Escola Secundaria de Teacane/Natikiri
João António Bonga
11 A1/2
Trabalho de: Filosofia
Tema:
ACTOS VOLUNTÁRIOS E ACTOS INVOLUNTÁRIOS
Nampula, 4 de junho de 2025
Escola Secundaria de Teacane/Natikiri
João António Bonga
11 A1/2
Trabalho de: Filosofia
Tema:
ACTOS VOLUNTÁRIOS E ACTOS INVOLUNTÁRIOS
Nampula, 4 de junho de 2025
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Índice
Introdução..........................................................................................................................2
Actos voluntários e actos involuntários.............................................................................3
1. 1. Acções involuntárias (ou actos do Homem)..............................................................3
Acção involuntária ou actos do homem............................................................................4
Acções voluntárias ou actos humanos...............................................................................4
Diferença entre Actos do Homem e Actos Humanos........................................................4
2. Da acção aos valores.....................................................................................................5
2.1. Noção de valor............................................................................................................5
[Link] de valor.........................................................................................................5
Tipos de valores.................................................................................................................6
Conclusao..........................................................................................................................7
Referencia..........................................................................................................................8
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Introdução
O ser humano, no exercício da sua liberdade e racionalidade, realiza constantemente
diferentes tipos de acções. Estas acções não são meramente biológicas ou mecânicas,
mas traduzem a sua capacidade de agir de forma consciente e responsável. É nesse
contexto que se distingue entre actos voluntários e involuntários, ou, de forma mais
específica, entre actos do homem e actos humanos. Tal distinção permite compreender
melhor a natureza moral da acção e a relação do indivíduo com os valores que orientam
a sua conduta. Este trabalho procura, assim, analisar o conceito de acção humana,
distinguindo os diferentes tipos de actos, para, em seguida, abordar a transição da acção
para os valores e a sua importância no comportamento ético e social do indivíduo.
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1. Actos voluntários e actos involuntários
O Homem no seu quotidiano de uma forma consciente ou inconsciente prática dois tipos
de acções: as que são comuns a outros animais e os que só ele próprio realiza.
Primeiro – as que são comuns a outros animais ou actos instintivos. Konrad Lorenz
aponta a existência de quatro instintos comuns aos homens e, aos animais (nutrição,
reprodução, fuga e Agraço).
Segundo – as que ele próprio realiza ou instintiva: consiste nas actividades reflexivas,
especifica dos seres humanos. Agir, no caso do Homem, implica pensar antes de
executaras acções. Moralmente, os homens praticam também acções que, embora sejam
conscientes e intencionais, não deixam de ser considerados inumanos. A razão é que os
mesmos não se enquadram no âmbito daqueles que consideramos dignos de seres
humanos.
1. 1. Acções involuntárias (ou actos do Homem)
um acto involuntário é aquele que não depende da vontade consciente do agente.
Pode resultar de impulsos, do medo, de ignorância ou de forças externas que limitam a
acção livre.
Aristóteles define o acto involuntário como aquele que é “praticado sob coacção ou por
ignorância”. Exemplos comuns incluem reflexos fisiológicos, reações instintivas e actos
praticados sob ameaça.
"Os actos que resultam da ignorância são involuntários, se quem os pratica se
arrepende depois de saber o que fez." — Aristóteles
O homem define-se pelo modo como escolhe, decide e executa as diferentes acções. É
através das acções que o homem transforma a realidade e torna-se um agente de
mudanças. O homem pratica 2 (dois) tipos de actos ou acções: as que são comuns a
outros animais e as que só ele realiza.
Os primeiros são os chamados actos instintivos, que permitem dar uma resposta perfeita
ao mio, facto que constitui condição indispensável a sua sobrevivência. No segundo os
actos instintivos, são secundarizados dando lugar a actividade reflectiva, especifica dos
seres humanos, agir significa pensar antes de executar a acção.
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1.2. Acção involuntária ou actos do homem
São acções que não implicam qualquer intenção da parte do sujeito; são acontecimentos
que nos limitamos a ser imensos receptores de efeitos que realizamos por um mero
reflexo intuitivo.
1.3. Acções voluntárias ou actos humanos
Um acto voluntário é aquele que resulta da intenção consciente do agente. Envolve a
deliberação, a escolha e a decisão livre. Isto significa que o sujeito tem conhecimento do
que faz, por que o faz, e assume a responsabilidade pelas suas acções.
Segundo Aristóteles, na sua obra Ética a Nicómaco, o acto voluntário é aquele que
“tem a sua origem no próprio agente, sabendo este as circunstâncias em que age”.
"Só as acções voluntárias são objecto de louvor ou censura." — Aristóteles, Ética a
Nicómaco
Assim, a liberdade de escolha é o critério essencial para que uma acção seja
considerada voluntária. O homem, como ser racional, distingue-se por essa capacidade
de agir conscientemente, guiado pela razão e não apenas pelos instintos.
As acções humanas implicam uma intenção deliberada de um agente do agir de
determinado modo e não de outro, estas acções são reflectidas, premeditadas ou até
projectados à longo prazo tendo em vista atingir determinados objectivos, isto é, tendo
um propósito e a intenção de fazer o que está fazendo, são acções que realizamos de
forma consciente, voluntário e responsável, por isso toda a acção humana implica os
seguintes elementos:
Agente – um sujeito de acção que é capaz de se reconhecer como autor da acção e agi
consciente;
Motivo – o que nos leva a agir ou a fazer algo, a razão que justifica o acto;
Elemento intenção – aquilo que o sujeito pretende fazer ou ser feito com a sua a acção
e responde a pergunta, que fazer? Aquilo que o agente quer realizar;
Fim – o fim da acção e o objectivo daquilo para que se quer da acção voluntária.
