Manual de Formação Musical para Alunos
Manual de Formação Musical para Alunos
Orientadores
Professor Doutor Gonçalo Nuno Moreno Risso Damásio Lourenço
Professor Especialista Pedro Miguel Reixa Ladeira
Março de 2024
II
Composição do júri
Presidente do júri
Grau académico, nome do presidente do júri”
Vogais
Grau académico, nome do presidente do júri”
Categoria profissional e o nome da Instituição
III
IV
Dedicatória
V
VI
Agradecimentos
VII
Resumo
Palavras-chave
VIII
IX
Abstract
Keywords
X
XI
Índice geral
Introdução .............................................................................. 1
PARTE I - Prática de Ensino Supervisionada ....................................... 3
[Link]ção ..................................................................... 5
1.1. Caracterização do Meio: Conservatório Regional de Castelo Branco ................................... 5
1.1.1.A História do Conservatório ................................................................................................ 5
1.1.2. As Instalações ................................................................................................................. 7
1.1.3. A Oferta Educativa.......................................................................................................... 9
1.1.4. Corpo Docente..............................................................................................................14
1.1.5. Corpo Discente .............................................................................................................16
1.1.6. Corpo Não-Docente ......................................................................................................18
1.2. Caracterização das Turmas..................................................................................................19
1.2.1. Caracterização da Turma de Formação Musical ..........................................................19
1.2.2. Caracterização da Turma de Classe de Conjunto .........................................................22
2. A Prática de Ensino Supervisionada ............................................ 26
2.1. Formação Musical ...............................................................................................................27
2.1.1. Calendarização .............................................................................................................27
2.1.2. Relatórios e Planificações .............................................................................................34
2.2. Classe de Conjunto (coro) ...................................................................................................56
2.2.1. Calendarização .............................................................................................................56
2.2.2. Relatórios e Planificações .............................................................................................59
3. Reflexões Finais Sobre a Prática de Ensino Supervisionada ................. 68
PARTE II - Investigação: “Da capo - Manual de Formação Musical dedicado
aos alunos do 1º Grau do Ensino Especializado” ..................................... 71
Capítulo 1 - Contextualização e Introdução ao Projeto de Investigação ..... 72
Estado da Arte ............................................................................................................................72
1.2. Objetivos .............................................................................................................................73
1.3. Metodologia de investigação e áreas de investigação em Formação Musical ...................73
1.4. O Papel do Guia Pedagógico como Recurso do Professor ..................................................74
Capítulo 2 – Enquadramento Teórico .............................................. 76
2.1 A Música Tradicional – Conceito e Contextualização ...........................................................76
Capítulo 3 – A Música Enquanto Jogo .............................................. 83
3.1 O Conceito de Jogo ...............................................................................................................83
3.2 Tipos de Jogos ......................................................................................................................84
XII
Capítulo 4 – Descrição e Organização do Manual ................................ 86
4.1 Objetivos Gerais................................................................................................................... 86
4.2 Processo de Construção do Manual .................................................................................... 86
4.2.1 Conteúdo Programático................................................................................................ 87
4.2.2 Material Didático .......................................................................................................... 88
Capítulo 5 – Apresentação e Discussão dos Resultados ....................... 106
5.1 Caracterização das Turmas ................................................................................................ 106
5.2 Inquéritos por Questionário .............................................................................................. 108
5.2.1 Inquéritos Pré Implementação do Estudo .................................................................. 108
5.2.2 Inquéritos Pós Implementação do Estudo.................................................................. 118
5.3 Grelhas de Observação ...................................................................................................... 130
5.3.1 Desenvolvimento Rítmico ........................................................................................... 130
5.3.2 Desenvolvimento Melódico ........................................................................................ 136
5.3.3 Desenvolvimento Musical .......................................................................................... 141
5.3.4 Interesse e Motivação ................................................................................................ 142
6. Validação do Livro de Atividades ............................................. 144
7. Conclusão......................................................................... 148
[Link] ....................................................................... 150
Anexos ............................................................................... 156
XIII
XIV
Índice de figuras
XV
Índice de gráficos
XVII
XVIII
Índice de tabelas
XX
XXI
XXII
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Introdução
1
Ana Margarida Lobo Santos
2
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
3
Ana Margarida Lobo Santos
4
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
[Link]ção
1.1. Caracterização do Meio: Conservatório Regional de Castelo
Branco
1.1.1.A História do Conservatório
1 Fonte: [Link]
5
Ana Margarida Lobo Santos
6
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
1.1.2. As Instalações
2
Fonte: (Avaliações sobre Conservatório Regional de Castelo Branco. (Escola) em Castelo Branco (Castelo Branco)., s.d.)/
7
Ana Margarida Lobo Santos
Sala Funcionalidade
Rés do Chão
Serviços
Administrativos Secretaria, Reprografia e Direção
Sinfónica)
Sala de Estudo
Bach Aulas teóricas (em turma)
Sala de Estudo
Beethoven Aulas teóricas (em turma)
Sala de Estudo
Chopin Aulas de instrumento
Sala de Estudo
Debussy Aulas de instrumento
Sala de Estudo
Kodály Aulas teóricas (em turma)
Sala de estudo
Lopes Graça Aulas de instrumento (Órgão)
Sala de Estudo
Luís de Freitas Aulas teóricas (em turma)
Branco Aulas de instrumento
Sala de Estudo
Aulas teóricas (em turma)
Messiaen Aulas de instrumento
Sala de Estudo
Schubert Aulas de instrumento
Sala de Estudo
Viana da Mota Aulas de instrumento
Sala de Estudo
Sótão
Aulas de instrumento
Pierre Van
Aulas de classe de conjunto (Grupo
8
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Hauwe Orff)
Sala de Estudo
Rés do Chão
Aulas teóricas (em turma)
Schumann Aulas de instrumento
Sala de Estudo
Duarte Lobo Aulas de instrumento
Sala de Estudo
Manuel Cardoso Aulas de instrumento
Sala de Estudo
Piso 1
Audições
Polo 2
O Conservatório Regional de Castelo Branco dispõe dos Cursos (1) Básico e (2)
Secundário, organizados em três diferentes regimes: (1) Regime Articulado que,
segundo a Portaria n.º 229-A/2018, de 14 de agosto, artigo 3º alínea e), se traduz na
“frequência de um curso artístico especializado quando assegurado por duas escolas
distintas” (Portaria No 229-A/2018,” 2018); (2) Regime Supletivo, onde não existe
articulação entre a escola de ensino artístico e a escola de ensino regular. Assim, o
aluno é obrigado a frequentar todas as disciplinas de ambos os cursos em simultâneo;
e (3) Regime Livre, dedicado “a todas as pessoas que querem aprender a tocar um
instrumento, a melhorar as suas capacidades musicais, ou que simplesmente
9
Ana Margarida Lobo Santos
2º Ciclo 3º Ciclo
1º Grau 2º Grau 3º Grau 4º Grau 5º Grau
Instrumento 45 min (x1) 45 min (x1)
Formação Musical 45 min (x3) 45 min (x2)
Classe de Conjunto 45 min (x2) 45 min (x3)*
*Nota: Instrumentos de Orquestra: Coro (45 min) + Orquestra de Cordas, Sopros ou Sinfónica (90
min); Outros instrumentos: Coro (90 min) + Classe de Conjunto a definir (45 min).
Tabela 3 - Distribuição da carga horária relativa aos cursos de Ensino Secundário – Variante de Instrumento –
Regime Articulado4
3
Fonte: Conservatório Regional de Castelo Branco. Acedido em Fonte especificada inválida./
4
Fonte: Conservatório Regional de Castelo Branco. [Link]
10
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Tabela 4 - Distribuição da carga horária relativa aos cursos de Ensino Secundário – Variante de Instrumento -
Regime Supletivo5
Variante de Instrumento
Regime Supletivo
Instrumento 45 min
* Nota: Instrumentos de Orquestra: Orquestra Sinfónica (90 min) + Coro (45 min); outros instrumentos: Coro (90
min) + Música de Câmara /Ensemble (45 min).
Tabela 5 - Distribuição da carga horária relativa aos cursos de Ensino Secundário – Variante de Formação
Musical -Regime Articulado6
5
Fonte: Conservatório Regional de Castelo Branco. [Link]
6
Fonte: Conservatório Regional de Castelo Branco. [Link]
11
Ana Margarida Lobo Santos
Instrumento de Tecla/Acompanhamento e
x 45 min
Improvisação
Prática, Leitura e Harmonização ao Piano 45 min
Tabela 6 - Distribuição da carga horária relativa aos cursos de Ensino Secundário – Variante de Formação
Musical -Regime Supletivo7
Instrumento 45 min
* Nota: Coro (135 min) ou Coro (90 min) + Classe de Conjunto a definir (45 min).
Tabela 7 - Distribuição da carga horária relativa aos cursos de Ensino Secundário - Variante de Composição –
Regime Articulado8
Variante de Composição
Regime Articulado
7
Fonte: Conservatório Regional de Castelo Branco. [Link]
8
Fonte: Conservatório Regional de Castelo Branco. [Link]
12
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Tabela 8 - Distribuição da carga horária relativa aos cursos de Ensino Secundário - Variante de Composição –
Regime Supletivo9
Variante de Composição
Regime Supletivo
Composição 45 min
Tabela 9 - Distribuição da carga horária relativa aos cursos de Ensino Secundário - Variante de Canto – Regime
Articulado10
Variante de Canto
Regime Articulado
6º Grau 7ºGrau 8ºGrau
9
Fonte: Conservatório Regional de Castelo Branco. [Link]
10
Fonte: Conservatório Regional de Castelo Branco. [Link]
13
Ana Margarida Lobo Santos
* Nota: Coro (135 min) ou Coro (90 min) + Classe de Conjunto a definir (45 min).
