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Fragmenta Historica: Estudos e Documentos Históricos

O documento é uma ficha técnica da revista 'Fragmenta Historica', que aborda temas de História, Paleografia e Diplomática, com artigos e estudos sobre documentos históricos. O editorial discute a importância de documentos impressos e manuscritos na pesquisa histórica, destacando descobertas recentes na área. A revista é editada pelo Centro de Estudos Históricos e inclui contribuições de diversos especialistas em História.

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Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Fragmenta Historica: Estudos e Documentos Históricos

O documento é uma ficha técnica da revista 'Fragmenta Historica', que aborda temas de História, Paleografia e Diplomática, com artigos e estudos sobre documentos históricos. O editorial discute a importância de documentos impressos e manuscritos na pesquisa histórica, destacando descobertas recentes na área. A revista é editada pelo Centro de Estudos Históricos e inclui contribuições de diversos especialistas em História.

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inaH

1
FICHA TÉCNICA
Título
Fragmenta Historica – História, Paleografia e Diplomática
ISSN
1647‐6344
Editor
Centro de Estudos Históricos
(financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia)
Director
João José Alves Dias
Conselho Editorial
João Costa: Licenciado em História pela FCSH/NOVA. Mestre em História Medieval pela FCSH/NOVA.
Doutorando em História Medieval na FCSH/NOVA
José Jorge Gonçalves: Licenciado em História pela FCSH‐NOVA. Mestre em História Moderna pela
FCSH/NOVA. Doutor em História Moderna pela FCSH/NOVA
Pedro Pinto: Licenciado em História pela FCSH/NOVA
Conselho Científico
Fernando Augusto de Figueiredo (CEH‐NOVA; CHAM – FCSH/NOVA-UAç)
Gerhard Sailler (Diplomatische Akademie Wien)
Helga Maria Jüsten (CEH‐NOVA)
Helmut Siepmann (U. Köln)
Iria Vicente Gonçalves (CEH‐NOVA; IEM – FCSH/NOVA)
João José Alves Dias (CEH‐NOVA; CHAM – FCSH/NOVA-UAç)
Jorge Pereira de Sampaio (CEH-NOVA; CHAM – FCSH/NOVA-UAç)
José Jorge Gonçalves (CEH-NOVA; CHAM – FCSH/NOVA-UAç)
Julián Martín Abad (Biblioteca Nacional de España)
Maria Ângela Godinho Vieira Rocha Beirante (CEH-NOVA)
Maria de Fátima Mendes Vieira Botão Salvador (CEH-NOVA; IEM – FCSH/NOVA)
Design Gráfico
João Carlos Timóteo
Índices
João Costa
Imagem de capa
Assinatura régia autógrafa de D. Manuel I, Foral de Vouga, Lisboa, [Colecção Particular], 1514.03.18.

2
SUMÁRIO
Imagem da capa: A assinatura régia: a tinta-ouro escreve o Rei, p. 7
João Alves Dias

ESTUDOS
Algumas Achegas sobre o Material Tipográfico da Oficina de Germão Galharde e de sua Viúva
(1519-1565), p. 11
Helga Jüsten
Património, Casa e Patrocínio: Uma Aproximação ao Senhorio do Infante D. Fernando (1530-
1534), p. 39
Hélder Carvalhal

MONUMENTA HISTORICA
Carlos Silva Moura, João Costa, José Jorge Gonçalves, Nunziatella Alessandrini, Pedro Pinto, Roger Lee
de Jesus, Tiago Machado de Castro
Escambo de uma casa na Rua das Alcáçovas em Évora por uma vinha em Xarrama (1307), p. 69
Venda de um quarto de casas junto à Alcáçova de Évora (1312), p. 71
Treslado em pública-forma de um contrato de aforamento de um pardieiro na cidade de Évora
feito por João César e Constança Vasques a Domingos Bueiro e Constança Eanes (1322|1376),
p. 73
Pública-forma de carta régia de D. Afonso IV sobre o cumprimento de uma verba do
testamento de D. Dinis (1336), p. 77
Testamento de Vasco Afonso, morador em Évora (1346), p. 81

LISBOA
2014

3
Emprazamento de pardieiro em Évora a Mestre João, físico de Córdoba (1374), p. 85
Instrumento de tomada de posse de Estêvão Vasques de Góis da Quintã de Pedra Alçada,
Monsaraz (1375), p. 87
Instrumento público de partilha dos bens de João Tomé (1383), p. 91
Partilha de herança de Nicolau Joanes, de Évora (1385), p. 95
Aforamento de vinhas no Calhariz (Lisboa, 1390), p. 97
Venda de herdade em Redondo (1397), p. 99
Encampação de vinha no Calhariz de Lisboa a João Eanes, pedreiro e mestre das obras do
concelho (1405), p. 101
Encampação de pardieiro no Redondo pertencente a Leonor Gonçalves da Silveira (1414), p. 105
Venda de uma herdade em Évora-Monte (1423), p. 107
Sentença de D. Afonso V num pleito entre o Cabido da Igreja de Santa Maria de Guimarães e
Fernão Vasques da Cunha (1438), p. 109
Inventário de todos os bens móveis e de raiz pertencentes à igreja de Nossa Senhora, matriz
da vila de Góis (1552), p. 117
Certidão da artilharia das fortalezas do Estado da Índia (1553), p. 129
Tombo de capelas instituídas na vila de Castelo Branco e seu termo (s.d.), p. 139
Testamento de Bartolomeu Ginori, homem de negócios em Lisboa e provedor da irmandade
da igreja de Nossa Senhora do Loreto de Lisboa (1723), p. 151
Relação do Forte Real de S. Filipe na Ilha de Santiago, Cabo Verde (1750), p. 159

ÍNDICES
Índice cronológico dos documentos publicados neste número, p. 174
Índice antroponímico e toponímico deste número, p. 175

4
EDITORIAL

Por vezes os milagres acontecem! Por isso podem ser classificadas de milagres as surpresas
extraordinárias e agradáveis que a vida vai proporcionando, depois de se perderem as esperanças.
Como pode um texto impresso revelar-se como inédito se já era édito desde que fora publicado?
Existem muitos preconceitos na História. Alguns historiadores defendem que só os documentos
manuscritos e que ainda se conservam inéditos podem revelar factos inteiramente desconhecidos ao
Homem hodierno. Entendem que o manuscrito revela uma comunicação pessoal (que nem sempre é
escrita para um destinatário – caso de um diário) e por isso até uma simples carta enviada a outro,
embora passe a ser propriedade do destinatário, não pode ser divulgada sem autorização do signatário,
nem o seu autor (a quem pertence a propriedade intelectual) a pode divulgar sem a autorização do
destinatário.
Todo o interessado conhece a estória de muy nobre Vespasiano emperador de Roma (um dos raros
livros impressos em Lisboa no ano de 1496) e as vicissitudes por que a edição passou por,
aparentemente, só ter sobrevivido um exemplar e mesmo esse se encontrar incompleto, dado lhe
faltarem os primeiros três fólios. O texto e a história são conhecidos a partir de outras fontes. O que se
tinha como desconhecido, e por isso inédito, eram as gravuras que acompanhavam os dois primeiros
capítulos e possivelmente a portada. Na época todos os interessados as viram mas depressa passaram
para o mundo do desconhecimento.
Uma investigadora do Centro de Estudos Históricos olhou com um outro olhar – para um outro livro,
também não inédito Cronica llamada el triunpho de los nueve preciados da la fama (Lisboa, Germão
Galharde, 1530) – e viu o que os outros até então não tinham identificado: uma das gravuras perdidas
(e que se julgavam desconhecidas para sempre) daquelas duas ou três que faltavam na obra impressa
mais de três décadas antes. Parafraseando Lavoisier: nada se perde tudo se transforma!
O outro milagre é a continuação da Fragmenta Historica. O Conselho Editorial recebeu vários artigos
mas nem de todos foi possível fazer a edição. Recorde-se que Fragmenta Historica não é apenas mais
uma revista de divulgação de trabalhos de História. Como diz o Editorial do primeiro número: a sua
base para os seus estudos é (e procuraremos que seja sempre a constante do futuro) o documento: puro,
duro, sólido e concreto. Os textos em língua estrangeira encontram-se limitados a investigadores para
quem a língua portuguesa não seja a sua língua materna e oficial e, mesmo esses, têm forçosamente de
ter como base o documento. Depois disso, todos os artigos são sujeitos a arbitragem científica externa –
e isto é uma injustiça para com os três jovens que constituem o Conselho Editorial pois, eticamente,
encontram-se impedidos de escrever artigos para uma revista onde seriam eles próprios a escolher a
equipa da arbitragem. Assim, a sua colaboração, como a do Diretor da Revista, está limitada à
divulgação de documentos, ao editorial, à escolha do documento que ilustre a capa e à sua explicação e,
tarefa difícil mas fundamental e importante: a elaboração de um índice analítico. Mas são uma equipa
que sabe conjugar Fraternidade, porque acreditam na História e no Homem.

João Alves Dias

5
6
IMAGEM DA CAPA
A assinatura régia: a tinta-ouro escreve o Rei

João José Alves Dias

Quase tudo já foi dito, redito e glosado (por vezes com erros grosseiros) quando se fala e escreve sobre
a reforma dos forais que Fernão de Pina coordenou e produziu seguindo as diretivas dos reis a que
serviu: D. João II e D. Manuel.
Analisada a documentação que sustentava a cobrança dos direitos reais1 em cada unidade
administrativa2 independente3, Fernão de Pina propunha uma redação final de tudo quanto tinha sido
apurado e – após a concordância do Chanceler Rui Boto – produziam-se dois documentos4 que eram

1
A documentação tinha origem diferenciada: nuns casos, os forais dados até ao século XIV (alguns hoje desconhecidos); em
outros, os foros – usos e costumes – estabelecidos e aceites pelo município (que por vezes se foram modificando e que
nem sempre subsistiram); noutros, ainda, a documentação base foi produzida com a realização de inquéritos, de sentenças,
de tombos e de contratos notariais produzidos entre os vizinhos de cada núcleo administrativo.
2
As delimitações das unidades administrativas poderiam variar, embora em escala diminuta, e ter ou não independência
territorial (separando-se, juntando-se ou autonomizando-se) em função das diferentes jurisdições: fiscais, administrativas,
judiciais e até senhoriais. Os mapas não se sobrepõem conforme muitas vezes se tem dito, escrito e representado – tenha-
se como exemplo a terra do Ribatejo no termo de Palmela (João José Alves Dias, O Foral de Aldeia Galega de 1514, Montijo,
Câmara Municipal, 2014). Lembrem-se as variações registadas no preâmbulo (protocolo) da documentação aquando do
endereço (inscriptio) na documentação (com origem diferente) enviada a uma mesma unidade administrativa.
3
Em função das diferentes Contadorias do Reino, porque era de direitos fiscais que se tratava. Por isso existirem
“concelhos”, “vilas” ou outras unidades (com diferentes designações) que aparentemente não foram contemplados com
forais. Luís Fernando de Carvalho Dias, no fim de cada um dos cinco volumes que publicou com o registo – ou memória –
que a Torre do Tombo guardou da produção dos forais, chama a atenção para os “concelhos” existentes entre 1527-1532,
que não têm o seu foral registado (o que não quer dizer que em um ou outro caso não tenha existido e que, por razões que
hoje nos escapam ainda, tão somente não tivesse sido copiado no registo). Na maioria das vezes, a administração dos
Direitos Reais – recorde-se mais uma vez que é disso que tratam os forais quinhentistas – dessas unidades, que
aparentemente escaparam, não se colocava por terem espaços «em comum» com outra, ou outras, unidades territoriais.
4
Ao contrário, também, do que se tem dito e redito – e ao arrepio do que a documentação aparentemente possa induzir –
não foram produzidos três forais idênticos (de um mesmo teor e aparência). Foram, sim, feitos, no máximo, três

7
apresentados na Chancelaria Régia que os selava, validava e ao mesmo tempo fazia com que
recebessem o sinal régio de autenticação5. Só depois desta confirmação régia é que Fernão de Pina
autografava o auto de encerramento do foral. Antes esse auto ficava em aberto porque caso houvesse
emendas ou acrescentos de última hora estes poderiam ser adicionados, mesmo depois da data. Se o
Rei não tivesse deixado em branco um espaço suficiente para as duas ou três linhas do autógrafo de
encerramento, Fernão de Pina não se coibia de o escrever no lugar certo mesmo que com isso tivesse
de escrever e de assinar sobre a assinatura régia (recorde-se, entre muitos casos, o do foral assinado a
15.1.1515 para as vilas de Alcochete e Aldeia Galega).

Um dia, olhando num ângulo em que se via a luz solar rasante à assinatura régia que autenticava um
foral, reparámos que a assinatura produzia reflexos desse mesmo raio, “ganhando” luz. Testado com
mais uns quantos, foi com alegria que confirmámos que pelo menos os originais dos forais produzidos
nos anos de catorze e quinze do século de quinhentos apresentavam todos – desde que não tivessem
sido mal restaurados – os mesmos reflexos. O ouro tinha sido a substância metálica usada – na
produção da tinta com que o monarca assinava – para dar à goma a fluidez e consistência necessárias.

documentos, ou melhor três versões ou formas do foral: uma, para a unidade administrativa; outra, para o senhor dos
direitos reais (donatário); e uma terceira, que ficava na Coroa, como sede da administração central nos seus vários ramos
(no caso presente a Fazenda e Contadoria) destinada à resolução de conflitos. Mas, no que respeita às unidades
administrativas em que os direitos reais fossem exclusivamente régios só se produziam duas formas dessa documentação,
uma para o «concelho» e outra para a Coroa. Mas (e existe sempre mais um mas, quer na História, quer nas estórias), em
qualquer dos casos, a forma física do foral (aparência final e diplomática) que ficava para a Coroa não era idêntica à que era
entregue à administração local e ao donatário; e, por vezes, poderia ainda haver diferenças, no que ao seu programa
decorativo diz respeito, entre o foral do donatário e o da unidade administrativa. Existem, ainda, formas aparentes de
forais coletivos, comuns a várias unidades administrativas, que apenas o foram na forma do donatário e coroa e que foram
individualizados quando entregues ao local a que respeitavam. [Estamos, em conjunto com Pedro Pinto, a organizar um
volume com toda a diplomática dos forais].
5
Face à doutrina exposta na nota anterior, muitas vezes, só existiu, de um mesmo foral, um exemplar completo dotado de
assinatura régia.

8
A mesma assinatura régia com diferentes ângulos de incidência de raio solar.

A assinatura – sinal régio – que acompanha os forais originais é um autógrafo escrito pelo monarca,
com uma tinta composta de ouro... A escrita apresenta-se-nos clara, como se de um fio de ouro se
tratasse e, por isso, pouco se realça no pergaminho hoje amarelecido pelo consumo do tempo. Mas ao
Sol o ouro ainda reluz!

Fontes
Foral de Alcochete e de Aldeia Galega do Ribatejo, 1515, Lisboa, Janeiro, 17 (Alcochete, Museu
Municipal de Alcochete, Pergaminho 319).
Foral de Vouga, 1514, Lisboa, Março, 18 (Lisboa, [Coleção Particular]).

9
10
ALGUMAS ACHEGAS SOBRE O MATERIAL TIPOGRÁFICO DA OFICINA DE
GERMÃO GALHARDE E DE SUA VIÚVA
(1519-1565)
Helga Jüsten
CEH – NOV

Resumo Abstract
O presente artigo pretende dar conta de uma The present article intends to summarize an
investigação em curso sobre a oficina do ongoing research about the printing office of
impressor Germão Galharde. Germão Galharde.
Com base no seu material tipográfico usado Based on his printing material used between
entre 1519 a 1565, ou herdado dos seus 1519 and 1565, inherited by the predecessors
antecessores Valentim Fernandes, João Pedro Valentim Fernandes, João Pedro de Bonhomini
de Bonhomini, tem sido possível, por um lado, and Hermão de Campos, it has been possible, on
atestar a continuidade e longevidade dos tipos, one side, to prove the continuity and long life of
das iniciais, das tarjas e das gravuras, como, por the type, initials, borders and woodcuts, as well
outro, demonstrar a inovação própria do as to demonstrate the innovation of the french
impressor francês. printer.
A base de dados do material tipográfico da The data-base of the printing material used by
oficina de Germão Galharde, em construção, Germão Galharde, being in progress, served to
tem permitido atribuir impressos sine notis, de ascribe sine notis imprints, of which we choosed
que escolhemos dois casos porventura mais two representative editions that will integrate
representativos de novos impressos que his production, printed in his own name or his
passaram a integrar a sua produção, em seu widow.
nome e de sua viúva.
The intention was, indeed, to stress the need of
Com efeito, sublinha-se a necessidade de haver a digitized documentary corpus in order to serve
um corpus documental digitalizado como as an auxiliary instrument during the
ferramenta auxiliar na observação presencial, na observation, in loco, the analysis and the
análise e na descrição das espécies. description of imprints.

Palavras-chave Keywords
Germão Galharde, 1519-1565, Material Germão Galharde, 1519-1565, Printing Material,
Tipográfico, Tipografia Portuguesa, Impressos Portuguese Typography, sine notis imprints,
sine notis, Corpus documental Documentary corpus

Artigo recebido em: 09.09.2014 | Artigo aceite para publicação em: 21.11.2014

© Fragmenta Historica 2 (2014), (11-38). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

11
FRAGMENTA HISTORICA Algumas Achegas sobre o Material Tipográfico da
Oficina de Germão Galharde e de sua Viúva (1519-1565)
No vasto universo de investigação sobre a Com efeito, e na sequência do nosso trabalho
História do Livro, em que diversas áreas de anterior7, optamos por seguir o percurso do
especialização se costumam cruzar, convém impressor, desde o seu início até à década de 60
situar o que se pretende abordar nestas do século XVI, centrado nas obras que nos
achegas, sempre provisórias, sobre uma das legou.
oficinas tipográficas portuguesas em
Deste modo, reunimos a área da bibliografia,
funcionamento entre 1519 e 1565.
com uma descrição detalhada dos impressos e
A ausência de novos dados biográficos sobre o das suas variantes, a tipografia, analisando o
impressor Germão Galharde, francês, inviabiliza, material tipográfico usado nas edições saídas de
por enquanto e à semelhança do que sucede cada oficina, designando como notícia
com os seus predecessores no ofício, tipobibliográfica o resultado de cada espécie
contributos inovadores que pudessem observada. O objectivo último, ou porventura o
desenvolver informações anteriores relativas “último fim do homem”, centra-se na vontade
aos primeiros tipógrafos activos em Portugal6. de disponibilizar, em simultâneo, as descrições
tipobibliográficas e um corpus documental
digitalizado do material tipográfico usado, desde
o início da tipografia portuguesa. Pretende-se,
portanto, que o acervo em elaboração permita,
numa sequência cronológica, analisar e
6 comparar a “vida útil” dos tipos, das iniciais e
Numa perspectiva cronológica seguem algumas
referências sobre os estudiosos da História do Livro e de restante iconografia dos impressos
bibliógrafos que, entre outros, se debruçaram sobre os portugueses.8
primeiros impressores portugueses:
António Ribeiro dos Santos, “Memória sobre as Origens
Para este trabalho escolhemos alguns exemplos
da Typographia em Portugal no Século XV”, in Memórias representativos de um fundo de investigação
de Litteratura Portuguesa, Tomo VIII, Lisboa, Typographia em curso, demonstrando curiosidades e
da Academia Real das Sciencias, 1856, 2ª ed.,. evidenciando a utilidade de imagens
Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana historica, digitalizadas do material tipográfico quando
critica e chronologica na qual se comprehende a notícia
dos authores Portuguezes, e das Obras, que compuserão
inseridas numa série cronológica.
desde o tempo da promulgação da Ley da Graça até o Partindo, pois, do corpus documental publicado
tempo prezente4 vols., Coimbra, Atlântida Editora, 1965-
anteriormente, é possível atestar a herança
1967, 3.ª ed..
Tito de Noronha, A imprensa portuguesa durante o século tipográfica que os antecessores,
XVI, Porto, Imprensa Portuguesa, 1874. designadamente Valentim Fernandes, mas
Venâncio Deslandes, Documentos para a História da também João Pedro de Bonhomini e Hermão de
Tipografia Portuguesa nos Séculos XVI e XVII, edição fac- Campos, passaram para a oficina de Germão
similada, introdução de Artur Anselmo, Lisboa, Imprensa
Galharde, que iniciou a sua actividade em 1519,
Nacional-Casa da Moeda, 1988.
J. J. Gomes de Brito, Notícia de Livreiros e Impressores em seguramente com a edição firmada de o Tratado
Lisboa na 2ª Metade do Século XVI, Lisboa, Imprensa de d’Arismetyca, impressa em Lisboa.
Libânio da Silva, 1911.
Sousa Viterbo, O movimento tipográfico em Portugal no
século XVI, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1924.
António Joaquim Anselmo, Bibliografia das Obras
Impressas em Portugal no Século XVI, Lisboa, Bibliotheca
Nacional, 1926.
7
José V. de Pina Martins, “Um opúsculo de medicina Helga Maria Jüsten, Incunábulos e Post-Incunábulos
desconhecido pelos bibliógrafos: Modus curandi cum Portugueses, (ca. 1488-1518), (Em Redor do Material
balsamo”, in Revista da Biblioteca Nacional, Lisboa, 2ª Tipográfico dos Impressos Portugueses), Lisboa, Centro de
série, vol. 2, nº 2, 1987, pp. 15-25. Estudos Históricos, Universidade Nova de Lisboa, 2009.
8
Artur Anselmo, Origens da Imprensa em Portugal, Lisboa, Como parênteses, serve para esclarecer que sempre
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1981. excluímos do nosso objecto de investigação a imprensa
João José Alves Dias, No Quinto Centenário da Vita em hebraico pelo facto de não dominarmos a língua, o
Christi, Lisboa, Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, que, por si só, inviabiliza o acesso à essência, i.e., à leitura
1995. dos textos a descrever.

12
Helga Jüsten FRAGMENTA HISTORICA

1. – Descobertas – ou curiosidades – do parque


gráfico anterior e que passou para a oficina de
Germão Galharde e de sua viúva
1.a) [Estoria do muy nobre Vespasiano
imperador de Roma], Lisboa, Valentim
Fernandes, 1496
Quando analisámos, há quase uma década, os
impressos de Valentim Fernandes, reparámos
em dois aspectos que se gravaram na memória.
O primeiro prende-se com o facto de faltarem
os fólios a1-a3 ao único exemplar conhecido da
Cronica llamada el triunpho de los nueve preciados
edição da [Estoria do muy nobre Vespasiano
de la fama (...), Lisboa, Germão Galharde, 1530,
imperador de Roma], Lisboa, Valentim
Fernandes, 20.4.1496, (cf. Jüsten, 16).9 Sublinha- 4º Libro, folio lvi, recto [cópia digital do exemplar
se que a experiência e o contacto com o livro da BNP, Res. 3736 V; [Link]. 14549]
antigo ensinam que fólios iniciais são arrancados Portanto, passados 34 anos, a gravura do
com frequência, nomeadamente quando
Vespasiano em falta surge, então, na edição da
apresentam gravuras, o que poderia ter
Cronica llamada el triunpho de los nueve
acontecido à edição em apreço. Mas, até há
preciados da la fama (...), impressa em Lisboa,
bem pouco tempo, a possibilidade de encontrar
por Germão Galharde em 26.6.1530. Com
outro impresso que usasse a série de 20
medidas [66 x 98 mm] idênticas às restantes
gravuras (cf. JAD. G. 10-29)10, introduzida por
gravuras da série inicial, a recém-descoberta
Valentim Fernandes em 1496, era apenas uma
junta-se, nesta Crónica e como se pode ver pelas
hipótese sem confirmação à vista, dado que a
imagens seguintes, às “irmãs” que, por herança,
edição sobreviveu apenas como exemplar único
passaram a integrar, com o fim da actividade
à guarda da BNP. No entanto, as “alegrias” do
firmada pelos impressores Valentim Fernandes,
bibliógrafo, como dizia Antonio Odriozola11,
João Pedro de Bonhomini e Hermão de Campos,
embora pouco frequentes, representam
o fundo iconográfico da oficina de Germão
momentos de estímulo e partilha intelectual.
Galharde e de sua viúva.
Com efeito, fica registada a descoberta de mais
uma gravura da série acima mencionada e que,
pela figura do Imperador em majestade,
representando provavelmente Vespasiano,
poderia ter constado da portada da edição de
1496, impressa por Valentim Fernandes.

9
Helga Maria Jüsten, Incunábulos (...), pp. 183-186, 488-
491. JAD, G. 20 »
10
João José Alves Dias, No Quinto Centenário, [pp. 110-
116] e confrontar também Artur Anselmo, História da Cronica llamada el triunpho de los nueve preciados
Edição em Portugal. I. Das Origens até 1536, Porto, Lello de la fama (...), Lisboa, Germão Galharde, 1530,
& Irmão, 1991, p. 169.
11
Antonio Odriozola Pietas, “Alegrias y tristezas de la
investigación sobre impresiones españolas de los siglos
XV e XVI”, Separata de Homenaje a Pedro Sainz
Rodriguez, Madrid, Fundación Universitaria Española,
1986, pp. 67-91.

13
FRAGMENTA HISTORICA Algumas Achegas sobre o Material Tipográfico da
Oficina de Germão Galharde e de sua Viúva (1519-1565)
funcionamento das primeiras oficinas
tipográficas em Portugal.
Por isso, cabe-nos a grata tarefa de comunicar
que a gravura do 12º apóstolo, ou seja, o
apóstolo S. Filipe, afinal existia.

JAD, G. 18 »
Cronica llamada el triunpho de los nueve preciados
de la fama (...), Lisboa, Germão Galharde, 1530,
6º Libro, folio cxlviij, recto [cópia digital do
exemplar da BNP, Res. 3736 V; [Link]. 14549]
1.b) O compromisso da confraria de
Misericordia, Lisboa, [Valentim Fernandes e
Hermão de Campos], 20.12.1516
O segundo caso, motivo de uma perplexidade
quase inexplicável durante muito tempo,
prende-se com o facto de a edição de O
compromisso da confraria de Misericordia,
Lisboa, Valentim Fernandes e Hermão de
Campos, 1516, (Jüsten, 35)12 apresentar, no fl.
4r, as gravuras JAD, G.49 - G.59, i.e., as imagens
de apenas 11 apóstolos. Na identificação dos [cf. João José Alves Dias, No Quinto Centenário da
apóstolos, e pelos símbolos normalmente Vita Christi, Lisboa,
atribuídos13, faltava a figura do apóstolo S. Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 1995,
Filipe, segurando o báculo com a cruz e, na (p. 123-124)]
outra mão, um livro.
Com efeito, a gravura de S. Filipe surge, pela
A ausência da 12ª imagem representando S. primeira vez, na edição da obra de Lourenço
Filipe, numa edição de Valentim Fernandes e Iustiniano, [Ho liuro da regra e perfeiçam da
Hermão de Campos, de 1516, não era fácil de conversaçam dos monges], Coimbra, Germão
explicar, a não ser por qualquer incidente Galharde, 28.4.1531, aproximando-se das
durante o processo de impressão. Aliás, contra a medidas [55 x 38 mm] quando comparadas com
vontade dos investigadores que gostariam de os restantes blocos de madeira, em boas
ter um acesso documentado e pormenorizado condições de conservação, i.e.: JAD, G.49,54-59.
ao universo da composição e impressão, Para além da dimensão do bloco de madeira, o
acontecimentos estranhos continuam a desenho do chão da recém-descoberta gravura
esconder-se nesse “vasto mundo” do de S. Filipe é comparável à gravura JAD, G. 52.
Neste impresso de Germão Galharde da obra de
12
Helga Maria Jüsten, Incunábulos (...) pp. 255-259, 494 e Lourenço Iustiniano, [Ho liuro da regra e
João José Alves Dias, No Quinto Centenário, [pp. 123- perfeiçam da conversaçam dos monges],
124]. realizado em Coimbra, aos 28.4.1531, os 12
13
Otto Wimmer, Kennzeichen und Attribute der Heiligen, apóstolos enquadram-se, na perfeição, à volta
Innsbruck-Wien, Tyrolia-Verlag, 1983, pp. 13-14 e
Klementine Lipffert, Symbol-Fibel, Kassel, Johannes
Stauda-Verlag, 1956, p. 84.

14
Helga Jüsten FRAGMENTA HISTORICA

de uma gravura do Calvário (cf. HMJ, G. 77)14,


proveniente da oficina de João Pedro de
Bonhomini e usada na impressão de Este he o
liuro e legenda dos santos martires, Lisboa, João
Pedro de Bonhomini, 17.8.1513.

Statutos e Constituicoes [sic] dos virtuosos e


reuerendos padres Conegos azuys,
Lisboa, Germão Galharde, 25.8.1540,
fl. 4v; [BNP, Res. 106 A]
Loureno Iustiniano, [Ho liuro da regra e perfeiçam
da conversaçam dos monges],
2. – O acervo gráfico – ou uma base de dados de
Coimbra, Germão Galharde, 28.4.1531, fl. 1v;
imagens digitalizadas – uma ferramenta para a
[BNP, Res. 166 A, [Link] 16678] identificação de impressos sine notis
Posteriormente, o mesmo conjunto de 12 Um percurso por diversas obras de referência na
apóstolos aparece ainda, embora com uma descrição bibliográfica das espécies, sempre
disposição diferente, na edição dos Statutos e concentrado na tipografia portuguesa, e tanto
Constituicoes [sic] dos virtuosos e reuerendos no que se refere a colecções públicas como
padres Conegos azuys, Lisboa, Germão privadas, reflecte a preocupação em transmitir
Galharde, 25.8.1540. pormenores de cada exemplar, quando
observado presencialmente. Assim, a
metodologia adoptada por parte de bibliógrafos
experientes, dedicados e pacientes, tem por
objectivo identificar e individualizar o respectivo
impresso – ou distingui-lo – quando comparado,
ou comparável, com outras espécies em
bibliotecas distantes.
Não restam dúvidas de que o apuramento na
14
Helga Maria Jüsten, Incunábulos (...), pp. 274-277, 501. descrição gráfica dos impressos evoluiu com o

15
FRAGMENTA HISTORICA Algumas Achegas sobre o Material Tipográfico da
Oficina de Germão Galharde e de sua Viúva (1519-1565)
próprio aperfeiçoamento da análise ao longo da sua vida útil na mesma oficina,
bibliográfica, designadamente na segunda entendemos que, nesta segunda fase de
metade do século XX e numa área de investigação, seria necessário documentar o
investigação dedicada à tipobibliografia15. conjunto do acervo gráfico que, ao longo do
presente trabalho sobre a oficina de Germão
Contudo, e apesar do esforço na descrição do
Galharde, se nos gravou na memória visual.
material tipográfico das espécies observadas, o
Trata-se, porventura, de um imperativo ético na
resultado da representação ”visual” do
transmissão, às futuras gerações de
respectivo impresso surge sempre de forma
investigadores, de um manancial de imagens
subjectiva, quer pela qualidade da formulação
que, objectivamente e sem imodéstia, leva anos
quer pelos pormenores seleccionados. Com
a construir de forma fidedigna e inteligível.
efeito, a hipótese de transmissão objectiva do
conjunto da memória visual acumulada ao longo Apesar de a metodologia da análise bibliográfica
da vida, por diferentes bibliógrafos, é, afinal, definir regras para a observação das espécies,
uma miragem se comparada com a riqueza que sucede que ela não anula a margem de
se perdeu, definitivamente, nos “túmulos dos subjectividade na descrição dos impressos,
bibliógrafos”, com prejuízos enormes para a aconselhando-se o confronto com a realidade
investigação, se atentarmos na acumulação de objectiva da imagem representada e, de
saberes e na memória individual de pormenores preferência, digitalizada. Daí a necessidade de
que não se transmitiu aos vindouros. uma base de dados de acervos gráficos,
promovendo a partilha continuada da memória
Embora com as devidas cautelas relativamente à
individual, a fim de apoiar tanto a investigação
consulta digital dos impressos, disponibilizados
presente como transmiti-la a futuras gerações
electronicamente, é forçoso reconhecer que a
de investigadores.
consulta de imagens – em tempo real -
contribuiu significativamente para uma Com efeito, uma base de dados do acervo
investigação mais documentada do livro antigo. gráfico da tipografia portuguesa, acessível
Sem substituir, de todo, a consulta presencial electronicamente, além de permitir o confronto
dos exemplares, uma base digital de impressos na consulta de exemplares espalhados por
permite, contudo, voltar a ver e aferir bibliotecas diversas – nacionais, estrangeiras,
pormenores que, numa primeira consulta ao públicas ou privadas – representa uma
vivo, escaparam à atenção do investigador, por ferramenta elementar na identificação de
motivos vários de carácter subjectivo da impressos sine notis.
consulta.
Como a riqueza da memória visual, atendendo à
Dito isto, e tendo em atenção o primeiro estudo sua extensão, não exclui a subjectividade no
em que procurámos transmitir um corpus momento em que se observa um novo
documental restrito à primeira ocorrência do exemplar, e sem as imagens de espécies
material tipográfico, sem atender à sua evolução anteriormente observadas em presença,
sujeitamo-nos ao crivo da nossa capacidade
individual – e subjectiva – ao pretender
15
Para os impressos no espaço ibérico salientamos as identificar todos os pormenores da espécie em
obras de: apreço. Convenhamos que não é matéria
João José Alves Dias, “Nova Forma da Transmissão do
«Verbo» - A Imprensa”, in Portugal do Renascimento à
infalível.
Crise Dinástica, coord. de João José Alves Dias, vol. V da Mais difícil se torna no caso de impressos sine
Nova História de Portugal, dir. Joel Serrão e A. H. de
Oliveira Marques, Lisboa, Editorial Presença, 1998, pp.
notis, em que é necessário o recurso a imagens
489-504 e No Quinto Centenário da Vita Christi, Lisboa, do material de diversas oficinas tipográficas, em
Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 1995. funcionamento numa determinada data, para
Julián Martín Abad, Post-Incunables Ibéricos, Madrid, uma determinação, sempre provisória, do local,
Olleros & Ramos, 2001. do editor e da data de impressão.
John Frederick Norton, A descriptive catalogue of printing
in Spain and Portugal (1501-1520), Cambridge,
Cambridge University Press, 1978.

16
Helga Jüsten FRAGMENTA HISTORICA

Seleccionamos dois casos para documentar o impresso. Apenas recentemente, e como tem
que se acabou de afirmar. sucedido com outros apoios recebidos ao longo
da nossa investigação graças a partilhas
científicas fraternas, deslocámo-nos à Biblioteca
2.a) A muyto deuota oraçam da de Extremadura, em Badajoz, iniciando, com
Empardeada16 [OE] base na edição fac-similada da OE, o percurso de
identificação do impresso.
Formato: 16º
Relativamente ao conteúdo do impresso
Colação: a-b8, 16 fl. [32 p.]; Errata na assinatura
convém esclarecer que a obra intitulada A
eiij [= a3]
muyto deuota oraçam da Empardeada. Em
Proposta de identificação para o impresso sine lingoagem portugues, em diante identificada
notis: com a sigla OE, é constituída por quatro partes e
se inicia com o aparecimento de Jesu Cristo a
[Lisboa, Germão Galharde, entre 1537 e 1540]
uma mulher empardeada, “a qual fazia muy
Repertório: santa vida e cobiçaua muyto saber quantas
foram as chagas que nosso senhor Iesu christo
ES – Badajoz, Biblioteca de Extremadura, recebeo em seu corpo...”. Segue-se a oração
Biblioteca da Barcarrota† propriamente dita e que contém, pela
[exemplar adquirido, em 1995, após a diversidade de benesses “outorgadas” àqueles
descoberta, em 1992, durante a reabilitação de que a rezem ou “fezer rezar. se nam souber ler:
um imóvel em Barcarrota] ou a trouxer consigo rezando estes .xv. pater
noses [sic] ...”, matéria contrária à doutrina da
Igreja, o que explica o registo da OE no primeiro
A referência bibliográfica abreviada, colocada à Rol, i.e., Este he o rol dos liuros defesos,
cabeça, serve para a desenvolver, de seguida, impresso por Germão Galharde em Lisboa no
explicitando as várias etapas que nos levaram a ano de 1551.
formular a proposta de identificação da OE [sigla Na terceira parte surge “hum milagre [que]
para: A muyto deuota oraçam da Empardeada]. aconteceo logo como esta oraçam foy reuelada”
Da notícia sobre a descoberta da OE tivemos a um “jrmitam” que estava naquela montanha,
conhecimento em finais da década de 90 do onde se encontrava a “sancta empardeada”. O
século passado, ficando o registo na memória impresso termina com “as indulgencias e
sem haver, na altura, disponibilidade e perdões [do] sancto padre nicolao papa .v.”.
investigação suficiente para observar o
Portanto, a estrutura do texto segue “Ha muy
16
sancta e deuota oraçam da empardeada”,
Bibliografia sumária da notícia sobre o impresso: inserida nas Horas de nossa Senhora segundo
La muy devota Oración de la Emparedada, ed., trad, y
notas de Juan Manuel Carrasco González; estudio
costume Romaano17, com algumas variações na
preliminar de María Cruz García de Enterría, «Una ortografia e pequenas alterações na parte das
devoción prohibida: la Oración de la Emparedada», indulgências, coincidindo a divisão do texto,
Badajoz, Junta de Extremadura (La Biblioteca de quase na totalidade, com os parágrafos
Barcarotta, 2), 1997; {58 p.}. assinalados por iniciais de alfabeto lombardo de
Juan M. Carrasco González, “Portugal en la Biblioteca de
2 linhas, tanto num como noutro impresso.
Barcarrota: «La Oración de la Emparedada»”, in Anuario
de Estudios Filológicos, vol. XXVIII, Cáceres, Servicio de
Publicaciones de la Universidad de Extremadura, Ano
2005, pp. 21-34.
17
Arthur Askins, «Notes on Three Prayers in Late 15th cf. João José Alves Dias, Rezar em Português.
Century Portuguese (the Oração da Empardeada, the Introdução ao Livro de Horas de Nossa Senhora segundo
Oração de S. Leão, Papa and the Justo Juiz): Text History costume Romaano ... , vol. II, Lisboa, BNP, 2009, pp. 222-
and Inquisitorial Interdictions», in Península, Revista de 239 e Francisco Leite de Faria, “O Primeiro Livro em
Estudos Ibericos, 4, 2007, pp. 235-266, consultado em Português Impresso na França: As Horas de Nossa
2012 na página: Senhora por Frei João Claro”, in Colóquio sobre o Livro
[[Link] Antigo, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1992, pp. 93-112.

17
FRAGMENTA HISTORICA Algumas Achegas sobre o Material Tipográfico da
Oficina de Germão Galharde e de sua Viúva (1519-1565)
Com efeito, não se confirmam as conclusões de de Julián M. Abad, que reza mais ou menos
Carrasco González18 quando diz que nas “Horas assim: “a pressa é o maior inimigo do
de Nossa Senhora falta la parte «c», es decir, el bibliógrafo”. A precipitação circunscreve a base
episodio del ermitaño” e, no confronto das duas documental a um universo restrito que,
orações, concluir que “non son en todo frequentemente, se revela impreciso quando
coincidentes, lo que prueba un origen diferente comparado com as possibilidades de atribuição
para cada una y, en cierta medida, apoya de um impresso sine notis e que, pela natureza
nuestra idea de que ésta última fue traducida dedutiva, se considera sempre provisória.
del español”.
Com efeito, a oficina tipográfica de Germão
No que diz respeito ao material tipográfico Galharde, activa entre 1519 e 1565 em seu
usado na impressão da OE, voltamos a insistir na nome e da sua viúva, reunia o material
utilidade de dispor, para cada oficina tipográfica, tipográfico que se observa na impressão da OE,
de um corpus documental – em forma de base a saber, os tipos, as iniciais, o friso de tarjas e,
de dados – como ferramenta de trabalho. Para ainda, gravuras com desenho semelhante à
o caso em apreço não havia, em finais dos anos imagem da portada da OE.
90 do século passado e da nossa parte,
Para os tipos usados na impressão do folheto da
investigação suficiente sobre o material
OE, da família gótica rotunda, 83/85 G,
tipográfico da oficina de Germão Galharde, com
encontram-se caixas semelhantes a partir de
imagens digitalizadas, que permitisse situar
1537, nomeadamente na edição do Calendarium
cronológica global da sua produção, um recém-
Romanum, como se pode observar pelo
descoberto impresso sine notis como foi o caso
confronto das imagens seguintes, facto que
da OE. Recordei-me, na altura, de uma máxima
levou à atribuição de uma data a quo próxima
de 1537.

Calendarium Romanum, 153719 OE [ca. 1537 a 1540]

fl. 1v
fl. 3v [Biblioteca de Extremadura,
[BNP, Res. 1759 V, (inc.), [Link] 23151] Biblioteca da Barcarrota,
Badajoz]

19
A data do impresso foi estabelecida com base no
18
Juan M. Carrasco González, “Portugal en la Biblioteca exemplar, completo, da Biblioteca do Vaticano, BAV,
de Barcarrota: «La Oración de la Emparedada»”, p. 32. Stamp, Barb, [Link], 46, fl. 66v, ass. g10, recto.

18
Helga Jüsten FRAGMENTA HISTORICA

Quando olhámos, pela primeira vez, para o fac- XVI no universo das edições firmadas pelo
símile do impresso, sucede que identificámos, impressor francês.
de imediato, uma inicial xilográfica que nos era
O facto de o duplo traço da moldura, do lado
conhecida, ou seja, a letra O, ocupando quatro
direito, da inicial da OE apresentar falhas,
linhas na OE. De uma série de impressos em que
quando comparado com a mesma inicial
a inicial xilográfica x4 – O [18 x 18 mm] foi usada
impressa em 1538, poderá induzir-nos numa
na oficina de Germão Galharde, escolhemos
fase posterior de impressão para a OE como
algumas ocorrências anteriores como
justificar uma execução deficiente nos prelos,
posteriores a fim de documentar a sua presença,
circunstância que, aliás, se denota no conjunto
não ocasional mas contínua, e com especial
do material tipográfico da Oraçam.
incidência na década de 30 do século

Inicial xilográfica, x4 – O [18 x 18 mm]


OE, [ca. 1537 - 1540] Impressos da Oficina de Germão Galharde

Breue doutrina, 1525 Breuiarium Stª Cruz, 1531


fl. VIII, v fl. 366v
[invertida]

Calendarium Romanum, Missale Bracharense,


1537 1538
fl. 48v fl. 39v
fl. 4v [invertida] [invertida]

A presença, na edição da OE, de iniciais de texto nas três obras referidas abaixo. Se
alfabetos lombardos, com dois tamanhos e, assumirmos que, nos três impressos em que a
sobretudo, com dois desenhos diferentes, H1 e letra H1 aparece, a pressão nos prelos foi
H2, levou-nos a procurar, no conjunto da idêntica, poder-se-á concluir que a Oraçam foi
produção de Germão Galharde, os impressos impressa depois do CR, 1537 e antes da PA,
com letras de tamanho idêntico, numa data 1540, dado que a haste vertical superior vai
aproximada e presumida da Oraçam, que perdendo nitidez. Para a letra H2 já não se
apresentassem um traço idêntico para as iniciais verifica a mesma degradação da haste vertical
do alfabeto lombardo. superior entre o ano de 1537 e 1540, ficando
por esclarecer o seu desgaste na impressão da
Assim, as letras H1 e H2 ocupam duas linhas de
OE. Como hipótese, pergunta-se se terá sido

19
FRAGMENTA HISTORICA Algumas Achegas sobre o Material Tipográfico da
Oficina de Germão Galharde e de sua Viúva (1519-1565)
usado um outro bloco com a letra H2, que a haste já se encontrava partida e o bloco
eventualmente de refugo do material impróprio para o uso nos impressos
tipográfico da Oficina de Germão Galharde, em autenticados?

Iniciais de alfabeto lombardo l2 – H


Calendarium Romanum (CR), 1537, R. Mendes, Practica dArismetica, (PA),1540

H1 H2

OE OE

H1 H2
fl. 1v fl. 13r e 16r

CR, 1537 CR, 1537

H1 H2
fl. 17, v fl. 50, v

PA, 1540
PA, 1540

fol. 95v
fol. 96r

Relativamente à tarja presente na portada da individuais, em número de 10, tanto na OE como


OE, ao lado da gravura, ela é constituída por dez no [Missale Bracharense] (MB), 1538,
pequenos blocos de madeira de folhas reparamos que a sua ordenação não é a mesma,
estilizadas. Ao confrontar o seu uso individual e embora muito semelhante.
observar a colocação diferente dos blocos tanto
A presença destes pequenos blocos de folhas
na edição de R. Mendes, Practica dArismetica,
estilizadas atesta-se, portanto, nas obras
(PA), 1540, como no impresso Breue Memorial
firmadas e saídas da Oficina de Germão
(BM), 1545, podemos concluir que existiam
Galharde desde o ano de 1538 até, pelo menos,
peças soltas que permitiam uma composição
ao ano de 1545 de acordo com o estado actual
variada.
da nossa investigação, como demonstram as
Aliás, se observarmos bem a fileira dos blocos reproduções seguintes.

20
Helga Jüsten FRAGMENTA HISTORICA

Tarjas
[Missale Bracharense], (MB),1538, ex.: BNP, Res. 1633, [Link]. 14877; R. Mendes, Practica dArismetica,
(PA),1540, ex.: BNP, Res. 278 V, [Link]. 15193; Breue Memorial, (BM), 1545, ex.: BNP, Res. 92 P, [Link].
16741

OE

MB, 1538; fol. 85v

PA, 1540, fol. xiij, v


portada
[78x5 mm]

BM, 1545; fl. 16v

Relativamente à gravura impressa na portada da Com efeito, quando Carrasco González afirma
OE não encontrámos, na Oficina de Germão que “[f]inalmente, también el grabado de la
Galharde, qualquer registo, anterior ou portada se corresponde muy bien con las
posterior, no conjunto da produção localizada características un poco toscas y arcaizantes de
até ao momento. los primeros artistas portugueses usados por
este editor”20, remetendo para o impresso de
Contudo, e para uma avaliação mais
Modus curandi cum balsamo e a respectiva
documentada, aconselha a prudência recuar ao
introdução de J. V. de Pina Martins21, o autor do
material tipográfico que Germão Galharde
herdou dos seus antecessores, a saber, de
20
Valentim Fernandes, João Pedro de Bonhomini e Juan M. Carrasco González, “Portugal en la Biblioteca
Hermão de Campos. Sucede que, para além dos de Barcarrota: «La Oración de la Emparedada»”, p. 27.
21
tipos, iniciais e tarjas, as gravuras anteriores vão [Link] Pina Martins, “Um opúsculo de medicina
desconhecido pelos bibliógrafos editado em Lisboa por
surgindo na produção de Germão Galharde Germão Galharde: Modus curandi cum balsamo, Lisboa,
como demonstram as imagens no anexo. c. 1530”, in Revista da Bibloteca Nacional, série 2, vol. 2,
Jul.-Dez. de 1987, pp. 15-25.

21
FRAGMENTA HISTORICA Algumas Achegas sobre o Material Tipográfico da
Oficina de Germão Galharde e de sua Viúva (1519-1565)
estudo circunscreve, demasiado, o seu ângulo gravura impressa na obra Incipit Angeli custodis,
de visão e limita o campo de investigação. de 1544, saída dos prelos de Germão Galharde.
Aos defeitos na noção da dimensão
No que se refere à iconografia dos impressos
tridimensional associamos o tracejado, fino e
portugueses, desde a sua origem até mesmo a
curto, no preenchimento dos espaços em
primeira metade do século XVI, parece-nos que
branco, característica que aproxima a
o adjectivo genérico “tosco”, relativamente à
iconografia do Incipit Angeli custodis da gravura
execução das gravuras, adianta pouco sobre
da OE.
uma variedade de criação xilográfica que, até ao
ano de 1518, registava 268 blocos de madeira Por outro lado, e para documentar o que se
diferentes22. Neste universo iconográfico afirmou acima sobre a proveniência anterior da
coexistem traços de diversos artífices e artistas, iconografia de Germão Galharde, reproduzimos
anónimos na sua totalidade e com qualidades na Imagem 4 uma gravura proveniente da obra
artísticas distintas, o que, por si só, requer uma Flos sanctorum, impressa por Hermão de
investigação aprofundada e não realizada até ao Campos em 1513, que poderá ter servido como
momento. modelo, tanto para a representação do altar
como pela figura feminina ajoelhada.23
Assim, e pelas gravuras introduzidas por Germão
Galharde na sua produção entre 1519 e 1565, Concluímos a reprodução das imagens com um
escolhemos aquelas que pudessem esclarecer, exemplo de um impresso de Germão Galharde,
tanto pela sua representação como pelo traço de 1545, Imagem 5, colocando, ao lado, o bloco
de execução, algumas semelhanças pertinentes de madeira herdado de Hermão de Campos,
para a análise da gravura impressa na portada usado na citada obra de 1513.24
da OE.
Com efeito, e considerando a iconografia da
Na Imagem 1 do Anexo reproduzimos a gravura produção de Germão Galharde no seu conjunto,
da portada do Modus curandi cum balsamo, ca. parece-nos que a gravura impressa na portada
1530, pela coincidência na representação de um da OE se aproxima mais da execução, artesanal
altar, embora, como julgamos, com uma pela defeituosa noção tridimensional, do bloco
execução por um artífice distinto, atendendo ao de madeira do “anjo” saído dos seus prelos,
diferente tratamento da perspectiva porventura, em 1544, o que aproximava a
tridimensional quando comparada com a datação dos dois impressos e indiciava,
gravura da OE (Imagem 3). Considerando que eventualmente, a existência do mesmo artífice,
uma defeituosa perspectiva tridimensional na Oficina de Germão Galharde, num período
poderá revelar algo sobre um artífice menos compreendido entre os finais da década de
habilitado, juntamos, na Imagem 2, uma trinta e inícios de quarenta do século XVI.

23
Helga Maria Jüsten, Incunábulos (...), p. 509.
22 24
Helga Maria Jüsten, Incunábulos (...), pp. 478-520. Helga Maria Jüsten, Incunábulos (...), p. 507.

22
Helga Jüsten FRAGMENTA HISTORICA

Gravuras

Imagem 1 Imagem 2

Modus curandi cum balsamo, [ca. 1530], portada Incipit Angeli custodis, [1544], fl. 1v;
[BNP, Res. 5561 P, [Link] 14824] [BNP, Res. 82(2) A, [Link] 22943]

Imagem 4
Imagem 3

[cf. com a gravura


OE, portada
« Ho flos sanctorum, Hermão de Campos
[67 x 46 mm]
HMJ, G. 174]25

25
Helga Maria Jüsten, Incunábulos (...), p. 509.

23
FRAGMENTA HISTORICA Algumas Achegas sobre o Material Tipográfico da
Oficina de Germão Galharde e de sua Viúva (1519-1565)

Imagem 6
Imagem 5

« [gravura, Ho flos sanctorum, Hermão de


Breue Memorial (BM), 1545, portada,
Campos, 1513;
[BNP, Res. 92 P, [Link] 16741]
HMJ, G. 144 [76 x 70 mm]26
Imagem 7

BPE, Inc. 3
Juntamos esta última gravura apenas para demonstrar que existem semelhanças entre os blocos de
madeira usados, neste caso, pelos Cromberger, de Sevilha, e as Oficinas portuguesas referidas, sem, no
entanto, haver identidade na execução.

26
Helga Maria Jüsten, Incunábulos (...), p. 507.

24
Helga Jüsten FRAGMENTA HISTORICA

Partindo, pois, do pressuposto de que as Por outro lado, a objectiva falta de apuro
atribuições de qualquer impresso sine notis tipográfico dos folhetos clandestinos, e
serão, sempre, provisórias, consideramos, designadamente da OE, fez-nos lembrar uma
contudo, que a pesquisa documentada do observação pertinente de Eleutério Cerdeira, a
material tipográfico poderá circunscrever a propósito de outra contrafacção, quando chama
execução, neste caso da Oraçam da a atenção para “a provável intranquilidade em
Empardeada (OE), com recurso aos tipos, às que terá sido realizado este trabalho
iniciais e tarjas existentes na Oficina de Germão clandestino”.27
Galharde.
O facto de o impressor não assumir a
2.b) Glosa famosissima
paternidade da edição levanta, no entanto, uma
série de interrogações, atendendo, Formato: 4º
nomeadamente, à época em que a OE foi,
Colação: A20, 20 fl. {40 p.}
presumidamente, impressa, i.e., [entre 1537 e
1540]. A edição da OE, que ora conhecemos Proposta de identificação para o impresso sine
através do exemplar da Biblioteca de notis:
Extremadura, corresponderá àquela a que se
referia João de Barros, na sua Grammatica da [Lisboa, Germão Galharde, ca. 1541]
Lingua Portuguesa, editada em Lisboa por Luís Repertório:
Rodrigues no ano de 1540, quando, no fólio,
hiiij, recto dizia: “... nam sábem rezár huma P - *BPMP, Y1-3-37 (3)†
óraçam per ella, e pela tiráda sam mais jto com: Castigos e enxempros de Catom, Lisboa,
correntes que hum cego na óraçam da Germão Galharde, 1521; BPMP, Y1-3-37 (1);
emparedáda.”?
Despertador de peccadores, Burgos, 1541;
Na segunda metade da década de 30 do século BPMP, Y1-3-37 (2):
XVI circulava uma profusão de pequenos
folhetos, numa estimativa provisória de cerca de Glosa famosa sobre las coplas de Don Iorge
30, com material tipográfico da Oficina de Manrrique, Valladolid, Sebastian Martinez,
Germão Galharde, uns, como o Auto das 1564; BPMP, Y1-3-37 (4)
regateyras, identificado com uma tarja e Sobre a edição refere-se que o licenciado Alonso
inscrição de GERMAGALHA, outros, como o Auto de Cervantes procedeu, entre finais de 1500 e
de Sancto Antonio, impresso de forma inícios de 1501 à elaboração das suas glosas,
clandestina, mas usando uma gravura da mesma designadas como “famosissimas”, baseando-se
oficina que tinha surgido, anteriormente, na na obra maior de Jorge Manrique (1440? –
edição de Instituta ordinis beati Francisci, 1479), i.e., as suas Coplas que “hizo sobre la
Lisboa, Germam Galharte [sic],1530. muerte de su padre”.
Ocorre-nos como hipótese para o aumento de As Coplas de Jorge Manrique eram, de facto,
impressos clandestinos, na referida época, o “famosas”, conhecidas e apreciadas em
agravamento das questões de ortodoxia Portugal, designadamente pelo Rei D. João II
religiosa, que conduziu, a partir de 1547, aos que, conforme nos diz Garcia de Resende, na
Róis de Livros Proibidos, o primeiro manuscrito sua Crónica de D. João II, lhe “perguntou se
e, em 1551, com o título Este he o rol dos liuros sabia as trovas de dom Iorge Manrique, que
defesos, impresso por Germão Galharde. começão Recuerde el alma dormida” (...).28
A duvidosa ortodoxia religiosa da OE obrigaria,
com efeito, a cuidados redobrados, embora o
27
reduzido custo na impressão e um provável Eleutério Cerdeira, Duas Grandes Fraudes Camonianas,
êxito de venda acenassem com o lucro fácil de Barcelos, Companhia Editora do Minho, 1946, p. 57.
28
um folheto de inegável popularidade como Garcia de Resende, Crónica de D. João II e Miscelânea,
Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1991, Cap.
demonstram as palavras de João de Barros. CCI, p. 269.

25
FRAGMENTA HISTORICA Algumas Achegas sobre o Material Tipográfico da
Oficina de Germão Galharde e de sua Viúva (1519-1565)
De acordo com a referência no prólogo, a Glosa por Valentim Fernandes. Posteriormente, em
famosissima surge durante o desterro de Alonso 1559, publicou a Viúva de Germão Galharde
de Cervantes “por espacio de tiempo de quatro uma outra edição, de glosador distinto, que se
anos (...) neste para mi tam estraño reyno de intitula Glosa sobre la obra que hizo don George
Portugal”, suplicando “muy humilmente esta manrique, a la muerte do maestro de Sanctjago.
obra (...) dirigida al muy ilustre (...) Señor don No entanto, apenas a primeira edição
Aluaro de stuñiga”.29 portuguesa, de 1501, e a presente sine notis
apresentam a mesma sequência no texto das
Do controlo bibliográfico efectuado sublinhamos
coplas e glosas, motivo pelo qual se julga ter o
que António Pérez y Gomez chama a atenção
impresso anterior servido como base para uma
para esta edição sine notis da Glosa famosissima
nova edição. É de referir, também, que uma
pelo facto de reproduzir a portada e, deste
edição da Glosa, atribuída por Norton, 79633 e
modo, fornecer alguns elementos do material
ABAD, Post-Incunables, 98534 ao impressor
tipográfico.30
sevilhano Jacobo Cromberger, com uma data
Anteriormente, Sousa Viterbo n’“A Litteratura próxima de ca. 1508-1510, segue a mesma
Hespanhola em Portugal”31 fez menção do sequência de texto das duas edições
exemplar da BPMP, remetendo para a espécie portuguesas acima referidas, conforme a cópia
com o número 757 no Catálogo de la Biblioteca digital do exemplar da BNE, R-4133.
de Salvá.32 Contudo, a informação relativa ao
Relativamente à atribuição provisória do
número 758 parece mais próxima da presente
impresso sine notis à oficina de Germão
edição pelo facto de destacar que “ademas de la
Galharde, apresentamos, abaixo, as imagens do
notable contraseña de llevar la presente edição
material tipográfico. Com efeito, os alfabetos
el título Glosa famosissima en la parte inferior
usados na impressão da presente edição faziam
[sublinhado nosso] de la portada” e que Salvá
parte do material da oficina de Germão
situa “hácia el 1525” no que respeita à data da
Galharde, havendo, para o tipo usado na
sua impressão.
impressão das coplas e glosas, uma primeira
Após o esclarecimento sobre a cota correcta do ocorrência na edição do Calendarium Romanum,
exemplar da BPMP, i.e. Y1-3-37 (3), foi possível com data de 1537, embora se registe a
iniciar, com base numa cópia integral e introdução de variantes para os tipos A, D e P.
completada com uma observação presencial
A única inicial presente no fl. 1v do impresso da
posterior, a análise com vista a uma atribuição
Glosa, representando a letra P e ocupando 8
provisória da edição à oficina de Germão
linhas, encontra-se, em 1541, na edição do
Galharde.
Cerimonial da missa, saída dos prelos da oficina
A presente edição sine notis da Glosa de Germão Galharde em Lisboa, embora se
famosissima, de Alonso de Cervantes, surgiu, encontre uma inicial D, da mesma série de
pois, na sequência de uma primeira edição, em iniciais xilográficas, na edição da Ordem do
Portugal, impressa em Lisboa no ano de 1501 juyzo, Lisboa, Germão Galharde, 1539.

