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Rivalidade e Conflito em Hogwarts

O documento narra a rivalidade intensa entre Arabella Gutemberg e Mattheo Riddle, que começou após um incidente violento durante um jogo de Quadribol. Ambos os personagens lutam contra sentimentos conflitantes, enquanto tentam se concentrar em suas vidas escolares e nas competições entre suas casas. A tensão entre eles se intensifica, revelando uma dinâmica complexa de atração e antagonismo.

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mar1.lov3019
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Rivalidade e Conflito em Hogwarts

O documento narra a rivalidade intensa entre Arabella Gutemberg e Mattheo Riddle, que começou após um incidente violento durante um jogo de Quadribol. Ambos os personagens lutam contra sentimentos conflitantes, enquanto tentam se concentrar em suas vidas escolares e nas competições entre suas casas. A tensão entre eles se intensifica, revelando uma dinâmica complexa de atração e antagonismo.

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Aquela era a primeira vez que Hogwarts via algo tão brutal em um campo de

Quadribol sem ser tecnicamente uma infração.

Harry Potter, apanhador da Grifinória, girava no ar com precisão em direção ao


Pomo de Ouro. O estádio explodia em gritos, a maioria torcendo pela sua vitória. Ele
estava prestes a esticar a mão quando, do nada, Mattheo Riddle — recém-integrado
ao time da Sonserina — desviou do seu trajeto... ou melhor, fingiu desviar. Seu
ombro acertou o de Harry com força cirúrgica, mandando o apanhador voando como
uma folha ao vento.

O silêncio foi instantâneo.

Arabella, também no ar, congelou por um segundo.

Harry caiu.

Um baque seco ecoou.

O jogo terminou ali.

Ela aterrissou correndo, empurrando alunos, derrubando gente. Harry estava


consciente, mas grogue. Madame Pomfrey já o levava em uma maca flutuante.

E Mattheo... sorria.

Um sorriso discreto, cínico, satisfeito. Arabella viu. Ninguém mais viu, mas ela viu.

Horas depois, no corredor do lado leste da torre de Astronomia, ela o encontrou

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sozinho. Encostado na parede, limpando sangue seco da luva com desdém. Como
se tudo aquilo fosse banal.

Arabella se aproximou devagar, as mãos fechadas em punhos.

— Você fez de propósito.

Mattheo ergueu os olhos, calmo. — Não sei do que está falando, Gutemberg.

— Você DERRUBOU o meu irmão.

Ele riu, baixo, com aquela voz arrastada que a irritava mais do que qualquer coisa.

— Achei que ele fosse o Escolhido. Deveria ter escolhido segurar melhor a vassoura.

Ela ergueu a mão e deu um empurrão em seu peito. Ele sequer cambaleou.

— Você é um lixo.

— E você é previsível. Vem sempre defender seu Potterzinho? — Ele se aproximou,


olhos nos dela. — Um dia vai cair também, Gutemberg. E ninguém vai te segurar.

Ela sentiu o corpo inteiro ferver de raiva. Desde aquele momento, algo nasceu entre
eles. Não era só rivalidade. Era guerra pessoal.

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Capítulo 1 – Dois anos não foram o suficiente
Arabella

O Expresso de Hogwarts sempre teve um som reconfortante. O chiado constante


nos trilhos, os gritos dos alunos reencontrando amigos no embarque, o tilintar dos
doces no carrinho da senhora do corredor. Tudo isso deveria me trazer paz.

Mas não trazia.

Porque em algum lugar dentro daquele trem — como em todos os anos — ele
estava ali.

Mattheo Riddle.

O nome dele era um gosto amargo na minha boca. Mesmo sem vê-lo, eu sabia que
ele estava perto. Porque o ar pesava. Porque meu corpo inteiro ficava em alerta.
Porque os dois últimos anos não foram o suficiente para apagar o ódio que nasceu
quando ele jogou meu irmão da vassoura feito lixo.

Odeio como ainda lembro do som da queda.

Odeio mais ainda o sorriso que ele deu quando achou que ninguém estava olhando.

— Arabella, você vai ficar parada no meio do corredor por quanto tempo? —
Hermione cutucou meu ombro, me tirando do transe.

— Hã? Ah, desculpa — murmurei, andando até o compartimento onde Harry e Rony
já estavam sentados.

Harry sorriu ao me ver, aquele sorriso meio torto e cansado que ele nunca perdia,
mesmo com o peso do mundo nas costas.

— Nervosa pro primeiro jogo do ano? — ele perguntou, já sabendo a resposta.

— Nem um pouco — menti, cruzando os braços. — Só estou ansiosa pra esfregar a

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cara da Sonserina na lama. De novo.

Rony riu. — Já tô vendo o Flint espumando. Aposto cinco galeões que ele quebra a
própria vassoura de raiva.

Hermione revirou os olhos. — Vocês falam de Quadribol como se fosse guerra.

— E não é? — perguntei, com um sorriso de lado.

Mas dentro de mim… eu sabia que não era só sobre o jogo. Nunca foi.

Desde o segundo ano, desde aquele choque no ar, Mattheo e eu travávamos uma
guerra pessoal em todos os sentidos. E não importava o tempo que passasse —
sempre que nos cruzávamos, era como se o mundo parasse. Como se os outros
desaparecessem. Como se nada mais existisse além daquele olhar cínico, afiado e
cruel dele.

Fingíamos indiferença, claro. Como se não estivéssemos sempre prestando atenção


um no outro. Como se não comparássemos notas, desempenho, número de
detenções, quem era chamado mais vezes pelo nome no corredor.

Doentio? Talvez. Mas real.

E eu estava pronta para o quarto ano. Pronta para derrotá-lo de novo no campo.
Pronta para ver o nome dele abaixo do meu nos rankings de Poções. Pronta para
qualquer provocação, qualquer frase venenosa, qualquer sorriso torto.

— Adivinha quem eu vi entrando no trem com cara de superior? — disse Ginny,


entrando no compartimento e jogando-se ao meu lado. — Riddle. Arrodeado de
Sonserinos. Como se fosse rei de alguma coisa.

— Rei dos idiotas, talvez — murmurei, olhando pela janela.

O reflexo do vidro era traiçoeiro. Por um segundo, quase jurei ver os olhos dele me
encarando de algum compartimento ao longe. Mas não me virei. Não ia dar a ele

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esse gostinho.

Mattheo Riddle não tinha poder sobre mim. Não mais.

Pelo menos era o que eu repetia para mim mesma.

Todos os dias.

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Capítulo 2 – Ela não olha pra mim, e isso me mata
Mattheo

Todo ano, a mesma palhaçada.

Aquela fila idiota de pirralhos tremendo como se estivessem sendo levados pro
abate, o chapéu velho gritando casas como se fosse uma honra alguma delas ter
que aturar esse monte de sangue novo mimado e sujo de sapo.

— Aposto dez galeões que aquele ruivinho chorão vai pra Lufa-Lufa — resmungou
Draco ao meu lado, de boca cheia de carne.

— Vinte que vai pra Grifinória. Têm a cara de trouxa corajoso — rebateu Blaise,
dando de ombros.

— Vocês apostam em qualquer coisa — disse Pansy, entediada, mexendo nas


unhas.

Fingi que ouvia. Fingi que estava prestando atenção em qualquer coisa além do que
realmente importava.

Ela.

Arabella Gutemberg.

Sentada exatamente onde eu sabia que estaria. Mesa da Grifinória. Ao lado de


Potter, aquele órfão-celebridade patético que ela insiste em chamar de irmão. Os
dois rindo de alguma piada sem graça do Weasley. Hermione dizendo alguma coisa
com as mãos. Arabella… sorrindo.

Odiava quando ela sorria. Não porque era feio — pelo contrário. Odiava porque…
porque era bonito demais. Porque parecia fácil. Porque não era pra mim.

Porque eu sabia que, mesmo que eu fizesse tudo certo — ganhasse todas as
partidas, tirasse todas as notas, quebrasse todos os recordes — nada me faria ser

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digno daquele sorriso.

Idiota.
Ela é só uma rival.
Uma pedra no meu sapato.
Uma maldita Grifinória com complexo de superioridade.

E ainda assim, meu olhar voltava sempre pra ela.

— Mattheo, tá ouvindo? — perguntou Theo, erguendo a sobrancelha. — Eu disse


que o Dumbledore parece mais velho do que no ano passado. Ele tá se desfazendo,
cara. Isso não é normal.

— Hm. Tá — murmurei, sem tirar os olhos dela.

Não porque eu queria, mas porque meu corpo fazia isso sozinho. Como um vício.
Como uma maldição.

Dois anos.
Dois anos desde aquele maldito jogo em que derrubei Potter da vassoura.
Dois anos desde que Arabella me olhou como se quisesse me matar.
Dois anos em que toda vez que ela entra em uma sala, eu sei. Eu sinto.

Ela não precisa falar comigo pra me afetar.

E o pior?

Ela não olha pra mim. Nem uma vez.

Nem quando passa pelo corredor. Nem quando estou no campo de Quadribol. Nem
quando a diretora me chama na frente da turma e todos se viram.

Ela nunca olha.


E isso me mata.

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— “Gutemberg” — repete Draco, como se estivesse lendo minha mente. — Você já
reparou que ela não muda nunca? Sempre fingindo que é a mais certa da escola.
Vai ver dorme com o livro de Poções.

— Vai ver dorme com o Potter — provocou Pansy, rindo sozinha.

Me controlei. Prendi a mandíbula.

— Cala a boca — falei seco, sem pensar.

Todos me olharam.

Draco franziu a testa. — Que foi?

— Só... irritante — menti. — Ela. Eles. Todos. Só quero que essa seleção acabe
logo.

E era verdade.

Porque quando as luzes baixassem, quando os calouros fossem levados pros


dormitórios e os corredores estivessem vazios, eu ia treinar.

Treinar até meus dedos sangrarem.

Treinar até a raiva passar.

Treinar até o nome dela parar de ecoar dentro da minha cabeça.

Até o próximo jogo.

Até a próxima discussão.

Até o momento em que, enfim, ela olhasse pra mim de novo.

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Capítulo 3 – Eu sonhei com ela
Mattheo

Quatro dias.
Quatro dias desde que as aulas começaram.
Quatro dias desde que o inferno silencioso começou.

E então, naquela noite, eu sonhei com ela.

Era noite em Hogwarts.


O campo de Quadribol vazio, coberto de névoa. E ela estava lá. Arabella. Cabelos
bagunçados, os olhos faiscando. O uniforme da Grifinória colado no corpo como se
tivesse sido desenhado só pra ela. A vassoura pendurada no ombro, a boca curvada
num sorriso maldoso.

— Vai fugir de novo, Riddle?

Minha garganta secou. No sonho, não consegui falar. Só a encarei, como um idiota.

Ela andou até mim devagar. Cada passo ecoando como um feitiço.

— O que foi? Finalmente ficou sem resposta? — ela sussurrou, ficando perto
demais.

Perto demais.

Senti o cheiro do perfume que ela nunca usava — doce, quente, feito maçã com
veneno.

— Talvez você só precise de um pouco disso pra calar a boca de vez — ela
murmurou, e os dedos dela agarraram minha gravata.

E então…
Ela me beijou.

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Mas não foi um beijo gentil. Foi um ataque. Um incêndio. Um choque tão forte que
meu coração disparou mesmo dormindo. As mãos dela estavam nos meus cabelos.
As minhas, onde eu não deveria tocar.

— Mattheo… — ela sussurrou contra meus lábios.

Acordei suando, ofegante, com o lençol jogado no chão e o quarto mergulhado em


silêncio. Theodore dormia roncando na cama ao lado. Blaise tinha jogado um livro no
chão. Draco bufava em sonhos, provavelmente brigando com o Potter mesmo
inconsciente.

Eu levei a mão ao rosto, tentando apagar a imagem da cabeça.

Não consegui.

Porque era ela.


Ela.

E o pior?

