seu discurso motivacional (que durava pelo menos
vinte minutos), enquanto Angelina Johnson e eu trocávamos olhares entediados.
— Você ainda vai matar ele com um balaço, né? — ela sussurrou no meu ouvido.
— Arabella…
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— O quê?
— Você tá corando.
Revirei os olhos.
— Relaxa, Potter, ela não era tão boa assim — Draco provocou, se referindo
claramente à Cho.
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E foi.
Mas eu sentia.
Sentia o ar mudando. O peso da tensão. O jeito como ele ficava mais rápido toda
vez que eu acelerava.
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— VAMOS, RIDDLE! — Flint devolveu no mesmo tom.
Só nós dois.
— Isso foi um treino ou uma luta? — Blaise perguntou, rindo, tirando o protetor de
ombro.
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Mattheo não respondeu.
Nem eu.
Maldito.
E então…
Só me olhou.
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Como se soubesse.
Como se esperasse.
— Eu não sei o que é isso — sussurrei, olhando pra ele, tão perto, tão real.
— Isso é loucura.
— É obsessão.
— Arabella...
— Acorda, Riddle.
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Ponto de vista: Arabella
Me afundei no travesseiro.
Merda.
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Capítulo 8 – Prontos para a Guerra
Arabella
O silêncio dele já era costume, mas esse era diferente. Duro. Amargo.
Como se tivesse se engasgado com a própria garganta e decidido nunca mais
engolir a dor.
— Arabella, você viu meu livro de Trato das Criaturas Mágicas? — ele perguntou,
remexendo a mochila com brutalidade.
— Ah.
Ele enfiou a mão com raiva, puxando o livro com tanta força que o couro da capa
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rasgou.
Ele estava quebrando por dentro, e todos fingindo que não viam.
Como se tivesse sido convocada pelo próprio capeta, ela saiu de trás de uma
pilastra, ajeitando a trança perfeita e com aquele rosto culpado de quem sabe que
quebrou algo que talvez nunca volte ao normal.
— Vai dizer o quê agora? Que foi um mal-entendido? Que o Cedrico tropeçou em
você e vocês acidentalmente se beijaram?
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— Eu não espalhei nada, Harry. Foram as pessoas… eu só...
— Você só o quê, Cho? Só saiu com ele enquanto dizia que me amava?
E então:
— Ah, claro. Acha que alguém aguentaria se relacionar com você? Você é um
projeto de herói com complexo de órfão.
— SEU—
— Harry, NÃO — Arabella tentou segurar o braço dele, mas ele já tinha partido pra
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cima de Draco.
— CHEGA! — gritei.
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Todos pararam.
— Fala isso pro Potter — Draco cuspiu. — Sempre age como se o mundo girasse
em torno dele.
— Eu já cansei disso, Harry. Cansei de ver você se machucar e fingir que tá tudo
bem.
Cansei de você, Malfoy, tratar todo mundo como lixo pra compensar sua
insegurança.
Calmo.
Sereno demais.
Mattheo ignorou.
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Olhou pra mim.
Eu fiquei ali.
E então me perguntei…
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Por que era ele o único que conseguia fazer minha cabeça parar de doer?
Mesmo o Potter.
E eu…
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Capítulo 9 — Incontrolável
Mattheo
O sonho começou como sempre: confuso, lento… o tipo de devaneio que parece
flutuar entre memórias e desejos que você não sabe se teve ou imaginou.
Acordei ofegante.
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Suando.
E com Draco Malfoy plantado ao lado da minha cama, braços cruzados, expressão
de nojo e olhos arregalados como se tivesse assistido um hipogrifo dançando balé.
— Você estava sussurrando o nome dela, Riddle. — Ele disse devagar, em puro
escárnio. — Com uma cara de quem tava... bem, digamos... feliz.
— Arabellaaaaa… — ele imitava minha voz com falsete. — “Queria poder te odiar de
verdade”… Que poético. Vai escrever no seu diário?
— Eu sabia! Sempre soube! Desde o segundo ano, quando você quebrou a cara do
Potter naquele jogo. Você não odeia ela. Você é obcecado.
Fiquei em silêncio.
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Ponto de vista: Arabella Gutemberg
Menos eu.
Ou… bom.
Talvez só um pouquinho.
— Arabella — ele começou, andando até mim —, posso falar com você? Um
minuto?
— Boatos?
— Boatos. — Ele confirmou com um suspiro. — Sobre mim e Cho. Queria te dizer
que são falsos. Totalmente. Ela… ela tem tentado se reaproximar, mas eu nunca…
Ele hesitou.
