PRÁTICA PENAL III
PROF°(ª): J. CLECIO MORAES DIAS N
O
NOME ALUNO: Nicole Moreira Dos Santos
DATA: Rodrigues
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ AO JUIZO
DA VARA CRIMINAL DA COMARCA DE FORTALEZA/CE.
HABEAS CORPUS COM PEDIDO LIMINAR
Impetrante: NICOLE MOREIRA DOS SANTOS RODRIGUES
Paciente: Francisco José Xavier
Advogado: NICOLE MORERIA DOS SANTOS RODRIGUES, OAB/XX no
XXXXXX
Local: Fortaleza – CE Data: 29 de maio de 2025
EGRÉGIO TRIBUNAL, COLENDA CÂMARA, ILUSTRES
DESEMBARGADORES,
DOS FATOS
Francisco José Xavier, brasileiro, solteiro, residente na Rua das Acácias, n.
189, Cidade dos Funcionários, Fortaleza – CE, foi preso em flagrante no dia
29 de maio de 2021, sob a acusação de furto nqualificado (art. 155, § 4o,
inc. I, do Código Penal), por supostamente haver subtraído de dentro de um
veículo uma bolsa contendo R$ 500,00 (quinhentos reais) em espécie e um
aparelho celular, utilizando, para tanto, uma chave micha. No dia seguinte,
foi submetido à audiência de custódia sem a presença de defensor público
ou advogado, sob a justificativa de que o defensor natural encontrava-se de
licença. Durante o ato, permaneceu algemado todo o tempo, respondendo
às perguntas da autoridade judicial e do Ministério Público, o que constitui
flagrante violação às garantias fundamentais do réu, inclusive afrontando
diretamente a Súmula Vinculante no 11 do STF.
Apesar de ser primário, possuir bons antecedentes, residência fixa e jamais
ter se envolvido anteriormente com a Justiça, teve sua prisão em flagrante
convertida em prisão preventiva com base exclusiva na gravidade abstrata
do delito, com fundamento nos arts. 310, II, 312 e 313, I, todos do CPP, sob
o argumento genérico de “garantia da ordem pública”. Após 8 (oito) meses,
permanece segregado cautelarmente, sem que tenha ocorrido sequer a
instrução criminal ou julgamento da ação penal, e mesmo após pedido de
revogação da prisão preventiva pelo defensor constituído posteriormente, a
custódia foi mantida. Diante desse flagrante constrangimento ilegal, não
restou alternativa senão a impetração do presente Habeas Corpus.
DO CABIMENTO E DA LEGITIMIDADE
O presente Habeas Corpus é cabível nos termos do art. 5o, inciso LXVIII,
da Constituição Federal e do art. 647 do Código de Processo Penal, uma
vez que o paciente se encontra submetido a coação ilegal em sua liberdade
de locomoção, em face de prisão preventiva mantida de forma arbitrária e
desproporcional. Nos termos da jurisprudência pacífica dos Tribunais
Superiores, qualquer pessoa pode impetrar Habeas Corpus, inclusive
advogado não constituído nos autos, em nnome próprio ou alheio, em favor
de quem se encontre ilegalmente privado de sua liberdade.
DO DIREITO DA NULIDADE DA AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA E
AUSÊNCIA DE DEFENSOR
A audiência de custódia constitui uma das mais relevantes garantias
processuais do Estado Democrático de Direito. A ausência de defensor o
ato fere princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa, do
devido processo legal e da dignidade da pessoa humana.
DO USO INJUSTIFICADO DE ALGEMAS
O paciente permaneceu algemado durante toda a audiência, sem qualquer
justificativa, o que configura violação direta à Súmula Vinculante no 11 do
STF, que dispõe: “Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e
de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou
alheia, por parte do preso, devidamente justificado por escrito, sob pena de
responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de
nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da
responsabilidade civil do Estado.”
DA AUSÊNCIA DE REQUISITOS DA PRISÃO PREVENTIVA
A decisão que converteu a prisão em preventiva não apontou
concretamente os fundamentos que justificariam a medida extrema,
valendo-se apenas de argumentos genéricos e da gravidade do crime, o
que é vedado pelos Tribunais; HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL.