Acordado, era mil vezes pior que sonhando.

Corredor Norte, 8h42 da manhã

Ela estava vindo na direção oposta, sozinha.

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Roupas de treino. Rabo de cavalo. Braços cruzados. Fones do mundo fechados.

Quando me viu, hesitou. Quase voltou pelo outro lado.


Mas não voltou.

Passei por ela sem dizer uma palavra.


Ela passou por mim sem mover um músculo.

Mas algo entre nós se mexeu. Como sempre.

— Gutemberg — falei, só pra irritar.

Ela parou.

Virou devagar. Olhou pra mim como se olhar em minha direção fosse perder tempo
de vida.

— Você não cansa, né?

Cruzei os braços. — Só de ver você treinar feito uma desesperada. Esperando que
isso esconda o fato de que o time de vocês ainda vai perder esse ano.

Ela riu — seca, debochada. Como sempre.

— A diferença é que a gente treina pra vencer. Vocês treinam pra parecer bonitos no
ar. Spoiler: nem isso conseguem.

— Pena que só um de nós aqui sonha com o outro no campo. — Escapou.

Ela arregalou os olhos por meio segundo.

Merda.

— O que você disse?

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— Nada. Vai se atrasar pra Transfiguração, Grifinória exemplar.

Ela me encarou por mais um segundo. Depois girou nos calcanhares e sumiu no
corredor, me deixando com o gosto ácido da frase imprudente na boca.

Aula de Transfiguração, 9h03

Professora McGonagall já estava irritada — nada novo.

— Senhor Weasley, se transformar uma pena em um porco-espinho não significa


que ela deva continuar picando sua mão!

— Ai! — Rony gritou, sacudindo a pena viva da palma da mão.

— Ponto para a inteligência limitada — resmungou Draco atrás de mim.

Arabella entrou na sala quase ao mesmo tempo que eu. Claro que a única mesa
vaga era a que dividia com Hermione.

E claro que o único lugar disponível perto dela era o da minha dupla: Blaise.

Ela sentou-se sem me olhar.


Mas eu vi.
A ponta das orelhas coradas.
As mãos tensas.

Estava lembrando do que eu disse.

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Do sonho.

— Gutemberg está mais nervosa que o habitual — Blaise cochichou.

— Cala a boca — murmurei, puxando minha varinha.

A aula seguiu, mas eu não vi metade dela.


Porque sempre que ela movia a cabeça, eu olhava.
Sempre que ela falava com Hermione, eu escutava.
Sempre que o Potter ria, eu odiava.

E no fundo, algo em mim se mexia de novo.

Não era só raiva.


Não era só desejo de superação.
Não era só rivalidade.

Era ela.

E agora eu sonhava com ela.

E isso só podia significar uma coisa.

Eu estava perdido.

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Capítulo 4 – Ele não sai da minha cabeça, e isso me irrita
Mattheo

Evitar Mattheo Riddle me cansava mais do que admitir que ele existia.

Não que eu tivesse mudado de ideia, muito menos perdoado as últimas três idiotices
que ele fez. Mas depois da aula de Transfiguração, ficou claro que ele não ia parar.
E, pior ainda: ficou claro que eu também não conseguia mais fingir que ele não
estava ali.

Não depois daquele comentário estranho no corredor.


Não depois de me encarar o tempo todo na aula como se eu fosse explodir em
chamas.
Não depois do que eu senti.

Não deveria sentir nada.

E ainda assim… aqui estou eu, ouvindo Hermione falar sobre feitiços avançados de
multiplicação, sem conseguir me concentrar uma linha sequer.

— Arabella? Tá ouvindo? — ela perguntou, franzindo a testa.

— Hm? Sim. Tô ouvindo. Multiplicação de objetos. Perigos se mal executada. Peguei


tudo.

Hermione estreitou os olhos como quem não acreditava. E, honestamente, nem eu.

Porque Mattheo Riddle estava três mesas à frente, junto com Blaise, e estava rindo
de alguma piada idiota do Draco.
E mesmo sem olhar pra mim…
Eu sabia que ele sabia que eu estava olhando.

Harry, ao meu lado, cutucou meu braço.

— Tá tudo bem?

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— Claro. Por quê?

— Porque você acabou de derramar tinta no seu livro.

Olhei pra baixo.

Droga.

Pior do que tentar evitar Mattheo, era tentar entender o que estava acontecendo
dentro da minha cabeça.

Mais tarde, no Salão Principal

A hora do jantar sempre foi uma zona de conforto pra mim. Comida, barulho, rostos
familiares. Uma bolha segura entre aulas difíceis e noites sem dormir.

Mas agora nem isso era mais seguro.


Porque ele sempre estava lá.

Mattheo Riddle, mesa da Sonserina, sorrindo de lado como se estivesse ganhando


um jogo que eu nem lembrava de ter começado a jogar.

Mas não olhei pra ele.


Nem uma vez.
Quero dizer... quase.

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Porque quando Pansy Parkinson encostou o ombro no dele e cochichou algo no
ouvido dele — e ele sorriu — algo dentro de mim estalou.

Hermione me olhou de lado, reparando.

— Você parece... tensa.

— Talvez porque a Parkinson deveria ser expulsa por assédio visual — murmurei,
mordendo um pedaço de pão com mais força do que o necessário.

— Uau — Rony disse, engasgando com a sopa. — Isso foi… intenso.

— Eu só tô cansada. — Menti.

Harry ainda me olhava. Aquele olhar dele de irmão mais velho, mesmo tendo
nascido três meses depois de mim.

Ele sabia.

Ele sempre sabia.

Mas não disse nada.

Graças a Merlin.

Corredor do 3º andar, saída da biblioteca

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Eu o vi.

Sozinho, recostado na parede de pedra como se estivesse esperando alguém. A luz


das tochas desenhava o perfil dele. Aquela expressão... meio entediada, meio alerta.
Como se estivesse sempre pronto pra me provocar.

Passei por ele sem desviar o olhar.

Ele também não desviou.

— Gutemberg — ele disse.

Parei. Me virei. Respirei fundo.

Não vou fugir mais. Mas também não vou correr até ele.

— Riddle.

Ele franziu as sobrancelhas, um pouco surpreso.


Talvez esperasse que eu o ignorasse.

Mas eu não ia ignorar.


Não mais.

Só não ia dar poder a ele.

— Você ficou estranhamente calado hoje — falei.

Ele deu de ombros.

— Talvez eu esteja só... cansado de competir.

— Mentiroso — sorri de lado. — Você nasceu pra competir. Deve competir até com o
espelho.

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Ele sorriu também. Mas foi... diferente. Menos sarcástico. Mais... curioso.

— E você? Cansou de me evitar?

— Talvez.
— Talvez?
— Talvez eu tenha me cansado de fingir que você não existe.

Ele me olhou por um segundo inteiro.


E aquele olhar... era perigoso.

Não porque machucava.


Mas porque dizia demais.

— Bom saber — ele respondeu baixo.

E então passou por mim.


Devagar.
Tão perto que a manga da túnica dele roçou na minha.

E mais uma vez…


eu fiquei parada.

Como se algo dentro de mim soubesse que aquilo — seja lá o que fosse — estava
apenas começando.

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Capítulo 5 – Por que diabos eu estava sonhando com Mattheo Riddle?
Arabella

— Arabella! Bella, acorda! Acorda agora!

Senti mãos me sacudindo e pisquei os olhos, confusa, ofegante.

Meu coração batia acelerado, meu corpo estava quente demais. A respiração vinha
em ondas irregulares e o cobertor parecia pesar o triplo.

— Hermione...? — murmurei, ainda tentando entender o que era sonho e o que era
realidade.

Ela estava com os olhos arregalados, segurando meus ombros como se eu tivesse
gritado.

— Você tava sussurrando enquanto dormia. E não foi qualquer coisa — ela
sussurrou, olhando de relance para Lavender e Parvati, que ainda dormiam.

— Quê? O quê que eu falei?

Ela hesitou. E então disse, como se estivesse soltando uma bomba:

— Você falou... Riddle. Sussurrou o sobrenome dele umas três vezes.

Fiquei imóvel.

Como se meu cérebro travasse num ponto entre o pânico e o desespero. Engoli
seco, sentando na cama, o lençol grudando na pele.

— Isso é um pesadelo — murmurei.

— Parecia tudo, menos isso. Você tava... inquieta. Parecia... envolvida. — Hermione
disse com um olhar que misturava curiosidade e alarme. — Arabella... você tá bem?

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Claro que não.

Sonhar com Mattheo Riddle era o tipo de punição que eu jamais teria imaginado.
Mas ali estava eu, lembrando de flashes distorcidos:

Seu olhar.
Sua voz baixa me chamando de "imprevisível".
Seus dedos roçando meu queixo.
E então... a explosão. Literal e emocional.

Acordei antes de ver o final. Ainda bem.

— Não significa nada — murmurei, levantando rápido e pegando minha varinha. —


Deve ter sido culpa do ensopado de ontem.

Hermione não respondeu. Mas seu olhar dizia tudo.

E isso me irritava mais do que o sonho.

Mais tarde, mas cedo demais – Aula de Poções com Snape

Andar até o calabouço parecia uma caminhada rumo à execução.

E meu humor — já naturalmente afiado — estava pior do que de costume. Só o


cheiro dos ingredientes já me enjoava. Não ajudava o fato de que Snape estava com
o péssimo hábito de dividir as duplas conforme seu próprio humor sádico.

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— Gutemberg com... Riddle — ele anunciou, sem nem erguer o olhar.

— O quê?! — dissemos em uníssono. Meu tom foi de indignação, o dele de puro


desprezo.

Snape ergueu uma sobrancelha.

— Algum problema com minha ordem?

Engoli a resposta mordaz. Sentei com força na bancada ao lado de Mattheo,


evitando olhar pra ele. Ele chegou logo depois, com aquele andar calmo e
irritantemente confiante.

— Que sorte a minha — ele murmurou, abrindo o livro com o canto da boca
levantado num meio sorriso.

— Se você encostar em qualquer coisa errada, eu jogo veritaserum no seu suco de


abóbora — sibilei.

— Achei que você preferia me envenenar aos poucos... pra ver a dor no meu rosto.

— Que poético. Sabia que você devia ser preso?

— E você devia parar de sonhar comigo.

Meus olhos se arregalaram e minhas bochechas queimaram. Ele sabia?

— Do que você tá falando? — retruquei rápido demais.

— Nada — ele respondeu com um sorriso torto. — Mas você tá vermelha. Eu disse
alguma coisa?

Tentei me concentrar na receita da Poção Pimentona, mas meus dedos tremiam.

A raiva e o pânico se misturavam num coquetel perigosíssimo.

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— Mexe mais uma vez a poção no sentido errado e eu te empurro dentro do
caldeirão — murmurei entredentes.

— Agressiva assim já de manhã? Eu gosto.

Meia hora depois

Um leve boom ecoou pela sala quando a mistura começou a chiar. Estávamos
discutindo sobre a quantidade de pimenta-do-reino-do-diabo enquanto os outros já
terminavam a poção.

Snape se aproximou como uma sombra.

— Riddle. Gutemberg. Que cena lamentável.

Ficamos em silêncio.

— Detenção. Amanhã. Sete da noite. Calabouço 3.

— Mas, professor... — tentei argumentar.

— A senhora falou “se ele encostar mais uma vez, eu enterro a cara dele no tônico”.
Em voz alta.

Mattheo riu. Riu. Como se estivesse se divertindo com a desgraça.

— Eu adoro detenção — ele sussurrou.

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— Eu adoro o silêncio. Pena que você nunca fica quieto o suficiente pra eu
aproveitar.

Snape virou de costas. E eu fiquei ali, tentando entender por que estar ao lado de
Mattheo me desestabilizava tanto.

E por que parte de mim... não queria que isso acabasse tão cedo.

23
Capítulo 6 – Você me odeia… mas olha pra mim como se quisesse mais
Mattheo

Eu não sonhei com ela essa noite.


