1.
DIREITO AERONÁUTICO
É o conjunto de princípios e normas de caráter internacional e interno, de direito público e
privado, que rege as instituições e as relações jurídicas relativas à navegação aérea, à infra-estrutura
aeronáutica, aos meios de transporte pelo ar, como também às pessoas e coisas assim transportadas.
O Direito Aeronáutico é regulado pelos Tratados, Convenções e Atos Internacionais de
que o Brasil seja parte, por este Código e pela legislação complementar.
Os Tratados, Convenções e Atos Internacionais, celebrados por delegação do Poder
Executivo e aprovados pelo Congresso Nacional, vigoram a partir da data neles prevista para esse
efeito, após o depósito ou troca das respectivas ratificações, podendo, mediante cláusula expressa,
autorizar a aplicação provisória de suas disposições pelas autoridades aeronáuticas, nos limites de suas
atribuições, a partir da assinatura
O Código Brasileiro de Aeronáutica - CBA aplica-se a nacionais e estrangeiros, em todo
o Território Nacional, assim como, no exterior, até onde for admitida a sua extraterritorialidade (ver
item 1.6).
A legislação complementar é formada pela regulamentação prevista no CBA, pelas leis
especiais, decretos e normas sobre o transporte aéreo.
1.2 AUTORIDADES AERONÁUTICAS COMPETENTES
No que diz respeito à aviação civil no Brasil, significa qualquer agente público da ANAC
executando atividades atribuídas e de competência da ANAC ou pessoa que atua com delegação da
mesma. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), com as competências e prerrogativas previstas
na Lei no 11.182, de 2005.
Para os efeitos do Código Brasileiro de Aeronáutica consideram-se autoridades
aeronáuticas competentes as do Ministério da Aeronáutica, conforme as atribuições definidas nos
respectivos regulamentos. É o Comandante da Aeronáutica ou a autoridade a quem ele delegar as
competências e prerrogativas que lhe são atribuídas pela legislação.
• A ANAC atua para promover a segurança da aviação civil e para estimular a concorrência e a
melhoria da prestação dos serviços no setor.
• Elaborar normas,
• Certificar empresas, oficinas, escolas, profissionais da aviação civil, aeródromos e aeroportos
• Fiscalizar as operações de aeronaves, de empresas aéreas, de aeroportos e de profissionais
do setor e de aeroportos, com foco na segurança e na qualidade do transporte aéreo.
• Lei de Criação da ANAC (Lei nº 11.182/2005).
1.3 AERONAVE
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Considera-se aeronave todo aparelho manobrável em voo, que possa sustentar-se e circular no
espaço aéreo, mediante reações aerodinâmicas, apto a transportar pessoas ou coisas.
A aeronave é bem móvel registrável para o efeito de nacionalidade, matrícula,
aeronavegabilidade, transferência por ato entre vivos, constituição de hipoteca, publicidade e
cadastramento geral.
1.3.1 CLASSIFICAÇÃO DAS AERONAVES
As aeronaves classificam-se em civis e militares.
Consideram-se militares os integrantes das Forças Armadas, inclusive as requisitadas na
forma da lei, para missões militares.
As aeronaves civis compreendem as aeronaves públicas e as aeronaves privadas.
As aeronaves públicas são as destinadas ao serviço do Poder Público, inclusive as
requisitadas na forma da lei; todas as demais são aeronaves privadas.
A aeronave é considerada de nacionalidade do Estado em que esteja matriculada.
1.4. REGISTRO AERONÁUTICO BRASILEIRO
O Registro Aeronáutico Brasileiro será público, único e centralizado.
Na estrutura administrativa da ANAC, o Registro Aeronáutico Brasileiro registra as
aeronaves civis brasileiras, além de:
- Emitir certificados de matrícula (C.M.) e certificados de aeronavegabilidade (C.A.);
- Reservar marcas;
- Atualizar endereços;
- Registrar documentos que formalizam a propriedade, uso ou posse de aeronave;
- Inscrever e levantar gravames;
- Disponibilizar informações desses registros (certidão).
O Registro Aeronáutico Brasileiro, no ato da inscrição, após a vistoria técnica, atribuirá
as marcas de nacionalidade e matrícula, identificadoras da aeronave.
A matrícula confere nacionalidade brasileira à aeronave e substitui a matrícula anterior,
sem prejuízo dos atos jurídicos realizados anteriormente. Serão expedidos os respectivos certificados
de matrícula e nacionalidade e de aeronavegabilidade.
