0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações4 páginas

Prazo para Mandado de Segurança por Omissão

O documento discute a questão do mandado de segurança em casos de omissão de autoridade, destacando que o prazo para impetrar esse recurso começa a contar a partir do término do prazo legal para a prática do ato administrativo. O Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria, negar provimento ao recurso de mandado de segurança, considerando que a omissão da autoridade não impede o curso do prazo de decadência. A decisão enfatiza a necessidade de que a Administração Pública atue dentro dos prazos legais estabelecidos para evitar a violação de direitos dos cidadãos.

Enviado por

Pedro De Bonnis
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações4 páginas

Prazo para Mandado de Segurança por Omissão

O documento discute a questão do mandado de segurança em casos de omissão de autoridade, destacando que o prazo para impetrar esse recurso começa a contar a partir do término do prazo legal para a prática do ato administrativo. O Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria, negar provimento ao recurso de mandado de segurança, considerando que a omissão da autoridade não impede o curso do prazo de decadência. A decisão enfatiza a necessidade de que a Administração Pública atue dentro dos prazos legais estabelecidos para evitar a violação de direitos dos cidadãos.

Enviado por

Pedro De Bonnis
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Em matéria de segurança, o contrôle reunidas e por maIorIa de votos, de-

judicial a possibilitar sentença de co- negar a segurança.


nhecimento favorável, só se manifesta Niterói, 10 de dezembro de 1968 -
lidimo quando o ato incriminado afron- BRAGA !.AND, preso - ÁRY FONTENELI..J:.
ta a lei e macula direito incontestável relator - ITABAIANA DE OLIVEIRA, ven-
do postulante. cido - Participaram do julgamento,
com vetos vencedores, os Des. NEWTON
Do ilegal não é possivel defluir di-
QUINTELA, NAVEGA CRE"1'ToN, FELfCIO
reito adquirido, que só se entende quan-
PANZA, MARTINS DE ALMEIDA, ÁDMÁRlO
do arrimado na lei.
MENDONÇA, GoNÇALVES DA FONTE, ABEY-
Frente do exposto: Acorda o Tribu- LARD GoMES, RONALD DE SOUZA e NIOO-
nal de Justiça do Estado, em Câmaras LAU MARY JÚNIOR.

MANDADO DE SEGURANÇA - OMISSÃO - DECADÊNCIA


O prazo para impetrar mandado de seguran~a, no caso
de omissão de autoridade, começa a correr da data em que
terminou o período l~al para a prática do ato administra-
tivo.
SUPREMO TRmUNAL FEDERAL
Maria de Lourdes Matos Giovanini l1erBUB Secretário de Educação do Estado
Recurso de mandado de segurança n.o 18.387 - Relator: Sr. Ministro
BARROS MONTEIRO

ACÓRDÃO ço de oito anos, embora não tenha o


curso de administração escolar. É que
Vistos, relatados e discutidos êstes a Lei n.o 2.610, de 8.1.62 - Código de
autos, acordam os Ministros da Primei- Ensino Primario, ao invés de revogar
ra Turma do Supremo Tribunal Fe- a referida Lei n.o 1.219, respeita e revi-
deral, em conformidade com a ata do gora as situações por ela criada e ins-
julgamento e notas taquigráficas, negar tituídas, declarando, no seu art. 230,
provimento ao recurso, por maioria de que "o disposto no art. 229 não pre-
votos. judica a situação das professôras de-
Brasflia, 9 de setembro de 1968. - signadas para o exercicio de funções
Victor NUM. Presidente - Barro. Mon- gratificadas, no regime da legislação
teiro, Relator. anterior", conforme já decidiu o Supre-
mo em acórdão publicado no Minas Ge-
RELATÓRIO rais, de 14.4.66".
Assim, exercendo há mais de oito anoS
o Sr. Ministro Barro. Monteiro - a função gratificada de Diretora de
Sr. Presidente: Grupo Escolar, requereu ao Sr. Secre-
Alega d. MARIA DE LOURDES MATOS tário da Educação do Estado, a 15.3.66,
GIOVANINI, que o art. 1.° da Lei. minei- a sua efetivação naquele cargo. Até 13
ra n.:> i.219, de 3.2.55, manda efetivar de dezembro daquele ano, entretanto,
como diretora de grupo escolar ou de data em que foi ajuizado o pedido de
escolas reunidas a normalista que esti- fl. 2, não foi decidido o seu requerimen-
ver no exercicio desta função por espa- to, quando é certo que, ao que dispõe u

