Notas de Aula: Álgebra Linear
Notas de Aula: Álgebra Linear
a çã
Álgebra Linear
or
Notas de Aula
ab
Diego Sebastián Ledesma
el
Atualizado 17/09/2023
Em
o
a çã
or
ab
el
Em
The structure of the book is a modification of the "Legrange Orange Book"wich is a Latex template model
obtained at [Link] as and licensed under the Creative Commons Attribution-NonCommercial 3.0
Unported License ( [Link]
o
Conteúdo
a çã
or
1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
ab
I Espaços Vetoriais
3 Espaços vetoriais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
el
3.1 Subespaço 28
3.2 Combinação linear 32
3.3 Soma de subespaços 35
3.4 Independencia linear. Base 36
Em
3.5 Coordenadas 45
3.6 Existência de Base 49
II Espaços Vetoriais
4 Transformações Lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
6 Operadores Lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
8 Autovalores e Autovetores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
III Espaços com Produto Interno
o
12 Projeção ortogonal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115
çã
14 Reflexão sobre um subespaço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125
a
or
ab
el
Em
o
1. Introdução
a çã
or
Este texto é composto por minhas notas de aula que utilizo para ministrar Álgebra Linear.
O material teórico tem como principais referências os livros
• H. Anton, C. Rorres, Algebra Linear com Aplicações, Bookman, 8va Edição.
• Flávio Ulhoa Coelho, Mary Lilian Lourenço - Um Curso de Álgebra Linear.
ab
• P. Pulino, Álgebra Linear e suas Aplicações, Notas de aula disponível em [Link]
pulino/ALESA/.
• C.A. Callioli, H.H. Domingues, R.C.F. Costa. Álgebra Linear e Aplicações. 6ª ed. revisada, Saraiva S. A.
Livreiros Editores, 2003.
• E.L. Lima. Álgebra Linear. 7ª ed, Coleção Matemática Universitária, IMPA, 2004.
el
e foi modificado e adapatado da forma que achei conveniente para o ministério das aulas.
O texto é de ajuda e guia sobre os tópicos que irei abordando ao longo do semestre com a maior quatidade
de detalhes que consegui. No entanto, recomendo fortemente que seja feita sempre uma comparação com as
fontes acima citadas.
Em aritmética básica, estudamos primeiramente os números naturais, depois os números racionais e irracio-
Em
nais, e junto com estes, os números reais. Em particular, são estudadas as operações básicas definidas entre os
números e suas propriedades.
Em seguida, passamos a estudar as funções. Começamos com as mais simples, da forma f : R → R ou seja,
funções lineares da forma f (x) = ax. Depois, introduzimos as funções quadráticas e outras, cada uma com seu
grau de complexidade.
Fazendo uma analogia, em geometria analítica, exploramos um novo conjunto de elementos matemáticos
que, de certa forma, generalizam os números. Esse novo conjunto é o dos vetores. Nessa disciplina, estudamos
as operações com vetores e, em particular, as aplicações à geometria. Em álgebra linear, vamos estudar o
conjunto dos vetores como uma estrutura algébrica.
Vale destacar que, ao estudarmos os números naturais, incluímos esses números no conjunto dos números
inteiros. Eles se comportavam de forma similar e satisfaziam uma série de propriedades. Observamos, por
exemplo, que o conjunto dos números racionais contém o conjunto dos inteiros, mas nem todas as propriedades
satisfeitas pelos racionais são satisfeitas pelos inteiros. Portanto, as estruturas algébricas dos dois conjuntos são
diferentes.
Em álgebra linear, vamos considerar os vetores em um conjunto que respeita uma estrutura algébrica: os
espaços vetoriais. Veremos que, assim como acontece com os conjuntos numéricos, nem todos os espaços
vetoriais são iguais e, para isso, vamos procurar uma forma de diferenciá-los e, pela qual, possamos classificá-los.
6 Capítulo 1. Introdução
Em seguida, estudaremos as funções mais básicas que ocorrem entre os espaços vetoriais (assim como a
função f (x) = ax para os números). Essas são as mais simples e respeitam a estrutura dos espaços vetoriais e
são chamadas de transformações lineares.
No meio do caminho, teremos que utilizar outro objeto que estudamos em geometria analítica: as matrizes.
Embora não sejam o foco principal da disciplina, as matrizes desempenham um papel importante na álgebra
linear. Elas são uma representação conveniente e poderosa de certas estruturas algébricas, especialmente de
transformações lineares e sistemas de equações lineares. As matrizes permitem manipular e resolver esses
problemas de maneira eficiente.
Em resumo, a álgebra linear fornece uma base teórica para diversas áreas da matemática e tem aplicações em
muitos campos da ciência e da engenharia. O estudo da álgebra linear abrange muito mais do que será tratado
o
nesta disciplina. Aqui, apenas forneceremos os fundamentos do tópico.
Vamos agora percorrer esse caminho com alguns exemplos.
çã
■ Exemplo 1.1 Considere as equações de movimento de uma partícula uniformemente acelerada no plano, em
particular para a posição temos
x = x0 + vt
y = y0 + vt.
a
Podemos escrevé-las, na linguagem matricial, comoor
x − x0 1
= vt
y − y0 1
Aqui podemos pensar (x − x0 , y − y0 ) como sendo um vetor deslocamento. Agora, o deslocamento se dá numa
direção fixa, que é paralela ao vetor v = (1, 1). Podemos rotacionar nosso sistema de coordenadas de forma tal
ab
que a descrição do movimento da partícula se simplifique. Se (u, v) denota o sistema de coordenadas rotacionado
!
√1 √1
u 2 2 x
= 1 1
v − √2 √2 y
el
Temos que
!
√1 √1 √
u − u0 2 2 x 1
= = 2vt
v − v0 − √12 √1
2
y 0
Então, neste novo sistema de coordenadas temos que a equação de movimento é descrita por
Em
√
u = u0 + 2vt
v = v0 .
■ Exemplo 1.2 Considere duas masas m1 , m2 conectadas por molas como na figura. onde k é a constantes das
molas conectadas com a parede e κ a constante da mola entre as masas.
Denotemos por x o deslocamento da masa m1 do ponto de equilibrio, e por y o deslocamento da masa m2 do
ponto de equilibrio.
Se movimentamos a masa m1 do equilibrio temos uma força
F1 = −kx
F2 = −κ(x − y)
7
m1 ẍ = F1 + F2 = −(k + κ)x + κy
m2 ÿ = −(k + κ)y + κx
Temos assim que as variáveis do sistema (x, y) medem um deslocamento, portanto são um elemento de R2
(que é um espaço vetorial). Por outro lado (ẍ, ÿ) é um vetor asociado a aceleração e é, portanto, um elemento que
assume valores R2 (que também é um espaço vetorial). Embora os dois lugares onde os vetores estão pareçam o
o
mesmo eles, na verdade são espaços diferentes. Mais ainda, há uma função que associa a cada vetor delocamento
um vetor aceleração e é dada pela expressão
çã
−(k + κ)x + κy −(k + κ)y + κx
(ẍ, ÿ) = , .
m1 m2
Veremos depois que essa função é o que se conhece como transformação linear.
Como dizemos antes, a linguagem matricial simplifica o tratamento dos objetos. Podemos escrever este
a
sistema, na linguagem matricial, como
d2 x
−(k + κ)/m1 x
2
dt y
=
κ/m2
κ/m1
−(k + κ)/m2
or
y
é simétrica. Do que aprendemos em geometria analítica, Sabemos que existe uma matriz diagonal
ω1 0
ω=
el
0 ω2
Então
p
−2(k + κ) ± 4(k + κ)2 − 4((k + κ)2 − κ 2 ) (k + κ) ± κ (k + 2κ) k
x= = ⇒ ω1 = − , ω2 = − .
2m m m m
Calculamos U, para isto, escolhemos ω1 e resolvemos
u 0
(Ω − ω1 I) 1 =
u2 0
isto é
κ/m κ/m u1 0 1
= ⇒ (u1 , u2 ) = √ (1, −1).
κ/m κ/m u2 0 2
8 Capítulo 1. Introdução
Portanto
1 1 1
U=√
2 −1 1
Com isto, nossa equação fica
d2 x
1 1 1 ω1 0 1 −1 x
=
dt 2 y 2 −1 1 0 ω2 1 1 y
o
d2 1
1 1 x ω1 0 1 1 −1 x
√ = √
dt 2 2 −1 1 y 0 ω 2 2 1 1 y
çã
Chamamos
u 1 1 −1 x
=√ .
v 2 1 1 y
a
Então, podemos escrever
d2 u
ω1 0 u ü = ω1 u
= ⇒ .
dt 2 v
Portanto
0 ω2 v
or
v̈ = ω2 v
r ! r
(k + 2κ) κ
u = u0 cos t + φ0 v = v0 cos t + φ1
ab
m m
Estes u e v são os chamados modos normais de oscilação do sistema A solução do sistema será obtida ao fazer
q q
u0 (k+2κ) v0 κ
x = 2 cos t
√ + φ 0 + √ cos t + φ 1
x 1 1 1 u m 2 m
el
=√ ⇒ q .
y 2 −1 1 v
q
y = − √u02 cos t (k+2κ)m + φ 0 + v0
√
2
cos t κ
m + φ 1
■ Exemplo 1.3 Suponha que você é um analista financeiro responsável por um portfólio de investimentos
Em
composto por duas ações, A, B. Os retornos diários dessas ações são denotados por xi e yi para i = 0, 1, . . .,
respectivamente. e a evolução das ações são dadas em função de uma "recorrência"da seguinte forma
Assuma que temos um capital inicial que distribuimos por x0 para a ação A e y0 para a ação B, denote por
u0 = (x0 , y0 ). Então, para o primeiro dia teremos umcapital u1 = (x1 , y1 ) dado por
34 12
x1 = x0 + x0 − y0
25 25
12 41
y1 = y0 − x0 + y0
25 25
No segundo dia, teremos um capital
34 12
x2 = x1 + x1 − y1
25 25
12 41
y2 = y1 − x1 + y1
25 25
E assim, de forma geral, se vi = uTi temos
para
34
− 12
R= 25 25
12 41
− 25 25
o
O coeficiente R22 representa a taxa de crescimento (ou decrescimento) do retorno da ação B em relação ao
seu próprio retorno.
çã
Assim, temos que
v1 = v0 + Rv0
v2 = v1 + Rv1 = (I + R)2 v0
v3 = v2 + 2Rv2 = (I + R)3 v0
a
.. .. ..
. . .
vn = (I + R)n v0
Queremos saber:
or
• Como podemos determinar a direção privilegiada na qual o portfólio tende a crescer?
• Dado um conjunto de valores iniciais x(0) e y(0), como podemos calcular os retornos das ações A e B em
ab
um determinado período de tempo n?
• Com base nos retornos calculados, como podemos avaliar se o portfólio teve um crescimento equilibrado
ou se houve uma direção privilegiada em relação aos retornos das ações?
Como a matriz R é simétrica, utilizamos o que aprendimos em geometria analítica. Diagonalizamos a matriz.
Para isso, calculamos primeiramente os autovalores
el
34
− 12
−x
det 25 25 = x2 − 3x + 2 ⇒ x = 1, 2.
− 12
25
41
25 − x
9
− 12
34
− 12
−1
25 25 u 0 25 25 u 0 1
= ⇒ = ⇒ w1 = (4, 3)
− 12
25
41
25 − 1 v 0 − 12
25
16
25 v 0 5
Então,
Mais ainda, se
v0 = w1
10 Capítulo 1. Introdução
Temos
(I + R)n w1 = U T (I + D)nUw1
n
1 4 −3 2 0 4 3 4
=
125 3 4 0 3 −3 4 3
n
1 4 −3 2 0 1
=
5 3 4 0 3 0
2n 4
n
1 4 −3 2
= = = 2n w1
5 3 4 0 5 3
o
De forma similar, se
v0 = w2 ⇒ (I + R)n w2 = 3n w2 .
çã
Agora, se nossa estratégia é da forma
4a + 3b −3a + 4b
v0 = (a, b) = w1 + w2
5 5
a
No n−ésimo paso nossos investimentos serão da forma
vn = (I + R)n v0
=
4a + 3b
5
n
(I + R) w1 +
−3a + 4b
5
or
(I + R)n w2
n n
2 (4a + 3b) 3 (−3a + 4b)
= w1 + w2
5 5
ab
E o dinheiro que teremos na conta será dado por
n n
2 (4a + 3b) 7 3 (−3a + 4b) 1
Cn = +
5 5 5 5
a b
7 · 2n+2 − 3n+1 + (21 · 2n + 4 · 3n ) .
el
=
25 25
Então, como para n grande temos que
temos que v0 ̸= (a, 0) para ganhar dinheiro. O máximos será quando o investimento seja na forma v0 = (0, b).
De fato, por exemplo, observamos que, se investimos na forma v0 = (1, 0) então no 6 paso teremos que
1517 1596
vn = ,−
5 5
ou seja,
79
C6 = − ,
25
e estaremos perdendo dinheiro.
■
■ Exemplo 1.4 Assuma que temos uma população de rapossas e galinhas. Denotamos por Ri à quantidade de
raposas no tempo ti = i δt e por Gi à quantidade de galinhas em ti .
Assuma que as raposas, sem a presença de galinhas para se alimentar, vão morrer, portanto número de
raposas será menor com o paso do tempo e teremos, por exemplo que
Fj+1 = 0, 7Fj .
11
Se há interção entre as raposas e as galinhas temos que, por exemplo, o número de raposas irá aumentar em
função da quantidade de galinhas que consigam comer, portanto teremos que
7 4
Fj+1 = Fj + G j
10 10
Por outro lado, podemos assumir que a população de galinhas, sem a presença das raposas, cresce a um ritmo
constante proporcional ao número de galinhas
12
G j+1 = G j.
10
Mas, com a presença das raposas, teremos que a população vai diminuir a um ritmo proporcional ao número de
o
raposas −aR j . temos então que
12 1
G j+1 = G j − Fj .
çã
10 10
Teremos assim que evolução do número de Raposas e Galinhas pode ser descrito por uma equação da forma
G j+1 = 12 1
10 G j − 10 Fj
12 1
Gj 10 − 10
⇒ se x j = A= 4 7 .
Fj
a
4 7 10 10
Fj+1 = 10 G j + 10 Fj
Podemos assim descrever a evolução como uma equação em termos da população inicial
x j+1 = Ax j = A2 x j−1 = A j+1 x0 .
or
Em particular observamos que se
j
1 11
x0 = ⇒ x j+1 =
ab
x0
1 10
e tanto o número de raposas e galinhas vão aumentar com o tempo. Por outro lado, se
j
1 8
x0 = ⇒ x j+1 = x0
4 10
el
Então se
j
(b − a) 8 j 1
a (4a − b) 11 1
x0 = ⇒ x j+1 = +
b 3 10 1 3 10 4
Em função disso, e modificando a e b vamos a poder estudar como vai ser a evolução do número de galinhas e
raposas para todo j.
Observamos aqui que a chave para fazer toda essa análise esteve no fato de ter achado
1 11
x0 = tal que Ax0 = x0
1 10
e
1 8
x0 = tal que Ax0 = x0 .
4 10
Estudar éste tipo de problemas, seu tratamento, e tentar generalizá-lo para casos em mais de n−variáveis é o
conteúdo desta disciplina.
■
Em
el
ab
or
açã
o
I
Espaços Vetoriais
o
a çã
or
ab
el
Em
3 Espaços vetoriais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
3.1 Subespaço
3.2 Combinação linear
3.3 Soma de subespaços
3.4 Independencia linear. Base
3.5 Coordenadas
3.6 Existência de Base
Em
el
ab
or
açã
o
o
2. Revisão de Matrizes e Sistemas Lineares
a çã
Um sistema linear é um conjunto de equações da forma
or
a11 x1 + a12 x1 + · · · + a1n xn = b1
a21 x1 + a22 x2 + · · · + a2n xn = b2
ab
(1) .. ,
.
am1 x1 + am2 x2 + · · · + amn xn = bm
onde os ai j ′ s e b j ′ s são números em R. Neste caso, chamamos a este conjunto de equações de sistema linear de
m equações com n incognitas.
el
b1 = b2 = · · · = bm = 0,
isto é,
a11 x1 + a12 x1 + · · · + a1n xn = 0
Em
a21 x1 + a22 x2 + · · · + a2n xn = 0
.. ,
.
am1 x1 + am2 x2 + · · · + amn xn = 0
Procuramos então um método prático para achar ou garantir a existência de soluções para sistemas lineares.
Podemos reescrever o sistema (1) em notação matricial como
AX = B,
onde
a11 a12 ... a1n x1 b1
a21 a22 ... a2n x2 b2
A= X = B= .
.. .. .. .. .. ..
. . . . . .
am1 am2 . . . amn xn bn
Um método para determinar soluções de sistemas lineares é o método de Gauss-Jordan que que passamos a
descrever:
16 Capítulo 2. Revisão de Matrizes e Sistemas Lineares
o
. . . . | .
am1 am2 . . . amn | bm
çã
ii- Faça operações elementares na matriz até levar a parte correspondente a A na sua forma escalonada
reduzida
M̃ = [D|B̃].
iii- Resolva, se possível, DX = B̃
a
iv- O conjunto solução de DX = B̃ é igual ao conjunto solução de AX = B.
Dado um sistema linear da forma AX = B, ao aplicarmos o método de Gauss-Jordan para resolvé-lo, podemos
chegar nos seguintes casos.
or
Caso 1. O sistema tem solução. Depois de aplicar as operações elementares sobre a matriz [A|B] temos que
a matriz resultante [D|B̃] não admite linhas da forma (0 · · · 0|k) com k ̸= 0.
Neste caso o sistema pode ter uma única solução ou infinitas soluções dependendo da matriz escalonada
reduzida D.
ab
A-) Se a matriz escalonada reduzida não tem colunas sem pivôs então ela é da forma
1 · · · 0 | b˜1
.. . . .. .
. . . | ..
0 · · · 1 | b˜n
0 ··· 0 | 0 .
el
.. .
. · · · .. | 0
0 ··· 0 | 0
O sistema, neste caso tem solução única, e igual a
b˜1
Em
S = ... .
b˜n
B-) Se a matriz D tem colunas sem pivôs então há mais variáveis do que equações e portanto existem variáveis
que podem assumir valores arbitrários. Por exemplo fica uma matriz da forma
1 0 0 0 · · · 0 | b˜1
0 1 0 0 · · · 0 | b˜2
0 0 0 1 · · · 0 | b˜3
.. .. .. . . .. ..
. . . . . | .
0 0 0 0 · · · 1 | b˜k .
0 0 0 ··· 0 0 | 0
0 ··· ··· ··· ··· 0 | 0
. . .. .. .. .. ..
.. .. . . . . | .
0 ··· ··· ··· ··· 0 | 0
para k < n. Neste caso temos infinitas soluções.
17
Caso 2. O sistema não tem solução. Depois de aplicar as operações elementares sobre a matriz [A|B] temos que
a matriz resultante [D|B̃] admite linhas da forma (0, · · · , 0|k) com k ̸= 0. Neste caso fica uma equação da forma
0 = k ̸= 0,
o que constitui uma contradição.
o
3x + y − z = 1
çã
1 1 1 | 1 1 1 1 | 1
1 0 −1 | 2 ℓ3 − ℓ1 → ℓ3 1 0 −1 | 2
−−−−−−−−→
3 1 −1 | 1 2 0 −2 | 0
1 1 1 | 1
ℓ3 − 2ℓ2 → ℓ3 1 0 −1 | 2 .
a
−−−−−−−−−→
0 0 0 | −2
Assim, o sistema equivalente obtido é
x + y + z = 1
x − z = 2 ,
or
0 = −2
Construimos
1 1 1 | 1 1 1 1 | 1
M̃ = 1 −1 1 | 1 ℓ2 − ℓ1 → ℓ1 0 −2 0 | 0
−−−−−−−−→
1 1 −1 | 0 1 1 −1 | 0
Em
1 1 1 | 1 1 1 1 | 1
1
ℓ3 − ℓ1 → ℓ3 0 −2 0 | 0 − ℓ2 → ℓ2 0 1 0 | 0
−−−−−−−−→ 2
0 0 −2 | −1 −−−−−−−→ 0 0 −2 | −1
1 1 1 | 1 1 0 1 | 1
1
− ℓ3 → ℓ3 0 1 0 | 0 ℓ1 − ℓ2 → ℓ1 0 1 0 | 0
−−−−−−−−→
−−2−−−−−→ 0 0 1 | 12 0 0 1 | 12
1 0 0 | 12
ℓ1 − ℓ3 → ℓ1 0 1 0 | 0 .
−−−−−−−−→
0 0 1 | 21
O sistema equivalente fica
x = 12
y = 0 .
z = − 12
O conjunto soluçao é
S = {(1/2, 0, −1/2)}
18 Capítulo 2. Revisão de Matrizes e Sistemas Lineares
o
4. ) Se temos um sistema em que matriz aumentada fica
1 2 0 4 0 | 1
çã
0 0 1 3 0 | 0 x + 2y + 4w = 1
0 0 0 0 1 | 1 ⇒ z + 3w = 0 .
0 0 0 0 0 | 0 v = 1
0 0 0 0 0 | 0
Temos infinitas soluções. Mais ainda o conjunto solução é
a
S = {(1 − 2y − 4w, y, −3w, w, 1) , y, w ∈ R} .
or ■
Em particular quando tratarmos de um sistema linear homogenêo, o caso 2 nunca acontece. Pois o sistema
sempre tem solução, de fato a solução trivial (todas as entradas nulas) sempre é solução.
Um outro tópico que precisamos relembrar é a inversa de uma matriz.
ab
Definição 2.1 Uma matriz quadrada A de tamanho (n × n) é dita invertível se existe uma matriz B tal que
AB = BA = In .
Assim, aplicando simultáneamente o método de Gauss-Jordan para resolver todos estes sistemas lineares
temos um algoritmo para achar a inversa de uma matriz. A seguir o descrevemos: Seja A uma matriz invertível
dada por
a11 a12 · · · a1n
a21 a22 · · · a2n
A= . .. .
.. . .
.. . . .
an1 an2 · · · ann
o
a11 a12 · · · a1n | 1 0 ··· 0
a21 a22 · · · a2n | 0 1 ··· 0
çã
[A|In ] = .. .. . . .. .
.. .. . . .
. . . .. | . . . .
an1 an2 · · · ann | 0 0 ··· 1
ii- Faça operações elementares até levar [A|In ] na sua forma escalonada reduzida.
a
1 0 · · · 0 | b11 b12 · · · b1n
0 1 · · · 0 | b21 b22 · · · b2n
.. .. . . ..
. .
.
. . | ..
.. . .
.
.