29
Confrontar, igualmente, o estudo de Mário da Costa
Roque, Glosa Famosissima sobre las Coplas de Dõ Jorge
Marrique, Lisboa, Inspecção Superior das Bibliotecas e
Arquivos, 1963, pp. 16-18.
30
António Pérez y Gomez, Glosas a las Coplas de Jorgue
Manrique: Notícias Bibliográficas, Cieza, 1963, nº 13,
lámina 13.
31
Sousa Viterbo, A Litteratura Hespanhola em Portugal”,
33
in Historia e Memorias da Academia das Sciencias de John Frederick Norton, A descriptive catalogue of
Lisboa, Lisboa, Imprensa Nacional, 1915, pp. 239-241. printing in Spain and Portugal (1501-1520), Cambridge,
32
Catálogo de la Biblioteca de Salvá, Tomo I, Valencia, Cambridge University Press, 1978.
34
Imprenta de Ferrer de Orga, 1872, pp. 268-269; Julián Martín Abad, Post-Incunables Ibéricos, Madrid,
[consultado através da página [Link]. – 08.2014]. Olleros & Ramos, 2001.

26
Helga Jüsten FRAGMENTA HISTORICA

Título/Incipit: Glosa famosissima


Lugar de Impressão: [Lisboa, Germão Galharde ?]
Ano: [1537 (Tipos) – 1541? (Inicial)]

Portada, Lisboa, Valentim Fernandes,


Portada, [BPMP, Y1-3-37(3)]
150135

(P8) [35 x 35 mm]


Cerimonial da missa,
1541
[BPE, Res. 76]

fl. 1v, tipo de texto e inicial; P8 [35 x 34 mm]

35
cf. Reprodução fac-similada, in Glosa famosissima sobre las coplas de dõ Jorge Marrique, com um estudo de Mário da
Costa Roque, Lisboa, Inspecção Superior das Bibliotecas e Arquivos, 1963, assim como Helga Maria Jüsten, Incunábulos (...),
pp. 204-208, 529.

27
FRAGMENTA HISTORICA Algumas Achegas sobre o Material Tipográfico da
Oficina de Germão Galharde e de sua Viúva (1519-1565)
No entanto, e para desfazer dúvidas sobre uma 1539, juntamos as iniciais usadas pelo referido
eventual hipótese de o impresso sine notis impressor que demonstram semelhanças entre
poder ter saído da oficina de Luís Rodrigues, os desenhos das letras, sem, contudo, conferir
contemporânea na cidade de Lisboa desde identidade.

Iniciais semelhantes, mas não idênticas

Vida de S. Bernardo, Lisboa, Luís Rodrigues, Vida de S. Bernardo, Lisboa, Luís Rodrigues,
1544 1544
[BNP, Res. 161 A] [BNP, Res. 161 A]

Foram, todavia, as tarjas na portada que impresso firmado por Germão Galharde. As
chamaram a nossa atenção quando olhámos tarjas com folhas estilizadas, Glosa, T. 6 e T.7,
para as reproduções constantes da citada obra surgiram na oficina de Germão Galharde, em
de A. Pérez y Gomez, já que eram, em parte, 1538, na impressão do Missale Bracharense, o
nossas conhecidas de edições saídas dos prelos que nos indicia uma data próxima para a
de Germão Galharde, pelo menos desde o ano impressão da Glosa famosissima. No entanto,
de 1523. Como se pode verificar pelas preferimos uma datação de [ca. 1541],
reproduções anexas, apenas uma das tarjas, baseando-nos na primeira ocorrência da inicial
Glosa, T.4, da parte inferior da portada, não foi P8, referida acima.
possível, até ao momento, associar a um

28
Helga Jüsten FRAGMENTA HISTORICA

Tarjas

HMJ[II], T. 125, HMJ[II], Glosa, HMJ[II], T. 108, HMJ[II], Glosa, HMJ[II], Glosa,
Glosa, Tarja 1 Tarja 2 Glosa, Tarja 3 Tarja 4 Tarja 5
[122x15 mm; [140 x 7 mm] [84x18 mm; [12 x 105 mm] [16 x 148]
cf. Commentum in [cf. Portada, cf. Manipulus, [cf. Portada,
Plinij, 1529; Ordenações, 1523] Ordenações,
Modus, ca. 1530] 1533, 1533,
Livro 3º, TRBC, LA Livros 1º e 3º,
002 C; TRBC, LA 002 C]
Tractado Canto
mensurable,
1535]

HMJ[II], Glosa, Tarja 6 HMJ[II], Glosa, Tarja 7


[cf. Missale Bracharense, 1538] [cf. Missale Bracharense, 1538]

29
FRAGMENTA HISTORICA Algumas Achegas sobre o Material Tipográfico da
Oficina de Germão Galharde e de sua Viúva (1519-1565)
Das três gravuras presentes na portada famosissima, que se intitula Glosa nueuamente
conseguimos identificar, até ao momento, hecha por Pedro Daguilar (...), e pode ser
apenas a gravura, Glosa, G.3, num impresso, consultado através da cópia digital da BNP, Res.
igualmente sine notis, mas com recurso ao 218-9-V, [Link] 6963.
mesmo alfabeto de texto como na Glosa

Gravuras

portada portada portada


HMJ[II], Glosa, G.1 HMJ[II], Glosa, G.2 HMJ[II], Glosa,
[com falha na reprodução] [52 x 18 mm] G.3 [48 x 21 mm]
[56 x 41 mm] [cf. gravura na portada de:
Glosa nueuamente hecha por
Pedro Daguilar, s.l., s.e., s.d;
BNP, Res. 218-9V, [Link]
6963]

Com efeito, consideramos que a análise do 3.a) A Identificação de Fragmentos


material tipográfico usado na impressão da
Durante a observação presencial das espécies
presente Glosa famosissima permite uma
sucede, com alguma frequência, que as pastas
atribuição provisória à oficina de Germão
das encadernações escondem fragmentos de
Galharde, numa data próxima de [ca. 1541],
outras edições, nem sempre fáceis de identificar
atendendo aos tipos, às iniciais e um número
por diversos motivos, para além da presença de
considerável de tarjas usados em impressos
folhas impressas em documentação manuscrita.
firmados pelo impressor francês.
O caso porventura mais significativo foi a
presença de fragmentos contidos na pasta de
3. – O acervo gráfico como ferramenta na encadernação do Breue Memorial, impresso por
identificação de fragmentos e variantes, assim Germão Galharde em Lisboa no ano de 1521,
como para documentar o desgaste do Material que detectámos, em 2006, no exemplar da BNP,
Tipográfico

30
Helga Jüsten FRAGMENTA HISTORICA

Res. 91 P. Na altura, e com base no corpus possível colocá-las lado ao lado numa
documental anteriormente elaborado36, observação presencial.
reparámos nos tipos e numa inicial que eram
semelhantes ao material tipográfico das oficinas
anteriores de Valentim Fernandes e de João 3.b) A Identificação de variantes
Pedro de Bonhomini. A partilha da descoberta
Com efeito, a dispersão de exemplares por
permitiu a João José Alves Dias37 desenvolver o
bibliotecas diferentes leva, frequentemente, a
estudo dos fragmentos e, assim, esclarecer e
uma identificação imprecisa de edições,
estabelecer uma nova sistematização na edição
nomeadamente quando a memória visual nos
das Ordenações Manuelinas impressas por
atraiçoa na detecção de pormenores que, afinal,
Valentim Fernandes e João Pedro de Bonhomini.
correspondem a diferentes estados na
impressão das espécies.
Não sendo caso único no conjunto da produção
de Germão Galharde, pretendemos destacar,
neste momento, apenas o caso do impresso
Instituta ordinis beati Francisci, saído em Lisboa
a 9.9.1530.
Na observação presencial de um dos exemplares
existentes no país, a saber, o do Arquivo
Histórico da Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa, verificámos a notória presença, na
oficina de Germão Galharde, do material
tipográfico dos predecessores. No entanto,
Contudo, o caso em apreço serve para sublinhar apenas o confronto, inicialmente com base em
a importância de um acervo gráfico digitalizado cópias, permitiu corrigir a memória visual que
como apoio à memória visual do material identificou, e bem, uma tarja conhecida da
tipográfico, designadamente para fundamentar, oficina de Valentim Fernandes. No entanto, a
numa fase inicial de investigação, uma possível posição da referida tarja, JAD, T. 36,38 é
atribuição de fragmentos. Semelhante diferente quando comparamos o exemplar da
ferramenta ainda se revela de maior utilidade SCML, cota L.A., XVI, 582 com o da Biblioteca de
quando as espécies em análise pertencem a D. Manuel II, em Vila Viçosa, como demonstram
acervos diferentes, circunstância em que não é as seguintes imagens.

36
Posteriormente publicado: Helga Maria Jüsten,
Incunábulos e Post-Incunábulos Portugueses, (ca. 1488-
1518), (Em Redor do Material Tipográfico dos Impressos
Portugueses), Lisboa, Centro de Estudos Históricos –
Universidade Nova de Lisboa, 2009.
37
João José Alves Dias, Ordenações Manuelinas 500 anos
depois: Os dois primeiros sistemas (1512-1519), Lisboa,
38
Biblioteca Nacional de Portugal, Centro de Estudos Cf. Helga Maria Jüsten, Incunábulos (...), p. 466 e João
Históricos – Universidade Nova de Lisboa, 2012. José Alves Dias, No Quinto Centenário, p. 106.
31
FRAGMENTA HISTORICA Algumas Achegas sobre o Material Tipográfico da
Oficina de Germão Galharde e de sua Viúva (1519-1565)

BDMII, PDVV, fl. 35v,


[SCML, cota LA. XVI, 582], fl. 35v Livros Antigos Portugueses (...)39, p. 440
Inversão da Tarja T. 36 = Variante

A identificação desta variante, seguida de uma A observação do conjunto da produção de


investigação mais aprofundada da edição da Germão Galharde entre 1519 e 1565, e desde
Instituta ordinis beati Francisci, permitiu, ainda, 1559 em nome da viúva, com base nos
localizar um exemplar nos EUA, bem como exemplares até ao momento localizados,
confrontar as duas espécies pertencentes a permite, certamente, avaliar não apenas o
acervos nacionais com o outro exemplar desgaste normal do material tipográfico como a
existente em França,39aguardando-se a introdução de novas caixas de tipos – ou
publicação dos resultados da análise pequenas alterações nas preexistentes – como
efectuada.40 de novas iniciais e molduras de tarjas e gravuras.
Por um lado, o registo documental cronológico
com base em imagens digitalizadas dos
3.c) Documentar o desgaste do material
impressos, pese embora o enorme dispêndio de
tipográfico
tempo na construção dessa base de dados,
proporciona uma visão de conjunto da oficina
de Germão Galharde e a consequente
39 formulação de hipóteses sobre o seu
MANUEL II, (D.), Livros antigos portugueses: 1489-1600
da biblioteca de Sua Magestade Fidelíssima, 3 vols., funcionamento. Por outro, o acervo digital
Braga, Oficinas da APPACDM, 1995. fornece dados que levam a interrogações sobre
40
Helga Maria Jüsten, “Um Impresso do Século XVI no a validade de determinadas informações sobre
Arquivo Histórico da Santa Casa da Misericórdia de os impressos, colhidas com base em cólofons,
Lisboa: Instituta ordinis beati Francisci, Lisboa, Germam ou seja, de edições – aparentemente – firmadas.
Galharte, 9.9.1530”, in Cidade Solidária, nº (...), Lisboa,
SCML, 2014, em publicação.
Surgem, frequentemente, dúvidas quando

32
Helga Jüsten FRAGMENTA HISTORICA

observamos o desgaste do material tipográfico – dedicados à “Iconografia do Livro Impresso


numa perspectiva diacrónica – e a data (Marcas Tipográficas e Filigranas de Papel)”,
constante de uma edição firmada. Por ora, reintroduzimos, com base no nosso acervo
fixemo-nos apenas nos casos em que o desgaste digitalizado, os casos então apresentados.
do material tipográfico, presente nas portadas Documenta-se, assim, a evolução de uma tarja
de determinados impressos, sugere uma data com a inscrição de GERMAM GALHARD que, a
diferente da impressa no cólofon. Convém partir de 1523, começa a surgir nos impressos
lembrar a esse propósito que o primeiro saídos da sua oficina. Não se trata, por
caderno era sempre o último a ser impresso, enquanto, de uma recolha exaustiva, nem de
para além de casos em que determinados apresentar conclusões definitivas sobre a
exemplares, que chegaram até nós, se datação de determinados impressos,
constituíram com recurso a cadernos de tiragens aparentemente firmadas. Por ora, ficam apenas
diferentes. Portanto, a substituição parcial de as interrogações, sublinhando-se a necessidade
cadernos não inviabilizava a manutenção da de comprovar qualquer afirmação com base
data inicial da impressão constante do cólofon. numa consulta do maior número possível dos
diversos exemplares existentes, a fim de excluir
Seguindo a metodologia exemplificada, por João
“ruídos” indevidos e provenientes de cópias
José Alves Dias, num Colóquio, realizado em
eventualmente imperfeitas.
Maio de 2011 na Fundação Calouste Gulbenkian,

Contra os Juyzos, 7.3.1523 [19x114 mm]; fac-símile do ex. da BGUC, R-14-10


desgaste no Liber scholastica, 1532 [João José Alves Dias, post. a 1534]; ex. da BNP, Res. 4645 P,
[Link] 15298

Oratio, 1.10.1534; ex. da BPE, Séc. XVI, Res. 6108


Tractado de canto llano, 1533; fac-símile do ex. da BL [João José Alves Dias, post. a 1535]

33
FRAGMENTA HISTORICA Algumas Achegas sobre o Material Tipográfico da
Oficina de Germão Galharde e de sua Viúva (1519-1565)

Tractado de canto mensurable, 4.9.1535; ex. da BPE, Res. 402-A

F. Oliveira, Grammatica, 27.1.1536; ex. da BNP, Res. 274 V, [Link] 120

4. – O “Fecho da Abóbada”
Não pode haver, como julgamos, melhor
exemplo da longevidade do material tipográfico
da oficina de Germão Galharde do que o último
impresso, em nome da sua viúva, localizado até
ao momento, ou seja, a edição de Nao sam
Paulo, saída dos seus prelos, em Lisboa, a
8.4.1565.
A portada da referida edição, para além de
atestar o uso continuado dos tipos da família
gótica rotunda, fecha a “abóbada” por
recuperar, ainda, uma gravura do conjunto da
série com que começamos as nossas achegas. A
gravura JAD, G. 11, proveniente da oficina de
Valentim Fernandes e da edição da Estória do
muy nobre Vespasiano imperador de Roma,
começou a sua vida útil em 1496 e aqui fica para
testemunhar a longevidade do material
tipográfico dos primeiros impressores portugueses.

Lisboa, Agosto de 2014

34
Helga Jüsten FRAGMENTA HISTORICA

Fontes e Bibliografia Modus curandi cum balsamo (…), [Lisboa,


Germão Galharde, ca. 1530];
1. Fontes Impressas
P - BNP, Res. 5561 P, [Link] 14824.
(ordenadas cronologicamente)
Edição fac-similada, Modus curandi cum
[Estoria do muy nobre Vespasiano imperador de
Balsamo, prefácio de José V. de Pina
Roma]. Lisboa, Valentin Fernandes,
Martins, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1988.
20.4.1496;
Breuiarium secundum vsum insignis monasterij
P – BNP, Inc. 571; [Link] 22002.
sancte crucis colimbriensis ordinis diui
O compromisso da confraria de Misericordia, augustini, Coimbra, Germanum galhardum,
Lisboa, Valentym Fernandez e Hermam de 8.4.1531 [sexto Idus Aprilis];
campos, 20.12.1516;
P – BGUC, R-3-16; [cópia digital em:
P – SCML, LA XVI, 114. [Link]].
Breue memorial dos pecados e cousas que Lourenço Justiniano, Santo, [Regra e perfeição
pertençem ha confissam (…), Lisboa, Germão da conversação dos monges], Inicpit ¶ Nom
Gaillarde, 25.2.1521; he pequena a obrigaçam de louuor, Coimbra,
Germão Galharde, 28.4.1531;
P - BNP, Res. 91 P; [Link] 109.
P - BNP, Res. 166 A, [Link] 16678.
Beja, Frei António de, Contra os juyzos dos
astrologos, Lisboa, Germam Galharde, Liber de scholastica disciplina (…), Lisboa,
7.3.1523; Germão Galharde, 1532 [?];
P – BGUC, R-14-10. P - BPE, Res. 309;
Beja, Frei António de, Breue doutrina e P - BPE, Res. 411 (incompleto)
ensinança de principes (…), Lisboa, Germam
P - BNP, Res. 4645//2P, (incompleto); [Link]
Galharde, 15.7.1525;
15298.
E – BNE, R-12331†
Aranda, Matheo de, Tractado de canto llano
Edição fac-similada: Frei António de Beja, nueuamente compuesto por Matheo de
Breve Doutrina e Ensinança de Príncipes, aranda maestro en musica. (…), Lisboa,
Reprodução fac-similada da edição de 1525, Germão Galharde, 26.9.1533 [?];
Introdução de Mário Tavares Dias, Lisboa,
P - BPE, Res. 402, (junto com Tratado de
Instituto de Alta Cultura, 1965.
canto mensurable)
¶ Incipit officium angeli custodis (…), Lisboa,
Edição fac-similada: José Augusto de Alegria,
Germanum Galharde, Die sexto Decembri,
Mateus de Aranda, Tractado de cãto llano
1529;
(1533), ed. fac-similada com Introdução e
P - BNP, Res. 82 (2) P, [Link] 22943. Notas do Cónego Dr. José Augusto Alegria,
Rei Musicae Portugaliae Monumenta II,
Cronica llamada el triunpho de / los nueue
Lisboa. Instituto de Alta Cultura, 1962.
preciados de la fama: (…), Lisboa, German
Galharde, 26.6.1530; Resende, L. André de, Oratio pro rostris
pronunciata, in Olisiponensi academia,
P - BNP, Res. 3736 V, [Link] 14549.
calend. Octobrib., Lisboa, Germani Galliardi
Instituta ordinis beati Francisci, Lisboa, Germam Galli [Germão Galharde], Mense Octobri.
Galharte, 9.9.1530; 1534;
P - SCMLx, L.A, XVI, 582, (incompeto); P – BPE, Séc. XVI, 6108; cópia integral
digitalizada e disponível através da página:
P – Palácio Ducal, Vila Viçosa, BDMII, 67
(incompleto), Variante.

35
FRAGMENTA HISTORICA Algumas Achegas sobre o Material Tipográfico da
Oficina de Germão Galharde e de sua Viúva (1519-1565)
Biblioteca Digital do Alentejo A muyto deuota oraçam da Empardeada. Em
[[Link]]: ID 330; lingoagem portugues, [Lisboa , Germão
Galharde ?, entre 1537 e 1540];
Fac-símile reproduzindo UK - BL, C.62b.38:
ES – Badajoz, Biblioteca de Extremadura,
Artur Moreira de Sá, Oração de Sapiência,
Biblioteca da Barcarrota.
Lisboa, Instituto de Alta Cultura, 1956.
Ortiz de Vilhegas, Diego, Cerimonial da missa
Aranda, Matheo de, Tractado de canto
rezada segundo custume Romão: e se
mensurable: y contrapuncto (…), Lisboa,
guarda na capella del rey de portugal dom
Germão Galharde, 4.9.1535;
Ioham terceyro deste nome (…), Lisboa,
P - BPE, Res. 402-A; Germam Galharde, 2.9.1541;
Edição fac-similada: Tractado de Canto P – BPE, Res. 76.
Mensurable, intro. e Notas do Cónego José
Servantes [sic], Alonso de, Glosa famosissim,
Augusto Alegria, Lisboa, Fundação Calouste
[Lisboa, Germão Galharde, ca. 1541]
Gulbenkian, Lisboa, 1978.
P - BPMP, Y1-3-37(3).
Oliveira, Fernão de, Grammatica da lingoagem
portuguesa, Lisboa, Germão Galharde, Libro da vida e milagres do glorioso e
27.1.1536; bemauenturado são Bernardo, Lisboa, Luís
Rodrigues, 8.8.1544;
P - BNP, Res. 274 V; [Link] 120,
P – BNP, Res. 161 A, [Link] 14551.
Edição fac-similada: Fernão de Oliveira,
Grammatica da lingoagem portuguesa Resende, Garcia de, Breue memorial dos
Lisboa, Biblioteca Nacional, 1988. pecados e cousas que pertençam a confissão.
(…), Lisboa, Germão Galharde, 15.3.1545;
CALENDARIUM ROMANUM. IN quo plurimi festi
dies sanctorum secundum comsuetudinem P – BNP, Res. 92 P, [Link] 16741.
Olisiponensis Ecclesie, Lisboa, Germão
Viagem & naufragio da Nao sam Paulo (…),
Galharde, 1537;
[Lisboa], Viúva de Germão Galhard,
Cidade do Vaticano, BAV, MAG, call number 8.4.1565;
[Link].46 [com as folhas em falta
UK – National Maritime Museum,
no exemplar da BNP Res. 1759 P];
Greenwich, Londres, No. C4583,
P – BNP, Res. 1759 P (incompleto), [Link]
Class. [Link] Sam Paulo.094DIA.
23151.
Missale iuxta antiquam almae bracharensis
ecclesiae consuetudinem, Lisboa, Germanum 2. Bibliografia
galhart, 16.7.1538 [17 Kalendas Augusti];
ANSELMO, António Joaquim, Bibliografia das
P – BNP, Res. 1633 A (incompleto); [Link] Bibliografias Portuguesas, Lisboa, Biblioteca
14877. Nacional, 1923.
Mendes, Rui, Pratica darismetica nouamente ANSELMO, Artur, História da Edição em
agora composta pelo licenciado ruy mendez Portugal. I. Das Origens até 1536, Porto,
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Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1981.
Statutos e constituicões [sic] dos virtuosos e
rreuerendos padres Conegos azuys, Lisboa, “Relações Tipográficas entre a França e
Germão Galharde, 25.8.1540; Portugal: A Edição das Coplas de Mingo
Revulgo impressa por Germain Gaillard em
P - BNP, Res. 106 A.

36
Helga Jüsten FRAGMENTA HISTORICA

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37
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38
Hélder Carvalhal FRAGMENTA HISTORICA

PATRIMÓNIO, CASA E PATROCÍNIO: UMA APROXIMAÇÃO AO


SENHORIO DO INFANTE D. FERNANDO (1530-1534)
Hélder Carvalhal

CIDEHUS – Universidade de Évora41

Resumo Abstract
O presente texto possui como objectivo The main objective of this paper is to discuss the
principal discutir as políticas de patrocínio do political patronage of the Duchy of Guarda and
Ducado da Guarda e do seu titular, o Infante D. its holder, Infante Fernando (1507-1534), having
Fernando (1507-1534), tendo em conta o in account the context of creation of this
contexto de criação deste senhorio face à lordship and the control of the high nobility
política régia de controlo da alta nobreza. Numa promoted by the Crown. In a first stage, an
primeira fase, a análise da forma como o analysis of the composition and administration
património foi composto e administrado of the patrimonial assets will allow a partial
possibilitará a compreensão parcial do valor da understanding of the lordship´s value as an
casa enquanto unidade económica e a economical unit and provide its comparison with
comparação com os demais senhorios coevos. others seigniorial houses of the period. Then,
Em seguida, partindo do conjunto de recursos the amount of resources gathered by this
reunido por esta plataforma de poder, platform of power will generate an estimate of
proceder-se-á a uma estimativa do potencial de the attraction potential that this house could
atracção que o senhorio poderia oferecer. offer. Finally, these values, among other
Finalmente, tais valores serão, entre outras variables, will be interpreted based on the
variáveis, interpretados com base nos mechanisms that ensure clientele recruitment
mecanismos de recrutamento clientelar e nas and administrative practices adopted in this case
práticas administrativas adoptadas neste caso study.
de estudo.

Palavras-chave Keywords
Infante D. Fernando; património; casa senhorial; Infante Fernando; patrimony: seigniorial
patrocínio; Ducado da Guarda; administração. household; patronage; Duchy of Guarda;
administration.

Artigo recebido em: 09.09.2014 | Artigo aceite para publicação em: 09.01.2015

© Fragmenta Historica 2 (2014), (39-67). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-634441

41
Este trabalho é financiado por Fundos Nacionais através da FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia no âmbito do
projecto UID/HIS/00057/2013.
O autor agradece a Pedro Pinto pela generosa indicação de algumas fontes primárias relevantes para a elaboração deste
artigo. Da mesma maneira, agradece a Mafalda Soares da Cunha, Isabel dos Guimarães Sá e a António Castro Henriques,
pela leitura e comentários sobre uma primeira versão deste manuscrito.
39
FRAGMENTA HISTORICA Património, casa e patrocínio: uma aproximação ao
senhorio do Infante D. Fernando (1530-1534)
“por me parecer cousa proveytosa nam soomente uma mole de recursos com o poder de captar
42 uma vasta clientela através de uma
pera elle mais pera o reyno...”
redistribuição das graças e mercês previamente
concedidas pelo rei. Não obstante o falecimento
precoce deste príncipe e da sua consorte D.
Introdução
Guiomar (ambos pereceram em 1534), a
Ao cumprir uma vontade vincada no testamento concentração de recursos que o Ducado da
do Rei D. Manuel I, que teria já combinado o Guarda reuniu neste breve período assume-se
enlace matrimonial entre o Infante D. Fernando como bastante significativa, tendo em conta o
(1507-1534), seu filho, e D. Guiomar Coutinho grupo restrito da alta nobreza, os respectivos
(c. 1510-1534) - única herdeira da Casa de patrimónios e as estruturas curiais que
Marialva - D. João III fez com que um dos seus participavam na administração destes senhorios.
irmãos mais novos se visse na posse de extensos O carácter político deste matrimónio tem vindo
domínios fundiários e jurisdições. D. Francisco a ser destacado por vários autores como uma
Coutinho era o conde mais rico de Portugal, manobra hábil e astuta do monarca D. Manuel
detendo uma renda anual estimada em em, de uma só vez, acabar com um dos
4.800.000 reais43. Tais bens, juntamente com as senhorios mais ricos do reino. De facto, a Casa
restantes mercês de que dispunha por ser de Marialva tornou-se, ao longo dos séculos
membro da família real - entre as quais, se anteriores, uma das casas mais ricas e
destacam as jurisdições inerentes ao Ducado da apetecíveis do Reino, muitas vezes recorrendo a
Guarda, de que foi titular, bem como o uma política expansionista agressiva com alto
assentamento anual pago pela Coroa – grau de conflituosidade45. Como tal, não admira
aumentaram a riqueza e o poder deste infante, que à existência de uma única herdeira – D.
visível, de resto, no mecenato cultural que Guiomar – este senhorio se tornasse altamente
protagonizou, na paixão pela arte e pelas letras cobiçado tanto pela Coroa, como pelas
e na quantidade de criados da sua casa principais casas nobiliárquicas.
senhorial, apenas superada pelas cúrias do
A década de 1520-30 possui um papel fulcral
Duque de Bragança e do seu irmão, o Infante D.
para a compreensão do reordenamento da alta
Luís44.
nobreza segundo as políticas joaninas. A Coroa
O presente estudo, de carácter marcadamente sempre demonstrou especial apetência para
exploratório, tem como objectivo discutir a controlar o potencial reprodutivo das casas
capacidade de patrocínio do Ducado da Guarda cujas cabeças eram membros da família real. D.
e do seu titular, o Infante D. Fernando, partindo João III, enquanto monarca, actuou sempre com
de uma análise inicial e parcelar ao património base em duas premissas bem vincadas: o
da sua casa senhorial e à forma como este foi respeito pelas vontades do seu antecessor e a
composto e administrado. A hipótese em causa gestão dos membros da família real a seu cargo,
é entendida na medida em que a hierarquização com especial relevância para o seu valor no
social promovida pela Coroa se estende às mercado matrimonial. Se, por um lado, concluiu
benesses que ela própria confere. Por os matrimónios que tinham sido arranjados por
consequência, este senhorio assume-se como seu pai, realce-se que, de acordo com a segunda
premissa, demonstrou por vezes relutância em
agilizar certas propostas matrimoniais que
42
Excerto retirado do codicilo ao testamento do rei D. chegavam para os seus irmãos. Tal fenómeno,
Manuel. IAN/TT, Gavetas, gav. XVI, mç. 2, nº 2. Publicado de controlo do destino dos infantes, sucedia por
em As Gavetas da Torrre do Tombo, Lisboa, vol. VI, razões que essencialmente se prendiam com o
C.E.H.U., 1967, pp. 133-137. equilíbrio do campo político da monarquia
43
João Cordeiro Pereira, “A estrutura social e o seu
devir”, in Portugal na Era de Quinhentos. Estudos vários,
Cascais, Patrimonia Historica, 2003, p. 347.
44 45
Mafalda Soares da Cunha, A Casa de Bragança 1560- Luís Filipe Oliveira, A Casa dos Coutinhos: Linhagem,
1640. Práticas senhoriais e redes clientelares, Lisboa, Espaço e Poder (1360-1452), Cascais, Patrimonia
Estampa, 2000, p. 94. Historica, 1999.

40
Hélder Carvalhal FRAGMENTA HISTORICA

portuguesa. estar ainda bem frescos na memória, pelo que é


legítimo assumir que o poder central estivesse
Ao contrário do que aconteceu com alguns dos
bem ciente do grau de risco que uma medida
irmãos mais velhos, diga-se que o Infante D.
destas implicava47. Ainda assim, o monarca
Fernando não se importou de casar claramente
certamente que se apoiaria na fidelidade e na
abaixo do seu estatuto, olhando ao negócio que
próxima ligação com o seu irmão para minimizar
tinha já sido combinado pelo pai, D. Manuel.
e acautelar a cedência de todo um conjunto de
Contudo, não foi o único a consentir casar
privilégios, cuja compensação advinha pelo
abaixo, visto que o Marquês de Torres Novas
putativo reforço de poder numa região
tentou igualmente abarcar a Casa de Marialva
fronteiriça, de difícil acesso e de réditos
por via matrimonial. Ao ganhar o pleito que se
apreciáveis.
arrastou por uma década, a Coroa conseguiu
impor a sua vontade, que viria a deter um efeito Em suma, saliente-se que estas casas senhoriais
triplo no referido campo político. A primeira funcionavam efectivamente como um pólo de
grande implicação foi, de facto, ter acabado com poder e influência concorrente ao próprio
o senhorio dos Marialva, um espaço rico e centro político, podendo coincidir ou divergir
fronteiriço, de difícil acesso, que agora se via com este no processo de tomada de decisões.
novamente na esfera de influência régia. O Como tal, assume-se como fulcral a
segundo factor passa pela obstrução ao compreensão do potencial de atracção desta
crescimento da Casa de Aveiro, algo que casa senhorial com vista ao esclarecimento da
aconteceria se o Marquês tivesse levado a bom sua relevância na correlação de forças patente
termo as suas intenções. Finalmente, a terceira na hierarquia aristocrática e no equilíbrio
implicação, decorrente das duas restantes, está político da monarquia portuguesa.
relacionada com a disciplina imposta pela Coroa
à alta nobreza, sobretudo às casas senhoriais
cujo crescimento ameaça de alguma forma a A historiografia e o problema
estabilidade do Reino. Em boa verdade, ao longo
Apesar dos esforços mais recentes, a
do século XVI, a interferência régia chegou com
historiografia portuguesa não se tem debruçado
alguma frequência às principais casas,
com grande frequência sobre o estudo das casas
procurando sempre casar um membro varão da
senhoriais quinhentistas e, por conseguinte, na
Coroa com as herdeiras disponíveis, de modo a
compreensão da administração económica e
controlar o potencial de crescimento destes
patrimonial destas instituições, o que em parte
senhorios46.
pode ser explicado pelo (quase)
Todavia, a estratégia demonstrada pela desaparecimento dos respectivos arquivos
linhagem de Avis em prover os infantes com senhoriais respeitantes a este período48. Esta
senhorios de consideráveis dimensões não se lacuna assume proporções especialmente
encontrava livre de risco. A transferência de relevantes no que toca ao estudo dos senhorios
uma série de direitos jurídicos, fiscais e dos infantes manuelinos, que continua a ser
administrativos onde se incluía a nomeação de
oficiais, a jurisdição cível e criminal e a cobrança
de impostos poderia trazer problemas para a 47
Humberto Baquero Moreno, A Batalha de Alfarrobeira:
estabilidade política do Reino. Os antecedentes e significado histórico, 2 vols., Coimbra,
acontecimentos do século passado deveriam Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1979.
48
João Paulo Salvado, “An Aristocratic Economy in
Portugal in the First Half of the Seventeenth Century: The
House of the Marquises of Castelo Rodrigo”, in E-Journal
46
Atente-se, como exemplo, no casamento de D. Duarte of Portuguese History, vol. 9, nº 2, 2011, p. 36. Entre
com D. Isabel de Bragança e na cedência do Ducado de outros autores, diga-se que algumas das excepções à
Guimarães, algo que desagradaria profundamente ao regra encontram eco na já citada obra de Mafalda Soares
Duque D. Jaime. Veja-se Mafalda Soares da Cunha, da Cunha e ainda em João Cordeiro Pereira, ”A renda de
“Estratégias matrimoniais da Casa de Bragança e o uma Grande Casa Senhorial de Quinhentos”, in Portugal
casamento do Duque D. João II“, in Hispania, vol. LXIV/1, da Era de Quinhentos. Estudos Vários, Cascais, Patrimonia
nº 216, 2004, pp. 49-50. Historica, 2003, pp. 235-260.

41
FRAGMENTA HISTORICA Património, Casa e Patrocínio: uma aproximação
ao senhorio do Infante D. Fernando (1530-1534)
pautada, na melhor das hipóteses, por nobreza, com questões administrativas e,
informações parcelares e dispersas em texto de consequentemente, uma vincada tendência
propósitos distintos49. Todavia, diga-se que tal para o despesismo53.
rarefacção não se espelha na produção relativa
Desde as últimas décadas do século passado, tal
aos domínios de cariz eclesiástico, encontrando-
hipótese tem vindo a dar lugar a um enfoque
se um volume apreciável de trabalhos que
que tenta compreender a existência de esforços
abordam temáticas relacionadas com a
levados a cabo por estes membros da nobreza
delimitação e transmissão patrimonial,
no melhoramento da administração patrimonial
economia agrária e orgânica interna das
dos seus domínios e jurisdições tendo em vista
referidas instituições50. De igual modo, a
um conjunto de investimentos em áreas
produção existente sobre os senhorios laicos de
estratégicas. Obviamente, este novo olhar
finais do Antigo Regime assegura uma imagem
acarreta a emergência de inúmeras questões
nítida das especificidades inerentes a estas
secundárias. Boa parte destas está relacionada
estruturas e do seu contexto51.
com o que poderia ser considerado (ou não)
Por outro lado, as ideias vinculadas pela agenda como uma política de investimento, ao tempo,
da historiografia oitocentista – de que existiria integrando esta questão num contexto onde a
um declínio da “monarquia agrária”, rivalizando aparência era fonte de poder e estatuto. Outra
com a emergência de uma economia mundial via, mais direccionada para a administração per
com base na expansão ultramarina – impediram, se, defende a premissa de que o endividamento
até certo ponto, a devida consideração do aristocrático, em maior ou menor grau, não
estudo das especificidades ligadas à produção e corresponde necessariamente à ausência de
ao investimento senhorial52. Com efeito, desde investimento e/ou de poder financeiro para a
cedo se partiu do pressuposto de que a grande tomada de tais medidas54.
porção dos ingressos destas casas senhoriais
De uma maneira geral, é legítimo afirmar que
aparentadas com a Coroa eram constituídas, de
em certas partes do continente europeu tais
facto, pelas anuidades pagas pelo erário régio
esforços eram visíveis entre os séculos XVI-XVIII
que visavam assegurar o estado e a
através de um aproveitamento mais eficiente
“alimentação” destes centros de poder. Daqui
dos bens e recursos então existentes (com
se aferiu a pouca preocupação, por parte da alta
grande evidência na produção agrícola, na
mineração e no têxtil), ainda que por vezes o
49
Não se centrando na casa enquanto esfera de poder ordenamento jurídico não permitisse o
económico, alguns exemplos excepcionais de trabalhos envolvimento directo destes estratos sociais nos
sobre estes séquitos senhoriais podem-se encontrar em
referidos negócios conduzindo a uma
Felix Labrador Arroyo, La Casa de la Emperatriz Isabel de
Portugal (1526-1539), Madrid, Tese de licenciatura comparticipação indirecta55.
apresentada à Universidade Autónoma de Madrid
Por outro lado, uma perspectiva bem conhecida
(policopiada), 1999 ou ainda em Carla Alferes Pinto, A
Infanta D. Maria de Portugal (1521-1577). O mecenato de reside nas empresas ligadas ao processo de
uma princesa renascentista, Lisboa, Fundação Oriente,
1998, pp. 67-78.
50 53
Entre outros trabalhos, vejam-se Maria Helena da Cruz A. de Sousa Costa Silva Lobo, História da Sociedade em
Coelho, O Baixo Mondego nos finais da Idade Média, Portugal no século XV, Lisboa, Imprensa Nacional, 1903,
Lisboa, IN-CM, 1989; Iria Gonçalves, O património do pp. 442-469.
54
Mosteiro de Alcobaça nos séculos XIV e XV, Lisboa, UNL- Helen Nader, “Noble Income in Sixteenth-Century
FCSH, 1989; Aurélio de Oliveira, A Abadia de Tibães e o Castile: The Case of the Marquises of Mondéjar, 1480-
seu domínio (1630-1680). Estudo social e económico, 1580”, in The Economic History Review, vol. 30, nº 3,
Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 1977, pp. 411-428.
55
1974. Patrick O´Brien, “Final Considerations: Aristocracies and
51
Nuno G. Monteiro, O Crepúsculo dos Grandes: a casa e Economic Progress under the Ancien Régime”, in Paul
o património da aristocracia em Portugal 1750-1832, Janssens and Bartolomé Yún-Casalilla (eds.), European
Lisboa, IN-CM, 1998. Aristocracies and Colonial Elites. Patrimonial
52
Rui Santos, “A sociedade rural”, in Diogo Ramada Curto Management Strategies and Economic Development,
(org.), O Tempo de Vasco da Gama, Lisboa, CNCDP, 1998, 15th- 18th Centuries, Aldershot, Ashgate, 2005, pp. 247-
pp. 135-156. 263.

42
Hélder Carvalhal FRAGMENTA HISTORICA

expansão marítima, em parte recorrendo aos A criação do Ducado


investimentos de particulares para financiar as
O contrato de casamento como
respectivas armadas. No que concerne ao reino
instrumento político e económico
português – e talvez pela primazia no referido
processo – desde cedo que alguns membros da A distribuição de rendimentos promovida pela
alta nobreza, como os infantes e os titulares das Coroa durante a dinastia de Avis assegurava ao
casas aparentadas com a Coroa (Beja-Viseu, Infante D. Fernando um conjunto de ingressos
Bragança e Vila Real), participaram activamente substancialmente próximo dos restantes
nas actividades de conquista, povoamento e infantes manuelinos58. Todavia, nunca
exploração de regiões africanas56. excederia, por exemplo, os montantes da Rainha
D. Catarina ou o do Infante D. Luís, já que estes
Ainda no plano interno, outro ponto de vista
ocupavam uma posição hierárquica superior,
insuficientemente abordado no Portugal
pela maior proximidade em relação ao monarca.
quinhentista, no que diz respeito ao
A aceitação destas normas não era sempre
investimento destes senhores, está relacionado
pacífica, visto que algumas vicissitudes inerentes
com o patrocínio e clientelismo político. Como
aos trajectos pessoais dos familiares régios
centros de poder cooperantes com a Coroa, as
tinham o condão de alterar esta redistribuição
grandes casas aristocráticas beneficiaram com a
de mercês. No caso fernandino, é notória uma
vocação expansionista dos monarcas europeus
divergência sobre estes montantes pouco antes
deste período e da redistribuição de novos
do casamento com D. Guiomar de Noronha,
domínios e rendas, à medida que estes eram
mantendo este infante uma negociação com o
adquiridos57. Os investimentos numa rede ampla
seu irmão, D. João III, procurando reavaliar
de conexões, de onde fazem parte não só as
aquele que seria um dos seus encaixes
famílias que circulavam na órbita da Coroa e das
financeiros mais significativos. Entre outras
casas com ela aparentadas, mas também outras
reclamações, que se prendem com os moldes
instituições e indivíduos ligados ao campo
em que poderiam ser gastas as verbas de dote e
político da monarquia e à esfera eclesiástica,
arras à falta de descendência na morte de um
faziam do patrocínio um instrumento
dos consortes, D. Fernando pede ao rei para
proeminente para o ganho de capital social com
receber o mesmo assentamento que o Infante
vista ao apoio político nas causas onde o
D. Luís (em 1527, a diferença entre ambos era
senhorio estivesse envolvido.
de quase um conto de reais), tentando
A partir desta dinâmica e com base na economia capitalizar o próprio acto político em si e a
da mercê que caracterizava este paradigma, futura prole que daqui poderia advir59. Contudo,
torna-se facilmente compreensível a o monarca nunca acedeu a este pedido,
necessidade de avaliar os recursos destas impedindo assim a abertura de um precedente
esferas de poder de forma sistemática. Não se nesta escala distributiva e, consequentemente,
pretende apenas verificar o seu valor, de forma as hipotéticas complicações que daí surgiriam.
comparada, na hierarquia do regime. É também Ainda assim, tal como o assentamento, os
necessário perceber se esta capacidade de
redistribuição poderia captar o apoio necessário
à condução de determinadas políticas com base 58
Luís Filipe Oliveira, Miguel Jasmins Rodrigues, “Um
no patrocínio e clientelismo senhorial. processo de reestruturação do domínio social da
nobreza: a titulação na 2ª dinastia”, in Revista de História
Económica e Social, nº 22, 1988, pp. 77-114; Mafalda
Soares da Cunha, “A nobreza portuguesa no início do
século XV: renovação e continuidade”, in Revista
Portuguesa de História, tomo 31, vol. II, 1996, pp. 219-
56
Leonor Freire Costa, Pedro Lains, Susana Münch 252.
59
Miranda, História Económica de Portugal, 1143-2010, IAN/TT, Gavetas da Torre do Tombo, gav. 20, mç. 13, nº
Lisboa, Esfera dos Livros, 2011, pp. 64-72. 102; João Cordeiro Pereira, “O orçamento do Estado
57
Bartolomé Yún-Casalilla, Marte contra Minerva. El português no ano de 1527”, in Portugal da Era de
precio del Imperio Español, c. 1450-1600, Barcelona, Quinhentos. Estudos Vários, Cascais, Patrimonia Historica,
Crítica, 2004, p. 100. 2003, p. 194.

43
FRAGMENTA HISTORICA Património, Casa e Patrocínio: uma aproximação
ao senhorio do Infante D. Fernando (1530-1534)
réditos de proveniência régia outorgados a D. requisito relativo à sua descendência. Daqui
Fernando cresceriam substancialmente num resulta que a capacidade de reprodução
período inferior dez anos, como se pode inferir constitui, neste caso, um regulador para o
pelos padrões de juro e tenças sucessivamente incremento do valor associado a este negócio.
doadas pelo monarca, bem como pela herança e
Contudo, para uma verdadeira compreensão
pelos negócios que a Coroa mantinha com o
dos montantes envolvidos e do potencial
Conde de Marialva (mais à frente tratadas com
económico deste consórcio, impõe-se uma
pormenor).
análise aprofundada do contrato. Este permite
A principal razão para este acréscimo pode ser compreender as dinâmicas de integração das
encontrada, de facto, na consumação do distintas jurisdições, bens e mercês num novo
referido matrimónio, visto que as cláusulas senhorio, redimensionando por si só um novo
patentes no contrato previamente efectuado espaço de poder, associando uma linhagem
garantiam um acréscimo da dotação anual poderosa a um membro da família real, com as
destinada ao casal caso este cumprisse o implicações que se discutem ao longo deste
texto60

Gráfico nº 1: Proporção dos montantes envolvidos no contrato de casamento com vista à doação
do “estado” (ano de 1522).

26,7%

Dotação do Conde de
Marialva e Loulé
73.3% Dotação da Coroa

Fonte: António Caetano de Sousa, Provas da História Genealógica da Casa Real Portuguesa, Lisboa,
Academia Real, Tomo II, 1724, pp. 572-580.

60
No que concerne à importância das dotações
femininas, veja-se Ana Maria Rodrigues, “For the Honor
of Her Lineage and Body: The Dowers and Dowries of
Some Late Medieval Queens of Portugal ”, in E-Journal of
Portuguese History, vol. 5, nº 1, 2007, pp. 1-13.

44
Hélder Carvalhal FRAGMENTA HISTORICA

Gráfico nº 2: Montantes envolvidos no contrato de casamento entre o Infante D. Fernando e D.


Guiomar (em reais).
7000000
6000000
6000000

5000000

4000000

3000000
2000000
2000000 1500000
1050000
1000000 500000
250000 130000
0

Fonte: António Caetano de Sousa, Provas da História Genealógica da Casa Real Portuguesa, Lisboa,
Academia Real, Tomo II, 1724, pp. 572-580.

O instrumento pelo qual ficou combinado o Com efeito, entre o dote de 15.000 cruzados
casamento entre o Infante D. Fernando e D. doado ao Infante D. Fernando (6 milhões de
Guiomar Coutinho determinava com exactidão reais) pelo Conde, as rendas de D. Guiomar (em
as benesses, oriundas por via da Casa de padrões de juro), a jurisdição da vila de Loulé, o
Marialva e Loulé e, de outra parte, pela Coroa, a morgado da Torre do Bispo e as jurisdições de
conceder ao casal para a sustentação económica Castelo Rodrigo, Castelo Bom e lugar de
da casa e “estado”. Ao mesmo tempo, conferia Meimão, o valor dos montantes prometidos
um novo título e um vasto conjunto de pela Casa ultrapassava ligeiramente os oito
prerrogativas dignas do estatuto dos príncipes contos (8.380.000 reais). Por outro lado, a Coroa
em causa. Do ponto de vista do valor investia pouco mais de três milhões de reais.
económico, as benesses dadas pelo Conde de Entravam neste montante as rendas ao Infante
Marialva são quase três vezes superiores às D. Fernando (onde estavam incluídos o
mercês da Coroa, tendo em conta as estimativas assentamento anual, e os réditos das vilas de
coevas (o contrato foi firmado em 1522) sobre o Trancoso, Sabugal e Alfaiates) e uma ajuda de
que valeriam as respectivas jurisdições sobre 1.050.000 reais na manutenção do respectivo
vilas, concelhos, lugares, as dotações em bens “estado” enquanto o Conde de Marialva fosse
materiais e os padrões de juro a arrecadar. O vivo e D. Fernando não lhe pudesse suceder.
facto de o Infante estar a casar muito abaixo do
O montante relativo ao dote, de 6 milhões de
seu estatuto real, como já se aludiu, explica a
reais, quando comparado com outros do mesmo
grandeza dos montantes despendidos por D.
período face ao estatuto dos nubentes, é
Francisco Coutinho.
consideravelmente alto. Lembre-se, a título de
exemplo, os 4 milhões de reais doados a D.

45
FRAGMENTA HISTORICA Património, Casa e Patrocínio: uma aproximação
ao senhorio do Infante D. Fernando (1530-1534)
Francisco de Melo, 2º Conde de Tentúgal, pelo João III entre os meses de Agosto e Outubro de
seu consórcio com D. Eugénia, negociado em 153063. A morte de D. Francisco Coutinho
1549 (ou seja, mais de 25 anos após o negócio durante o início deste ano teve, obviamente,
dos Marialva). Mesmo uma comparação coeva implicações na tomada deste estado, já que a
(1536) com o montante doado por D. Teodósio excepção à Lei Mental, garantida pela Coroa a D.
ao Infante D. Duarte, pelo casamento com D. Guiomar, fez com que esta pudesse acumular
Isabel de Bragança (Vila e Ducado de Guimarães, toda a casa como herdeira única.
com dois milhões de reais), serve para reforçar a
Partindo da consumação deste consórcio, o
ideia que o dote de D. Guiomar era
monarca viria a equiparar de forma paulatina os
extremamente elevado61.
domínios do novo Ducado à nova dignidade,
Outro pormenor a mencionar passa pelas confirmando antigos privilégios já garantidos ao
eventuais reordenações a este compromisso, Conde de Marialva e atribuindo novas
levadas a cabo no caso de o casal gerar prerrogativas que advinham da condição de
descendência (onde a renda anual de D. nascimento do novo senhor. Entre estas
Guiomar passaria de 1,5 para 1,7 milhões de contavam-se, a título de exemplo, regalias fiscais
reais) ou de um dos conjugues sobreviver ao aos rendeiros fernandinos, o facto dos
falecimento do outro. Em todo o caso, este tipo corregedores régios não poderem penetrar nas
de reconfigurações, previstas e juridicamente suas terras, bem como outros direitos jurídicos,
sustentadas neste tipo de contrato, não tiveram sobretudo nos privilégios dados ao seu
efeito visto que os dois membros do casal ouvidor64.
faleceram ambos com um intervalo de tempo
Para além das jurisdições previamente
relativamente curto, bem como as duas crianças
acordadas no contrato de casamento (Castelo
entretanto geradas, não accionando essas
Rodrigo, Castelo Bom, Loulé, lugar de Meimão,
cláusulas de modo efectivo, gerando inclusive
Trancoso, Sabugal, a vila de Alfaiates e o
pleitos judiciais que se arrastariam pelas
morgado da Torre do Bispo), o casal veria agora
décadas seguintes62.
confirmadas as jurisdições das vilas de:
*** Abrantes, Marialva, Penela e Póvoa da Beira,
Trancoso, Mondim e Terra de Sever, Magueija,
O contrato aqui analisado tem de ser
Vila Nova de Foz Côa, Cedovim, Fonte Arcada,
perspectivado tendo em conta a década de
Moimenta da Beira, Nagosa, Leomil,
intervalo entre o seu acerto e a consumação do
Sernancelhe, Casteição, Numão, Horta, Trevões,
respectivo matrimónio, graças ao processo
Paredes da Beira e Riodades, Chavões, S.
interposto pelo Marquês de Torres Novas, D.
Martinho de Mouros, Caria, Tavares, Aveloso,
João de Lencastre, que lhe valeria o afastamento
Souto, Penedono, Sendim, Barcos, Tabuaço,
da corte e consequente prisão. A conjuntura em
Parada de Ester, Arcos, Granja, São Cosmado,
causa criou certamente a necessidade de
Goujoim, Longa e Soutosa65. Estas dezenas de
reavaliar estes montantes, dado o tempo
decorrido e as transformações eventuais que
63
teria acarretado nos valores iniciais. Não admira IAN/TT, Casa Real, Chancelaria de D. João III,
portanto que o Infante D. Fernando e a própria Doações..., liv. 39, fls. 81-119.
64
família real sentissem necessidade de se IAN/TT, Casa Real, Chancelaria de D. João III,
Doações..., liv. 39, fls. 82v-83, 107. Na prática, tais
informar sobre estes novos domínios do Ducado privilégios iam de encontro às regalia que a Coroa
da Guarda, confirmados paulatinamente por D. habitualmente transferia para as casas com ela
aparentada, tais como as dos infantes ou a Casa de
Bragança.
61 65
Mafalda Soares da Cunha, “Estratégias matrimoniais...”, Embora não dispense uma análise com os devidos
p. 47; Fernando Palha, O casamento do Infante D. Duarte cuidados, dada a ocasional confusão nos conceitos
com D. Isabel de Bragança, Lisboa, Imprensa Nacional, usados, as listagens apresentadas por Armando Castro
1881, p. 54. fornecem uma listagem das jurisdições pertencentes a D.
62
Mário Brandão, “Inácio de Morais”, in Estudos vários, Fernando por comarca. Veja-se Armando Castro, A
vol. I, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1972, pp. 285- Estrutura Dominial Portuguesa dos séculos XVI a XIX
288. (1834), Lisboa, Caminho, 1992, pp. 162-165.

46
Hélder Carvalhal FRAGMENTA HISTORICA

domínios, concentrados na região beirã, eram Paralelamente a esta malha jurisdicional,


complementados por uma série de jurisdições e concentrada sobretudo numa base regional
alçadas sobre os principais castelos da zona beirã (exceptuando localizações pontuais na
(frequentemente em cidades de maior Estremadura, Entre Tejo e Odiana e Algarve), o
população), evidenciando assim um apertado monarca concedeu a ambos os membros do
controlo sobre os efectivos militares e seu casal padrões de juro e tenças substanciais com
recrutamento. Exemplos desta faceta são base num duplo vector: as mercês deste tipo já
encontrados nas doações sobre as jurisdições concedidas ao Conde de Marialva, agora
dos castelos de Lamego, Trancoso, Sabugal, defunto, de que são herdeiros os Duques da
Marialva ou Guarda, juntando a “dada” da Guarda e o acrescentamento do estado de D.
alcaidaria-mor das respectivas fortificações e Fernando, por via das cláusulas estabelecidas no
direitos adjacentes66. Finalmente, deve-se contrato matrimonial. Um primeiro padrão, que
também enunciar outro tipo de doações, que se viria a ter efeito a partir de Janeiro de 1531,
prendiam com os locais demarcados para o garantia ao Infante D. Fernando um montante
exercício da caça (caso da coutada de Assentas, de 2 milhões de reais, nos quais entrariam as
no termo de Beja) ou com domínios favoráveis à rendas das cidades de Trancoso, Sabugal e
exploração agrícola (caso do Paul de Trava)67. Alfaiates68.

Gráfico nº 3: Participação dos almoxarifados da Guarda, Lamego e Abrantes no padrão de dois


milhões de reais do Infante D. Fernando.

0,85%

38,80% Almoxarifado de Lamego

60,35% Almoxarifado da Guarda

Almoxarifado de Abrantes

Fonte: IAN/TT, Casa Real, Núcleo Antigo, liv. 826, fls. 37v- 49.

66
IAN/TT, Casa Real, Chancelaria de D. João III,
Doações..., liv. 39, fls. 103-107
67 68
IAN/TT, Casa Real, Chancelaria de D. João III, IAN/TT, Casa Real, Chancelaria de D. João III,
Doações..., liv. 39, fls. 92v, 94, 103v-104. Doações..., liv. 39, fl. 93v.

47
FRAGMENTA HISTORICA Património, Casa e Patrocínio: uma aproximação
ao senhorio do Infante D. Fernando (1530-1534)
Não tendo a intenção de enveredar em demasia almoxarifado de Abrantes, quecontribuiria com
pelas estruturas de cobrança e circulação das 776 mil reais retirados das sisas da vila, ao passo
rendas e direitos reais, atente-se no que uma pequena parte (17 mil reais) provinha
esclarecimento das seguintes benesses. do almoxarifado de Lamego graças às sisas da
Segundo os dados aferidos no gráfico nº 3, a vila de Numão69.
maior porção destes réditos advinha do
Um outro padrão de 692.308 reais, confirmado
almoxarifado da Guarda, onde as sisas de
ao Infante D. Fernando por via das cláusulas
Trancoso e da feira de São Bartolomeu (850 mil
matrimoniais, está relacionado com o dote
reais), juntamente com as do Sabugal (286 mil
prometido pelo Conde de Marialva e, de resto,
reais) e as de Vila Nova de Foz Côa (116 mil
umbilicalmente ligado aos privilégios e benesses
reais) totalizariam um montante pouco superior
que este detinha nos reinados anteriores.
a um milhão e duzentos mil reais. O montante
70
restante ficar-se-ia a dever ao

Gráfico nº 4: Composição do padrão de tença de 692308 reais.

Tenças doadas por D.


2%
Manuel I
15%
Assentamento anual
15%
Moradia na Casa Real
68%

Ofício de Meirinho-mor

Fonte: IAN/TT, Casa Real, Chancelaria de D. João III, Doações...,liv. 39, fls. 109-11169.

De facto, o Infante herdaria as duas tenças que cifrava nos 102.862 reais), a respectiva moradia
o Conde de Marialva detinha ainda no reinado (cujo montante igualava o do assentamento,
manuelino (68% do total, uma de 400.000 reais 15%) e, por fim, o ordenado relativo ao ofício de
e outra de 72.000), o seu assentamento anual Meirinho-mor do Reino (2% do total, perfazendo
(15% do total, que tal como os outros condes, se 14.580 reais) , cargo onde D. Fernando se viu

69
IAN/TT, Casa Real, Chancelaria de D. João III,
Doações..., liv. 39, fl. 93v.
70
Publicado em António Caetano de Sousa, Provas da
História Genealógica da Casa Real Portuguesa, Coimbra,
tomo IV, 1724, pp. 580-87.

48
Hélder Carvalhal FRAGMENTA HISTORICA

provido desde a morte do sogro71. Neste caso, o contrato matrimonial (1522) e a consumação do
contributo dos respectivos almoxarifados era casamento (1530) desembocou numa
menos dividido, já que o almoxarifado da necessidade de actualizar e redefinir a
Guarda assegurava 630.000 reais pagos pelas administração económica do “estado” a
sisas da vila de Castelo Rodrigo, enquanto que a conceder ao casal, sobretudo pela morte do
pequena parte restante (62.308 reais) ficaria a Conde de Marialva e pelo efeito de catalisador
cargo do almoxarifado de Lamego, mais uma vez que esta deteve na equação. Em parte por força
através das sisas de vila de Numão. das cláusulas matrimoniais, as confirmações
régias ao Infante e a D. Guiomar seriam
Por fim, um padrão de juro de 625.000 reais
decisivamente influenciadas pela inquirição que
que é negociado entre o Infante D. Fernando e o
D. Fernando e o Infante D. Luís mandaram fazer
irmão D. João III está relacionado com um
às suas terras, nas regiões da Beira e Riba Côa
empréstimo anterior efectuado por D. Francisco
em Maio de 1530. Apesar de esta fonte se
Coutinho à Coroa no valor de 10 milhões de
encontrar truncada e da disparidade qualitativa
reais. O pagamento anual deste valor estaria
de informações que revela, de concelho para
dividido entre o almoxarifado de Abrantes
concelho, denote-se que na mesma estão
(entraria com 425.000 reais) e o almoxarifado de
presentes sensivelmente metade das vilas que
Santarém (com os restantes 200.000 reais)72.
D. Fernando detinha nas ditas regiões, incluindo
Como já foi anteriormente referido, o período Lamego, Castelo Rodrigo, Penela, Moimenta da
de oito anos que medeia entre o acerto do Beira, Marialva, Sernancelhe e Trancoso73.

Gráfico nº 5: Origem dos réditos do Infante D. Fernando nas regiões da Beira e Riba Côa.

