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Racismo e Fake News: Análise Crítica

O documento aborda temas como racismo, fake news e narcotráfico, destacando a persistência do racismo estrutural no Brasil e suas consequências sociais. Também discute o impacto das fake news na política e na sociedade, enfatizando a manipulação da informação através das redes sociais. Por fim, analisa o paradigma proibicionista no combate ao narcotráfico, questionando sua eficácia e propondo uma reflexão sobre as desigualdades sociais que alimentam o problema.

Enviado por

Pedro De Bonnis
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Racismo e Fake News: Análise Crítica

O documento aborda temas como racismo, fake news e narcotráfico, destacando a persistência do racismo estrutural no Brasil e suas consequências sociais. Também discute o impacto das fake news na política e na sociedade, enfatizando a manipulação da informação através das redes sociais. Por fim, analisa o paradigma proibicionista no combate ao narcotráfico, questionando sua eficácia e propondo uma reflexão sobre as desigualdades sociais que alimentam o problema.

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1.

Sumário

11. Racismo ................................................................................................................................................... 2

12. Fake News ............................................................................................................................................... 8

13. Narcotráfico e Milícias .......................................................................................................................... 11

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11. RACISMO
Para iniciarmos este tema, faz-se importante explicar alguns conceitos que permitirão um
melhor entendimento do assunto: preconceito, discriminação e racismo.
Preconceito, como a própria palavra já indica, está permeado por pré-noções que geram
generalizações superficiais e depreciadoras a respeito de outras pessoas, podendo, para isso,
ressaltar características físicas e culturais. Já a discriminação é a materialização do preconceito,
isto é, atitudes (falas, políticas públicas, ações, tratamentos) que excluem outras pessoas por sua
cor de pele ou etnia.
A discriminação pode ser mais visível quando percebemos a segregação racial, como
aconteceu nos EUA pós-Guerra de Secessão ou no regime do Apartheid, na África do Sul. Contudo,
a discriminação nem sempre é visível: pode estar nas piadas, na não escolha de uma vaga de
emprego, no padrão de beleza.
Dessa forma, a ideia de racismo permeia a concepção de que há raças superiores e
raças inferiores. Isso esteve presente nos processos de colonização, no Imperialismo dos séculos
XIX e XX e, infelizmente, continua gerando efeitos no século XXI.
Diversas teorias raciais e eugênicas foram defendidas nesses séculos citados. O pensador
Josph Arthur Gobineau em seu livro “Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas” defendeu
que a miscigenação das raças levaria à degeneração física, intelectual e moral da humanidade. No
mesmo viés racista, o pensador e criminologista italiano Cesare Lombroso, utilizava-se da
antropometria para argumentar que, por meio da medição de evidências físicas (maxilar e crânio),
poderia se identificar comportamento agressor, facilitando, assim, repressões – não precisa ser um
gênio da lâmpada para concluir que essas evidências “científicas” colocavam os corpos negros
como fruto de tudo que era ruim e transgressor.
Essas ideias se materializam nas relações sociais e institucionais. Por exemplo, o Brasil do
século XIX e início do século XX queria embranquecer a população para se livrar do fardo que a
maioria de sua população era negra, estimulando a vinda de imigrantes europeus – não era só uma
questão de mão de obra, mas também de ideologia. Além desse exemplo, o que não falta na história
é a materialização da tentativa de extermínio ao outro devido a sua cor e etnia: Ku Klux KLan,
Estado Nazista e, recentemente, os grupos denominados supremacistas brancos.
No Brasil, a violência simbólica ficou ainda mais intensa. Com a obra “Casa Grande &
Senzala”, de Gilberto Freyre, houve a defesa de que o processo de colonização do Brasil foi positivo