. ..
or
.
0 0 · · · 1 | bn1 bn2 · · · bnn
iii- A matriz
ab
b11 b12 · · · b1n
b21 b22 · · · b2n
B= .
.. .. . . .
. . . ..
bn1 bn2 · · · bnn
el
É a inversa de A.
Obs. A matriz pode não ser inversível. Nesse caso, ao aplicar o algoritmo de Gauss-Jordan, do lado onde estava a
matriz A, em algum paso aparece uma fileira nula. Isto acontece pois, como explicamos acima, no podemos
Em
Por Gauss-Jordan
.. ..
1 0 0 . 1 0 0 1 0 0 . 1 0 0
ℓ52 → ℓ2 1 0 0
.. ..
0 5 0 . 0 1 0 −−−−−−→ 1 ⇒ A−1 = 0 15 0
0 1 0 . 0
2 0
.. .. 0 0 16
ℓ3
0 0 6 . 0 0 1 6 → ℓ3 0 0 1 . 0 0 16
−−−−−−→
20 Capítulo 2. Revisão de Matrizes e Sistemas Lineares
o
−1 2 2 . 0 0 1 −1 2 2 . 0 0 1
.. ..
çã
0 6 3 . 1 0 2 0 0 0 . −1 0 0
2ℓ3 + ℓ1 → ℓ1 0 −3 3 ... −1 1 0 2ℓ2 + ℓ1 → ℓ1 .
0 −3 3 .. −1 1 2
−−−−−−−−−−→ −−−−−−−−−−→
.. .
−1 2 2 . 0 0 1 −1 2 2 .. 0 0 1
a
ℓ1 . ..
9 → ℓ1 1 .. −1 2 2 −1 2 2
0 0
−−−−−−→ 9 9 9 0 0 1 . 9 9 9
ℓ2 . 2ℓ2 + ℓ3 → ℓ3 0 1 −1 ...
−3 → ℓ2
0 1 −1 .. 1 −1 1 −1
0 0
−−−−−−→
ℓ3 → ℓ3
−−−−−−→
.
1 −2 −2 ..
3
0
or3
0 −1
−−−−−−−−−−→
1 0 −4 ..
. 2
3
3
3
−2
3 1
. .
0 0 1 .. −1
9
2
9
2
9 1 0 0 .. 2
9 9
2 −1
9
ℓ2 + ℓ1 → ℓ2
ab
−−−−−−−−−→ .. .
2 −1 2 ℓ3 ↔ ℓ1
1 0 .. 2 −1 2
ℓ3 + 4 × ℓ1 → ℓ3 0 1 0 . 9 −−−−→ 0
9 9 9 9 9
−−−−−−−−−−−−→ . .
0 0 1 .. 2
9
2
9
−2
9 0 0 1 .. −1
9 9
2 2
9
2 2 −1
el
9 9 9
−1 −1
2 2
A =
9 9 9
−1 2 2
9 9 9
Em
• A matriz pode não ser inversível. Nesse caso, ao aplicar o método de Gauss-Jordan, do lado onde estava a
matriz A, em algum paso aparece uma fileira nula.
2 2 0
A = 1 −4 −1
0 5 1
Por Gauss-Jordan
.. ..
2 2 0 . 1 0 0 2 2 0 . 1 0 0
.. ..
1 −4 −1 . 0 1 0 ℓ2 − ℓ21 → ℓ2
0 −5 −1 . 0 1 0
.. −−−−−−−−−→ ..
0 5 1 . 0 0 1 0 5 1 . 0 0 1
..
2 2 0 . 1 0 0
.
0 0 0 .. ⇒ A não é invertível.
ℓ2 + ℓ3 → ℓ2 0 1 0
−−−−−−−−−→
.
0 5 1 .. 0 0 1
21
As vezes, não precisamos determinar a inversa de uma matriz, mas o fato dela ser ou não invertível. Nessa
direção aparece a teoria de determinantes.
Se n > 1 e A é uma matriz em M(n × n) denotamos por A(i| j) a matriz em M((n − 1) × (n − 1)) que é obtida
de A apagando-se a linha i e a coluna j. Isto é, se
a11 · · · a1 j−1 a1 j a1 j+1 · · · a1n
.. .. .. .. .. .. ..
. . . . . . .
o
ai−11 · · · ai−1 j−1 ai−1 j ai−1 j+1 · · · ai−1n
A= ai1 · · · ai j−1 ai j ai j+1 · · · ain
ai+11 · · · ai+1 j−1 ai+1 j ai+1 j+1 · · · ai+1n
çã
.. .. .. .. .. .. ..
. . . . . . .
an1 ··· an j−1 an j an j+1 ··· ann
então
a
a11 · · · a1 j−1 a1 j+1 ··· a1n
.. .. .. .. .. ..
. . . . . .
ai−11 · · · ai−1 j−1 ai−1 j+1
A(i| j) =
ai+11 · · · ai+1 j−1 ai+1 j+1
.. .. .. ..
or · · · ai−1n
· · · ai+1n
.. ..
.
. . . . . .
an1 · · · an j−1 an j+1 · · · ann
ab
Para todo n a função det : M(n × n) → R definida por
det((a)) = a se n = 1
n
det(A) = ∑ (−1)i+ j Ai j (det(A(i| j)) se n > 1,
el
i=1
é chamado de determinante da matriz A.
Teorema 2.1 1. det(I) = 1.
2. det(At ) = det(A).
3. Se A é uma a matriz triangular superior de tamanho n × n então
Em
a11 a12 a13 · · · a1n
0 a22 a23 · · · a2n
det(A) = det 0
0 a33 · · · a3n = a11 a22 · · · ann .
.. .. . . ..
. . . .
0 0 0 · · · ann
det(B) = λ det(A).
det(B) = − det(A).
7. Se B é uma matriz obtida a partir de adicionar uma linha de A um múltiplo escalar de outra linha de A,
22 Capítulo 2. Revisão de Matrizes e Sistemas Lineares
então
det(B) = det(A).
Utilizando utilizar as propriedades acima, podemos elaborar um algoritmo para calcular determinantes, que
passamos a descrever:
• Seja A uma matriz quadrada.
• Faça sobre A, operações elementares para transformar A numa matriz triângular inferior ou triangular
superior.
• Em cada operação elementar aplicada denote por Ai para a matriz obtida ao fazer a i−ésima operação
elementar. Seja Am a matriz triângular obtida depois de fazer a última operação elementar.
o
• Calcule o determinante de Am multiplicando os elementos da diagonal e, em função das propriedades de
determinante listadas acima, calcule o determinante de A.
çã
Temos assim as seguintes equivalências para matrizes quadradas.
A é invertível ks +3 A ∼ In
KS KS
det(A) ̸= 0 ks +3 AX = B tem solução única
a
■ Exemplo 2.3 •
1
2
2
2
3
3
4
4
5
5
or
1
2
2
2
3
3
4
4
5
5
ℓ5 − ℓ4 → ℓ5 A2 =
A=
3 3 3 4 5 −−−−−−−−→ 3 3 3 4 5
4 4 4 4 5 4 4 4 4 5
5 5 5 5 5 1 1 1 1 0
ab
1 2 3 4 5
2 2 3 4 5
ℓ4 − ℓ3 → ℓ3 A3 = ℓ3 − ℓ2 → ℓ3
3 3 3 4 5
−−−−−−−−→ −−−−−−−−→
1 1 1 0 0
el
1 1 1 1 0
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
2 2 3 4 5
1 0 0 0 0
A4 = 1 1 0 0 0 ℓ2 − ℓ1 → ℓ2 A5 = 1 1 0 0 0 .
−−−−−−−−→
1 1 1 0 0 1 1 1 0 0
Em
1 1 1 1 0 1 1 1 1 0
Observamos que
det(A) = det(A2 ) = det(A3 ) = det(A4 ) = det(A5 )
Calculando o determinante de A5 segundo a última coluna temos
1 0 0 0
1 1 0 0
det(A5 ) = (−1)1+5 × 5 × det
1 1 1 0 +0 = 5
1 1 1 1
Então det(A) = 5 ̸= 0 e, portanto, A é invertível.
• Achar os valores de x que tornam a matriz invertível.
1 0 1 0 1 0 1 0
1 1 x 1 ℓ2 − ℓ4 → ℓ2 0 0 x−1 0
A= 0 1 1 x ℓ3 − ℓ4 → ℓ4 B1 =
−1 0 0 x−1
1 1 1 1 −−−−−−−−−→ 1 1 1 1
23
1 0 1 0 1 0 1 0
0 0 x−1 0 0 1 0 1
ℓ4 − ℓ1 → ℓ4 B2 =
−1
ℓ2 ↔ ℓ4 B3 =
−−−−−−−−−→ 0 0 x−1 −−−−−−→ −1 0 0 x−1
0 1 0 1 0 0 x−1 0
1 0 1 0
0 1 0 1
ℓ3 ↔ ℓ4 B4 =
−−−−−−→ 0 0 x−1 0
−1 0 0 x−1
Como B será invertível se B4 for, calculamos o determinante de B4 , utilizando a fórmula a partir da terceira
o
linha e obtemos
1 0 0
1 = (x − 1)2 .
çã
det(B4 ) = (x − 1) det 0 1
1 0 x−1
a
or
ab
el
Em
Em
el
ab
or
açã
o
o
3. Espaços vetoriais
a çã
or
Definição 3.1 Um corpo é uma tripla (F, +, ×) onde F formada por um conjunto de elementos (chamados
escalares) F munido de duas operações
a) a operação soma (+), que para quaisquer dois elementos a, b de F assocía um novo elemento de F, que
chamamos de soma de a e b e que denotamos por a + b,
ab
b) a operação produto (×), que para cuaisquer dois elementos a, b de F assocía um novo elemento de F
que chamamos produto de a e b e que denotamos por a × b,
e que satisfazem as seguintes propriedades para todo a, b, c em F
1) Comutatividade: a + b = b + a
2) Associatividade: a + (b + c) = (a + b) + c
el
3) Existe um único elemento 0, chamado de elemento nulo, em F tal que a + 0 = a para todo a ∈ F
4) para cada elemento a de F existe um elemento em F, que denotamos por (−a), tal que a + (−a) = 0
5) Comutatividade: a × b = b × a
6) Associatividade: (a × b) × c = a × (b × c)
7) Existe um único elemento 1, 1 ̸= 0, em F tal que a × 1 = a para todo a em F
8) Para cada a ∈ F, a ̸= 0 existe um único elemento em F, que denotamos por a−1 , tal que a × a−1 = 1
Em
9) Distributividade: a × (b + c) = a × b + a × c.
■ Exemplo 3.1 1. (Z, +, ×) onde + e × são a soma e o produto usual, não é um corpo,.
2. (R, +, ×), (C, +, ×) e (Q, +, ×) , onde + e × são a soma e o produto usual, são corpos.
3. (Z p , +, ×) com p primo, onde + e × são a soma e o produto nos conjuntos Z p , é um corpo.
■
Definição 3.2 Seja k um número inteiro não negativo. Um corpo é dito de caracteristica k se a soma de k
vezes o número 1 é igual a 0.
Em particular para um corpo de característica 0 a soma arbitraria de 1 nunca é igual a 0.
Definição 3.3 Um espaço vetorial sobre um corpo F, é uma tripla (V, +, ·) formada por um conjunto de
elementos (chamados vetores) V e duas operações
a) a operação soma (+), que para quaisquer dois elementos α, β de V assocía um novo elemento de V
que chamamos soma de α e β e que denotamos por α + β ,
b) a operação produto por escalar (·), que para cualquer elemento a de F e α de V assocía um novo
26 Capítulo 3. Espaços vetoriais
α + (−α) = O.
o
7) Distributividade escalar: a · (α + β ) = a · α + b · β
8) Distributividade vetorial: (a + b) · α = a · α + b · α
çã
De agora em diante não faremos mais a distinção entre os produtos e somas envolvidos nos espacco vetorial e no
corpo subjacente. Cada operação é feita segundo corresponda e deixamos essa distinção a cargo do leitor.
Proposição 3.1 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial. Então, para cada α ∈ V temos
• O elemento neutro O é único e, para cada α ∈ V temos 0 · α = O,
a
• para cada α ∈ V temos que o elemento inverso (−α) é único é igual a (−α) = (−1) · α.
• a·O = O
• a · α = O então a = 0 ou α = O.
Demonstração.
or
• Seja β um outro elemento tal que α + β = 0 para todo α ∈ V. Em particular, pela
propriedade que define 0 e β temos que
O = O+β = β.
ab
Por outro lado, dado α ∈ V temos, da propriedade distributiva, que
0 · α = (0 + 0) · α = 0 · α + 0 · α
Portanto
el
O = −(0 · α) + 0 · α = −(0 · α) + 0 · α + 0 · α = O + 0 · α = 0 · α.
Então 0 · α = O.
• Seja β um inverso de α. Então
Em
α +β = O
⇒ (−1) · α + α + β = (−1) · α + O
⇒ (−1) · α + 1 · α + β = (−1) · α
⇒ (−1 + 1) · α + β = (−1) · α
⇒ O+β = (−1) · α
⇒ β = (−1) · α.
De onde também segue a unicidade.
• Observamos que para todo β ∈ V temos
Portanto a · O = O.
• Assuma que a · α = O. Se a ̸= 0 então existe a−1 . Portanto
α = a−1 · a · α = a−1 · O = O.
■
27
Neste texto o corpo F, embora escrito de forma genérica, deve ser sempre ser considerado como
F = R ou F = C, a menos que seja indicado explícitamente.
■ Exemplo 3.2 1. Os espaços Fn das n-uplas sobre um corpo qualquer F (em particular R, ou C), isto é,
V = {α = (x1 , . . . , xn ), xi ∈ F, ∀i = 1 . . . n}
com as operações
α + β = (x1 + y1 , . . . , xn + yn )
o
onde β = (y1 , . . . , yn ), e
çã
a · α = (a × x1 , . . . , a × xn ).
em particular F com a multiplicação e o produto do corpo é um espaço vetorial. Neste caso, o elemento
neutro é O = (0, . . . , 0) e o elemento inverso de
a
α = (x1 , . . . , xn ) ⇒ −α = (−x1 , . . . , −xn ).
or
2. Observar que ser espaço vetorial depende da definição das operações. De fato, por exemplo, o conjunto F2
com as seguintes opeações: dados al pha = (x1 , x2 ) e β = (y1 , . . . , yn ), e a ∈ F temos
α + β = (x1 + y1 , x2 + y2 )
ab
a · α = (a × x1 , 0).
Observamos que não é espaço vetorial pois, por exemplo, se α = (1, 1) então
1 · α = (1, 0) ̸= α.
el
3. O espaço
a11 · · · a1m
.. . . .
M (n × m, F) = . . , a ∈ i = 1 . . . n, j = 1 . . . m
. . ij F,
an1 · · · anm
Em
isto é, o espaço das matrizes m × n sobre o corpo F (onde m e n são inteiros) com as operações
(A + B)i j = (Ai j + Bi j )
(a · A)i j = a × Ai j
formam um espalo vetorial. Neste caso, o elemento neutro é
0 ··· 0
O = ... . . . ...
0 ··· 0
e o elemento inverso de
a11 · · · a1m −a11 · · · −a1m
α = ... . . . .. ⇒ −α = ... .. .. .
. . .
an1 · · · anm −an1 · · · −anm
28 Capítulo 3. Espaços vetoriais
4. O espaço PFn [x], dos polinômios de grau menor ou igual a n ∈ N sobre o corpo F, isto é
b · p(x) = (b × a0 ) + (b × a1 )x + . . . + (b × an )xn
o
onde q(x) = b0 + b1 x + . . . + bn xn . Neste caso, o elemento néutro é o polinômio O(x) = 0 para todo x. O
elemento inverso de
çã
p(x) = a0 + a1 x + . . . + an xn ⇒ −p(x) = (−a0 ) + (−a1 )x + . . . + (−an )xn .
5. O conjunto dos numeros Reais R, Complexos C e Racionais Q com a soma e o produto usual são espaços
vetoriais.
6. Seja Ω um conjunto. Considere
a
F (Ω, R) = { f : Ω → R, f função}
or
Definimos a soma e produto por escalar como segue: Sejam f , g ∈ F (Ω, R) e a ∈ R
• f + g ∈ F (Ω, R) tal que ( f + g)(x) = f (x) + g(x) para todo x ∈ Ω.
• a · f ∈ F (Ω, R) tal que (a · f )(x) = a( f (x)) para todo x ∈ Ω.
Neste caso, o elemento néutro é a função nula O(x) = 0 para todo x ∈ Ω. O elemento inverso de f é a
ab
função − f tal que (− f )(x) = − f (x) para todo x ∈ Ω.
7. Em particular, quando Ω = N a função X : N → R é chamado de sequência. Neste caso, denotamos por
xn = X(n) e à sequência X = (xn )n∈N . O espaço vetorial (definido como no item anterior) é chamado de
espaço das sequências e denotado por ℓ = F (N, R).
Neste caso, o elemento néutro é a sequência O = {0}n∈N e o elemento inverso de (xn )n∈N é a sequfunção
el
√ √ √
(a1 + b1 2) + (a2 + b2 2) = (a1 + a2 ) + (b1 + b2 ) 2
√ √
q · (a + b 2) = (qa + qb 2) ∀ q ∈ Q.
é um espaço sobre Q.
■
3.1 Subespaço
Fixamos o espaço vetorial (V, +, ·) é o corpo F que, no nosso caso, pode ser R ou C.
Sabemos determinar quando um conjunto (V, +, ·) é um espaço vetorial. Seja W ⊂ V um subconjunto. Será
que, por W ser subconjunto de V ele herda a estrutura de espaço vetorial?
Observamos que, dados α, β ∈ W e a ∈ F temos
α +β ∈ V e a · α ∈ V.
Isto porque as operações, embora ainda que sejam feitas com elementos de V não necessáriamente o resultado
delas é um elemento de W.
3.1 Subespaço 29
W = {(x, y) ∈ R2 , x2 = y}
o
Por exemplo f (x) = 1 e g(x) = cos(πx) estão em W no entanto f + g não. De fato
çã
( f + g)(0) = 1 + cos(π0) = 2 e [( f + g)(1)]2 = (1 + cos(π1))2 = 0.
portanto f + g ̸∈ W.
■
a
Um subconjunto qualquer não necesáriamente herdará a estrutura de espaço vetorial, isto é, não será um
subespaço.
Formalizamos o conceito de subespaço vetorial
or
Definição 3.4 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre o corpo F. Um subespaço de V é um subconjunto W
de V tal que ao ser munido com as operações de soma e multiplicação por escalar herdadas de V se torna, ele
mesmo, um espaço vetorial sobre F.
ab
■ Exemplo 3.4 Um subconjunto de um espaço vetorial pode não ser subespaço; No entanto, nada impede que
ele admita uma soma e produto por escalar, diferentes de aqueles herdados, que o tornam um espaço vetorial.
Por exemplo, seja W ⊂ R2 dado por
⊕ : W × W → W (x, 1) + (y, 1) = (x + y, 1)
⊙ : R × W → W k ⊙ (x, 1) = (kx, 1)
que torna (W, ⊕, ⊙) um espaço vetorial sobre R com elemento neutro O = (0, 1) e para todo α = (x, 1) temos
que seu inverso é −α = (−x, 1).
■
Teorema 3.1 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F. Um subconjunto não vazio W de V é um
subespaço se, e somente se, para quaisquer dois vetores α e β em W e qualquer escalar a em F o vetor de
(a · α) + β de V está contido em W.
Demonstração. ⇒) Segue, da definição de subespaço, que para quaisquer dois vetores α e β em W e qualquer
escalar a em F o vetor
(a · α) + β ∈ W.
30 Capítulo 3. Espaços vetoriais
(a · α) + β ∈ W.
O = α + [(−1) · α] ∈ W.
Também, se α, β ∈ W e k ∈ F então
α +β = 1·α +β ∈ W e k · α = k · α + O ∈ W.
o
Com isto, temos que
1) Comutatividade: que α + β = β + α segue da hipótese e do fato de V ser espaço vetorial.
çã
2) Associatividade: α + (β + γ) = (α + β ) + γ também segue da hipótese e do fato de V ser espaço vetorial.
3) existe um elemento O em W, chamado vetor nulo, tal que α + O = α para todo α ∈ W segue do mostrado
acima e do fato de V ser espaço vetorial.
4) que para cada elemento α de W existe um elemento em W, que denotamos por (−α), tal que
a
α + (−α) = O.
segue da hipótese, da caracterização do elemento inverso −α como (−1) · α e do fato de V ser espaço
5)
vetorial.
or
Se 1 é a identidade do corpo então 1 · α = α segue da hipótese e do fato de V ser espaço vetorial.
6) Associatividade: (a × b) · α = a · (b · α) segue da hipótese e do fato de V ser espaço vetorial.
7) Distributividade escalar: a · (α + β ) = a · α + b · β segue da hipótese e do fato de V ser espaço vetorial.
ab
8) Distributividade vetorial: (a + b) · α = a · α + b · α segue da hipótese e do fato de V ser espaço vetorial.
■
Obs. Em alguns textos, aparece um resultado equivalente que se lê como segue: Seja (V, +, ·) um espaço vetorial
el
sobre um corpo F Um subconjunto não vazio W de V é um subespao̧ se, e somente se, para quaisquer dois
vetores α e β em W e qualquer escalar a em F temos que
• α +β ∈ W
• (a · α) ∈ W
Vejamos como isto facilida nosso trabalho de determinar que um conjunto é subespaço.
Em
W = {(x1 , . . . , xn ), x1 = 0}
3. Em M (n × n, mathbbC) o conjunto
H n = {A ∈ Cn×n , A = AT }
é um subespaço De fato a matriz nula está no conjunto e
[k · A + B]T = kAT + BT = kA + B
agora, pelo teorema 3.1, temos que W é subespaço.
4. Em PFn [x], n > 2 o subconjunto
W = {a0 + a1 x, a0 , a1 ∈ F}
o
é um subespaço. De fato, o polinômio p(x) = 0 ∈ W e para todo k ∈ F temos que
çã
(a1 + a2 x) + k · (b1 + b2 x) = (a1 + kb1 ) + (a2 + kb2 )x ∈ W.
Pelo teorema 3.1 temos que W é subespaço.
5. O conjunto das matrizes,
a 0
W= ∈ M (2 × 2, F), a, b ∈ F ,
a
0 b
é subespaço. De fato, para todo k ∈ F temos que
a 0
0 b
+k·
c 0
0 d
=
a + kc
0
or
0
b + kd
∈ W.
+2· = ̸∈ W.
1 b 1 d 3 b + 2d
Pelo teorema 3.1 temos que W não é subespaço.