1,7%

Direitos eclesiásticos
23%
42,4%
Exploração agro-
pecuária
32,9% Arrendamentos e
impostos

Terças dos concelhos

Fonte: IAN/TT, Casa Real, Núcleo Antigo, nº 488 (fólios não numerados).

73
IAN/TT, Casa Real, Núcleo Antigo, nº 488 (fólios não
numerados). Segundo um pequeno apontamento nos
fólios finais deste volume, existiriam dois cadernos
distintos com informações sobre os réditos destes
senhores na região, dos quais apenas se encontrou o
71
IAN/TT, Casa Real, Chancelaria de D. João III, presente volume que aqui se cita. Como tal, os dados
Doações..., liv. 39, fl. 115. aqui apresentados são necessariamente parcelares e
72
IAN/TT, Casa Real, Núcleo Antigo, nº 826, fls. 75v-85. funcionam como uma ordem de grandeza.

49
FRAGMENTA HISTORICA Património, Casa e Patrocínio: uma aproximação
ao senhorio do Infante D. Fernando (1530-1534)
Apesar da disparidade de dados desta amostra, arrendamentos (23%, ligeiramente acima dos
que tem de ser encarada com extrema cautela 800.000 reais) e dos direitos eclesiásticos (visto
devido ao facto de as jurisdições não deterem o que a maioria das igrejas são arrendadas,
mesmo teor sobre a vila ou cidade onde constituindo raras excepções aquelas que não o
incidem, o total dos réditos dispostos acima são) auguram que o arrendamento sobre as
cifra-se aproximadamente nos três milhões e jurisdições e sobre os meios de produção é
meio de reais. Numa primeira leitura, orientada ainda uma das maiores fontes de rendimento
para os efeitos desta dinâmica no patrocínio e deste senhorio.
clientelismo associados à casa senhorial,
***
existem dois grandes aspectos a destacar nesta
ordem de grandeza. Como já foi referido, a maior porção dos
rendimentos desta casa senhorial advém da
O primeiro prende-se com a importância dos
Coroa, à luz de uma hierarquia social estrita que
direitos eclesiásticos (acima dos 40%,
classifica com minúcia as mercês distribuídas
totalizando sensivelmente um milhão e meio de
pelos distintos estratos da nobreza e pelos
reais). O padroado da Casa de Marialva tem uma
próprios membros da família real. De acordo
influência decisiva no rendimento das igrejas
com este paradigma, se este tipo de réditos é
cujos direitos de apresentação residem, ao
mais previsível, em função das políticas
momento, sobre a jurisdição do casal. Como se
dinásticas e do quadro social da nobreza, o
verá mais à frente, este é um dos principais
mesmo não acontece necessariamente com as
recursos à disposição do senhor para agraciar e
restantes formas de rendimento – a terra – cuja
atrair clientes para a sua esfera de influência.
origem se encontra dependente de um conjunto
Não admira, portanto, a disputa que mais tarde
variado de factores. O montante previsto nestas
ocorreu sobre eles entre vários membros da
receitas não depende apenas da quantidade e
família real, considerando o potencial de
qualidade das colheitas anuais – dado que a
remuneração que este tipo de direito oferece.
produção agrária é um dos factores mais
Noutra perspectiva, saliente-se o rendimento proeminentes desta equação – mas também da
sobre quota de exploração directa sobre a quantidade de contratos de arrendamento que
propriedade jurisdicional do senhor (quase 33%, a Casa consegue efectuar, atendendo ao grande
valorizando acima de um milhão de reais). A número de jurisdições e direitos de que dispõe
relevância deste tipo deste resultado levanta para o efeito.
questões legítimas não só sobre o
Apesar do grande património da Casa de
funcionamento dos circuitos senhoriais de
Marialva, formado por bens imóveis espalhados
armazenamento, distribuição e venda dos bens
um pouco por todo o reino e de concentração
cultivados (e criados, no caso da pecuária), mas
elevada na zona da Beira interior, como bem
também sobre o verdadeiro impacto das
atesta Braamcamp Freire, diga-se que a parca
explorações senhoriais na redefinição de um
informação sobre estes activos não permite uma
mercado à escala local/regional. Tanto mais que
avaliação de conjunto que indique o valor
o uso de certos direitos e prerrogativas nestas
patrimonial aproximado ao total. Portanto, o
jurisdições (como o direito de relego, onde o
exercício efectuado nesta dimensão cingir-se-á
senhor e/ou rendeiro deste detinha a primazia
ao trabalho sobre amostras e, quanto muito,
na venda dos bens, comparativamente com os
estimativas para o esboço das grandezas
restantes produtores) influenciava
associadas ao hipotético valor total74.
decisivamente a economia vigente e todas as
variáveis associadas às transacções de bens no
centro e na periferia (preços, colheitas,
redistribuição de proveitos, entre outras). 74
Anselmo Braamcamp Freire, Brasões da Sala de Sinta,
vol. III, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1921, 2ª ed.,
Ainda assim, saliente-se que este modelo de p. 347. Muito deste património espalhado pelo Alentejo,
exploração directa continua a ser minoritário, Algarve, Minho, e Beiras resulta do legado proporcionado
visto que a percentagem conjunta dos por D. Francisco Coutinho, 4º conde de Marialva e D.
Beatriz de Meneses, 2ª condessa de Loulé.

50
Hélder Carvalhal FRAGMENTA HISTORICA

De uma maneira geral são conhecidas e bens materiais (incluindo jóias e pratas) que
propriedades fundiárias, solares, quintas, vinhas, deixou a D. Beatriz de Meneses, o saldo positivo
casais e outras unidades de produção cifrar-se-ia nos 150.000 ducados
pertencentes a D. Fernando e D. Guiomar, (aproximadamente sessenta milhões de reais)75.
pouco depois da morte deste casal. Parte destes
Por outro lado, é sabido que, à morte de ambos
bens, reclamados por D. Beatriz de Meneses,
os consortes, a fazenda do casal carregada pelo
Condessa de Loulé, deveria certamente
tesoureiro Luís Ribeiro registaria um valor
pertencer aos Marialva, o que não causa
ligeiramente superior a vinte contos, dividido
surpresa vista a avaliação que o embaixador
por montantes de diferentes proveniências e
castelhano Lope Hurtado transmite à Imperatriz
agregando rendas, heranças, património imóvel,
Isabel, numa missiva datada de Fevereiro de
bem como lucros resultantes da venda de bens
1530 (pouco depois do falecimento do Conde).
materiais.
Segundo este enviado, entre as dívidas, dinheiro

Gráfico nº 6: Liquidação das verbas registadas na fazenda após o falecimento do casal


(ano de 1540).

3,0% 1,0% Prata


5,1% 1,1%
Casa da Índia
5,3%
27,2% Almoxarifados
6,9%
Ouro
8,5%
Bens móveis

17,7% 24,2% Particulares


Adm. Central
Condessa de Marialva
Outras rendas
Escravos e bestas

Fonte: IAN/TT, Casa Real, Chancelaria de D. João III, Doações..., liv. 50, fl. 213v.

Como se pode aferir pelo gráfico supracitado, a venda de ouro e prata, tendo esta atingido
maior porção destes activos era oriunda das pouco mais de sete milhões de reais. Os activos
rendas de proveniência régia, vista a proporção móveis a que antes se aludiu não possuem uma
emanada pelos órgãos centrais de redistribuição expressão muito significativa no contexto geral
(quase metade do valor total da fazenda) e a sua da fazenda, embora sejam ainda assim
relevância para o funcionamento da casa. Uma representantes de um montante próximo de
parte ligeiramente superior a um terço do 1.400.000 reais, certamente relativos ao
montante presente na fazenda resultou da património espalhado pelas comarcas já citadas,

75
AGS, Estado, leg. 369, 19. Publicado em Aude Viaud
(ed.), Correspondance d´un ambassadeur castillan au
Portugal dans les annees 1530: Lope Hurtado de
Mendonza, Lisboa e Paris, Fundação Calouste Gulbenkian,
2001, p. 390.

51
FRAGMENTA HISTORICA Património, Casa e Patrocínio: uma aproximação
ao senhorio do Infante D. Fernando (1530-1534)
não se estranhando que a maior porção Beatriz de Meneses e que mais tarde se
estivesse sediada na Beira e Riba Côa76. manteria ligada à esfera da Coroa até o período
contemporâneo, dão conta de um rendimento
A parte reservada aos particulares – embora
resultante de variáveis diferentes.
pequena no cômputo geral, totalizando pouco
mais de um milhão de reais – possui influência Os autores que se debruçaram sobre as
directa ao nível da organização do senhorio. Tal questões relativas à produtividade agrária têm
verba encontra-se atribuída a oficiais com vindo a dar conta da natural disparidade da
responsabilidades na fazenda da casa, qualidade e quantidade dos proveitos e da sua
designadamente indivíduos comprometidos com oscilação regional e temporal. Muita desta
aquisição de bens para manutenção do domus disparidade encontra-se obviamente
ou com o circuito de transmissão de réditos relacionada com uma série de factores que
oriundos das explorações directas. O reduzido detêm influência directa na capacidade de
montante desta verba não permite tirar grandes produção das explorações senhoriais, como as
conclusões sobre o investimento directo do intempéries, a escassez de meios técnicos e
Infante no seu senhorio, visto que os montantes fertilizantes, a irrigação ou mesmo a própria
em causa não são indicativos dos eventuais inclinação dos solos. Esses factores permitem
fluxos monetários destinados a fins de encontrar em domínios afectos ao mesmo
patrocínio ou angariação clientelar. A única senhor índices de produção distintos conforme a
conclusão que parece ganhar forma é, de facto, espécie – na maioria das vezes, o cereal e o
a importância dos montantes doados pela Coroa vinho – de acordo com as condições do solo e do
naquilo que seria o orçamento anual deste próprio meio físico77. Tendo como base estas
senhorio. premissas, é possível afirmar que o número de
dados rastreados com base nas explorações
agrárias afectas ao Ducado da Guarda parece
Os proveitos agrários confirmar a tendência já aferida para o cultivo
das referidas espécies.
Os dados apurados para o Paul de Trava,
propriedade herdada pelo casal por via de D.

Gráfico nº 7: Proporção das modalidades que compõem o rendimento do Paul de Trava sobre
trigo, milho e cevada (1534).

8,3% 6,2%
14,1% Direitos reais
Arrendamentos
71,4% Exploração directa
Outros

Fonte: IAN/TT, Gavetas da Torre do Tombo, gav. 9, mç. 10, nº 6.

77
Iria Gonçalves, O património do Mosteiro..., pp. 239-
76
IAN/TT, Corpo Cronológico, Parte I, mç. 55, nº 90. 244.

52
Hélder Carvalhal FRAGMENTA HISTORICA

O gráfico nº 7 dá conta das distintas pode acarretar várias interpretações, não


proveniências do rendimento senhorial sobre necessariamente divergentes. Uma hipotética
produtos como o trigo, a cevada e o milho neste procura elevada destas terras por parte de
paul. A conclusão mais óbvia reside no facto dos camponeses e lavradores (reconhecidas pela sua
direitos reais sobre a produção e transacção fertilidade) atenuaria os eventuais esforços do
destes bens (de que são exemplos o terço e a Infante para as aproveitar da melhor forma
jugada) deterem um peso maioritário nesta utilizando os recursos à sua disposição.
equação. Quando associados aos respectivos Consequentemente, o investimento em recursos
montantes do arrendamento e do pagamento financeiros e humanos poupados nesta
de foros, é facilmente compreensível que a exploração permitiria abordar outras frentes de
generalidade deste modelo favoreça a utilização, onde estes seriam à partida melhor
exploração da terra por terceiros, por oposição à rentabilizados, ou pelo menos com fins distintos
exploração directa do senhor, existente numa (como se verá mais à frente neste texto).
proporção pouco significativa. Este paradigma

Gráfico nº 8: Proporção das espécies agrícolas no rendimento do paul de Trava (1534) 77.

0,3%

9,4%

22,8%
Trigo
Cevada
67,5%
Milho
Legumes

Fonte: IAN/TT, Gavetas da Torre do Tombo, gav. 9, mç. 10, nº 6.

Dos quase 16 mil alqueires (aprox. 267 moios) lentilhas) com uma proporção mínima.
em géneros agrícolas que constituem o Multiplicando as espécies por coeficientes
rendimento deste domínio no ano de 1534, 78 conhecidos em função do período e do local de
saliente-se a primazia do montante pago em produção, após descontar os montantes devidos
trigo (ligeiramente superior a 10.500 moios), ao aos envolvidos na produção, diga-se que entre o
passo que a cevada aparece como a segunda trigo, a cevada e o milho, os rendimentos
grande espécie (um pouco acima dos 3.600 ultrapassam os 400 mil reais, pelo que uma
moios), sobrando o milho e sobretudo os estimativa dos réditos totais, incluindo as
legumes (uma mistura de grão, chícharos e restantes espécies, deveria rondar o meio
milhão de reais79.
78
Lembre-se que neste exercício apenas figuram as
espécies que foi possível contabilizar. Logo, espécies
79
como o linho – cuja contagem não foi elaborada – Utilizando os coeficientes de 30 reais por alqueire de
condicionam uma estimativa total do rendimento do trigo, 12 reais por alqueire de cevada e 25 reais por
paul. alqueire de milho. Veja-se Mário Viana, “Alguns preços de

53
FRAGMENTA HISTORICA Património, Casa e Patrocínio: uma aproximação
ao senhorio do Infante D. Fernando (1530-1534)
Dos quase 16 mil alqueires (aprox. 267 moios) pertencentes ao senhorio ou mesmo em
em géneros agrícolas que constituem o capitalizar a aquisição de bens imóveis com vista
rendimento deste domínio no ano de 1534, ao negócio com terceiros. Estas hipóteses,
saliente-se a primazia do montante pago em naturalmente, coexistem com outros tipos de
trigo (ligeiramente superior a 10.500 moios), ao investimento associados com maior frequência à
passo que a cevada aparece como a segunda aristocracia, que parte de certas especificidades
grande espécie (um pouco acima dos 3.600 como o mecenato cultural, o patrocínio religioso
moios), sobrando o milho e sobretudo os ou a predilecção pelos desportos de combate e
legumes (uma mistura de grão, chícharos e pela caça81.
lentilhas) com uma proporção mínima.
Neste particular, saliente-se que os indícios
Multiplicando as espécies por coeficientes
conhecidos não permitem avaliar de modo
conhecidos em função do período e do local de
aprofundado a existência de uma política de
produção, após descontar os montantes devidos
investimento orientada para o crescimento do
aos envolvidos na produção, diga-se que entre o
senhorio enquanto órgão de produção agrícola.
trigo, a cevada e o milho, os rendimentos
Todavia, esta hipótese não pode ser colocada de
ultrapassam os 400 mil reais, pelo que uma
parte, visto que as poucas informações
estimativa dos réditos totais, incluindo as
disponíveis dão conta de uma estrutura
restantes espécies, deveria rondar o meio
construída em torno destas áreas e de um
milhão de reais80.
conjunto de preocupações com o estado das
explorações, bem patente na troca epistolar
entre os oficiais responsáveis pela comunicação
Despesa, investimento e patrocínio
sobre as colheitas e o Infante82.
Uma faceta que permanece algo dúbia prende-
Uma das despesas mais volumosas neste tipo de
se com as políticas de investimento do Infante
estrutura têm a ver com os gastos relativos à
D. Fernando e de D. Guiomar, admitindo que
criadagem que desempenha funções em prol do
existiria interesse por parte destes em
senhorio, sejam estas situadas no plano
rentabilizar parte dos montantes gastos no
doméstico, nas margens do senhorio,
incremento das estruturas de produção
assegurando as comunicações entre a cúria
ducal e os apêndices periféricos nos limites das
cereais em Portugal (séculos XIII-XVI)”, in Arquipélago respectivas jurisdições, ou mesmo no exterior,
História, 2ª série, XI-XII, 2007-2008, p. 244. Note-se que o pugnando pelos interesses senhoriais junto de
uso destes coeficientes pode induzir em erro a estimativa outras esferas de poder. A listagem dos criados
total visto que o preço para estas espécies é altamente
de D. Fernando publicada por Caetano de Sousa
díspar de ano para ano devido a um conjunto de variáveis
distintas, mesmo tendo em conta a proximidade regional serve de ponto de partida para uma avaliação
e a produtividade agrícola anual. Como exemplo, lembre- dos montantes envolvidos na manutenção
se que em anos anteriores, o preço do trigo em regiões destes oficiais. Apesar de não se conhecerem
próximas poderia variar entre os 40 e os 70 reais (casos róis de pagamentos relativos a estes moradores
de Coimbra e Lisboa), o mesmo acontecendo com as da casa, é possível efectuar uma estimativa da
restantes espécies.
80
Utilizando os coeficientes de 30 reais por alqueire de
grandeza associada ao pagamento das moradias
trigo, 12 reais por alqueire de cevada e 25 reais por aos 216 indivíduos que compõem a respectiva
alqueire de milho. Veja-se Mário Viana, “Alguns preços de cúria. Para tal, utilizar-se-á uma aproximação
cereais em Portugal (séculos XIII-XVI)”, in Arquipélago aos valores modais de cada foro de morador,
História, 2ª série, XI-XII, 2007-2008, p. 244. Note-se que o atendendo ao facto de que a uniformização
uso destes coeficientes pode induzir em erro a estimativa
total visto que o preço para estas espécies é altamente
díspar de ano para ano devido a um conjunto de variáveis
81
distintas, mesmo tendo em conta a proximidade regional Martim de Albuquerque, João Paulo de Abreu Lima
e a produtividade agrícola anual. Como exemplo, lembre- (int.), A Genealogia do Infante Dom Fernando de Portugal
se que em anos anteriores, o preço do trigo em regiões / António de Holanda e Simão Bening, Lisboa, Banco
próximas poderia variar entre os 40 e os 70 reais (casos Borges & Irmão, 1984.
82
de Coimbra e Lisboa), o mesmo acontecendo com as Como exemplo, veja-se IAN/TT, Gavetas, gav. 9, mç. 10,
restantes espécies. nº 6.

54
Hélder Carvalhal FRAGMENTA HISTORICA

destes montantes é uma prática mais ou menos infantes.


generalizada na Casa Real e nas casas dos

Gráfico nº 9: Valores modais correspondentes à moradia anual por foro (em reais).

Trombetas 2000
Moços dos Ofícios 4800
Oficiais de Mistura 4800
Reposteiros 4872
Moços de Estrebaria 4872
Caçadores 4872
Moços da Capela 4872
Moços da Câmara 4872
Escudeiros 5400
Homens da Mantearia 6000
Homens do Tesouro 6000
Porteiros da Câmara 6000
Capelães 6000
Cozinheiros 9000
Cavaleiros (n/fidalgos) 9000
Moços Fidalgos 12000
Escudeiros Fidalgos 14400
Letrados e Físicos 24000
Outros Cavaleiros 30000
Fidalgos Cavaleiros 36000
Cavaleiros do Conselho 51432
0 10000 20000 30000 40000 50000 60000
Fonte: António Caetano de Sousa, Provas..., tomo II, parte II, pp. 453-524; IAN/TT, Casa Real, Núcleo Antigo,
82
livs. 177-186 .

Aplicando tais montantes aos indivíduos que se reais. Ao adicionar outro tipo de remunerações,
encontram classificados pelos respectivos foros, como a cevada dada a quem possui cavalo, as
se a moradia fosse paga durante todo o ano e à rações, os ordenados ou os subsídios de
totalidade dos homens, estima-se que o Infante acostamento, esta verba poderia facilmente
D. Fernando gastaria pouco mais de 1.600.000 83 ultrapassar os dois milhões de reais.

83
Optou-se aqui por estabelecer a moda atendendo às
moradias pagas na Casa Real e na casa do Infante D. Luís.
Lembre-se que esta estimativa possui limitações
consideráveis, visto que o estatuto dos próprios
indivíduos pode inflacionar sobremaneira estes
montantes.

55
FRAGMENTA HISTORICA Património, Casa e Patrocínio: uma aproximação
ao senhorio do Infante D. Fernando (1530-1534)
Tabela nº 1: Despesas de D. Fernando com moradores, por foro (em reais).

Total pago em
Moradia anual Percentagem
Foro Nº de indivíduos Moradias por
(média em reais) do total
foro (em reais)

Cavaleiros do Conselho 1 51432 51432 3,172


Fidalgos Cavaleiros 4 36000 144000 8,886
Outros Cavaleiros 6 30000 180000 11,107
Letrados e Físicos 5 24000 120000 7,405
Escudeiros Fidalgos 3 14400 43200 2,666
Moços Fidalgos 6 12000 72000 4,443
Cavaleiros (n/fidalgos) 10 9000 90000 5,554
Cozinheiros 3 9000 27000 1,666
Capelães 18 6000 108000 6,664
Porteiros da Câmara 8 6000 48000 2,962
Homens do Tesouro 2 6000 12000 0,74
Homens da Mantearia 1 6000 6000 0,37
Escudeiros 17 5400 91800 5,665
Moços da Capela 4 4872 19488 1,203
Moços da Câmara 64 4872 311808 19,24
Caçadores 3 4872 14616 0,902
Reposteiros 9 4872 43848 2,706
Moços de Estrebaria 25 4872 121800 7,516
Oficiais de Mistura 15 4800 72000 4,443
Moços dos Ofícios 7 4800 33600 2,073
Trombetas 5 2000 10000 0,617
Totais 216 n/a 1620592 100
83
Fonte: António Caetano de Sousa, Provas..., tomo II, p. 571 .

Por outro lado, ao acrescentar o estudo do pagas segundo os respectivos foros nos séquitos
séquito de D. Guiomar, de que faziam parte femininos coevos, foi possível apurar que, só em
cerca de 60 indivíduos, a despesa total do moradias, a entourage de D. Guiomar custava ao
Ducado da Guarda com gastos da criadagem Ducado cerca de 685.000 reais, assumindo que
certamente cresceria para montantes que se tais pagamentos fossem efectuados numa base
podem estimar entre 2.800.00084e 3.200.000 mensal. Adicionando outras retribuições, tal
reais. Mais uma vez recorrendo a importâncias como no caso de D. Fernando, é legítimo pensar
na estimativa acima indicada e naquela que
seria a grande despesa do senhorio fernandino.
84
Efectuou-se o cálculo com recurso aos multiplicadores
supracitados no gráfico nº 9

56
Hélder Carvalhal FRAGMENTA HISTORICA

Tabela nº 2: Despesas de D. Guiomar com moradores, por foro (em reais).


Total em
Moradia anual Percentagem
Foro Nº de indivíduos Moradias
(média em reais) do total
(por foro)

Oficiais 1 100000 100000 14,6


Mulheres 2 60000 120000 17,5
Outros Oficiais 2 30000 60000 8,8
Físicos 1 20000 20000 2,9
Reposteiros de Camas 2 16000 32000 4,8
Moços Fidalgos 1 15000 15000 2,1
Porteiros das Damas 1 12000 12000 1,8
Mulher de Ofícios 1 12000 12000 1,8
Cozinheiros 4 12000 48000 7
Damas 5 10000 50000 7,3
Donas/Donzelas 3 10000 30000 4,4
Capelães 3 6000 18000 2,6
Moças da câmara 1 6000 6000 0,9
Porteiros da Câmara 1 6000 6000 0,9
Reposteiros do Estrado 3 4872 14616 2,1
Moços da Câmara 16 4872 77952 11,4
Moços da Capela 3 4872 14616 2,1
Moços 2 4872 9744 1,4
Moços de Estrebaria 4 4872 19488 2,8
Despenseiros 4 4872 19488 2,8
Totais 60 n/a 684904 100
Fonte: António Caetano de Sousa, Provas..., tomo II, p. 57284.
85

85
Neste caso, utilizaram-se os valores modais dos
pagamentos por foro das casas da Infante D. Maria e da
rainha D. Catarina, publicados respectivamente em
Carla Alferes Pinto, O Mecenato da Infanta D. Maria de
Portugal (1521-1577), vol. II, Lisboa, Dissertação de Catherine of Austria´s Collection in the Queen´s
Mestrado em História da Arte Moderna apresentado à Household: its Character and Cost, Ann Arbor –
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Michigan, Dissertação de Doutoramento apresentada
Universidade Nova de Lisboa (policopiada), 1996, pp. ao Departamento de História da Arte e Arquitectura da
87-122 e Annemarie Jordan, The Development of Universidade de Brown (policopiada), 1994, pp. 78-90.

57
FRAGMENTA HISTORICA Património, Casa e Patrocínio: uma aproximação
ao senhorio do Infante D. Fernando (1530-1534)
Em termos historiográficos, não é de estranhar a próximos ao Infante. O desempenho destes
ordem de grandeza destes montantes. De facto, serviços, na base da relação entre patrono e
os autores que se debruçaram sobre o estudo cliente, pode gerar contextos de competição,
do funcionamento destas estruturas curiais são onde a fidelidade é testada conforme as ofertas
unânimes em sublinhar as importâncias com de serviço de outras esferas de poder. Um bom
estes gastos. Lembre-se que, por exemplo, a exemplo desta dinâmica é encontrada no
casa ducal de D. Manuel (como Duque de Beja) patrocínio que o Duque de Anjou levou a cabo
gastaria um pouco mais de dez contos com durante um período de convulsão como aquele
despesas inerentes a seus criados (38% das que se sentiu na França da segunda metade do
despesas totais), de que faziam parte as século XVI. O facto de aumentar de forma
respectivas moradias86. Ao comparar tal paulatina as remunerações dos principais
paradigma com o panorama europeu, diga-se criados da sua casa, ao mesmo tempo que
que a situação é deveras semelhante, visto que expandia a sua base de recrutamento, permitiu-
as moradias e outros subsídios que visavam lhe manter o poder e até cativar novas alianças
manter diariamente os criados figuravam como num tempo de grande conflituosidade89. No
as despesas mais elevadas que um senhor caso português, embora as circunstâncias
poderia ter87. fossem distintas, as razões que conduzem ao
equilíbrio do campo político e ao controlo das
O potencial para atrair certos indivíduos e, por
ambições da alta nobreza podem precipitar
vezes, uma parte substancial de determinada
práticas deste tipo com vista à captação do
família para a órbita de poder destes senhorios
apoio de indivíduos e famílias proeminentes. A
constitui sem dúvida um dos veículos mais
criação do Ducado e a possibilidade deste se
eficazes de obter algo em troca, no caso o
reproduzir é um aspecto que pressupõe a
capital social que daí advém com todas as
existência de um risco, ainda que a situação das
implicações sociopolíticas que este tipo de
décadas de vinte e trinta seja distinta daquela
aproximação acarreta. O patrocínio em causa
patente nos anos quarenta, onde a escassez de
pressupõe a cedência de uma mole variável de
herdeiros ao trono e as movimentações para
recursos em troca de prestação de serviços,
uma eventual sucessão já se faziam sentir.
confiança e fidelidade política, que por vezes se
Todavia, o contexto fernandino é de salientar,
alastra do indivíduo em causa à família de onde
sobretudo ao comparar com situação do irmão
é oriundo, dependendo da posição deste na
mais velho, o Infante D. Luís, que não obstante
hierarquia familiar e da substância do apoio em
ser Duque de Beja desde 1527, viu goradas pelo
causa88.
controlo régio muitas das possibilidades de se
Uma parte considerável desta despesa reside no consorciar e, como tal, gerar descendência
pagamento das hierarquias mais altas da casa – legítima.
fidalgos, escudeiros e cavaleiros. O facto de o
Outro vector a explorar consiste, sem dúvida, no
seu número ser menor, comparativamente a
patrocínio exercido junto da esfera eclesiástica.
foros como os moços de câmara (64 indivíduos)
Tais acções assumem especial preponderância
ou os capelães (18 indivíduos) indica que, per
num contexto em que tanto as ordens regulares
capita, o serviço ao senhor afigura-se em grande
como a Igreja secular detêm cada vez mais
medida como bastante oneroso, sendo
influência sobre os indivíduos com poder de
frequente que tais indivíduos sejam bastante
decisão (não apenas o monarca, mas também os
grandes titulares), dada a proximidade destes
86
A. de Sousa Costa Silva Lobo, História da Sociedade ..., através do poder confessional90. A tendência
p. 456.
87
Kate Mertes, The English Noble Household, 1250-1600,
89
Oxford, Blackwell, 1988, p. 81. Mack P. Holt, “Patterns of Clientèle and Economic
88
Mafalda Soares da Cunha, “Cortes senhoriais, corte Opportunity at Court during the Wars of Religion: The
régia e clientelismo. O caso da corte dos duques de Household of François, Duke of Anjou”, in French
Bragança”, in Jesús Bravo Lozano (ed.), Espacios de poder: Historical Studies, vol. 13, nº 3, 1984, pp. 305-322.
90
Cortes, ciudades y villas (s. XVI-XVIII), vol. I, Madrid, Veja-se, a título de exemplo, João Francisco Marques,
Rústica, 2002, pp. 51-68. “Os Jesuítas confessores da Corte Portuguesa na época

58
Hélder Carvalhal FRAGMENTA HISTORICA

para agraciar as distintas instituições subsequentes, atesta bem este trajecto de


eclesiásticas mantêm-se ao longo do período mobilidade enquanto as principais casas
aqui estudado. D. Fernando, em especial, não aristocráticas convertiam o provimento nos
foge à regra, doando um tributo anual no valor lugares eclesiásticos numa mercê a atribuir
de 1% do rendimento do almoxarifado de Pinhel como forma de remuneração de serviços.
ao mosteiro de Santa Clara da Guarda. Um gesto
No caso do Ducado da Guarda, grande parte dos
que, para além dos fins relacionados com a
direitos de apresentação eclesiástica provinha
salvação da alma, tem necessariamente de ser
do padroado da Casa de Marialva, que
enquadrada numa perspectiva política de
acumulou durante décadas pouco mais de
atracção de clientelas eclesiásticas para uma
quarenta igrejas e capelas, espalhadas por
esfera de influência em desenvolvimento91.
diferentes comarcas do reino94. Com as
Um dos recursos mais usados nestas operações restantes apresentações, incluídas nas doações
está relacionado com a hierarquia eclesiástica e, da Coroa – vilas e cidades de Trancoso, Sabugal,
mais concretamente, com o direito que o Alfaiates e Abrantes - D. Fernando viu-se
padroeiro possui de prover um indivíduo da sua detentor de uma fonte de recursos significativa,
confiança como vigário ou reitor de uma igreja a partir da qual poderia agraciar membros
onde o primeiro detém os seus direitos de eclesiásticos não apenas pertencentes à sua
apresentação92. Durante o período moderno casa senhorial, mas também atrair indivíduos
uma parte substancial dos filhos segundos das oriundos de esferas de poder próximas como os
famílias da pequena e média nobreza Bispados de Lamego, Guarda, Coimbra ou Porto.
enveredaram por uma carreira que lhes pudesse Um olhar maisatento pelos réditos de um destes
permitir o sustento que a sua condição ditava, templos dá conta daquilo que renderia um
dada a impossibilidade de herdar a maior parte destes ofícios a prover pelo senhor,
dos bens familiares normalmente reservada ao especialmente o rendimento que caberia ao
filho varão, ainda que no século XVI tal regra abade, reitor, vigário, capelão ou cura em
não seja maioritária vista a quantidade de casos funções, normalmente pelo pagamento da
que demonstram o oposto93. Aparte a carreira côngrua, do pé-de-altar, da censoria e/ou de
militar nas praças africanas e asiáticas ou de um outro tributo adicional. Os moldes pelos quais
ofício nos órgãos de governo e administração da estas formas de remuneração eram entregues
Coroa, o ingresso na estrutura eclesiástica não estão ainda bem definidos para o período
afigurava-se como um trajecto provável para aqui abordado, ao passo que no final do Antigo
estes indivíduos, originando assim a uma Regime o apuramento dos processos e,
dinâmica de competição em torno das esferas sobretudo, dos fins a que se deviam estas
de poder que à partida possuíam melhores colectas estão já estudados95.
condições para garantir estes lugares. O
Todavia, é sabido que, já no decorrer do século
crescimento do número de eclesiásticos durante
XVII, os direitos de padroado e apresentação
o século XVI, tal como nos séculos
eclesiástica constituíam uma das maiores fontes
de rendimento das casas aristocráticas
portuguesas, como é possível aferir a partir dos
barroca (1550-1700)”, in Revista da Faculdade de Letras:
História, série II, vol. 12, 1995, pp. 231-270.
91
IAN/TT, Casa Real, Núcleo Antigo, nº 826, fl. 43.
94
Normalmente, este valor era pago em géneros, o que Luís Filipe Oliveira, “O Arquivo dos Condes de Marialva
neste caso significava 170 alqueires de cereal e 4 num inventário do século XVI”, in Filipe Themudo Barata
alqueires de azeite. (ed.), Elites e redes clientelares na Idade Média:
92
António M. Hespanha, “Bens eclesiásticos na época problemas metodológicos. Actas do colóquio, Lisboa e
moderna. Benefícios, padroados e comendas”, in Anais Évora, Edições Colibri/CIDEHUS-UÉ, 2001, pp. 221-260.
95
de História de Além-mar, nº 1, 2000, pp. 59-76. Daniel Ribeiro Alves, Os dízimos no final do Antigo
93
James Boone, “Parental Investment and Elite Family Regime: aspectos sociais e económicos (Minho, 1820-
Structure in Preindustrial States: A Case Study of Late 1834), Lisboa, CEHR-UCP, 2012, pp. 13-26; Ana Mouta
Medieval-Early Modern Portuguese Genealogies”, in Faria, “Função da carreira eclesiástica na organização do
American Anthropologist, vol. 88, nº 4, 1986, pp. 859- tecido social do Antigo Regime”, in Ler História, nº 11,
878. 1987, pp. 29-46.

59
FRAGMENTA HISTORICA Património, Casa e Patrocínio: uma aproximação
ao senhorio do Infante D. Fernando (1530-1534)
dados da Casa de Bragança, onde este vector Tal como é referido, uma parte substancial dos
representava pouco mais de 40% das rendas do réditos pertencentes à amostra estudada é
ducado, possibilitando a maior redistribuição de oriunda dos direitos eclesiásticos, totalizando
rendas a terceiros (52% do total)95. No caso do cerca de milhão e meio de reais. Não obstante a
senhorio fernandino, a ausência de dados impossibilidade de avaliar a importância destes
completos impede a percepção do verdadeiro direitos na redistribuição de rendas a terceiros,
impacto destes recursos sobre a totalidade dos o estudo isolado de um caso pode
rendimentos. Contudo, é possível levar a cabo efectivamente dar uma ideia dos moldes em que
um exercício de estimativa com base nos o patrocínio se processava.
resultados parciais apresentados nas inquirições
de 1530 (gráfico nº 5).

Tabela nº 3: Montantes relativos à renda da igreja de Casteição, no bispado de Lamego (reais por anos).

Anos 1529 1534 1542

Renda (em reais) 60000 40000 80000

Fontes: IAN/TT, Casa Real, Núcleo Antigo, nº 488; Gavetas, gav. 9, mç. 7, nº 26; Corpo Cronológico,
Parte I, mç. 73, nº 11.

O exemplo da igreja de Casteição (Bispado de que, para estes, a possibilidade de reforçar


Lamego) serve o dito propósito. Apesar de deter consideravelmente o rendimento seria apelativo
uma renda variável ao longo dos anos e o suficiente para pedir uma mercê a D.
dependente de uma série considerável de Fernando. Noutra perspectiva, esta anuidade
variáveis – com eventuais implicações práticas seria suficiente para atrair indivíduos não
na fazenda senhorial ou para o rendeiro matriculados na casa senhorial e,
correspondente – o provimento dos cargos que possivelmente, oriundos de outras esferas de
a ela estariam adstritos garantia as benesses poder. Esta dinâmica, geradora de competição
contratualizadas com os respectivos oficiais. pelo favor do senhor, é convergente com o
Assim, em 1534,96estando a dita igreja propósito que aqui se pretende discutir. De
arrendada a João Fonseca (morador em resto, ajuda também a explicar o tendencial
Trancoso), apurou-se que o capelão receberia, a aumento de eclesiásticos ao longo do século XVI
partir da renda anual, oitenta alqueires de e, de forma mais abrangente, durante o período
cereal (dos quais dez são de trigo) e vinte moderno, já que as eventuais recompensas pela
almudes de vinho97. Ao multiplicar estes prossecução desta carreira estavam disponíveis
coeficientes pelos preços da área, admitindo não só no seio das instituições eclesiásticas, mas
que os restantes alqueires de cereal seriam de também nos espaços de teor laico, através do
cevada, a remuneração anual deste capelão serviço prestado nas capelas e igrejas onde o
rondaria os 5050 reais anuais98. Tal montante padroeiro fosse detentor dos respectivos
estaria próximo a uma moradia anual de um direitos99.
capelão na casa do Infante, o que pode indicar Por outro lado, é de realçar o facto de D.
Fernando querer, aparentemente, respeitar o
96 legado da Casa de Marialva através da sua
Mafalda Soares da Cunha, A Casa de Bragança..., pp.
334-335. intervenção nas obras que D. Francisco Coutinho
97
IAN/TT, Gavetas, gav. 9, mç. 7, nº 26, fl. 1v.
98
Os coeficientes aqui usados, com base nos preços de
99
Sernancelhe: o almude de vinho a 65 reais; o alqueire de Fernanda Olival, Nuno G. Monteiro, “Mobilidade social
trigo a 60 reais; o alqueire de centeio a 45 reais. Veja-se nas carreiras eclesiásticas em Portugal (1500-1832)”, in
IAN/TT, Casa Real, Núcleo Antigo, nº 488. Análise Social, vol. XXXVII, nº 165, 2003, pp. 1213-1239.

60
Hélder Carvalhal FRAGMENTA HISTORICA

não conseguiu finalizar em vida. O caso dos propósitos muito específicos relacionados com a
paços mandados erguer por este último conde, manutenção de estruturas físicas afectas ao
próximos ao mosteiro de São António de domínio público, atendendo em especial à
Ferreirim (Lamego), é talvez o melhor exemplo segurança e protecção das populações
desta vertente de investimento ligada à (muralhas, baluartes, fortificações, entre
preservação da memória e da linhagem. Tendo outras), os montantes poderiam ser
em conta a vontade de D. Francisco em ser movimentados de vila para vila, desde que não
sepultado neste local e o facto da fundação ultrapassassem os limites da comarca em
deste templo advir dos Condes de Marialva, não causa101. Contudo, a execução de tais obras
é de estranhar que o Infante quisesse assegurar estaria sempre dependente da vontade de D.
a sua conclusão100. Fernando, o que poderia originar
Outro montante que, à partida, estaria hipoteticamente um conjunto de situações
disponível para D. Fernando investir – num marcadas pelo favorecimento de uma elite
plano local – está relacionado com as terças próxima, assumindo que as oligarquias locais
angariadas por cada vila e concelho sobre a sua teriam algum poder de influência junto da corte
jurisdição. Ainda que, teoricamente, as verbas deste príncipe e das esferas de poder
correspondentes estariam destinadas a intermédias com ela conectadas.
Gráfico nº 10: Rendimento das terças nas jurisdições do Infante D. Fernando espalhadas pela Beira e
Riba Côa, ano de 1534 (em reais).

Vilar de Amargo 200


Penha da Águia 212
Mondim e Sever (terra de) 265
Vale de Afonsinho 273
Figueira de Castelo Rodrigo (vila de) 784
Mata de Lobos 1000
Alfaiates (vila de) 1333
Aveloso 1517
Sendim 1840
São Martinho de Mouros 1847
Tavares (concelho) 2760
Sabugal (vila de) 2981
Caria (vila de) 4229
Trevões (vila de) 4570
Casteição (vila de) 5453
Fonte Arcada (vila de) 6981
Sernancelhe (vila de) 7936
Vila Nova de Foz Côa 10795
Cedovim 15807
Castelo Rodrigo (vila e termo de) 16049
Trancoso (vila de) 28693
Marialva (vila de) 36106
0 5000 10000 15000 20000 25000 30000 35000 40000
Fonte: IAN/TT, Gavetas, gav. 9, mç. 10, nº 5.

100
Rui Fernandes, Descrição do terreno ao redor de
101
Lamego duas léguas [1531-1532], Amândio Morais Barros IAN/TT, Casa Real, Chancelaria de D. João III,
(ed.), Porto, Beira Douro-ADVD, 2001, p. 129. Doações..., liv. 39, fl. 106v.

61
FRAGMENTA HISTORICA Património, Casa e Patrocínio: uma aproximação
ao senhorio do Infante D. Fernando (1530-1534)
Apesar do curto período de tempo que D. aprendizagem a nível da comunicação entre o
Fernando governa como Duque da Guarda, há centro e a periferia. O contexto do governo
que salientar a existência de pistas relevantes joanino, marcado por uma dinâmica de
para o que seria um eventual programa de aquisição de informação através de um conjunto
reconstrução e remodelação de um número de inquirições incidindo sobre aspectos
apreciável de templos de cariz religioso, bem populacionais, permite questionar a hipótese de
como de edifícios de teor militar, de que são tal vontade advir de uma convenção aceite por
exemplo os castelos beirões sobre a sua determinação régia.
jurisdição. Neste patamar, o recurso a contratos
A verificar-se esta tese, é legítimo pensar em
de obras com propósitos muito claros é feito de
duas hipóteses distintas que ajudam a explicar
maneira sistemática, captando os artífices locais
este fenómeno. Por um lado, tal dinâmica pode-
e promovendo a colaboração entre estes e os
se verificar pela circulação de ideias e conceitos
oficiais ligados à casa responsáveis por estes
que afectam os centros decisores – neste caso, o
empreendimentos.
poder central – paralelamente alargando-se às
Tal vontade é também usada em prol do restantes esferas cujo poder é exercido de
aumento da população das vilas e cidades sobre forma mais periférica. Noutra perspectiva, de
as quais possui jurisdição. O caso que melhor carácter mais institucional, pode significar que a
exemplifica esta dinâmica residirá, porventura, autonomia e o controlo que D. Fernando teria
na vila e termo de Loulé, onde D. Fernando sobre a sua casa e estado não seria tão efectivo
possui um número apreciável de rendas, foros e como à primeira vista poderia parecer. A
tributos (incluindo a alcaidaria-mor do castelo) diferença entre a teoria e prática no direito pós-
por via de D. Guiomar e da respectiva herança. medieval era significativa, visto que ao dogma
Com efeito, o Infante criou as condições de uma eventual intervenção superior do
necessárias para a atracção de gente – monarca nas jurisdições doadas pela Coroa,
sobretudo especializada na relação com o mar, contrapôs-se uma prática recorrente e
como marinheiros, armadores e pescadores – e reconhecida pelo poder judicial da disseminação
consequente repovoamento do lugar de de poderes pelos corpos donatários dos
Gondra, ao mandar erguer casas para habitação mesmos. A consequência desta dinâmica
e propiciar melhores condições fiscais, com resultou paulatinamente na tácita
privilégios na captação do sal oriundo de irrevogabilidade dos privilégios concedidos,
Castela, empréstimo de bens primários (cereal e situação que se estendia aos senhorios laicos
vinho) aos moradores, redução na dízima sobre aqui tratados103. Diga-se, no entanto, que nestes
o pescado, entre outras regalias102. Ainda que casos o cenário possível de intervenção central
tais empreendimentos estivessem dependentes corresponderia a uma propositada protelação
em grande medida do desempenho dos oficiais na confirmação das jurisdições senhoriais aos
ligados à administração do Ducado e, sobretudo, descendentes dos visados, de que existem
das diligências levadas a cabo pelo rendeiro exemplos claros durante todo este período.
local – cujo arrendamento dos direitos e foros
Esta última hipótese poderia estar relacionada
da vila o encarrega deste tipo de funções – a
com a adequação de processos administrativos
vontade aparentemente demonstrada por D.
de pendor burocrático, bem como da
Fernando indica um grau razoável de
transferência de oficiais e/ou aquisição de novas
compromisso com o desenvolvimento das terras
competências por parte destes, de acordo com o
sob seu controlo. No caso, a dúvida que se
desempenho de funções relacionadas com o
mantém reside apenas sobre quem seria o
governo do senhorio. Não obstante este
verdadeiro promotor e/ou ideólogo que
fenómeno, diga-se que a plausível acumulação
originou a tomada de tais medidas. Apesar da
de cargos e ofícios, por parte destes indivíduos,
referida vontade, não é certo que este desejo
seja único num quadro de reestruturação e
103
António M. Hespanha, História das Instituições. Épocas
medieval e moderna, Coimbra, Livraria Almedina, 1982,
102
IAN/TT, Gavetas, gav. 9, mç. 10, nº 13, fls. 5-5v. pp. 215-220.

62
Hélder Carvalhal FRAGMENTA HISTORICA

aliada a uma certa promiscuidade institucional relação aos processos burocráticos e à


entre a Coroa e as casas dos infantes administração fiscal de toda a estrutura.
favoreceria, de modo efectivo, a circulação de
No entanto, existe um conjunto de questões que
informação sobre os procedimentos adoptados
se impõe, perante todo este quadro. Será que D.
na administração desta casa.
Fernando queria impor esse tipo de política? E
de que forma? Cooperando com a Coroa e
mantendo distância em relação aos restantes
Conclusão
senhores? Os indícios de que dispõe dão conta
Com o esclarecimento cabal das hipóteses de uma política que carece de explicação e que
patentes na introdução deste texto, é chegado o pode até parecer contraditória. Como já foi
momento de resumir as linhas de força que referido e aceite pela generalidade dos autores,
demonstram o patrocínio exercido através dos os momentos de cooperação entre as casas
recursos que o Infante D. Fernando, enquanto senhoriais e a Coroa em espaços periféricos
cabeça do Ducado da Guarda, tinha à advém, entre outras razões, da necessidade em
disposição. Tal resumo terá em conta a lógica de colmatar as carências administrativas face ao
investimento fernandino em busca de um número de actores que participam na burocracia
incremento de capital social, mas igualmente o central105. De acordo com esta perspectiva, as
equilíbrio político e a correlação de forças entre fidelidades políticas dos actores envolvidos na
a Coroa e a alta nobreza. Diga-se, no entanto, administração central e no contacto com os
que a exploração destes assuntos terá, oficiais do Ducado poderiam fornecer uma
porventura, fornecido mais dúvidas e resposta mais definida aos problemas
inquietações, do que propriamente respostas. supracitados.
Em primeiro lugar, reafirme-se que uma Existe, todavia, a necessidade de compreender o
avaliação total daquilo que D. Fernando deteria grau de autonomia desta casa em relação ao
para gastar em patrocínio afigura-se como difícil poder central. A consumação do matrimónio e
e incerta. O mesmo se pode dizer da renda total criação de um espaço juridicamente privilegiado
do Ducado da Guarda num ano. Não obstante, assegurariam, teoricamente, uma certa distância
com base nos rendimentos aqui tratados, da Coroa e criaria um risco para os últimos.
reunindo os montantes doados anualmente pela Embora se saiba que em tempos remotos tal
Coroa e uma amostra do que valeria parte do política teve os seus fracassos, crê-se que este
seu património e rendas, é legítimo conceber não é um desses casos. Com efeito, existe um
que a sua renda anual abrangeria um pouco grau considerável de intervenção régia no
menos do montante estimado para D. Jorge, governo deste senhorio, com base no
Duque de Coimbra e Mestre de Santiago, em parentesco familiar e na deposição de um
1529 (quase onze milhões de reais)104. Com esta território considerável num membro da família
estimativa, o Infante teria condições para régia que não terá demonstrado tanta ambição
efectivamente levar a cabo uma política de como outros familiares seus (caso do Infante D.
patrocínio e atracção de clientelas em torno da Luís). Ao permitir a criação desta casa senhorial,
sua esfera política. Como já se apontou D. João III viu-se livre de alguns problemas, ao
anteriormente, os gastos com criadagem passo que o controlo deste espaço fronteiriço,
evidenciam aquilo que pode ser uma política de de gestão difícil, permitiu inclusive que a Coroa
patrocínio clientelar, com o propósito de atrair redireccionasse esforços para outras questões
determinados indivíduos e/ou certas famílias.
Por outro lado, também se observa, até certo
ponto, algumas preocupações com o 105
Miguel Jasmins Rodrigues, “As monarquias centradas:
desenvolvimento dos locais controlados pelo redes de poder nos séculos XV/XVI” in Nobreza e Poderes:
Ducado, algo que também pode ser notado em da Baixa Idade Média ao Império, Cascais, Patrimonia
Historica, 2005, pp. 70-73; António M. Hespanha, As
Vésperas do Leviathan. Instituições e Poder Político em
104
João Cordeiro Pereira, “A renda de uma grande Portugal. Século XVII, Coimbra, Almedina, 1994, pp. 312-
casa...”, p. 252. 361.

63
FRAGMENTA HISTORICA Património, Casa e Patrocínio: uma aproximação
ao senhorio do Infante D. Fernando (1530-1534)
pertinentes (a expansão ultramarina, como a execução do controlo joanino sobre a alta
exemplo). De resto, a transferência de poderes e nobreza. O papel do Infante D. Fernando, neste
competências do aparelho burocrático régio particular, reside numa hipotética cooperação
para o corpo de oficiais do novo Ducado, muitos com o poder central, limitando o poder
deles oriundos inclusive de um filhamento senhorial, sempre que este se assume de forma
anterior com o poder central, asseguravam a mais vigorosa pelas tentativas de alargar os seus
necessária coordenação administrativa entre domínios. Nem tudo poderia correr desta forma.
centro e periferia, resolvendo os problemas Contudo, o frágil destino não permitiu uma
inerentes a um novo espaço de poder que sobrevivência do senhorio, tendo este revertido
necessitava de consolidação. pouco anos depois para a Coroa, vendo o seu
património disperso entre o rei, alguns
Muitas questões relacionadas com a competição
membros da família régia (sobretudo, o Infante
senhorial ficam ainda por resolver. A
D. Luís) e algumas instituições extra-monarquia
promiscuidade institucional existente entre as
(a Universidade, como exemplo). É também esta
camadas do oficialato régio e ducal, juntamente
repartição que se pretende abordar
com as respectivas fidelidades políticas, podem
futuramente, noutro trabalho.
ajudar a resolver o problema da gradação de
autonomia entre o Ducado e a Coroa, bem como

64
Hélder Carvalhal FRAGMENTA HISTORICA

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67
68
Transcrição de Pedro Pinto FRAGMENTA HISTORICA

ESCAMBO DE UMA CASA NA RUA DAS ALCÁÇOVAS EM ÉVORA POR


UMA VINHA EM XARRAMA (1307)
Transcrição de Pedro Pinto
CEH – NOVA
CHAM – FCSH/NOVA‐UAç

Resumo Abstract
1307 [E. 1345], Évora, Abril, 10

Instrumento de escambo de uma casa na Rua Deed of a exchange of a house in the Rua das
das Alcáçovas, em Évora, por uma vinha em Alcáçovas, at Évora, for a vineyard at Xarrama,
Xarrama, realizado entre Dórdia Martins com carried out by Dórdia Martins with João Eanes
João Eanes César e Constança Vasques. César and Constança Vasques.

Malveira, Colecção João Pereira, Doc. 15

© Fragmenta Historica 2 (2014), (69-70). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344


69
FRAGMENTA HISTORICA Escambo de uma casa na rua das Alcáçovas em
Évora por uma vinha em Xarrama (1307)
106
Documento
Jn nomine dominj amen Eu Dordia martjnz ffilla em outro tempo de Migel do azinal de mha
Liure voontade ffaço conuosco Joham eannes çezar E com vossa molher Costança vaasquez tal Escanbho
E tal composiçom por todo senpre perdurauel dou a uos em escanbho hũa mha casa que eij na Rua d
Alcaçoua dos ffrejires como parte com Gil nuniz E com vicente paez do Portel E com Rua en escanbho
por hũa vinha vossa Eu Joham eannes Eu Costança vaasquez er [sic] damos a uos Dordia martjnz em
escanbho pola dita casa huũ quarto da nossa vinha que iaz aalem de Xarrama o qual quarto da vinha iaz
na Erança de vaasquo esteueez a qual parte com vinha de paay peyxeyro E com fillos de Saluado E com
Lourenço uicente E com caminho
Este escanbho fazemos de nossas Liures voontades E mandamos E outorgamos que sse algem
veer contra este escanbho da hũa ou doutra parte peite aa outra parte quinhentos soldos E hobligamos
todos nossos beens auudos E por Auer a defender cada hũa das partes o dito escanbho E por esto firme
E estauel mandamos ffazer duas cartas per abc partidos que cada hũa das partes tenhamos senllas
ffectaas estas cartas per maão de mjm Duram martjnz tabelliom da Çidade d Euora dez dias d abril Era
de mill E trezentos E quorenta E Cinquo anos [sinal de tabelião]
Testimunhas Meestre paijo tabelliom Gonçallo martjnz scudeijro Martim uicente Gil esteuez
Steuam martjnz E outros

106
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.

70
Transcrição de Pedro Pinto FRAGMENTA HISTORICA

VENDA DE UM QUARTO DE CASAS JUNTO DA ALCÁÇOVA DE ÉVORA


(1312)
Transcrição de Pedro Pinto
CEH – NOVA
CHAM – FCSH/NOVA‐UAç

Resumo Abstract
1312 [E. 1350], Évora, Fevereiro, 22

Carta de venda do quarto de umas casas junto Deed of a sale of a quarter of some houses near
da alcáçova de Évora por Vasco Peres a João the alcaçóva of Évora, by Vasco Peres to João
César e Constança Vasques César and Constança Vasques.

Malveira, Colecção João Pereira, Doc. 16

© Fragmenta Historica 2 (2014), (71-72). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

71
FRAGMENTA HISTORICA Venda de um quarto de casas junto da Alcáçova de
Évora (1312)
107
Documento
Sabham quantos esta carta virem que eu vaasco perez filho de Pero de pauha uendo a uos
Joham sazar E a uossa molher Costança uaasquez o quarto dũas Casas que eu eij con o dicto meu Padre
E com esparto perez meu hirmaão as quaaes Casas som em Euora a sso a Alcaçoua dos freires como
partem conuosco compradores E com martim perez E com Paaij colcheiro E com Pero dominguez E per
Rua E per azinhaga por vijnte E seis maraujdis E doze soldos com sa Reuora que de uos Recebij e de que
soom bem pagado E obligo a uos quanto ora eij E daqui adeante ouuer pera defender a uos o dicto
quarto de Casas de todo enbargo E se o a uos en Concelho outorgar nom quiser ou defender nom poder
entom seia costraniudo da Justiça da tera que de a uos o dicto quarto de Casas dubrado E quanto for
melhorado e ao Senhor da tera outro tanto
Testimunhas Pãe annes gauijam francisco steuez Priol de sam Mamede Diogo gonçaluiz
dizimeiro Pero dominguez filho de Dona Belida Esparto perez filho de Pero de pauha
fecto vijnte E dous dias de Nouembro Era de Mil E trezentos E Cinquoenta anos Eu Marcos
rodrigujz Tabelliom da Cidade d Euora e estas cousas presente fuij E esta carta screuij E em ela meu
sinal pugij que tal [sinal de tabelião] he

107
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.

72
Transcrição de Pedro Pinto FRAGMENTA HISTORICA

TRESLADO EM PÚBLICA-FORMA DE UM CONTRATO DE AFORAMENTO


DE UM PARDIEIRO NA CIDADE DE ÉVORA FEITO POR JOÃO CÉSAR E
CONSTANÇA VASQUES A DOMINGOS BUEIRO E CONSTANÇA EANES
(1322 | 1376)
Transcrição de João Costa
IEM – FCSH/NOVA
CEH – NOVA

Resumo Abstract
1376 [E. 1414], Évora, Janeiro, 15
Insere: 1322 [E. 1360], Évora, Junho, 21

Treslado em pública forma de um contrato de Certified transcript of a tenure contract of a


aforamento de um pardieiro na cidade de Évora slum in the city of Évora, done by João César and
feito por João César e Constança Vasques a Constança Vasques to Domingos Bueiro and
Domingos Bueiro e Constança Eanes, pagando Constança Eanes, paying annually 40 “soldos”, 2
anualmente 40 soldos, 2 galinhas e 6 ovos. chickens and 6 eggs.
Com a morte destes, Fernando Afonso herda a After their death, Fernando Afonso inherits the
propriedade e o respectivo foro onde tinha já, property and its forum wherein he, along with
juntamente com Gonçalo Domingos, construídas Gonçalo Domingos, had already built houses.
casas.

Lisboa, Centro de Estudos Históricos, Colecção de Pergaminhos, Maço 1, nº 4, 1 olim Catálogo Silva’s /
Pedro de Azevedo, Leilão de 16-18 de Maio de 1994, N.º 541.

© Fragmenta Historica 2 (2014), (73-75). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

73
FRAGMENTA HISTORICA Treslado em pública-forma de um contrato de
aforamento de um pardieiro na cidade de Évora feito por João César e
Constança Vasques a Domingos Bueiro e Constança Eanes (1346|1376)
108
Documento
109
Sabham todos que na Era de mjl e quatrocentos catorze Anos quinze dias de Ianeiro na
Cidade d Euora na praça da porta d Alconchel En presença de mjm Ioham lourenço tabeliom d El Rej na
dicta Cidade e das testemunhas adeante scriptas Parecerom partes conuem a ssaber vicente anes
scudeiro Criado d El Rej morador na villa do Redondo genrro [de] Gonçallo uaasquez da Salueijra da h a
parte ffernando affonsso ortelam Gonçalo domjnguez chacote moradores em a dicta Cidade Ao
[Couç yro] de villa noua da outra E pello dicto vicent eannes ffoy mostrada h a carta de fforo scprita em
purgamjnhõ da qual o teor tal he

Sabham todos quantos este stormento virem Como Eu Ioham cezar Caualeiro E eu Costança
uaasquez ssa molher damos A uos domjngos boe ro e a uossa molher Costança annes h pardee ro por
quareenta ssoldos e duas galinhas e h a duzia d ouos em cada hu Ano por dia de Sam Ioham , Como
parte o dicto pardee ro com ho aurego de villa noua e com lourenço uicente e com Iohanne e per
azinhagaa e per Rua o qual pardeeijro uos damos assi como dicto he com o dicto fforo pera ssenpre ,
E eu dicto domjngos boeijro Et Costança annes ssa molher nos obrigamos por nos e pelos que
de nos veerem a uos ffazer o dicto fforo assi como dicto he
testemunhas Rodrigo tenrr yro Ioham perez domjngos perez Steue eannes Martjm gil clerigos
Eu ffrancisco domjnguez tabeliom da Cidade d Euora este stromento partido per a b c screuj e em ele
este meu ssinal pugue que tal he
Em testemunho de verdade . ffecto este stromento na dicta Cidade vijnte e hu dias de Iunho
Era de mjl e trezentos e ssasseenta Anos ,

A qual carta assi mostrada logo per o dicto ffernando affomsso ffoy dicto que el per mortes dos
dictos domjngos boeijro e Costança annes ssa molher que fforom sseus ssogros padre e madre de Moor
domjnguez ssa molher herdara110 o dicto pardeei ro contheudo em a dicta carta em no qual ora ssom
ffectas casas E que el esteuera de posse delas ata ora pouco tempo avia que nom dera parte del com
encarrego do fforo de dez e ssete ssoldos e meo em cada hu Ano Ao dicto Gonçalo domjnguez nom
enbargando que em na carta da venda dello ,. ffaça mençom que lha daua com encarrego do fforo de
dez ssoldos em cada hu Ano

108
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.
Adoptou-se também o critério de colocar “ ” nos casos em que existe já uma pontuação no jota à imagem do que acontece
com os “ii”, onde se tomou a opção de indicar essa sinalização com “í”.
109
Em letra diferente, no verso:
“Euora Maco 5 – Letra E – N 7”;
“trelado [Caualeiro] que [...] d h a ffilha de gonçallo annes clerigo.
Item Catarina afomso ssa molher que [nom ssabia]
Item [Constança] annes [malher [sic] ] de A[...]nho martjnz”;
“Consta por este Instrumento que em 21 de Iunho de 1360 deo de foro perpetuo Ioão correia Cavalleiro a Domingos Sueiro
e sua Molher constança Annes huns pardieiros em Evora por 10 <40> soldos, 2 galinhas e hua duzia de Ovos em cada hum
anno pagos por dia de Natal”;
“Succedeo no dominio directo Vicente Annes por cabeça de sua Molher Leonor Gonçaluez filha de Gonçalo Vaz da Silveira ,
e no util Fernão Affonso por cabeça de sua Molher a qual vendeo parte do pardieiro a Gonçalo Domingues , dividindo entre
si o foro e obrigando-se ambos a paga lo inteiramente ao directo Senhorio de que se fes este Instrumento com outorga do
Senhorio em 15 de Ianeiro de 1414 Tabelião Ioão Lourenço da Cidade de Evora”.
110
Palavra emendada.