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e civilizacional, uma vez que gerou uma sociedade diferente de todas as outras, marcada por uma
miscigenação positiva. Embora Freyre não condene a miscigenação como degradação moral
como os demais pensadores supracitados, ele defende que há uma harmonia entre as raças;
todos, no Brasil, vivem sem conflitos e preconceitos. Ou seja, encobertas as desigualdades
raciais e mascaradas as práticas discriminatórias.
O sociólogo Florestan Fernandes vai chamar isso de “mito da democracia racial”, uma vez
que atenuou os conflitos violentos originados com a colonização e a não inclusão do negro na
sociedade brasileira após a abolição, ficando excluído de todos os processos de cidadania.
Essa exclusão do passado escravocrata, que durou quase quatro séculos e das décadas
seguintes, não integrando o negro no mercado de trabalho e nos processos de escolarização, gerou
aquilo que muitos autores denominam de “racismo estrutural”, ou seja, as práticas racistas
foram incorporadas por meio de nossas socializações historicamente e continuam nas mais
diversas áreas sociais, causando exclusão. Veja alguns dados:

- Em 2015, brasileiros brancos ganhavam o dobro do que negros (pesquisa OXFAM);


- Em 2015, o número de mulheres negras assassinadas cresceu 54%, enquanto o de
mulheres brancas diminuiu 10%;
- Jovens negros pobres possuem mais chances de serem vítimas de morte (Atlas da
Violência, 2020);
- A cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 75 são negras (Atlas da Violência, 2020);
- 61,6% da população carcerária são de pretos e pardos (Infopen, 2019);
- Há uma baixa representante de pessoas negras em áreas como a política, literatura e
cinema, mesmo sendo a grande maioria da população.

Em pesquisa recente, de 2023, realizada pelo 17º anuário do Fórum de Segurança, parece
que o contexto racial não mudou no Brasil...

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Mesmo com os dados acima, há pessoas e grupos sociais que minimizam as consequências
do racismo, inclusive negando a sua existência. No entanto, é inegável que há desigualdades
raciais e que negá-las impede a busca de soluções, as quais consigam criar políticas públicas que
contribuam em oferecer melhores condições de existência à população negra.
Da teoria à prática
O tema sobre racismo foi cobrado no concurso da PM-TO 2021:

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Confira o conteúdo do padrão de resposta da banca e o que você aprendeu nesta seção ☺

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12. FAKE NEWS
As “Fake News” ou “notícias falsas” são informações que, na verdade, desinformam,
que deturpam os fatos em prol da defesa de convicções pessoais ou, simplesmente, geram
conteúdos de forma proposital para manipular comportamentos e pensamentos.
O uso da desinformação para tais propósitos é antigo: por exemplo, a queda do regime
monárquico no Brasil (1889) se deu por uma notícia falsa disseminada pelo movimento republicano
de que o Imperador D. Pedro II iria mandar prender oficiais do Exército. Contudo, na atualidade,
devido ao advento das redes sociais e aplicativos, tal instrumento de manipulação é usado de forma
a atingir um grande número de pessoas de forma instantânea, ou seja, a reprodutibilidade de uma
notícia falsa atinge um público grande em curto espaço de tempo.
Para o pensador Noam Chomsky, essa distorção deliberada que se faz da realidade
com o objetivo de moldar a percepção e a opinião das pessoas faz parte da “Pós-verdade”,
resultado das políticas públicas implementadas pelo Neoliberalismo nas últimas décadas do século
XX. Essas políticas, de acordo com o pensador supracitado, contribuíram para o aumento da
pobreza e do desemprego no mundo. Assim, grande parte da população perdeu qualidade de vida
e poder de consumo, desacreditando que as soluções coletivas partiriam do tradicional sistema
político.
Nesse contexto de descrença geral e de crise das instituições democráticas, intensificada
pela crise econômica mundial de 2008, surgiram como alternativa na política os discursos
autoritários/extremistas, que colocam em xeque a própria existência do ideal humanitário e
democrático. Esse tipo de discurso visa estabelecer um inimigo comum como culpado pelas
mazelas sociais.
Para mobilizar a população frustrada com a sua condição de vida, adotaram como
prática o discurso de ódio, a xenofobia e o desejo de vingança. Para isso, utilizaram os
mecanismos das redes sociais para bombardear as pessoas com notícias falsas, com o
intuito de manipular suas respectivas percepções. Por exemplo, na Europa e nos EUA, o
imigrante passou a ser o responsável pelo desemprego, pelas altas taxas de criminalidade, pelo
terrorismo e por acabar com os valores nacionais. No Brasil, as políticas sociais e os atos de
corrupção do governo do Partido dos Trabalhadores (PT) foram associados a uma tentativa
comunista de destruir o país.

