PLANEJAMENTO E
ADMINISTRAÇÃO
EDUCACIONAL
UNIDADE I
Introdução ao
Planejamento e
Administração Escolar
Mônica Garanhani
Planejamento e
Administração Educacional
Apresentação
Nesta disciplina de Planejamento e Administração Educacional, estudaremos os
conceitos fundamentais de planejamento e administração educacional. Também
analisaremos as políticas educacionais da atualidade e compreenderemos o impacto
do planejamento participativo na educação, em conformidade com as diretrizes da
Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Assumimos o compromisso de fornecer uma formação de excelência,
proporcionando as condições necessárias para que você alcance seus objetivos
na busca pelo conhecimento.
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Introdução ao
Planejamento e
Administração Escolar
Introdução
Nesta unidade, estudaremos conceitos primordiais dos modelos de educação
formal e informal, além das teorias essenciais para o planejamento e a
administração educacional.
Este conteúdo é fundamental não apenas para compreender as teorias e conceitos
de administração e da gestão escolar, mas também para entender como as políticas
públicas contribuem para uma educação de qualidade. Aprofundar-se nesses tópicos
permitirá que você desenvolva uma visão mais abrangente do planejamento e da
administração educacional para contribuir com sistema de ensino.
Objetivos da Aprendizagem
Ao final do conteúdo, esperamos que você seja capaz de:
• Formar profissionais com competências e habilidades por meio da compreen-
são, reflexão, interpretação e aplicação das normativas da educação integral.
• Aprender conceitos referentes aos modelos de educação formal e informal,
bem como entender a atuação de ambos no desenvolvimento da educação
integral e a formação para a prática da cidadania.
• Compreender os conceitos e teorias fundamentais de planejamento e admi-
nistração educacional.
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Conceituação de Administração e Gestão Escolar
Vamos iniciar nossa jornada conhecendo o conceito de administração e
suas implicações no contexto escolar. Ao estudarmos os fundamentos da
administração, é essencial lembrar que fazemos parte de uma sociedade
composta por diversas organizações.
O que é administração?
Fonte: Freepik (2024).
#pratodosverem: fotografia de uma mesa com vários papéis e a mão de uma
pessoa sobre eles.
A palavra “administração” vem do no latim de “ad” (“direção”) e “minister” (“subordinação”
ou “obediência”), e significa daquele que executa uma atividade ou função sob a
supervisão de outro. De acordo com Chiavenato (2021, p.13), “a administração
consiste no processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos e
competências, a fim de alcançar os objetivos organizacionais desejados”.
Para que sejamos capazes de avançar em nossos estudos, iniciaremos abordando
alguns conceitos de administração:
Para Certo (1994, p. 3), administração “é o processo de alcançar objetivos pelo
trabalho com e por intermédio de pessoas e outros recursos organizacionais”. Já
Daft (1993, p. 6) ressalta que “é o alcance de objetivos organizacionais de maneira
eficaz e eficiente graças ao planejamento, à organização, à liderança e ao controle dos
recursos organizacionais”.
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Em síntese, a administração é uma importante área do conhecimento humano. A
sua influência na sociedade e nas organizações é de extrema relevância, em virtude
de contribuir na transformação de esforços individuais e coletivos em resultados e
geração de valor competitivo.
A administração escolar, de acordo com Paro (2022, p. 161), acontece por meio de uma
formação econômico-social, portanto determinada por forças sociais. De modo geral,
os trabalhos teóricos sobre administração escolar adotam, implícita ou explicitamente,
o pressuposto básico de que, na escola, devem ser aplicados os mesmos princípios
administrativos adotados em uma organização capitalista.
Atenção
O termo “gestão” é vem do latim “gerentia” e “gerere” e significa
“fazer”, “executar” e “gerenciar”. Quando falamos em gestão escolar,
precisamos entender que não é o mesmo que administração. O
objetivo da gestão educacional é assegurar o cumprimento da
finalidade da educação, ou seja, promover um processo de ensino-
aprendizagem de qualidade e garantir o direito à educação a todos
os cidadãos.
De acordo com Libâneo (2008, p. 446), “as concepções de gestão escolar refletem
diferentes posições políticas e pareceres acerca do papel das pessoas na sociedade”.