14
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Piano 5
Acompanhamento e Improvisação 1
Instrumento de Tecla 1
Violino 6
Viola D’Arco 1
Cordas
Violoncelo 1
Contrabaixo 1
Guitarra Clássica 4
Trompete
Sop
1
ros
11
Fonte: Conservatório Regional de Castelo Branco. [Link]
15
Ana Margarida Lobo Santos
Oboé 1
Saxofone 1
Clarinete 1
Trompa 1
Flauta Transversal 1
Percussão 1
Canto 1
Línguas de Alemão 1
Repertório
Italiano 1
Classes de Conjunto 19
Formação Musical 6
Curso Básico
77%
16
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Supletivo
2%
Articulado
78%
17
Ana Margarida Lobo Santos
70
60
50
40
30
20
10
0
10 Anos
42 Anos
4 Anos
6 Anos
7 Anos
8 Anos
9 Anos
11 Anos
12 Anos
13 Anos
14 Anos
15 Anos
16 Anos
17 Anos
18 Anos
19 Anos
20 Anos
21 Anos
26 Anos
27 Anos
43 Anos
47 Anos
48 Anos
49 Anos
50 Anos
53 Anos
59 Anos
74 Anos
Gráfico 4 - Faixa etária do corpo discente
3,5
3
2,5
2
1,5
1
0,5
0
Serviços Assistente de Reprografia e Vigilância Apoio ao Polo de Serviço de
Administrativos Direção/ Design Logística Idanha-a-Nova Limpeza e Higiene
Gráfico
Gráfico 5 - Distribuição do pessoal não-docente
18
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Caracterização da Turma
12
Fonte: Dados cedidos pela professora cooperante
Gosto muito
Gosto
Não gosto
0 1 2 3 4 5 6 7 8
Instrumento
Coro
Formação Musical
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Gosto muito
Gosto
Não gosto
0 1 2 3 4 5 6 7 8
Teoria Musical
Leituras
Cantar
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
2 ou 3 Dias
4 ou 5 Dias
6 Dias
Todos os dias
0 2 4 6 8 10 12
Caracterização da Turma
22
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
23
Ana Margarida Lobo Santos
Adoro
Gosto muito
Gosto
Não gosto
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18
Instrumento
Coro
Formação Musical
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20
Gosto muito
Gosto
Não gosto
0 5 10 15 20 25
2 ou 3 Dias
4 ou 5 Dias
6 Dias
Todos os dias
0 2 4 6 8 10 12 14 16
26
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
No início do ano letivo, foram acordadas as datas em que a mestranda devia comparecer na escola, numa fase inicial. Ao longo do
ano, estas aulas (lecionadas ou assistidas) foram aumentando a sua frequência. Apesar de não ter estado presente em todas as aulas e,
por consequência, não existirem relatórios das mesmas, na tabela que se segue estão expostas todas as datas, tendo a mestranda estado
presente ou não.
Tabela 13 - Calendarização das aulas de Formação Musical
Nº de Nº de Nº de
Data Duração Tipo Sumário
Aula Relatório Planificação
Apresentação. Material necessário para a aula. Marcação de testes. Reprodução
Não
1e2 20/09/2022 90 min - - rítmica e exemplos de coordenação motora. Trabalho sensorial de pulsação. As
Assistida
figuras rítmicas e seus valores (árvore das figuras.)
Revisão da aula anterior. Os sinais de dinâmica - do pp ao ff. Entoação de escalas.
Não
3 21/09/2022 45 min - - Trabalho de movimento sonoro e ordem das notas com gesto da mão. Reprodução
Assistida
rítmica - trabalho de pulsação e divisão.
Revisão das figuras rítmicas- nomes e duração. Introdução à leitura rítmica -
interiorização pulsação, divisão e 1º tempo do compasso. Reconhecimento de
Não
4 28/09/2022 45 min - - frases rítmicas. As barras. Os compassos. Revisão das claves e sua função.
Assistida
Entoação de escalas. Trabalho de movimento sonoro e ordem das notas -
exercícios com gesto da mão.
Revisão das figuras rítmicas - nome e valor. Reprodução rítmica. interiorização da
pulsação, divisão e subdivisão do tempo. Fichas de aplicação de conhecimentos.
Ordem das notas - entoação de escalas e ordenação de notas com ajuda do gesto
5e6 04/10/2022 90min Assistida 1 - da mão (sem e com entoação). A pauta e seu funcionamento. Leitura por
relatividade. As claves. As notas - o dó central (pauta dupla) e 3 notas na clave de
sol - dó, ré, mi - introdução à leitura - página 8 das fotocópias. Simbologia -
dinâmica, sinal de respiração, ligadura de expressão e barras.
27
Ana Margarida Lobo Santos
28
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
29
Ana Margarida Lobo Santos
30
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
53 e 54 14/02/2023 90 min Lecionada 25 15 Tercina VS colcheia duas semicolcheias- interiorização. Leituras rítmicas com
tercina e colcheia 2 semicolcheias - individual e em grupo. Leitura solfejada e
melódica - pág. 19 das fotocópias.
55 15/02/2023 45 min Lecionada 26 - Entrega e correção da Questão Aula
Escalas com # - armações de clave - prática de escrita na pauta. Reconhecimento
de frases rítmicas.
56 e 57 28/02/2023 90 min Lecionada 27 16
Divisão de compassos. Revisão da simbologia dada. Ditado rítmico em compasso
composto.
Aula prática supervisionada: Revisão dos intervalos – exercícios de aplicação de
58 01/03/2023 45 min Lecionada 28 17
conhecimentos. Leitura de notas em clave de sol. Ditado de sons.
Correção do TPC. Memorização rítmica lida. Leituras rítmicas em alternância pág.
Não 30. Ditado de células rítmicas em tempo simples.
59 e 60 03/03/2023 90 min - -
Assistida
Treino auditivo- escala de dó e ré Maior. Leituras melódicas pág. 93.
31
Ana Margarida Lobo Santos
32
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
8.
Treino auditivo-escalas, intervalos, ordenações de notas. Leitura entoada. Ditado
de notas.
80 e 81 09/05/2023 90 min Assistida 37 -
Leituras melódicas pág. 90. Deteção de erros. Leituras rítmicas a 2 partes pág 30,
31 e 32. Trabalho de coordenação motora.
82 10/05/2023 45 min Lecionada 38 21 Questão aula
33
Ana Margarida Lobo Santos
18 “Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória”, homologado pelo Despacho n.º 6478/2017, 26 de
julho.
34
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Relatório Nº1
Recursos Pedagógicos/
Expressão Corporal
Atividade 2 – Expressão
Recursos Materiais
Figuração Rítmica: Semínimas; Mínimas; Colcheias e
Conteúdo
Corporal
Semicolcheias
Objetivos Reprodução de padrões rítmicos
Avaliação/
Observação direta, diálogo intuitivo e breves notas
Instrumentos de
de campo
Observação
Duração 10 minutos
Organizador Leitura/ Escrita
Recursos Pedagógicos/ Exposição teórica escrita no quadro e Fichas
Atividade 3 – Figuração
Semicolcheias
Conteúdo
Pauta; Linhas suplementares; Claves (Sol [2ª linha];
Fá [4ª linha] e Dó [3ª linha])
Realizar, de forma correta, os exercícios das fichas
Objetivos
propostas
Avaliação/ Observação direta, diálogo intuitivo, breves notas de
36
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
37
Ana Margarida Lobo Santos
40
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Relatório Nº6
44
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Organizador Leitura/Escrita
Recursos Pedagógicos/
Atividade 1 – Introdução à célula
rítmica Colcheia-Semicolcheias Exposição teórica no quadro
Recursos Materiais
Pulsação e divisão;
Conteúdo Figuração rítmica: Mínima; Semínima; Colcheia;
Semicolcheia e respetivas pausas.
Interiorizar, reconhecer e identificar visualmente a
Objetivos nova célula rítmica, assim como reproduzi-la de
forma autónoma.
Avaliação/
Observação direta, diálogo intuitivo e breves notas
Relatório Nº6
Instrumentos de
de campo.
Observação
Duração 25 minutos
Organizador Leitura/Escrita
Atividade 2 – Jogo de cartas (jogo
45
Ana Margarida Lobo Santos
Planificação Nº1
Recursos
Avaliação/
Pedagógicos
Organizador Conteúdos Objetivos Estratégias Instrumentos de Tempo
/ Recursos
Observação
Materiais
A aula iniciará com uma breve
revisão sobre a figuração
Atividade 1 – Introdução à célula rítmica
46
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
47
Ana Margarida Lobo Santos
Relatório Nº18
Recursos Pedagógicos/
Recursos Materiais Expressão corporal
Reprodução rítmica
Conteúdo
Memória auditiva
Reproduzir os padrões rítmicos propostos pela
Objetivos
mestranda
Avaliação/
Observação direta, diálogo intuitivo e breves
Relatório Nº 18
Instrumentos de
notas de campo
Observação
Duração 15 minutos
Organizador Leitura /Escrita
Recursos Pedagógicos/
Atividade 2 – Ditado rítmico
48
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Planificação Nº11
Recursos
Avaliação/
Pedagógicos
Organizador Conteúdos Objetivos Estratégias Instrumentos de Tempo
/ Recursos
Observação
Materiais
A mestranda iniciará a aula com
Reprodução rítmica
teórico
exposto no Figuração rítmica: rítmico de quatro compassos.
Semínima; Mínimas; O aluno deve Cada compasso será executado Observação direta,
Leitura e quadro;
rítmico
49
Ana Margarida Lobo Santos
Entoação e afinação
Leitura de Notas A aula terminará com a leitura
Atividade 3 – Canção
50
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Relatório Nº27
Atividade 1 – Armação de Clave: A aula teve início com uma breve revisão sobre a
ordem dos sustenidos e bemóis. Aqui a turma foi convidada a criar uma história em
torno da ordem dos sustenidos “Fá- Dó – Sol – Ré – Lá – Mi - Si”. Após a mestranda os
ter introduzido à mnemónica “Frade ao sol reza a missinha”, os alunos aceitaram este
jogo, criando a fábula: Era uma vez, um jovem frade que vivia num convento algures
por aí. Este frade gostava tanto do ar livre, que todos os dias passeava pelos jardins
do convento para sentir o vento. Para o encontrar, bastava sair à rua para o ouvir
rezar as suas missas ao sol. Assim, surgiu a ordem dos sustenidos: Frade ao sol reza
a missinha!