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Com a circulação dessas notícias em diversos veículos de comunicação virtual, reforçaram-
se as emoções básicas de ódio àquilo que se tornou o grande inimigo da nação, em vez de checar
a fonte das informações e os dados apresentados, simplesmente, muitas pessoas passaram
adiante os conteúdos recebidos, como se fossem verdades.
Para se ter uma ideia da proporção em nosso país, de acordo com dados do instituto Ideia
Big Data, divulgados pela revista Veja, o grande alvo de conteúdos checados como notícias falsas
são o ex-presidente Lula, a ex-presidenta Dilma, o ex-presidente Temer e o juiz Sérgio Moro. Isso,
a priori, pode parecer que é liberdade de expressão ou briga de oposicionistas, mas o fato é que,
com a disseminação de notícias falsas, há abalos na democracia, porque isso pode alterar
resultados de eleições, impedir a pluralidade de ideias e incentivar as mais diversas
intolerâncias.
O caso mais concreto foram as eleições de Donald Trump, que abusou do uso das redes
sociais e da divulgação de “Fake News”, para influenciar eleitores indecisos em diversos estados
norte-americanos – sugiro que você assista ao documentário “Privacidade Hackeada”.
Porém, erra quem crê que as notícias falsas impactam somente o campo político.
Recentemente, houve uma notícia falsa de que a Pepsi passaria a Coca-Cola em vendas no Brasil
porque suas latinhas viriam com a imagem do atual presidente. Essa postagem atingiu um público
de 1,8 milhão de pessoas e, em poucas horas, contava com mais de 20 mil curtidas. Ou seja, fica
evidente que as notícias falsas podem impactar outras áreas, como a comercial.
Nessa perspectiva, as empresas gestoras dessas redes sociais possuem sua parcela de
responsabilidade, já que os seus algoritmos não filtram nem detectam conteúdo de ódio e notícias,
deliberadamente, falsas. Para elas, na verdade, isso é bem cômodo, pois os anúncios contratados
geram bilhões, independentemente de qual conteúdo seja. No entanto, os governos e empresas
contrários ao discurso de ódio, vêm pressionando o Google, o YouTube, o Facebook, o Instagram,
o Twitter, etc., para que adotem procedimentos que não permitam a propagação de mensagens
falsas nem a promoção da intolerância.
Diversas empresas que gastam milhões em anúncios passaram a boicotar as empresas que
gerenciam as redes sociais com objetivo de forçar mudanças nos algoritmos e no combate ao
discurso de ódio. Vários governos, a exemplo do brasileiro, estão debatendo projeto de lei
“antifakenews”.
Nesse sentido, é importante destacar que é necessário rigor na punição do
gerador/propagador de notícias falsas, bem como empenho das empresas de redes sociais em

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proibir mensagens de cunho intolerante, para que possamos fortalecer um ambiente democrático e
de respeito à diversidade.

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13. NARCOTRÁFICO E MILÍCIAS
Conquanto o consumo de substâncias psicoativas faça parte da história da humanidade,
empregada em rituais de cura, em algumas cerimônias religiosas, no convívio social, o consumo
das drogas (principalmente as ilícitas) tornou-se um problema social a partir dos processos de
urbanização tanto em países desenvolvidos como em países em desenvolvimento econômico.
A relação de violência e drogas está vinculada aos médios e grandes centros urbanos. As
pessoas sob os efeitos de substâncias psicoativas podem causar homicídios, agressões, acidentes
de trânsito, violência doméstica, suicídios, etc. Além disso, o crime organizado por meio do
narcotráfico potencializa e torna mais complexo o repertório de ações violentas: o usuário necessita
ter dinheiro para manter o vício, o tráfico precisa comprar armamento para manter e defender suas
áreas de influência.
Talvez, o principal desafio das polícias no Brasil seja o combate às drogas, no qual o aparato
repressivo tem concentrado sua força tanto nas fronteiras como principalmente nos centros
urbanos. Essa “guerra às drogas” gera combates violentos entre o Estado (por meio das instituições
policiais) e o narcotráfico, além das disputas entre as facções para manter suas respectivas áreas
de influência.
A ação do crime organizado, por estabelecer áreas de comércio dos produtos ilícitos, gera
uma verdadeira “guerra civil”, uma vez que precisam escoar as drogas e comprar armamentos, ou
seja, inevitavelmente haverá conflitos violentos com facções rivais, bem como com as instituições
de segurança pública.
Os efeitos econômicos e humanos advindos dessa violência generalizada são variados:
atividades econômicas são interrompidas, escolas são fechadas, o turismo fica prejudicado. Há
uma propagação do medo e do terror na sociedade, custo elevado para o sistema público de saúde,
gastos massivos com a segurança pública, que poderiam ser direcionados para outras áreas e a
manutenção elevada do sistema carcerário.
Para o paradigma (modelo) proibicionista, implementado pelos E.U.A, que é o mais adotado
nas políticas públicas de enfrentamento às drogas no mundo inteiro, é preciso um enfrentamento
enérgico contra aquelas drogas com alto potencial de abuso e nenhum uso medicinal, isto é:
heroína e cocaína.
As pessoas (autores e autoridades públicas) que defendem esse paradigma argumentam
que as drogas geram dependência (patologia neuroquímica). Isso faz com que haja a busca