Assim, a estrutura de uma escola tem uma dimensão pedagógica significativa, pois está
diretamente ligada aos objetivos mais amplos da instituição e ao seu compromisso
com a transformação social.
Esse é o momento para nos familiarizarmos com esses conceitos teóricos e entender
como eles se aplicam na prática das instituições de ensino. A administração escolar
pode ser compreendida como o planejamento e a organização necessários para
assegurar o pleno funcionamento da escola, ou seja, o enfoque em suas partes e
na sua eficiência operacional. Por outro lado, a gestão escolar está relacionada aos
aspectos globais humanos da instituição, focando a motivação e o incentivo às
equipes, bem como a ênfase no currículo e a garantia da participação ativa de alunos
e pais no processo educacional.
Dando continuidade nos nossos estudos, a seguir vamos conhecer o papel do
gestor escolar.
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O Papel do Gestor Escolar
Antes de discutir o papel de um gestor escolar no desempenho da escola, vamos
pensar em uma observação inspirada no filme “Fábrica de Loucuras” (1986), dirigido
por Ron Howard, que retrata a história de uma fábrica de automóveis, destacando
a diferença entre as abordagens de liderança de um executivo japonês e de um
americano. O líder japonês demonstra preocupação genuína com as pessoas e com
a qualidade do trabalho, enquanto o líder americano se concentra apenas em obter
resultados ¬— em algumas situações enganando os funcionários. Tal exemplificação
retrata como diferentes estilos de liderança podem impactar o ambiente de trabalho e
a eficácia de uma organização.
O gestor escolar deve propiciar um ambiente favorável para as relações humanas, a
qual favoreça uma educação voltada para a coletividade, com a participação de todos
no processo decisório. Segundo Libâneo (2008, p. 529), são competências essenciais
de um gestor escolar:
Desenvolver as habilidades de liderança
Líder é aquele que está à frente de um grupo de pessoas, incentivando e dando
uma direção.
Criar senso de propósito
Ser transparente e estabelecer uma relação de confiança.
Compreender os processos
Saber integrar as inovações organizativas, pedagógicas e curriculares.
Aprender a tomar decisões sobre problemas e dilemas da
organização escolar
Saber identificar situações problemas e como solucionar com ações democráticas.
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Saber elaborar planos e projetos de ação
“participar da organização da escola e saber organizar seu trabalho na sala de
aula são atividades que requerem capacidade e habilidades de planejamento”
(Libâneo, 2008, p. 533).
De acordo com Luck (2015), para que a escola desempenhe efetivamente seu papel, é
essencial que seus gestores se dediquem à qualidade do ensino e da aprendizagem.
Assim, quando os gestores atuam como líderes, eles são fundamentais para a
longevidade e o sucesso das instituições.
Modelos de Planejamento e Administração
Este material possibilitará que você compreenda a importância do planejamento
na administração e gestão educacional, pois viabiliza a análise, a identificação e a
priorização de problemas, identificando a causa-raiz e as intervenções estratégicas
para que os objetivos e resultados da instituição sejam alcançados.
Planejamento educacional
Fonte: Freepik (2024).
#pratodosverem: várias pessoas reunidas, uma mulher à frente com uma
caneta na mão e na frente deles uma parede de vidro com vários papéis
coloridos colados.
Outro fator relevante é que uma organização é composta por pessoas. Na escola,
não é diferente, pois envolve uma variedade de indivíduos com funções e atribuições
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distintas, como o diretor, o coordenador, os funcionários, os professores, os alunos,
os pais, a comunidade, entre outros. Por essas pessoas terem visões e interesses
diversos, o planejamento torna-se uma ferramenta essencial.
Atenção
O que é planejar? Segundo Sant’ Anna (2014, p. 15), é “um ato de
pensar sobre um possível e viável fazer”. Por que planejar? Para que
se possa prever necessidades, tanto de recursos humanos quanto
materiais, a fim de alcançar um objetivo ou realizar um projeto.
Concepções de Estado e Políticas Públicas
Para compreender a organização e a estruturação do sistema de ensino brasileiro,
é fundamental entender alguns aspectos sociopolíticos essenciais. As reformas
educacionais desempenharam um papel fundamental nas políticas de educação,
influenciando as relações entre os setores público e privado e a qualidade versus a
quantidade na educação.