1.4. Diferença entre Actos do Homem e Actos Humanos
Enquanto os actos do homem são involuntários e não têm carga moral, os actos
humanos são realizados com consciência e liberdade, ou seja, são voluntários.
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Segundo Santo Tomás de Aquino, os actos humanos são aqueles “de que o homem é
senhor por vontade deliberada”. Isso significa que apenas os actos humanos, por
envolverem intenção, liberdade e conhecimento, podem ser considerados bons ou
maus moralmente.
Envolve razão e Avaliação
Tipo de acto Exemplos
vontade? moral?
Acto do
❌ Não ❌ Não Dormir, espirrar, transpirar
homem
Roubar, ajudar, mentir,
Acto humano ✅ Sim ✅ Sim
rezar
2. Da acção aos valores
2.1. Noção de valor
Em toda a acção humana, o homem exprime o modo, como se relaciona com o mundo,
os valores dão ao sujeito motivo para agir. Exemplo: quando damos esmola está lá um
valor muito nobre ‟a solidariedade”, mas afinal:
2.2. Conceito de valor
Em termos filosóficos, valor designa aquilo que é considerado bom, desejável,
importante ou digno de ser alcançado. Os valores não existem por si mesmos na
natureza; eles são atribuídos pelas pessoas às coisas, actos ou ideias, com base naquilo
que consideram significativo.
Segundo o filósofo espanhol Ortega y Gasset:
"Valor é tudo aquilo por que estamos dispostos a sacrificar alguma coisa." — José
Ortega y Gasset
Ou seja, um valor é uma referência orientadora da conduta humana, algo que serve
de critério para julgar as nossas decisões e acções.
Valores são critérios segundo os quais damos ou não, valores a certos casos. Os valores
são as razões que justificam ou motivam as nossas acções, tornando as refervíeis como
nossas.
Juízo de facto é um juízo em que se descreve a realidade de uma forma objectiva,
neutra e impessoal, estes juízos podem ser verificáveis e podem ser verdadeiros ou
falsos. Exemplo: Maputo é capital de Moçambique.
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Juízo de valor é uma manifestação de preferência e apreciação sobre uma dada
realidade e é fruto de uma interpretação parcial e subjectiva feita com base em valores.
Os juízos de valores são relativos pós variam de pessoa para pessoa.
3. Tipos de valores
Os valores são conceitos que traduzem as nossas preferências, o valor tem sempre como
preferência a avaliação do sujeito que o enuncia, trata-se de qualidades e atributos que
são atribuídos pelo sujeito, algo, alguém ou acontecimento.
Podemos agrupar os valores em 2 (dois) grupos: espirituais e materiais.
3.1. Valores espirituais/religiosas
São aqueles que dizem respeito à relação do homem com Deus.
Valor estético – trata-se de valores de expressão, beleza, traços, elegância.
Valores morais – referem-se as normas ou critérios de conduta que afectam todos as
nossas actividade como: a verdade, solidariedade, honestidade, bondade, altruísmo,
cidadania.
3.2. Valores materiais
Valores agradáveis e de prazer, aqueles que exprimem as sensações de prazer e de
satisfação (comida, bebida, vestuário).
Valores vitais – aqueles referentes ao estado físico (saúde, força, velocidade)
Valor de utilidade ou económica – aqueles que se referem a habitação, capital (caro,
dinheiro, casa, viaturas).
Subjectividade e objectividade de valoras
Existem duas posições que surgem sobre os valores, para alguns autores os valores têm
duas vertentes que são: subjectiva e objectiva.
Para os defensores da vertente subjectiva, os valores não podem deixarem nunca de
serem subjectivas uma vez que designam o padrão comportamental que alguém dá.
Podemos notar que os valores ao longo dos tempos mudam, o que é belo hoje, amanha
pode não ser.
Para os defensores da objectividade, advogam que os valores designam os poderes de
comportamento colectivamente reconhecidos por um grupo ou comunidade e que são
considerados absolutos e inquestionáveis. A mesma posição foi defendida por Platão ao
considerar belo, bem e justo, entidades ou ideias imutáveis enquanto Sócrates defende
que cabe ao homem a invenção dos seus próprios valorares.
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Conclusao
A distinção entre actos voluntários e involuntários permite compreender melhor o
papel da liberdade e da intenção na acção humana. Apenas os actos humanos,
realizados com consciência e liberdade, podem ser moralmente avaliados. Estes actos
expressam valores, que dão sentido às nossas decisões e guiam a nossa conduta. Através
da acção, o ser humano transforma o mundo e afirma a sua dignidade. Reconhecer a
importância dos valores é fundamental para uma convivência ética, responsável e
humanizada. Assim, da acção nascem os valores, e dos valores nasce uma humanidade
mais consciente e justa.
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Referencia
Aristóteles. (1998). Ética a Nicómaco (M. C. Pacheco, Trad.). Fundação Calouste
Gulbenkian.
Aquino, T. de. (1993). Suma Teológica. Imprensa da Universidade de Coimbra.
Lorenz, K. (1974). Os oito pecados mortais da humanidade civilizada. Publicações
Europa-América.
Ortega y Gasset, J. (1994). A rebelião das massas. Relógio D’Água.
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