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incessante por novas e maiores doses, causando várias consequências, tais como: sofrimento,
ansiedade, depressão, suspensão da consciência e do julgamento moral, atitudes violentas,
deterioração dos laços familiares, além de possíveis danos cognitivos.
Visto esse rol de danos tanto individual como coletivo, o consumo de drogas é totalmente
prescindível (dispensável), já que elas não têm aplicação médica, logo justifica a proibição e a ação
do Estado em prol de perseguir e punir quem as produz, comercializa e consome.
Por outro lado, há autores e autoridades públicas com visão diferente do que apregoa o
modelo proibicionista. Algumas críticas mencionam que os danos sociais do consumo de drogas
não justificam a sua proibição. Defendem a autonomia do indivíduo e que o Estado só deve agir em
casos pontuais sob o devido processo médico-jurídico. Nessa perspectiva, questiona-se por que o
Estado não proíbe outras drogas que fazem tanto ou mais mal do que aquelas classificadas como
ilícitas como, por exemplo, o álcool, o tabaco, determinados alimentos que podem gerar problemas
de obesidade, etc. Assim, para os críticos do proibicionismo a punição pelo Estado é perigosa e só
deve ser utilizada em caráter excepcional.
O Estado ao proibir a produção, o comércio e o consumo cria um mercado paralelo, sem
regras, clandestino, o qual gera mais problemas sociais. Várias pesquisas apontam que proibir e
penalizar não diminuem o consumo, pelo contrário, cada vez mais há aumentos consideráveis.
O crime organizado de drogas gera lucros exorbitantes, que são usados na compra de armas
e no uso da violência generalizada. Corrompem agentes do Estado (principalmente a burocracia da
segurança pública), o que mostra a ineficiência do paradigma proibicionista. Além disso, não há um
combate real ao narcotráfico, já que os alvos das polícias são os “varejistas” ou, na linguagem mais
popular, os “aviãozinhos”. Esses são compostos por jovens pobres que não tiveram oportunidades
de estudo ou de emprego e encontram no tráfico possibilidade de ganhar dinheiro e “moral no
morro”.
Essa ação de enfretamento àqueles que estão na linha de frente do tráfico revela que há um
combate à pobreza e não ao tráfico em si, já que o problema não é solucionado. Portanto, para
autores críticos do modelo proibicionista há que se pensar que as causas envolvem também as
desigualdades sociais. Tanto é que o encarceramento no Brasil cada vez mais está aumentando
como vimos anteriormente.
No Brasil, o paradigma proibicionista ganhou força com a Lei de Drogas (11.343/2006), que
endureceu o combate ao tráfico e manteve a criminalização do usuário, uma vez que não definiu
objetivamente qual é a quantidade que tipifica o usuário (para consumo próprio) ou o traficante
(comercialização). Além disso, a classificação do que é consumo próprio ou para a venda é