1.5 SOBERANIA E TERRITÓRIO BRASILEIRO
Soberania, em seu sentido político ou jurídico, é o exercício da autoridade que reside
em um povo e que se exerce por intermédio dos seus órgãos constitucionais representativos. A
soberania é uma autoridade superior que não pode ser restringida por nenhum outro poder e,
portanto, constitui-se como o poder absoluto de ação legítima no âmbito político e jurídico de uma
sociedade.
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O Brasil exerce completa e exclusiva soberania sobre o espaço aéreo acima de seu
território e mar territorial.
Mar Territorial: é a faixa de mar que se estende até 12 milhas náuticas (22 km), contadas
a partir do litoral, que é considerada como parte do território costeiro. A soberania é exercida também
sobre o espaço aéreo sobrejacente, bem como seu leito e subsolo, como é feito em terra. É a partir do
limite do mar territorial (ou águas territoriais) que são contadas as 200 milhas de extensão da Zona
Econômica Exclusiva.
A Zona Econômica Exclusiva (ZEE) é uma faixa situada para além das águas territoriais,
sobre a qual cada país costeiro tem prioridade para a utilização dos recursos naturais do mar, tanto
vivos como não-vivos, e responsabilidade na sua gestão ambiental
A ideia que o céu é infinito e que existe liberdade ao se voar pode ter seu romantismo,
porém, e cada vez mais, se afasta da realidade. O espaço aéreo é organizado considerando-se os
interesses de seus usuários tanto da aviação militar como da aviação civil. Está, considerando-se seu
caráter internacional, exige que seu planejamento siga normas ditadas pela Organização da Aviação
Civil Internacional (OACI).
1.6 – EXTRATERRITORIALIDADE
Consideram-se situadas no território do Estado de sua nacionalidade:
a) as aeronaves militares, bem como as civis de propriedade ou a serviço do Estado, por este
diretamente utilizadas
b) as aeronaves de outra espécie, quando em alto mar ou região que não pertença a qualquer Estado.
Não prevalece a extraterritorialidade em relação à aeronave privada, que se considera sujeita
à lei do Estado onde se encontre, salvo quando requisitadas.
A assistência, o salvamento e o abalroamento regem-se pela lei do lugar em que ocorrerem.
Quando pelo menos uma das aeronaves envolvidas for brasileira, aplica-se a lei do Brasil à assistência,
salvamento e abalroamento ocorridos em região não submetida a qualquer Estado.
1.7 DO TRÁFEGO AÉREO
No tráfego de aeronaves no espaço aéreo brasileiro, observam-se as disposições
estabelecidas nos Tratados, Convenções e Atos Internacionais de que o Brasil seja parte, e na legislação
complementar.
Nenhuma aeronave militar ou civil a serviço de Estado estrangeiro e por este diretamente
utilizada poderá, sem autorização, voar no espaço aéreo brasileiro ou aterrissar no território
subjacente.
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A utilização do espaço aéreo brasileiro, por qualquer aeronave, fica sujeita às normas e
condições estabelecidas, assim como às tarifas de uso das comunicações e dos auxílios à navegação
aérea em rota.
Por questão de segurança da navegação aérea ou por interesse público, é facultado fixar
zonas em que se proíbe ou restringe o tráfego aéreo, estabelecer rotas de entrada ou saída, suspender
total ou parcialmente o tráfego, assim como o uso de determinada aeronave, ou a realização de certos
serviços aéreos.
1.8 ENTRADA E SAÍDA DO ESPAÇO AÉREO BRASILEIRO
Toda aeronave proveniente do exterior fará, respectivamente, o primeiro pouso ou a
última decolagem em aeroporto internacional. A lista de aeroportos internacionais será publicada pela
autoridade aeronáutica, e suas denominações somente poderão ser modificadas mediante lei federal,
quando houver necessidade técnica dessa alteração.
A aeronave estrangeira, autorizada a transitar no espaço aéreo brasileiro, sem pousar no
território subjacente, deverá seguir a rota determinada.
1.9 AERÓDROMOS
Aeródromo é toda área destinada a pouso, decolagem e movimentação de aeronaves.
Os aeródromos são classificados em civis e militares.
Os aeródromos públicos e privados serão abertos ao tráfego através de processo,
respectivamente, de homologação e registro.