Logo em seguida, a turma foi introduzida à construção das escalas de Fá e Sol
maiores. Dada a explicação teórica, os alunos foram convidados a contruir estas
escalas nos seus cadernos, de forma individual.
51
Ana Margarida Lobo Santos
52
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Observação
Duração 10 minutos
Organizador Leitura/Escrita
Atividade 4 - Classificação de Recursos
Pedagógicos/ Exercício teórico exposto no quadro
Recursos Materiais
Intervalos
Recursos Materiais
Conteúdo Simbologia musical
Identificar e nomear a simbologia exposta no
Objetivos
quadro
Avaliação/
Observação direta, notas de campo e grelha e
Instrumentos de
avaliação.
Observação
Duração 10 minutos
Organizador Leitura/Escrita e Sensorial
Atividade 6 - Ditado de sons
53
Ana Margarida Lobo Santos
Planificação Nº16
Recursos
Avaliação/
Pedagógicos
Organizador Conteúdos Objetivos Estratégias Instrumentos de Tempo
/ Recursos
Observação
Materiais
A aula terá início com uma breve
Atividade 1 – Armação
compassos
Atividade
Compassos Simples: uma frase musical turma em entender e interiorizar diálogo intuitivo e
Leitura/Escrita teórico 10 min
Quaternário; a correta divisão de compassos, a
de
54
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
A mestranda iniciará um
Ditado de sons O aluno deve
Atividade 4 -
55
Ana Margarida Lobo Santos
No início do ano letivo, foram acordadas as datas em que a mestranda devia comparecer, numa fase inicial. Ao longo do ano, estas
aulas (lecionadas ou assistidas) foram aumentando a sua frequência. Apesar de não ter estado presente em todas as aulas e, por
consequência, não existirem relatórios das mesmas, na tabela que se segue estão expostas todas as datas, tendo a mestranda estado
presente ou não.
Tabela 26 - Calendarização das aulas de Classe de Conjunto (coro)
Nº de Nº de Nº de
Data Duração Tipo Sumário
Aula Relatório Planificação
Não Apresentação. Exercícios de alongamento, relaxamento e aquecimento vocal.
1 20/09/2022 45 min - -
Assistida Colocação da voz e postura. Cânone " Hoje eu vim".
Alongamento, relaxamento e aquecimento vocal. Exercícios de colocação da voz e
2 04/10/2022 45 min Assistida 1 - trabalho de diafragma. Cânones "Hoje eu vim" e "Sing Together". Informação
sobre o repertório a trabalhar no Natal.
Alongamento e aquecimento vocal. Exercícios de colocação. Cânones "Hoje eu
3 11/10/2022 45 min Assistida 2 - vim" e" Sing Together. "Entrega e organização das partituras da "lenda das 3
árvores " Início do trabalho com nova obra.
Treino de alongamento e aquecimento vocal realizado pela estagiária de
4 18/10/2022 45 min Lecionada 3 1 mestrado Ana Lobo. Continuação do trabalho com a "Lenda das 3 árvores" -
páginas 1 a 3- exercícios de fraseado e colocação nos agudos.
Aquecimento vocal realizado pela estagiária de mestrado Ana Lobo. Continuação
5 25/10/2022 45 min Lecionada 4 2
do trabalho com Lenda das 3 árvores- Até "com um golpe e...Zás, já está!".
Exercícios de aquecimento vocal, colocação e relaxamento corporal. Continuação
6 08/11/2022 45 min Lecionada 5 3
do trabalho com a lenda das 3 árvores.
Prática supervisionada: Exercícios de alongamento, relaxamento e aquecimento
7 15/11/2022 45 min Lecionada 6 4 vocal. Continuação do trabalho com lenda das 3 árvores: letra 2 do início e
revisão do que já foi trabalhado anteriormente.
56
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
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Ana Margarida Lobo Santos
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“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
24 “Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória”, homologado pelo Despacho n.º 6478/2017, 26 de
julho.
59
Ana Margarida Lobo Santos
Relatório Nº2
Organizador Sensorial
Atividade 1 – Aquecimento
notas de campo
Observação
Duração 10 minutos
Organizador Leitura/Escrita e Sensorial
Recursos Pedagógicos/ Partituras
Atividade 2 – Leitura de
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“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Relatório Nº4
Organizador Sensorial
Atividade 1 – Aquecimento
Observação
Duração 15 minutos
Organizador Leitura/Escrita e Sensorial
Atividade 2 – Leitura de repertório
61
Ana Margarida Lobo Santos
Relatório Nº14
Organizador Sensorial
Atividade 1 – Aquecimento
notas de campo
Observação
Duração 10 minutos
Organizador Leitura/Escrita e Sensorial
Recursos Pedagógicos/ Partituras
Atividade 2 – Leitura de
62
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Relatório Nº15
Organizador Sensorial
Atividade 1 – Aquecimento
notas de campo
Observação
Duração 10 minutos
Organizador Leitura/Escrita e Sensorial
Recursos Pedagógicos/ Partituras
Atividade 2 – Leitura de
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Ana Margarida Lobo Santos
• Leitura do excerto
Aquecimento corporal, relaxamento e ativação dos
• Resolução de
músculos. "Lenda das 3 árvores" possíveis problemas
5 2 Vocalizes (escalas, arpejos, sequências e 10 min (Excerto do compasso 1 ao 35 min
de dicção
ordenações), exercícios de colocação, afinação e 173)
• Afinação/Colocação
dicção. Execução de cânones a 2 e 3 vozes.
• Revisão da aula
1º Período
anterior
Aquecimento corporal, relaxamento e ativação dos • Leitura do novo
músculos. excerto
"Lenda das 3 árvores"
6 3 Vocalizes (escalas, arpejos, sequências e 15 min 30 min • Resolução de
(Excerto da pág.1 à pág. 17)
ordenações), exercícios de colocação, afinação e possíveis problemas
dicção. Execução de cânones a 2 e 3 vozes. de dicção
• Afinação/Colocação
• Revisão da aula
anterior
Aquecimento corporal, relaxamento e ativação dos • Leitura do novo texto
músculos.
"Lenda das 3 árvores" • Resolução de
7 4 Vocalizes (escalas, arpejos, sequências e 10 min 35 min
(Excerto da pág.1 à pág. 17) possíveis problemas
ordenações), exercícios de colocação, afinação e
de dicção
dicção. Execução de cânones a 2 e 3 vozes.
• Afinação/Colocação
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“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
• Revisão da aula
Aquecimento corporal, relaxamento e ativação dos anterior
músculos. "Lenda das 3 árvores" • Leitura do novo texto
8 5 Vocalizes (escalas, arpejos, sequências e 10 min (Excerto do compasso 328 ao 35 min • Resolução de
ordenações), exercícios de colocação, afinação e 387) possíveis problemas
dicção. Execução de cânones a 2 e 3 vozes. de dicção
• Afinação/Colocação
• Revisão da aula
Aquecimento corporal, relaxamento e ativação dos anterior
músculos. • Leitura do novo texto
"Lenda das 3 árvores"
9 6 Vocalizes (escalas, arpejos, sequências e 10 min 35 min • Resolução de
(Conclusão da leitura)
ordenações), exercícios de colocação, afinação e possíveis problemas
dicção. Execução de cânones a 2 e 3 vozes. de dicção
• Afinação/Colocação
Aquecimento corporal, relaxamento e ativação dos • Revisão do repertório
músculos. • Trabalhar o carater
Prova de avaliação Sumativa
12 7 Vocalizes (escalas, arpejos, sequências e 10 min 35 min de cada secção
(Todas as peças trabalhadas)
ordenações), exercícios de colocação, afinação e • Afinação/Colocação
dicção. Execução de cânones a 2 e 3 vozes.
• Afinação
• Colocação
• Dicção
Aula dedicada a vocalizes, • Amplitude
Aquecimento corporal, relaxamento e ativação dos
13 8 5 min pequenos excertos, colocação 40 min • Ressonância
músculos
e jogos de ecos • Memória auditiva
• Concentração
2º Período
• Respiração
• Leitura da 1ª voz
Aquecimento corporal, relaxamento e ativação dos
• Resolução de
músculos.
possíveis problemas
14 9 Vocalizes (escalas, arpejos, sequências e 10 min “Rosa Amarela” 35 min de dicção
ordenações), exercícios de colocação, afinação e
• Afinação/Colocação
dicção. Execução de cânones a 2 e 3 vozes.
65
Ana Margarida Lobo Santos
• Leitura da 2ª voz
• Resolução de
possíveis problemas
Canção "Rosa Amarela”: de dicção
Aquecimento corporal, relaxamento e ativação dos
17 10 10 min revisão da 1a voz e início do 35 min
músculos. • Afinação/Colocação
trabalho com 2ª voz
• Revisão do conteúdo
trabalhado
anteriormente
• Resolução de
Aquecimento corporal, relaxamento e ativação dos "Rosa Amarela” – possíveis problemas
músculos. Consolidação da junção das de dicção
18 11 Vocalizes (escalas, arpejos, sequências e 10 min vozes 35 min • Afinação/Colocação
ordenações), exercícios de colocação, afinação e “Barqueiro” – Leitura da 2ª • Revisão do conteúdo
dicção. Execução de cânones a 2 e 3 vozes. voz trabalhado
anteriormente
• Leitura de texto/
trabalho de fonética
• Leitura da 1ª voz
Aquecimento corporal, relaxamento e ativação dos
• Resolução de
músculos. Canção "Shosholoza”:
possíveis problemas
20 12 Vocalizes (escalas, arpejos, sequências e 10 min consolidação da fonética e 35 min de dicção
ordenações), exercícios de colocação, afinação e leitura da 1ª voz
• Afinação/Colocação
dicção. Execução de cânones a 2 e 3 vozes.