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determinada no ato da apreensão pelo próprio policial e levado à autoridade competente, o que tem
desencadeado o aumento de prisões, uma vez que o policial é levado institucionalmente a
classificar o usuário como traficante em seus registros.
Por fim, há propostas alternativas ao modelo proibicionista. Defende-se o autocuidado e os
controles sociais, além de descriminalizar o consumo e estabelecer critérios objetivos que tipifiquem
o traficante e o usuário.
Um modelo de êxito que segue a proposta alternativa é o implementado por Portugal, no
qual o consumo é uma infração administrativa. O usuário quando abordado pela força policial é
encaminhado a uma junta civil composta de psicólogos, médicos e assistentes sociais, que sob
determinado protocolo, decidem pelo tratamento ou multas.
Outra proposta alternativa é que o Estado tenha o mesmo tipo de abordagem aplicada às
drogas lícitas (álcool e tabaco), por meio de regulamentação e controle estatal, realizando trabalhos
de conscientização e de restrição à publicidade.
Por que isso não acontece? Segundo os autores que defendem o modelo alternativo há um
forte apelo de vários segmentos sociais e dos agentes políticos conservadores de que se deve
haver o combate severo às drogas, por meio de uma fundamentação moral e de senso comum.
Ademais, o discurso político de combate às drogas pela via do enfrentamento proporciona votos,
logo o debate mais aprofundado sobre questão tão delicada não é bem-vindo.
De acordo com o 3º Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População
Brasileira, realizado pela Fiocruz e pelo IBGE, a substância ilícita mais consumida no Brasil é a
maconha: 7,7% dos brasileiros de 12 a 65 anos já usaram ao menos uma vez na vida. Em segundo
lugar, fica a cocaína em pó: 3,1% da população brasileira já a consumiu.
O uso de drogas vem crescendo e gerando diversos desafios para as políticas públicas em
diversos países. Inclusive, as operações de combate às drogas são as mais quantitativas na PF e
na PRF.
Segundo relatório mundial sobre drogas, publicado em 2020, 269 milhões de pessoas
usaram drogas em 2018 - aumento de 30% comparado com os dados de 2009. Dessas pessoas,
35 milhões sofreram transtornos associados ao uso de drogas.
A partir desses dados, é importante ressaltar que a Organização Mundial de Saúde define
droga como qualquer substância que provoca interferência no funcionamento do organismo. Essa
definição, no mínimo, é problemática, uma vez que diversas substâncias quando ingeridas causam
várias modificações – no Brasil, é a ANVISA que define as drogas ilícitas.

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Uma das principais causas de uso de drogas ilícitas advém do contexto de desigualdades
sociais (principalmente o uso de crack). De acordo com a pesquisa da Fiocruz supracitada, o
aumento do desemprego e a redução de oportunidades agravam a busca pelas drogas, o que afeta
diretamente a população mais pobre. Ademais, o uso de drogas pode estar relacionado, também,
a dilemas existenciais, porém, cada classe social tende a consumir determinado entorpecente.
A preocupação com o aumento do consumo de drogas e a respectiva intervenção dos
governos se dão porque há diversos impactos negativos, que vão além dos danos individuais. Isso,
de acordo com a sociologia de Émile Durkheim, gera anomia social, ou seja, desintegração social,
prejudicando o bom funcionamento da sociedade.
Outro grupo de atuação negativa na sociedade é a milícia. Os milicianos controlam serviços
públicos e privados em áreas que o Estado não se faz presente e cujas regulamentações legais
não são aplicadas. Por meio de organização paramilitar composta por pessoas armadas (em sua
maioria, policiais ou ex-policiais), começaram a dominar serviços nas mais diversas áreas, suprindo
a ausência do Estado. Contudo isso é feito por meio de ameaças e violência.
Um dos serviços clássicos dos milicianos é a prestação de segurança pública a moradores
e comércios, por meio de taxas. Aqueles que não pagam essas taxas, sofrem ameaças, podem ser
mortos ou terem sua residência/comércio assaltados. Porém, as atividades foram ampliadas: hoje,
as milícias oferecem serviços de gás, internet, transporte, luz, saneamento, etc. As comunidades
são obrigadas a adquirem esses serviços dos milicianos, os quais cobram valores acima do
mercado, aumentando ainda mais o custo de vida das pessoas mais pobres.
Em sua origem, os milicianos combatiam o tráfico de drogas para proteger os seus
respectivos territórios e cobrar taxas dos moradores por isso, porém, na atualidade, há uma
associação em diversos territórios entre grupos milicianos e o narcotráfico.
Em 2008, a Comissão Parlamentar de Inquérito das Milícias na Assembleia do Rio de Janeiro
identificou a relação profícua entre políticos e milícias, já que a base eleitoral (curral eleitoral) de
autoridades políticas era sólida em áreas milicianas. Em troca de votos, os políticos ofereciam
interferências políticas para que os milicianos agissem sem nenhum constrangimento dos órgãos
públicos.
O resultado naquele não, foi a prisão de 219 policiais militares, 1 deputado estadual e 791
civis por envolvimento de extorsão às comunidades vulneráveis. Porém, não se conseguiu acabar
nem controlar a expansão das milícias.
O estudo "Mapa dos Grupos Armados do Rio de Janeiro" publicou, em 2020, estudo inédito
sobre as milícias: elas já ocupam uma área maior de atuação do que o próprio tráfico de drogas.