O sistema aeroportuário é constituído pelo conjunto de aeródromos brasileiros, com todas as
pistas de pouso, pistas de táxi, pátio de estacionamento de aeronaves, terminal de carga aérea,
terminal de passageiros e as respectivas facilidades.
São facilidades: o balizamento diurno e noturno; a iluminação do pátio; serviço contra-incêndio
especializado e o serviço de remoção de emergência médica; área de pré-embarque, climatização,
ônibus, ponte de embarque, sistema de esteiras para despacho de bagagem, carrinhos para
passageiros, pontes de desembarque, sistema de ascenso-descenso de passageiros por escadas
rolantes, orientação por circuito fechado de televisão, sistema semi-automático anunciador de
mensagem, sistema de som, sistema informativo de voo, climatização geral, locais destinados a
serviços públicos, locais destinados a apoio comercial, serviço médico, serviço de salvamento aquático
especializado e outras, cuja implantação seja autorizada ou determinada pela autoridade aeronáutica.
1.9.1 AERÓDROMO CIVIL é o destinado ao uso de aeronaves civis. Os aeródromos civis são
classificados em públicos e privados. Nenhum aeródromo civil poderá ser utilizado sem estar
devidamente cadastrado.
Os aeródromos civis poderão ser utilizados por aeronaves militares, e os aeródromos
militares, por aeronaves civis, obedecidas as prescrições estabelecidas pela autoridade aeronáutica.
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1.9.2 AERÓDROMO MILITAR é o destinado ao uso de aeronaves militares (Exército, Marinha e
Aeronáutica, forças armadas).
1.9.2 AEROPORTOS E HELIPORTOS
Aeroportos são os aeródromos públicos, dotados de instalações e facilidades para apoio
de operações de aeronaves e de embarque e desembarque de pessoas e cargas.
Consideram-se Helipontos os aeródromos destinados exclusivamente a helicópteros.
Heliportos são os helipontos públicos, dotados de instalações e facilidades para apoio de operações
de helicópteros e de embarque e desembarque de pessoas e cargas.
Os aeroportos e heliportos serão classificados por ato administrativo que fixará as
características de cada classe. Os aeroportos destinados às aeronaves nacionais ou estrangeiras na
realização de serviços internacionais, regulares ou não regulares, serão classificados como aeroportos
internacionais.
1.10 – SERVIÇOS AÉREOS
A exploração de serviços aéreos públicos dependerá sempre da prévia concessão,
quando se tratar de transporte aéreo regular, ou de autorização no caso de transporte aéreo não
regular ou de serviços especializados.
1.10.1 CONCESSÕES
A concessão ou a autorização somente será concedida a pessoa jurídica
constituída sob as leis brasileiras, com sede e administração no País.
1.10.2 AUTORIZAÇÕES
A autorização pode ser outorgada: I - às sociedades anônimas nas condições previstas no
artigo anterior; II - às demais sociedades, com sede no País, observada a maioria de sócios, o
controle e a direção de brasileiros.
Em se tratando de serviços aéreos especializados de ensino, adestramento,
investigação, experimentação científica e de fomento ou proteção ao solo, ao meio ambiente e
similares, pode a autorização ser outorgada, também, a associações civis.
As concessões ou autorizações serão regulamentadas pelo Poder Executivo e
somente poderão ser cedidas ou transferidas mediante anuência da autoridade competente.
1.10.3 OPERAÇÃO REGULAR
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Operação regular significa uma operação de transporte aéreo público para a qual o
detentor do certificado ou seu representante informa previamente o horário e local de partida e o local
de chegada.
1.10.4 OPERAÇÃO NÃO REGULAR
Operação não-regular significa uma operação de serviço transporte aéreo público para
a qual o horário, o local de partida e o local de destino são função da demanda e cujo preço pode ou
não ser especificamente negociado com os usuários ou com seus representantes.
1.11 TRANSPORTE AÉREO
1.11.1 TRANSPORTE DOMÉSTICO
Considera-se doméstico todo transporte em que os pontos de partida, intermediários e
de destino estejam situados em Território Nacional.
O transporte não perderá esse caráter se, por motivo de força maior, a aeronave fizer
escala em território estrangeiro, estando, porém, em território brasileiro os seus pontos de partida e
destino.
Os serviços aéreos de transporte público doméstico são reservados às pessoas
jurídicas brasileiras.
1.11.2 TRANSPORTE INTERNACIONAL
Os serviços de transporte aéreo público internacional podem ser realizados por
empresas nacionais ou estrangeiras.