Pela primeira vez em quatro dias, minha cabeça não foi tomada pela imagem da
Arabella.
Nem sua voz, nem seu cheiro, nem o maldito modo como ela diz meu sobrenome
como se fosse veneno.

E isso… deveria ser bom, certo?

Mas estranhamente, acordei irritado.

Como se meu cérebro tivesse ficado em silêncio demais. Como se tivesse faltado
alguma coisa que, por algum motivo, eu me acostumei a ter — mesmo odiando.

Odiei o silêncio.
Odiei acordar sem sua voz.

Maldição.

— Vai mesmo? — Blaise perguntou enquanto eu amarrava os cadarços das botas.

— Snape ameaçou me enfiar de castigo limpando banheiros com Filch por uma
semana se eu faltasse. — Dei de ombros, pegando minha varinha. — Prefiro o
calabouço.

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— Com a grifinória boca suja?

— Exatamente com ela — respondi, saindo com a jaqueta jogada sobre os ombros.

O corredor que levava até o Calabouço Três estava vazio e úmido. As tochas mal
iluminavam o chão e ecoava um som irritante de gotas d’água pingando em pedra.

Arabella Gutemberg já estava lá dentro.

Sentada sobre uma cadeira velha, com as pernas cruzadas e os braços apoiados no
encosto como se estivesse entediada de viver. O cabelo preso num coque malfeito,
com algumas mechas caindo ao redor do rosto. A blusa da Grifinória levemente
amassada. Tinha um corte pequeno no canto da sobrancelha, provavelmente de
algum treino mal calculado.

E mesmo assim…

Inferno. Ela parecia ter saído direto do tipo de sonho que eu fingia não lembrar.

— Chegou cedo — comentei, encostando a porta com o pé.

Ela não respondeu. Só me lançou aquele olhar típico dela — como se minha
presença fosse um fedor insuportável.

— Ainda bem. Pensei que ia precisar passar duas horas limpando tudo isso sozinho
— acrescentei, tirando a jaqueta e jogando numa das cadeiras.

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— Se você acha que eu vim aqui pra fazer trabalho sujo pra você, Riddle, é mais
burro do que eu pensava — ela rebateu, pegando um pano.

— Não, claro que não — sorri de lado. — Você só veio porque sua língua afiada não
conseguiu ficar quieta por uma aula inteira.

— A culpa foi sua. Você respirava alto demais.

— Engraçado. Nunca ouvi ninguém reclamar da minha respiração. Só você.

— Porque só eu tenho coragem de dizer o óbvio: você me tira do sério.

— E você me tira o sono.

Ela parou.

Só por um segundo. Mas parou.

Não respondeu. Só virou o rosto e começou a esfregar uma bancada enferrujada


com mais força do que o necessário.

Ótimo. Comecei a esfregar a minha também, em silêncio.

Passaram-se talvez trinta minutos sem que nenhum de nós dissesse uma palavra.

O ar entre a gente era denso. Quente demais pro fundo do castelo.

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Eu podia ouvir sua respiração. Podia sentir o perfume leve do sabonete que ela
usava. Lembrava da voz dela me amaldiçoando na aula de Poções. Lembrava da
forma como ela tremia de raiva. Lembrava de tudo.

E ela... ela parecia estar lutando com alguma coisa dentro da própria cabeça.

— Você sempre fica quieta assim? — perguntei, sem encarar.

— Não quero brigar. Só quero sair daqui.

— Isso é novo. Uma Arabella que não quer discutir? Uau. Anotem esse dia na
história.

Ela riu, sem humor.

— Não vale a pena gastar palavras com você, Mattheo.

Meu nome na boca dela.

Merda.

Meu estômago revirou. Algo queimou dentro do meu peito. Me aproximei, deixando o
pano de lado.

— Que tipo de palavras você gastaria comigo, então?

Ela me encarou.

Direto. Sem piscar.

— As que te mandariam pra enfermaria — respondeu seca.

Dei uma risada baixa. Sincera.

— Você pensa em mim o tempo todo, né?

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Ela apertou os lábios. Veio andando até mim devagar.

— Você é tão narcisista que não percebe o quanto as pessoas ao seu redor querem
vomitar quando você entra num ambiente?

— Pode ser. Mas você não quer vomitar. Você quer me quebrar. E quebrar alguém
exige mais do que nojo. Exige... interesse.

Arabella não respondeu. Mas seus olhos queimavam.

Ficamos parados ali, um de frente pro outro.

Ela tremia. Mas não de medo. Era raiva, desejo ou uma mistura caótica que nem ela
entendia.

Eu queria dizer alguma coisa. Qualquer coisa.

Mas ela se virou. Pegou de novo o pano e esfregou com mais força.

Fiquei olhando. Silencioso.

Fascinado.

Obcecado.

Snape entrou dez minutos depois, olhou o ambiente limpo, olhou pra nós — suados,

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sujos de poeira, e a centímetros de nos atacar — e ergueu uma sobrancelha.

— Bom trabalho. Estão dispensados.

Arabella saiu sem olhar pra mim.

Mas eu fiquei parado ali. Olhando pro pano no chão.

Pensando nos olhos dela.

Pensando no jeito como ela disse meu nome.


Pensando em como minha pele reagia ao som da sua respiração.
Pensando no maldito fato de que tudo o que eu queria, tudo o que eu precisava, era
mais daquilo.

Mais dela.
Mesmo que ela me matasse no processo.

29
Capítulo 7 – Se não é rivalidade… o que é isso então?
Arabella

Passei os últimos dois dias tentando esquecer a detenção.

Não que tenha acontecido algo, exatamente.


Mas aquilo. Aquela presença.
O jeito como o Mattheo me olhava, como falava meu nome...
Tinha algo de perigoso ali. Algo que me irritava por não conseguir explicar.

E hoje, como uma ironia do destino, tínhamos o primeiro treino de Quadribol do ano.
Com a Sonserina.

Claro que íamos dividir o campo.


Claro que ele ia estar lá.
E claro que o universo estava rindo da minha cara.

No vestiário da Grifinória, Harry estava com a cara fechada.

Oliver Wood, nosso capitão, fazia seu discurso motivacional (que durava pelo menos
vinte minutos), enquanto Angelina Johnson e eu trocávamos olhares entediados.

— Você ainda vai matar ele com um balaço, né? — ela sussurrou no meu ouvido.

— Só se ele insistir em respirar perto de mim.

— Arabella…

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— O quê?

— Você tá corando.

Revirei os olhos.

— Tô com raiva. Só isso.

Mas nem eu acreditei.

Chegamos no campo alguns minutos depois, montados nas vassouras.

Os uniformes verde e prata já estavam lá.


Mattheo, Draco, Theodore Nott, Blaise Zabini, Pansy (só assistindo, graças a Merlin),
e Marcus Flint, o capitão deles.

— Ótimo, a realeza chegou — Draco ironizou, assim que aterrissamos.

— Vê se não vomita no campo, Malfoy — Harry rebateu na hora, irritado.

— Relaxa, Potter, ela não era tão boa assim — Draco provocou, se referindo
claramente à Cho.

Os dois já estavam quase se empurrando quando Oliver e Flint intervieram.


Acabaram decidindo que "seria produtivo treinar algumas jogadas juntos".
Claro. Só se for produtivo pro caos.

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E foi.

A primeira meia hora foi fingimento puro.

Mattheo e eu estávamos sempre no mesmo lado do campo, mas nem trocávamos


olhares.
Ele passava voando por mim como se eu fosse invisível.

Mas eu sentia.

Sentia o ar mudando. O peso da tensão. O jeito como ele ficava mais rápido toda
vez que eu acelerava.

Estava virando um jogo.


Não mais entre Grifinória e Sonserina.
Mas entre nós dois.

— VAMOS, ARABELLA! — Wood gritou de longe.

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— VAMOS, RIDDLE! — Flint devolveu no mesmo tom.

E aí a coisa começou a esquentar.

Mattheo roubou a goles de mim com uma manobra quase ilegal.


Eu tomei de volta e quase o derrubei.
Ele deu a volta por cima da arquibancada, tentando me fechar o caminho.
Eu respondi com um giro que me jogou direto no artilheiro da Sonserina.

A partir daí, era como se o resto do time não existisse.

Só nós dois.

E uma bola entre a gente.

Pousamos quase uma hora depois, suados, ofegantes, exaustos.

— Isso foi um treino ou uma luta? — Blaise perguntou, rindo, tirando o protetor de
ombro.

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Mattheo não respondeu.
Nem eu.

Apenas olhamos um para o outro. Por um segundo.


E bastou isso pra que tudo que foi dito na detenção voltasse à minha cabeça.

"Você pensa em mim o tempo todo, né?"

Maldito.

Naquela noite, depois do banho e do jantar, tentei dormir cedo.

Mas o sono demorou a vir.


A cabeça cheia, os músculos doloridos.

E então…

Ponto de vista: Mattheo

Ela estava no campo de Quadribol.


Sozinha.
O céu era preto como breu e a grama molhada fazia barulho sob os pés.

Eu caminhei até ela.


Arabella não disse nada.

Só me olhou.

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Como se soubesse.

Como se esperasse.

— Eu te odeio — ela disse, sem raiva. Quase como uma confissão.

— E mesmo assim sonha comigo — respondi.

Ponto de vista: Arabella

Eu não queria dizer aquilo.


Mas no sonho... era como se o filtro tivesse sumido.

Como se eu não conseguisse mentir.

— Eu não sei o que é isso — sussurrei, olhando pra ele, tão perto, tão real.

— Isso é você me querendo — ele disse, encostando a testa na minha.

— Isso é loucura.

— É obsessão.

Ponto de vista: Mattheo

Eu toquei sua cintura.


Ela não recuou.

O tempo no sonho parecia mais lento.


A tensão entre a gente, mais densa do que nunca.

— Arabella...

— Acorda, Riddle.

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Ponto de vista: Arabella

Acordei com um pulo.

Hermione estava me sacudindo.

— Você tá bem? Estava suando e... sussurrando “Riddle”. De novo.

Me afundei no travesseiro.

Merda.

Amanhã temos aula com o Hagrid.

E a única coisa que sei é que preciso de distância.


Ou talvez… só de mais um pouco dele.

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Capítulo 8 – Prontos para a Guerra
Arabella

Dizem que Hogwarts é mágica.


Mentira.

Hogwarts é um campo de guerra mal disfarçado de escola.


Um castelo medieval onde os corredores abafam gritos, onde amizades
desmoronam com um feitiço mal lançado, e onde um nome sussurrado no meio da
noite pode te fazer suar frio.

E naquele dia, Hogwarts estava fervendo.

Harry não falava direito há dias.

O silêncio dele já era costume, mas esse era diferente. Duro. Amargo.
Como se tivesse se engasgado com a própria garganta e decidido nunca mais
engolir a dor.

— Arabella, você viu meu livro de Trato das Criaturas Mágicas? — ele perguntou,
remexendo a mochila com brutalidade.

— De novo? Tá no fundo, Harry. Eu coloquei lá ontem.

— Ah.

Ele enfiou a mão com raiva, puxando o livro com tanta força que o couro da capa

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rasgou.

— Harry... — comecei, mas Hermione me olhou e balançou a cabeça.


"Deixa", ela quis dizer.

Mas não dava mais pra deixar.

Ele estava quebrando por dentro, e todos fingindo que não viam.

No corredor, a cena que ninguém queria aconteceu.

Cho Chang apareceu.

Como se tivesse sido convocada pelo próprio capeta, ela saiu de trás de uma
pilastra, ajeitando a trança perfeita e com aquele rosto culpado de quem sabe que
quebrou algo que talvez nunca volte ao normal.

— Harry… eu posso falar com você?

Ele parou. Os olhos semicerrados, a mão em punho.

— Vai dizer o quê agora? Que foi um mal-entendido? Que o Cedrico tropeçou em
você e vocês acidentalmente se beijaram?