74
Transcrição de João Costa FRAGMENTA HISTORICA

E que outrossi o dicto Gonçalo domjnguez tijnha outra Casa que ffora deste meesmo
pardeeyro contheudo em a dicta carta e dos dictos quareenta ssoldos conuem a ssaber por ssete
ssoldos e meo e h a galinha em cada hu Ano assi que ssom vijnte e cimquo ssoldos e h a galinha
E que outrossi o dicto ffernando affomsso tijnha em este medes fforo outra casa que parte
com o dicto Gonçalo domjnguez por quinze ssoldos e h a galinha e h a duzea d ouos assi que ssom as
dictas casas todas ffectas em no dicto pardeeyro contheudo em a dicta carta e que ssom os dictos
quareenta ssoldos ,
E logo os ssobredictos ffernando affomsso e Gonçallo domjnguez sse obrigarom por ssi e por
todos sseus hereeos e ssubcessores que depos eles veerem a darem e pagarem o dicto fforo em cada
hu Ano ao dicto vicente annes e A leonor gonçalluez ssua molher ffilha do dicto Gonçallo uaasquez e d
Alda rrodriguez cmo [sic] o dicto fforo ffoy conuem a ssaber por dia e ffesta de Sam Iohanne baptista e
começar de ffazer a primeira paga por este primeiro dia do Sam Ihoam ssegujnte e assi em cada hu
Ano pelo dicto dia
E outorgarom que nom deuem vender as dictas casas nem as enalhear A Eigreia nem a
Moesteiro nem A dona nem A Caualeiro nem A mouro nem a Iudeu nem A outra nenh a pessoa maIs
poderosa que os dictos vicente annes e ssa molher e sseus hereeos e ssubcessores que depos eles
veerem E que sse os vender quiserem que lho ffezessem ssaber pera as eles auerem tanto por tanto
ante que outrem E que sse os nom quisessem tanto por tanto ,. que entom os vendessem aa tal pessoa
ou pessoas que bem e conpridamente fezessem a eles e aos sseus hereeos e ssubcessores o dicto fforo
pella guisa ssobredicta
E outorgarom que nom pagando o dicto fforo pella guisa que dicto he que o dicto vicente
annes e sseus hereeos e ssubcessores os possam penhorar e costranger por o dicto fforo e uender os
penhores ssem mandado e Autoridade nenh a de Iustiça ,
E o dicto vicente annes por ssi e por a dicta ssa molher e por todos sseus hereeos e
ssubcessores que depos eles veerem sse obrigou a lhis deffender as dictas casas de toda demanda e
embargo ssenom que corregesse Aas ssobredictas todas perdas e dãpnos que por a dicta rrazom
Recebessem
E os dictos ffernando affomsso e Gonçalo domjnguez outorgarom as dictas cousas e cada h a
dellas e obrigarom sse anbos e cada hu por ssi e por todos sseus hereos e ssubcessores que depos eles
veerem a conprir e manteer as dictas condições e cousas e cada h a dellas E que nom o ffazendo assi
que corregessem Ao dicto vicente annes e Aos dictos sseus hereeos e ssubcessores que depos eles
veerem todas perdas e dãpnos que por a dicta rrazom Reçebesse e todavia pagar o dicto foro das
quaees cousas o dicto vicente annes pedio este stromento ffecto día e mes e Era e logo suso scriptos
testemunhas Affomsso perez çapateiro e Martim ffernandez scripuam e Antonjnho lourenço e
ffrancisco perez azeyteyro e Steuam uiçente e outras E eu dicto tabeliom que este stormento screpuy e
em el meu ssinal fiz que tal he
[sinal]

quinze com Registo concertada

75
FRAGMENTA HISTORICA Treslado em pública-forma de um contrato de
aforamento de um pardieiro na cidade de Évora feito por João César e
Constança Vasques a Domingos Bueiro e Constança Eanes (1346|1376)

76
Transcrição de João Costa FRAGMENTA HISTORICA

PÚBLICA-FORMA DE CARTA RÉGIA DE D. AFONSO IV SOBRE O


CUMPRIMENTO DE UMA VERBA DO TESTAMENTO DE D. DINIS (1336)
Transcrição de Pedro Pinto
CEH – NOVA
CHAM – FCSH/NOVA‐UAç

Resumo Abstract
1336 [E. 1374], Frielas, Maio, 15

Instrumento em pública-forma contendo uma Public certificate of a royal letter issued by D.


carta régia de D. Afonso IV pela qual ordenava a Afonso IV through which he ordered Martim
Martim Gonçalves, seu almoxarife do reguengo Gonçalves, his storekeeper of the royal
de Frielas e Sacavém, que em virtude de uma properties of Frielas and Sacavém, on account of
carta que a sua mãe, D. Isabel, lhe escrevera a letter of D. Isabel, his mother, through which
pedindo que mandasse dar aos frades capelães she had asked him to give the friars chaplains of
do mosteiro de Odivelas a quantia de mil libras Odivelas’ monastery the amount of 1,000
que seu marido lhes destinara em testamento pounds her husband had destined to them in his
para a compra de herdades para seu sustento, will for the acquisition of lands for their
que essas mil libras fossem obtidas a partir da sustenance, to obtain the said 1,000 pounds
liquidação da dívida de Domingos Afonso à from the liquidation of the debt owed by
Coroa, que orçava nesse valor. Segue-se a Domingos Afonso to the Crown. Follows suit the
tomada de posse por Frei Durão, capelão do rei, deed of possession by Friar Durão, chaplain of
das vinhas e herdades que tinham pertencido a the King, of the wineyards and lands that had
Domingos Afonso. belonged to Domingos Afonso.

Malveira, Colecção João Pereira, Doc. 5

© Fragmenta Historica 2 (2014), (77-79). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

77
FRAGMENTA HISTORICA Pública-forma de carta régia de D. Afonso IV
sobre o cumprimento de uma verba do testamento de D. Dinis (1346)
111
Documento
Sabham todos que en a Era de mil e trezentos e Sateenta e quatro Anos Quinze días do mes de
Mayo en freelas e no adro da J[greia] da dicta villa Em pressença de mjm Rodrigo anes publico Tabelljam
de freelas e de Sacauem e das testemunhas que adeante sam escritas frei duram frade monge da ordem
d alcoBaça e Capellam d el Reíj Dom Denís e no moesteíro de sam Denís d oDiuellas mostrou leer fez per
mjm sobredicto Tabelljam per dante martím gonçaluez Almoxarife e Gonçalo martjnz […] escriuam do
dicto senhor hũa carta de nosso senhor El Reij escrita em papel e seelada do seu uerdadeíro seelo e […]s
costas da dicta carta da qual carta o teor Atal he

Dom Affonsso pela graça de deus Reíj de portugual e do algarue A uos Martim gonçaluez
almoxarife e Ao meu escriuam do meu Regueengo de freelas e de sacauem saude
Sabede que Reçebi hũa carta da Rainha mha madre en que mandou que eu dese aos frades
Capelaães que cantam por El Reij meu padre no Moesteiro d oDiuelas Mil libras que lhos o dicto Reij
leixou en seu Testamento pera comprarem erdades pera seu mantijmento E ora eses capelaães me
pediram por merçee que lhis mandase dar as dictas mil libras asi como era contehudo na carta da dicta
Raynha Porem uos mando que entreguedes logo a eses frades capelaães ou [pesoa?] çerta rrecadar as
vinhas e erdades que ora A mjm em esse logar de freelas forom rrematadas por mil libras em pago da
deujda que me deuja Domingos affonsso logo assi como todo he contehudo en huũ estromento que
Joham martjnz sacador das deujdas que me deuem em esse Almoxarifado de mjm tem E uos auede
desas vinhas e erdades pera mjm en cada hũ Ano todolos meus dereitos así como o daua o dicto
Domjngo e como as eu de dereito deuo dar
Vnde al nom façaes
Dada en Lixboa doze días de Mayo El Reij o mandou per Joham viçente seu clerigo e per
fernam gonçaluez Cogomjnho seu vasalo françisqu eanes a fez era de mil e Trezentos e sateenta e
quatro anos

A qual carta leuda per dante o dicto almoxarife e per dante o dicto escriuam e per elles
preuísta o dicto almoxarife e escriuam diserom que elles que elles [sic] que faram mandado do dicto
senhor e que compriam a dicta sa carta e todo aquelo que per ele era mandado
E logo o dicto almoxarife e o dicto escriuam com testemunhas d omeens boons adeante
escritas E o dicto Frei Duram a todo pressente forom entregar e meter de posse Ao dicto frei Duram a
vinha que chamam dos Lameíros que el Rej auja no dicto Regueengo que fora de Domingos affomso seu
deujdor A qual vinha fora rrematada ao dicto senhor por deujda que lhij o dicto Domingos afonsso
deuja E outrossí forom entregar ao dicto frei Duram e meter de posse pello poder da dicta carta o
figueiredo e Coirela da erdade que Jaz antre vaasco furtado e Migell martjnz vazia que o dicto senhor
Auja e lhi fora rrematada per Joham martjnz seu sacador per deujda que lhij outrossí deuja o dicto
Domingos affomso A qual vinha dos Lameiros parte com Steu eanes e com Domjngos meendez e com
viçente periz prego e com françisqu eanes e com Jenrro de Catalina furtada e com Joham gonçaluez e
com camjnho o qual ffigueiredo Jaz Aalem da Azinhagaa do adro com a dicta Coirela d erdade e parte
pello caminho Junto com que foij de barua de Reij e como parte com Martim gonçaluez com viçente
anes bocarro e con os ereeos de Meem domjnguez e como parte con os ereeos de sueíro periz e como

111
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.

78
Transcrição de Pedro Pinto FRAGMENTA HISTORICA

parte com esteuam domjnguez e com Domingos castelaão e com vaasco furtado A qual vinha e
figueiredo e Coirella d erdade o sobredicto almoxarife e escriuam apeegarom e entregarom ao dicto frei
duram em pessoa e hem nome dos capelaães d el Rej dom Denis que ora por elle cantam e no
Moesteíro de sam Denís d oDiuelas em aquela comtía e hem preço das dictas Mil libras que en a dicta
carta som contehudas e em que o dicto ssenhor rrecebeu as dictas erdades E o dicto frei duram em
nome dos dictos capelaães e per ssí rreçebeu as dictas erdades e se deo delas por bem entregue per
terra E folha pera car[…]o d el Rej dom Denís E o dicto almoxarife e o dicto escriuam así lhe entregarom
poís o dicto senhor así o a elles mandara e que do dicto Día en deante ffezessem das dictas erdades
toda sa uontade como de sa propia posissom con ssas entradas e saidas e entradas e seus dereitos e
perteenças
fecta a carta em freelas no día e mes e era e […] sobredicto Testemunhas Sancho periz viçente
martjnz marísco affonsso filho de Catalina furtada affomso soarez Gonçal eanes sueíro Domingos
esteueez homem da abadesa e o sobredicto Duram a esto pressente fuij e […] do dicto frei Duram esta
carta com mha maão escreuj e hem ella meu sinal puge que atal [he]

[sinal de tabelião]

79
FRAGMENTA HISTORICA Pública-forma de carta régia de D. Afonso IV
sobre o cumprimento de uma verba do testamento de D. Dinis (1346)

80
Transcrição de Pedro Pinto FRAGMENTA HISTORICA

TESTAMENTO DE VASCO AFONSO, MORADOR EM ÉVORA (1346)


Transcrição de João Costa
IEM – FCSH/NOVA
CEH – NOVA

Resumo Abstract
1346 [E. 1384], Évora, Janeiro, 28

Testamento de Vasco Afonso, casado com Testament of Vasco Afonso, married to Mafalda
Mafalda Rodrigues, morador em Évora. Rodrigues, resident in Evora.
Determina que seja enterrado na Sé de Évora, e Determines to be buried in the Cathedral of
deixa legados pios a particulares e instituições. Évora, and let pious bequests to individuals and
institutions.

Lisboa, Centro de Estudos Históricos, Colecção de Pergaminhos, Maço 1, nº 1 olim Catálogo Silva’s /
Pedro de Azevedo, Leilão de 16-18 de Maio de 1994, N.º 535.

© Fragmenta Historica 2 (2014), (81-84). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

81
FRAGMENTA HISTORICA Testamento de Vasco Afonso, morador de Évora
(1346)
112
Documento
113
Em nome de deus Amem
Esta he A manda que Eu Rodrig Affomsso Caualejro faço com meu siso e com meu
entendijmento
primeijramente mando A alma A deus e A ssancta Maria sa madre e mando soterrar meu corpo
na Se d Euora Ante [o] Altar de sancta cruz Alij hu Iouuer vago E mando por esta sepultura dez libras
pera a [...]114 quiser dar esta sepultura mando que me deitem em sam françisco no Cabidoo e dez [...]115
estas dez libras que Eu mandaua Aa obra por A coua e com o corpo por a dicta sepultura E se me
deitarem em ssam françisco comprem hu Au jto em que me soterrem
Item mando por falhas A ssee quinze libras
Item per a mha ssepultura quinze libras
Item mando por hu Anal de missas quareenta libras e mando que as cantem hu Iouuer o meu
corpo E o que as cantar saija cada dia sobre mjm com agua beenta
Item mando pera me offertarem hu Ano dez libras e dous quarteiros de trijgo E offertem hu
Iouuer o meu corpo
Item mando A Giralda Ama[vAlda] e hu pelote d arra z e dez libras em dinhejros que me leue
A offerta
Item mando pera meu sabado quinze libras e tres quarteiros de trijgo
Item pera ssijnos tanger . quatro libras
Item mando Aos clerigos da ssee tres libras pera matijnas e pera Onrras e me dijgam h a missa
offezijada Alij hu me soterrarem
Item mando aos frades de sam françisco çíjnqe [sic] libras pera h a pitança e que me dijgam
h a missa offezijada o dija que me soterrarem
Item Aos frades de sam Domjngos tres libras que uenha A meu soterramento e me digam h a
Missa offezijada o dija que me soterrarem
Item mando oijto libras pera oijtauairo Alij hu me soterrarem

112
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.
Adoptou-se também o critério de colocar “ ” nos casos em que existe já uma pontuação no jota à imagem do que acontece
com os “ii”, onde se tomou a opção de indicar essa sinalização com “í”.
113
Em letras diferentes, no verso:
“Maço – 33 – nº – 144”;
“Testamentos maço 2 n.º 36”;
“7-T-3”;
“testamento de Rodrigo afomso caualeiro filho d afomso [annez] caualeiro”;
“Testamento de Vasco afonso marido de Mafalda rodriguez morador em Euora ano de [1384] Euora”;
“1334”;
“escrituras que pertencem a euora”;
“Euora”;
“Testamento de Vasco <Aliás Rodrigo> Afonso cazado com Mafalda Rodriguez”;
“não contem nada”;
“Inutil”.
114
4 palavras.
115
1 palavra.

82
Transcrição de João Costa FRAGMENTA HISTORICA

Item mando A todalas crozos [sic] da vila dez dez ssoldos


Item Aa obra da ssee dez ssoldos E aa de sam françisco dez ssoldos
Item Aa obra de sam Domijngos dez ssoldos
Item Aas albergarias da vila doos doos ssoldos E mando aas emparedeadas senhos ssoldos
Item mando Aos gaffos quinze ssoldos tam bem Aos que ham Raçam come Aos que a nom hãm
Item mando aas donas de castris quinze ssoldos
Item mando A meu Abade Martijm bernardez vijnte ssoldos
Item mando que saijam sobre mjm Açijma do mes os clerigos da See e dijgam Ante h a Missa
offezijada vijnte ssoldos
Item mando pera os Coonijgos que me venham fazer onrra A mha casa e esteuerem A mha
sepultura çijnque çijnque ssoldos Aos que hij veherem
Item mando . Aos que me outrossij fforem ffazer onrra e esteuerem Aa missa Açijma do mes
çijnque çinque ssoldos A cada hu coonijgo
Item mando com meu corpo Aa ssee se me hij soterrarem tres libras
Item mando A Johann esteuez dez couedos de valençijna pera lhij tolherem o doo sse o ffilhar
Item A Domjngu eannes outros dez couedos de valençijna pera lhijs tolherem o doo se o
ffilharem por mjm
Item mando vi nte libras por missas cantar por as Almas daqeles de que ouuij Alg as cousas
como nom deuija
Item mando . que sse Algu s mançebos veherem que seiam de boa uerdade e disserem per
Iuramento Aos Auangelhos que lhis deuo Alg a Alg a [sic] cousa de soldadas e que me eles nom
fezerem perda nenh a mando que lhis dem A mha parte do que lhis deuer
Item mando A dous filhos de Rodrigo tenrreiro que ssom meos Affilhados dez e dez ssoldos A
cada hu
Item mando A alda filha de vicente dominguez outrossij mha Affilhada vijnte ssoldos
Item mando que dijga A ama de Roij mendez per ssa uerdade quanto trijgo lhij deuo e que lho
dem
Item mando Ao ffilho de Roij meendez meu Affilhado tres libras
Item mando A Roij vaasquez meu primo o meu Tabardo verde e dez libras em djnhejros
Item mando a Iohann esteuez meu criado dez libras
Item mando Aos filhos de Nuno affomsso çijnque çijnque libras
Item mando Aos filho de Lopo Affomsso çijnque libras
Item Aos de Costanç Affomsso çijnque çijnque libras ssaluo A lopo que dem vijnte libras
Item Aa ffilha de Maria affonsso çijnque libras
Item mando A ffernando meu criado filho de Mafalda rodriguez Çijnquoenta libras E mando se
peruentuíra o dicto fernando quiser demandar mal A ssa madre aia A alda mha filha que lhij nom dem as
dictas çijnquenta libras mais que sse defendam com elas da demanda que lhis fezer

83
FRAGMENTA HISTORICA Testamento de Vasco Afonso, morador de Évora
(1346)
Item mando pera Missas de carne Açijma do Ano quinze libras e dez quarteiros de trijgo E
rrogo Nuno affomsso E lopo affomsso meos hermaãos e Maffalda rodriguez mha molher e vicente
dominguez meu parente e meu compadre que seiam meos Testamenteiros e mando Aos dictos meos
Irmãos por Affam que Aueram quinze quinze libras
Item A vicente dominguez quinze libras
Item mando A Meçij Affomsso quinze libras
Item A Mari Affomsso quinze libras
Item pera h a Canpaã quinze libras
Item pera tirar catijuos quareenta ssoldos
Item mando que cantem por mjm hu trijntaairo de sam Grijgor o em que monta quatro libras
e meija
Item mando pera probes vestijr de burel e de ljnho trinta libras
Item mando A affomsso vaasquiz o meu pelote e o Cerame de viado Anbos d hu pano
Item a vasco ffilho de Roij uaasquez d eluas que he meu Affilhado . tres libras
Item a quem for por mjm a ssantijago de galijza mando que lhij dem o que virem que mereçer
por hir Ala
Item mando A Maria uaasquez dez libras
Item mando A Moor uaasquez dez libras
Item mando que este meu testamento seia pagado Ata çijma do Ano
Item mando que meos testamenteiros obrem deste meu testamento Assij como em el he
contehudo e façam prol da mha Alma E mando que bispos nem seos vigairos nom Aiam de ueer em este
meu testamento nada
Item mando que paguem este meu testamento da mha terça do meu Auer E sse sobeiar da
mha terça Alg a cousa dem A meijadade A alda mha filha daquelo que sobeia e A outra meijadade dem
na meos Testamenteiros por mha Alma em probes vestir e em missas cantar pera virem que ssera prol
de mha Alma e Reuogo todos outros testamento [sic] que eij fectos Ante deste mando que este valha
Ata que o Eu desffaça com outro ca esta he A mha prostumeira voontade
ffecto o testamento na Cidade d Euora nas Casas do dicto Rodrig Affomsso vijnte e oijto dijas
de Ianeiro Era de mil e trezentos e oijteenta e quatro Anos testemunhas Lopo Affomsso caualeiro vasco
martinz porrijnha Rodrig Airas d Açacar Gomez lourenco filho de lourenco steuez Ioham louçaaom
Domjngos martinz das Aueenças vicente dominguez criado de lourenco steuez e outros E eu Affomsso
dominguez Tabelliõm da dicta Cidade per outorgamento do dicto Rodrig Affomsso este testamento
escreuij e meu sijnal aqui pugij que tal [sinal] he //

84
Transcrição de João Costa FRAGMENTA HISTORICA

EMPRAZAMENTO DE PARDIEIRO EM ÉVORA A MESTRE JOÃO, FÍSICO


DE CÓRDOBA (1374)
Transcrição de Pedro Pinto
CEH – NOVA
CHAM – FCSH/NOVA‐UAç

Resumo Abstract
1374 [E. 1412], Évora, Abril, 7

Instrumento de emprazamento de Geraldo Deed of lease of a ruined house in the parish of


Martins e Beringária Eanes a Mestre João, Santa Justa, at Évora, by Geraldo Martins and
castelhano de Córdova, físico, de um pardieiro Beringária Eanes to Master Juán, castilian from
na freguesia de Santa Justa, em Évora. Córdoba, physician.

Malveira, Colecção João Pereira, Doc. 37

© Fragmenta Historica 2 (2014), (85-86). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

85
FRAGMENTA HISTORICA Emprazamento de pardieiro em Évora a Mestre
João, físico de Córdoba (1374)
116
Documento
117
Em nome de deus Amem Sabham quantos Este estormento d enprazamento E outro tal
virem Como Eu Giral martjnz Escudeiro E eu bringueira annes Sua molher moradores que Somos na 118
Cjdade <d euora> Ao Ressio Enprazamos A uos Meestre Johanne Castellão de cordoua ffisico morador
na dicta Çidade de lixbõa Em bossa bjda E de duas pessoas quaaes bos nomeardes huũ pardieiro que
nos Auemos na dicta Çjdade na ffregujsia de Santa Justa o qual pardjejro parte de hũa parte com
lagares que uos dicto Meestre Johanne de nos tragedes Emprazados E da outra parte com Rua pubrica E
da outra com a allbergarja dos trijgueiros E da outra com pardieiros que dizem que Som d estaça
Annes,. Enprazamos A uos o dicto pardieiro So tal preito E condiçom que bos ffaçades do dicto pardieiro
casa ou qualquer cousa que uos conpra que majs entenderdes que ffezerdes bossa prol E dedes a nos E
A todos nossos Susseissores em cada huum Ano d enprazamento do dicto pardjejro por dja de Sam
nhoane Bautista quareenta ssoldos E começar sse de ffazer A primeira paga deste Sam nhoane primeiro
que bem a huũ Ano E dj em deante pagarem sse os dictos quareenta ssoldos Em cada huũ Ano polo
dicto dja E acabado o tempo <da bjda> de uos dicto Meestre Johanne E das dictas duas pessoas que assj
nomeardes deuedes de leixar o dicto pardieiro com toda Sa bemffejtorja A nos E aos Sussessores que
depos <nos> beherem Sem contenda nenhuma com toda Sa benffejtorja E eu dicto Giral martjnz E eu
bringueira annes Sua molher obrigamos todos nossos beens Auudos E por Auer A uos ljurar E deffender
o dicto pardjeiro de quem quer que uo llo demande ou embargue So pea de Custas E perdas E danos
que bos pola dicta Razom ffezerdes E com dez ssoldos Em cada huum dja de pea E eu dicto Meestre
Johanne A este presente como Em mjm o dicto pardiejro d emprazamento pola gujsa que dicto he com
todallas clausulas E condjçoões Suso dictas E obrigo todos meus beens Auudos E por auer 119 a conprir E
A manteer E a guardar o que dicto he E pagar os dictos quareenta ssoldos em cada huũ Ano polo dicto
dja E nom conprindo En as dictas Clausas E cada huma dellas que as conpra E pague a Saluo com as
custas E perdas E danos que bos pola dicta Razom ffezerdes E com os dictos dez soldos em cada huum
dja de pea
ffectos fforom desto dous estormentos na dicta Çjdade nas casas de morada do dicto Gjral
martjnz Sete dias d abril Era de mjl E quatroÇentos E doze anos testimunhas Gil martjnz ffjlho do dicto
Giral martjnz E Gonçallo perez homem do dicto Giral martjnz E Gil martjnz allfajate morador na dicta
Çjdade E outros E eu Martim annes tabaljom d el Rej na dicta Çjdade que per outorgamento dos
Sobredictos este estormento E outro tal Escreuj E este ha de teer o dicto Giral martjnz
o qual he antreljnhado hu diz de lixbõa Jtem hu djz da bjda A todo he uerdade E aqui meu Sinal
fiz que tal he [sinal de tabelião] njhil

116
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.
117
Riscado: “em”.
118
Riscado: “dicta”.
119
No verso: “Renembraça sseia que enprestej a Joham Affomso meu amo huũ tonel que tem na aduella d a par do bretom
huum tal sinal *”; “Jtem deu a dona a cristo mas pera semente tres arteiros meos dous <[...]> alqueires Jtem de ceuada
xxvij alqueire”; “Carta d emprazamento que fez giral martjnz a meestre Johane de cordoua de huũ pardeeiro por quareenta
soldos”.

86
Transcrição de João Costa FRAGMENTA HISTORICA

INSTRUMENTO DE TOMADA DE POSSE DE ESTÊVÃO VASQUES DE GÓIS


DA QUINTÃ DE PEDRA ALÇADA, MONSARAZ (1375)
Transcrição de João Costa
IEM – FCSH/NOVA
CEH – NOVA

Resumo Abstract
1375 [E. 1413], Beja, Fevereiro, 6
Insere: 1375 [E. 1413], Vila Viçosa, Janeiro, 3;
1375 [E. 1413] Redondo, Janeiro, 21

Instrumento de tomada de posse de Estêvão Instrument of possession of Estêvão Vasques de


Vasques de Góis da quintã de Pedra Alçada, Góis over the estate of Pedra Alçada, Monsaraz,
Monsaraz, tomada por revelia a Rui Gomes. taken by default from Rui Gomes.

Lisboa, Centro de Estudos Históricos, Colecção de Pergaminhos, Maço 1, nº 5, 1 olim Catálogo Silva’s /
Pedro de Azevedo, Leilão de 16-18 de Maio de 1994, N.º 539.

© Fragmenta Historica 2 (2014), (87-90). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

87
FRAGMENTA HISTORICA Instrumento de tomada de posse de Estêvão
Vasques de Góis da Quintã de Pedra Alçada, Monsaraz (1375)
120
Documento
121
Sabham todos que na Era de m ll e quatroçentos e treze annos sse s dias de feuere ro em
beia no paço do Concelho per dante vasco perez escolar em direjto Iujz por El Rej na dicta vjlla seendo
em Audjencia ouuijndo os fectos pareceu Simam uaasquez de goões scudeiro moradõr na dicta vjlla ., E
amostrou per dante o dicto Iujz h a carta d El Rej estprita [Em] porgamjnho aberta e sseelada d hu
seelo Redondo de quinas do dicto ssenhor ssegundo em ella pareçia e faz a mençam da qual carta o
theor Atal he

Dom fernando pella graça de deus Rej de por<tu>gal e do Algarue A uos vaasco perez Iujz por
nos em beia e A outros quaeesquer Iu zes que em essa vjlla depois de uos forem saude
sabede que nos querendo fazer graça e merçee A Stteuam uaasquez de goões escudeiro nosso
vassalo teemos por bem e damos uos per Iujz em todollos fectos que algh as pessoãs quaeesquer que
seiam moradores em essa vjla em moura e em mourom e em monssaraz Aiam ou entendam d auer com
o dicto Steuam uaasquez ou esse Steuam uaasquez com elles sobre quaeesquer cousas que sseiam
Porem uos mandamos que façades as partes perAnte uos v jnr e [ordene s] desenbargade os
sobr esses fectos nom enbargando Artiguo fecto em Cortes em Contra ro desto
Outrossj uos mandamos que sse Algh as cartas ou sentenças tem em rrazom do trigo que lhe
for tomado e rroubado em o dicto logo de moura que lhe nom forem conpridos que lhos façades conprír
e lhe façades e xucaçom por ellos segundo for djrecto e em essas cartas e sentenças for contheudo
vmde al nom façades .,
Dante em vjla vjçosa tres d as de Ianeiro ., El Rej o mandou por Aluaro gonçaluez sseu vassalo e
Corregedor na ssua corte Affomsso perez a ffez ., Era de m ll e quatroçentos e treze annos
Aluarus gonçaluez

A qual carta assij mostrada o dicto Steuam uaasquez djsse Ao dicto Iujz que El Rej dom
fernando que deus mantenha lhe dera a el por Iujz em seus ffectos . ssegundo majs conpridamente . na
dicta carta do dicto Senhor Rej era contheudo ., E que ti nha enprazado per dante el Roj gomez
escudeiro morador em monssaraz . per rrazom d h a ssoma de djnheiros que djz a que lhe tijnha
tomados e outrossj per rrazom da quintaã da pedra alçada d enbargo que lhe ssobr ela pojnha ., E que o
dicto Roj gomez ficara com el que a hu día çerto pareçesse per dant el dicto vaasco perez pera Antr
elles desenbargar o dicto fecto segundo djzía que ma s conpridamente era contheudo em hu
estormento probico que logo mostrou . fecto e assynado per vaasco domjngujz tabelijom do Redondo
segundo em elle parecía e fazía mençom do qual estormento o theor Atal he

120
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.
Adoptou-se também o critério de colocar “ ” nos casos em que existe já uma pontuação no jota à imagem do que acontece
com os “ii”, onde se tomou a opção de indicar essa sinalização com “í”.
121
Em letras diferentes, no verso:
“Estas Escrituras perttencem A dom uaasquez de ffreitas que fferom [sic] ffectas A sseu Padre”;
“Instrumento de posse que tomou Estevão vasquez da quintã de Pedra alçada ., 1403
Pedra alçada .,. 1403”;
“Pedra alçada”;
“stormento de Reuelía per que tirou a posse da quintaam da pedra alçada Steuom vaasquez”;
“Estas scprituras todas perteeçem aa pedra alçada ● ”.

88
Transcrição de João Costa FRAGMENTA HISTORICA

¶ Sabham todos que vi nte e hu d as do mes de Ianeíro ., Era de m ll e quatroçentos e treze


Annos na vjla do Redondo Ante cas [sic] d affonsso perez per dante lourenço martjnz Iujz pareçeu
Steuam uaasquez de goões escudeiro E djsse que Roij gomez escudeiro morador de monssaraz que
presente estaua lhe fforçara e tomara Cento e vi nte e duas libras que tijnha em monssaraz em guarda
em cas gil vjçente e Albaatomjm . os quães dinhejros djzía que o dicto Roj gomez ti nha aqui e pedía Ao
dicto Iujz que lhos mandasse tomar e põer em guarda em maão da Iustiça que os nom desbaratasse .,
E o dicto Iujz fez pregunta Ao dicto Roj gomez que djzía A esto E o dicto Roy gomez djsse que el
per força nem contra djrecto lhe nom tomara djnheiros nenhu s ma s que o fecto fora tal que ljonor
gonçaluez madre del dicto Roj gomez . çitara o dicto Steuam uaaãsquez . por a ssa parte que au a na
quintaã da pedra Alçada . per dante os Iujzes de monssaraz . E porque o dicto Steuam uaasquez nom
parecera Ao d a que ouuera de parecer que o tirara por Reuel per dante vjcente domjnguez Iu z E que
per sentença do dicto Iujz e pello porte ro lhe forom entregues Çem libras e ma s nom A el dicto Roy
gomez em nome da dicta ssa madre ., E a quintaã da pedra alçada e que tal ffora a uerdade ., E o dicto
Steuam uaasquez djsse que o dicto vjcente domjnguez nom era seu Iujz nem Au a porque conhecer de
sseus fectos per h a carta d El Re que ti nha ergo os Iujzes de be a .,
E estando assy os sobredictos Steuam uaasquez e Roy gomez de ssuas ljures uoontades
veerom A tal Aueença que d o e a quinze d as pareçessem per dante vaasco perez Iujz de beía . ou per
dante outros quaãesquer que dhj seiam Iu zes en que se louuarom que fossem seus Iujzes sobre a dicta
Reuel a e ssobr ela Auçom della a po r e mostrar cada hu s o sseu dereito djrecto E que o dicto Iu z ou
Iujzes os podessem ouuír e desenbargar cada hu com sseu djrecto . das quaes cousas os ssobredictos
pedirom A mjm vaasco domjngu z tabeljom senhos estormentos d hu theor
este tenha Steuam uaasquez
fecto d a Era e logar suso dicto ., testemunhas Martim fagundez e Ioham goterrez e Affonsso
perez e domjngos çoudo e o dicto Iujz e outros E eu sobredicto tabaljõm de nosso Senhor El Re no dicto
logo que este stormento e outro tal escriuj e meu ssjnal aqui fjz que tal he

O qual estormento assij mostrado o dicto Steuam uaasquez djsse Ao dicto Iu z que po s pella
dicta carta sse mostraua que el era sseu Iujz em sseus fectos E outrossj se mostraua pello dicto
estormento que o dicto Roj gomez ouuera de parecer per dant el por as rrazões no dicto stormento
contheudas A d a çerto ía passado e nom parec a per ssj nem per sseu procurador . que porem pedía Ao
dicto Iujz que lhe mandasse apregoar o dicto Roy gomez e lho Iulgasse por Reuel e por ssa Reuelja
mandasse tornar el dicto Steuam uaasquez Aa posse da dicta saa quintaã da pedra Alçada e lhe sseiam
entregues Cento e vijnte e duas libras de que o ti nham forçado . as quães diz a que lhe forom tomados
de casa de G l viçente Albaatonjm hu os el tijnhã
E outrosj o mandasse meter em posse de tantos beens do dicto Roj gomez que ualijam
quinhentas libras que djzía que lhe fezerom fazer de custas e despesas sobre a dicta rrazom .
E o dicto Iu z bjsta a dicta carta d El Rej . E o dicto estormento E o djzer e pedir do dicto
Steuam uaasquez mandou apregoar o dicto Roj gomez per Ioham affonsso cuu de paadeíra porteiro do
Conçelho o qual porteiro deu fe que o apregoou e que o nom Achou quem outrem por el
Porem o dicto Iu z o Iulgou por Reuel e por sua Reuel a . o mandou que o dicto [sinal]122
Steuam uaasquez . seía tornado Aa posse da dicta quintaã de pedra alçada e dos dictos dinhejros e das
outras cousas que lhe assj ssom tomadas per a dicta Reuel a ., E que seía metudo em posse de tantos

122
Foi cosido um outro pergaminho ao pergaminho-base, dando-se imediata continuidade ao texto anterior.
89
FRAGMENTA HISTORICA Instrumento de tomada de posse de Estêvão
Vasques de Góis da Quintã de Pedra Alçada, Monsaraz (1375)
beens do dicto Reuel que ualljam as dictas quinhentas libras que fez per Iuramento dos Auangelhos que
lhe demandara por a dicta Razom ,., Se o em Iu zo víra .,
E por os beens que lhe . forom entregues mandou o Iu z que desse fiadores . E logo o dicto
Steuam uaasquez deu por fiador pera o que sobredicto he . Ioham affonsso neto de branca domjngu z
que presente ffora o qual ficou por fiador de todolos beens que fossem entregues Ao dicto Steuam
uaasquez per rrazom da dicta Reuel a .,
E o dicto Steuam uaasquez ped o assij este stormento de sentença de Reuel a fecto em be a .
d a e mes e Era e logo sobredictos .,.
[testemunhas] vasco lourenço testa e viçente annes e affomsso martjnz caluo tabeljães e
outros e Eu Affonsso annes tabeljom d El Re na dicta bjlla que o escreuj em hu Rool e este pedaço de
porgamjnho e em no Iuntamento delles e outrossj Aqui meu sinal fjz que tal [sinal] he

pagou desta escritura e do processo de que ssa o trinta doos soldos //

123
Sabham todos Como cjnquo de Março da Era de Mil e quatroçentos e treze annos em
Monssarãz no Adro de ssantã Maria Estando hj Meem gonçaluez Iu z por El rrej na dicta villa pareçerom
fernam perez scudeiro d esteuam vaasquez Come sseu procurador que Era per hu a procuraçom
ssefjcjent por todãllas coussas contehu das Em esta ssentença desta outra parte scrita que Eu
tabeljom t nho notada Em meu ljuro ,, E outrossi mostro Ao dicto ju z h a carta de vaasco perez Iu z
por El rrej Em beja scrita Em papel Aberta e sselada do sselo do dicto conc lho de beja ssegundo Em ela
pareçja Em a qual enuijaua todallãs justiças Rogar que comprissem e fezessem comprir Ao dicto Steuam
vaasquez esta sentença desta ante parte scrita E Metess m Em posse do que Em ela he contehudo ,,
e logo o dicto Iu z vista a dicta ssentença E a carta do dicto baasco perez A conprissem Rogo e
dereito fazer mandou que o dicto Steuam vaasquez fosse Restetohjdo Aos beens que forom Emtreg s
Ao dicto Roj gom z pella Reuelja que contra el ganhou E que a posse que o dicto Roj gom z per ela
ouuera que a Auja por nenhu a como dicto he ,,
E outrossij disse Ao dicto fernam perez procurador do dicto steuam vaasquez que porque lhj
fezera çerto o Almoxaryfe que os beens do dicto Roj gom z Estaua [sic] tomados por hu a ssoma de
trigo que o dicto Roij gom z deuja El rrej que lhj mostrasse bees [sic] desembargados do dicto Roj
gom z e que nom steuessem Embargados põlla dcta [sic] djujda E que o meteria Em posse do que na
dicta ssentença he contehudo ,,
E o dicto fernam perez disse que el ju z ouuesse a posse que o dicto Roj gom z cobrara polla
dca [sic] Reuelia por nenhu a que ouuesse o dicto <steuam vaasquez> por Restehido [sic] A posse dos
dictos beens E o dicto ju z A jsso mandou ssegundo he contehudo Em sta sentenca desta outra parte
scrita e doutra gissa nom da qual coussa o dicto fernam perez pedjo Este stormento
testemunhas lopo ssoar z e Martjm annes e gonçalo gom z E outros Eu dicto tabeljom que ste
screuj e Aqui meu Sjnal fjz que tal he [sinal]
pagou iiijº soldos

123
No verso.

90
Transcrição de João Costa FRAGMENTA HISTORICA

INSTRUMENTO PÚBLICO DE PARTILHA DOS BENS DE JOÃO TOMÉ,


(1383)
Transcrição de João Costa
IEM – FCSH/NOVA
CEH – NOVA

Resumo Abstract
1383 [E. 1421], Évora, Abril, 19
1383 [E. 1421] [Évora], Junho, 6

Instrumento público de partilha dos bens de Public instrument of division of property of João
João Tomé, falecido, ficando metade dos bens Tomé, deceased, half the properties being
para a viúva e a outra metade para familiares. ascribed to the widow and the other half to
relatives.
Os bens incluem propriedade urbana e rural.
The estates include urban and rural property.

Lisboa, Centro de Estudos Históricos, Colecção de Pergaminhos, Maço 1, nº 3, 1 olim Catálogo Silva’s /
Pedro de Azevedo, Leilão de 16-18 de Maio de 1994, N.º 544.

© Fragmenta Historica 2 (2014), (91-93). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

91
FRAGMENTA HISTORICA Instrumento público de partilha dos bens de João
Tomé (1383)
124
Documento

125
Sabham todos que na Era de M l e quatroçentos e vjnte e hu Annos dez e noue djãs d abril
na Çjdade d Euora na Rua de Malforo estando hij Gonçall eannes f lho de Ihoam tome e vãsco duraãez e
Ihoam cabreyro Ienrros do dicto Ihoam tome e moradores na dicta Çidade ,. En presença de mjm Ihoam
eannes tabaljom d El Reỹ em essa me sma e das testemunhas . que adeante som scpritas ,. Os
ssobredictos partỹrom Antre sỹ A m jadade dos beens das Rajzes que lhjs Acaeçera na part çom que
fezerom com Marij affomso molher que foj do dicto Iohoam tome ,. os quaes partyrom antressy per
esta gujsa .
Primejramente derom ao dicto Gonçall eannes . em seu quinhom as casas que som na dicta
rrua de malforo que partem com Costança perez molher que fo de vaãsco martjnz enqueredor e com a
lo a que esta no Canto da trauessa que vaj pera ã Rua do Caldeyreyro
Item lhij derom A meyadade da v nha de val Couo que parte com a dicta Marj afomso sua
madre e com el dicto Gonçall eannes ,.
¶ Item derom Ao dicto vaãsco duraãez em sua parte e quinhom a dicta loía da dicta Rua de
malforo que parte com as dictas Casas do dicto Gonçal eannes e per a dicta trauesa que vay pera a Rua
do Caldeyreyro
Item lhj derom a meyadade da meyadade da v nha que lh s ACaeçeo em Motrouegas cõmo
parte contra o zeíjmoto ,.
¶ Item lhj derom Ao dicto Iohoam cabreyro em sseu quinhom As outras Casas que som na
dicta Rua de malforo em que mora Andres gyraldez que partem com Iohoam gonçalluez caldellas
Item lhj derom Ma s o parde íjro que he na dicta Rua que parte com Bertolameu Afomso e per
a dicta trauesa
Item lhj derom ma s o outro quarto da vjnhã de Motrouegas cõmo parte com o dicto vaãsco
duraãez e com a dicta Marj afomso e com galotes ,. e o qual quarto da dicta vjnha e As dictas casas en
que asij mora o dicto Andres gyraldez o dicto Iohoam cabreyro d se que Ia av a dadas Aos
testementeyros de Mar a annes Ia passada que foy ssua molher e fijlha do dicto Iohoam tome en sua
terça de sseus beens que el av a com a dicta Marija annes ,.
A qual partjçom que era Assy Antre elles dictos erdeyros era declarada per a gu sa que ssuso
dicto he djsserom que ía Avjam Antressy fecta av a sete Anos e majs E que cada hu delles des entom
aca estauam em posse dos dictos quinhões per A gujsa que suso he deuysado E que porque nom Avjam

124
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.
Adoptou-se também o critério de colocar “ ” nos casos em que existe já uma pontuação no jota à imagem do que acontece
com os “ii”, onde se tomou a opção de indicar essa sinalização com “í”.
125
Em letras diferentes, no verso:
“Maço – 31 – nº – 111”;
“estormento que fez gonçallo annes com vasco durães e com Ioham cabreiro”;
“Inutil”; “Partilhas que se fizerão por morte de Ioão thome em que herdou Lionor gonçaluez da Siluejra ano de 1421”;
“Euora”; “Euora”;
“Partilhas dos bens de Ioam Thomé em que se adjudicou a saber
A Goncalo Annes humas Cazas na Rua de Malforo de Evora, e metade de huma vinha em Val covo, que partia com Maria
Afonso sua May
A Vasco Durães hua loja na dita Rua e o 4.º de hua vinha em Outronegas E a Ioão Cabreiro outras Cazas na mesma Rua e h
quarto da dita vinha que partia com o outro acima, e com a dita Maria Afonso”.

92
Transcrição de João Costa FRAGMENTA HISTORICA

fecta Antresij scriptura da dicta partjçom . que porem a ffaziam ora e fírmauam e Avjam por ffírme e
staujl pera senpre per a gu sa que suso dicto he ., E pedjrom A mjm tabeljom que lhj desse assy senhos
stormentos
E fecto esto pareçeo hj Mar affomso molher que ora he do dicto Ihoam cabreyro e díjsse que
outorgaua as dictas partjções da ssa parte per a gujsa que dicto he
testemunhas . Martim Affomso scpriuam d El Rey e Steuam martjnz porteyro d El Reỹ e pero
fromoso e lourenço domjnguez Ienrro do gadanho e Martim annes criado de Iohoam torrado e outros .,

¶ Item depo s desto tres d as de Iunho da dicta Era presente mjm dicto tabeljom e As
testemunhas adeante scpritas . leonor gonçalluez molher do dicto gonçall eannes e Crara annes molher
do dicto vasco duraãez djsserom que ellas outrosij outorgauam da sa parte As dictas partjções que os
dictos seus marjdos assij fezerom dos dictos beens que fijcarom per morte do dicto Iohoam tome tam
bem as que fezerom com Mar afomso molher que ffoj do dicto Iohoam tome come as que antresij
fezerom os dictos erdeíjros do dicto Iohoam tome e que as avjam por firmes e staui s da sua parte pera
senpre per a guysa que en ellas he conteudo
testemunhas . Rodrigo annes calça Aluaro nunez seu Ienrro Iohoam gomez filho do
Comendador da freijría e Ihoam duraãez Alfajate e vasco martjnz homem do dicto vasco duraãez e
outros E eu dicto Tabeljõm que per outorgamento das dictas partes . ste stormento pera o dicto gonçall
eannes screuij e em el meu s gnal ff z que tal [sinal] he .

126
Sabham todos que na Era de m ll e quatroçentos e treze anos

126
Em letras diferentes, no verso:
“Estas Escrituras perttencem A dom uaasquez de ffreitas que fferom [sic] ffectas A sseu Padre”;
“Instrumento de posse que tomou Estevão vasquez da quintã de Pedra alçada ., 1403
Pedra alçada .,. 1403”;
“Pedra alçada”;
“stormento de Reuelía per que tirou a posse da quintaam da pedra alçada Steuom vaasquez”;
“Estas scprituras todas perteeçem aa pedra alçada ● ”.
93
FRAGMENTA HISTORICA Instrumento público de partilha dos bens de João
Tomé (1383)

94
Transcrição de João Costa FRAGMENTA HISTORICA

PARTILHA DA HERANÇA DE NICOLAU JOANES, DE ÉVORA (1385)


Transcrição de Pedro Pinto
CEH – NOVA
CHAM – FCSH/NOVA‐UAç

Resumo Abstract
1385 [E. 1423], Évora, Maio, 11

Instrumento de partilha da herança de Nicolau Deed of distribution of the estate of Nicolau


Joanes, de Évora. Joanes, from Évora.

Malveira, Colecção João Pereira, Doc. 17

© Fragmenta Historica 2 (2014), (95-96). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

95
FRAGMENTA HISTORICA Partilha da herança de Nicolau Joanes, de Évora
(1385)
127
Documento

Sabham todos como eu lourenço martjnz E eu esteuam dominguez testementejros de njcollao


Johannes E eu Maria esteuez molher que fuj do dicto nijcollao Johannes de nosos prazeres E de nosas
ljures voontades partjmos os beens que fjcarõm per morte do dicto pasado E aqueeçeo Ao dicto pasado
A casa da morada E ujnha de louredo E outrosj Aqueeçeo A mjm Marja esteuez A casa em que nos
fazjamos Adega E A ujnha de cangelhas E a casa que Aqueeçeo Ao dicto pasado parte com os fjlhos de
Marja martjnz E netos de Marja pachequa E com a dicta Marja esteuez com A casa que A ella Aqueeçeo
E a ujnha de louredo que Aqueeçeo Ao dicto pasado parte com esteuãm martjnz tabaljom per duas
partes E per A rrjbejra E per Azjnhagaa E a casa que Aqueeçeo A mjm Marja esteuez parte com Affomso
dominguez que esta com Margarjda seca E com A casa que aqueeçeo Ao dicto pasado E a ujnha de
cangelhas parte com A ujnha que ffoj de Joham lourenço trjgejro E com afomso martjnz E com outros
hereeos d aRedor E diserõm que por A melhorja que o dicto pasado leua na dicta partjlha que elles
dictos testementejros fjcam pera tornar a dicta Marja esteuez vinte E Çinquo lliuras A qual partjlha
outorgarom E mandarõm que a dicta partjlha seja fjrme pera sempre E que em nemhũ tenpo A nom
posam contradjzer nem hir contra ella em parte nem en todo E qualquer que contra ella for que page A
outra parte que per a dicta partilha esteuer dez lliuras E pagada a dicta pena ou nom pagada que a dicta
partjlha seja fjrme E estaujl pera senpre das quaees cousas as dictas partes pedjrom senhos
estromentos
fectos forõm na Cjdade d Euora onze djas do mes de majo Era de mjl E quatroçentos E vjnte E
tres Anos testjmunhas Martjm Afomso E lourenço esteuez procurador E Roj canposa E lopo rrodriguez E
Johãm Affomso E outros E eu martim rrodriguez tabaljom d El Rej na dicta Cjdade que A esto pressente
ffuj E este estromento E outro tal escreuj E Aqui meu sjnal fjz que tal [sinal de tabelião] he
pagou iiij soldos

128
Sabham todos que na Era de M l e quatroçentos e vjnte e hu Annos dez e noue djãs d abril na
Çjdade d Euora na Rua de Malforo estando hij

127
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.
128
Em letras diferentes, no verso:
“Maço – 31 – nº – 111”;
“estormento que fez gonçallo annes com vasco durães e com Ioham cabreiro”;
“Inutil”; “Partilhas que se fizerão por morte de Ioão thome em que herdou Lionor gonçaluez da Siluejra ano de 1421”;
“Euora”; “Euora”;
“Partilhas dos bens de Ioam Thomé em que se adjudicou a saber
A Goncalo Annes humas Cazas na Rua de Malforo de Evora, e metade de huma vinha em Val covo, que partia com Maria
Afonso sua May
A Vasco Durães hua loja na dita Rua e o 4.º de hua vinha em Outronegas E a Ioão Cabreiro outras Cazas na mesma Rua e h
quarto da dita vinha que partia com o outro acima, e com a dita Maria Afonso”.

96
Transcrição de João Costa FRAGMENTA HISTORICA

AFORAMENTO DE VINHAS NO CALHARIZ (LISBOA, 1390)


Transcrição de Pedro Pinto
CEH – NOVA
CHAM – FCSH/NOVA‐UAç

Resumo Abstract
1390 [E. 1428], Lisboa, Janeiro, 1

Instrumento de aforamento de vinhas no Deed of lease of vineyards at Calhariz (Lisbon)


Calhariz (Lisboa) por Beringária Eanes a Estêvão done by Beringária Eanes to Estêvão Cristóvães
Cristóvães e Inês Afonso. and Inês Afonso.

Malveira, Colecção João Pereira, Doc. 19

© Fragmenta Historica 2 (2014), (97-98). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

97
FRAGMENTA HISTORICA Aforamento de vinhas no Calhariz (Lisboa, 1390)
129
Documento

130
Sabhãm quantos esta carta E outra tal de foro virem Como eu bjringeira annes molher que
fuy de giral martjnz de lemos escudeiro morador na cidade de lixboa por mjm E por meus filhos que
tenho so meu poder, dou a foro pera uos steuom christoueens E Jnes Afomso vosa molher moradores
ao tempo desa em calhariz termho da dicta çidade E pera todos vosos socesores pera senpre todas as
vijnhas que en sa pose acaecerom aa dicta Jnes afomso uosa molher E a sas filhas per morte de Steuom
martjnz que foj seu marido que de nos tragia a foro Porque seendo vjuua a dicta Jnes Afomso seendo
viua por sij E por as dictas suas filhas que tjnha so seu poder vinhas encanpou, as quaes vjnhas som no
dicto logo de calhariz E partem de todas partes com outros herdades mjnhas as quaes vos dou a foro
Como dicto he com todas sas aruores E perteecas E entradas asj E pella gisa que aA [sic] dicta vosa
molher acaecerom so tal preito E condiçom que uos E vossa molher E socesores em cada huũ ano
adubedes as dictas vinhas descauar E cauar E amergulhar E podar E chancar todo a seus boos tempos e
sazoes per guisa que seiam melhorados E nom peijorados E dedes a mjm E a meus socesores pera
senpre en cada huum Ano, no nouo a quarta parte do nouo, que deus nas dictas vinhas der, o vjnho
branco aa bica do meu lagar no dicto logo E acjma na Era E de foro em cada huũ Ano no 131 nouo vjnte
soldos de qualquer moeda que correr em este rrejno E começejdes a dar a quarta parte do nouo E foro
em este nouo primeiro que uem E asy de hy adeante em cada huũ Ano pera senpre, E eu obrigo os meus
beens E dos dictos meus filhos, a uos liurar E defender as dictas vjnhas em todo o dicto tempo so pena
de uos correger a perda E dapno que rreçeberdes E com dez soldos cada huũ dia de pena E que uos nem
vossa molher nem socesores, nom auedes vender as dictas vinhas, nem dar nem doar nem escanbhar
com egreya nem moesteiro nem frade nem clerigo, nem caualeiro, nem dona, nem judeu nem mouro,
nem com outra pesoa das defesas em dereito E se as de uender ouuerdes deuede llo fazer saber a mjm,
ou a meus socesores se os queremos de tanto por tanto E se as nom quisermos entom as venderdes, aa
tal pesoa que seya da uossa condiçom, que a nos de a quarta parte do nouo E foro, pella gisa que uos
sodes obrigados, E nom o fazendo uos assj nem conprindo 132 as dictas cousas nem pagando a dicta
quarta parte E foro em cada huũ ano que de hij adeante, as conpredes E pagedes, a saluo com custas E
despesas que por esto nos senhorjo fezermos E com dez soldos em cada huum dia de pena E seer
çitados E rresponder E pagar E fazer de uos dereito perante os Juizes da dicta Çidade, E eu dicto Steuom
Christoueenz a esto presente por mjm E por a dicta mha molher E soçesores louuo E outorgo, todas as
dictas, cousas E cada huma delas E tomo em mjm as dictas vjnhas ao quarto E foro, E obrigo todos meus
bees moujs E rraiz, auidos E por auer, E da dicta mha molher E socesores, a os conprar E pagar so a dicta
pena as quaes cousas louuamos E outorgamos E pedijmos a fernam perez tabeliom senhos stormentos
fectos nas pousadas da dicta dona sete dias de Janeiro Era de mjl E quatroçentos E vjnte E ojto Anos
testjmunhas rrodrigo Eannes E afomso galego Ruj gonçalues Joham dominguez criados da dicta dona, Eu
fernam perez tabeliom que A esto duas cartas d huũ teor escreuj E aqui meu sijnal fiz que he tal [sinal de
tabelião] he este he da dona

129
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.
130
No verso: “nouenta [...] Carta de enprazamento que beringueria annes fez a enes affomso de vínhas que som em
calharíz., ao quarto.,.”; “esta deue de ser as do qoarto de bemfiqa mas so seram todas asi”; “Calhariz”; “Calhariz”; “Maço 13
nº 29 Emprazamento que fez Beringela anes a Ines afonso das ujnhas de calhariz pola reção aqui declarada., ano de 1438
Calhariz”.
131
Riscado: “vj”.
132
Riscado ilegível.

98
Transcrição de João Costa FRAGMENTA HISTORICA

VENDA DE HERDADE EM REDONDO (1397)


Transcrição de Pedro Pinto
CEH – NOVA
CHAM – FCSH/NOVA‐UAç

Resumo Abstract
1397 [E. 1435], Redondo, Agosto, 22

Instrumento de venda de parte de uma herdade Deed of sale of part a property which had
que pertencera a João de Cabra no termo de belonged to João de Cabra in the vicinity of
Redondo a Gonçalo Eanes da Silveira e Leonor Redondo made to Gonçalo Eanes da Silveira and
Gonçalves, sua mulher, e a Diogo Álvares e Mor Leonor Gonçalves, his wife, and to Diogo Álvares
Esteves, sua mulher. and Mor Esteves, his wife.

Malveira, Colecção João Pereira, Doc. 20

© Fragmenta Historica 2 (2014), (99-100). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344


99
FRAGMENTA HISTORICA Venda de herdade em Redondo (1397)
133
Documento

Saybham quantos esta carta de venda e outra tal anbos d huũ Como Eu gomez lourenço
tabaliom e morador na villa do rredondo testamenteiro de Joham de quabra ia ffjnado morador que
ffoij outrossij no dicto logo do redondo per poder de sseu testamento que pera esto tenho vendo E
outorgo A uos gonçallo Eannes da silueira escudeiro E A ljonor gonçaluez uossa molher E A uos djago
Aluarez escudeiro e A Moor esteuez uossa molher todos moradores na Çidade d euora todo qjnhom E
dereita parte que o dicto ffjnado Avija E de dereito djvija d auer em na herdade que ffoj de picastel que
he termo do dicto llogo <a qual herdade o dicto fjnado erdou per morte de basco affomso clerjgo sseu
sobrinho> que parte d huũ cabo com Joham viçente da torre E da outra com Steuom domjnguez E da
outra com Joham reij E per outras djvissões per hu de dereito deue de partir A qual dereita parte da
dicta herdade ffoj trayida em prazo per Joham moreno pregoeiro do dicto llogo do redondo E deu de
ssij ffe que a trouuera em pregom dous messes E mais E nom Achou quem da dicta herdade mais desse
que uos que destes per ella seisçentas E ssateenta libras das quaes me dou por entrege E pagado pera
conprir o testamento do dicto ffjnado E porem em nome do dicto ffjnado mando E outorgo que Aiades
uos dictos conpradores E todos sseçores [sic] E hereeos que pos uos veerem a dicta dereita parte da
dicta herdade com todas ssuas entradas E ssaidas E dereitos E perteenças pella gissa que Ao dicto
ffjnado Avija E de dereito divija d auer que ffaçades della E em ella o que A uos prouger como de uossa
coussa propria possisom E pellas vontades do dicto fjnado me obrigo a uo lla deffender E ljure de todo
enbargo E per esta carta uos meto della de posse E propriadade E corporal possissom bem como ffosse
per erua per terra
em testjmunho deste uos ffiz esta carta per mjnha maão ffecta na dicta villa do rredondo vijnte
E dous dias d agosto Era de Mil E iiijC E trinta E Çinco Anos
testjmunhas Affomso callonbo E Joham martjnz Junqueiro E Joham pauja [?] E Joham
Requerido E outros E eu gomez Lourenço ssuso dicto tabaliam que esto escreuij E Aquij meu ssijnal ffiz
que tal he [sinal de tabelião]
Esta tenha o dicto gonçallo Eannes
<nom Seia duvida na Antreljnha que diz a qual erdade o dicto ffjnado erdou per morte de
basco affomso creligo sseu ssobrinho que eu dicto tabaliom a escreuj>

133
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.