Olhou pra mim como se fosse dizer algo importante… mas recuou.
— Nunca dei espaço. Eu não quero confusão com Harry. Nem contigo.
— Comigo?
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— Você é… próxima dele. E eu não queria que você pensasse mal de mim. Eu me
importo com o que você pensa.
Fiquei muda.
Totalmente despreparada pra aquele tipo de sinceridade.
Eu os vi da torre da Sonserina.
Arabella e Cedrico.
Sozinhos.
Muito perto.
Rindo.
Não era como os outros ciúmes que já senti — era corrosivo, violento, primitivo.
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Ela era minha rival.
Minha inimiga.
Mas, de algum jeito, ver ela rindo pra outro cara fazia meu sangue ferver.
Não.
Não.
Só eu.
Só eu.
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E eu sorri de volta.
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Capítulo 10 – faíscas
Arabella
Era sexta-feira. O dia em que todo mundo deveria relaxar, pensar no fim de semana,
talvez até fazer a lição de Poções antes do prazo.
Cedrico riu.
— Os dois?
Saí com ele e andamos pelo corredor que levava à Torre da Astronomia.
Conversamos sobre Cho, de novo, sobre quadribol, sobre tudo e nada. Mas dessa
vez… ele segurou minha mão.
E eu deixei.
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Descendo de volta pro térreo, demos de cara com Mattheo Riddle, encostado
casualmente na parede de pedra, cercado por Draco e Pansy.
Draco gargalhou.
Pansy revirou os olhos.
— Você devia tomar cuidado com o que pega por aí, Diggory. Às vezes a mesma
coisa já passou pela mão de outros.
— QUE?! — explodi.
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— Ah, claro, a enciclopédia ambulante chegou — Mattheo interrompeu. — Vai me
dar pontos negativos por comportamento inadequado, Granger?
— Você é um idiota!
— E você é insuportável!
— Diferente de você, Malfoy — Harry falou, aparecendo atrás da gente —, que vive
lambendo as botas do pai tentando ser alguém.
— Você ouviu. — Harry não recuou. — Fica falando da vida dos outros porque a sua
é patética.
— Cala a boca, Cho — Harry cuspiu. — Você devia ser a última pessoa a abrir a
boca aqui!
— Você me traiu!
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— Fez sim — Pansy disse do nada. — Todo mundo viu você com Cedrico no jardim.
E agora tá aqui querendo pagar de inocente?
— Ai, que medo da Gutemberg. Vai me dar um discurso? Vai falar que é melhor que
todo mundo?
— Ela é. — Mattheo disse. Baixo. Mas alto o suficiente pra todos ouvirem.
Mattheo olhou pra mim. Por um segundo, só um segundo… parecia quase humano.
— Nada. Esquece.
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— E o Cedrico? Ele ficou tipo… completamente deslocado!
— Eu sei.
— E você?
— Também tô deslocada.
Era perigoso.
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Capítulo 11 — Atrações Perigosas
Arabella
O dormitório estava silencioso, exceto pelo leve ranger da madeira quando Hermione
se mexia na cama ao lado. Eu estava acordada, deitada de lado, encarando o teto
como se ele tivesse alguma resposta para o que eu sentia — ou deixava de sentir —
ultimamente.
— Você não vai dormir? — Hermione sussurrou, sentando-se em sua cama com o
livro de Feitiços no colo.
— Não consigo — respondi, me virando para ela. — Tem coisa demais na minha
cabeça.
Suspirei. Era sempre difícil conversar sobre sentimentos, mas Hermione sabia como
quebrar essa barreira.
— Acho que ele está… diferente. Nos últimos dias, ele tem me chamado para
estudar, ficar depois da aula. E hoje me elogiou por, sei lá, trinta segundos sem
parar.
— Não sei. Gosto do jeito que ele me olha. É… leve. Como se eu não fosse uma
confusão ambulante.
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— Ela gosta do Harry. Desde o segundo ano. E agora que ele e a Cho… bem…
tiveram aquele momento, ela tá esperançosa de que tenha uma chance.
Fiquei parada por um instante. Eu nunca tinha sentido algo parecido. Uma tensão
elétrica no ar. Era como se aquele garoto tivesse puxado o chão sob meus pés.
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Ponto de Vista: Mattheo
Tom.
Meu irmão mais velho, o queridinho da família. Aquele que sempre fazia tudo certo,
sempre encantava os adultos com seu jeito calmo, mas que escondia uma mente
cruel por trás dos olhos indecifráveis.
