CINETERAPIA
O filme como intervenção psicoterápica
e como ferramentas de análise e formação
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CURSO LIVRE DE FORMAÇÃO DE TERAPEUTAS
CINETERAPIA
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Filmes têm sido utilizados como recurso terapêutico. A cineterapia propõe uma
nova intervenção psicoterápica por meio da indicação de filmes comerciais.
Introdução:
O cinema, a psicoterapia e a psiquiatria desde seus primórdios se interessaram um pelo
outro. “O Gabinete do Dr. Caligari”, de 1919, foi uma das primeiras películas da história do
cinema a retratar a psiquiatria. A área do conhecimento humano tem utilizado os filmes
como recurso tanto didático-pedagógico como terapêutico. Filmes têm se tornado
instrumento para análise fílmica por meio de abordagem psicanalítica, junguiana, sistemica
e, mais recentemente, cognitiva comportamental.
No início dos anos 1950, começou a ser observada a reação dos pacientes diante
da exibição de um filme, como fez alguns pesquisadores, mediante interpretação
psicanalítica, discorrendo sobre os mecanismos de defesa e sobre o comportamento de
excitação e de silêncio dos pacientes. No final da década de 1950, em um hospital
psiquiátrico: o uso de filmes como psicoeducação, sua segurança e o seu efeito terapêutico
em psicoterapia de grupo. Em suas conclusões, indicaram vários benefícios dessa prática
terapêutica. Outra pesquisa, tomando como base alguns relatos de caso, ressaltou a
importância dos filmes no processo de “recriação” da realidade de alguns pacientes com
transtornos mentais.
A partir do final da década de 1960, alguns filmes passaram a ser especialmente
confeccionados para que seu impacto como determinada técnica psicoterápica fosse
avaliado.
Criaram o termo “cinematerapia” e deram início a um novo enfoque. Nessa
intervenção psicoterápica, são selecionados para o paciente ver alguns filmes. De acordo
com estudos, o efeito terapêutico ocorreria diretamente pela película à qual o paciente
assiste ou pelo estímulo à discussão que aconteceria nas sessões subsequentes.
Técnicas da TCC identificadas com o uso de cineterapia como intervenção
Exposição
Discriminação de estímulos
Treinamento em habilidades sociais
Condicionamento vicário (modelagem)
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Estímulo motivacional
Revisão da tarefa e da última sessão
Reforçamento positivo
Estabelecimento de objetivos
Habituação
Dessensibilização
Ressensibilização
Análise do comportamento de esquiva
Registro de pensamentos disfuncionais
Análise do determinismo recíproco
Autoeficácia
Descoberta guiada por questionamento socrático36 Psicoeducação
Automonitoramento
Análise do modelo A-B-C
Análise da tríplice contingência comportamental
Reforçamento do comportamento de generalização
Experimento comportamental
Autorrecompensa
Reconceitualização cognitiva
Solução de problemas
Principais características da cinematerapia
Na cinematerapia, assim como em qualquer outra tarefa de casa de um processo
terapêutico, o terapeuta precisaria:
fazer com que o paciente trabalhasse ativamente sobre um problema
específico;
preparar adequadamente o paciente para o filme que foi selecionado;
realizar o quanto antes a discussão sobre a película assistida pelo paciente.
Recomendações adicionais no emprego da cinematerapia:
Não tentar indicar muitos filmes de uma só vez, pois uma quantidade grande de
películas aumentaria a chance de falha nessa técnica.
Indicar até três vezes um filme ao paciente, pois a hesitação de alguns em vê-lo
poderia ser medo do conteúdo da película e dos sentimentos despertados por ela.
Pedir ao paciente que anotasse pensamentos e sentimentos em relação ao filme
para trazer na sessão seguinte
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Vantagens da intervenção psicoterápica Hesley e Hesley20 explicitaram as vantagens
peculiares da cinematerapia:
– Alta aderência, pois, como os filmes são geralmente divertidos de ver e exigem pouco
tempo, os pacientes se disporiam mais facilmente a essa tarefa.