7. Considere um sistema
a11 · · · a1n x1 0
Em
.. . . .. .. = ..
. . . . .
am1 · · · amn xn 0
A solução desse sistema pode ser vista como um elemento α = (s1 , . . . , sn ) ∈ Rn . Seja S o conjunto
solução do sistema acima. Vejamos que S é subespaço. Para isto, primeiramente observamos que
O = (0, . . . , 0) ∈ S pois o sistema é homogêneo. Seja
a11 · · · a1n
A = ... .. .. .
. .
am1 · · · amn
Se α, β ∈ S, isto é
Aα T = OT e Aβ T = OT ,
e λ ∈ R então γ = a · α + β ∈ S. De fato
Aγ T = aAα T + Aβ T = aOT + OT = OT
Portanto S é subespaço.
32 Capítulo 3. Espaços vetoriais
α ≡ β, mod W.
É simples ver que ”≡” define uma clase de equivalencia. (i.e. é uma relação binaria, regra, que é reflexiva,
simetrica e transitiva). As clases de equivalencia para um vetor qualquer α será denotada por
[α] ou α + W
e o espaço total das clases de equivalência derá denotado por V/W. Portanto dizemos que [α] = [β ] se
o
α ≡β
Se introduzirmos as operações + e · em V/W definidas por
çã
[α] + [β ] = [α +V β ] e c · [α] = [c ·V α]
para todos α e β em V e c em F não é dificil ver que elas estão bem definidas e que ((V/W), +, ·) é um
F-espaço vetorial.
■
a
Teorema 3.2 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F. A interseção de qualquer coleção de
subespaços de V é um subespaço de V.
or
Demonstração. Seja {Wi , i ∈ Λ} uma coleção de subespaços de V e considere
\
W= Wi .
ab
i∈Λ
Utilizamos o Teorema 3.1 para provar que W é subespaço. Seja α, β ∈ W e a ∈ F. Então, pelo fato de cada Wi
ser subespaço, temos que
(a · α) + β ∈ Wi ∀ i ∈ Λ.
el
β = a1 · α1 + · · · + an · αn .
Lema 3.1 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F e S ⊂ V uma coleção vetores de V. Considere
W = {β = a1 · α1 + · · · + an · αn , n ∈ N, αi ∈ S , ai ∈ F, i = 1 . . . n}.
isto é, o conjunto das combinações lineares finitas de elementos de S . Então W é subespaço que contém S .
Demonstração. Observamos que W é não vazio pois, por exemplo se α ∈ S temos que
α = 1 · α ∈ W,
por ser uma combinação linear de um numero finito de elementos de S , neste caso, de um elemento. Com isto
também mostramos que S ⊂ W.
Por outro lado, se α, β ∈ W então existem a1 , . . . , ak , b1 , . . . , br ∈ F e {α1 , . . . , αk , β1 . . . , βr } ⊂ S tais que
α = a1 · α1 + · · · + ak · αk e β = b1 · β1 + · · · + br · βr
3.2 Combinação linear 33
α + c · β = a1 · α1 + · · · + an · αn + (cb1 ) · β1 + · · · + (cbr ) · βr ∈ W
pois é combinação linear de finitos elementos de S . Agora, pelo teorema 3.1, temos que W é subespaço.
■
■ Exemplo 3.6 • Se S = {(−1, 1, 0), (1, 1, 1)} ⊂ R3 , um elemento típico do conjunto das combinações
lineares finitas de elementos de S é um elemento da forma
o
• Se S = {1 + xn , n ∈ N} ⊂ F (R, R), um elemento típico do conjunto das combinações lineares finitas de
elementos de S é um elemento da forma
çã
(a1 (1 + xn1 ) + · · · + ak (1 + xnk ) = (a1 + · · · + ak ) + a1 xn1 + · · · + ak xnk
a
Corolário 3.1 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F e S ⊂ V uma coleção vetores de V.
Sempre existe um subespaço W que contém S
or
Definição 3.6 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F e S uma coleção de vetores em V.
• O subespaço gerado por S é definido como a interseção de todos os subespaços de V que contem S .
Por convenção o conjunto 0/ gera {0}.
• S é um gerador de um subespaço W se o conjunto gerado por S é W.
ab
Denotamos por span{S } ao subespaço gerado por S .
Obs.
• Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F e S uma coleção de vetores em V, o subespaço
el
gerado por S é o menor subespaço que contém S . De fato, se W é um subespaço que contém S
então span{S } ⊂ W pois W será um dos conjuntos da interseção.
• Todo espaço vetorial tem um conjunto gerador, basta pegar todos seus elementos como S.
• Se S é um gerador de V então todo conjunto que contem S é gerador de V.
A definição de "gerador"e "subespaço gerado"está ali. No entanto queremos uma caracterização que seja
Em
mais útil para trabalhar e fazer contas. Podemos dar este tipo de caracterização utilizando o conjunto das
combinações lineares finitas.
Teorema 3.3 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F. O subespaço gerado por um subconjunto
não vazio S de V, span{S }, é o conjunto de todas as combinações lineares dos elementos de S .
Demonstração. Seja W = span{S}, isto é, a interseção de todos o subespaços que contém S e L o conjunto de
todas as combinações lineares dos elementos de S.
Se α ∈ L então, da definição de L e do teorema 3.1, α está em todo subespaço que contém S, de onde
α ∈ W.
Por outro lado como S ⊂ L e L , pela sua definição e pelo teorema 3.1, é subespaço temos que W ⊂ L . ■
■ Exemplo 3.7 • O conjunto dos polinômios PRn [x] é gerado pelo conjunto S = {1, x, . . . , xn }.
• Os vetores S = {(1, 1, 1), (1, 2, 1), (2, 0, 2)} geram um subespaço W ⊂ R3 . No entanto, este subespaço
não é R3 . De fato, se (a, b, c) é um elemento qualquer de R3 temos que (a, b, c) ∈ W se existirem a, y, z ∈ R
tais que
tem solução para quaisquer escolha de a, b, c. Mas, para que isso aconteça o determinante da matriz do
sistema teria que ser diferente de 0. No entanto
1 1 2
det 1 2 0 = 0
o
1 1 2
Por exemplo, neste caso, para a = 1, b = 0 e c = 0 o sistema não tem solução pois
çã
x + y + 2z = 1 e x + y + 2z = 0.
Teorema 3.4 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F e considere S1 = {α1 , . . . , αk } e S2 =
a
{β1 , . . . , βr } dois conjuntos de vetores tais que or
span{S1 } = span{S2 }.
Então, cada elemento de S1 pode ser escrito como combinação linear dos elementos de S2 e viceversa.
Demonstração. ⇒) Assuma que span{S1 } = span{S2 }. Pelo teorema 3.3 temos que cada elemento de S1
ab
pode ser escrito como combinação linear dos elementos de S2 e viceversa.
⇐) Assuma que cada elemento de S1 pode ser escrito como combinação linear dos elementos de S2 e
viceversa. Então, pelo teorema 3.3 temos que para todo α ∈ S1 temos que α ∈ span{S2 } e, portanto, qualquer
combinação linear dos elementos de S1 estará também em span{S2 }. Portanto, span{S1 } ⊆ span{S2 }.
Análogamente, span{S2 } ⊆ span{S1 }.
el
■ Exemplo 3.8 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial e W ⊂ V um subespaço. Quer saber como achar o conjunto de
geradores.
PAra isso, escrevemos como seria um elemento genérico e vemos como escrevélo como combinação linear
de alguns elementos fixos do espaço vetorial.
Em
W = {A ∈ M (3 × 3, R), AT = A}
e pode ser escrito como combinação linear de elementos fixos como segue
a b c 1 0 0 0 1 0 0 0 1
b d e = a 0 0 0 + b 1 0 0 + c 0 0 0
c e f 0 0 0 0 0 0 1 0 0
0 0 0 0 0 0 0 0 0
+d 0 1 0 + e 0 0 1 + f 0 0 0
0 0 0 0 1 0 0 0 1
3.3 Soma de subespaços 35
Então
1 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0
S = 0 0 0 , 1 0 0 , 0 0 0 , 0 1 0 , 0 0 1 , 0 0 0
0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1
o
subespaço. Veja por exemplo o seguinte exemplo.
■ Exemplo 3.9 Em R3 com a soma e produto por escalar canônicos considere
çã
W1 = {(x, y, z) ∈ R3 , y = z = 0} e W2 = {(x, y, z) ∈ R3 , x = z = 0}
e seja W = W1 ∪ W2 . Por exemplo α = (1, 0, 0) ∈ W1 e β = (0, 1, 0) ∈ W2 , no entanto
γ = α + β = (1, 1, 0) ̸∈ W,
a
pois γ ̸∈ W1 e γ ̸∈ W2 . Portanto W não pode ser subespaço. ■
Então dado (V, +, ·) um espaço vetorial e W1 , W2 , se queremos construir o menor espaço vetorial que
or
contém W1 e W2 como subespaços, vamos considerar o espaço gerado por W1 ∪ W2 . Seja então
W = span(W1 ∪ W2 ).
Como W1 e W2 são espaços vetoriais, um elemento genérico γ ∈ W poderá ser escrito como
ab
γ = a1 · α1 + · · · + ak · αk + b1 · β1 + · · · + br · βr = α + β .
| {z } | {z }
=α∈W1 =β ∈W2
Portanto, cada elemento γ ∈ W pode ser escrito como soma de elementos α ∈ W1 e β ∈ W2 . Em particular,
fazendo α = O ou β = O, vemos cada Wi ⊂ W é subespaço.
Esta construção pode ser generalizada como segue.
el
W = {β ∈ V, β = α1 + · · · + αn , αi ∈ Wi , i = 1 . . . n}
Em
Corolário 3.2 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F e W1 , . . . , Wn subespaços de V. Se a soma
Ln
dos espaços Wi for direta, então para cada β ∈ i=1 Wi existem únicos αi ∈ Wi tais que
β = α1 + · · · + αn .
Demonstração. É suficiente mostrálo para dois espaços.O caso geral segue por iterações do mesmo argumento.
Assuma que existem αi , γi ∈ Wi para cada i = 1, 2 tais que
β = α1 + α2 e β = γ1 + γ2 .
Então
(α1 − γ1 ) = −(αn − γn ) ∈ W1 ,
o que é uma contradição. ■
36 Capítulo 3. Espaços vetoriais
W1 = {(x, y, z) ∈ R3 , y = z = 0} e W2 = {(x, y, z) ∈ R3 , x = z = 0}
Então
W = {(x, y, z) ∈ R3 , z = 0}
o
• Considere em PR3 [x] os espaços
çã
W1 = {p(x) ∈ PR3 [x], p(0) = 0} e W2 = {p(x) ∈ PR3 [x], p(x) = 1 + x}
a
r(x) = a + (a + b)x + cx2 .
or
Observamos que, dependendo da escolha e b, a + b pode assuir qualquer valor. Portanto
Portanto
Portanto
Um vetor (a, b) pode ser escrito como combinação linear dos elementos de S de várias formas, por exemplo
ou
(−a + b)
o
(a, b) = 0 · (1, 2) + · (3, 6) + (−2a + b) · (−1, −1),
3
• Considere o espaço vetorial dos polinômios de grau até 2, denotado por PR2 [x]. Um conjunto gerador pode
çã
ser dado por:
S = {1, 1 + x, x2 − x, x}
Vamos mostrar que qualquer polinômio em PR2 (R) pode ser escrito como uma combinação linear dos
polinômios em S. Escolhemos um polinômio arbitrário, por exemplo, p(x) = ax2 + bx + c e observamos
que
a
p(x) = c · 1 + 0 · (1 + x) + (b + a) · x + a · (x2 − x).
U = {α1 , . . . , αn } ⊆ S ,
a1 · α1 + . . . + an · αn = O.
Em
Obs.
• Todo conjunto que contém o vetor nulo O é linearmente dependente. De fato, sempre podemos
escrever 1 · O = O.
• Seja S = {α1 , . . . , αn } um conjunto de vetores linearmente independente. Assuma que a1 , . . . , an são
escalares, não todos nulos, tais que
a1 · αi + · · · + an αn = O.
αn = (−a−1 −1
n × a1 ) · αi + · · · + (−an−1 × a1 )αn−1 .
Então S ′ = {α1 , . . . , αn−1 } gera o mesmo conjunto que S . Nesse sentido, o critério de independência
linear, é um critério de minimalidade.
38 Capítulo 3. Espaços vetoriais
o
para um α ∈ W qualquer sempre podemos escrever
α = a · (1, 1, 1) + b · (1, 2, 1) + c · (−2, 4, −2) = (a − 8c) · (1, 1, 1) + (b + 6c) · (1, 2, 1).
çã
e α estará sempre no espaço gerado por S ′ .
Vejamos agora que S ′ é linearmente independente. Para isto, vemos se existem escalares x, y, não todos
nulos, tais que
x · (1, 1, 1) + y(1, 2, 1) = (0, 0, 0).
a
Isto é equivalente a determinar soluções não nulas do sistema
1 1 0
1 2 x = 0 ⇒
1 1
y
0
x+y = 0
x + 2y = 0
or ⇒ x = 0 = y.
xk 0
a1n · · · akn
admite uma solução não trivial.
Em particular, se k = n então para mostrar que
S = {α1 = (a11 , . . . , a1n ), . . . , αn = (an1 , . . . ann )}
é linearmente independente, temos que ver se o determinante da matriz
a11 · · · an1
det ... . . . ... ̸= 0,
a1n · · · ann
pois, nesse caso, o sistema linear
a11 · · · an1 x1 0
.. . . .. .. = ..
. . . . .
a1n · · · ann xn 0
tem solução única, que é a solução nula.
3.4 Independencia linear. Base 39
• Sejam S = { f1 , . . . , fn } ⊂ F (R, R) tais que fi é diferenciável até ordem n. Queremos saber se o conjunto
S é linearmente independente. Queremos ver então se existem escalares a1 , . . . , an , não todos nulos, tais
que
a1 f1 + . . . an fn = 0.
Isto pode ser muito difícil de determinar, no entanto observamos que, se verivarmos a explessão acima n
vezes, teremos
a1 f 1 + . . . an f n = 0
a1 f1′ + . . . an fn′ = 0
a1 f1′′ + . . . an fn′′ = 0
o
.. .. ..
. . .
(n) (n)
a1 f1 + · · · + an fn = 0
çã
Portanto, se encontrarmos um valor de x0 tal que o sistema
a1 f1 (x0 ) + . . . an fn (x0 ) = 0
a1 f1′ (x0 ) + . . . an fn′ (x0 ) = 0
a1 f1′′ (x0 ) + . . . an fn′′ (x0 ) = 0
a
.. .. ..
. . .
(n) (n)
a1 f1 (x0 ) + · · · + an fn (x0 ) = 0
or
tenha solução única ai = 0 para todo i, teremos que o conjunto S é linearmente independente. Isto é
equivalente a mostrar que que a função Wronskiano
f1 (x) · · · fn (x)
f1′ (x) · · · fn′ (x)
ab
′′ ′′
W ( f1 , . . . , fn )(x) = f1 (x) · · · fn (x)
.. ..
. ··· .
(n) (n)
f1 (x) · · · fn (x)
seja diferente de 0 para algum x.
el
Corolário 3.3 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F. Um subconjunto S = {α1 , . . . , αk } é
linearmente independente se, e somente se, para toda combinação linear
a1 · α1 + · · · + ak · αk = 0.
Teorema 3.5 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F e S = {α1 , . . . , αn } um gerador de V.
Então todo conjunto linearmente independente de vetores de V é finito e não contém mais de n elementos.
β j = ∑ a ji · αi .
i
Portanto para qualquer α ∈ span{B} temos que existem escalares bi tais que
o
!
m m n n m
α = ∑ bi · βi = ∑ ∑ (bi ai j ) · α j = ∑ ∑ bi ai j ·αj
i=1 i=1 j=1 j=1 i=1
çã
Em notação matricial, se
a11 · · · a1n
.. .. ..
B = (b1 , . . . , bm ), A= . . .
a
am1 · · · amn
então, o termo
m
∑ bi ai j = [BA] j .
or
i=1
Observamos que, como A tem mais linhas do que colunas,AT tem mais colunas do que linhas. Então o sistema
ab
c1
homogêneo AT X = 0 admite uma solução não nula X0 = ... . Fazendo B = X0T temos que
cm
BA = (AT BT )T = (AT X0 )T = 0T
el
De onde o conjunto não pode ser linearmente independente. O que dá uma contradição. Portanto m ≤ n. ■
Lema 3.2 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F e S um conjunto linearmente independente de
V. Se β é um vetor em V que não pertence ao subespaço gerado por S então o S ′ = S ∪ {β } é linearmente
independente.
0 = a1 · α1 + · · · + an · αn + b · β
0 = a1 · α1 + · · · + an · αn
Corolário 3.4 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F que tem de dimensão finita. Para quaisquer
duas bases de V o número de elementos de são iguais.
Demonstração. Sejam B1 = {α1 , . . . , αn } e B2 = {β1 , . . . , βm } duas bases. Então, pelo teorema 3.5, temos que
n ≤ m e, análogamente m ≤ n, segue que n = m ■
o
Definição 3.10 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F que tem de dimensão finita. A dimensão
de V é a cardinalidade de uma base qualquer de V.
çã
■ Exemplo 3.13 a) O subconjunto
i
z}|{
S = ei = (0, . . . , 0, 1 , 0, . . . , 0) ∈ Fn , i = 1 . . . , n
a
gera o espaço vetorial Fn . De fato or
(a1 , . . . , an ) = a1 · e1 + · · · + an · en .
Mais ainda,
O(x) = a0 · 1 + a1 · x + · · · + an · xn
dn
0= O(x) = n!an ⇒ an = 0
Em
dxn
d n−1
0= O(x) = (n − 1)!an−1 ⇒ an−1 = 0
dxn−1
e assim seguindo, temos que todos os ai = 0. Portanto PFn [x] é um espaço vetorial de dimensão finita
igual a n.
• Seja S = {Ei j ∈ M (n × m, F), i = 1 . . . n, j = 1 . . . m} em que a matriz Ei j é a matriz cuja entrada na
posição i j é 1 e as entradas restantes são todas nulas. Claramente
a11 · · · a1m n m
.. . . .. =
. . . ∑ ∑ ai j · Ei j
i=1 j=1
an1 · · · anm
Portanto S gera e é linearmente independente. Portanto é base de M (n × m, F). De onde segue que a
dimensão de M (n × m, F) é n · m.
■
Agora cabe a pergunta, se o espaço vetorial (V, +, ·) é de dimensão finita. Como construímos uma base?
42 Capítulo 3. Espaços vetoriais
É fácil ver que S é linearmente independente. No entanto S não gera R4 . De fato (1, 0, 0, 0) ̸∈ span(S), pois
não existem escalares x, y, z ∈ R tais que.
o
1 1 1 x 0
1 1 0 y = 0
z
1 0 0 0
çã
não tem solução. Também observamos que S ∪ {(1, 0, 0, 0)} é base, isto segue do fato que
1 1 1 1
1 1 1 0
det ̸= 0
a
1 1 0 0
1 0 0 0 or
portanto, para qualquer vetor (a, b, c, d), sempre podemos achar escalares x, y, z, y tais que
■
ab
Teorema 3.6 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F que admite um número finito de geradores.
Então, para todo conjunto linearmente independente S ⊂ V existe uma base B de V contendo S .
Demonstração. Se W0 = span{S } é tal que V\W0 ̸= 0/ então seja β1 ∈ V\W0 portanto B1 = S ∪ {β1 } é
linearmente independente. Se W1 = span{B1 } é tal que V\W1 = 0/ então pronto, caso contrário existe um
el
β2 ∈ V\W1 e B2 = B1 ∪ {β2 } é linearmente indendente. Se W2 é tal que V\W2 = 0/ então pronto. Caso
contrário existe um β3 e assim seguindo. O processo para pois o espaço tem é finitamente gerado. ■
Teorema 3.7 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F que tem dimensão finita. Então V possui
uma base.
Em
Demonstração. Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F que é finitamente gerado. Seja S =
{α1 , . . . , αn }. Para cada k ≤ n construímos o conjunto Bk = {β1 , . . . , βk } como segue:
• B1 = {α1 }.
•
Bk ∪ {αk+1 } se αk+1 ̸∈ span{Bk }
Bk+1 =
Bk se αk+1 ∈ span{Bk }.
Assim, Bn é base. Observar que o número de elementos de Bn não é necessáriamente igual ao número de
elementos de S . ■
Corolário 3.5 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F que tem de dimensão finita n e B =
{α1 , . . . , αn } uma base de V.
a) cada elemento de V se escreve de forma única como combinação linear dos elemento de B.
b) qualquer subconjunto de V que contém mais de n vetores é linearmente dependente,
c) nenhum subconjunto de V con menos de n elementos pode gerar V.
3.4 Independencia linear. Base 43
Demonstração. a) Segue do fato de B ser base. Se, de fato existe um elemento que se escreve de duas
formas diferentes
γ = a1 · α1 + · · · + an · αn .
γ = b1 · α1 + · · · + bn · αn .
Então
O = γ − γ = (a1 − b1 ) · α1 + · · · + (an − bn ) · αn .
o
com ai − bi não todos nulos. O que contradiz o fato dos elementos de B serem linearmente independentes.
çã
Para mostrar os outros itens observamos o seguinte.
Seja S = {β1 , . . . , βm } um conjunto de elementos de V. Observamos que, como B é base, temos que para
cada i existem escalares ai j tais que
βi = ai1 · α1 + · · · + ain · αn .
a
Seja γ um elemento qualquer de V. Então or
γ = b1 · α1 + · · · + bn · αn .
γ = x1 · β1 + · · · + xn · βn ,
ab
substituindo cada βi pela expressão acima, isto se torna equivalente a dizer que
! !
m m
b1 · α1 + · · · + bn · αn = ∑ ai1 xi · α1 + · · · + ∑ an1 xi · αn
el
i=1 i=1
Como B é base, pelo item a), a equação acima pode ser escrita como,
!
m
bj = ∑ ai j xi
i=1
Em
Ou seja, as entradas x1 , . . . , xn que permitem escrever γ como combinação linear dos elementos de S são solução
do sistema linear acima. Agora, com isto analizamos o enunciado.
b) Se S tem m > n elementos então o sistema acima para o caso γ = O terá soluções não triviais.
c) Se S tem m < n elementos então o sistema acima terá uma matriz escalonada reduzida com a última
linha nula. Então, existe um
γ = b1 · β1 + · · · + bn · βn ,
Como B gera V vimos que, para cada vetor β em V, existem únicos escalares x1 , . . . , xn em F tais que
n
β = ∑ xi αi .
i=1
então
o
n
∑ (xi − zi )αi = 0
çã
i=1
e pela independencia linear temos que xi = zi para todo i. Chamamos ao escalar xi de i-ésima coordenada do
vetor β na base ordenada B.