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De acordo com os resultados dessa pesquisa, dos 163 bairros da cidade, 96 sofrem com o domínio
das milícias e do tráfico de drogas. Além desses dados, o relatório aponta:

2,1 milhões de pessoas (33% da população) vivem em área sob o comando de milícias;
1,1 milhão de pessoas (18,2% da população) vivem em área dominada pelo Comando
Vermelho;
337,2 mil pessoas (5,1% da população) vivem em área dominada pelo Terceiro Comando;
48,2 mil pessoas (0,7% da população) vivem em área dominada pelo Amigos dos Amigos.

Em 14 de março de 2018, a execução da vereadora Marielle Franco (Pasol-RJ) e de seu


motorista (Anderson Gomes) trouxe à tona o debate sobre o envolvimento de milicianos com a
política, uma vez que a principal linha de investigação apontou que a morte da vereadora foi a
mando político: os mandatários ainda não foram identificados até o momento.
Da teoria à prática: modelo de redação

1 O encarceramento e as drogas

2 O uso de drogas e a vulnerabilidade social

3 Políticas públicas de combate às drogas

A questão das drogas gera debates no Brasil e no mundo, sendo um tema de difícil
consenso. No Brasil, algumas dimensões são fundamentais para esse debate, como o largo
contingente de presos por posse de entorpecentes e a vulnerabilidade social flagrante entre
os envolvidos com substâncias ilícitas. Por isso, políticas públicas amplas e multissetoriais
devem ser formuladas para enfrentar esse problema.

Em primeiro lugar, é importante destacar a quantidade de indivíduos que são


encarcerados por causa do uso de entorpecentes. Esse número elevou-se demasiadamente
depois da aprovação da Lei de Drogas, de 2006, a qual buscava criar mecanismos de
diferenciação entre usuários e traficantes, porém, na prática, a legislação levou ao
aprisionamento de pessoas portando pequenas quantidades de produtos ilícitos, fazendo com
que cidadãos com vícios diversos, necessitados de cuidados médicos, fossem direcionados
ao sistema carcerário.

Em segundo lugar, é evidente que a vulnerabilidade social é um fator que potencializa


as chances de os indivíduos se envolverem com consumo e tráfico de drogas. Tal situação
se dá, pois a carência de oportunidades, somada à negligência do Estado sobre áreas de
atuação do crime organizado e de comércio de entorpecentes, favorece a prática de
transgressões e a associação a facções como formas de buscar a subsistência. Desse modo,
as raízes do problema acabam não sendo enfrentadas quando o encarceramento em massa se
estabelece como procedimento de combate ao tráfico.

Portanto, as políticas públicas para coibir o consumo de drogas devem ser multifatoriais e
cobrir, de formas diferentes, usuários e traficantes. Assim, o Congresso deve reformular a

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Lei de Drogas, estabelecendo quantidades precisas para tipificação do crime de tráfico, a fim
de prender apenas os verdadeiros contraventores e direcionar os dependentes a tratamentos
específicos. Ademais, devem ser realizados projetos sociais nas comunidades pelo Estado e
por setores organizados da sociedade civil, com o fito de ampliar oportunidades e reduzir a
influência do crime organizado.

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