HOMICÍDIO QUALIFICADO. PRISÃO PREVENTIVA . FUNDAMENTOS
PARA A DECRETAÇÃO DA CUSTÓDIA CAUTELAR. GRAVIDADE
ABSTRATA DO DELITO. MOTIVAÇÃO INIDÔNEA. AUSÊNCIA DE
CONTEMPORANEIDADE. ORDEM CONCEDIDA. 1. A jurisprudência desta
Corte Superior não admite que a prisão preventiva seja amparada na mera
gravidade abstrata do delito, por entender que elementos inerentes aos
tipos penais, apartados daquilo que se extrai da concretude dos casos, não
conduzem a um juízo adequado acerca da periculosidade do agente. 2 . A
simples referência à prática de delito grave, sem indicar porque razão o
crime transborda da normalidade do modelo descrito no tipo proibitivo (art.
121, § 2.o, incisos I, III e IV, do Código Penal), bem como meras ilações
acerca da possibilidade de influência de testemunhas, não são capazes de
conduzir a um juízo adequado acerca da periculosidade da agente. 3 .
Conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "[n]ão é dado ao
Tribunal estadual agregar fundamentos não presentes na decisão do Juízo
singular, sob pena de incidir em indevida inovação" ( HC 424.308/AM, Rel.
Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em
19/06/2018, DJe 27/06/2018). 4 . Embora os fatos tenham ocorridos em
10/12/2017, a prisão cautelar apenas foi decretada pelo Juízo de primeira
instância quando do recebimento da denúncia, em 25/09/2018, sem que
houvesse notícias de fatos novos que justificassem a decretação da
custódia cautelar, o que ofende o princípio da contemporaneidade. 5.
Ordem de habeas corpus concedida para revogar a prisão preventiva da
Paciente, se por outro motivo não estiver presa, advertindo-a da
necessidade de permanecer no distrito da culpa e atender aos
chamamentos judiciais, sem prejuízo de nova decretação de prisão
provisória por fato superveniente, a demonstrar a necessidade da medida,
ou da fixação de medidas cautelares alternativas (art. 319 do Código de
Processo Penal), desde que de forma fundamentada. (STJ - HC: 531490
SP 2019/0264897-2, Relator.: Ministra LAURITA VAZ, Data de
Julgamento: 04/02/2020, T6 – SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe
17/02/2020)
Francisco é primário, possui residência fixa e bons antecedentes. Não há
risco processual justificado, nem prova de que solto comprometerá a ordem
pública ou a aplicação da lei penal. Assim, não se faz presente qualquer
dos requisitos do art. 312 do CPP.
DO EXCESSO DE PRAZO NA PRISÃO PREVENTIVA
Decorridos mais de 8 (oito) meses da prisão sem conclusão da instrução
criminal, verifica-se evidente excesso de prazo na manutenção da prisão
cautelar, caracterizando-se coação ilegal.
DO PEDIDO LIMINAR
Requer-se liminarmente, com base no art. 7o, III, da Lei no 13.964/19
(Pacote Anticrime) e nos princípios constitucionais da dignidade humana,
presunção de inocência e razoável duração do processo, a imediata
expedição de alvará de soltura em favor do paciente Francisco José Xavier,
mediante condições a serem fixadas por Vossa Excelência, se necessário,
como medidas cautelares diversas da prisão.
DOS PEDIDOS
Diante do exposto, requer-se:
1. A concessão da liminar para que seja expedido alvará de soltura em
favor do paciente;
2. Caso assim não entenda Vossa Excelência, que seja notificada a
autoridade coatora para prestar informações;
3. Ao final, a concessão definitiva da ordem de Habeas Corpus, declarando-
se a nulidade da audiência de custódia, o excesso de prazo e a ausência de
fundamentos da prisão preventiva, com a consequente revogação da
prisão;
4. Que sejam oficiadas as autoridades competentes para o cumprimento da
ordem.
Termos em que,
Pede deferimento.
Fortaleza – CE, 29 de maio de 2025.
ADVOGADO
OAB/CE XXXXXX