Teorema 3.8 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F que tem dimensão finita.
a
• Todo conjunto linearmente independente é parte de uma base de V.
• Se W é um subespaço proprio de V então dim(V) >dim(W).
Demonstração.
or
• Seja S0 um conjunto linearmente independente. Se S0 não é base então existe um β1 tal
que β1 ̸∈ span{S0 } e S1 = S0 ∪ {β1 } é linearmente independente. Se S1 é gera V então paramos, caso
contrário existe um β2 ̸∈ span(S1 ) tal que S2 = S1 ∪ {β2 } é linearmente independente. Caso S2 gere V
paramos, se não existe um β3 ... e assim podemos continuar o processo. Observamos que o processo para
ab
pois o espaço é de dimensão finita.
• Se W é subespaço próprio então existe um elemento de α ∈ V tal que α ̸∈ W. Portanto, se B é uma base
de W então B ∪ {α} é linearmente independente e, portanto, parte de uma base de V. De onde segue que
a dimensão de W é menor que a de V.
■
el
Teorema 3.9 Se W1 e W2 são subespaços de um espaço vetorial (V, +, ·) sobre um corpo F que tem dimensão
finita. Então W1 + W2 tem dimensão finita e
Demonstração. Por uma lado, como V tem dimensão finita temos que W1 e W2 tem dimensão finita. De onde
segue que, a soma W1 + W2 tem dimensão finita pois um conjunto gerador da soma será, por exemplpo, a união
dos conjuntos geradores de W1 e W2 respectivamente.
Sabemos que W1 ∩ W2 é subespaço. Seja B = {α1 , . . . , αr } uma base de W1 ∩ W2 . Completamos B a uma
base de W1
B1 = {α1 , . . . , αr , β1 , . . . , βm }
B1 = {α1 , . . . , αr , γ1 , . . . , γn }
B3 = {α1 , . . . , αr , β1 , . . . , βm , γ1 , . . . , γn }
3.5 Coordenadas 45
é base de W1 + W2 . Então
dim(W1 ) + dim(W2 ) = (m + r) + (n + r)
= r + (m + n + r)
= dim(W1 ∩ W2 ) + dim(W1 + W2 )
3.5 Coordenadas
o
Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F que tem dimensão finita e B uma base de V. Se nosso
espaço estiver modelando algum problema, cada elemento de B pode estar associado a um comando ou objeto
do modelo. Então, o primeiro que vamos fazer é organizar estes comandos ou objetos, isto é, colocar uma ordem
çã
na base B.
Definição 3.11 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F que tem dimensão finita. Uma base
ordenada de V é uma base B de V que tem uma ordem fixa nos elementos.
Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F. Considere B = {α1 , . . . , αn } uma base ordenada de V.
a
Como B gera V vimos que, para cada vetor β em V, existem únicos escalares x1 , . . . , xn em F tais que
or
β = x1 · α1 + . . . + xn · αn .
Se, como dizemos anteriormente, cada elemento da base representa um comando ou objeto do problema
que está sendo modelado em V, então os x1 , . . . , xn representa como deve ser executado esse comando ou a
quantidade de elementos desse objeto. Desta forma, os x1 , . . . , xn criptografam a informação.
ab
Definição 3.12 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F. Considere B = {α1 , . . . , αn } uma base
ordenada de V. Seja β ∈ V, então
β = x1 · α1 + . . . + xn · αn .
el
xn
Em
B = {1, 1 + x, 1 + x2 , x3 }.
Seja β = 2x + x3 , então
−2
2
β = (−2) · 1 + 2 · (1 + x) + 0 · (1 + x2 ) + 1 · x3 ⇒ [β ]B =
0 .
• Considere em M (2 × 2, R) a base
1 1 0 1 0 1 0 0
B= , , , .
0 0 1 0 0 0 0 1
Seja
−2
−2 0 1 1 0 1 0 1 0 0 2
β= = (−2) · +2· +0· +1· ⇒ [β ]B =
0 .
2 1 0 0 1 0 0 0 0 1
1
Por outro lado, se γ ∈ M (2 × 2, R) tal que
o
−1
2 1 1 0 1 0 1 0 0 −1 2
çã
[γ]B = 1 ⇒ γ = (−1)· 0 0 +2 · 1 0 +1 · 0 0 +(−2)· 0 1 = 2 −2 .
−2
• Em R3 considere as bases
B = {α1 = (1, 1, 1), α2 = (0, 1, 0), α3 = (0, 1, 1)},
a
B ′ = {β1 = (1, −1, −2), β2 = (1, 0, 0), β3 = (0, 1, 0)}.
Observamos que
β1 = 1 · α1 + 1 · α2 + (−3) · α3
or
β2 = 1 · α1 + 0 · α2 + (−1) · α3
β1 = 0 · α1 + 1 · α2 + 0 · α3
ab
Assuma, por enquanto, que existe uma matriz
p11 p12 p13
P = p21 p22 p23
p31 p32 p33
el
satisfazendo
[β ]B = P [β ]B′ ∀ β ∈ R3 .
Então, como
Em
1 p11 p12 p13 1 p11 1 p11
[β1 ]B = P [β1 ]B′ ⇒ 1 = p21 p22 p23 0 = p21 ⇒ 1 = p21 .
−3 p31 p32 p33 0 p23 −3 p31
1 p11 p12 p13 0 p12 1 p12
[β2 ]B = P [β2 ]B′ ⇒ 0 = p21 p22 p23 1 = p22 ⇒ 0 = p22 .
−1 p31 p32 p33 0 p32 −1 p32
0 1 1 0 0 p13 0 p13
[β3 ]B = P [β3 ]B′ ⇒ 1 = 1
0 1 0 = p23
⇒ 1 = p23 .
0 −3 −1 0 1 p33 0 p33
De onde segue que
1 1 0
P= 1 0 1
−3 −1 0
■
Teorema 3.10 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F que tem dimensão finita n.
1) Se B e B ′ são duas bases ordenadas de V entã existe uma única matriz P em M (n × n, F), necesaria-
mente invertivel, tal que
[β ]B′ = P [β ]B ∀ β ∈ V.
o
[β ]B = P[β ]B′ ∀ β ∈ V.
çã
Como as duas são bases, existem escalares Pi j e Qi j para i, j = 1 . . . n tais que
n
αi = ∑ Pji · γ j = P1i · γ1 + · · · + Pni · γn i = 1...n
j=1
a
n
γi = ∑ Q ji · γ j = Q1i · α1 + · · · + Qni · αn i = 1...n
Portanto
j=1
or
n n
αi = ∑ ∑ (Pji Qk j ) · αk
ab
j=1 k=1
k=1 k=1
Portanto a matriz P formada pelo Pji é uma matriz e a matriz Q formada pelos Q ji satisfazem PQ = I e,
portanto são, invertíveis. Mais ainda, se β é um vetor tal que
n n n
β = ∑ bi · αi = ∑ ∑ (Pji bi ) · γ j
Em
de onde
∑ni=1 Pi1 bi
P11 · · · P1n b1
. . . .
[β ]B′ = .. = .. . . . .. .. = P[β ]B
e temos uma nova base {γ1 , . . . , γn } que satisfaz, utilizando um argumento similar ao do item anterior,
todo o pedido.
■
48 Capítulo 3. Espaços vetoriais
Obs. A matriz P é chamada de "matriz de mudança de coordenadas da base B para a base B "porque na equação
′
[β ]B′ = P [β ]B
inserimos, do lado direito, as coordenadas do vetor β na base B e obtemos, depois de fazer o produto, as
coordenadas do vetor β na base B ′ .
o
Observamos que
çã
B ′ = {β1 = (1, −1, 0, 0), β2 = (0, 0, 1, 1)}
é base de W. Também
(1, −1, 0, 0) = 1 · (1, 1, 0, 0) + (−2) · (0, 1, 0, 1) + (0) · (0, 1, 0, 1) + (−1)(0, 0, 0, 1)
(0, 0, 1, 1) = (−1) · (1, 1, 0, 0) + (1) · (1, 0, 1, 0) + (1) · (0, 1, 0, 1) + (0) · (0, 0, 0, 1)
a
Então
1 −1
−2
[β1 ]B =
0
1
[β2 ]B =
1
or
−1 0
Fazendo operações elementares sobre a matriz
ab
[β1 ]TB [γ1 ]TB
1 −2 0 −1 1 −2 0 −1
M= = ℓ2 + ℓ1 → ℓ2 =
[β2 ]TB −1 1 1 0 −− −−−−−−→ 0 −1 1 −1 [γ2 ]TB
Onde {γ1 = β1 , γ2 = β1 + β2 } continúa a ser uma base de W e, mais ainda, como
[γ1 ]TB
1 −2 0 −1
el
[γ2 ]T 0 −1 1 −1
B
[α3 ]T = det 0 0 1 0 = −1 ̸= 0
det
B
[α4 ]TB 0 0 0 1
Temos que {β1 , β2 , α3 , α4 } é uma base de V obtida de completar uma base de W ■
Em
Formalizamos o exemplo mostrando como podemos utilizar a matriz de coordenadas para completar uma
base. Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F que tem dimensão finita n. Seja B = {α1 , . . . , αn }
uma base ordenada de V e considere um conjunto de vetores ordenado C = {β1 , . . . , βk } para k < n que é base
de um subespaço W. Observamos que, para cada i = 1 . . . k temos que
ai1
..
βi = ai1 · α1 + · · · + ain · αn ⇒ [βi ]B = .
ain
Colocamos todas as matrizes juntas dentro de uma matriz, e construímos
a11 · · · a1n
. ..
[β1 ]TB .. .
..
M = . = ai1 · · · ain
.. ..
[βk ]TB . .
ak1 · · · akn
Observamos que, na matriz M
3.6 Existência de Base 49
o
{β1 , . . . , βk , α j1 , . . . , α jn−k }
é base de V.
çã
3.6 Existência de Base
Definição 3.13 • Uma ordem parcial é uma relação binaria ≤ sobre um conjunto P é reflexida, antisi-
métrica e transitiva. Um conjunto com uma ordem parcial é dito parcialmente ordenado.
• P é totalemente ordenado por ≤, se se cumplem as seguintes para todo a, b e c em P
a
i- Se a ≤ b e b ≤ a então a = b
ii- Se a ≤ b e b ≤ c então a ≤ b
i- a ≤ b ou b ≤ a
or
• Um subconjunto S de P tem limite superior u se para todo s ∈ S temos s ≤ u.
• Um elemento m de P é dito maximal se para todo s em P tal que m ≤ s temos que m = s
Lema 3.3 (de Zorn) Todo conjunto parcialmente ordenado, no qual cada cadeia (subtonjunto totalemente
ab
ordenado) tem um limite superior, tem um elemento maximal.
Proposição 3.2 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F. Todo conjunto que gera V contém um
subconjunto que é base de V
Demonstração. Seja A um conjunto que gera V. Seja S a coleção de todos os cojuntos linearmente independentes
el
de A. Observamos que S é não vazia. Seja A1 ⊆ A2 ⊆ ... uma cadeia de subconjuntos linearmente independentes
de A. Então a união destes é novamente um conjunto linearmente independente de A. Portanto, pelo Lemma de
Zorn, S tem um elemento maximal B. Em outras palavras, B é um conjunto linearmente independente de A. Seja
W = span(B) e assuma que W ̸= V. Como A gera V, existe um elemento b ∈ A que não está em W ( de outra
forma A debe estar contido em W o que garante W = V).
Em
o
a çã
or
ab
el
Em
4 Transformações Lineares . . . . . . . . . . . . . 53
6 Operadores Lineares . . . . . . . . . . . . . . . . 63
8 Autovalores e Autovetores . . . . . . . . . . . 75
Em
el
ab
or
açã
o
o
4. Transformações Lineares
a çã
or
Até agora temos estudado nosso local de trabalho, que são os espaços vetoriais, e suas propriedades. Nos
concentramos nos subconjuntos de um espaço vetorial e, em particular, nos subespaços. Agora, se (V, +V , ·V )
e (W, +W , ·W ) são dois espaços vetoriais sobre um mesmo corpo F, vamos a estudar o tipo mais simples de
funções que preservam, de certa forma, a estrutura de espaço vetorial sobre sua imagem.
ab
Se pensamos o corpo F como espaço vetorial, a ideia que temos quando falamos de simplicidade é uma
generalização do mapa mais simples f : F → F definido por f (x) = k · x para algum k ∈ F. Observamos que
a imagem de este mapa tem uma estrutura de subespaço em F, de fato a imagem é não vazia pois f (F) está
contido nela e,
el
T (a ·V α +V β ) = a ·W (T α) +W T β
para todo α, β ∈ V e a ∈ F.
■ Exemplo 4.1 • Sejam (V, +V , ·V ) e (W, +W , ·W ) dois espaços vetoriais sobre um mesmo corpo F.
Então
– A identidade IV : V → V dada por IV (α) = α é uma transformação linear.
– O mapa OW : V → W definido por OW (α) = OW para todo α ∈ V é chamado de transformação
linear nula.
• Seja A uma matriz a valores reais de tamanho m × n. Então o mapa T : Rn → Rm definido por
x1
..
T (X) = AX ∀ X = . ∈ Rn ,
xn
é uma transformação linear. De fato
Por exemplo
– Uma rotação T : R2 → R2 definida por
T (x, y) = (cos(θ )x + sin(θ )y, − sin(θ )x + cos(θ )y)
é uma transformação linear pois
x cos(θ ) sin(θ ) x cos(θ )x + sin(θ )y
T = =
y − sin(θ ) cos(θ ) y − sin(θ )x + cos(θ )y
– T (x, y) = (2x + 3y, x − y, x) é uma transformação linear pois
2 3 2x + 3y
x x
o
T = 1 −1 = x−y
y y
1 0 x
çã
– T : R4 → R definido por
T (x1 , . . . , xn ) = a1 · x1 + · · · + an · xn ,
é uma transformação linear pois
x1 x1
a
.. .
T . = a1 · · · an .. = a1 · x1 + · · · + an · xn
xn xn
or
– T (x, y, z) = (2x + 3y, x − y, z) é uma transformação linear pois
x 2 3 0 x 2x + 3y
T y = 1 −1 0 y = x − y .
z 0 0 1 z z
ab
• A projeção ortogonal T : R3 → R3 na direção de um vetor β , definida por
< β,α >
T (α) = β
||β ||2
é uma transformação linear, de fato
el
Lema 4.1 Sejam (V, +V , ·V ) e (W, +W , ·W ) dois espaços vetoriais sobre um mesmo corpo F e T : V → W
uma transformação linear. Então
• T (OV ) = OW .
• T ∑kj=1 a j ·V α j = ∑kj=1 a j ·W T (α j ).
Demonstração. • T (OV ) = T (0 ·V OV ) = 0 ·W T (OV ) = OW .
• Fazemos por indução.!Para k = 1 vale pela definição. Assuma
! que vale para k − 1. Então
k k−1
T ∑ a j ·V α j = T ∑ a j ·V α j + ak ·V αk
j=1 j=1
!
k−1
= T ∑ a j ·V α j + ak ·W T (αk )
j=1
k
= ∑ a j ·V T (α j ).
j=1
Portanto, a identidade vale para todo k ∈ N. ■
55
Definição 4.2 Sejam (V, +V , ·V ) e (W, +W , ·W ) dois espaços vetoriais sobre um mesmo corpo F e
T : V → W uma transfomração linear.
• O Núcleo ou Kernel de T é o conjunto
Ker(T ) = {α ∈ V, T (α) = 0W }
• A Imagem de T é o conjunto
Corolário 4.1 Sejam (V, +V , ·V ) e (W, +W , ·W ) dois espaços vetoriais sobre um mesmo corpo F e
o
T : V → W uma transfomração linear, então
• Ker(T ) como Img(T ) são subespaços de V e W respectivamente.
• Se V tem base B = {α1 , . . . , αn } então B ′ = {T (α1 ), . . . , T (αn )} é gerador de Img(T ).
çã
Demonstração. • – Observamos que OV ∈ Ker(T ) pois T (OV ) = OW . Sejam α, β ∈ Ker(T ) ⊂ V e
a ∈ F. então
a
T (α + a · β ) = T (α) + a · T (β ) = OW + a · OW = OW .
T (α) + a · T (β ) = α ′ + a · β ′ = T (α + a · β ) ∈ Img(T ).
ab
como Img(T ) são subespaços de V e W respectivamente.
• Assuma que B = {α1 , . . . , αn } é base de V. Seja β ∈ Img(T ) então existe α ∈ V tal que
T (α) = β .
el
Como
Definição 4.3 Sejam (V, +V , ·V ) e (W, +W , ·W ) dois espaços vetoriais sobre um mesmo corpo F e
T : V → W uma transfomração linear. Assuma V de dimensão finita.
• A Nulidade de T é a dimensão do Ker(T ).
• O Posto de T á dimensão da imagem de T .
T (x, y, z) = (x, y + z)
Por outro lado, para ver Img(T ), pegamos uma base de R3 e vemos o conjunto imagem de cada um dos
elementos.
T (1, 0, 0) = (1, 0)
T (0, 1, 0) = (0, 1)
T (0, 0, 1) = (0, 1).
Portanto Img(T ) = span{(1, 0), (0, 1)} = R2 .
• Considere T : R3 → PR3 [x] dada por
T (a, b, c) = a + (a − b)x + cx2 + ax3
Então, um elemento de (a, b, c) ∈ Ker(T ) é um elemento tal que
o
a = 0
T (x, y, z) = 0 ⇒ (a − b) = 0
çã
c = 0.
Portanto, o único elemento do núcleo será (0, 0, 0). Portanto Ker(T ) = {(0, 0, 0)}.
Por outro lado, para ver Img(T ), pegamos uma base de R3 e vemos o conjunto imagem de cada um dos
elementos.
T (1, 0, 0) = 1 + x + x3
a
T (0, 1, 0) = −x
T (0, 0, 1) = x2 .
Portanto
or
Img(T ) = span{1 + x + x3 , x, x2 } = span{1 + x3 , x, x2 } ̸= PR3 [x].
• Seja T : M (2 × 2, R) → R3 uma transofmração linear tal que
ab
1 0 0 1 0 0 0 0
T = (1, 1, 1), T = (1, 1, 0), T = (1, 0, 0), T = (0, 1, 0),
0 0 0 0 1 0 0 1
Observamos
que
a b
T = a · (1, 1, 1) + b · (1, 1, 0) + c · (1, 0, 0) + d · (0, 1, 0)
el
c d
= (a + b + c, a + b + d, a)
Então o núcleo, Ker(T ), é dado pelas matrizes
a b
c d
Em
tais que
a+b+c = 0 b+c = 0
a+b+d = 0 ⇒ b+d = 0
a = 0 a = 0
Teorema 4.1 Sejam (V, +V , ·V ) e (W, +W , ·W ) dois espaços vetoriais sobre um mesmo corpo F e
T : V → W uma transfomração linear. Então
Demonstração. Seja {α1 , . . . , αk } uma base de Ker(T ) e estendemos a uma base {α1 , . . . , αn } de V. Assim,
{T (αk+1 ), . . . , T (αn )} geram a imagem de T . Vamos mostrar que este conjunto é linearmente independente. De
fato, assuma que
ak+1 · T (α1 ) + · · · + an · T (αn ) = 0
o
então ak+1 · α1 + · · · + an · αn ∈ Ker(T ) o que não pode acontecer pois {α1 , . . . , αn } é base. ■
çã
Obs. Na demostração do resultado acima também temos mostrado o seguinte: Se {α1 , . . . , αk } uma base
de Ker(T ) e estendemos a uma base {α1 , . . . , αk , αk+1 , . . . , αn } de V. Então {T (αk+1 ), . . . , T (αn )} é um
conjunto linearmente independente que gera Img(T ), portanto, é uma base de Img(T ).
a
Teorema 4.2 Seja A uma matriz de tamanho m × n com entradas em F, então o posto da matriz segundo as
linhas de A é igual ao posto de AT segundo as linhas.
or
Demonstração. Seja T : M (n × 1, F) → M (m × 1, F) a transformação linear dada por
T X = AX.
ab
Observamos que
• Ker(T ) é igual ao conjunto solução do problema AX = 0.
• Img(T )é igual ao conjunto de matrizes Y em M (m × 1, F) tais que AX = Y .
Sejam A1 , . . . , An as colunas de A então se
x1
el
X = ...
xn
temos
AX = x1 A1 + · · · + xn An
Em
a çã
or
Vamos agora a classificar as transformações lineares em função de propriedades das mesmas. Começamos com
a definição destas propriedades.
Definição 5.1 Sejam (V, +V , ·V ) e (W, +W , ·W ) dois espaços vetoriais sobre um mesmo corpo F e
ab
T : V → W uma transformação linear. Dizemos que T é
i) Injetora se T (α) = T (β ) ⇒ α = β .
ii) Sobrejetora se Img(T ) = W.
iii) Isomorphismo se for injetora e sobrejetora.
Se T for um isomorfismo dizemos que V e W são Isomorfos.
el
Corolário 5.1 Sejam (V, +V , ·V ) e (W, +W , ·W ) dois espaços vetoriais sobre um mesmo corpo F e
T : V → W uma transformação linear. Então, T é injetora se, e somente se, Ker(T ) = {OV }
Demonstração. ⇒) Assuma que T é injetora e α ∈ Ker(T ). Como T (α) = T (OV ) temos que α = OV . Portanto
Ker(T ) = {OV }.
Em
⇐) Assuma que Ker(T ) = {OV }. Sejam α, β ∈ V tais que T (α) = T (β ). Então T (α − β ) = OW . De onde
α − β = OV . Portanto α = β . ■
T (x, y, z) = (x + y − z, 0)
Observamos que
T (x, y, z) = (0, 0) ⇔ z = x+y ⇒ x=y=z=0
De onde Ker(T ) = {(1, 0, 1), (0, 1, 1)}. Por outro lado, como
T (1, 0, 0) = (1, 0)
T (0, 1, 0) = (1, 0)
T (0, 0, 1) = (−1, 0)
Temos que
T (x, y, z) = (x − z, x + y, x + y + z, z)
Observamos que
x−z = 0
x+y = 0
T (x, y, z) = (0, 0, 0, 0) ⇔ ⇒ x=y=z=0
x+y+z = 0
z = 0
o
De onde Ker(T ) = {(0, 0, 0)}. Por outro lado, como
T (1, 0, 0) = (1, 1, 1, 0)
çã
T (0, 1, 0) = (0, 1, 1, 0)
T (0, 0, 1) = (−1, 0, 1, 1)
Temos que
a
Img(T ) = span{(1, 0, 0, 0), (0, 1, 1, 0), (0, 0, 1, 1)} ⊊ R4 .
or
Portanto T é injetora mas não sobrejetora.