A exploração desses serviços sujeitam-se às disposições dos tratados ou acordos bilaterais
vigentes com os respectivos Estados e o Brasil.
O Governo Brasileiro designará as empresas para os serviços de transporte aéreo internacional. Cabe
à empresa ou empresas designadas providenciarem a autorização de funcionamento, junto aos países
onde pretendem operar.
A designação é ato de Governo a Governo, pela via diplomática. As empresas estrangeiras autorizadas
a funcionar no País são obrigadas a ter permanentemente representante no Brasil, com plenos
poderes para tratar de quaisquer assuntos e resolvê-los definitivamente, inclusive para o efeito de ser
demandado e receber citações iniciais pela empresa.
1.12 CONTRATO DE TRANSPORTE AÉREO
Pelo contrato de transporte aéreo, obriga-se o empresário a transportar passageiro,
bagagem, carga, encomenda ou mala postal, por meio de aeronave, mediante pagamento.
O empresário, como transportador, pode ser pessoa física ou jurídica, proprietário ou
explorador da aeronave.
Considera-se que existe um só contrato de transporte, quando ajustado num único ato
jurídico, por meio de um ou mais bilhetes de passagem, ainda que executado, sucessivamente, por
mais de um transportador.
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1.12.1 BILHETE DE PASSAGEM
O transporte de pessoas, o transportador é obrigado a entregar o respectivo bilhete
individual ou coletivo de passagem, que deverá indicar o lugar e a data da emissão, os pontos de
partida e destino, assim como o nome dos transportadores.
O Bilhete de passagem terá a validade de 1 (um) ano, a partir da data de sua emissão.
O passageiro tem direito ao reembolso do valor já pago do bilhete se o transportador
vier a cancelar a viagem. Em caso de atraso da partida por mais de 4 (quatro) horas, o transportador
providenciará o embarque do passageiro, em voo que ofereça serviço equivalente para o mesmo
destino, se houver, ou restituirá, de imediato, se o passageiro o preferir, o valor do bilhete de
passagem.
Quando o transporte sofrer interrupção ou atraso em aeroporto de escala por período
superior a 4 (quatro) horas, qualquer que seja o motivo, o passageiro poderá optar pelo endosso do
bilhete de passagem ou pela imediata devolução do preço.
Todas as despesas decorrentes da interrupção ou atraso da viagem, inclusive
transporte de qualquer espécie, alimentação e hospedagem, correrão por conta do transportador
contratual, sem prejuízo da responsabilidade civil.
A pessoa transportada deve sujeitar-se às normas legais constantes do bilhete ou
afixadas à vista dos usuários, abstendo-se de ato que cause incômodo ou prejuízo aos passageiros,
danifique a aeronave, impeça ou dificulte a execução normal do serviço.
A execução do contrato de transporte aéreo de passageiros compreende as operações
de embarque e desembarque, além das efetuadas a bordo da aeronave.
Considera-se operação de embarque a que se realiza desde quando o passageiro, já
despachado no aeroporto, transpõe o limite da área destinada ao público em geral e entra na
respectiva aeronave, abrangendo o percurso feito a pé, por meios mecânicos ou com a utilização de
viaturas.
A operação de desembarque inicia-se com a saída de bordo da aeronave e termina no
ponto de intersecção da área interna do aeroporto e da área aberta ao público em geral.
1.12.2 INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O CONTRATO DE TRANSPORTE AÉREO
REGRAS CLARAS - Todas as informações sobre os serviços de transporte aéreo e suas regras
devem ser repassadas pelas empresas aéreas em língua portuguesa, de forma clara e objetiva ao
passageiro, tanto nas suas lojas físicas e endereços eletrônicos como pelo telefone. Peça sempre que
estas regras sejam repassadas para você por escrito também.
O comprovante de compra da passagem aérea deve conter as seguintes informações: valor total da
passagem aérea, com a discriminação dos seus itens; regras e eventuais multas; tempo de conexão
e troca de aeroportos, quando houver; regras e valores do transporte de bagagem; nome e sobrenome
do passageiro; horário e data da viagem; serviço(s) e produto(s) adquirido(s) opcionalmente;
procedimentos e horário para o embarque do passageiro; e prazo de validade da passagem.
1.12.3 ATRASOS E CANCELAMENTOS DE voo; PRETERIÇÃO DE PASSAGEIRO E
ASSISTÊNCIA MATERIAL
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INFORMES - Além de informar imediatamente aos seus passageiros sobre atrasos e cancelamentos
de voo, a empresa aérea deverá manter o passageiro informado a cada 30 minutos quanto à previsão de
partida do voo nos casos de atraso.