– De fácil acessibilidade, uma vez que uma película, sendo multissensorial, facilitaria a
linguagem e poderia ser vista mesmo por pacientes com dificuldade de concentração e em
diferentes locais. – Maior disponibilidade de interação do paciente com familiares, os quais,
na maioria das vezes, deveriam estar a par do uso de filmes como parte da terapia. – Maior
curiosidade no paciente em descobrir quais as razões de o terapeuta indicar determinada
película. – Familiaridade com a atividade, pois ver filmes e conversar sobre eles geralmente
fariam parte do cotidiano das pessoas.
– Melhora da relação terapeuta-paciente, já que a película passaria a ser uma experiência
comum aos dois.
Efeitos terapêuticos
Berg-Cross et al.18 indicaram que o impacto da cinematerapia no paciente poderia
acontecer de diferentes maneiras:
– Melhora da comunicação com o terapeuta, a qual ocorreria de modo mais efetivo
pelo compartilhamento de um vocabulário mais rico, composto inclusive de imagens.
– Compreensão mais profunda de sua personalidade.
– Criação de metáforas terapêuticas significativas que captariam a essência de
determinado problema. Wedding e Niemiec22 chegaram a indicar algumas
metáforas em filmes, tais como a máscara em De Olhos Bem Fechados e a frase
motivacional Carpe Diem em Sociedade dos Poetas Mortos. Segundo esses
autores, as metáforas, ao serem repetidas com frequência e aplicadas à vida do
paciente, poderiam alterar comportamento, despertar autocrítica e aprofundar o
autoconhecimento.
Hesley e Hesley20 acrescentaram outros potenciais dessa intervenção psicoterápica:
– Capacitaria o paciente a praticar fora da terapia o que foi aprendido nela.
– Intensificaria os efeitos da terapia no ambiente doméstico do paciente.
– Adiantaria o progresso terapêutico ao permitir melhor evolução e modificação do
tratamento
Tyson et al.21 e Wedding e Niemiec22 destacaram o papel de vários filmes como
psicoeducação. Bem-amada foi mencionado como retrato de um quadro de transtorno de
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estresse pós-traumático. Outros citados foram: Mr. Jones, para transtorno bipolar; Shine –
Brilhante, para questões sobre funcionamento social; e Melhor é Impossível, para
transtorno obsessivo-compulsivo.
No final de seu estudo, Tyson et al.2 descreveram sua teoria sobre os estágios evolutivos
dos efeitos da cinematerapia no paciente, partindo de conceitos psicanalíticos. No primeiro,
chamado por eles de dissociação, o paciente perceberia o retrato das pessoas no filme
como distante do seu. Em seguida, na identificação, ele reconheceria semelhanças entre
as suas experiências e as dos personagens. No terceiro, internalização, o paciente teria
uma experiência vicária com as situações das pessoas na película. Por fim, na
transferência, quarto e último estágio, ele seria capaz de analisar os sentimentos e os
pensamentos decorrentes dessa experiência. A
As contraindicações se limitariam aos seguintes grupos:
– Crianças da primeira e segunda infância.
– Pacientes com transtornos mentais graves, em virtude principalmente da possível falta de
suporte domiciliar em caso de desconforto pela exibição do filme.
– Casal com história de violência, pois o risco de haver uma reação imprevisível diante de
uma película seria muito grande.
– Pacientes que passaram, recentemente, por situações traumáticas semelhantes aos
personagens do filme.
o filme O Encantador de Cavalos serviu para a mãe da adolescente compreender os
sentimentos da filha, evitar mudar os comportamentos dela e permitir à adolescente se
expressar. As
A seguir, estão listadas todas as 25 técnicas reconhecidas pelos autores deste estudo.
1. Exposição27. No trabalho de Leduc et al.23, películas com diferentes conteúdos
relacionados a transtornos mentais e seus tratamentos foram consideradas materiais
de exposição a situações ansiogênicas. Já Mullin e Linz24 fizeram uso de filmes
slasher como estímulo ansiogênico.
2. Discriminação de estímulos28. Ocorreu no estudo de Leduc et al.23, quando o nível
de autocrítica dos pacientes aumentou após a 142 Oliva VHS, et al. / Rev Psiq Clín.