• Seja T : M (2 × 2, R) → R3 definida por
a b
T = (a − b, 2b − c, c − d)
c d
ab
Observamos que
a−b = 0
a b
T = (0, 0, 0) ⇔ 2b − c = 0 ⇒ 2a = 2b = c = d
c d
c−d = 0
el
1 1
De onde Ker(T ) = . Por outro lado, como
2 2
1 0
T = (1, 0, 0)
0 0
Em
0 1
T = (−1, 2, 0)
0 0
0 0
T = (0, −1, 1)
1 0
0 0
T = (0, 0, −1)
0 1
Temos que
Img(T ) = span{(1, 0, 0), (−1, 2, 0), (0, −1, 1), (0, 0, −1)} ⊊ R3 .
Então
Observamos que
a−b = 0
T (x, y, z) = 0 ⇔ a+c = 0 ⇒ a = b = c = 0.
b−c = 0
{1 + x, −1 + x2 , x − x2 }
é linearmente independente e, portanto, é uma base de PR2 [x] temos que T é sobrejetora. Como ela é
o
inhjetora, temos que T é um isomorfismo.
■
çã
Definição 5.2 Sejam (V, +V , ·V ) e (W, +W , ·W ) dois espaços vetoriais sobre um mesmo corpo F. Uma
função T : V → W é inversível se, e somente se, existe uma função U : W → V tal que TU = IV e UT = IW .
a
• Sejam (V, +V , ·V ) um espaço vetorial sobre o corpo F. Uma involução é uma transformação linear
T : V → V tal que T 2 = IV . Então as involuções são invertíveis.
Por exemplo, seja V = R3 e
or
π = {(x, y, z) ∈ R3 , ax + by + cz = 0}
a + b2 + c2
2(ax + ay + az)
= T (x, y, z) − 2 T ((a, b, c))
a + b2 + c2
2(ax + ay + az) 2(ax + ay + az)
= (x, y, z) − 2 (a, b, c) − 2 ((a, b, c) − 2(a, b, c))
a + b2 + c2 a + b2 + c2
Em
= (x, y, z).
Portanto T é uma involução e, portanto, invertível.
■
Teorema 5.1 Sejam (V, +V , ·V ) e (W, +W , ·W ) dois espaços vetoriais de dimensão finita sobre um mesmo
corpo F e T : V → W uma transformação linear. Então
• T é isomorfismo se, e somente se, para qualquer base B = {α1 , . . . , αn } de V temos que B ′ =
{T (α1 ), . . . , T (αn )} é base de W.
• Se T é isomorfismo, a função inversa T −1 : W → V é uma transformação linear.
é, portanto equivalente,
a1 · α1 + · · · + an · αn = OV
62 Capítulo 5. Injetividade, sobrejetividade e isomorfismo
o
Temos que é uma transformação linear.
■
çã
Corolário 5.2 Sejam (V, +V , ·V ) e (W, +W , ·W ) dois espaços vetoriais de dimensão finita sobre um mesmo
corpo F e T : V → W uma transformação linear injetora então para qualquer conjunto S = {α1 , . . . , αn }
linearmente independente de V temos que S ′ = {T (α1 ), . . . , T (αn )} é linearmente independente em W.
a
Como T é injetora e
é, portanto equivalente,
or
a1 · α1 + · · · + an · αn = OV
ab
Portanto a1 = · · · = an = 0. ■
Teorema 5.2 Sejam (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F. Então dim(V) = n
se, e somente se, V é isomorfo a Fn .
el
T (x1 , . . . , xn ) = x1 · α1 + · · · + xn · αn .
Uma transformação linear é não singular se T (α) = 0 see α = 0. É simples ver que uma t.l. não singular
transforma subconjuntos linearmente independentes em subconjuntos linearmente independentes.
Proposição 5.1 Sejam (V, +V , ·V ) e (W, +W , ·W ) dois espaços vetoriais de dimensão finita sobre um mesmo
corpo F e T : V → W uma transformação linear. Assuma que dim(V) = dim(W). São equivalentes
i) T é isomorfismo,
ii) T é injetora ,
iii) T é sobrejetora.
a çã
or
Estudamos agora as transformações lineares de um espaço vetorial em si mesmo.
Definição 6.1 Seja V um espaço vetorial sobre o corpo F. Um transformação linear T : V → V é chamada
de Operador Linear em V.
ab
O conjunto dos operadores lineares inversíveis com a composição forma um grupo.
Definição 6.2 Um grupo consiste de um conjunto G de elementos munidos de uma operação que associa a
cada par de elementos x e y de G um novo elemento xy de G e que satisfaz as seguintes propriedades
i) x(yz) = (xy)z,
ii) existe um elemento e ∈ G tal que ex = xe = x
el
Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial e T : V → V um operador linear. Então, pelo visto acima, T 2 = T ◦ T :
V → V é um operador linear. Anãlogamente
Tn = T
| ◦ ·{z
· · ◦ T} : V → V
Em
é um operador linear. Considere então o espaço PFn [T ] gerado por T = {IV , T, T 2 , · · · , T n }. Um elemento típico
deste espaço é da forma
a0 I + a1 T + · · · + an T n ,
em que a0 , a1 , . . . , an ∈ F. Mais ainda, todo polinômio p(x) ∈ PFn [x] da forma
p(x) = b0 + b1 x + · · · bn xn ,
define um elemento
p(T ) = b0 I + b1 T + · · · bn T n ∈ PFn [T ].
■ Exemplo 6.1 • Considere T : R2 → R2 dado por T (x, y) = (2x, x + y), então
2
T (x, y) = (4x, 2x + x + y) = (4x, 3x + y)
T 3 (x, y) = (8x, 7x + y)
.. ..
. .
T n (x, y) = (2n x, (2n − 1)x + y)
64 Capítulo 6. Operadores Lineares
então
o
2 a b a 0 a b
T = =T
c d 0 d c d
n
T = T ∀ n ≥ 2.
çã
■
a
b) T1 ◦ (T2 + T3 ) = T1 ◦ T2 + T1 ◦ T3 e (T2 + T3 ) ◦ T1 = T2 ◦ T1 + T3 ◦ T1 ,
c) a(T1 ◦ T2 ) = (aT1 ) ◦ T2 = T1 ◦ (aT2 )
= T1 ◦ (aT2 )(α).
■
Definição 6.3 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial e F = {T1 , . . . , Tk } uma familia de operadores lineares
sobre V. Se W é um subespaço de V, dizemos que W é invariante por F se para cada α ∈ W, T j α ∈ W
para todo j = 1, . . . , k.
■ Exemplo 6.2 • O espaço todo V e o subespaço nulo {0} são invariantes para qualquer operador linear.
• Se S, T : V → V são operadores lineares, então Ker(T ) ∩ Ker(S) é invariante por {T, S}.
• Para um operador T tanto o Ker(T ) quanto Img(T ) são invariantes por T .
■
Obs. Observar que se T : V → V é um projetor e p(x) = x(1 − x) então p(T ) é o operador nulo.
o
= λ β
||β ||2
= λβ
çã
= T (α).
• T: Rn → Rn definido, para k < n, por
T (x1 , . . . , xn ) = (x1 , . . . , xk , 0 . . . , 0)
De fato
a
T 2 (x1 , . . . , xn ) = T (x1 , . . . , xk , 0 . . . , 0) = (x1 , . . . , xk , 0 . . . , 0).
• T : M (2 × 3, R) → M (2 × 3, R) definida por
ab
a b c a 0 0
T =T .
d e f 0 e 0
■
Então
• para todo α ∈ W temos P(α) = α.
• Q = IV − P : V → V é um projetor sobre Ker(P).
• V = W ⊕ Img(IV − P).
Em
P(α) = P2 (β ) = P(β ) = α.
Por outro lado, seja α ∈ Img(Q), seja β ∈ V tal que α = Q(β ). Então
Seja α ∈ W∩Img(IV −P), então existe β ∈ V tal que β −P(β ) = α. Mas, pelo visto acima, Img(IV −P) =
Ker(P), portanto P(β ) = OV . De onde segue que α = β , mas então β ∈ W e P(β ) = β . De onde segue
que β = OW . Portanto W ⊕ Img(IV − P) = V.
■
Proposição 6.2 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial e assuma que existem subespaços W1 , . . . , Wn tais que
o
V = W1 ⊕ · · · ⊕ Wn .
Então existem operadores lineares Pi : V → V que são projeções sobre Wi para cada i = 1 . . . n. Mais ainda,
çã
• Pi ◦ Pj = O para cada i ̸= j,
• IV = P1 + · · · + Pn .
a
α = α1 + · · · + αn
Definimos Pi : V → V, i = 1 . . . , n, por
Pi (α) = αi
or
Claramente Img(Pi ) ⊂ Wi . Por outro lado, para cada α ∈ Wi se escreve, de forma única, como
ab
i
z}|{
α = OV + · · · + OV + α +OV + · · · + OV ,
Pj (β ) = OV ∀ j ̸= i.
α = α1 + · · · + αn = P1 (α) + · · · + Pn (αn ).
■
o
7. Matriz de uma transformação linear
a çã
or
Nesta seção vamos ver como associar a cada transformação linear uma matriz.
■ Exemplo 7.1 Considere os espalos vetoriais
• R2 , munido da base ordenada B = {(1, 1), (0, 1)},
• PR2 [x], munido da base ordenada B ′ = {1 + x, x, 1 + x2 }
ab
e seja T : R2 → PR2 [x] definida por
T (a, b) = a + bx + (a + b)x2
Observamos que
el
a
α = (a, b) = a · (1, 1) + (b − a) · (0, 1) ⇒ [α]B =
b−a
e que
Em
−1
T (1, 1) = 1 + x + 2x2 = (−1) · (1 + x) + 2 · x + 2 · (1 + x2 ) ⇒ [T (1, 1)]B′ = 2
2
−1
T (0, 1) = x + x2 = (−1) · (1 + x) + 2 · x + 1 · (1 + x2 ) ⇒ [T (0, 1)]B′ = 2 .
1
De onde
Portanto
−a − (b − a) −1 −1
a
[T (α)]B′ = 2a + 2(b − a) = 2
2 = M · [α]B .
b−a
2a + (b − a) 2 1
68 Capítulo 7. Matriz de uma transformação linear
−1 −1
para M = 2 2 . ■
2 1
O que vimos no exemplo acima pode ser visto de modo geral.
Sejam
• (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita n e sobre um corpo F e considere uma base ordenada
B = {α1 , . . . , αn } de V.
• (W, +W , ·W ) um espaço vetorial de dimensão finita k e sobre o mesmo corpo F e considere uma base
ordenada B ′ = {β1 , . . . , βk } de W.
• T : V → W uma transformação linear entre espaçoes vetoriais acima.
o
Observamos que se α é um elemento qualquer de V então, da definição de base ordenada, existem únicos
escalares x1 , . . . , xn tais que α = ∑ni=1 ai αi portanto
çã
n
T (α) = ∑ ai · T (αi )
i=1
O vetor T (αi ) é um elemento de W portanto, da definição de base ordenada, para cada i existem escalares
Ai1 , . . . , Aik tais que
a
k
T (αi ) = ∑ A ji · β j ,
assim, temos que
j=1
or
!
n k n
T (α) = ∑ ai · T (αi ) = ∑ ∑ A ji ai · β j.
ab
i=1 j=1 i=1
■ Exemplo 7.2 • Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F, B e B ′ duas bases ordenada de V.
A matriz de mudança de base ordenada é a matriz da transformação linear identidade.
Em
T (p(x)) = xp(x)
então
−1 −1
[T ]B′ B = 1 1 .
0 −1
Sejam
1 0 0 1 0 0 0 0
B= , , ,
0 0 0 0 1 0 0 1
e
Então
1 0
T = (1, 0, 0, 1) = 1 · (1, 0, 0, 1) + 0 · (0, 1, 0, 0) + 0 · (0, 0, 1, 0) + 0 · (1, 0, 0, −1)
0 0
o
0 1
T = (0, 1, 0, 0) = 0 · (1, 0, 0, 1) + 1 · (0, 1, 0, 0) + 0 · (0, 0, 1, 0) + 0 · (1, 0, 0, −1)
0 0
çã
0 0
T = (0, 0, 1, 0) = 0 · (1, 0, 0, 1) + 0 · (0, 1, 0, 0) + 1 · (0, 0, 1, 0) + 0 · (1, 0, 0, −1)
1 0
0 0
T = (1, 0, 0, −1) = 0 · (1, 0, 0, 1) + 0 · (0, 1, 0, 0) + 0 · (0, 0, 1, 0) + 1 · (1, 0, 0, −1)
0 1
e
a
1 0 0 0
0
[T ]B′ B =
0
0
1
0
0
0
1
0
0
0
1
or
■
ab
Definição 7.2 Sejam (V, +V , ·V ) e (W, +W , ·W ) dois espaços vetoriais sobre um mesmo corpo F.
Denotamos por Tl(V, W) ao conjunto das transformações lineares de V em W.
Sejam
• (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita n e sobre um corpo F e considere uma base ordenada
B = {α1 , . . . , αn } de V.
el
• (W, +W , ·W ) um espaço vetorial de dimensão finita k e sobre o mesmo corpo F e considere uma base
ordenada B ′ = {β1 , . . . , βk } de W
• U, T : V → W duas transformações lineares e c um escalar no mesmo corpo sobre o qual estão os espaços
vetoriais.
Definimos a funções T +U : V → W e cT : V → W da seguinte forma
Em
e
!
k k
(cT )(αi ) = c(T (αi )) = c ∑ A ji · β j = ∑ (cA ji ) · β j
j=1 j=1
temos
Teorema 7.1 Se (V, +V , ·V ) e (W, +W , ·W ) são espaços vetoriais de dimensão finita sobre um mismo corpo
F. O espaço Tl(V, W) com a soma e o produto por escalar definido acima é um espaço vetorial de dimensão
igual a dim(V) × dim(W) isomorfo a M(dim(W) × dim(V), F).
Demonstração. Deixamos como exercício verificar que Tl(V, W) é espaço vetorial. Observamos, que neste
caso, a transformação linear nula é o elemento neutro da soma e que se T : V → W é transformação linear então
(−T )(α) = −(T (α)) para todo α ∈ V.
Assuma que dim(V) = n e dim(W) = m. Fixamos duas bases ordenada B = {α1 , . . . , αn } de V e B ′ =
{β1 , . . . , βm } de W. Definimos a função φ : Tl(V, W) → M (n × m, F) da seguinte forma φ (T ) = [T ]B′ B .
Observamos que
o
φ (cT ) = [cT ]B′ B = c[T ]B′ B
φ (T +U) = [T +U]B′ B = [T ]B′ B + [U]B′ B .
çã
Portanto φ é uma transformação linear. Observamos que se [T ]B′ B é a matriz nula, então T é a transformação
linear nula, pois leva todo elemento no elemento nulo. Por outro lado, dada uma matriz A ∈ M (dim(W) ×
dim(V), F) definimos a transformação linear T que leve cada elemento αi ∈ B ao elemento
T (αi ) = A1i · β1 + · · · + Ami · βm
a
Da definição de T segue que φ (T ) = A. Portanto φ é sobrejetora, de onde φ é isomorfismo.
or ■
Teorema 7.2 Sejam (V, +V , ·V ), (W, +W , ·W ) e (Z, +Z , ·Z ) espaços vetoriais de dimensão finita sobre um
mismo corpo F. Consideremos T : V → W e U : W → Z duas transformações lineares. A função U ◦T : V → Z
definida por (U ◦ T )(α) = U(T (α)) para todo α em V é uma transformação linear. Mais ainda, se B, B ′ e
B ′′ são bases ordenada de V, W e Z respectivamente então
ab
[U ◦ T ]B′′ B = [U]B′′ B′ [T ]B′ B .
= U(T (α) + c · T (β ))
= U(T (α)) + c ·U(T (β ))
= (U ◦ T )(α) + c · (U ◦ T )(β )).
De onde segue que U ◦ T é transformação linear.
Sejam B = {α1 , . . . , αn }, B ′ = {β1 , . . . , βm } e B ′′ = {γ1 , . . . , γk } bases ordenada de V, W e Z respectiva-
Em
mente e
[U]B′′ B′ = A e [T ]B′ B = B.
Para todo αi ∈ B temos
(U ◦ T )(αi ) = U (T (αi ))
!
m
= U ∑ B ji · β j
j=1
m
= ∑ B ji ·U(β j )
j=1
m k
= ∑ ∑ (B ji Al j ) · γl
j=1 l=1
!
k m
= ∑ ∑ Al j B ji · γl
l=1 j=1
71
Corolário 7.1 Se T : V → W é uma transformação linear inversível então T −1 é uma transformação linear
cuja matriz associada vêm dada por [T −1 ]BB′ = ([T ]B′ B )−1
o
■ Exemplo 7.3 • Seja T : PR1 [x] → PR2 [x] definida por
T (p(x)) = xp(x)
çã
Considere as bases ordenada B = {1, x} e B ′ = {1, 1 + x, x − x2 } então
T (1) = x = (−1) · 1 + 1 · (1 + x) + 0 · (x − x2 )
T (x) = x2 = (−1) · 1 + 1 · (1 + x) + (−1) · (x − x2 )
a
então
−1 −1
[T ]B′ B = 1 1 .
0 −1
or
Seja U : PR2 [x] → R3 definida por
ab
U(a + bx + cx2 ) = (a, b, c + b)
Seja B ′′ = {(1, 0, 0), (0, 1, 0), (0, 1, −1)} Então temos que
U ◦ T (1) = U(x) = (0, 1, 1) = 0 · (1, 0, 0) + 2 · (0, 1, 0) + (−1) · (0, 1, −1)
U ◦ T (x) = U(x2 ) = (0, 0, 1) = 0 · (1, 0, 0) + 1 · (0, 1, 0) + (−1) · (0, 1, −1)
el
e, portanto,
0 0
[U ◦ T ]B′′ B = 2 1
−1 −1
Em
2 −4 2
72 Capítulo 7. Matriz de uma transformação linear
o
0
çã
Por outro lado,para estudar a imagem de T, observamos que
1
1 1
0 ⇒ T (α1 ) = β1 + β2 + 2β4
[T (α1 )]B′ = [T ]B′ B 0 =
0
2
a
1
0 −1
[T (α2 )]B′ = [T ]B′ B 1 =
0
−4
or
2 ⇒ T (α2 ) = β1 − β2 + 2β3 − 4β4
1
0 1
ab
0 ⇒ T (α3 ) = β1 + β2 + 2β4
[T (α3 )]B′ = [T ]B′ B 0 =
1
2
De onde segue que
[T ]B′ B′ .
Sabemos que existe uma matriz P tal que
junto com
Obtemos
Definição 7.3 Sejam A e B duas matrizes em M (n × n, F). Dizemos que A e B são equivalentes ou
similares se existe uma matriz inversível P ∈ M (n × n, F) tal que B = P−1 AP.
o
Caso V possua dimensão n então dim(V∗ ) =dim(tl(V, F) = 1 × n = n. Mais ainda se {α1 , . . . , αn } é uma
base ordenada de V então por um resultado anterior temos que existe uma transformação linear fi tal que
fi (α j ) = δi j .
çã
Observamos que { f1 , . . . , fn } são n elementos de V∗ linearmente independentes, de fato se
n
f = ∑ ci f i
i=1
a
é o funcional nulo em particular f (α j ) = 0 implica que c j = 0 para todo j. Portanto B∗ = { f1 , . . . , fn } é uma
base ordenada de V∗ .
or
Se α ∈ V então α = ∑nj=1 b j α j portanto fk (α) = bk assim temos que
n
α= ∑ f j (α)α j
j=1
ab
Esta ultima formula nos permite chamar a cada f j como a j−ésima função coordenada.
Definição 7.5 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre o corpo F e S um subconjunto de um espaço vetorial
V. O anulador de S, que denotamos como S0 , é o subconjunto de funcionais f tais que f (α) = 0 para todo
α ∈ S.
el
Teorema 7.3 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre o corpo F de dimensão finita e W é um subespaço de V
então
Demonstração. Seja {α1 , . . . , αk } uma base ordenada de W que completamos a uma base ordenada
{α1 , . . . , αk , αk+1 , . . . , αn }
de V. Seja { f1 , . . . , fn } a base ordenada associada de V∗ . Então, para cada i > k temos que fi (β ) = 0 para todo
β ∈ W.
Seja T : V → W uma transformação linear entre espaços vetoriais sobre o mesmo corpo F. Então T induz
uma transformação linear T t : W∗ → V∗ definida da seguinte forma
T t f (α) = f (T (α))
74 Capítulo 7. Matriz de uma transformação linear
Como
Teorema 7.4 Sejam V e W dois espaços vetoriais de dimensão finita sobre um corpo F e B e B′ bases
o
ordenada de V e W respectivamente. Considere B∗ e B′∗ as respectivas bases ordenada duais. Seja T : V → W
uma transformacão linear. Então se A é a matriz [T t ]B′∗ B∗ e B é a matriz [T ]BB′ então Ai j = B ji para todo i e j.
çã
Demonstração. Exercício.
■
a
or
ab
el
Em
o
8. Autovalores e Autovetores
a çã
or
Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F e seja T : V → V um operador linear.
Gostariamos de saber se existe uma base ordenada B = {α1 , . . . , αn } de V tal que existem escalares λ1 , . . . , λn ,
não necessáriamente distintos, tais que
ab
T (αi ) = λi · αi .
0 λ2 0 ··· 0
[T ]BB = .
.. ..
.. . .
0 · · · · · · · · · λn
é diagonal.
Em
No entanto, observamos que Seja B = {(1, 1, 0), (1, 0, 0), (−4, 0, 1)}, observamos que
portanto
−1 0 0
[T ]BB = 0 1 0 .
0 0 −1
Então existe uma base ordenada na qual a matriz associada de T é diagonal. Observamos que, por exemplo,
[T n ]C C = ([T ]C C )n pode ser uma conta tediosa, no entanto
(−1)n 0
0
[T n ]BB = ([T ]BB )n = 0 1 0
o
0 0 (−1)n
çã
■
Definição 8.1 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial sobre um corpo F e T um operador linear em V.
• Um autovalor (ou valor característico) de T é um escalar λ ∈ F tal que existe um vetor não nulo α
em V satisfazendo T α = λ α.
• Se λ ∈ F é um autovalor, um vetor não nulo α tal que T (α) = λ α é chamado de autovetor (ou vetor
a
caracteristico)
• A coleção dos autovetores associados a um autovalor λ é chamada de autoespaço (ou espaço caracte-
or
ristico) associado ao autovalor λ e será denotada por Vλ , isto é
Vλ = {β ∈ V, T (β ) = λ β }
• O operador T será dito diagonalizável se existir uma base ordenada de V formada por autovetores de
ab
T.