Escola e políticas públicas
Fonte: Freepik (2024).
#pratodosverem: foto de uma sala de aula, em que uma professora aponta
para a lição reproduzida no quadro. Em detalhe, três alunos, que levantam a
mão em sinal de que querem perguntar algo à professora.
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Libâneo (2008) afirma que entender a educação pública no Brasil requer uma análise
histórica dos conflitos entre defensores da escola pública e as forças privatistas ao
longo da trajetória educacional do país.
Tipologia das Políticas Públicas de Educação Integral
Iniciaremos a nossa compreensão acerca de conceitos de educação formal e informal,
para que se possa analisar como essas abordagens influenciam o desenvolvimento
da educação integral e a formação para a prática da cidadania.
Segundo Libâneo (2008), estas são as diferenças entre os modelos de educação
formal, informal e não formal:
Educação informal
Também conhecida como educação não intencional, refere-se às influências
que o indivíduo recebe do ambiente ao qual está exposto. Essa forma de
educação ocorre de maneira espontânea e não estruturada.
Educação não formal
É intencional e acontece fora do contexto escolar tradicional, mas é geralmente
menos estruturada e sistematizada do que a educação formal.
Educação formal
É intencional e caracterizada por ser sistemática e organizada, seguindo um
currículo estruturado e processos pedagógicos estabelecidos.
Segundo Gadotti (2013), a sociedade do século XXI enfrenta uma série de fatores
prejudiciais que podem impactar negativamente o desenvolvimento humano, como
a violência, o uso de drogas, o trabalho infantil e outros sinais de marginalidade
social. Por outro lado, o estilo de vida moderno também tem levado muitas famílias
de grandes centros urbanos a enfrentarem dificuldades na organização e no cuidado
integral de seus filhos.
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Dessa forma, a escola pública tem sido chamada para apoiar essas famílias na
superação das lacunas no cuidado de crianças e adolescentes. Nesse contexto, o
poder público desenvolve políticas para promover uma educação integral, como
exemplificado pelo Programa Mais Educação. No próximo tópico, vamos conhecer as
políticas públicas que incentivam a educação integral.
Políticas Incentivadoras da Educação Integral
De acordo com a Constituição Federal (Brasil, 1988), em seu artigo 205, a educação é
um direito de todos e um dever do Estado, que deve promovê-la de forma a assegurar
o pleno desenvolvimento da pessoa e prepará-la para o exercício da cidadania. Esse
princípio é também respaldado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que
destaca, no artigo 3º, a importância da formação integral da criança e do adolescente,
garantindo a proteção e o suporte necessários por parte do Estado.
Políticas públicas
Fonte: Freepik (2024).
#pratodosverem: várias mãos erguidas e diferentes raças e etnias.
A Lei nº 10.172/2001, que instituiu o Plano Nacional de Educação (PNE), estabeleceu
como meta a ampliação da jornada escolar para, no mínimo, 7 horas diárias. Essa
meta reforçou a questão da proteção social por meio da formalização de uma
política educacional voltada para o tempo integral, priorizando o atendimento das
crianças das classes populares de baixa renda. Posteriormente, a Lei nº 13.005/2014
ampliou a referida meta, estabelecendo que a educação em tempo integral deveria
estar disponível em, no mínimo, 50% das escolas públicas, com a previsibilidade de
atendimento de 25% dos alunos da educação básica.
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PNE, Fundep e PDDE
O atual PNE também ressalta a construção e a estruturação de escolas destinadas à
educação em tempo integral em comunidades pobres e vulneráveis. Nesse contexto,
o Programa Mais Educação teve sua atuação inicial voltada para escolas com baixo
Índice de Desenvolvimento Educacional Brasileiro (Ideb), inferior a 2,9, situadas
em regiões de vulnerabilidade social que necessitavam de maior aplicabilidade de
políticas públicas.