100
Transcrição de Pedro Pinto FRAGMENTA HISTORICA

ENCAMPAÇÃO DE VINHA NO CALHARIZ DE LISBOA A JOÃO EANES,


PEDREIRO E MESTRE DAS OBRAS DO CONCELHO (1405)
Transcrição de Pedro Pinto
CEH – NOVA
CHAM – FCSH/NOVA‐UAç

Resumo Abstract
1405 [E. 1443], Lisboa, Dezembro, 1

Instrumento de encampação de uma vinha em Deed of revocation of a lease of a vineyard at


Calhariz (Lisboa), aforada por Beringária Eanes a Calhariz (Lisbon), formerly leased by Beringária
João Domingos e Maria Eanes, a João Eanes, Eanes to João Domingos and Maria Eanes, and
pedreiro e mestre das obras do concelho. now leased to João Eanes, stonemason and
master of the works of the townhall.

Malveira, Colecção João Pereira, Doc. 21

© Fragmenta Historica 2 (2014), (101-103). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

101
FRAGMENTA HISTORICA Encampação de vinha no Calhariz de Lisboa a
João Eanes, pedreiro e mestre das obras do concelho (1405)
134
Documento

Em nome de deus sabham quantos este pubryco stormento d afforamento vyrem que na era
de mjl e quatrocentos e quareenta e tres Annos primeyro dia do mes de dezenbro em A Çidade de
Lixboa dentro nas Cassas de Morada de byringueyra eannes Molher de gyral martjnz Caualeyro ia
ffynado em presença de mjm diego aluarez publico tabaliom d el Rey em a dicta Çidade e testimunhas
adiante Scpritas stando no dicto logo a sobredicta byryngueyra eannes pareçeo Johãm domjngos
tenoeyro morador na dicta Çidade A ualuerde e Maria annes sua Molher, dizendo que elles traziam e
tynham da dicta byryngueyra eannes que presente staua afforada, hũa bynha pera senpre que he em
termho dessa meesma Ao logo que chamam, o porto de Calharyz que partya E parte de todas partes
com bynhas da dicta byryngueyra eannes, por A qual lhe aujam de dar em cada huũ Anno, o terço do
que deus em a dicta bynha desse conuem a ssaber o bynho branco no lagar E a cynca na Eyra, E que ora
elles Eram Ja velhos e canssados que nom podiam nem podem adubar a dicta bynha Como Eram
obligados, E que emcampauam como logo emcanparom aa dicta byryngueyra eannes, com esta
condiçom que a afforasse logo a Johan eannes pedreyro Meestre das obras do concelho da dicta Çidade
que outrossy presente staua que Era homem mancebo E adubarya bem E rrepayrarya a dicta bynha
daquello que lhe conprisse conuem a ssaber assy E pella gujssa que a elles traziam afforada Ao terço, E a
dicta byryngueyra eannes que presente staua, disse que lhe prazía E rrecebya Como logo Reçebeo em
ssy dos sobredictos a dicta emcanpaçom da dicta bynha, E a deu logo E afforou Ao dicto Johan eannes
pedreyro que presente staua pera senpre que ouuesse E lograsse E possuysse pera senpre elle E todos
seus socessores que depois elle beesse assy E pella gujssa que a trazia, o dicto Joham domjnguez e sua
molher com esta condiçom que elle dicto Johan eannes E todos seus socessores que depos elle beessem
adubasem E rrepayrasem bem E ffyelmente a dicta bynha em cada huũ Anno de todos adubyos que lhe
conprissem E mester ffezesse a seus tenpos E ssazoes aas suas propias custas E despessas per gujssa que
senpre fosse E seia melhorada E nom peiorada E desse E pagasse elle dicto Johan eannes E todos seus
socessores que depos elle beessem della dona byryngueyra eannes E a seus socessores que depos ella
beerem pera senpre, o terço do ffructo que deus der na dicta bynha em cada huũ Anno em paz a saluo
conuem a ssaber o terço do bynho branco no lagar E o terço da cynca na Eyra E mais huũ par de
galynhas de fforo em cada huũ Anno por dia de Natal boas E Recebondas E compeçar de pagar as dictas
galynhas por o dicto dia de Natal que ha de byr da Era de mjl E quatrocentos E quareenta E quatro
Annos E dy em diante em cada huũ Anno por o dicto dia, E que eelle dicto Johan eannes E seus
ssocesores nom posam bender nem dar nem doar nem escanbar nem emalhear a dicta bynha a nenhũa
pessoa sem o ffazendo primeyro saber A ella dicta byryngueyra eannes ou a seus socessores se o
querem por o preço que della ouerem dar de conpra ou permudaçom E querendo a que a aJam por o
dicto preço que ouerem della dar de conpra ou permudaçom E nom a querendo que A entom A
uendom, ou permudem A tal pessoa que pague o dicto preço E fforo Como dicto he E ha nom bendam
nem permudem A nenhũa pessoa que o dereito defende E obligou todos seus bees moujs E de rraiz a
lhes liurar E defender E emparar a dicta bynha A todo tenpo de quem quer que lhes sobre ella qujsser
poee alguũ embargo per qualquer gujssa que seia sso pena de lhe Correger com todas custas E perdas E
dapnos que eelles dictos emphytiotas por ello ffezerem E rreceberem E com mais Cynquoenta libras em
cada huũ dia por pena E em nome de dapnos E Jmteresse E lhes pagar quanto na dicta bynha ffor ffecto
E milhorado E outro tanto Ao senhor da terra Como he de Custume, O dicto Johan eannes pedreyro A
todo esto presente por ssy E por todos seus ssocessores E herdeyros tomou E Recebeo em ssy a dicta
bynha de fforo E afforo pera senpre Como susso dicto he com todollas clausullas E condyções susso
dictas E declaradas E sse obligou per ssy E seus beens Mouys E de Raiz Auudas E por auer E a teer E

134
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.

102
Transcrição de Pedro Pinto FRAGMENTA HISTORICA

manteer E adubar E a pagar o dicto terço E fforo em cada huũ Anno Como susso dicto E declarado he so
a dicta pena, E todo as dictas partes louuarom E outorgarom E pedyrom dello senhos stormentos E mais
quantos lhes conprisem
testimunhas que presentes fforom affomso esteuez sogro do dicto Johan eannes e Joham
domjngez manhaaes braceyro E Joham de lixboa braceyro E diego domjngez alffayate Moradores em val
uerde da dicta Çidade E outros E Eu sobredicto diego aluarez tabaliom que per outorgamento E
mandado das ssobredictas partes este stormento E outro tal Anbos de huũ teor scpreuy E em cada huũ
meu sygnal ffiz que tal he [sinal de tabelião]

103
FRAGMENTA HISTORICA Encampação de vinha no Calhariz de Lisboa a
João Eanes, pedreiro e mestre das obras do concelho (1405)

104
Transcrição de João Costa FRAGMENTA HISTORICA

ENCAMPAÇÃO DE PARDIEIRO NO REDONDO PERTENCENTE A LEONOR


GONÇALVES DA SILVEIRA (1414)
Transcrição de Pedro Pinto
CEH – NOVA
CHAM – FCSH/NOVA‐UAç

Resumo Abstract
1414 [E. 1452], Redondo, Agosto, 15

Instrumento de encampação em Leonor Deed of revocation of a lease of a ruined house


Gonçalves da Silveira de uma casa em pardieiro by Leonor Gonçalves da Silveira at Redondo
no Redondo, que trazia João Gonçalves e previously leased to João Gonçalves and
Margarida Lourenço. Margarida Lourenço.

Malveira, Colecção João Pereira, Doc. 22

© Fragmenta Historica 2 (2014), (105-106). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

105
FRAGMENTA HISTORICA Encampação de pardieiro no Redondo pertencente
a Leonor Gonçalves da Silveira (1414)
135
Documento

Sabham os que este estormento d encapaçam vyrem que na Era de mill e quatroçentos e
çincoenta e dous anos quinze dias do mes de d agosto em na vylla do Redondo dentro em nas casas da
morada d afomso eannes callenbo seendo hy lyonor gonçaluez da syllueira morador na Çidade d euora e
logo per a dicta lyonor gonçaluez foy dicto a Joham gonçaluez e a margarida lourenço sua molher que
presentes estauam que asy Era uerdade que elles tijnham em a dicta vylla huma casa em pardeeiro de
que ella Requerya que ergese a dicta casa 136 e Reparasem em tal gisa que ella pollo aazo della nom
Reçebese dano em nas suas ou lhas encanpase e ella dicta lyonor gonçaluez a farya e nom a querendo
elles dicto Joham gonçaluez e margaryda lourenço sua molher fazer nem eryger que ella protestaua que
se se lhe alguma perda ou dano Recreçese pollo aazo della a lho corregerem elles sobredictos Joham
gonçaluez e sua molher per seus beens e per os sobredictos Joham gonçaluez e margaryda lourenço sua
molher foy dicto que elles lhe encanpauam o dicto pardeeiro que o ergese e que fezese delle o que
quisese como de sua cousa propya que elles o nom podyam erger nem fazer e de como os sobredictos
diziam que encanpauam o dicto pardeeiro e que o nom podyam fazer a dicta lyonor gonçaluez tomou a
dicta encanpaçam em sy e pedyo a sy huum estormento testemunhas que presentes estauam o dicto
afomso eannes calenbo e martym de monçaraz e frausto fylho de Johãm franco e outros e eu lourenço
eannes taballyam d El Rey em na dicta vylla do Redondo que a esto presente foy e este estormento
escreuy e aqui meu synall fiz que tal he [sinal de tabelião]

135
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987
136
Riscado: “s”.

106
Transcrição de João Costa FRAGMENTA HISTORICA

VENDA DE UMA HERDADE EM ÉVORA-MONTE (1423)


Transcrição de Pedro Pinto
CEH – NOVA
CHAM – FCSH/NOVA‐UAç

Resumo Abstract
1423, Évora-Monte, Janeiro, 9

Instrumento de venda de uma herdade em Deed of sale of a property at Évora-Monte made


Évora-Monte por Gil Vicente e Catarina Eanes a by Gil Vicente and Catarina Eanes to Vasco
Vasco Esteves e Catarina Martins. Esteves and Catarina Martins.

Malveira, Colecção João Pereira, Doc. 18

© Fragmenta Historica 2 (2014), (107-108). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

107
FRAGMENTA HISTORICA Venda de uma herdade em Évora-Monte (1423)
137
Documento

Saibham os que Esta carta virem Como eu gil viçente E Eu cataljna annes, sua molher
moradores em Euora monte vendemos a uos vasco esteuez E a uosa molher catallina martijnz
moradores na çidade d euora huma Erdade que nos auemos em termho d Euora monte na Ribeira de
figueira a quall foy d esteuainha Esteuez a qual nos ella vendeo como testementeiro que he E
uendemos a uos a djta Erdade per onde quer que for achada que he de direito da dita Esteuajnha
Esteuez porque asy a conpramos do djto testementeiro com todas suas Entradas E saidas E dereitos E
perteenças quanta ha E de dereito deue d auer a saber he per çerto que nos dous vendedores de uos
contamos E Reçebemos E somos bem pagados conuem a saber dous mjll E çem Reaes brancos moeda
que ora corre E porem nos djtos vendedores mandamos E outorgamos que uos djtos conpradores
aJades a djta Erdade pella guyssa que dito he deste dia pera todo senpre E todos vosos Erdeiros que
depois de uos veerem E façades della E em Ella todo Aquello que uos aprouer asy Como de uoso Auer
propio E de uosa propia cousa E uos obrigamos per nos E per nosos beens Auer Enfender [sic] a dita
venda de quallquer que uo lla queira Enbargar em Jujzo E fora delle E se uo lla nos Em Jujzo outorgar
nom quisermos E enfender nom podermos que uos Conponhamos a djta venda Como for dereito
E em testemunho desto todo vos mandamos asy seer fecta Esta carta pella quall vos metemos
Em posse E corporall possysom da dita Erdade
fecta foy a djta carta Em a djta vjlla d Euora monte Aos noue dias do mes de Janeiro Era do
Anno do naçimento do noso Senhor E saluador Jesu christo de mjll E quatroçentos E ujnte E tres Anños
testemunhas gil Afomso E vasco Esteuez Anadall E Joham de ueiros E outros E Eu Aluaro gonçalluez
taballiam por dom fernando em a djta vjlla que Esta carta Estpreuy E em Ella Meu synall fjz que tal he

[sinal de tabelião]

pagou xx Reaes com nota

137
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.

108
Transcrição de João Costa FRAGMENTA HISTORICA

SENTENÇA DE D. AFONSO V NUM PLEITO ENTRE O CABIDO DA IGREJA


DE SANTA MARIA DE GUIMARÃES E FERNÃO VASQUES DA CUNHA
(1438)
Transcrição de Carlos Silva Moura
CEH – NOVA
CHAM – FCSH/NOVA‐UAç

Resumo Abstract
1438, Golegã, Novembro, 18

Sentença régia num pleito entre o cabido da Royal sentence in a judicial case involving the
Igreja de Santa Maria de Guimarães e Fernão chapter of the church of Santa Maria de
Vasques da Cunha, senhor da terra de Basto, Guimarães and Fernão Vasques da Cunha, lord
sobre a arrecadação dos direitos do vinho nos of Basto, concerning the income of wine duties
casais e quinta de Ribas. in the households and farm of Ribas.

Lisboa, Torre do Tombo, Colegiada de Guimarães, Documentos Régios, Maço 3, N.º 2

© Fragmenta Historica 2 (2014), (109-115). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

109
FRAGMENTA HISTORICA Sentença de D. Afonso V num pleito entre o cabido
da Igreja de Santa Maria de Guimarães e Fernão Vasques da Cunha (1438)
138
Documento

+
Sentenca d ell rei Como os casaes de rribas de basto nom pagem sete allmudes de vinho ao Senhor da
terra., 139

Dom afomso pella graça de deus Rey de portugall E do algarue E Senhor de


çepta,
A bos Joham esteuez nosso almoxarife em gujmaraães E a outros quaeesquer a
que o conheçimento desto perteençer a que esta carta de Sentença for mostrada Saude
140
sabede que dante diego martjnz seendo almoxarife em a dicta billa Aa nossa
corte beo huũ fecto per apellaçom que era antre o cabidoo da Jgreia de sancta maria de
guimaraaes per diego afomso seu procurador da hũa parte E Joham de Roças da outra o
quall premeiramente foi ordenado antre o dicto cabidoo E fernam uaasquez da cunha
dizendo o chantre E cabidoo da dicta billa de gujmaraães que teendo o dicto cabidoo E
sua Jgreia na freguesia de Ribas terra de basto hũa sua quintaã que chamauom de Ribas
com todas suas perteenças a quall era hisenta toda do dicto cabidoo sem fazendo feu
nem foro a outra nenhũa pessoa que o dicto fernam uaasquez per sua força E autoridade
sse fora aa dicta quintaã per sy E per seus homeens em huũ dia dos meses do anno de iiij
E xxxb E leuara <d>a dicta quintaã quoreenta almudes de 141 ujnho leuando o per tres
uezes nom sabendo porque E porem pediom contra elle que lhe tornasse seu binho ou
por elle oitoçentos Reaes brancos mais ou menos o que ueesse em boa uerdade segundo
em sua petiçom mais conpridamente era contheudo
E da parte do dicto fernam uaasquez fora dicto que era uerdade que elle
mandaua em cada huũ anno tomar çerto ujnho em a dicta quintaã segundo era
contheudo em huũ Repartimento fecto pello dicto almoxarife do ujnho que nos aujamos d
auer na freeguesia de uall de burro porque achara por enqueriçom que huũ homem
trouuera de maão do dicto cabidoo hũas ujnhas Regueengas que forom estimadas pera
nos em cada huũ anno sete almudes de ujnho E as leixara colher a monte E mandara que
pellos beens do cabidoo ouuesemos em cada huũ anno o dicto binho ou o senhor da terra
segundo que llogo mostrara o dicto Repartimento fecto pello dicto almoxarife em o quall
sse contijnha que hũa ujnha de uall freosso que fora de uaasquo Eannes de Ribas que era
do cabidoo de gujmarãees E a trazia o dicto uaasquo Eannes da maão do dicto cabidoo E
fora estimada a sete almudes de ujnho pera nos
E porem mandaua que o dicto cabidoo pagasse o dicto ujnho pois leuaua a
pensom da dicta bjnha E a leixara perder dizendo sse da parte do dicto cabidoo que elles
queriom prouar que trazendo as dictas binhas de mão do dicto baasquo Eanes huũ Joham

138
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.
139
Resumo do documento, inscrito no verso. Um outro resumo, mais antigo, apresenta pouca legibilidade. Outro resumo,
mais tardio: "Sentenca D el Rey como os cazaes De Ribas não paguem direittos ao senhor Da terra Era 1438 com mais
quatro sentencas Em que entra hum Aluara pera notificar a Fernão da Cunha Coutinho que não queria obedecer as
sentencas".
140
Riscado: “f”.
141
Riscado: “ujr”.

110
Transcrição de Carlos Silva Moura FRAGMENTA HISTORICA

figueiredo que o dicto fernam bassquez lhas mandara tomar como seu Regueengo porque
lhe nom pagaua o foro dellas E as teuera por espaço de dous annos leuando delas 142 os
frutos E em aquelles dous annos se daneficarom 143 entanto que nunca sse nenhuũ dellas
mais enpachou e porem a dicta sua quintaã nom era tehuda a pagar o dicto ujnho E lhe
deuja seer entregue o ujnho que o dicto fernam uaasquez leuara
E sseendo todo ujsto pello dicto almoxariffe mandou ao dicto cabidoo sse se
quissese escusar de pagar o dicto ujnho que çitasse os herdeiros d afomso dominguez
polinho E de basco gonçalluez testementeiros que forom de afomso martjnz filho de
martim dominguez ujnhateiro uezinho de gujmaraães os <quaes> seendo pera ello çitados
da parte do dicto cabidoo fora dicto que pello dicto diego martjnz seendo almoxarife fora
fecto çerto Repartimento de ujnho em terra de basto que aujom de pagar çertas pesoas
moradores na freeguesia de Ribas E em outras freguesias dE fernam uaasquez da cunha
que era Senhor da dicta terra antre o quall Repartimento mandara que pellos beens do
dicto cabidoo ouuesse o dicto fernam uaasquez sete almudes de ujnho porque dezia que
achara por testemunhas que uaasquo eannes Ja finado morara na dicta quitaã [sic] de
Ribas que era Jsenta do dicto cabidoo e trazia hũas ujnhas a que chamauom de uall
freosso de maão do dicto cabidoo per as quaees o dicto cabidoo auja em cada huũ anno
seis libras da moeda antiga E o dicto fernam uasquez mandara per seus homeens tomar
na dicta quintaã xxbiijº almudes de ujnho que amontaua em quatro annos dizendo o dicto
cabidoo per seu procurador que a dicta quintaã nom era theuda a pagar o dicto ujnho
porquanto diziam que as dictas seis libras forom mandadas ao dicto cabidoo per martim
dominguez ujnhateiro morador que foy em a dicta ujlla de gujmaraães per todas as suas
herdades E cada hũa dellas
E o dicto uaasquo Eanes conprara a meetade das dictas herdades que forom do
dicto martim dominguez .s. a meetade da quitaã [sic] de soutalinho E paçoo a quall
conpra fezera afomso dominguez polinho que ficara herdeiro E testementeiro do dicto
martim 144 dominguez E o dicto uaasquo Eanes se obrigara a pagar os carregos que aa
dicta quintaã de paçoo perteençesem E as dictas seis libras ao dicto cabidoo E diziom que
as dictas ujnhas de uall freosso Erom das perteeças [sic] da quitaã [sic] de soutelinho E de
paçoo E nom da quitaã [sic] de Ribas E que o dicto uaasquo Eanes sse ueera a finar E as
sobredictas herdades ficarom a Joham de Roças E a outra meetade que ficara per morte
de maria annes que fora herdeira do dicto martim dominguez as trazia todas Juntamente
E pessoia o dicto Joham de rroças as quaees erom todas tehudas E obrigadas aos dictos
sete almudes de ujnho E nom a dicta quitaã [sic] de Ribas que era hisenta do dicto
cabidoo
E porem pediom que per Sentença asoluese a dicta quitaã [sic] de Ribas E
chantre E cabidoo dos dictos sete almudes de uinho E os mandase Restetoir ao ujnho que
lhes asy della fo<ra>145 tomado E mandasse constranger o dicto Joham de Roças que o
pagasse pois trazia as dictas herdades segundo em sua petiçom mais conpridamente era
contehudo a quall foy Julgada que proçedia E mandado ao dicto Joham de Roças que
contestasse E ante da dicta contestaçom da parte do dicto cabidoo fora dicto que afomso
Eanes çego morador em Ribas moraua em hũa casa E trazia outras herdades que forom
do dicto martim dominguez 146 ujnhateiro E que pois presente estaua que o libelo E

142
Riscado: “of”.
143
Riscado: “entand”.
144
Riscado: “doih”.
145
Palavra emendada. Primeiro, escreveu: “fosse”.
146
Riscado: “ujh”.
111
FRAGMENTA HISTORICA Sentença de D. Afonso V num pleito entre o cabido
da Igreja de Santa Maria de Guimarães e Fernão Vasques da Cunha (1438)
petiçom que tijnhom dado contra 147 o dicto Joham de Roças que esse medes daua contra
o dicto afomso Eanes çego dizendo o dicto afomso annes que a erdade que elle trazia Era
dos crerigos de sam cremenço
E da parte do dicto Joham de Roças foy contestada a dicta petiçom dada pello
dicto cabidoo contra elle della per confisom E della per negaçom E foy Julgado que
contestaua que auondaua148 E da parte do dicto cabidoo forom dados artigoos os quaees
forom Julgados por perteençentes E o dicto Joham de Roças <de>pos a elles por
Juramento E sobre o negado foy tjrada enqueriçom A quall acabada aberta E pobricada E
bista pello dicto almoxariffe Julgou que o dicto cabidoo prouaua tanto que os beens E
herdades que forom do dicto martim dominguez 149 Erom obrigados ao dicto Regueengo E
porem mandaua que fossem çjtados afomso Eanes çego E Joham de figueiredo E maria
uaasquez molher que foy de uaasquo Eanes pera dizerem se aujam algũas Razoões a
enbargar a defenitiua Os quaees forom çjtados
E seendo per elles Razoado cada huũ pella sua parte da parte da dicta maria
uaasquez foy dado huũ estormento em o quall fazia mençom que presente Joham bicente
procurador do dicto cabidoo a dicta maria uaasquez disera que ella trazia hũas herdades
que forom do polinho que era no Julgado de çelorico de basto honde chamauom ladairo
.s. hũa herdade que chamauom a ujnha da fonte dos sapos E outra que chamauom pella d
orta E outra que chamauom o namorado E uall freosso as quaes herdades Ella E o dicto
seu marido conprarom ao dicto polinho com todos seus encarregos e ellas pagauom ao
dicto cabidoo em cada huũ anno seis libras da moda [sic] antiga E quando se o dicto seu
marido finara que lhas leixra [sic] per manda E que pagasse as dictas seis libras ao dicto
cabidoo E porquanto ella era uelha E cansada E nom podia aproueitar as dictas herdades
nem pagar as dictas seis libras que porem ella de sua propria uontade as demetia ao dicto
cabidoo pera senpre com todas suas perteenças E com todos os direitos que ella nas
dictas herdades auja E o dicto Jom [sic] bicente como procurador que era do dicto cabidoo
disera que elle Reçebia a dicta demjtiçom aa dicta maria uaasquez asy E pella gujsa que o
ella dezia segundo todo mais conpridamente no dicto estromento 150 era contheudo
E sseendo sobre ello Razoado da hũa parte E da outra E bisto pello dicto
almoxariffe o dicto fecto E o que se per elle mostraua 151 E como o dicto cabidoo nom
podia auer as dictas herdades Regueengas pella lley d el Rey dom denjs E ujsto como a
dicta quintaã de çima de Ribas nem outras herdades do dicto cabidoo nom erom
obrigadas a nos nem ao dicto fernam uaasquez pello dicto ujnho sobre que era a dicta
contenda per Sentença defenjtiua asolueo o dicto cabidoo E suas herdades de pagar o
dicto ujnho
E porque achara que as dictas herdades de uall freosso Regueengo sobre que era
a dicta demanda erom das perteenças de paçoo E soutelinho que forom do dicto martim
dominguez em a quall quitaã [sic] <de paaço> moraua o dicto Joham de Roças E na de
soutelinho moraua afomso Eanes o çego 152 as quaees quintaãs erom tehudas a pagar o
dicto ujnho porquanto as herdades de uall freosso Jaziom hermas E despouoadas per as
quaees se auja de pagar o dicto ujnho E ujsto como a dicta maria uaasquez nom tinha

147
Riscado: “d”.
148
Palavra emendada. Primeiro, escreveu: “auondad”.
149
Riscado: “que”.
150
Riscado: “mais conpridamente”.
151
Riscado: “E as”.
152
Riscado: “au”.

112
Transcrição de Carlos Silva Moura FRAGMENTA HISTORICA

beens E ujsto como pello dicto almoxariffe fora fecto huũ Repartimento das dictas
herdades de uall freosso E lançara sete almudes ao cabidoo E tres aa dicta maria uaasquez
E aos herdeiros de polinho pellas quaees elle nom achaua herdeiros do pollinho nem
beens aa dicta maria uaasquez que porem mandaua que os dictos dez almudes de ujnho
se pagasem a nos ou ao Senhor da terra .s. sete almudes pella quintaã de soutellinho que
trazia afomso Eanes o çego E dous que elle auja de pagar pello Repartimento E os tres
almudes de ujnho pagasse Joham de Roças pella quintaa de paçoo E seis libras que
lançara no rrepartimento porquanto a<s> dictas quitaãs [sic] forom do dicto martim
dominguez que era tehudo de pagar o dicto ujnho do dicto Regueengo E fose sem custas
da quall Sentença o dicto Joham de rroças pera nos apellou
E o dicto 153 almoxarife lhe rreçebeo a apellaçom a quall ujsta per nos em
Rolaçom ante que em ella desemos liuramento mandamos ao dicto almoxarife que nos
enujase dizer sse as dictas ujnhas de uall freosso que forom encanpadas ao dicto cabidoo
de gujmaraães per maria uaasquez sse erom as ujnhas que erom contehudas na Sentença
de Joham pirez escollar que Jaziom no monte d ençoos E se esas fosem que soubesse
parte sse pagarom dellas senpre o foro do ujnho das oito quartas a nos em cada huũ anno
ou quanto tenpo auja que o nom pagarom E outrosy nos enujasse dizer sse erom
daneficadas sse aproueitadas E sse deneficadas erom 154 soubesem [sic] em cuio poder sse
deneficarom E sse forom deneficadas depois que forom encanpadas a egreia de
gujmaraães sse ante E sse depois que encapadas [sic] forom ao dicto cabidoo se foy em
posse dellas fernam uaasquez da cunha E sse as leixou denjficar E cando E outrosy
soubesse se a dicta Jgreia de gujmarães estaua em posse das outras herdades que forom
encanpadas per maria uaasquez .s. da herdade de ladairo E da herdade da fonte dos sapos
E a outra que chamauom pella d orta que trazia afomso de fegueiredo E que esto sse
fezese presente o procurador do dicto cabidoo E o dicto Joham de Roças E que asy no llo
enujase todo per enqueriçom a quall enqueriçom foy sobre ello tirada E enujada
E seendo sobre ello Razoado pello procurador das dictas partes E pello
procurador de dona branca molher que foy do dicto fernam uaasquez da cunha E
concrusso o dicto fecto E ujsto per nos em Rolaçom com os do nosso desenbargo presente
o procurador do dicto cabidoo E aa rreueria das outras partes Acordamos que nom era
bem Julgado pello dicto almoxariffe condanar o dicto afomso Eannes çego E o dicto Joham
de Roças que pagasem os dictos sete almudes [de] ujnho que nos aujamos pellas ujnhas
de uall freosso pellas quaees a egreia de gujmaraães era penhorada na quintaã de Roças
E corregendo ujsto em como maria uaasquez molher que foy de uaasquo Eanes
de çjma de de [sic] rribas encanpou as dictas ujnhas com outros beens 155 ao dicto cabidoo
da Jgreia de gujmaraães pollas seis libras que lhe por ella[s] pagaua posto que per direito
o nom podese fazer por sseerem 156 no rregueengo a quall encanpaçom foy Reçebida
pello procurador do cabidoo da dicta egreia de gujmaraães E per aazo desto as ujnhas E
beens sse deneficarom E ujsto en como fernam uaasquez da cunha per dous E tres annos
leuou E uendimou o ujnho todo das dictas ujnhas de uall freosso nom auendo de auer
delas mais que 157 sete almudes de ujnho E por este aazo sse perderom E asy per aazo do
procurador do cabidoo em rreçeber a encanpaçom E de fernam uaasquez da cunha em
uendimar o ujnho das dictas ujnhas sse perderom de todo, porem uos mandamos que
tomees logo tantos dos beens E rendas do dicto cabidoo E do dicto fernam uaasquez per

153
Riscado: “s”.
154
Riscado: “se”.
155
Riscado: “E”.
156
Riscado: “nom”.
157
Riscado: “sete”.
113
FRAGMENTA HISTORICA Sentença de D. Afonso V num pleito entre o cabido
da Igreja de Santa Maria de Guimarães e Fernão Vasques da Cunha (1438)
que as dictas ujnhas seJohom [sic] logo fectas no dicto logar de uall freosso da
pobricaç[om] desta Sentença atee quatro anos pagando sse o terço das despesas pellas
Rendas do dicto cabidoo E as duas partes pellas158 Rendas de fernam uaasquez ujsto como
foy em maior culpa <e> em este tenpo de quatro anos mandamos que nom seiom
constrangidos o dicto afomso Eanes çego E o dicto Joham de rroças que paguem os dictos
sete almudes
E pasado o dicto tenpo E as ujnhas postas ujsto em como sse mostraua as dictas
ujnhas de uall freosso sseerem das perteenças da quintaã de paçoo E soutellinho as
quaees trazem o dicto afomso Eanes çego E o E o [sic] dicto Joham de rroças mandamos
que elles E seus herdeiros 159 as adubem E aproueitem pagando os dictos sete almudes de
ujnho a nos ou aaquell que a terra teuer em nosso nome E seia sem custas ujsto o que sse
pello dicto fecto mostraua a quall Sentença foy pobricada em o cano estando hy os nossos
desenbargadores 160 com a cassa aos xxix dias do mes de Julho da era aJusso escrita E nom
foy tirada pella parte
E fonmos depois Requerido da parte do dicto cabidoo da Jgreia de gujmaraães
per seu procurador que lhe mandasemos dar a dicta Sentença E foy fecta pergunta ao
nosso procurador se auja alguũ enbargo a lhe nom seer dada E per elle foy dicto que nom
auja enbargo nenhuũ E ujsto per nos seu dizer lha mandamos dar, porem nos mandamos
que a conprides E façades conprir E a guardar a dicta nossa Sentença pella gujssa que em
ella per nos he Julgado E mandado,
bnde all nom façades
dante em a gollegaã xbiijº dias de nonuenbro El Rey o mandou per diego gill
ferreira seu uassallo E do seu desenbargo E Jujz dos seus fectos Joham Eanes scpriuom em
logo de Joham de lixboa a fez Era do naçjmento de nosso Senhor Jesu christo de mjll E iiij
E xxxbiijº annos.,
E pagou Lx Reaes
a) Didacus

[Selo de cera]

[verso]
Porteiro da correiçom d antre doiro E mjnho
philipe ans [sic] Escollar Em djreito vasallo d el Rey E sseu Corregedor antre doiro
E mjnho uos mando que ujsto ste aluara uaades a ffernam coutinho E lhe dizeey
como ho cabijdoo de santa maria de gimarees sam çertos cassaes E erdades de
que stam Em posse asy da propriadade como dos ffroitos E nouos delle per bem
E ujrtude de seerem sseus proprios ssegundo teem per sta Sentença desta outra
parte scprita E que ssem Embargo della que o dicto ffernam coutynho per sua
fforça lhes leuara os ffroitos E rren<das> do lugar que chamam Ribas ssem teer

158
Palavra emendada. Primeiro, escreveu: “pellaas”.
159
Carácter riscado. Impreciso e ilegível.
160
Carácter riscado. Impreciso e ilegível.

114
Transcrição de Carlos Silva Moura FRAGMENTA HISTORICA

causa nem rrazom E que me pidiam rremedio com djreito


E eu ueendo o que me assy diziam E pidiam E ujsta a dicta Sentença
mando uos que chegees ao dicto ffernam coutinho E lhe rrequeiraas da parte d el
Rey que Entrege logo ao dicto cabijdo o 161 que ffor achado […] assy tomou
despois da dicta Sentença su pena de mjl dobras E que En diante su a dicta pena
nom lhes ffaça daqui Em diante fforça sobre o contijudo En sua Sentença E sse
ouuer algua rrazom ao nom fazer que o uenha 162 ou mande perante mjm
mostrar a tres dias E far lhe am djreito
E por sseerds [sic] çerto asijney aos xb dias do mes Julho Era do
naçementoo de mjl iiij Rix anos.,

a) phelipus

161
Respançado: “que”.
162
Riscado: “pera”.
115
FRAGMENTA HISTORICA Sentença de D. Afonso V num pleito entre o cabido
da Igreja de Santa Maria de Guimarães e Fernão Vasques da Cunha (1438)

116
Transcrição de Carlos Silva Moura FRAGMENTA HISTORICA

INVENTÁRIO DE TODOS OS BENS MÓVEIS E DE RAIZ PERTENCENTES À


IGREJA DE NOSSA SENHORA, MATRIZ DA VILA DE GÓIS (1552)
Transcrição de José Jorge Gonçalves
CHAM – FCSH/NOVA-UAç / CEH – NOVA

Resumo Abstract
1552, Góis, Setembro, 16

Inventário de todos os bens móveis e imóveis List of all the properties belonging to the Church
pertencentes à Igreja de Santa Maria de Góis of Santa Maria de Góis (Coimbra).
(Coimbra).

Lisboa, Centro de Estudos Históricos, Coleção Casa de Abrantes, n.º de inventário 631.

© Fragmenta Historica 2 (2014), (117-128). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

117
FRAGMENTA HISTORICA Inventário de todos os bens móveis e de raiz
pertencentes à Igreja de Nossa Senhora, matriz da Vila de Góis (1552)
163
Documento

164
[fl. 1] Saibão quantos este Estromento de Certidão com o Treslado do Tombo de todolos
bens e couzas, que são e pertencem á Jgreja de Nossa Senhora Matriz da Villa de Goes dado per
mandado e auctoridade de Justiça virem como em o Anno do Nascimento de Nosso Senhor JESVS
Christo de mil quinhentos e cincoenta e dois annos aos dezaseis dias do mez de Setembro do dito anno
em a Villa de Goes e nas Cazas moradas de Fernão Carvalho Escudeiro e Juiz Ordinario em a dita Villa
em sua prezença pareceo o Padre Manoel Luiz Beneficiado na Jgreja da dita Villa e per elle foi
aprezentado ao dito Juiz hum livro de papel encadernado em pergaminho, em o qual estão escritos
todos os bens de Raiz moveis Capellas e Couzas á dita Jgreja obrigatorias dizendo ao dito Juiz que o
Senhor Bispo mandára em suas Constituiçoens fazer o dito Tombo em todas as Jgrejas de seu Bispado, e
que delle lhe fosse enviado o Teslado em publico
e Requeria a elle Juiz em nome do Priol da dita Jgreja e como seu Procurador bastante que era
e assi por sua parte e dos mais Beneficiados da dita Jgreja que com o Treslado do dito Tombo conforme
a dita Constituição lhe mandasse dar hum / [fl. 1v.º] hum [sic] publico Estromento em modo que fizesse
fé pera ser levado ao Cartorio da Sé do Bispado como sua Senhoria mandava e visto per o dito Juiz o
dizer e requerer do dito Manoel Luiz mandou a mim Tabalião que com o Treslado do dito Tombo lhe
passasse o Estromento que pedia pera o qual elle Juiz disse que dava e interpunha toda sua auctoridade
e via ordinaria e mandava que se lhe desse inteira fé e credito onde quer que aprezentado fosse como o
proprio Original,
do qual Tombo o Treslado de Verbo a Verbo he o que se segue.
Anno do Nascimento de Nosso Senhor JESVS Christo de mil e quinhentos e quarenta e sete
annos aos dois dias do mez de Maio do dito Anno em a Villa de Goes e no Adro da Jgreja Matriz da dita
Villa estando hi Christovão Moreira Escudeiro e Juiz pela Ordenação em a dita Villa perante elle
apareceo o Padre Manoel Luiz Beneficiado na dita Jgreja,
e disse que por parte do Priol da dita Jgreja e como seu Procurador lhe requeria lhe mandasse
fazer Jnventario de todos os Passaes e Ornamentos e couzas, que pertencem á dita Jgreja assi de / [fol.
2] de [sic] moveis, como de raiz segundo forma da Constituição do Senhor Prelado,
e o Juiz visto seu requerimento mandou que lhe fosse feito pera o qual deo logo juramento
dos Santos Avangelhos corporalmente tangidos a Fernam Carvalho Escudeiro e a Jorge Rodrigues
Çapateiro moradores na dita Villa estes por serem homens antigos, e tambem por se o dito Manoel Luiz
Beneficiado nelles Louvar com elle Juiz pelo qual juramento elle Juiz lhes mandou que dessem a
Jnventario todos os bens de raiz vareados e medidos e decrarados onde estavão, e com quem partiam e
demarcavão segundo se na Constituição do Prelado conthem :
e tomado elles o juramento forão logo ver os Passaes e Cazas da Jgreja e tomarão huma corda
medida per huma vara de medir pela craveira e medirão nella quatro varas e com a dita corda de quatro
varas de medir elles medirão as cazas e terras ao diante escritas que pertencem á dita Jgreja e são dos
seus Passaes
e por verdade eu Antonio Gomes Tabalião que o Escrevi =

163
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.
164
No interior do primeiro caderno foi encontrada uma folha com uma nota manuscrita, em que se lê:
O Senhor Ricardo Joze Francisco me entregou dois mil oitocentos e oitenta, em que importou a Copia e leitura
dos dois monumentos.
Coimbra 14 de 7br.º de 1799
a) Manoel Rozado Varella

118
Transcrição de José Jorge Gonçalves FRAGMENTA HISTORICA

Jtem primeiramente as Cazas sobradadas que estão unidas com a dita Jgreja, e se achou a Caza
dianteira / [fol. 2v.º] dianteira [sic] sete varas de cumprido, e de largo quatro varas e quatro palmos =
Jtem outra Caza de dentro tem de cumpridam seis varas menos hum palmo, e de largo cinco
varas e dois palmos =
Jtem outra Camera Caleira tem de cumpridam cinco varas, e de largo duas varas e dois palmos
=
Jtem da redor [sic] das Cazas, duas Cazas terreas, e duas Cazas de tulha, onde se aRecolhe a
renda da Jgreja as quaes se nom varearão por estarem dentro do Adro aRedor da Crasta e fica a Crasta
no meio com huma Larangeira e figueira com a Jgreja todo cerrado ao redor com as ditas Cazas =
Jtem hum Cortinhal pegado com o Adro abaixo da fonte o qual parte com o dito Adro e
caminho da fonte e parte das ilhargas com chaons de Manoel Luiz e com chão de Jorge Rodrigues, e
com outro Chão da Jgreja que se chama o Chão das Colmeias o qual he cercado aRedor com alicerce de
parede d altura que dará pelos joelhos, o qual foi medido e tem de cumprido nove cordas de quatro
varas de medir de cinco palmos a vara e tem de largo dezasete varas e quatro palmos =
Jtem outro Serrado da Jgreja mais abaixo que se chama o chão das Colmeias cercado de redor
com alicerce de pedra e silveira o qual parte com chão do dito / [fol. 3] do dito [sic] Manoel Luiz, e com
o chão do Conselho do porto do moninho com a barreira que está sobre o caminho que vai ao longo do
rio o qual foi medido, e tem de cumpridam doze cordas de quatro varas cada corda e de largo tem dez
cordas e nove palmos =
Jtem se achou que tinha a dita Jgreja hum souto grande que está detraz as cazas digo detraz as
ditas Cazas da tulha da Jgreja o qual parte de hum cabo do caminho da fonte até o Souto de Braz
Gonçalves então parte com o dito Souto, e com chão de Balthezar Fernandes, e com chão de Jzabel da
Costa e di pelo fio do comaro da barreira partindo com Jorge Rodrigues ao travez ate o Souto que está
sobre São Vicente que he de Braz Gonçalves, e di torna a travessar pelo comaro dantre o dito Souto da
Jgreja, e o da torrinha, que he do Senhor Dom Diogo, e vem descer á Caza da tulha o qual está todo
daRedor tapado de parede e Vallor e pelo fio da barreira agua vertente pelas confrontações sobreditas
o qual tem de cumpridam vinte e nove cordas de quatro varas cada huma, e de largura tem vinte e sete
cordas menos hũa vara pelo meio arriba acima =
Jtem mais hum Souto bravio que está detraz a Capella que parte ao travez pelo Adro, e da
banda de sima com o Souto da torrinha e tem de travez / [fol. 3v.º] de travez [sic] sete cordas de quatro
varas menos dois palmos, e do Adro pera a torrinha tem quatro cordas =
Jtem derão ao Jnventario outro Souto que está antre os Soutos do ribeiro, e parte da banda de
baixo com o Souto de Joanna Annes da Luzenda e di vai atravessando ao Souto de João Velozo, e di vai
pera sima partindo com Souto de Marcos Gomes e de Jzabel Fernandes até o mato partindo com Simão
de Goes e da outra banda parte com Souto de Affonso Pires Ferreiro, e com Souto de Gil Fernandes até
hir hir [sic] entestar no mato o qual foi variado e se achou que tinha de cumpridam do fundo do marco
até o mato dezasete cordas, e seis palmos e de travez tem onze cordas e meia de quatro varas cada
corda =
Jtem se deo a Jnventario hum chão aos Linhares dizimo a Deos que parte de huma ilharga com
chão de Fernão Carvalho, e com chão de Fernão de Annes dos Cazelhos, e da outra ilharga parte com
chão dos herdeiros que forão de Jzabel Gonçalves do fundo da Villa e entesta d ambos os cabos com
chãos de Francisco d’Araujo e foi medido e se achou que tinha de largo da banda de sima duas cordas
menos quatro palmos e de cumpridam treze cordas de quatro / [fol. 4] de quatro [sic] varas cada corda,
e no fundo de largura de marco a marco nove palmos e meio =

119
FRAGMENTA HISTORICA Inventário de todos os bens móveis e de raiz
pertencentes à Igreja de Nossa Senhora, matriz da Vila de Góis (1552)
E por aqui se acabou de escrever a raiz e asignarão os sobreditos Fernam Carvalho e Jorge
Rodrigues Eu Antonio Gomes Tabalião que o Escrevi e por Jorge Rodrigues se hir não asignou, e tambem
por não ser necessario - // -

Titulo dos Ornamentos

Jtem primeiramente dois arcazes grandes de freixo, hum delles tem fechadura, e outro não =
Jtem outra Arca pequena de castanho velha =
Jtem huma Vestimenta de Damasco preta com Savastro de Veludo azul perfeita =
Jtem outra Vestimenta de Damasco branco com Savastro de Veludo brocado, e suas franjas
perfeita =
Jtem hũa Vestimenta de Veludo alionado com Savastro de brocado uzada perfeita =
Jtem outra Vestimenta de Veludo azul com Savastros de brocado perfeita uzada =
Jtem hum frontal de Damasco com Savastro de veludo cramezim franjado novo =
Jtem outro frontal de Seda da Jndia que tem huma cruz de frol de Lis franjado =
Jtem outro frontal de Seda da Jndia que tem huma cruz d aspa =
Jtem mais hum frontal que serve de traz o altar de Nossa Senhora velho de Veludo brocado = /
[fol. 4v.º] Jtem mais hum frontal de Chamalote que he de bandas de brocado velho =
Jtem outro frontal de Setim amarello e encarnado velho =
Jtem outro frontal de Seda listrada de franjas d amarello e Vermelho uzado =
Jtem outro frontal de Veludo velho com Savastros de brocado e franjado =
Jtem hum alquisel da Jndia com seus Cadilhos velho =
Jtem hum habito de Nossa Senhora de sitim verde barrado com trez barras de brocado per
baixo com o saio do Menino Jezus forrado todo de seda branca =
Jtem outro saio de brocado de Nossa Senhora velho =
Jtem outro saio de Nossa Senhora novo de Damasco vermelho com o saio do Menino Jezus
com fio d’ouro per baixo =
Jtem outro saio de Santa Margarida de sitim alionado velho =
Jtem outro saio de Nossa Senhora de sitim com hum saio do Menino Jezus de tafetá verde
velho =
Jtem mais outro saio de chamalote preto pera Nossa Senhora com o saio do Menino Jezus
velho =
Jtem mais hum frontal velho de pano que tem a figura de Sam Francisco =
Jtem mais duas vestimentas de fustão pintadas perfeitas velhas =
Jtem mais huma vestimenta de fustão branca perfeita velha =
Jtem mais hum manto de Veludo pardo velho =

120
Transcrição de José Jorge Gonçalves FRAGMENTA HISTORICA

Jtem mais quatorze / [fol. 5] quatorze [sic] almofadinhas de linho lavradas com huma de sitim
com recheios de frouxel =
Jtem mais hum manto azul de sarja velho =
Jtem mais hum covado de tafetá novo =
Jtem mais hum saio alaranjado com o saio do Menino Jesus velho =
Jtem mais huas Cortinas da Jndia que estão detraz de Nossa Senhora velhas =
Jtem outras cortinas de linho, que servem de traz de Nossa Senhora =
Jtem outras cortinas pintadas muito velhas que nom prestão =
Jtem sete peças de sarja pintadas de figuras pera estremar a Jgreja velhas =
Jtem mais humas Cortinas de sarja Velhas =
Jtem mais sete panos de cubrir os Altares na Quaresma pretos de linho =
Jtem quatorze peças de toalhas entre boas e más pera os Altares =
Jtem sete mezas de mantens entre bons e máos pera os Altares =
Jtem cinco toalhas de linho já uzadas =
Jtem sete Alvas com seus amitos já uzadas =
Jtem dois ovos de Ema =
Jtem hum lavatorio de latão velho =
Jtem hũa Caldeirinha d’agua benta de cobre =
Jtem dois panos da Jndia velhos pera a Estante =
Jtem hũa caixa de forro de Veludo preto cravejada de pelmazes com meis duzia de corporaes
antre novos e uzados =
Jtem mais hũa Estola de Veludo preto velha =
Jtem sete Castiçaes antre novos e Velhos pera os Altares =
Jtem mais dois Castiçaes da / [fol. 5v.º] d arame [sic] compridos pera o Altar mor =
Jtem trez pares de Galhetas d’estanho boas, e mais huma galheta =
Jtem mais hũa alampeda d arame nova que serve na Capela mor =
Jtem hũa Campainha pera levar o Senhor aos enfermos.

Titulo dos Livros.

Jtem hum livro das Constituiçoens, e hum Caderno per’as Endoenças, e o livro que se chama
Castelhano =
Jtem mais hum livro de Bautizador de quatro maons de papel =
Jtem outro livro pera escrever as Vezitaçoens novo =
Jtem mais huma caixa d’oleo =

121
FRAGMENTA HISTORICA Inventário de todos os bens móveis e de raiz
pertencentes à Igreja de Nossa Senhora, matriz da Vila de Góis (1552)
Jtem dois Missaes mijsticos perfeitos =
Jtem mais hum Missal Romano encadernado =
Jtem hum Caderno da festa do Anjo =
Jtem trez livros do Coro scilicet, dois Santaes, e hum ferial =
Jtem hum Missal de Canto do Coro =
Jtem hum Caderno das Ladainhas =
Jtem trez Manuaes, scilicet, hum novo e dois velhos =
Jtem nove livros muito velhos antigos =
Jtem trez taboas das palavras da Consagração.

Titulo das joias e doutras peças

Jtem duas cruzes d’ouro, que tem ambas dois cruzados =


Jtem hũa joia d’ouro pequena com hũa pedra no meio de rubi que deo Violante Barreda pera
Nossa Senhora =
Jtem trez / [fol. 6] trez [sic] olhos de prata brancos, que terá cada hum vinte reis =
Jtem mais hum Crucifixo de prata, que pezará trez vintens =
Jtem mais outra cruz de prata de feiçoens de Comenda que pezará cincoenta reis =
Jtem mais huma Campainha de prata que pezará vinte reis =
Jtem mais hum fio de coraes com vinte e sete estremos de prata =
Jtem huma Crespina pera Nossa Senhora de fio de prata velha =
Jtem hũa caixa preta da Jndia com grades de fio de latão que tem ora treze peças de beatilhas
velhas =
Jtem hũa Cruz d arame quebrada velha, e hum Crucifixo d arame pequeno =
Jtem hũa bandeira de pano de linho pintada do Anjo =
Jtem hum Sirio paschoal que pezou vinte oito arrates com sua tocheira de páo =
Jtem huma caixa com São Sebastião =
Jtem hũa Estante pera o Altar mor =
Jtem huma alenterna de folha de flandes nova =
Jtem hũa caixa pera as hostias =
Jtem huma bacia d arame pera a offerta =
Jtem mais hũa bulla de perdoens da cruz =
Jtem duas Estantes de Coro =
Jtem mais duas tocheiras de páo novas =

122
Transcrição de José Jorge Gonçalves FRAGMENTA HISTORICA

Jtem mais hum pano velho pera o pulpito com humas arvores pintado =
Jtem huma tocheira pera os tronos velha =
Jtem duas Almaticas de Diacono, e Subdiacono, huma de seda, e outra de chamalote velhas, e
algũas / [fol. 6v.º] algũas couzas forão mais achadas n’arca velha, e tam desbaratadas, que nom prestão
pelo qual se nom escreveo.
Os quaes Ornamentos, e Vestimentas e joias e outras peças aqui decraradas forão dadas a
Jnventario per Fernando Thesoureiro na dita Jgreja em prezença do Padre Manoel Luiz Beneficiado pelo
juramento dos Santos Evangelhos que lhe pera isso foi dado, e per aqui se acabou este Jnventario por
se não achar outra couza que seja da Jgreja =
Jtem mais se decrarou que servem na dita Jgreja quatro calis de prata com suas patenas em
que entra hum dourado =
Jtem mais hũa cruz de prata =
Jtem mais hũa Custodia de prata =
Jtem mais hum thuribulo de prata.
E porque estas couzas são do Conselho que as pagão a elles as trazem per seu Jnventario, e per
seus pezos e estão de posse e costume de as guardarem, e tomarem cada anno conta disso e pelo
mesmo modo ha hi hum Paleo de Damasco franjado com seus alperavazes do que outro si anda o
Conselho de posse de o guardar as quaes couzas aqui decraradas servem nesta Jgreja;
e por verdade e certeza dello o dito Juiz e sobreditos o asignarão E Antonio Gomes Tabalião
por El Reij Nosso Senhor nesta Villa de Goes que o Es/[fol. 7] o escrevi [sic] =
A qual prata atraz escrita foi pezada per Manoel Mendes Vereador perante mim Tabalião e
pezou o que se segue peça e peça, scilicet, pezou hum calix doze onças e meia outava =
Jtem outro Calix pezou doze onças e hũa outava =
Jtem Jtem outro Calix pezou treze onças e meia =
Jtem outro Calix dourado pezou dois marcos e hũa onça e meia e hũa outava =
Jtem a Custodia, pezou quatro marcos e duas onças =
Jtem o thuribulo dois marcos e meia onça =
Jtem a Cruz pezou seis marcos e meio e trez onças;
e por verdade o asignou o dito Vereador
jtem mais se decrarou que a Confraria do Santo Sacramento tem huns almarios com peças de
Ornamentos e muita sera e Alampedas as quaes trazem os Mordomos por seu Jnventario polo qual no
vão aqui decraradas e por certeza dello Eu Antonio Gomes Tabalião que o Escrevi.

Titulo das Capellas


e Missas que por obrigação se ham de dizer
nesta Jgreja Matriz de Nossa Senhora em fateozim.