Obs.
• O autoespaço Vλ é um subespaço. De fato O ∈ Vλ e, para todo a ∈ F e α, β ∈ Vλ temos que
el
T (a · α + β ) = a · T (α) + T (β ) = λ (a · α + β ).
De onde a · α + β ∈ Vλ .
• Se T : V → V não for injetor então 0 é autovalor de T e qualquer elemento do núcleo é autovetor.
• O operador T : R2 → R2 definido por T (x, y) = (y, −x) não possui autovalores. De fato
Em
λx = y
T (x, y) = λ (x, y) ⇔ ⇔ λ 2 x = −x. ⇔ λ 2 = −1.
λ y = −x
Lema 8.1 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F, T um operador linear em
V, λ1 , . . . , λk autovalores de T , distintos entre si, e α1 , . . . , αk autovetores associados. Então {α1 , . . . , αk } é um
conjunto linearmente independente. Em particular, os autoespaços Vλ1 ⊕ . . . ⊕ Vλk estão em soma direta.
Demonstração. Fazemos por indução. Vamos mostrar que se temos k autovalores distintos entre si então dados
k autovetores associados a estes autovalores formam um conjunto linearmente independente.
Assuma que
T (α1 ) = λ1 · α1 e T (α2 ) = λ2 · α2 .
Assuma que o enunciado vale para k vejamos para k + 1. Sejam então λ1 , . . . , λk+1 autovalores de T , distintos
entre si, e α1 , . . . , αk+1 autovetores associados. Suponha, sem perder generalidade, que
αk+1 = a1 · α1 + · · · + ak · αk .
Portanto
o
Como, por hipótese, temos que {α1 , . . . , αk } é linearmente independente, temos que
çã
ai (λk+1 − λi ) = 0,
Teorema 8.1 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F e T um operador
a
linear em V que é diagonalizável. Seja B uma base ordenada qualquer de V e A = [T ]BB . Então
(a) det(A) é igual ao produto dos autovalores de T .
(b) traço(A) é igual a soma dos autovalores de T .
or
Demonstração. Como T é diagonalizável temos que existe uma base ordenada B ′ e uma matriz invertível P tal
que
[α]B = P[α]B′ ∀ α ∈ V,
ab
e
[T ]B′ B′ = P−1 AP
é diagonal. Observamos que as entradas da matriz diagonal [T ]B′ B′ são precisamente os autovalores λ1 , . . . , λn
el
de T . Agora, como
λ1 · · · λn = det([T ]B′ B′ )
= det(P)−1 det(A) det(P)
= det(A).
Em
λ1 + · · · + λn = traço([T ]B′ B′ )
= traço(P−1 AP)
= traço(APP−1 )
= traço(A).
■
Teorema 8.2 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F e T um operador
linear em V. São equivalentes:
i) λ é um autovalor de T ,
ii) O operador λ I − T é não inversível,
iii) det([λ I − T ]BB ) = 0 para qualquer base ordenada B de V.
ii) ⇒ iii) Assuma que o operador S = λ I − T é não inversível, então existe α ̸= O tal que
S(α) = (λ I − T )(α) = O
, portanto existe uma base ordenada B de V tal que [S]BB tem uma coluna nula. Como, para qualquer
outra base ordenada B ′ existe uma matriz invertível P tal que
[α]B = P[α]B′ ∀ α ∈ V,
e
[S]B′ B′ = P−1 [S]BB P
o
Como
det([S]B′ B′ ) = det(P)−1 det([S]BB ) det(P) = 0
çã
temos que det([λ I − T ]BB ) = 0 para qualquer base ordenada B de V.
iii) ⇒ i) Assuma que det([λ I − T ]BB ) = 0 para qualquer base ordenada B de V. Então, se fixamos uma base
ordenada B, temos que [λ I − T ]BB não é invertível e, portanto, existe um X ∈ Rn , não nulo, tal que
[λ I − T ]BB X = 0. Este X determina as coordenadas na base ordenada B de um vetor α, não nulo, tal que
(λ I − T )(α) = O. Então, λ é um autovalor não nulo de T .
a
or ■
Obs. Do Item iii) obtemos que os autovalores estão associados aos elementos do corpo λ que zeram det([T −
λ I]BB ) = 0 para qualquer base ordenada B de V.
Corolário 8.1 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre o corpo C e T um operador
el
Demonstração. Sabemos pelo Teorema fundamental da Álgebra temos que todo polinômio em C admite
raizes em C, portanto o polinômio PT (x), definido acima, admite uma raiz e, portanto, T tem autovalores. ■
Exemplo 8.2 Seja T : C2 → C2 definido por
Em
T (x, y) = (x + y, y).
Seja C = {(1, 0), (0, 1)} a base canônica de C2 , então
x − 1 −1
det(λ I − [T ]C C ) = det = (x − 1)2
0 x−1
Portanto λ = 1 é autovalor. Então os autovetores α = (x, y) ̸= (0, 0) devem satisfazer
(x + y, y) = T (x, y) = (x, y) ⇒ y=0
Portanto temos que os autovetores são todos múltiplos de α1 = (1, 0) e, portanto, T não é diagonalizável. ■
Definição 8.2 Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F, T : V → V um operador linear e B uma
base ordenada de V. O polinômio
o
0 1
[T ]C C = ,
−1 0
çã
temos
x −1
PT (x) = det = x2 + 1.
1 x
Então T não tem autovalores.
a
• Seja T : C2 → C2 a transformação linear dada por
T (1, 0) = (0, −1) e T (0, 1) = (1, 0).
Então, como
or
0 1
[T ]C C = ,
−1 0
ab
temos
x 1
PT (x) = det = x2 + 1.
−1 x
Então x = ±i são os autovalores de T . Neste caso B = α1 = (−1, i), α2 = (1, i)} é a base ordenada que
diagonaliza T , de fato,
el
T (−1, i) = (−i, −1) = i · (−1, i) + 0 · (i, 1)T (1, i) = (−i, 1) = 0 · (−1, i) + (−i) · (i, 1)
e
i 0
[T ]BB = .
0 −i
Em
Teorema 8.3 Seja T um operador linear sobre um espaço de dimensão finita V. Sejam λ1 , . . . , λk autovaores
distintos de T e W1 , . . . , Wk seus respectivos autoespaços. São equivalentes
i) T é diagonalizável,
ii) PT (x) = (x − λ1 )d1 · · · (x − λk )dk com di = dim(Wi )
iii) dim(V) = dim(W1 ) + . . . + dim(Wk )
i) ⇒ ii) Se T
Demonstração. é diagonalizável então existe uma base ordenada B tal que
λ1 0 ··· 0
0 λ2 · · · 0
[T ]BB =
o
..
.
0 0 · · · λn
çã
Portanto, o polinômio característico é
PT (x) = (x − λ1 ) · · · (x − λn ).
Pode acontecer que alguns dos λi ’s sejam iguais. Assuma, sem perder generalidade que os k ≤ n primiros
a
λi são diferentes (podemos reordenar a base ordenada para que fique desta forma). Seja
Por polinômio característico é como em ii) então d1 + · · · + dk = dim(V). Portanto ii) garante iii).
el
W = W1 ⊕ W2 ⊕ · · · ⊕ Wk
tiramos que W = V. Agora, utilizando que os Wi são autoespaços, segue que T é diagonalizável.
■
■ Exemplo 8.4 • Seja T : Rn → Rn uma transformação linear da forma T (V ) = AV para todo V ∈ Rn , onde
5 −6 −6
A = −1 4 2
3 −6 −4
Então
x−5 6 6
PT (x) = det 1 x − 4 −2 = x3 − 5x2 + 8x − 4.
−3 6 x+4
É fácil ver que 1 e 2 são autovalores com multiplicidad 1 e 2 respectivamente. Calculamos os autovetores.
Para isto resolvemmos a equação (A − λ )X = 0 para λ = 1, 2.
81
Para λ= 1
4 −6 −6 u 0
−1 3 2 v = 0
⇒ α1 = (3, −1, 3).
3 −6 −5 w 0
Para λ= 2
3 −6 −6 u 0
−1 2 2 v = 0 ⇒ α2 = (2, 1, 0) e α3 = (2, 0, 1).
3 −6 −6 w 0
vemos então que na base ordenada
o
temos
çã
1 0 0
[T ]BB = 0 2 0 .
0 0 2
a
2 0 0
[T ]BB = 1 2 1
−1 0 1
or
para B = {(1, 1, 1), (0, 1, 0), (0, 0, 1)}.
Observamos que
ab
PT (x) = det(xI − [T ]BB ) = (x − 2)2 (x − 1)
0 0 0 u 0 1 0
1 0 1 v = 0 ⇒ [α1 ]B = 0 e [α2 ]B = 1 .
−1 0 −1 w 0 −1 0
=1
Para x
1 0 0 u 0 0
1 1 1 v = 0 ⇒ [α3 ]B = 1 .
Em
−1 0 0 w 0 −1
vemos então que a base ordenada de autovalores de T são
α1 = 1 · (1, 1, 1) + 0 · (0, 1, 0) + (−1) · (0, 0, 1) = (1, 1, 0)
α2 = 0 · (1, 1, 1) + 1 · (0, 1, 0) + 0 · (0, 0, 1) = (0, 1, 0)
α3 = 0 · (1, 1, 1) + 1 · (0, 1, 0) + (−1) · (0, 0, 1) = (0, 1, −1)
temos
2 0 0
[T ]BB = 0 2 0 .
0 0 1
■
Seja T um operador sobre o F- espaço vetorial V. Como Tl(V, V) tem dimensão (dim(V))2 temos que o
conjunto
2
{I, T, T 2 , . . . , T n }
82 Capítulo 8. Autovalores e Autovetores
é linearmente dependente e portanto existem escalares c0 , c1 , . . . , cn2 não todos nulos tais que
2
c0 I + c1 T + · · · + cn2 T n = 0
I = {p ∈ F, p(T ) = 0}
o
• I é não vazio (se V for finito dimensional)
• o polinômio nulo está em I
• se p(x) ∈ I e q(x) ∈ PF (x) então p(x) + q(x) ∈ I,
çã
• Se p(x) ∈ I então −p(x) ∈ I
•
de onde segue que I é um Ideal PF (x) que é chamado de ideal anulador de T . Pode ser visto que existe um
polinómio m(x) tal que I = m(x) · PF (x)
Definição 8.3 Seja T um operador sobre um F-espaço vetorial V finito dimensional. O polinomio minimal
a
de T , que denotamos por MT , é o único gerador mónico do ideal de polinômios que anula T .
or
Portanto o polinômio minimal está univocamente determinado pelas seguintes propriedades:
i) MT (T ) = 0
ii) MT é um polinômio monico em PF (x)
iii) Nenhum polinômio que anule T tem grau menor do que p.
ab
Teorema 8.4 — Cayley-Hamilton. O polinômio minimal divide ao polinômio característico.
Demonstração. Seja {α1 , . . . , αn } uma base ordenada de V, e seja A a matriz que representa T nessa base
ordenada. Então
n
el
T αi = ∑ A ji α j , 1 ≤ i ≤ n.
j=1
Seja
e considere a matriz B cujas entradas são determinados pelos Bi j (x) onde i denota a coluna e j a linha, isto é
B11 (x) · · · Bn1 (x)
B = ... .. .. .
. .
B1n (x) · · · Bnn (x)
e
f (x) = det(B) = (x − A11 I)(x − A22 I) − A12 A21
= x2 − (A11 + A22 )x + (A11 A22 − A12 A21 )
de onde segue que f (x) = PT (x) é o polonômio.
83
Para n > 2 tambem é claro que det(B) = PT (x) pois PT é o determinante da matriz xI − A cujas entradas são
os polinômios
o
−A12 x − A11
çã
det(B(x)) 0
B̃(x)B(x) = ,
0 det(B(x))
a
n
∑ Bi j (T )α j = 0 1 ≤ i ≤ n.
j=1
de onde
det(B(T ))α1 α1 α1 OV
= B̃(T )B(T ) = B̃(T ) B(T ) = ,
det(B(T ))α2 α2 α2 OV
el
e, portanto, PT (T ) = 0.
Para o caso n > 2, por hipótese, temos que
α1 n
.
Em
B(T ) .. = ∑ Bi j (T )α j = 0
j=1
αn i
Portanto, PT (T ) = 0.
■
O polinômio minimal divide ao caracetrístico mas, será que eles tem as mesmas raizes? Por acontecer, por
exemplo que PT (x) = (x − 1)(x − 3)2 (x − 2)3 e MT = (x − 1)(x − 2)? Veremos que a resposta é não.
Teorema 8.5 O polinomio minimal MT e o polinômio caracteristico PT tem as mesmas raizes, mas não
necessariamente a mesma multiplicidade.
84 Capítulo 8. Autovalores e Autovetores
Demonstração. Seja MT o polinômio minimal de T e c um escalar. Vamos mostrar que MT (c) = 0 se, e somente
se c é um autovalor de T.
Como MT divide a PT temos que se MT (c) = 0 então PT (c) = 0 e, portanto, c é autovalor de T .
Assuma agora que c é autovalor de T e seja α tal que T α = cα. Então como
T n (α) = cn · α ∀ n ∈ N,
temos que, para todo polinômio q(x) vale
q(T )(α) = q(c) · α.
Em oarticular, MT (T )(α) = MT (c)α. Como MT (T ) = 0 então MT (c) = 0. ■
o
■ Exemplo 8.5 • Seja P : V → V um projetor. Vimos anteriormente que se p(x) = x(1 − x) então p(T ) = 0.
Como x = 0 e x = 1 são as unicas raizes do projetor, temos que p(x) é o polinômio minimal de P.
çã
• Se T : V → V é um operador nilpontente, isto é, existe n ∈ N tal que T n = O então q(x) = xn anula T .
Portanto o polinômio minimal MT (x) deve dividir q(x), portanto é da forma MT (x) = xk para k ≤ n.
• Seja T : R4 → R4 definido por T (X) = AX em que
0 1 0 1
a
1 0 1 0
A= 0 1 0 1
1 0 1 0
or
Observamos que A3 − 4A = 0. Então p(x) = x(x + 2)(x − 2) zera T e observamos que todos os divisores
de p(x), isto é x, x − 2, x + 2, (x2 − 4), x(x + 2), x(x − 2) não zeram T .
■
ab
Resumindo:
• Seja (V, +, ·) um espaço vetorial sobre um corpo F e T : V → V um operador linear.
• Assuma que T é diagonalizável e que λ1 , . . . , λn são os diferentes autovalores de T .
• Para cada i seja Wi o espaço de autovetores associados ao autovalor λi
• Seja
el
Bi = {αi1 , . . . , αini }
uma base ordenada de Wi .
Então, colocando estas bases ordenada Bi lado a lado, obtemos uma base ordenada de V,
B = {B1 , . . . , Bn }.
Em
Em particular
dim(V) = dim(W1 ) + · · · + dim(Wn )
e
[λ1 ] 0 . . . 0
0 [λ2 ] . . . 0
[T ]BB =
.. .. ..
. . .
0 0 . . . [cn ]
Com cada [λi ] uma matriz diagonal com as entradas da diagonal iguais a λi .
Portanto, o polinômio característico é da forma
PT [x] = (x − c1 )d1 (x − c2 )d2 · · · (x − cn )dn
com di = dim(Wi ). O minimal será então da forma
MT [x] = (x − c1 )r1 (x − c2 )r2 · · · (x − cn )rn 1 ≤ ri ≤ di .
III
Espaços com Produto Interno
o
a çã
or
ab
el
Em
a çã
or
Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial. Podemos pensar o cojunto subjacente V como um conjunto de pontos.
Nesse caso V (como espaço vetorial) é uma fonte de deslocamentos no conjunto V. Vamos ver isso.
Para diferenciar, denotamos a cada ponto de V, visto como conjunto, por letras p, q, . . . e a cada ponto de V,
visto como espaço vetorial, por α, β , . . ..
ab
Então α age sobre V produzindo o deslocamento
(α, p) → q = p + α.
Queremos introduzir uma geomeria no nosso conjunto de pontos V. De modo geral, uma geometria precisa dos
pontos que, neste caso são os elementos do conjunto, e das retas, que podem ser vitas tomo subconjuntos da
el
forma
ℓ = {p + λ β , λ ∈ F}.
Neste caso dizemos que a reta passa pelo ponto p e tem α como vetor diretor.
O seguinte paso para definir uma geometria e dar uma forma de medir distâncias entre pontos e de uma
Em
forma de medir ângulos entre as retas. Dados dois pontos p, q ∈ V temos o vetor deslocamento α = q − p que
satisfaz
p+α = q
e, se duas retas se interseptam num ponto, então o ângulo entre elas pode ser definido a partir dos vetores
diretores delas.
Para lidar com este último paso e para dar as duas definições simultáneamente introduzimos o conceito de
produto interno.
Definição 9.1 Considere um espaço vetorial (V, +V , ·V ) sobre um corpo F. Um produto interno sobre V
é uma função < , >: V × V → F, que associa para cada par de vetores α, β um escalar < α, β > em F, de
forma tal que para todo α, β , γ ∈ V e c ∈ F temos
i) < α +V β , γ >=< α, γ > +F < β , γ >;
ii) < cα, β >= c < α, β >;
iii) < α, β >= < β , α >;
iv) < α, α >= 0 se e só se α = 0
Um espaço vetorial com produto interno é um espaço vetorial (V, +V , ·V ) munido de um produto
88 Capítulo 9. Espaços com produto interno
α = (a1 , . . . , an ) e β = (b1 , . . . , bn ),
o
temos que
çã
< α, β >= a1 b1 + · · · + an bn .
a
então
–
or
< α + β , γ > = (a1 + b1 )c1 + · · · + (an + bn ) · cn
= < α, γ > + < β , γ >
–
< k · α, γ > = (ka1 )c1 + · · · + (kan ) · cn
ab
= k < α, γ >
–
< α, β > = (a1 · b1 ) + · · · + (an · bn )
= < β,α >
–
el
– Observamos que
n n
(AAT )ii = ∑ Ai j ATji = ∑ A2i j
j=1 j=1
de onde
n
< A, A >= ∑ A2i j
i, j=1
o
< A, A >= 0 ⇔ A = 0.
çã
iii) Seja (V, < , >) é um espaço com produto interno e (W, +W , ·W ) um espaço vetorial. Seja T : W → V
uma transformação linear injetora. Definimos um produto interno por
iv) No espaço vetorial das funções continuas em f : [0, 1] → R com definimos o produto interno
a
Z 1
< f , g >= f (x)g(x) dx.
v) Em R3 a função
0
or
< (x1 , x2 , x3 ), (y1 , y2 , y3 ) >= x1 y1 + x2 y3
ab
não é produto interno. De fato, ele satisfaz todas as propriedades menos a última pois
Considere um espaço vetorial (V, +V , ·V ) sobre um corpo F munido de um produto interno < , >. Considere
uma base ordenada B = {α1 , . . . , αn } de V. Sejam
α = x1 · α1 + · · · + xn · αn e β = y1 · α1 + · · · + yn · αn
Em
Portanto se
< α1 , α1 > · · · < α1 , αn >
A=
.. .. ..
. . .
< αn , α1 > · · · < αn , αn >
Definição 9.2 Considere um espaço vetorial (V, +V , ·V ) sobre um corpo F munido de um produto interno
< , >. Considere uma base ordenada B = {α1 , . . . , αn } de V. A Matriz do produto interno < , > é a
matriz
< α1 , α1 > · · · < α1 , αn >
A=
.. .. ..
. . .
< αn , α1 > · · · < αn , αn >
T
Obs. A matriz do produto interno é Hermitiana, isto é, A = (A) . Isto segue da identidade < αi , α j >= < α j , αi >.
o
No caso F = R a matriz A é simétrica.
Definição 9.3 Considere um espaço vetorial (V, +V , ·V ) sobre um corpo F munido de um produto interno
çã
< , >. Dado α ∈ V definimos a norma de α como sendo
√
||α|| = < α, α >
a
Obs. A norma é um mapa || || : V → F que satisfaz as seguintes identidades polarização
• (Identidade de Polarização) No caso F = C temos
or
||α ± β ||2 = ||α||2 + ±2Re(< α, β >) + ||β ||2
Demonstração.
||α ± β ||2 = < α ±β,α ±β >
= ||α||2 ± (< α, β > + < β , α >) + ||β ||2
ab
= ||α||2 + ±2Re(< α, β >) + ||β ||2
■
• (Identidade de Polarização) No caso F = R temos
Demonstração.
||α ± β ||2 = < α ±β,α ±β >
= ||α||2 ± (< α, β > + < β , α >) + ||β ||2
= ||α||2 + ±2(< α, β >) + ||β ||2
Em
■
• ||c · α|| = |c|||α||
Demonstração. Segue de observar que
■
• ||α|| > 0 para α ̸= 0.
Demonstração. Segue da definição de produto interno e norma. ■
• Desigualdade de Cauchy-Scwartz: Para todo α, β ∈ V,
o
||α + β ||2 = ||α||2 + ||β ||2 + 2Re < α, β >
≤ ||α||2 + ||β ||2 + 2||α|| ||β ||
çã
= (||α|| + ||β ||)2 .
■
Seja então (V, +V , ·V ) um espaço vetorial e considere V como conjunto subjacente. Dados dois pontos P e
Q em V, como podemos considerá-los como vetores, temos definido o que é
a
α = P−Q como vetor no espaço vetorial V. or
■ Exemplo 9.2 Em R2 como espaço vetorial, temos o produto interno canônico: se α = (x1 , x2 ) e β = (y1 , y2 )
então
< α, β >= x1 y1 + x2 y2 .
Agora, no conjunto R2 definimos a distância entre dois pontos
ab
P = (p1 , p2 ) e Q = (q1 , p2 )
definimos
q
d(P, Q) = (q1 − p1 )2 + (q2 − p2 )2 .
el
Os dois conceitos, produto interno e distância, se relacionam como segue: construímos o vetor
αPQ = P − Q = (q1 − p1 , q2 − p2 ).