ASSISTÊNCIA MATERIAL - A nova Resolução nº 400/2016 manteve as regras de assistência material
válidas desde 2010. Assim, nos casos de atrasos superiores a 4 horas, cancelamento de voo e preterição de
passageiros, a empresa aérea deverá oferecer ao passageiro opções de reacomodação, reembolso integral
ou execução do serviço por outro meio de transporte. Além disso, a companhia também deve prestar
assistência material quando cabível.
REEMBOLSO - Nos casos de atraso, cancelamento ou interrupção de voo, se o passageiro optar pelo
reembolso, este poderá ser integral (se solicitado no aeroporto de origem, escala ou conexão,
garantido o retorno ao ponto de origem nos dois últimos casos) ou parcial (quando algum trecho do
transporte for útil ao passageiro).
A REACOMODAÇÃO deve ser realizada em voo da própria empresa ou de terceira, em serviço equivalente,
na primeira oportunidade. O passageiro ainda poderá escolher um voo da mesma empresa na data
posterior e no horário de sua conveniência.
A QUEM SE APLICA? A assistência material é devida independentemente do motivo do atraso, cancelamento
ou preterição (embarque negado) e se aplica tanto para os passageiros aguardando no terminal quanto aos que
estejam a bordo da aeronave com as portas abertas.
SEUS DIREITOS - A assistência material é oferecida gratuitamente pela empresa aérea e de acordo
com o tempo de espera, contado a partir do momento em que houve o atraso, cancelamento ou
preterição de embarque, conforme demonstrado a seguir:
• A partir de 1 hora: comunicação (internet, telefone etc.).
• A partir de 2 horas: alimentação (voucher, refeição, lanche etc.).
• A partir de 4 horas: hospedagem (somente em caso de pernoite no aeroporto) e transporte de ida e
volta. Se você estiver no local de seu domicílio, a empresa poderá oferecer apenas o transporte para
sua residência.
1.12.4 NOTA DE BAGAGEM
No contrato de transporte de bagagem, o transportador é obrigado a entregar ao
passageiro a nota individual ou coletiva correspondente, em 2 (duas) vias, com a indicação do lugar e
data de emissão, pontos de partida e destino, número do bilhete de passagem, quantidade, peso e
valor declarado dos volumes.
A execução do contrato inicia-se com a entrega ao passageiro da respectiva nota e
termina com o recebimento da bagagem.
Poderá o transportador verificar o conteúdo dos volumes sempre que haja valor
declarado pelo passageiro.
Além da bagagem registrada, é facultado ao passageiro conduzir objetos de uso
pessoal, como bagagem de mão.
O recebimento da bagagem, sem protesto, faz presumir o seu bom estado. Procede-se
ao protesto, no caso de avaria ou atraso, na forma determinada na seção relativa ao contrato de carga.
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1.13 RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR
A responsabilidade do transportador, por danos ocorridos durante a execução do
contrato de transporte, está sujeita aos limites estabelecidos na legislação sobre o tema.
Nota-se que a Convenção de Varsóvia e o CBA abordam sobre os limites, que dependerá de
cada caso.
É nula qualquer cláusula tendente a exonerar de responsabilidade o transportador ou a
estabelecer limite de indenização inferior ao previsto nas normas. A nulidade da cláusula não acarreta
a do contrato
O Código Civil prevê o direito de indenizar, sendo, aquele que por ato ilícito causar dano a
outrem, fica obrigado a repará-lo.
Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos
especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar,
por sua natureza, risco para os direitos de outrem.
O Transportador responderá por danos à Bagagem, à Carga, para com terceiros na superfície
e por abalroamentos.
1.14 LICENÇAS E CERTIFICADOS
A licença de tripulantes e os certificados de habilitação técnica e de capacidade física
serão concedidos pela autoridade aeronáutica, na forma de regulamentação específica.
A licença terá caráter permanente e os certificados vigorarão pelo período neles
estabelecido, podendo ser revalidados.
Cessada a validade do certificado de habilitação técnica ou de capacidade física, o
titular da licença ficará impedido do exercício da função nela especificada.