2010;37(3):138-44 discussão dos filmes. No caso de Berg-Cross et al.18, essa
técnica se inseriu na hipótese de a cinematerapia oferecer aos pacientes maior
autocrítica sobre seus problemas, inclusive mediante metáforas, além de intensificar
a compreensão de sua personalidade. Isso foi ao encontro do exposto tanto por
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Tyson et al.21, que acrescentaram a capacidade dessa intervenção de emitir
comportamentos clinicamente relevantes; como por Solomon19, indicando seu
potencial para melhor percepção de contingências por meio das impressões de
familiares em relação à película. Hesley e Hesley20 também mostraram uma
aplicação pelo fato de, segundo eles, um filme ajudar na discriminação de
sentimentos ao potencializar emoções em pacientes que intelectualizam muito as
situações pessoais. Já Garrison25 praticamente descreveu a técnica ao afirmar que
os integrantes de uma família eram estimulados a compararem suas contingências
com as da película e a reconhecerem tanto seus próprios conflitos como os modos
de enfrentá-los.
3. Treinamento em habilidades sociais29. A habilidade social foi primeiro mencionada
por Berg-Cross et al.18, quando se referiram à melhora da comunicação pela
cinematerapia. Garrison25, em um estudo experimental, por meio de feedback entre
integrantes de uma família, procurou modelar habilidades adequadas de
comunicação. Nesse processo, ao enfatizar a importância da escuta e a habilidade
de concordar ou discordar, esse autor abordou também a habilidade de treinamento
de assertividade. Esta, por sua vez, fora comentada antes por Hesley e Hesley20,
quando afirmaram que os pacientes poderiam emprestar conceitos úteis de filmes
para explicar assuntos terapêuticos a familiares.
4. Condicionamento vicário (modelagem)30. Berg-Cross et al.18 citaram o
condicionamento vicário como uma das abordagens da cinematerapia. Associando à
Teoria da Aprendizagem Social, Tyson et al.21, em sua descrição sobre os estágios
evolutivos dos efeitos da cinematerapia no paciente, apontaram o terceiro estágio,
internalização, como uma experiência vicária do paciente com as situações dos
personagens. Hesley e Hesley20 colocaram as películas como fornecedoras de
modelos comportamentais específicos, dentro dos quais Wedding e Niemiec22
destacaram a relação terapeuta-paciente.
5. Estímulo motivacional31. Berg-Cross et al.18 citaram a motivação como um dos
tópicos passíveis de serem abordados pela cinematerapia. Hesley e Hesley20
indicaram como um dos objetivos dessa intervenção oferecer esperança e
encorajamento ao paciente por meio dos personagens dos filmes. Acrescentaram
que uma de suas características seria o estímulo ao aprofundamento de assuntos
iniciados na terapia. Revisão da tarefa e da última sessão32 e reforçamento
positivo43. Tanto Hesley e Hesley20 quanto Solomon19 enfatizaram fazer perguntas
e realizar uma discussão logo na sessão seguinte à indicação de uma película, a fim
de valorizar essa tarefa e, com isso, garantir a continuidade do tratamento. Em
outras palavras, se um comportamento não é reforçado, ele deixa de ser emitido.
6. Estabelecimento de objetivos33. Berg-Cross et al.18 colocaram que os filmes
serviriam para apontar um problema específico a ser trabalhado pelo paciente de
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forma consciente e ativa. Para Hesley e Hesley20, as películas ajudariam a delinear
melhor o objetivo do tratamento já anteriormente identificado na psicoterapia.
7. Habituação, dessensibilização34 e ressensibilização30. Em seu estudo
experimental, Mullin e Linz24 comprovaram primeiro a habituação e a
dessensibilização por meio da diminuição gradual do mal-estar sentido pelos
indivíduos que viram os filmes slasher e os documentários sobre violência
doméstica. Com o restabelecimento dos sintomas ansiosos após alguns dias da
exibição das películas, observaram o processo de ressensibilização.
8. Análise do comportamento de esquiva35. Solomon19 incitou uma compreensão do
comportamento de esquiva ao afirmar que um filme poderia ser indicado umas três
vezes até alguns pacientes sentirem-se prontos para assisti-lo. Wedding e
Niemiec22 colocaram que as películas poderiam agir como um estímulo aos
pacientes para falarem abertamente sobre assuntos que, de outra maneira, seriam
muito perturbadores.