• Revisão do conteúdo
trabalhado
anteriormente
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“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
• Afinação/Colocação
• Revisão do conteúdo
trabalhado
anteriormente
• Leitura da 2ª voz
• Junção das duas
vozes
Aquecimento corporal, relaxamento e ativação dos
• Resolução de
músculos.
possíveis problemas
26 14 Vocalizes (escalas, arpejos, sequências e 15 min "Meu lírio roxo do campo" 30 min de dicção
ordenações), exercícios de colocação, afinação e
• Afinação/Colocação
dicção. Execução de cânones a 2 e 3 vozes.
• Revisão do conteúdo
trabalhado
3º Período
anteriormente
• Leitura da obra
• Junção das duas
vozes
Aquecimento corporal, relaxamento e ativação dos • Resolução de
músculos. possíveis problemas
28 15 Vocalizes (escalas, arpejos, sequências e 10 min “Menina estás à janela” 35 min de dicção
ordenações), exercícios de colocação, afinação e • Afinação/Colocação
dicção. Execução de cânones a 2 e 3 vozes. • Revisão do conteúdo
trabalhado
anteriormente
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Ana Margarida Lobo Santos
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Ana Margarida Lobo Santos
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“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
71
Ana Margarida Lobo Santos
Estado da Arte
O ensino da Formação Musical em Portugal tem vindo a tornar-se uma área cada
vez mais negligenciada pela comunidade musical. Este facto é, principalmente, fruto
da ausência de diálogo entre os materiais comumente utilizados, em contrapartida à
diversidade criativa que se faz sentir no contexto português. O material que se
encontra em circulação no nosso país, limita-se a tratar os tópicos “populares” da
disciplina, restringindo o leque didático a exemplos e exercícios normalmente de
origem estrangeira, que muito convidam à utilização de estratégias, técnicas e
modelos de ensino ultrapassados, oriundos das instituições pioneiras no ensino da
arte. Esta falta de oferta pressupõe a dádiva de tempo por parte do professor, que se
vê obrigado a investir o seu tempo pessoal na recolha, compilação e muitas vezes,
criação de exemplos e exercícios. Contudo, sabemos que a realidade do docente em
Portugal não oferece condições para tal dedicação, o que acaba por resultar na
estagnação do ensino da música. Normalmente, são encontrados alguns poucos livros
de exercícios dedicados a pontos específicos desta disciplina, que obrigam o professor
a remendar o seu material entre vários exercícios e linhas de pensamento
completamente distintas. Para o aluno, este caminho torna-se desafiador, já que
obriga a um processo de aprendizagem confuso, exaustivo e frustrante.
Tenhamos em conta que a imensidade de repertório português, catalogado ou não,
é dono de um infinito potencial pedagógico. Seja ele dedicado à iniciação musical
(com canções de ninar, de trabalho ou de algum outro caráter popular) ou
introduzido na formação académica de futuros músicos (por exemplo, com a música
de Lopes Graça, ou Viena Da Mota). Em suma, o modelo de ensino português não
consegue usufruir do seu próprio património cultural, que tanto tem para oferecer.
Assim, este projeto propõe a exploração deste material, resultando na criação de
um livro didático de Formação Musical construído, exclusivamente, sobre música
portuguesa, traduzindo-se numa linha de pensamento contínua, onde se encontra um
objeto de estudo de fácil acesso e compreensão, que se desenrole sobre uma linha de
pensamento fluido e informação clara e explícita. Propondo-se não apenas a colmatar
esta lacuna do ensino especializado em música em Portugal, mas também a fazê-lo de
forma lúdica, em forma de jogo ou através de atividades didáticas, utilizando música
de caráter tradicional de origem portuguesa, como fonte de conhecimento.
72
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
1.2. Objetivos
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Ana Margarida Lobo Santos
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“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
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Ana Margarida Lobo Santos
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“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
concebe uma canção, apenas a canta, altera motivos, adapta-a à sua realidade, à sua
vida e às suas atividades. Segundo Gallop (1937), estes temas são adaptados de
“esferas sociais mais elevadas”. Contudo, este autor não exclui a Portugal a vertente
da “criação”, mas defende teoria de que existem trocas e influências culturais.
Já Lopes-Graça (1991), contrapõe esta teoria, afirmando que a canção portuguesa
vê o seu cerne na vivência do povo português, “é quase sempre um produto
verdadeiramente nativo, e não uma transformação ou adaptação (para não dizer-mos
uma degradação, como pretende a teoria um tanto despicienda dos folcloristas
alemães (…), da criação culta”.
77
Ana Margarida Lobo Santos
tradicional, afirma ser fundamental que a música popular esteja presente no processo
de formação das crianças, dado que constitui uma “parte importante da nossa
memória e das nossas raízes” (2003).
Tal como afirmam Torres e Camacho em “O Xarabanda e a Revalorização da
Música Tradicional Madeirense”, é crucial que as crianças sejam introduzidas ao
repertório tradicional desde os primeiros anos de vida, pois esta desempenha um
papel fundamental na construção da sua identidade cultural. A riqueza preservada
nas canções tradicionais é viral para o desenvolvimento das identidades individuas e
coletivas.
Dado que o desenvolvimento da voz é crucial no desenvolvimento musical da
criança, o ato de cantar, realizado por meio da canção, toram-se um recurso essencial
nas aulas de Formação Musical, como evidencia a seguinte citação:
80
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
(Willems, 1970).
Willems, defende que cada criança deve ser amplamente exposta à música oriunda
do seu génio e da sua raça. Cabe ao professor escolher as canções que melhor se
adequem ao conteúdo introduzido, seja rítmico, melódico, harmónico, sobre acordes,
modos ou intervalos. Segundo Willems, as canções devem ser abordadas primeiro,
para que depois se introduza o conteúdo teórico ali contido, como por exemplo, para
exemplificar intervalos com “aquelas que começam com um salto característico”.
(Willems, 1970)
No artigo Zoltan Kodály: Um Novo Conceito de Formação Musical e a Sua
Aplicação nas Escolas Húngaras, Cristiana Cruz conta-nos como Kodaály teve um
papel indispensável na incrementação de repertório tradicional húngaro na
Formação Musical. O professor e etnomusicólogo dedicou mais de cinco décadas da
sua vida à recolha, análise e catalogação de repertório tradicional, distribuindo-o
pelos vários níveis de ensino da Música. Segundo ele “O que deve ser feito? Ensinar
música (e em especial, canto) nas escolas, de modo que ela não seja um tortura, mas
sim um prazer; incutir nos alunos uma sede de boa música que dure a vida inteira. A
música não deve ser abordada pelo lado intelectual ou racional, nem transmitido à
criança como um sistema algébrico de símbolos ou como a escrita secreta de uma
linguagem com a qual ela não tem qualquer ligação. O caminho deve ser-lhe apontado
através da própria intuição (…) Esta experiência não pode ser deixada ao acaso: é o
dever da escola provê-lo”. (kodály, 1974)
É vital incentivar e conscientizar os professores sobre a utilização da música
portuguesa como ferramenta de aprendizagem. A música tradicional é muito mais
que um recurso. É uma herança cultural que oferece à criança um caminho para se
encontrar.
(Lopes-Graça, 1991)
82
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
A prática de utilizar música como fonte de inspiração para a criação de jogos não é
novidade. Compositores e professores de diversas épocas, tanto passadas como
contemporâneas, já a adotaram. Sabe-se, por exemplo, que Mozart recorria a este
método quando desejava preservar a sua energia criativa, compondo peças baseadas
num lançamento de dados.
Na educação musical moderna, são principalmente as escolas dos Estados Unidos
e do Reino Unido que levam em conta a importância do jogo. No entanto, na Holanda,
Ad. Heerkens dedicou vários anos da sua vida a aprimorar o pleno potencial da
expressão musical, tanto nos aspetos práticos quanto teóricos, resultando a
compilação deste conhecimento no livro “100 jogos musicais”, que serve de
inspiração a este trabalho.
Definir este conceito pode ser uma tarefa fácil, já que a conceção de “jogo” varia
consoante o contexto em que enquadra. Como afirmado por Kishimoto (1995), jogos
políticos, de animais, xadrez, puzzles ou dominó são todos denominados com sendo
um jogo, apesar de serem claramente diferentes nas suas especificidades. Sabemos
que um “jogo político” se traduz num conjunto de estratégias utilizadas no meio para
negociar vantagens e atingir determinados objetivos. Ora, essa imagem é totalmente
contrastante aquela que se nos forma quando pensamos numa criança a brincar com
uma boneca. Podemos ainda pensar num jogo como um objeto, quando nos dirigimos
a um tabuleiro de xadrez, por exemplo.
Assim, no artigo intitulado “O Jogo e a Educação Infantil”, Kishimoto aponta três
diferentes níveis de jogo:
1. O resultado de um sistema linguístico que funciona dentro de um contexto
social; (Kishimoto, 1995)
2. Um sistema de regras; (Kishimoto, 1995)
3. Um objeto. (Kishimoto, 1995)
No que diz respeito aos jogos musicais, como ferramenta pedagógica, destacamos
dois aspetos fundamentais: (1) o aspeto superficial, aquele que é visto do exterior e
(2) o aspeto peculiar. Segundo Heerkens, aqueles que observam o aspeto superficial
apenas desenvolvem interesse pelo jogo quando este suscita a competitividade: quem
vai ganhar? Este aspeto não permite contemplar outros aspetos do jogo igualmente
importantes. Com isto, o autor afirma considerar a experiência vivida pelos jogadores
e descreve-os do seguinte modo:
• Jogar é sair da rotina. Para os que se entregam inteiramente ao jogo, a
realidade quotidiana deixa de existir, apagando-se na sua consciência no
83
Ana Margarida Lobo Santos
Tendo em vista que os jogos por nós selecionados não representam um objetivo
concreto, mas sim um meio para o atingir, agrupámos estas atividades em três tipos:
(1) Jogos Sensoriais; (2) Jogos de Papel e Caneta e (3) Jogos de Tabuleiro ou de Cartas.