Sempre que o titular de licença apresentar indício comprometedor de sua aptidão
técnica ou das condições físicas estabelecidas na regulamentação específica, poderá ser submetido
a novos exames técnicos ou de capacidade física, ainda que válidos estejam os respectivos
certificados. Do resultado dos exames acima especificados caberá recurso dos interessados à
Comissão técnica especializada ou à junta médica.
Certificado de Habilitação Técnica CHT- Habilitação significa uma autorização
associada a uma licença ou a um certificado, na qual são especificadas as qualificações e respectivas
validades, condições especiais de operação e as respectivas atribuições e restrições relativas ao
exercício das prerrogativas da licença ou certificado respectivos .
1.14.2 LICENÇA DE COMISSÁRIO DE voo (CMS)
Para conseguir a licença de comissário de voo (CMS), o candidato deverá ter 18 anos,
2º grau completo e frequentar uma Unidade de Instrução Profissional (entidade homologada pela
Prof. Humberto Oliveira
ANAC), a fim de cumprir o Programa de Instrução Teórica e Prática estabelecido no Manual de Curso
de Comissário de voo (MMA 58-11, de 28 março 1995), com carga horária total, mínima, de 138 horas-
aula.
Requisitos para a licença:
▪ Ter completado 18 anos
▪ Ter concluído com aproveitamento o 2º grau (ensino médio)
▪ Ter sido aprovado em curso homologado pela ANAC
▪ Ter sido aprovado em banca de exames da ANAC
▪ Ter o Certificado de Capacidade Física (CCF/CMA) 2º classe, válido – segundo o RBHA 67
Para fins de Licença e habilitação consulte os requisitos previstos nos
itens 63.69, 63.71 e 63.75 do RBHA 63.
Depois de passar pelo ensino-aprendizagem e aprovado por uma das Escolas
homologadas, o candidato deverá submeter-se às provas que compõem o exame da ANAC.
Após a aprovação neste exame, o candidato poderá ingressar em uma empresa aérea,
segundo critérios de seleção da própria empregadora.
Admitido, o candidato contratado deverá receber instruções teórica e prática sobre o
equipamento (avião), em uma aeronave propriamente dita (no solo) ou em um "mock-up" (simulador),
específicas para o tipo de aeronave na qual o aluno irá habilitar-se, num total mínimo de 27 horas-
aula.
A empresa oferecerá estágio em voo de, no mínimo, 15 horas, sendo que, destas,
deverá ser destinada 1(uma) hora para realização de cheque (exame prático) aplicado por
profissionais credenciados pela ANAC.
Comprovado o estágio em voo e ocorrendo a aprovação no cheque, a empresa
solicitará à ANAC ou nas Unidades Regionais, a expedição da licença e do Certificado de Habilitação
Técnica (CHT) do contratado, com os quais, você, agora Comissário, poderá desempenhar suas
atividades profissionais.
1.14.3 CERTIFICADO MÉDICO AERONÁUTICO
Certificado Médico Aeronáutico (CMA) é o documento emitido por um examinador ou
pela ANAC, após exames de saúde periciais realizados em candidatos, certificando as suas aptidões
psicofísicas, de acordo com o RBAC n.º 67, para exercer funções relativas a aeronaves.
O CMA equivale ao Certificado de Capacidade Física (CCF) para efeito de cumprimento
das normas constantes dos arts. 159 a 164 e 302 da Lei no 7.565/86 (Código Brasileiro de
Aeronáutica), e do art. 19 da Lei no 7.183/84 (Lei do Aeronauta); (Redação dada pela Resolução nº
420, de 02.05.2017)
A validade dos CMA devem obedecer aos seguintes prazos:
(1) 12 meses para as categorias PLA e PC nos exames de saúde periciais realizados
ou 6 meses nas seguintes condições: (i) após o aniversário de 40 anos do piloto que opere no
transporte comercial de passageiros com apenas 1 piloto; e (ii) após o aniversário de 60 anos do piloto
que opere em transporte comercial.
(2) 60 meses para as categorias PP, PP-IFR, CMS, PBL, PPL e CPL nos exames de
saúde periciais realizados antes do aniversário de 40 anos do candidato;
Prof. Humberto Oliveira
(3) 24 meses para as categorias PP, PP-IFR, CMS, PBL, PPL e CPL nos exames de
saúde periciais realizados em ou após o a niversário de 40 anos e antes do aniversário de 50 anos do
candidato;
(4) 12 meses para as categorias PP, PP-IFR, CMS, PBL, PPL e CPL nos exames de
saúde periciais realizados em ou após o aniversário de 50 anos do candidato;
(5) 12 meses para as categorias MCV e OEE; e
(6) 48 meses para o piloto remoto de VANT. (Redação dada pela Resolução nº 420, de
02.05.2017)
O prazo de validade de um CMA deve levar em conta a capacidade do candidato em
cumprir os requisitos deste Regulamento ao longo de todo o período da validade do CMA e pode ser
reduzido, a critério do examinador ou da ANAC, caso estes considerem clinicamente recomendado.