9. Registro de pensamentos disfuncionais33. Solomon19, em suas recomendações
sobre a cinematerapia, aconselhou o terapeuta a pedir aos pacientes que
anotassem pensamentos e sentimentos em relação ao filme. Isso seria a primeira
etapa para a posterior reformulação cognitiva dos problemas, apontado por Hesley e
Hesley20 como um dos objetivos da cinematerapia.
10. Análise do determinismo recíproco34 e autoeficácia30. Tyson et al.21 apenas
citaram essas técnicas como estando integradas à Teoria da Aprendizagem Social.
Hesley e Hesley20, na descrição dos efeitos terapêuticos da cinematerapia,
utilizaram os conceitos dessas técnicas ao comentarem sobre a modificação do
comportamento do paciente fora do ambiente terapêutico.
11. Descoberta guiada por questionamento socrático36. Tyson et al.21 sugeriram sua
aplicação ao falarem que uma película poderia melhorar a aliança terapêutica entre
paciente e terapeuta, na qual crenças e impressões, similares ou não, seriam
investigadas.
12. Psicoeducação37. O entendimento sobre o transtorno mental, parte integrante da
TCC, assim como da maioria das psicoterapias, foi destacado por Tyson et al.21 por
meio do filme Bem-amada – representante de um quadro de transtorno de estresse
pós-traumático. Wedding e Niemiec22, por sua vez, indicaram uma lista de películas,
pondo em evidência, entre outras, Mr. Jones e Melhor é Impossível para,
respectivamente, transtorno bipolar e transtorno obsessivo-compulsivo.
13. Automonitoramento38. Tyson et al.21, ao descreverem o último estágio evolutivo
dos efeitos da cinematerapia no paciente, envolveram a questão da autoanálise de
sentimentos e pensamentos decorrentes de uma película. Wedding e Niemiec22
fizeram referência a essa técnica ao afirmarem que assistir a um filme poderia
despertar emoções no paciente e fazer com que ele as conectasse às suas
situações pessoais.
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14. Análise do modelo A-B-C39 e análise da tríplice contingência comportamental40. Ao
caracterizarem a cinematerapia, Hesley e Hesley20 embutiram os conceitos dessas
técnicas ao enfatizarem que o paciente precisaria prestar atenção em como os
personagens aparecem no começo da película, como eles reagem diante dos
conflitos e como estão diferentes no final da estória.
15. Reforçamento do comportamento de generalização41, experimento
comportamental36 e autorrecompensa38. Tais técnicas foram inclusas na afirmação
de Hesley e Hesley20 de que a cinematerapia capacitaria o paciente a praticar o que
fosse aprendido na terapia, intensificando seus efeitos e gerando maior
autoconfiança. Já Wedding e Niemiec22 relacionaram o potencial de generalização
mais com a utilização das metáforas dos filmes.
16. Reconceitualização cognitiva33. Apontada como um dos objetivos da cinematerapia,
Hesley e Hesley20 disseram que as películas, na maioria das vezes, reestruturariam
crises ficcionais e, por isso, seriam veículos ideais para incitar os pacientes a
reformularem suas próprias crises.
17. Solução de problemas Colocada também como um dos objetivos da cinematerapia
por Hesley e Hesley20, priorizar valores seria uma das etapas da solução de
problemas, após adequada análise de vantagens e desvantagens de várias
situações possíveis.