181
art. 193, parágrafo único, do Estatuto quando tal se verificasse, não existiria
dos }<'uncionários Públicos, seu pedido mais coação.
deveria ter sido despachado no prazo "Assim, a continuidade da omissão na
de cinco dias e decidido dentro de trin- espécie não impede o curso de prazo
ta dias improrrogáveis. Como a omissão de decadência, cujo comêço é conhecido.
do Secretário lesa direito líquido e cer- O acórdão do ego Tribunal Federal
to seu, pede que se lhe conceda segu- de Recursos invocado pela impetrante
rança e se insira o título de efetivação e pelo Dr. Subprocurador Geral tam-
em seu título, no aludido cargo de Di- bém não contraria êsse entendimento,
retora de Grupo Escolar. tanto que faz distinção entre atos que
Solicitadas informações, prestou-as o dependem de requerimento da parte e
impetrado, suscitando, em preliminar, atos que a autoridade deve praticar ex
ter sido o pedido ajuízado depois de olficio. No primeiro caso, a omissão se
extinto o direito à impetração, desde caracteriza no momento em que a auto-
que já havia se verificado o decurso do ridade, provocada, deixa de praticá-los.
prazo de cento e vinte dias da data da Já no segundo, diz - "enquanto a au-
omissão contra a qual se reclama. toridade não os executa, verifica-se
Pelo acórdão de fI. 35, deixaram as omissão contínua, não havendo falar em
Câmaras Civis Reunidas do ego Tribu- prfzo de decadência para impetração da
nal de Justiça de Minas Gerais de co- segurança" (Arq. Jud. 115/235). 1; que
nhacer da segurança, para isso acolhen- aí não se tem, realmente, um ponto de
partida para contagem do prazo.
do a preliminar levantada pela autori-
dade impetrada. Ora, na hipótese sub judice, se o re-
querimento de efetivação foi apresen-
São êstes os fundamentos em que se tado no dia 15.3.66, conforme alegou e
apóia essa decisão:
provou a impetrante, o prazo para a
"A requerente alega, com apoio do autoridade decidi-lo terminou no dia 15
Dr. Subprocurador-Geral, que, em se de abril e, para a impetração da segu-
tratando de ato omissivo, não há falar rança, no dia 15 de agôsto. No entanto,
em prazo de decadência do direito à esta última somente foi protocolada no
impetração. De fato, em tal hipótese, Tribunal em 13 de dezembro."
não se tem, muitas vêzes, o dies a quo Incollformada, contra essa decisão in-
para contagem do referido prazo. Con- terpôs a requerente o recurso ordiná-
tudo, se nem sempre isso acontece, não rio de fI. 37, pleiteando conheça o Su-
se pode erigir aquela alegação em nor-. premo Tribunal Federal do pedido e o
ma de caráter geral. No caso dos autos, defira, para o efeito de lhe ser reco-
por exemplo, trata-se, inegàvelmente, de nhecido o direito pleiteado.
ato omissivo. A autoridade recebeu o re- O parecer da ilustrada Procuradoria-
querimento de efetivação da impetran- Geral da República é no sentido do pro-
te e não o despachou, não o decidiu, vimento do apêlo, a fim de que, devol-
permanecendo nessa atitude indefinida- vido os autos à instância a quo, seja
mente. Mas, se tinha 30 dias, improrro- apreciado o mérito da impetração.
gáveis, para fazê-lo (parágrafo único Tenho como feito o relatório.
do art. 193 do Estatuto dos Funcioná-
rios), data do término dêsse prazo o
inicio da omissão, que é o ato impugna- VOTO
do, uma vez que o mérito do pedido não
chegou a ser apreciado, e a partir dai o Sr. Ministro Barros Monteiro (Re-
se contam os 120 dias marcados na lei lator·) - Sr. Presidente:
à requerente para usar do remédio he- Ao meu ver, afiguram-se-me inata-
róico. Não haveria motivo para se cáveis os fundamentos em que se apóia
aguardar a cessação da omissão, pois, o acórdão recorrido, pois, data 1JenÜJ,