— Eu nunca disse que beijei o Cedrico!

— Mas deixou que todos pensassem isso, né?

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— Eu não espalhei nada, Harry. Foram as pessoas… eu só...

— Você só o quê, Cho? Só saiu com ele enquanto dizia que me amava?

E então:

— Acha que alguém amaria você, Potter?


A voz veio como veneno.
Draco Malfoy.

Ponto de vista: Mattheo Riddle

E foi aí que tudo explodiu.

Draco estava atrás de mim, rindo.


Aquele riso que ele solta quando sente que venceu — mesmo quando não fez nada
além de mexer onde dói.

— Você quer repetir isso? — Harry gritou, girando nos calcanhares.

— Ah, claro. Acha que alguém aguentaria se relacionar com você? Você é um
projeto de herói com complexo de órfão.

— SEU—

— Harry, NÃO — Arabella tentou segurar o braço dele, mas ele já tinha partido pra

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cima de Draco.

Foi como ver dois Cometas 260 colidindo no ar.

Ron correu pra ajudar.


Hermione já estava com um livro levantado — um monstro de capa dura que acertou
alguém… mas não foi o Draco.

Pansy Parkinson caiu no chão com um grito histérico.

— MINHA CABEÇA! SUA GRIFINÁRIA LOUCA!

Hermione ficou branca.


Arabella prendeu o riso.

Eu, sinceramente, queria bater a cabeça na parede até apagar.

Ponto de vista: Arabella

Tudo estava em câmera lenta.


Mattheo segurava Draco.
Eu tentava arrastar Harry pra trás.
Hermione berrava desculpas.
Ron apontava a varinha pra todo lado.
E Pansy... bem, Pansy gemia como se estivesse em St. Mungus.

— CHEGA! — gritei.

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Todos pararam.

Até o tempo pareceu congelar.

— Isso aqui é Hogwarts ou um duelo em Knockturn Alley?! Alguém aqui sabe se


comportar como um aluno normal?

— Fala isso pro Potter — Draco cuspiu. — Sempre age como se o mundo girasse
em torno dele.

— E você como se fosse o eixo.

— ARABELLA — Harry tentou, mas eu levantei a mão.

— Eu já cansei disso, Harry. Cansei de ver você se machucar e fingir que tá tudo
bem.
Cansei de você, Malfoy, tratar todo mundo como lixo pra compensar sua
insegurança.

Todo mundo ficou em silêncio.

Foi então que Mattheo se aproximou.

Calmo.

Sereno demais.

Mas o olhar dele estava escuro.

— Vocês não percebem o quanto estão patéticos?

— Ah, vai me dar uma lição agora, Riddle? — Draco bufou.

Mattheo ignorou.

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Olhou pra mim.

— A gente só queria um ano normal, né?

E eu, por algum motivo, não consegui falar nada.

Mais tarde naquela noite

Depois do jantar, me joguei no sofá da Grifinória.

Harry estava no dormitório, trancado.


Ron foi atrás de comida na cozinha.
Hermione? Provavelmente no escritório da McGonagall, se explicando.

Eu fiquei ali.

Ouvindo a tempestade no céu lá fora.

Pensando no jeito que Mattheo me olhou.

Naquela calma impossível em meio ao caos.

Na maneira como ele segurou Draco com tanta facilidade.


Como se tivesse feito isso a vida toda.

E então me perguntei…

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Por que era ele o único que conseguia fazer minha cabeça parar de doer?

Ponto de vista: Mattheo

Na Sala Comunal da Sonserina, Draco ainda reclamava de tudo.


Mas eu não escutava.

Eu só conseguia pensar na Gutemberg.


Na voz dela.
Na fúria.
Na coragem de enfrentar todo mundo.

Mesmo o Potter.

Mesmo o meu melhor amigo.

Ela era fogo.

E eu…

Eu estava começando a querer me queimar.

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Capítulo 9 — Incontrolável
Mattheo

O sonho começou como sempre: confuso, lento… o tipo de devaneio que parece
flutuar entre memórias e desejos que você não sabe se teve ou imaginou.

Arabella Gutemberg estava em pé na Estufa Três, o sol de fim de tarde desenhando


luz nas mechas douradas do cabelo dela. A boca dela se mexia, mas eu não ouvia
as palavras. Só os lábios, se abrindo devagar.
E então ela riu. Aquela risada torta e orgulhosa que só ela sabia dar.

— Tá com medo de mim, Riddle?

Me aproximei. Muito mais do que deveria.


E ela não recuou.

A mão dela subiu e encostou no meu rosto.

— Queria poder te odiar de verdade.

E então, ela se aproximou…

— Arabella… — eu sussurrei. No sonho.


Ou fora dele.
Não dava pra saber.

Acordei ofegante.

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Suando.

E com Draco Malfoy plantado ao lado da minha cama, braços cruzados, expressão
de nojo e olhos arregalados como se tivesse assistido um hipogrifo dançando balé.

— Você estava sussurrando o nome dela, Riddle. — Ele disse devagar, em puro
escárnio. — Com uma cara de quem tava... bem, digamos... feliz.

Revirei os olhos, enfiando o travesseiro na cara.

— Vai se foder, Draco.

— Arabellaaaaa… — ele imitava minha voz com falsete. — “Queria poder te odiar de
verdade”… Que poético. Vai escrever no seu diário?

— Cala a boca, Malfoy.

— Eu sabia! Sempre soube! Desde o segundo ano, quando você quebrou a cara do
Potter naquele jogo. Você não odeia ela. Você é obcecado.

Me levantei com força, encarando ele.


— Eu não sou obcecado. Eu a detesto.

Draco ergueu uma sobrancelha.


— Sonha com quem a gente detesta agora?

Fiquei em silêncio.

Porque ele tinha razão.

E isso me deixava louco.

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Ponto de vista: Arabella Gutemberg

Na frente da torre da Grifinória, Cedrico Diggory me esperava encostado no


parapeito, com aquele maldito sorriso gentil e olhar preocupado que deixaria
qualquer garota da escola derretida.

Menos eu.
Ou… bom.
Talvez só um pouquinho.

— Arabella — ele começou, andando até mim —, posso falar com você? Um
minuto?

Assenti, mesmo já imaginando o assunto.

— Boatos?

— Boatos. — Ele confirmou com um suspiro. — Sobre mim e Cho. Queria te dizer
que são falsos. Totalmente. Ela… ela tem tentado se reaproximar, mas eu nunca…

— Você nunca o quê, Cedrico?

Ele hesitou.
Olhou pra mim como se fosse dizer algo importante… mas recuou.

— Nunca dei espaço. Eu não quero confusão com Harry. Nem contigo.

— Comigo?

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— Você é… próxima dele. E eu não queria que você pensasse mal de mim. Eu me
importo com o que você pensa.

Fiquei muda.
Totalmente despreparada pra aquele tipo de sinceridade.

— Tá tudo bem — consegui responder. — Não acredito nesses boatos.

Ele sorriu. Um daqueles sorrisos que aquecem o peito.


E, sem perceber, ficamos ali. Em silêncio. Olhando o lago. Um pouco perto demais.

Ponto de vista: Mattheo Riddle

Eu os vi da torre da Sonserina.

Arabella e Cedrico.
Sozinhos.
Muito perto.
Rindo.

Como se ela tivesse esquecido de quem ele era.


Como se eu tivesse deixado de existir.

Minha garganta secou.

Não era como os outros ciúmes que já senti — era corrosivo, violento, primitivo.

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Ela era minha rival.
Minha inimiga.
Mas, de algum jeito, ver ela rindo pra outro cara fazia meu sangue ferver.

— Diggory... — murmurei com ódio. — Eu vou acabar com você.

O jeito que ele a olhava.


Como se a conhecesse.
Como se tivesse o direito de tocar nela.

Não.

Não.

Ninguém tem esse direito.

Só eu.

Mesmo que ela me odeie. Mesmo que eu diga que a odeio.

Só eu.

Mais tarde naquela noite

Cedrico passou por mim no corredor.


Sorriu como se nada estivesse errado. Como se o mundo fosse um lugar bonito e
justo.

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E eu sorri de volta.

Mas por dentro?

Eu já estava planejando como destruir cada pedaço da reputação dele.

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Capítulo 10 – faíscas
Arabella

Às vezes, eu me pergunto se Hogwarts é realmente uma escola de magia… ou só


um grande campo de batalha emocional disfarçado de castelo.

Era sexta-feira. O dia em que todo mundo deveria relaxar, pensar no fim de semana,
talvez até fazer a lição de Poções antes do prazo.

Mas, é claro, Hogwarts nunca funcionava assim.

Eu estava no Salão Comunal da Grifinória com Hermione, Ron e Harry quando


Cedrico apareceu na entrada. E, como sempre, ele parecia tirado de um conto de
fadas. Até Ron levantou a sobrancelha quando ele me chamou para conversar.

— Tá me chamando pra sair ou pra estudar? — brinquei, tentando disfarçar o


nervosismo.

Cedrico riu.

— Os dois?

E Hermione literalmente suspirou do outro lado da sala.

Saí com ele e andamos pelo corredor que levava à Torre da Astronomia.
Conversamos sobre Cho, de novo, sobre quadribol, sobre tudo e nada. Mas dessa
vez… ele segurou minha mão.

E eu deixei.

Foi aí que tudo começou a dar errado.

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Descendo de volta pro térreo, demos de cara com Mattheo Riddle, encostado
casualmente na parede de pedra, cercado por Draco e Pansy.

O olhar dele caiu direto nas nossas mãos.

E alguma coisa nele quebrou.

— Que cena adorável — Mattheo disse, o tom de deboche carregado de veneno. —


O príncipe e a princesa de Hogwarts dando um passeio de mãos dadas.

Draco gargalhou.
Pansy revirou os olhos.

Cedrico ia falar algo, mas eu fui mais rápida.

— Você tem algum problema, Riddle?

Ele me ignorou completamente, como se eu não estivesse ali.


Olhou apenas para Cedrico.

— Você devia tomar cuidado com o que pega por aí, Diggory. Às vezes a mesma
coisa já passou pela mão de outros.

— QUE?! — explodi.

Mas antes que eu pudesse avançar, Hermione apareceu.

— Por Merlin, Mattheo! Você não cansa de ser um completo…

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— Ah, claro, a enciclopédia ambulante chegou — Mattheo interrompeu. — Vai me
dar pontos negativos por comportamento inadequado, Granger?

— Você é um idiota!

— E você é insuportável!

— Tá brincando? — Draco se meteu. — Ela só vive pra se meter onde não é


chamada.

— Diferente de você, Malfoy — Harry falou, aparecendo atrás da gente —, que vive
lambendo as botas do pai tentando ser alguém.

O silêncio caiu por um segundo.

— Repete, Potter. — Draco disse, se aproximando.

— Você ouviu. — Harry não recuou. — Fica falando da vida dos outros porque a sua
é patética.

— Eu vou acabar com você, Potter! — Draco partiu pra cima.

Cho apareceu do nada, tentando segurar Draco.

— CHEGA! — ela gritou.

— Cala a boca, Cho — Harry cuspiu. — Você devia ser a última pessoa a abrir a
boca aqui!

— Você tá surtando, Harry!

— Você me traiu!

— EU NÃO FIZ NADA!

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— Fez sim — Pansy disse do nada. — Todo mundo viu você com Cedrico no jardim.
E agora tá aqui querendo pagar de inocente?

— CUIDADO COM O QUE VOCÊ FALA — gritei.

Pansy me olhou como se quisesse me arranhar viva.

— Ai, que medo da Gutemberg. Vai me dar um discurso? Vai falar que é melhor que
todo mundo?

— Ela é. — Mattheo disse. Baixo. Mas alto o suficiente pra todos ouvirem.

Todo mundo virou o rosto pra ele.

— O quê? — Pansy perguntou, indignada.

Mattheo olhou pra mim. Por um segundo, só um segundo… parecia quase humano.