O Programa Mais Educação propõe diversas atividades para serem desenvolvidas
nas escolas, abrangendo áreas pedagógicas; meio ambiente; esporte e lazer; direitos
humanos e cidadania; cultura e artes; inclusão digital e comunicação; prevenção e
promoção da saúde; e educação econômica e cidadania (Brasil, 2009). Seu objetivo
é ampliar os laços entre a escola e a comunidade, promovendo diálogos para
possibilitar a educação integral e desafiando a dicotomia entre turno e contraturno
escolar e currículo (Brasil, 2007). Dessa forma, busca-se superar divisões históricas,
preservando a coerência entre o projeto político-pedagógico e o programa voltado
para a educação integral.
Para garantir tais ações contamos com o Fundeb, o qual é composto por vinte e sete
fundos, com o objetivo de ser um instrumento de financiamento da educação pública.
Compartilhamos a seguir o que são qual é o objetivo de cada um destes programas
que auxiliam nas diretrizes e políticas educacionais:
• Plano Nacional de Educação (PNE): preconiza as metas, diretrizes e estraté-
gias relacionadas as políticas educacionais. De acordo com Libâneo (2008,
p.182), o PNE tem os seguintes objetivos:
a) elevação global do nível de escolaridade da população;
b) melhoria da qualidade de ensino em todos os níveis;
c) redução das desigualdades sociais;
d) democratização da gestão do ensino público nos estabelecimentos oficiais,
obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na
elaboração do projeto pedagógico da escola.
• Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE): oferece assistência financeira
anual, em caráter suplementar, para instituições educacionais formais e pú-
blicas da educação básica. Foi criado em 1995, por meio da Resolução CD/
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FNDE/MEC nº 15, de 16 de setembro de 2021. O objetivo desse recurso é
apoiar a administração e a gestão das escolas, visando melhorar a qualidade
e o desempenho da Educação Básica.
Considerando o que estudamos até aqui, é possível conceber que as políticas
educacionais públicas desempenham um papel essencial na definição e
estruturação de diretrizes e caminhos que orientam a gestão e administração
escolar. De acordo com Ferreira (2000, p. 306), gestão escolar significa “tomar
decisões, organizar e dirigir as políticas educacionais que se desenvolvem na
escola comprometidas com a formação da cidadania”. Isso pressupõe aprender
com cada “mundo” diferenciado que se apresenta, suas razões e lógica; e seus
costumes e valores, que devem ser respeitados.
A integração entre políticas educacionais e a gestão escolar permite que escolas e
gestores adotem estratégias eficazes, otimizando a alocação de recursos e melhorando
a formação contínua dos profissionais da educação. Essa abordagem resulta em uma
educação de qualidade e mais equitativa para todos os cidadãos.
Saiba mais
Para saber mais sobre este tema, acesse o link.
1. Fábrica de Loucuras (1986)
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Conclusão
Concluímos esta unidade com a expectativa de que a abordagem tenha enriquecido
seus conhecimentos sobre a evolução e a conceituação de administração,
administração escolar e gestão educacional. Esperamos que você tenha
compreendido como esses elementos são essenciais para a implementação de
uma educação integral e de alta qualidade.
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Referências
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,
DF: Senado Federal, 2016.
BRASIL. Lei nº 10.172, de 09 de janeiro de 2001. Aprova o Plano Nacional de Educação
e dá outras providências. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2001.
BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Lei que aprova o Plano nacional de
Educação. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2014.
BRASIL. Ministério da Educação. Programa Mais Educação: gestão intersetorial no
território. Brasília, DF: MEC/SECAD, 2009.
CERTO, S. C. Modern management: diversity, quality, ethics, and the global
environment. Boston: Allyn & Bacon, 1994.
CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração. 10. ed. Rio de Janeiro:
Campus, 2021.
DAFT, R. L. Management. Fort Worth: The Dryden Press, 1993.
FERREIRA, N. S. C. (Org.). Gestão democrática da educação: atuais tendências, novos
desafios. São Paulo: Cortez, 2000.
GADOTTI, M. Gestão Democrática com Participação Popular. Planejamento e
Organização da Educação Nacional. Instituto Paulo Freire: 2013.
LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão escolar. Porto Alegre: Alternativa: 2008.
LUCK, H. Gestão educacional: uma questão paradigmática. São Paulo: Vozes; 2015.
PARO, V. H. Administração escolar: introdução crítica. 17. ed. São Paulo: Cortez, 2022.
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