Em
então
p
d(P, Q) = < αPQ , αPQ > := ||αPQ ||
Por outro lado, para definir o ângulo, temos que utilizar o teorema do cosseno. De fato, considere o ângulo
[ para O = (0, 0)
formado por QOP
92 Capítulo 9. Espaços com produto interno
o
çã
Então, pelo teorema do cosseno temos que
a
q q
(q1 − p1 )2 + (q2 − p1 )2 = p21 + p22 + q21 + q22 − 2 p21 + p22 q21 + q22 cos(θ )
q q
or
−2(p1 q1 + p2 q2 ) = 2 p21 + p22 q21 + q22 cos(θ )
(p1 q1 + p2 q2 )
q q = cos(θ )
p1 + p2 q21 + q22
2 2
ab
De onde obtemos que
< αOP , αOQ >
cos(θ ) = .
||αOP || ||αOQ ||
el
Observamos que o que foi feito aqui em R2 pode ser generalizado para Rn . Isto decorre do fato de que,
dados três pontos distintos O, P, Q em Rn sempre podemos considerar o subespaço
W = span{αOP , αOQ }
que é naturalmente isomorfo a R2 e fazer as mesmas contas alí para obter um resultado similar.
Em
Podemos generalizar o visto acima para um espaço vetorial qualquer, isto é, podemos definir uma geometria
a partir do produto interno definindo distância e ângulo como no exemplo acima
Definição 9.4 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial e considere o próprio V como conjunto. Dados P, Q ∈ V
definimos o vetor
αPQ = Q − P
• Dados dois vetores α, β ∈ V definimos o ângulo entre eles como sendo o θ ∈ [0, π] tal que
< α, β >
cos(θ ) =
||α|| ||β ||
Obs.
• A desigualdade de Cauchy-Schwartz nos garante que
| < α1 , α2 > |
∈ [0, 1].
||α1 || ||α2 ||
o
Definição 9.5 Considere um espaço vetorial (V, +V , ·V ) sobre um corpo F munido de um produto < , >.
• dois vetores α e β vetores em V em um espaço vetorial com produto interno (V, <, >). Dizemos que
çã
α e β são ortogonais se < α, β >= 0.
• seja S um conjunto de vetores em V, dizemos que S é um conjunto ortogonal se todo par de vtores
em α, β ∈ S são ortogonais.
• um conjunto S é um conjunto ortonormal se, alem de ser ortogonal, temos que todos seus vetores tem
norma igual a 1.
a
Obs. Considere um espaço vetorial (V, +V , ·V ) sobre um corpo F munido de um produto < , >. O vetor nulo OV
or
é o único vetor ortogonal a todo vetor de V. De fato, se γ ̸= OV temos que < γ, γ ≯= 0 e, portanto, não
pode ser ortogonal a ele mesmo.
■ Exemplo 9.3 • O conceito de ortogonalidade depende da definição do produto interno. Por exemplo
considere R2 com o produto interno
ab
< (x1 , x2 ), (y1 , y2 ) >= x1 y1 + (x1 y2 + x2 y1 ) + 2x2 y2 .
< α, β >= 1.
Mais ainda,
T 1 0
||A|| = Traço(AA ) = Traço = 1.
0 0
T 1 0
||B|| = Traço(BB ) = Traço = 1.
0 0
Portanto, {A, B} é um conjunto ortonormal. De forma similar, podemos ver que
1 0 0 1 0 0 0 0
B= , , , ,
0 0 0 0 1 0 0 1
é um conjunto ortonormal.
94 Capítulo 9. Espaços com produto interno
• No espaço vetorial das funções contínuas f : [0, 1] → R com definimos o produto interno
Z 1
< f , g >= f (x)g(x) dx.
0
Vamos mostrar que, de fato, a função acima é um produto interno. Sejam f , g, h : [0, 1] → R três funções
contínuas quaisquer e k ∈ R.
– Z 1
< f + g, h > = ( f + g)(x)h(x) dx
0
Z 1 Z 1
o
= f (x)h(x) dx + g(x)h(x) dx
0 0
= < f , h > + < g, h >
çã
– Z 1
< k · f,h > = k f (x)h(x) dx
0
= k < f,h >
– Z 1
a
< f,h > = k f (x)h(x) dx
0
Z 1
=
0
= < h, f >
kh(x) f (x) dx
or
– Z 1
< f, f > = f (x)2 dx ≥ 0.
ab
0
Claramente se f = 0 então < f , f >= 0. Por outro lado, se f ̸= 0 existe x0 ∈ [0, 1] tal que f (x0 ) =
s0 ̸= 0. Da continuidade de f dado ε > 0 existe um δ > 0 tal que se x ∈ (x0 − δ , x0 + δ ) temos que
f (x) ∈ (s0 − ε, s0 + ε). Portanto f (x)2 > (s0 − ε)2 para todo x ∈ (s0 − δ , s0 + δ ), de onde
Z 1 Z x0 +δ
< f , f >= f (x)2 dx ≥ f (x)2 dx > 0.
el
0 x0 −δ
são ortogonais.
• No espaço vetorial dos polinômios PR2 [x] definimos o produto interno
Z 1
< p(x), q(x) >= p(x)q(x) dx.
−1
Em particular, a matriz do produto interno na base B = {p1 (x) = 1, p2 (x) = x, p3 (x) = x2 } é dada pelas
relações
temos que
< p(x), q(x) > = < 2p1 + p2 , p2 − p3 >
= 2 < p1 , p2 > −2 < p1 , p3 > + < p2 , p2 > − < p2 , p3 >
= 2 · 0 − 2 · (2/3) + (2/3) − 0
= −2/3.
■
Teorema 9.1 Considere um espaço vetorial (V, +V , ·V ) sobre um corpo F munido de um produto interno
< , >. Todo conjunto S = {α1 , . . . , αn } ⊂ V de vetores não nulos e ortogonais é linearmente independente.
Mais ainda, se β é um vetor que é combinação linear de vetores α1 , . . . , αn então
o
n
< β , αi >
β=∑ αi .
çã
i=1 ||αi ||
Demonstração. Seja S um conjunto de vetores ortogonais e assuma que β é uma combinação linear de um
número finito deles, isto é
a
β = a1 α1 + · · · + ak αk
Demonstração. Primeiramete ordenamos o conjunto S = {β1 , . . . , βn }. Agora, para provar o resultado cons-
truimos um jogo:
α1 = β1
j
< β j+1 , αk >
α j+1 = β j+1 − ∑ αk .
Em
Decorre da demostração do resultado anterior seguea construção de um algoritmo para obter um conjunto
ortonormal a partir de um conjunto linearmente independente. Este algoritmo é conhecido como processo de
Gram-Schmidt e passamos a descrevé-lo. Considere um espaço vetorial de dimensão finita (V, +V , ·V ) sobre
um corpo F munido de um produto interno < , >. Seja S = {β1 , . . . , βn } um conjunto de vetores linearmente
independentes . Construímos S ′ = {α1 , . . . , αn } pelo jogo
α1 = β1
j
< β j+1 , αk >
α j+1 = β j+1 − ∑ αk ∀ j ≤ n − 1.
k=1 ||αk ||2
96 Capítulo 9. Espaços com produto interno
e finalmente, construímos,
′′ 1 1
S = · α1 , . . . , · αn .
||α1 || ||αn ||
span{S } = span{S ′′ }.
■ Exemplo 9.4 • Considere no espaço vetorial R3 , munido com o produto interno canônico, o conjunto
o
S = {α1 = (1, 0, 0), α2 = (1, 2, 0), α3 = (0, 1, 4)} .
Sejam
çã
β1 = α1 ⇒ ||β1 ||2 = 1
< α2 , β1 >
β2 = α2 − β1 = (0, 2, 0) ⇒ ||β2 ||2 = 4
||β1 ||2
< α3 , β2 > < α3 , β1 >
β3 = β3 − β2 − β1 = (0, 0, 4) ⇒ ||β3 ||2 = 16
||β2 ||2 ||β1 ||2
a
E, por fim, fazendo
1
γ1 =
||βi ||
· βi ∀ i = 1, 2, 3.
or
temos
o conjunto
1 0 1 1 0 0
S = A1 = , A2 = , A3 =
0 1 0 0 0 1
Sejam
Em
B1 = A1 ⇒ ||B1 ||2 = 2
< A2 , B1 > 1/2 1
B2 = A2 − B1 = ⇒ ||B2 ||2 = 3/2
||B1 ||2 0 −1/2
< A3 , B2 > < A3 , B1 > −1/3 1/3
B3 = A3 − B2 − B1 = ⇒ ||B3 ||2 = 1/3
||B2 ||2 ||B1 ||2 0 1/3
E, por fim, fazendo
1
C1 = ·Ci ∀ i = 1, 2, 3,
||Ci ||
temos
√ √ √ √
′ 1/ 2 0√ 1/ 6 1√ −1/ 3 1/ 3
S = C1 = , C2 = , C3 =
0 1/ 2 0 −1/ 6 0 1/3
■
97
Definição 9.6 Considere um espaço vetorial de dimensão finita (V, +V , ·V ) sobre um corpo F munido de
um produto interno < , >. Um conjunto S é um conjunto ortonormal se S for ortogonal e todos seus
elementos tem norma 1. Em particular, uma base ortonormal é uma base que, como conjunto, é ortonormal.
Corolário 9.1 Considere um espaço vetorial de dimensão finita (V, +V , ·V ) sobre um corpo F munido de um
produto interno < , >. Então V admite uma base ortonormal ordenada.
o
a11 · · · a1n
A = ... . . . ... ∈ M (n × n, F).
çã
an1 · · · ann
a
. . .
. . .. ...
f ( x1 · · · xn , y1 · · · yn ) = x1 · · · xn ..
an1 · · · ann yn
or
é um produto interno se, e somente se, existe uma matriz invertível P tal que A = P P
T
f (α1 , α1 ) · · · f (α1 , αn )
A=
.. .. ..
. . .
f (αn , α1 ) · · · f (αn , αn )
então
Em
T
(PAP ) jk = ∑ Pjr Ars (P̄T )sk
r,s
T
De onde segue que [ f ]B′ = PAP .
T
Se f é um produto interno ent ao, existe uma base ortonormal e, portanto existe uma base na qual PAP = I.
Seja Q = P−1 então
T T T
QQ = QPAP Q
= A,
de onde segue o pedido.
98 Capítulo 9. Espaços com produto interno
T
⇐) Seja A = QQ e B a base canônica de Fn . Defina
T
f (α, β ) = [α]B A[β ]B = ([α]B Q) · ([β ]B Q)T .
Agora só resta verificar que tal f é um produto interno, o que fica como exercício.
■
Definição 9.7 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
produto interno < , > e S um subconjunto de V. O complemento ortogonal de S, que denotamos por S⊥ , é
o
■ Exemplo 9.5 • Em R3 com o produto interno canônica, seja
çã
S = {(x, y, z) ∈ R3 , x + y = z}
Então
a
Portanto α = (a, b, c)
inS⊥ se
Seja
1 1 1 −1
S = span B1 = , B2 =
Em
0 1 0 0
a b
Observamos que um elementos A = estará em S⊥ se
c d
1 0 a b
0 =< A, B1 >= Traço = a+b+d
1 1 c d
1 0 a b
0 =< A, B2 >= Traço = a−b
−1 0 c d
Portanto
a a
A=
c −2a
e
a a
S⊥ = , a, c ∈ R
c −2a
99
considere
o
0 2 3
Z 1
5a 7b 9c
0 =< p2 , q >= (a + bx + cx2 )(x − x2 ) dx = + + .
çã
0 6 12 20
De onde
a
■
Corolário 9.2 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
produto interno < , > e W ⊂ V um subconjunto. Então
i) W⊥ é subespaço.
or
ii) Se W é subespaço, então V = W ⊕ W⊥ . Mais ainda, se α = γ1 + γ2 com γ1 ∈ W e γ2 ∈ W⊥ então vale
o Teorema de Pitágoras
ab
||α||2 = ||γ1 ||2 + ||γ2 ||2 .
Portanto k · α + β ∈ W⊥ e W⊥ é subespaço.
ii) Seja B1 = {α1 , . . . , αk } uma base ortonormal de W. Completamos a uma base ortonormal de V (podemos
primeiro completar a uma base de V e, depois, aplicar Gram-Schmidt).
Em
B = {α1 , . . . , αk , αk+1 , . . . , αk }
< α, α >= 0
Proposição 9.1 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
produto interno < , > e W1 , W2 ⊂ V subconjuntos. Então
• (W1 ∩ W2 )⊥ = W⊥ 1 + W2
⊥
• Se W1 ⊂ (W⊥ ⊥
1 ) e se W1 for subespaço então a igualdade vale.
W⊥ ⊥
1 + W2 .
Por outro lado, se α ∈ W⊥1 temos que < α, γ >= 0 para todo γ ∈ W1 . Portanto α ∈ (W1 ∩ W2 ) .
⊥
⊥ ⊥ ⊥
Análogamente se α ∈ W2 . Portanto W1 + W2 ⊂ (W1 ∩ W2 ) . ⊥
o
Se W1 for subespaço então, por um lado, V = W ⊕ W e, também V = W ⊕ (W ) . De onde segue
que W = (W⊥ )⊥ .
■
çã
■ Exemplo 9.6 • Seja R3 munido do produto interno
Seja
a
π = {(x, y, z) ∈ R3 , x + y = z}. or
Então π = span{(1, 0, 1), (0, 1, 1)}. Se (a, b, c) ∈ π ⊥ temos que
0 =< (a, b, c), (1, 0, 1) > = a + 2c ⇒ a = −2c
0 =< (a, b, c), (0, 1, 1) > = 2b + 2c ⇒ b = −c
portanto
ab
π ⊥ = {c · (−2, −1, 1), c ∈ R}.
Observamos que
∈π ∈ π⊥
z }| { z }| {
B = {(1, 0, 1), (0, 1, 1), (−2, −1, 1)}
el
R3 = π ⊕ π ⊥
a çã
Considere
or
• um espaço vetorial de dimensão finita (V, +V , ·V ) sobre um corpo F munido de um produto interno < , >,
• uma base ortonormal ordenada de V
ab
B = {α1 , . . . , αn },
α = ∑ < α, αi > αi ,
i
T αk = ∑ < T αk , αi > αi ,
i
■
102 Capítulo 10. Operadores em Espaços com Produto interno
para
B = {α1 , . . . , αn },
o
T ∗ (αi ) = Ai1 · α1 + · · · + Ain · αn
= < T (α1 ), αi > · α1 + · · · + < T (αn ), αi > · αn
çã
= < αi , T (α1 ) > ·α1 + · · · + < αi , T (αn ) > ·αn .
Observamos que
n
a
< T (αi ), α j > = ∑ Aki < αk , α j >
k=1
= A ji
∗
< αi , T (α j ) > =
*
n
αi , ∑ A jk · αk
+
or
k=1
= A ji .
ab
De onde segue que
n
< T (α), β > = ∑ ai b j < T (αi ), α j >
i, j=1
n
= ∑ ai b j < αi , T ∗ (α j ) >
i, j=1
= < α, T ∗ (β ) > .
Em
Teorema 10.1 Considere um espaço vetorial de dimensão finita (V, +V , ·V ) sobre um corpo F munido de
um produto interno < , >. Dado um operador T : V → V, existe um único operador T ∗ em V tal que
< T α, β >=< α, T ∗ β >. Mais ainda, [T ∗ ]B′ B′ = ([T ]B′ B′ )T para toda base ortonormal B ′ .
Demonstração. Vimos anteriormente que, dado um operador T : V → V e uma base ortonormal ordenada B,
existe um operador T ∗ em V tal que
o
||(T ∗ − S)β || = 0 ∀β .
de onde T ∗ = S. ■
çã
Definição 10.1 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
produto interno < , > e T : V → V um operador, O operador adjunto de T , que denotamos por T ∗ é um
operador T ∗ : V → V tal que < T α, β >=< α, T ∗ β > para todo α, β ∈ V.
a
Obs. Pelo teorema 10.1, se V é um espaço de dimensão finita o operador adjunto. Isto continua a ser válido ainda
or
em espaços vetoriais com produto interno de dimensão infinita.
■ Exemplo 10.1 • Considere, no espaço das funções contínuas C([0, 1], R) munido do produto interno
Z 1
ab
< f , g >= f (x)g(x) dx f , g ∈ C([0, 1], R).
0
Z 1
= f (x)(xg(x)) dx
0
Z 1
= f (x)T (g)(x) dx
0
= < f , T (g) > .
Em
é autoadjunto. De fato
< T (x, y, z), (u, v, w) > = < (y, x, 2z), (u, v, w) >
= uy + vx + 2zw
= < (x, y, z), (v, u, 2w) >
= < (x, y, z), T (u, v, w) > .
■
Proposição 10.1 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
produto interno < , >, T e U dois operadores em V e c é um escalar então
i) (T +U)∗ = T ∗ +U ∗ ;
ii) (cT )∗ = c̄T ∗ ;
iii) (T ◦U)∗ = U ∗ ◦ T ∗
iv) (T ∗ )∗ = T
104 Capítulo 10. Operadores em Espaços com Produto interno
o
< (T +U)∗ (α), β > = < α, (T +U)(β ) >
= < α, T (β ) > + < α,U(β ) >
çã
= < T ∗ (α) +U ∗ (α), β >
= < (T ∗ +U ∗ )(α), β > .
Portanto (T +U)∗ = T ∗ +U ∗ .
ii) Para quaisquer α, β ∈ V observamos que
< (cT )∗ (α), β > = < α, (cT )(β ) >
a
= c < α, T (β ) >
= c < T ∗ (α), β >
Portanto (cT )∗ = cT ∗ .
or
= < (cT ∗ )(α), β > .
Portanto (T ◦U)∗ = U ∗ ◦ T ∗ .
iv) Para quaisquer α, β ∈ V observamos que
< (T ∗ )∗ (α), β > = < α, (T ∗ )(β ) >
=< α, T (β ) >
= < T (α), β > .
Em
Portanto (T ∗ )∗ = T .
■
■ Exemplo 10.2 • Sobre Rn com o produto interno canônico considere o operador T : Rn → Rn dado por
T (X) = AX para A ∈ M (n × n, R). Como, para todo X, Y ∈ Rn temos que
< T (X),Y > = (AX)T Y
= X T AT Y.
Então T ∗ : Rn → Rn definido por T ∗ (X) = AT X é o único operador tal que
Seja M uma matriz fixa, de tamanho n × n, então considere a transformação linear T (A) = MA. Podemos
105
o
Z 1
< f , g >= ¯ dt.
f (t)g(t)
0
çã
Seja h um polinômio e defina T ( f ) = h f então T ∗ ( f ) = h̄ f .
• O adjunto de um operador, nos espaços de dimensão infinita, não sempre existe. De fato, sobre o mesmo
espaço anterior definimos o operador D =derivada em x. Então, integração por partes garante
< D f , g >= f (1)g(1) − f (0)g(0)− < f , Dg >
a
Fixamos g e procuramos D∗ g é um polinômio tal que < D f , g >=< f , D∗ g >. Nesse caso, temos que
para todo f
or
< f , D∗ g >=< D f , g >= f (1)g(1) − f (0)g(0)− < f , Dg >
de onde
ab
< f , D∗ g + Dg >= f (1)g(1) − f (0)g(0)
Fixamos uma g qualquer e definimos o funcional L( f ) = f (1)g(1) − f (0)g(0). Pelas propriedades acima,
se D∗ g existe,
L( f ) =< h, f >
el
para h = D∗ g + Dg. Observamos que se f = x(1 − x)h (aqui entra que a dimensão não é finita pois muda
o grau) então f (0) = f (1) = 0 e L(x(x − 1)h(x)) = 0. Por outro lado,
Z 1
L(x(1 − x)h) = x(1 − x)h(x)2 dx ≥ 0
0
Em
Teorema 10.2 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
produto interno < , >, T : V → V um operador linear e W ⊂ V um subespaço. Se W é invariante por T , isto
é,
T (α) ∈ W ∀ α ∈ W
T ∗ (β ) ∈ W⊥ ∀ β ∈ W⊥ .
106 Capítulo 10. Operadores em Espaços com Produto interno
Demonstração. Observamos que o fato de W ser invariante por T não significa que para cada vetor α ∈ W
temos que T α ∈ W. Seja β ∈ W⊥ . então para todo α ∈ W temos que
donde T ∗ β ∈ W⊥ .
■
■ Exemplo 10.3 Considere R3 com o produto interno canônico. Seja T : R3 → R3 tal que
o
T (1, 0, 0) = (1, 2, 1), T (0, 1, 0) = (1, 1, 0) e T (0, 0, 1) = ((1, 0, 1)
isto é
çã
T (x, y, z) = (x + y + z, 2x + y, x + z).
a
[T ]C C = 2 1 0 ⇒ [T ∗ ]C C = 2 1 0
1 0 1 1 0 1
de onde
or
1 2 1 x x + 2y + z
[T ∗ (x, y, z)]C = [T ∗ ]C C [(x, y, z)]C = 1 1 0 y = x + y
ab
1 0 1 z x+z
Portanto
T ∗ (x, y, z) = (x + 2y + z, x + y, x + z)
el
Observamos que se
então, como T (0, 1, −1) = (0, 1, −1) temos que T (π) ⊂ π. Por outro lado
Em
como
a çã
or
Começamos nossa discussão sobre alguns tipos específicos de operadores sobre espaços vetoriais com produto
interno.
Definição 11.1 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
produto interno < , > e T : V → V um operador. Dizemos que T é hermitiano ou autoadjunto se T = T ∗ .
ab
■ Exemplo 11.1 • Considere, no espaço das funções contínuas C([0, 1], R) munido do produto interno
Z 1
< f , g >= f (x)g(x) dx f , g ∈ C([0, 1], R).
0
el
Z 1
= f (x)T (g)(x) dx
0
= < f , T (g) > .
• Considere R3 munido do produto interno canônico. Então
é autoadjunto. De fato
< T (x, y, z), (u, v, w) > = < (y, x, 2z), (u, v, w) >
= uy + vx + 2zw
= < (x, y, z), (v, u, 2w) >
= < (x, y, z), T (u, v, w) > .
■
Teorema 11.1 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
produto interno < , > e T : V → V um operador autoadjunto. Então todo autovalor é real e os autovetores
108 Capítulo 11. Operador Autoadjunto
o
(λ1 − λ2 ) < α1 , α2 > = < T α1 , α2 > − < α1 , T α2 >
= 0
çã
donde < α1 , α2 >= 0.
■
Teorema 11.2 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
a
produto interno < , > e T : V → V um operador autoadjunto. Então T possui um autovetor não nulo.
or
Demonstração. Como V tem dimensão finita temos uma base ortonormal finita B sobre V e a matriz A = [T ]BB
é tal que A∗ = A. O polinômio característico do operador é dado por
A = AT ⇒ S é autoadjunto.
e, terá raizes que são reais pois S é autoadjunto. Mas essas raizes reais serão também autovalores de T . Portanto
T admite um autovetor não nulo. ■
Teorema 11.3 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
produto interno < , > e T : V → V um operador linear um operador linear autoadjunto. Então existe uma
base ortonormal ordenada que diagonaliza T .
Demonstração. Assuma que dim(V) > 0. Sabemos pelo teorema anterior que T tem um autovetor não nulo α.