E agora ali estava ele. Em Hogwarts. E a Grifinória inteira já parecia estar sob algum
tipo de feitiço que ele naturalmente lançava.
Mas nada me atingiu tanto quanto ver Arabella... olhando para ele daquele jeito.
Tom estava conversando com Dumbledore como se fossem velhos amigos. Até
Snape parecia interessado no novo aluno. Isso me irritava. Odiava como ele sempre
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brilhava sem esforço.
Eu queria socá-lo.
Draco percebeu.
— Tá cada dia pior, hein? Ela e Cedrico, Tom e o castelo inteiro. Você vai explodir,
Mattheo.
— Cale a boca.
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Cedrico se aproximou de mim perto dos vestiários.
— Claro.
— Olha, tão dizendo que eu e a Cho… que aconteceu alguma coisa entre nós nas
férias. Não é verdade. Eu não fiquei com ela. Não depois do que ela fez com o Harry.
— Só queria que você soubesse — ele continuou, tocando levemente meu braço —
que eu não sou esse tipo de cara.
— Eu sei, Cedrico.
Senti algo em mim derreter. Até que ouvi uma voz atrás.
— Nenhum — ele deu um sorriso falso. — Só não sabia que nossa querida
Gutemberg era tão... receptiva.
Eu respirei fundo e entrei no vestiário sem responder, antes que dissesse algo que
me fizesse parecer tão obcecada quanto ele estava começando a parecer por mim.
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Ponto de Vista: Mattheo
E foi aí que eu soube que meu maior rival talvez nem fosse mais o Cedrico Diggory.
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Capítulo 12 – Torneios, Tramas e Temperos de Ciúmes
Arabella
A biblioteca estava silenciosa demais para a nossa missão secreta. Eu olhei ao redor
para ter certeza de que Madame Pince não estava por perto e puxei Hermione mais
para perto.
Hermione assentiu. — E Harry está cego. Continua remoendo o que aconteceu com
a Cho, como se ela tivesse destruído a vida dele.
— Não ajuda o fato do Malfoy repetir isso em voz alta em todos os corredores —
comentou Ron, bufando.
Cedrico estava sentado à minha frente, folheando um livro, mas sem prestar
atenção. Tom Riddle, sentado ao lado dele, olhou de canto para mim e então para
Cedrico. Ele sorriu — aquele sorriso afiado e confiante que eu ainda estava tentando
interpretar.
— Então a tal "Operação Ginny" vai rolar mesmo? — perguntou Tom, apoiando o
queixo na mão. — Vocês são bem empenhados quando querem empurrar casais,
hein?
— É mais fácil empurrar o Harry para a Gina do que segurar meu irmão de enfiar a
varinha na cara do Cedrico — resmungou Mattheo do outro lado da estante,
claramente ouvindo tudo.
— Não fui eu quem começou a se jogar pra cima da irmãzinha do Potter — retrucou
Cedrico, calmo, porém incisivo. — E ela não é só irmã do Harry.
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“acidental” entre ele e a Gina, com a gente sumindo depois.
Tom soltou uma risada baixa, observando cada detalhe da conversa. Havia algo nele
que me fazia desviar o olhar... mas nem sempre eu conseguia. A verdade era que,
nos últimos dias, ele me deixava curiosa. Muito mais do que deveria.
Mattheo fechou o livro com força, levantando-se. Não disse nada. Só encarou Tom
por um segundo, e saiu da biblioteca sem olhar para trás.
Eu não era burro. Via os olhares. O jeito como ele sorria pra ela. E agora tinha o
Tom também.
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— Você já não responde mesmo — murmurou Theodore com um riso.
— O Torneio Tribruxo?
— Dumbledore vai anunciar oficialmente depois do jantar. Vai ter cerimônia e tudo.
Quadribol era a única distração que me afastava da Arabella. Agora talvez o torneio
pudesse fazer o mesmo.
Ou piorar tudo.
Naquela mesma noite, o salão principal estava impecável. Bandeiras com brasões
flutuavam entre as velas, o chão polido refletia as luzes, e o burburinho de todas as
casas era interrompido apenas quando Dumbledore se levantou.
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Ao lado dele, dois diretores estrangeiros: Madame Maxime, imensa e imponente; e
Igor Karkaroff, que não parava de encarar os alunos como se estivesse calculando o
quanto valiam.
Eu olhei para Harry, que me encarava aflito. Hermione parecia prestes a explodir de
nervoso com a possibilidade de dormir com desconhecidos. Já Ron estava mais
preocupado com a comida no prato.