Conclusão
As fontes bibliográficas encontradas forneceram informações que definiram desde
o conceito do uso de filmes comerciais como intervenção psicoterápica, ou seja,
cinematerapia, até suas características, vantagens específicas, seus efeitos terapêuticos,
objetivos, suas indicações e contraindicações. Não se mostrando um tratamento isolado, a
cinematerapia pareceu ser uma intervenção psicoterápica composta de múltiplas técnicas
mais específicas, entre as quais estão inseridas muitas técnicas cognitivo-
comportamentais, embora não denominadas como tal pela maioria dos pesquisadores
dessa intervenção. Todavia, a escassez de estudos que evidenciem adequadamente seu
efeito terapêutico é grande. Embora o impacto do uso de filmes comerciais em psicoterapia
tenha sido avaliado como positivo, sua constatação partiu de uma maioria de trabalhos que
se limitou a relatos de caso e inferências pessoais. Houve apenas dois ensaios clínicos,
com desenhos bastante diferentes. Em suma, muitos estudos advogaram a favor da
cinematerapia e alguns mais consistentes apontaram provável eficácia do seu uso. Apesar
disso e embora ela faça uso de diversas técnicas cognitivo-comportamentais, seu efeito
terapêutico ainda precisa de evidência científica de melhor qualidade que o sustente de
fato.
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O cinema como ferramenta psicoterapêutica
Nunca aconteceu de, depois de ver um filme, o modo com você via um
determinado problema mudar? Ou o filme fez você adotar uma perspectiva diferente para
enfrentar novas situações? E o filme fez você se distanciar um pouco de algum momento
difícil da sua vida? Os benefícios do cinema como ferramenta psicoterapêutica são
múltiplos. Por isso, é cada vez mais utilizado pelos profissionais de saúde.
Assistir a filmes permite que os espectadores e, portanto, os pacientes, obtenham
informação de uma natureza muito distinta: linguística, visão-espacial, interpessoal e
intrapsíquica. Ou seja, a comumente conhecida como “cineterapia” pode fazer do
tratamento psicológico um espaço de aprendizagem completo, integral e intersensorial.
O cinema como ferramenta psicoterapêutica proporciona inúmeros
benefícios.
A leitura e o cinema
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Para Bruce Skalarew, psiquiatra e psicanalista co-presidente do Forum for
Psychoanalytic Study of Film, a cineterapia seguiu os mesmos passos da biblioterapia. Ou
seja, a utilização de livros e a leitura como uma prática clínica.
Este médico define a sétima arte como uma ferramenta que ajuda a melhorar a
saúde mental. Da mesma forma, considera este meio terapêutico como um bom
complemento para as tradicionais terapias.
Walz explica que utilizar o cinema como ferramenta psicoterapêutica permite
ao psicólogo apoiar-se na imagem, na música, nas cores, nos personagens, nos espaços e
nos elementos teatrais. Além disso, o cinema tem o poder de facilitar a compreensão de
si mesmo e realizar o que é chamado de “descarga emocional”. Em última instância, esta
arte, diz Walz, ajuda a mudar nossos hábitos e a evoluir.
“A cineterapia pode ser um poderoso agente catalisador para a cura e
para o crescimento daquele que está aberto à possibilidade de
aprender como os filmes nos afetam, e de se propor a ver certos filmes
com verdadeira atenção”.
-Birgit Walz-
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Reflexão pessoal
O que eu faria se isso acontecesse comigo? Como meu parceiro reagiria se este
problema acontecesse com a gente?
Às vezes, os filmes fazem com que nos coloquemos em situações
que, de outra forma, seriamos incapazes de imaginar.
Frequentemente nos colocamos na pele dos personagens e tentamos pensar ou
ver através deles. Isso ajuda as pessoas que estão em tratamento psicoterapêutico a
realizar uma introspecção de seus pensamentos, sentimentos e emoções – tanto presentes
como futuros.
A aplicação do cinema como ferramenta psicoterapêutica
A primeira coisa a ser feita, segundo Gary Solomon – um dos primeiros psicólogos
a abordar o uso de filmes como terapia – é selecionar aqueles filmes ou curtas que refletem
o problema do paciente. Ou seja, a situação deve ser o mais parecida possível com a
situação atual ou traumática do paciente.
É fundamental que o terapeuta e a pessoa conversem antes da exibição do filme.
Isso serve para que ambos entendam que é preciso realizar um exercício consciente de
análise do filme, para que o profissional possa reconhecer e examinar as reações do
paciente.
“Sonhe como se fosse eterno, e viva como se fosse seu último dia”.
-James Dean-
Após a exibição do filme, é conveniente que o paciente explique as conexões e
as semelhanças que encontrou entre o filme e a sua vida. É bom que ele use a
imaginação e que possa se identificar com algum personagem do filme (Berg-Cross,
Jennings, e Baruch, 1990).