123
FRAGMENTA HISTORICA Inventário de todos os bens móveis e de raiz
pertencentes à Igreja de Nossa Senhora, matriz da Vila de Góis (1552)
Jtem primeiramente há nesta Jgreja huma Missa de Capella que se diz a cada dia per
antiguidade polos Senhores deste Morgado, e os Senhores que herdão o Morgado as mandão dizer, e as
/ [fol. 7v.º] e as [sic] pagão =
Jtem hũa Catharina Gonçalves que foi morador nesta Villa fez hum testamento em que deixou
que lhe dissessem vinte cinco missas pela maneira seguinte =
Jtem do seu cazal do Cabo das vinhas que ora traz Antonio Nunes de Travancinha cada hum
anno polo dito Cazal dezaseis missas =
Jtem do seu serrado e Nogueiras que está ao Pombal junto do Curral do Conselho que ora traz
Pero Duarte cada anno duas missas =
Jtem polo Souto do Ribeiro que está a sob a junça e pela vinha de Val Travasso que traz Jzabel
Gonçalves a Pinta cada anno cinco missas =
Jtem pelas Nogueiras da Confraria que deixou a Pero Gonçalves que ora traz o dito Pero
Duarte cada anno duas missas =
Jtem hum Aniversario de Missa cantada todolos sabados que os raçoeiros são obrigados a
dizer polos Senhores do Morgado por hum jantar que lhe derão conforme áo compromisso que disso há
=
O Treslado do testamento de Catharina Gonçalves defunta, per que se mandão dizer as ditas
vinte cinco missas está na Arca da Jgreja =
Jtem Lopo Gonçalves morador que foi nesta Villa já defunto deixou por seu testamento que
cada anno lhe digão nesta Jgreja dezanove missas pela maneira seguinte =
Jtem polo Olival do Tra/ [fol. 8] do Tralhão [sic] e pelo Cham pequeno que está a Jgreja que
deixou a Breatriz Correa com duas Nogueiras que ora traz o Padre Manoel Luiz cada anno cinco missas =
Jtem polo chão que está a páo salgado que deixou a Jorge Rodrigues Çapateiro de que anda de
posse cada anno cinco missas =
Jtem pela Vinha d’Albergaria e pela sereigeira da Portella que deixou Affonso Pires Çapateiro
cada anno cinco missas o qual ora trazem os filhos e mulher do dito Affonso Pires =
Jtem por a metade das suas cazas e quintal que estão nesta Villa que partem com as que forão
de Branca Pires, e com as de Ruy Nunes que deixou a Catharina sua creada cada anno quatro missas =
O Treslado do dito testamento tem-no Jorge Rodrigues o qual testamento com os ditos
encargos foi feito per mim Antonio Gomes Tabalião em as minhas Notas =
Jtem Joanna Annes da Luzenda traz hum chão que está no fundo do prado que se chama o
chão da Capella que lhe vendeo Antonio Nunes de Torrozelo do qual está per costume antiguo se dizer
cada anno doze missas nesta Jgreja, e desto nom há titulo nem Escritura =
Jtem Jorge Alvares de Bordeiro ficou por her/ [fol. 8v.º] herdeiro [sic] de Leonor Fernandes sua
Tia já defunta, e seu Testamenteiro, a qual foi morador no Esporão, e lhe deixou a dita fazenda com
encargo de vinte missas em vinte annos =
Jtem Catharina Annes de Cortecega deixou huma Courella de vinha a João Alvares de Bordeiro
pela qual he obrigado em hũa missa cada anno =
Jtem João Coelho he obrigado a mandar dizer huma missa cada anno pela alma de Catharina
Alvares por hum Castanheiro que lhe leixou e huma Nogueira que está em Papa lampreia no serrado
que elle João Coelho traz =

124
Transcrição de José Jorge Gonçalves FRAGMENTA HISTORICA

Aos quatorze dias do mez de Janeiro de mil e quinhentos e quarenta e oito annos em o Passo
do Conselho desta Villa de Goes estando hi João Coelho Juiz fazendo publica Audiencia perante elle
appareceo Manoel Luiz Beneficiado na Jgreja desta Villa dizendo que havia na Jgreja hum modo de
Capella em que se dizião huns responsos por Sibião Domingues defunto de que se davão certas bebidas
por sua alma e que já muitas pessoas o conloiarão e se perdeo e já gora nom dava mais as ditas bebidas
senão Anna Affonso defunta que ficára seu herdeiro Juzarte Galvão Tabalião, e / [fol. 9] e [sic] Ruy
Nunes, e Francisco Fernandes que pedia a elle Juiz que mandasse aos sobreditos que decrarassem
donde pagavão e se querião pagar como sempre pagarão, e mandasse todo pôr por Tombo;
e sendo todos os sobreditos Juzarte Galvão e Ruy Nunes, e Francisco Fernandes prezentes o
Juiz lhe fez pergunta se tinhão a isso Embargos, disserão que era verdade que pagão as ditas bebidas
que se chama O, e o Juiz lhe mandou a cada hum que decrarassem de que pagavão o dito O, e elles o
decrararão pela maneira seguinte =
Jtem Juzarte Galvão decrarou que do chão da Vinha grande que está á Corredoura se pagava
por Natal de O trez dias vinho e fruta scilicet meio almude de Vinho, e outro meio de fruta, ou hum
almude de Vinho por cada dia estes trez dias começarão depois de Ruy Nunes, e Affonso Pires e
Francisco Fernandes =
Jtem Ruy Nunes disse que pagava do chão da Corredoura scilicet d’a metade delle á vespera de
Nossa Senhora do O hum almude de vinho polo modo asima dito =
Jtem Affonso Pires Ferreiro que prezente estava disse que pagava ao dia de Nossa Senhora do
O hum almude de vinho polo modo asima / [fol. 9v.º] asima [sic] dito da Vinha da Corredoura per
obrigação =
Jtem Francisco Fernandes Alfaiate disse que pagava do chão que tem ao longo da Azinhaga do
prado hum almude de Vinho polo modo sobredito, e esto ao dia depois de Nossa Senhora =
E os sobreditos decrararão que esto pagavão pola alma de Sibião Domingues de que forão as
ditas propriedades que mandou e leixou que se fizesse por memoria e por certeza o asignarão Eu
Antonio Gomes Tabalião que o Escrevi.
E de tudo isto nom há Titulo nenhum sómente se paga per antiguidade =
Jtem se decrarou mais per o dito Manoel Luiz que na Jgreja da dita Villa havia hum Priol e
quatro Beneficiados scilicet o Bacharel João Pires morador em Oliveira do Conde Priol e elle dito Manoel
Luiz e Gaspar Fernandes d’Ordens Sacras e Pero Tavares e Fernão Gomes d’Ordens menores
Beneficiados =
Jtem decrarou mais o dito Manoel Luiz que depois deste Jnventario feito falecera João Velozo
morador que foi nesta Villa e leixára que lhe dissessem cinco Missas pera sempre em cada hum anno
por sua fazenda que leixou a Maria de Morais sua filha mulher de Marcos Fernandes =
Jtem disse mais que depois / [fol. 10] depois [sic] se fezerão duas Almaticas de Damasco
branco com savastro de Veludo Azul com seus cordoens e franjadas novas e perfeitas =
Jtem mais um saio de Nossa Senhora que deo a Senhora Dona Maria de raso amarelo com suas
quartapizas broslado d’ouro =
Jtem decrarou o Padre Domingos Fernandes Econimo e Cura na dita Jgreja que Maria Nunes já
defunta morador que foi nesta Villa leixara á hora da sua morte a elle dito Domingos Fernandes hum
chão ao Sereijal com suas Nogueiras que em elle estão com encargo de duas missas em cada hum anno,
scilicet, huma por alma de seu Paij e Maij, e huma sua Jrmaã, e outra por sua alma e esto ficára de fora
do testamento de que elle era herdeiro

125
FRAGMENTA HISTORICA Inventário de todos os bens móveis e de raiz
pertencentes à Igreja de Nossa Senhora, matriz da Vila de Góis (1552)
e por verdade o asignou per sua mão perante os Padres Manoel Luiz e João de Goes aos doze
dias do mez de Setembro de mil e quinhentos e cincoenta e dois annos Eu Juzarte Galvão Tabalião que
o Escrevi - ,,

Em os vinte e dois dias do mez d’Abril do Anno de mil e quinhentos e sessenta annos em a Villa
de Goes e pouzadas de mim Juzarte Galvão Tabalião pareceo o Reverendo Padre Christovão Mo/ [fol.
10v.º] Moreira [sic] Vigario da Jgreja da dita Villa, e per elle foi dito a mim Tabalião que neste Tombo
escrevesse as couzas seguintes que pertencem a dita Jgreja pera guarda della =
Jtem huma Vestimenta de Damasco branco perfeita que deo a Senhora Dona Filippa de
Vilhena mulher do Senhor Luiz Alvares de Tavora =
Jtem outra Vestimenta de Chamalote vermelho perfeita =
Jtem dois livros de canto novos =
Jtem dois castiçaes de ponta novos d’arame =
Jtem huma cruz de páo dourada =
Jtem huma Capa de Damasco branco com franja d’ouro =
Jtem hũa cortina de rede com os martijrios da Paixão =
Jtem hum lavatorio de Latão que está na Sachristia =
Jtem hum frontal de rede do Altar mor =
Jtem outro fontal dos Altares de baixo, outrosi de chamalote vermelho =
Jtem hum Jnstrumento publico do Tombo das terras obrigatorias ás cinco missas que leixou
Lopo Gonçalves e huma que leixou Jorge Rodrigues defuntos moradores que forão nesta Villa =
Jtem outro Estromento do Tombo das propriedades que são obrigatorias, em quatro missas
que leixou Catharina Gonçalves que traz Pero Du/ [fol. 11] Duarte [sic], e seu genro Manoel Rodrigues =
Jtem outro Estromento do Tombo de huma Vinha que traz João Alvarez de Bordeiro que he
obrigatoria a hũa missa pera sempre que leixou Catharina Fernandes morador que foi em Cortecega por
sua alma =
Jtem disse o dito Christovão Moreira Vigario que das peças conteudas neste Jnventario atraz
se gastarão as couzas seguintes =
Jtem os livros do canto do coro =
Jtem quatro Vestimentas que levarão os Padres, scilicet João Velozo, Roque Affonso, Bastião
Fernandes, Heijtor Fernandes =
Jtem as joias da Nossa Senhora =
Jtem hum fio de Coraes com estremos de prata =
Jtem hum frontal de Veludo Velho que se desfez em pedaços para concertar a gaiola =
Jtem hum pano de Veludo, e borcado que servia de traz da Nossa Senhora de que se tirarão
panos pera as Estantes =

126
Transcrição de José Jorge Gonçalves FRAGMENTA HISTORICA

Jtem hũa Cortina do Altar mor que se desfez pera toalha da Jgreja e pera Selaviza, e pera forrar
dois frontaes =
Jtem huma Vestimenta de fustão que levarão ao Cadafaz =
Jtem huma arca de castanho pequena que foi pera o Columial =
Jtem hum frontal Velho que tinha a imagem de São Francisco que foi pera o Cadafaz =
Jtem / [fol. 11v.º] Jtem [sic] hum frontal do Altar de São Braz de seda branca e amarela com
que concertarão a Vestimenta branca =
Jtem hum pano pintado da Jndia que se gastou na Tribuna dos Orgãos antes que se fizessem as
cortinas =
Jtem huma cortina da Jndia Velha que se gastou foi um pedaço pera o Cadafaz, e outra está á
medida =
Jtem huma Vestimenta que levou Simão Fernandes =
Jtem mais disse o dito Vigario que havia hi huma Sentença que se houve contra os freguezes
sobre os Dizimos =
Jtem hum Estromento de concerto sobre os mesmos Dizimos cujo Treslado jaz na Arca do
Conselho =
Jtem hum prossesso que está sentenciado que se tratou com Jorge Rodrigues sobre o Solo da
Jgreja, o qual está em poder de Antonio Gomes Tabalião desta Villa =
As quaes addiçoens atraz escritas Eu Juzarte Galvão Tabalião aqui escrevi neste livro de Tombo
a requerimento do dito Vigario em o dito dia mez e anno atraz escrito
e por passar na verdade o dito Christovão Moreira Vigario o asignou
Juzarte Galvão Tabalião que o Escrevi, e asignei de meu razo acostumado que tal he =
Galvão Tabalião =
Christovão Moreira. =

An/ [fol. 12] Anno [sic] do Nascimento de Nosso Senhor JESVS Christo de mil e quinhentos e
sessenta e dois annos aos trez dias do mez de Janeiro do dito Anno em a Villa de Goes e na Jgreja de
Nossa Senhora Matriz da dita Villa estando hij prezentes os Reverendos Padres Christovão Moreira
Vigario na dita Jgreja, e Manoel Luiz, e Luiz Alvarez Beneficiados em ella e Fernão Vaz Economo e
Thesoureiro na dita Jgreja em prezença dos sobreditos e de mim Tabalião pareceo Diogo Alvarez
Cavalleiro morador na dita Villa e por parte do muito Jllustre Senhor Dom Diogo da Silveira Guarda mor
d’El Reij Nosso Senhor e Senhor na dita Villa como seu Procurador aprezentou ao dito Vigario e
Beneficiados hum publico Estromento de Estatuto e Compromisso das Missas e Anniversarios que o dito
Vigario Beneficiados e Capellaens erão obrigados dizer na dita Jgreja pelas almas dos Senhores
antepassados que forão Senhores da dita Villa e Morgado, e asi polos que polo tempo forem Senhores
da dita Villa e Morgado,
e lhes requereo que o que fala acerca do dito Anniversario e Missas mandassem aqui tresladar
pera se saber da manei/ [fol. 12v.º] da maneira [sic] que se os ditos Anniversarios e Missas hão de dizer
o que visto per os ditos Vigario e Beneficiados requererão a mim Tabalião que a Verba do dito
Compromissio do que sómente toca aos ditos Anniversarios e Missas se tresladasse neste Tombo da
Jgreja da qual verba o Treslado de Verbo a Verbo he o que se segue =

127
FRAGMENTA HISTORICA Inventário de todos os bens móveis e de raiz
pertencentes à Igreja de Nossa Senhora, matriz da Vila de Góis (1552)
E logo o dito Estevão Vasques Senhor de Goes pera acrescentar mais o serviço de Deos e da
Virgen Gloriosa Nossa Senhora Santa Maria sua Madre em que dizia que havia graã devoçom, e por
honra, digo devoçom, e verdadeira esperança, e outrosi em prol e honra da dita Jgreja disse que elle e
qualquer que fosse Senhor do dito Loguo de Goes havião, e hão d’haver na dita Jgreja trez Comeduras
trez dias do anno com todas suas gentes, e que esto havião de natureza de sempre se as duas
Comeduras havião d’haver dos raçoeiros e a huma do Priol da dita Jgreja, e os ditos raçoeiros disserom
que assi era verdade e o dito Estevão Vasques acrescentando o que dito he por si e por as almas de seu
Padre e daquelles que forão e forem ao diante Senhores de Goes daqui em diante pe-/ [fol. 13] pera
[sic] sempre por si e por todos seus sucessores que depóz elles descenderem que forem Senhores do
dito Loguo de Goes quitou, houve por quites aos ditos raçoeiros que ora são e daqui em diante forem
da dita Jgreja as ditas duas Comeduras que os ditos raçoeiros havião de dar como dito he
e demais outorgou que os ditos raçoeiros e os que depóz elles vierem e os Capellaens que na
dita Jgreja houver hajão daqui em diante pera sempre da Caza de Goes pera si, e pera os que ajudarem
por hum Anniversario que hão de fazer como se adiante segue,
huma marraã e dois carneiros e dois cabritos e duas galinhas e quatro alqueires de farinha de
trigo pela medida do Celeiro, e dois almudes de Vinho,
e que os ditos raçoeiros e todos seus sucessores que depóz elles vierem daqui em diante pera
sempre digão em cada hum sabado huma missa bem officiada na dita Jgreja á honra da Virgem Santa
Maria em que elle dito Estevão Vasques ha devassão, como suso dito he,
e saião sobre os Senhores de Goes que jazem e jouverem na dita Jgreja e Cimiterio della com
cruzes e agua benta bem honradamente como devem,
e que outrosi os ditos raçoeiros que são e forem ao diante como dito he e Capellaens e
Clerigos da dita Jgreja de Go/ [fol. 13v.º] Goes [sic] digão em cada hum anno pera sempre em dia de
Apparitio Domini hum Anniversario com todalas horas dos passados rezadas por as almas do dito
Estevão Vasques, e do seu devido e saião sobre elles honradamente como dito he
e hajão por ellos as ditas marrans e Galinhas e Cabritos no dito dia d’Apparitio Domini,
e os ditos raçoeiros por si e por todos seus sucessores que depóz elles vierem e raçoeiros da
dita Jgreja disserão que lhes aprazia e Louvarão e outorgarão deste dia pera todo sempre =
A qual Verba Eu Juzarte Galvão Tabalião do publico e Judicial por El Reij Nosso Senhor da
propria aqui tresladei bem e fielmente e a concertei com os ditos Diogo Alvares e Vigario e Beneficiados
que em testemunho de Verdade o asignarão
e Eu Tabalião o asignei com elles de meu raro acostumado que tal he,
e nom seja duvida nos riscados que dizião, Nossa Senhora, que os, os ditos raçoeiros, porque
Eu Tabalião o fiz por tudo hir na verdade =
Galvão Tabalião =
Diogo Alvares, =
Luiz Alvares -,, 165

165
No verso da última folha do segundo caderno (fol. 15v.º):
Copias de Monumentos antigos pertencentes á Jgreja da Villa de Góes ---

128
Transcrição de José Jorge Gonçalves FRAGMENTA HISTORICA

CERTIDÃO DA ARTILHARIA DAS FORTALEZAS DO ESTADO DA ÍNDIA


(1553)
Transcrição de Roger Lee de Jesus
Doutorando em Altos Estudos em História – Época Moderna na Universidade de
Coimbra
CHSC – UC
CHAM – FCSH/NOVA‐UAç
e
Tiago Machado de Castro
Doutorando em História na Universidade Nova de Lisboa; Bolseiro de investigação
do CLUL
CHAM – FCSH/NOVA – UAç

Resumo Abstract
1553, Goa, Novembro, 1

Cópia dos inícios do século XVII (1608) dum rol Copy of the early seventeenth century (1608) of
da artilharia das fortalezas do Estado da Índia a list of the artillery of the State of India
durante o vice-reinado de D. Afonso de Noronha strongholds during the viceroyalty of Afonso de
(1550-1554). Noronha (1550-1554).

Lisboa, Biblioteca da Ajuda, Códice 51-VI-54, fól. 39r-43v.

© Fragmenta Historica 2 (2014), (129-137). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

129
FRAGMENTA HISTORICA Certidão da artilharia das fortalezas do Estado da
Índia (1553)
166
Documento

[fól. 39]
Certidão de toda a artilharia da India, segunda via

Maluquo almoxarife Augusto Ferreira


Anno de 1552
¶ Hũa espera de metal –I peça
¶ Tres meyas esperas de metal – III peças
¶ Seys camellos de metal – bI peças
¶ Dous camellos de fero – II peças
¶ Dous tiros de metal – II peças
¶ Dous cães de metal – II peças
¶ Oito falcões de metal – bIII peças
¶ Hũa bombarda pequena de metal – I peça
¶Secenta e oito berços de metal – LX bIII peças
¶Nove meyos bercos de metal –IX peças
¶Hum berco de fero –I peça

Malaca almoxarife Giraldo Cãao os anos de 1550-551-552


Mais Malaca
¶ Tres esperas de metal – III peças
¶ Hũa salvagem de metal – I peça
¶ Duas meas esperas de metal – II peças
¶ Hũa aguia de metal – I peça
¶ Hum camello de metal de marca mayor – I peça
¶ Dezanove candetes de metal – XIX peças

166
Os critérios de transcrição adoptados seguem as propostas por Avelino de Jesus da Costa (Normas gerais de transcrição
e publicação de documentos e textos medievais e modernos, Coimbra: FLUC/IPD, 3ª ed., 1993). Entre outros: desdobraram-
se as abreviaturas sem assinalar as letras que lhes correspondem; actualizou-se o uso de maiúsculas e minúsculas, do i e do
j, do u e do v, conforme eram vogais ou consoantes; ignoraram-se alguns sinais de pontuação colocados no texto, e
inseriram-se outros para tornar o documento mais compreensível; os acentos foram introduzidos apenas para evitar erros
de pronúncia ou interpretação; separaram-se as palavras incorrectamente juntas e uniram-se os elementos dispersos da
mesma palavra; mantiveram-se as consoantes e vogais duplas insertas no meio do vocábulo, reduzindo-as a uma só quando
no início da palavra; as palavras proclíticas e aglutinadas foram separadas por apóstrofo.

130
Transcrição de Roger Lee de Jesus e Tiago Machado de Castro FRAGMENTA HISTORICA

¶ De camellos de fero tres – III peças


¶ Tres camelletes de fero – III peças
¶ Sete falcões de metal – bII peças
¶ Hum cão de metal – I peça
¶ Hum falcão de fero – I peça
[fól. 39v.º] ¶ Trinta e hum bercos de metal – XXXI peças
¶ Dous bercos de metal mouriscos – II peças
¶ Vinte e tres meyos bercos de metal –XXIII peças
¶ Tres meyos bercos mouriscos – III peças
¶ Hũa bombarda roqueira de fero – I peça
¶ Dous bercos de fero mouriscos – II peças
¶ Dous meyos bercos de fero – II peças

Mocambique Fernão Rodriguez de Carvalho


Anno de 552
¶ Quoatro camelletes de metal – IIII peças
¶ Hum camello de metal de marca mayor – I peça
¶ Dezasete falcões de metal – XbII peças
¶ Cinquoenta e dous bercos de metal – LII peças
¶ Hum meyo berco de metal – I peça
¶ Quatro meyos bercos de fero mouriscos – IIII peças
¶ Hũa roqueira de fero mourisca – I peça

Sofalla feitor Gaspar Gonçalvez Ribeiro


Anno de 551
¶ Hũa espera de metal – I peça
¶ Hum camelete de metal – I peça
¶ Dous falcões de metal – II peças
¶ Hum berco de fero – I peça

[fól. 40] Ormus Almoxarife Pero de Tovar


Anno de 1551
¶ Nove esperas de metal –IX peças
¶ Tres meyas esperas de metal- III peças
131
FRAGMENTA HISTORICA Certidão da artilharia das fortalezas do Estado da
Índia (1553)
¶ Hũa aguea de metal – I peça
¶ Duas serpes de metal – II peças
¶ Quimze camellos de metal de marca maior – Xb peças
¶ Quatorze camelos de metal – XIIII peças
¶ Seys leoes de metal – bI peças
¶ Hum camelete de metal mourisco – I peça
¶ Sete camellos de fero – bII peças
¶ Dous camelletes de fero – II peças
¶ Tres cachoros de metal – III peças
¶ Trinta e dous falcões de metal - XXXII peças
¶ Hum falcão de fero chumbeiro – I peça
¶ Cinquoenta e oito bercos de metal – LbIII peças
¶ Hũa roqueira grande de metal mourisco – I peça
¶ Quinze meyos bercos de metal – Xb peças

Mais Ormus
¶ Seis bercos de fero – bI peças
¶ Tres meyos bercos de fero – III peças
¶ Nove roqueiras de fero mouriscas – IX peças
¶ Hum espinguardão de fero – I peça
¶ Oitenta e oito espinguardas feitas na India com as quinas del Rey nosso senhor – LXXXbIII peças

[fól. 40v.º] Dio almoxarife Allonso Carrilho


Anno de 1552
¶ Dous bassaliscos de metal – II peças
¶ Onze esperas de metal – XI peças
¶ Tres meyas esperas de metal – III peças
¶ Hum reimão de metal – I peça
¶ Hũa aguia de metal – I peça
¶ Duas serpes de metal – II peças
¶ Hũa salvagem de metal – I peça
¶ Tres leões de metal – III peças
¶ Mays hũa espera de metal – I peça

132
Transcrição de Roger Lee de Jesus e Tiago Machado de Castro FRAGMENTA HISTORICA

Mais Diu
¶ Oito camellos de metal de marca mayor – bIII peças
¶ Dezanove cameletes de metal - XIX peças
¶ Dous bassaliscos de fero – II peças
¶ Duas salvagens de fero – II peças
¶ Hum espalhafato de fero – I peça
¶ Dous passamuros de fero – II peça
¶ Seys cães de fero – bI peças
¶ Seys falcões de metal – bI peças
¶ Trinta bercos de metal – XXX peças
¶ Hum berco de fero – I peça
¶ Quarenta e sete espinguardas – RbII peças
¶ Dezasete archabuzes – XbII peças

[fól. 41] Baçaim Almoxarife Fernão Ribeiro


Anno de 552
¶ Tres esperas de metal – III peças
¶ Hũa serpe de metal – I peça
¶ Hũa salvagem de metal – I peça

Mais Baçaym
¶ Dous leões de metal – II peças
¶ Oito camellos de metal – bIII peças
¶ Dez cameletes de metal – X peças
¶ Dezasete falcões de metal – XbII peças
¶ Trinta e seys bercos de metal – XXXbI peças
¶ Quatorze meyos bercos de metal – XIIII peças
¶ Duas bombardas roqueiras de fero – II peças

Chaul Almoxarife Antonio da Costa


Anno de 551
¶ Tres esperas de metal – III peças
¶ Duas salvagens de metal – II peças
133
FRAGMENTA HISTORICA Certidão da artilharia das fortalezas do Estado da
Índia (1553)
¶ Hum leão de metal – I peças
¶ Quatro meyas esperas de metal – IIII peças
¶ Tres camellos de metal de marca mayor – III peças
¶ Dez cameletes de metal – X peças
¶ Nove camellos de fero de marca maior – IX peças

[fól. 41v.º] Mais Chaul


¶ Hum camelete de fero – I peça
¶ Cinquo bombardas roqueiras de fero – b peças
¶ Dous cães de metal – II peças
¶ Dous caes de fero – II peças
¶ Hum falcão de fero – I peça
¶ Doze bercos de metal – XII peças
¶ Dezoyto meyos bercos de metal – XbIII peças
¶ Dous bercos de fero – II peças
¶ Cinquo meyos bercos de fero mouriscos – b peças
¶ Hum espinguardão de fero – I peça

Cananor Alexandre Aleixos Pirez


Anno de 554
¶ Hũa espera de metal – I peça
¶ Hũa salvagem de metal – I peça
¶ Dous camellos de metal – II peças
¶ Hum camelete de metal – I peça

Mais Cananor
¶ Tres camellos de fero – III peças
¶ Hũa serpe de fero – I peça
¶ Hum camellete de fero – I peça
¶ Tres bombardas roqueiras de fero – III peças
¶ Dous falcões de metal – II peças
¶ Hũa bombarda mourisca – I peça
¶ Vinte e quatro bercos de metal – XXIIII peças

134
Transcrição de Roger Lee de Jesus e Tiago Machado de Castro FRAGMENTA HISTORICA

¶ Tres meyos bercos de metal – III peças


[fól. 42] ¶ Tres bercos de fero – III peças
¶ Hum berco de fero mourisco – I peça
¶ Vinte e quatro bombardinhas de ferro mourisco – XXIIII peças

Chale Capitam Dom Bernardin


Anno de –
¶ Duas salvagens de metal – II peças
¶ Hum leão de metal – I peça
¶ Duas meas esperas de metal – II peças
¶ Dous camellos de metal de marca mayor – II peças

Mais Chale
¶ Quoatro camelletes de metal – IIII peças
¶ Hum camelete de fero – I peça
¶ Quoatro falcões de metal – IIII peças
¶ Dez bercos de metal – X peças
¶ Duas roqueiras de fero – II peças

Cochim Almoxarife Vicente Rebello


Anno de –
¶ Hũa espera de metal – I peça
¶ Oyto meas esperas de metal – bIII peças
¶ Hũa serpe – I peça
¶ Hũa aguea – I peça
¶ Dous camellos de metal de marqua mayor – II peças
¶ Dezanove camelletes de metal – XIX peças
¶ Hum camello de fero – I peça
¶ Quarenta e nove falcões de metal – RIX peças
[fól. 42v.º] ¶ Secenta e dous falcões de metal –LXII peças
¶ Quarenta e nove meyos bercos de metal – RIX peças
¶ Hum falcão de fero – I peça
¶ Treze bercos de fero – XIII peças
¶ Hum meyo berco de fero – I peça
135
FRAGMENTA HISTORICA Certidão da artilharia das fortalezas do Estado da
Índia (1553)

Coulão Capitão e feitor Bernardo d’Afonsequa


Anno de 553
¶ Hum camello de metal de marca mayor – I peça
¶ Dous falcões pedreiros de metal – II peças
¶ Tres falcões chumbeiros de metal – III peças
¶ Dous cameletes de metal – II peças
¶ Dous camellos de fero de marqua mayor – II peças
¶ Hũa meya espera de fero – I peça
¶ Doze bercos de metal – XII peças
¶ Hum berco de fero – I peça
¶ Dous meyos bercos de metal – II peças
¶ Duas bombardas roquejras de fero – II peças

Goa Almoxarife António Fernandez Toscano


Anno de 553
¶ Tres bazaliscos – III peças
¶ Hum espalhafato de Cambaya – I peça
¶ Hum espalhafato mays de fero – I peças
¶ Seys leões – bI peças
¶ Tres serpez – III peças
¶ Duas aguias – II peças
¶ Seys salvagens – bI peças
¶ Trinta camellos de marca mayor – XXX peças

[fól. 43] Mais Goa


¶ Cento e onze cameletes – Cento XI peças
¶ Dez esperas – X peças
¶ Dous cameletes pequenos – II peças
¶ Mays hum camellete pequeno mourisco – II peças
¶ Secenta e tres falcões pedreiros – LXIII peças
¶ Dezoito cãees do Regno – XbIII peças
¶ Quarenta e dous cães mais que vierão e Baroche em q entrão algũas bombardas roqueiras – RII peças

136
Transcrição de Roger Lee de Jesus e Tiago Machado de Castro FRAGMENTA HISTORICA

¶ Cento e oito falcões chumbeiros – Cento bII peças


¶ Quatrocentos trinta e oito berços de metal-IIIIc XXX bIII
¶ Quinze meas esperas de Cambaya em que entrão duas peças portuguezas de metal – Xb peças
¶ Cento e cinquoenta e quatro meyos berços – Cento LIIII peças

Antonio Nunes contador del rey nosso senhor nestas partes da India que ora sirvo de provedor dos
contos das ditas partes por provisão do viso rey dom Affonso de Noronha etc. faco saber aos que esta
certidão virem como eu com Tristão de Novoa contador do dito senhor concertamos esta artilheria
contheuda nestas seys meas folhas de papell de marqua mayor com as contas dos Almoxerifes e
officiaes donde foi tirada em cada addição per sy nas quaes monta ao todo esta artilheria abaixo
declarada que estaa e serve em todas as fortallezas destas partes da India scilicet quarenta e quoatro
esperas de metal; quarenta meas esperas de metal; oitenta e oito camellos de metal; duzentos e seys
camelletes de metal; quatorze salvagens de metal; dezanove leoes de metal; dez serpes de metal; seys
agueas de metal; cinquo basiliscos de metal; hum reimão de metal; <dous>167 tiros grandes de metal;
[fól. 43v.º] secenta e cinquo caes de metal; trezentos e vinte falcoes de metal; hũa bombarda de metal;
oitocentos quarenta e dous bercos de metal; duzentos e oitenta e oito meyos bercos de metal; tres
cachoros de metal; vinte camellos de fero; oito camelletes de fero; quoatro falcões de fero; quinze
bercos de fero; dezoito meyos bercos de fero; dous basiliscos de fero; duas salvagens de fero; tres
espalhafatos de fero; dous passamuros de fero; hũa mea espera de fero; oyto cães de fero; quinze
bercos de fero mouriscos; dous bercos de metal mouriscos; cento e trinta e cinqo espinguardas; dous
espinguardões; dezasete archabuzes. A qual artilheria foi aqui tirada das contas dos ditos almoxerifes e
officiães per mandado do senhor viso rey Dom Affonso de Noronha pera inviar ao reyno a sua alteza o
que tudo foi feito por Tristão da Novoa contador do dito senhor e concertado comigo <Antonio>168
Nunes provedor desta dita caza dos contos e deste theor foi passada outra per outra via pellas quaes
per hũa soomente se fara obra; o que assy certificamos. Pero Varella escrivão dos contos a fez em Goa
ao primeiro de Novembro de mil quinhentos e cinquoenta e três, Antonio Nunes, Tristão da Novoa
consertada com a própria oje 8 de Novembro de 608

[assinatura] Antonio Viles de Çima

167
Riscado “tres”.
168
Riscado “Ambrozio”.
137
FRAGMENTA HISTORICA Certidão da artilharia das fortalezas do Estado da
Índia (1553)

138
Transcrição de Roger Lee de Jesus e Tiago Machado de Castro FRAGMENTA HISTORICA

TOMBO DE CAPELAS INSTITUÍDAS NA VILA DE CASTELO BRANCO E SEU


TERMO (S.D.)
Transcrição de José Jorge Gonçalves
CHAM – FCSH/NOVA-UAç / CEH – NOVA
Resumo Abstract
168
s.d., s.l.

Tombo de capelas instituídas na Vila de Castelo Registration of chapels established in Castelo


Branco e seu termo. Branco and in its limits.

Lisboa, Centro de Estudos Históricos, Colecção Casa do Marquês de Abrantes, s.n. 169

© Fragmenta Historica 2 (2014), (139-150). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

169
O documento encontra-se truncado e só tem o primeiro caderno, em papel, composto por cinco bifólios. A data ou o
local de constituição do documento não se encontra na parte conservada, mas ele é, provavelmente, de finais do século
XVII ou princípio do XVIII.
139
FRAGMENTA HISTORICA Tombo de capelas instituídas na vila de Castelo
Branco e seu termo (s.d.)
170
Documento

[fol. 1] Titolo da fazenda da Cappella E morgado que instituio Catarina de SottoMaior molher que foi
de Gonçalo da Silua Castel Branco.171

# Hũa tapada que está a porta de Sanctiago que parte de hum cabo com chão que he foreiro a
Misericordia desta Villa, E da outra com entrada do Conçelho.

# Hum oliual que esta caminho de Ligem por sima da porta de sanctiago que parte de hum cabo com
caminho do Conçelho E da outra com Bartolomeu fernandez Carneiro E com Luis da Cunha da Fonseca ,
E tambem parte com Francisco de Mesquita.

# Hum oliual á fonte do tostão que parte de hum cabo com os herdeiros de Francisco Rodriguez Tras do
lugar de Monforte E da outra com Jzabel molher do sargento maior Manuel de Araujo E com Gaspar
Mouzinho Magro

# Hum chão á fonte do Almunheiro que parte de hum cabo com oliual da Cappella do padre Pedro
Villella, E da outra com Briattis Pais molher de Francisco Freire que Deos tem.

# Hũa terra que está ao quinteiro que parte de hũa banda com tapada dos herdeiros de João Sanches E
da outra com terra dos herdeiros de Fernão Rodriguez Picapeixe.

# Hũa terra que está na folha da Liria por baixo da ponte,,172 /

[fol. 1v.º] Titolo da Cappella de Joanna Soares freira professa no conuento de S. Vicente da Beira com
quatro Missas.173

# Hũas terras na coutadinha de Cafede que partem de hũ cabo E do outro com outras do Morgado de
Miguel Carlos de Tauora Conde de S. Viçente.

# Hũa courela de terra na mesma coutadinha que parte com terra de Francisco de Mesquita E da outra
com quem deua E aia de partir

170
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987.
171
À margem esquerda: “Titolo”.
172
Acrescentado posteriormente: “esta se tirou no jnuentario hũa terra que está na folha de Bartholameu aonde chamão o
Poço de Pedro Vicente que parte de [hũa ban]da com terra de Pedro Nunez frade e da outra com terra da fazenda Leuará =
5 alqueires de Sameadura.
173
À margem esquerda: “Titolo”.

140
Transcrição de José Jorge Gonçalves FRAGMENTA HISTORICA

# Hũa terra ao poço a Pedro Viçente que parte de hũa banda com terra dos herdeiros de Fernão
Rodriguez Picapeixe E da outra com terra da fazenda174

Titolo da capella que instituio Anna Villella com Des missas175

# Hũa terra que está na folha da liria aonde chamão a figeira [sic] de Lombas que parte de hũa banda
com terra do Padre Marcos Gil E da outra com terra dos herdeiros de Bernardo da Silua Castel Branco176

# Hũa terra ao poço de Pedro Viçente que parte de hũa banda com terra da Misericordia desta Villa E da
outra com terra da fazenda.177 /

[fol. 2] Titolo da fazenda que instituiu Lianor Vas Villella Em obrigação de uinte missas cada hum
anno.178

# Hũa terra que está na folha de N. Senhora de Mercores aonde chamão a lagem das Canelas que parte
de hũa banda com terras da Comenda E da outra com terras dos herdeiros de D. Fernando de Menezes.

# Hũa terra que está na folha de S. Bartolomeu aonde chamão carualhinho que parte de hũa banda com
terra dos herdeiros de Fernão Rodriguez Picapeixe E da outra com terra de Simão Folgado179

Titolo da Fazenda de Cappella que instituio o Padre Joze Simão Villella com obrigação de setenta
Missas180

# Hũas cazas na rua dos ferreiros com suas [sic] quintais E Cazas de palheiro que partem de hũa banda
com o Doutor Simão da Costa Estaço E da Outra com cazas terreas da mesma cappella.

# Hum chão tapado <detraz de S. Antonio>181 com seu oliual e figeiras [sic] E poço que tem dentro que
parte de hũa banda com chão de Pedro de Figueiredo E da outra com caminho do Conçelho. /

174
Acrescentado posteriormente: “Leuará trinta alqueires de semeadura aualiada em trinta mil reis”.
175
À margem esquerda: “Titolo”.
176
Acrescentado posteriormente e depois riscado: “Leuará sinco quarteiros de semeadura aualiada em setenta e sinco mil
reis----------------------75R”.
177
Acrescentado posteriormente: “leuará sinco quarteiros de semeadura aualiada em setenta e sinco mil reis -------------------
----------- 75R0”.
178
À margem esquerda: “Titolo”.
179
Acrescentado posteriormente: “leuará dous moyos de semeadura aualiada em 450R000 reis”. Na margem esquerda:
“esta terra he a da fonte de arrenego de judas”.
180
À margem esquerda: “titolo”.
181
Acrescentado posteriormente.

141
FRAGMENTA HISTORICA Tombo de capelas instituídas na vila de Castelo
Branco e seu termo (s.d.)
[fol. 2v.º] # Hum oliual que está aonde chamão a gafaria que parte de hũa banda com o Licenciado
Manuel Nunes Bulhão, E da outra com herdeiros de Pantalião de teiue que uem a ser hũa uinha.182

# A metade de hũa tapada que está no pereiro com o que lhe cabe de uinha E oliueiras que tem dentro
que parte de hũa banda com tapada E uinha dos frades de N. Senhora da Graça desta Villa E da outra
com Catarina Magra filha de Anna Rodriguez Veuua de Pedro Magro

# A metade de hum oliual que está no pereiro que parte de hũa banda com tapada e uinhas da mesma
fazenda E da outra 183 com oliual de Bartolomeu Rodriguez Espingardeiro E com Simão Caldeira Castel
Branco.

# Hum oliual que está por baixo de S. Andre Caminho dos Moinhos que parte com estrada uelha do
Conçelho, E da outra com oliual da Cappella do Padre Pedro Villella.

# Hũa orta que está no Ribeiro que parte com herdeiros de Manuel da Fonseca Coutinho E da outra com
Diogo Gonçalues Barreto com seu chão por sima tapado de ualado pertencente á mesma orta. /

[fol. 3] # Hũa terra que está na folha de N. Senhora de Mercores aonde chamão os currais de Simão
Mendes que parte de hũa banda com os herdeiros de Bernardo da Silua, E da Outra com terras da
Comenda.184

# Hũa terra que está ao Barregão na folha da Liria ao Ribeiro da uelha que parte de hũa banda com
terras do monte de sanctos Fernandez, E da outra com terra de Rodrigo Magalhans.185

# Hũa terra que está ao Ribeiro de Pedro Tinhozo que parte de hũa banda com terra do Padre Fernão
Ramos, E da Outra com terra de Manuel Rodriguez Frade.186

# Hũa terra que está na Serra da Cardoza com suas oliueiras E parte della está tapada, E de hũa banda
parte com fazenda de Luis de Souza Brandão E da outra com o Vaquinhas a qual está aforada em
fatoizim por tres tostons em cada hum anno pagoz por dia de S. Miguel E este foro paga Antonio
Rodriguez Moledo.187

182
À margem esquerda: “este oliual he o que chamão manga da Raynha”.
183
Riscado: “com Catarina Magra filha de Anna Rodriguez Veuua de Pedro Magro digo”.
184
À margem esquerda: “Titolo”.
185
À margem esquerda: “Titolo”.
186
À margem esquerda: “Titolo”.
187
À margem esquerda: “Titolo”.

142
Transcrição de José Jorge Gonçalves FRAGMENTA HISTORICA

# Hũa terra na folha de S. Bartolomeu que está ao barrocal de S. João que parte de hũa banda com
herdeiros de Manuel Mendes do adro E da outra com terras da Misericordia desta Villa 188 /

[fol. 3v.º] # Hũa terra que está no limite dos Escallos de Sima E Alcains aonde chamão o Mourão na
folha dos Barrochais que parte de hũa banda com terras da Cappella de Thomas Fernando de Azeuedo,
E da outra com tapada de Gonçallo Fernandez Porrito dos Escallos de Sima 189

# Hũa terra que está a S. Giraldo que fica no Limite das freiras de S. Viçente que parte de hũa banda
com barro do Padre Pedro Antunes da Louza, E da Outra banda com barro da barata dos Escallos de
Sima

# Hũa terra que está á Lagem do pajo a grande E rosadouros na folha dos gralhais Limite da Louza E
escallos de Sima que parte de hũa banda, E outra com terras do Inquizidor.

# Huns cabeceiros de terra que ficão iunto da terra de sima aonde chamão o ual de asna que he terra
pequena do pajo no limite da Louza e folha dos garalhais, que parte de hũa banda com Domingos
fernandez uelido dos Escalloz de sima E da Outra com terras do Jnquizidor.

# Hũa terra que está no limite da Louza na folha dos garalhais aonde chamão o ual do lobo que parte de
hũa banda com terras do Doutor Simão da Costa de Castello Branco. /

[fol. 4] # Hũa terra que está no limite da Louza na folha dos Carualhais aonde chamão a Nauancha que
parte de hũa banda com terra do Doutor Manuel Vaz, E da outra com terra dos herdeiros de João Vaz
genrro do branco.

# Hũa terra de Vargea que está no limite de S. Miguel d acha na folha da caniça, que parte de hũa banda
com terra de Antonio Pereira dos Escallos de Sima, E da Outra com herdeiros de Jgnaçio Antunes dos
ditos Escallos de Sima.

# Hũa terra no mesmo sitio da Caniça que parte de hũa banda com terra de Domingos Vaz Nunes do
Lugar da Louza, E da Outra com terra de Manuel Fernandez Pretto do Lugar de S. Miguel d acha.

# Hũa terra no mesmo Sitio que parte de hũa banda com terra de Gonçalo Vaz, E da Outra com terra de
Manuel fernandez Pretto ambos de S. Miguel d acha.

188
Acrescentado porteriormente: “leuara hum quarteiro * de Sameadura aualiada em 15R000” (*riscado: “alqueires”; a
palavra “quarteiro” foi emendada). À margem esquerda: “Titolo”; riscado: “Cappela dos”.
189
À margem esquerda: “Titolo”.

143
FRAGMENTA HISTORICA Tombo de capelas instituídas na vila de Castelo
Branco e seu termo (s.d.)
# Hum muro de Colmeas que está em ualongo com seu tiro de besta ao redor que parte com os
herdeiros de Manuel Mendes do adro.

# Hum barro no limite da Louza na folha dos garalhais aonde chamão o Sachão que parte com barro de
Manuel Martjnz Escalhão do dito lugar, E da outra com terra dos herdeiros de Pedro Affonsso do / [fol.
4v.º] do [sic] dito Lugar da Louza.

# Hũas cazas terreas com seu sileiro de trás E sobrado que estão na rua dos peLiteiros que parte de hũa
banda com cazas de Martim Marquez carpinteiro, E da outra com cazas terreas do Doutor Luis de
Valladares sotto maior.190

# Hum moinho na ribeira da Ocreza limite de Alcains por baixo de S. Domingos 191

# Hum olival que está na penacha tapado que parte de hũa banda com Gaspar Mouzinho, E da Outra
com orta da mesma Cappella. 192

# Hũas cazas terreas com seu sobrado detras que estão na rua dos ferreiros que parte de hũa banda
com cazas da mesma cappella E da Outra com cazas de Gaspar Antunes.

# Huas cazas de ginela na rua dos ferreiros que tem somente alto E baixo que partem de hũa banda com
Domingos gonçalues Nereo, E da outra com cazas de Manuel Francisco Alfaiate 193

# Hum barro na folha de N. Senhora de Mercores aonde chamão a piçarra do Alcaide que parte de hũa
banda com Simão Caldeira / [fol. 5] E da outra com Pedro de Figueiredo ambos desta Villa
# Hũa uinha com suas tapadas E hũ pedaço de terra fora que estão no limite desta Villa ao fundo do ual
do Cabreiro que partem de hũa banda com uinha e tapada de Sebastião Gomes galego E da Outra com
terra dos herdeiros de Manuel de Valladares sotto maior.194

# Hũas oliueiras que estão no limite desta Villa aonde chamão a Cardoza que partem de hũa banda com
oliual da Cappella do Padre Pedro Villella, E com herdeiros de Antonio Gil machieiro.

# Huns barros na folha de N. Senhora aonde chamão a Caparrota que partem de hũa banda com terras
de Simão Caldeira, E da outra com terras de Gaspar Mouzinho Magro.

190
À margem esquerda: “Titolo”.
191
À margem esquerda: “Titolo”.
192
À margem esquerda: “Titolo”.
193
À margem esquerda: “Titolo”.
194
À margem esquerda: “Titolo”.

144
Transcrição de José Jorge Gonçalves FRAGMENTA HISTORICA

# Hũa terra que está alem da ribeira de pensul a que chamão a corga do longo, que parte de hũa banda
com granja do uedigal E da outra com Francisco marquez escriuão das sisas.

Titulo dos prazos em uidas.

# Huas cazas terreas que estão nesta Villa na rua dos ferreiros que partem de hũa banda com cazas de
João Nunes mercador, E da outra com cazas do Almeida o Cardador as quais cazas são foreiras a
Misericordia desta Villa em quinhentos reis /

[fol. 5v.º] # Hũas cazas terreas que estão na rua dos peleteiros desta Villa que partem de hũa banda com
cazas de Domingos Fernandez, E da outra com cazas da Cappella que instituio o padre Joze Simão
Villella. as quais cazas são foreiras a Misericordia desta Villa em quatrocentos reis cada hum anno.

Titolo da fazenda que instituio o Licenciado Joanne Mendes de Pajua.195

# Hũa terra que está na folha da liria aonde chamão os Aluarinhos que parte de hũa banda com estrada
do Conçelho que uai pera o lugar de Alcains, E da outra com a ribeira da liria

# Hũa terra que está no limite dos Escallos de Sima na folha dos barrochais aonde chamão o eruideiro
que parte de hũa banda com terra de Franciso Diaz ofitos do lugar de Alcains, E da outra com terra de
Francisco gonçaluez o Canga de Alcains.

196
E suposto que o instituidor nomeou tambem pera esta cappella a terra que está na folha de N.
Senhora de Mercores á Lagem das canelas que parte de hũa banda com terras da Comenda desta Villa,
E da outra com terras dos herdeiros de D. Fernando de Menezes se não assentou neste titolo porquanto
nella não podia o dito / [fol. 6] instituidor encargo algum em rezão de estar primeiro posta em outra
cappella que instituio Lianor Vaz Villella maj do dito instituidor, E não se poder fazer cappella sobre
cappella.

Titolo da fazenda da Cappella que instituio o Padre Pedro Villella com obrigação de seis mezes missa
cotidiana, E os outros seis mezes domingos E dias sanctos.

# Hũas cazas de ginela com seu quintal que estão na rua dos peleteiros que partem de hũa banda com
cazas de Manuel Pereira da Silueira E da outra com cazas do Capitão maior Simão Caldeira Castel
Branco.

195
À margem esquerda: “Titolo”.
196
Escrito nas margens esquerda e direita: “Por esta se derão nas garalhas 2. terras a saber hũa terra que está na folha do
Liria aonde chamão a fonte da Barroca que parte com terras da Misericordia e da outra banda parte com terra de fernão
Tudella leuaria 7. quarteiros”; “contra terra no limite da mata na folha do val da falga aonde chamão o ribeiro do Rassim a
orta velha”.

145
FRAGMENTA HISTORICA Tombo de capelas instituídas na vila de Castelo
Branco e seu termo (s.d.)

# Hum lagar de azeite que esta á porta de Relogio da parte de dentro que parte de hũa banda com cazas
de João de Aguiar, E da outra com rua do relogio.

# Hũa caza terre [sic] com seu sobrado detrás que está na rua dos peleteiros que parte de hũa banda e
outra com cazas do Capitão maior Simão Caldeira Castel Branco.

# Hum Monte que chamão de alcoba que está iunto a malpica que parte de hũa banda com monte de
boa idade, E da outra com caminho que uai pera Ferreira. /

[fol. 6v.º] # Hũa uargea ao Ribeiro da torre que parte de hũa banda com o mesmo ribeiro, E da outra
com terra da mesma cappella.

# Hum barro que está ao mesmo ribeiro da torre que parte com a uargea da dita cappella E com terras
da Mizericordia E com oliual do Doutor Simão da Costa Estaço.

# Hũa terra que está a Cruz de Montaluão mistica com serra de Manuel Sanches que parte de hũa
banda com tapada dos herdeiros de Fernão Rodriguez Picapeixe, E da outra com terra da Misericordia
desta Villa

# Hũa terra que está alem da ribeira de ponsul que parte de hũa banda E outra com monte de Francisco
Marques escriuão das sizas a qual terra chamão os balicocos.

# Hũa terra que está no limite da louza na folha dos carualhais aonde chamão o ribeiro dos simons que
parte de hũa banda com terra dos herdeiros de Joze simão de Alcains, E da outra com terra de
Domingos Fernandez uelido.

# Hũa terra que esta no limite dos Escallos de Sima aonde chamão a lameira do Dão que parte de hũa
banda com terra da cappella dos Aragens de S. Vicente, E da outra com Manuel Gomes rato dos Escallos
de Sima.

# Hũa terra nos Escallos de Sima na folha da Lameira do Dão aonde chamão a de maria neta que parte
de hũa banda com terra da Confraria do Senhor dos Escallos de Sima E da outra / [fol. 7] com terra de
Gonçalo Fernandez Porrito do dito Lugar dos Escallos de Sima.

# Hũa terra que está no limite dos Escallos de Sima na folha do uerdelhão entre as tapadas das
panascozas que parte de hũa banda com uinha de Gonçalo Fernandez Toucinheiro dos Escallos de Sima,
E da outra com tapada de Antonio gonçaluez dos Escallos de Sima

146
Transcrição de José Jorge Gonçalves FRAGMENTA HISTORICA

# Hũa propriedade de Vinha E oliual que está dentro da dita uinha no limite desta Villa aonde chamão a
Cardoza que parte de hũa banda com uinha de Domingos Rodriguez genrro do pedro homem, E da
Outra com uinha de Manuel Fernandez Aguilar, E com oliual da mesma Cappella.

# Hum oliual no mesmo sitio de Cardoza que parte de hũa banda com uinha da dita cappella E da outra
com caminho que vai pera o ual da Cardoza, E com uinha de gaspar da Fonseca serieiro.

# Hum oliual que está a fonte noua que parte de hũa banda com Diogo da Fonseca Achioli, E da outra
com 197 herdeiros de Bernardo da Silua

# Hum oliual que está a fonte noua que parte de hũa banda com oliual de Rodrigo de Magalhans, E da
outra com oliual da Cappella que aprezentou Thomas Fernando de Azeuedo, E com caminho que uai
pera o ribeiro /

[fol. 7v.º] # Hum oliual que está alegria que parte de hũa banda com estrada publica que uai pera
Alcains

# Hum oliual que está caminho dos moinhos que parte com o dito caminho E com lianor Vaz irmã delle
Pedro Villella

# Hum oliual ao almunheiro que parte com caminho que uai pera o ual de Cardoza E com chão da
Cappella de Catarina de sotto maior E com Manuel Martinz picapeixe surgião E dentro do dito chão
estão tambem duas oliueiras iunto á uinha de simão de oliueira que são do mesmo oliual.

# Hum oliual pequeno no montezinho por sima da Orta de Jzabel d eiras que parte de hũa banda com os
herdeiros de Bernardo da silua, E mais da outra.

# Hũas oliueiras a porta da treição que parte [sic] de hũa banda com Fernão dias cazado com a molher
que ficou de thome Aluares de Moura.

Titolo de Fazenda de Cappella que instituio Catarina <de souza> de sotto maior com des Missas

# Hũas cazas de ginela com seus quintais que estão na rua de Sancta Maria que partem / [fol. 8] de hũa
banda com cazas do licenciado Manuel de Mattos, E da outra com cazas de Pedro Rodriguez sapateiro

Titolo da Cappella que instituio Jllena de queiros com duas missas

197
Riscado: “An”.

147
FRAGMENTA HISTORICA Tombo de capelas instituídas na vila de Castelo
Branco e seu termo (s.d.)
# Hũa orta que está ao cançado com sua tapadinha que parte de hũa banda com tapada que foi de João
de Almeida, E agora he do licenciado Manuel de Mattos Barriga, E da Outra com Luis da Cunha da
Fonseca E com caminho que uai pera N. Senhora de Marcores.

Titolo da Cappella que instituio Manuel de Sotto maior com duas missas

# Hũa terra que está aos currais de Simão Mendes que parte de hũa banda com [...]198

Titolo da Cappella de João de Valladares com duas missas

# Hũa terra que está nos escallos de baixo que parte de hũa banda com 199 / [fol. 8v.º]

Titolo da Cappella que instituio perpetua de Sotto maior

# Hũa orta que está per baixo de S. Gens que chamão a de Jsabel d eiras que parte de hũa banda com
oliual do Padre Fernão Ramos Gabriel E da Outra com orta de João Telles E com orta dos frades de N.
Senhora da Graça

Titolo da Fazenda Liure

# Hũa terra que esta na folha de Nossa Senhora de Mercores aonde chamão o ual do Cabreiro que parte
de hũa banda com terra de Pedro de figueiredo desta Villa, E da Outra com tapada da Cappella do Padre
Joze Simão Villella Leuará dous moios de sameadura aualiada em cento e sincoenta mil reis. ---------------
-------------------------------------------------------------------- 150R000

# Hũa terra que está na folha de Nossa Senhora de Mercores que está iunto ao ribeiro das perdizes que
parte de hũa banda com terra dos herdeiros de Manuel da Fonseca desta Villa, E da outra com terra da
Comenda, Leuará dous moios de sameadura aualiada em cento e sincoenta mil reis ---------------------------
--------------------------------------------------------- 150R000 /

[fol. 9] # Hũa terra de barro que está a São Martinho que parte de hũa banda com terra dos herdeiros
de Sebastião da Cunha E da outra com terra do Padre Miguel Pinto desta Villa, Leuará hum moio de
sameadura, aualiado em quarenta mil reis --------------------- 40R000

198
Documento interrompido.
199
Documento interrompido.

148
Transcrição de José Jorge Gonçalves FRAGMENTA HISTORICA

# 200Hũa terra que está na folha de São Bertholameu aonde chamão o poço de Pedro Viçente que parte
de hũa banda com terra de Pedro Nunes frade desta Villa, E da outra com terra da Fazenda, Leuará
trinta E sinco alqueires de Sameadura aualiada em trinta E sinco mil reis –-------------- 35R000

# 201Hũa terra que está na folha de S. Bertholameu aonde chamão a pedra da Legoa que parte de hũa
banda com terra dos herdeiros de Bernardo da Silua E da outra com terra da Misericordia desta Villa
Leuará quarenta alqueires de sameadura aualiada em quarenta mil reis ------------ 40R000

# Hũa terra na folha de S. Bertholameu aonde chamão a lagem de Maria Ramos, que parte de hũa
banda com terra de Manuel Sanches desta Villa, E da outra com terra da Misericordia desta Villa Leuará
uinte e sinco alqueires de sameadura, aualiada em uinte e sinco mil reis ---------------------------- 25R000 /

[fol. 9v.º] # 202Hũa terra que está na folha de São Bertholameu aonde chamão o oliual de Pedro Soeiro
que parte de hũa banda com os herdeiros de Sebastião da Cunha, E da outra com tapada de Diogo da
Fonseca Achioli, Leuará trinta alqueires de sameadura, aualiada em uinte e sinco mil reis --------------------
-------------------------------------------------- 25R000

# 203Hũa terra que está na folha de São Bertholameu ao oliual de Pedro soeiro, que parte de hũa banda
com Martinho de oliueira, E da outra com terra da Misericordia Leuará de sameadura treze alqueires de
sameadura, aualiada em treze mil reis ------------------------- 13R000

# Hũa terra que está na folha de São Bertholameu aonde chamão a Cançela simeira, que parte de hũa
banda com terra da Misericordia desta Villa E da outra com terra de Luis de Souza Brandão, Leuará dez
quarteiros de Sameadura, aualiada em cento e sincoenta mil reis ----------------- 150R000

# Hũa terra que está na folha de S. Bertolameu aonde chamão a golaram E cabeço das estercadas, que
parte de hũa banda com terra de D. Fernando de Menezes, E da outra com terra de Domingos Vaz Rato
de Alcains, Leuará dez quarteiros de sameadura aualiada em cento e sincoenta mil reis ----------------------
------------------------------------------------ 150R000 /

[fol. 10] # 204Hũa terra que está na folha da Liria aonde chamão a fonte da Barroca que parte de hũa
banda com terra do Doutor Fernando Tudella de Castilho, E da outra com terra da Misericordia desta
Villa Leuará sete quarteiros de Sameadura aualiada em cento e sinco mil reis ------------------------------------
---------------------------------------------------------- 105R000

# Hũa terra que está na folha da Liria aonde chamão o ribeiro d ega, que parte de hũa banda com
herdeiros de Sebastião da Cunha, E da outra com cappella que nomea Thomas Fernando de Azeuedo

200
À margem esquerda: “dada a Cappella que Jnstituio Catarina de sotto maior molher de Gonçalo da silua”.
201
À margem esquerda: “patrimonio de Sebastião de Valladares”.
202
À margem esquerda: “Patrimonio de Jozeph da silua”.
203
À margem esquerda: “Patrimonio de Joseph da Silua”.
204
À margem esquerda: “Dada a Cappella que instituio o licenciado João Mendez de Payua”.

149
FRAGMENTA HISTORICA Tombo de capelas instituídas na vila de Castelo
Branco e seu termo (s.d.)
desta Villa, Leuará seis quarteiros de Sameadura, aualiada em oitenta mil reis -----------------------------------
------------ 80R000

# Hũa terra que está na folha da Liria aonde chamão agua da Figeira [sic] das Lombas, que parte de hũa
banda com terra dos herdeiros de Bernardo da Silua E da outra com terra da Misericordia desta Villa
Leuará noue alqueires de Sameadura, aualiada em oito mil reis ------------------------------------------------------
-----8R000

# Hũa terra que está no limite de Alcains aonde chamão o penedo do bicás, que parte de hũa banda
com terra de Pedro Duarte E da outra com terra de Pedro Duarte da fonte aualiada em doze mil reis -----
------------------------------------ 12R000 /

[fol. 10v.º] # Hũa terra que está no limite de Alcains aonde chamão a pontinha, que parte de hũa banda
com terra de Manuel Simão Cappitão, E da Outra com terra dos herdeiros de D. Fernando de Menezes
aualiada em trinta mil reis ---------------------------------- 30R000

# Hũa terra que está no ual das escutas limite de Alcains que parte de hũa banda com terra de Francisco
Borquilho, E da outra com terra de Domingos Vaz burefa ambos moradores no dito Lugar, aualiada em
doze mil reis ------------------------------------------ 12R000

# 205Hũa terra que está no limite dos escallos de baixo na folha do ual da silueira aonde chamão a
lameira do boto que parte de hũa banda com terra dos herdeiros de D. Carlos, E da outra tambem com
terra do mesmo D. Carlos, aualiada em sinco mil reis ------------------- 5R000

# 206Hũa terra que está no limite dos escallos de baixo na folha do ual da Silueira no simo desta, que
parte de hũa banda com terra de Manuel Vaz Burefa de Alcains, E da outra com terra de Manuel
Marquez da Louza, aualiada em dez mil reis -------------------------------- 10R000

# 207Hũa terra que está no limite dos Escallos de baixo na folha dos Barrochais aonde chamão o penedo
encaualeirado, que parte de hũa banda com terra dos herdeiros de Agostinho Rodriguez dos Escallos de
baixo, E da [...] /208

205
À margem esquerda: “dada a Luis de Valladares na legitima de seu pay”.
206
À margem esquerda: “dada a Luis de Valladares na legitima de seu pay”.
207
À margem esquerda: “dada a Luis de Valladares na legitima de seu pay”.
208
Falta o resto do documento.

150
Transcrição de José Jorge Gonçalves FRAGMENTA HISTORICA

TESTAMENTO DE BARTOLOMEU GINORI, HOMEM DE NEGÓCIOS EM


LISBOA E PROVEDOR DA IRMANDADE DA IGREJA DE NOSSA SENHORA
DO LORETO DE LISBOA (1723)
Transcrição de Nunziatella Alessandrini
CHAM – FCSH/NOVA‐UAç
Resumo Abstract
1723, Lisboa, Novembro, 24-25

Declarações de natureza testamentária de Statement of a testamentary nature made by


Bartolomeo Ginori, homem de negócios em Bartolomeu Ginori, businessman in Lisbon and
Lisboa, e Provedor da Irmandade da Igreja de Purveyor of the Brotherhood of the Church of
Nossa Senhora do Loreto de Lisboa. Our Lady of Loreto in Lisbon.

Lisboa, Arquivo da Igreja de Nossa Senhora do Loreto de Lisboa, Caixa IX, Doc. 8

© Fragmenta Historica 2 (2014), (151-157). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

151
FRAGMENTA HISTORICA Testamento de Bartolomeu Ginori, homem de
negócios em Lisboa e provedor da Irmandade da Igreja
de Nossa Senhora do Loreto de Lisboa (1723)
209
Documento

Testamento di Bartolomeo Ginori

Nelle hũas declarações de Dinheiros que deixarão em poder dos Passos e hũa demanda contra o Fisco
de Evora em poder do Procurador Diogo Francisco Loureiro, pertencentes a João Francisco Ginori, Socio
e devedor nas Companhias de Barduche, e estes devedores a Jgreja Com impedimento para se não
entregarem a Ginori, sem que a Jgreja fosse paga.