282
não vejo como não possa correr o prazo da decadência em face de ato omIssI-
de decadência quando se trata de ato vo de autoridade administrativa. Em
omissivo, tendo a autoridade prazo legal princípio, a conduta omissiva da au-
para a prática do ato. toridade não contém o marco inicial
Como bem adverte AGRICOLA BARBI, do prazo de decadência. Contudo, ex-
se marca a lei prazo para a prática do cepcionalmente, a omissão pode gerar
ato, após o decurso dêsse prazo começa um marco inicial de lesividade a di-
a omissão a violar o direito do impe- reito da parte interessada. Assim,
trante. Logo, a contar do fim daquele como ocorre in casu, o decurso do pra-
prazo começou a ilegalidade por omis- zo de 30 dias, improrrogável (pará-
são, d€'vendo-se daí contar o prazo de grafo único, do art. 193, do Estatuto
120 dias para ingresso em juízo (Do dos Funcionários), para o despacho
Ma/ndado de Segurança, 2.8 ed., nota ao da petição da requerente, sem que a
n.n.o 174, p. 19). autoridade o proferisse, importa num
indeferimento tácito. Até findar-se o
VISTA aludido prazo, como é óbvio, não se
iniciava o de decadência. SOmente com
o Sr. Ministro Diaci Falcão - Sr. o término dos 30 dias, improrrogáveis,
Presidente, peço vista dos autos. é que se tem o dies a quo para a con-
tagem dos 120 dias previstos no art.
EXTRATO DA ATA 18 da Lei de Mandado de Segurança.
Se por ventura não houvesse um
RMS 18.387 - MG - Rel., Minis- prazo certo para que a autoridade
tro BARROS MONTEIRO. Recte., MABIA competente se pronunciasse sôbre o
DE LoURDES MATOS GIOVANINI. (Adv., pedido da parte interessada, a situa-
ERASMO BARROS DE F. SILVA). Recor- ção realmente seria outra, haveria
rido, Secretário de Educação do Es- uma omissão contínua, sem abrir en-
tado. sejo ao marco inicial do prazo de de-
Decisão: Adiado pelo pedido de vis- cadência. Todavia, quando a lei mar-
ta do Sr. Ministro DJ'ACI FALCÃo, após ca prazo improrrogável para despacho
o voto do Relator que negava provi- de petIção, o seu transcurso sem qual-
mento. quer manifestação da autoridade admi-
Presidência do Sr. Ministro VICTOR nistrativa corresponde ao indeferimen-
NUNES, na ausência do Sr. Ministro to; começando daí o prazo de deca-
LAFAYm'TE DE ANDRADA, Presidente. dência, decorrente da omissão lesiva
Presentes à sessão, os Srs. Ministros ao direito alegado.
OSWAlOO TRIGUEIRO, DJ'ACI FALCÃo, Como precedentes, guardando idên-
BARROS MONTEIRO e o Dr. OSCAR CoR- tico escólio, encontrei os seguintes jul-
RtA PINA, Procurador-Geral da Repú- gados desta Côrte:
blica, substituto. "Ementa: Decadência de mandado
de segurança. Ato omissivo. Esgotado
VOTO o prazo legal (art. 7.° da Lei de Li-
cença Prévia, n.o 842, de 410.49),
o Sr. Ministro Diaci Falcão - O para a autoridade administrativa de-
mandado de segurança como ação es- cidir a espécie começa a correr o pra-
pecial contra a violação de direito li- zo de 120 dias, para impetrar man-
quido e certo deve ser proposto com dado de segurança contra ato omissi-
presteza, dentro do prazo continuo e vo. Desprovimento do recurso". (recur-
improrrogável de 120 dias (art. 18, so de mandado de segurança n. 2.866.
da Lei n.o 1.533). Relator o Sr. Ministro RIBEIRO DA
Na espécie, o recurso gira em tarno COSTA, decisão llDânime em sessão