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“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
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Ana Margarida Lobo Santos
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“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
1. Ritmo
a. Identificação e reprodução da pulsação;
b. Identificação e reprodução da figuração rítmica e respetivas
pausas;
c. Identificação e reprodução da métrica/compassos simples e
compostos;
d. Leitura de frases rítmicas (noção de tempo, divisão e subdivisão,
figuração rítmica e respetivas pausas incluindo ligaduras e
pontos de aumentação, movimentos sincopados e métrica);
e. Escrita de frases rítmicas (noção de tempo, divisão e subdivisão,
figuração rítmica e respetivas pausas incluindo ligaduras e
pontos de aumentação, movimentos sincopados e métrica);
f. Leitura, escrita e reprodução de frases ou leituras rítmicas
(noção de tempo, divisão e subdivisão, figuração rítmica e
respetivas pausas incluindo ligaduras e pontos de aumentação,
movimentos sincopados e métrica), realizadas ao piano,
percutidas ou expostas através de uma gravação audiovisual.
2. Melodia
a. Identificação e reprodução de diferentes alturas (sons graves
médios e agudos);
b. Identificação e distinção dos diferentes timbres, assim como as
respetivas famílias;
c. Leitura entoada de frases melódicas em clave de sol (afinação,
noção de tempo, saltos e noção intervalar);
d. Leitura entoada de frases melódicas em clave de sol por
relatividade (afinação, noção de tempo, saltos e noção
intervalar);
e. Reconhecimento e construção de escalas maiores e menores;
f. Reconhecimento e construção dos intervalos de 2ª; 3ª; 4ª; 5ª e
8ª;
g. Leitura, escrita e reprodução de frases melódicas (afinação,
noção de tempo, saltos e noção intervalar) realizadas ao piano,
cantadas ou expostas através de uma gravação audiovisual.
3. Harmonia
a. Reconhecimento de acordes maiores e menores;
b. Reconhecimento das funções I – IV – V.
87
Ana Margarida Lobo Santos
Iniciámos esta investigação com uma lista de vinte e cinco canções, com o
intuito de apurar as onze que melhor resultassem tanto em contexto de aula, como
fora dela. Assim, listámos as canções com as quais iniciámos este processo:
1. Alecrim;
2. Aurora;
3. A Moda da Rita;
4. As Armas do Meu Adufe;
5. As Pombinhas da Cat’rina;
6. A Saia da Carolina;
7. Barqueiro;
8. Dom Solidom;
9. Indo Eu a Caminho de Viseu;
10. Fui-te Ver, Estavas Lavando;
11. Josezito, Já Te Tenho Dito;
12. Loureiro, Verde Loureiro;
13. Marião;
14. Marinheiro;
15. Menina Estás à Janela;
16. Meu Lírio Roxo;
17. Ó Oliveira da Serra;
18. Ó Rama da Oliveira;
19. Ó Rosa Arredonda a Saia;
20. Os Olhos da Marianita;
21. Papagaio Loiro;
22. Passarinho Trigueiro;
23. Que Linda Falua;
24. Tia Anica de Loulé;
25. Vira do Minho.
Destas vinte e quatro canções, foram selecionadas as número: (1) Alecrim; (2)
Aurora; (3) A Moda da Rita; (7) Barqueiro; (8) Dom Solidom; (10) Fui-te Ver Estavas
Lavando; (12) Loureiro, Verde Loureiro; (13) Marião; (16) Meu Lírio Roxo; (18) Ó
Rama da Oliveira e (25) Vira do Minho.
A fim dinamizar a lista obras selecionadas, organizamos cada uma das canções
numa grelha de análise que engloba as especificações musicais e etnográficas de cada
uma, em função dos objetivos propostos.
Nesta tabela descrevemos os seguintes parâmetros: (1) Título; (2) Tópico – Tema
pedagógico a abordar; (3) Contexto – Descrição da origem da canção, o local onde foi
cantada, recolhida e a possível data de criação; (4) Tonalidade; (5) Compasso; (6)
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“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Característica do Baixo Alentejo, esta canção foi recolhida por Giacometti e Lopes-
Graça, integrando o Cancioneiro Popular Português, publicado em 1981. Segundo os
registos, esta canção data da década de 1940.
Registada na tonalidade de Sol maior e compasso binário simples, esta canção é
composta por uma linha melódica que se desenha entre o Ré 3 e o Mi 4, tendo assim
um âmbito de 9ª Maior. Esta melodia é composta por saltos de 3ª maior e menor, 4ª
perfeita e 7ª maior, contudo a maior parte da mesma é constituída por graus
conjuntos.
Visto que se trata de uma canção tradicional alentejana, o ritmo é quase
exclusivamente composto pela célula “colcheia pontuada - semicolcheia”, que lhe
confere o caráter melismático característico do Alentejo.
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Ana Margarida Lobo Santos
4ª Perfeita 7ª Maior
2ª Menor
3ª Maior
Intervalos
2ª Maior
25 Fonte: Giacometti & Lopes-Graça (1981) Cancioneiro Popular Português. Lisboa: Ciclo de Leitores
90
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Recolhida por Maria Rita Ortigão Pinto Cortez, esta canção integra o Cancioneiro
de Serpa de 1994, tendo sido registada na tonalidade de Fá maior e no compasso
ternário simples.
A melodia desenha-se entre o Dó 3 e o Dó 4, onde podemos encontrar intervalos
de 2ª maior e menor, 3ª maior, 4ª perfeita e 5ª perfeita. Ritmicamente, destaca-se a já
citada célula “colcheia pontuada - semicolcheia”, característica desta região.
4ª Perfeita 5ª Perfeita
3ª Maior
2ª Menor
Intervalos
2ª Maior
91
Ana Margarida Lobo Santos
26 Fonte: Cortez, Maria Rita Ortigão Pinto (1994) Cancioneiro de Serpa. Câmara Municipal de Serpa
92
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Tópico
4ª Perfeita 5ª Perfeita
2ª Menor
3ª Menor
Intervalos
2ª Maior
27 Fonte: Neves, C. das (1803). Cancioneiro de Músicas Populares. Porto: Typographia Ocidental (Volume 1, pág. 220).
93
Ana Margarida Lobo Santos
[Link] Barqueiro
Tabela 40 – “Barqueiro”
Título Barqueiro
Tópico
Tonalidade Fá Maior
Âmbito Dó 3 – Dó 4
Forma AB
4ª Perfeita
2ª Menor
Intervalos
3ª Maior
2ª Maior
94
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Figura 14 – Barqueiro28
Eu já vi dançar o Vira,
Meninas, vamos ao Vira
Ai, às meninas de Coimbra
Ai, que o Vira é coisa boa! (bis)
(bis)
Eu já vi dançar o Vira,
Ai, às meninas de Lisboa (bis)
O Vira que Vira,
O Vira virou,
O Vira, que vira
As voltas do Vira,
E torna a virar,
Sou eu quem as dou. (bis)
As voltas do Vira
São boas de dar. (bis)
Meninas vamos ao Vira,
Ai, que o Vira é coisa bela!
Meninas vamos ao Vira, (bis)
Ai, que o Vira é coisa linda! Eu já vi dançar o Vira,
(bis) Ai, às meninas de Palmela (bis)
O Vira é uma dança típica do folclore português oriunda do Minho. A sua origem é de
data desconhecida, para Gonçalo Sampaio e Sampaio Ribeiro pode ser anterior ao
século XVI.
28 Fonte: Morais, D. (2000). Recolhas de Domingos Morais: Arquivo DMWDR85. Lisboa e Trás-os-Montes. Obtido
de [Link]
95
Ana Margarida Lobo Santos
Registada na tonalidade de Si menor, esta canção tem o âmbito de 10º menor (Ré
2 – Ré 4). A sua melodia é constituída por graus conjuntos, e intervalos melódicos de
3ª maior, 4ª perfeita e 5ª perfeita. O ritmo silábico é quase exclusivamente composto
por semínimas e colcheias organizadas de diferentes formas ao longo da canção,
sendo separadas por pausas entre cada frase.
Tabela 41 – “Vira do Minho”
2ª Menor
Intervalos
3ª Maior
2ª Maior
29 Fonte: Sampaio, G. (1940 ). Cancioneiro Minhoto. Braga: Grupo Folclórico Dr Gonçalo Sampaio.
96
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Meu Lírio roxo do campo, Meu Lírio roxo do campo. Ai! Ai!
Criado na primavera, Quem te pudesse ir colher.
Quem me dera amor saber. Ai! Ai!
A tua intenção qual era. Quem te pudesse colher,
Oh! Meu amor quem me dera
A tua intenção qual era, Desejava, amor, saber. Ai! Ai!
Qual era o teu proceder. A tua intenção qual era.
Recolhida por Manuel Joaquim Delgado, esta canção foi publicada no “Cancioneiro
Popular do Baixo Alentejo”, no ano de 1955. Contudo a versão que utilizamos nesta
investigação é de Jos Wuytack publicada no livro “Canções Tradicionais Portuguesas”
de 1998.
Na tonalidade de Ré maior e registada em compasso binário simples, esta versão
apresenta duas vozes harmonizadas à distância de 3ª, onde a primeira tem um âmbito
de Ré 3 a Dó 4 e a segunda voz de Dó 3 a Sol 3. A melodia é composta por graus
conjuntos, intervalos de 3ª maior e 4ª perfeita.
Tópico
4ª Perfeita 5ª Perfeita
2ª Menor
Intervalos
3ª Maior
2ª Maior
97
Ana Margarida Lobo Santos
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“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Tabela 43 – “Marião”
Título Marião
Tópico
Âmbito Si b 2 – Si b 3
Forma AB
3ª Menor
2ª Menor
Intervalos
2ª Maior
99
Ana Margarida Lobo Santos
Figura 17 – Marião31
31 Fonte: Associação Portuguesa de Educação Musical. (s.d.). Tradicionais - Marião. Obtido de Cantar Mais - Mundos com Voz:
[Link]
100
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Registada no Cancioneiro de Serpa, por Maria Rita Ortigão Pinto Cortez no ano de
1944, a versão original desta canção encontra-se na tonalidade de Dó maior, e
harmonizada a duas vozes à distância de 3ª. Contudo, para esta investigação
escolhemos a versão Gisberto Costa.