Arabella sorrindo para Tom. Arabella ouvindo algo que Cedrico dizia e rindo.
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Arabella ignorando minha existência como se eu fosse apenas... um inimigo
esquecido.
Só que ela não me esquecia. Eu sabia. Nem depois da detenção. Nem depois do
que ela disse. Nem depois daquele quase beijo que pairava entre a gente como uma
maldição inacabada.
— Um aviso — murmurei contra o ombro dele. — Se você acha que vai conseguir
alguma coisa com a Arabella, pense de novo. Porque ela pode nem saber ainda…
mas ela já é minha guerra pessoal. E eu nunca perco uma guerra.
Antes que ele respondesse, virei as costas. Mas vi o sorriso debochado dele antes
de me afastar.
Muito caro.
Mais tarde naquela noite, fui até o campo de Quadribol sozinha para treinar. Tinha
que limpar a mente. Mas no fundo, era o que eu mais queria evitar.
O olhar do Tom. O toque de Mattheo na detenção. O jeito como Cedrico dizia meu
nome.
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E, no centro de tudo isso… eu.
Correndo, voando, desviando de balaços que eu mesma jogava para o alto, tentando
entender se o problema era eles...
Ou se era eu.
E por algum motivo, no fundo da minha mente, uma pergunta sussurrava sem parar:
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Capítulo 13 - A Tempestade Começa a Se Formar
— Isso não pode estar certo! — protestei, arrancando o papel da mão da Hermione.
— Deve ter um erro aqui. Eu não posso dividir um dormitório com Mattheo Riddle.
Antes que pudesse continuar, Fred e Jorge apareceram correndo pelas escadas.
Fred respondeu com um sorriso vitorioso: — Digamos que Draco Malfoy vai sair do
banho com um novo visual. Tinta rosa no shampoo.
O riso se espalhou como fogo na sala comunal, mas não durou muito. Logo teríamos
que descer para o Salão Principal e nos organizar para a primeira reunião oficial
sobre os dormitórios e, claro, a Taça do Torneio Tribruxo, que acabara de ser
revelada no centro do castelo.
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Ponto de Vista: Mattheo
Se havia algo que me irritava mais do que o olhar debochado do Tom Riddle era o
fato de Arabella evitar o meu olhar toda vez que entrávamos na mesma sala.
— Então você vai mesmo colocar seu nome na taça? — perguntou Blaise,
encostado ao meu lado.
— Não. Não sou idiota o suficiente pra me matar por glória — respondi, encarando a
taça com desprezo.
Draco apareceu com o cabelo completamente rosa. Pansy segurava o riso enquanto
o seguia pelo corredor.
— FOI VOCÊ! — ele rugiu, apontando para Fred e Jorge, que passavam
despreocupados comendo um bolinho de abóbora.
Arabella passou ao meu lado, sem sequer me notar. Ou fingiu não notar. Estava ao
lado de Tom, e ele... ele olhava pra ela como se fosse a única garota do castelo. E o
pior? Ela sorria de volta. Cedrico se aproximou logo depois, cumprimentando-a com
um toque no ombro que me deu vontade de quebrar os dedos dele.
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Ponto de Vista: Arabella
O caos no Salão Principal era real. Dumbledore se levantou, batendo com a colher
de prata no cálice.
Olhei para Mattheo, que observava tudo com uma expressão impassível. Mas eu o
conhecia bem demais. Ele estava furioso.
— Claro. Mas... você viu o olhar do Mattheo? Acho que ele me mataria se pudesse
— disse ele, rindo nervoso.
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No corredor do segundo andar, peguei Cedrico sozinho.
— O quê?
Cedrico me olhou com coragem inesperada. — Ela não é propriedade sua, Riddle.
— Não repita isso. Não se você quiser manter todos os seus ossos intactos.
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Capítulo 14 – Pétalas e Espinhos
Mattheo
O quarto estava escuro, silencioso. O único som que ecoava era a respiração
descompassada que escapava dos meus próprios lábios. Acordei de supetão, o
corpo suado, o coração parecendo querer explodir dentro do peito. Mais um sonho.
O quarto sonho.
Dessa vez, foi diferente. Não havia sangue. Não havia dor. Só... ela.
Arabella estava diante de mim com os olhos fechados e o rosto tranquilo. Murmurava
algo que eu não conseguia entender. Eu queria tocá-la. Queria beijá-la. Mas ela
parecia sempre um passo além do meu alcance. E, mesmo assim, eu a desejava
com uma intensidade que beirava o insuportável.