Neste caso, a justificativa da redução deve constar expressa nos registros dos exames de saúde
periciais.
1.15 COMPOSIÇÃO DA TRIPULAÇÃO
São tripulantes as pessoas devidamente habilitadas que exercem função a bordo de
aeronaves.
A função remunerada a bordo de aeronaves, nacionais ou estrangeiras, quando
operadas por empresa brasileira no formato de intercâmbio, é privativa de titulares de licenças
específicas emitidas pela autoridade de aviação civil brasileira e reservada a brasileiros natos ou
naturalizados.
No serviço aéreo internacional poderão ser empregados comissários estrangeiros,
contanto que o número não exceda 1/3 (um terço) dos comissários a bordo da mesma aeronave.
Desde que seja assegurada a admissão de tripulantes brasileiros em serviços aéreos
públicos de determinado país, deve-se promover acordo bilateral de reciprocidade.
Na forma da regulamentação pertinente e de acordo com as exigências operacionais,
a tripulação constituir-se-á de titulares de licença de voo e certificados de capacidade física e de
habilitação técnica, que os credenciam ao exercício das respectivas funções.
O Inspetor de Aviação Civil – INSPAC, pessoa credenciada pela autoridade de aviação civil
para o exercício de fiscalização das atividades da aviação civil é considerado tripulante.
1.16 COMANDANTE
Toda aeronave terá a bordo um Comandante, membro da tripulação, designado pelo
proprietário ou explorador e que será seu preposto durante a viagem.
O Comandante é responsável pela operação e segurança da aeronave. Será também
responsável pela guarda de valores, mercadorias, bagagens despachadas e mala postal, desde que
lhe sejam asseguradas pelo proprietário ou explorador condições de verificar a quantidade e estado
das mesmas.
Os demais membros da tripulação ficam subordinados, técnica e disciplinarmente, ao
Comandante da aeronave.
Durante a viagem, o Comandante é o responsável, no que se refere à tripulação, pelo
cumprimento da regulamentação profissional no tocante a: I - limite da jornada de trabalho; II - limites
de voo; III - intervalos de repouso; IV - fornecimento de alimentos.
Prof. Humberto Oliveira
Ao comandante da aeronave é obrigado a prestar assistência a quem se encontrar em
perigo de vida no mar, no ar ou em terra, desde que o possa fazer sem perigo para a aeronave, sua
tripulação, seus passageiros ou outras pessoas
Poderá o Comandante, sob sua responsabilidade, adiar ou suspender a partida da
aeronave, quando julgar indispensável à segurança do voo.
O Comandante poderá delegar a outro membro da tripulação as atribuições que lhe
competem, menos as que se relacionem com a segurança do voo.
1.17 DIÁRIO DE BORDO
O Diário de Bordo, além de mencionar as marcas de nacionalidade e matrícula, os
nomes do proprietário e do explorador, deverá indicar para cada voo a data, natureza do voo (privado
aéreo, transporte aéreo regular ou não regular), os nomes dos tripulantes, lugar e hora da saída e da
chegada, incidentes e observações, inclusive sobre infra-estrutura de proteção ao voo que forem de
interesse da segurança em geral.
O nome do Comandante e dos demais tripulantes constarão do Diário de Bordo.
O Diário de Bordo deverá estar assinado pelo piloto Comandante, que é o responsável
pelas anotações, aí também incluídos os totais de tempos de voo e de jornada.
O Comandante procederá ao assento, no Diário de Bordo, dos nascimentos e óbitos
que ocorrerem durante a viagem, e dele extrairá cópia para os fins de direito.
Ocorrendo mal súbito ou óbito de pessoas, o Comandante providenciará, na primeira
escala, o comparecimento de médicos ou da autoridade policial local, para que sejam tomadas as
medidas cabíveis.