Nota210

Este testamento e Codicillo foram feitos a 24 e 25 de Novembro de 1723, e o seo fim é


declarar as dividas e os Creditos do seu auctor, e segurar as dividas que elle e seos socios João Francisco
Ginori, seo irmão, e Alberto Barducci, Homens de negocio em Lisboa deviam á Jgreja do Loreto, por
onde aquelles não poderiam levantar dinheiro nenhum de seos bens sem liquidarem e pagarem tudo a
dita Jgreja / [fól.2]

Jn Nomine Domini Amen Saibão quantos este Jnstrumento publico de Declaração Virem em
como no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de Mil setteCentos e Vinte Trez, aos Vinte
e quatro dias do mes de Nouembro, nas pousadas da habitação do senhor Bartolameo Ginori solteiro e
natural da cidade de Florencia á Biqua Pequena àonde <chamão> Terreirinho de Santo Antonio
Freguesia Santa Catharina do Monte Sinay desta Cidade de Lixboa Occidental aonde eu publico Nottario
Apostolico Jnfrascripto foi chamado pello ditto Senhor Bartolameo Ginori que se acha enfermo de
cama, o qual em presenca de Bernardo Francisco Leitão Ferreira 211 Parocho da Jgreja de Nossa Senhora
do Loretto Disse estando em seu juizo perfeito que elle ditto Senhor Bartolameo Ginori achando sse
enfermo sacramentado, e não sabendo o que Deos Nosso Senhor disporia da sua Vida, queria, e era sua
ultima Vontade fazer por este publico Jnstrumento algumas declarações do que queria se disposesse de
seus Bens se Nosso Senhor fosse seruido chama llo à sy, às quais declaraçõis não são por modo de
testamento, nem Codiçilio, mas quer que sejão Valiosas, as quais Declarações, deixa por este publico
Jnstrumento encarregadas aos SSenhores Paulo Hieronimo de Medicis e Esteuão Oliuieri ambos de
nação florentina, e homens de negocio nesta Cidade de Lixboa Occidental, para que por sua bondade e
Caridade, as queirão açeitar e dar á sua deuida execução, as quais Declarações, e appontamentos são
do theor seguinte
Jtem declarou o ditto Bartolameo Ginori que elle tem humas Contas largas com o Senhor
Senador Nicolao Ginori, Senhor João Francisco Ginori, seus Jrmãos moradores em Florencia, e tambem

209
Os critérios de transcrição adoptados são os da Universidade Nova de Lisboa, sugeridos em João José Alves Dias et al.,
Álbum de Paleografia, Lisboa, Estampa, 1987
210
De outra mão.
211
Riscado: “Disse”.

152
Transcrição de Nunziatella Alessandrini FRAGMENTA HISTORICA

com os filhos do Senhor Dom Lourenço Ginori ja deffunto os quais viuem em Florencia, das quais Contas
lhes remetteu Conta Corrente athe o anno de Mil setteCentos e dezasette segundo sua lembrança, e jà
lhe ficauão por ellas Deuedores de boa porção de dinheiro, e desde então athe o presente tem feito
largas despesas nesta cidade de Lixboa nas dependencias / [fól. 2v.º] que nella tem os dittos Senhores
nomeados, e à que elle declarante nomeado assiste, à Conta das quais declara que tem cobrado athe o
presente a quanthia de quatro Contos de reis com pouca differencia, dos quais quatro Contos de reis
pertencem em particular Dous Contos de reis com pouca diferença ao Senhor João Francisco Ginori seu
Jrmão e porque à Companhia do ditto Senhor João Francisco Ginori e Alberto Barducci quando tinhão
Casa de negocio nesta Cidade de Lixboa ficou deuedora de partida mui Considerauel à Jgreja de Nossa
Senhora do Loretto da nação Jtaliana da mesma Cidade, não tem o ditto Senhor João Francisco Ginori
seu Jrmão que esperar nada na ditta quanthia de Dous Contos de reis por se achar elle Deuedor na
mesma Companhia da refferida somma à qual se hà de contrapor à sobredita Diuida liquidando sse ás
contas.
Jtem declarou que os outros Dous Contos de reis com pouca differença pertençem tambem à
mesma Companhia do ditto Senhor Ginori, e Barducci, e que elle Declarante os Cobrara de hum Pleito
que Vençeo da quanthia de quatorze mil Cruzados, que corria com a Santa Jnquisição desta Cidade, digo
da Cidade de Euora, pello sequestro que esta fez nos bens de Manoel da Sena Soares homem de nação
que sahio penitençiado nella, o qual era Deuedor à ditta Companhia e ainda falta que cobrar o resto, E
do ditto Dinheiro ja cobrado açima declarado abatidos os gastos que elle Declarante tem feito nesta
Cidade, que constarão das suas Contas que tem dado áthe o anno de Mil setteCentos e Dezasette, por
resto que ficar liquido se há de pagar tambem á ditta Jgreja de Nossa Senhora do Loreto à Conta do que
à ditta Companhia dos dittos SSenhores João Francisco Ginori e Alberto Barducci ficou deuendo à ditta
Jgreja do Loreto.
Jtem Declarou que tambem Corre hum pleito entre os dittos Nicolao, e João Francisco Ginori
digo entre os Herdeiros do Senhor Lourenço Ginori já deffunto e Nicolao Ginori Autores de huma parte,
e da outra, Joseph Monteiro de Sousa / [fól. 3] Almoxarife do Paço da Madeira da quanthia de quatorze
mil, e tantos cruzados pouco mais, ou menos do qual pleito tiuerão os dittos Autores sentença à seu
fauor, à qual foi Confirmada em cima na Rellação, e o ditto Reo veyo com embargos a ella à Chançellaria
os quais embargos estão à final, e se não tem cobrado cousa alguma, e em se cobrando a ditta quanthia
abatidos os gastos que elle tem feito áthe o presente, o que fiquar liquido se há de partir entre os dittos
Enteressados.
Jtem Declarou que elle Senhor Bartolameo Ginori há Senhor e legitimo Pussuidor de huma
quinta no Distritto de Seuilha em lugar que se chama São João de Alfarache.
Jtem Declara que elle ditto Senhor Bartolameo Ginori hé Deuedor à Joseph Cagecernega
morador na cidade de Aguilar do Campo em Castilha á Velha, e não sabe quanto seja à quanthia da
Diuida, mas que constará das Contas que estão em Seuilha com todos os papeis na mão de João Luís
Paganelli homem de negocio da ditta Cidade.
Jtem Declarou ser Deuedor elle Declarante à Dona Joanna Hieronima Tosco Viuua, de
quinhentas Patacas moeda de Hespanha de que lhe pagou os juros á seis por Cento, e esta paga delles
athe o mes de Abril futuro do anno que Vem de Mil setteCentos e Vinte quatro.
Jtem Declara que tambem hé Deuedor à Dona Joanna Tosco Religiosa Hieronima, na mesma
cidade de Seuilha aonde tambem hé moradora sua Jrmaã Dona Joanna Hieronima Tosco, da quanthia
de Dous mil Ducados moeda de Espanha de Vilhon, dos quais lhe paga juros de sinco por Cento, e está
paga delles athe o fim do presente anno de Mil setteCentos e Vinte Tres, e declara que desta parçella
não fez escripto, ou obrigação alguma à ditta Religiosa
Jtem declara que elle Senhor Bartolameo Ginori hé Deuedor / [fól. 3v.º] à Companhia de
Cambij, e Spinelli que accabou em Madrid de Certa quanthia de que ao presente se não lembra e que

153
FRAGMENTA HISTORICA Testamento de Bartolomeu Ginori, homem de
negócios em Lisboa e provedor da Irmandade da Igreja
de Nossa Senhora do Loreto de Lisboa (1723)
para segurança e satisfação della, tem elle Declarante parte huma Perola grande de Vinte dous quilates
na mão de Bernardo Recagno morador em Cadiz, à disposição dos dittos auredores, consistindo este
Credito em huma fiança que elle Declarante fez por hum fulano de Santa Colunna que se foi para as
Jndias de Espanha
Jtem Declarou que hé tambem Deuedor de quatro mil Patacas moeda de Espanha ao [sic]
SSenhores Francisco, e Beneditto Tempi e Marques Folco Renuccini, Marques Francisco Ricardi, todos
moradores na Cidade de Florencia, e que elle Declarante negociara em Seuilha com Cabedal dos
sobredittos de que proçedeo esta Diuida, e porque houue perdas nos dittos negocios depois de
ajustadas as Contas para recolher os effeitos não sabe se esta Diuida he totalmente Çerta e os papeis
que o podem declarar estão em Seuilha na mão de João Luis Paganelli, e faz esta Declaração com esta
duuida por descargo da sua Consciencia por não ter podido athe àgora passar à Seuilha à liquidar as
dittas Contas
Jtem Declarou que na mesma Cidade de Seuilha tem mais <tres> contas a saber com Maria
Van Kessel natural de Amberes, e com Hieronymo Balthezar Rabasquero morador em Cadiz, e outra
pessoa que lhe não lembra, as quais Contas constarão dos seus liuros, e papeis que tem em Seuilha na
mão do ditto João Luis Paganelli
Jtem Declarou, e quer elle Declarante que se Deos Nosso Senhor dispuser alguma cousa delle
que a ditta quinta que tem no Distritto da Cidade de Seuilha no sitio de São João de Alfarache se Venda
para satisfação das suas Diuidas
Jtem Declarou que elle Declarante tem dado à guardar na mão do Senhor Manoel Domingues
do Paço homem de negocio morador nesta Cidade de Lixboa no Terreirinho de Santo Antonio na Biqua
Freguesia de Santa Catharina de Monte Sinay huma porção de dinheiro que constará de huma
lembrança que elle Declarante tem em seu poder, e à quanthia que se achar por ella, serà para pagar
tambem as Diuidas delle Declarante / [fól. 4]
Jtem Declara que a Jgreja de Nossa Senhora do Loreto da nação Jtaliana nesta Cidade de
Lixboa Occidental hè Deuedora à elle Declarante de huma porção de dinheiro que por agora lhe não
lembra, à qual constará dos seus papeis que elle Declarante, e que esta conthia, como quer que Alberto
Barducci seja enteressado nos dous Contos de reis com pouca differença que elle Declarante tem
cobrado da Santa Jnquisição de Euora, e seja tambem Deuedor à ditta Jgreja de Nossa Senhora do
Loreto, alcançando ella sentença contra elle, à ditta quanthia se há de pagar à mesma Jgreja, por Conta
que o ditto Barducci digo ditto Alberto Barducci lhe deuer, e feitas as dittas Declarações disse elle
Declarante que por hora lhe não lembraua mais nada, que declarar em descargo de sua Consciencia, e
que ratificaua o que áqui tem declarado, e pedio à mim Publico Nottario Apostolico Jnfraescripto, que
lhe tomasse estas declarações, e fizesse dellas este Publico Jnstrumento em modo que faça fee em
Juizo, e fora delle, o que com effeito eu Publico Nottario Apostolico fiz, estando presente o ditto
Reuerendo Bernardo Francisco Leitão Ferreira Parocho da Jgreja de Nossa Senhora do Loreto da nação
Jtaliana que com o ditto Senhor Bartolameo Ginori Declarante ambos assignarão aqui comigo, sendo
Testemunhas presentes o Reuerendo Padre Antonio de Alpoim, da Congregação do Oratorio desta
Cidade de Lixboa, e seu Companheiro o Jrmão Bernardo da Costa, e eu Lourenço Maria Granara Publico
Nottario Apostolico dos approuados na firma do sagrado Concilio Tridentino, e do Ordinario nesta Corte
e Cidade de Lixboa Occidental e Oriental que assignei de meus signaes publico e raso de que uso, para
que á este publico Jnstrumento se lhe dé enteira fee e Credito em Juizo, e fora delle, e tambem
assignarão comigo as dittas Testemunhas acima nomeadas, eu Lourenço Maria / [fól. 4v.º] Granara o fiz,
escreui, sobescreui, e o assignei.

154
Transcrição de Nunziatella Alessandrini FRAGMENTA HISTORICA

[sinal]
a) Lourenço Maria Granara publico Nottario Apostolico

a) Bartolomeu Ginori

a) O Reuerendo Francisco Leitão Ferreira Paroco Capellão mor do Loreto

a) Como testemunha Antonio de Alpoim

a) per testemunha Bernardo Da Costa

Aos Vinte e sinco Dias do mes de Nouembro do ditto anno de Mil setteCentos e Vinte Tres na
ditta morada do Senhor Bartolomeo Ginori, estando elle em seu perfeito Juizo, fui eu publico Nottario
Apostolico, e o Reuerendo Bernardo Francisco Leitão Ferreira Cura da Jgreja de Nossa senhora do
Loreto chamados outra vez pello ditto Senhor Bartolameo Ginori, o qual disse que alem das declarações
açima, lhe tinha occorrido fazer outras mais, de que queria lhe fizesse este publico Jnstrumento para
terem Validade, as quais são as seguintes
Jtem Declarou elle Senhor Bartolameo Ginori que sem embargo de ter declarado açima, que
tinha cobrado quatro Contos de reis dos quais pertencião em particular Dous Contos de reis com pouca
differença a seu Jrmão o Senhor João Francisco Ginori, e que desses não tinha que esperar por se achar
elle deuedor na Companhia com Alberto Barducci à Jgreja de Nossa Senhora do Loreto desta Cidade, à
qual Jgreja se hauião de pagar à Conta da ditta diuida agora declara, e especifica mais, que os dittos
dous Contos de reis os cobrara elle Declarante de Thomas da Silua da Camara, que era deuedor delles
ao ditto seu Jrmão o Senhor João Francisco Ginori, e que não teue lugar a disposição ou cessão que
propter formam fez o ditto Senhor João Francisco Ginori seu Jrmão, a fauor de / [fól. 5] Simão da
Bagnano de Florencia, porque não foi preciso Valer se elle Declarante da tal Disposição ou cessão,
porquanto foi feita pello ditto Senhor seu Jrmão com medo de que el Rey que Deus guarde 212 lançasse
mão de tal dinheiro e por esta razão fez a ditta Cessão ou trespasso à fauor do ditto da Bagnano, e que
pareçe a elle Declarante que tem e se hà de achar entre os seus papeis Clareza bastante deste ponto
Jtem Declarou, que há muitos annos em Florencia fez elle Senhor Bartolameo Ginori Çessão de
seu Patrimonio à fauor de seu Jrmão Senador O Senhor Lourenço Ginori já Deffunto, o qual ditto seu
Jrmão se obrigou á dar lhe a titulo de alimentos todos os annos Duzentos Ducados daquella moeda
Corrente de sette liuras cada Ducado, e confessa elle Declarante que esta pago, e satisfeito áthe o anno
de mil setteCentos e Vinte dous proximo passado, e está por ser satisfeito deste anno de Mil
setteCentos e Vinte Tres
Jtem Declarou que desde o tempo que veyo elle Declarante a Viuer na Casa onde
presentemente está em Companhia de Henrique de Boch digo de Bock flamengo Casado com Donna
Hieronima Espanhola, foi com condição de elle Declarante concorrer, e pagar á terceira parte dos
gastos, assim do sostento, como dos allugueis das Casas, e mais gastos dellas, e tem satisfeito ao ditto
Henrique de Bock e ajustado Contas athe todo o anno passado de Mil setteCentos e Vinte dous, e para
os gastos deste anno presente tem dado ao ditto Henrique de Bock diuersas parçellas de dinheiro que

212
Riscado: “não”.
155
FRAGMENTA HISTORICA Testamento de Bartolomeu Ginori, homem de
negócios em Lisboa e provedor da Irmandade da Igreja
de Nossa Senhora do Loreto de Lisboa (1723)
constarão dos papeis delle Declarante, e se lhe ajustará á sua Conta na forma do ditto ajuste, e papeis, e
do que disser o ditto Henrique de Bock, e declarou mais que estes taes gastos que tem declarado se não
hão de reputar pellos que them mereçido na assistencia das dependencias à que veyo à esta Cidade de
Lixboa, porquanto quis sempre nella Viuer com parsimonia para poder de algum modo poupar dinheiro
para satisfação das suas Diuidas
Jtem declara, e quer que ao ditto Henrique de Bock lhe sejão pagos todos os gastos que tem
feito àthe o presente nesta infermidade delle Declarante / [fól. 5v.º]
Jtem declarou que o Senhor Abbade Luis Barnabó que foi Auditor geral desta Nunciatura de
Portugal esta muito bem enteirado das Dependencias que há entre elle Declarante, e seus Jrmãos
Jtem Declarou que Diogo Francisco Loureiro hé o Solicitador das Causas das dittas
dependencias, o qual informará o estado dellas, e se lhe deue dos seus salarios somente Çinco meses
àthe o dia de hoje à razão de tres mil reis por mes, e mais todos os gastos que se lhe deuem que tiuer
feito depois das vltimas Contas àthe este dia que elle mostrará, e se fia da sua Verdade
jtem Declarou que o seu Procurador na Cidade de Beja chamado João Valente da Franca que o
hè para o Pleito que corre com à Santa Jnquisição de Euora tem em seu poder treze moedas de ouro de
quatro mil e outoCentos reis cada huma, que elle Declarante lhe entregou por Varias Vezes para gastos,
como consta dos papeis que elle Declarante tem em seu poder, das quais treze moedas de ouro o
sobreditto Procurador deue dar conta
Jtem declarou, que se Deos for seruido leuar para sy à elle Declarante desta Jnfermidade, que
queira à Jrmandade de Nossa Senhora do Loreto da nação Jtaliana de que elle presentemente hè
Prouedor enterra llo pello amor de Deos, e feitas estas dittas Declarações todas disse elle Declarante
que não lhe occorria mais cousa alguma que declarar, e que as ratificaua todas, e pedio a mim ditto
Notario Apostolico Jnfraescripto que lhe tomasse de nouo as dittas Declarações, e fizesse dellas este
publico Jnstrumento em modo que faça fee em Juizo, e fora delle, estando presentes o ditto Bernardo
Francisco Leitão Ferreira Parocho da Jgreja de Nossa Senhora do Loreto da nação Jtaliana que com o
ditto Senhor Bartolameo Ginori Declarante ambos assignarão aqui Comigo sendo Testemunhas
presentes o Reuerendissimo Padre Antonio de Alpoim da Congregação do Oratorio da cidade de Lixboa,
e o Reuerendo Padre Jgnaçio Ferreira da mesma Congregação, e eu sobreditto Lourenço Maria Granara
publico Nottario Apostolico Jnfraescripto / [fól. 6] dos approuados na forma do Sagrado Concilio
Tridentino, e do Ordinario nesta Corte e Cidade de Lixboa Occidental et Oriental que assignei de meu
signal raso somente, para que à este publico Jnstrumento se lhe dè enteira fee, e Credito em Juizo, e
fora delle e tambem assignarão comigo as dittas Testemunhas áçima nomeadas, e eu Lourenço Maria
Granara Publico Nottario o fiz, escreuj, e subescreuj

[sinal]
a) Lourenço Maria Granara publico Nottario Apostolico

E Depois de feitas as dittas Declarações, tornou á declarar, e especificar que aonde declara, e
diz que a Companhia que tiuerão seu Jrmão João Francisco Ginori e Alberto Barducci nesta Cidade de
Lixboa era Deuedora de partida Considerauel a Jgreja de Nossa Senhora do Loreto da Nação Jtaliana da
mesma Cidade. Declara agora que a Companhia Deuedora não era esta, mas era à Companhia de
Alberto, e Francisco Maria Barducci, à qual pello Balanço que se deu aos seus liuros e Contas, o qual

156
Transcrição de Nunziatella Alessandrini FRAGMENTA HISTORICA

Ballanço, está em poder delle Declarante, se achou ser Deuedor seu Jrmão João Francisco Ginori da
quanthia de Dous Contos de reis com pouca Differença, como o ditto João Francisco Ginori tem
ratificado por reçibo de ajuste de Contas, com Barducci, e Judici, e assim à ditta quanthia de dous
Contos de reis com pouca differença que tem ditto ter cobrado e pertençeram em particular ao ditto
João Francisco Ginori que são os mesmos de que fez trespasso a Simão da Bagnano se hão de descontar
para a Jgreja de Nossa Senhora do Loreto, e hão de ser pagos na Conta do que lhe ficou deuendo á ditta
companhia de Alberto, e Francisco Maria Barducci e não declarou mais, Ditto dia, mes, e anno / [fól.
6v.º] ácima e eu sobreditto Nottario o fiz, escreuj, Assignei em raso com as mesmas testemunhas e o
Declarante.

[sinal]
a) Lourenço Maria Granara publico Nottario Apostolico

a) Bartolomeu Ginori

a) O Reuerendo Francisco Leitão Ferreira Paroco, e Capellão mor do Loreto

a) Como testemunha Antonio de Alpoim

a) Como testemunha Jgnacio Ferreyra

157
FRAGMENTA HISTORICA Testamento de Bartolomeu Ginori, homem de
negócios em Lisboa e provedor da Irmandade da Igreja
de Nossa Senhora do Loreto de Lisboa (1723)

158
Transcrição de Nunziatella Alessandrini FRAGMENTA HISTORICA

RELAÇÃO DO FORTE REAL DE SÃO FILIPE NA ILHA DE SANTIAGO, CABO


VERDE (1750)
Transcrição de Tiago Machado de Castro
Doutorando em História na Universidade Nova de Lisboa
Bolseiro de investigação do CLUL
CHAM – FCSH/NOVA – UAç
Resumo Abstract
1750, Ribeira Grande, Ilha de Santiago de Cabo
Verde, Abril, 1

Descrição da Fortaleza de São Filipe, outros Description of the fortress of São Filipe, its
baluartes, casas, artilharia, armamento e bulwarks, houses, artillery, weaponry and
apetrechos existentes feita por ordem do equipments, made by order of the purveyor of
provedor da fazenda real no âmbito da transição the Royal Treasury in the context of the
de almoxarife. replacement of the storekeeper.

Arquivo Nacional de Cabo Verde, Secretária-Geral do Governo, G.7, Diversos, Livro 0989, fól. [1] - [10]

© Fragmenta Historica 2 (2014), (159-171). Reservados todos os direitos. ISSN 1647-6344

159
FRAGMENTA HISTORICA Relação do Forte Real de São Filipe na Ilha de
Santiago, Cabo Verde (1750)
213
Documento

Anno de 1750 (nº17)


Ao primeiro dia do mes de abril de mil setecentos e sincoenta annos nesta
cidade da ribeira grande ilha de sanctiago de Cabo verde nas pouzadas do
provedor da Real Fazenda o dezembargador Francisco Xavier de Araujo por
mandado delle carrego eu escrivão em receita ao Almoxarife feitor, e
recebedor da fazenda real o Ajudante Tenente Henrique da Costa Alvarenga
as fortalezas, belluartes, prezidio Artelharias, moniçoens, e mays petrecho
que recebeo do seu antecesor o Almoxarife que foi da real fazenda o
coronel Francisco Alves dAlmada, e os mays que receber e sobre elle
Carregar, o que faço pella maneira seguinte, Eu Jorge Martinho Fragozo
escrivão dos contos e almoxarifado que asiney:

Fortalleza de São Phellipe


Carrego eu escrivão em receita ao dito almoxarife por mandado do dito
provedor a fortalleza de São Phillipe posto por terra, e a praça de fora
redeficada, a Ermida com porta de traveça noua e a prençipal noua, seis
cazas duas de tras abafadas e a outra com prençipio, e huma sem portall, e
duas aruinadas, e com duas portas quebradas, e emcapazes, e duas
[1]v
E duas portas dentro das ditas cazas, huma com fechadura, e outra sem ella,
a sisterna [com] porta quebrada , e com a artelharia seguinte, e a fortalleza
com sua porta e fechadura e chave –
Nove pessas de ferro montadas em seus reparos novos, e duas pessas no Pessas 9 e 2 no
cham com exo quebrado – cham
Mais quinze bocados de pau velhos – bocados de pau
velhos 15
Hum sino com seu badallo em quatro pedaços – 1 Sino
Sete centas noventa, e sete ballas razas entrando duas quebradas, e trinta, e Ballas 797
oito na alfandega velha –
Vinte quatro ballas de pedra com seus defeitos, e quebradas – Ballas de pedra 24

213
Normas de transcrição utilizadas:
Foi respeitada a grafia do texto original e sua pontuação excepto: nos casos de nomes próprios e apelidos em que
introduzida uma maiúscula inicial; na normalização do que aparenta ser um Z em final de palavra, introduzindo-se um S em
substituição (ex. contoz por contos; trez por tres).
Quebras de linha foram eliminadas fornecendo texto corrido.
As abreviaturas foram resolvidas com a indicação dos elementos ausentes a itálico, tomando como indicar as formas
extensas presentes no texto.
Conjecturas estão assinaladas entre parênteses rectos (ex. [nnn]); lacunas de suporte não resolvidas estão entre parênteses
rectos com três pontos (ex. […]).
Os fólios do manuscrito não estão numerados pelo que a sua numeração foi feita pela contagem de fólios a partir da capa,
apresentando-se de forma conjecturada entre parênteses rectos. A numeração dos fólios foi introduzida como quebra de
página.

160
Transcrição de Tiago Machado de Castro FRAGMENTA HISTORICA

Mais dez pedaços de balas de pedra – Pedaços 10


As portas do portão – Portas do portão
Hum pau de bandeira – Pau de bandeira

Balluarte de Santo Antonio


Quatro cazas de telha novas que tem huma intrada, e seis jenellas todas cazas 4 de telha
sem porta – nova
Quatro pessas de ferro desmontadas, huma foi para a fortalleza – Pessas de ferro 4
desmontadas
Quatro carretas velhas, e quebradas, e com faltas de muitos paus – Carretas Velhas 4
[2]r
Duas ballas, e trinta, e seis na alfandega velha – Ballas 38
Porta do portão chapeado de ferro, e com sua fechadura, e chave – Portão

Belluarte dos Cavalleiros


O balluarte com os muros reparados de novo com seu portão, e fechadura –
Dez pessas de artelharia, a saber sinco montadas em seus reparos novos por Pessas de artelharia
se ter comsumido os velhos com o tempo mais sinco no cham entrando 10
huma com a boca quebrada que ajusta a dita conta –
Mais tres com munhoins quebrados – mais 3 comunhois
quebrados
Dous paus mais que estão nas ditas pessas – Paus 2

Belluarte de São Veriçimo


O balluarte com sua muralha, e portão, e chave, e fechadura com huma caza
de polvora, e outra cazinha de cappitão com porta nova, e fechadura –
Seis pessas de ferro montadas em seus reparos velhos, e emcapazes Pessas [6]
entrando hüa cravada –
[2]v
Sete pessas de ferro com os munhoins quebrados que não serve para nada – Pessas de ferro 7
Duzentas, e sincoenta, e quatro ballas razas – Ballas 254
Dous canos de espingarda velhos, e tortos sem serventia – Canos velhos 2
Hum varão de ferro que serve de pontalete na caza – Varão 1
Duas alenternas velhas sem serventia – Alenternas velhas 2
Hum perafuzo de pau com que se alevanta as pessas – Perafuso de pau 1
Huma arondella – Arondella 1

161
FRAGMENTA HISTORICA Relação do Forte Real de São Filipe na Ilha de
Santiago, Cabo Verde (1750)
Hum moitão com sua polé – Moitão 1
Huma tarimba na caza dos cappetoins – Tarimba 1
Mil, e quinhentas telhas entrando nesta conta muita quantidade quebrada, Telhas, e a maior
e varios pedaços – parte quebradas
1500

Belluarte de Sam Lourenço


O balluarte com suas cazas, huma com porta, e fechadura, e huma porta
dentro de huma caza nova com fechadura, e chave –
Quatro pessas de ferro montadas em seus reparos, dous novos, dous velhos Pessas de ferro 4

Dezassette ballas razas nalfandega velha – Ballas razas 17
[3]r
Hum portão novo com sua fechadura e chave – Portão 1

Belluarte de São Braz, e deschapalimáo


Ho belluarte com suas cazas portas e fechaduras, e seu portão da mesma
forma –
Trez pessas de ferro montadas em seus reparos novos entrando huma dellas Pessas de ferro 3
com a boca quebrada –
E nas cazas do balluarte com ofiçina e tenda de ferreiro com as suas
ferramentas seguintes –
Huns folles grandes com seus aviamentos novo [ingles] – Folles 1
Huma bigorna grande – Bigorna 1
Huma cortadeira de sepo com a ponta de baixo quebrada – Cortadeira de sepo
1
Huma atanaz de volta – Atanaz de volta 1
Duas craveiras, e hua dellas quebradas – Craveiras 2
Hum martello piqueno de mão – Martello piqueno de
mão 1
Dous martellos, hum grande e outro piqueno – Martello 2
Hum banco com dous tornos grandes – 2 tornos
Huma atanaz velha – Atanaz [1]]
[3]v
Huma atarraxa com sinco perafusos – Atarraxa 1
Duas limas grandes entrando huma com as pontas quebradas – Limas grandes 2

162
Transcrição de Tiago Machado de Castro FRAGMENTA HISTORICA

Huma dita piquena – Piquena 1


Trez limas medianas – Limas medianas 3
Hum cinzello piqueno – Sinzello 1
Duas talhadeiras – Talhadeiras 2
E outro malho, ou martello de duas maos – Malho 1
Huma broca velha sem ferro – Broca velha sem
ferro 1

Prezidio desta praça


A caza do prezidio aberta com varanda com sua coluna de pedra
Huma caza para os capitoins, outra em comrespondençia que serve de
calaboço com suas portas, e fechaduras, e o calaboço com suas portas, e
fechaduras, e o calaboço com sua jenella para fora com suas grades de ferro

Hum tronco que serve de pés, e piscosso com duas aldrabas – Tronco 1
Hum taboão que serve de menza que está na caza do cappitão – Taboão 1
Outro taboão que serve para se emcostarem as espingardas Outro taboão 1
para não chegarem ao cham –
Com seu cabido na parede – Cabido 1
Huma roqueira com sua carreta – Roqueira 1
[4]r
Hum taboão que serve nas carretas – Taboão 1
Huma roqueira mais na alfandega, e a sua carreta no prezidio – Roqueira 1

Plantaforma do prezidio
Sete pessas entre grandes e piquenas montadas em suas carretas novas– Pessas 7
Huma tarimba grande com falta de hua taboa – Tarimba 1
Hum muchaxo – Muchaxo 1

Alfandega
Huma ballança grande com braço de ferro, e cadeas e as conchas de pau, e Ballança Pezos 7
com seus pezos que portados são sette entre meudos e grossos –
Trez folles de ferreiro – Folles 3
Hum varão de ferro – Varão 1
Tres mais ditos que servem nas carretas – mais 3

163
FRAGMENTA HISTORICA Relação do Forte Real de São Filipe na Ilha de
Santiago, Cabo Verde (1750)
Huma alavanca – Alavanca 1
Duas camaras de roqueira – camaras de roqueira
[...]
Huma bigorna de cham – bigorna 1
Dous ferros de exos de carretas que hé duas rodas – 2 ferros [de exos]
[4]v
Huma ballança de pezar dinheiro com seus pezos com fallta de duas outavas 1 Ballança de pezar
– dinheiro
Hum varão de ferro de exo com douz pregos nas pontas – Varão de ferro 1
Dous quintaiz, húa arroba, e vinte, e sinco livras de Asso – Asso 2 quintais
1arroba, e 25 livras
Seis quintais de ferro velho – Ferro Velho 6
quintais
Huma ballança com conchas de pau quebrada, e braço de Ballança 1
ferro –
Dous sintos de ferro para prizão – Cintos 2
Seis roqueiras sem camaras – Roqueiras 6
Huma caldeira de cozer Alcatrão – Caldeira 1
Huma corrente sem colar nem chaveta – Corrente 1
Mais tres roqueiras, duas na caza da camera, e huma no prezidio – Roqueiras 3
Tres ferros que servirão nas carretas com alguns pregos – Ferros 3
Hum ferro de Roldana, e huma Argolla piquena – Ferro de Roldana e
húa argolla piquena

Ferramentas de Ferreiro, e Serralheiro


Sete limas grandes – Limas Grandes 7
Duas atanazes huma nova, e outra velha sem serventia – Atanazes 2]
Huma tizoura grande de cortar ferro – Tizoura 1
Duas chigadeiras de forja – Chigadeiras 2
Tres craveiras de fazer pregos – Craveiras 3
[5]r
Huma atarracha de perafusos com hum macho menos – Atarracha [...]]
Dous andadores de fazer perafusos – Andadores 2
Quatro malhos, dous novos, dous velhos – Malhos 4
Hum alicate – Alicate 1

164
Transcrição de Tiago Machado de Castro FRAGMENTA HISTORICA

Huma pasta de chumbo que serve de picar limas – Pasta de chumbo 1


Dous rebollos, hum novo, e outro velho, com hum veio de ferro – Rebollos 2
Tres bigornas – Bigornas 3
Hum riscador – Riscador 1
Dous canos de folles com seus paus, e hum de assentar os paus, e dous Canos de Folles 2
curvetoins –

Ferramentas de Carpinteiro
Hum macete de pau, sem cabo – Macete 1
Sinco machados velhos – Machados Velhos 5
Douz ditos quebrados – 2 ditos quebrados
Hum olho de outro machado – olho de machado 1
Vinte, e tres verrumas entre grandes e piquenas, e outras velhiçimas – Verrumas 23
Duas folhas de serra – Folhas de Serra 2
Quatro meios trados – meios trados 4
Hum trado – Trado mais 1
Dous martellos – Martellos 2
Hum compasso de volta – Compasso [de] volta
[1]
[5]v
Hum excoplo – Excoplo 1
Oito argollas com suas pontas de pregar nas taboins – Argollas 8
Huma folha de serra ja quebrada no serviço de ElRey – Folha de serra 1

Ferramentas, e matreais de Pedreiro


Sette colheres de pedreiro – Colheres de
pedreiro 7
Vinte, e nove picaretas todas quebradas, e sem serventia nenhuma – Picaretas 29
Treze emchadas sem nenhuma serventia, todas quebradas – Emchadas [13]
Mais huma emchada – mais 1 emchada
Sinco olhos de emxadas sem nenhuma serventia – olhos de emxadas 5
Vinte, e sete pas entrando nesta conta sinco quebradas – Pas [27]
Tres cochos de acarretar pedras – Cochos [3]
Huma siranda – 1 Siranda

165
FRAGMENTA HISTORICA Relação do Forte Real de São Filipe na Ilha de
Santiago, Cabo Verde (1750)
As aduellas de huma barrica que teve cal – Barrica [aduellas]
Huma caza na fortalleza real com hum garnel de tijolloz que a mayor parte Tijollos […]
estão quebrados –

Armas de fogo e suas monições


Noventa, e oito Armas de fogo aparelhadas com muitas falltas, e todas Armas de fogo 98
chujas de ferruje –
[6]r
Cento, e quatro armas de fogo velhiçimas com muito danno e quebradas Armas Velhiçimas
sem serventia nenhuma – 104
Vinte, e sinco Arcabuzes – Arcabuzes 25
Vinte, e Sette Armas de fogo entrando nesta conta seis sem fechos que por Armas Velhiçimas
emcapazes se estruhirão – 27
Tres fechos de expingardas – Fechos de
expingarda 3
Cento vinte, e huma patronas com seus corrioins a mayor parte velhiçimos Patronas 121
sem serventia –
Quarenta, e quatro Ballas com alguns danos – Ballas 44
Huma Bandoleira de garnadeiro – Bandoleira 1
Settenta, e sinco cartuxeiras velhas, e outras emcapazes – Cartuxeiras 75
Trezentos sessenta e seis frascos, entrando outros velhiçimos sem serventia Frascos 366

Cento trinta e huma bayonetas – Bayonetas 131
E cressem do Numero de bayonetas oito baynhas – Bainhas 8
Sessenta corrioins que estão nas mesmas espingardas referidas, e muitos Corrioins 60
com pedaços sem serventia –
Outo centtas sincoenta, e seis pedras de fogo – Pedras de fogo 856
Quarenta e dous cunhetes de Ballas de chumbo que pello seu pezo antigo Cunhetes de ballas
emporta em trinta , e seis quintais, e duas arrobas – de chumbo 42 com
36 quintais, e 2
arrobas
Seis mil, e sete Ballaz razas ceparados os calibres no expardeeiro da Ballas razas 6007
Alfandega velha sem guarda, e ento
[6]v
E entolhadas debaixo das pedras da mesma parede que arombou que se
não poderão contar –
Sincoenta, e quatro Ballas razas – Ballas razas 54
Mais vinte, e tres Ballaz razas – Ballas razas 23

166
Transcrição de Tiago Machado de Castro FRAGMENTA HISTORICA

Tres ameitades ditas asima – ditas 3 ameitades


Duas ditas de pedra – de Pedra 2
Dez ballaz emcadeadas em que entrão duas com faltas nas pontas – Ballas emcadeadas
10
Tres ballas de palanqueta – ditas de palanqueta
3
Sinco sacatrapos para Artelharia – Sacatrapos 5
Quatro soquetes – Soquetes 4
Duas astias de lanada – Astias de lanada 2
Quarenta, e oito Astias de lanada entrando outras nos sacatrapos e Astias de lanada 48
cucharras –
Noventa e oito espeques – Espeques 98
E onze quintais, duas arrobas, e onze livras de Murrão que está na Murrão […]
Alfandega se gastarão algumas arrobas mais capazes, e o mais que fica todo
podre, e feito coaize com cinza que por esta rezão se não pezou –
Quatro pastas de cobre para cucharras – Pastas de cobre 4
Duas lanadas mais – Lanadas 2
Quatro alenternas velhíçimas, e emcapazes de serventia – Alenternas 4
Huma pouca de polvora molhada em hum barril – Hum barril de
polvora molhada
[7]r
Hum estandarte velhiçimo sem serventia – [Estandarte]
velhiçimo
Huma bocetinha com preguinhos de metal para lanada com quatro centos Preguinhos de metal
outenta, e quatro preguinhos – 484
Hum bottafogo piqueno – Botafogo piqueno 1
Tres quintais, e huma arroba de ferros comvem a saber cavilhas, pregos, e Ferro 3 quintais, e 1
tudo o mais das carretas em que entrão alguns novos que vierão do Prezidio arroba
para Alfandega –
Huma fechadura feita a moirisca com sua chave velhiçima – Fechadura a
moirisca 1
Dez livras de pasta dos quais se tirarão dous a saber hum para a receita, e Livras de pasta 8
despeza deste Almoxarife, e outro para as moniçoins, e sómente deve dar
conta de outo livras que recebeu –

Madeiras de toda a casta


Huma polé com seu cabo podre – Polé com seu cabo
podre 1

167
FRAGMENTA HISTORICA Relação do Forte Real de São Filipe na Ilha de
Santiago, Cabo Verde (1750)
Hum exo velho de Carreta – Exo velho de carreta
1
Cem paus entrando pedaços bastantes, e outros podres – Paus 100
Tres caixas de botica – Caixas de Botica 3
Duas pipas velhas – Pipas 2
Noventa, e oito polés ou motoins sem roda dentro outros – Polés 98
Dous paus de mastro que estavão na fortalleza, estão no Belluarte dos Paus de mastro 2
cavaleiros –
[7]v
A caza dalfandega com sua porta e fechadura, e chave e os Armazeins na A caza da Alfandega
mesma forma todos com suas portas e fechaduras, e a cravoeira sem porta ,
os sobrados de sima com suas portas, e janellas, e tres sem chave, sinco
cabidos novos, e doze velhos, e quebrados que servem de por as Armas –

Cordoame
Cento, e vinte varas de Amaras velhas, e tudo podre que por estar emcapaz Amaras velhas 120
se não medio – varas
Noventa, e sinco pedaços de cordas, e viradores, e ensarcas tudo cortado, e Cordas 95 pedaços
podre sem serventia nenhuma por estar todo podre se não medio –
Quatro arrobas, vinte, e tres livras de cabo embreado sem serventia Cabos 4 arrobas, e
nenhuma por estar todo podre se não medio – 23 livras
Dous cabos de cabrilha velha sem serventia nenhuma, e podres – Cabos de cabrilha
velhos 2
Quinze barras de ferro de Argolla com quatro quintais duas arrobas, e trinta, Barras de Argollas
e huma livra – 15 com 4 quintais 2
arrobas, e 31 livras
Hum copo de prata com duas onças, e meia que peza – Copo de prata
Seis barris que se despejou pólvora – Barris 6
Sinco quintais, e tres arrobas, e quatro livras de murrão todo podre, e Murrão podre
emcapaz que por estar desta forma se não pezou –
Quatro pranxoins de pinho para rodas dos reparos das artelharias que estão Pranxoins 4
no prezidio –
[8]r
Reparos, e madeiras com suas ferragens e pregarias neçeçarias para a
fortalleza desta Praça, e da Vila da Praia, e são as seguintes

168
Transcrição de Tiago Machado de Castro FRAGMENTA HISTORICA

Dezoito reparos com seus aparelhos e ferraxens de vários calibres que se Reparos de
não sabe por se terem trocados com outros e asim mais seis rodas grandes artelharia com suas
que crecerão por se terem armado algumas carretas com outras cochas ferragens 18 mais 6
novas que havião – rodas grandes
Vinte, e quatro Pranxoins para soleiras que estão no Prezidio – Pranxoins 24
Sete caxoins para pregos – Caixoins 7
Hum malho com seu cabo quebrado de pau – Malho 1
Sinco cascos de barris que teverão alcatrão – Cascos de barris de
alcatrão 5
Tres pinceis para alcatroar – Pinceis 3
Tres baldes com arcos de ferro para alcatrão – Baldes 3
Hum varão de ferro – Varão de ferro 1
Hum excoplo – escoplo 1
Hum compaço piqueno quebrado, e emcapaz – Compaço 1
Hum calibre de latão – Calibre de latão 1
Duas picaretas – Picaretas 2
E asim mais a capella que emtustuhio Manoel Correa de Salema, e sua
mulher Joanna de Sancto Agostinho que consta das cousas seguintes

Humas cazas de sobrado na rua do [callaço] junto ao prezidio


[8]v
que são sala, e camara, e hum soto em baixo, e húa cozinha aruinada, e seis
quintais providos de cazas que se aruinarão –
Duzentos mil reis para andarem a juros quais se tomão do dinheiro das
capellas que estutuhio Amaro da Serra no reverendo cabido por este
dinheiro ter parado na mão e ter recebidoo dito Amaro da Serra como
testamenteiro que foi do estutuhidor e a dita sua mulher para que se
passou precatoria a este juizo para o dito reverendo cabido no Anno de
setecentos trinta, e sete em que foi posto cumprasse para se dar a sua
execução e veyo esta capella a croa por falta de suceção dos chamados
para admenistração della, e não haver paremte algum dos entustihidores
que ouvecem de suceder nesta admenistração como se julgou por sentença
afinal nos auctos que correrão nos juizos desta provedoria das capellas que
estão no cartório do escrivão da correição, e das ditas capellas.

Consta mais esta capella de hua imagem de Nossa Senhora da Esperança


que manda o estutihidor esteja culucada na casa do capitollo do convento
de São Francisco desta cidade com sua croa de prata, e o menino, e hum
rozario de coral emgrazado em prata com sua cruz, e extremos de ouro, e
hua borlazinha de sete pernas com tres Aljofres piquenos cada hum.

169
FRAGMENTA HISTORICA Relação do Forte Real de São Filipe na Ilha de
Santiago, Cabo Verde (1750)

Tem esta capella de penção oito mil reis para se fazer a festa a mesma
senhora da esperança no dia dezoito do mes de Dezembro de cada ano com
vesporas missa cantada, e sermão na mesma caza do capitollo do dito
convento cuja festa pertence a fazella o dito reverendo cabido, e não
[9]r
requerendo la hir fazer que a possam fazer mesmo os religiosos pella dita
esmolla ; e asim mais tem de penção em cada anno quarenta missas rezadas
de esmolla de cem reis cada huma della a alma dos estutihidores; hesta
capella se emcorporo nos corpos dos contos desta ilha por ordem de sua
magestade; e se tomou posse della pello provedor e almoxarife que foi da
real fazenda o coronel Antonio de Britto do Lago do dito anno de setecentos
e trinta, e sete e por mandado do dito provedor foi aqui lançada neste livro
a dita capella com as declaraçoins neceçarias como se achão no livro do seu
anteceçor
para de hoje em diante continuarce a carga della aos Almoxarifes vimdoiros
como, esta neste livro, e com as mesmas declaraçoins –

Hum pau de tracto afincado na rua da Baça – Pau de trato 1


Cento, e vinte armas de fogo – Armas de fogo 120
cento e vinte baunettas – baunetas 120
Hum caixão em que vierão as armas de fogo com faltas de bastantes taboas caixão 1

Duas bandeiras, e hua dellas se serve com ella – Bandeiras 2
Seis taboas de casquinha dobrado – 6 taboas de
casquinha dobrado
Nove arrobas de pregos de ripar, e de soalho, e de madeirar – pregos 9 arrobas
Dous barris em que vierão os pregos – Cascos de barris 2
Dous torninhos de mão – Torninhos de mão 2
Dezasseis verrumas sortidas – Verrumas 16
Huma travadeira piquena para serra – Travadeira piquena
1
[9]v
Quatorze limas sorteadas – Limas sorteadas 14
Duas limas redondas com seus cabos de pau com argollas de ferro, e nas Limas redondas 2
mesmas duas travadouras para as serras do alto – com seus cabos de
pau
Dous malhos grandes de forja – Malhos 2
Hum martello de forja – Martello 1

170
Transcrição de Tiago Machado de Castro FRAGMENTA HISTORICA

Duas talhadeiras de sepo – Talhadeiras de sepo


2
Duas ditas de vergueiro – ditas de vergueiro 2
Duas atanazes de volta – Atanazes de volta 2
Tres craveiras de fazer pregos – Craveiras 3
Quatro cenzeis – Cenzeis 4
Duas brocas de fazer chaves – Brocas 2
Seis machados de carpinteiro – Machados 6
Quatro inchós de carpinteiro – Inchós 4
Huma tarraxa para fazer perafusos com tres machos – Tarraxa de fazer
perafusos 1
Tres serras de mão – Serras de mão 3
Duas serras do alto com suas argollas e fuzis de ferro – Serras do alto 2
Duas armasoins de madeira para ellas – Armazoins de
madeira para serras
2
Huma bigorna mais – 1 Bigorna
Huma padiolla – Padiolla 1
Hum pranxão mais dos estavão na fortelleza – Pranxão 1
[10]r
Huma pá mais – [...]
Huma craveira mais de fazer pregos – Craveira 1
Seis expingardas mais velhiçimas, emcapazes sem servemtia – Expingardas 6
Hum malho velho de pedreiro – Malho de pedreiro 1
Hum casco velho de Barril em que tinha vindo breu – Casco de barril que
teve breu 1
Huma alavanca mais grande que tem hum boraco – 1 alavanca mais
Tres pranxois mais que estão no prezidio – Pranxoins 3
Cujas monições, Armas, forteficações, Artelharias petrechos, ferramentas, e
matriais que consta neste livros atras e asima recebeu o Almoxarife feitor, e
recebedor da Fazenda Real ajudante tenente Henrique da Costa Alvarenga,
e de como recebeo asignou aqui com o dito Provedor da Real Fazenda, Eu
Jorge Martinho Fragozo escrivão dos contos e almoxarifado que a escrevi:

171
FRAGMENTA HISTORICA Relação do Forte Real de São Filipe na Ilha de
Santiago, Cabo Verde (1750)

172
Transcrição de Tiago Machado de Castro FRAGMENTA HISTORICA

ÍNDICES
Por João Costa

173
FRAGMENTA HISTORICA Índice Cronológico dos documentos publicados
neste número

ÍNDICE CRONOLÓGICO DOS DOCUMENTOS PUBLICADOS NESTE NÚMERO214

[s/d], [s/l] – 139


1307 [E. 1345], Évora, Abril, 10 – 69
1312 [E. 1350], Évora, Fevereiro, 22 – 71
1336 [E. 1374], Frielas, Maio, 15 – 77
1346 [E. 1384], Évora, Janeiro, 28 – 81
1374 [E. 1412], Évora, Abril, 7 – 85
1375 [E. 1413], Beja, Fevereiro, 6 – 87
Insere: 1375 [E. 1413], Vila Viçosa, Janeiro, 3
1375 [E. 1413], Redondo, Janeiro, 21
1376 [E. 1414], Évora, Junho, 21 – 73
Insere: 1322 [E. 1360], Évora, Junho, 21
1383 [E. 1421], Évora, Abril, 19 – 91
1383 [E. 1421], [Évora], Junho, 6 – 93
1385 [E. 1423], Évora, Maio, 11 – 95
1390 [E. 1428], Lisboa, Janeiro, 1 – 97
1397 [E. 1435], Redondo, Agosto, 22 – 99
1405 [E. 1443], Lisboa, Dezembro, 1 – 101
1414 [E. 1452], Redondo, Agosto, 15 – 105
1423, Évora-Monte, Janeiro, 9 – 107
1438, Golegã, Novembro, 18 – 109
1552, Góis, Setembro, 16 – 117
1553, Goa, Novembro, 1 – 129
1723, Lisboa, Novembro, 24-25 – 151
1750, Ribeira, Ilha de Santiago de Cabo Verde, Abril, 1 – 159

214
Os números dizem respeito à numeração das páginas.

174
Por João Costa FRAGMENTA HISTORICA

ÍNDICE ANTROPONÍMICO E Afonso Domingues – 84, 96


TOPONÍMICO Afonso Domingues Polinho – 111-113
Afonso Eanes – 90, 112
A Afonso Eanes Calembo – 106
Afonso Eanes o Cego – 111-113
Abrantes – 46, 48, 49, 59 Afonso Esteves – 103
Açacar (Rodrigo Aires de), cf. Rodrigo Aires de Afonso Galego – 98
Açacar
Afonso IV (D.) – 77, 78
Achioli (Diogo da Fonseca), cf. Diogo da
Afonso Martins – 96, 111
Fonseca Achioli
Afonso Martins Calvo – 90
Adro (Manuel Mendes do), cf. Manuel Mendes
do Adro Afonso Peres – 69, 82, 83
Afonso (Ana), cf. Ana Afonso Afonso Pires – 119, 124, 125
Afonso (Bartolomeu), cf. Bartolomeu Afonso Afonso Soares – 79
Afonso (Catarina), cf. Catarina Afonso Afonso V (D.) – 109, 110
Afonso (Constança), cf. Constança Afonso Afonso Vasques – 84
Afonso (Diego), cf. Diego Afonso Agostinho Rodrigues – 150
Afonso (Domingos), cf. Domingos Afonso Água da Figueira das Lombas (Castelo Branco)
– 150
Afonso (Fernando), cf. Fernando Afonso
Aguiar (Afonso de), cf. Afonso de Aguiar
Afonso (Gil), cf. Gil Afonso
Aguilar (Manuel Fernandes), cf. Manuel
Afonso (Inês), cf. Inês Afonso
Fernandes Aguilar
Afonso (João), cf. João Afonso
Aguilar (Pedro de), cf. Pedro de Aguilar
Afonso (Lopo), cf. Lopo Afonso
Aguilar do Campo (Castela-a-Velha) – 153
Afonso (Maria), cf. Maria Afonso
Aires de Açacar (Rodrigo), cf. Rodrigo Aires de
Afonso (Martim), cf. Martim Afonso Açacar
Afonso (Mécia), cf. Mécia Afonso Albatonim (Gil Vicente), cf. Gil Vicente
Albatonim
Afonso (Nuno), cf. Nuno Afonso
Albergaria dos Trigueiros (Évora) – 83
Afonso (Rodrigo), cf. Rodrigo Afonso
Alberto Barducci – 154-157
Afonso (Roque), cf. Roque Afonso
Alcáçova dos Freires (Évora) – 70, 72
Afonso (Vasco), cf. Vasco Afonso
Alcáçova dos Freires (rua da, Évora) – 70
Afonso Calombo – 100
Alcains (Castelo Branco) – 143-147, 149, 150
Afonso Cu de Padeira (João), cf. João Afonso Cu
de Padeira Alcoba (Castelo Branco) – 146
Afonso de Figueiredo – 113 Alcobaça – 78
Afonso de Noronha (D.) – 129, 137 Alcochete – 8, 9

175
FRAGMENTA HISTORICA Índice Antroponímico e Toponímico

Alconchel (praça da porta de, Évora) – 74 [Amavalda] (Giralda), cf. Giralda [Amavalda]
Alda – 83 Amberes (Antuérpia) – 154
Alda Rodrigues – 75 América do Sul – 137
Aldeia Galega do Ribatejo – 9 Ana Afonso – 125
Aleixo Pires (Alexandre), cf. Alexandre Aleixo Ana Rodrigues – 142
Pires
Ana Vilela – 141
Alexandre Aleixo Pires – 134
André Giraldes – 92
Alfaiates – 45-47, 59
Anes, cf. Eanes
Algarve – 47, 78, 88, 110
Anjou (Duque de), cf. Duque de Anjou
Almada (Francisco Alves), cf. Francisco Alves
Antoninho Lourenço – 75
Almada
António da Costa – 133
Almeida (indivíduo) – 145
António de Alpoim – 154-157
Alonso Carrilho – 132
António de Brito do Lago – 170
Alonso de Cervantes – 25, 26
António Fernandes Toscano – 136
Alpoim (António de), cf. António de Alpoim
António Gil Machieiro – 144
Alvarenga (Henrique da Costa), cf. Henrique da
Costa Alvarenga António Gomes – 118, 120, 123-125, 127
Álvares (Catarina), cf. Catarina Álvares António Gonçalves – 146
Álvares (Diego), cf. Diego Álvares António Nunes – 137
Álvares (Diogo), cf. Diogo Álvares António Nunes de Torrozelo – 124
Álvares (Luís), cf. Luís Álvares António Nunes de Travancinha – 124
Álvares de Bordeiro (João), cf. João Álvares de António Pereira – 143
Bordeiro
António Rodrigues Moledo – 142
Álvares de Bordeiro (Jorge), cf. Jorge Álvares de
António Viles de Cima – 137
Bordeiro
Antunes (Gaspar), cf. Gaspar Antunes
Álvares de Moura (Tomé), cf. Tomé Álvares de
Moura Antunes (Inácio), cf. Inácio Antunes
Álvares de Távora (Luís), cf. Luís Álvares de Antunes da Louza (Pedro), cf. Pedro Antunes
Távora da Louza
Alvarinhos (Castelo Branco) – 145 Apparitio Domini (dia de) – 128
Álvaro de Estunhiga – 26 Aragens (apelido) – 146
Álvaro Gonçalves – 88, 108 Araújo (Francisco de), cf. Francisco de Araújo
Álvaro Nunes – 93 Araújo (Francisco Xavier de), cf. Francisco
Xavier de Araújo
Alves de Almada (Francisco), cf. Francisco Alves
de Almada Araújo (Manuel de), cf. Manuel de Araújo
Amaro da Serra – 169 Arcos – 46

176
Por João Costa FRAGMENTA HISTORICA

Assentas – 47 Basto (terra de) – 110-112


Augusto Ferreira – 130 Beatriz Correia – 124
Aveiro (Casa de), cf. Casa de Aveiro Beatriz de Meneses (D.) – 51, 52
Aveloso – 46, 61 Beatriz Pais – 140
Avenças (Domingos Martins das), cf. Domingos Beira – 46, 49, 50, 52, 61
Martins das Avenças
Beja – 47, 87, 90, 156
Avis (linhagem) – 41, 43
Beja (Duque de), cf. Duque de Beja
Azevedo (Tomás Fernando de), cf. Tomás
Beja-Viseu (Casa de), cf. Casa de Beja-Viseu
Fernando de Azevedo
Belida (D.) – 72
Azinal (Miguel do), cf. Miguel do Azinal
Beneditto Tempi – 154
Benfica (Lisboa) – 98
B
Beringária Eanes – 85, 86 97, 101
Bernardes (Martim), cf. Martim Bernardes
Baça (rua da, Santiago, Cabo Verde) – 170
Bernardim (D.) – 135
Baçaim – 133
Bernardo da Costa – 154-155
Bagnano (Simão de), cf. Simão de Bagnano
Bernardo da Fonseca – 136
Balicocos (Castelo Branco) – 146
Bernardo da Silva – 142, 147, 149, 150
Baltasar Fernandes – 119
Bernardo da Silva Castelo Branco – 141
Baltasar Rabasquero (Jerónimo), cf. Jerónimo
Baltasar Rabasquero Bernardo Francisco Leitão Ferreira – 152, 154-
157
Barcos – 46
Bernardo Recagno – 154
Barducci (Alberto), cf. Alberto Barducci
Bica Pequena (Lisboa) – 152, 154
Barducci (Francisco Maria), cf. Francisco Maria
Barducci Boa Idade (Castelo Branco) – 146
Barnabó (Luís), cf. Luís Barnabó ([Link]) Bocarro (Vicente Eanes), cf. Vicente Eanes
Bocarro
Barreda (Violante), cf. Violante Barreda
Bock (Henrique de), cf. Henrique de Bock
Barregão (Castelo Branco) – 142
Bonhomini (João Pedro de), cf. João Pedro de
Barriga (Manuel de Matos), cf. Manuel de
Bonhomini
Matos Barriga ([Link])
Bordeiro (João Álvares de), cf. João Álvares de
Barros (João de), cf. João de Barros
Bordeiro
Bartolomeu Afonso – 92
Bordeiro (Jorge Álvares de), cf. Jorge Álvares de
Bartolomeu Fernandes Carneiro – 140 Bordeiro
Bartolomeu Ginori – 151-157 Borquilho (Francisco), cf. Francisco Borquilho
Bartolomeu Rodrigues – 142 Boto (Castelo Branco) – 150
Bastião Fernandes – 126 Boto (Rui), cf. Rui Boto

177
FRAGMENTA HISTORICA Índice Antroponímico e Toponímico

Bragança (Casa de), cf. Casa de Bragança Calembo (Afonso Eanes), cf. Afonso Eanes
Calembo
Bragança (Duque de), cf. Duque de Bragança
Calhariz (Lisboa) – 97, 98, 101
Bragança (Isabel de), cf. Isabel de Bragança (D.)
Calhariz (Porto de, Évora) – 102
Branca (D.) – 113
Calombo (Afonso), cf. Afonso Calombo
Branca Domingues – 90
Calvo (Afonso Martins), cf. Afonso Martins
Branca Pires – 124
Calvo
Branco (indivíduo) – 143
Câmara (Tomás da Silva da), cf. Tomás da Silva
Brandão (Luís de Sousa), cf. Luís de Sousa da Câmara
Brandão
Cambaia – 136, 137
Brás Gonçalves – 119
Cambi (apelido) – 153
Brito do Lago (António de), cf. António de Brito
Campos (Hermão de), cf. Hermão de Campos
do Lago
Camposa (Rui), cf. Rui Camposa
Bueiro (Domingos), cf. Domingos Bueiro
Cananor – 134
Bulhão (Manuel Nunes), cf. Manuel Nunes
Bulhão ([Link]) Cancela (Castelo Branco) – 149
Burefa (Domingos Vasques), cf. Domingos Canelas (Castelo Branco) – 141, 145
Vasques Burefa
Cangalhas (Évora) – 96
Burefa (Manuel Vasques), cf. Manuel Vasques
Caniça (Castelo Branco) – 143
Burefa
Cão (Giraldo), cf. Giraldo Cão
Burgos – 25
Caparrota (Castelo Branco) – 144
Cardosa (Castelo Branco) – 142, 144, 147
C
Caria – 46, 61
Carlos (D.) – 150
Cabo Verde – 159, 160
Carlos de Távora (Miguel), cf. Miguel Carlos de
Cabra (João de), cf. João de Cabra
Távora
Cabreiro (João), cf. João Cabreiro
Carneiro (Bartolomeu Fernandes), cf.
Cádis – 154 Bartolomeu Fernandes Carneiro
Cafede (Castelo Branco) – 140 Carrilho (Alonso), cf. Alonso Carrilho
Cagecernega (José), cf. José Cagecernega Carvalhinho (Castelo Branco) – 141
[Calaço] (rua do, Santiago, Cabo Verde) – 169 Carvalho (Fernão Rodrigues de), cf. Fernão
Rodrigues de Carvalho
Calça (Rodrigo Eanes), cf. Rodrigo Eanes Calça
Carvalho (Fernão), cf. Fernão Carvalho
Caldeira Castelo Branco (Simão), cf. Simão
Caldeira Castelo Branco Casa da Índia – 51
Caldeireiro (rua do, Évora) – 92 Casa de Aveiro – 41
Caldelas (João Gonçalves), cf. João Gonçalves Casa de Beja-Viseu – 43
Caldelas
Casa de Bragança – 43, 46, 60