Arabella
Acordei com o som da porta batendo. Mattheo havia saído do quarto. Suspirando,
me sentei na cama, ainda meio zonza. Tinha dormido bem até certo ponto... até o
sonho.
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Sonhar com Mattheo Riddle estava começando a ser frequente demais. E pior: não
eram pesadelos.
Eu odiava isso.
Antes que pudesse me aproximar, ouvi a porta sendo fechada com mais força do
que o necessário. Virei, encontrando Mattheo parado perto da porta, os olhos afiados
como lâminas.
— Flores. Cedrico deixou. — Fui até a cama e toquei as pétalas. — Você tem um
problema com isso?
E então, de forma tão rápida que mal percebi, ele atravessou o quarto, pegou o
buquê e simplesmente rasgou as flores em dois, jogando-as no lixo do lado da
escrivaninha.
— MATTHEO! — gritei.
— O que foi? Elas estavam feias — ele murmurou, se jogando na própria cama
como se não tivesse acabado de assassinar um presente romântico.
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— Você é um idiota. Um completo...
— Só estou sendo sincero. Não combina com você esse tipo de coisa — ele disse,
virando de lado para não me encarar.
Fiquei sem palavras. Não era a primeira vez que ele agia de forma possessiva e
depois fingia que não sentia nada.
Mattheo
Ela não falou comigo o resto do dia. E, honestamente, talvez tenha sido melhor
assim. Ver aquele bilhete. As flores. Saber que Cedrico estava tentando se
aproximar cada vez mais dela... Aquilo me consumia.
Porque não éramos nada. Porque eu me recuso a admitir que... talvez eu sinta
alguma coisa.
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com o mínimo dos gestos. E eu... eu sou caos. Frio. Impulsivo. Obcecado.
Arabella
Na biblioteca mais tarde, Gina se sentou ao meu lado com um sorriso bobo nos
lábios.
— Harry sorriu pra mim hoje. Três vezes — ela disse, quase sussurrando.
E, por mais que meu coração estivesse um caos, fiquei feliz por ela. Talvez ainda
houvesse espaço para algo bom nessa bagunça toda. Ou, pelo menos, para alguém.
Porque eu? Eu tinha que voltar para um dormitório onde dividia o ar com Mattheo
Riddle.
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Capítulo 15 — Chamas e Silêncios
[Ponto de vista: Arabella]
A sala comunal improvisada para os que dividiam dormitórios mistos estava mais
movimentada do que nunca. O quadro-negro flutuante tremeluzia no centro da
parede de pedra, exibindo em letras douradas:
> "Anúncio oficial dos Campeões do Torneio Tribruxo — hoje, 19h no Salão
Principal."
Meu estômago deu um leve salto, mesmo eu sabendo que não tinha colocado meu
nome na Taça. Mas o clima geral em Hogwarts era de tensão elétrica. Boatos
corriam sobre quem seriam os escolhidos. E eu não precisava de adivinhação para
saber que Cedrico e Tom estavam entre os favoritos.
Vesti um suéter da Grifinória e prendi o cabelo num coque bagunçado antes de sair
de novo, rumo à biblioteca. Precisava de silêncio. Distância. Tudo que Mattheo não
sabia dar.
---
De novo.
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Arabella Gutemberg tinha esse talento irritante de entrar num ambiente e mudar a
porra da gravidade dele, como se fosse dona do ar. E ainda assim, andava como se
eu não existisse. Como se nossas conversas no escuro, as provocações, os olhares
prolongados, os pesadelos — tudo aquilo nunca tivesse acontecido.
Fingi enquanto lia a mesma linha do livro pela sexta vez, enquanto escutava a porta
do nosso dormitório se fechando atrás dela. Fingi que meu coração não acelerava
toda vez que ela saía, que eu não ficava imaginando se encontraria Tom Riddle no
corredor. Aquele idiota sorridente que parecia saber demais.
O relógio marcava 19h quando o grande salão foi tomado por uma onda de
ansiedade coletiva. A Taça do Torneio Tribruxo tremeluzia no centro, as chamas
dançando num azul mágico que se intensificava.
Silêncio.
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Um pergaminho voou para o alto e caiu nas mãos de Dumbledore.
Depois, os nomes dos campeões das outras escolas foram anunciados. Nomes
estranhos, rostos novos e intrigantes.
Tom. E Cedrico.
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Óbvio que os dois seriam escolhidos. Como se o universo estivesse empenhado em
me lembrar que tudo que eu queria, ele dava para os outros.