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Empatia e nova perspectiva
Um dos pontos fortes desta técnica é que ela pode melhorar as habilidades
sociais e de comunicação dos pacientes. Serve como exemplo prático de situações nas
quais pode-se desenvolver empatia e tornar os sentimentos, emoções e desejos próprios
conscientes.
Com isso, pode-se colocar em prática a conhecida teoria da mente, ou seja, a
capacidade para entender nossos próprios processos emocionais e para
compreender e refletir sobre os sentimentos ou pensamentos alheios. E tudo isso através
de uma sequência de imagens e engenhosos diálogos, graças à magia do cinema.
Os conflitos que observamos em protagonistas criminais nos ajudam a fixar nossos valores
morais.
Além disso, esta técnica permite trabalhar com cenas específicas, focalizando
ainda mais a questão a ser tratada. E mais, os personagens podem ser analisados de
forma detalhada, podendo apreciar cada mudança e detalhe quantas vezes forem
necessárias, voltando e reassistindo cada cena. Isso permite que sejam encontradas mais
semelhanças e diferenças entre o comportamento do paciente e do ator.
O cinema como ferramenta psicoterapêutica é ainda um pouco desconhecido.
Apesar de estar sendo cada vez mais integrado como estratégia complementar na prática
tradicional, ainda não é suficiente. No entanto, mesmo que funcione para a maioria dos
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pacientes, é necessário evitar a realização desta com pessoas que sofrem de
transtornos psicóticos. Nestes casos, não é garantido que a cineterapia traga benefícios.
A metáfora governa a técnica do cinema como ferramenta terapêutica.
CINETERAPIA
O uso de filmes como ferramenta psicoterapêutica
Será que é possível usar o conteúdo dos filmes como um recurso
psicoterapêutico na prática da psicologia clínica?
Se pensarmos o número de vezes que os pacientes chegam impactados
emocionalmente com uma cena de filme, série, curta ou novela podemos concluir que a
resposta é sim. Histórias conectam pessoas, e quando assistimos a um filme estamos
assistindo uma história repleta de emoções, sentimentos, imagens, músicas, situações
cotidianas ou fantasias que nos mobilizam psiquicamente.
Impacto emocional
Envolvemo-nos, escolhemos um personagem preferido, torcemos por ele e muitas
vezes nos identificamos com o seu drama. Os psicólogos podem aproveitar este impacto
emocional, provocado pelos filmes, para trabalhar o que realmente importa no tratamento
das dificuldades enfrentadas por seus pacientes. Muitas vezes uma cena mobiliza e atinge
em cheio os temas que os afligem de forma muita mais rápida e eficaz do que várias
sessões de psicoterapia. E não precisa ser um filme muito elaborado, muitas vezes uma
animação com sua graciosidade, leveza e beleza vai fundo em aspectos difíceis de serem
trabalhados.
Situações da ficção fazem conexões com situações reais vividas pelos pacientes
Certa vez, em um atendimento psicoterápico, percebi que a paciente chegou à
sessão muito mobilizada por ter assistido uma animação que a fez chorar muito na noite
anterior. A animação tratava da história de um casal que se conheceu na infância,
namorou, noivou e casou mantendo o grande sonho de fazer uma viagem especial. Os
anos se passaram e o dinheiro nunca foi suficiente para realizarem este sonho. Eles
envelheceram, a mulher adoeceu e faleceu antes de realizar a viagem com seu marido.
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Mas, mesmo assim, ele resolveu viajar com sua esposa em memória. Este roteiro,
envolvendo o amor de uma vida inteira, tocou o ponto que a paciente sempre desejou falar
mas não tinha tido a coragem. Neste caso a animação colocou-a diretamente na dor que
estava sendo adiada e precisava ser trabalhada.
Como usar filmes individualmente e em grupo?
Sempre que possível, é importante assistirmos o filme que o paciente trouxe para a
sessão para que possamos trabalhar as intervenções necessárias. Mas pode acontecer o
contrário, o psicólogo clínico pode identificar um tema importante na vida do paciente e
sugerir um filme com o objetivo de trabalhar a reflexão dos sentimentos e dificuldades.