178
Por João Costa FRAGMENTA HISTORICA

Casa de Góis – 128 Cedovim – 46, 61


Casa de Loulé – 45 Cego (Afonso Eanes), cf. Afonso Eanes Cego
Casa de Marialva – 40, 41, 45, 50, 59, 60 Celorico de Basto (julgado) – 112
Casa de Vila Real – 43 Cervantes (Alonso de), cf. Alonso de Cervantes
Casa Real – 55 César (João Eanes), cf. João Eanes César
Casteição – 46, 60 César (João), cf. João César
Castela – 62 Chacote (Gonçalo Domingos), cf. Gonçalo
Domingos Chacote
Castela-a-Velha – 153
Chale – 135
Castelão (Domingos), cf. Domingos Castelão
Champalimaud (baluarte, Santiago, Cabo
Castelo Bom – 45, 46
Verde) – 162
Castelo Branco – 143
Chão da Capela (Góis) – 124
Castelo Branco (Bernardo da Silva), cf.
Chão das Colmeias (Góis) – 119
Bernardo da Silva Castelo Branco
Chaul – 133
Castelo Branco (Gonçalo da Silva), cf. Gonçalo
da Silva Castelo Branco Chavões – 46
Castelo Branco (Simão Caldeira), cf. Simão Cima (António Viles de), cf. António Viles de
Caldeira Castelo Branco Cima
Castelo Rodrigo – 45, 46, 49, 61 Clara Eanes – 93
Castilho (Fernando Tudela de), cf. Fernando Cochim – 135
Tudela de Castilho (D.r)
Coelho (João), cf. João Coelho
Catarina – 124
Cogominho (Fernão Gonçalves), cf. Fernão
Catarina (rainha, D.) – 43, 57 Gonçalves
Catarina Afonso – 74 Coimbra – 54, 59, 117, 118
Catarina Álvares – 124 Colcheiro (Pai), cf. Pai Colcheiro
Catarina de Sousa Sotomaior – 140, 147, 149 Conde de Loulé – 46
Catarina Eanes – 107, 108 Conde de Marialva – 41-46, 56
Catarina Eanes de Cortecega – 124 Conde de São Vicente – 128
Catarina Fernandes – 126 Conde de Tentúgal – 42
Catarina Furtada – 78, 79 Condessa de Loulé – 50, 51
Catarina Gonçalves – 124, 126 Congregação do Oratório (Lisboa) – 154, 156
Catarina Magra – 142 Constança Eanes – 73, 74
Catarina Martins – 107, 108 Constança Peres – 92
Cavaleiros (baluarte dos, Santiago, Cabo Verde) Constança Vasques – 69-71, 73
– 161, 168
Córdoba – 86
Cazelhos (Fernando Eanes dos), cf. Fernando
Corga do Longo (Castelo Branco) – 145
Eanes dos Cazelhos

179
FRAGMENTA HISTORICA Índice Antroponímico e Toponímico

Coroa de Portugal – 40-46, 49, 50, 52, 59, 62- Cunha da Fonseca (Luís da), cf. Luís da Cunha
64 da Fonseca
Corredoura (Góis) – 125
Correia (Beatriz), cf. Beatriz Correia D
Correia (João), cf. João Correia
Correia de Salema (Manuel), cf. Manuel Correia Dias (Fernão), cf. Fernão Dias
de Salema
Dias (Francisco), cf. Francisco Dias
Cortecega – 126
Diego Afonso – 110
Cortecega (Catarina Eanes de), cf. Catarina
Diego Álvares – 102, 103
Eanes de Cortecega
Diego Domingues – 103
Costa (António da), cf. António da Costa
Diego Gil Ferreira – 114
Costa (Bernardo da), cf. Bernardo da Costa
Diego Martins – 110, 111
Costa (Isabel da), cf. Isabel da Costa
Dinis (D.) – 78, 79
Costa Alvarenga (Henrique da), cf. Henrique da
Costa Alvarenga Diogo (D.) – 119
Costa Estaço (Simão da), cf. Simão da Costa Diogo Álvares – 100, 127, 128
Estaço (D.r)
Diogo da Fonseca Achioli – 147, 149
Çoudo (Domingos), cf. Domingos Çoudo
Diogo da Silveira (D.) – 127
Coulão – 136
Diogo Francisco Loureiro – 152, 156
Coutinho (Fernão da Cunha), cf. Fernão da
Diogo Gonçalves – 72
Cunha Coutinho
Diogo Gonçalves Barreto – 142
Coutinho (Francisco), cf. Francisco Coutinho
(D.) Diu – 133
Coutinho (Guiomar), cf. Guiomar Coutinho (D.) Domingo Eanes – 83
Coutinho (Manuel da Fonseca), cf. Manuel da Domingos (João), cf. João Domingos
Fonseca Coutinho
Domingos Afonso – 77, 78
Cristo (Jesus), cf. Jesus Cristo
Domingos Bueiro – 73, 74
Cristóvães (Estêvão), cf. Estêvão Cristóvães
Domingos Castelão – 79
Cristóvão Moreira – 118, 126, 127
Domingos Chacote (Gonçalo), cf. Gonçalo
Cromberger (Jacobo), cf. Jacobo Cromberger Domingos Chacote
Cruz de Montalvão (Castelo Branco) – 146 Domingos Çoudo – 89
Cunha (Fernão Vasques da), cf. Fernão Vasques Domingos Esteves (Soeiro), cf. Soeiro
da Cunha Domingos Esteves
Cunha (Sebastião da), cf. Sebastião da Cunha Domingos Fernandes – 125, 145
Cunha Coutinho (Fernão da), cf. Fernão da Domingos Fernandes Velido – 143, 146
Cunha Coutinho
Domingos Gonçalves Nereo – 144
Domingos Martins das Avenças – 84

180
Por João Costa FRAGMENTA HISTORICA

Domingos Mendes – 78 Duque da Guarda – 47, 62


Domingos Peres – 74 Duque de Anjou – 58
Domingos Rodrigues – 147 Duque de Beja – 58
Domingos Soeiro – 74 Duque de Bragança – 40
Domingos Vasques Burefa – 150 Duque de Coimbra – 63
Domingos Vasques Nunes – 143 Durães (João), cf. João Durães
Domingos Vasques Rato – 149 Durães (Vasco), cf. Vasco Durães
Domingues (Afonso), cf. Afonso Domingues Durão (Fr.) – 78-79
Domingues (Branca), cf. Branca Domingues Durão Martins – 70
Domingues (Diego), cf. Diego Domingues
Domingues (Estêvão), cf. Estêvão Domingues E
Domingues (João), cf. João Domingues
Domingues (Lourenço), cf. Lourenço Eanes (Afonso), cf. Afonso Eanes
Domingues
Eanes (Beringária), cf. Beringária Eanes
Domingues (Martim), cf. Martim Domingues
Eanes (Catarina), cf. Catarina Eanes
Domingues (Mem), cf. Mem Domingues
Eanes (Clara), cf. Clara Eanes
Domingues (Mor), cf. Mor Domingues
Eanes (Constança), cf. Constança Eanes
Domingues (Pero), cf. Pero Domingues
Eanes (Domingo), cf. Domingo Eanes
Domingues (Sibião), cf. Sibião Domingues
Eanes (Esteve), cf. Esteve Eanes
Domingues (Vasco), cf. Vasco Domingues
Eanes (Filipe), cf. Filipe Eanes
Domingues (Vicente), cf. Vicente Domingues
Eanes (Francisco), cf. Francisco Eanes
Domingues do Paço (Manuel), cf. Manuel
Eanes (Gonçalo), cf. Gonçalo Eanes
Domingues do Paço
Eanes (João), cf. João Eanes
Domingues Manhais (João), cf. João Domingues
Manhais Eanes (Lourenço), cf. Lourenço Eanes
Domingues Polinho (Afonso), cf. Afonso Eanes (Maria), cf. Maria Eanes
Domingues Polinho
Eanes (Martim), cf. Martim Eanes
Dórdia Martins – 69, 70
Eanes (Pai), cf. Pai Eanes
Duarte (infante, D.) – 41, 46, 66
Eanes (Rodrigo), cf. Rodrigo Eanes
Duarte (Pedro), cf. Pedro Duarte
Eanes (Vasco), cf. Vasco Eanes
Duarte (Pero), cf. Pero Duarte
Eanes (Vicente), cf. Vicente Eanes
Duarte da Fonte (Pedro), cf. Pedro Duarte da
Eanes Bocarro (Vicente), cf. Vicente Eanes
Fonte
Bocarro
Ducado da Guarda – 39, 40, 46, 52, 56, 59, 63
Eanes Calça (Rodrigo), cf. Rodrigo Eanes Calça
Ducado de Guimarães – 41, 46

181
FRAGMENTA HISTORICA Índice Antroponímico e Toponímico

Eanes Calembo (Afonso), cf. Afonso Eanes Estêvão Vicente – 75


Calembo
Esteve Eanes – 74, 78
Eanes Cego (Afonso), cf. Afonso Eanes Cego
Esteves (Afonso), cf. Afonso Esteves
Eanes César (João), cf. João Eanes César
Esteves (Estevainha), cf. Estevainha Esteves
Eanes da Luzenda (Joana), cf. Joana Eanes da
Esteves (Gavião Francisco), cf. Gavião Francisco
Luzenda
Esteves
Eanes da Silveira (Gonçalo), cf. Gonçalo Eanes
Esteves (Gil), cf. Gil Esteves
da Silveira
Esteves (João), cf. João Esteves
Eanes de Cortecega (Catarina), cf. Catarina
Eanes de Cortecega Esteves (Lourenço), cf. Lourenço Esteves
Eanes de Ribas (Vasco), cf. Vasco Eanes de Esteves (Maria), cf. Maria Esteves
Ribas
Esteves (Mor), cf. Mor Esteves
Eanes dos Cazelhos (Fernando), cf. Fernando
Esteves (Soeiro Domingos), cf. Soeiro
Eanes dos Cazelhos
Domingos Esteves
Eiras (Isabel de), cf. Isabel de Eiras
Esteves (Vasco), cf. Vasco Esteves
Entre-Douro-e-Minho (correição de) – 114
Estunhiga (Álvaro de), cf. Álvaro de Estunhiga
Entre-Tejo-e-Odiana (comarca de) – 47
Eugénia (D.) – 42
Ervideiro (Castelo Branco) – 145
Évora – 69-74, 81, 82, 84-86, 92, 95, 96, 100,
Escalhão (Manuel Martins), cf. Manuel Martins 106-108, 153, 154, 156
Escalhão
Évora-Monte – 107, 108
Escalos de Baixo (Castelo Branco) – 148, 150
Escalos de Cima (Castelo Branco) – 143, 145,
F
146
Espanha – 153, 154
Fagundes (Martim), cf. Martim Fagundes
Espanhola (Jerónima), cf. Jerónima Espanhola
(D.) Fernandes (Baltasar), cf. Baltasar Fernandes
Esparto Peres – 72 Fernandes (Bastião), cf. Bastião Fernandes
Estaça Eanes – 86 Fernandes (Catarina), cf. Catarina Fernandes
Estaço (Simão da Costa), cf. Simão da Costa Fernandes (Domingos), cf. Domingos
Estaço (D.r) Fernandes
Estevainha Esteves – 108 Fernandes (Francisco), cf. Francisco Fernandes
Estêvão Cristóvães – 97, 98 Fernandes (Gaspar), cf. Gaspar Fernandes
Estêvão Domingues – 79, 96, 100 Fernandes (Gil), cf. Gil Fernandes
Estêvão Martins – 70, 93, 96, 98 Fernandes (Gonçalo), cf. Gonçalo Fernandes
Estêvão Olivieri – 152 Fernandes (Heitor), cf. Heitor Fernandes
Estêvão Vasques – 88-90, 93, 128 Fernandes (Isabel), cf. Isabel Fernandes
Estêvão Vasques de Góis – 88, 89, 128 Fernandes (Leonor), cf. Leonor Fernandes

182
Por João Costa FRAGMENTA HISTORICA

Fernandes (Marcos), cf. Marcos Fernandes Fernão Ribeiro – 133


Fernandes (Martim), cf. Martim Fernandes Fernão Rodrigues de Carvalho – 131
Fernandes (Santos), cf. Santos Fernandes Fernão Rodrigues Pica-peixe – 140, 141, 146
Fernandes (Simão), cf. Simão Fernandes Fernão Tudela – 145
Fernandes (Valentim), cf. Valentim Fernandes Fernão Vasques – 116
Fernandes Aguilar (Manuel), cf. Manuel Fernão Vasques da Cunha – 109-111, 113
Fernandes Aguilar
Ferreira (Augusto), cf. Augusto Ferreira
Fernandes Carneiro (Bartolomeu), cf.
Ferreira (Bernardo Francisco Leitão), cf.
Bartolomeu Fernandes Carneiro
Bernardo Francisco Leitão Ferreira
Fernandes Porrito (Gonçalo), cf. Gonçalo
Ferreira (Castelo Branco) – 146
Fernandes Porrito
Ferreira (Diego Gil), cf. Diego Gil Ferreira
Fernandes Preto (Manuel), cf. Manuel
Fernandes Preto Ferreira (Inácio), cf. Inácio Ferreira (P.e)
Fernandes Toscano (António), cf. António Ferreirim – 61
Fernandes Toscano
Ferreiros (rua dos, Castelo Branco) – 141, 144,
Fernandes Velido (Domingos), cf. Domingos 145
Fernandes Velido
Figueira de Castelo Rodrigo – 61
Fernando – 83, 123
Figueira de Lombas (Castelo Branco) – 141, 150
Fernando (D.) – 88, 108
Figueiredo (Afonso de), cf. Afonso de
Fernando (Infante, D.) – 39-41, 43, 45, 49, 52- Figueiredo
55, 58, 60-64
Figueiredo (João de), cf. João de Figueiredo
Fernando Afonso – 73-75
Figueiredo (João), cf. João Figueiredo
Fernando de Azevedo (Tomás), cf. Tomás
Figueiredo (Pedro de), cf. Pedro de Figueiredo
Fernando de Azevedo
Filipa de Vilhena (D.) – 126
Fernando de Meneses (D.) – 141, 145, 149, 150
Filipe Eanes – 114
Fernando Eanes dos Cazelhos – 119
Flandres – 122
Fernando Tudela de Castilho (D.r) – 149
Florença – 152-155
Fernão Carvalho – 118, 120
Folco Renuccini (Marques), cf. Marques Folco
Fernão Coutinho – 114, 115
Renuccini
Fernão da Cunha Coutinho – 110
Folgado (Simão), cf. Simão Folgado
Fernão de Oliveira – 36
Fonseca (Bernardo da), cf. Bernardo da
Fernão de Pina – 7, 8 Fonseca
Fernão Dias – 147 Fonseca (Gaspar da), cf. Gaspar da Fonseca
Fernão Gonçalves Cogominho – 78 Fonseca (João), cf. João Fonseca
Fernão Peres – 90, 98 Fonseca (Luís da Cunha da), cf. Luís da Cunha
da Fonseca
Fernão Ramos Gabriel (P.e) – 142, 148

183
FRAGMENTA HISTORICA Índice Antroponímico e Toponímico

Fonseca Achioli (Diogo da), cf. Diogo da Francisco Maria Barducci – 156, 157
Fonseca Achioli
Francisco Marques – 145, 146
Fonseca Coutinho (Manuel), cf. Manuel
Francisco Peres – 75
Fonseca Coutinho
Francisco Ricardi (Marques), cf. Marques
Fonte (Pedro Duarte da), cf. Pedro Duarte da
Francisco Ricardi
Fonte
Francisco Rodrigues – 140
Fonte Arcada – 46, 61
Francisco Tempi – 154
Fonte da Barroca (Castelo Branco) – 132, 136
Francisco Xavier de Araújo – 160
Fonte do Almunheiro (Castelo Branco) – 128
Frausto (indivíduo) – 106
Fonte Nova (Castelo Branco) – 134
Freiria (comenda) – 93
Formoso (Pero), cf. Pero Formoso
Frielas – 77, 78
Fragoso (Jorge Martinho), cf. Jorge Martinho
Fragoso Freitas (Vasques de), cf. Vasques de Freitas (D.)
França (João Valente da), cf. João Valente da Furtada (Catarina), cf. Catarina Furtada
França
Furtado (Vasco), cf. Vasco Furtado
Francisco (Manuel), cf. Manuel Francisco
Francisco (Ricardo José), cf. Ricardo José
G
Francisco
Francisco Alves de Almada – 160
Gadanho (indivíduo) – 93
Francisco Borquilho – 150
Galego (Afonso), cf. Afonso Galego
Francisco Coutinho (D.) – 40, 45, 46, 49, 50, 60
Galharde (Germão), cf. Germão Galharde
Francisco de Araújo – 119
Galiza – 78
Francisco de Melo (conde, D.) – 46
Galvão (Jusarte), cf. Jusarte Galvão
Francisco de Mesquita – 140
Gaspar Antunes – 144
Francisco Domingues – 74
Gaspar da Fonseca – 147
Francisco Eanes – 78
Gaspar Fernandes – 125
Francisco Esteves (Gavião), cf. Gavião Francisco
Esteves Gaspar Gonçalves Ribeiro – 131
Francisco Fernandes – 125 Gaspar Mouzinho – 144
Francisco Freire – 140 Gaspar Mouzinho Magro – 140, 144
Francisco Ginori (João), cf. João Francisco Gavião Francisco Esteves – 72
Ginori
Geraldo Martins – 85, 86, 102
Francisco Gonçalves – 145
Germão Galharde – 11, 22, 25-28, 30-32, 34-36
Francisco Leitão Ferreira (Bernardo), cf.
Gil (Marcos), cf. Marcos Gil (P.e)
Bernardo Francisco Leitão Ferreira
Gil (Martim), cf. Martim Gil
Francisco Loureiro (Diogo), cf. Diogo Francisco
Loureiro Gil Afonso – 108

184
Por João Costa FRAGMENTA HISTORICA

Gil Esteves – 70 Gonçalo Domingos Chacote – 74-75


Gil Fernandes – 119 Gonçalo Eanes – 74, 79, 92, 93, 96
Gil Ferreira (Diego), cf. Diego Gil Ferreira Gonçalo Eanes da Silveira – 99, 100
Gil Machieiro (António), cf. António Gil Gonçalo Fernandes – 146
Machieiro
Gonçalo Fernandes Porrito – 143, 146
Gil Martins – 86
Gonçalo Gomes – 90
Gil Nunes – 70
Gonçalo Martins – 70, 78
Gil Vicente – 107, 108
Gonçalo Peres – 86
Gil Vicente Albatonim – 89
Gonçalo Vasques – 143
Ginori (Bartolomeu), cf. Bartolomeu Ginori
Gonçalo Vasques da Silveira – 74
Ginori (João Francisco), cf. João Francisco
Gonçalves (Álvaro), cf. Álvaro Gonçalves
Ginori
Gonçalves (António), cf. António Gonçalves
Ginori (Lourenço), cf. Lourenço Ginori
Gonçalves (Brás) cf. Brás Gonçalves
Ginori (Nicolau), cf. Nicolau Ginori
Gonçalves (Diogo), cf. Diogo Gonçalves
Giralda [Amavalda] – 82
Gonçalves (Francisco), cf. Francisco Gonçalves
Giraldes (André), cf. André Giraldes
Gonçalves (Isabel), cf. Isabel Gonçalves
Giraldo Cão – 130
Gonçalves (João), cf. João Gonçalves
Giraldo Martins de Lemos – 98
Gonçalves (Leonor), cf. Leonor Gonçalves
Goa – 129, 136, 137
Gonçalves (Lopo), cf. Lopo Gonçalves
Góis (Coimbra) – 118, 119, 123, 125-128
Gonçalves (Martim), cf. Martim Gonçalves
Góis (Estêvão Vasques de), cf. Estêvão Vasques
de Góis Gonçalves (Mem), cf. Mem Gonçalves
Góis (João de), cf. João de Góis Gonçalves (Pero), cf. Pero Gonçalves
Góis (Simão de), cf. Simão de Góis Gonçalves (Rui), cf. Rui Gonçalves
Góis (Simão Vasques de), cf. Simão Vasques de Gonçalves (Vasco), cf. Vasco Gonçalves
Góis
Gonçalves Barreto (Diogo), cf. Diogo Gonçalves
Golegã – 105 Barreto
Gomes (Gonçalo), cf. Gonçalo Gomes Gonçalves Caldelas (João), cf. João Gonçalves
Caldelas
Gomes (João), cf. João Gomes
Gonçalves Cogominho (Fernão), cf. Fernão
Gomes (Marcos), cf. Marcos Gomes
Gonçalves Cogominho
Gomes (Rui), cf. Rui Gomes
Gonçalves da Silveira (Leonor), cf. Leonor
Gomes (Sebastião), cf. Sebastião Gomes Gonçalves da Silveira
Gomes Lourenço – 84, 100 Gonçalves Nereo (Domingos), cf. Domingos
Gonçalves Nereo
Gomes Rato (Manuel), cf. Manuel Gomes Rato
Gonçalves Ribeiro (Gaspar), cf. Gaspar
Gonçalo da Silva Castelo Branco – 140, 149
Gonçalves Ribeiro

185
FRAGMENTA HISTORICA Índice Antroponímico e Toponímico

Gondra – 62 Isabel – 140


Goujoim – 46 Isabel (imperatriz) – 51
Granara (Lourenço Maria), cf. Lourenço Maria Isabel (rainha, D.) – 77, 78
Granara
Isabel da Costa – 119
Granja – 46
Isabel de Bragança (D.) – 41, 46
Guarda – 47-49, 59
Isabel de Eiras – 147, 148
Guarda (Ducado da), cf. Ducado da Guarda
Isabel Fernandes – 119
Guimarães – 46, 109-111, 113, 114
Isabel Gonçalves – 119, 124
Guimarães (Ducado de), cf. Ducado de
Guimarães
J
Guiomar Coutinho (D.) – 40, 45, 46, 49, 51, 54,
56, 57, 62
Guiomar de Noronha – 43 Jacobo Cromberger – 26
Guterres (João), cf. João Guterres Jaime (D.) – 41
Jerónima Espanhola (D.) – 155
H Jerónima Tosco (Joana), cf. Joana Jerónima
Tosco (D.)
Jerónimo Baltasar Rabasquero – 154
Heitor Fernandes – 126
Jesus Cristo – 17, 121
Henrique da Costa Alvarenga – 160, 171
Joana de Santo Agostinho – 169
Henrique de Bock – 155, 156
Joana Eanes da Luzenda – 119, 124
Hermão de Campos – 11-14, 21-24
Joana Jerónima Tosco (D.) – 153
Homem (Pedro), cf. Pedro Homem
Joana Soares – 140
Horta – 46
Joane – 74
Horta (herdade da, Celorico de Basto) – 112,
113 João (Mestre), cf. Mestre João
Hurtado (Lope), cf. Lope Hurtado João Afonso – 86, 90, 96
João Afonso Cu de Padeira – 89
I João Álvares de Bordeiro – 124, 126
João Cabreiro – 92. 93, 96
Inácio Antunes – 143 João César – 73, 74
Inácio Ferreira (P.e) – 156, 157 João Coelho – 124, 125
Índia – 120-122, 127, 130, 132, 137 João Correia – 74
Índias de Espanha, cf. América do Sul João de Aguiar – 146
Inês Afonso – 98 João de Barros – 25
Inquisição, cf. Santo Ofício João de Cabra – 99, 100

186
Por João Costa FRAGMENTA HISTORICA

João de Figueiredo – 112 João Peres –113


João de Góis – 126 João Pires – 125
João de Lencastre (D.) – 46 João Rei – 100
João de Lisboa – 103, 114 João Requerido – 100
João de Roças – 110-113 João Sanches – 140
João de Valadares – 148 João Teles – 148
João de Veiros – 108 João Tomé – 91-93
João Domingos – 101, 102 João Torrado – 93
João Domingues – 98, 102 João Valente da França – 156
João Domingues Manhais – 103 João Vasques – 143
João Durães – 93 João Veloso – 119, 125, 126
João Eanes – 92, 101, 114 João Vicente – 78, 103, 104
João Eanes César – 69, 70 João Vicente da Torre – 100
João Esteves – 83, 110 Jorge Álvares de Bordeiro – 124, 126
João Figueiredo – 110 Jorge de Lencastre (D.) – 63
João Fonseca – 60 Jorge Manrique (D.) – 25
João Francisco Ginori – 152, 153, 155-157 Jorge Martinho Fragoso – 160, 171
João Franco – 106 Jorge Rodrigues – 118-120, 124, 126, 127
João Gomes – 93 José Cagecernega – 153
João Gonçalves – 78, 105, 106 José da Silva – 149
João Gonçalves Caldelas – 92 José Francisco (Ricardo), cf. Ricardo José
Francisco
João Guterres – 83
José Monteiro de Sousa – 153
João II (D.) – 7, 25
José Simão – 146
João III (D.) – 40, 43, 46, 49, 63
José Simão Vilela (P.e) – 141, 145, 148
João Loução – 84
Judici (apelido) – 157
João Lourenço – 74, 96
Junqueiro (João Martins), cf. João Martins
João Luís Paganelli – 153, 154
Junqueiro
João Martins – 78
Jusarte Galvão – 125, 128
João Martins Junqueiro – 100
Justiniano (Lourenço), cf. Lourenço Justiniano
João Mendes de Paiva – 145, 149
João Moreno – 100
K
João Nunes – 145
João [Pavia] – 100
Kessel (Maria van), cf. Maria van Kessel
João Pedro de Bonhomini – 11-13, 15, 21, 31

187
FRAGMENTA HISTORICA Índice Antroponímico e Toponímico

Lourenço (Gomes), cf. Gomes Lourenço


L Lourenço (João), cf. João Lourenço
Lourenço (Margarida), cf. Margarida Lourenço
Ladário (Celorico de Basto) – 112 Lourenço Domingues – 93
Lago (António de Brito do Lago), cf. António de Lourenço Eanes – 106
Brito do Lago
Lourenço Esteves – 84, 96
Lamego – 47-49, 59-61, 65
Lourenço Ginori – 153, 155
Lameira do Dão (Castelo Branco) – 146
Lourenço Justiniano – 14
Lameiros – 78
Lourenço Maria Granara – 154-157
Lemos (Giraldo Martins de), cf. Giraldo Martins
Lourenço Martins – 89, 96
de Lemos
Lourenço Testa (Vasco), cf. Vasco Lourenço
Lencastre (João de), cf. João de Lencastre (D.)
Testa
Lencastre (Jorge de), cf. Jorge de Lencastre (D.)
Lourenço Vicente – 70, 74
Leomil – 46
Louza (Castelo Branco) – 143, 144, 146
Leonor Fernandes – 124
Louza (Manuel Marques da), cf. Manuel
Leonor Gonçalves – 75, 89, 93, 99, 100 Marques da Louza
Leonor Gonçalves da Silveira – 92, 96, 105, 106 Louza (Pedro Antunes da), cf. Pedro Antunes
da Louza
Leonor Vasques Vilela – 141, 145, 147
Luís (infante, D.) – 40, 43, 49, 55, 58, 63, 64
Lisboa – 5, 9, 12-15, 17, 25-28, 30, 31, 34 78,
97, 98, 101-103, 114, 151-154, 156 Luís (Manuel), cf. Manuel Luís (P.e)
Lisboa (João de), cf. João de Lisboa Luís Álvares – 127, 128
Longa – 46 Luís Álvares de Távora – 126
Lope Hurtado – 51 Luís Barnabó ([Link]) – 156
Lopo Afonso – 83, 84 Luís da Cunha da Fonseca – 140, 148
Lopo Gonçalves – 124, 126 Luís de Sousa Brandão – 142, 149
Lopo Rodrigues – 96 Luís de Valadares Sotomaior (D.r) – 144, 150
Lopo Soares – 90 Luís Paganelli (João), cf. João Luís Paganelli
Loução (João), cf. João Loução Luís Ribeiro – 51
Loulé – 45, 46, 61, 62 Luís Rodrigues – 25, 28
Loulé (Casa de), cf. Casa de Loulé Luzenda (Joana Eanes da), cf. Joana Eanes da
Luzenda
Loulé (Condessa de), cf. Condessa de Loulé
Louredo (Évora) – 96
M
Loureiro (Diogo Francisco), cf. Diogo Francisco
Loureiro
Lourenço (Antoninho), cf. Antoninho Lourenço

188
Por João Costa FRAGMENTA HISTORICA

Machieiro (António Gil), cf. António Gil Manuel Mendes – 123


Machieiro
Manuel Mendes do Adro – 143, 144
Madrid – 153
Manuel Nunes Bulhão ([Link]) – 142
Mafalda Rodrigues – 81-84
Manuel Pereira da Silveira – 145
Magalhães (Rodrigo), cf. Rodrigo Magalhães
Manuel Rodrigues – 126
Magra (Catarina), cf. Catarina Magra
Manuel Rodrigues (F.e) – 142
Magro (Gaspar Mouzinho), cf. Gaspar
Manuel Rosado Varela – 118
Mouzinho Magro
Manuel Sanches – 146, 149
Magro (Pedro), cf. Pedro Magro
Manuel Simão – 150
Magueija – 46
Manuel Vasques – 143
Malaca – 130
Manuel Vasques Burefa – 150
Malforo (rua de, Évora) – 92, 96
Marcos Fernandes – 125
Malpica (Castelo Branco) – 146
Marcos Gil (P.e) – 141
[Maluco] – 130
Marcos Gomes – 119
Manga da Rainha (Castelo Branco) – 142
Marcos Rodrigues – 72
Manhais (João Domingues), cf. João Domingues
Manhais Margarida Lourenço – 105, 106
Manrique (Jorge), cf. Jorge Manrique (D.) Margarida Seca – 96
Manuel (D.) (duque de Beja) – 58 Maria (D.) – 125
Manuel Correia de Salema – 169 Maria (infanta, D.) – 57
Manuel da Fonseca Coutinho – 142, 148 Maria Afonso – 84, 92, 96
Manuel da Sena Soares – 153 Maria Barducci (Francisco), cf. Francisco Maria
Barducci
Manuel de Araújo – 140
Maria de Morais – 125
Manuel de Matos Barriga ([Link]) – 148
Maria Eanes – 101, 111
Manuel de Valadares Sotomaior – 144, 148
Maria Esteves – 96
Manuel Domingues do Paço – 154
Maria Granara (Lourenço), cf. Lourenço Maria
Manuel Fernandes Aguilar – 147
Granara
Manuel Fernandes Preto – 143
Maria Martins – 96
Manuel Francisco – 144
Maria Neta (Castelo Branco) – 146
Manuel Gomes Rato – 146
Maria Pacheca – 96
Manuel I (D.) – 7, 40, 41
Maria Ramos (Castelo Branco) – 149
Manuel Luís (P.e) – 118, 119, 123-127
Maria van Kessel – 154
Manuel Marques da Louza – 150
Maria Vasques – 84, 112, 113
Manuel Martins Escalhão – 144
Marialva – 46, 47, 49, 61
Manuel Martins Pica-peixe – 147

189
FRAGMENTA HISTORICA Índice Antroponímico e Toponímico

Marialva (Casa de), cf. Casa de Marialva Martins (Geraldo), cf. Geraldo Martins
Marialva (Conde de), cf. Conde de Marialva Martins (Gil), cf. Gil Martins
Marialva (família) – 41, 46, 51 Martins (Gonçalo), cf. Gonçalo Martins
Marisco (Vicente Martins), cf. Vicente Martins Martins (João), cf. João Martins
Marisco
Martins (Lourenço), cf. Lourenço Martins
Marques (Francisco), cf. Francisco Marques
Martins (Maria), cf. Maria Martins
Marques (Martim), cf. Martim Marques
Martins (Miguel), cf. Miguel Martins
Marques da Louza (Manuel), cf. Manuel
Martins (Vasco), cf. Vasco Martins
Marques da Louza
Martins Calvo (Afonso), cf. Afonso Martins
Marquês de Torres Novas – 41, 46
Calvo
Marques Folco Renuccini – 154
Martins das Avenças (Domingos), cf. Domingos
Marques Francisco Ricardi – 154 Martins das Avenças
Martim Afonso – 93, 96 Martins de Lemos (Giraldo), cf. Giraldo Martins
de Lemos
Martim Bernardes – 83
Martins Escalhão (Manuel), cf. Manuel Martins
Martim de Monsaraz – 106
Escalhão
Martim Domingues – 111, 113
Martins Junqueiro (João), cf. João Martins
Martim Eanes – 86, 90, 93 Junqueiro
Martim Fagundes – 89 Martins Marisco (Vicente), cf. Vicente Martins
Marisco
Martim Fernandes – 75
Martins Pica-peixe (Manuel), cf. Manuel
Martim Gil – 74
Martins Pica-peixe
Martim Gonçalves – 77, 78
Martins Porrinha (Vasco), cf. Vasco Martins
Martim Marques – 144 Porrinha
Martim Peres – 72 Mata de Lobos – 61
Martim Rodrigues – 96 Matos Barriga (Manuel), cf. Manuel de Matos
Barrica ([Link])
Martim Vicente – 70
Mécia Afonso – 84
Martinez (Sebastian), cf. Sebastian Martinez
Meimão – 45, 46
Martinho de Oliveira – 149
Melo (Francisco de), cf. Francisco de Melo
Martinho Fragoso (Jorge), cf. Jorge Martinho
(conde, D.)
Fragoso
Mem Domingues – 78
Martins (Afonso), cf. Afonso Martins
Mem Gonçalves – 90
Martins (Catarina), cf. Catarina Martins
Mendes (Domingos), cf. Domingos Mendes
Martins (Diego), cf. Diego Martins
Mendes (Manuel), cf. Manuel Mendes
Martins (Dórdia), cf. Dórdia Martins
Mendes (Rui), cf. Rui Mendes
Martins (Durão), cf. Durão Martins
Mendes (Simão), cf. Simão Mendes
Martins (Estêvão), cf. Estêvão Martins

190
Por João Costa FRAGMENTA HISTORICA

Mendes de Paiva (João), cf. João Mendes de Morgado da Torre do Bispo – 45, 46
Paiva
Motrovegas (Évora) – 92, 96
Mendes do Adro (Manuel), cf. Manuel Mendes
Moura – 88
do Adro
Moura (Tomé Álvares de), cf. Tomé Álvares de
Meneses (Beatriz de), cf. Beatriz de Meneses
Moura
(D.)
Mourão – 88
Meneses (Fernando de), cf. Fernando de
Meneses (D.) Mourão (Castelo Branco) – 143
Mesquita (Francisco de), cf. Francisco de Mouzinho (Gaspar), cf. Gaspar Mouzinho
Mesquita
Mouzinho Magro (Gaspar), cf. Gaspar
Mestre João – 85, 86 Mouzinho Magro
Mestre Paio – 70
Miguel Carlos de Távora – 140 N
Miguel do Azinal – 70
Miguel Martins – 78 Nagosa – 46
Miguel Pinto (P.e) – 148 Namorado (herdade do, Celorico de Basto) –
104
Misericórdia de Castelo Branco – 140, 141,
143, 145, 146, 149, 150 Natal (dia de) – 102, 125
Moçambique – 131 Navancha (Castelo Branco) – 143
Moimenta da Beira – 46, 49 Nereo (Domingos Gonçalves), cf. Domingos
Gonçalves Nereo
[Moinho] (Porto do, Góis) – 119
Nicolau Ginori – 152, 153
Moinhos (caminho dos, Castelo Branco) – 147
Nicolau Joanes – 95, 96
Moledo (António Rodrigues), cf. António
Rodrigues Moledo Nicolau V – 17
Mondim – 46, 61 Noronha (Afonso de), cf. Afonso de Noronha
(D.)
Monforte – 140
Noronha (Guiomar de), cf. Guiomar de
Monsaraz – 87, 89, 106
Noronha
Monsaraz (Martim de), cf. Martim de
Nossa Senhora (Castelo Branco) – 144
Monsaraz
Nossa Senhora da Esperança – 169, 170
Monteiro de Sousa (José), cf. José Monteiro de
Sousa Nossa Senhora da Graça (Castelo Branco) –
142, 148
Mor Domingues – 74
Nossa Senhora de Góis (Coimbra) – 117, 118,
Mor Esteves – 99, 100
120, 122, 123, 127
Mor Vasques – 84
Nossa Senhora de Mércoles (Castelo Branco) –
Morais (Maria de), cf. Maria de Morais 141, 142, 144, 145, 148
Moreira (Cristóvão), cf. Cristóvão Moreira Nossa Senhora do Loreto (Lisboa) – 151-157
Moreno (João), cf. João Moreno Nóvoa (Tristão da), cf. Tristão da Nóvoa

191
FRAGMENTA HISTORICA Índice Antroponímico e Toponímico

Numão – 46, 48, 49 Padeira (João Afonso Cu de), cf. João Afonso Cu
de Padeira
Nunes (António), cf. António Nunes
Paganelli (João Luís), cf. João Luís Paganelli
Nunes (Domingos Vasques), cf. Domingos
Vasques Nunes Pai Colcheiro – 72
Nunes (Gil), cf. Gil Nunes Pai Peixeiro – 70
Nunes (João), cf. João Nunes Paio (Mestre), cf. Mestre Paio
Nunes (Pedro), cf. Pedro Nunes (F.e) Pais (Beatriz), cf. Beatriz Pais
Nunes (Rui), cf. Rui Nunes Pais de Portel (Vicente), cf. Vicente Pais de
Portel
Nunes Bulhão (Manuel), cf. Manuel Nunes
Bulhão ([Link]) Paiva (João Mendes de), cf. João Mendes de
Paiva
Nunes de Torrozelo (António), cf. António
Nunes de Torrozelo Palmela – 7
Nunes de Travancinha (António), cf. António Pantalião de Teive – 142
Nunes de Travancinha
Papa Lampreia (Góis) – 124
Nuno Afonso – 83, 84
Parada de Ester – 46
Paredes da Beira – 46
O
Paul de Trava – 47, 52, 53
[Pavia] (João), cf. João [Pavia]
Odivelas – 77-79
Pedra Alçada (Monsaraz) – 87-89
Oliveira (Fernão de), cf. Fernão de Oliveira
Pedra da Légua (Castelo Branco) – 149
Oliveira (Martinho de), cf. Martinho de Oliveira
Pedro Antunes da Louza – 143
Oliveira (Simão de), cf. Simão de Oliveira
Pedro de Aguilar – 30
Oliveira do Conde – 125
Pedro de Bonhomini (João), cf. João Pedro de
Olivieiri (Estêvão), cf. Estêvão Olivieri Bonhomini
Ordem de Cister – 78 Pedro de Figueiredo – 141, 144, 148
Ordem de Santiago – 26, 63 Pedro Duarte – 124
Ormuz – 131, 132 Pedro Duarte da Fonte – 150
Pedro Homem – 147
P Pedro Magro – 142
Pedro Nunes (F.e) – 140, 149
Pacheca (Maria), cf. Maria Pacheca Pedro Soeiro – 149
Paço (Manuel Domingues do), cf. Manuel Pedro Tinhoso – 142
Domingues do Paço
Pedro Vicente – 140, 141, 149
Paço (quinta de) – 111-114
Pedro Vilela (P.e) – 140, 142, 144, 145, 147
Paço da Madeira – 153
Peixeiro (Pai), cf. Pai Peixeiro

192
Por João Costa FRAGMENTA HISTORICA

Peliteiros (rua dos, Castelo Branco) – 144-146 Picastel (Redondo) – 100


Penedo do Bicas (Castelo Branco) – 150 Pina (Fernão de), cf. Fernão de Pina
Penedo Encavaleirado (Castelo Branco) – 150 Pinhel – 54
Penedono – 46 Pinto (Miguel), cf. Miguel Pinto (P.e)
Penela – 46, 49 Pires (Afonso), cf. Afonso Pires
Pereira (António), cf. António Pereira Pires (Alexandre Aleixo), cf. Alexandre Aleixo
Pires
Pereira da Silveira (Manuel), cf. Manuel Pereira
da Silveira Pires (Branca), cf. Branca Pires
Pereiro (Castelo Branco) – 142 Pires (João), cf. João Pires
Peres (Afonso), cf. Afonso Peres Poço (Castelo Branco) – 141, 149
Peres (Constança), cf. Constança Peres Polinho (Afonso Domingues), cf. Afonso
Domingues Polinho
Peres (Domingos), cf. Domingos Peres
Porrinha (Vasco Martins), cf. Vasco Martins
Peres (Esparto), cf. Esparto Peres
Porrinha
Peres (Fernão), cf. Fernão Peres
Porrito (Gonçalo Fernandes), cf. Gonçalo
Peres (Francisco), cf. Francisco Peres Fernandes Porrito
Peres (Gonçalo), cf. Gonçalo Peres Portel (Vicente Pais de), cf. Vicente Pais de
Portel
Peres (João), cf. João Peres
Portela (Góis) – 124
Peres (Martim), cf. Martim Peres
Porto – 59
Peres (Soeiro), cf. Soeiro Peres
Portugal – 25, 26, 36, 40, 43, 156
Peres (Vasco), cf. Vasco Peres
Póvoa da Beira – 46
Peres Prego (Vicente), cf. Vicente Peres Prego
Praia (vila da, Santiago, Cabo Verde) – 168
Pero de Paiva – 72
Prego (Vicente Peres), cf. Vicente Peres Prego
Pero de Tovar – 131
Preto (Manuel Fernandes), cf. Manuel
Pero Domingues – 72
Fernandes Preto
Pero Duarte – 124
Pero Formoso – 93
Q
Pero Gonçalves – 124
Pero Tavares – 125
Quaresma – 121
Pero Varela – 137
Perpétua de Sotomaior – 148
R
Pica-peixe (Fernão Rodrigues), cf. João
Rodrigues Pica-peixe
Rabasquero (Jerónimo Baltasar), cf. Jerónimo
Pica-peixe (Manuel Martins), cf. Manuel
Baltasar Rabasquero
Martins Pica-peixe
Ramos (Fernão), cf. Fernão Ramos
Piçarra do Alcaide (Castelo Branco) – 144

193
FRAGMENTA HISTORICA Índice Antroponímico e Toponímico

Rato (Domingos Vasques), cf. Domingos Ribeiro dos Simons (Castelo Branco) – 146
Vasques Rato
Ricardi (Marques Francisco), cf. Marques
Rato (Manuel Gomes), cf. Manuel Gomes Rato Francisco Ricardi
Rebelo (Vicente), cf. Vicente Rebelo Ricardo José Francisco – 118
Recagno (Bernardo), cf. Bernardo Recagno Riodades – 46
Redondo – 74, 87-89, 99, 100, 105-106 Roças (João de), cf. João de Roças
Rei (João), cf. João Rei Roças (quinta de) – 113
Relação – 113 Rodrigo Afonso – 82, 84
Relógio (porta do, Castelo Branco) – 146 Rodrigo Aires de Açacar – 84
Relógio (rua do, Castelo Branco) – 146 Rodrigo Eanes – 78, 98
Renuccini (Marques Folco), cf. Marques Folco Rodrigo Eanes Calça – 93
Renuccini
Rodrigo Magalhães – 142, 147
Requerido (João), cf. João Requerido
Rodrigo Tenreiro – 74, 83
Riba Côa – 49, 52, 61
Rodrigues (Agostinho), cf. Agostinho Rodrigues
Ribas (freguesia de) – 110, 111
Rodrigues (Alda), cf. Alda Rodrigues
Ribas (lugar de) – 110, 111, 114
Rodrigues (Ana), cf. Ana Rodrigues
Ribas (quinta de) – 109-112
Rodrigues (Bartolomeu), cf. Bartolomeu
Ribas (Vasco Eanes de), cf. Vasco Eanes de Rodrigues
Ribas
Rodrigues (Domingos), cf. Domingos Rodrigues
Ribatejo – 7
Rodrigues (Francisco), cf. Francisco Rodrigues
Ribeira da Liria (Castelo Branco) – 145
Rodrigues (Jorge), cf. Jorge Rodrigues
Ribeira da Ocreza (Alcains, Castelo Branco) –
Rodrigues (Lopo), cf. Lopo Rodrigues
144
Rodrigues (Luís), cf. Luís Rodrigues
Ribeira de Figueira (Évora-Monte) – 108
Rodrigues (Mafalda), cf. Mafalda Rodrigues
Ribeira de Pensul (Castelo Branco) – 145
Rodrigues (Manuel), cf. Manuel Rodrigues
Ribeira Grande (Santiago, Cabo Verde) – 159,
160 Rodrigues (Manuel), cf. Manuel Rodrigues (F.e)
Ribeiro (Fernão), cf. Fernão Ribeiro Rodrigues (Martim), cf. Martim Rodrigues
Ribeiro (Gaspar Gonçalves), cf. Gaspar Rodrigues de Carvalho (Fernão), cf. Fernão
Gonçalves Ribeiro Rodrigues de Carvalho
Ribeiro (Luís), cf. Luís Ribeiro Rodrigues Moledo (António), cf. António
Rodrigues Moledo
Ribeiro da Torre (Castelo Branco) – 146
Rodrigues Pica-peixe (Fernão), cf. Fernão
Ribeiro da Velha (Castelo Branco) – 142
Rodrigues Pica-Peixe
Ribeiro das Perdizes (Castelo Branco) – 148
Roma – 34
Ribeiro de Ega (Castelo Branco) – 149
Roque Afonso – 126
Ribeiro do Rassim (Castelo Branco) – 145

194
Por João Costa FRAGMENTA HISTORICA

Rosado Varela (Manuel), cf. Manuel Rosado Santo Agostinho (Joana de), cf. Joana de Santo
Varela Agostinho
Rossio (Évora) – 86 Santo André (Castelo Branco) – 142
Rui Boto – 7 Santo António (baluarte de, Santiago, Cabo
Verde) – 161
Rui Camposa – 96
Santo António (Castelo Branco) – 141
Rui Gomes – 87-90
Santo Ofício (Évora) – 153, 154, 156
Rui Gonçalves – 98
Santos Fernandes – 142
Rui Mendes – 83
São António (Ferreirim) – 61
Rui Nunes – 124, 125
São Bartolomeu – 48
Rui Vasques – 83
São Bartolomeu (Castelo Branco) – 141, 143
São Bento de Cástris (Évora) – 83
S
São Bernardo – 28
São Brás (baluarte de, Santiago, Cabo Verde) –
Sabugal – 45-48, 59, 61
162
Sacavém – 78
São Cosmado – 46
Sachão (Castelo Branco) – 144
São Cremenço (Galiza?) – 112
Salema (Manuel Correia de), cf. Manuel Correia
São Dinis (Odivelas) – 79
de Salema
São Domingos (Castelo Branco) – 144
Salvado (indivíduo) – 70
São Domingos (Évora) – 82, 83
Sanches (João), cf. João Sanches
São Filipe – 14
Sanches (Manuel), cf. Manuel Sanches
São Filipe (forte real de, Santiago, Cabo Verde)
Sancho Peres – 73
– 159, 160
Santa Catarina do Monte Sinai (Lisboa) – 152,
São Francisco – 120
154
São Francisco (convento de, Santiago, Cabo
Santa Clara (Guarda) – 59
Verde) – 169
Santa Coluna – 154
São Francisco (Évora) – 82, 83
Santa Cruz (altar, Évora) – 82
São Gens (Castelo Branco) – 148
Santa Justa (Évora) – 85, 86
São Giraldo (Castelo Branco) – 143
Santa Margarida – 120
São Gregório (Évora) – 84
Santa Maria – 17, 82, 120, 121, 125, 126, 128,
São João (Castelo Branco) – 143
169 (128)
São João Baptista (dia de) – 75, 86
Santa Maria (Castelo Branco) – 147
São João de Alfarache (Sevilha) – 153, 154
Santa Maria (Guimarães) – 109, 110, 114
São Lourenço (baluarte, Santiago, Cabo Verde)
Santa Maria (Monsaraz) – 90
– 162
Santarém – 49
São Mamede – 72

195
FRAGMENTA HISTORICA Índice Antroponímico e Toponímico

São Martinho (Castelo Branco) – 148 Silva da Câmara (Tomás da), cf. Tomás da Silva
da Câmara
São Martinho de Mouros – 46, 61
Silveira (Diogo da), cf. Diogo da Silveira (D.)
São Miguel (dia) – 142
Silveira (Gonçalo Eanes da), cf. Gonçalo Eanes
São Miguel de Acha (Castelo Branco) – 143
da Silveira
São Sebastião – 122
Silveira (Gonçalo Vasques da), cf. Gonçalo
São Tiago (Cabo Verde) – 159, 160 Vasques da Silveira
São Tiago (Galiza) – 84 Silveira (Leonor Gonçalves da), cf. Leonor
Gonçalves da Silveira
São Tiago (porta de, Castelo Branco) – 140
Silveira (Manuel Pereira da), cf. Manuel Pereira
São Veríssimo (baluarte de, Santiago, Cabo
da Silveira
Verde) – 161
Simão (José), cf. José Simão
São Vicente (Castelo Branco) – 143, 146
Simão (Manuel), cf. Manuel Simão
São Vicente (Góis) – 119
Simão Caldeira Castelo Branco – 142, 145, 146
São Vicente da Beira (convento) – 140
Simão da Bagnano – 155, 157
Sé (Évora) – 82-83
Simão da Costa Estaço (D.r) – 141, 146
Sebastian Martinez – 25
Simão de Góis – 119
Sebastião da Cunha – 149
Simão de Oliveira – 147
Sebastião de Valadares – 149
Simão Fernandes – 127
Sebastião Gomes – 144
Simão Folgado – 141
Seca (Margarida), cf. Margarida Seca
Simão Mendes – 142, 148
Sena Soares (Manuel da), cf. Manuel da Sena
Soares Simão Vasques de Góis – 88
Sendim – 46, 61 Simão Vilela (José), cf. José Simão Vilela (P.e)
Senhor dos Escalos de Cima (confraria do, Soares (Afonso), cf. Afonso Soares
Castelo Branco) – 146
Soares (Joana), cf. Joana Soares
Sernancelhe – 46, 49, 60, 61
Soares (Lopo), cf. Lopo Soares
Serra (Amaro da), cf. Amaro da Serra
Soares (Manuel da Sena), cf. Manuel da Sena
Serra da Cardosa (Castelo Branco) – 142 Soares
Sevilha – 24, 153, 154 Soeiro (Domingos), cf. Domingos Soeiro
Sibião Domingues – 125 Soeiro (Pedro), cf. Pedro Soeiro
Silva (Bernardo da), cf. Bernardo da Silva Soeiro Domingos Esteves – 79
Silva (José da), cf. José da Silva Soeiro Peres – 78
Silva Castelo Branco (Bernardo da), cf. Sofala – 131
Bernardo da Silva Castelo Branco
Sotomaior (Catarina de), cf. Catarina de
Silva Castelo Branco (Gonçalo da), cf. Gonçalo Sotomaior
da Silva Castelo Branco

196
Por João Costa FRAGMENTA HISTORICA

Sotomaior (Luís de Valadares), cf. Luís de Tomás Fernando de Azevedo – 143, 147, 149
Valadares Sotomaior (D.r)
Tomé Álvares de Moura – 147
Sotomaior (Manuel de Valadares), cf. Manuel
Torre (João Vicente da), cf. João Vicente da
de Valadares Sotomaior
Torre
Sotomaior (Perpétua de), cf. Perpétua de
Torre do Bispo (Morgado da), cf. Morgado da
Sotomaior
Torre do Bispo
Sousa (José Monteiro de), cf. José Monteiro de
Torres Novas (Marquês de), cf. Marquês de
Sousa
Torres Novas
Sousa Brandão (Luís de), cf. Luís de Sousa
Torrozelo (António Nunes de), cf. António
Brandão
Nunes de Torrozelo
Soutelinho (quinta de) – 111-114
Toscano (António Fernandes), cf. António
Souto – 46 Fernandes Toscano
Soutosa – 46 Tosco (Joana Jerónima), cf. Joana Jerónima
Tosco (D.)
Spinelli (apelido) – 153
Tovar (Pero de), cf. Pero de Tovar
Traição (porta da, Castelo Branco) – 147
T
Trancoso – 45-49, 59-61
Travancinha (António Nunes de), cf. António
Tabuaço – 46
Nunes de Travancinha
Tavares – 46, 61
Trento (concílio de) – 154
Tavares (Pero), cf. Pero Tavares
Trevões – 46, 61
Távora (Luís Álvares de), cf. Luís Álvares de
Tristão de Nóvoa – 137
Távora
Tudela (Fernão), cf. Fernão Tudela
Távora (Miguel Carlos de), cf. Miguel Carlos de
Távora Tudela de Castilho (Fernando), cf. Fernando
Tudela de Castilho (D.r)
Teive (Pantalião de), cf. Pantalião de Teive
Tempi (Beneditto), cf. Beneditto Tempi
V
Tempi (Francisco), cf. Francisco Tempi
Tenreiro (Rodrigo), cf. Rodrigo Tenreiro
Valadares (João de), cf. João de Valadares
Tentúgal (Conde de), cf. Conde de Tentúgal
Valadares (Sebastião de), cf. Sebastião de
Teodósio (D.) – 46
Valadares
Terra de Sever – 46, 61
Valadares Sotomaior (Luís de), cf. Luís de
Terreirinho de Santo António (Lisboa) – 152, Valadares Sotomaior (D.r)
154
Valadares Sotomaior (Manuel de), cf. Manuel
Testa (Vasco Lourenço), cf. Vasco Lourenço de Valadares Sotomaior
Testa
Vale Afonsinho – 61
Tinhoso (Pedro), cf. Pedro Tinhoso
Vale Covo (Évora) – 92, 96
Tomás da Silva da Câmara – 155

197
FRAGMENTA HISTORICA Índice Antroponímico e Toponímico

Vale da Cardosa (Castelo Branco) – 147 Vasques (Fernão), cf. Fernão Vasques
Vale da Falga (Castelo Branco) – 145 Vasques (Gonçalo), cf. Gonçalo Vasques
Vale da Silveira (Castelo Branco) – 150 Vasques (João), cf. João Vasques
Vale de Asna (Castelo Branco) – 143 Vasques (Leonor), cf. Leonor Vasques
Vale de Burro (Guimarães) – 110 Vasques (Manuel), cf. Manuel Vasques
Vale do Cabreiro (Castelo Branco) – 144, 148 Vasques (Maria), cf. Maria Vasques
Vale do Lobo (Castelo Branco) – 143 Vasques (Mor), cf. Mor Vasques
Vale Freoso (herdade de, Celorico de Basto) – Vasques (Rui), cf. Rui Vasques
110-114
Vasques Burefa (Domingos), cf. Domingos
Vale Travasso (Góis) – 124 Vasques Burefa
Valente da França (João), cf. João Valente da Vasques Burefa (Manuel), cf. Manuel Vasques
França Burefa
Valentim Fernandes – 11-14, 21, 26, 27, 31, 34 Vasques da Cunha (Fernão), cf. Fernão Vasques
da Cunha
Valladolid – 25
Vasques da Silveira (Gonçalo), cf. Gonçalo
Valongo (Castelo Branco) – 144
Vasques da Silveira
Valverde (Évora) – 102
Vasques de Freitas (D.) – 88, 93
Vaquinhas (indivíduo) – 142
Vasques de Góis (Estêvão), cf. Estêvão Vasques
Varela (Manuel Rosado), cf. Manuel Rosado de Góis
Varela
Vasques de Góis (Simão), cf. Simão Vasques de
Varela (Pero), cf. Pero Varela Góis
Vasco Afonso – 81, 82, 100 Vasques Nunes (Domingos), cf. Domingos
Vasques Nunes
Vasco Domingues – 88, 89
Vasques Rato (Domingos), cf. Domingos
Vasco Durães – 92, 93, 96
Vasques Rato
Vasco Eanes – 110
Vasques Vilela (Leonor), cf. Leonor Vasques
Vasco Eanes de Ribas – 110 Vilela
Vasco Esteves – 70, 108 Veiros (João de), cf. João de Veiros
Vasco Furtado – 78, 79 Velido (Domingos Fernandes), cf. Domingos
Fernandes Velido
Vasco Gonçalves – 111
Veloso (João), cf. João Veloso
Vasco Lourenço Testa – 90
Verdelhão (Castelo Branco) – 146
Vasco Martins – 92, 92
Vespasiano – 5, 13, 34
Vasco Martins Porrinha – 84
Vicente (Gil), cf. Gil Vicente
Vasco Peres – 71, 72, 75, 88-90
Vicente (João), cf. João Vicente
Vasques (Afonso), cf. Afonso Vasques
Vicente (Lourenço), cf. Lourenço Vicente
Vasques (Constança), cf. Constança Vasques
Vicente (Martim), cf. Martim Vicente
Vasques (Estêvão), cf. Estêvão Vasques

198
Por João Costa FRAGMENTA HISTORICA

Vicente (Pedro), cf. Pedro Vicente Vilar de Amargo – 61


Vicente Albatonim (Gil), cf. Gil Vicente Vilela (Ana), cf. Ana Vilela
Albatonim
Vilela (José Simão), cf. José Simão Vilela (P.e)
Vicente da Torre (João), cf. João Vicente da
Vilela (Leonor Vasques), cf. Leonor Vasques
Torre
Vilela
Vicente Domingues – 83, 84, 89
Vilela (Pedro), cf. Pedro Vilela
Vicente Eanes – 74, 75, 90
Viles de Cima (António), cf. António Viles de
Vicente Eanes Bocarro – 78 Cima
Vicente Martins Marisco – 79 Vilhena (Filipa de), cf. Filipa de Vilhena (D.)
Vicente Pais de Portel – 70 Vinha da Fonte dos Sapos (herdade da,
Celorico de Basto) – 112, 113
Vicente Peres Prego – 78
Violante Barreda – 122
Vicente Rebelo – 135
Vidigal (indivíduo) – 145
X
Vila Nova (Évora) – 74
Vila Nova de Foz Côa – 46, 48, 61
Xarrama (Évora) – 69, 70
Vila Real (Casa de), cf. Casa de Vila Real
Xavier de Araújo (Francisco), cf. Francisco
Vila Viçosa – 31, 87, 88
Xavier de Araújo

199
FRAGMENTA HISTORICA Índice Antroponímico e Toponímico

200
Por João Costa FRAGMENTA HISTORICA

201

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