1
Seja α1 = ||α|| α tal que α1 é autovetor de T com ||α1 || = 1. Se dim(V) = 1 acabamos. Se não procedemos
por indução na dimensão do espaço.
Suponha que o teorema é verdadeiro para espaçõs de dimensão menor que a dimensão de V. Sabemos que o
subespaçõ W gerado por α1 é invariante por T . Pelo teorema anterior W⊥ é invariante por T ∗ = T. Agora W⊥ é
um espaço vetorial com produto interno de dimensão menor que V. Seja U o operador linear induzido em W⊥
por T , isto é a restrição de T a W⊥ definida por
U : W⊥ → W⊥ U(β ) = T (β ) ∈ W⊥ .
109
Então
< U(β1 ), β2 > = < T (β1 ), β2 >
= < β1 , T ∗ (β2 ) >
= < β1 , T (β2 ) >
= < β1 ,U(β2 ) > .
o
Agora, a hipótese indutiva garante a existência de uma base ortonormal {α2 , . . . , αn } formada por autovetores de
U que, no caso, também o serão de T . Como V = W ⊕ W⊥ temos que {α1 , α2 , . . . , αn } é a base procurada. ■
çã
■ Exemplo 11.2 Considere R3 com o produto interno canônico Seja T : R3 → R3 definido por
a
4 2 2
[T ]C C = 2 4 2
2 2 4
or
Observamos que como o espaço vetorial está sobre R e a matriz de T numa base ortonormal é simétrica, temos
que T ∗ = T . Calculamos os autovalores, para isso observamos que
x − 4 −2 −2
ab
det(xI − [T ]C C ) = det −2 x − 4 −2 = (x − 8)(x − 2)2
−2 −2 x − 4
No caso x = 8 temos que o autoespaço associado V8 será o conjunto solução do sistema ([T ]C C − 8I)X = 0,
isto é
−4 2 2 x 0
2 −4 2 y = 0 ⇒ x = y = z
2 2 −4 z 0
Em
Portanto
V8 = {λ (1, 1, 1), λ ∈ R}
o
T (α1 ) = 8α1 , T (α2 ) = 2α2 , e T (α3 ) = 2α3 .
Portanto,
çã
8 0 0
[T ]BB = 0 2 0 .
0 0 2
a
Neste caso, se
√1 √1 √1 √1 √1 √1
3 2 6 3 3 3
[I]C B =
√1
3
√1
3
0
− √12
− √26
√1
6
⇒
or
[I]BC = [I]−1
CB =
√1
2
√1
6
0
− √26
− √12
√1
6
temos que
ab
[T ]BB = [I]BC [T ]C C [I]C B .
Teorema 11.4 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
produto interno < , > e T : V → V um operador linear. Sejam B1 e B2 duas bases ortonormais. Então,
• se F = C existe uma matriz unitaria U, tal que
Em
U T [T ]B1 B1 U = [T ]B2 B2 .
U T [T ]B1 B1 U = [T ]B2 B2 .
Demonstração. Provamos o caso F = C pois o caso mF = R é análogo e segue de observar que todas as entradas
são reais.
Assuma que B1 = {α1 , . . . , αn } e que B2 = {β1 , . . . , βn } são as bases ortonormais. Então, sabemos que
existem escalares ai j ∈ C tais que
βi = a1i · α1 + · · · + ani · αn .
Considere então
a11 · · · a1n
U = [IV ]B1 B2 = ... . . . ...
o
an1 · · · ann
çã
1 ··· 0
U T ·U = ... . . . ...
0 ··· 1
a
e, portanto, U é unitária. Decorre disto que
Corolário 11.1 Seja A ∈ M (n × n, R) uma matriz simétrica, então existe uma matriz ortogonal O ∈
M (n × n, R) e uma matriz diagonal D ∈ M (n × n, R) tal que
OT AO = D
Em
Demonstração. Segue de construir o operador linear T : Rn → Rn , para Rn munido do produto interno canônico,
como T (X) = AX. Então, na base canônica C temos que [T ]C C = A e, portanto, é simétrica. De onde segue
que T é autoadjunto e, portanto, diagonalizável. Seja B a base ortonormal ordenada que diagonaliza T e
D = [T ]BB a matriz diagonal formada pelos autovalores associados aos autovetores seguindo a ordem. Pelo
teorema anterior, existe uma matriz ortogonal O tal que
OT AO = D.
Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um produto interno
< , > e f : V × V → R uma função tal que
• f (kα + β , γ) = k f (α, γ) + f (β , γ),
• f (α, β ) = f (β , α),
para todo α, β , γ ∈ V e k ∈ F. Vamos mostrar que existe um único operador T : V → V tal que
o
Assuma que existe U : V → V tal que f (α, β ) =< U(α), β >, então
çã
de onde segue que T = U.
■
a
< A, B >= Traço(BT A). or
Seja f : V × V → R definida por
A= , E1 = , E2 = , E3 = e E4 = .
c d 0 0 0 0 1 0 0 1
Calculamos
Portanto
a b a b 1 0 a b
T = a · E1 + b · E2 = =
c d 0 0 0 0 c d
Corolário 11.2 — Teorema dos eixos principais. Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita
sobre um corpo F munido de um produto interno < , > e f : V × V → F uma função tal que
• f (kα + β , γ) = k f (α, γ) + f (β , γ),
• f (α, β ) = f (β , α).
Então existe uma base ortonormal B = {α1 , . . . , αn } de V tal que f (αi , α j ) = 0 se i ̸= j.
11.1 Aplicação à classificação de cônicas e quádricas. 113
Demonstração. Seja T o operador linear tal que f (α, β ) =< T (α), β > para todo α, β ∈ V. Então, como
f (α, β ) = f (β , α)
o
= < α, T (β ) > .
Segue então que T = T ∗ . Assim temos que existe uma B = {α1 , . . . , αn } de V e escalares λ1 , . . . , λn em F tais
çã
que tal que T (αi ) = λi · αi , de onde segue o resultado. ■
a
< (x1 , . . . , xn ), (y1 , . . . , yn ) >= x1 y1 + · · · + xn yn .
Seja
or
C = {e1 = (1, 0 . . . , 0), . . . , en = (0, . . . , 0, 1)}
A base canônica que é, naturalmente uma base ortonormal e, claramente, cada ponto do espaço P = (x1 , . . . , xn )
ab
pode ser visto como o vetor deslovamento de O = (0, . . . , 0) até P da seguinte forma
OP = x1 · e1 + · · · + xn · en .
x̂ j = {P ∈ Rn , OP = λ · e j , λ ∈ R},
de modo tal que, cada entrada do ponto P = (x1 , . . . , xn ) é tal que a projeção ortogonal
Px̂ j (OP) = x j · e j .
Em
A pergunta é, podemos clasificar os conjuntos G ? e, se sim de quantas formas diferentes eles são.
Para esboçar uma resposta, podemos escrever, em notação matricial
a11 · · · a1n x1 x1
.. . . . . .
h(x1 , . . . , xn ) = (x1 , . . . , xn ) . . .. .. + b1 · · · bn .. + c
an1 · · · ann xn xn
114 Capítulo 11. Operador Autoadjunto
Defininido
a11 · · · a1n x1
A = ... . . . ...
..
X = . e B = b1 · · · bn
an1 · · · ann xn
Podemos escrever, em notação matricial,
h(X) = X T AX + BX + c
Agora, como A é uma matriz simétrica sabemos que existe uma matriz ortogonal O tal que se
o
λ1 · · · 0
D = ... . . . ... ⇒ OT DO = A.
çã
0 · · · λn
Observamos que a transformação linear T : Rn → Rn definida por
T (X) = OX
a
é bijetora, com inversa T −1 (X) = OT X e que satisfaz
< T (X), T (Y ) > = (T (X))T · T (Y )
= X T OT OY
= XTY
or
= < X,Y > .
Isto significa que T preserva ângulos e comprimentos. Mais ainda, se consideramos a base ortonormal B =
ab
{α1 , . . . , αn } tal que
[I]BC = O
O j = T (e j ).
ŷ j = {P ∈ Rn , OP = λ · α j , λ ∈ R},
Em
de modo tal que, cada entrada do ponto P = (y1 , . . . , yn ) é tal que a projeção ortogonal
Pŷ j (OP) = y j · e j .
h(T −1 (Y )) = Y T DY + B̃Y + c,
Observamos que, o lado direito da equação pode ser escrito como segue
n
∑ (λi y2i + b̃i yi ) + c
j=1
a çã
or
Estudaremos agora um operador autoadjunto particular que é o operador Projeção ortogonal.
Definição 12.1 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
produto interno < , > e W um subconjunto de V e β um vetor em V que não está em W.
ab
Um vetor α em W é dito a melhor aproximação de β se para todo γ em W temos que
Teorema 12.1 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
produto interno < , >, W um subespaço de V e seja β um vetor em V.
el
2
αi
i=1 ||αi ||
é a melhor aproximação de β
para todo γ ∈ W.
Como todo vetor τ em W pode ser escrito como τ = α − γ com γ ∈ W, observamos que
o
τ =− (α − γ).
||α − γ||2
Substituindo na expressão acima obtemos
çã
| < β − α, α − γ > |2 | < β − α, α − γ > |2 | < β − α, α − γ > |2
− = −2 + ≥0
||α − γ||2 ||α − γ||2 ||α − γ||2
o que ocorre se, e somente se, < β − α, α − γ >= 0. De onde segue que β − α é ortogonal a todo vetor
a
em W.
ii) Pelo que vimos no item anterior, a condição de ortogonalidade é satisfeita no máximo por um vetor. De
fato se existir um α ′ ∈ W tal que α ′ ̸= α e que também é a melhor aproximação de β então poderíamos
construir um τ como acima tal que
or
| < β − α, α − γ > |2
− ≥0
||α − γ||2
ab
o que gera uma contradição.
iii) Sabemos que W tem uma base ortogonal {α1 , . . . , αn }. Então, β − α é ortogonal a todo αi . Portanto,
Agora, como
el
n n
< α, αi > < β , αi >
α=∑ 2
αi temos que α = ∑ 2
αi .
i=1 ||αi || i=1 ||αi ||
■
Em
Definição 12.2 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
produto interno < , >, W um subespaço de V e β ∈ V. A projeção ortogonal em W de β é o vetor α ∈ W
que faz a melhor aproximação de β . Se todo vetor possui projeção ortogonal em W, a função PW : V → V
que associa a cada vetor de V sua projeção ortogonal é chamada de projeção ortogonal de V em W.
Em particular, se {α1 , . . . , αn } é uma base ortogonal de W então
n
< β , αi >
PW (β ) = ∑ 2
αi .
i=1 ||αi ||
Teorema 12.2 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
produto interno < , > e W um subespaço de V. Considere PW é a projeção ortogonal de V em W. Então,
• PW é um projetor em W e um operador linear autoadjunto.
• O mapa I − PW é uma projeção ortogonal de V em W⊥ e, portanto, o projetor PW⊥ = I − PW . Em
particular
I = PW + PW⊥ .
117
o
Portanto PW : V → V é uma transformação linear.
Como PW (β ) ∈ W temos que Img(PW ) ⊂ W. Por outro lado, visto que PW (αi ) = αi para αi ∈ B temos
que W ⊂ Img(PW ), portanto Img(PW ) = W.
çã
Também, temos que se α um vetor em W então PW (α) é a melhor aproximação de α que está em W. Em
particular PW (α) = α quando α ∈ W. Então, como PW (α) ∈ W para todo α ∈ V, temos que
a
2 =P .
isto é PW W
Finalmente, vejamos que PW é autoadjunto. Se α, β ∈ V temos que
n
< α, αi >
< PW (α), β > = ∑
i=1 ||αi ||
n
2
or
< αi , β >
α − γ = PW α + (α − γ − PW α).
||α − γ||2 = ||PW α||2 + ||(α − γ − PW (α))||2 = ||PW α||2 ≥ ||(α − (α − PW (α))||2
com desigualdade estricta quando α − PW (α) ̸= γ. Então α − PW (α) é a melhor aproximação de α por
vetores de W⊥ .
■
Em
Então, aplicamos Gram-Schmidt sobre os geradores para ter uma base ortogonal {α1 , α2 }. Temos que
α1 = (1, 1, 0), ||α1 ||2 = 2
< (1, 1, 0), (0, 1, 1) > 1 1 3
α2 = (1, 1, 0) − · (1, 1, 0) = − , , 1 , ||α2 ||2 = .
2 2 2 2
Calculamos
< (x, y, z), α1 > = x + y
2z − x + y
< (x, y, z), α2 > =
2
Com isto,
x+y 2z − x + y 1 1 4x + 2y − 2z 2x + 4y + 2z 2y − 2x + 4z
PW = (1, 1, 0) + − , ,1 = , ,
2 2 2 2 6 6 6
118 Capítulo 12. Projeção ortogonal
W = {(x, y, z) ∈ R3 , ax + by + cz = 0}
IR3 = PW + PW⊥
o
Portanto
çã
< α, ν >
PW⊥ (α) = ·ν
||ν||2
a
PW (α) = IR3 (α) − PW⊥ (α) = α − ·ν
||ν||2
or
• Considere um subespaço W de R4 dado por
Observamos que
ab
W⊥ = span{0, 0, 1, −1)}
Então
< (a, b, c, d), (0, 0, 1, −1) > c−d d −c
el
Então,
c+d c+d
PW (a, b, c, d) = (a, b, c, d) − PW⊥ (a, b, c, d) = a, b, , .
Em
2 2
W = span{q(x) = 1 + x}
Observamos que
Z 1
7
||q(x)||2 = (1 + x)2 dx = .
0 3
e que
18a + 10b + 7c
< (a + bx + cx2 ), q(x) >= (1 + x).
12
Portanto
18a + 10b + 7c
PW (a + bx + cx2 ) = (1 + x).
28
119
Aplicamos Gram-Schmidt sobre os geradores para ter uma base ortogonal {α1 , α2 }. Temos
α1 = γ1 , ||α1 ||2 = 2,
1
< γ2 , γ1 > 1 5
α2 = γ2 − γ1 = 1
2 , ||α2 ||2 = .
||γ1 ||2 − 1 2
o
2
Também observamos que
çã
a b 0 1
, = c+b
c d 1 0
1
a b 1 2
2a + 2d + b − c
, = .
c d − 12 1 2
a
Com isto,
1
a b c+b 0 1 2a + 2d + b − c 1
PW
c d
=
2
·
1 0
+
5
·
− 12
or 2
1
■
Corolário 12.1 — desigualdade de Bessel. Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre
ab
um corpo F munido de um produto interno < , > e {α1 , . . . , αn } um conjunto de vetores ortogonais não
nulos de V. Se β ∈ V, então
n
| < β , αk > |2
||PW (β )|| = ∑ ||αk ||2 ≤ ||β ||2 .
k=1
el
Demonstração. Seja
n
< β , αk >
γ= ∑ 2
αk .
k=1 ||αk ||
2
Obs. Seja α, β ∈ R dois vetores, então podemos decompor α = β1 + β2 em que β1 ⊥ β2 e β1 = λ · β .
120 Capítulo 12. Projeção ortogonal
PW (α) = α1 .
o
Então, a desigualdade de Bessel básicamente está dizendo que
çã
||PW (α)|| = ||α1 || ≤ ||α||,
Teorema 12.3 — Resolução Espectral. Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um
a
corpo F munido de um produto interno < , > e T um operador autoadjunto. Sejam
• λ1 , . . . , λk os autovalores de T , diferentes entre si
or
• W1 , . . . , Wk os autoespaços associados aos autovalores λi′ s
• P1 , . . . , Pk as projeções ortogonais de V em W′i s.
Então
i) Wi ⊥ W j se i ̸= j
ii) V = W1 ⊕ · · · ⊕ Wk
ab
iii) T = λ1 PW1 + · · · + λk PWk
Demonstração. Pelo visto anteriormente sobre operadores autoadjuntos, sabemos que Wi ⊥ W j se i ̸= j e que
V tem uma base ortonormal que diagonaliza T e, mais ainda, que está associada à decomposição
el
V = W1 ⊕ · · · ⊕ Wk .
IV = PW1 + · · · + PWk .
Em
α = α1 + · · · + αk ⇒ PWi (α) = αi
De onde
a çã
or
Passamos a estudar agora operadores entre espaços vetoriais
Definição 13.1 Sejam
• (V, g) e (W, h) dois espaços vetoriais com produto interno sobre um mesmo corpo F.
ab
• T : V → W uma transformação linear
Dizemos que T preserva produtos internos, ou que T é uma isometria, se
Um isomorfismo entre espaços com produtos internos (V, g) e (W, h) é um isomorfismo entre os
el
Teorema 13.1 Sejam (V, g) e (W, h) dois espaços vetoriais com produto interno sobre um mesmo corpo F e
Em
Demonstração. i) → ii) Se T preserva produto interno então ||T α||W = ||α||V de onde segue que T v = 0 se, e
somente se, α = 0. Portanto, T é isomorfismo.
ii) → iii) Seja T um isomorfismo e {α1 , . . . , αn } uma base ortonormal de V. Como T é um isomorfismo e dim(W) =
dim(V) temos que {T (α1 ), . . . , T (αn )} é uma base de W. Como T preserva produto interno temos que
g(α, β ) = ∑ ai bi
i
e
h(T (α), T (β )) = ∑ ai b j h(T (αi ), T (α j ))
i, j
= ∑ ai bi = g(α, β ).
i
■
o
Corolário 13.1 Sejam (V, g) e (W, h) dois espaços vetoriais com produto interno sobre um mesmo corpo F.
Então existe um isomorfismo entre V e W que preserva produtos internos se, e somente se, tem a mesma
çã
dimensão.
Demonstração. Claramente, pelo teorema anterior, se existir um isomorfismo que preserva produtos internos
devem ter a mesma dimensão.
A volta segue de escolher uma base ortonormal ordenada em cada espaço e constuir uma transformação
linear que leve cada elemento da base de V em um elemento da base de W correspondente na ordem. ■
a
Teorema 13.2 Sejam (V, g) e (W, h) dois espaços vetoriais com produto interno sobre um mesmo corpo F e T
or
uma transformação linear de V em W. Então T preserva produtos internos se, e somente se, ||T α||W = ||α||V
para todo α ∈ V.
||α + β ||V = ||T (α + β )||W , ||α||2V = ||T (α)||2W e ||β ||2V = ||T (β )||2W .
Vejamos que acontece agora quando os espaços são iguais e, no caso, T é um operador.
Em
Teorema 13.3 Seja (V, < , >) um espaço vetorial com produto interno sobre um corpo F e T : V → V um
operador linear. Então T preserva produto interno se, e somente se, T ∗ T = IV . Mais ainda, para qualquer base
ortonormal ordenada B de V temos que
[T ]−1 T
BB = [T ]BB
■ Exemplo 13.1 Considere em Fn , munido do produto interno canônico, a transformação linear T (X) = MX
para M ∈ M (n × n, F). Observamos que
T
T ∗ T = IFn ⇒ M M=I
■
123
Definição 13.2 Seja (V, < , >) um espaço vetorial com produto interno sobre um corpo F e T um operador
linear de V que preserva produto interno.
• Se F = C dizemos que T é Unitário.
• Se F = R dizemos que T é Ortogonal
Obs.
• Um operador T é unitario se, e somente se, a matriz de T numa base ortonormal ordenada é uma
matriz unitaria.
• Que uma matriz seja unitaria significa que as colunas de M forman uma base orthonormal no espaço
Fn com respeito ao produto interno canonico g(X,Y ) = X T Y .
o
• Os operadores unitários formam um grupo com a compocição. Este grupo é chamado de grupo
unitario. Observamos que para o caso real é o grupo ortogonal.
a çã
or
ab
el
Em
Em
el
ab
or
açã
o
o
14. Reflexão sobre um subespaço
a çã
or
Estudaremos agora outro operador autoadjunto particular que também é uma isometria: o operador Reflexão
respeito de um subespaço.
■ Exemplo 14.1 Considere um subespaço W de R3 que seja um plano, isto é
ab
W = {(x, y, z) ∈ R3 , ax + by + cz = 0}
Então
Agora, como
Em
IR3 = PW + PW⊥
temos que
de onde
R(α) = 2 · PW (α) − α.
RW (α) = 2 · PW (α) − α ∀α ∈V
126 Capítulo 14. Reflexão sobre um subespaço
Teorema 14.1 Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um
produto interno < , > e W um subespaço de V. Considere o operador RW isto é, a reflexão respeito de W.
Então
• RW (α) = α para todo α ∈ W
• R2W = IV .
• RW é autoadjunto.
• < RW (α), RW (β ) >=< α, β >, isto é, RW é uma isometria.
o
Demonstração. • Seja α ∈ W, então
RW (α) = 2 · PW (α) − α
çã
= 2 · α − α = α.
Portanto RW (α) = α para todo α ∈ W
• Seja α ∈ V, então
R2W (α) = 2 · PW (RW (α)) − RW (α)
= 2 · PW (2 · PW (α) − α) − 2 · PW (α) + α
a
= 4 · PW (α) − 2 · PW (α) − 2 · PW (α) + α
= α.
Portanto R2W = IW .
• Sejam α, β ∈ V então
or
< RW (α), β > = < 2 · PW (α) − α, β >
= 2· < PW (α), β > − < α, β >
ab
= 2· < α, PW (β ) > − < α, β >
= < α, 2 · PW (β ) − β >
= < α, RW (β ) > .
Portanto RW é autoadjunto.
el
• Sejam α, β ∈ V então
< RW (α), RW (β ) > = < α, R2W (β ) >
= < α, β > .
■
Então
< α, ν >
RW (α) = α − 2 ·ν
||ν||2
W = span{q(x) = 1 + x}
18a + 10b + 7c
o
PW (a + bx + cx2 ) = (1 + x).
28
Portanto,
çã
18a + 10b + 7c
RW (a + bx + cx2 ) = (1 + x) − (a + bx + cx2 )
14
• Considere um subespaço W de M (2 × 2, R) dado por
a
0 1 1 1
W = span γ1 = , γ2 = .
1 0 1 0
Seja (V, +V , ·V ) um espaço vetorial de dimensão finita sobre um corpo F munido de um produto interno
< , > e W um subespaço de V. Considere o operador RW isto é, a reflexão respeito de W. Se B = {α1 , . . . , αn }
é uma base ortonormal ordenada de V de forma tal que {α1 , . . . , αk } é uma base ortonormal de W, temos que
RW (αi ) = αi ∀i≤k
Em
RW (αi ) = OV − αi = −αi
Portanto, os autovalores de RW são λ = ±1 e a matriz [RW ]BB é diagonal com k entradas igual a 1 e n entradas
iguais a −1 na diagonal.