Arabella olhava para o Cedrico como se ele fosse feito de luz. Eu queria quebrar
aquele sorriso dele com um feitiço não-verbal. Ou dois. Talvez três.
Mas permaneci calado. Com os punhos cerrados por baixo da mesa e o maxilar
travado.
Ela estava jogada em cima da cama de Arabella, com uma flor presa à ponta.
"Arabella,
Se quiser sair comigo algum dia, adoraria te mostrar o lago à noite.
— Cedrico"
Meu sangue ferveu. Não era um ciúmes comum. Era uma combustão interna,
silenciosa, que me queimava por dentro. Rasguei a flor no meio. Joguei a carta
dentro da gaveta dela com força e bati a porta do armário com mais brutalidade do
que deveria.
Se Arabella percebeu?
Só não me olhou.
Só não perguntou.
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[Ponto de vista: Arabella]
Tentei fingir que não me importei. Que não sabia quem tinha feito aquilo. Mas não
consegui ignorar o cheiro familiar de canela e tinta mágica que ainda pairava no
quarto.
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Capítulo 16 — Sombras e Segredos
[Ponto de vista: Arabella]
A noite estava fria, mas eu sentia um fogo crescendo dentro de mim. Cedrico me
esperava perto do lago, sorrindo tranquilo, aquela calma que sempre me
desconcertava.
Quando a festa da Sonserina começou, soube que precisava ir. Era uma
comemoração secreta, para celebrar a escolha de Tom Riddle para o Torneio
Tribruxo — uma notícia que agitava Hogwarts.
Entrei na festa, onde as luzes baixas, a música alta e a fumaça colorida enchiam o
salão improvisado. Senti um misto de excitação e estranhamento.
Mas eu me deixei levar por alguns goles de vinho que roubei de um dos barris.
Enquanto Cedrico conversava com amigos, percebi a diferença gritante entre nós.
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[Ponto de vista: Mattheo]
Não queria que ela soubesse — queria apenas ver, entender o que estava
acontecendo.
Estava mudando para agradar Cedrico, tentando ser alguém que ela não era.
Cedrico não bebeu uma gota, mas ela? Vi ela pegar o vinho sozinha, de algum barril.
Porque sabia que Arabella não ia admitir para ninguém — nem para ela mesma — o
que estava acontecendo.
Depois virou para Tom, que estava ali, sorrindo maliciosamente, e o beijou como um
desafio.
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Senti meu mundo desabar.
Eu precisava agir.
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Capítulo 17 — Entre Sombras e Desejos
[Ponto de vista: Arabella]
Assim que a porta se fechou, ele me puxou para perto, os olhos buscando os meus
com uma intensidade que me deixou sem fôlego.
Cedrico foi delicado no começo, mas logo a urgência tomou conta, e nossos corpos
se encaixaram naturalmente.
E lá estava ele.
Mattheo.
Cada vez que Cedrico mexia a língua dentro de mim, Mattheo fazia o mesmo
movimento, como se estivesse tentando sentir o que eu sentia, sem nunca desviar o
olhar.
Meu corpo estremeceu, confuso entre o que fazia e a presença silenciosa que me
observava.
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Eu não podia contar para Cedrico.
Eu me enrolei entre sentimentos conflitantes, sabendo que o que tinha acontecido ali
mudaria tudo.
Cada vez que Cedrico mexia a língua, eu repetia aquele movimento em silêncio,
como um fantasma aprisionado em desejo e raiva.
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Vi cada momento íntimo, cada expressão de prazer e de distração.
Mas eu sabia que ali, naquele quarto, algo havia sido quebrado — entre mim,
Arabella, e o que quer que estivesse se formando entre eles.
Eu não ia desistir.
Não ainda.
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Capítulo 18 — Palavras não ditas
[Ponto de vista: Arabella]
A madrugada parecia eterna, e mesmo com Cedrico já ido, eu ainda sentia o calor
do que aconteceu, a adrenalina que corria nas minhas veias.
Ele sabia o que aconteceu. Eu sabia que ele sabia. Mas nenhum dos dois tinha
coragem de dizer em voz alta.
E então ele falou, com aquele tom que eu já conhecia — carregado de preocupação,
ciúmes e uma pitada de raiva.
— Cedrico não é confiável, Arabella. Você devia ter pensado antes de invadir aquela
festa da Sonserina.
Eu ergui a cabeça, encontrando seus olhos. Não queria admitir, mas ele tinha razão.
Eu devia ter sido mais cuidadosa.