— Nada. Esquece.

E saiu andando, rápido.

Mais tarde, na torre da Grifinória, Hermione quase explodiu.

— O que FOI aquilo?! O Mattheo te defendendo?! Você viu o olhar dele?

— Vi — respondi, jogando a cabeça no travesseiro.

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— E o Cedrico? Ele ficou tipo… completamente deslocado!

— Eu sei.

— E você?

— Também tô deslocada.

— E se o Mattheo… — ela hesitou. — Não te odiasse de verdade?

Fiquei em silêncio. Meu coração batendo forte demais.

Talvez ele não odiasse mesmo.


Mas o que ele sentia era muito pior.

Era perigoso.

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Capítulo 11 — Atrações Perigosas
Arabella

O dormitório estava silencioso, exceto pelo leve ranger da madeira quando Hermione
se mexia na cama ao lado. Eu estava acordada, deitada de lado, encarando o teto
como se ele tivesse alguma resposta para o que eu sentia — ou deixava de sentir —
ultimamente.

— Você não vai dormir? — Hermione sussurrou, sentando-se em sua cama com o
livro de Feitiços no colo.

— Não consigo — respondi, me virando para ela. — Tem coisa demais na minha
cabeça.

Ela franziu o cenho, fechando o livro devagar.

— Isso tem a ver com o Cedrico?

Suspirei. Era sempre difícil conversar sobre sentimentos, mas Hermione sabia como
quebrar essa barreira.

— Acho que ele está… diferente. Nos últimos dias, ele tem me chamado para
estudar, ficar depois da aula. E hoje me elogiou por, sei lá, trinta segundos sem
parar.

— Você gosta dele?

— Não sei. Gosto do jeito que ele me olha. É… leve. Como se eu não fosse uma
confusão ambulante.

Hermione sorriu, mas logo suspirou fundo.

— Eu preciso te contar uma coisa. Sobre a Gina.

Me sentei na cama, curiosa.

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— Ela gosta do Harry. Desde o segundo ano. E agora que ele e a Cho… bem…
tiveram aquele momento, ela tá esperançosa de que tenha uma chance.

— Esperançosa? — ri baixinho. — Eu vi o Harry quase quebrar a parede depois que


a Cho tentou falar com ele de novo. Aquilo não tem volta.

— Talvez. Mas a Gina é insistente.

Assenti, já pensando nas consequências. O trio Weasley-Potter-Granger ia virar um


quarteto caótico.

Mais Tarde — Corredor Principal

Eu ia para a aula de DCAT com Hermione quando parei no meio do corredor. Um


garoto novo acabara de passar por nós. Alto, cabelo escuro jogado, olhar firme e
sombrio. Mas havia algo de absurdamente... cativante nele. Ele parou para falar com
McGonagall, que apontava para a direção da sala de Alastor Moody.

— Quem é aquele? — perguntei.

— Ah, é o novo aluno transferido. Ouvi os professores comentando… Tom Riddle.


— Hermione arregalou os olhos. — Parece que é irmão do Mattheo.

— Irmão? — senti meu estômago virar.

— Dois anos mais velho. Transferido de Durmstrang, acho. Disseram que é


excelente em Poções e Feitiços Avançados. E… perigoso.

Fiquei parada por um instante. Eu nunca tinha sentido algo parecido. Uma tensão
elétrica no ar. Era como se aquele garoto tivesse puxado o chão sob meus pés.

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Ponto de Vista: Mattheo

Eu tinha acabado de sair da biblioteca quando vi Arabella olhando fixamente para...


ele.

Tom.

Meu irmão mais velho, o queridinho da família. Aquele que sempre fazia tudo certo,
sempre encantava os adultos com seu jeito calmo, mas que escondia uma mente
cruel por trás dos olhos indecifráveis.

E agora ali estava ele. Em Hogwarts. E a Grifinória inteira já parecia estar sob algum
tipo de feitiço que ele naturalmente lançava.

Mas nada me atingiu tanto quanto ver Arabella... olhando para ele daquele jeito.

Puxei Blaise pelo braço.

— Me diz que ela não tá olhando pra ele.

— Se você tá falando da Grifinória da cara fechada… sim. Tá encarando como se


fosse chocolate derretido.

Eu quis quebrar alguma coisa.

Sala de Jantar — Mais Tarde

Tom estava conversando com Dumbledore como se fossem velhos amigos. Até
Snape parecia interessado no novo aluno. Isso me irritava. Odiava como ele sempre

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brilhava sem esforço.

Arabella entrou no salão e sentou-se ao lado de Cedrico, que a recebeu com um


sorriso tão aberto que me deu ânsia.

Eu queria socá-lo.

Ela riu. Arabella riu da piada dele.

Minha garganta secou.

Draco percebeu.

— Tá cada dia pior, hein? Ela e Cedrico, Tom e o castelo inteiro. Você vai explodir,
Mattheo.

— Cale a boca.

Ponto de Vista: Arabella

Mais tarde, no campo de quadribol, o treino da Grifinória finalmente começou a ser


organizado. Oliver Wood gritou com todos por cinco minutos antes de deixar Harry
irritar Draco ao voar direto por cima dele.

Eu nem estava prestando atenção. Mattheo estava lá do outro lado do campo,


girando a vassoura nos dedos, sem olhar diretamente para mim… mas também sem
ignorar minha presença.

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Cedrico se aproximou de mim perto dos vestiários.

— Posso falar com você? — ele perguntou, sorrindo.

— Claro.

— Olha, tão dizendo que eu e a Cho… que aconteceu alguma coisa entre nós nas
férias. Não é verdade. Eu não fiquei com ela. Não depois do que ela fez com o Harry.

Assenti, ainda tentando absorver aquela sinceridade.

— Só queria que você soubesse — ele continuou, tocando levemente meu braço —
que eu não sou esse tipo de cara.

— Eu sei, Cedrico.

Senti algo em mim derreter. Até que ouvi uma voz atrás.

— Que cena bonita — disse Mattheo, seco.

Me virei, e o encontrei parado ali, com os olhos em chamas, ignorando


completamente Cedrico e me olhando como se eu tivesse cometido um crime.

— Algum problema, Riddle? — Cedrico se endireitou.

— Nenhum — ele deu um sorriso falso. — Só não sabia que nossa querida
Gutemberg era tão... receptiva.

— Cuidado com o que diz — respondi, com a voz baixa, tensa.

— Por quê? Vai me dar detenção de novo?

Eu respirei fundo e entrei no vestiário sem responder, antes que dissesse algo que
me fizesse parecer tão obcecada quanto ele estava começando a parecer por mim.

59
Ponto de Vista: Mattheo

Tom passou por mim no final do dia. Parou, me encarou e disse:

— Você tem bom gosto.

— Fica longe dela.

Ele apenas riu. Um riso baixo, calmo. Quase um aviso.

E foi aí que eu soube que meu maior rival talvez nem fosse mais o Cedrico Diggory.

Era o meu próprio irmão.

60
Capítulo 12 – Torneios, Tramas e Temperos de Ciúmes
Arabella

A biblioteca estava silenciosa demais para a nossa missão secreta. Eu olhei ao redor
para ter certeza de que Madame Pince não estava por perto e puxei Hermione mais
para perto.

— Ginny está completamente apaixonada por ele, Mione. É tipo… óbvio.

Hermione assentiu. — E Harry está cego. Continua remoendo o que aconteceu com
a Cho, como se ela tivesse destruído a vida dele.

— Não ajuda o fato do Malfoy repetir isso em voz alta em todos os corredores —
comentou Ron, bufando.

Cedrico estava sentado à minha frente, folheando um livro, mas sem prestar
atenção. Tom Riddle, sentado ao lado dele, olhou de canto para mim e então para
Cedrico. Ele sorriu — aquele sorriso afiado e confiante que eu ainda estava tentando
interpretar.

— Então a tal "Operação Ginny" vai rolar mesmo? — perguntou Tom, apoiando o
queixo na mão. — Vocês são bem empenhados quando querem empurrar casais,
hein?

— É mais fácil empurrar o Harry para a Gina do que segurar meu irmão de enfiar a
varinha na cara do Cedrico — resmungou Mattheo do outro lado da estante,
claramente ouvindo tudo.

— Não fui eu quem começou a se jogar pra cima da irmãzinha do Potter — retrucou
Cedrico, calmo, porém incisivo. — E ela não é só irmã do Harry.

Eu revirei os olhos, ignorando a tensão entre os dois.

— O foco agora é ajudar o Harry. — Eu voltei para a nossa mesa, interrompendo a


troca de farpas. — A gente pode tentar uma armadilha. Tipo... um encontro

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“acidental” entre ele e a Gina, com a gente sumindo depois.

Hermione sorriu. — Isso é péssimo. E perfeito.

Tom soltou uma risada baixa, observando cada detalhe da conversa. Havia algo nele
que me fazia desviar o olhar... mas nem sempre eu conseguia. A verdade era que,
nos últimos dias, ele me deixava curiosa. Muito mais do que deveria.

Quando nossos olhares se encontraram, Tom piscou devagar. Eu senti o estômago


revirar. E, antes que eu pudesse me perder naquele olhar profundo e cínico... ouvi
um baque forte.

Mattheo fechou o livro com força, levantando-se. Não disse nada. Só encarou Tom
por um segundo, e saiu da biblioteca sem olhar para trás.

Ponto de Vista: Mattheo Riddle

Se mais alguém me dissesse que o Cedrico “é só amigo” da Arabella, eu juro que eu


explodia a biblioteca inteira com um feitiço de ampliação invertida.

Eu não era burro. Via os olhares. O jeito como ele sorria pra ela. E agora tinha o
Tom também.

Meu próprio irmão.

— Cedrico está na mira — avisei ao Blaise enquanto atravessávamos os corredores.


— Ele passa dos limites mais uma vez, e eu não respondo pelos meus atos.

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— Você já não responde mesmo — murmurou Theodore com um riso.

Draco apareceu, esbaforido.

— Vocês ouviram? As carruagens chegaram. Durmstrang e Beauxbatons. Estão na


entrada.

Parei no mesmo instante.

— O Torneio Tribruxo?

— Dumbledore vai anunciar oficialmente depois do jantar. Vai ter cerimônia e tudo.

Minha testa franziu automaticamente. Aquilo era... inesperado. Mas bem-vindo.

Quadribol era a única distração que me afastava da Arabella. Agora talvez o torneio
pudesse fazer o mesmo.

Ou piorar tudo.

Ponto de Vista: Arabella Gutemberg

Naquela mesma noite, o salão principal estava impecável. Bandeiras com brasões
flutuavam entre as velas, o chão polido refletia as luzes, e o burburinho de todas as
casas era interrompido apenas quando Dumbledore se levantou.

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Ao lado dele, dois diretores estrangeiros: Madame Maxime, imensa e imponente; e
Igor Karkaroff, que não parava de encarar os alunos como se estivesse calculando o
quanto valiam.

— Bem-vindos ao Torneio Tribruxo! — começou Dumbledore com aquele tom


encantador. — Hogwarts terá a honra de sediar este evento lendário. Cada escola
enviará um campeão. As regras, métodos de seleção e as tarefas… serão reveladas
em breve.

Murmúrios tomaram o salão. Excitação. Ansiedade. E algo mais: tensão.

— Com a chegada de tantos convidados — continuou Dumbledore —, alguns


dormitórios precisarão ser ajustados. Uma nova alocação será feita nos próximos
dias. Conto com a compreensão de todos.

Eu olhei para Harry, que me encarava aflito. Hermione parecia prestes a explodir de
nervoso com a possibilidade de dormir com desconhecidos. Já Ron estava mais
preocupado com a comida no prato.

E, do outro lado, Mattheo Riddle. Me encarando de volta. Sério. Escuro. Inquieto.

Ponto de Vista: Mattheo Riddle

Depois do discurso de Dumbledore, o salão parecia outro. Mas tudo que eu


conseguia ver era ela.