1.18 INFRAÇÕES E PROVIDÊNCIAS ADMINISTRATIVAS
Na infração ao Código Brasileiro Aeronáutico ou da legislação complementar, a
autoridade aeronáutica poderá tomar as seguintes providências administrativas:
I - multa;
II - suspensão de certificados, licenças, concessões ou autorizações;
III - cassação de certificados, licenças, concessões ou autorizações;
IV - detenção, interdição ou apreensão de aeronave, ou do material transportado;
V - intervenção nas empresas concessionárias ou autorizadas.
A autoridade aeronáutica poderá requisitar o auxílio da força policial para obter a
detenção dos presumidos infratores ou da aeronave que ponha em perigo a segurança pública,
pessoas ou coisas, nos limites do que dispõe este Código.
Toda vez que se verificar a ocorrência de infração, a autoridade aeronáutica lavrará o
respectivo auto, remetendo-o à autoridade ou ao órgão competente para a apuração, julgamento ou
providência administrativa cabível.
Quando a infração constituir crime, a autoridade levará, imediatamente, o fato ao
conhecimento da autoridade policial ou judicial competente.
Tratando-se de crime, em que se deva deter membros de tripulação de aeronave que
realize serviço público de transporte aéreo, a autoridade aeronáutica, concomitantemente à
providência prevista no parágrafo anterior, deverá tomar as medidas que possibilitem a continuação
do voo.
Prof. Humberto Oliveira
É assegurado o direito à ampla defesa e a recurso a quem responder a procedimentos
instaurados para a apuração e julgamento das infrações às normas previstas neste Código e em
normas regulamentares.
A aplicação das providências ou penalidades administrativas não prejudicará nem
impedirá a imposição, por outras autoridades, de penalidades cabíveis.
Será solidária a responsabilidade de quem cumprir ordem exorbitante ou indevida do
proprietário ou explorador de aeronave, que resulte em infração deste Código.
A multa será imposta de acordo com a gravidade da infração, podendo ser acrescida
da suspensão de qualquer dos certificados ou da autorização ou permissão.
A suspensão será aplicada para período não superior a 180 (cento e oitenta) dias,
podendo ser prorrogada uma vez por igual período.
A pessoa jurídica empregadora responderá solidariamente com seus prepostos,
agentes, empregados ou intermediários, pelas infrações por eles cometidas no exercício das
respectivas funções.
Art. 302. A multa será aplicada pela prática das seguintes infrações:
II - infrações imputáveis a aeronautas e aeroviários ou operadores de aeronaves:
a) preencher com dados inexatos documentos exigidos pela fiscalização;
b) impedir ou dificultar a ação dos agentes públicos, devidamente credenciados, no exercício de
missão oficial;
c) pilotar aeronave sem portar os documentos de habilitação, os documentos da aeronave ou os
equipamentos de sobrevivência nas áreas exigidas;
d) tripular aeronave com certificado de habilitação técnica ou de capacidade física vencidos, ou exercer
a bordo função para a qual não esteja devidamente licenciado ou cuja licença esteja expirada;
e) participar da composição de tripulação em desacordo com o que estabelece este Código e suas
regulamentações;
f) utilizar aeronave com tripulante estrangeiro ou permitir a este o exercício de qualquer função a bordo,
em desacordo com este Código ou com suas regulamentações;
g) desobedecer às determinações da autoridade do aeroporto ou prestar-lhe falsas informações;
h) infringir as Condições Gerais de Transporte ou as instruções sobre tarifas;
i) desobedecer aos regulamentos e normas de tráfego aéreo;
j) inobservar os preceitos da regulamentação sobre o exercício da profissão;
k) inobservar as normas sobre assistência e salvamento;
l) desobedecer às normas que regulam a entrada, a permanência e a saída de estrangeiro;
m) infringir regras, normas ou cláusulas de Convenções ou atos internacionais;
n) infringir as normas e regulamentos que afetem a disciplina a bordo de aeronave ou a segurança de
voo;
o) permitir, por ação ou omissão, o embarque de mercadorias sem despacho, de materiais sem
licença, ou efetuar o despacho em desacordo com a licença, quando necessária;
p) exceder, fora dos casos previstos em lei, os limites de horas de trabalho ou de voo;
q) operar a aeronave em estado de embriaguez;
r) taxiar aeronave para decolagem, ingressando na pista sem observar o tráfego;
s) retirar-se de aeronave com o motor ligado sem tripulante a bordo;
t) operar aeronave deixando de manter fraseologia-padrão nas comunicações radiotelefônicas;
u) ministrar instruções de voo sem estar habilitado.
Prof. Humberto Oliveira