Nesta versão, que se encontra na mesma tonalidade, a melodia desenvolve-se
entre o Dó 3 e o Si 3, quase sempre por graus conjuntos. O ritmo silábico desenrola-se
sobre o compasso binário simples.
Tópico
Âmbito Dó 3 – Si 3
Forma AB
4ª Perfeita 3ª Maior
3ª Menor
2ª Menor
Intervalos
2ª Maior
101
Ana Margarida Lobo Santos
[Link] Alecrim
Registada no Cancioneiro de Serpa, por Maria Rita Ortigão Pinto Cortez no ano de
1944, esta canção tradicional encontra-se na tonalidade de Dó maior. O seu âmbito
encontra-se entre o Dó 3 e o Si 3, sendo assim menos que a 8ª. Ritmicamente, é
composta de semínimas, colcheias e semicolcheias, acomodadas num compasso
binário simples.
32 Fonte: Associação Portuguesa de Educação Musical. (s.d.). Tradicionais - A Moda da Rita. Obtido de Cantar Mais - Mundos com
Voz: [Link]
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“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Tabela 45 – “Alecrim”
Título Alecrim
Tópico
Âmbito Dó 3 – Si 3
Forma AB
3ª Maior 6ª Maior
2ª Menor
3ª Menor
Intervalos
2ª Maior
Figura 19 – Alecrim33
103
Ana Margarida Lobo Santos
[Link] Aurora
Tabela 46 – “Aurora”
Título Aurora
Tópico
Âmbito Ré 3 – Fá 4
Forma AB
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5ª Perfeita 8ª Perfeita
4ª Perfeita
2ª Menor
Intervalos 3ª Maior
3ª Menor
2ª Maior
Figura 20 – Aurora34
34 Fonte: [Link]. (1971). Etnografia da Beira – O que a nossa gente canta. Lisboa: Livraria Ferin.
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107
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Resposta
Nº de fechada
Categoria Questão Resposta
respostas
Sim Não
“É a música de um
7 - -
determinado sítio”
“É a música que se canta
nas festas de uma certa 4 - -
O que é, para ti, música aldeia”
tradicional?
“É a música antiga de cada
Conheces música tradicional?
8 - -
localidade”
“É a música que toda a
8 - -
gente sabe cantar”
Aurora 8 - -
A Moda da Rita 5 - -
As Armas do Meu Adufe 0 - -
108
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
música tradicional te
Qual é a tua opinião sobre o
pode ajudar a
interiorizar os - - 12 15
conteúdos
introduzidos na aula
de Formação Musical?
Indica um aspeto que Não sabe 16 - -
pode ser positivo sobre
“Assim conhecemos
a aplicação de música 5 - -
outros tipos de música”
tradicional de
Formação Musical “Podemos fazer coisas 6 - -
109
Ana Margarida Lobo Santos
diferentes”
Indica um aspeto que Não sabe 16 - -
pode ser negativo
“Nós estudamos música
sobre a aplicação de
clássica. Música
música tradicional de 4 - -
Tradicional não é música
Formação Musical
clássica”
“Não gosto de música
7 - -
tradicional”
Achas que vais gostar
de trabalhar as canções
- - 20 7
tradicionais nas aulas
de Formação Musical?
“É a música que se
canta nas festas de
“É a música antiga uma certa aldeia”
de cada localidade” 15%
29%
110
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Turma A Turma B
111
Ana Margarida Lobo Santos
Já na última pergunta deste grupo de questões, perguntámos aos alunos quem lhes
tinha transmitido estas canções. As respostas variam entre: 15% “Não sei (A música
tradicional foi introduzida de forma tão orgânica, que o aluno não sabe precisar um
momento, local ou entidade)”; 26% “Através dos avós”; 7% “Através dos Pais”; 19%
“Na escola” e 33% “Nas aulas de Formação Musical (em escolas não oficiais, tempos
livres ou academias)”.
112
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
14
12
10
0
Sim Não
Gráfico 18 – Consideras que a música tradicional te pode ajudar a interiorizar os conteúdos introduzidos na aula
de Formação Musical?
Ao pedir aos alunos que “Indicassem um aspeto que pode ser positivo sobre a
aplicação de música tradicional de Formação Musical”, 59% respondeu “não sei”, 19%
“assim conhecemos outros tipos de música” e os restantes 22% responderam
“Podemos fazer coisas diferentes”, como pode ser verificado através do gráfico
abaixo.
Não sei
“Assim conhecemos 59%
outros tipos de música”
19%
Gráfico 19– Indica um aspeto que pode ser positivo sobre a aplicação de música tradicional de Formação Musical
113
Ana Margarida Lobo Santos
Gráfico 20 – Indica um aspeto que pode ser negativo sobre a aplicação de música tradicional de Formação
Musical
25
Achas que vais gostar de trabalhar as canções tradicionais
nas aulas de Formação Musical?
20
15
10
0
Sim Não
Gráfico 21 – Achas que vais gostar de trabalhar as canções tradicionais nas aulas de Formação Musical?
114
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Resposta
Nº de fechada
Questão Resposta
respostas
Sim Não
Adoro 5 - -
Gosto Muito 9 - -
Não Gosto 2 - -
Teoria Musical 3 - -
Leituras 6 - -
Qual destas atividades
mais gostas?
Cantar 11 - -
Ditados 3 - -
Menos de 2 dias 5 - -
2 ou 3 dias 15 - -
Quantas vezes por semana
estudas Formação 4 ou 5 dias 7 - -
Musical?
6 dias 0 - -
Todos os dias 0 - -
115
Ana Margarida Lobo Santos
10
0
Ditados (Rítmicos ou Cantar Leituras Teoria Musical
Melódicos)
116
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
14
12
10
0
Todos os dias 6 Dias 4 ou 5 Dias 2 ou 3 Dias Menos de 2 dias
117
Ana Margarida Lobo Santos
Resposta
Nº de fechada
Questão Resposta
respostas
Sim Não
Adoro 13 - -
Gosto Muito 10 - -
Gostas das aulas de Gosto 3 - -
Formação Musical?
Não Gosto 1 - -
Teoria Musical 4 - -
Ditados 0 - -
Menos de 2 dias 4 - -
2 ou 3 dias 13 - -
Quantas vezes por semana
estudas Formação 4 ou 5 dias 10 - -
Musical?
6 dias 0 - -
Todos os dias 0 - -
O que achas que te motiva “Fazer mais jogos” 9 - -
nas aulas de Formação
Musical? “Cantar mais” 18 - -
“Tive uma professora muito
2
boa”
“As aulas são divertidas” 5
Sentes-te motivado nas
aulas de Formação “Porque cantamos muito e 26 1
4
Musical? Porquê? brincamos muito”
“Porque fazemos jogos” 8
118
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
12
10
0
Não gosto nada Não gosto Gosto Gosto Muito Adoro
119
Ana Margarida Lobo Santos
12
10
0
Todos os dias 6 Dias 4 ou 5 Dias 2 ou 3 Dias Menos de 2 dias Todos os dias
Nas duas últimas questões abordámos o tópico “Motivação. Assim sendo, pedimos
aos alunos que indicassem aquilo que os motiva durante as aulas de Formação
Musical. Nove alunos (26%) responderam que os jogos são a principal fonte de
prazer durante a aprendizagem, enquanto os restantes dezoito (74%) referiram que o
facto que “cantar muitas canções” os incentiva a participar de forma ativa.
Canções
26%
Jogos
74%
120
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
"Porque cantamos
muito e brincamos
"Porque gosto de muito"
música" 15%
27%
Gráfico 29 – Sentes-te motivado nas aulas de Formação Musical? Porquê?
Resposta
Nº de fechada
Questão Resposta
respostas
Sim Não
Teoria Musical 9 - -
121
Ana Margarida Lobo Santos
Interesse cultural 13 - -
Novas aprendizagens - -
Diversão 13 - -
O que te trouxe a música
tradicional?
Interesse cultural 25 - -
Respostas em branco 6 - -
122
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Sim
89%
Gráfico 30 – Acreditas que a música tradicional te ajudou a aprender Formação Musical?
20
15
10
0
Teoria Musical Desenvolvimento Desenvolvimento Interesse cultural Improvisação e Respostas em
Auditivo Musical Criatividade branco
(Conceitos
práticos, afinação
e leitura)
“alterou a minha opinião sobre este género musical”; vinte e cinco discentes
responderam “diversão” e dois alunos selecionaram a opção “não teve qualquer
impacto ou influência”.
25
20
15
10
0
Novas aprendizagens Alterou a minha opinião Diversão Não teve qualquer impacto
sobre este género musical ou influência
Com o gráfico que se segue, constatamos que a grande maioria dos alunos destaca
o fator motivação, quando pedimos que selecionassem os aspetos que consideram
positivos na implementação da música tradicional em Formação Musical, já que vinte
e seis discente (38%) selecionaram a opção “A música tradicional motivou-me”.
Referimos, também a grande quantidade de alunos (24, equivalente a 35%) que
selecionou a opção “ensinou-me novos conceitos”. Já dezassete alunos (25%)
selecionaram “incentivou o desenvolvimento cultural” e um único (2%) “Incentivou o
desenvolvimento de espírito crítico”.
Gráfico 33 – Seleciona os aspetos que consideras positivos na música tradicional (nas aulas de Formação
Musical)
124
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Gráfico 34 – Seleciona os aspetos que consideras negativos na música tradicional (nas aulas de Formação
Musical)
Sim
89%
Gráfico 35– Gostaste de trabalhar com música tradicional nas aulas de Formação Musical?
125
Ana Margarida Lobo Santos
O último questionário entregue tinha como tema “Os jogos nas aulas de Formação
Musical”. Com ele, apurámos qual a relação dos alunos com este tipo de abordagem.
Abaixo segue, em forma de tabela, a lista de questões postas e as respetivas respostas.