Arabella sorrindo para Tom. Arabella ouvindo algo que Cedrico dizia e rindo.

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Arabella ignorando minha existência como se eu fosse apenas... um inimigo
esquecido.

Só que ela não me esquecia. Eu sabia. Nem depois da detenção. Nem depois do
que ela disse. Nem depois daquele quase beijo que pairava entre a gente como uma
maldição inacabada.

Na saída do salão, segurei o Cedrico pelo braço.

— Um aviso — murmurei contra o ombro dele. — Se você acha que vai conseguir
alguma coisa com a Arabella, pense de novo. Porque ela pode nem saber ainda…
mas ela já é minha guerra pessoal. E eu nunca perco uma guerra.

Antes que ele respondesse, virei as costas. Mas vi o sorriso debochado dele antes
de me afastar.

Aquilo ia custar caro.

Muito caro.

Ponto de Vista: Arabella Gutemberg

Mais tarde naquela noite, fui até o campo de Quadribol sozinha para treinar. Tinha
que limpar a mente. Mas no fundo, era o que eu mais queria evitar.

O olhar do Tom. O toque de Mattheo na detenção. O jeito como Cedrico dizia meu
nome.

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E, no centro de tudo isso… eu.

Correndo, voando, desviando de balaços que eu mesma jogava para o alto, tentando
entender se o problema era eles...

Ou se era eu.

E por algum motivo, no fundo da minha mente, uma pergunta sussurrava sem parar:

“O que vai acontecer quando essa guerra finalmente começar?”

66
Capítulo 13 - A Tempestade Começa a Se Formar

Ponto de Vista: Arabella

A sala comunal da Grifinória estava em caos. Hermione lia e relia o pergaminho


oficial com a lista dos novos dormitórios, enquanto Rony murmurava "isso é um
pesadelo" pela terceira vez seguida. Harry estava de braços cruzados no canto,
encarando o fogo como se fosse se fundir à lareira. E eu... bom, eu só queria
explodir.

— Isso não pode estar certo! — protestei, arrancando o papel da mão da Hermione.
— Deve ter um erro aqui. Eu não posso dividir um dormitório com Mattheo Riddle.

— Calma, Arabella — disse Hermione, tentando soar razoável. — A culpa não é


dele. Deve ter sido alguma decisão administrativa...

— Claro, porque colocar um aluno da Sonserina e uma da Grifinória juntos é uma


ótima ideia — resmunguei.

Antes que pudesse continuar, Fred e Jorge apareceram correndo pelas escadas.

— BOM DIA, GRIFINÓRIOS! — gritaram em uníssono, rindo.

— O que vocês fizeram agora? — perguntou Ginny, desconfiada.

Fred respondeu com um sorriso vitorioso: — Digamos que Draco Malfoy vai sair do
banho com um novo visual. Tinta rosa no shampoo.

Jorge completou: — Permanente.

O riso se espalhou como fogo na sala comunal, mas não durou muito. Logo teríamos
que descer para o Salão Principal e nos organizar para a primeira reunião oficial
sobre os dormitórios e, claro, a Taça do Torneio Tribruxo, que acabara de ser
revelada no centro do castelo.

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Ponto de Vista: Mattheo

Se havia algo que me irritava mais do que o olhar debochado do Tom Riddle era o
fato de Arabella evitar o meu olhar toda vez que entrávamos na mesma sala.

— Então você vai mesmo colocar seu nome na taça? — perguntou Blaise,
encostado ao meu lado.

— Não. Não sou idiota o suficiente pra me matar por glória — respondi, encarando a
taça com desprezo.

Draco apareceu com o cabelo completamente rosa. Pansy segurava o riso enquanto
o seguia pelo corredor.

— FOI VOCÊ! — ele rugiu, apontando para Fred e Jorge, que passavam
despreocupados comendo um bolinho de abóbora.

— Malfoy, rosa realça seus olhos — Fred zombou.

Arabella passou ao meu lado, sem sequer me notar. Ou fingiu não notar. Estava ao
lado de Tom, e ele... ele olhava pra ela como se fosse a única garota do castelo. E o
pior? Ela sorria de volta. Cedrico se aproximou logo depois, cumprimentando-a com
um toque no ombro que me deu vontade de quebrar os dedos dele.

— Você está bem? — perguntou Pansy, se aproximando.

— Perfeitamente bem — respondi seco. Mas não estava.

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Ponto de Vista: Arabella

O caos no Salão Principal era real. Dumbledore se levantou, batendo com a colher
de prata no cálice.

— Alunos e alunas, tenho o prazer de anunciar a abertura do Torneio Tribruxo! —


aplaudimos. — Cada aluno que deseja competir deverá escrever seu nome em um
pergaminho e depositá-lo na Taça até o fim desta semana.

A comoção começou. Vi Cedrico caminhar em direção à taça, determinado. Tom o


seguiu logo depois. Ambos depositaram seus nomes, e os colegas de suas casas os
aplaudiram.

Olhei para Mattheo, que observava tudo com uma expressão impassível. Mas eu o
conhecia bem demais. Ele estava furioso.

Mais tarde, no pátio, me aproximei de Cedrico, que parecia pensativo.

— Você vai mesmo participar? — perguntei.

— Claro. Mas... você viu o olhar do Mattheo? Acho que ele me mataria se pudesse
— disse ele, rindo nervoso.

— Mattheo não manda em mim.

Mas sabia que aquilo não era totalmente verdade.

Ponto de Vista: Mattheo

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No corredor do segundo andar, peguei Cedrico sozinho.

— Fica longe dela — murmurei.

— O quê?

— A Arabella. Fica longe dela. Já estou avisando.

Cedrico me olhou com coragem inesperada. — Ela não é propriedade sua, Riddle.

— Não repita isso. Não se você quiser manter todos os seus ossos intactos.

Dei as costas, mas sabia que Tom era o próximo da lista.

Ponto de Vista: Arabella

Na torre da Grifinória, Hermione, Cedrico, Tom, Rony e eu nos reunimos.

— A "Operação Ginny" começa agora — disse Tom com um sorrisinho confiante.

— Isso é tão infantil — murmurou Hermione, mas ela estava animada.

O plano era simples: aproximar Ginny de Harry em situações forçadas, criando


momentos que parecessem naturais.

— E se der errado? — perguntou Ron.

— Aí a gente tenta de novo — falei. — Afinal, se deu certo com o Fred e a


Angelina...

Naquela noite, não consegui dormir. A imagem de Tom sorrindo, Cedrico se


afastando, Mattheo me encarando com fúria e os nomes sendo jogados na taça me
atormentavam. O Torneio estava apenas começando... e eu sentia que Hogwarts
nunca mais seria a mesma.

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Capítulo 14 – Pétalas e Espinhos
Mattheo

O quarto estava escuro, silencioso. O único som que ecoava era a respiração
descompassada que escapava dos meus próprios lábios. Acordei de supetão, o
corpo suado, o coração parecendo querer explodir dentro do peito. Mais um sonho.
O quarto sonho.

Dessa vez, foi diferente. Não havia sangue. Não havia dor. Só... ela.

Arabella estava diante de mim com os olhos fechados e o rosto tranquilo. Murmurava
algo que eu não conseguia entender. Eu queria tocá-la. Queria beijá-la. Mas ela
parecia sempre um passo além do meu alcance. E, mesmo assim, eu a desejava
com uma intensidade que beirava o insuportável.

Sentei-me na cama, passando a mão pelos cabelos bagunçados. O dormitório


compartilhado — com apenas ela — estava silencioso. Ela dormia no lado oposto,
envolta em seus cobertores da Grifinória. Nem parecia que dividíamos o mesmo
espaço há semanas, quase sem trocar palavras desde aquela discussão.

Eu precisava esfriar a cabeça.

Arabella

Acordei com o som da porta batendo. Mattheo havia saído do quarto. Suspirando,
me sentei na cama, ainda meio zonza. Tinha dormido bem até certo ponto... até o
sonho.

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Sonhar com Mattheo Riddle estava começando a ser frequente demais. E pior: não
eram pesadelos.

Eu odiava isso.

Depois de tomar um banho rápido no dormitório, voltei enrolada numa toalha,


apenas para parar no meio do caminho. Um buquê de flores descansava sobre
minha cama. Lírios brancos com bilhetes delicadamente presos a um laço.

— Cedrico... — murmurei, reconhecendo a caligrafia.

Antes que pudesse me aproximar, ouvi a porta sendo fechada com mais força do
que o necessário. Virei, encontrando Mattheo parado perto da porta, os olhos afiados
como lâminas.

— O que é isso? — ele perguntou, a voz carregada de um veneno contido.

— Flores. Cedrico deixou. — Fui até a cama e toquei as pétalas. — Você tem um
problema com isso?

Ele riu, sem humor.

— Nenhum. Por que teria?

E então, de forma tão rápida que mal percebi, ele atravessou o quarto, pegou o
buquê e simplesmente rasgou as flores em dois, jogando-as no lixo do lado da
escrivaninha.

— MATTHEO! — gritei.

— O que foi? Elas estavam feias — ele murmurou, se jogando na própria cama
como se não tivesse acabado de assassinar um presente romântico.

Eu encarei ele, incrédula.

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— Você é um idiota. Um completo...

— Só estou sendo sincero. Não combina com você esse tipo de coisa — ele disse,
virando de lado para não me encarar.

Fiquei sem palavras. Não era a primeira vez que ele agia de forma possessiva e
depois fingia que não sentia nada.

E eu não sabia se odiava ou amava isso.

Mattheo

Ela não falou comigo o resto do dia. E, honestamente, talvez tenha sido melhor
assim. Ver aquele bilhete. As flores. Saber que Cedrico estava tentando se
aproximar cada vez mais dela... Aquilo me consumia.

Mas o pior de tudo?

Eu não podia fazer nada.

Porque não éramos nada. Porque eu me recuso a admitir que... talvez eu sinta
alguma coisa.

Nem para mim mesmo.

Arabella é confusão. Ela é fogo. É desgraçadamente perfeita e me tira do controle

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com o mínimo dos gestos. E eu... eu sou caos. Frio. Impulsivo. Obcecado.

Isso só pode acabar em destruição.

E ainda assim, eu não consigo parar de olhar.

Arabella

Na biblioteca mais tarde, Gina se sentou ao meu lado com um sorriso bobo nos
lábios.

— Harry sorriu pra mim hoje. Três vezes — ela disse, quase sussurrando.

— E você contou? — provoquei, sorrindo.

— Contei todas. — Ela riu.

E, por mais que meu coração estivesse um caos, fiquei feliz por ela. Talvez ainda
houvesse espaço para algo bom nessa bagunça toda. Ou, pelo menos, para alguém.

Porque eu? Eu tinha que voltar para um dormitório onde dividia o ar com Mattheo
Riddle.

E, sinceramente, isso era a pior e a melhor parte do meu dia.

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Capítulo 15 — Chamas e Silêncios
[Ponto de vista: Arabella]

A sala comunal improvisada para os que dividiam dormitórios mistos estava mais
movimentada do que nunca. O quadro-negro flutuante tremeluzia no centro da
parede de pedra, exibindo em letras douradas:

> "Anúncio oficial dos Campeões do Torneio Tribruxo — hoje, 19h no Salão
Principal."

Meu estômago deu um leve salto, mesmo eu sabendo que não tinha colocado meu
nome na Taça. Mas o clima geral em Hogwarts era de tensão elétrica. Boatos
corriam sobre quem seriam os escolhidos. E eu não precisava de adivinhação para
saber que Cedrico e Tom estavam entre os favoritos.

Voltei pro dormitório, onde a porta já estava entreaberta — um hábito irritante de


Mattheo. Ele estava largado na poltrona dele, um livro de Poções aberto no colo e a
varinha girando entre os dedos. Nem ergueu os olhos quando entrei. Também não
falei nada. Desde que dividíamos o mesmo espaço, havia se tornado um jogo
silencioso de quem cedia primeiro.