!8!J
plena realizada a 27.7.55, in Arqui- Funcionários contenha dispositivo equi-
110 Judiciário, 116/291). valente ao que estamos examinando.
"Extingue-se o direito de pedir Também, já tem decidido o Tribu-
mandado de segurança, depois de pas- nal - êste é um aspecto lateral dOI
sados 120 dias consecutivos ao venci- problema - que a Administração po-
mento do prazo em que deveria ser de despachar processo, no mérito, re-
dada a decisão na instância adminis- levando a prescrição administrativa.
trativa" recurso de mandado de segu- Em suma, a razão principal do meu
rança n.o 2.187, Relator o Senhor voto é que a Administração Pública
Ministro HANEMANN GUIMARÃES, de- não é tão perfeita e expedita como se
cisão unânime em sessão plena reali- presume, implicitamente, nos prece-
zada a 14.9.53, in O Processo Civil dentes indicados. Se todos os funcio-
à Luz da Jurisprudência, v. XIX, nários, ao término do prazo marcadOt
n.o 20.055-A, p. 709-710). no Estatuto Federal, ou em leis esta-
No caso o requerimento de efetiva- duais, tiverem de ingressar desde logo·
ção da impetrante no cargo de Dire- em Juízo, por omissão da autoridade,.
tora de Grupo Escolar foi apresenta- os tribunais ficarão irremediàvelmen-
do a 15.3.66, terminando o prazo te congestionados. E a decadência, em
para despacho a 14 de abril seguinte. tal caso, será uma pena imposta a<>
Diante a omissão da autoridade admi- particular por falta cometida pela
nistrativa, a 13 de agôsto terminou Administração.
o prazo para a impetração do writ. Em nome da realidade burocrática
Entretanto, êste sõmente foi ajuizado do Brasil e pela impossibilidade de
a 13 de dezembro, quando já se ha- transferir a responsabilidade da Ad-
via consumado a decadência. ministração para o particular, inter-
Pelo exposto, acompanho o eminen- preto êsse dispositivo de modo mais.
te Ministro Relator, negando provi- favorável aos funcionários que tive-
ment.o ao recurso. rem de pleitear seus direitos na via.
judicial. É justo que êles prefiram
VOTO aguardar, mesmo além do prazo, o
pronunciamento da autoridade admi-
O Sr. Ministro Victor Nunes (Pre- nistra tiva .
Bidente) - Peço vênia para divergir
dos eminentes Ministros Relator, D,u- EXTRATO DA ATA
CI FALCÃO e OSWALDO TRIGUEIRO, bem
como dos citados precedentes do Su- RMS 18.387 - MG - Rel., Minis-
premo Tribunal. tro BARROS MONTEIRO. Recte., MARIA.
O transcurso do prazo marcado à DE LoURDES MATOS GIOVANINI (advo-
Administração para despachar proces- gado, ERASMO BARROS DE F. SILVA).
sos aure ao interessado a oportunida- Recdo., Secretário de Educação do Es-·
de de recorrer às vias judiciais. Mas tado.
não me parece, em tal hipótese, que Decisão: Negado provimento contra
resulte para êle a obrigação de vir a o voto do Presidente.
Juízo, sob pena de decair do seu di- Presidência do Sr. Ministro VICTOR.
reito. NUNES, na ausência justificada do Se-o
Esta conseqüência seria contra a nhor Ministro LAFAYm'TE DE ANDRADA,
realidade da vida administrativa bra- Presidente. Presentes à sessão os Se-
sileira. Temos julgado numerosos ca- nhores Ministros OSWALDO TRIGUEIRO,
sos em que a solução administrativa, DJ' ACI FALCÃO, BARROS MONTEIRO e o-
sobretudo quanto a funcionários, de- Dr. OSCAR CORR~A PINA, Procurador--
mora meses, embora o Estatuto dos Geral da República, substituto.

284

Você também pode gostar