No caso da psicoterapia individual, pode ser recomendado que o paciente assista
algum filme em casa, mas nada impede que o psicólogo possa projetar o filme, ou trechos
dele, na própria sessão. No caso da psicoterapia em grupo é muito interessante assistir em
conjunto com os pacientes, sempre focando no objetivo daquele filme e estimulando as
reflexões individuais.
Cineterapia
Este tipo de trabalho é conhecido entre os psicólogos como “cineterapia” e é uma
ferramenta terapêutica com múltiplos benefícios. Uma das suas maiores vantagens é
colocar o paciente em situações que talvez não conseguisse imaginar, fazendo com que
ele pense como seria viver e resolver a situação descrita no filme.
Isso favorece a introspecção de seus sentimentos, emoções e pensamentos tanto
do momento presente quanto do futuro, tão necessária para o seu desenvolvimento
psicológico.
Moana - Um mar de aventuras
FILMES SOBRE AUTOESTIMA
Sim, mas... (Oui, mais...) 2001 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
Forrest Gump, o contador de histórias (Forrest Gump) 1994 - Sinopse do
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filme, trailer e análise crítica
História sem fim (Die unendliche Geschichte / The NeverEnding Story) 1984 -
Sinopse do filme, trailer e análise crítica
Fúria de Titãs (Clash of the Titans) 1981 - Sinopse do filme, trailer e análise
crítica
Peter Pan 2003 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
Almas à venda (Cold souls) 2009 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
Gattaca - Experiência genética (Gattaca) 1997 - Sinopse do filme, trailer e
análise crítica
Melancolia (Melancholia) 2011 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
Querida, vou comprar cigarros e já volto (Querida voy a comprar cigarrillos y
vuelvo) 2011 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
Quero ser grande (Big) 1988 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
No limite do suicídio (The Sunset Limited) 2011 - Sinopse do filme, trailer e
análise crítica
A Odisséia (The Odyssey) 1997 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
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A estrada da vida (La strada) 1954 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
A Felicidade não Se Compra (It's a Wonderful Life) 1946 - Sinopse do filme,
trailer e análise crítica
Fanny e Alexander (Fanny och Alexander) 1982 - Sinopse do filme, trailer e
análise crítica
À procura da felicidade (The pursuit of happyness) 2006 - Sinopse do filme,
trailer e análise crítica
Precisamos falar sobre o Kevin (We need to talk about Kevin) 2011 - Sinopse
do filme, trailer e análise crítica
1984 (Nineteen eighty-four) 1984 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
Sr. Ninguém (Mr. Nobody) 2009 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
Fahrenheit 451 1966 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
Barry Lyndon 1975 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
Os famosos e os duendes da morte 2009 - Sinopse do filme, trailer e análise
crítica
Sleepers - A Vingança Adormecida (Sleepers) 1996 - Sinopse do filme, trailer
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e análise crítica
Dr Fantástico (Dr. Strangelove or: How I learned to stop worrying and love
the bomb) 1964 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
Filhos da esperança (Children of men) 2006 - Sinopse do filme, trailer e
análise crítica
A árvore da vida (The tree of life) 2011 - Sinopse do filme, trailer e análise
crítica
Terra de ninguém (Badlands) 1973 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
Fogo sagrado (Holy smoke) 1999 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
Cabo do medo (Cape Fear) 1991 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
O homem da Terra (The man from Earth) 2007 - Sinopse do filme, trailer e
análise crítica
Carrie, a estranha (Carrie) 1976 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica
Regras da vida (The cider house rules) 1999 - Sinopse do filme, trailer e
análise crítica
Reine sobre mim (Reign over me) 2007 - Sinopse do filme, trailer e análise
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crítica
Hannah e suas irmãs (Hannah and her sisters) 1986 - Sinopse do filme, trailer
e análise crítica
Mary e Max: Uma amizade diferente (Mary and Max) 2009 - Sinopse do filme,
trailer e análise crítica
Um sonho de liberdade (The Shawshank redemption) 1994 - Sinopse do
filme, trailer e análise crítica
A tentação (The ledge) 2011 - Sinopse do filme, trailer e análise crítica