Vesti um suéter da Grifinória e prendi o cabelo num coque bagunçado antes de sair
de novo, rumo à biblioteca. Precisava de silêncio. Distância. Tudo que Mattheo não
sabia dar.

---

[Ponto de vista: Mattheo]

Ela passou por mim sem dizer uma palavra.

De novo.

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Arabella Gutemberg tinha esse talento irritante de entrar num ambiente e mudar a
porra da gravidade dele, como se fosse dona do ar. E ainda assim, andava como se
eu não existisse. Como se nossas conversas no escuro, as provocações, os olhares
prolongados, os pesadelos — tudo aquilo nunca tivesse acontecido.

Claro que estava tudo bem. Eu também podia fingir.

Fingi enquanto lia a mesma linha do livro pela sexta vez, enquanto escutava a porta
do nosso dormitório se fechando atrás dela. Fingi que meu coração não acelerava
toda vez que ela saía, que eu não ficava imaginando se encontraria Tom Riddle no
corredor. Aquele idiota sorridente que parecia saber demais.

[Ponto de vista: Arabella]

O relógio marcava 19h quando o grande salão foi tomado por uma onda de
ansiedade coletiva. A Taça do Torneio Tribruxo tremeluzia no centro, as chamas
dançando num azul mágico que se intensificava.

Dumbledore se aproximou e, com a voz grave e serena de sempre, anunciou:

— Quando o nome for revelado pela Taça, será irrevogável. O campeão


representará sua escola até o fim do Torneio. Boa sorte.

Silêncio.

Chamas se alçaram de repente.

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Um pergaminho voou para o alto e caiu nas mãos de Dumbledore.

— Tom Riddle, de Hogwarts.

Aplausos ensurdecedores explodiram, e a mesa da Sonserina comemorou como se


tivessem vencido a Copa Mundial de Quadribol. Tom se levantou com aquele
mesmo sorriso convencido, olhando de canto para... mim?

Fingi não perceber.

Outro pergaminho saiu da Taça.

— Cedrico Diggory, de Hogwarts.

Meu coração disparou. A mesa da Lufa-Lufa quase desmontou de euforia. Cedrico


olhou para mim e sorriu de longe. Eu retribuí, envergonhada.

Depois, os nomes dos campeões das outras escolas foram anunciados. Nomes
estranhos, rostos novos e intrigantes.

Mas o salão estava em polvorosa. E a noite, só começando.

[Ponto de vista: Mattheo]

Tom. E Cedrico.

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Óbvio que os dois seriam escolhidos. Como se o universo estivesse empenhado em
me lembrar que tudo que eu queria, ele dava para os outros.

Arabella olhava para o Cedrico como se ele fosse feito de luz. Eu queria quebrar
aquele sorriso dele com um feitiço não-verbal. Ou dois. Talvez três.

Mas permaneci calado. Com os punhos cerrados por baixo da mesa e o maxilar
travado.

Até que aconteceu.

No dia seguinte, encontrei a carta.

Ela estava jogada em cima da cama de Arabella, com uma flor presa à ponta.

"Arabella,
Se quiser sair comigo algum dia, adoraria te mostrar o lago à noite.
— Cedrico"

Meu sangue ferveu. Não era um ciúmes comum. Era uma combustão interna,
silenciosa, que me queimava por dentro. Rasguei a flor no meio. Joguei a carta
dentro da gaveta dela com força e bati a porta do armário com mais brutalidade do
que deveria.

Se Arabella percebeu?

Ela não disse nada.

Mas à noite, entrou no dormitório e encontrou a flor destroçada.

Só não me olhou.

Só não perguntou.

Só não disse... nada.

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[Ponto de vista: Arabella]

A flor estava rasgada.

Tentei fingir que não me importei. Que não sabia quem tinha feito aquilo. Mas não
consegui ignorar o cheiro familiar de canela e tinta mágica que ainda pairava no
quarto.

Mattheo fingia que não era com ele.

E eu fingia que não me afetava.

Era isso que a gente fazia.

Nos feríamos em silêncio.

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Capítulo 16 — Sombras e Segredos
[Ponto de vista: Arabella]

A noite estava fria, mas eu sentia um fogo crescendo dentro de mim. Cedrico me
esperava perto do lago, sorrindo tranquilo, aquela calma que sempre me
desconcertava.

— Você veio — disse ele, com o mesmo sorriso gentil.

— Claro — respondi, tentando controlar a ansiedade que me fazia o coração


acelerar.

Ficamos ali, conversando, rindo, o tempo parecendo mais lento.

Quando a festa da Sonserina começou, soube que precisava ir. Era uma
comemoração secreta, para celebrar a escolha de Tom Riddle para o Torneio
Tribruxo — uma notícia que agitava Hogwarts.

Entrei na festa, onde as luzes baixas, a música alta e a fumaça colorida enchiam o
salão improvisado. Senti um misto de excitação e estranhamento.

Cedrico não bebeu nada, como sempre.

Mas eu me deixei levar por alguns goles de vinho que roubei de um dos barris.

Enquanto Cedrico conversava com amigos, percebi a diferença gritante entre nós.

Ele desprezava livros, enquanto eu os adorava.

Eu mesma começava a me moldar, a tentar esconder quem realmente era para


agradá-lo — mesmo sem querer admitir.

Cada beijo dele me fazia imaginar Mattheo me segurando com força.

E, para me provocar, eu também imaginava Tom Riddle no lugar dele.

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[Ponto de vista: Mattheo]

Usei minha capa da invisibilidade para seguir Arabella e Cedrico.

Não queria que ela soubesse — queria apenas ver, entender o que estava
acontecendo.

Cheguei escondido à festa da Sonserina e me escondi nas sombras, observando


cada movimento deles.

Arabella parecia encantada, mas também diferente.

Estava mudando para agradar Cedrico, tentando ser alguém que ela não era.

Cedrico não bebeu uma gota, mas ela? Vi ela pegar o vinho sozinha, de algum barril.

Minha raiva cresceu, mas não disse nada.

Porque sabia que Arabella não ia admitir para ninguém — nem para ela mesma — o
que estava acontecendo.

Vi eles se beijarem, e ela olhou para mim sem saber.

Depois virou para Tom, que estava ali, sorrindo maliciosamente, e o beijou como um
desafio.

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Senti meu mundo desabar.

Eu precisava agir.

Antes que perdesse tudo.

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Capítulo 17 — Entre Sombras e Desejos
[Ponto de vista: Arabella]

Cedrico me seguiu até o dormitório, o silêncio da noite cobrindo nossos passos. Eu


sentia o calor do corpo dele perto do meu, um misto de nervosismo e excitação me
consumindo.

Assim que a porta se fechou, ele me puxou para perto, os olhos buscando os meus
com uma intensidade que me deixou sem fôlego.

Nossas mãos exploravam, as bocas se encontravam em beijos cada vez mais


urgentes. O mundo lá fora desapareceu, sobrando só a pele dele contra a minha, o
desejo que crescia a cada toque.

Cedrico foi delicado no começo, mas logo a urgência tomou conta, e nossos corpos
se encaixaram naturalmente.

O calor entre nós crescia, e eu me deixava levar, perdida nas sensações.

No meio do ato, meus olhos se abriram abruptamente.

E lá estava ele.

Mattheo.

Com a capa da invisibilidade na mão, me olhando com uma expressão fria,


penetrante.

Cada vez que Cedrico mexia a língua dentro de mim, Mattheo fazia o mesmo
movimento, como se estivesse tentando sentir o que eu sentia, sem nunca desviar o
olhar.

Meu corpo estremeceu, confuso entre o que fazia e a presença silenciosa que me
observava.

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Eu não podia contar para Cedrico.

Não podia deixar que ele soubesse.

E assim, no final, Mattheo pôs a capa invisível novamente.

Cedrico nem desconfiou.

Eu me enrolei entre sentimentos conflitantes, sabendo que o que tinha acontecido ali
mudaria tudo.

[Ponto de vista: Mattheo]

Eu estava ali, invisível, mas presente.

Assistindo Arabella e Cedrico se entregando, cada gesto, cada suspiro, cada


movimento.

Era uma tortura.

Cada vez que Cedrico mexia a língua, eu repetia aquele movimento em silêncio,
como um fantasma aprisionado em desejo e raiva.

Meu coração doía.

Ela estava ali, tão perto, e eu não conseguia impedir nada.

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Vi cada momento íntimo, cada expressão de prazer e de distração.

Quando o ato chegou ao fim, silenciosamente coloquei a capa novamente.

Cedrico nem percebeu minha presença.

Mas eu sabia que ali, naquele quarto, algo havia sido quebrado — entre mim,
Arabella, e o que quer que estivesse se formando entre eles.

Eu não ia desistir.

Não ainda.

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Capítulo 18 — Palavras não ditas
[Ponto de vista: Arabella]

A madrugada parecia eterna, e mesmo com Cedrico já ido, eu ainda sentia o calor
do que aconteceu, a adrenalina que corria nas minhas veias.

Deitei na cama, ouvindo o silêncio da torre, mas não conseguia escapar da


lembrança da noite. Eu sabia que Mattheo estava ali, perto, porque percebi sua
respiração, o leve ranger da madeira no chão.

Ele sabia o que aconteceu. Eu sabia que ele sabia. Mas nenhum dos dois tinha
coragem de dizer em voz alta.

E então ele falou, com aquele tom que eu já conhecia — carregado de preocupação,
ciúmes e uma pitada de raiva.

— Cedrico não é confiável, Arabella. Você devia ter pensado antes de invadir aquela
festa da Sonserina.

Eu ergui a cabeça, encontrando seus olhos. Não queria admitir, mas ele tinha razão.
Eu devia ter sido mais cuidadosa.

— E Tom? Você acha que ele é melhor? — perguntei, a voz baixa, quase um
sussurro.

Mattheo franziu o cenho.

— Tom não é confiável. Nenhum deles é. Você devia ficar longe desses jogos.

A tensão cresceu no ar, a mistura de frustração, ciúmes e desejo se tornando quase


palpável.

Eu me levantei, me aproximei dele, sentindo o calor dele mesmo a poucos


centímetros de distância.

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— Talvez eu goste desses jogos — murmurei, provocativa.

Ele ficou imóvel por um momento, depois os dedos dele tocaram meu rosto,
deslizaram pelo meu cabelo.

— Você me deixa louco, Arabella.

E então, como se fosse inevitável, os lábios dele encontraram os meus.

[Ponto de vista: Mattheo]

Eu não conseguia parar de pensar naquilo.

Cedrico, Arabella, aquela festa — tudo girava na minha cabeça como um turbilhão.

Ela me olhou com aquele jeito desafiador, e de repente toda a raiva e o ciúme se
transformaram em algo diferente, mais intenso.

Quando ela se aproximou, eu quase perdi o controle.

Meus dedos traçaram o contorno do rosto dela, depois deslizaram para o pescoço,
sentindo a pele quente sob a minha mão.

— Você sempre quer me provocar, não é? — murmurei contra os lábios dela.

Ela sorriu contra o meu beijo, e eu deixei as mãos descerem pela cintura, apertando
de leve.

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As palavras ficaram para trás. Tudo que importava eram os toques, os beijos, aquela
mistura de raiva e desejo que nos consumia.

Tentávamos ignorar o que estava acontecendo entre nós, mas não dava.

Cada beijo, cada mão boba, cada suspiro nos aproximava mais — mesmo quando
não queríamos admitir.

[Ponto de vista: Arabella]

A discussão que começou como uma tentativa de confronto se transformou naquela


coisa estranha e linda entre nós.

Beijos roubados, mãos explorando, o calor crescendo.

Eu sabia que havia um muro entre nós — feito de orgulho, medo e palavras não
ditas.

Mas, por enquanto, podíamos simplesmente existir naquele espaço, naquele


momento.

Sem precisar nomear o que sentíamos.

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[Ponto de vista: Mattheo]

Eu queria dizer tudo o que sentia.