— E Tom? Você acha que ele é melhor? — perguntei, a voz baixa, quase um
sussurro.
— Tom não é confiável. Nenhum deles é. Você devia ficar longe desses jogos.
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— Talvez eu goste desses jogos — murmurei, provocativa.
Ele ficou imóvel por um momento, depois os dedos dele tocaram meu rosto,
deslizaram pelo meu cabelo.
Cedrico, Arabella, aquela festa — tudo girava na minha cabeça como um turbilhão.
Ela me olhou com aquele jeito desafiador, e de repente toda a raiva e o ciúme se
transformaram em algo diferente, mais intenso.
Meus dedos traçaram o contorno do rosto dela, depois deslizaram para o pescoço,
sentindo a pele quente sob a minha mão.
Ela sorriu contra o meu beijo, e eu deixei as mãos descerem pela cintura, apertando
de leve.
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As palavras ficaram para trás. Tudo que importava eram os toques, os beijos, aquela
mistura de raiva e desejo que nos consumia.
Tentávamos ignorar o que estava acontecendo entre nós, mas não dava.
Cada beijo, cada mão boba, cada suspiro nos aproximava mais — mesmo quando
não queríamos admitir.
Eu sabia que havia um muro entre nós — feito de orgulho, medo e palavras não
ditas.
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[Ponto de vista: Mattheo]
Nós dois sabíamos que aquilo era só o começo — de algo que poderia ser lindo, ou
devastador.
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Capítulo 19 – Nem Tão Sem Compromisso
[Ponto de vista: Arabella]
— Não — respondi rápido demais. — Não é assim. A gente só... tá se pegando. Sem
nada sério.
Elas trocaram olhares como quem diz “não sabe nada”, mas felizmente mudamos de
assunto logo para a Operação Ginny, que estava a todo vapor. Gina corava cada
vez que via Harry, e ele parecia cada vez mais perdido, mas menos apaixonado por
Cho, o que já era uma vitória.
Quando desci para acompanhar a primeira prova do Torneio Tribruxo, a tensão era
tão forte que doía no estômago. Cedrico parecia concentrado, Tom estava confiante
demais, e os outros campeões estavam prontos para enfrentar o desafio.
Naquela noite, no dormitório, ele me puxou pelo braço assim que a porta fechou
atrás de nós.
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— Vem cá. — A voz baixa, o olhar escuro.
— O que foi?
Meus dedos enroscaram no cabelo dele, enquanto as mãos dele exploravam minha
cintura como se fosse território dele.
— Isso... isso não é nada sério, né? — murmurei, entre um beijo e outro.
— Óbvio que não. — A boca dele estava colada no meu pescoço. — Só estamos
nos divertindo.
— Isso. Só diversão. — Arfei quando ele me prensou ainda mais contra a parede.
Mas quando os lábios dela estavam nos meus, quando ela gemia baixinho contra
minha boca, quando os olhos dela fechavam como se eu fosse tudo que importava...
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...não parecia só isso.
Mas aí aconteceu.
Mas eu vi.
Minha mão segurou com força a cintura dela, minha boca desceu para o pescoço, e,
sem tirar os olhos dele, sussurrei contra a pele dela:
Cedrico congelou.
Arabella se arrepiou com o beijo, mas nem percebeu que não estávamos mais
sozinhos.
— Você não faz ideia do quanto eu pensei nisso — continuei, ainda encarando
Cedrico. — Desde aquela noite... só consigo imaginar sua boca dizendo meu nome.
— Você adora quando eu te pressiono assim, né? — minha mão subiu pela coxa
dela. — Quando eu te faço esquecer o mundo.
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Foi cruel. Foi proposital. Eu queria que Cedrico visse. Que soubesse.
A primeira prova do Torneio Tribruxo parecia durar uma eternidade, mas nada era
mais sufocante do que a maneira como Cedrico se recusava a olhar em minha
direção.
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E isso era um problema enorme.
Porque eu ainda estava tentando entender o que sentia por Cedrico... e por Mattheo.
Mas agora, Cedrico estava me ignorando como se eu fosse nada. E isso machucava.
Mais do que eu queria admitir.
A prova foi intensa. Dragões. Labirintos. Feitiços. Tudo que normalmente me faria
sentir viva, mas tudo o que eu sentia era o gelo no olhar que ele não me dava.
Quando tudo acabou, corri atrás dele pelos corredores, finalmente o encontrando
atrás da estufa.
– O que você quer que eu faça? Que finja que não vi você com ELE?