Resposta
Nº de fechada
Questão Resposta
respostas
Sim Não
1 0 - -
Numa escala de 1 a 5, o 2 0 - -
quanto gostaste dos jogos
3 2 - -
aplicados nas aulas de
Formação Musical? 4 12 - -
5 13 - -
“Porque é divertido” 9 - -
“Porque me ajuda a
5 - -
aprender”
Porque é que gostaste “Porque gosto de desafios” 5 - -
destes jogos?
“Porque podemos jogar
6 - -
todos juntos”
“Porque assim nem parece
2 - -
que estou na escola”
Jogo sensorial 11 - -
Que tipo de jogo é o teu
Jogo de papel e caneta 6 - -
favorito?
Jogo de tabuleiro 10 - -
“Porque é divertido” 27
Gostarias de continuar a “Para ter melhor nota” 20
aprender Formação
27 0
Musical através deste tipo “Porque é desafiante” 3
de jogos? Se sim, Porquê?
“Porque faz com que queira
7
melhorar”
126
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Gráfico 36 – O quanto gostaste dos jogos aplicados nas aulas de Formação Musical?
25
20
15
10
0
“Porque é divertido” “Para ter melhor “Porque é desafiante” “Porque faz com que "Porque assim nem
nota” queira melhorar” parece que estou na
escola"
Gráfico 37 – Porque é que gostaste destes jogos?
127
Ana Margarida Lobo Santos
É também importante referir que o fator motivação foi amplamente citado pelos
alunos de ambas as turmas, de forma constante durante as aulas em que estes jogos
foram implementados, como se pode observar pelo gráfico a seguir, onde vinte e
cinco alunos deram uma resposta positiva quando questionados “Sentes que estes
jogos te dão mais vontade de aprender Formação Musical?”
Sim
96%
Gráfico 38 – Sentes que estes jogos te dão mais vontade de aprender Formação Musical?
De seguida apurámos que 60% dos alunos prefere Jogos Sensoriais, 32% Jogos de
Papel e Caneta e os restantes 8% prefere Jogos de Tabuleiro.
Jogos de Papel e
Caneta
32%
Jogos Sensoriais
60%
128
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Como se pode concluir através do gráfico abaixo, a maioria dos alunos prefere os
jogos realizados em conjunto, visto que apenas nove alunos selecionaram a opção
“jogos individuais”.
Jogos individuais
33%
Jogos coletivos
67%
25
20
15
10
0
"Porque é divertido" "Para ter melhor nota" "Porque é desafiante" "Porque faz com que queira
melhorar"
Gráfico 41 – Gostarias de continuar a aprender Formação Musical através deste tipo de jogos? Se sim, Porquê?
129
Ana Margarida Lobo Santos
A tabela que se segue, ilustra a evolução deste tópico, numa escala de um a cinco,
nos três momentos de avaliação.
Aluno 1 A 5 5 5
Aluno 2 A 5 5 5
Aluno 3 A 4 4 5
Conservatório Regional de Castelo Branco
Aluno 4 A 2 3 3
Aluno 5 A 4 4 4
Aluno 6 A 5 5 5
Aluno 7 A 2 3 3
Aluno 8 A 4 4 4
Aluno 9 A 2 2 3
Aluno 10 A 4 4 4
Aluno 11 A 4 4 5
Aluno 12 A 2 2 3
Aluno 13 A 4 5 5
Aluno 14 A 5 5 5
Aluno 15 A 5 5 5
Aluno 1 B 2 2 3
Aluno 2 B 2 3 4
Aluno 3 B 3 4 5
Escola Doutor Manuel Fernandes
Aluno 4 B 3 3 4
Aluno 5 B 3 5 5
Aluno 6 B 2 3 4
Aluno 7 B 3 3 3
Aluno 8 B 2 2 3
Aluno 9 B 3 4 5
Aluno 10 B 3 4 4
Aluno 11 B 2 2 2
Aluno 12 B 2 2 3
131
Ana Margarida Lobo Santos
• Leitura
A leitura de células rítmicas começou por ser um desafio para ambas as turmas,
principalmente pela dificuldade em relacionar a música escrita, à música
cantada/tocada. A dicção também se revelou um entravo à grande maioria dos
alunos, pois o ato de percutir não apresentou tantos problemas, já que exige
coordenação motora e não desenvoltura linguística. Contudo, quando pedimos aos
alunos para reproduzir uma mesma frase, agora de forma falada, a dificuldade em
repetir as sílabas comuns a esta prática como “pã” ou “tá”, representaram um grande
desafio.
Durante os jogos, os alunos com maior dificuldade apresentaram alguns entraves
devido à exposição em frente ao resto da turma. Contudo, à medida que os jogos
foram avançando, esta vergonha de participar foi-se diluindo e dando lugar ao
espírito de equipa.
Após a aplicação do estudo, percebemos uma melhoria muito significativa na
desenvoltura linguística anteriormente citada. Os alunos não mais demonstram
dificuldades em reproduzir sílabas de forma repetitiva, e nem entraves ao ler um
novo excerto ou frase rítmica. O raciocínio musical também foi alvo de melhorias,
assim como a velocidade da leitura musical.
Na tabela que se segue, podemos acompanhar a evolução deste tópico, numa
escala de um a cinco, nos três momentos de avaliação.
Aluno 4 A 2 2 3
Aluno 5 A 4 5 5
Aluno 6 A 4 4 5
Aluno 7 A 2 2 2
Aluno 8 A 3 4 4
Aluno 9 A 2 3 3
Aluno 10 A 4 5 5
Aluno 11 A 5 5 5
Aluno 12 A 2 2 2
Aluno 13 A 4 4 5
Aluno 14 A 3 3 3
132
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Aluno 15 A 3 3 4
Aluno 1 B 3 3 3
Aluno 2 B 2 3 4
Aluno 3 B 4 5 5
Escola Doutor Manuel Fernandes
Aluno 4 B 4 4 5
Aluno 5 B 4 4 4
Aluno 6 B 2 2 3
Aluno 7 B 3 4 4
Aluno 8 B 3 3 3
Aluno 9 B 2 2 3
Aluno 10 B 3 4 5
Aluno 11 B 3 3 3
Aluno 12 B 2 2 3
• Capacidade de Reprodução
Os alunos não apresentaram maiores dificuldades na capacidade de
reprodução rítmica. Todos os discentes elevaram ou mantiveram o nível durante a
implementação do estudo, sendo que, a grande maioria, terminou o ano com a nota
máxima neste tópico, não havendo nenhuma negativa no final do último período.
Segue a tabela ilustrativa sobre a evolução deste tópico, numa escala de um a
cinco, durante os três momentos de avaliação.
Aluno 2 A 4 5 5
Aluno 3 A 5 5 5
Aluno 4 A 5 5 5
Aluno 5 A 5 5 5
Aluno 6 A 4 5 5
Aluno 7 A 5 5 5
Aluno 8 A 5 5 5
Aluno 9 A 5 5 5
Aluno 10 A 5 5 5
Aluno 11 A 5 5 5
133
Ana Margarida Lobo Santos
Aluno 12 A 3 3 3
Aluno 13 A 5 5 5
Aluno 14 A 5 5 5
Aluno 15 A 5 5 5
Aluno 1 B 3 3 4
Aluno 2 B 4 5 5
Aluno 3 B 5 5 5
Escola Doutor Manuel Fernandes
Aluno 4 B 3 3 4
Aluno 5 B 5 5 5
Aluno 6 B 3 3 3
Aluno 7 B 4 4 5
Aluno 8 B 5 5 5
Aluno 9 B 3 3 3
Aluno 10 B 5 5 5
Aluno 11 B 4 5 5
Aluno 12 B 3 4 5
• Memória Auditiva
No que toca à memória auditiva, os alunos demonstram grandes dificuldades. No
decorrer das aulas, este tópico foi alvo de grandes debates, já que os discentes
simplesmente se conformaram com o facto de “não conseguirem” realizar exercícios
simples que abordassem este quesito.
A normalização desta suposta incapacidade foi um grande obstáculo na realização
de tarefas, jogos e no desenvolvimento musical como um todo. Contudo, ao longo do
tempo conseguimos perceber leves melhoras.
Na tabela a seguir conseguimos observar a evolução deste tópico, percebendo que,
em comparação com os demais subtemas, este progresso não obteve resultados tão
discrepantes entre a primeira, e a última prova.
Aluno 2 A 3 4 4
Aluno 3 A 5 5 5
Aluno 4 A 3 3 4
134
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Aluno 5 A 4 4 4
Aluno 6 A 4 5 5
Aluno 7 A 2 3 3
Aluno 8 A 4 4 4
Aluno 9 A 2 2 2
Aluno 10 A 2 3 3
Aluno 11 A 3 3 3
Aluno 12 A 2 3 3
Aluno 13 A 4 5 5
Aluno 14 A 5 5 5
Aluno 15 A 5 5 5
Aluno 1 B 2 2 3
Aluno 2 B 3 4 4
Aluno 3 B 4 4 4
Escola Doutor Manuel Fernandes
Aluno 4 B 4 4 4
Aluno 5 B 4 4 4
Aluno 6 B 4 5 5
Aluno 7 B 3 4 5
Aluno 8 B 2 2 3
Aluno 9 B 3 3 3
Aluno 10 B 5 5 5
Aluno 11 B 4 5 5
Aluno 12 B 2 3 3
135
Ana Margarida Lobo Santos
0
Prova 1 Prova 2 Prova 3
• Afinação
Na turma A, os alunos não apresentaram dificuldades neste quesito, exceto
quando confrontados com frases melódicas onde os saltos são um pouco maiores. Já
na turma B, os discentes manifestaram uma grande dificuldade em manter a afinação,
ainda que harmonicamente acompanhados.
Depois da implementação deste estudo, as duas turmas apresentaram notáveis
melhoras neste tópico. Ainda que a diferença seja muito mais discrepante na turma B,
já que iniciaram este processo com maiores entraves, na turma A a afinação notou-se
mais sólida e confiante no final deste processo.
Na tabela que se segue, ilustramos os resultados das três provas realizadas ao
longo do ano.