Mas as palavras ficavam presas na garganta.

Então eu deixava que meus gestos falassem.

E ela respondia do mesmo jeito.

Nós dois sabíamos que aquilo era só o começo — de algo que poderia ser lindo, ou
devastador.

Mas, por enquanto, bastava sentir.

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Capítulo 19 – Nem Tão Sem Compromisso
[Ponto de vista: Arabella]

— VOCÊ O QUÊ?! — Gina quase gritou, fazendo Hermione arregalar os olhos.

— Shhh! — tentei acalmá-las, sentando na cama. — Eu... beijei o Mattheo. Mais de


uma vez.

Hermione apertou os olhos, pensativa.

— Isso muda muita coisa. Você gosta dele?

— Não — respondi rápido demais. — Não é assim. A gente só... tá se pegando. Sem
nada sério.

Gina cruzou os braços, desconfiada.

— Isso nunca termina bem.

— Eu sei o que estou fazendo — menti.

Elas trocaram olhares como quem diz “não sabe nada”, mas felizmente mudamos de
assunto logo para a Operação Ginny, que estava a todo vapor. Gina corava cada
vez que via Harry, e ele parecia cada vez mais perdido, mas menos apaixonado por
Cho, o que já era uma vitória.

Quando desci para acompanhar a primeira prova do Torneio Tribruxo, a tensão era
tão forte que doía no estômago. Cedrico parecia concentrado, Tom estava confiante
demais, e os outros campeões estavam prontos para enfrentar o desafio.

E Mattheo? Estava encostado na parede, me observando com aquele sorriso torto.

Naquela noite, no dormitório, ele me puxou pelo braço assim que a porta fechou
atrás de nós.

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— Vem cá. — A voz baixa, o olhar escuro.

— O que foi?

Ele não respondeu. Só me empurrou suavemente contra a parede e me beijou.

Foi intenso. Quente. Como sempre.

Meus dedos enroscaram no cabelo dele, enquanto as mãos dele exploravam minha
cintura como se fosse território dele.

— Isso... isso não é nada sério, né? — murmurei, entre um beijo e outro.

— Óbvio que não. — A boca dele estava colada no meu pescoço. — Só estamos
nos divertindo.

— Isso. Só diversão. — Arfei quando ele me prensou ainda mais contra a parede.

Eu não fazia ideia de que a porta não tinha sido trancada.

[Ponto de vista: Mattheo]

Ela dizia que era só diversão.

Mas quando os lábios dela estavam nos meus, quando ela gemia baixinho contra
minha boca, quando os olhos dela fechavam como se eu fosse tudo que importava...

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...não parecia só isso.

Eu não ia admitir. Nem morto.

Mas aí aconteceu.

Estávamos no meio daquele beijo quando a porta abriu. Cedrico.

Arabella estava de costas pra ele, completamente entregue.

Mas eu vi.

E fiz questão de encará-lo nos olhos.

Minha mão segurou com força a cintura dela, minha boca desceu para o pescoço, e,
sem tirar os olhos dele, sussurrei contra a pele dela:

— Você sabe que eu te quero inteira pra mim, né?

Cedrico congelou.

Eu sorri. Devagar. Malicioso.

Arabella se arrepiou com o beijo, mas nem percebeu que não estávamos mais
sozinhos.

— Você não faz ideia do quanto eu pensei nisso — continuei, ainda encarando
Cedrico. — Desde aquela noite... só consigo imaginar sua boca dizendo meu nome.

Ele ainda estava ali. E eu ainda não parei.

— Você adora quando eu te pressiono assim, né? — minha mão subiu pela coxa
dela. — Quando eu te faço esquecer o mundo.

Arabella gemeu baixinho e me puxou pra mais perto.

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Foi cruel. Foi proposital. Eu queria que Cedrico visse. Que soubesse.

Se alguém vai vencer... vai ser eu.

Cedrico fechou a porta. Devagar. Sem fazer barulho.

Arabella nem notou.

Mas eu ouvi os passos dele indo embora.

E beijei ela com ainda mais força.

[Ponto de vista: Arabella]

A primeira prova do Torneio Tribruxo parecia durar uma eternidade, mas nada era
mais sufocante do que a maneira como Cedrico se recusava a olhar em minha
direção.

Ele fingia que eu não existia.

Nem um aceno. Nem um “boa sorte”. Nem um olhar.

Nem um único olhar.

Durante toda a manhã, minha cabeça fervilhava com perguntas e arrependimentos.


Será que ele viu? Ele viu... claro que viu. A porta estava destrancada. Eu estava com
Mattheo. Beijando ele. De novo. Sentindo ele. Como se fosse normal.

E eu quis. Quis tanto que meu corpo queimava só de lembrar.

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E isso era um problema enorme.

Porque eu ainda estava tentando entender o que sentia por Cedrico... e por Mattheo.

Mas agora, Cedrico estava me ignorando como se eu fosse nada. E isso machucava.
Mais do que eu queria admitir.

A prova foi intensa. Dragões. Labirintos. Feitiços. Tudo que normalmente me faria
sentir viva, mas tudo o que eu sentia era o gelo no olhar que ele não me dava.

Quando tudo acabou, corri atrás dele pelos corredores, finalmente o encontrando
atrás da estufa.

– Cedrico! – gritei, ofegante. – Você vai me ignorar pra sempre?

Ele parou. O maxilar trincado. O olhar carregado de raiva.

– O que você quer que eu faça? Que finja que não vi você com ELE?

– Não era assim... – comecei, mas ele me cortou.

– Não era assim? Tava de costas pra mim, Arabella. MAS EU VI! Vi a porra da sua
língua dentro da boca dele!

– Não fala assim comigo. A culpa não é só minha!

– A culpa é toda sua! Você me iludiu! Me chamou pra sair, me fez acreditar que tava
diferente...!

– Você também tava com outras! – gritei. – Você nunca me prometeu nada. Nem eu
pra você!

Cedrico se aproximou, o rosto colado ao meu. Seu olhar tremia.

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– Eu devia... – ele rosnou. – Eu devia te...

Ele levantou a mão.

Mas ela nunca chegou ao meu rosto.

[Ponto de vista: Mattheo]

Vi tudo. E por tudo, quero dizer: cada segundo daquela palhaçada patética.

Arabella correndo atrás de Cedrico. Cedrico gritando. Cedrico ameaçando. Cedrico


levantando a mão.

Mas ninguém. NINGUÉM encosta um dedo nela.

Apareci por trás, tirei a capa de invisibilidade, e com um único movimento acertei um
soco direto na cara dele, fazendo Cedrico cair no chão da estufa como o fraco que
sempre foi.

Ele cuspiu sangue.

Arabella gritou meu nome.

– TÁ MALUCO, MATTHEO?! – ela correu até nós, mas eu continuei encostado,


olhando pra baixo.

– Eu te dou uma chance de levantar, Diggory. Uma só.

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Cedrico se arrastou, com o orgulho ferido e o nariz sangrando.

– Você acha que ela vai escolher você? Um idiota obcecado e ciumento?

Sorri com desprezo.

– Não é minha culpa se só o meu toque faz ela estremecer. – Olhei fixamente pra
ele. – E se toda vez que você encosta nela... ela fecha os olhos e imagina a minha
boca.

Arabella prendeu a respiração. Cedrico parecia pronto pra pular em mim.

Mas continuei:

– A verdade, Cedrico, é que o que você tem aí entre as pernas não é suficiente nem
pra uma lembrança. E se ela quis você alguma vez, foi pra me esquecer. Pena que
nem fodendo ela conseguiu.

Cedrico tentou levantar de novo, mas Arabella se colocou entre nós.

– Chega! – ela gritou. – Eu não sou um troféu, porra! Nenhum de vocês tem o direito
de me tratar assim!

Ficamos os três em silêncio.

Cedrico limpou o sangue e foi embora, sem olhar pra trás.

Arabella ficou ali, me encarando. Os olhos brilhando com algo entre ódio, raiva e...
desejo?

Ela virou as costas e saiu correndo.

E eu fiquei parado, olhando pra onde ela tinha ido, com a respiração pesada.

Porque no fundo, no fundo...

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Ela era a única que conseguia fazer meu peito doer desse jeito.

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Capítulo 20 — Minha cicatriz
Ponto de vista: Arabella

Quando entrei no dormitório, não esperava encontrar Mattheo naquele estado. Ele
estava encostado na parede, o rosto fechado, os olhos queimando de raiva e
frustração. Machucados no queixo e no braço denunciavam a briga que acabara de
ter.

— Mattheo? — chamei, hesitante.

Ele me lançou um olhar pesado, mas não disse nada.

— Deixa eu te ajudar com isso — insisti, me aproximando devagar.

Ele bufou, mas deixou que eu chegasse perto. Tirei a jaqueta dele, revelando os
cortes e arranhões que precisavam de cuidados.

Enquanto limpava os machucados, senti o cheiro forte dele, uma mistura de suor e
algo que sempre me deixava um pouco tonta. Ele fechou os olhos, entregando-se ao
toque suave das minhas mãos.

— Por que você não me chamou antes? — perguntei, tentando manter o tom leve.

— Queria lidar sozinho — murmurou, irritado.

— Você não precisa ser tão durão o tempo todo — insisti, tocando o rosto dele com
delicadeza.

Ele abriu os olhos, presos aos meus, e por um momento o silêncio entre nós falou
mais do que qualquer palavra.

De repente, ele puxou meu rosto para perto do dele, nossos lábios se encontrando
em um beijo que era ao mesmo tempo desesperado e cheio de desejo contido.

— Você sempre aparece quando eu menos espero — sussurrou Mattheo entre os

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beijos.

— E você, quando mais preciso — respondi, sorrindo contra a boca dele.

Nossas mãos começaram a explorar, leves, tímidas no começo, depois com mais
vontade.

— Eu não devia estar fazendo isso — ele disse, interrompendo o beijo, ofegante.

— Eu também não — admiti, com um sorriso provocativo.

A tensão no ar era palpável. Mesmo com os machucados, a presença dele perto de


mim era como fogo.

— Quer que eu pare? — perguntou Mattheo, com um olhar que misturava dúvida e
desafio.

— Não — respondi, segurando o rosto dele.

E então, sem pressa, nossos lábios se encontraram de novo, mais intensos, mais
profundos.

Ponto de vista: Mattheo

O barulho da porta do dormitório me fez ficar alerta. Era Arabella. Entrei em modo
automático — tentei manter a raiva e a frustração trancadas, mas quando ela chegou
perto, toda aquela fachada começou a ruir.

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Ela foi prática, pegou a minha jaqueta e começou a limpar os machucados. Eu não
sabia se devia ficar incomodado ou grato, então apenas deixei que ela fizesse o que
quisesse.

O cheiro dela, o toque das suas mãos, o jeito como ela olhava para mim... tudo isso
mexeu comigo de um jeito que eu tentava ignorar há tempos.

Quando ela terminou, me olhou com aqueles olhos sinceros, e eu só consegui


pensar que ela era a única coisa que fazia sentido naquele caos.

Sem pensar, puxei seu rosto e beijei com vontade. Talvez fosse a raiva da briga, a
tensão acumulada, mas eu precisava sentir ela ali, comigo.

Ela tentou recuar, disse que a gente não devia, mas nem eu acreditei no que dizia.

Senti as mãos dela explorando, e meu corpo respondeu sem pedir permissão.

— Eu não deveria estar aqui, não com você — murmurei contra os lábios dela.

— Nem eu — respondeu, e um sorriso travesso apareceu.

Mesmo assim, resisti a empurrá-la para a cama, controlando o impulso.

Mas não podia negar que queria mais. Queria tudo com ela, mas não sabia como
admitir.

— Quer que a gente pare? — perguntei, buscando uma resposta que talvez nem
quisesse ouvir.

— Não — foi a resposta, simples e direta.

Nosso beijo virou promessa, desafio e consolo. E por um momento, tudo o que
importava era ela, só ela.

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