– Não era assim? Tava de costas pra mim, Arabella. MAS EU VI! Vi a porra da sua
língua dentro da boca dele!
– A culpa é toda sua! Você me iludiu! Me chamou pra sair, me fez acreditar que tava
diferente...!
– Você também tava com outras! – gritei. – Você nunca me prometeu nada. Nem eu
pra você!
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– Eu devia... – ele rosnou. – Eu devia te...
Vi tudo. E por tudo, quero dizer: cada segundo daquela palhaçada patética.
Apareci por trás, tirei a capa de invisibilidade, e com um único movimento acertei um
soco direto na cara dele, fazendo Cedrico cair no chão da estufa como o fraco que
sempre foi.
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Cedrico se arrastou, com o orgulho ferido e o nariz sangrando.
– Você acha que ela vai escolher você? Um idiota obcecado e ciumento?
– Não é minha culpa se só o meu toque faz ela estremecer. – Olhei fixamente pra
ele. – E se toda vez que você encosta nela... ela fecha os olhos e imagina a minha
boca.
Mas continuei:
– A verdade, Cedrico, é que o que você tem aí entre as pernas não é suficiente nem
pra uma lembrança. E se ela quis você alguma vez, foi pra me esquecer. Pena que
nem fodendo ela conseguiu.
– Chega! – ela gritou. – Eu não sou um troféu, porra! Nenhum de vocês tem o direito
de me tratar assim!
Arabella ficou ali, me encarando. Os olhos brilhando com algo entre ódio, raiva e...
desejo?
E eu fiquei parado, olhando pra onde ela tinha ido, com a respiração pesada.
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Ela era a única que conseguia fazer meu peito doer desse jeito.
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Capítulo 20 — Minha cicatriz
Ponto de vista: Arabella
Quando entrei no dormitório, não esperava encontrar Mattheo naquele estado. Ele
estava encostado na parede, o rosto fechado, os olhos queimando de raiva e
frustração. Machucados no queixo e no braço denunciavam a briga que acabara de
ter.
Ele bufou, mas deixou que eu chegasse perto. Tirei a jaqueta dele, revelando os
cortes e arranhões que precisavam de cuidados.
Enquanto limpava os machucados, senti o cheiro forte dele, uma mistura de suor e
algo que sempre me deixava um pouco tonta. Ele fechou os olhos, entregando-se ao
toque suave das minhas mãos.
— Por que você não me chamou antes? — perguntei, tentando manter o tom leve.
— Você não precisa ser tão durão o tempo todo — insisti, tocando o rosto dele com
delicadeza.
Ele abriu os olhos, presos aos meus, e por um momento o silêncio entre nós falou
mais do que qualquer palavra.
De repente, ele puxou meu rosto para perto do dele, nossos lábios se encontrando
em um beijo que era ao mesmo tempo desesperado e cheio de desejo contido.
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beijos.
Nossas mãos começaram a explorar, leves, tímidas no começo, depois com mais
vontade.
— Eu não devia estar fazendo isso — ele disse, interrompendo o beijo, ofegante.
— Quer que eu pare? — perguntou Mattheo, com um olhar que misturava dúvida e
desafio.
E então, sem pressa, nossos lábios se encontraram de novo, mais intensos, mais
profundos.
O barulho da porta do dormitório me fez ficar alerta. Era Arabella. Entrei em modo
automático — tentei manter a raiva e a frustração trancadas, mas quando ela chegou
perto, toda aquela fachada começou a ruir.
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Ela foi prática, pegou a minha jaqueta e começou a limpar os machucados. Eu não
sabia se devia ficar incomodado ou grato, então apenas deixei que ela fizesse o que
quisesse.
O cheiro dela, o toque das suas mãos, o jeito como ela olhava para mim... tudo isso
mexeu comigo de um jeito que eu tentava ignorar há tempos.
Sem pensar, puxei seu rosto e beijei com vontade. Talvez fosse a raiva da briga, a
tensão acumulada, mas eu precisava sentir ela ali, comigo.
Ela tentou recuar, disse que a gente não devia, mas nem eu acreditei no que dizia.
Senti as mãos dela explorando, e meu corpo respondeu sem pedir permissão.
— Eu não deveria estar aqui, não com você — murmurei contra os lábios dela.
Mas não podia negar que queria mais. Queria tudo com ela, mas não sabia como
admitir.
— Quer que a gente pare? — perguntei, buscando uma resposta que talvez nem
quisesse ouvir.
Nosso beijo virou promessa, desafio e consolo. E por um momento, tudo o que
importava era ela, só ela.
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