Tabela 57 - Evolução do Desenvolvimento Melódico – Afinação
Aluno 2 A 4 4 5
Aluno 3 A 3 4 4
Aluno 4 A 4 4 5
Aluno 5 A 4 4 4
Aluno 6 A 5 5 5
136
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Aluno 7 A 4 4 5
Aluno 8 A 4 4 5
Aluno 9 A 5 5 5
Aluno 10 A 4 5 5
Aluno 11 A 4 4 4
Aluno 12 A 3 3 4
Aluno 13 A 3 4 4
Aluno 14 A 2 3 3
Aluno 15 A 4 4 5
Aluno 1 B 3 3 4
Aluno 2 B 2 2 2
Aluno 3 B 5 5 5
Escola Doutor Manuel Fernandes
Aluno 4 B 5 5 5
Aluno 5 B 4 4 5
Aluno 6 B 5 5 5
Aluno 7 B 4 5 5
Aluno 8 B 4 4 4
Aluno 9 B 5 5 5
Aluno 10 B 4 4 4
Aluno 11 B 3 3 4
Aluno 12 B 5 5 5
• Leitura
Nas primeiras aulas do ano, a leitura de notas mostrou-se o conteúdo mais
desafiante para ambas as turmas. Os alunos não se mostraram interessados em
aprender ou melhorar a sua habilidade de leitura, afirmando que “isto é muito difícil”.
Com o passar do tempo e o aumentar da dificuldade (isto, antes da implementação
deste estudo), os discentes expressaram um profundo descontentamento sempre que
ler no pentagrama integrava o sumário da aula.
Com isto, criámos o jogo número 17, que muito nos ajudou a reavivar o interesse e
motivação dos alunos sobre esta temática. Apesar da dificuldade, que não se
extinguiu, os discentes mostraram um grande interesse em ler o melhor e mais rápido
possível para que a sua equipa avançasse no tabuleiro.
Empregámos este jogo várias vezes ao longo do ano, e de várias formas diferentes.
Reescrevemos as frases, implementámos simbologia, substituímos os excertos
originais por padrões rítmicos e demos abertura para que os próprios alunos
modificassem as leituras de acordo com a sua necessidade. Tudo isto fez com que o
137
Ana Margarida Lobo Santos
Aluno 2 A 4 4 4
Aluno 3 A 3 3 4
Aluno 4 A 2 3 5
Conservatório Regional de Castelo Branco
Aluno 5 A 3 3 4
Aluno 6 A 3 4 5
Aluno 7 A 2 3 4
Aluno 8 A 3 3 4
Aluno 9 A 4 4 5
Aluno 10 A 5 5 5
Aluno 11 A 4 4 4
Aluno 12 A 3 4 4
Aluno 13 A 3 5 5
Aluno 14 A 2 3 3
Aluno 15 A 3 4 4
Aluno 1 B 3 4 4
Aluno 2 B 2 2 2
Aluno 3 B 3 5 5
Escola Doutor Manuel Fernandes
Aluno 4 B 3 3 3
Aluno 5 B 4 5 5
Aluno 6 B 5 5 5
Aluno 7 B 4 4 4
Aluno 8 B 3 4 4
Aluno 9 B 2 3 3
Aluno 10 B 4 5 5
Aluno 11 B 3 5 5
Aluno 12 B 3 4 4
138
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
• Capacidade de Reprodução
Tal como podemos verificar no desenvolvimento rítmico, o fator “Reprodução”
não representa um desafio para nenhuma das turmas. Como se pode aferir a partir da
tabela que se segue.
Tabela 59 - Evolução do Desenvolvimento Melódico –Capacidade de Reprodução
Aluno 4 A 5 5 5
Aluno 5 A 5 5 5
Aluno 6 A 4 5 5
Aluno 7 A 5 5 5
Aluno 8 A 5 5 5
Aluno 9 A 5 5 5
Aluno 10 A 5 5 5
Aluno 11 A 5 5 5
Aluno 12 A 3 3 3
Aluno 13 A 5 5 5
Aluno 14 A 5 5 5
Aluno 15 A 5 5 5
Aluno 1 B 3 3 4
Aluno 2 B 3 3 4
Aluno 3 B 5 5 5
Escola Doutor Manuel Fernandes
Aluno 4 B 3 3 4
Aluno 5 B 5 5 5
Aluno 6 B 3 3 3
Aluno 7 B 4 4 5
Aluno 8 B 5 5 5
Aluno 9 B 3 3 3
Aluno 10 B 5 5 5
Aluno 11 B 4 5 5
Aluno 12 B 3 4 5
139
Ana Margarida Lobo Santos
• Memória Auditiva
Em ambas as turmas, foi possível apurar uma grande dificuldade na
memorização de frases entoadas, muitas vezes agravada pela fraca dicção dos alunos
em estudo.
No decorrer do ano e com o dissecar das canções propostas, este tópico
melhorou radicalmente, após uma grande dedicação e trabalho direcionados à
correção de pronuncia.
Na tabela que se segue, expomos os dados recolhidos nas três provas já
citadas.
Tabela 60 - Evolução do Desenvolvimento Melódico –Memória Auditiva
Aluno 1 A 2 3 3
Aluno 2 A 3 4 4
Aluno 3 A 5 5 5
Aluno 4 A 3 3 4
Conservatório Regional de Castelo Branco
Aluno 5 A 4 4 4
Aluno 6 A 4 5 5
Aluno 7 A 2 3 3
Aluno 8 A 4 4 4
Aluno 9 A 2 2 2
Aluno 10 A 2 3 3
Aluno 11 A 3 3 3
Aluno 12 A 2 3 3
Aluno 13 A 4 5 5
Aluno 14 A 5 5 5
Aluno 15 A 5 5 5
Aluno 1 B 2 2 3
Escola Doutor Manuel
Aluno 2 B 2 3 3
Fernandes
Aluno 3 B 4 4 4
Aluno 4 B 4 4 4
Aluno 5 B 4 4 4
140
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
Aluno 6 B 4 5 5
Aluno 7 B 3 4 5
Aluno 8 B 2 2 3
Aluno 9 B 3 3 3
Aluno 10 B 5 5 5
Aluno 11 B 4 5 5
Aluno 12 B 2 3 3
Para melhor ilustrar a evolução das turmas neste tópico, expomos abaixo um
gráfico ilustrativo.
4,5
3,5
2,5
1,5
0,5
0
Prova 1 Prova 2 Prova 3
Este foi o tópico em que os alunos mostraram menos interesse desde o início
do ano letivo. A maioria dos discentes não consideravam importante saber sobre
interpretação. Já que, nas suas palavras “É só tocar sem erros” para que a música seja
141
Ana Margarida Lobo Santos
transmitida na sua forma mais completa. Com o decorrer das aulas, trabalhando com
as canções supracitadas, os alunos foram expostos a uma grande carga de sentido
histórico, sentindo o penso cultural e artístico de cada momento musical. Com isto, a
opinião dos discentes mudou radicalmente, assim como o seu raciocínio musical e
interpretativo, que sofreram grandes melhoras.
Nos tópicos teóricos, como compasso, e simbologia, não houve grandes
entraves. Contudo, a ordem dos sustenidos e bemóis, assim como tudo aquilo que os
implica (como construção de escalas, por exemplo), tornou-se um grande desafio para
estas crianças sendo, até causa de frustração para muitos.
Apesar de tudo isto, o Desenvolvimento Musical destas crianças evoluiu de
forma gradual, acompanhado do tão desejável “querer saber”, de muita diversão,
conhecimento cultural.
Devido à complexidade deste tópico, não nos foi possível avaliar ponto por ponto,
assim sendo, abaixo apresentamos o gráfico ilustrativo da evolução dos discentes de
uma forma global.
4,5
3,5
2,5
1,5
0,5
0
Prova 1 Prova 2 Prova 3
Desenvolvimento Musical
142
“Da capo” Manual de Formação Musical Dedicado aos Alunos do 1º Grau do Ensino Especializado
interesse e motivação. Assim sendo, a tabela que se segue é baseada não em grelhas
de observação, mas sim em notas refletivas, registadas ao longo do ano. Destas várias
datas registadas, selecionamos três momentos, atribuindo um nível de uma escala de
um a cinco.
Tabela 61 – Evolução do Interesse e Motivação
143
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Mestrado/Especia
lização
40%
Licenciatura
40%
Doutoramento
10%
145
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Tempo de Serviço
2,5
1,5
0,5
0
1 Ano 2 Anos 5 Anos 7 Anos 14 Anos 20 Anos 22 Anos 23 Anos
Nível De Ensino
Ensino Superior
5%
Ensino Básico
45%
Ensino Secundário
50%
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Rigor Conceptual
Rigor Científico
Rigor Linguístico
0 2 4 6 8 10 12
Nível 5 Nível 4
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7. Conclusão
Zeca Afonso
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rtuguesa_em_F_Lopes-Graca_texto_de_Introducao_Lisboa_Caminho2006
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Anexos
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DA
1
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7
8
9
10
11
13
Antes de começar a jogar, os jogadores devem definir qual a direção de cada timbre como
por exemplo: flauta = frente; ferrinhos = trás; pandeireta = direita e piano = esquerda.
De seguida, o professor deve projetar no quadro o labirinto abaixo e selecionar quatro
alunos para que toquem os instrumentos escolhidos. Estes jogadores serão o “comando”
deste jogo. Agora, o resto da turma deve dizer qual dos instrumentos vai ser tocado para
guiar o professor através do labirinto (que deverá ir riscando o trajeto à medida que o jogo
avança).
Os alunos que fazem parte do comando devem tocar o seu instrumento sempre que o
restante da turma assim o quiser. O jogo acaba quando a saída for encontrada.
19
Vota à
casa 2
Vota à
casa 9
32
33
35
BY ANA LOBO BY ANA LOBO BY ANA LOBO
36
37
BY ANA LOBO BY ANA LOBO BY ANA LOBO
38
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40
41
42
43
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45
46
47
48
49
50
51
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53
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